sexta-feira, 8 de maio de 2026

ZANARDI, O ADEUS DE UM GUERREIRO

Alessandro Zanardi perdeu as pernas e quase a própria vida em um trágico acidente nas pistas, mas não se deixou abater e se tornou ainda mais impressionante como esportista, obtendo sucesso tanto nas pistas quando no esporte paralímpico, onde foi até medalista de ouro.

            Mais um grande nome do esporte a motor nos deixou no fim de semana passado. Alessandro Zanardi, bicampeão da F-CART (nome da F-Indy original, à época das conquistas), faleceu, aos 59 anos. A trajetória do piloto italiano, cujo funeral foi realizado esta semana em Pádua, na Itália, e que reuniu mais de duas mil pessoas na Basílica de Santa Giustina, dão uma dimensão da importância que o ex-piloto já teve em sua trajetória esportiva, marcada por um acidente trágico que mudou sua vida, antes, e depois. A cerimônia estava decorada para a ocasião com diversas coroas de flores que foram enviadas pela BMW, Ferrari, Stefano Domenicali (CEO da Liberty Media), além da Bimbingamba, associação voltada à fabricação de próteses para crianças que não podem pagar pelo tratamento médico. Uma despedida comovente, e triste, especialmente para a mãe do piloto, dona Anna, que aos 88 anos, viveu para enterrar o filho, situação pela qual já havia passado décadas atrás, quando viu a filha Christina, irmã de Alessandro, também morrer, em decorrência de um acidente de carro, com apenas 15 anos de idade.

            Alessandro, ou apenas Alex, como ficou mais conhecido, foi um piloto que, infelizmente, não deu sorte na F-1. Tendo batalhado pelo título da então F-3000 em 1991, categoria de acesso logo abaixo da categoria máxima do automobilismo, ele perdeu o duelo para Christian Fittipaldi, mas mesmo assim, conseguiu chegar à F-1, e até antes de Christian, quando disputou 3 provas pela equipe Jordan, mas sem conseguir marcar pontos. No ano seguinte, fez apenas uma prova pela Minardi, e pilotou esporadicamente em alguns outros certames, quando a primeira chance de titularidade efetiva na F-1 apresentou-se para 1993, com uma Lotus infelizmente já decadente, por onde disputou apenas 11 corridas, marcando apenas 1 ponto, graças a um 6º lugar justamente aqui em Interlagos, no Brasil. A temporada do italiano terminou na Bélgica, devido a um forte acidente que lhe provocou uma concussão, e o impediu de completar a temporada. Ele retornaria apenas em 1994, com a temporada já em andamento, disputando 10 provas em uma Lotus ainda mais precária do que em 1993, onde não conseguiu nenhum resultado a contento.

            A carreira de Alex mudou quando ele foi recomendado por Adrian Reynard, dono da fabricante de chassis de competição Reynard, e Rick Gorne, diretor comercial da Reynard, para Chip Ganassi, dono da equipe Ganassi que competia na antiga F-Indy (F-CART, à época, por direitos de nome em questão com a IRL – Indy Racing League). Após um teste na pista de Homestead, eis que Alex conseguiu contrato para pilotar para a escuderia na temporada de 1996, apesar de vozes contrárias, como de Morris Numm, engenheiro da escuderia, que achava que os pilotos italianos eram muito propensos a erros. Mal poderia imaginar o quanto se equivocaria a respeito de Zanardi, que chegou à equipe Ganassi no melhor momento possível. A escuderia estava trocando seu pacote técnico, passando a adotar os novos chassis Reynard 96R para a categoria, além dos motores Honda, e os pneus Firestone. Tanto Reynard quanto Honda iniciaram suas trajetórias na competição de monopostos norte-americana algum tempo antes, e já tinham adquirido o aprendizado necessário para superar seus noviciados, de modo que na temporada de 1996 este pacote, junto aos pneus da Firestone, se tornaram o melhor conjunto da competição, mas que, com a afinação e preparo sob o comando de Numm, transformaram a Ganassi no time a ser batido.

Com a Ganassi, Zanardi foi bicampeão na então F-CART nos Estados Unidos, no auge de sua carreira no mundo do esporte a motor.

            E não deu outra. Jimmy Vasser, piloto veterano da escuderia, venceu a temporada de 1996, mas mesmo sendo novato, Álex já começava a mostrar a que vinha: marcou 6 pole-positions, venceu 3 corridas, e terminou a temporada como “Rokkie of The Year”, terminando o campeonato em 3º lugar nos critérios de desempate com Michael Andretti, que ficou com o vice-título por ter 5 vitórias contra 3 do italiano. Mas o recado estava dado, e Zanardi passaria a ser o grande astro da categoria nos dois anos seguintes. Com uma equipe Ganassi afiada, e com o melhor conjunto da competição, não deu para ninguém: Zanardi conquistou os títulos de 1997 e 1998, não dando chances à concorrência, e firmando seu nome no automobilismo norte-americano, e mundial. No Brasil, a expressão da narração “segura o italiano” mostrava como Alex estava imparável: ele venceu 5 corridas em 1997, marcou 4 pole-positions, e deixou o brasileiro Gil de Ferran comendo poeira e tendo de se contentar com o vice-campeonato defendendo a equipe Walker, que usava o mesmo equipamento da Ganassi, mas com pneus Goodyear, menos competitivos que os Firestone. Na temporada de 1998, Zanardi foi novamente dominador, conquistando o bicampeonato com 7 vitórias, mesmo sem marcar nenhuma pole-position, deixando Jimmy Vasser, seu próprio companheiro de equipe, como vice-campeão por uma diferença de impressionantes 116 pontos, em uma época onde a competição conferia 20 pontos ao vencedor, mais um ponto pela pole-position, e um ponto por quem liderasse mais voltas.

            Tal desempenho impressionante, claro, chamou a atenção da F-1, a mesma competição onde ele não havia despertado interesse antes. Em 1998, ele havia assinado para retornar à categoria máxima do automobilismo, pela Wiliams, que buscava um substituto para seu último campeão, Jacques Villeneuve, que havia partido para o projeto da BAR em 1999. Apesar de ter perdido o apoio oficial da Renault, e seu projetista Adrian Newey, a Williams ainda era uma força bem satisfatória no grid, o que lhe dava condições de pontuar com regularidade. Mas o impensável aconteceu: uma temporada inteira cheia de percalços, problemas, erros de estratégia, falhas mecânicas, que fizeram Zanardi ser a maior decepção do ano, sem marcar um ponto sequer, enquanto Ralf Schumacher, seu companheiro de time, terminou o ano em 6º lugar, com 35 pontos anotados, e 3 pódios conquistados. Alex teve com melhor resultado um 7º lugar em sua terra, a Itália, onde finalizou em 7º, em uma época onde apenas os 6 primeiros colocados anotavam pontos. O que era para ser um retorno triunfal de Zanardi à F-1, em um contrato de três anos, desvaneceu-se ao fim de 1999 com o pior resultado possível, e uma rescisão contratual antecipada que ninguém poderia imaginar.

            Alex passou o ano de 2000 em branco, e no fim, acertou seu retorno à F-CART, agora no novo time de Morris Numm, que foi seu engenheiro nos tempos da Ganassi. Apesar do talento e competência de Numm, o carro não tinha a excelência de preparação do time de Chip Ganassi, e Zanardi fazia uma temporada apenas mediana, com apenas e resultados dentro do TOP-10. De qualquer forma, o que deveria ser um reinício, rumo a vôos mais altos, potencialmente em 2002, terminou na etapa da Alemanha, em Lauztring, em setembro de 2001. O piloto largara lá do fundo, e vinha numa excelente prova de recuperação para disputar as primeiras posições, quem sabe o pódio, quando, na saída da última parada de box, ao acelerar demais na volta à pista, o carro se descontrolou, com dois carros vindo em alta velocidade na sua direção. Patrick Carpentier conseguiu desviar, mas Alex Tagliani atingiu em cheio o carro do italiano, dividindo-o ao meio, em um choque brutal que arrancou as duas pernas de Zanardi na altura do joelho. O piloto foi socorrido rapidamente e levado para o hospital, onde precisou de transfusões de sangue e cuidados intensivos para não morrer. Ao final, o resultado trágico: Alex não perdeu a vida, mas ficou sem as duas pernas.

Depois do grande sucesso na F-CART, novo fracasso na F-1 em 1999, pela Williams, com parceria desfeita após apenas um ano.

            Tudo poderia ter terminado ali, mas Zanardi virou um gigante a partir dali: inconformado com as próteses recebidas, o agora ex-piloto tratou de projetar e construir novas próteses, muito mais adequadas para suas necessidades. Ele até mesmo voltou às competições esportivas de corridas, a partir de 2004, passando a competir com carros adaptados, mostrando que a vida continuava, e que sua carreira, afinal, não tinha acabado, como muitos davam na época. Em 2003, no mesmo circuito oval onde quase perdeu a vida, ele retornou à pista com um carro modificado, e percorreu de forma cerimonial as voltas no circuito que faltavam para ele completar a prova em 2001, e seus tempos foram competitivos, a ponto de ele marcar o que lhe daria a 5ª posição no grid, se tivesse disputado a prova. Ele passou a competir em carros de turismo, entre 2004 e 2009, quando aposentou-se nas disputas do WTCC, chegando inclusive a vencer corridas. Ele chegou a conquistar o título da temporada 2005 do Campeonato Italiano de Superturismo, para mostrar como havia retomado de forma impressionante sua carreira de piloto. A partir de 2009, suas participações em provas do esporte a motor se tornaram esporádicas. Outra paixão havia surgido e dado sentido à sua vida: o esporte paraolímpico, onde se tornou um atleta de destaque, especialmente no ciclismo, competindo inicialmente com handcycling.

            E Zanard se destacou brilhantemente nos jogos paralímpicos: ele conquistou nada menos que 4 medalhas de ouro e 2 de prata nas competições, representando a Itália. Metade destas conquistas de ouro e prata vieram nas Paralímpiadas de Londres em 2012, e o resto aqui no Brasil, nas paralímpiadas do Rio de Janeiro de 2016. Alex também participou de campeonatos mundiais de Ironman de paraciclismo, onde também obteve destaque. Seus feitos chamaram a atenção dos fãs do esporte pelo empenho, determinação, e vontade de se reinventar após o grave acidente de 2001, o levando a ter até mais reconhecimento do que em seus dias de piloto.

Mas quis o destino que, novamente, Zanardi enfrentasse o drama de um grave acidente, quando o italiano, em 19 de junho de 2020, colidiu contra um caminhão em uma descida do circuito onde participava de uma corrida de ciclismo em estrada nacional para atletas paralímpicos. Ele perdeu o controle de sua bicicleta e atingiu um caminhão que vinha em sentido contrário. Foi levado em estado grave, de helicóptero, ao hospital e passou por cirurgias na face e na cabeça, ficando um tempo considerável em recuperação. Apenas em dezembro de 2021, 18 meses após o acidente, ele pôde retornar para casa para continuar sua reabilitação, ainda necessária diante da lenta recuperação dos graves ferimentos sofridos. A grosso modo, Alex nunca se recuperou totalmente do acidente sofrido em 2020, e sua saúde nunca mais foi estável como antes, precisando de cuidados constantes. Assim, no último dia 1º de maio, Alessandro Zanardi morreu aos 59 anos em sua casa em Pádua. Encerrando sua jornada.

O acidente pavoroso na Alemanha, em 2001.

            A morte do ex-piloto comoveu fãs e profissionais com os quais ele conviveu ao longo de sua carreira. Em um obituário para a Fórmula 1, o jornalista britânico de automobilismo David Tremayne, que também era amigo pessoal de Zanardi, o descreveu como "um herói do mais alto calibre". Andrew Benson, da BBC Sports, o chamou de "um herói do século XXI. Um homem que inspirou milhões com seu espírito indomável diante de adversidades inacreditáveis. Um ícone de dois esportes diferentes." O presidente italiano Sergio Mattarella disse que ele era "um atleta de qualidades excepcionais, que demonstrou um caráter extraordinário mesmo após o gravíssimo acidente que sofreu... ele foi, durante todos esses anos, uma referência para todo o mundo do esporte, amado e admirado também por sua coragem, resiliência e capacidade de transmitir entusiasmo." A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni chamou-o de “um grande campeão e um homem extraordinário, capaz de transformar cada provação da vida numa lição de coragem, força e dignidade”.

            Condolências foram expressas por diversos executivos, como Stefano Domenicalli, o CEO do Grupo Liberty Media. O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, Chip Ganassi, fundador e proprietário da equipe Ganassi Racing, pela qual foi bicampeão da F-CART; o presidente da Ferrari, John Elkann; o chefe da equipe Mercedes, Toto Wolff; o chefe da equipe Williams , James Vowles; além do CEO da McLaren, Zak Brown, bem como vários pilotos e ex-alunos deram declarações a respeito da perda de Zanardi. Domingo passado, antes da largada do GP de Miami, nos Estados Unidos, foi feito um minuto de silêncio, homenagem que também foi feita na prova do GT World Challenge Europe; e antes do IMSA Monterey Sportscar Championship, bem como antes de todas as partidas do Campeonato Italiano de Futebol no fim de semana passado. No GP de F-1 em Miami, Mercedes, Ferrari e Williams correram com pinturas com emblemas "Ciao, Alex" (Adeus, Alex). Andrea Kimi Antonelli dedicou sua pole position ao compatriota falecido.

            Zanardi lutou até o fim de seus dias. Suas primeiras batalhas foram por sua carreira no automobilismo mundial. Depois, foi pela vida, e pela retomada de seu propósito de viver. E foi bem-sucedido em ambas. Sua última luta, contudo, foi mais inglória, contra os ferimentos de um novo acidente em sua nova vida de competições. Ele até conseguiu manter a dignidade dentro do razoável, mas aos poucos, as agruras sofridas se mostram mais fortes. Ele se foi com muitas lições de caráter, coragem, e determinação dadas, de uma vida onde, apesar das tragédias, sempre se mostrou batalhador, aguerrido, e firme. O guerreiro se foi. Fica o seu legado e sua história, pelo esporte, e pelas lutas das pessoas que, por força do destino, ficaram deficientes. Alessandro Zanardi transformou sua deficência em sua grande força, e surpreendeu a todos, até mais do que quando arrepiava nas pistas das competições. O guerreiro descansou, e leva junto o respeito de todos que o conheceram, e viram do que ele foi capaz de fazer em vida, contra tudo e contra todos.

            Adeus, Álex! Descanse o sono dos vencedores, mais do que merecido...

 

 

Andrea Kimi Antonelli venceu sua terceira corrida consecutiva na F-1. O italiano da Mercedes anotou a pole-position para a corrida principal em Miami, e apesar dos percalços de novamente perder posições na largada onde os rivais continuam partindo melhor que as Mercedes, Andrea conseguiu recuperar as posições e terminar com mais uma vitória, reforçando sua liderança no campeonato, especialmente sobre o companheiro de equipe George Russell, que terminou apenas em 4º lugar. A McLaren, depois de fazer dobradinha na prova sprint, com Lando Norris e Oscar Piastri fazendo 1-2 para o time de Woking, voltou a andar forte na corrida principal, e Norris e Piastri terminando em 2º e 3º lugares, formando de novo maioria no pódio. Com o resultado, Antonelli, com 4 provas disputadas, tem 100 pontos, liderando o campeonato, com George Russell ocupando a vice-liderança, com 80 pontos. Charles LeClerc, da Ferrari, ainda é o 3º colocado, com 59 pontos. Com o abandono duplo da McLaren na China, Lando Norris é o 4º colocado, com 51 pontos, empatado com Lewis Hamilton, mais à frente por ter um 2º lugar, enquanto Oscar Piastri é o 6º colocado com 43 pontos. No Mundial de Construtores, a Mercedes lidera com ampla folga, com 180 pontos, contra 110 da Ferrari, ainda em 2º lugar, mas que já vê a McLaren chegando rápido, com 94 pontos, em 3º lugar, e a Red Bull ocupa um distante 4º lugar, com apenas 30 pontos.

Andrea Kimi Antonelli: terceira vitória consecutiva com a Mercedes, largando da pole-position. Novo favorito ao título da temporada na F-1?

quarta-feira, 6 de maio de 2026

FLYING LAPS – ABRIL DE 2026

            E já encerramos o primeiro mês do segundo trimestre de 2026, adentrando agora o mês de maio, e seguindo firme para atingirmos a metade do ano em breve. E, tal como o tempo, i mundo da velocidade não desacelera, e segue em ritmo alto com suas disputas, ainda que algumas categorias, como o Mundial de Endurance, tenha sido impactado pela guerra no Oriente Médio, o que também deixou outros certames, como a F-1, e a MotoGP, entre outras, a terem de riscar do mapa suas etapas programadas para a região. Entramos agora no mês de maio, mas houve muita coisa que ocorreu em abril que precisamos citar, e por isso mesmo, vamos para mais uma sessão da Flying Laps, mencionando algumas ocorrências da MotoGP e da Indycar nas etapas de abril, sempre com alguns comentários a respeito. Uma boa leitura a todos, portanto, e até a próxima sessão Flying Laps do mês que vem, com certeza de trazer muitos relatos de fatos deste mês de maio...

A MotoGP iniciou a fase européia da competição, com a etapa da Espanha, na pista de Jerez de La Frontera, na região da Andaluzia, e o fim de semana foi agitado. Depois da etapa de Losail ter sido cancelada/adiada, a classe rainha do motociclismo voltou à ativa na Espanha, e a Ducati, enfim, teve sua redenção em cima da Aprilia, que vinha dominando a competição neste início de temporada, com três vitórias consecutivas de Marco Bezzecchi. Mas a recuperação da Ducati não foi tudo o que se esperava. Se na corrida sprint a equipe de fábrica teve uma dobradinha com vitória de Marc Márquez e o segundo lugar de Francesco Bagnaia, por outro lado, a chuva que caiu na Andaluzia na parte final da corrida curta transformou tudo em uma tremenda loteria, impossível de se fazer uma projeção mais adequada da recuperação da marca de Bolonha. Já na corrida principal, no domingo, enfim, um triunfo de uma Desmosédici, mas da equipe Gresini, e com Álex Márquez, o vice-campeão de 2025, que fez uma corrida irrepreensível e conquistou a primeira vitória de uma moto Ducati no ano. Mas, e o time de fábrica? Foi um desastre: Marc Márquez caiu da moto logo na segunda volta, e Bagnaia precisou abandonar com problemas em sua moto, segundo ele, com problemas de freio que tornavam a condução até perigosa, resultando em um abandono duplo para o time oficial de Borgo Panigale. Mas a Ducati teve motivos para comemorar, pois além do triunfo de Álex, outra Ducati esteve presente no pódio: Fabio Di Giannantonio, da VR46, fez outra boa corrida, e terminou em 3º lugar, mantendo a escrita de ser o melhor piloto Ducati no campeonato até aqui. Mas a Aprilia marcou presença: Marco Bezzecchi fez um sólido 2º lugar, com Jorge Martin, seu companheiro no time oficial da marca terminando em 4º lugar, seguido pela dupla do time satélite da Aprilia, Ai Ogura e Raul Fernandez, da Trackhouse. Em resumo: as quatro motos Aprilia terminaram dentro dos 6 primeiros colocados em Jerez. A Ducati mostrou reação, mas a arquirrival compatriota segue bem na parada, e a disputa tem tudo para se manter por mais tempo do que todos imaginavam…

 

 

Com o resultado de Jerez, Marco Bezzecchi segue líder, agora com 101 pontos, contra 90 de Jorge Martin, o vice-líder, de modo que a dupla do time oficial de Noale comanda o campeonato. O terceiro colocado é a redenção da Ducati na temporada: Fabio Di Giannantonio, da VR46, com 71 pontos. Pedro Acosta está levando a KYM nas costas, quase literalmente, ocupando a 4ª posição, com 66 pontos. Marc Márquez é o 6º colocado, com 57 pontos, acossado por Raul Fernandez, da Trackhouse, com 54 pontos. Enquanto a Ducati continua complicada, a Aprilia segue se distanciando. É esperada uma reação, mas a cada corrida que as coisas não se acertam pelo lado da Ducati, a disputa com a compatriota vai ficando mais complicada do que todos imaginavam. Fica a pergunta de até quando a Ducati vai levar para conseguir reagir de fato. Por mais que Álex Márquez tenha vencido em Jerez, o desempenho do mais novo dos irmãos Márquez nas primeiras corridas foi altamente desencorajador, de modo que ele ocupa, no momento, apenas a 7ª posição, com 53 pontos. Ainda tem muito chão pela frente na temporada, claro, mas cada prova onde a Aprilia se distancia é uma oportunidade perdida de reagir, e quanto mais provas forem se passando, diminui as chances de se conseguir brigar pela ponta como se gostaria. Pelo sim, pelo não, a Aprilia não canta vitória, e apenas tenta maximizar seus resultados, esperando sempre por uma reação da rival que, até o presente momento, não se concretizou, mas que não serve de motivo para a casa de Noale baixar a guarda. Tanto que, no teste realizado em Jerez após a corrida, a Aprilia voltou a andar forte, e mostra que, por enquanto, ainda segue com força total na competição, para azar da Ducati, que precisa continuar correndo atrás do prejuízo…

 

 

Quem também precisa tentar melhorar é Diogo Moreira. O brasileiro não vem fazendo uma temporada de estréia ruim, e tem conseguido andar relativamente próximo de seu companheiro Johaan Zarco em corrida, em termos de ritmo, mas precisa melhorar nas classificações, pois largar mais à frente sempre é importante para não ter de fazer tanta recuperação de posição nas corridas. E, claro, quanto melhores os resultados, minimiza-se o desgaste dos maus momentos. Em Jerez, contudo, Digo passou o primeiro final de semana completamente zerado na MotoGP. O piloto não vinha conseguindo pontuar nas provas sprints, onde apenas os 9 primeiros colocados marcam pontos, mas nas primeiras corridas, até que se manteve constante, terminando as corridas em 13º lugar, garantindo pontos aqui e ali, em um momento onde a LCR parece sentir mais a inconstância de performance das motos Honda. O brasileiro ainda conta com muito respaldo do time, e isso é positivo, mas claro que resultados contam também, e é preciso continuar dando duro para melhorar sempre. Esperemos que as próximas provas sejam mais favoráveis a resultados mais positivos para nosso novo representante na competição da MotoGP…

 

 

Se alguém estava pensando que a temporada 2026 da Indycar poderia ser mais disputada, eles acertaram… Em parte! Depois de vencer com a habitual competência de sempre na estréia da competição, em São Petesburgo, Álex Palou passou duas provas fora do degrau mais alto do pódio, em Phoenix, onde Josef Newgarden (Penske) venceu, e em Arlington, onde Kyle Kirkwood (Andretti) mostrou sua competência para obter mais uma vitória em pistas de rua, e até assumir a liderança do campeonato. Bom, Palou tratou de colocar ordem na casa, e na corrida seguinte, em Barber, no Alabama, o piloto da Ganassi venceu praticamente de ponta a ponta, sem ser ameaçado de fato, e voltando com carga total à disputa. Como desgraça pouca é bobagem, para os adversários, eis que o espanhol voltou a ganhar de novo, agora na pista de Long Beach, o mais badalado circuito de rua da história das categorias Indy, para reafirmar seu domínio, retomando a liderança do campeonato, e claro, o favoritismo para o pentacampeonato, o que deixaria Álex abaixo apenas de A. J. Foyt, com sete títulos na antiga F-Indy; e Scott Dixon, com seis títulos na Indycar, apenas acima dele. E não duvidem se o espanhol chegar lá novamente, enquanto os rivais parecem continuar batendo cabeça, e desperdiçando oportunidades na pista…

 

 

Em Long Beach, a corrida foi dominada em sua maior parte por Felix Rosenqvist, da Meyer Shank, que largou na pole-position, e liderou até a última parada nos boxes, mas sempre com Álex Palou mantendo o sueco na alça de mira, apenas controlando a distância. E justamente no último pit stop, a Ganassi foi melhor que a Meyer Shank na parada de box, permitindo a Palou assumir a liderança, que não perderia mais até a bandeirada de chegada, vencendo sem sustos. A festa da Ganassi foi maior porque Scott Dixon fechou o pódio em 3º lugar. O resultado da prova californiana fez o tetracampeão da Ganassi reassumir a liderança da competição, com 205 pontos. Kyle Kirkwood, com a 4ª colocação em Long Beach, caiu para a vice-liderança, com 188 pontos. David Malukas vem segurando a honra da Penske com a 3ª colocação no campeonato, com 142 pontos, à frente de Patricio O’Ward e Christian Lundgaard, da McLaren, em 4º e 5º lugares, com 136 e 131 pontos, respectivamente. Josef Newgarden, da Penske, é o 6º colocado, com 130 pontos, mas já vendo Palou desgarrar na liderança da competição. Neste ritmo, parece que a concorrência vai ver Palou desfilando novamente sozinho rumo ao título, a menos que as coisas mudem, o que até pode acontecer, mas que parece ser difícil de ocorrer, do jeito que as coisas andam na pista…

 

 

Palou, aliás, já firmou renovação com a Ganassi. Seu contrato atual ia até o fim da temporada de 2027, e o novo acordo, anunciado recentemente, não especifica a data de duração do mesmo. É um reconhecimento mais do que válido do time e do piloto pela parceria que se estabeleceu desde 2021, e até agora, já rendeu 4 títulos em cinco temporadas, e em vias de poder conquistar mais um, e em tempo recorde de permanência do piloto na competição. Álex Palou já contabiliza 22 triunfos em apenas 103 provas disputadas, o que dá uma média de uma vitória a cada 4,68 provas, um dos índices de aproveitamento mais impressionantes da história das categorias Indy, e que tem tudo para ficar ainda mais expressivo, dada a permanência da performance da Ganassi com o piloto. Anos atrás, Palou se envolveu em uma tentativa de transferência atrapalhada para a McLaren na Indycar, que inclusive gerou uma discussão judicial a respeito da preferência do time em manter o piloto. A discussão se estendeu pelos últimos anos, com processo de indenização e multas exigido pela McLaren, que só se resolveu recentemente. Isso poderia ter queimado a imagem de Palou na competição, e por algum tempo, o piloto perdeu rendimento, na temporada de 2022, justamente quando a confusão se iniciou, o que o fez perder o único campeonato desde que passou a defender o time de Chip Ganassi, no único ano onde o espanhol passou quase em branco a temporada toda, que terminou com o segundo título de Will Power. Naquele ano, Palou venceu apenas uma corrida, a última da temporada, em Laguna Seca, e terminou o campeonato em 5º lugar.

 

 

A temporada de estréia de Caio Collet na Indycar segue cheia de percalços. Além da Foyt ter perdido parte da performance exibida no ano passado, o piloto brasileiro também tem tido lá seus azares. Em Long Beach, o problema foi uma punição por exceder a velocidade nos boxes na última parada do piloto, que retornou à pista em 13º lugar, e com possibilidades de tentar avançar para quem sabe, terminar dentro do TOP-10. Mas aí, veio a punição, e como os carros estavam muito próximos pela bandeira amarela que vigorava na pista no momento em que todos foram para os boxes, Caio despencou lá para trás. Ele ainda tentou uma recuperação, mas acabou terminando apenas em 22º lugar. O desempenho da Foyt não tem sido o mesmo até agora, e até Santino Ferrucci, que tem andado melhor que Collet, não está assim tão melhor nos resultados: tirando um 8º lugar no Alabama, Santino tem tido alternâncias com Collet, ora indo melhor, ora não indo. Ferrucci ocupa a 18ª colocação, com 74 pontos, enquanto Caio é o 21º, com 59 pontos, uma diferença de apenas 15 pontos, não muito expressiva após 5 corridas.

 

 

A Foyt, contudo, pode surpreender nas 500 Milhas de Indianápolis, ou pelo menos, sonhar com um resultado melhor. Caio liderou a primeira sessão de testes coletivos visando a Indy500, marcando o melhor tempo geral dos dois dias de testes, e confessando estar até surpreso. Mas é preciso manter os pés no chão: foram apenas os primeiros dois dias de treinos, e ainda podemos ter muitas surpresas pela frente. E posição de largada, mesmo sendo importante, não define nada em Indianápolis, onde o ritmo de corrida e a desenvoltura no tráfego são cruciais para um bom resultado na corrida, além de um trabalho afinado nos boxes. Mas claro que o melhor tempo marcado mostra potencial, e isso ajuda a melhorar as expectativas de uma boa performance, e de um bom resultado para o piloto brasileiro, que fará sua primeira edição das 500 Milhas de Indianápolis...