quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

ARQUIVO PISTA & BOX – SETEMBRO DE 2000 – 01.09.2000

            Hoje trago novamente mais uma de minhas antigas colunas, e esta foi publicada no dia 1º de setembro de 2.000, sendo que o assunto principal era o aparente favoritismo de Mika Hakkinen na luta pelo título da temporada de F-1 daquele ano, especialmente após a vitória antológica no GP da Bélgica, após uma ultrapassagem épica sobre Michael Schumacher. A força da McLaren parecia patente, apesar de Michael e a Ferrari fazerem sua melhor temporada desde a chegada do piloto alemão a Maranello, cinco anos antes. Mas mal eles poderiam imaginar que a situação do finlandês degringolaria na prova seguinte, em Monza, devolvendo o favoritismo ao título a Schumacher, que claramente foi até o final, conquistando o tricampeonato, tirando a Ferrari de um jejum de mais de duas décadas sem títulos de pilotos. Barrichello, por sua vez, depois da espantosa vitória na Alemanha, só teve azares depois disso, e na Bélgica sofreu uma mal explicada pane seca que o deixou a pé, e cada vez mais distante dos líderes (uma afirmação de Lucca de Montezemolo de que o brasileiro não teria direito de disputar o título, primazia absoluta de Michael Schumacher, rendeu teorias (ou seriam fatos reais?) de que a Ferrari manobrou veladamente para impedir que o brasileiro, em caso de um eventual azar do piloto alemão, o ameaçasse mais na pontuação (quem vai saber...?). De quebra, vários tópicos rápidos de outros acontecimentos no mundo da velocidade naquela semana, portanto, uma boa leitura a todos, volto em breve com mais textos antigos aqui...

HAKKINEN RUMO AO TRICAMPEONATO

 

            As coisas ficaram decididamente mais complicadas para a Ferrari após o GP da Bélgica de F-1. Mesmo segundo lugar de Michael Schumacher não serviu muito de consolo para os homens de Maranello. Muito pelo contrário, foi um sinal de derrota que muitos preferiam nem querer acreditar. A maneira como Hakkinen venceu com autoridade a corrida belga deixou até mesmo o bicampeão alemão da Ferrari boquiaberto, em especial pela manobra arrojada e decidida com que o piloto finlandês da McLaren decidiu a corrida a poucas voltas do fim da prova em Spa.

            A ultrapassagem, por fora, no fim da reta Kemmel, em aproximação à curva Lês Combes, foi uma das melhores ultrapassagens da F-1 nos últimos anos. Uma ultrapassagem para entrar para os anais da F-1, como tantas outras. A humilhação para Schumacher foi duro: levou uma ultrapassagem espetacular de seu maior rival e perdeu a corrida numa manobra só.

            A situação da Ferrari tende a se complicar nas etapas finais do campeonato. Spa era uma pista onde o talento de Schumacher poderia fazer a diferença. Até que fez, mas a determinação de Mika Hakkinen foi mais forte que o braço do alemão. As perspectivas não são muito melhores para Monza. Apesar de ser um autódromo italiano, a Ferrari não teve um bom retrospecto na pista de Monza no ano passado. Para piorar, o fato da pista ser de alta velocidade mais uma vez dá vantagem teórica à McLaren, cuja aerodinâmica mais refinada, garante muito mais estabilidade aos carros de Ron Dennis & Cia. Um sinal desta estabilidade podia ser vista em Spa, com a Ferrari a se debater para conseguir velocidade de ponta nas retas. O diferencial de Schumacher para Hakkinen na reta Kemmel era impressionante e, no momento da ultrapassagem, mesmo com a presença de Ricardo Zonta, durante um curto instante, a Ferrari parecia parada em relação à McLaren.

            A situação da Ferrari só não foi pior em Spa porque David Coulthard teve uma corrida cheia de azares, terminando apenas em 4º lugar, do contrário, a coisa poderia ter sido bem pior. E, para mostrar que a coisa poderia ter sido mesmo bem pior, basta lembrar que o time de Maranello teve em Spa sua pior classificação do ano para o grid em condições normais. Schumacher conseguiu salvar o 4º lugar no grid, enquanto Rubinho ficou em 10º. Na corrida, o brasileiro ainda acabou ficando a pé com pane seca, ainda que a equipe alegue defeito no pescador de combustível. Talvez uma tentativa de arrumar uma culpa para uma simples peça, ao invés de admitir que erraram feio no cálculo de combustível.

            Indiferente à crise que parece se instalar dentro da escuderia rossa, a McLaren já começa a traçar planos para conquistar os títulos de construtores e de pilotos de 2000. Mika Hakkinen abriu 6 pontos de vantagem para Schumacher na classificação e, faltando 4 etapas, é uma margem pequena, mas pela evolução da McLaren na atual fase do campeonato, ou a Ferrari consegue se mexer e produzir algum milagre técnico, ou vai correr o risco de levar mais algumas lavadas como a de Spa.

            Para Mika Hakkinen, a situação indica que o piloto finlandês já se recompôs totalmente. Com uma atuação meio apática no início deste campeonato, explicada pela matéria veiculada pela revista automobilística italiana Autosprint, de que Hakkinen estaria exagerando na bebida, Mika já deu uma prova cabal de que voltou a ser o velho Mika que conquistou o título de 98 com força total. Duas vitórias consecutivas com autoridade nas últimas duas corridas da F-1.

            Mika caminha decidido para o título, e pode ser o segundo piloto na história da F-1 a conseguir ganhar 3 campeonatos consecutivos. O primeiro foi Juan Manuel Fangio, nos anos 50, quando o piloto argentino conseguiu vencer 4 campeonatos consecutivos. Hakkinen venceu os mundiais de 98 e 99, e se vencer o campeonato deste ano, conseguirá um tricampeonato consecutivo, passando a ser o maior piloto da década de 90 em títulos, papel até então ocupado por Michael Schumacher.

            A hipótese de Mika conquistar mais um título deixa as hostes de Maranello com a pulga atrás da orelha. Um campeonato que de início se mostrou mais do que favorável agora se apresenta como um pesadelo prateado que se avoluma. Schumacher ainda tem esperanças, e não pára de repetir que nada ainda acabou no campeonato. É verdade, mas do jeito que as coisas vão, vai estar mesmo acabado se a McLaren repetir a dose em Monza. Os testes desta semana não são indicativo confiável de como as coisas podem correr no GP italiano. Os testes feitos pela Ferrari e Mugello viraram fumaça já no primeiro treino em Spa. Agora, em Monza, os resultados desta semana não dizem muita coisa. Ano passado a Ferrari conseguiu bons resultados nos testes também em Monza e, poucos dias depois, na corrida, o time foi um desastre. Um desastre que dá calafrios só de pensar na possibilidade de ocorrer novamente este ano.

            Por estas e outras, muita gente por aí já pode ir pensando em chamar Mika Hakkinen de tricampeão mundial. Vamos ver o que as etapas finais nos reservam.

 

 

A McLaren a partir de agora passa a atacar Michael Schumacher em duas frentes: ao mesmo tempo em que Mika Hakkinem avança para a conquista de seu terceiro título consecutivo, a ordem no time é dar a Coulthard todos os meios para partir para cima do alemão da Ferrari. A McLaren quer terminar o campeonato com seus dois pilotos na frente da classificação, em 1º e 2º lugares. Do jeito que as coisas andam na Ferrari nas últimas corridas, considerar a hipótese de ter de defender o vice-campeonato de Michael Schumacher não é uma hipótese a ser descartada...

 

 

Jean Alesi fez na Bélgica uma de suas melhores corridas dos últimos anos. Andou forte o tempo todo e estava firme na zona de pontuação, uma façanha incrível para o carro medíocre que é o Prost/Peugeot deste ano. Infelizmente, o carro acabou por mais uma vez arruinar as esperanças de uma boa colocação. Alesi ficou pelo caminho, assim como Nick Heidfeld, que não fez grande coisa durante todo o fim de semana. Para 2001, Alesi fica no time. Pedro Paulo Diniz negocia com Alain Prost sua mudança de time, mas a permanência na Sauber não está descartada.

 

 

Luciano Burti será o segundo piloto da Jaguar em 2001. O piloto brasileiro já assinou contrato com o time da Ford para a próxima temporada. O anúncio oficial, entretanto, só sai por volta do GP dos EUA, em Indianápolis.

 

 

Bruno Junqueira conquistou o título da F-3000 Internacional em Spa, na Bélgica, no fim de semana passado. Com isso, Bruno junta-se a Roberto Moreno, Christian Fittipaldi e Ricardo Zonta entre os brasileiros que venceram o último degrau para a F-1. O destino do piloto brasileiro, entretanto, deve ser o mesmo caminho trilhado por Juan Pablo Montoya: a F-CART. Chip Ganassi planeja reformular sua dupla de pilotos em 2001. Montoya vem para a F-1, na Williams, e Jimmy Vasser já está praticamente de aviso prévio no time. Com isso, crescem bastante as chances de Bruno competir na categoria, e ainda por cima em um time de ponta como a Ganassi. Entre os candidatos à segunda vaga de piloto estão diversos nomes de peso, entre os quais o de Michael Andretti, que pode sair da Newmann-Hass, mas ainda há a possibilidade, pequena, de a Ganassi competir com dois pilotos brasileiros em 2001. Ganassi também está de olho no brasileiro Cristiano da Matta, que já corre na categoria, pela PPI Motorsports. Vamos ver no que vai dar...

 

 

Motivos para contratar Da Matta não faltam ao velho Chip Ganassi. Mesmo correndo por um time médio, a PPI, Cristiano já conseguiu vencer uma corrida na F-CART este ano, o GP de Detroit, autódromo de propriedade de Ganassi, e o piloto mineiro está inclusive à frente dos dois pilotos da equipe Ganassi na classificação do campeonato, os quais têm um esquema muito mais forte por trás de si. O talento brasileiro é que o time precisa para reerguer-se? Boa pergunta. No caso da Penske, que este ano já venceu 4 vezes com sua dupla de pilotos totalmente verde-amarela e é uma das mais fortes candidatas ao título, asolução funcionou, junto com uma reestruturação total da parte técnica da equipe. Será que a Ganassi tentará o mesmo caminho no que tange aos pilotos?

 

 

Hoje começam os treinos para o GP de Vancouver, mais uma etapa em circuito urbano pelo calendário da F-CART. Michael Andretti defende a liderança do campeonato na costa canadense do Pacífico. De 14 corridas até agora, tivemos 6 vitórias brasileiras. Em Cleveland temos boas chances de aumentar o placar nacional. A primeira e única vitória brasileira na pista canadense de Vancouver foi em 97 com Maurício Gugelmim, pela equipe Pacwest.

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