sexta-feira, 26 de maio de 2017

ATENÇÕES DIVIDIDAS


O Principado de Mônaco (acima) recebe a etapa mais charmosa e badalada do calendário da F-1. E nos Estados Unidos, é hora de mais uma edição das famosas 500 Milhas de Indianápolis (abaixo), no mítico circuito oval da Brickyard Line.

            Hoje é um domingo de gala para o automobilismo mundial. Duas das mais importantes corridas do mundo do esporte a motor são realizadas hoje. Pela Fórmula 1, temos o Grande Prêmio de Mônaco. Pela Indycar, é o dia das 500 Milhas de Indianápolis. E hoje, mais do que nunca, estas duas corridas irão dividir a atenção de fãs do mundo das corridas no mundo inteiro. Isso já ocorre todo ano, mas nesta temporada, a divisão de atenções dos fãs está mais polarizada do que nunca, tornando as duas corridas muito mais atrativas do que normalmente já são.
            Começando por Mônaco, a corrida disputada no Principado é a última remanescente no calendário da categoria máxima do automobilismo onde ainda se respira o ambiente da fase romântica dos Grand Prix. Esta é uma corrida que já era disputada desde muito antes da própria F-1 ser criada, em 1950, e nada mais natural que viesse a integrar o calendário da competição quando esta começou a ser disputada. Por mais antiquada que possa parecer nos dias de hoje, o charme de Monte Carlo é único, e mesmo que as corridas aqui não sejam exatamente um primor de emoção e competição das melhores, vencer o GP de Mônaco é um troféu ímpar no currículo de qualquer piloto, estando longe de ser desprezado.
            No menor circuito do calendário, formado pelas ruas que normalmente servem ao tráfego comum de carros durante o resto do ano, o circuito monegasco costuma ser um pesadelo para os pilotos. Nélson Piquet uma vez definiu que correr aqui é como andar de bicicleta dentro de um apartamento. Piquet, aliás, nunca morreu de amores pela corrida no principado, mesmo tendo morado aqui por diversos anos, quando competia na F-1. Extremamente travado, a pista é também estreita, e sem pontos ideais de ultrapassagem. Quem larga na frente tem meia corrida ganha, desde que não cometa erros. E os erros, aqui, costumam não ter perdão: os guard-rails estão logo ao lado, e uma escorregada, ou tangência errada, ou qualquer outro deslize, e é batida na certa, que pode arruinar completamente a corrida, quando não todo o fim de semana. É nesta pista que os pilotos justificam o seu salário, e onde os impetuosos ao volante costumam testar seus limites, não raro descobrindo que seu arrojo pode ser o seu pior inimigo. Não por coincidência, Max Verstappen, considerado o piloto mais destemido do grid atual, e nem sempre no bom sentido da expressão, ainda não conseguiu receber a bandeirada neste GP, tendo colecionado intimidades nada recomendáveis com as placas de proteção que cercam a pista.
            E este ano, particularmente, a corrida está chamando atenção pela expectativa de mais um duelo entre os principais candidatos ao título da temporada. Depois de uma vitória firme na Espanha, Lewis Hamilton, da Mercedes, chegou a Monte Carlo disposto a assumir a liderança da competição, em poder de Sebastian Vettel, da Ferrari. Vettel, logicamente, não tem intenção de sair da liderança assim tão fácil, portanto, antevê-se novo duelo renhido entre ambos, ainda mais quando seus carros estão com um desempenho bem similar, o que significa que a briga entre ambos tem tudo para ser emocionante, e como ocorreu em Barcelona, poderá ser decidida nos detalhes. Mas, indiferentes a isto tudo, tem mais gente querendo sair bem na fita da prova monegasca, a começar pelos companheiros de Lewis e Sebastian, Valtteri Bottas e Kimi Raikkonen. Por mais que no momento possam ser considerados coadjuvantes nesta disputa pelo título, Mônaco é uma pista onde por vezes a lógica não se mantém, e a dupla de finlandeses quer tirar o seu atraso, depois de abandonarem a prova espanhola. Bottas já venceu na temporada, e quer repetir a dose, e Raikkonen é o tipo de piloto que pode estar fazendo uma temporada sem sal e, de repente, acordar com tudo. E ainda temos a Red Bull, que começou o ano bem atrás, mas que pode ter alguma chance de se meter no duelo pelas primeiras posições, já que a pista do Principado é de baixa velocidade, e favorece mais um carro equilibrado e ágil, do que um motor poderoso. Ah, sim, e onde o braço e o talento do piloto costumam contar mais do que nunca. E, em se tratando de pilotos, a Red Bull não perde para os dois principais times da competição. A escuderia austríaca, aliás, perdeu a vitória aqui no ano passado devido a um pit stop horroroso na parada de Daniel Ricciardo, entregando o triunfo de mão beijada para Hamilton, que iniciava sua reação na temporada, até então dominada por seu então parceiro Nico Rosberg, que viria a ser o campeão.
            Por isso mesmo, fica a expectativa de qual carro, Mercedes ou Ferrari, dos principais times, se dará melhor nas estreitas ruas de Monte Carlo. Com uma distância entre-eixos mais curta, o modelo SF70H de Maranello tende a ser mais ágil nas apertadas curvas da pista, o que em tese não é muito favorável ao modelo W08 criado em Brackley. Mas isso é a teoria, e é preciso ver se isso se confirma na prática. E o melhor de tudo que estamos vendo na temporada 2017 da F-1 é que nem sempre a teoria está batendo com a realidade. Em outras palavras, tudo pode acontecer. E é isso que esperamos ver neste domingo.
A disputa pela pole em Monte Carlo vai ser ferrenha, já que largar na pole será mais decisivo do que nunca, pelas dificuldades de ultrapassagem na pista monegasca.
Nos treinos livres desta quinta-feira, Vettel arrasou o recorde da pista, em um momento onde a Mercedes focava seu trabalho em simulação de corrida, então, não dá para dizer exatamente quem está melhor. O certo mesmo é que teremos novamente o duelo Mercedes X Ferrari, e com direito à Red Bull sonhar em se meter no meio, estragando os planos iniciais da dupla protagonista do duelo no campeonato, que terá de tomar cuidado para não ser surpreendida por um desempenho inesperado do time dos energéticos. Ficar preso atrás de Daniel Ricciardo ou Max Verstappen na corrida decididamente causa arrepios só de se pensar na possibilidade. Amanhã, no terceiro treino livre, é que deveremos ver mesmo o potencial real de cada carro nesta pista, pois largar na frente é imprescindível, mais do que nunca foi. Até porque, se ultrapassar sempre foi um pesadelo aqui, com os carros mais largos nesta temporada então...
            Daqui de Mônaco, as atenções do pessoal irão direto para o Indianapolis Motor Speedway, em Indianápolis, nos Estados Unidos, onde será disputada a 101ª edição das 500 Milhas de Indianápolis, que este ano chamam especialmente a atenção pela participação do bicampeão mundial de F-1 Fernando Alonso, que abriu mão de estar na corrida de Monte Carlo para se aventurar na mítica Brickyard, ambicionando ser o segundo piloto a conquistar a Tríplice Coroa do Mundo do Automobilismo, composta pelas etapas de Mônaco da F-1, da Indy500, e das 24 Horas de Le Mans, feito conseguido até hoje unicamente por Graham Hill. Sem muitas perspectivas de um bom resultado na F-1, mesmo em Mônaco, Fernando Alonso topou uma idéia que surgiu a princípio como brincadeira, mas que ganhou ares de coisa séria para disputar a Indy500, e numa associação da McLaren com o time de Michael Andretti, eis que o tradicional time da F-1 está de volta às 500 Milhas, onde participou várias vezes, e até ganhou, nos anos 1970.
            Fernando cumpriu os rituais de avaliação para novatos no IMS, e ganhou a supervisão de Gil de Ferran, bicampeão da Indy original em 2000 e 2001, e vencedor da Indy500 em 2003. Com um carro competitivo, e ouvindo cuidadosamente as instruções e dicas de seus parceiros no time da Andretti, bem como de Gil, e até do próprio Mario Andretti, Alonso foi tomando mais intimidade com os segredos do traçado oval mais famoso do mundo, e na classificação, entrou no seleto grupo dos mais rápidos com direito a disputar a pole-position na tarde do último domingo, terminando por ficar na 5ª posição do grid, no meio da segunda fila, numa demonstração de como conseguiu se adaptar ao estilo de pilotagem exigido pela pista. Ainda é cedo para afirmar que Alonso é candidato destacado a vencer a corrida, até porque há muito chão pela frente, e serão mais de 800 Km de percurso, com direito a uma pitada de sorte para não ter imprevistos pela frente, e uma boa estratégia de corrida, para não mencionar outros pilotos já calejados na experiência de disputar uma Indy500. Por isso mesmo, durante a semana, Fernando foi se especializando em saber andar no tráfego, condição essencial para se dar bem em Indianápolis.
.Fernando Alonso atraiu torcedores e a mídia especializada do mundo inteiro com sua intenção de disputar a Indy500. O espanhol larga em 5º, e tem chances de vencer a corrida e entrar para a história.
            E a presença de Alonso chamou a atenção não apenas de imprensa especializada, mas de seus torcedores mundo afora, e da F-1, que estarão com seus olhos voltados para a prova americana. Durante os treinos, a transmissão realizada pela Indycar via internet de um grande salto de visualizações em relação à edição do ano passado. Isso é muito bom não apenas para a Indy, mas também para a própria F-1, por se abrir um pouco de seu mundo fechado, e mostrar como um de seus maiores pilotos dos últimos tempos irá encarar o desafio de outra corrida em um universo de competição bem diferente da categoria máxima do automobilismo. Algo que Bernie Ecclestone nunca permitiria se ainda estivesse no comando da F-1. E algo também que Ron Dennis nem cogitaria fazer, se ainda fosse o diretor executivo da McLaren.
            E o fato de Alonso andar forte, com um carro que claramente o credencia a disputar a vitória na corrida, em que pese as variáveis que ainda podem ocorrer durante as 200 voltas da prova, só aumentaram ainda mais o interesse dos torcedores da F-1 de ver o desempenho do asturiano em Indy, até porque, na F-1, Alonso só tem tido decepções nos últimos anos, incapaz de lutar por vitórias com carros pouco competitivos, e nas últimas duas temporadas e neste ano, lutando para conseguir sequer pontuar. A Indy500 este ano está atraindo muito mais atenção do mundo inteiro e até nos Estados Unidos, do que no ano passado, e olhe que a edição de 2016 foi a 100ª edição da Indy500, algo que não se via todo dia. E se a prova do ano passado ainda consagrou um novato na competição, Alexander Rossi, um ex-piloto de F-1 sem um currículo expressivo, o que Fernando Alonso, talvez o mais talentoso piloto do grid atual da categoria, poderá conseguir disputando a corrida deste ano? A empolgação é mais do que justificável.
            Ninguém vai querer perder essa. Até mesmo boa parte dos profissionais de imprensa da F-1 já estão se programando para tentar cumprir seus compromissos profissionais o mais rápido possível, tão logo seja realizada a cerimônia do pódio e a entrevista coletiva dos vencedores, para ficarem livres o quanto antes. Depois, todo mundo vai para seus points preferidos no Principado, em busca de uma TV sintonizada na Indy500, para acompanhar o que estará acontecendo do outro lado do Atlântico. Quem sair por último da sala de imprensa correrá o risco de não achar lugar para ficar onde assistir à corrida. Muitos estão prevendo que os estabelecimentos ficarão lotados rapidamente. A última vez que vi um interesse assim tão grande entre o pessoal que acompanha a F-1 pela Indy500 foi em 1993, quando Nigel Mansell, então campeão da categoria máxima do automobilismo, havia abandonado a F-1 para competir na então F-Indy. A presença do “Leão” fez boa parte da imprensa europeia especializada “descobrir” a Indy, até então pouco conhecida e até ignorada por muitos deles, e igualmente entre os torcedores. Assim, muitos jornalistas acabaram destacados para cobrir a F-Indy, acompanhando o então campeão da F-1 que havia ficado sem lugar na sua própria equipe. Mas, naquele ano, o Grande Prêmio de Mônaco não foi disputado no mesmo domingo que a Indy500, algo até raro: a prova da F-1 foi no dia 23 de maio, enquanto as 500 Milhas foram realizadas no dia 30 de maio, e registrando uma presença recorde até então de profissionais da mídia especializada só pela presença de Mansell, que inclusive tinha iniciado o campeonato Indy daquele ano com uma vitória na corrida da Austrália, após um duelo com ninguém menos do que Émerson Fittipaldi, outro nome consagrado na história da F-1. E Mansell esteve na disputa pela vitória da Indy500, mas no stint final, o inglês foi superado por Émerson e Arie Luyendick, terminando em 3º lugar, com a vitória de Fittipaldi, seu segundo triunfo no IMS.
            E é essa a pergunta que todos fazem: Alonso irá vencer a Indy500? As chances existem. Claro, levando pelo histórico da corrida, qualquer um dos 33 carros no grid pode vencer a prova. Talento e capacidade Fernando tem de sobra. Mas tem muitos outros peixes”graúdos” no grid, a começar pelo pole-position, Scott Dixon, que já venceu na Brickyard e está disposto a repetir a dose. E não podemos esquecer da dupla brasileira, Tony Kanaan e Hélio Castro Neves, este em busca de seu 4º triunfo no IMS para igualar-se aos mitos Rick Mears, Al Unser e A. J. Foyt como os maiores vencedores da Indy500. Para não mencionar dos próprios companheiros de Alonso na Andretti. A camaradagem dos treinos acabou, e agora todo mundo é adversário na pista! E os demais pilotos do grid andam até um pouco enciumados com o assédio centrado no piloto espanhol, sendo até certo ponto ignorados por parte da imprensa especializada. Todos concordam que a presença do bicampeão de F-1 é benéfica para a corrida americana, mas é preciso lembrar que ele é apenas mais um no grid, apesar de todo o seu cartaz, e dos bons resultados nos treinos e na classificação que demonstrou. A vontade de superá-lo está mais aflorada do que nunca em certos pilotos. E não é porque a Indy tem um ambiente menos estressante e fechado do que o da F-1 que a disputa na pista deixará de ser feroz e acirrada. Muito pelo contrário... O clima cordial e ameno pode até dar uma idéia errada de como os piloto se portarão na pista.
            Alonso, aliás, se maravilhou com o ambiente mais relax e aberto da Indy, um contraste gritante se comparado ao ambiente asséptico e impessoal que impera na F-1, e que o Liberty Media tenta mudar aos poucos. Muitos elogiaram o desafio aceito por Alonso de competir na Indy500. Muitos outros criticaram, mas de minha parte, um piloto corre onde quiser e onde puder. Ele pesou os prós e contras, e a experiência de disputa das 500 Milhas certamente pode vir a ser algo inesquecível. Se vencer a prova, então, terá realizado um sonho que permeia a mente de todo piloto profissional que se preze. Será sua segunda conquista no objetivo de conquistar a Tríplice Coroa. Faltará apenas as 24 Horas de Le Mans, oportunidade que já surgiu há dois anos, mas que foi vetada por Ron Dennis e pela Honda. Nico Hulkenberg aproveitou, e saiu de Le Sarthe consagrado. Felizmente, os tempos atuais são outros, e Fernando certamente haverá de aproveitar novas oportunidades que surgirem futuramente.
            Portanto, aproveitemos o melhor que pudermos estas duas provas no domingo. E que vençam os melhores!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

ARQUIVO PISTA & BOX – JANEIRO DE 1998 –23.01.1998



            Voltando a trazer mais textos antigos aqui no blog, hoje trago esta coluna que foi publicada em 23 de janeiro de 1998. O assunto principal eram os lançamentos dos novos modelos das escuderias para a temporada daquele ano da Fórmula 1, com nada menos do que seis novos carros dando o ar da graça no intervalo de poucos dias. Era sempre uma grande expectativa ver o que cada time iria apresentar. Hoje, com uma pré-temporada das mais mirradas, quase todos os times fazem os lançamentos de seus novos já na pista, sem muitas formalidades, ao contrário do que se via há quase 20 anos atrás. Tudo bem que exagerava-se um bocado em algumas apresentações, que viravam verdadeiros espetáculos que nem sempre compensavam o que o time mostrava depois, mas era uma época onde se gastava a rodo com isso, e por incrível que pareça, custava bem menos competir do que hoje. De resto, a coluna ainda traz algumas menções rápidas a outros acontecimentos da semana, com direito a alguns comentários. Uma boa leitura a todos, e em breve trago mais textos antigos...


OS NOVOS F-1

            Esta foi uma semana agitada para as equipes da Fórmula 1. Da última segunda-feira, até amanhã, sábado, nada menos do que 6 escuderias terão apresentado os seus novos modelos 98 para o público. Depois da Benetton e da Ferrari, seguidas de Stewart, agora foi a vez da Jordan, Prost, Sauber, Minardi e, quarta-feira, a Tyrrel, mostrarem seus bólidos 98. E amanhã, em Liefield, na Inglaterra, será a vez da TWR-Arrows apresentar o seu carro 98, concebido por ninguém menos do que John Barnard.
            Cada lançamento foi cercado de muitas expectativas. É natural, pois cada time sonha fazer muito mais do que fez em 97. A Stewart, por exemplo, reafirmou suas metas, elegendo 98 como ano da afirmação da equipe na categoria. E não faltam motivos para isso: o novo SF02 foi projetado com muito mais cuidado e esmero do que o SF01, e a Ford e a Cosworth dedicaram muito trabalho ao desenvolvimento do novo motor Ford Zetec para torná-lo tão versátil e potente quanto os motores Mercedes e Renault. A nível de pilotos, a equipe está bem servida, com Rubens Barrichello, assumidamente o primeiro piloto do time, e Jan Magnussen, outro grande talento.
            A Jordan mudou o visual para 97. Saiu a cobra estilizada, entrou uma vespa, com a qual Eddie Jordan pretende dar algumas “ferroadas” na concorrência, já que a cobra de 97 não “mordeu” ninguém. Se a equipe perdeu o motor Peugeot, ganhou o reforço de Damon Hill, um piloto de bom nível, e que sabe trabalhar no desenvolvimento de um carro, o que não foi possível desenvolver a contento no ano passado, já que o time de Eddie correu com dois pilotos novatos. E Hill não deixa por menos: “Quero ganhar pelo menos 1 GP até o fim do ano”, declarou o campeão de 1996. Se o motor Mugen-Honda não desapontar, a equipe tem boas chances, especialmente com Damon Hill, já que Ralf Schumacher até agora não mostrou toda a raça e talento do irmão mais velho.
            Na Prost, só otimismo no lançamento do novo carro de 98. Agora empurrado pelo potente motor Peugeot, e continuando com os excelentes pneus da Bridgestone, o time deve confirmar sua evolução apresentada em 97. Alain Prost está otimista com relação à situação da escuderia, e não escondeu a insatisfação com Damon Hill, a quem já dava por contratado, quando o piloto inglês fechou contrato com a Jordan. Só restou a Prost dar apoio a seus pilotos, Olivier Panis e Jarno Trulli, ainda que o tetracampeão mundial não esconda que prefere ter um piloto mais completo do que ambos em seu time. Em todo caso, é preciso estar atento à performance do time de Alain Prost.
            Finalizando as estréias até agora, temos a Tyrrel. No ano do seu adeus à F-1, o velho Ken Tyrrel espera uma temporada com performances mais consistentes. Com algum dinheiro trazido pelo japonês Toranosuke Takagi, a equipe está tentando contar também com o brasileiro Tarso Marques, que foi finalmente liberado pela Minardi para negociar com outros times. Tecnicamente, a Tyrrel precisa melhorar, pois passa a contar com um motor um pouco mais potente, o Ford Zetec V-10, em substituição ao antigo V-8 EC da Ford.
            Amanhã será a vez da Arrows mostrar o seu carro 98. Praticamente só os pneus e o primeiro piloto do time, Pedro Paulo Diniz, serão as constantes. O restante todo é novo: o motor continua a ser o Yamaha, mas agora totalmente concebido por Brian Hart, que tem fama respeitável no quesito de preparação de motores. O carro terá a assinatura de projeto de John Barnard, que costuma ser competente no que faz. E juntando a tudo isso o novo piloto Mika Salo, nova promessa da F-1, que será o companheiro de Diniz no time, ganhando uma chance real de competir na categoria, podemos esperar um ano de evolução na TWR-Arrows.
            Semana que vem, é a vez da Williams mostrar o seu novo carro. Depois vem a McLaren e os demais times restantes. Está chegando a hora de conferir como a F-1 irá se mostrar em 98. Até o momento, as expectativas são animadoras, pelo menos na teoria.


Vai começar um dos vários campeonatos de automobilismo de 1998. Amanhã, a F-Indy (IRL) dá a largada do certame deste ano. Na pista oval do parque da Disney, em Orlando (Flórida), pelo menos 3 brasileiros estarão na pista: Marco Greco, Affonso Giaffone Neto, e Raul Boesel, que ficou sem lugar para correr na F-CART.


Tony Kanaan será o único piloto da Tasman nesta temporada da F-CART. E o piloto brasileiro já começa a impressionar a equipe com seu desempenho nos testes. Os técnicos da Honda, antes um pouco receosos com um piloto novato, passaram a dar total apoio a Kanaan, depois de comprovarem o seu talento e capacidade nos testes.


O cerco à publicidade de cigarro se alastra: agora são os países do sudeste asiático que não irão mais permitir nenhuma publicidade de cigarro em seus países. A China, que ainda permite este tipo de propaganda, já começa a colocar obstáculos às indústrias tabaqueiras, o que pode dificultar sua entrada no calendário da F-1...


Cisão nos times de ponta da F-1. Enquanto Williams e Ferrari mantiveram-se fiéis à Goodyear, McLaren e agora, a Benetton, correrão com os pneus da Bridgestone. Teoricamente, agora a Bridgestone terá meios de bagunçar o tradicional domínio da Goodyear na categoria, onde já deu alguns sustos na concorrente em 97, equipando carros apenas de times pequenos e/ou médios.