quarta-feira, 30 de outubro de 2019

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – OUTUBRO DE 2019


            E estamos entrando na reta final de 2019. Com outubro chegando ao fim, temos apenas dois meses para encerrar o ano, e alguns certames do mundo da velocidade já conhecem seus campeões, enquanto o da F-1 tem tudo para encerrar a disputa já no próximo GP, no primeiro final de semana de novembro, sendo quase mera formalidade. E tivemos alguns vários acontecimentos no mundo do esporte a motor neste último mês, dos quais alguns deles são analisados nesta avaliação do panorama geral do mundo da velocidade. Então, lá vamos nós para mais uma postagem da Cotação Automobilística, com meus comentários de costume a respeito. Estejam ou não de acordo com minhas opiniões, façam bom proveito da leitura e curtam o texto, no tradicional esquema de sempre: em alta (cor verde), na mesma (cor azul), e em baixa (cor vermelha). Uma boa leitura a todos, e até a edição da Cotação Automobilística do mês que vem, com as avaliações dos acontecimentos do mundo das corridas no mês de novembro. Até lá, então...



EM ALTA:

Equipe Mercedes: O time prateado, já com grande vantagem no campeonato de F-1 deste ano, pode ter começado a concentrar suas forças no projeto do carro e motor de 2020, e por isso, ter sido surpreendida pela ascenção da Ferrari desde a Bélgica, mas isso não significa poder subestimar a capacidade do time alemão, que ainda segue bastante competitivo, mas sabendo conjugar seus esforços como ninguém na categoria. Tanto que, apesar da força da Ferrari no Japão, o time prateado soube aproveitar os erros cometidos pelos italianos, e arrancarem uma vitória que pareceu até relativamente fácil, ajudando Valtteri Bottas a reforçar sua posição para garantir o vice-campeonato. Já no México, onde o time previa ter maiores dificuldades, que até se comprovaram, sendo superados em performance por Red Bull e Ferrari, novamente erros cometidos pelos rivais foram devidamente explorados pela Mercedes para arriscar na estratégia e conseguir mais um triunfo, superando os rivais, que tanto na Cidade do México quanto em Suzuka, tiveram como melhor resultado os segundos lugares de Sebastian Vettel, que apesar de andar forte, acabou superado pelos pilotos do time alemão. Não é à toa que a Mercedes já se tornou a recordista no período de maior sucesso de uma mesma escuderia na história da F-1, enfileirando nada menos do que todos os títulos de pilotos e construtores desde 2014, superando a Ferrari dos tempos de Michael Schumacher, e demonstrando que tem tudo para seguir dominando na próxima temporada, apesar da aproximação dos rivais, que prometem engrossar a disputa em 2020.

Ott Tanak: O piloto estoniano da equipe Toyota conseguiu acabar com a “dinastia Sébastian” no Mundial de Rali, que já durava 15 anos, com 9 títulos de Sébastian Loeb, seguidos por 6 títulos de Sébastien Ogier, com os dois pilotos franceses a dominarem a principal categoria de competição off-road do planeta. E Tanak o fez com muitos méritos, tendo sido o piloto com mais vitórias na temporada 2019, com 6 triunfos, e mantendo uma regularidade maior do que seus rivais, em especial Thierry Neuville, e o sempre favorito Sébastien Ogier, onde ambos, com 3 vitórias cada um na competição, acabaram sendo superados pelo rival, sem conseguirem lhe oferecer maior resistência à conquista do título, finalizada com o resultado da etapa da Catalunha, uma prova antes do encerramento da temporada, no Rali da Austrália. Neuville bem que tentou adiar a decisão para a etapa final, ao vencer a etapa da Catalunha, mas o 2º lugar de Ott encerrou a disputa, levando o estoniano a 263 pontos, deixando-o impossível de ser alcançado por Thierry, que chegou a 227 pontos. E Ogier, que vinha fazendo um ano menos esplendoroso, mas mostrou que não podia ser subestimado, quando venceu a etapa da Turquia e ensaiou uma reação na competição, acabou não tendo forças para reagir, entregando enfim a coroa de campeão a um novo competidor. A expectativa agora é a possibilidade da Toyota perder Tanak para a rival Hyundai, que já teria contratado o novo campeão para seu time na próxima temporada, o que deve ser anunciado muito em breve. Vida longa ao novo campeão do WRC, portanto.

Marc Márquez: A “Formiga Atômica” faturou mais um título, na prova da Tailândia, e quem pensava que isso poderia diminuir o ímpeto do piloto da equipe Honda oficial se enganou redondamente. Marc foi à luta com ainda mais sede de vitória, e venceu não apenas a corrida do Japão, em Motegi, aumentando a já programada festa da Honda pela conquista de mais um título, como ainda repetiu a dose na Austrália, em Phillip Island, ambas as duas provas onde Márquez teve duelos ferrenhos com os adversários, mas que acabaram capitulando ande a performance impressionante do espanhol, que segue despachando seus adversários com uma facilidade quase sobrenatural, em uma temporada onde esteve próximo da perfeição em aproveitar todas as oportunidades possíveis, em que pese ter sido surpreendido em algumas provas nos seus momentos finais. Mas, com os rivais se mostrando inconstantes ou sofrendo de azares alheios a seu controle, mesmo o único erro cometido por Marc no ano, que resultou no seu abandono na etapa de Austin, não comprometeu em nada sua campanha no ano, para desalento dos rivais, que antigamente podiam até contar com sua impaciência e excesso de arrojo que geralmente o levava a sofrer alguns percalços, facilitando enfrenta-lo na pista, fraqueza que o piloto não mais demonstra. No auge de sua forma, sabendo domar uma moto como só ele, lembrando como Jorge Lorenzo não conseguiu acompanha-lo em momento algum na temporada, e já com 6 títulos em 7 temporadas, Márquez tem tudo para se tornar o maior nome da história da MotoGP, que conta com Valentino Rossi, e Giácomo Agostini como as grandes lendas da história da classe rainha do motociclismo, que verão seus números de conquista superados pela nova lenda do motociclismo que já é uma realidade há muito tempo.

Boas perspectivas para a nova temporada da Formula-E: Encerrados os testes coletivos da pré-temporada 2019/2020 da categoria de carros de competição monopostos totalmente elétricos, tudo indica que poderemos ter boas disputas na pista, em um grid com nada menos que 24 carros, e com vários nomes fortes, tanto dentro quanto fora da pista, que agora contará com a participação oficial da Porsche e da Mercedes. Mas se estas ainda não empolgaram propriamente pelos tempos obtidos, outros times deram o seu ar da graça, como a Virgin, a e.dams, a Andretti, a Techeetah, e até a Dragon. Mas teste é teste, e corrida é corrida, o que significa que os demais times não tenham suas cartas na manga guardadas para serem usadas no momento certo quando a disputa for para valer. E se na última temporada tivemos inúmeros pilotos vencendo corridas durante a competição, a F-E tem tudo para manter o grau de incerteza de quem vencerá e se destacará no próximo campeonato. Com inúmeros times oficiais garantindo a presença de várias fábricas, a categoria se consolida como uma excelente oportunidade de desenvolvimento dos equipamentos de motorização elétrica de carros, e ninguém vai querer ficar para trás. Com chassis e pneus padronizados, caberá aos pilotos saberem utilizar os trens de força produzidos pelas fábricas, e mostrarem do que são capazes nas corridas. E se aproxima o início de mais uma temporada que deve ser eletrizante, para se dizer o mínimo...

Vitória da Penske no IMSA Weather Tech: O ano de 2019 foi mesmo bom para Roger Penske. Além de emplacar o bicampeonato de Josef Newgarden na Indycar, e ainda fazer o vice-campeonato com Simon Pagenaud, seu time no campeonato de endurance dos Estados Unidos, o IMSA Weather Tech Sportscar, ainda foi campeão da temporada, com a dupla Juan Pablo Montoya/Dane Cameron. E faltou pouco para repetir a dobradinha por lá também: Hélio Castro Neves e Ricky Taylor, a outra dupla da escuderia do “capitão”, terminou a temporada em 3º lugar. O domínio do time de Roger só não foi completo porque o vice-campeonato acabou com uma dupla brasileira, formada por Pipo Derani e Felipe Nasr, que por pouco não complicaram a vida de Montoya/Cameron, tendo ficado a apenas 5 pontos dos campeões da temporada. Falta agora ver se o velho Roger conseguirá uma trinca de campeonatos, uma vez que seu time na Nascar está nos playoffs da disputa da temporada da categoria principal da Stock Car dos Estados Unidos, representada por Joey Logano, que ocupa no presente momento a 4ª posição na classificação e está lutando pelo título. Definitivamente, a Penske é uma escuderia que não pode mesmo ser subestimada, corra onde corra...



NA MESMA:

Equipe Ferrari: O time de Maranello renasceu na segunda metade da temporada 2019, com a competitividade do modelo SF90 finalmente a mostrar a força que havia sugerido nos testes da pré-temporada. Só que o time, apesar de contar com uma dupla de pilotos rápidos, vem batendo cabeça nas estratégias, quando não os próprios pilotos não fazem das suas. Uma largada falhada comprometeu as chances de vitória de Sebastian Vettel no Japão, enquanto Charles LeClerc empurrou Max Verstappen para fora da pista e acabou tomando uma punição por isso que também acabou com suas chances de vencer, deixando a rival Mercedes levar o triunfo com Valtteri Bottas. E no México, a estratégia de pneus acabou dificultando a luta de seus pilotos, entregando mais uma vitória que tinha tudo para ser dos italianos de novo para os alemães, que por sua vez estão próximos de fazer a dobradinha 1-2 no campeonato de pilotos, após faturarem mais um título de construtores. Que fique a lição para a Ferrari aprender onde está errando, porque a cada vacilada, seja na pista ou fora dela, os rivais mostram que não vão perdoar o menor deslize, e aproveitarem todas as oportunidades. A Ferrari tem recursos de sobra para bater os demais concorrentes, mas enquanto não agir em sincronia entre seus membros, continuará a ficar novamente na fila da conquista do título na F-1.

Max Verstappen: O piloto holandês continua extremamente rápido e talentoso, e com a missão de liderar a Red Bull na pista este ano, todos ficavam na expectativa se o piloto, conhecido mais pelo excesso de arrojo e atitudes por vezes irresponsáveis nas disputas de posição, finalmente amadureceria, e se tornasse um rival ainda mais eficiente contra seus adversários na pista. E isso aconteceu, na primeira metade da temporada, onde vimos um Verstappen muito veloz, mas com a cabeça mais focada, e evitando se meter em confusões. Mas no retorno das férias, o panorama parece ter se invertido, e o holandês voltou a aprontar das suas, enquanto em alguns momentos, como no Japão, ele foi inocente no problema que acabou por arruinar sua prova, vitimado pelo toque de Charles LeClerc. Talvez surpreendido pela renovada competitividade da Ferrari, que voltou muito forte das férias do verão europeu, e vendo seu time ficar para trás na disputa que até então ensaiava fazer com os italianos pela vice-liderança no campeonato, Verstappen parece ter perdido um pouco a paciência que vinha demonstrando na pista, sem arriscar manobras demasiadamente arriscadas, mas sem deixar de mostrar sua velocidade e talento. E no México, onde demonstrou ter o carro mais veloz, ele próprio acabou comprometendo sozinho suas chances de obter uma vitória redentora contra os rivais, pela atitude insensata nos minutos finais da classificação, que o levou a perder aquela que seria sua segunda pole-position, e depois na corrida, ao dividir curva de forma agressiva com Lewis Hamilton, e depois, forçar ultrapassagem sobre Valtteri Bottas, que lhe rendeu um pneu furado, e a perda de quaisquer chances de vitória na prova, que acabou vencida por Lewis. Some-se a isso a algumas declarações e queixas recentes, e Max pode ver ainda mais reduzidas suas chances de migrar para times como Mercedes e Ferrari, que já tem suas estrelas, estão bem montados para o futuro próximo, e veem que a atitude ainda imatura em alguns momentos do jovem holandês pode ser mais prejudicial do que seus potenciais ganhos que poderiam ser obtidos com sua contratação. Se evitasse algumas declarações que dão a imagem de arrogância e prepotência, talvez os incidentes em que tem se envolvido fossem menos criticados por todos. Mas, enquanto ele não aprende a moderar um pouco suas opiniões, terá de conviver com as consequências do que fala...

Andrea Dovizioso: O piloto italiano da equipe Ducati garantiu pelo terceiro ano consecutivo o vice-campeonato da MotoGP, resultado que não pode ser considerado desprezível, haja visto o domínio imposto por Marc Márquez. Mas é inegável que Andrea tem deixado a desejar nas duas últimas temporadas, uma vez que tem parecido cada vez menos capaz de deter a escalada do piloto da Honda, que este ano conquistou o título com uma prova a menos do que em relação ao ano passado. E, em 2017, Dovizioso, de forma surpreendente, levou a disputa pelo título até a prova de encerramento da temporada, em Valência. Se é verdade que seu time, a Ducati, pecou em alguns momentos, com seu equipamento não apresentando a performance necessária para conseguir fazer frente ao rival da Honda, por outro lado o italiano também ficou devendo em alguns momentos. Mesmo assim, Andrea conseguiu se sobressair entre o restante do grid o suficiente para ficar novamente com a segunda posição no campeonato, apesar da melhora de alguns rivais potenciais, como Maverick Viñales, e Alex Rins, que surpreenderam em algumas corridas, mas foram mais inconstantes que Dovizioso. Garantido mais um vice, será que Andrea terá a mesma sina de Stirling Moss na F-1, onde o piloto inglês foi quatro anos vice-campeão, por ter à sua frente ninguém menos do que Juan Manuel Fangio? Ele terá mais um ano para tentar novamente... Se vai conseguir, precisa combinar com o arquirrival Márquez...

Equipe Red Bull na F-1: O time dos energéticos enfrenta uma situação inusitada nesta temporada da F-1. Em seu primeiro ano de parceria oficial como time de fábrica da Honda, a escuderia não pode reclamar dos resultados obtidos. Afinal, para um motor que terminou 2017 desacreditado depois de três temporadas de resultados abaixo do esperado, mesmo considerando os problemas do carro da McLaren que os utilizou, as perspectivas ainda eram bem inseguras para muitos quando a escuderia taurina anunciou que utilizaria as unidades de potência nipônicas depois dos resultados animadores do ano passado com o seu time B na F-1. Ficava a expectativa: os resultados poderiam ter sido bons para a Toro Rosso, mas será que satisfariam a alta exigência do time principal? Pode-se dizer que os resultados compensaram a aposta, com a escuderia conseguindo pole, e até vitória, com o equipamento japonês, que realmente melhorou bastante. Mas quem esperava também muito mais do que isso, pode ter ficado decepcionado, pois a escuderia austríaca não está melhor do que quando utilizava os propulsores da Renault, até o ano passado. Mesmo que os japoneses prometam muitas evoluções para o próximo ano, esse também sempre foi um discurso dito aos quatro ventos pelos franceses. As cobranças serão bem maiores no próximo ano, e os nipônicos que se preparem, caso não consigam corresponder às expectativas. Neste ano mesmo, em alguns GPs, ainda que de forma não tão pronunciada, Max Verstappen já se queixou de falta de potência para encarar os rivais em mais de um momento. E, apesar da grande evolução apresentada pela unidade motriz japonesa, será que conseguirá fazer frente às rivais Ferrari e Mercedes? Não se pode negar que a Red Bull teve um excelente ano até aqui, mas nada muito diferente do que se viu nos últimos anos. Eles se deram um desconto pelo noviciado com a Honda, mas e em 2020? Será que os japoneses receberão as mesmas críticas que a Renault, caso os resultados mantenham-se nos níveis atuais? Fica uma nova expectativa a ser cumprida. Se vão conseguir ou não, aguardemos...

Nelsinho Piquet fora da temporada 2019/2020 da F-E: Com todos os times montados para a nova temporada da F-E, constatou-se a ausência de Nelsinho Piquet, uma vez que alguns boatos davam conta de que o piloto brasileiro, campeão da primeira temporada da categoria, e que rescindiu seu contrato com a Jaguar diante da falta de resultados que vinha obtendo, poderia tentar reiniciar sua participação na competição em um dos novos times que estão fazendo sua entrada na categoria, como a Porsche ou a Mercedes. Bem, os boatos eram mesmo só boatos, de forma que Piquet parece que não retornará ao certame tão cedo, de forma que os torcedores brasileiros terão como únicos representantes Lucas di Grassi e Felipe Massa. Uma pena porque Nelsinho merecia uma chance de tentar refazer seu nome na competição onde foi o primeiro campeão, mas pelo visto, águas passadas não movem moinhos, o que teria feito com que os novos times não tivessem interesse o suficiente para contar com os serviços de Piquet. Talvez no futuro ainda o vejamos de volta à competição de carros elétricos, mas quanto mais tempo ausente, mais difícil vai ficar ensaiar um retorno.



EM BAIXA:

Renault na F-1: A marca francesa tinha tudo para viver uma boa temporada na categoria máxima do automobilismo neste ano. Seu time oficial tinha terminado 2018 na 4ª posição, e com investimentos maciços prometendo melhorias tanto em sua unidade de potência quanto em sua escuderia. Mas as coisas não saíram como o planejado. Se seu time cliente, a McLaren, renasceu na categoria, e se firmou como melhor equipe depois do trio Mercedes/Ferrari/Red Bull, por outro lado, o time oficial da marca francesa andou para trás, a despeito de ter uma dupla de pilotos reforçada com a contratação de Daniel Ricciardo. A evolução da unidade de potência também enfrentou alguns problemas de confiabilidade, de modo que a disputa com as dominantes Mercedes e Ferrari ainda continua um sonho relativamente distante. E, como desgraça pouca é bobagem, além dos resultados em pista serem inconstantes, seu time oficial ainda acaba sendo desclassificado do GP do Japão, pelo uso de um sistema de freios considerado irregular, que acaba não só por fazer o time perder pontos importantes em uma corrida em que andou de forma razoável, como manchar a imagem da escuderia. Junte-se a isso o fato de seu time cliente, a McLaren, anunciar que voltará a usar unidades da Mercedes a partir de 2021, indicando que as pretensões do time inglês são maiores do que o potencial ofertado pelo equipamento francês, e temos que a Renault, salvo mudanças, terá somente a si mesma para equipar em 2021, com os demais times preferindo equipar-se com os concorrentes. Lutando para melhorar suas unidades de potência desde o início da nova era turbo híbrida da F-1, a Renault corre o risco de ser eclipsada pela Honda em definitivo no próximo ano, apesar dos anos desastrosos vividos pelos japoneses quando equiparam a McLaren, mas que vem se recuperando a passos largos desde que passaram a estar unidos à Red Bull este ano.

Equipe Hass: O time de Gene Hass certamente não vê a hora de 2019 acabar, e começar a se preparar para 2020, porque a temporada deste ano literalmente foi para esquecer. Um carro de performance instável, que tem dado mais dissabores do que performance, e tudo isso com uma dupla de pilotos que em determinados momentos não somou esforços para ajudar a resolver a situação, mas apenas aumentou ainda mais a lista de problemas. Como o time entendeu que o carro saiu bem ruim, os pilotos ganharam uma nova chance para o próximo ano, resta então produzirem um carro decente, para que pelo menos eles mostrem do que são capazes. Mas enquanto 2019 não acaba, eles vão se virando como podem, e nas últimas duas corridas, acabaram passando longe da zona de pontuação, sem apresentarem a mínima performance, e quase tendo que disputarem posição com os carros da Williams, disparados os mais fracos do grid. Daí a começarem a pipocar boatos de que a escuderia deve encerrar as atividades ao fim do ano que vem, se não for até vendida para alguém é um pulo. Os norte-americanos gostam de competição, é verdade, e até o ano passado, a Hass vinha crescendo gradativamente, com uma boa administração, tanto financeira quanto técnica. Mas as coisas desandaram este ano, e é hora de fazer uma avaliação para verem onde erraram, e tentar corrigir para 2020. Mas dá para entender também a frustração, e a possibilidade de abandonar a F-1, devido aos elevadíssimos custos de competição, para muitas vezes dar poucos resultados... E este ano foram realmente muito poucos.

Indefinições no regulamento da F-1 a partir de 2021: E as discussões sobre o novo regulamento da categoria máxima do automobilismo para a temporada de 2021 prosseguem. Enquanto parece que não haverá mudanças substanciais no que tange às unidades de potência, e o teto orçamentário finalmente será implantado, o que pode ajudar a reduzir os custos de competição, ainda se discute vários outros aspectos, e infelizmente, algumas idéias, apesar de até parecerem bem-vindas, certamente não casam muito com a F-1. Idéias como fazer uma mini-corrida para definir o grid de largada, ou até mesmo adotar grid invertido, por mais interessantes, não passam a melhor das idéias. É verdade que é preciso tirar a F-1 do marasmo, mas parece que ninguém pensa em adotar algumas idéias mais simples. Pelo menos em um ponto a FIA e a Liberty Media sabem que precisam mudar, que é o atual sistema de aprovação unânime dos times para se implantar uma regra nova, o que dá demasiado poder às escuderias, que já teriam gorado na abolição da regra que obriga os pilotos a largarem com os pneus de seus melhores tempos no Q2, que tem se mostrado completamente inócua para tentar dar alguma variedade às estratégias dos times para a corrida. Neste caso, uma regra que realmente poderia ser extinta, já que realmente não tem sido mais efetiva. Se é verdade que adotar novidades seria uma boa para variar um pouco, por outro lado, é preciso manter alguns parâmetros. Grids invertidos, ou mini-corridas já me parecem viajar demais neste aspecto, e dá a impressão de que estão atirando para todos os lados na ânsia de tentarem algo novo, e isso só mostra como eles parecem estar perdidos na discussão de alguns aspectos do novo regulamento.

James Hinchcliffe: O piloto canadense, que disputou a temporada deste ano pelo time da Schmidt/Peterson, tinha contrato firmado para 2020 com a escuderia, mesmo com a fusão desta com a McLaren para criar o novo time da escuderia de Woking no campeonato da Indycar para disputar a próxima temporada. Com a confirmação de Pato O’Ward no time, após ser dispensado do programa de jovens pilotos da Red Bull, tudo levava a crer que esta seria a dupla do time para o novo campeonato, mas de repente, o canadense acabou dispensado, e em seu lugar, entra Oliver Askew, campeão da Indy Lights de 2019. Na justificativa do time, alegaram a necessidade de apostar em jovens talentos, de modo que embora o contrato de Hinchcliffe não tenha sido rescindido, o time o liberou para procurar outro time. Defendendo a escuderia na Indycar desde 2015, não deixa de ser um tremendo demérito, ainda mais em um momento onde os principais times da Indycar já estão com seu planejamento fechado para o próximo ano, o que pode dificultar a James tentar achar um novo lugar para competir.

GP de Miami de F-1: Anunciado para a temporada de 2021, o GP de Miami para a Fórmula 1 parece cada vez mais difícil de ocorrer. Depois de ter seu projeto no centro da cidade vetado por problemas de segurança junto a obras no porto da cidade do Estado da Flórida, surgiu um novo projeto de circuito nas cercanias do Hard Rock Stadium, mas os moradores do condado de Miami Gardens, próximo ao local, já teriam se posicionado ferreamente contra a realização da corrida, pelos problemas que isso acarretaria nas vizinhanças, com o fechamento de várias ruas do bairro residencial que seriam necessárias para a montagem do circuito projetado. E não foi apenas a associação dos moradores do local que disse ser contra o GP: o próprio prefeito de Miami Gardens disse não querer a corrida ali, chegando a alegar que a prova de F-1 seria um evento “tóxico”, onde os benefícios turísticos são seriam compensatórios diante dos custos e problemas operacionais que a realização da corrida traria. Pelo visto, realizar um outro GP nos Estados Unidos, além da corrida que já é realizada com relativo sucesso no Circuito das Américas, em Austin, no Texas, está se mostrando uma tarefa bastante complicada, visto que há alguns anos atrás Bernie Ecclestone iniciou tratativas para tentar realizar um GP nas ruas de Nova Iorque, mas a corrida nunca conseguiu ser viabilizada financeiramente, para não mencionar problemas similares ao que a corrida em Miami está enfrentando. E parece que, mesmo sendo uma empresa dos Estados Unidos, o Liberty Media não está tendo mais facilidades em resolver estes problemas.