quarta-feira, 30 de agosto de 2017

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – AGOSTO DE 2017



            Pois é, o mês de agosto já está chegando ao fim. A F-1 e a MootoGP tiveram seu período de férias de meio de ano, e já voltaram com carga total às corridas, com suas disputas mundo afora, ao lado de muitas outras categorias. E todo fim de mês é o momento da edição da Cotação Automobilística, fazendo uma avaliação do panorama geral dos últimos acontecimentos do mundo da velocidade mundo afora, com minhas impressões e visão sobre os assuntos enfocados. Espero que todos possam apreciar o texto, que segue abaixo no esquema tradicional de sempre das avaliações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Uma boa leitura a todos, concordando ou não com minhas opiniões, e até a cotação do mês que vem...



EM ALTA:

Disputa pelo título na F-1: A categoria máxima do automobilismo está vendo uma disputa ferrenha este ano pelo título, e o melhor de tudo é que não dá para afirmar haver um favorito destacado. Lewis Hamilton venceu a corrida na Bélgica com autoridade, mas Sebastian Vettel chegou logo atrás, fungando no cangote do inglês, mostrando que não vai dar folga em nenhuma das corridas restantes do campeonato. O alemão da Ferrari ainda lidera a competição com uma vantagem de 7 pontos, que em tese pode ir para o espaço já na próxima corrida, mas que ninguém duvide que o tricampeão inglês e a equipe Mercedes terão vida fácil, porque o time italiano mostra que vai vender caro a disputa. Quem ganha são os torcedores, que podem apreciar uma disputa entre dois gigantes na pista, e sem poder dizer como essa disputa irá acabar. A tensão deve aumentar prova a prova, e quem fizer bobagem, pode acabar comprometendo suas chances na luta pelo título. Portanto, errar será fatal nas pretensões de qualquer um dos postulantes. Quem vencerá? Creio que só saberemos a resposta em Abu Dhabi...

Josef Newgarden: O novato na equipe Penske assumiu ares de grande favorito ao título da competição após a vitória na pista de Gateway, em Illinois, no que foi o seu 4º triunfo na temporada atual da Indycar, o que faz dele o piloto com mais vitórias no ano. Newgarden vem subindo de produção desde a corrida de Toronto, tendo vencido também em Mid-Ohio, e na pista de Gateway, abrindo 31 pontos de vantagem para Scott Dixon, o único piloto fora o quarteto da Penske a se manter firme na luta pelo título da competição. A maneira como Josef arrancou para a vitória na última corrida em circuito oval da temporada foi decisiva, a ponto de tocar rodas com seu companheiro de equipe Simon Pagenaud, na parte final da corrida, em uma ultrapassagem arriscada, mas que o levou para a liderança, e para a vitória. Roger Penske já havia mostrado seu acerto ao contratar Pagenaud há 3 anos para o time, e mostrou-se novamente certeiro ao arrematar os serviços do jovem americano que vinha dando show com a Carpenter, confiante na sua capacidade. E em seu primeiro ano em um time de ponta, Newgarden já pode conquistar o título da categoria. Vai ser difícil batê-lo, mas tudo ainda pode acontecer, até porque a última etapa, em Sonoma, terá pontuação dobrada, e aí, muita coisa pode mudar, com surpresas até inesperadas, como foi o 4º título de Scott Dixon há dois anos, justamente por causa disso...

Andrea Dovizioso: O piloto italiano da equipe Ducati está arrepiando no Mundial de MotoGP, e venceu as duas últimas corridas do calendário, na Áustria e na Inglaterra, após duelos eletrizantes que ergueram o público nas arquibancadas. Em Zeltweg, o piloto da equipe de Borgo Panigale arrancou a vitória praticamente na última curva da última volta da prova, deixando para trás Marc Márquez numa ultrapassagem “in extremis”. Já em Silverstone, Dovizioso veio de trás para escalar o pelotão até assumir a liderança, a poucas voltas do final, em duelo direto com Valentino Rossi, e vencer pela 4ª vez na temporada, sendo o maior vencedor de provas do ano, e reassumindo a liderança do campeonato, com 183 pontos, contra 174 de Márquez. Com seis corridas até o fim da competição, Andrea tem tudo para entrar firme na luta pelo título, com a grande melhora de performance da Desmosedici frente às rivais Honda e Yamaha, e quem sabe levar o título da classe rainha do motociclismo de volta à marca italiana.

Scott Dixon: O piloto neozelandês da Ganassi é o único candidato de fato ao título da temporada 2017 da Indycar que não pertence ao quarteto da equipe Penske. Guiando tudo o que pode, e aproveitando todas as oportunidades que aparece, ele é o “intruso” na disputa particular da temporada, e não pode ser subestimado, sendo tetracampeão da categoria e o piloto mais vencedor em atividade. Não por acaso, há dois anos, ele conquistou seu último título quando já era considerado praticamente um azarão na decisão do campeonato, que era tido como certo por Juan Pablo Montoya. Se vencer mais uma vez, será pentacampeão, e deve ficar abaixo apenas de A. J. Foyt, que com 7 títulos, é o maior campeão da história das categorias Indy. E, na disputa por equipamentos, ele é o único representante da Honda na disputa, enquanto a Penske vem firme com a Chevrolet, que tem tido um desempenho superior a todos os outros times na media da temporada. Fiquem de olho nele! Ainda tem muito chão e pontos nas duas provas que faltam, sendo que em Sonoma a pontuação será dobrada...

Sebastien Ogier: O piloto francês e atual campeão do Mundial de Rali passou por um aperto neste meio de temporada, mas segue firme na competição de off-road, e com um terceiro lugar no rali da Alemanha, retomou a liderança do campeonato. Ogier já perde em número de vitórias no ano para Thierry Neuville, mas em compensação, tem conseguido ser mais regular, e lembrando que ele está em outro time, após a saída da Volkswagen da categoria, está fazendo um belo trabalho. Ainda há três provas para fechar o ano, e a vantagem de Ogier para Neuville, o vice-líder, 17 pontos, pode ser considerada pequena, mas se mantiver sua constância, podem ir se preparando para mais um título do francês, que seria o seu 5º consecutivo. Alguém arrisca um palpite diferente?



NA MESMA:

Dupla da Ferrari em 2018: A Ferrari resolveu jogar seguro, e renovou o contrato de sua atual dupla de pilotos para a próxima temporada. Kimi Raikkonem vai para mais um ano na escuderia italiana, e Sebastian Vettel renovou por mais três temporadas, acabando, pelo menos por agora, com os boatos de que iria para a Mercedes em 2019, se o time rosso não apresentasse um carro competitivo em 2018. Agora, em teoria, uma mudança dessas só será possível em 2021, ano em que a categoria máxima do automobilismo deverá passar a adotar novas unidades de potência mais simples, para tentar baratear os custos e permitir o ingresso de novos fornecedores. A renovação de Kimi também deve implicar que o finlandês terá de assumir sua posição de segundo piloto do time, e colaborar para que Vettel seja campeão. O alemão, aliás, era o maior defensor da permanência de Raikkonem na escuderia, certamente receoso de que o time contratasse algum piloto que pudesse lhe dar dor de cabeça, como Daniel Ricciardo ou Max Verstappen, ou até mesmo Fernando Alonso. Mas a direção de Maranello preferiu não desestabilizar Vettel, e mantê-lo contente no time, sem sofrer oposição em sua condição de primeiro piloto.

Max Verstappen: O holandês voador certamente foi uma das celebridades da temporada do ano passado, tendo assombrado a categoria com sua precocidade ao volante da Red Bull, onde conseguiu estrear com vitória. Mas nesta temporada o garoto vem acumulando vários abandonos, e começa a ficar irritadinho com estas situações, já dando a entender que pode procurar outros lugares se a equipe dos energéticos não lhe proporcionar um carro melhor. Mas é melhor Max ficar quieto com toda essa chiadeira, porque não há lugar melhor disponível no momento. Na Ferrari, pelo menos enquanto Vettel estiver por lá, suas chances são mínimas, e pode-se usar o mesmo raciocínio na Mercedes com relação a Lewis Hamilton. Se ele acha que está ruim a situação, que experimente então guiar a McLaren com aquela bagaça de motor produzida pela Honda, para ver o que é bom pra tosse... A vida de um piloto não é feita apenas de glórias, e o jovem Max está em uma das melhores escuderias da categoria. Que ele se espelhe um pouco no exemplo de Daniel Ricciardo, que sem fazer escarcéu, já tem o dobro de pontos do holandês, em que pese alguns azares a menos também...

Jolyon Palmer: O piloto inglês da equipe Renault está na marca do pênalti e é visto como carta fora do baralho para a temporada 2018 da F-1. O fantasma de Robert Kubica está sempre por perto, mas o time o manteve na etapa belga, e Jolyon até que surpreendeu, andando sempre na frente de Nico Hulkenberg na maior parte do tempo. Mas, Palmer parece ter uma zica daquelas, e sofreu uma quebra de câmbio, e perdendo 5 posições no grid. E, na corrida, mais uma vez ficou à sombra do parceiro, em que pese os problemas enfrentados no seu carro. Continuam as especulações se ele termina ou não a temporada no time francês, pelo menos, mas está complicado. Até quando ele mostra desempenho digno de nota, algum problema aparece e estraga tudo... Assim, realmente fica difícil mesmo, e imagino que o time fique na mesma saia justa em certos momentos, esperando que essa onda de azar passe. O problema é que o tempo passa, e a situação não melhora...

Hélio Castro Neves: O piloto brasileiro da equipe Penske ainda é um dos postulantes ao título da temporada, mas tem de se aplicar mais do que nunca se quiser chegar realmente ao título da competição. Pequenos erros, como deixar o motor morrer numa das paradas de box em Gateway podem ser determinantes para que ele se despeça das categorias Indy sem conquistar um título, se for mesmo transferido para o novo time de Roger Penske no IMSA Wheater Tech Sportscar em 2018. Hélio diz preferir ficar onde está, mas só o título deve fazer Roger desistir da idéia, pelo menos por hora. Para complicar a situação, Josef Newgarden anda endiabrado, e não se intimida em espremer seus próprios companheiros de time na pista para vencer, dando mostras de que vai ser difícil superá-lo.

Fernando Alonso: O piloto espanhol declarou que decidirá seu destino para 2018 em breve, mas teria feito um ultimato à McLaren: se a Honda ficar, ele sai. O bicampeão abandonou a corrida belga alegando perda de potência, o que foi negado pelo fabricante japonês, mas como fica o ânimo de um piloto que nos últimos três anos, por mais que dê tudo na pilotagem e mais um pouco, só pode aspirar como melhor resultado conseguir marcar um ou outro ponto? A paciência com a falta de performance do propulsor nipônico, apesar de algumas melhoras, parece estar no fim. Mas a situação do espanhol, que alega ter várias opções na sua mesa, parece exagerada, uma vez que os carros mais competitivos não estão disponíveis, e alguns outros, como na Williams, no atual momento não parecem andar tão bem como gostariam. O destino de Alonso em 2018 é um dos mistérios da temporada da F-1, e se o asturiano tem mesmo algum trunfo na manga, ele deve estar mesmo bem escondido, pois ninguém consegue imaginar o desfecho da sua situação. Só falta Fernando ter escondido seu trunfo tão bem que não consiga achá-lo mais depois...



EM BAIXA:

Equipe Williams: Terceiro time mais antigo da categoria ainda existente, a escuderia inglesa vem despencando de rendimento nas últimas corridas, suando para conseguir marcar míseros pontos. Se na Hungria o problema era o carro não render em pistas travadas, na Bélgica, até mesmo Felipe Massa afirmou que o time está andando para trás, tendo sido eliminado já no Q1 da classificação. O piloto brasileiro conseguiu fazer uma grande corrida e chegar em 8º, mas se vê numa disputa pela 5ª posição no Mundial de Construtores com a Toro Rosso, e vendo Renault e Hass apresentarem melhor performance na pista. Pelo visto, o time só deve mesmo ter melhores perspectivas em 2018, porque 2017 não tem muito mais o que prometer...

Fraternidade na dupla de pilotos da Force India: Sérgio Perez e Esteban Ocon definitivamente não falam mais a mesma língua no time de Vijay Mallya. Os dois pilotos já se estranharam em diversas corridas este ano, levando o time a perder vários resultados melhores. E ambos voltaram a se estranhar na Bélgica, com toques em mais de um momento na corrida, sendo que o último, na descida para a curva Eau Rouge, poderia ter tido consequências trágicas para ambos no toque que deixou Ocon sem parte do bico dianteiro, e Perez com um pneu furado. O time já declarou que ambos não poderão mais disputar posições na pista entre eles, e Ocon até já afirmou que Perez tentou matá-lo na manobra. Os ânimos entre ambos vão ficar bem mais quentes até o fim da temporada, e se não arrefecerem, alguém vai sobrar nesta história toda. Resta saber quem...

Situação da Honda na F-1: O fabricante japonês continua sua via-cruccis na categoria máxima do automobilismo. Após ver seu acordo com a Sauber ir para o vinagre, desta vez foi a Toro Rosso que preferiu manter-se fiel à Renault, do que apostar nos propulsores nipônicos para a próxima temporada, levando outra negativa, algo nunca antes visto no currículo da marca japonesa, que nos seus bons tempos, chegava a esnobar seus parceiros, como ocorreu com a Williams para 1988, e com a Lotus para 1989, deixando-os sem opções de motores competitivos na época. A única chance de não sair da F-1 com o rabo entre as pernas e um fiasco histórico agora é manter sua parceria com a McLaren, e para tanto, a direção do programa de F-1 finalmente aceitou receber ajuda externa para melhorar o seu projeto, no caso, da Ilmor, que fez excelentes melhorias na unidade de potência da Renault no ano passado. A ajuda da empresa de Mario Illen já se nota na performance das unidades, mas o terreno perdido a ser recuperado é tão grande que mesmo assim, os propulsores continuam deixando muito a desejar. Masos japoneses não desistem, e prometeram atualizações “extras” de seu propulsor ainda nesta temporada, para tentar convencer não apenas a McLaren, mas também Fernando Alonso, a continuar com eles. Já na Bélgica, os nipônicos apresentaram novidades, mas numa pista onde potência é fundamental, não se viu melhora alguma. A situação continua tremendamente complicada, tanto para a Honda, quanto para a própria McLaren...

Jorge Lorenzo: O tricampeão espanhol sabia que teria um ano difícil na Ducati, mas confiava que com esforço, dedicação e trabalho duro, seria questão de tempo até voltar a brilhar e ser novamente protagonista do campeonato, como foi nos seus anos de Yamaha. Mas, a situação que se apresenta é talvez pior do que ele próprio imaginava que pudesse acontecer. A Ducati está mostrando força, e até entrando firme na luta pelo título, mas com Andrea Dovizioso, e não com ele. Se é verdade que houve provas em que Lorenzo ficou devendo, em outras, ele andou próximo de seu companheiro de equipe, de modo que seu empenho não foi ruim. O problema é que as disputas estão ficando bem parelhas, e uma pequena diferença aqui ou ali, podem significar muito. Basta ver a etapa em Silverstone, onde Lorenzo terminou a apenas 3s5 atrás de Dovizioso, só que seu parceiro venceu a corrida, e ele, Jorge, foi o 5º colocado, e isso depois de ter largado uma melhor posição do que ele no grid. E, vendo Dovizioso liderar o campeonato com o dobro de pontos começa a dar idéias de que o problema da outra Ducati está sendo mesmo o piloto, e não a máquina. É cedo para crucificar a temporada de Lorenzo, que está fazendo o que pode para render no time italiano o que ele rendia na Yamaha, mas que a imagem de sua posição atual na competição é algo pior do que nem ele imaginava, isso é...

Marco Andretti: O neto de Mario Andretti despontou na Indy Racing League na década passada como a continuidade natural do clâ Andretti nas pistas, e o garoto até que fez algumas temporadas dignas na categoria, tendo como ápice o ano de 2013, quando foi o 5º colocado final no campeonato. Infelizmente, nos últimos dois anos, Marco tem ficado muito mais à sombra de seus outros companheiros de equipe, que tem conseguido melhores resultados na pista, em que pese o time de Andretti Autosports estar em uma fase de altos e baixos, sem conseguir manter uma constância de resultados desejável para voltar a lutar pelo título da temporada. A queda, em relação a seus companheiros de time, entretanto, já começa a afetar sua avaliação perante outros donos de equipe, que ficam mais unânimes em afirmar que, se não corresse no time do próprio pai, Marco certamente já teria ficado a pé na categoria. Pelo sim, pelo não, melhor o garoto me mexer para evitar esse tipo de comentário, ainda mais para um piloto de uma das famílias mais tradicionais do automobilismo estadunidense, os Andretti, sendo que Mario, avô de Marco, foi campeão da antiga F-Indy, sendo tricampeão; além de também ter sido campeão da F-1, e vencido as 500 Milhas de Indianápolis em 1969. E seu pai, Michael, também foi campeão da antiga F-Indy...