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| A F-E segue competitiva e imprevisível, e as disputas devem aumentar ainda mais... |
Quando resolveu pular fora da Jaguar por estar inconformado com a situação do time inglês na temporada passada, muitos acharam a atitude de Nick Cassidy precipitada, até porque a escuderia se assentou e voltou à velha forma, a ponto de Cassidy terminar até como vice-campeão. E ainda mais por aceitar o desafio de capitanear o novo time da Citroen, que assumiu o lugar da Maserati, agora sob comando integral da Stellantis, aumentando suas apostas no certame de carros monopostos elétricos. O time, completamente reestruturado, entrava na nova temporada precisando mostrar serviço, mas a pergunta era: iria conseguir?
Com duas corridas realizadas, pode-se dizer que Nick Cassidy fez uma boa aposta, mas a verdade é que ele também superou todas as expectativas: além deu m pódio até inesperado aqui em São Paulo, ele venceu com categoria o ePrix da Cidade do México, no fim de semana passado, assumiu a liderança do campeonato, um resultado acima das melhores expectativas, é verdade, mas mais condicionadas à performance de Nick do que propriamente ao equipamento, que se mostra, sim, competitivo, pelo menos, enquanto os rivais não conseguirem se acertar direito na pista. É só comparar as performances dos dois pilotos da Citroen: Jean-Éric Vergne conseguiu pontuar apenas com um 8º lugar em São Paulo, acumulando 4 pontos. Mas Cassidy, com o 3º lugar em São Paulo, e a vitória no México, foi para a liderança com 40 pontos, uma diferença exponencial, e Vergne é bicampeão da categoria, mas mesmo que não tenha dado sorte, nem por isso deve-se desmerecer a forma com que Cassidy venceu na Cidade do México, especialmente quando, nas voltas finais da corrida, precisou segurar Edorado Mortara, da Mahindra, que vinha com tudo com seu Modo Ataque ativado, mas não conseguindo superar o neozelandês na pista do circuito montado no Autódromo Hermanos Rodriguez.
Mas ainda não dá para cravar Cassidy como favorito ao título. Ele entrou na briga, pelo menos agora, mas a F-E, em sua maior temporada de sua curta história, com 17 corridas programadas, está apenas em seu início, e já vimos em campeonatos passados equipes e pilotos que pintaram como favoritos, mas não conseguiram sustentar essa percepção conforme a temporada avançava. E, ao contrário da F-1, por mais detratores que possua, a F-E é um campeonato muito mais disputado e imprevisível que a categoria máxima do automobilismo, e se possui defeitos, sejamos francos: mesmo a F-1 anda carregada de certos problemas recentes que infelizmente jogam contra o seu claro favoritismo de marketing e importância no mundo do automobilismo mundial. Deveremos ver muita briga pela frente, e Cassidy vai precisar se desdobrar se quiser de fato levar a Citroen ao título, pelo menos neste primeiro ano do time na categoria, onde praticamente a escuderia tem o mesmo carro do ano passado, quando era a antiga Maserati, mas agora melhor aproveitado e desenvolvido dentro do que as regras permitem.

Grande início de campeonato de Nick Cassidy com a nova equipe Citroen, com dois pódios, sendo um deles uma vitória na base da habilidade no México, e liderança do campeonato, por enquanto...
E quem são os
favoritos, afinal? Vários, se formos relacionar o potencial de competição,
mesmo que ainda não devidamente aproveitados até o presente momento. A Porsche,
obviamente, é uma destas favoritas, mas até aqui, seu aproveitamento não
refletiu a competitividade de seu equipamento, com Pascal Wehrlein e Nico
Muller a decepcionarem quando se esperava um desempenho mais intimidador
perante a concorrência, mas mostrando que a dinâmica das corridas na F-E pode
reservar surpresas mesmo entre os favoritos mais destacados. Wehrlein brigou
pelo pódio em São Paulo, e no México, era um dos francos favoritos à vitória,
mas as estratégias dos concorrentes na parte final da corrida o fizeram ser
superado, terminando a prova mexicana apenas em 6º lugar, enquanto em São Paulo
havia sido 4º. Nico Muller, que havia terminado em 6º aqui em São Paulo, e
promovido a 5º com a punição de Felipe Drugovich, foi apenas o 9º colocado no
Hermanos Rodriguez, mostrando como a Porsche não conseguiu converter o seu
favoritismo em resultados.
Mas, se a Porsche e seus pilotos estão marcando bobeira ou perdendo oportunidades, Jake Dennis, que usa o powertrain alemão, está sendo bem mais eficiente, com a equipe Andretti. O inglês venceu a corrida em São Paulo, e não fosse a queda de energia sofrida nas voltas finais no México, teria brigado pelo pódio e até pela vitória, ao invés de terminar em 5º lugar. Mas isso ainda lhe confere a vice-liderança do campeonato, com 36 pontos, e se a Andretti não marcar bobeira, ele vem firme para tentar o bicampeonato mundial da F-E, e tentar repetir o feito de Jean-Éric Vergne como o único piloto a repetir o título da competição até hoje, e que no momento, parece ficar na sombra de Cassidy na Citroen. Jake Dennis e a Andretti conseguiram a proeza de serem campeões de pilotos antes da própria Porsche, de modo que se o time oficial alemão não se mancar, pode ver o repeteco da situação, ainda mais em um momento onde a Andretti deixará de usar o powertrain alemão na era Gen4, tendo optado por se tornar cliente da Nissan.
E não podemos descartar o atual campeão, Oliver Rowland, que vem mostrando serviço, apesar de vermos que a Nissan não parece dominadora como foi na temporada passada com o inglês. Mas ainda tem um equipamento competitivo. Foram dois pódios nas duas etapas, mesmo que, em tese, a Nissan não fosse favorita, o que mostra que Rowland ainda sabe aproveitar as oportunidades nas corridas de forma muito eficiente. Em contrapartida, Norman Nato, que recebeu um voto de confiança da escuderia, em descrédito de Sergio Sette Câmara, não mostrou até agora fazer por ter merecido seguir no time: enquanto Rowland é o 3º colocado, com 34 pontos, apenas 6 atrás do líder Cassidy, Nato é apenas o 15º, com apenas 1 ponto conquistado. No ano passado isso foi decisivo para a Nissan não ter brigado pelo título de equipes, uma vez que o resultado de Norman ficou muito abaixo do esperado. Se ele não reagir este ano, certamente vai acabar rodando para a próxima temporada, e nomes disponíveis no mercado é o que não faltam.

Jake Dennis: vitória no Brasil e quase novo pódio no México fazem o inglês começar bem briga pelo bicampeonato. Mas falta combinar com os rivais...
A Mahindra parece o
típico caso de que faz a lição de casa, mas na hora de entregar o resultado,
aparece todo tipo de imprevisto. Em São Paulo, depois de bons treinos e
classificações, os dois pilotos da escuderia indiana se estranharam logo na
primeira curva da corrida, se tocaram, e com isso, comprometeram as chances de
bons resultados na prova. Mas como desgraça pouca é bobagem, Edoardo Mortara
ainda se envolveu em uma disputa de posição agressiva com Lucas Di Grassi e foi
parar no muro, ainda por cima culpando totalmente o brasileiro, quando tentou
fechar a porta onde não dava sem ter um toque. Nyck De Vries teve um pálido 9º
lugar, e foi só. No México, a Mahindra feio novamente forte, e Mortara brigou
até o fim pela vitória, estando sempre entre os primeiros colocados na prova,
mas acabou superado na disputa final por Nyck Cassidy que se defendeu de forma
magistral às investidas do suíço na luta pela vitória nas voltas finais, mesmo
com Mortara tendo o Modo Ataque à sua disposição. Mas já foi um progresso, uma
vez que De Vries teve problemas e abandonou a corrida. Isso deixou a Mahindra
em 5º lugar no campeonato de equipes, empatada com a DS Penske, mais pelo pódio
de Mortara no desempate de colocação. O potencial está ali, só é preciso
superar o azar que teima em não largar os pilotos e ser um pouco mais eficiente
nas disputas de posição.
E a Jaguar? O time britânico mostra potencial, mas os azares estão à espreita, e quando isso acontece, por vezes nem os mais talentosos pilotos conseguem dar conta, dependendo das circunstâncias, e ainda potencializando erros crassos dos próprios competidores. Se em São Paulo Antonio Félix da Costa deu azar de ser atingido por Pepe Marti e ficar com suas chances de brigar pela vitória arruinados, no México o próprio piloto português fez uma tentativa de ultrapassagem equivocada e se complicou sozinho, resultando em ficar zerado em pontos nas duas etapas até aqui. Mith Evans, por sua vez, errou em São Paulo, acertando a barreira de pneus, e no México acabou tendo um desempenho abaixo do esperado, terminando apenas em 11º lugar, e também ficando zerado na pontuação, um resultado abaixo de qualquer expectativa, ainda mais depois que a própria Jaguar ficou escalda neste quesito de desordem em boa parte da temporada passada, mas tinha reencontrado o rumo na fase final do campeonato, e em tese, deveria se prevenir para não cometer os mesmos erros.
Os demais times, DS Penske, Envision, Kiro, e ABT Lola Yamaha não devem brigar na frente, apenas conquistar resultados de monta de forma mais ocasional, o que não significa que as disputas de pista serão menos intensas. Mas, com apenas duas etapas, os três primeiros colocados estarem separados por apenas 6 pontos é indício de que o duelo pelo título apenas começou, e ainda temos muito chão pela frente, e todos os supostos favoritos tem ferramentas e condições para entrarem firme na briga, se conseguirem ajustar seu desempenho, e acima de tudo, conseguir driblar percalços e azares que surgem. Alguém terá êxito nessa meta, enquanto outro alguém certamente não terá o mesmo sucesso. Resta esperarmos e vermos quem irá de fato vir para a briga, e quem que já está nela conseguirá se manter até o fim.
E os pilotos brasileiros? Lucas Di Grassi confirma que, apesar de algumas melhorias, a ABT Lola Yamaha terá uma segunda temporada de calvário pela frente, brigando para conseguir pontuar, apesar da primeira temporada de experiência passada, e mostrando que um avanço efetivo deverá se dar apenas no próximo campeonato, quando estrearão não apenas os novos carros Gen4, mas toda uma nova e mais poderosa geração de trens de força de todos os fabricantes presentes. Se no Brasil Di Grassi até teve um desempenho satisfatório, até se envolver em um incidente com Edoardo Mortara, no México a performance ficou abaixo do que ele próprio esperava, depois de indícios animadores nos treinos, e não tendo ido para a fase de duelos por muito pouco.
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| Lucas Di Grassi teve mais uma corrida sofrível com o carro da Lola Yamaha ABT |
Já Felipe Drugovich foi do céu em São Paulo, ao inferno. O novo piloto brasileiro titular na competição de carros elétricos fez uma estréia muito positiva no Anhembi, e poderia até ter brigado pelo pódio, quando veio um Safety Car que o fez desperdiçar seu segundo Modo Ataque. Mas infelizmente o erro de ter feito uma ultrapassagem em bandeira amarela o tirou da zona de pontuação, onde tinha terminado em um ótimo 5º lugar. Mas, lição aprendida, vida segue. Só que no México, tudo não saiu como o esperado, e Felipe não conseguiu chegar à zona de pontos, com um desempenho muito fraco com um carro teoricamente competitivo. Sua sorte é que o time tem plena confiança em seu novo contratado, e sabe que ele terá problemas de noviciado óbvios, e que ele tem talento e velocidade, como comprovou em São Paulo. Só precisa de um pouco de cuidado e paciência, e não cometer erros crassos, mas também tem que se preocupar em mostrar serviço, obviamente. Ainda é cedo para dizer que ele não está bem, com apenas duas corridas disputadas na temporada atual, mas o mais importante é que ele tem de fato um equipamento competitivo, como mostra seu companheiro de equipe Jake Dennis, e portanto, cabe a ele saber explorar todo esse potencial que está lá.
Então, aguardemos o que as próximas etapas da competição irão nos mostrar… Emoção não deve faltar.
A Bandeirantes continua com a F-1? A conversa surgiu nos últimos dias, mas não é o que o pessoal pode imaginar. A Globo pegou de volta os direitos de transmissão, sim, pelas próximas três temporadas, e irá exibir com exclusividade no canal aberto da Globo, bem como nos canais SporTV da TV por assinatura. O que pode explicar isso é a própria FOM/Liberty Media, com o seu aplicativo exclusivo, o F1TV. Nos anos em que a Bandeirantes deteve os direitos de transmissão, a versão em português veiculada pela emissora paulista foi utilizada no streaming oficial da F-1, de modo que o fã que quisesse acompanhar a versão em português estava vendo no aplicativo a mesma transmissão feita pela Bandeirantes. Agora, contudo, nada indica que a F1TV vá usar a transmissão produzida pela Globo/SporTV, e começaram a surgir rumores de que a FOM/Liberty poderia contratar um time próprio para produzir a versão em português para seu streaming, e esse time seria… da Bandeirantes. E isso manteria Sergio Maurício na narração das corridas nesta versão, com outros profissionais da Bandeirantes como parte do time que produziria a transmissão exclusiva do F1TV. Isso daria aos fãs pelo menos três opções de transmissão em português, já que a Globo terá times de transmissão distintos entre Globo e SporTV, o que por si só já daria duas opções diferentes de transmissão dependendo de como o fã irá acompanhar a temporada. E a transmissão “exclusiva” do F1TV seria um diferencial, e uma opção a mais. Uma jogada certamente interessante. A conferir como isso irá se desenvolver efetivamente…
Enquanto isso, numa jogada inesperada, a Globo recontratou Mariana Becker, que atuou como repórter nas transmissões da F-1 pela Bandeirantes nos cinco anos em que a emissora paulista deteve os direitos das transmissões. Mas agora Mariana entrará em um papel diferente do exercido anteriormente: ela será comentarista e estará “in loco” em pelo menos 21 das 24 corridas da temporada, sendo elas todas as 15 etapas que serão transmitidas em sinal aberto, mais seis provas no SporTV. Na transmissão da Globo, Mariana fará dupla de comentarista com Luciano Burti, ex-piloto, e que já desempenhou esse papel nos anos recentes que a Globo exibia a competição, antes de passar para a Bandeirantes. A narração no canal aberto ficará com Everaldo Marques. A Globo já anunciou que Julia Guimarães, Guilherme Pereira e Marcelo Courrege irão se dividir na reportagem ao longo da temporada, no papel que Mariana desempenha antigamente. A jornalista gaúcha fará então sua segunda passagem pela Globo, onde entrou inicialmente em 1995, e ficou até 2020, sendo que até então já acumulava praticamente uma década como repórter nas transmissões da F-1, o que foi um ativo valioso para a Bandeirantes, quando trouxe quase toda a equipe de transmissão da Globo à época. É a segunda surpresa da Globo para as transmissões da F-1 em 2026, já que recentemente a emissora anunciou a volta de Felipe Giaffone também às transmissões para o SporTV, função que Felipe já tinha exercido em 2020, no último ano de transmissões da Globo da F-1, quando a emissora dispensou sem maiores cerimônias Reginaldo Leme ao fim de 2019. Segundo Mariana, será um novo desafio em sua carreira, comentar as corridas, mas ela diz que o diferencial de estar presente “in loco” será um atrativo especial para poder comentar os acontecimentos, especialmente os eventos nos bastidores das equipes e do paddock, e que com mais de uma década e meia de presença no meio, ela goza de acesso a muitas figuras importantes no meio, podendo conseguir informações importantes junto a pilotos e equipes para efetuar sua nova função.


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