Após
ter problemas para acessar e subir os textos durante os últimos 10 dias, eis
que nesta semana os problemas foram sanados e serão colocadas todas as postagens pendentes que ficaram sem
ser publicadas on-line nos últimos dias. Todos os textos estarão no formato
original dos dias em que foram escritos, sem atualizações de acontecimentos
posteriores a respeito dos assuntos dissertados, nos casos das colunas semanais
dos dias 17 e 24 deste mês. E voltemos ao serviço a plena velocidade...
segunda-feira, 27 de maio de 2013
COLOCANDO AS POSTAGENS EM DIA...
quarta-feira, 15 de maio de 2013
ARQUIVO PISTA & BOX – JUNHO DE 1996 – 21.06.1996
Em
mais uma edição da sessão Arquivo, eis aqui a coluna lançada em 21 de junho de 1996,
escrita após o Grande Prêmio do Canadá de Fórmula 1 daquele ano. Depois de duas
provas sem resultados, Damon Hill voltava a vencer, e a reafirmar sua condição
de favorito ao título, ainda mais que Jacques Villeneuve, seu companheiro de
equipe, acabou sucumbindo na prova de seu país. Mas ainda era a primeira metade
do campeonato, e muita água ainda iria rolar pela frente até a derradeira
etapa, no Japão. Acompanham o texto várias anotações de outros acontecimentos
no mundo do automobilismo naqueles dias. Uma boa leitura a todos, e semana que
vem tem mais...
HILL NO PÁREO
Depois
de duas corridas sem pontuar no campeonato, houve quem dissesse que Damon Hill
poderia desmoronar novamente e sucumbir aos adversários na luta pelo título de
1996. A vitória de Michael Schumacher em Barcelona, aliada aos erros que
levaram o inglês a rodar e abandonar por culpa própria aquele GP deram a forte
impressão de que o piloto alemão e a Ferrari poderiam inverter a situação de
favoritismo da equipe de Frank Williams daqui para frente. Após o GP do Canadá,
entretanto, muitos, a contragosto, tiveram que cair na realidade e constatar
que, em Barcelona, foi apenas um deslize, assim como em Mônaco. Hill tratou
de colocar as coisas em ordem em Montreal, e o fez de maneira perfeita. Era sua
obrigação, é verdade, mas a pressão que vários fatores começaram a lhe impor
poderia ter feito o inglês desabar psicologicamente.
Depois
do sucesso retumbante de Barcelona, a Ferrari viveu um verdadeiro desaire em Montreal. Michael
Schumacher deu esperanças na classificação, disputando as
primeiras posições com Hill e Jacques Villeneuve. O piloto alemão estava
disposto a mostrar que a Ferrari é uma ameaça real para a Williams, enquanto o
piloto canadense, correndo em casa pela primeira vez na F-1, queria a pole a
qualquer custo. Damon Hill, em suas primeiras tentativas, parecia não estar
pronto para o duelo com Jacques e Michael, mas na hora certa, o inglês partiu
para o ataque decisivo e derrotou ambos, conquistando a pole-position. Eddie
Irvinne também vinha bem no grid, o que só aumentava o otimisto da escuderia de
Maranello.
A
desgraça ferrarista começou na volta de apresentação, quando Schumacher não
conseguiu arrancar e teve de largar em último. Irvinne teve vida ainda mais
curta: ficou logo na primeira volta da corrida, enquanto Schumacher partia para
a recuperação, alcançando o 13º lugar na pista e ficando empacado nele, só
avançando quando alguém quebrava à sua frente. No pit stop, acabou perdendo uma
peça da suspensão e teve de dar adeus à corrida. Pra piorar, viu seu rival,
Hill, comandar a prova a seu bel prazer e vencer sem problemas. Quando
Schumacher esperava desferir um golpe mortal em seu adversário no GP canadense,
o tiro saiu pela culatra. E não foi só isso: ambos os carros da Ferrari ficaram
pelo caminho, enquanto a Williams fez a dobradinha e distanciou-se ainda mais
no campeonato de cosntrutores.
Benetton
e Jordan mostraram-se competitivos em Montreal, mas não deu para ver todo o seu
potencial: Gerhard Berger, nitidamente mais rápido que Jean Alesi, acabou
rodando na perseguição a seu companheiro de equipe, terminando de forma
negativa mais um GP. Para a Jordan foi pior: Rubens Barrichello, em mais uma
excelente corrida, com perspectivas de lutar pelo pódio, ficou novamente a pé,
sem embreagem. Martin Brundle, que também vinha andando muito bem e estava à
frente do brasileiro, acabou fazendo das suas e perdeu as chances de um bom
resultado quando ficou sem o bico do carro e precisou trocá-lo. Sorte da
McLaren, que sem conseguir discutir o andamento de seus carros com a Benetton e
a Jordan, somou mais 5 pontos e aproximou-se da equipe de Berger e Alesi. Esta,
por sua vez, está chegando perto da Ferrari no mundial de construtores.
O
público canadense lotou o circuito, sendo estimado em mais de 100 mil pessoas.
O novo ídolo local, Jacques Villeneuve, deu motivo para a torcida comemorar,
chegando a liderar a corrida. Damon Hill, entretanto, estava disposto a
recuperar o respeito e acabar com as críticas que vinham lhe sendo dirigidas
depois de Barcelona e estragou a festa dos canadenses. Na largada, não deu
chances a Villeneuve e disparou na frente, abrindo larga vantagem e
administrando a corrida a partir daí. O inglês também derrotou seu companheiro
de equipe na estratégia, parando duas vezes, enquanto Villeneuve parou apenas
uma vez. Andando muito forte e atento a seu colega de equipe, Damon comandou a
corrida até o final, vencendo a prova e recuperando o favoritismo na corrida ao
título.
Agora,
a F-1 volta em definitivo para a Europa. A única exceção será a etapa de
encerramento do campeonato, em Suzuka, no Japão. A próxima parada será na
França, em Magny-Cours, uma pista veloz, similar à canadense, mas muito mais
travada. Depois virão as pistas de altíssima velocidade. A F-1 encerrou a primeira
metade do mundial de 96 e agora parte para sua segunda e decisiva fase. Com o
respeito e moral resgatados, Damon Hill está de novo no páreo. Que venha a
concorrência...
Michael Schumacher declarou em 95 que o piloto que mais admirava na F-1
era Pedro Paulo Diniz, dizendo-se impressionado pelo fato do piloto brasileiro
manter a motivação em alta, mesmo guiando um carro desastroso como a Forti
Corse. Gostaria de saber como Schumacher encarou a motivação de Diniz no
Canadá, quando o brasileiro, agora piloto da Ligier, o infernizou durante
várias voltas da corrida, disputando o 13º lugar, em posse do piloto da
Ferrari. Irritado com os acontecimentos do fim de semana, não dá para saber o
que o bicampeão do mundo achou de ser pressionado por alguém que, no ano
passado, só via na hora de colocar voltas em cima...
A Ligier mostrou uma curiosa forma de trabalho de equipe: tanto Olivier
Panis quando Pedro Paulo Diniz abandonaram a corrida de F-1 canadense na mesma
volta e com o mesmo problema: estouro do motor Honda. Depois do sucesso em
Mônaco e Barcelona, dispensa-se tal tipo de companheirismo...
Quem estava com saudades das trapalhadas de Ukyo Katayama na pista pôde
se satisfazer em Montreal, quando o piloto japonês aprontou das suas novamente.
Desta vez, a vítima foi Ricardo Rosset: ambos colidiram na altura da 7ª volta
da corrida...
Rosset, aliás, está perdendo a paciência com a Arrows. O piloto
brasileiro alega que está sendo discriminado na equipe, que só dá condições
mínimas de competição a Jos Verstappen. Um exemplo foi o fato de que a equipe
já está fazendo contatos com a Bridgestone para utilizar os pneus japoneses em
sua futura investida na F-1, mas só Verstappen está participando dos testes...
A F-Indy volta a reunir-se neste fim de semana, quando disputa as 200
Milhas de Portland, no circuito do Portland International Raceway. É o primeiro
circuito misto em autódromo da temporada. Todas as demais provas em mistos até
aqui vinham sendo disputadas em circuitos de rua. Os brasileiros prometem voltar
à carga no campeonato...
Semana passada, as equipes da F-Indy realizaram testes no circuito de
Mid-Ohio. Scott Pruett, da Patrick Racing, dominou os testes, enquanto os
demais tinham alguns probleminhas para resolverem, incluindo-se aí os pilotos
brasileiros. No cômputo geral, todos saíram otimistas do circuito e confiando
em um melhor desempenho no campeonato.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
DE VOLTA À PISTA NA EUROPA
![]() |
| Barcelona é a primeira pista europeia do campeonato. |
Hoje
os times da Fórmula 1 entram novamente na pista, após praticamente 3 semanas
depois da primeira fase do campeonato, com as 4 primeiras corridas disputadas
no Oriente. E o primeiro palco da fase européia do campeonato, de longe a minha
parte favorita do ano, é em Barcelona, circuito conhecido de cima a baixo e de
todos os ângulos por todos os times. E, conhecendo a fundo esta pista, as
escuderias prepararam um extenso pacote de mudanças nos carros para melhorar o
desempenho, depois de modificações apenas pontuais nas provas iniciais.
Gosto
muito das corridas na Europa, pois é aqui que se respira a verdadeira essência
dos Grandes Prêmios, onde se vê o público que realmente ama e curte a
categoria. Quase nenhuma corrida fora do Velho Continente permite sentir este
clima. Entre as pistas extra-Europa que mais curto estão Montreal, Melbourne,
Suzuka, e claro, Interlagos. Das pistas européias, só não curto muito
Hungaroring. E desnecessário dizer que depois de ter sido “destroçado”,
Hockenhein não é nem sombra do que já foi um dia, com suas longas e belas retas
no meio da Floresta Negra.
Em
Barcelona, por conhecerem muito bem a pista, este circuito é o palco perfeito
para se introduzir modificações de vulto nos carros. Com todos os dados do
circuito e do carro obtidos aqui na última sessão de testes ainda na
pré-temporada, as escuderias já tem uma base considerável de conhecimento para
comparar os desempenhos daqueles dias com o que poderão obter a partir de hoje
na pista. Há variáveis importantes a serem levadas na comparação, como a
temperatura, muito maior hoje do que em fevereiro, quando o frio impediu que os
times tivessem condições de experimentar tudo o que desejavam. Mas isso não vai
impedir as equipes de experimentarem muitas inovações.
E
hoje mesmo, ao fim do dia, todos os dados obtidos já terão sido transmitidos
pelos times às suas matrizes, na Itália e Inglaterra, com o fim de produzirem
novos aperfeiçoamentos que poderão ser introduzidos daqui a duas semanas, quando
todo mundo estará em Monte Carlo, ou no mais tardar em Montreal, pista mais
apropriada para se testar modificações importantes, uma vez que Mônaco é um
caso mais particular, por ser uma pista de rua, e onde ser ousado demais pode
ser arriscado, com os muros muito próximos prontos a receber pilotos mais
afoitos ou com algum problema que surja no carro que os faça atingir as muretas
e cause um prejuízo adicional ao fim de semana. Isso é feito em todas as
corridas, mas como estamos na Europa, onde os times estão próximos de suas
bases, a celeridade para destrinchar os dados e convertê-los em evoluções é
ainda mais premente, para que possam ser verificadas e implementadas já na
próxima etapa. E este ano, ainda temos os times correndo em duas direções ao
mesmo tempo.
Como
regulamento técnico de 2014 muda com a adoção dos novos motores turbo, alguns
times já estão centrando boa parte de seus esforços no desenvolvimento dos
carros da próxima temporada. Mas, ao mesmo tempo, precisam manter o foco em
desenvolver os carros atuais, a fim de garantir um bom campeonato. Quem já
começou o ano com um carro competitivo pode se dar ao luxo de visar mais o
modelo 2014, sem descuidar, claro, do carro 2013.
Por
outro lado, quem começou o ano ruim pode literalmente dar o ano como perdido e
já se focar no carro do ano que vem. Cedo demais? Sim, mas cada time tem seu
modo de pensar, e um carro que nasceu ruim vai demandar mais recursos para se
tornar competitivo, e o resultado não será tão proveitoso, pois a base técnica
irá mudar no próximo campeonato. É uma equação por vezes complicada, e nem
sempre dá para dizer qual é a melhor estratégia de ação.
Dentre
os times grandes, a McLaren, por exemplo, é quem começou o ano pior. Mas nem
por isso deixou de vir para a Catalunha com muitas mudanças a serem
experimentadas nos carros. A ordem é salvar parte do ano, mesmo que o título já
esteja totalmente fora de cogitação. E quem está disputando o título a fundo
até o momento, como Red Bull, Lótus e Ferrari, vai também dar tudo o que pode nas
atualizações a fim de não perder terreno.
E
no meio desta briga toda, ainda temos os pneus da Pirelli, que estão realmente
dando o que falar, mais uma vez. A fim de melhorar as atividades do fim de
semana, foi feito um acordo onde a partir de hoje, em todas as sextas-feiras,
todos os times terão um jogo extra de pneus por carro, geralmente os mais duros
disponíveis em cada GP, a fim de que as escuderias possam rodar mais tempo sem
se preocupar com a economia de compostos para o fim de semana. Como os compostos
mais macios estavam apresentando até um desgaste maior do que o esperado, ficou
muito incômodo ver os times tentando economizar borracha a qualquer custo,
mesmo sacrificando trabalho na pista. Um jogo extra não é muita coisa, preferia
que fossem pelo menos mais uns 3 jogos, mas já é um início de se tentar agitar
um pouco mais as coisas.
A
mudança só não foi melhor porque parte da proposta original, que visava que
este jogo extra fosse usado apenas pelos pilotos de teste em um dos treinos,
como forma de dar-lhes quilometragem e permitir-lhes exercer de fato a função
de “pilotos de testes”, acabou vetada por não ter conseguido aprovação de todos
os times. Mas, já que é assim, vamos em frente, por ora... Os pneus da fábrica
italiana ainda devem dar uma bela dor de cabeça para os engenheiros, e com
isso, a imprevisibilidade de como os carros vão se comportar com os pneus de
pista a pista está garantida por algum tempo. E em cada pista parece ter um
carro que se adapta melhor ao circuito, enquanto em outros, é outra escuderia
que vai melhor. Mas, a rigor, não vemos nenhum carro com perfil “dominador”,
embora a Red Bull, com duas vitórias no ano, queira quebrar um pouco essa
esperança.
No
ano passado, vimos aqui em Barcelona a grande surpresa do ano, quando Pastor
Maldonado fez a pole-position, depois de Lewis Hamilton ser penalizado por não
ter retornado aos boxes com seu carro, por causa do pouco combustível; e contra
todas as previsões, praticamente venceu a corrida espanhola de ponta a ponta,
surpreendendo a todos, ainda mais por ter chegado à frente de Fernando Alonso,
que duelou com o venezuelano a prova inteira sem conseguir superar o piloto da
Williams. Foi uma surpresa maior até do que a vitória da Mercedes na China,
pois o carro alemão já vinha mostrando potencial, que depois foi minguando
conforme a temporada avançava. Já a Williams mostrava ter feito um bom carro,
mas nada que sugerisse que pudesse disputar pódios, e muito menos vencer. E de
fato, no restante da temporada, o time nunca mais mostrou o mesmo brilho, e
Maldonado chegou a passar quase todo o resto do ano em branco, se metendo em
várias confusões na pista. Este ano, com a performance pífia da Williams, não
se vê esperança nenhuma de o time conseguir surpreender novamente.
O
que não quer dizer que não podemos ter algo inesperado. Quem sabe a Force
Índia, que vem demonstrando boa performance desde Melbourne, não consiga
desencantar? E mesmo a McLaren, que luta para melhorar, pode de um momento para
outro voltar a andar na frente. Ou a Mercedes, que já mostrou ter um carro
melhor em 2013, pode também conseguir sua primeira vitória do ano? Podemos ter
esperanças de vermos resultados inesperados, e a previsão de tempo deve ajudar
a deixar a situação mais enrolada para pilotos e equipes: a previsão aponta
chuva para hoje e até amanhã, o que deve deixar as escuderias com poucos dados novos
de acerto para a corrida.
Apesar
do bom clima do retorno da F-1 à Europa, devo dizer que o clima no paddock não
é totalmente otimista porque a economia espanhola está firmemente atolada na
crise que assola o continente nos últimos anos, e com um desemprego recorde,
com boa parte da população atolada em dívidas, e muita gente perdendo até suas
casas e todas as esperanças. Mesmo que Fernando Alonso vença a corrida de forma
arrasadora, isso pouco afetará a vida sofrida de muitos espanhóis, que
continuarão seu drama diário. E, vendo a opulência e luxo das equipes, que aqui
montam seus esplendorosos motorhomes (certo, eles estão mais comedidos do que
há alguns anos atrás, quando eram ainda maiores e mais luxuosos), ainda é uma
ostentação de riqueza que pode causar constrangimentos e revolta em quem está
com a vida economicamente arruinada ou em crise profunda.
A
F-1 precisa ter mais sensibilidade nestes momentos...
quarta-feira, 8 de maio de 2013
ARQUIVO PISTA & BOX – JUNHO DE 1996 – 14.06.1996
Voltando
com a seção, Arquivo, esta coluna foi lançada em 14 de junho de 1996, e falava
da etapa canadense da Fórmula 1, um pouco do fervor que os fãs daquele país nutriam
– e ainda nutrem, pela maior categoria automobilística do planeta. E naquele
ano, o fervor estava renovado pela presença de Jacques Villeneuve na pista,
pilotando a Williams, o filho do lendário Gilles Villeneuve, que havia incutido
o gosto pela F-1 no coração dos canadenses. Fiquem agora com o texto, e boa
leitura. Em breve, mais textos antigos por aqui...
PARADA NO CANADÁ
A
Fórmula 1 desembarca neste fim de semana pela segunda no ano em terras
americanas. Depois das etapas do Brasil e da Argentina no início do ano, é a
vez do Canadá receber a maior categoria automobilística do planeta.
Diferente
dos Estados Unidos, onde não é muito conhecida, a F-1 no Canadá é muito popular
e famosa. O motivo não é outro senão Gilles Villeneuve, que virou um mito da
velocidade por suas façanhas na pista guiando a Ferrari. Por coincidência, sua
primeira vitória na categoria foi justamente aqui neste circuito de Montreal,
montado na Ilha de Notre Dame, situada no meio do Rio São Lourenço. Foi em
1978, e na época, a Ferrari vivia uma de suas melhores fases: Niki Lauda era o
campeão mundial e a escuderia estava em grande momento, apesar de, naquela
temporada, ter perdido o campeonato para a Lótus, que massacrou a oposição com
seus carros-asa.
Três
anos depois, Gilles disputaria aqui seu último GP de F-1 em sua terra natal.
Debaixo de uma chuva torrencial, o piloto canadense deu um show, guiando até
com o bico do carro quebrado, para delírio de seus fãs, que mesmo com a chuva,
lotaram o circuito. Villeneuve não venceu, ficando apenas em 3º lugar, atrás de
John Watson, da McLaren/Ford; e de Jacques Laffite, da Ligier/Matra. No ano
seguinte, em 1982, aquele que foi o maior ídolo esportivo canadense morreu
durante os treinos para o GP da Bélgica, em Zolder. Apenas 2
etapas depois, a F-1 chegou ao Canadá, e o clima já era bem diferente dos GPs
anteriores. A vitória da corrida ficou com Nélson Piquet.
Mas
a paixão do canadense pela velocidade não esmoreceu muito. Todo GP disputado no
Canadá sempre foi muito bem-vindo. Na falta de seu ídolo, a paixão do torcedor
de Gilles passou para sua escuderia, a Ferrari, especialmente a de número 27,
com a qual ele corrida. E uma prova dessa paixão pôde ser sentida em 95, quando
Jean Alesi, com a Ferrari, venceu o GP do Canadá. O público invadiu a pista em
comemoração, uma cena só vista nas provas da Itália quando a Ferrari consegue
um bom resultado.
Hoje,
15 anos depois, o nome Villeneuve está de volta a uma prova de F-1 no Canadá. O
circuito Gilles Villneuve receberá seu traçado o filho daquele que lhe deu
nome, Jacques Villeneuve. E nem precisa adivinhar qual vai ser a reação do
público: já não há mais ingressos disponíveis há meses, e a perspectiva para a
corrida é de lotação total no circuito. Há quem aposte que a paixão do torcedor
vai ficar dividida, pois a Ferrari vem com Michael Schumacher, atual bicampeão
do mundo, enquanto Villeneuve, que chamará a atenção da torcida, estará na
Williams, equipe que, à época de Gilles Villeneuve, era a maior rival da
Ferrari, junto com a Lótus. A Lótus se foi, mas a rivalidade entre Ferrari e
Williams está bem viva nesta temporada.
Jacques,
entretanto, não faz promessas: apesar de já ter corrido aqui antes, andar de
F-1 é uma coisa bem diferente, e não se pode esperar um desempenho espetacular.
Segundo ele, o favoritismo da equipe está depositado em Damon Hill, que conhece
o traçado e sempre andou bem na corrida. Será que isso é verdade? Até hoje
nunca vi um piloto que, tendo um mínimo de chance, não partisse para tentar a
vitória no GP de seu país. Os torcedores que se preparem, pois o jovem
canadense não deve ficar parado. Podem apostar nisso...
Uma das atividades mais divertidas da F-1 em sua visita ao Canadá é a
tradicional corrida de barcos. Todas as equipes vão para a raia olímpica ao
lado do circuito e partem para a água, disputando uma corrida com embarcações
montadas com o que estiver à mão nos boxes: pedaços de carros, tambores vazios,
pneus usados, etc. Nem sei como alguns barcos flutuam e não é raro alguma
equipe “naufragar” durante o percurso. Não há muitas regras, e vez por outra,
alguns utlizam-se de truques sujos na disputa, mas nada fora da esportividade.
Todo mundo participa. É uma daquelas raras oportunidades onde o pessoal esquece
a tensão e a rivalidade do dia-a-dia, disputando uma espécie de gincana
colegial. Desde que estreou na F-1, a Jordan tem sido a favorita neste tipo de
“corrida”; pena que isso não se estenda também à corrida de F-1...
Mudança radical na Forti Corse: depois de perder a sociedade com Carlo
Gancia, agora o outro sócio, Guido Forti, passou a ser proprietário
minoritário. O grupo Shannon, que atua no ramo financeiro, assumiu a direção da
equipe. A primeira mudança foi visual: saiu o amarelo e o azul e entraram o
verde e branco, as cores da Irlanda, onde o grupo tem sua sede.
Quem também vai fazer mudanças é a equipe Newmann-Hass na F-Indy: a
partir de 1997, o time passará a usar chassis fabricados pela Swift, e será a
equipe oficial da fábrica. A primeira condição do contrato já foi aceita: Hiro
Matsushita não será piloto do time. O detalhe: Hiro é dono da Swift. Carl Hass,
um dos proprietários da escuderia, está deixando de ser representante oficial
da Lola nos EUA, marca de chassi que o time utiliza há vários anos.
A Lola, por sua vez, já definiu seus planos operacionais para 97, e com
a perda da Newmann-Hass, a nova equipe oficial da fábrica passará a ser a
Tasman, onde corre o brasileiro André Ribeiro. Com isso, a Tasman passará a
contar em primeira mão com todos os melhoramentos que a Lola conseguir
desenvolver em seus chassis, vantagem essa que atualmente pertence à equipe de
Paul Newmann e Carl Hass. As novas melhorias só são passadas aos demais times
clientes da fábrica de chassis algumas corridas depois...
Com o advento dos circuitos mistos no campeonato da F-Indy, as equipes
abastecidas pela Firestone passaram a ter pavor de chuva, depois do pífio
desempenho de seus carros durante as voltas em pista molhada no GP de Detroit.
Todos os pilotos com pneus japoneses iam ficando para trás com facilidade,
enquanto os pilotos com pneus da Goodyear simplesmente chegavam e passavam,
indo embora. Depois disso, houve o comentário de que as equipes Goodyear
estavam incluindo em suas agendas para os GPs uma hora reservada para seus
integrantes fazerem a dança da chuva...
Se Christian Fittipaldi acabou perdendo as chances de vitória n GP de
Detroit de F-Indy, na prova da Indy Lights, categoria de acesso à Indy, Tony
Kanaan não deu chances aos adversários, vencendo a corrida de forma magistral.
Os demais brasileiros na competição, infelizmente, ficaram pelo caminho...
O retrospecto recente do GP do Canadá de F-1 é bem competitivo: desde
1989, 4 escuderias venceram a prova canadense. A McLaren venceu em 90 e 92; a
Williams chegou na frente em 89 e 93; a Benetton ganhou em 91 e 94; e a Ferrari
abocanhou a vitória em 95. Todas as provas foram vencidas por pilotos
diferentes: Thierry Boutsen (89), Ayrton Senna (90), Nélson Piquet (91),
Gerhard Berger (92), Alain Prost (93), Michael Schumacher (94), e Jean Alesi
(95).
sexta-feira, 3 de maio de 2013
ACELERANDO NO ANHEMBI
![]() |
| Os carros da IRL vão acelerar novamente em São Paulo. |
Começam
hoje as atividades de pista no circuito urbano do Sambódromo, junto ao Parque
de Exposições do Anhembi, em São Paulo, capital, para a disputa da etapa
brasileira da Indy Racing League, a São Paulo Indy 300, que terá largada às
12:30 horas deste domingo. Mas os carros da categoria só entram na pista
amanhã. Hoje, de tarde, haverá apenas treinos das corridas que também irão ser
disputadas neste fim de semana na pista, o Campeonato Brasileiro de GT, e o
Mercedes-Benz Grand Challenge.
Neste
sábado, os pilotos da IRL entram na pista logo de manhã, com o primeiro treino
livre marcado para as 8:30 às 9:00 horas. Em seguida tem a segunda parte da
sessão, com outro grupo de pilotos, no horário das 9:00/9:45. A sessão seguinte
de treinos da categoria começará às 12:05, com término às 13:05 horas, e a
classificação terá início às 14:35 horas, finalizando às 15:45 hrs. No resto do
tempo, mais sessões de treinos das outras categorias, e também suas respectivas
classificações. A prova de GT será amanhã, às 16 horas.
Já
no domingo, de novo as atividades começam logo cedo. O pessoal da IRL entra na
pista às 8:00/8:30 horas para o warm up, treino de aquecimento para a corrida.
Logo após, terá lugar a prova da Mercedes Grand Challenge, às 8:45 hrs.,
seguida da segunda corrida da GT. Ao meio-dia, os pilotos da Indy farão o
tradicional desfile para o público presente, e então entrarão nos carros para
disputar a corrida. É a 4ª edição da prova, e a pista brasileira tem o maior
retão do calendário, utilizando uma das pistas da Marginal Tietê, e uma curva
fechada que dá acesso ao Sambódromo, onde temos a reta chegada, e o “S” do
Samba, tradicionalmente lugar de confusões e acidentes da corrida, que desde a
primeira corrida, já viu inúmeros pilotos se estranharem por ali, e darem adeus
à corrida. Algumas outras curvas tiveram suas zebras ligeiramente rebaixadas,
para permitir que os carros possam contorná-las de forma mais rápida e sem
traumas para o equipamento, uma vez que no ano passado, a altura das zebras
limitava o raio de ação dos pilotos nas mesmas, impedindo traçados mais variáveis
de contorno.
A
expectativa da torcida, é claro, é ver um dos pilotos brasileiros ganhar a
corrida, mas a parada não é fácil, e nos anos anteriores, o melhor resultado
brasileiro foi em 2010, ano de estréia da corrida, com o 3° lugar de Vitor
Meira, que corria pela Foyt Enterprises. Naquele ano, Raphael Mattos também
conseguiu um belo resultado, chegando em 4° lugar. Hélio Castro Neves, nosso
piloto com maior chances de vitória, ficou apenas em 9° lugar, com Tony Kanaan
em 10°. Bia Figueiredo foi a 13ª colocada, e os pilotos Mário Moraes e Mário
Romancini ficaram pelo meio do caminho. A vitória ficou com Will Power, da
Penske, seguido de Ryan Hunter-Reay, da Andretti. Se a torcida ficou
decepcionada, os anos seguintes foram piores em resultados para os pilotos “da
casa”. Em 2011, todos os pilotos brasileiros ficaram pelo meio do caminho,
devido a acidentes, em especial no “S” do Samba, ou terminaram com várias
voltas de desvantagem. A vitória ficou novamente com Will Power, e o pódio foi
completado por Graham Rahal e Ryan Briscoe. A corrida de 2011, aliás, teve o
empecilho de começar no domingo e terminar apenas na segunda-feira. Um forte
temporal que desabou no domingo inundou a pista, e quando ela finalmente deu
condições de retomar a prova, o dia já havia acabado, obrigando o adiamento
para segunda.
No
ano passado, nova decepção para os torcedores com relação aos brasileiros.
Enquanto Will Power vencia pela 3ª vez consecutiva a corrida, e tinha a
companhia no pódio de Ryan Hunter-Reay e Takuma Sato, o melhor brasileiro
acabou sendo Helinho, que terminou em 4° e conseguiu sua melhor finalização em
São Paulo. Rubens Barrichello acabou em 10° lugar, enquanto Tony Kanaan e Bia
Figueiredo ficaram lá para trás novamente. Este ano, todos esperam ter melhor
sorte.
Hélio
Castro Neves chegou a São Paulo na liderança do campeonato, e para sorte da
concorrência, Will Power, vencedor invicto nesta pista desde a primeira
corrida, não vem tendo um início de campeonato dos melhores. Vice-campeão nos
últimos 3 anos, e que apresentou uma performance demolidora em pistas de rua, o
australiano chegou para a etapa brasileira decidido a mudar sua situação na
tabela de classificação, e é o piloto a ser batido. E Power terá em Helinho um
forte adversário, mas haverá concorrentes poderosos nos demais times. A equipe
de Michael Andretti já venceu duas corridas este ano, com James Hinchcliffe e
Ryan Hunter-Reay, e deve vir forte na corrida. E quem também está querendo
repetir a dose é Takuma Sato, que venceu em Long Beach, e pode novamente ser um
páreo duro na pista paulistana.
E
não se pode esquecer da dupla da Ganassi, Scott Dixon e Dario Franchiti, que
apesar de terem começado o ano cheio de altos e baixos, não podem ser
subestimados na luta pela vitória. Mas os torcedores querem mesmo é saber dos
nossos pilotos, e como já mencionei, as melhores chances, teoricamente, estão
com Helinho, por correr pela Penske, o melhor time da categoria. Mas isso
somente não garante um bom resultado, como se viu nos anos anteriores. A
estratégia de corrida também será importante para garantir um bom resultado: no
ano passado, Rubinho e Tony poderiam ter tido um resultado muito mais
consistente na prova, mas a estratégia de corrida da KV se mostrou totalmente
equivocada, e ambos terminaram muito aquém do que poderiam ter efetivamente
rendido na corrida.
Por
essa razão, Tony Kanaan não pode ser colocado fora do páreo. Se a KV acertar na
estratégia, Tony se garante dentro da pista, como sempre costuma fazer, e já
demonstrou isso na prova inicial deste ano, em São Petesburgo, onde foi o 4°
colocado. Mas não se pode dar chance para o azar, e o temido “S” do Samba,
apesar de ter sido modificado este ano para ajudar a evitar que os pilotos se
enrosquem por ali, ainda é o lugar mais propício para os pilotos se envolverem
em confusões na pista por posição, assim como a curva de acesso à reta do
Sambódromo, onde as fortes freadas após o longo retão da Marginal sempre é
palco de disputas por parte de pilotos que deixam para frear nos últimos
metros, e algumas vezes, até indo parar curva afora, errando a freada e
causando algum enrosco. Tony está confiante para obter um bom resultado, apesar
do acidente sofrido em Long Beach na última volta, em uma disputa com Oriol
Servia que o lançou na barreira de pneus, lesionando a mão direita. O
brasileiro garante que a mão, já bem melhor, não será problema para sua atuação
em São Paulo.
Nossa
última representante, Bia Figueiredo, espera ter melhor sorte aqui. Bia ainda
busca conseguir verba para disputar o restante do campeonato, que na pior das
hipóteses só vai até as 500
Milhas de Indianápolis, prova seguinte do calendário.
Competindo pela fraca equipe Dale Coyne, que tem todos os recursos voltados
para o carro de Justin Wilson, Bia tenta tirar leite de pedra, e em Long Beach
teve o único resultado razoável do ano, quando terminou em 14° lugar. Com mais
conhecimento do carro, ela espera ter um desempenho melhor.
Mas
é preciso torcer também para que a chuva não dê as caras, o que pode embaralhar
a corrida de muita gente, e tornar a disputa uma verdadeira loteria. A drenagem
da pista, apesar de ter sido reforçada, não é garantida se São Pedro resolver
exagerar na dose, como aconteceu em 2011. Felizmente, a previsão não é de chuva
para o fim de semana, o que deve garantir que todas as atividades aconteçam com
pista seca. Há previsão de alguma chuva para domingo, mas as chances de
atrapalhar a prova, em tese, são mínimas. E este, aliás, é o desejo de todas as
equipes e pilotos.
Será
que este ano nossos pilotos desencalham e conseguem vencer a prova? Esperança
não falta, é aguardar que nossos representantes tenham a sorte que faltou nos
anos anteriores para que melhores resultados sejam possíveis. Se conseguirem
ficar longe de qualquer encrenca durante a prova, melhor ainda. A corrida, por
si só, já promete muita disputa, e isso é o melhor de tudo em uma prova de
carros, onde o público quer ver brigas, ultrapassagens, e que vença o melhor.
Que venha a bandeira verde, então...
Apesar do otimismo, Tony Kanaan vai correr as próximas etapas da IRL na
base do sacrifício. A pancada nos pneus em Long Beach causou lesões que devem
demorar a sarar, segundo os médicos. A estimativa é que os ferimentos, apesar
de não serem graves, demorem pelo menos mais de 6 meses para cicatrizar
totalmente. Houve luxação em 3 tendões da mão direta, e isso, segundo Kanaan,
causa desconforto em vários movimentos. Isso pode atrapalhar a performance do
piloto baiano, que ainda diz não saber se conseguirá pilotar direito o carro
como está acostumado. “Vamos ver neste sábado”, declarou. Boa sorte, Tony.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
FLYING LAPS – ABRIL DE 2013
Já
chegamos ao mês de maio, e como de costume em cada início de um novo mês, eis
aqui mais uma edição da Flying Laps, com alguns dos acontecimentos do último mês.
Então, fiquem com as notas, e boa leitura. E, no mês que vem, tem mais notas.
Até lá, com mais uma sessão das Flying Laps...
Na abertura do campeonato de 2013 do Mundial de Endurance, em
Silverstone, na Inglaterra, a Audi mostrou que está viva e forte para defender
o seu título, conquistado no ano passado, na primeira edição do novo campeonato
de provas de longa duração. No fim de 2012, a Toyota, que venceu pela primeira vez na
etapa brasileira da competição, em Interlagos, mostrou que a fabricante alemão
não teria mais vida fácil no certame, vencendo as provas finais da competição,
e prometendo vir com tudo neste ano. Na classificação, os carros japoneses
deram um bom susto na concorrência, dominando a primeira fila do grid e levando
a crer que iriam mesmo dar uma boa briga na categoria LMP1, a principal do WEC.
Mas voltas lançadas são uma coisa, e corridas são outros 500, ainda mais se
tratando de provas de longa duração. E ao fim da corrida, eis que a Audi
conquistou a vitória, e ainda fez dobradinha no pódio. Ao fim das 6 horas de
corrida, o modelo R-18 E-Tron das quatro argolas se mostrou mais consistente
que o modelo TS-030 dos japoneses. Apesar da vitória, a Audi enfrentou alguns
percalços durante a corrida, com seu carro No. 1, pilotado pelo trio André
Lotterer/Marcel Fässler/Benoît Tréluyer apresentou problemas mecânicos que o
fizeram deixar de contar com a força do motor híbrido. Mesmo assim, ainda
garantiu a segunda posição, tendo perdido a liderança apenas no final da prova
para o carro No. 2 da equipe alemã, pilotado pelo grupo Tom Kristensen/Allan
McNish/Loïc Duval, que venceu por uma diferença de menos de 4s. À Toyota coube
o 3º lugar do pódio, pilotado por Anthony Davidson, Sébastien Buemi, e Stéphane
Sarrazin, terminando com 1 volta de desvantagem para o carro vencedor. Na 4ª
posição chegou o segundo carro da Toyota, pilotado pela dupla Alexander
Wurz/Nicolas Lapierre. A próxima etapa do campeonato é na Bélgica, com a
disputa das 6 Horas de Spa-Francorchamps.
Os brasileiros presentes na estréia do campeonato de endurance 2013
fizeram bonito em Silverstone. Contratado para correr nesta etapa pelo time
Delta-ADR, na categoria LMP2, Antonio Pizzonia e seus companheiros venceram em
sua categoria, tendo ficado na 7ª posição geral, com 13 voltas de desvantagem
para a dupla vencedora da Audi na categoria LMP1. O bom resultado animou o
piloto de Manaus e querer experimentar participar de outras etapas do
campeonato, mas até o momento, sua participação ficou mesmo restrita à corrida
na Inglaterra. Por outro lado, com contrato para correr todo o campeonato pela
equipe oficial da Aston Martin, Bruno Senna estreou literalmente com o pé
direito do acelerador na competição, onde ajudou seu time a sair da pista
inglesa também com a vitória de sua classe, a GTE Pro, que no geral terminou na
14ª posição, com 26 voltas a menos do que o trio vencedor da Audi. Já o
brasileiro Fernando Ress, competindo pela equipe Larbre, finalizou a corrida na
21ª posição geral, com menos 31 voltas, e acabou na 3ª colocação da classe GTE
Am. Bruno Senna, relaxado e contente como há muito não se via, mostrou que
acertou em sua transferência para o novo campeonato, deixando a F-1, onde não
tinha opções de boas vagas para correr o mundial. E, se levarmos em conta a
condição da Williams, seu ex-time no ano passado, que neste ano está mostrando
um desempenho totalmente sofrível, posso afirmar que o piloto brasileiro
realmente se livrou de uma tremenda encrenca. O time de Frank Williams parece
ter errado novamente no projeto de seu carro, e em 4 provas disputadas, não
conseguiu 1 único ponto, e muito menos demonstrar performance satisfatória
tanto em treino quanto em corrida.
A temporada atual da Indy Racing League, apesar de todas as medidas
visando manter os custos de competição os mais baixos possíveis, vai ver uma
baixa em seu atual conjunto de equipes inscritas. A escuderia Dreyer &
Reinbold anunciou que deixará a competição após a prova das 500 Milhas de
Indianápolis. O motivo é o mesmo de sempre: falta de patrocínio para seguir
competindo na categoria. Com isso, o piloto espanhol Oriol Sérvia ficará a pé
no campeonato. Ainda há alguma esperança de o time seguir na competição, se
aparecer algum patrocinador até a data da Indy500. Caso o time consiga fechar
algum contrato, pode seguir firme em mais algumas corridas, caso contrário, vai
mesmo sair de cena. Não vai ser o fim da escuderia, que já adiantou que
pretende competir na Indy500 do ano que vem. Não é uma situação inédita na
categoria, já que recentemente, Bobby Rahal, tricampeão da F-Indy original,
precisou deixar seu time fora dos campeonatos de 2009 e 2010, para retornar depois,
com orçamento firme, e retomar a competição. Nestes dois anos, o time de Booby
também ficou restrito a competir apenas em Indianápolis.
E o piloto espanhol Marc Márquez, que já chegou mostrando as garras no
campeonato da MotoGP, com apenas 20 anos, tornou-se o mais jovem piloto a
vencer uma corrida na principal categoria do motociclismo mundial. Já em sua
segunda corrida na categoria, o jovem piloto garantiu a pole para o GP das
Américas, na pista texana de Austin, Estados Unidos, superando seu companheiro
de equipe, o veterano Dani Pedrosa. E, largando na frente, Márquez praticamente
ignorou todos os outros rivais, tendo como único adversário Pedrosa, que largou
melhor e assumiu a ponta, mas a perdeu após 12 voltas para o novato companheiro
de equipe, que se manteve firme na frente, e venceu a corrida com pouco mais de
1s de vantagem. Pedrosa, que já havia chegado atrás de Marc na primeira
corrida, em Losail, no Catar, teve outra derrota para o novo colega de time.
Jorge Lorenzo, que havia vencido a corrida de estréia, ficou em 3º lugar,
apenas assistindo a briga e esperando por um erro da dupla da Honda, que
entretanto, não aconteceu. Valentino Rossi, depois de mostrar boa performance
no Catar, acabou tendo um desempenho apenas médio em Austin, terminando apenas
em 6º lugar. Com o resultado, Márquez assumiu a liderança do campeonato, com 41
pontos, empatado com Jorge Lorenzo, que também tem 41 pontos. Logo a seguir vem
Dani Pedrosa, com 33 pontos. Rossi ocupa a 4ª colocação, com 30 pontos. A
próxima corrida é o GP da Espanha, em Jerez de La Fronteira.
Robert Kubica está pegando a mania de
sofrer acidentes perigosos nas provas de rali. Não bastasse o violento acidente
que quase o matou há alguns anos e o
tirou da F-1, desde que voltou a competir no rali já andou perto de se machucar
fortemente. No último dia 26, o piloto sofreu outro forte acidente, quando
disputava o rali dos Açores, e capotou novamente com seu carro, após passar por
um buraco. Apesar do susto e das avarias no carro, o piloto ainda conseguiu
terminar a etapa da competição, sem nenhum ferimento além do forte susto, e se
concentrando ao fim do dia em reparar os estragos no carro para seguir na
competição. Kubica precisa fazer uma reza brava para afastar essa freqüência de
acidentes, antes que sua sorte de sair ileso acabe. Semanas atrás, o polonês
também bateu forte o carro, e por pouco não despencou numa ribanceira, onde
poderia ter sofrido graves ferimentos...
A terceira etapa do campeonato 2013 da Stock Car teve vitória do piloto
Daniel Serra, que venceu pela segunda vez consecutiva este ano. O filho de
Chico Serra largou na pole-position e não deu mole para os adversários,
vencendo a corrida praticamente de ponta a ponta. Thiago Camilo bem que tentou
dar o bote em Serra na parte final da corrida, mas Daniel manteve o controle da
disputa, vencendo com aproximadamente 1,5s de vantagem. Ricardo Mauricio
completou o pódio, em 3º lugar. E Rubens Barrichello mostra que pode demorar a
pegar mão no campeonato da categoria, pois largou lá no fundo do grid e
terminou apenas em 20º lugar. Na IRL, no ano passado, Rubinho estava mostrando
melhor performance com os carros da categoria, e apesar de não encher os olhos,
tinha tudo para evoluir firme neste ano, em um time mais estruturado.
Infelizmente, faltou apoio financeiro suficiente para garantir Barrichello na
competição americana. E, até o momento, já com 6 provas disputadas na Stock,
precisa mostrar mais desenvoltura para se acertar aos carros da categoria, pois
até aqui não vem conseguindo mostrar muita coisa, além de alguns lampejos de
bom desempenho.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
BANZAI, SATO-SAN
![]() |
| Sato reencontrou-se com a vitória em Long Beach, e quer entrar na briga pelo título da IRL. |
O
Grande Prêmio de Long Beach, disputado domingo passado, válido pelo campeonato
deste ano da Indy Racing League, foi uma corrida pródiga em disputas acirradas
entre os pilotos, e como é normal em circuitos de rua, algumas disputas
terminaram com os pilotos arrumando confusões uns com os outros, além de várias
tocadas carro a carro, e com vários competidores ficando pelo caminho, seja por
defeitos mecânicos, batidas no muro, e ou rusgas com outros pilotos. E, no meio
de toda esta briga, eis que Takuma Sato surgiu para fazer história e se tornar
o primeiro piloto nipônico a vencer uma corrida na categoria.
E,
não pensem que foi uma vitória fortuita, herdada quando os outros competidores
se acidentaram. Nada disso, Takuma venceu por méritos próprios, fruto de uma
pilotagem precisa e competente. E o mais incrível é que, numa corrida marcada
por diversos incidentes entre os pilotos, o japonês, que já se envolveu em
diversas estripulias na pista em sua carreira, não apenas passou incólume a
tudo isso, como todas as disputas de posição que efetuou foram limpas e sem
confusões. Uma vitória mais do que merecida para Takuma, que desde que estreou
na F-1, já demonstrava ser um dos melhores pilotos japoneses que chegaram à
categoria TOP do automobilismo mundial, mas nunca teve chance de brilhar de
forma definitiva.
Estreando
na equipe Jordan no campeonato de 2002 da F-1, Takuma chegou com a reputação de
rápido como poucos pilotos japoneses, mas infelizmente, também carregando a
“maldição” de seus antecessores na categoria, de serem estabanados e se
envolverem em confusões na pista. Ainda naquele ano, marcou seus primeiros
pontos, com um 5º lugar justo no GP de seu país, o Japão, na pista de Suzuka.
No ano seguinte, ficou praticamente fora do campeonato, e só não passou o ano
em branco porque substituiu o canadense Jacques Villeneuve na equipe BAR,
justamente na prova do Japão, onde fez uma boa corrida e marcou mais pontos,
terminando a corrida em 6º lugar. Isso lhe valeu contrato para ser piloto efetivo
da escuderia em 2004, onde fez sua melhor temporada na F-1, terminando em 8º
lugar no campeonato, com 34 pontos, e conquistando seu primeiro (e único)
pódio, na prova dos Estados Unidos, ao terminar em 3º lugar a corrida. Takuma
já era considerado então o melhor piloto de seu país a chegar à F-1, e mostrava
evolução em sua pilotagem, mostrando arrojo e velocidade, e se envolvendo muito
pouco em confusões.
Em
2005, infelizmente, a BAR teve um ano ruim, e isso afetou sobretudo Sato na
escuderia, que não conseguiu apresentar as mesmas performances do ano anterior.
Acabou terminando o ano apenas em 23º lugar, com apenas 1 ponto conqusitado.
Isso o fez perder o lugar no time para 2006, onde novamente continuaria na F-1
graças ao apoio da Honda, que bancou a criação do time de Aguri Suzuki, que
teria no compatriota o principal piloto da nova escuderia. Mas, como acontece
com os times pequenos na F-1, mesmo os maiores esforços de Sato não foram
suficientes para obter resultados significativos. Os carros eram pouco
competitivos, e o orçamento, mesmo com apoio da fábrica japonesa, era escasso.
Takuma ficou na escuderia até seu fechamento, o que ocorreu em 2008, quando a
Super Aguri faliu após disputar as primeiras 4 provas do ano. Com o fim do
time, acabou também a carreira de Sato na F-1, após 90 GPs, e 44 pontos
acumulados. Nos anos seguintes, Sato tentou arrumar um novo lugar na categoria,
mas sem obter êxito.
Sua
chance de renascer no automobilismo viria em 2010, quando mudou-se para a Indy
Racing League, disputando o campeonato pela equipe KV Racing. Contando com o
patrocínio da Lótus em seu carro, o intrépido japonês se viu arrumando muitas
confusões nas corridas, terminando poucas provas, e finalizando seu primeiro
campeonato na categoria americana em 21º lugar, com 214 pontos. No ano
seguinte, ainda na KV, seus resultados melhoraram, e terminou o ano em 13º
lugar, com 282 pontos. Passou a ser mais constante, e se envolveu em menos
acidentes, mostrando mais adaptação à categoria. Em 2012, contratado pela equipe
Rahal/Letterman, Sato mostrou muita velocidade, mas também voltou a se envolver
em acidentes, inclusive um na volta final da Indy500, onde forçou passagem
sobre Dario Franchiti e perdeu o controle do carro e as chances de um bom
resultado, indo parar no muro. Seguiu-se um período de várias batidas nas
corridas seguintes, sendo preciso que Bobby Rahal entrasse em cena para colocar
a cabeça do japonês de novo no lugar, e fazendo-o reencontrar a concentração
para terminar o campeonato em 14º lugar, com 281 pontos. De positivo, o piloto
conquistou seus primeiros pódios na categoria, ao chegar em 3° lugar na etapa
de São Paulo, e obtendo uma excelente 2ª colocação em Edmonton, no Canadá.
Ficava a expectativa de que a qualquer momento, a chance de Sato vencer
surgiria. Mas o piloto japonês acabou dispensado por Bobby Rahal, e precisou
procurar outro time para 2013.
Para
este ano, Sato acabou contratado pelo time de A. J. Foyt, e desde a primeira
corrida, o piloto vem mostrando uma excelente performance, tendo se adaptado
muito bem na nova escuderia, onde é o único piloto, o que faz com que tenha
atenção integral do time. Conquistou um impressionante 2º lugar no grid em São
Petesburgo, logo na prova de estréia do campeonato, e terminou em 8º, não tendo
feito uma estratégia de corrida mais condizente, mas mostrando do que era
capaz. Na prova do Alabama, teve um desempenho apenas mediano, largando em 14º
e terminando em 12º. Em Long Beach, fez uma boa classificação, largando em 4º,
e desde o início, mostrou que estava ali para brigar pelos primeiros lugares,
mostrando sempre um ritmo forte e constante. Curiosamente, foi na etapa do ano
passado, em Long Beach, que Sato quase chegou a vencer pela primeira vez: o
nipônico liderava a corrida mas acabou se enroscando quando foi ultrapassado
por Ryan Hunter-Reay, e ambos rodaram, terminando em 8° e 6° lugares,
respectivamente.
Para
Takuma, foi a redenção depois de mais de 10 anos após ter vencido pela última
vez uma corrida em sua carreira. Em 2001, quando ainda disputava a F-3 Inglesa,
o japonês venceu pela última vez, na etapa final daquele ano, em Silverstone,
quando foi campeão da categoria, tornando-se o primeiro nipônico a vencer o
mais prestigiado campeonato de F-3 do mundo, e credenciando-se para estrear no
ano seguinte na F-1. De lá para cá, foi um longo caminho até reencontrar-se com
a bandeira quadriculada na primeira posição, o que se tornou realidade em Long
Beach. E Sato, empolgado com a vitória, não quer saber de moderar o apetite:
ocupando a 2ª colocação na classificação do campeonato, atrás apenas do
brasileiro Hélio Castro Neves, Sato quer entrar na briga pelo título da IRL.
Talento
para isso Sato tem, mas a disputa promete ser dura, e o maior revés que o
japonês pode enfrentar é seu próprio time: a Foyt é um time médio, e no médio
prazo, não tem condições de enfrentar com a regularidade necessária os times
mais poderosos como Penske, Andretti, ou Ganassi. Mas nem por isso Sato pode
deixar de sonhar alto: como a IRL é uma categoria onde os equipamentos são mais
parelhos e equilibrados, se o time conseguir trabalhar bem e mantiver um ajuste
fino do carro como conseguiu em Long Beach, Takuma pode sim entrar na briga
pelo título, e isso não é nada impossível. Vencer pode ser outra história. E a
Foyt precisa vencer principalmente seu péssimo retrospecto quando o assunto é
vencer corridas: o último triunfo do time foi há mais de 10 anos, em 2002,
quando o time chegou em primeiro na prova do Kansas, com o brasileiro Airton
Daré. Na verdade, o time possui apenas 1 título em sua história na Indy Racing
League, conquistado no ano de 1998 com o piloto sueco Kenny Brack. Méritos da
conquista à parte, naquela temporada a categoria só possuía times sem maior
expressão, tendo se separado da F-Indy há pouco tempo, e onde ficaram as
principais escuderias da época.
Hoje,
com o fim da F-Indy, estes times que dominavam a categoria competem na IRL, e
essa forte concorrência sem dúvida é um forte obstáculo para que o time do
lendário Anthony Joseph Foyt Junior, nada menos do que 7 vezes campeão da
F-Indy, assuma a condição de protagonista principal da luta pelo título. Mas,
não é por isso que Takuma Sato vai desistir da briga. Fiel ao estilo obstinado
dos samurais, e com a determinação dos lendários kamikazes que tanto temor provocaram
nas Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial, o piloto japonês promete ir à
luta com todas as suas forças, e se não encontrar um muro pelo caminho, podem
apostar, ele vai dar trabalho mesmo. E será muito, mas muito bem-vindo nesta
briga pelo título, que está precisando de novos protagonistas para balançar as
estruturas da IRL.
Banzai,
Sato-San...
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