sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O QUE O PESSOAL QUER, AFINAL?


Todo mundo largou sem estripulias, mas mesmo assim, tudo deu errado. Incidente de corrida, ora bolas... Nada de caça às bruxas, portanto... Até porque os três abandonaram ali mesmo e já ficaram no prejuízo...

            Domingo passado, em Singapura, vimos o incidente que pode ter custado as chances do título de 2017 a Sebastian Vettel e à Ferrari. A pancada tripla entre a dupla ferrarista e Max Verstappen suscitou as mais acaloradas discussões na internet mundo afora, com todo mundo dando sua opinião sobre o ocorrido. A decisão da FIA de não punir ninguém pelo incidente, a meu ver, encerrou a questão com justiça, mas para muita gente, isso não está certo; alguém tinha de ser punido; para outros, a corrida nem devia ter sido iniciada daquele jeito. Foram tantas críticas e palpites, que fico me perguntando o que o pessoal fã de automobilismo quer de fato hoje em dia.
            Uma das críticas que mais venho ouvindo nos últimos tempos, e que concordo plenamente, é que a F-1 virou uma “categoria de comadres” porque os pilotos não se arriscavam demasiadamente nas disputas de posição, todo mundo tinha medo de relar no outro, etc. Também, pudera: qualquer atitude, a FIA já metia a canetada, e piloto X tomava punição disso, piloto Y tinha punição daquilo, etc. Logicamente, ninguém queria levar uma dos comissários, portanto, as posturas de muitos pilotos foram ficando conservadoras, e em alguns casos, prudentes até demais. Todo mundo pensava duas vezes antes de algum movimento mais arrojado na disputa de uma posição. Daí, as críticas que muitos fizeram com relação a este festival de punições a torto e a direito. A coisa melhorou um pouco quando passaram a chamar ex-pilotos para a função de comissários de pista, auxiliando os comissários tradicionais no que deveria ou não merecer de fato uma punição. As canetadas diminuíram, mas nem tanto, e alguns ex-pilotos, em defesa ferrenha da segurança, continuaram avalizando punições em número demasiado altas ainda. Esse exagero tinha que parar, pois o pessoal queria ver disputas na pista. Mas, entre ganhar posição e ganhar uma punição, a escolha em muitas ocasiões ficava complicada. Então, as corridas da F-1 não rendiam em emoção tudo o que poderiam oferecer.
            Com a nova direção da F-1 agora pelo grupo Liberty Media, a ordem foi liberar mais os pilotos na pista. Doravante, punições só em casos mais graves. Ainda há um caminho a percorrer, em especial uniformizar os critérios que devem ser levados em conta na punição, como a culpabilidade do piloto, as circunstâncias, consequências, etc. Por isso mesmo, ao não punir Sebastian Vettel, Kimi Raikkonem e Max Verstappen pelo ocorrido na largada em Marina Bay domingo passado, a FIA fez o certo. Foi um incidente de corrida: ninguém fez nada ilegal ou antidesportivo de forma proposital ali. Só deu tudo errado, e a maior punição já havia ocorrido: os três pilotos ficaram de fora da corrida, em um circuito onde todos os três tinham amplas expectativas de excelentes resultados. Mas, muita gente mundo afora saiu matando a pau os três pilotos. Para muitos, era questão de encontrar o culpado maior pela colisão, mas para outros, era simplesmente descer a lenha no piloto.
            Max Verstappen, por exemplo, foi considerado culpado para muitos, e criticado de que só levará jeito quando criar alguma catástrofe na pista, o que motivará a FIA a puni-lo como se deve. Só que neste caso, Max acabou encurralado, e não teve para onde ir. Acabou acertando Raikkonem, que tocou em Vettel, e por aí vai. E, se ele tirasse o pé do acelerador, podia ser atingido por quem vinha atrás, dependendo da desacelerada. Ou seja, podia dar batida do mesmo jeito. O problema é que, dado o histórico recente do holandês da Red Bull, fica mais fácil, ou conveniente para alguns, jogar a culpa por mais uma batida em Verstappen. E não ajudava em nada o fato de ele ter declarado no dia anterior que ia partir para o tudo ou nada na largada, o que me fez pensar, como que antevendo o desastre, que ia dar confusão logo na primeira curva. Nem foi preciso esperar a primeira curva... Mas nessa, o holandês não merece ser execrado. Ele acumulou mais um abandono, e mais uma vez viu seu companheiro de equipe, Daniel Ricciardo, subir mais uma vez ao pódio, enquanto ele vai ficando cada vez mais para trás na classificação. E deixe ele falar bobagens, ao afirmar que pelo menos não abandonou sozinho... Outra crítica dos torcedores era com relação às declarações “pasteurizadas” dos pilotos, portanto, se o jovem Verstappen está dizendo asneiras, ainda é melhor ouvi-lo falar isso do que receber mais uma daquelas declarações insossas acordadas com assessores de imprensa, que muitas vezes não correspondiam à realidade dos sentimentos do momento...
Max Verstappen pode falar algumas besteiras, mas é preferível ouvir isso a ter de aturar aquelas declarações assépticas e "comportadas" impostas pelos assessores de imprensa das equipes e pilotos...
            Aí, numa dessas, vem a turma do politicamente correto descer a lenha no rapaz. Vão encher o saco de outro, eu respondo. Nélson Piquet falava pelos cotovelos, e por mais ofensivas que fossem algumas de suas declarações, era autêntico, e mesmo que falasse bobagens, preferia isso a ser falso. Mas, nos dias de hoje, temos uma plateia de chatos de galocha para os quais qualquer declaração mais contundente soa pesada ou ofensiva em demasia. Eu prefiro estas declarações do que aqueles comunicados padrão onde todos diziam que tudo estava bem, mesmo quando a casa estava caindo legal na pista ou nos boxes. A F-1 foi ficando muito asséptica nestes últimos anos, e infelizmente, muita gente também adotou este tipo de postura. O ambiente “corporativo” vigente na categoria ditava que tudo tinha que ser dito de forma polida, ou “censurada” pelos assessores de imprensa. Daí alguns ficarem “exaltados” quando Fernando Alonso fala que seu motor Honda é uma porcaria e tal, chamando o espanhol de arrogante, metido, entre outros adjetivos. Novamente, Nélson Piquet, em seus dias, era o primeiro a declarar quando seu carro estava “uma merda” sem salvação, ou que não andava nem que a vaca tossisse. Curiosamente, quando Rubens Barrichello falou em tom de brincadeira que seu carro estava uma porcaria, todo mundo caiu de pau em cima dele, com comentários nada elogiosos ou educados... Dois pesos e duas medidas? Em parte, mas para mim, parece que o pessoal mesmo não sabe o que quer, de fato...
            Da mesma forma vejo o que andaram dizendo sobre Kimi Raikkonem. O finlandês vem sendo criticado de fazer uma temporada apagada, nem conseguindo andar no mesmo ritmo de Vettel. Mas em Singapura, ele foi quem melhor largou, e se não tivesse sido tocado, muito provavelmente chegaria na primeira curva com chances de assumir a liderança. Uma liderança que, obviamente, teria de entregar para Vettel mais à frente, pelo jogo de equipe praticado pelo time rosso. Mas o que mais vi foi gente criticando o finlandês por uma tentativa de ultrapassagem “perigosa” e “irresponsável”, e o colocando também como culpado pelo enrosco múltiplo da largada, e que também deveria ter levado uma senhora punição, fora aqueles que comentaram a “idiotice” da Ferrari em renovar o contrato do finlandês por mais um ano, e que ele teria feito todo o esforço do time de fazer de Vettel o campeão do ano ir por água abaixo com seu arranque “tresloucado” no grid. Ora essa! Kimi viu uma brecha, e se atirou nela, como todo piloto deve fazer quando enxerga uma oportunidade, e ele já tinha superado Verstappen quando recebeu o toque deste, e ainda sem ter muito para onde ir, já que o muro estava bem ali ao lado. Um pouco mais à frente já havia um pouco mais de espaço, mas ele precisava vir para dentro da pista, e com Max sendo fechado por Vettel, eis que todo mundo foi para cima de todo mundo, e não deu outra: o toque acabou sendo inevitável. Mas Raikkonem também nada fez de errado: ele escolheu uma trajetória, e se manteve firme nela, e ia consumando a ultrapassagem quando tudo deu errado. Se ele tivesse feito uma largada estabanada e maluca, a crítica até poderia valer, mas não houve nada disso. E não é porque ninguém faz nada errado que algo errado acontece. Pode simplesmente acontecer. O esporte a motor é, por natureza, perigoso: mesmo com todas as precauções possíveis tomadas, e cuidados ao extremo, mesmo assim podem acontecer acidentes...
            Quanto a Vettel, ele também foi execrado por muitos, e em certos aspectos, pode até ser considerado o “culpado” maior de causar o incidente, pelo modo como fechou Verstappen e que fez o holandês tocar em Kimi, e este em Sebastian. Mas, como pole, Vettel tinha todo o direito de defender sua posição, e conforme as regras, fez apenas uma mudança de direção. E mesmo assim, deu zebra. Não saber que o companheiro de time já vinha firme pelo lado de fora é apenas uma consequência das circunstâncias. Por mais que todo piloto tome cuidado na hora da largada, são muitos carros no grid, e se alguém ficar pensando demais nos outros, ele praticamente não larga, e fica para trás. Singapura é uma corrida noturna, e domingo, ainda teve a condição inédita de começar com chuva, o que certamente complicou um pouco a situação, colaborando para a falta de visibilidade. Mas largadas podem ser complicadas, e mesmo que o pole não faça nada errado, as chances de algo dar errado sempre estão por perto. Alguém lembra da “atropelada” que Ralf Schumacher deu em Rubens Barrichello na largada do GP da Austrália de 2001? OK, ali foi mesmo barbeiragem do alemão, que acertou a traseira da Ferrari do brasileiro com tudo, decolando por cima e acabando com a prova de ambos ali mesmo. Em Singapura, foi algo mais sutil, sem erros crassos por parte dos pilotos. Todo mundo fez o que deveria fazer, e deu zica assim mesmo... Acontece... Coisas da vida...Incidente de corrida... Nada mais óbvio. E, culpado maior ou não, o alemão tetracampeão teve seu maior revés: zerou em uma prova onde era o favorito, e ainda viu Lewis Hamilton vencer e abrir 28 pontos na classificação. Para quê entornar o caldo e tacar uma daquelas punições imbecis ao ferrarista para a próxima corrida e dar a impressão de que Hamilton está sendo favorecido desse modo? De qualquer modo, muita gente já chiou que o fato do alemão não ser punido é devido à benemerência da FIA para com a Ferrari. Se fosse outro piloto, era punição na certa, muitos disseram. Prefiro pensar que não, porque se fosse, seria um desgaste e um imbróglio que a FIA e a F-1 certamente não precisariam passar...
            Por isso mesmo, defendo critérios objetivos, e sem tantas frescuras. Uma categoria que se propõe a maior e mais profissional do mundo não pode ficar “emparedando” seus competidores, como se eles fossem participantes de um derby de demolição e que, ao apagar das luzes vermelhas, saem literalmente jogando o carro em cima de todo mundo com o maior espírito beligerante possível. Toques e incidentes devem ser vistos como algo natural do meio. E nada mais, exceto em casos escandalosamente premeditados, obviamente.
            E o que dizer dos que acusaram a FIA pelo incidente, pela “irresponsabilidade” de permitir a largada parada, e não atrás do Safety Car? Gente, que palhaçada é essa? Não chovia tanto assim, as condições da pista eram boas, e a iluminação noturna da pista era tão forte que nem fazia parecer noite lá dentro. Tanto é que vários pilotos largaram com pneus intermediários, e não com os pneus de chuva forte, e ninguém saiu rodando por causa disso exatamente. E se teve alguém que fez besteira com os pneus foi Felipe Massa, ao insistir permanecer na pista com os pneus de chuva forte quando todo mundo já havia trocado os seus pelos intermediários, e também se atrasando para colocar os pneus de pista seca, o que fez da performance do brasileiro uma piada, só não terminando em último porque as duas Sauber estavam tão ruins que nem conseguiram tirar proveito da situação de corrida. O pessoal quer disputa, emoção, ou uma procissão onde qualquer probleminha, para-se a corrida e taca o Safety Car na pista?
            Não se trata de menosprezar a segurança, mas em alguns momentos recentes, o pessoal da F-1 parece um bando de gente assustada que não pode ver uma chuva que já se borra toda, e olha que já vi corridas debaixo de temporais onde os pilotos daquela época simplesmente dariam risadas do “pavor” que andaram tendo recentemente em alguns casos. E isso sem comprometer a segurança exatamente. Até porque os carros atuais dão um show de segurança em relação aos carros antigos da categoria máxima do automobilismo. Não falo de simplesmente largar de qualquer jeito ou ignorar preceitos básicos de segurança, mas de coibir exageros de precaução que simplesmente afastam o público, por dar a impressão de que ninguém ali sabe correr com água. Ou alguém aí gostaria dever um jogo de futebol paralisado por uma chuva à toa? Claro que é preciso analisar todos os detalhes, mas hoje em dia, dá a impressão de que os pilotos da F-1 estão indo correr em uma pista oval, e não em um circuito misto. Oval é outra história, e aí a paralisação de uma corrida mais do que se justifica, uma vez que todo mundo iria parar no muro na primeira curva, sem chances de escapar. Não o caso da F-1.
            Por isso, quando deixam o pessoal largar como se deve, ainda vem gente criticando isso, como se a FIA tivesse sido irresponsável por permitir tal coisa. Ora vamos, o que esse pessoal quer, afinal? As condições mais do que permitiam largada em condições normais. De fato, tanto tempo vendo a F-1 viver de suas frescuras em preocupação com a segurança em níveis quase “paranoicos” andou deixando muita gente também “paranoica” com situações que deveriam ser aceitáveis em condições normais, e não algo “excepcional”. O pessoal quer ver ação, mas quando alguns pilotos se mostram muito mais arrojados, começam a criticar, por vezes apenas por criticar. É um pouco o caso de Max Verstappen, que até tem exagerado em vários momentos, merecendo críticas adequadas, mas não aplicáveis quando ele não faz nada demais como deveria. Como também criticar Vettel por dar uma fechada na largada que qualquer pole-position tem o direito de fazer. O mais importante é: alguém se feriu? Se não, ótimo (mas sem exageros na interpretação, que fique bem claro: não é porque alguém saiu capotando por uma irresponsabilidade e ficou ileso que tudo fica numa boa, lógico), e toca-se a situação adiante.
            O Liberty Media está fazendo muito bem em tirar as “amarras” exageradas que a F-1 se auto impôs nos últimos tempos. A competição precisa ficar mais livre e solta. E muitos torcedores também precisam se acostumar a ver disputas mais acirradas e ferrenhas na pista. Não é tornar as corridas arenas de gladiadores, mas fazer delas novamente palcos de disputa onde seus competidores possam mostrar por que de fato são os melhores pilotos que ali estão, que batalharam para ali estar, e não ficarem brindando o público com disputas mixurucas temendo encostar uns nos outros por sofrerem qualquer castigo por algo que muitas vezes nem tem consequências ou uma posição errada assumida que levasse ao momento frustrado. Há muita coisa ainda a ser feita para resgatar mais do espírito da competição e de trazer de volta o charme e o carisma que a categoria máxima do automobilismo já exibiu um dia. Tomando alguns passos de cada vez, e mais importante, que os torcedores saibam realmente o que querem da F-1, talvez a competição volte a empolgar, sem ter um bando de chatos e imbecis para arrumar frescuras, dentro e fora das pistas...
Lewis Hamilton ganhou praticamente de presente a vitória em Singapura e ainda viu seu principal rival ficar fora de combate em Marina Bay. Dá para pedir mais?

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

HAVOC SERIES – BARBEIRAGENS DA LARGADA II



            Bom, cá estou eu com mais uma postagem da sessão Havoc Series, em mais uma seleção de vídeos para os fãs do mundo do esporte a motor. Domingo passado, tivemosum enrosco entre Max Verstappen, da Red Bull, e a dupla da Ferrari, Sebastian Vettel e Kimi Raikkonem, na largada do Grande Prêmio de Cingapura. Largadas costumam ser um momento complicado, pelo fato de todos os carros estarem próximos, e por isso mesmo, as chances de uma batida entre eles aumenta exponencialmente. Mas colisões nas largadas não são exatamente tão corriqueiras como se imagina. Os pilotos tomam seus cuidados para evitar bater em alguém, até porque eles podem ser os maiores prejudicados, terminando sua participação no GP ali mesmo. Mesmo assim, não dá para evitar que em algumas vezes a situação saia do controle, e tudo dê com os burros n’água, como ocorreu em Marina Bay. Em outras ocasiões, alguns pilotos afoitos colocam tudo a perder, e em outras oportunidades as circunstâncias não foram as mais favoráveis. Em julho de 2015 fiz uma postagem de vídeos cujo tema era justamente confusões nas largadas das corridas da F-1 ao longo do tempo, portanto, retomo o tema hoje, com mais algumas ocasiões onde os pilotos viram seu fim de semana chegar ao fim abruptamente.

            O primeiro vídeo, obviamente, vai para o rolo envolvendo a dupla ferrarista desta temporada e Max “crash kid” Verstappen, que já fez e aconteceu com relação a algumas confusões na pista em sua curta, porém meteórica ascenção ao circo da F-1. Mas o garoto desta vez não teve tanta culpa assim no acidente. Foi mais um acidente de corrida mesmo. Mas claro que Max poderia evitar de chamar atenção negativa para o seu lado se evitasse de falar algumas bobagens, como o fato de ter ficado aliviado de não ter abandonado sozinho naquele salseiro que ocorreu. Também fica complicado quando o holandês afirmou, no sábado, que ia para cima na largada, bem ao seu estilo, o que dá idéia de um arranque kamikaze por parte do piloto da Red Bull, o que não foi o que aconteceu exatamente, mas depois disso tudo, quem liga? Ah, e imagina o que deve ter pensado Fernando Alonso, que acabou indo de mala e cuia involuntariamente nesta confusão, dando adeus ao que prometia ser um fim de semana mais promissor para a McLaren... O vídeo é do canal oficial da própria F-1 no You Tube:



O canal oficial da F-1 também disponibilizou mais um vídeo, com alguns ângulos de cena a mais em relação ao vídeo anterior, e sem narração, mas as imagens falam por si:



O vídeo seguinte é da largada do Grande Prêmio de Portugal de 1995, no tradicional circuito do Estoril. No pelotão de trás, Ukyo Katayama, da Tyrrel, acabou tocado e capotou literalmente com seu carro, dando início a um enrosco entre vários carros. Como vários carros ficaram pelo meio da pista, a prova foi interrompida, e vários dos pilotos correram para seus carros reserva para a relargada. Katayama e Massimiliano Papis, da Arrows, contudo, acabaram ficando de fora da nova largada e da corrida, mas felizmente ninguém ficou ferido na confusão. O vídeo foi postado no You Tube pelo usuário MegaLeodis:



Ainda no ano de 1995, o início do Grande Prêmio da Alemanha na pista de Hockenhein e suas hoje extintas longas retas. Não tivemos aqui um rolo na largada, mas em termos, podemos dizer que, se Damon Hill tinha pretensões de oferecer luta a Michael Schumacher na disputa pelo título daquele ano (que acabou com o bicampeonato do alemão), o despiste sofrido logo ao iniciar a segunda volta da corrida germânica certamente foi um belo tombo em suas expectativas. Felizmente, o inglês, com uma largada inspirada e uma primeira volta com um ritmo fortíssimo, não arrumou confusão com mais ninguém neste acidente. O vídeo foi postado no You Tube pelo usuário 20mlt09:



E não podemos esquecer de uma das maiores carambolas da história daF-1, ocorrida justamente na pista de Spa-Francorchamps, na largada do Grande Prêmio da Bélgica de 1998. A corrida estava começando sob chuva, panorama comum na região das Ardenhas, e todo mundo até que passou com cuidado pela curva La Source, palco tradicional de confusões. Mas, logo após, na descida para a Eau Rouge, com todos os pilotos acelerando pra valer, é que a coisa engripou, com uma rodada de David Couthard que obrigou os pilotos a tentarem se desviar da McLaren desgovernada, e com isso, colidindo uns com os outros. A corrida foi interrompida para limpeza da pista e atendimento aos pilotos, com alguns deles sofrendo alguns ferimentos leves de contusão devido às pancadas. Nada menos do que 13 carros se envolveram na confusão, e vários pilotos não tiveram como alinhar para a segunda largada por não terem carros reservas suficientes. Confiram como foi o salseiro todo, neste vídeo postado no You Tube pelo usuário F1Fun4u. Ah, sim, o vídeo é uma compilação de acidentes ocorridos na pista de Spa, portanto, vocês verão mais algumas pancadas fortes de alguns pilotos em outros anos e trechos da pista:


Mas não é só a F-1 que vê algumas pancadas entre pilotos mais afoitos. Vejam só este vídeo aqui, do Grande Prêmio de Mônaco de 2013 da GP, postado no You Tube pelo usuário McHakk, para ver como é que se faz um grande rolo de forma “profissional”, envolvendo um bocado de competidores, e dando uma trabalheira danada para o pessoal da organização da corrida, tendo que colocar toda aquela confusão em ordem. Aliás, vocês verão que o vídeo já começa de forma sugestiva... Quando ouvirem algum piloto dizer que irá pra cima do adversário... Bem, não precisa ser tão literal também... Dêem uma boa olhada:


E vamos lembrar também da largada da corrida de Gateway, em Saint Louis, no campeonato da Indycar deste ano, onde Will Power, da Penske, acabou rodando, e viu Ed Carpenter subir literalmente em cima de seu carro. E olha que tivemos uma batida antes mesmo da bandeira verde, com Tony Kanaan acertando de leve o muro de proteção (que não está no vídeo, que começa longo na bandeira verde da largada efetiva). O vídeo foi postado no You Tube pelo usuário CrashRacing:


E com isso encerro mais uma sessão de vídeos do Havoc series. Espero que todos tenham apreciado, e em breve trago mais algumas compilações para o pessoal aproveitar. Bom divertimento, e até breve...

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

DECISÃO EM SONOMA


O autódromo de Infineon Raceway mais uma vez encerra a temporada da Indycar com mais uma decisão do título da categoria.

            Chegou o momento da decisão. O pessoal da Indycar está em Sonoma, no Infineon Raceway, para o encerramento da competição, e temos quatro pilotos na luta pelo título da temporada, praticamente. Embora a pontuação desta corrida seja dobrada, por ser a prova final do campeonato, e matematicamente 6 pilotos ainda possam em teoria chegar ao título, a rigor só Josef Newgarden, Scott Dixon, Hélio Castro Neves, e Simon Pagenaud tem chances reais mesmo de título. Will Power, o 5º colocado na competição, tem 68 pontos de desvantagem para Newgarden, e seria preciso uma combinação de fatores extremamente complicada para dar ao australiano o bicampeonato da categoria. E seria preciso que os demais pilotos na briga caíssem fora da competição para que suas chances ficassem realmente válidas. O mesmo vale para Alexander Rossi, que precisaria de uma combinação praticamente perfeita de uma vitória e um desastre completo dos demais postulantes ao título para poder sonhar com a taça.
            Com 560 pontos na carteira, e ocupando a primeira colocação da tabela, o americano Josef Newgarden faz uma temporada de estréia na Penske muito boa, e com chances de faturar o título. Mas ele poderia ter complicado a situação ainda mais para seus rivais se não tivesse batido de forma bizarra após sair dos boxes em Watkins Glen na semana retrasada, praticamente ficando de fora das primeiras colocações, e marcando apenas 13 pontos porque o sistema de pontuação da categoria não deixa ninguém no zero em nenhuma etapa. Josef venceu 4 corridas no ano, e em tese, depende apenas de si mesmo para chegar ao seu primeiro título.
            Mas a pista mista de Sonoma pode ser complicada, e tudo pode acontecer na corrida. Qualquer descuido, já nos treinos livres, pode azedar todo o final de semana, e logo atrás do americano da Penske vem a maior ameaça à sua conquista, o neozelandês Scott Dixon, da Ganassi. Dixon tem aproveitado todas as oportunidades que surgem à sua frente, e qualquer vacilada da concorrência pode ser um prato cheio para ele, que apesar de certa inferioridade de seu carro frente aos pilotos da Penske na luta pelo título, venceu uma corrida no ano e com uma grande constância mantém-se firme na luta, sendo o único piloto não-Penske a de fato poder conquistar a taça. Dixon foi 2º colocado em Gateway e Watkins Glen, e com isso, colou em Newgarden, que ficou apenas 3 pontos à sua frente. Basicamente, Scott precisa chegar na frente de Josef, para levar o seu 5º título, e ele tem ginga e capacidade para isso. Se a Ganassi tiver um bom acerto no seu carro, na prática Dixon assume os ares de grande favorito em Sonoma, que em caso de vencer o campeonato, seria o seu 5º título nas categorias Indy, tornando-o um dos maiores campeões de todos os tempos.
Josef Newgarden (acima) lidera o certame, mas Scott Dixon (abaixo) está em seus calcanhares e pode dar um bote certeiro no piloto da Penske.
            Um pouco mais atrás, vem dois outros pilotos de Roger Penske. Hélio Castro Neves vai para o tudo ou nada na disputa pelo título. Com 22 pontos de desvantagem para Newgarden (538 a 560), o brasileiro precisa vencer para poder dizer que deu tudo de si na luta, mas mesmo que vença, Newgarden e Dixon terão de ficar abaixo do 2º lugar para garantir a taça a Helinho, que por via das dúvidas, deve se garantir nos pontos extras, a fim de abater moralmente seus rivais. Hélio tem feito uma temporada constante e combativa, embora tenha perdido a chance de obter alguns resultados melhores por problemas alheios a seu controle, como a bandeira amarela em Toronto que arruinou suas chances de vitória ou pódio, ou por pequenos deslizes, como deixar o motor morrer numa das paradas de box em Gateway. Mas o brasileiro só abandonou uma corrida, no Texas, e voltou a vencer, depois de um jejum de 3 anos, ao cruzar em primeiro a linha de chegada em Iowa. Mas, se quiser mesmo ser campeão, sem sombra de dúvidas, ele tem de pensar firme na vitória em Sonoma. Helinho já venceu nesse circuito, em 2008, e a Penske tem bom retrospecto no circuito californiano, com triunfos em 2010, 2011 e 2013, com Will Power; 2012 com Ryan Briscoe; e no ano passado com Simon Pagenaud. Mas aí é que está o maior perigo: Josef Newgarden também é piloto de Roger Penske, então...
            E Scott Dixon também tem bom retrospecto em Infineon, com vitórias em 2007, 2014 e 2015, esta última dando-lhe seu 4º e último título, sem mencionar que naquele ano ele chegou a Sonoma praticamente como azarão na disputa, com Juan Pablo Montoya cotadíssimo para conquistar o título. Na verdade, ambos acabaram empatados em número de pontos, mas Dixon levou a taça por ter mais vitórias no campeonato que o colombiano. Portanto, é preciso ficar de olho no piloto da Ganassi, até porque a situação do neozelandês não é tão débil agora. Mesmo assim, Scott terá de dar duro para manter o time da Penske atrás de si. E mesmo que esteja em posição muito complicada para tentar ser campeão, nem por isso Will Power irá desistir de encerrar o ano com mais uma vitória, mesmo que não vença o campeonato.
Hélio Castro Neves (acima) e Simon Pagenaud (abaixo) também estão de olho no título, e querem terminar o ano em grande estilo.
            E, ao contrário da F-1, sem jogo de equipe na Penske. É cada um por si na pista. Além de Newgarden e Hélio no pau a pau, Simon Pagenaud, o campeão do ano passado, ainda tem esperanças de ser bicampeão. Com 526 pontos, o piloto francês, tal como o brasileiro, venceu apenas uma corrida este ano, não fazendo uma temporada deslumbrante como a de 2016, mas tem conseguido manter a constância e ficar longe de confusões, e ainda que tenha carecido de alguns melhores resultados para estar com menos desvantagem na pontuação, não pode reclamar muito da sorte, a exemplo de Will Power, que teve dois abandonos fatais para suas ambições de também lutar pelo segundo título na categoria, nas provas de Toronto e Gateway. Se quiser ser campeão, a exemplo de Hélio, Simon tem de pensar unicamente em vencer, e ainda por cima, torcer para que Newgarden ou Dixon subam ao pódio. A diferença para o piloto brasileiro pode parecer mais fácil de ser suplantada, mas nada pode ser considerado fácil na pista de Sonoma. E Pagenaud tem mais motivos para não dar mole na pista, após levar um toque de Josef Newgarden na etapa de Gateway quando ambos disputavam a liderança da corrida e quase ir parar no muro. Josef não se desculpou pela forma excessivamente agressiva como superou o companheiro de time na pista, numa manobra que acabou sendo crucial para seu triunfo na prova. Então, se o francês estiver à sua frente na pista, Josef que se prepare para não ter vida fácil, especialmente de Pagenaud.
            Com cerca de 3,57 Km de extensão, o circuito localizado na cidade de Sonoma tem poucos trechos de reta, e várias subidas e descidas. A maior parte do traçado é estreita, e suas 11 curvas fazem da pista um pesadelo para ultrapassagens. Quem tiver o azar de largar mais atrás vai precisar de um bom jogo de cintura e estratégia para ir para a frente, além de um carro muitíssimo bem acertado. E mesmo assim, dependendo das circunstâncias de corrida, pode-se passar a prova inteira “trancado” atrás de alguém, sem conseguir passar. Os times terão de ser impecáveis nos pit stops durante a corrida, para permitirem a seus pilotos subirem posições na pista. E nem cheguei a mencionar que, vez por outra, o pessoal se empolga demais em algumas disputas e divididas, e surge a bandeira amarela, que pode tanto ajudar quanto arruinar a corrida de alguém.
Ultrapassar em Sonoma pode ser bem complicado, portanto, largar na frente será muito importante, e caprichar na estratégia de corrida e nos boxes. 
            Para os fãs brasileiros da categoria, uma lástima a Bandeirantes não exibir a prova no canal aberto, confinando-a apenas ao canal pago Bandsports. É o encerramento da competição, e com quatro pilotos lutando a fundo pelo título, sendo um deles brasileiro, esperava-se da emissora um pouco mais de respeito pelos amantes da velocidade. Antes, o que atrapalhava era o futebol, cujas partidas acabavam colidindo com os horários de várias provas, mas o que se viu este ano foi o esquema de sempre, com várias corridas sendo exibidas apenas no canal pago. Na verdade, dá-se a impressão de que a emissora atualmente odeia o esporte, ao contrário do que já foi um dia, o “canal do esporte”, antes mesmo que tivéssemos no Brasil canais especializados no assunto. A divulgação das corridas é ínfima, e mesmo nos telejornais, o espaço é tremendamente reduzido. Dessa maneira, não há como exigir uma audiência maior, se a própria emissora não faz uma divulgação decente de seu produto. A transmissão do Bandsports começa a partir das 19hrs.40min, ao vivo, pelo menos. Até aqui, o canal aberto transmitirá um compacto de 15 minutos da corrida durante a madrugada de domingo para segunda, das 1h30min às 1h45min. É mole? Não, não é!
            Aliás, o torcedor brasileiro que aproveite bem esta corrida. Pode ser a última que tenhamos dois pilotos brasileiros na categoria. Para o ano que vem, apenas Tony Kanaan está garantido, e Hélio tem uma posição mais duvidosa: não que ele vá ficar sem emprego, mas Roger Penske tem outros planos para o piloto brasileiro. Isso será tema de uma outra coluna muito em breve. Por enquanto, vamos à decisão da Indycar 2017, e que vença o melhor piloto!


O belo visual noturno do traçado de Marina Bay, em Cingapura, recebe os carros da F-1 neste final de semana, com a expectativa da revanche da Ferrari contra a Mercedes pela liderança do mundial de pilotos.
Hoje a F-1 começa os treinos para o Grande Prêmio de Cingapura, e a perspectiva é de que a Mercedes terá muito trabalho com a Ferrari, e talvez até mesmo com a Red Bull nesta pista. O circuito urbano montado na Cidade-Estado do sudeste asiático nos últimos dois anos não foi bem hospitaleira para as hostes prateadas dos campeões mundiais. É verdade que em 2016 a vitória foi de Nico Rsoberg, que largou na pole e conseguiu comandar a corrida até a bandeirada, mas em nenhum momento o piloto alemão conseguiu ter sossego durante a corrida. Daniel Ricciardo deu uma boa canseira em Nico, e só não venceu porque Rosberg aguentou firme a pressão do australiano da Red Bull. Lewis Hamilton fez uma corrida meio apática, largando em terceiro e finalizando nesta mesma posição. Quem não esteve bem foi a Ferrari, com Kimi Raikkonem em 4º, até bem próximo de Hamilton, mas com Sebastian Vettel bem mais longe, em 5º lugar. Já em 2015, o panorama foi diferente: vitória de Vettel, seu terceiro triunfo no ano, com Nico Rosberg apenas em 4º lugar, enquanto Hamilton ficou pelo caminho com problemas no carro. Em 2014, no primeiro ano da nova era turbo híbrida, Hamilton venceu a corrida até com alguma folga, mas a Mercedes viu Nico Rosberg ficar pelo meio do caminho. E este ano, o que poderá acontecer? A Ferrari vem muito forte, e apesar do aparente tropeço em Monza, o circuito de Marina Bay é outra história. Travado e cheio de curvas, ele tem mais a ver com as tortuosas ruas de Mônaco e o traçado travado de Hungaroring, pistas onde os carros de Maranello mostraram muito mais desenvoltura do que os da Mercedes. Não por acaso Hamilton evitou se empolgar demais após sua vitória na Itália, por saber que nesta pista a situação tenderá a ser bem mais complicada para ele obter a vitória. Novo líder do campeonato, com apenas 3 pontos de vantagem para Vettel, Hamilton sabe que um triunfo nesta pista seria crucial para abater o moral dos ferraristas. Mas o inglês terá de se aplicar a fundo para conseguir este intento. No ano passado, Nico Rosberg esteve bem mais à vontade na pista do que Lewis, e conseguiu uma vitória importante para a conquista de seu título mundial. Se Hamilton conseguir manter-se no controle, largando na frente, tem boas chances de vencer a corrida. Mas falta combinar com os adversários, e eles, diga-se de passagem, tem idéias bem diferentes. Vamos ver quem consegue se dar melhor neste final de semana, que tem tudo para apresentar uma corrida interessante.


A Williams não terá mais a presença de seu comando-maior em Cingapura e até o final da temporada. O time de Frank Williams já não conta com a presença de seu fundador nas últimas corridas, uma vez que o seu estado de saúde já não é o mesmo de antes. E sua filha Claire, que assumiu a direção do time, está grávida, devendo dar à luz agora no mês de outubro, e depois tendo de dar atenção à nova criança. A escuderia já dá como perdida a 4ª colocação no Mundial de Construtores, não vendo perspectivas de alcançar a Force India. Por outro lado, tem de se preocupar com quem vem atrás, com ameaças bem reais de Toro Rosso, Renault, e até mesmo da Hass, se os carros ingleses voltarem a demonstrar a performance de corridas como Áustria, Inglaterra, Hungria, e até da Bélgica. Felipe Massa, aliás, já adiante que o circuito de Marina Bay não deverá facilitar para o time neste final de semana, pelas similaridades com as pistas de Hungria e Monte Carlo. No ano passado, o brasileiro terminou a corrida em um nada apreciado 12º lugar...


Quem está mais animado para este final de semana é Fernando Alonso. A pista deve favorecer menos a potência dos motores, e a McLaren pode ter sua chance de voltar aos pontos, depois de literalmente ficar a ver navios nas últimas duas corridas, disputadas em pistas de alta velocidade. Mas não é apenas pela perspectiva de um resultado mais positivo que o espanhol está muito sorridente: o esperado anúncio do acordo McLaren/Renault já é tido como sacramentado, e com isso, o time de Woking passa a ter pelo menos um motor satisfatório para a próxima temporada. E, mesmo que a unidade de potência francesa não se iguale em performance às da Mercedes e Ferrari, se o carro for bom, pelo menos há esperanças bem melhores, como se vê na Red Bull. Aliás, o desempenho dos carros dos energéticos em Monza, um circuito onde a potência do motor é fundamental, foi muito boa, conforme o 4º lugar de Daniel Ricciardo, largando lá da parte de trás do grid. Poder pelo menos lutar com dignidade deve dar a Alonso esperanças de dias muito melhores. E os japoneses irão se virar com a Toro Rosso no próximo ano, bastando isso ser confirmado oficialmente também. Aguardemos os comunicados de praxe para tornar tudo confirmado preto no branco...