quarta-feira, 24 de abril de 2019

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – ABRIL DE 2019


E o mês de abril já está indo embora, e portanto, é hora de mais uma postagem da Cotação Automobilística, com uma avaliação de alguns dos principais acontecimentos do panorama do mundo da velocidade nestas últimas semanas, com meus comentários de costume a respeito. Estejam ou não de acordo, apreciem e curtam o texto, no tradicional esquema de sempre: em alta (cor verde), na mesma (cor azul), e em baixa (cor vermelha). Uma boa leitura a todos, e até a próxima edição da Cotação Automobilística do mês que vem, com as avaliações dos acontecimentos do mundo das corridas no mês de maio. Até lá...



EM ALTA:

Lewis Hamilton: O piloto inglês já assume a posição de favorito ao título da temporada, depois de duas vitórias consecutivas no campeonato, tendo inclusive vencido a milésima corrida da história da F-1, e sendo o primeiro piloto a vencer mais de uma prova centenária. Hamilton foi preciso na pilotagem na China, não dando chances de Valtteri Bottas ameaça-lo na luta pela vitória, e graças a uma pilotagem aguerrida, e a um pouco de sorte, venceu também a prova do Bahrein, onde a Mercedes havia sido superada pela Ferrari com sobras. Invertendo o favoritismo da pré-temporada, que apontava para a Ferrari, Lewis, a exemplo do que fez em 2018, vem aproveitando todas as oportunidades na pista, e já assumiu a liderança do campeonato, aproveitando para tentar abrir uma dianteira confortável, para a eventualidade da situação mudar no decorrer do ano. E parece que vai ser difícil impedir que o piloto inglês some mais um título ao seu já vitorioso currículo. Ainda é cedo para dizer que Hamilton não terá adversários na luta pelo título, mas a julgar pelo que seus rivais na pista fizeram até agora, tudo parece caminhar neste sentido, a menos que haja mudanças na competição, o que não é impossível, mas parece ser meio complicado de ocorrer.

Campeonato da Formula-E 2018/2019: A atual temporada do campeonato de carros monopostos elétricos segue completamente indefinida no que tange à luta pelo título. Com 7 provas disputadas até o momento, tivemos a incrível marca de 7 vencedores diferentes, de iguais 7 times também diferentes. Na classificação, temos nada menos que 9 pilotos separados por apenas 13 pontos, e todos eles com potencial para engrossar a luta pelo título. O panorama muda de corrida para corrida, e quem é visto como favorito em um momento pode ser suplantado por outro concorrente no momento seguinte, de modo que, iniciando a segunda metade do campeonato, nenhum piloto está conseguindo estabelecer primazia na disputa, que está mais parelha e equilibrada do que jamais se viu na categoria desde sua criação. Apenas Dragon, Nio, HWA e e.dams não venceram até o presente momento na temporada, o que pesa contra justamente mais sobre esta última, time que já foi campeão com Sébastien Buemi, e ainda possui grande capacidade técnica e competitividade, podendo vencer a qualquer momento. Mesmo os favoritos de costume, pelo histórico na competição, estão no meio do bolo, sem conseguirem impor-se aos demais. Todos estão centrados em manter a constância de resultados, pois o menor vacilo pode jogá-los lá para trás, e minarem suas chances de se manter na luta pelo título. Se é verdade que a F-E ainda tem problemas que precisam ser resolvidos, no campo da competitividade e imprevisibilidade, o certame está imbatível. Quem conseguirá ser o campeão deste ano?

Alex Rins: O piloto da equipe Suzuki vem fazendo uma temporada de destaque na MotoGP, mostrando que a fábrica japonesa vem firme para tentar se juntar às compatriotas Honda e Yamaha na busca pelo sucesso na classe rainha do motociclismo. Com um equipamento mais competitivo, Rins fez uma bela exibição no GP dos Estados Unidos, passando a lutar firme pela vitória após a queda de Marc Márquez, junto com Valentino Rossi. E Alex soube dar o bote no momento certo para tomar a liderança do “Doutor”, e se garantir na pista para cruzar a linha de chegada em primeiro lugar pela primeira vez na categoria, resgatando para a Suzuki os bons momentos obtidos por Maverick Viñalez quando este defendia a escuderia. O triunfo alçou Rins à 3ª colocação do campeonato, com 49 pontos, apenas 5 atrás do líder Andrea Dovizioso, e 2 atrás do vice-líder Valentino Rossi. Rins sabe que o campeonato será bem mais difícil, especialmente quando Márquez não tiver problemas nas corridas, mas sabe que pode incomodar os ponteiros, e quem sabe, lutar por outras vitórias, mostrando toda a sua capacidade com uma moto que vem evoluindo bastante. E em um campeonato que até o presente momento vem tendo resultados mais ou menos equilibrados, apesar do favoritismo teórico e prático do atual campeão da equipe Honda, aproveitar todas as oportunidades será crucial para realizar uma boa temporada. Os rivais que fiquem atentos ao seu novo adversário, porque ele promete dar trabalho para eles na pista...

Josef Newgarden: O piloto da equipe Penske, campeão em 2017, vai construindo aos poucos seu caminho rumo ao bicampeonato da Indycar. Josef vem mantendo uma grande regularidade no atual campeonato, tendo subido ao pódio em 3 das 4 corridas, sendo que um deles foi pela vitória na prova inaugural, em São Petesburgo, na Flórida. Seu pior resultado até aqui foi o 4º lugar na etapa do Alabama, tendo sido 2º colocado em Austin e Long Beach, etapas em que conseguiu garantir muitos pontos na frente dos demais concorrentes, já que as outras vitórias ficaram para Colton Herta, Takuma Sato, e Alexander Rossi. Com a constância de resultados, Newgarden lidera o campeonato com 28 pontos sobre Rossi, o vice-líder, que por sua vez, tem apenas 5 pontos de vantagem para Scott Dixon, e ambos são dois pilotos que mostraram do que são capazes no ano passado, quando duelaram pelo título até a última corrida. Em um campeonato onde vários pilotos podem vencer corridas, manter-se sempre no pódio, ou perto dele, com resultados constantes e regulares, é uma arma poderosa para se manter firme na luta pelo título, o que não quer dizer que Josef não lutará por vitórias ao longo do ano. Contando com um carro competitivo e um time de ponta como a Penske, Newgarden vem dando um baile em seus companheiros de equipe, Will Power e Simon Pagenaud, que ou vem tendo muitos azares (Power) ou apresentando performances muito aquém do esperado (Pagenaud). Os rivais que não fiquem atentos com o piloto, que já mostrou sua capacidade em várias oportunidades.

Max Verstappen: Ter de assumir definitivamente a liderança da Red Bull na pista parece ter feito bem ao intrépido piloto holandês, que vem mostrando uma pilotagem precisa, e sem se meter em confusões, ao menos até o presente momento na atual temporada da F-1. Max parece ter finalmente entendido que não precisa deixar de ser arrojado, bastando apenas ter um pouco mais bom senso para evitar se envolver em problemas. Verstappen subiu ao pódio na Austrália, e foi 4º colocado tanto no Bahrein quanto na China, obtendo o máximo que o carro da Red Bull permite sonhar neste momento. Nem mesmo quando duelou com Sebastian Vettel por posição em Shanghai o holandês mostrou precipitação na disputa roda a roda, como havia feito no ano passado, quando estragou sua corrida, e deixou a vitória para seu companheiro de equipe Daniel Ricciardo. Max tem tudo para fazer uma grande temporada, aproveitando dos erros dos rivais na pista, desde que não se complique por si só, como vem fazendo a Ferrari com sua dupla de pilotos. Por outro lado, Max tem corrido boa parte das provas sozinho em sua posição, sem ser ameaçado, o que tem contribuído para o piloto se concentrar em tentar chegar o mais próximo possível dos adversários à sua frente. Vamos ver se ele continua a manter o controle quando estiver sendo acossado em alguma disputa ferrenha de posição na pista. Até o momento, Max vem cumprindo seu papel à risca, e com Pierre Gasly ainda devendo em termos de performance, o time dos energéticos neste momento precisa contar com Verstappen em sua melhor forma mais do que nunca, e ele parece ter compreendido que não pode comprometer o time arrumando confusão na pista. Se ele não se enrolar novamente em algum percalço, será muito ruim para seus adversários, que terão um rival muito mais forte e competitivo na pista para terem de superar...



NA MESMA:

Equipe Ferrari: O time italiano não vem tendo o início de temporada que se esperava, depois dos excelentes resultados demonstrados na pré-temporada. Mesmo relativizando os dados dos testes, ninguém esperava ver a escuderia de Maranello ter uma performance tão inferior à da Mercedes, que vem nadando de braçada nos resultados até aqui. Pior é ver o time rosso ainda se perdendo nas estratégias de corrida, e na preferência descarada a Sebastian Vettel, tanto que acabaram por prejudicar o novo piloto do time, o talentoso Charles LeClerc, que já sentiu o problema afetando seus esforços nas corridas, impedindo-o de obter melhores resultados. Ordens de equipe não são novidade no time italiano, mas o pior é ver isso ser feito desde a primeira corrida da temporada, e em todas as provas disputadas até aqui, demonstrando falta de confiança em seu principal piloto, e sem obter os resultados práticos que obrigatoriamente deveria ter com tal artifício, cuja maior consequência até aqui tem sido comprometer a imagem da escuderia, e de Sebastian Vettel. Não bastando estes problemas gerenciais, a escuderia também está descobrindo que seu equipamento não é tão fiável como se esperava, já tendo apresentado problemas mecânicos em uma corrida, e obrigando-os a limitar a performance nas outras provas, a fim de manterem a confiabilidade. A persistirem estes problemas, a Ferrari estará mais uma vez entregando o campeonato nas mãos da arquirrival Mercedes, e ficando mais um ano na fila de espera, que já completou mais de uma década, sem conseguir um novo título de campeão na Fórmula 1. E um grande revés para o novo diretor Mattia Binotto, promovido para a função por acharem ser capaz de entregar os resultados que Maurizio Arrivabene não conseguiu prover. Seria o terceiro ano consecutivo que a Ferrari demonstra potencial para ser campeã, e fica de novo de mãos abanando, vendo os rivais sendo mais competentes que ela. Não vai demorar para a torcida cair novamente de pau nas críticas sobre a atitude da escuderia...

Equipe Williams: A má impressão sobre a falta de competitividade do modelo FW42 infelizmente confirmou-se nas etapas seguintes da competição, com o monoposto do time de Grove infelizmente condenando sua dupla de pilotos a apenas fazerem figuração nos GPs. Como se não bastasse o carro ser lento, George Russell ainda afirmou que as reações do carro não são as mais confiáveis, afirmando que não dá para andar a 100% com o bólido justamente por não ter uma base de como ele vai se comportar na curva seguinte, indicando que o desempenho do carro é completamente irregular e até imprevisível. O time vai ter muito trabalho para corrigir as deficiências do modelo, e as atualizações já implantadas nestas primeiras corridas praticamente não surtiram resultados práticos. Com Paddy Lowe afastado, a escuderia trouxe de volta Patrick Head, um dos fundadores do time, que até o início da década ocupava o cargo de diretor técnico, como consultor, a fim de encontrar um rumo para o desenvolvimento do bólido, e tentar ao menos salvar parte da temporada, que se prenuncia a mais sombria da história da tradicional escuderia, que ocupa a última colocação na classificação de construtores, sendo o único time a não pontuar até aqui, e que pelo andar da carruagem, digo, dos carros, vai ser um objetivo bem difícil de se alcançar, pelo déficit de performance para os demais carros do grid. O time espera corrigir parte dos problemas a partir da prova da Espanha, mas já há quem afirme que o novo carro é tão ruim que o melhor mesmo é esquecer 2019 e se preparar para 2020. Quem achava que 2018 foi ruim...

Romain Grosjean: Grosjean está vivendo um incômodo repeteco em 2019 da situação vivida no início da temporada do ano passado, quando passou várias corridas sem pontuar, em boa parte por erros próprios, enquanto seu companheiro Kevin Magnussen pontuava regularmente, e levava o time sozinho adiante. Romain até agora não conseguiu pontuar na temporada, mas diferente de 2018, por problemas alheios a seu controle, e não a burradas ao volante. O piloto acabou abandonando a corrida australiana por problemas de suspensão, e no Bahrein, acabou abalroado logo no início da corrida. Grosjean só foi receber a bandeirada no GP da China, mas numa etapa onde a Hass não conseguiu se acertar e ter um bom desempenho, tendo terminado em 11º lugar, continuando sem pontos na competição. Outro consolo, se é que se pode chamar assim, é que Magnussen não está indo tão bem este ano quanto em 2019: o dinamarquês só marcou pontos na Austrália, tendo ficado zerado nas outras duas corridas, tendo apenas 8 pontos na classificação, um pouco menos desproporcional do que no ano passado, quando Kevin tinha marcado 11 pontos nas primeiras três corridas. Mesmo assim, a perspectiva de continuar zerado na pontuação certamente não é algo que agrade muito o piloto francês, uma vez que a Hass não tem nenhum piloto garantido para 2020. Portanto, resultados urgem ser conquistados...

Valtteri Bottas: O piloto finlandês iniciou a temporada com o pé direito em Melbourne, conseguindo assumir a liderança da corrida australiana logo na primeira curva e vencendo sem ser contestado, dando a impressão de que não seria mais o piloto passivo visto em 2018. Bem, Lewis Hamilton tratou de colocar ordem na casa, e deixou Bottas comendo sua poeira nas duas provas seguintes, que ganhou com uma pilotagem bem mais aguerrida e determinada. Valtteri acabou caindo para a 2ª posição na classificação, mas tirando a etapa barenita, onde foi amplamente superado pelo inglês na pista, na China, apesar de não ter ameaçado Lewis na luta pela vitória, andou forte e próximo do atual campeão o tempo todo, contribuindo para a Mercedes deter três dobradinhas nas 3 corridas disputadas até aqui em 2019, algo que não pode ser menosprezado. Tanto que Toto Wolf até já insinua em pode não mexer na formação do time para a próxima temporada, dando a entender que Bottas pode ganhar mais um ano no time, desde que mantenha-se firme na pista, e vença as corridas que porventura Hamilton acabar não conseguindo faturar. Mas o finlandês não pode esmorecer durante o ano, como ocorreu em 2018, quando iniciou a competição com desempenho parelho ao de Lewis, e despencou com o andamento do campeonato, sendo superado por Sebastian Vettel, Kimi Raikkonen, e até Max Verstappen, na classificação final do ano.

Maverick Viñalez: O piloto espanhol não vem tendo o início de temporada que todos imaginavam. Chegando à Yamaha no ano passado depois de mostrar sua capacidade com a Suzuki, Maverick acabou sendo pego pela queda de performance do time dos três diapasões, que ficou sem conseguir disputar o título pela primeira vez em muitos anos, ficando à sombra do duelo Honda X Ducati. Mas ao menos Viñalez conseguiu evitar que a equipe japonesa passasse o ano sem nenhuma vitória, o que elevou o seu astral, mesmo tendo terminado o ano de 2018 atrás de Valentino Rossi na classificação, o que fez o time da Yamaha basear-se mais nas suas indicações do que nas do italiano para conceber a moto de 2019. Mas até agora, o que se tem visto é Maverick se complicar sozinho, caindo para trás nas corridas, e tendo de recuperar o terreno perdido, sem muito êxito. Em contrapartida, Rossi até pode ter largado atrás do colega de time espanhol, mas sempre avançou à frente, e no presente momento, o “Doutor” é o vice-líder da competição, com 51 pontos, enquanto o “Mavecão” é apenas o 12º colocado, com apenas 14 pontos, levando Viñalez a já ser chamado de “cavalo paraguaio” por vários torcedores, por conseguir até boas posições de largada, mas não render o mesmo na corrida, sendo superado por vários rivais. Situação mais complicada, só a de Jorge Lorenzo em relação a Marc Márquez no time oficial da Honda. Enquanto Rossi, mesmo quarentão, vai dando aula de como se manter competitivo na pista a essa idade, Viñalez está devendo muito, e se não reagir, pode acabar sendo rifado do time japonês para 2020, embora conversas neste sentido ainda sejam completamente prematuras. Mas, se ele não se cuidar... Sabe-se lá o que pode acontecer...



EM BAIXA:

Sebastian Vettel: O tetracampeão alemão iniciou a temporada com o status de grande desafiante ao título para Lewis Hamilton. Com a Ferrari ostentando um favoritismo velado na pré-temporada, esperava-se que Vettel repetisse a excelente arrancada inicial de 2018, com um carro em tese mais competitivo que o da rival Mercedes. E contando com a preferência da direção da escuderia, que obviamente lhe daria todo o apoio para a disputa, que muitos dizem ter falhado no ano passado, permitindo a reação do rival Hamilton. Mas o que se viu até agora não correspondeu às expectativas. Vettel em momento algum brigou pela vitória nas três provas realizadas até o momento, tendo precisado de uma ordem de equipe para terminar a prova da Austrália à frente de seu novo companheiro Charles LeClerc, e repetindo a dose na etapa da China, o que pegou mal para sua imagem, de precisar de ordens de equipe escancaradas já nas primeiras provas para não ser superado pelo novo companheiro de equipe. Para piorar, Sebastian ainda levou um baile de LeClerc no Bahrein, e enquanto o parceiro comandava a corrida, que só não venceu por um problema no carro, Vettel se viu em uma disputa com Hamilton pela segunda posição, a qual perdeu novamente, por rodar sozinho na tentativa de devolver a ultrapassagem feita pelo inglês. Questionado pelo seu rendimento, o alemão preferiu sair acusando a imprensa de “mau jornalismo”, além de acusar também a Mercedes e o rival Hamilton de usarem os mesmos expedientes da Ferrari no que tangem às ordens de equipe, e isso depois de Hamilton ainda defender Vettel das críticas sofridas. Pelo visto, ou Vettel reage na pista e mostra porque foi tetracampeão na Red Bull, ou corre o risco de ser crucificado muito em breve pela exigente torcida ferrarista, que já vê em LeClerc alguém mais combativo e determinado para lutar pelos melhores resultados na pista do que Sebastian, que pode ser mais um campeão a sair de Maranello pela porta dos fundos...

Nelsinho Piquet: Primeiro campeão da Formula-E, o brasileiro Nelsinho Piquet encerrou sua participação na categoria, após uma saída em comum acordo com o seu time atual, a Jaguar, depois de marcar apenas 1 ponto nas corridas da primeira metade da atual temporada da categoria. Nelsinho nunca mais conseguiu obter na F-E o mesmo sucesso obtido na temporada de estréia. Muito disso se deveu ao fato de seu time adotar equipamentos pouco competitivos, restringindo as chances de Piquet defender seu título e lutar por melhores resultados. Contratado pela Jaguar, Nelsinho até começou bem em sua nova escuderia, o que dava esperança de voltar a disputar as primeiras colocações, e quem sabe, voltar a vencer na F-E. Mas, a partir de certo momento, tudo começou a dar errado, e mais do que apenas azar, o próprio piloto começou a ir mal nas corridas, especialmente na temporada atual, quando Piquet acabou sendo batido sistematicamente por seu companheiro de equipe Mith Evans. O brasileiro acertou para disputar o campeonato da Stock Car, e preferiu se concentrar apenas neste certame, visando dar maior foco à sua atividade. Na prática, Piquet saiu por não mostrar mais o talento que o levou a ser campeão da F-E. O brasileiro saiu por baixo, e terá muito trabalho para resgatar sua imagem mesmo na Stock Car, onde seu desempenho no ano passado também ficou a dever. Resta saber se o filho do tricampeão de F-1 Nélson Piquet irá recuperar o rumo de sua carreira a partir de agora. Talento e capacidade ela já mostrou que tem, mas que nos últimos tempos, não conseguiu mostrar resultados.

Robert Kubica: O piloto polonês conseguiu fazer um retorno que muitos não imaginavam ser possível, depois do forte acidente que sofreu em uma etapa de rali no início de 2011, ao voltar a pilotar um carro de F-1 em 2017. Derrotado na luta por uma vaga de titular na Williams em 2018, Robert acabou efetivado neste ano, mas acabou pegando uma verdadeira bomba, que é o péssimo carro que o time de Grove projetou para esta temporada, que já mostrou ser o pior do grid sem nenhuma sombra de dúvidas. O que deveria ser um retorno triunfante, de uma luta de superação para voltar a ser o piloto que já foi considerado um campeão em potencial na F-1, tornou-se um pesadelo, e em mais de um aspecto: Kubica vem sendo superado pelo companheiro de equipe, o inglês George Russell, em todas as corridas desde o início do ano, e muitos já começam a descer a lenha no polonês, como se seu sonho de voltar a competir na F-1 fosse um erro, já que ele não tem se mostrado tão rápido quanto o novato companheiro de equipe. É uma percepção errada, pois Kubica, de certo modo, hoje é tão novato quanto Russell na F-1, pelos anos que ficou afastado, e que as atividades do ano passado não conseguiram compensar adequadamente. E Russell, a exemplo de Lando Norris, é considerado um grande talento, advindo da F-2, onde foi campeão no ano passado. Assim, em tese, perder para Russell não deveria ser encarado como algo vergonhoso, pois reafirma o grande talento do inglês, que também está no auge de sua forma física. Infelizmente, o fracasso da Williams este ano também resvala em Kubica, que como piloto de testes da escuderia inglesa no ano passado, tinha condições de fornecer parâmetros decentes para o projeto do novo carro. Como as coisas deram errado, estão culpando o piloto também pelo fiasco do novo carro, assim como seu retorno à F-1. É uma pena o que está acontecendo com Robert, e lamentavelmente, isso só ofusca a grande luta que ele fez para voltar a competir, e na atual situação, muito dificilmente ele conseguirá mostrar sua capacidade novamente na categoria máxima do automobilismo.

Comemoração do 1.000º GP de Fórmula 1: A marca histórica de mil corridas atingida pela categoria máxima do automobilismo no Grande Prêmio da China deste ano tinha tudo para ser um evento histórico, mas que acabou ficando muito aquém do que todos esperavam. Disputada em um país que não tem a mesma intimidade e paixão do torcedor pelo automobilismo, a prova chinesa viu homenagens bem fracas em relação à história da F-1 que ali atingia uma marca de respeito. Para piorar, o próprio Liberty Media parece não ter feito muito esforço para tornar o momento mais relevante, com a implantação de atividades e eventos mais respeitosos. Acabou parecendo demais com uma corrida como as demais, sem nada especial, e infelizmente, não se pode culpar os torcedores chineses por não se empolgarem muito com o evento especial que estavam presenciando naquele dia. Ficava a esperança de uma grande corrida para agitar o público, e honrar as 999 corridas anteriores, mas tivemos uma prova bem chinfrim em termos de disputas, com Lewis Hamilton, vencedor da corrida, e seu time, a Mercedes, serem os únicos a comemorarem de fato a corrida, por motivos óbvios. E nem mesmo no pelotão intermediário tivemos disputas que fossem capazes de levantar o torcedor, fosse na arquibancada, ou no sofá de casa. E nem é preciso dizer que a Ferrari, com sua ordem para LeClerc deixar Vettel passa-lo na pista, só deu mais descredibilidade ao momento, e depois, muitos ainda vão ficar questionando porque a F-1 está perdendo popularidade e fãs pelo mundo afora, quando não conseguem nem comemorar uma data histórica devidamente, e apresentar uma prova decente que faça juz à importância da categoria máxima do automobilismo, que no momento, não parece ser tão máxima assim...

Mudança nas regras de classificação nas 500 Milhas de Indianápolis: Que a Indycar vem conseguindo recuperar algum terreno nos últimos anos, isso é muito positivo. Mas quando alguém sugere fazer um tipo de “reserva de vagas” para a corrida mais importante e famosa do calendário, isso significa jogar no lixo a seriedade e profissionalismo que muitos se esforçaram tanto para construir nos últimos anos. Agora, Roger Penske e Chip Ganassi estão propondo à direção da categoria que os times “tradicionais” que competem o ano inteiro tenham vagas garantidas no grid de Indianápolis, alegando que uma eliminação numa não classificação para a corrida é uma injustiça com quem se dedica a todo o campeonato, e que não deveria ficar de fora da tradicional prova, por sua vaga ter sido ocupada por alguém que compete apenas na Indy500, e que por um golpe de sorte, andou melhor que quem anda toda a temporada. Um absurdo. Isso só serve para minar a imagem de um campeonato sério e organizado. O que deve valer é o cronômetro, e nada mais. Roger Penske amargou a desclassificação de seu time na prova de 1995, quando nenhum de seus pilotos conseguiu tempo para alinhar nas 33 vagas do grid. A Penske não entrou em crise por causa disso, por mais desagradável que tenha sido o momento vergonhoso do time mais bem-sucedido nas categorias Indy não conseguir alinhar na prova. EW, curiosamente, quando Tony George estipulou vagas restritas para pilotos “forasteiros” na segunda metade dos anos 1990, quando criou a IRL (atual Indycar), Roger Penske foi um dos que repudiaram veementemente a idéia. Como os tempos mudam... E pior, é Mark Milles, diretor da categoria, anunciar que vai analisar seriamente a idéia, que consistiria em deixar também o treino do Bump Day apenas para os carros que disputam somente a Indy500...

 



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