quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

HAVOC SERIES – A TEMPORADA DE 1988 DA F-1 – PARTE I

Alain Prost começou a temporada de 1988 na frente, mostrando uma invencível McLaren/Honda logo na primeira prova do campeonato.

            Voltando com a sessão de vídeos do blog, começo hoje a postagem de mais uma temporada, a de 1988, talvez a mais lembrada por muitos fãs e torcedores antigos, por ter sido o ano do primeiro campeonato de Ayrton Senna, estreando na equipe McLaren. A época era das mais comemoradas pelo fã nacional da velocidade. Nélson Piquet tinha sido tricampeão mundial em 1987 na Fórmula 1, e Senna, o mais novo talento brasileiro na categoria máxima do automobilismo, já tinha mostrado a que vinha, e em 1988, tinha enfim um carro capaz de leva-lo ao título. Mas a parada prometia ser dura, pois o time inglês tinha Alain Prost e o francês era páreo duro para qualquer piloto, e Senna não seria exceção. E, foi, de fato, uma temporada de luta titânica entre os dois pilotos, uma vez que a concorrência teve um ano fraquíssimo, incapaz de competir com os modelos MP4/4 concebidos pela dupla Steve Nichols e Gordon Murray, que venceu praticamente 15 das 16 corridas do ano, e só não faturou tudo porque em Monza Ayrton cometeu uma barbeiragem a poucas voltas da vitória, quando foi dobrar um retardatário, e se enrolou sozinho, batendo e ficando de fora da corrida, entregando o triunfo para a Ferrari, no GP da Itália.

            Logo na primeira corrida, aqui no Brasil, no circuito de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, já dava para notar que a McLaren correria praticamente sozinha, tal o ritmo dos carros vermelçhos e brancos da dupla Prost/Senna. Senna estreou em grande estilo fazendo a pole-position, mas na largada, seu carro deu problema, o que obrigou a realização de um novo procedimento, e obrigando Ayrton a largar dos boxes na nova partida. Nigel Mansell ficava sozinho na primeira fila na nova largada, mas a Williams/Judd não foi páreo para a McLaren/Honda de Prost, que assumiu a liderança sem mais delongas, e de lá não sairia até a bandeirada de chegada. Enquanto isso, Senna vinha lá de trás, e com um ritmo infernal, ia passando todo mundo que via à sua frente, até alcançar a 2ª colocação, mostrando como a McLaren tinha um carro superior a tudo na pista. A dobradinha só não saiu porque Senna trocou de carro para a nova largada, e isso era proibido pelo regulamento, o que causou a sua desclassificação, que só veio depois que Ayrton já tinha recuperado até a 2ª colocação. No final, Prost até administrou o ritmo, recebendo a bandeirada de vitória com menos de 10s de vantagem sobre Gehard Berger, da Ferrari, que nunca teve chance de discutir o triunfo com o francês. A torcida nacional, se ficou frustrada com a desclassificação de Senna, pelo menos teve algo a comemorar com o 3º lugar de Nélson Piquet, fazendo uma estréia satisfatória com a Lotus, dando até alguma esperança de defender com classe o seu tricampeonato, mas era enganoso: o brasileiro terminou com mais de um minuto de atraso para Prost, mostrando como seu carro estava longe de ser exatamente competitivo, e apenas terminou no pódio devido aos problemas dos demais competidores, em que pese Piquet ter feito uma corrida bem satisfatória para o carro que conduzia. Derek Warwick, com a Arrows, foi o 4º colocado, à frente da segunda Ferrari, com Michele Alboreto, e Satoru Nakajima fechando a zona de pontuação, com o 6º lugar, dando a sensação de que a Lotus, apesar de tudo, não estava assim tão mal quanto de fato parecia. A prova marcou a estréia de Maurício Gugelmim na F-1, defendendo a equipe March. Ele largou em 13º, mas ficou logo na largada, com problemas de câmbio, não conseguindo fazer uma estréia muito inspiradora, e logo no seu GP de casa... O vídeo da corrida pode ser conferido no link abaixo, no You Tube, postado pelo usuário f1brasil:

 

https://www.youtube.com/watch?v=Vryfv_kysak

 

A corrida seguinte, naquela temporada, abria a fase européia, com o Grande Prêmio de San Marino, no circuito de Ímola, na Itália. Senna, mais uma vez, arrancava a pole-position, numa demonstração de confiança impressionante. O brasileiro já tinha feito a pole com maestria no Brasil, deixando todo mundo comendo poeira, até mesmo seu companheiro de equipe Alain Prost. Mas a desclassificação por ter trocado de carro entre as largadas acabou comprometendo o bom momento. Em Ímola, com uma nova pole, reacendia a esperança de Ayrton brigar efetivamente pela vitória.

            Nélson Piquet, mais uma vez, dava esperanças também para os torcedores brasileiros, ao marcar o 3º tempo no grid de largada, mas mais uma vez, a posição era otimista demais: o tricampeão fora superado pelo compatriota em mais de 3s de diferença no tempo de classificação, mostrando como a Lotus estava longe de ser efetivamente um carro capaz de permitir a Nélson defender efetivamente seu título. No arranque da largada, tudo perfeito para os brasileiros: Senna partiu bem da pole, enquanto Prost patinava, e Piquet assumia a 2ª posição na corrida. Dobradinha brasileira à vista? Nem tanto. Se Ayrton disparava na frente, Prost, assim que se aprumou da má largada, começou sua recuperação, e foi superando todos os carros à sua frente, e não demorou para chegar em Piquet. Se em termos de motores e talentos, a briga estava parelha entre Prost e Piquet, contudo, não havia como contrabalançar a diferença entre McLaren e Lotus. O modelo MP4/4 da McLaren era amplamente superior ao Lotus 100T, e Piquet foi superado sem muita dificuldade pelo francês, que tentou uma recuperação para tentar alcançar Senna, que corria sozinho na frente. E ele até que chegou perto, mas nunca esteve a ponto de desalojar Ayrton da liderança da corrida, que comandou até a bandeirada sem maiores dificuldades.

Piquet, depois de ser superado por Prost, começou a ter problemas com vários outros pilotos que o alcançaram, dado o ritmo deficiente de sua Lotus. O tricampeão mundial precisou suar o macacão para se manter na posição, mas foi difícil. A Lotus não apenas ficava a ver navios frente à McLaren, como começava a ser acossada por outros times que começavam a se mostrar mais competitivos. Ainda assim, Nélson conseguiu sobreviver, e manter o 3º lugar, o segundo pódio consecutivo em duas provas, o que dava esperanças de dias pelo menos razoáveis, mas aquele seria o último bom resultado em quase todo o restante da temporada. Mas Piquet havia terminado a corrida com mais de uma volta de desvantagem para a dupla da McLaren, o que já dava a dimensão de como a temporada seria difícil para nosso tricampeão mundial. Thierry Boutsen, da Benetton/Ford, foi o 4º colocado, seguido de Gerhard Berger, com a Ferrari, e Alessandro Nanini, com a Benetton/Ford, fechando a zona de pontos. Largando na 20ª posição, Maurício Gugelmim terminaria seu primeiro GP de F-1, levando a March a uma não muito inspiradora 15ª colocação, mas o carro não era muito competitivo, e dessa vez, seu companheiro Ivan Capelli é que tinha ficado logo de fora da prova, com problemas de câmbio, sendo que o italiano já tinha abandonado também no Brasil por quebra de motor.

A McLaren fazia sua primeira dobradinha no campeonato, e Prost ainda seguia líder, com 15 pontos, com Senna já assumindo a vice-liderança com 9 pontos, enquanto Berger e Piquet vinham logo atrás, com 8 pontos cada. No campeonato de construtores, a McLaren já disparava com 24 pontos, ante “apenas” 10 da Ferrari, e a Lotus “parecia” competitiva, com 9 pontos. A corrida pode ser vista na íntegra no link abaixo, postado no You Tube pelo usuário MrVinicius F1 1995:

 

https://www.youtube.com/watch?v=0j53yem_v00

 

E assim fechamos nossa primeira postagem de vídeos com as corridas da temporada de 1988, mas podem ficar espertos porque virão mais corridas por aqui muito em breve daquela temporada. Por enquanto, bom proveito das primeiras duas corridas de 1988, e até breve, por aqui no blog, com as provas seguintes..

O Lotus 100T até era um carro bonito, mas o desempenho se mostrou sofrível e só foi piorando conforme a temporada de 1988 avançava, arrastando Nélson Piquet para o fundo do grid na F-1.

 

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