sexta-feira, 11 de março de 2016

O QUE ESPERAR DA F-1 2016


A Mercedes não andou na frente na pré-temporada, mas nem por isso deixou de assustar os rivais. O nível de resistência do novo modelo W07 impressionou, ao andar o equivalente a quase uma temporada inteira antes de sofrer uma quebra.

            Está na hora de começar mais uma temporada da Fórmula 1. Neste final de semana, todos os times estão embarcando rumo a Melbourne, onde no próximo final de semana será dada a largada do mundial, com a disputa do Grande Prêmio da Austrália. Tivemos a pré-temporada mais magra de que há notícia: apenas 8 dias de treinos, e realizados unicamente na pista de Barcelona, palco já mais do que conhecido dos times e dos fãs que acompanham a competição. E o que podemos esperar do campeonato deste ano? Mais uma temporada sob domínio da Mercedes, ou teremos mais competição e disputa do que a dos últimos dois campeonatos?
            No que tange à disputa pelas primeiras posições, a Mercedes infelizmente tem tudo para continuar na frente. O time alemão conseguiu produzir novamente um carro de grande potencial, e pior de tudo, extremamente fiável. Somadas todas as voltas e quilometragem percorridas pela dupla de pilotos, Nico Rosberg e Lewis Hamilton, a escuderia alemã andou o equivalente a quase 20 GPs nestes 8 dias, um número considerável, mas que assustou a concorrência mais pelo fato de não ter enfrentado uma quebra sequer, a não ser no último dia de treinos. Se é verdade que o clima estava ameno na Catalunha, e que durante a disputa do campeonato as temperaturas estarão bem mais elevadas, por outro lado é preocupante notar que em raros momentos Hamilton e Rosberg aceleraram pra valer o modelo W07, o que indica que o verdadeiro potencial do novo carro ainda está para ser revelado. Uma prova disso é que eles rodaram a maior parte do tempo com os compostos médios, poucas vezes recorrendo aos supermacios e ultramacios.
            Mas, se não foi possível aferir a velocidade absoluta dos carros alemães, seus stints em simulações de corrida indicam que a escuderia deve ditar o ritmo da competição. A única dúvida é quanto de vantagem eles terão sobre os rivais. O fato de em nenhum momento os membros da escuderia demonstrarem preocupação com os trabalhos desempenhados na pista apenas mostra que eles conseguiram cumprir com seu cronograma, e que salvo surpresas, a concorrência é que terá que se preocupar. Resta saber efetivamente qual será a vantagem dos carros prateados. Em teoria, o melhor que pode acontecer será uma dobradinha da Mercedes em Melbourne, uma vez que a pista do Albert Park não serve de referência exata para o desempenho dos times em toda a temporada. Já em Sakhir, no Bahrein, a realidade mais exata deverá se mostrar, e se a Mercedes ainda assim andar mais forte do que a concorrência, talvez seja o caso de esperar 2017 para vermos um certame mais disputado e equilibrado. Ou talvez não...
            A Ferrari mostrou nos testes que será a adversária da Mercedes. Depois de colocar a casa em ordem no ano passado, o time de Maranello produziu um carro totalmente novo, de acordo com as idéias do novo diretor técnico James Allison. A unidade de potência melhorou bastante, a ponto de afirmarem que já está equiparada à da Mercedes, o que pode ser um exagero, mas que certamente está mais próxima. O time italiano foi o que mais forte andou na maioria dos treinos, conseguindo os tempos mais expressivos tanto com Kimi Raikkonen quanto com Sebastian Vettel, mas também rodaram longos stints simulando corrida e outras situações. Com o equivalente a 13 GPs rodados nos testes, apesar de enfrentar problemas em alguns dias, a Ferrari mostra que também tem um carro veloz e estável. Resta saber qual a sua real força comparada com a Mercedes. Os mais otimistas chegam a afirmar que o novo SF16-H vai beliscar os calcanhares do novo W07 com uma frequência muito maior do que o pessoal da Mercedes imagina, mas os mais realistas dizem que a assombrosa fiabilidade do carro alemão preocupa por indicar que não foi exigido em todo o seu potencial. Há quem fale que, em velocidade absoluta, e dependendo do tipo de pista, a Ferrari esteja mais de 1s atrás dos prateados. Em ritmo de corrida, a diferença deve ficar, em tese, pela metade, por volta. Alguns cálculos feitos levando-se em conta a quantidade de voltas percorridas com os pneus, o tipo de composto, e estimativas de combustível, apontam para esta diferença, mas é óbvio que os times não expuseram todas as suas cartas durante a pré-temporada. Um dado extremamente positivo é que o novo modelo criado em Maranello é um bom carro, e com excelente potencial de desenvolvimento, e eles prometem desembarcar na Austrália já com algumas novidades em relação ao visto no último dia de testes.
Com os melhores tempos da pré-temporada, a Ferrari está pronta para tentar desafiar a Mercedes. Mas quão perto os italianos estão realmente dos alemães?
            Tirando estas duas escuderias, aí sim o panorama sugere uma boa disputa. Se pudéssemos ficar sem Mercedes e Ferrari, todos concordam que aí sim teríamos um campeonato bem embolado. Williams, Force India e Red Bull conseguiram mostrar bons desempenhos durante os testes, mostrando que seus novos carros são um passo à frente dos modelos utilizados em 2015. A Williams pareceu não mostrar muito a que veio na primeira sessão de testes, mas resolveu mostrar serviço na segunda sessão coletiva, com Valtteri Bottas a conseguir tempos expressivos, assim como Felipe Massa. Mas a dupla de pilotos de Frank Williams é a primeira a admitir que Ferrari e Mercedes estão em outro nível, e que alcançar mesmo a Ferrari pode ser uma tarefa complicada. E, antes fosse somente esse o problema: a Red Bull apresentou um carro que demonstrou ser um excelente chassi, pelo comportamento do monoposto observado nas curvas da pista de Barcelona. Não fosse o motor Renault, agora com preparação da Ilmor, rebatizado de TAG-Heuer, ainda ser uma incógnita sobre seu incremento de performance do ano passado para cá, e o time das bebidas energéticas poderia ser o favorito a ficar como 3ª força da competição. Mas se o motor continuar apresentando um déficit de potência pronunciado como foi no ano passado, as chances nas pistas velozes não serão das melhores. Um ponto positivo é que o propulsor francês parece ter adquirido mais fiabilidade, e isso já ajudou na pré-temporada, permitindo que a escuderia fizesse com louvor seu cronograma de testes. Mas talvez o time a apresentar o melhor ganho de performance seja a Force India. O novo carro mostrou velocidade e se a escuderia de Vijay Mallya foi apenas a 7ª em distância percorrida, seus pilotos demonstraram satisfação com os resultados das simulações de corrida, dando a entender que o novo VJM-09 é bem mais competitivo que o modelo 2015. Um dado interessante a ser levantado sobre os carros destes três times é que suas bases são distintas: o chassi RB12 é uma evolução do modelo RB11 de 2015, e o grupo coordenado por Rob Marshall, com consultoria de Adrian Newey, está bem mais experiente e calejado, e neste ponto, conseguiram claramente evoluir o projeto, que nasceu falho no início da temporada passada, mas cresceu significativamente na parte final da temporada, com o intenso trabalho de desenvolvimento. Já o que modelo VJM-09 da Force India é também uma evolução do modelo do ano passado, que só estreou efetivamente a meio da temporada, e fez a escuderia dar um bom salto de performance em relação ao modelo usado até então, que possuía outro tipo de base. Pelo seu lado, o carro da Williams ainda parece calcado na boa base lançada em 2014, que fez o time renascer, o que pode sugerir que sua linha de desenvolvimento, apesar de ainda ser efetiva, estar perto do limite de potencial do projeto. No ano passado, a escuderia claramente estagnou na parte final da temporada, dando margem aos rivais para superá-la em várias pistas onde isso não deveria ser possível, ou pelo menos, fácil como foi feito. Sugerindo uma linha de desenvolvimento mais conservadora, espera-se que pelo menos o novo FW38 tenha tido corrigida a falta de downforce que penalizava o modelo nas pistas de baixa velocidade e mais travadas, onde o chassi FW37 perdia claramente para vários outros carros. A disputa entre os 3 times está aberta, e pode ser bem interessante.
            Logo atrás, Toro Rosso foi o time que mais andou na pré-temporada, depois da campeã Mercedes, o equivalente a 16 GPs, um dado importante sobre a fiabilidade do novo modelo STR11, que terá a unidade de força da Ferrari do ano passado, que segundo alguns, já lhes dará uma vantagem significativa em relação à antiga unidade da Renault. Em voltas lançadas, a dupla Max Verstappen e Carlos Sainz Jr. conseguiu tempos melhores do que a da Red Bull, mas como seus recursos em relação ao time matriz são mais escassos, a escuderia de Faenza terá de aproveitar o início da temporada para conseguir seus melhores resultados, antes que os rivais possam colocar-se à frente, e as ambições da escuderia são pelo menos se intrometer na luta que deverá ser travada entre Williams, Red Bull e Force India. No ano passado, a Toro Rosso chegou perto de terminar o campeonato na 6ª posição, e tem tudo para obter sua melhor classificação de construtores em 2016, a se confirmar o seu bom potencial. Se ficar atrás apenas dos times já citados, repetirá sua posição de 2008, quando foi 6ª colocada, com direito a pole e vitória de Sebastian Vettel no GP da Itália.
            Sobre a McLaren, foi bom ver a escuderia andando de forma decente novamente, cumprindo um grande cronograma de voltas, e experimentando suas soluções para desenvolvimento do novo MP4/31, que deixaram a dupla de pilotos e a direção do time esperançosos de dias melhores. Pior do que 2015 não poderia ficar, realmente, mas ainda há muito a se fazer até o time de Woking voltar a figurar entre os favoritos. A nova unidade de potência da Honda ganhou significativa fiabilidade, uma característica muito importante para se trabalhar a contento, pois no ano passado ou o conjunto quebrava com irritante frequência ou apresentava enguiços sistemáticos que não se permitia desenvolver um trabalho consistente de desenvolvimento. Por outro lado, o incremento de potência, mesmo tendo sido bom, ainda não permite tirar toda a desvantagem para as unidades mais potentes da Mercedes e Ferrari. Mas a escuderia está trabalhando duro para se reerguer, e chegará ao Albert Park com um novo conjunto aerodinâmico que não conseguiu testar em Barcelona, mas que deve ajudar a evoluir sua performance. A McLaren deve ficar no meio do grid, mas é incerto dizer qual o verdadeiro potencial do time. Mas todos esperam que o pior tenha ficado para trás, em 2015. Agora a ordem é avançar para a frente.
McLaren apresentou melhora significativa, mas ainda vai precisar ralar muito para voltar às primeiras posições. Honda ainda é cobrada para oferecer mais potência no propulsor, que pelo menos parou de quebrar ou enguiçar a todo instante.
            Com relação a quem vai ocupar as últimas posições, a pergunta parece difícil. Sauber, Manor, Renault, e a novata Hass tem tudo para fazer uma boa batalha de fim de grid, mas nada garante que estes times não possam surpreender e largar mais à frente. Mas cada time tem seu próprio trunfos e percalços. A Hass, que já nasce bem estruturada, após um ano inteiro de preparação para estrear na competição, mantém os pés no chão, e sabe que seu primeiro ano será bem complicado: o time teve a menor quilometragem de testes da pré-temporada, e o carro apresentou vários problemas em alguns dias, o que é absolutamente normal para um time novato. Os tempos de volta não foram lá muito empolgantes, mas o importante é que o time possui uma estrutura e pessoal competente para desenvolver o equipamento, e uma dupla de pilotos que deve pelo menos não comprometer na pista. A Manor, ex-Marussia, é o time que mais evoluiu seus tempos em comparação a 2015, mas como a escuderia correu o ano passado com um chassi 2014, a supreendente evolução de cerca de 6s em relação aos tempos de 2015 deve ser relativizada. Contado com apoio técnico e a unidade de potência da Mercedes, a Manor não vai deixar de ser um time pequeno, mas deve começar a apresentar uma performance mais condizente com um time de F-1, e deixar de ser o pesadelo das ultrapassagens sobre retardatários visto até o ano passado. Enquanto isso, a Sauber, mais uma vez, inicia o ano com o caixa financeiro pendurado. O novo modelo C35 parece ter nascido bem, mas o time só treinou com o novo carro durante 4 dias. Mesmo assim, conseguiu acumular uma quilometragem considerável, o que é extremamente positivo diante das dificuldades econômicas que afligem a escuderia suíça, que revelou esta semana estar com vários salários atrasados, e teve até sua presença em Melbourne questionada diante destes problemas financeiros, o que certamente será um grande revés para manter o desenvolvimento do carro durante o ano, que deverá perder competitividade frente a rivais com mais folga orçamentária. A missão de Marcus Ericsson e Felipe Nars é a mais clara possível: aproveitar toda e qualquer oportunidade que surgir para pontuar, antes que fiquem para trás em relação aos demais times.
            A relação de times se fecha com a Renault, que recomprou seu antigo time, que nos últimos anos correu com o nome Lotus. Como a escuderia foi reassumida apenas em dezembro, todo o projeto de desenvolvimento do novo carro acabou prejudicado. Foi feito um enorme esforço para recuperar o terreno perdido, mas mesmo assim, resultados de monta só deverão surgir mesmo em 2017. A própria Renault já admite que a temporada de 2016 será de transição, e com muita luta para superar as adversidades, tanto na área do chassi quando da unidade de potência, que precisa evoluir em potência, tendo ganho muito mais fiabilidade em relação a 2015. Será interessante ver o esforço dos franceses para se recuperar na competição ao longo do ano. Apesar dos trancos e barrancos, o modelo R16 parece demonstrar algum potencial para evoluir bem durante o ano, e com os recursos de que a Renault dispõe, eles não vão economizar para chegar mais à frente. O quanto conseguirão é que fica na dúvida.
            Aguardemos, portanto, os primeiros treinos livres em Melbourne, para vermos efetivamente quem é quem na temporada 2016 da F-1. E preparemo-nos para voltar a acelerar com tudo...


A Formula-E chegou ao México para a disputa de sua nova etapa, e a primeira em um autódromo de verdade. A corrida mexicana será disputada no trecho oval do circuito Hermanos Rodriguez, na Cidade do México. Com algumas chicanes e curvas, incluída a Peraltada e o trecho dentro do estádio de baseball, o traçado tem 2,09 Km de extensão, e a corrida será disputada em 43 voltas, às 16 horas locais. O canal pago Fox Sports 2 transmite a prova ao vivo a partir das 18:45 Hrs. Sébastien Buemi lidera o campeonato, com Lucas Di Grassi em seus calcanhares, na 2ª colocação. O piloto suíço é o favorito para vencer, mas a categoria tem sido pródiga em aprontar algumas surpresas. Vejamos o que a etapa mexicana irá nos mostrar. A garantia de público é alta, e o circuito deverá estar bem cheio para acompanhar disputa da categoria dos carros monopostos elétricos, que prometem ser o futuro da industria automobilística, o que numa cidade como a capital mexicana, que já foi considerada a cidade mais poluída do mundo, ter grande interesse no desenvolvimento deste tipo de tecnologia.
Traçado que será utilizado pela F-E na prova da Cidade do México neste sábado.

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