sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

A SITUAÇÃO FICOU RUSSA...

A Rússia invadiu a Ucrânia, e o conflito monopolizou as atenções mundiais.

             E a Fórmula 1 entrou na pista com sua nova geração de carros para a temporada de 2022, e o que deveria ser um momento de júbilo para os fãs do esporte, vendo os novos bólidos da categoria máxima do automobilismo acelerarem fundo na pista de Barcelona, na Catalunha, infelizmente acabou ofuscado pela atitude inconsequente do ditador russo Vladimir Putin que fez o que todo mundo já sabia que faria: invadir a Ucrânia, usando os pretextos mais inverossímeis possíveis, e iniciar a maior escalada militar desde os tempos da Segunda Guerra Mundial na Europa, cujas consequências podem se tornar imprevisíveis, a depender do que acontecerá de agora em diante.

            Por mais que tente permanecer distante, a Fórmula 1 infelizmente não ficará alheia às consequências do conflito, e terá de lidar com algumas decisões em virtude dos acontecimentos. O mais óbvio deles, certamente, seria a realização do Grande Prêmio da Rússia, marcado para 25 de setembro, data ainda longe, mas que já passou a ser totalmente inviável de ser realizado, mesmo dependendo de como se dará a escalado do confronto. Aqui, a F-1 agiu rápido, e hoje mesmo já foi comunicado o cancelamento da prova em Sochi, diante das circunstâncias atuais. E já se comenta que a Turquia poderia substituir a prova russa, o que resolveria facilmente o problema da categoria em arrumar uma corrida reserva, e em termos de GP, o circuito de Istambul Park conta muito mais com a simpatia de todo o circo da F-1 do que o traçado da cidade russa. Aliás, por mim, ficaria muito bem se a etapa russa fosse rifada do calendário, já que ela sempre foi um mote de propaganda praticamente escancarada do governo russo, com o autocrata Putin sendo sempre “aclamado” pela direção da F-1 quando a categoria correu por lá.

            Um puxa-saquismo promovido, aliás, de cabo a rabo por Bernie Ecclestone, que sempre teve simpatia por autocratas, por achar que democracia pode ser prejudicial nos negócios, admirando a mão de ferro com que essa gente “resolve” seus problemas. Questionado a respeito da invasão promovida por Putin, Ecclestone não deixou de elogiar o autocrata, classificando-o como uma pessoa “honrada”, o que dá uma idéia do apreço pelo líder russo, que de honrado não tem nada... Talvez nunca um GP tenha demonstrado tanto ser uma ferramenta política de um governo como o da Rússia, um panorama que a Arábia Saudita resolveu replicar agora com sua própria etapa no calendário da F-1. Infelizmente, a sede desenfreada pelo dinheiro promove este tipo de atitude, e se isso gerar consequências negativas para a categoria, eles que segurem o pepino que eles próprios arrumaram... Já era assim na era de Bernie Ecclestone, e infelizmente o Liberty Media parece estar seguindo os mesmos preceitos com a mesma sanha gananciosa do velho dirigente...

            De parte dos pilotos, Sebastian Vettel declarou que não correria em Sochi, se a corrida acontecesse, tomando partido desde já diante dos acontecimentos. Uma decisão corajosa, eu diria. Mas, conhecendo Sebastian, e de como ele tem tomado atitudes em defesa de várias causas, isso não deveria ser uma surpresa. E até mesmo o atual campeão, Max Verstappen, deu seu repúdio a correr em um país que está em guerra, mostrando que também não estaria no grid nesse GP, caso fosse mantido. Ambos têm meu respeito por tal atitude, e demonstram ter autoridade para tanto, sem ressentirem-se de possíveis consequências negativas que poderiam lhes serem impostas. E, como ícones do esporte a motor, têm o direito de usarem suas posições na defesa de posições em defesa de injustiças que acontecem pelo mundo.

            Enquanto isso, a Haas fica numa sinuca de bico. Justo ela, a equipe norte-americana do grid da F-1, está enrolada até o pescoço desde o ano passado com o patrocínio de uma empresa russa, que garante com isso a presença de Nikita Mazepin como piloto titular do time, já que justamente a empresa de seu pai é patrocinadora máster do time, e para alguns, já é quase dona da escuderia, pelo modo como se entregou aos rublos do pai do piloto ano passado, numa tremenda mudança de atitude por parte de Gene Haas, fundador do time. Pelo sim, pelo não, o time foi hoje para a pista sem as cores da bandeira russa na carenagem do carro, bem como qualquer menção ao nome da Uralkali, que, para complicar ainda mais a situação, não apenas é uma empresa russa de renome, mas mais uma das empresas de oligarcas que enriqueceram por suas ligações com o governo russo, leia-se Putin, o que só apimenta ainda mais a situação. A ordem no time hoje foi treinar como de costume, mantendo a preparação da pré-temporada, visando a competição. Mazepin segue como piloto do time, mas, e o que farão a partir de amanhã? Ninguém sabe direito. Ontem, Gunther Steiner acabou afastado das sessões de entrevistas, para não ser questionado a respeito da situação delicada do conflito, e o que isso poderia repercutir na escuderia.

A Haas foi para a pista sem as marcas e cores de seu patrocinador neste último dia de testes em Barcelona (acima). Se a falta do dinheiro russo comprometer o futuro do time, uma possível salvação poderia ser uma parceria com Michael Andretti (abaixo), que já declarou que pretende ter um time na F-1.


            O governo dos Estados Unidos está impondo sanções econômicas a quem tem negócios com as empresas russas, e é claro que Gene Haas não vai querer ter esse abacaxi no seu colo. A questão é que o time é sustentado literalmente pelo patrocínio do pai de Mazepin, e isso pode não apenas comprometer a temporada da escuderia, como sua própria sobrevivência financeira, já que sem grana, não se anda, e mesmo com o teto orçamentário finalmente implantado na F-1, a grana do patrocínio russo fará uma falta tremenda. Já o piloto, Nikita “roleta russa” Mazepin, nem tanto, já que mostrou ser muito fraco, e que se não fosse o seu enorme “paitrocínio”, nem mesmo seria notado no mundo do automobilismo. Isso forçaria o time a procurar outro piloto endinheirado para quebrar o galho das contas a pagar. Oficialmente, o time tem um piloto reserva, o brasileiro Pietro Fittipaldi, que até poderia ser efetivado como substituto, não fosse a escuderia estar numa pindaíba onde o dinheiro é mais necessário que o talento, algo que Pietro tem, mas falha no oferecimento de grana para o time. A escuderia, contudo, afirmou que dinheiro não seria problema, alegando que a permanência de Mazepin como piloto é que seria mais complicada. Bom, se dinheiro não é problema, depois da temporada passada, e visto a falta de capacidade de Nikita no comando de um F-1, já era para o time ter arrumado outro piloto, então... Tem muita gente capacitada por aí procurando um lugar para correr, com currículos muito superiores ao do russo. Só que a imensa maioria não teria uma carteira tão recheada por trás para oferecer à escuderia...

            Na pior das hipóteses, caso a dificuldade financeira do time seja mesmo débil, o maior prejuízo para a F-1 seria perder uma escuderia, e ficar com apenas 18 carros no grid, empobrecendo a competição, ainda que a Haas não tenha tido performances atrativas nos últimos anos, andando sempre no fim do grid. Uma solução, entretanto, poderia ser uma parceria com outro grupo dos Estados Unidos, capitaneado por Michael Andretti, que já declarou que pretende ter um time na F-1 em breve. Um desejo, aliás, que foi esnobado pela FIA, como se o desejo da empreitada dos Andretti fosse algo “dispensável” à F-1, que estaria já muito bem com seus 10 times. Uma atitude arrogante que poderia ser facilmente revista caso o risco de ficar com apenas 9 times no grid se tornasse eminente, e que poderia ser acertada com uma possível “parceria” entre Gene Haas e Michael Andretti, com vistas a transformar a escuderia norte-americana de Haas para Andretti. Poderia ser a salvação do time, se a FIA abaixar um pouco o seu queixo empinado e pesar os prós e contras da situação.

A F-1 já cancelou a corrida na Rússia deste ano. A Turquia é candidata a substituir a prova de Sochi.

           
Quanto ao conflito, difícil prever o que pode acontecer. E, infelizmente, pelas atitudes de Putin, que rasgou tratados e mentiu com um cinismo assustador para o mundo todo, tentando parecer um agente da paz, e cometendo essa apunhalada no país vizinho, o meio mais rápido de tudo se encerrar seria massacrando o autocrata russo. Esta guerra é um desejo dele, e não do povo russo, que aliás, foi espancado e teve centenas de pessoas presas nas várias manifestações ocorridas na própria Rússia, se posicionando contra essa guerra, com o governo mostrando que não irá tolerar opiniões contrárias a seu discurso oficial. Uma situação delicada, e que pode ser o prenúncio para mais confrontos, a depender de como a Europa e o restante do mundo se posicionarem e que atitudes tomarão a respeito disso. Não que Putin seja santo, mas seus adversários também não são lá flor que se cheire, tendo também suas cotas de culpa pela situação atual... Mas o autocrata russo deu o primeiro tiro, e isso terá consequências sérias. Mas, neste momento, Putin leva vantagem por ser um ditador, e sua palavra é ordem, sendo que quem a contrariar em seu país está encomendando o próprio funeral, enquanto na Europa e na ONU, todos se perdem em discussões e reuniões, a fim de decidirem que atitude tomarão, quando é preciso agir.

            E, como já mencionei, se Putin não for esmagado, ou pelo menos fortemente contido, estará dado o recado para outros ditadores de que eles poderão fazer o que quiserem mundo afora. E a China, que há décadas fala em “retomar” Taiwan, que consideram uma “província rebelde”, e não um país independente, não por acaso vem aumentando seu discurso belicoso e autoritário, sob a batuta de Xi Jinping, que assim como Putin, mandou às favas as regras de eleição de líder de sua nação, tornando-se o “ditador” de Pequim. E ele já afirmou que Taiwan “voltará” para ser parte da China, por bem, ou por mal. E se Putin for bem-sucedido em seus planos, não seria difícil Pequim tomar como exemplo, e arrebatar a ilha, que se transformou em uma bem-sucedida democracia, sob seu tacão, não se importando como isso afetaria seu relacionamento para com o resto do mundo, sem mencionar que reproduziria no Oriente todo o stress e instabilidade política que neste momento toma conta dos países do Velho Continente, temerosos do que os russos podem vir a fazer.

            É um problema complicado. E vai ser muito mais complicado resolver isso. E vai sobrar para muita gente que nada tem a ver com tal situação, e que não merecia passar por tai sofrimento. Pode ser fácil começar uma guerra... Difícil é conseguir encerrá-la... Depois de vivermos os últimos dois anos sob a ameaça da pandemia da Covid-19, o maior problema sanitário nos últimos 100 anos, agora em 2022 temos esse conflito... Definitivamente, a situação ficou russa mesmo...

 

 

A F-1 encerrou hoje a primeira metade da pré-temporada visando o campeonato de 2022. No primeiro dia, a McLaren ficou na frente. Ontem, foi a vez da Ferrari ser a mais rápida. Já hoje, no encerramento dos testes na pista de Barcelona, foi a vez da Mercedes, em dobradinha, ter os melhores tempos ao fim do dia. Ainda é cedo para dizer quem está melhor preparado para o campeonato. Claro, seria muito bom se Ferrari e McLaren fossem de fato tão velozes como parecem ter sido na pista da Catalunha. Em determinado momento, George Russel, estreando como piloto titular da Mercedes, chegou a alegar que os dois times estariam mais velozes que a escuderia alemã. Os melhores tempos obtidos pelos carros prateados hoje podem desmentir um pouco essa afirmação, mas Lewis Hamilton declarou que o time precisou resolver problemas durante as sessões. As escuderias tiveram seus problemas, com quebras, algumas rodadas, e tudo o que se pode esperar de testes de pré-temporada, que afinal, servem para isso mesmo, para todos conhecerem seus novos carros e descobrir seus limites. Muitos esperavam resultados mais “diretos”, já que por se tratar de uma geração de carros completamente nova, concebida sob novo regulamento técnico, pudéssemos ver uma relação de forças mais crível na pista. Bom, os testes servem para equipes e pilotos verificarem seus objetivos, e não para satisfazer a curiosidade do público. A confiabilidade dos carros foi verificada com várias simulações de corrida, e certamente cada equipe já deve ter uma noção precisa de onde está, e onde seus adversários se encontram. Mas ninguém dá pistas de nada. Se alguns, como a Alpine e a Alfa Romeo, tiveram problemas mais proeminentes, certamente vão trabalhar dobrado nas suas fábricas para tentar resolver tudo a tempo da segunda sessão de testes da pré-temporada, já no Bahrein. E quem conseguiu esconder seus percalços, não vai querer entregar tal informação aos rivais. Podemos de fato ter mais equilíbrio na competição este ano, mas ainda é impossível cravar quem está em melhor situação no momento. Parece que só saberemos mesmo a resposta no primeiro treino livra para a primeira corrida, na segunda quinzena de março, na pista de Sakhir.

 

 

Um aspecto positivo do novo regulamento técnico é que os novos carros da F-1 voltaram a ter mais “personalidade”. Cada time, diante das novas regras, buscou soluções diferentes, saindo um pouco do lugar comum que os projetistas se acostumaram a ficar nos últimos anos. Deu para perceber formas claramente diferenciadas nos bólidos de todas as equipes, algumas mais chamativas do que outras, com abordagens variadas. Quais delas irão funcionar melhor, ainda estamos por descobrir, mas pelo menos os carros passam a ter formas mais “identificáveis” de cada um dos times. Alguns carros ficaram muito bonitos, bonitos mesmo, resgatando a admiração que muitos tinham perdido pela aparência dos carros recentes da F-1. Só por isso, o novo regulamento técnico da categoria já parece ter sido uma das melhores medidas tomadas nos últimos tempos. Vamos esperar que isso vá além da melhor aparência dos monopostos...

O novo visual dos bólidos da F-1 2022. Escolham os seus favoritos.

 

 

A Ferrari foi o time que mais rodou esta semana, com cerca de 439 voltas na pista de Barcelona. A Mercedes não ficou muito atrás, anotando 393 voltas. Quem menos rodou foi a Haas, com apenas 160 voltas, enquanto a Alfa Romeo, que teve vários percalços, alcançou 175 voltas. Se Lewis Hamilton teve seu momento de brilho ao anotar o tempo mais veloz da semana na pista da Catalunha, Max Verstappen, o atual campeão, teve uma apresentação mais discreta, sem chamar tanto a atenção. Mas, isso não quer dizer nada, uma vez que a Red Bull também rodou expressivamente nos três dias, e seus melhores tempos dão a entender que o novo RB18 pode ser uma arma importante para desafiar o modelo W13. Resta saber se a Ferrari, que mostrou boa constância nas suas simulações de corrida, vai ser de fato uma desafiante séria para os dois melhores times da categoria na última década. E começam as apostas para prever quem será a lanterna do grid nesta temporada. Dizem que a nova unidade de potência ferrarista tem tudo para assombrar os rivais, mas também falam que, mantendo sua postura de treinos de pré-temporada, a Mercedes não teria liberado toda a força de sua nova unidade de potência. Quem está blefando?

 

 

A Indycar dá a largada para sua temporada, em São Petesburgo (a da Flórida, não a da Rússia). A TV Cultura inicia a transmissão da prova neste domingo a partir das 14 Hrs., enquanto na ESPN a transmissão começará a partir das 14:30 Hrs. Preparem suas emoções para torcer novamente em alta velocidade...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

ESPECIAL INDYCAR 2022

            Hora de começar a acelerar fundo em 2022. No próximo final de semana, a Indycar abre sua temporada, com a etapa de São Petesburgo, na Flórida, com muitas expectativas de duelos e disputas no campeonato deste ano. Portanto, é mais do que hora de um pequeno texto a respeito do que podemos esperar dessa nova temporada, que terá inclusive uma transmissão com mais opções para os torcedores brasileiros. Uma boa leitura a todos, e é hora de se preparar para o mundo da velocidade vir com tudo este ano...

 

INDYCAR 2022

 

Categoria de monopostos dos Estados Unidos inicia a temporada de 2022 visando voltar à normalidade, depois de duas temporadas fortemente afetadas pela pandemia da Covid-19

 

Adriano de Avance Moreno

Pilotos e equipes da Indycar estão a postos para acelerar fundo na temporada 2022.

 

         Hora de voltar a acelerar fundo! A Indycar 2022, a principal categoria de monopostos dos Estados Unidos, dá sua largada neste domingo, no já conhecido circuito de rua montado na cidade de São Petesburgo, no Estado da Flórida, para um campeonato que tenta um retorno à normalidade, depois dos momentos conturbados de 2020 e 2021, devido à pandemia do coronavírus. Uma expectativa pelo retorno de competir no Canadá, principal corrida afetada pelas restrições de viagens e protocolos sanitários implantados por causa da pandemia, que virou o mundo de cabeça para baixo no início de 2020, e que ensaiou um retorno a dias mais normais no ano passado, com a vacinação em larga escala da população nos Estados Unidos. Um clima de normalidade que acabou abalado pela variante ômicron do coronavírus, muito mais transmissível, ainda que um pouco menos agressivo que as demais variantes da Covid-19 conhecidas até então, mas que voltou a se fazer necessárias restrições de circulação nestes últimos meses, que parecem estar sendo finalmente abrandadas, em que pese os números da pandemia ainda inspirarem cuidados nos hábitos da população em geral.

         Com todos os integrantes na competição devidamente vacinados, mesmo assim a Indycar mantém medidas de segurança para evitar o pior, mas felizmente, tudo indica que ao contrário do ano passado, deverá ser possível realizar o calendário de competição inicialmente proposto sem maiores percalços. Uma notícia encorajadora para todos, já que na pista, pelo menos, a competição deverá manter o seu tradicional nível de equilíbrio e imprevisibilidade, com vários pilotos capazes de lutar por vitórias, e quem sabe, na luta pelo título, promovendo um duelo dos mais ferrenhos, com muitas disputas roda a roda por posições nas corridas, em todos os tipos de circuitos que compõem o calendário da categoria.

Álex Palou (acima) vai em busca do bicampeonato com a Ganassi, mas Scott Dixon (abaixo) quer mostrar que ele não vai brilhar sozinho nesta luta, e quer o seu sétimo título na categoria.


         Álex Palou, o atual campeão da categoria, obviamente é o homem a ser batido por todos. Em seu segundo ano na competição, e o primeiro em um time de ponta, o espanhol não apenas conseguiu mostrar a que veio na Ganassi, como deixou para trás Scott Dixon, hexacampeão da Indycar, e praticamente o “rei” no time de Chip Ganassi. E o neozelandês é o primeiro adversário de perigo com que Palou precisará tomar cuidado. Dixon teve uma temporada abaixo do esperado em 2021, o que facilitou a Álex assumir a primazia na temporada, o que não desmerece o sua conquista. Mas ele terá de se esforçar para deixar Dixon novamente para trás, se o velho campeão voltar à velha forma, e endurecer o jogo. Ao longo dos anos, Scott já superou todos os seus companheiros de equipe, e o revés do ano passado não é algo inédito para o neozelandês, e muito menos o fim do mundo. Sem pensar em aposentadoria, o hexacampeão é o maior nome da categoria atualmente, e não vai deixar que se esqueçam disso. Ele conhece o time como a palma da sua mão, e se a Ganassi lhe der um carro vencedor, vai tratar de fazer novamente a sua parte, procurando esquecer a temporada passada.

         E, na Indycar, não tem o conhecido jogo de equipe. Palou e Dixon terão toda a liberdade para duelarem entre si nas corridas, se for o caso, sejam por posições intermediárias, sejam por pódios ou vitórias. Quem for melhor vai levar, sem ter de dar satisfações a ninguém. E Palou não aplicou necessariamente nenhuma “surra” no hexacampeão: Dixon terminou em 4º lugar na temporada, com apenas 68 pontos a menos. Em termos de avaliação no campeonato, o neozelandês não foi assim tão ruim, mesmo tendo feito uma temporada sem o brilho habitual. Tanto Dixon quanto Palou tiveram seus momentos de altos e baixos, mas o espanhol conseguiu ser um pouco melhor na temporada, e em um certame tão disputado como é a Indycar, isso costuma fazer a diferença. Se Dixon retomar as rédeas da situação, ele certamente vai ser um páreo duro a ser batido, e Palou terá de estar preparado para reagir à altura. E a Ganassi, se mostrar força, não vai dar mole para os concorrentes, que terão de se preocupar não apenas com atual campeão, mas também com um dos maiores campeões da história das categorias Indy. E o perigo não vem apenas de Scott Dixon e Álex Palou.

         A Ganassi ainda conta com o sueco Marcus Ericsson, que a despeito de ser considerado o elo mais fraco entre os pilotos do time da Ganassi, mostrou que não pode ser subestimado, tendo vencido duas corridas no ano passado, sendo que em uma delas, Nashville, ele chegou até a sofrer um acidente que por pouco não o tirou da corrida, ao subir na traseira do carro de Sébastien Bourdais. Em teoria, Jimmie Johnson, o outro piloto da Ganassi, tem tudo para evoluir este ano, mas muitos ainda não o vêem como um piloto que consiga apresentar os mesmos resultados que Dixon e Palou, apesar de seu currículo mais do que vitorioso na Nascar. Jimmie passou toda a temporada de 2021 aprendendo os macetes e conhecendo o estilo de condução de um carro monoposto, com o qual ele nunca havia competido antes. Com a experiência acumulada nas provas do ano passado, é esperada uma evolução na performance do piloto, mas ninguém sabe dizer quão melhor ele se sairá este ano, onde competirá em todas as corridas, entre elas as provas em ovais em que ficou de fora no ano passado. Se ele conseguir andar entre os primeiros colocados, será uma agradável surpresa, ajudando a embalar as disputas na pista. Dixon espera que Johnson mostre mais serviço nos ovais, tipo de circuito ao qual está mais acostuma, pela sua experiência na Nascar. Mesmo assim, sua performance dependerá de ter assimilado totalmente o estilo de condução do monoposto da categoria, para poder extrair do carro tudo o que ele tem a oferecer.

Josef Newgarden foi vice-campeão nos últimos dois anos, e vai novamente em busca do tricampeonato com a Penske.

         E há de se tomar cuidado principalmente com Josef Newgarden, da Penske. O norte-americano fez uma retomada fortíssima na segunda metade da temporada do ano passado, mas a inconsistência no time de Roger Penske durante todo o ano acabou por comprometer parte dos esforços do bicampeão, que levou o time nas costas em muitas provas, e não teve a sorte a seu lado em certos momentos. Com o time da Penske reduzindo sua esquadra para três carros, ao contrário dos quatro alinhados em 2021, espera-se que a escuderia, a mais tradicional e vitoriosa da história das categorias Indy, volte a ter um melhor foco na competição, e melhore o nível de performance de seus carros. Com Scott McLaughlin ainda precisando mostrar na categoria o seu talento da V8 Supercars, resta à Penske que Will Power volte a seus melhores dias, quando era um piloto quase imbatível na pista. O australiano teve mais um ano de altos e baixos, mais baixos que altos, e muito azar em determinados momentos, de modo que nem conseguiu entrar na disputa pelo título como já fez tantas vezes. Ele precisa mostrar que ainda merece estar na equipe, e com a saída de Pagenaud, sua performance será ainda mais cobrada. E a Penske não pode ficar refém apenas do desempenho de Newgarden.

         Pelo lado da Andretti, as maiores apostas do time são em Colton Herta, que fez uma boa temporada no ano passado, mas poderia ter ido melhor se não cometesse alguns erros que o privaram de resultados de monta, impedindo-o de estar além da 5ª posição no campeonato. Alexander Rossi, outrora a grande estrela do time de Michael Andretti, tem de mostrar serviço em 2022. Se no ano passado o americano ainda não conseguiu voltar a desencantar, ele ainda tinha Ryan Hunter-Reay para se espelhar em alguém que vinha tendo resultados ainda mais fracos, mas o campeão de 2012 foi dispensado do time, e para seu lugar, veio a sensação da temporada passada, Romain Grosjean, que chega cheio de vontade e determinação no time para brilhar ainda mais do que já fez com a modesta Dale Coyne em 2021, e que pode eclipsar Rossi se este não reengrenar novamente no time, que traz o novato Devlin DeFrancesco no lugar de James Hinchcliffe, que também não conseguiu empolgar novamente na temporada passada, e ficou de fora da categoria, destino que também afetou Hunter-Reay.

Colton Herta (acima) é a grande estrela da equipe Andretti, mas Romain Grosjean (abaixo) promete mostrar a que veio em seu novo time, assim como fez em sua temporada de estréia ano passado.


         Na disputa para entrar na luta pelo título, temos a McLaren, que fez uma bela temporada no ano passado com Patrício O’Ward, e quer mais, ainda com o mexicano sonhando em tentar uma aventura na F-1, algo que será muito mais viável se conquistar o título da Indycar. Apesar do mexicano ter terminado em 3º lugar no ano passado, “faltou gás” na reta final para encarar Álex Palou e Josef Newgarden. Mais coeso e experiente, McLaren e Patrício devem vir bem fortes nessa temporada para corrigirem os erros de 2021. Já Felix Rosenqvist, por sua vez, não impressionou como se esperava, ficando muito a dever em termos de resultados, sendo completamente eclipsado por O’Ward. O sueco ganhou uma nova chance este ano, mas se não corresponder, poderá ser sacado do time para o próximo ano, e tem muita gente de olho em um cockpit de um time competitivo como a McLaren.

         Quem também tenta mostrar um pouco mais de força é a Rahal/Letterman/Lanigan, que segue com Graham Rahal como principal piloto, mas tendo dispensado Takuma Sato, e aumentado sua operação para três carros em tempo integral. Para o lugar do japonês, vencedor de duas edições da Indy500, veio Jack Harvey, e o time contará também com Christian Lundgaard. Sato, por sua vez, encontrou lugar na Dale Coyne, que terá também o novato David Malukas alinhando para toda a temporada.

         Na Foyt, Dalton Kellet e Kyle Kirkwood disputarão toda a temporada, com a presença de Tatiana Calderón em algumas corridas, torcendo para pelo menos o time do lendário A.J. Foyt se arrumar direito, e conseguir oferecer melhores condições de competição a seus pilotos, algo que vem devendo nos últimos anos. E ainda temos a Juncos, que comprou o que restava da equipe Carlin para reforçar sua participação na temporada 2022 com o novato Callum Ilott, que não deve ter maiores expectativas em seu ano de estréia na competição.

         Nos últimos testes da pré-temporada, Colton Herta foi o mais rápido no primeiro dia em Sebring, enquanto Simon Pagenaud foi o mais veloz no segundo dia. Os tempos marcados mostram todos muitos próximos, mas como foi usada uma versão reduzida da pista, natural que os tempos ficassem mais parelhos. De qualquer maneira, só com os primeiros treinos e corrida é que poderemos ter uma visão mais próxima da relação de forças da competição. Mas, dada a maior competitividade da Indycar, podemos de fato ver vários pilotos andando juntos nas corridas, com muita disputa e duelos por posições. Por mais que Ganassi, Andretti, e Penske sejam consideradas favoritas, não se pode menosprezar a chance dos demais times e pilotos conseguirem surpreender na competição, ajudando a embolar as disputas e proporcionar corridas mais acirradas. A expectativa é que mais uma vez vejamos uma boa temporada.

         O calendário da competição em 2022 é bem tradicional. Serão 16 corridas, e apesar da competição começar mais cedo, continuará terminando cedo como sempre, na primeira quinzena de setembro, mais uma vez evitando competir mais adiante por receio da competição com outros esportes, como a NFL, a Liga de Futebol Norte-Americano, o que deixa um enorme vazio para os fãs da velocidade no último trimestre do ano, sem corridas para acompanharem, pelo menos na Indycar. Os ovais continuam em baixa no calendário, com exceção de Indianápolis. Texas, Gateway e Iowa, esta última sediando a única rodada dupla da temporada, permanecem na competição. Diferente do ano passado, quando a Indycar estreou uma nova etapa, em Nashville, não há nenhuma corrida nova no calendário deste ano. São Petesburgo abre a temporada, e Laguna Seca a encerra. Para muitos, há espaço para mais algumas corridas, mas o momento econômico delicado, especialmente em decorrência da pandemia da Covid-19, impacta as esperanças de termos mais corridas em praças mais diversificadas no futuro próximo.

São Petesburgo abre a temporada 2022 (acima), com encerramento em Laguna Seca (abaixo), num total de 16 provas na temporada.


         Não que Roger Penske, atual dono da categoria, não pense em expandir a Indycar. Há muitos planos, que envolvem adicionar novas corridas, e principalmente, atrair possíveis novos fornecedores técnicos, como na área de motores, atualmente restrita à Chevrolet e Honda. Chassis e pneus novos também estão na mira de reforçar a competição, mas tudo pensado de uma maneira que os gastos continuem os mais acessíveis possível, de modo a garantir a sobrevivência financeira dos times menos abastados, evitando sobressaltos e encarecimento de custos. Para este ano, temos confirmados 24 pilotos disputando toda a temporada, o que não é um número ruim. Mas, mantendo as condições de competição estáveis, com os gastos controlados, a melhoria da economia conforme a pandemia for sendo superada vai se refletir também no automobilismo, e deve promover a entrada de outros times e pilotos que já miram a Indycar como seu destino profissional, mas esperam apenas terem maior segurança financeira para darem início a seus projetos.

         Neste momento, portanto, a meta é consolidar a categoria, oferecendo corridas viáveis, e conferir capacidade dos participantes de se sustentarem financeiramente, antes de pensar em qualquer medida de expansão, permitindo uma recuperação saudável do aspecto empresarial, depois de dois anos onde tudo ficou abalado por causa da Covid-19. Entre os desafios de consolidação da Indycar está o reforço das etapas em pistas ovais no calendário, que ficaram bem reduzidas nos últimos tempos. Já contando com um número bem satisfatório de pistas em circuitos mistos e urbanos, um dos objetivos é conseguir novas etapas em ovais que sejam viáveis para a competição. Pistas curtas como Phoenix não ofereceram boas corridas nas últimas vezes que sediaram provas da categoria, e Pocono, um superspeedway, acabou ficando marcado negativamente pelos acidentes ocorridos por lá. Com parte das pistas ovais dos Estados Unidos comprometida com a Nascar, que faz um lobby muito forte para que estes circuitos não sediem provas da Indycar, que é vista como categoria “inimiga” da Nascar, é necessário um trabalho mais acurado para “furar” esse bloqueio, e conseguir novas alternativas de circuitos que tenham interesse em fazer parte do calendário.

         Roger Penske não entra numa jogada para perder, e com certeza, sob sua administração a Indycar há de crescer e se expandir. Não fosse o baque provocado pela pandemia da Covid-19, talvez a categoria já estivesse com planos mais adiantados neste sentido. Foram dois anos de “sobrevivência”, diante das dificuldades impostas pelo coronavírus que afetou de maneira contundente toda a economia mundial, e levou muita gente à ruína, diante dos problemas desencadeados pelo isolamento social, para não falar das mortes causadas a milhares de pessoas mundo afora. Os desafios ainda estão presentes, apesar do momento de mais calma e de aparente normalidade em alguns lugares. Por isso mesmo, conseguir manter a estabilidade da Indycar já é um grande feito, ajudando a manter a categoria viva e ativa, reforçando suas bases para o crescimento que a retomada econômica promoverá naturalmente, de forma a mostrar as possibilidades que a competição oferece para quem nela quer investir e disputar. E 2022 tem ainda o atrativo da já costumeira maior equidade entre os times. Temos uma nova geração de talentos, representada pelo atual campeão, Álex Palou, disposta a mostrar do que é capaz na pista, e uma antiga geração, como Scott Dixon, determinados a manter seu status de lendas da velocidade, numa disputa que tem tudo para empolgar quem quer ver mais e mais duelos na pista. E eles terão seus desejos atendidos. Quem vai ganhar? Impossível apontar favoritos com certeza. Portanto, que venha a bandeira verde, e os carros acelerem com tudo, em mais uma temporada da Indycar.

 

EQUIPES E PILOTOS

 

EQUIPE

MOTOR

PILOTOS

Penske Racing Team

Chevrolet

Josef Newgarden

Will Power

Scott McLaughlin

Chip Ganassi Racing

Honda

Álex Palou

Scott Dixon

Marcus Ericsson

Jimmie Johnson

Tony Kanaan (**)

Andretti Autosports

Honda

Colton Herta

Alexander Rossi

Romain Grosjean

Devlin DeFrancesco

Marco Andretti (**)

Foyt Enterprises

Chevrolet

Dalton Kellet

Kyle Kirkwood

Tatiana Calderón (*)

Arrow McLaren SP

Chevrolet

Patrício O’Ward

Felix Rosenqvist

Juan Pablo Montoya (*)

Ed Carpenter Racing

Chevrolet

Connor Daly

Rinnus Veekay

Ed Carpenter (*)

Meyer Shank Racing

Honda

Hélio Castro Neves

Simon Pagenaud

Rahal Letterman Lanigan Racing

Honda

Graham Rahal

Jack Harvey

Christian Lundgaard

Dale Coyne Racing

Honda

Takuma Sato

David Malukas

Juncos Racing

Chevrolet

Callum Ilott

Dreyer & Reinbold Racing (**)

Chevrolet

Sage Karan (**)

Santino Ferrucci (**)

 

(*) = Disputará apenas parte do campeonato

(**) = Disputará apenas as 500 Milhas de Indianápolis

Novos nomes no grid: Christian Lundgaard na Rahal/Leterman/Lanigan (acima); e David Malukas na Dale Coyne (abaixo).


 

CALENDÁRIO DA TEMPORADA 2022

 

DATA

CORRIDA

TIPO DE CIRCUITO

27.02

GP de São Petesburgo

Urbano

20.03

GP do Texas

Oval

10.04

GP de Long Beach

Urbano

01.05

GP do Alabama

Misto

14.05

GP de Indianápolis

Misto

29.05

500 Milhas de Indianápolis

Oval

05.06

GP de Detroit

Urbano

12.06

GP de Elkhart Lake

Misto

03.07

GP de Mid-Ohio

Misto

17.07

GP de Toronto

Urbano

23.07

GP de Iowa 1

Oval

24.07

GP de Iowa 2

Oval

07.08

GP de Nashville

Urbano

20.08

GP de Gateway

Oval

04.09

GP de Portland

Misto

11.09

GP de Laguna Seca

Misto

 

TRANSMISSÃO NO BRASIL E BRASILEIROS NO GRID

 

         Para alegria dos fãs da Indycar, a categoria de monopostos dos Estados Unidos continuará presente na TV brasileira em 2022. E agora em dose dupla: se no ano passado a TV Cultura evitou que os fãs ficassem órfãos das transmissões da competição, após o Grupo Bandeirantes desistir da Indy em decorrência de sua nova aposta na Fórmula 1, para este ano, além de continuar firme na grade de programação da emissora paulista da Fundação Padre Anchieta, a Indycar também estará presente nos canais ESPN, após o Grupo Disney firmar contrato de transmissão da competição pelas próximas três temporadas. O contrato também prevê a transmissão das provas da competição pela internet, no serviço de streaming Star +, oferecendo na prática três opções para o fã acompanhar as corridas da categoria em 2022, na TV aberta, na TV fechada, e nos sistemas de streaming via internet.

         Na Cultura, volta a dupla Geferson Kern e Rodrigo Mattar na narração e comentários das transmissões. Já na ESPN, Thiago Alves deve se encarregar da narração, com Edgar Melo Filho comentando as corridas, junto com Victor Martins, do site Grande Prêmio. O canal ainda terá a participação de Christian Fittipaldi nas transmissões. Portanto, cada um terá sua opção de preferência para acompanhar a competição da Indycar em seus respectivos canais.

         Já com relação aos brasileiros no grid, este ano teremos apenas Hélio Castro Neves disputando todo o campeonato, em seu novo time, a Meyer Shank, onde estreou no ano passado, depois de praticamente duas décadas pilotando para a Penske nas categorias Indy e no endurance norte-americano (IMSA), de cara vencendo as 500 Milhas de Indianápolis no ano passado. O Brasil, aliás, terá na Indy500 mais uma vez a participação de Tony Kanaan, na única prova em que o piloto baiano irá participar em 2022. No ano passado, ele revezou o carro com o heptacampeão da Nascar, Jimmie Johnson, que não correu as etapas em pistas ovais do campeonato, ficando o brasileiro marcando presença nestas corridas. Como Johnson irá participar de todas as corridas da temporada deste ano, sobrou a Tony apenas a opção de participar da Indy500, onde tentará chegar à sua segunda vitória na mítica corrida, que poderá ver um novo recorde, caso o vencedor do ano passado repita a dose este ano. Sim, porque Helinho igualou-se aos grandes vencedores das 500 Milhas de Indianápolis, Al Unser Sr., A. J. Foyt, e Rick Mears, ao vencer a corrida pela quarta vez. Mas, se conseguir vencer pela 5ª vez a mais famosa corrida do continente americano, o piloto brasileiro se tornará o maior vencedor da história da corrida, um feito nunca antes alcançado.

Hélio Castro Neves de volta em tempo integral na Indycar.

         No restante do campeonato, fica a expectativa se o brasileiro conseguirá disputar o título. A Meyer Shank ainda é um time médio na competição, mas vem crescendo, tanto que 2022 será sua primeira temporada competindo com dois carros em tempo integral, e o parceiro de Helinho será Simon Pagenaud, companheiro dos tempos de Penske, e com quem tem excelente relacionamento. A exemplo de Hélio, Pagenaud também deixou o time de Roger Penske por não encontrar mais ali espaço para crescer. Mas o francês, a exemplo de Hélio, também pareceu precisar de uma mudança de ares para voltar com força total, já que no atual momento o time da Penske parece mais centrado em Josef Newgarden do que nos seus outros pilotos. Com uma dupla afinada e bem entrosada, a Meyer Shank espera crescer ainda mais, e lutar por vitórias na competição, algo plenamente possível na Indycar, se o time, mesmo sendo médio, souber fazer bem o seu trabalho. Se entrar na luta pelas vitórias, disputar o título será consequência, mas é cedo para afirmar isso, pois a competição, por mais acessível que seja, é duríssima, e outros times, como Andretti, Penske, e Ganassi, não são fáceis de serem confrontados. Se Hélio mostrou seu renascimento na categoria em 2021, agora é hora de confirmar não apenas seu retorno em tempo integral, mas mostrar que ainda pode ser protagonista da disputa, um desafio que não será dos mais fáceis, ainda mais com uma geração de novos talentos mais do que ávida para mostrar do que é capaz.

Este ano só veremos Tony Kanaan nas 500 Milhas de Indianápolis.

         Na semana passada, no segundo dia de testes dos times na pista de Sebring, a escuderia terminou com os dois melhores tempos, com Pagenaud no topo da lista, seguindo por Helinho logo atrás, com uma diferença muito pequena entre eles. Um indício sem dúvidas animador para as possibilidades da escuderia, mas testes são testes, e corridas são corridas. Vamos ver como a situação se apresentará quando o campeonato começar. Mas os brasileiros fãs da velocidade deverão ter bons motivos para mais uma vez continuar acompanhando as disputas da categoria norte-americana, e com a perspectiva de bons resultados de nossos pilotos nas 500 Milhas de Indianápolis, onde tanto Tony quanto Helinho terão condições de fazer uma boa apresentação, e quem sabe, aumentar novamente o número de vitórias na principal corrida do automobilismo americano por pilotos brasileiros.

 

Simon Pagenaud (acima) deixou a Penske, e refaz a parceria com Hélio Castro Neves (abaixo) na Meyer Shank para a temporada 2022.


 

Takuma Sato (acima) perdeu seu lugar no time de Bobby Rahal, e agora vai se virar na Dale Coyne. Já Patrício O'Ward quer lutar pelo título com a McLaren (abaixo).


Jimmie Johnson (acima) vai fazer toda a temporada pela Ganassi. Já Rinnus Veekay (abaixo) segue firme na Carpenter em 2022.