sexta-feira, 21 de novembro de 2025

MOTOGP 2025

Marc Márquez: retorno em grande estilo ao título de campeão, vencendo metade das corridas do ano.

            A temporada 2025 da MotoGP foi a consagração do retorno da “Formiga Atômica” ao topo do pódio dos campeões da classe rainha do motociclismo, de onde estava ausente desde 2020, primeiro por problemas físicos decorrentes de acidentes e problemas variados, e depois pela decadência da Honda, de onde Marc Márquez preferiu sair um ano antes do fim de seu contrato e se aventurar pelo time satélite da Gresini em 2024 a fim de confirmar se ainda era o mesmo piloto vencedor de antes, o que ele cumpriu com méritos e ganhou a vaga no time oficial da Ducati, que certamente não se arrependeu nem um pouco da escolha feita.

            Afinal, das 22 provas da temporada, Marc Márquez venceu praticamente metade delas, e conquistou o heptacampeonato sem muitos sustos, dada a fragilidade da oposição, ainda sem conseguir reagir à supremacia da Ducati na competição, o que não quer dizer que o espanhol não tenha tido alguns percalços durante o ano, embora o maior problema enfrentado veio justamente após conquistar o título, o que o tirou das provas restantes do ano, mas que não fez diferença alguma, afinal, já tinha sido campeão mesmo. E mesmo com o título garantido, ninguém chegou perto na pontuação para fazer sombra.

            E foi um campeonato “em família”, já que o vice-campeão foi Álex Márquez, seu irmão caçula, na sua melhor temporada na MotoGP. O mais novo dos irmãos Márquez até deu uma endurecida na briga na primeira metade do ano, surpreendendo a todos, mas o irmão mais velho conseguiu dominar a situação sem dar chances ao irmão mais novo de querer aprontar alguma. Mesmo assim, o saldo foi tremendamente positivo para Álex, que venceu 3 provas no ano, e foi vice-campeão sem muitos sustos. E o fato da Gresini ser um time satélite da Ducati deixou a marca italiana fazendo 1-2 no campeonato, mesmo que sendo em times diferentes. Mais um ano de domínio de Borgo Panigale na competição, em que pese isso não ter parecido tão dominante assim, mas deixando claro que, de certa forma, foi Marc Márquez quem fez a maior parte da diferença.

Dobradinha em família: Álex Márquez foi vice-campeão com méritos com a Gresini, fazendo um 1-2 com o irmão Marc na tabela do campeonato.

            Isso porque Francesco Bagnaia, bicampeão mundial pela Ducati, e vice-campeão de 2024, nem “disputou” o título da temporada, numa daquelas situações surreais que ninguém entende o que aconteceu de fato. O italiano não se entendeu com a GP25, e enquanto ele sofria e tinha vários percalços, Marc Márquez ia empilhando vitórias e fazer tudo parecer tão fácil que o problema só podia ser o piloto, o que esteve longe de ser uma verdade absoluta, mas também não era mentira. Bagnaia teve uma temporada pífia, e só não ficou pior porque ainda teve alguns lampejos ocasionais do campeão que é, como no Japão, onde “Pecco” venceu tanto a corrida sprint quanto a corrida principal, não dando chances aos adversários e ao azar. Mas foi um momento isolado na temporada, porque na maioria das provas, o azar e erros do piloto cavaram uma grande cova, e quando se parecia que Bagnaia estava finalmente se entendendo com o equipamento, a partir a prova em Motegi, a coisa pareceu desandar de vez, a ponto do italiano ficar praticamente zerado nas últimas cinco etapas do campeonato em se tratando de corridas principais. Se a meta de honra era brigar pelo menos pelo vice-campeonato, a derrota foi ainda pior: Bagnaia não apenas foi incapaz até de disputar o vice-título, como ainda se viu superado por dois outros rivais na reta final, diante desta falta de resultados. Um resultado que ninguém esperava.

            Marco Bezzecchi, elevado à condição de líder da Aprilia, fez uma excelente temporada comandando o time italiano, e na reta final, tomou a 3ª colocação de Bagnaia, com duas vitórias contundentes em Portugal e Valência, além da que ele já tinha em Silverstone. Os bons méritos de Bezzecchi deixaram a Aprilia como vice-campeã de construtores, perdendo somente para a Ducati, obviamente, mas dando um fôlego renovado para a marca tentar vôos mais altos em 2026, o que a marca vem tentando nos últimos anos, e tropeçando por vezes nas próprias pernas por si mesma. A Aprilia, contudo, ainda sai com a sensação de que poderia ter feito mais, não fosse ter ficado sem seu principal trunfo para a temporada 2025, que era contar com o campeão de 2024, Jorge Martin, que rompeu com a Ducati e a Pramac, inconformado por ter sido preterido pela marca italiana que contratou Marc Márquez mesmo com ele tendo sido campeão com o time satélite da marca.

Aprilia: Jorge Martin seria a estrela, mas quem brilhou foi Marco Bezzecchi, numa temporada para esquecer do campeão de 2024.

            Só que Martin teve um ano para esquecer. Deu azar de sofrer um forte acidente logo no primeiro dia da pré-temporada de testes, sofreu outro acidente às vésperas do início do campeonato, e ficou mais de meio ano fora de combate. E depois, quando voltou, ainda se acidentou de novo, exigindo novo período de recuperação. E ainda arrumou um imbróglio com o time, tentando romper seu contrato visando achar outra escuderia mais “viável” para 2026, no que o time italiano simplesmente não gostou nem um pouco e bateu o martelo, obrigando Martin a cumprir o contrato firmado, o que poderia comprometer sua carreira na MotoGP futuramente, caso não resolvesse as pendências jurídicas decorrentes. Acalmados os ânimos, Martin enfim conseguiu “estrear” pra valer na competição na etapa da República Tcheca, mas pouco depois, uma largada estabanada de Jorge em Motegi na corrida principal tirou ele e Bezzecchi da prova, e ainda fez o campeão de 2024 sofrer novo percalço físico, que o tirou das provas finais da temporada. Ele até retornou em Valência, mas sem conseguir competir a fundo no final de semana. Foi a pior temporada de um campeão desde o combalido ano de Marc Márquez em 2020, quando o espanhol praticamente nem correu a temporada, diante do acidente sofrido logo na primeira prova daquele ano.

            Bezzecchi, que em tese seria o número dois na Aprilia, aproveitou até para tripudiar a má vontade de Martin em seguir no time em 2026, vencendo a prova da Grã-Bretanha, e alfinetando o colega contundido, afirmando que não estava mal para uma moto “ruim” com Jorge havia mencionado. E a conquista do 3º posto no campeonato certamente enche o italiano de moral para seguir como líder da Aprilia em 2026, quando Jorge Martin precisará de brios e cuidado para tentar retomar a posição de líder que seria dele em tese. O empenho de Bezzecchi dá mostras de que a Aprilia poderia ter até incomodado de fato a Ducati na competição, se Martin tivesse conseguido efetuar a temporada sem os problemas que teve, uma vez que o espanhol queria mostrar à ex-marca o erro de não tê-lo promovido. Infelizmente, ele não só perdeu uma chance de ouro, como ainda foi arrumar uma briga à toa com a escuderia, terminando por cometer um erro crasso depois em corrida que só complicou o que não estava bom. Se ele colocou a cabeça no lugar, terá chances efetivas de recomeçar em 2026, e se reeguer na competição.

            E quem no final ainda roubou mais uma posição de Bagnaia na classificação, fazendo o bicampeão terminar apenas em 5º lugar o campeonato, foi Pedro Acosta, que terminou o ano em 4º lugar, e que em vários momentos levou a combalida KTM nas costas, quase conseguindo suas primeiras vitórias na competição, e os únicos pódios da marca austríaca, à exceção de um 3º lugar de Enea Bastianini em Barcelona, pela equipe satélite Tech3. Acosta brigou firme pela vitória em pelo menos três oportunidades, no que foram raros momentos de felicidade para o time austríaco na pista em 2025. Brad Binder, por sua vez, terminou o ano apenas em 11º lugar, foi completamente ofuscado por Acosta no time principal, tendo marcado a metade dos pontos do espanhol, que foi o único trunfo da marca na competição. A KTM, aliás, quase saiu da competição, uma vez que o grupo empresarial enfrenta uma situação financeira complicada com dívidas colossais que por pouco não obrigaram o grupo a declarar falência, ou no mínimo, entrar em concordata preventiva. A equipe de competição correu sério risco de ser fechada para cortar gastos, e embora o pior possa ter sido evitado, é evidente que o corte de maiores recursos impactou na performance na pista, onde a marca austríaca só terminou em 3º no campeonato de construtores porque Yamaha e Honda continuam muito mal das pernas.

Fabio Quartararo: cinco poles, apenas um pódio. A Yamaha ficou em último no campeonato de construtores em 2025.

            Nos times satélites da Ducati, se Álex Márquez brilhou com seu vice-campeonato, o novato Fermin Aldeguer, seu novo companheiro de equipe, não fez ruim para a temporada de estréia, obtendo dois pódios e uma vitória na etapa de Mandalika, fechando o ano em 8º lugar. Na VR46, a disputa entre Fabio Di Giannantonio e Franco Morbidelli se revelou mais parelha do que se imaginava, com o ítalo-brasileiro mostrando mais desempenho com a GP24, enquanto o companheiro tinha à disposição a nova GP25. No final, Giannantonio foi 6º colocado ao fim da temporada, enquanto Morbidelli foi o 7º, com uma diferença de apenas 31 pontos, mais diante de certos azares de Franco do que por maiores méritos de Fabio. Mas no geral, pode-se dizer que foram resultados bem razoáveis, embora a VR46 tenha sido eclipsada totalmente pela Gresini, que sem a Pramac como principal equipe satélite da Ducati, soube brilhar para assumir o seu lugar na disputa em 2025, tanto que Álex Márquez irá receber a mesma moto do time de fábrica no próximo ano, em reconhecimento da Ducati ao seu vice-campeonato.

            Fabio Quartararo ainda salvou um esforçado 9º lugar, mas obteve apenas um pódio em Jerez com um até inspirado 2º lugar, com o campeão de 2021 até marcando cinco pole-positions no ano, que infelizmente não se traduziu em resultados mais vistosos, uma vez que a moto dos três diapasões não conseguia repetir o ritmo de volta rápida na corrida. A Yamaha oficializou a adoção do motor V4 para 2026, como forma de tentar acelerar a recuperação de performance, mesmo diante dos riscos que a nova arquitetura de motor implica, por estar muito atrasada neste tipo de propulsor, mas é isso, ou ver Quartararo se bandear para a concorrência em 2027, e o francês já deu novas mostras de estar com a paciência curta com o time de Hamamatsu. O único ponto positivo, que foi voltar a ter um time satélite, no caso, a Pramac, ex-Ducati, não pode ser muito comemorado, já que teve resultados mais pífios ainda, mas que já deveriam ter sido esperados quando a escuderia, levando junto a bronca de Jorge Martin, rompeu com a Ducati, mesmo tendo sido campeã com o espanhol em 2024, para usar as motos japonesas a partir deste ano.

            Na Honda, Johaan Zarco foi o destaque ao conseguir a única vitória da Honda no ano, com uma atuação magistral em Le Mans, justo em casa, numa corrida bagunçada pela chuva que fez muitos pilotos ficarem pelo caminho ou errarem feio os momentos de troca de motos em meio às interpéries naquele dia. Zarco foi apenas o 12º colocado na classificação, uma posição à frente de Luca Marini, do time oficial da Honda, enquanto Joan Mir, campeão de 2020, foi um dos que mais caíram na temporada, terminando o ano em uma mísera 15º colocação, em que pese trer conseguido dois belos 3ºs lugares nas etapas do Japão e da Malásia, confirmando uma melhora da Honda, ainda que tardia, na competição, mesmo que esporádica. A LCR, aliás, diante dos maus resultados de Somkiat Chantra, resolveu não priorizar mais um piloto do Oriente, como vinha sendo a política do time nos últimos anos, e por isso mesmo, resolveu se mexer e contratou o brasileiro Diogo Moreira para integrar o time em 2026, fazendo companhia a Zarco, e esperando obter melhores resultados em conjunto.

"Pecco" Bagnaia: míseras duas vitórias na temporada, e uma derrota fragorosa.

            Outro destaque na temporada foi Raúl Fernandez, que conquistou a sua primeira vitória na competição, e da Trackhouse, ao vencer o GP da Austrália. A equipe também teve um dos novatos-sensação do ano, o japonês Ai Ogura, que começou até impressionando no início da competição, com alguns resultados bem satisfatórios para um novato, mas o nipônico perdeu ritmo conforme a temporada avançava, de modo que ele terminou apenas em 16°, enquanto Fernandez fechou o TOP-10 da classificação da temporada, dando um sopro tanto para a Trackhouse quanto para a Aprilia, que averbou assim 4 vitórias no ano, perdendo apenas para a Ducati, obviamente.

            A temporada até que correu em perfeita harmonia, e tivemos a estréia da pista de Balathon Park na Hungria. A Argentina não teve o seu contrato renovado para 2026, e portanto deixa o calendário da MotoGP, mas em compensação, a categoria volta ao Brasil após muitos anos de ausência, na pista de Goiânia, antigo palco da motovelocidade em suas passadas anteriores pelo nosso país. E com novamente um piloto brasileiro no grid, Diogo Moreira, que certamente fará os fãs nacionais do motociclismo prestigiarem como nunca o retorno da classe rainha ao nosso país...

            E assim foi um pequeno balanço da MotoGP 2025. Aguardemos agora o que a próxima temporada irá apresentar...

 

 

Já garantido na MotoGP em 2026 como piloto titular da LCR, Diogo Moreira fechou a temporada da Moto2 com a conquista do título na pista de Valência, última etapa da temporada. O brasileiro já tinha quase garantido a conquista na penúltima etapa, em Portugal, quando venceu e abriu 24 pontos de distância para Manuel González, e precisava apenas marcar mais dois pontos para consolidar a conquista na corrida final, em Valência. Na classificação, González conseguiu o 5º tempo, enquanto Diogo largaria em 9º, mas precisaria apenas de um 14º lugar para levar o título, desde que Manuel não vencesse a corrida. Nem foi preciso: com uma corrida apenas segura, e sem se meter em riscos desnecessários, Digo fechou a prova em 11º lugar, e ainda viu González terminar caindo pelas tabelas, e recebendo a bandeirada apenas em 22º lugar. Com isso, Diogo se torna o primeiro brasileiro na história a vencer a competição da Moto2, categoria de acesso logo abaixo da MotoGP, onde irá estar presente no próximo ano. Diogo fechou a temporada com 286 pontos, contra 257 de Manuel González.

 

 

A Fórmula 1 chegou a Las Vegas para seu antepenúltimo GP do ano. A corrida na pista urbana montada no centro da cidade do jogo em Nevada, nos Estados Unidos, deve ter seus agitos na disputa pelo título, e Max verstappen pode ficar fora de vez das chances, já remotas, de tentar a quinta conquista. Lando Norris terá a meta de reforçar, ou pelo menos manter sua vantagem na liderança do campeonato, enquanto Oscar Piastri, ou se apruma e parte para o ataque com a competência que demonstrou nas corridas da primeira metade da temporada, ou verá o companheiro de equipe cada vez mais próximo do título. E a disputa pela vitória promete ser interessante, com Red Bull, Mercedes, Ferrari e McLaren tendo demonstrado até bom ritmo nos treinos livres desta madrugada de quinta para sexta. O segundo treino livre chegou a ser interrompido por um motivo que já foi motivo de polêmica nesta pista: um bueiro com a tampa solta, que foi solucionado sem maiores problemas. A Bandeirantes transmite a corrida ao vivo a partir da 01:00 Hrs. da madrugada de domingo, pelo horário de Brasília.

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