sexta-feira, 27 de setembro de 2019

NEWGARDEN BICAMPEÃO

Josef Newgarden (acima) apenas administrou sua vantagem na pontuação para chegar ao bicampeonato na prova de encerramento em Laguna Seca, enquanto Colton Herta (abaixo) largou na pole e venceu sua segunda corrida na temporada. 

            E deu Penske na conquista do título 2019 da Indycar. Josef Newgarden, apesar de uma performance burocrática na corrida final da temporada, na pista de Laguna Seca, onde terminou em um modesto 8º lugar, faturou o seu segundo título na carreira, dando mais um caneco de campeão ao time do velho Roger, de longe a equipe mais bem-sucedida da história das categorias Indy. E Simon Pagenaud, apesar do esforço, pois também lutava pelo bicampeonato, teve que se contentar em ser vice. E Will Power e Scott Dixon até que tentaram terminar o ano em alta, mas ficaram no quase, apesar de que ambos ficaram de fora da briga pelo título pelo que demonstraram ao longo da temporada, e não apenas pelo que se viu no circuito de Monterrey.
            A vitória da corrida acabou nas mãos de Colton Herta, que largou na pole-position e de lá ficou na liderança praticamente da corrida toda, não cedendo à pressão dos pilotos rivais que tentaram destrona-lo da primeira colocação. Outro novato que também terminou o ano em alta, ainda que um pouco ofuscado por Herta, foi Felix Rosenqvist, que inclusive levou o troféu de “Rokkie of the Year”, terminando a temporada em 6º lugar, uma posição à frente de Herta, que foi o 7º colocado. Mas o sueco competiu por um time de maiores recursos, a Ganassi, e já era um nome experiente pelas provas disputadas na Formula-E quando veio aportar na Indycar este ano. Herta, por outro lado, veio das categorias de base para acesso à Indycar, e seu time, a Harding, não tinha lá muitos recursos. Por isso mesmo, a comemoração mais efusiva pelas duas vitórias obtidas pelo rapaz, com apenas 19 anos, mas mostrando já uma capacidade e senso de oportunidade dignas de um veterano da competição, e que terá melhores condições de disputa em 2020, quando competirá pelo time de Michael Andretti. Rosenqvist não venceu nenhuma corrida, tendo marcado apenas 1 pole, enquanto Herta, além das duas vitórias, marcou três poles na temporada. Como não se empolgar com os resultados do filho de Brian Herta?
            Aliás, o time de Michael teve de amargar a derrota de sua grande estrela, Alexander Rossi, que chegou a Laguna Seca precisando descontar uma desvantagem de 41 pontos para Josef Newgarden, mas não conseguiu o resultado necessário para chegar finalmente ao título. Mas o próprio Rossi reconheceu que seus esforços, dele e do time, não foram suficientes para levar a taça este ano, reconhecendo a melhor campanha dos rivais. Rossi, aliás, esteve cotado para ser o mais novo contratado da Penske para 2020, mas Michael Andretti, em um esforço conjunto com a Honda, sua fornecedora de motores, conseguiu um bom acordo que garantiu a permanência do compatriota em sua escuderia por mais três anos. E isso lhe dá uma tranquilidade e certeza de que a Andretti não medirá esforços para lhe proporcionar o melhor equipamento e esforço para leva-lo ao título, sendo também um ponto de honra para o time da Andretti, que foi campeão pela última vez em 2012, com Ryan Hunter-Reay, e desde então tem ficado à sombra do duelo Ganassi X Penske, sendo sempre derrotada por uma ou por outra. Alexander venceu apenas 2 corridas, menos do que se esperava, tendo também largado 2 vezes na pole. Alguns azares, como em Pocono, acabaram por comprometer seus esforços na luta pelo título, enquanto em alguns outros momentos ele não conseguiu se impor como gostaria, a exemplo do que fizera em 2018.
Alexander Rossi bem que tentou, mas não conseguiu chegar ao título em 2019.
            Newgarden, aliás, não deixou dúvidas de que seria um dos favoritos ao título desde o início, largando na frente já ao vencer a primeira corrida da temporada, nas ruas de São Petesburgo, na Flórida. O piloto da Penske, que mostrou seu talento na equipe de Ed Carpenter, mostrando um arrojo e agressividade que por vezes complicava seus resultados, aprendeu a controlar mais o seu ímpeto, e soube garantir pontos em momentos onde não dava para vencer, mas podia ser constante, o que lhe permitiu abrir vantagem na pontuação, enquanto seus rivais se complicavam sozinhos ou tinha todo tipo de azar. E nem por isso ele deixou de vencer: com 4 vitórias, Josef foi o piloto com mais triunfos na temporada, tendo errado muito pouco, como o ocorrido em Mid-Ohio, ou na segunda corrida de Detroit, onde bateu o carro. Ele também marcou 3 poles no ano, mostrando sua velocidade pura. O título da competição ficou em boas mãos.
            Simon Pagenaud não empolgou em 2019, mas foi mais longe do que muitos esperavam, e esteve perto de repetir o título. Mas faltou aquele “algo mais” em momentos onde precisava ter chegado mais à frente, e por isso, terminou com o vice-campeonato, 25 pontos atrás de Newgarden. Seu ponto alto, sem dúvida, foi a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis deste ano, o que por si só, já lhe garantiu contrato para seguir na Penske em 2020, apesar de o francês ter ficado relativamente a perigo em certos momentos, só não perdendo o sono porque Will Power estava devendo ainda mais entre os pilotos da Penske. Pagenaud venceu 3 corridas, sendo o segundo maior vencedor no ano, tendo marcado também 3 poles. O resultado garantiu uma dobradinha da Penske na classificação final do campeonato, em 1-2, algo que sem sombra de dúvidas agradou muito ao “capitão” Roger Penske.
Scott Dixon mais uma vez mostrou seu alto nível de pilotagem, mas a Ganassi não esteve à sua altura em algumas corridas.
            Quem também ficou devendo foi Scott Dixon, mais por parte da equipe Ganassi do que pelo neozelandês, que mais uma vez mostrou toda a sua capacidade quando o carro lhe permitiu, vencendo 2 provas. Mas não conseguiu largar na frente em nenhuma corrida, e na reta final da competição, duas quebras mecânicas em Gateway e Portland implodiram suas chances de chegar a Laguna Seca com chances reais de conquistar mais um título. Mas Scott demonstrou estar em grande forma, e que subestimá-lo por ser um dos veteranos do grid continua a ser um grande erro. Situação um pouco diferente de Will Power, que teve uma temporada de altos e baixos, ficando bem atrás de seus companheiros na equipe Penske. O australiano só foi desencantar de fato no final da temporada, conquistando duas provas, e marcado 3 poles, números que poderiam ser muito bons, não fossem os erros e azares cometidos durante o ano. Seu lugar na Penske esteve na iminência de ser ocupado por Alexander Rossi no próximo ano, mas Power viu a ameaça se desvanecer quando foi anunciada a renovação do contrato de Rossi com a Andretti. Mesmo assim, há quem afirme que seu lugar ainda está a perigo, com Roger Penske podendo reduzir o efetivo de sua escuderia para apenas 2 carros no próximo ano, contra os atuais 3 desta temporada. E Power, obviamente, seria o sacrificado, tendo de procurar serviço em outra freguesia.
            Uma pena, porque a Andretti, com a expansão para 5 carros, tem tudo para continuar mostrando força no próximo ano, especialmente com Rossi e Herta, e tendo Ryan Hunter-Reay na retaguarda (Zack Veach e Marco Andretti não contam muito, infelizmente). Será que a Penske perderia força na competição, com apenas 2 pilotos? A Ganassi reduziu seus 4 carros para apenas 2, e acabou por focar a maioria de seus esforços apenas em Scott Dixon, deixando de ser a grande força que já foi no grid um dia, apesar do título do neozelandês em 2018, mas não conseguindo se manter à altura como precisava este ano para repetir o feito.
            Dos demais times, apenas a Rahal/Letterman/Lannigan conseguiu subir ao degrau mais alto do pódio. E foi Takuma Sato a conseguir o feito, com dois triunfos no ano, deixando seu colega Graham Rahal para trás na tabela de classificação. Mas o japonês teve um momento difícil na temporada, ao causar uma batida múltipla no início das 500 Milhas de Pocono, sendo muito criticado pelos demais pilotos, pelo perigo que sua manobra poderia ter desencadeado, lembrando do acidente que feriu gravemente Robert Wickens no ano anterior. Mas na corrida seguinte, em Gateway, Sato dava a volta por cima com uma nova vitória, deixando o momento ruim para trás.        Quem não conseguiu dar a volta por cima no ano foram Graham Rahal, suplantado por Sato no time; e também Sébastien Bourdais, que sempre vinha conseguindo ter alguns brilhos isolados ao volante da Dale Coyne nos últimos anos, mas ficou praticamente em branco em 2019, e ainda por cima tendo a forte competição de Santino Ferrucci na escuderia, piloto que não era tido com muitas credenciais de bons resultados. James Hinchcliffe também não conseguiu brilhar como gostaria este ano, e aposta suas fichas na nova associação de seu time, a Schmidt-Peterson, com a McLaren, que unirão forças para promover o retorno da escuderia inglesa a uma categoria Indy depois da participação feita em várias temporadas durante os anos 1970, na antiga F-Indy. O ponto negativo é que essa união de forças não amplia o número de carros: na prática continuarão sendo apenas dois, sendo que um deles é garantido para o canadense, que ainda tem contrato com a escuderia até o fim do ano que vem. Um terceiro carro deve ser disponibilizado, possivelmente para a disputa da Indy500, talvez em mais uma tentativa de Fernando Alonso de tentar emplacar a conquista de Tríplice Coroa, cuja participação no Brickyard este ano foi um completo fiasco.
 
Tony Kanaan salvou um pódio em Gateway, mas no geral a temporada foi cheia de decepções com fraco carro da Foyt.
          
E fiasco é o que pode ser dito também da participação de Tony Kanaan e Matheus Leist em 2019. Se em 2018 a Foyt estava se reorganizando em sua nova associação com a Chevrolet, o que a impediu de obter melhores resultados, este ano o time do lendário heptacampeão A. J. desandou por completo, sendo quase sempre os carros mais lentos na pista, não importava em qual tipo de pista estivessem. Com raras exceções, como em Indianápolis, ou em Gateway, onde Kanaan conseguiu um pódio para lá de improvável, a dupla brasileira nadou contra a corrente sem conseguir mostrar do que era capaz com um carro que não demonstrava nenhuma evolução. As consequências foram a perda do patrocínio da ABC Supply, e a situação praticamente indefinida tanto do time quanto de nossos pilotos para 2020. Os resultados ruins arrastaram a reputação de Leist para o fundo, com os holofotes dos novatos talentosos passando a focar em Rosenqvist, Herta, e Ferrucci, ignorando o piloto gaúcho, que aportou na Indycar em 2018 cercado de boas expectativas pelo talento que demonstrara na Indy Lights em2017. Seu destino é incerto para o próximo ano. E Tony Kanaan, pelo que demonstrou na Indy500 e em Gateway, mostra que ainda tem muito a render, só precisando mesmo é de um carro decente para fazer valer o seu talento.
            Também é incerta a situação da transmissão da Indycar para o Brasil no próximo ano, pelo menos em televisão. A nova plataforma de streaming DAZN trouxe ao nosso país uma nova opção para se assistir a categoria norte-americana, enquanto o Grupo Bandeirantes continuou maltratando os telespectadores com sua costumeira programação roleta russa, transmitindo uma corrida no canal aberto aqui, outras no canal fechado Bandsports ali, e por aí vai. Mas o contrato de transmissão se encerrou, e por enquanto, não se falou em renovação para 2020. Há quem defenda a manutenção das transmissões, para se manter a diversidade de eventos esportivos que o Bandsports pode transmitir, a exemplo do que já fazem os concorrentes Fox Sports e SporTV, canais que já tem suas competições de esporte a motor, e que não teriam interesse e/ou espaço para abrigar a Indycar em suas programações. Por outro lado, temos também as queixas dos fãs e telespectadores com relação ao modo como o Grupo Bandeirantes está se empenhando (ou deixando de se empenhar) na qualidade das transmissões. Se Celso Miranda pelo menos tem estrada e experiência para narrar e comentar com competência, Roberto Vaz até agora não caiu na preferência no público, que tem muita saudade de Téo José, hoje no Fox Sports, e até também de Felipe Giaffone, que foi para o SporTV. Eles são unânimes em afirmar que tudo tem que ser melhorado: o esquema de transmissão, e a própria equipe de narração/comentários/reportagens.
            Situação complicada, porque até mesmo na Globo chovem críticas ao novo modelo adotado pela emissora, que cortou inclusive a cerimônia do pódio das transmissões, mostrando o momento apenas em seu site de internet, o que deixou muitos fãs tremendamente irritados com a atitude da emissora. Se nem a Globo agrada, a Bandeirantes vai conseguir? O exemplo da Fox até poderia ser seguido, mas aí entra também uma questão de orgulho que mais atrapalha do que ajuda, então estamos mesmo é enrolados, quando se precisa de opções para se acompanhar alguns campeonatos. Já vai longe o tempo em que uma categoria Indy tinha um tratamento decente por aqui, e olhe que naquela época tínhamos até mais representantes no grid, e com perspectivas de disputar até o título, e hoje em dia...
            Bom, este foi um pequeno retrato do que foi a temporada 2019 da Indycar. Agora, é esperar pelo seu retorno, em março de 2020. E vamos ver o que se resolve até lá...


A F-1 não descansa, e depois do GP de Singapura, todo mundo já tomou o rumo do aeroporto, para a próxima corrida, cujos treinos começam hoje na pista de Sochi, na Rússia. Sempre fico empolgado pela corrida na Cidade-Estado do sudeste asiático, mas não consigo ter simpatia pela corrida russa. Muito provavelmente pelo puxa-saquismo de Bernie Ecclestone ao presidente russo, Vladimir Putin, um cretino de marca maior, algo que não engulo sem a pau, apesar de saber que a F-1 sempre preferiu os dólares de quem se dispusesse a pagar o seu preço a firmar posição sobre um governo de tendências democráticas pra lá de duvidosas. Talvez por isso eu também não aprecie nem um pouco a corrida na China. Só que a prova russa também tem o incômodo de nunca ter produzido boas corridas, então para mim, a F-1 podia ganhar muito mais em emoção competindo em pistas e países mais legais do que se aventurar pelas hostes russas...


Depois de surpreender e vencer sua terceira corrida consecutiva na temporada, ainda mais em uma pista que teoricamente não a favorecia, será que a Ferrari tentará seu quarto triunfo em Sochi? Até hoje praticamente só deu Mercedes na etapa russa, mas a nova forma demonstrada pelo time de Maranello parece ter tudo para garantir pelo menos um fim de temporada empolgantes da F-1 em 2019, uma vez que o título está praticamente encaminhado nas mãos de Lewis Hamilton e da Mercedes, ficando a emoção pelos duelos que Ferrari e Red Bull poderão oferecer. Mas Hamilton não vai querer dar muito espaço para os rivais, e certamente vai querer tentar uma nova vitória, até para sacramentar ainda mais o seu já enorme favoritismo e vantagem na classificação do campeonato. Quem precisa, e deve mostrar serviço, é Valtteri Bottas, que precisa justificar à chefia do time prateado que sua renovação de contrato não foi um erro de decisão, tendo Esteban Ocón na reserva da escuderia, com o francês sendo agora dispensado para virar titular da Renault no próximo ano. Com a escalada da Ferrari, Bottas tem a obrigação de pelo menos garantir o vice-campeonato, pelo carro que tem nas mãos. Fora isso, todo mundo está bem curioso para ver como Charles LeClerc vai encarar Sebastian Vettel na pista, depois de ver o seu provável triunfo em Singapura ir parar nas mãos do rival. Pode vir briga por aí, e que venha!

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – SETEMBRO DE 2019


E estamos chegando ao final do primeiro trimestre do segundo semestre de 2019, e as competições no mundo do esporte a motor seguem firmes nos mais variados campeonatos pelo mundo inteiro, sem descanso, e com muita disputa. Depois da Formula-E, foi a Indycar que encerrou suas disputas de 2019, com a definição de seu campeão na última corrida do campeonato, mas outras competições, como a F-1 e a MotoGP, apesar de mais do que encaminhadas, ainda tem muito chão pela frente até sua bandeirada final, mais perto do fim do ano. E, com o fim de mais um mês, lá vamos nós para mais uma postagem da Cotação Automobilística, com uma avaliação de alguns dos principais acontecimentos do panorama do mundo da velocidade neste mês de setembro, com meus comentários de costume a respeito. Estejam ou não de acordo com minhas opiniões, façam bom proveito da leitura e curtam o texto, no tradicional esquema de sempre: em alta (cor verde), na mesma (cor azul), e em baixa (cor vermelha). Uma boa leitura a todos, e até a edição da Cotação Automobilística do mês que vem, com as avaliações dos acontecimentos do mundo das corridas no mês de outubro. Até lá, então...



EM ALTA:

Josef Newgarden: A performance do piloto da equipe Penske pode até ter sido burocrática na etapa de encerramento da temporada, na pista de Laguna Seca, mas com a vantagem de que dispunha na classificação, para que arriscar? Josef tratou de marcar seus adversários e procurou fazer uma corrida segura e sem arroubos que o levassem a se arriscar nas disputas de posição de forma demasiada que pudessem resultar em um abandono ou acidente. Com quatro triunfos na temporada, Newgarden soube usar a cabeça ao longo do ano para chegar ao bicampeonato, ao ser agressivo quando necessário, e ser constante quando a vitória estava fora de alcance, garantindo bons resultados na pontuação que o levaram a chegar para a corrida final com 41 pontos de vantagem na tabela, com uma margem significativa de manobra, mesmo diante da pontuação dobrada da corrida final do ano. Apesar de um ou outro erro no ano, ele também contou com um pouco de sorte ao ver seus principais rivais tendo seus próprios problemas em várias corridas, ou terminando em posições aquém do que precisavam. Mas não há campeão sem sorte, e Josef soube usar as oportunidades que surgiram ao seu alcance, garantindo mais um título para Roger Penske, e sendo desde já o homem a ser batido em 2020. Os rivais que se preparem...

Colton Herta: O piloto da equipe Harding foi a sensação da temporada, mais até do eu Felix Rosenqvist, que ganhou o título de “Rokkie of the Year”. E não foi por acaso: aos 19 anos, tornou-se o mais jovem vencedor de uma corrida das categorias Indy ao faturar o GP de Houston, segunda corrida da temporada, pilotando pela equipe Harding. O filho de Brian Herta ainda marcou 3 pole-positions no ano, e fechou a temporada vencendo a prova final, em Laguna Seca. O piloto terminou a temporada em 7º lugar, com 420 pontos. E, diante das dificuldades de seu time para a próxima temporada, ele ainda acabou ganhando um upgrade ao ser contratado pela Andretti para alinhar o 5º carro do time na temporada do ano que vem, tendo melhores condições de competição do que neste seu ano de estréia na categoria de monopostos dos Estados Unidos. Um desempenho mais do que memorável, se lembrarmos que a Harding não teve a melhor das estruturas de competição do certame. Mas, com um carro bem acertado em alguns momentos, Colton mostrou todo o seu talento, e fez a diferença. Diferença que tem tudo para fazer dele uma das novas estrelas da competição nos próximos anos.

Charles LeClerc: O piloto monegasco enfim chegou à sua primeira vitória na F-1, ao vencer o GP da Bélgica, e fazer o hino de seu país ser tocado pela primeira vez na categoria máxima do automobilismo. Mas não foi só isso: Charles ainda havia marcado a pole, e repetiu ambas as doses, pole e vitória, na corrida seguinte, em Monza, Itália, sendo ovacionado pela imensa torcida ferrarista, que já o tem como novo ídolo para o futuro próximo do time de Maranello. LeClerc vinha colocando no bolso o parceiro de time Sebastian Vettel, pelo menos em classificações, nas últimas corridas, e com os dois triunfos consecutivos, deixou o alemão para trás na classificação do campeonato. O garoto também mostra personalidade, mas tem que tomar cuidado para não cair na vala da choradeira gratuita, como ocorreu em Singapura, onde uma manobra para Vettel superar Lewis Hamilton na pista acabou levando o alemão para a liderança, o que o monegasco não engoliu passivamente. Só que, se quiser ser o grande campeão que os torcedores anseiam, ele precisa aprender a conviver também com alguns momentos inesperados como esse, e não sair atirando ao menor sinal de inconformismo, até porque ele próprio não cumpriu o combinado com o time na classificação em Monza. Se não perder o foco com estes reveses momentâneos, o garoto tem tudo para ir bem longe na Ferrari e na F-1. Está muito cedo para começar a criar intrigas com o time a nível público.

Mundial de Rally 2019: Faltando três etapas para encerrar o campeonato de 2019, a disputa segue aberta no Mundial de Rali deste ano, algo que não víamos há muito tempo no maior dos campeonatos do circuito off-road do mundo. Ott Tanak continua na liderança, mas Sébastien Ogier, que vinha devendo há algumas etapas, ressurgiu na sua melhor forma na prova da Turquia, ao voltar ao degrau mais alto do pódio, e diminuir a diferença para Tanak, que acabou tendo azar em terras turcas, e perdeu uma grande chance de manter a dianteira no mesmo patamar de pontos de vantagem que tinha conquistado. Apenas 17 pontos separam Ogier de Tanak, e embora não se possa desprezar essa diferença, ela não dá praticamente segurança alguma para Ogier, que tem tudo para virar o jogo, dependendo dos resultados das etapas restantes. Até Thierry Neuville, que também não teve um bom desempenho na etapa turca, ainda está no páreo, ainda que com 30 pontos de desvantagem para Ott. Mas com cada vitória valendo 25 pontos, descontados os pontos extras que podem ser auferidos por um piloto, pode-se dizer que tudo segue em aberto com um mínimo de 75 pontos em jogo até o encerramento da competição, com o Rali da Austrália. E termos 3 pilotos na briga pela taça da temporada já faz o ano valer a pena. Ogier leva mais um título, ou seu domínio acaba este ano, uma temporada antes de sua despedida da competição, já anunciada para o fim do ano que vem? Tanak vence? Ou Neuville consegue virar o jogo, mesmo sendo o azarão do momento? Fiquem preparados para muita emoção, e também muita poeira pela frente...

Disputa na Stock Car Brasil: Faltando as etapas de Cascavel, Velo Citá, Goiânia e Interlagos, o principal campeonato de esporte a motor do nosso país tem uma boa disputa com cerca de 6 pilotos com chances de chegar ao título da temporada, sendo 3 mais favoritos do que os demais, que correm um pouco por fora. E quem lidera o certame é Ricardo Mauricio, com 3 vitórias e 245 pontos, seguido de perto por Daniel Serra, que embora tenha apenas 1 triunfo no ano, tem grande constância, e está com 239 pontos. Na terceira posição temos Thiago Camilo, com 4 vitórias, e 221 pontos. Em tese, estes três são os favoritos na disputa, mas um mau fim de semana nas etapas restantes pode fazer tudo ir para o vinagre. Um pouco mais atrás, o veterano Rubens Barrichello é o 4º colocado, tendo vencido 4 provas no ano, e ter 206 pontos. Em 5º vem Júlio Campos, com 193 pontos e 1 vitória, e em 6º, Felipe Fraga, também com apenas 1 vitória, e 181 pontos. Correndo um pouco como azarões, dependendo da sorte ou azar dos favoritos, esta turma tem tudo para engrossar o bolo da disputa de campeão da temporada. As etapas finais tem tudo para serem muito disputadas, e ninguém vai querer dar mole para permitir uma reação dos rivais na pista, o que deve garantir a emoção da competição até a bandeirada final, pois ninguém está conseguindo abrir uma diferença significativa na classificação. Bom para a competição da Stock, que completou 40 anos de vida este ano, uma marca pra lá de respeitável no panorama internacional das competições do mundo do esporte a motor.



NA MESMA:

Equipe Hass na F-1 em 2020: O time de Gene Hass foi a grande surpresa das novidades anunciadas em Singapura para a próxima temporada da F-1. Quando todos imaginavam qual dos pilotos do time sairia em 2020, eis que a escuderia norte-americana surpreendeu ao manter tanto Romain Grosjean quanto Kevin Magnussen, mesmo com todos os problemas causados pela dupla de pilotos nos últimos dois anos. A justificativa é de que a maior falha foi do time em não lhes proporcionar um carro mais competitivo que lhes permitisse obter os resultados que sabem que eles são capazes de conseguir. Pelo sim, pelo não, os dois pilotos precisam se benzer depois desta renovação inesperada, pois as expectativas apontavam que um dos dois poderia ser demitido, ou até mesmo ambos. Pelo visto, ganharam na loteria ao terem seus contratos renovados por mais uma temporada. Que aproveitem a chance direito, pois dificilmente terão sorte igual no futuro, se continuarem arrumando encrencas na pista...

Rahal/Letterman/Lanigan na Indycar 2020: Outro time que manterá sua dupla de pilotos, mas agora no campeonato da Indycar, é a escuderia capitaneada pelo ex-piloto Bobby Rahal, que continuará com seu filho Graham Rahal, e o japonês Takuma Sato como pilotos por mais um ano. Sato, apesar dos percalços, venceu duas corridas, e ainda foi terceiro na Indy500, finalizando a temporada em uma boa 9ª posição, com 415 pontos. Já Graham foi o 10º colocado, com 389 pontos, mas sem conseguir nenhum triunfo na temporada. Bobby Rahal elogiou o desempenho de sua dupla de pilotos, e afirmou que o objetivo é manter a continuidade dos trabalhos da escuderia com uma dupla de pilotos que eles já conhecem muito bem. A permanência de Sato também indica que o time manterá suas relações com a Honda no fornecimento de motores, já que o japonês conta há anos com apoio da fábrica nipônica à sua carreira no automobilismo.

Red Bull na temporada 2019: O time dos energéticos trocou Pierre Gasly por Alexander Albon visando se reforçar para tentar destronar a Ferrari na temporada, e tentar pelo menos garantir o vice-campeonato de construtores, mas o tiro parece ter saído pela culatra nas pretensões da escuderia nas últimas provas. Não que Albon tenha comprometido exatamente, mas o desempenho do time em Singapura não foi tão bom como esperavam, e nas etapas da Bélgica e Itália, Max Verstappen, sua grande estrela, acabou não conseguindo brilhar como se imaginava. Como desgraça pouca é bobagem, o renascimento da Ferrari parece ter sido um balde de água fria para a turma de Milton Keynes, que não apenas vê os carros vermelhos escapulirem na pontuação, como voltar a superá-los na pista. E até mesmo a evolução do motor Honda, tão elogiada antes das férias de meio de temporada, parece ter esmaecido um pouco, diante da recuperação de performance dos carros vermelhos na pista. Tudo indica que a Red Bull ficará na posição onde está no campeonato, a menos que a Ferrari desande novamente na performance de seu carro. E Albon, apesar de um bom começo, ainda precisa convencer a cúpula do time, que pelo menos uma decisão já tomou: Daniil Kvyat não será piloto do time em 2020, ficando na Toro Rosso. Mas o tailandês, se marcar alguma bobeira, pode ser rebaixado de volta para o time B, que ainda pode levar Gasly de volta à escuderia principal, dependendo do que acontecer.

Jorge Lorenzo: O tricampeão da MotoGP voltou às pistas depois de sua recuperação para tratar do ferimento obtido na etapa de Assen, e infelizmente, sua performance continua para lá de decepcionante, já tendo levado até algumas alfinetadas de Alberto Puig, chefe de equipe do time oficial da Honda, que teria questionado se o espanhol estaria realmente motivado para pilotar no limite como se precisa. Ou se não teria mais coragem para isso. Lorenzo, claro, revidou lembrando seus problemas físicos, que começaram até antes da temporada, e embora isso tenha sua cota de responsabilidade, não há como negar que a performance de Jorge até agora está muito abaixo do que todos esperavam. Embora Lorenzo reitere seu desejo de cumprir com o contrato firmado com a Honda, que vai até o fim do ano que vem, correm alguns boatos de que o mesmo poderia sofrer uma rescisão por parte da escuderia, se entender que o espanhol será mais um peso do que um trunfo. E se lembrarmos que Johann Zarco acabou de ser demitido da KTM pelos maus resultados e fim do clima amigável entre piloto e equipe, não falta muito para a situação de Lorenzo na Honda atingir patamar similar. Para quem finalmente estava começando a se acertar na Ducati, Lorenzo infelizmente implodiu tudo ao resolver partir para outro time, do modo como fez. E a Ducati continua sendo um time forte, como demonstra Andrea Dovizioso, ainda que pese sua campanha irregular na temporada. Mas Lorenzo poderia estar na mesma posição de Danilo Petrucci, no mínimo, ou até melhor. Márquez está vencendo, enquanto Lorenzo vem disputando posição na segunda metade do grid. Uma hora a paciência da Honda, ou do próprio Lorenzo, vai acabar. A dúvida é qual acaba primeiro...

Valtteri Bottas: Parece que bastou ser confirmado para mais um ano como piloto titular da Mercedes para o piloto finlandês voltar a ficar devendo nas performances na pista. Tanto em Spa-Francorchamps quanto em Monza, quando foi exigido, Bottas não conseguiu corresponder. E, por força das circunstâncias, teve de se manter atrás de Lewis Hamilton, sem poder ultrapassar, em Singapura, pela conquista do título por parte do pentacampeão. Bottas até começou bem o ano, com mais gana e determinação, dando a impressão de que pelo menos andaria mais próximo de Lewis Hamilton nesta temporada, até para justificar a extensão de seu contrato com o time prateado. Mas isso não ocorreu, e Hamilton desgarrou até com certa facilidade de Valtteri. Agora, com a concorrência de Ferrari e Red Bull chegando bem mais parto, e precisando mostrar serviço, Bottas precisa ao menos conquistar o vice-campeonato para justificar a decisão de Toto Wolf de mantê-lo, tendo dispensado Esteban Ocon, liberando-o para competir pela Renault pelas próximas duas temporadas, quando muitos acharam que o francês poderia render mais que o finlandês no segundo carro da Mercedes. Se Hamilton não tem mais necessidade de vencer corridas, bastando administrar os resultados para chegar ao hexacampeonato, Bottas tem de ir à luta e vencer, se quiser frustrar os anseios de Max Verstappen e Charles LeClerc, e até de Sebastian Vettel, que podem roubar dele o vice-campeonato, se não tomar providências a respeito. Conseguirá?



EM BAIXA:

Nico Hulkenberg: O piloto alemão acabou dispensado pela Renault para a próxima temporada, sendo substituído por Esteban Ocon. Nico fez uma grande prova na Itália, e voltou a marcar pontos em Singapura, mas acabou tomando um banho de água fria com o anúncio da manutenção pela Hass de sua atual dupla de pilotos para a próxima temporada, uma vez que ele era cotado como um dos prováveis pilotos do time para 2020. Com isso, Hulkenberg viu suas opções para se manter na F-1 extremamente reduzidas. Sondado para o projeto da McLaren na Indycar, o piloto teria recusado justificando-se o medo das competições nas pistas ovais, e Nico já começa a admitir que pode deixar a F-1 no próximo ano, uma vez que não pretende se manter a todo custo nela, e que já estaria verificando outras opções de competição. Uma pena o ocorrido, pois Nico é um piloto de talento, e perto do que alguns pilotos tem demonstrado na pista este ano, merecia muito continuar. Mas a F-1 nunca se comoveu em negar vagas a pilotos, por mais talentosos que fossem, e Hulkenberg será apenas o mais recente competidor numa longa lista de pilotos que viram suas carreiras na categoria não renderem ou terem o reconhecimento esperado.

Carlos Sainz Jr.: O piloto espanhol da McLaren não vem dando sorte desde o retorno das férias de verão europeu, tendo problemas em praticamente todas as últimas corridas, e vendo resultados potenciais se esvaírem com grande rapidez. Seu carro quebrou na Bélgica, teve um pneu mal colocado em um pit stop na Itália, e um pneu furado logo na primeira volta em Singapura acabou com qualquer chance de um resultado pontuável. Carlos vinha numa ascenção com chances de superar Pierre Gasly na pontuação, diante dos altos e baixos do francês na Red Bull, e agora rebaixado à Toro Rosso, onde se colocaria como o “melhor” do resto do grid, superando amplamente seu companheiro Lando Norris, tido como futura estrela da F-1. Sua sorte é que ele conseguiu uma boa vantagem para os demais pilotos na pontuação do campeonato, mas se não conseguir escapar da onda de azar que o atingiu nas últimas provas, pode não apenas ver os rivais alcança-lo, como até deixa-lo para trás. Melhor começar a fazer uma reza brava para tentar evitar novas urucubacas nos próximos GPs.

Brasileiros na Indycar 2019: Este não foi um bom ano para nossos representantes na Indycar. Tony Kanaan e Matheus Leist comeram o pão que o diabo amassou com as péssimas performances da equipe Foyt, apesar do heroico 3º lugar de Tony na corrida de Gateway. Se em 2018 o time estava se reformulando com a nova associação com a Chevrolet, tudo andou para trás este ano, sem que se conseguisse achar um rumo para evoluir o equipamento de forma condescendente ao talento de sua dupla de pilotos. Considerado uma nova estrela em potencial na categoria quando estreou no ano passado, Leist já vê o péssimo rendimento proporcionado pelo seu time este ano deixa-lo de ser considerado por muitos outros times, eclipsado pelos desempenhos de Felix Rosenqvist, Santino Ferruci, Colton Herta, e até mesmo Marcus Ericsson, um tremendo revés para o desenvolvimento de sua carreira. Com o fim da temporada, o destino da dupla tupiniquim ainda é incerto para 2020, assim como as condições da própria equipe Foyt, que perdeu seu principal patrocinador por conta dos maus resultados, e agora precisa buscar novos recursos para correr no próximo ano. Tony, mesmo perto do fim de carreira na categoria, também merece mais respeito, mas foi um ano muito mais difícil do que todos imaginavam. Será que 2020 trará melhores ares? Não dá para fazer especulações no momento.

Kubica fora da F-1 em 2020: O anúncio já era mais do que esperado, mas o polonês preferiu se antecipar, e anunciar que não estará mais na Williams na próxima temporada, o que significa o fim de carreira definitivo de Robert na F-1. Kubica não conseguiu mostrar um desempenho melhor que o de seu companheiro George Russel, ainda que o inglês seja considerado um dos grandes talentos da nova geração, e que superá-lo, por si só, já seria pedir muito. Infelizmente, o carro tenebroso da Williams para a temporada ajudou a transformar o que deveria ser um retorno de superação em um pesadelo sem esperanças, diante da quase completa capacidade de disputar posições com os demais times. Robert poderá ser mais feliz em outros certames que exijam menos de sua condição física do que os monopostos da F-1. Ao menos, no ritmo dos resultados, se nada mudar, restará a ele o “troféu” de ter marcado o único ponto do time de Grove no ano, o que infelizmente é muito pouco para justificar sua permanência na categoria. Valeu a tentativa, e é uma pena que o acidente sofrido em 2011 tenha acabado de vez com suas possibilidades de fazer uma bela carreira na categoria máxima do automobilismo.

Johann Zarco: O piloto francês já tinha rescindido o contrato firmado com a KTM para a temporada 2020 da MotoGP, mas a escuderia da marca austríaca preferiu deixar Zarco de fora do restante da temporada já a partir da etapa de Aragón, na Espanha. Oficialmente, o time afirmou que não queria submeter o piloto a correr mais riscos com uma moto na qual não se sentia confortável, lembrando que, ao tentar ser mais rápido, Johann teve uma queda nos treinos da etapa anterior, na pista de Misano. É mais um ponto negativo na carreira do piloto francês, que tinha bons desempenhos quando defendia um dos times satélites da Yamaha, mas que, assim como Jorge Lorenzo, não conseguiu se adaptar ao comportamento diferente da nova moto que aceitou pilotar, o que significa um duro revés em sua carreira, ainda completamente indefinida para o próximo ano, com as opções de lugares livres ficando cada vez mais restritas na classe rainha do motociclismo para a próxima temporada. A KTM ainda o manterá oficialmente no time até o fim do ano, mesmo fora da posição de titular, que será ocupada por Mika Kallio, piloto de testes da KTM, nas provas restantes da temporada da MotoGP.