quarta-feira, 21 de outubro de 2026

HAVOC SERIES – A TEMPORADA DE 1988 DA F-1 – PARTE VIII

Com uma atuação impecável, apesar dos percalços iniciais, Ayrton Senna venceu sua oitava corrida na temporada, e sagrou-se campeão em Suzuka, no Japão.

 

            E chegamos enfim à última parte das postagens das corridas completas da temporada de 1988 da F-1, que para os torcedores brasileiros, era um momento mágico, onde um de nossos pilotos era campeão na categoria máxima do automobilismo por dois anos consecutivos. Em 1987, foi Nélson Piquet a ser campeão, ou melhor, tricampeão mundial, entrando para uma seleta esquadra de talentos que haviam conseguido tal façanha nos anais da competição até então. E agora, em 1988, era Ayrton Senna quem repetia o feito, conquistando aquele que seria o seu primeiro título na competição. A temporada já tinha tido 14 de 16 provas programadas no ano, entrando em sua reta final com as etapas do outro lado do mundo.

            A F-1 chegava ao Japão para a parte final da temporada. E, mais uma vez, a pista de Suzuka definiria o campeão mundial, tal como havia acontecido um ano antes, em favor então de Nélson Piquet, dando à Honda o seu primeiro título mundial de pilotos na categoria máxima do automobilismo mundial, e que, coincidentemente na pista da própria Honda, agora se repetiria. Mas isso viria com emoção na prova nipônica, que começou com a McLaren mais uma vez dominando a classificação, e monopolizando a primeira fila do grid, com Ayrton Senna largando na posição de honra pela 12ª vez no ano, um massacre nesta estatística, à época. Alain Prost saía ao seu lado, enquanto Gerhard Berger, com a Ferrari, partiria em 3º, ao lado de Ivan Capelli, mais uma vez surpreendendo com a March/Judd, em 4º. A Lotus voltou a dar sinais de vida, e garantiu a terceira fila, com Nélson Piquet em 5º, e Satoru Nakajima, o ídolo local, em 6°. Maurício Gugelmim, com a outra March, era apenas o 13º no grid.

Na largada, eis que tudo pareceu desmoronar para Senna, que com um arranque falhado, despencou para a 14ª posição, e conseguindo evitar do motor morrer, e pelo trecho da pista ser em declive, conseguiu partir. Mas o brasileiro, aproveitando a performance superior do modelo MP4/4, iniciaria uma recuperação fulminante, passando quem estivesse à frente dele na pista. O problema seria alcançar Prost, que precisava vencer ou vencer, se quisesse ainda levar a disputa do título para a Austrália.

A partir da volta 14, contudo, uma leve garoa passou a ocorrer em alguns trechos da pista, e isso impactaria alguns concorrentes. Capelli, na volta 16, não só se mantinha pressionando Alain Prost, como conseguiu até ultrapassar o francês da McLaren em plena reta dos boxes, dando a estatística de volta liderada para o piloto do March, que assim se tornava o primeiro carro com motor aspirado a liderar um GP desde a temporada de 1983. Claro que isso foi efêmero, pois Prost recuperou a dianteira logo a seguir, antes mesmo do fim da reta dos boxes, e embora Capelli tenha seguido pressionando, algumas voltas depois o propulsor Judd de sua March quebrou, deixando o italiano desolado.

Só que Prost também começava a ter alguns problemas: o câmbio de seu carro começou a ficar estranho, e ele precisou reduzir um pouco o ritmo, pensando em conservar o equipamento, e ainda mais pelo piso levemente molhado da pista nipônica, que podia ser traiçoeiro. Em compensação, Senna vinha com toda carga, e em condições de piso que o brasileiro dominava melhor do que o francês. E na volta 27, enquanto tentavam ultrapassar Andrea de Cesaris (Rial), Nakajima (Lotus) e Maurício Gugelmin (March), Senna conseguiu forçar a passagem, assumindo a liderança, já que Prost foi menos hábil em dobrar De Cesaris. Uma vez na ponta, Senna então fez uma série de voltas rápidas, quebrando o recorde anterior da pista e abrindo uma vantagem de mais de três segundos, apesar de ter sido atrasado enquanto ultrapassava Nakajima.

Com pneus slick em uma pista agora totalmente molhada, Senna chegou a fazer gestos para que a corrida fosse interrompida, mas a prova acabou sendo concluída na íntegra, com todas as 51 voltas, e com Senna terminando com uma vantagem de 13 segundos à frente de Prost. Thierry Boutsen (Benetton/Ford) ficou em terceiro lugar, enquanto Berger (Ferrari) se recuperou para o quarto lugar, seguido por Alessandro Nannini, com a outra Benetton/Ford. Riccardo Patrese terminou em sexto lugar, e Nakajima em sétimo. Nélson Piquet, ainda se recuperando de uma doença, abandonou a corrida. E Maurício Gugelmim foi apenas o 10º colocado.

Com a vitória na corrida, Senna garantiu o Campeonato Mundial, com 87 pontos. Devido ao sistema de pontuação de 1988, Prost tinha 84, e só poderia adicionar mais três pontos ao seu total, mesmo que vencesse na prova final, na Austrália, o que lhe daria 87 pontos no total. Se por acaso Senna não pontuasse em Adelaide, e Prost vencesse, eles ficariam empatados em pontos, mas Senna ainda assim conquistaria o título, por ter obtido mais vitórias (8 contra 7) que o francês. A vitória no Japão também foi a oitava de Senna na temporada, quebrando o recorde de 7 vitórias em uma única temporada, anteriormente detido por Jim Clark, em 1963; e de Prost, em 1984.

A corrida, completa, pode ser vista no You Rube, no link abaixo, postado pelo usuário MrVinicius F1 1995:

 

https://www.youtube.com/watch?v=APgo0bLUsVo

 

Título conquistado por Senna, e vice-campeonato já definido para Prost. E com Berger já garantido em 3º lugar no campeonato, não havia muito o que discutir em Adelaide, na Austrália, no encerramento da temporada que viu uma supremacia nunca apresentada antes por uma equipe na história da F-1, e que era a franca favorita para vencer também na corrida final do campeonato. E, como não poderia deixar de ser, Ayrton Senna conquistou mais uma pole-position, a 13º no ano, contra apenas 2 de Prost, e 1 de Berger, marca recorde de uma piloto até então nos anais da categoria máxima do automobilismo. Nigel Mansell despedia-se da Williams com um bom 3º lugar no grid, abrindo a segunda fila, ao lado de Gerhard Berger, da Ferrari. E Nélson Piquet conquistava a 5ª posição de largada, na sua despedida do motor Honda da Lotus. E Maurício Gugelmim fazia apenas o 19º tempo no grid.

Apesar da pole-position, Senna estava com uma torção forte no pulso esquerdo, consequência de uma partida de futebol em que participou em Bali, na Indonésia, que segundo alguns, quase tirou o novo campeão mundial da prova australiana, devido à gravidade da lesão, que exigiria um tempo de recuperação. Mas Ayrton quis correr, para fechar o ano em alta com o recém-conquistado título, então, ele deveria lidar com as dificuldades que estava sentindo na condução do carro. Não fosse a imensa superioridade da McLaren, isso poderia ter sido mais complicado.

            Alain Prost largou melhor que Ayrton Senna e assumiu a liderança desde o início, com o brasileiro em segundo, seguido por Berger e Piquet, que superaram o arranque de Mansell. Sentindo as dores no pulso, Senna não estava em seu melhor ritmo, e na quarta volta, a vantagem de Prost já era de 5,5 segundos, e com Berger fungando na traseira da McLaren do brasileiro. A última corrida de Michele Alboreto pela Ferrari terminou com um abandono logo após a largada, quando ele colidiu com o Dallara de Alex Caffi. O italiano seria substituído por Nigel Mansell em 1989, restando a Alboreto retornar à sua antiga casa, a Tyrrel, no ano seguinte.

Berger vinha embalado, ultrapassou Senna e iniciou uma corrida determinada, alcançando e ultrapassando Prost várias voltas depois, mostrando um ritmo infernal. O Austríaco já tinha uma vantagem de três segundos quando foi tentar ultrapassar os retardatários Stefano Modena, da EuroBrun; e René Arnoux, da Ligier, na volta 23. Só que Arnoux pareceu ignorar seus retrovisores e as bandeiras azuis que o instruíam a deixar Berger passar, fazendo com que ambos os carros se tocassem e rodassem, o que resultou em abandono para Berger, com a suspensão da Ferrari danificada. Isso recolocou Prost de volta na liderança com Senna agora em segundo. E Nélson Piquet, em boa prova, assumia a 3ª posição, à frente da dupla da Williams, com Patrese na frente de Mansell. O italiano até tentou um ataque contra Piquet, mas depois de algumas tentativas, ele rodou na volta 53, permitindo que Mansell o ultrapassasse. Mansell também tentou disputar a última posição do pódio com seu antigo colega de Williams, mas abandonou na volta 66, quando seus freios falharam e ele bateu no muro. A partir da volta 59, Prost engatou uma série de voltas rápidas, acelerando o ritmo e ampliando sua vantagem para mais de 30 segundos e dando uma volta em todo o pelotão, até o quinto colocado, Andrea de Cesaris, da Rial.

Na volta 46, Pierluigi Martini rodou com seu Minardi na chicane e quase foi atingido pelo Ligier de Stefan Johansson. Maurício Gugelmin reduziu a velocidade com seu March para evitar a colisão, mas acabou sendo atingido por trás pelo Lotus de Satoru Nakajima, levando ambos ao abandono da prova. Vários outros carros iam tendo problemas variados durante a corrida no circuito citadino de Adelaide, de modo que apenas sete pilotos viram a bandeira quadriculada. Prost liderou a dobradinha final da McLaren no ano, com Senna em segundo, Piquet em terceiro e Patrese, que conseguiu se recuperar, em quarto. Thierry Boutsen, da Benetton, apesar de uma rodada e problemas no motor, foi o 5º colocado, com Ivan Capelli, da March, conquistando o último ponto da prova, apesar dos percalços de um furo de pneu.

Na última corrida da era turbo até então na história da F-1, todas as três posições do pódio foram conquistadas por carros equipados com motores turbo da Honda. Prost ao menos fechava o ano com astral relativamente mais elevado, depois de perder a disputa do título para seu novo companheiro de equipe, Ayrton Senna. E Nélson Piquet terminava um ano muito pior do que qualquer previsão anunciasse, com uma Lotus muito menos competitiva do que se esperava, mas conquistando um pódio na prova final do ano.

Senna terminava o ano com 90 pontos válidos de um total de 94, enquanto Prost ficava com 87 pontos válidos de um total de 105 conquistados. Injusto? Talvez, mas era o regulamento da época. A partir de 1990, o descarte de pontos foi abolido, se mantendo assim até hoje. A corrida pode ser acompanhada, na íntegra, no link abaixo, postado no You Tube pelo usuário Forell:

 

https://www.youtube.com/watch?v=tnkbI5U0BMs

 

            E assim, concluímos mais uma temporada, com os vídeos das corridas completas. E agora, vamos em breve, com a temporada completa de 1989. Portanto, fiquem atentos aqui para essa nova série de postagens de vídeos aqui no blog...

Depois de um ano para esquecer, Nélson Piquet voltaria ao pódio na Austrália, encerrando o ano onde nada deu certo para o novo tricampeão mundial de F-1.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

BRASIL EM DOBRO NA F-1 2027

Ayao Komatsu, chefe da equipe Haas na F-1, e o novo contratado do time para a temporada 2027 da F-1, o brasileiro Rafael Câmara.

         O Brasil volta a ampliar a presença no grid da Fórmula 1 após uma década. A equipe Haas confirmou oficialmente esta semana a contratação de Rafael Câmara para defender a escuderia estadunidense na próxima temporada, no lugar de Esteban Ocón, que está deixando o time. Câmara disputava a vaga com alguns outros pilotos, mas os bons resultados obtidos nos testes em que participou selou sua contratação, além dos excelentes resultados obtidos no currículo do brasileiro, fora pertencer à Academia de Pilotos da Ferrari, tendo inclusive chance de testar carros do time de Maranello em algumas sessões privadas com modelos de temporadas anteriores.

No ano passado, o Brasil já havia conseguido voltar ao grid com Gabriel Bortoleto, na Sauber, em sua preparação para se tornar o time atual da Audi em 2026. Desde a aposentadoria de Felipe Massa ao fim de 2017, o Brasil não tinha um piloto titular no grid, mas agora, com a chegada de Rafael, o Brasil consegue a façanha de voltar a ter um segundo piloto no grid, algo nem tanto incomum nos velhos tempos, mas que não se fazia presente no grid da F-1 desde a última temporada de Felipe Nasr, em 2016, quando defendeu a Sauber, enquanto Felipe Massa corria pela Williams. Nasr, contudo, deixou a F-1 ao fim daquele ano, deixando Massa como nosso único representante no grid, até o fim de 2017. Na verdade, nem era para termos um piloto no grid naquele ano, mas a aposentadoria repentina de Nico Rosberg logo após conquistar o título com a Mercedes fez o time alemão trazer Valtteri Bottas para a equipe, e a Williams, que teria Lance Stroll como segundo piloto, precisou demover Felipe da aposentadoria já anunciada, de modo que Felipe permaneceu então mais um ano na F-1, retirando-se ao fim de 2017.

A chegada do piloto à categoria máxima do automobilismo coroa uma ascensão meteórica no esporte a motor. Pernambucano de Recife, cidade onde nasceu em 2005, Rafael Chaves Câmara começou bem cedo sua trajetória no automobilismo. Ele estreou no kart ainda aos seis anos de idade. E pode-se dizer que a velocidade tinha certa tradição na família, uma vez que Niége Rossiter, sua avó materna, se aventurou no automobilismo, tendo sido pioneira nas corridas de rua em Recife durante a década de 1960. Após conquistar diversos títulos regionais e o Campeonato Brasileiro de Kart em 2018, Rafael partiu para a Europa, onde começou uma carreira internacional de destaque. Foi vice-campeão mundial em 2019 da CIK-FIA (classe OK Junior), e posteriormente arregimentou títulos nos campeonatos de kart, como a WSK Champions Cup e a WSK Super Master Series, além do vice-campeonato europeu de competição do gênero, em 2021. No ano seguinte, ele partiu para os monopostos, ainda com 16 anos, e depois de se destacar nas seletivas mundiais da Academia de Pilotos da Ferrari, Câmara foi anunciado oficialmente como piloto membro do programa de desenvolvimento da equipe de Maranello.

Logo em seu ano de estréia como piloto da Academia Ferrari, Câmara já começou a se destacar: foi vice-campeão da F-4 dos Emirados Árabes; encerrou em 3º lugar os campeonatos da F-4 Italiana e da F-4 Alemã, acumulando vitórias e pódios. E não pararia por aí: Em 2023, na FRECA (Formula Regional European Championship by Alpine, à epoca), fechou a temporada de estreia em 5º lugar enquanto defendia a equipe Prema. No ano seguinte, dominou o campeonato de ponta a ponta e sagrou-se campeão europeu da FRECA. Em 2025, foi promovido para a F-3 em 2025 pela equipe Trident, onde deu o passo definitivo para se firmar entre os principais nomes nas categorias-satélite da F-1, uma vez que logo na temporada de estreia, garantiu o título por antecipação.

Como piloto da Academia Ferrari, Rafael Câmara conseguiu efetuar alguns testes com carros da Ferrari de temporadas recentes, conseguindo efetuar uma boa preparação visando estrear na F-1.

        E este ano, subiu para a F-2, categoria logo abaixo da F-1, defendendo a equipe Invicta. Durante o campeonato de 2026, Câmara estabeleceu-se como o líder na disputa do título da categoria, mantendo ritmo forte nas rodadas decisivas do ano. O título ainda está em aberto, diante da incerteza a respeito das etapas finais da competição, devido à crise no Oriente Médio, mas Câmara tem ótimas condições de ser campeão. Mas, mesmo que não leve o título, ele já conseguiu o maior troféu: uma vaga na mais cobiçada de todas as categorias do esporte a motor.

Mas o sucesso nas categorias de base, se é um bom cartão de visitas, não é tudo. Rafael precisou mostrar do que é capaz, e não são raros pilotos que arrasam em categorias de acesso e depois, na F-1, não conseguem repetir o mesmo brilho. Câmara tem consciência de que precisa manter os pés no chão, até pelas limitações de competição do time de Gene Haas. Mas isso não significa que ele não teve que suar o macacão para conquistar a vaga. A oportunidade de efetivamente ser contratado pela Haas só ganhou impulso de fato após a escuderia realizar testes particulares com carros de temporadas anteriores da F-1. Como mencionado, o brasileiro pilotou a Ferrari SF-25 e também o Haas VF-25, o que não foi só importante em termos de acumular quilometragem, mas também de mostrar sua capacidade, e impressionando os engenheiros do time norte-americano com seu feedback do carro, os dados de telemetria, consistência em ritmo de corrida e capacidade de ajuste técnico do monoposto.

Câmara desbancou concorrentes diretos de peso neste processo de avaliação. Para a sessão de testes, que foi realizada em Portimão, Portugal, o time convocou também o italiano Leonardo Fornaroli, campeão da F-3 em 2024 e da F-2 em 2025, além de Ryo Hirakawa, campeão do Mundial de Endurance (WEC) pela Toyota e atualmente também piloto reserva da equipe. E a Haas foi bem meticulosa no teste, concentrando-se em uma abordagem técnica e criteriosa antes de fechar o acordo propriamente. O objetivo era medir a capacidade de adaptação dos candidatos em um ambiente controlado, mas altamente exigente, colocando-os à prova antes de qualquer decisão. O titular Oliver Bearman também esteve presente e serviu como referência aos candidatos. E o desempenho apresentado pelo brasileiro mais do que agradou à direção da Haas. Câmara não apenas demonstrou velocidade, mas também boa adaptação e capacidade de fornecer informações técnicas precisas, além de apresentar evolução consistente ao longo de toda a sessão. Isso já agradou a Ayao Komatsu, diretor-geral da escuderia, mas especialmente Gene Haas, proprietário da equipe, que ficou muito impressionado com os resultados e passou a defender o brasileiro como a escolha ideal para contratação pelo time. Haas ainda lembrou que foi o mesmo processo na escolha de Oliver Bearman, outro piloto que fez parte da Academia Ferrari, com o qual o time está bem satisfeito.

Teste com a Haas na pista de Portimão foi o momento decisivo para a contratação, após os bons resultados apresentados pelo brasileiro.

            Obviamente que a performance do brasileiro refletiu a extensa preparação realizada pela Ferrari para que Câmara chegasse à F1. O próprio Rafael fez questão de ressaltar a importância dos testes que pode realizar ao longo de 2026, de modo que ele pudesse garantir estar devidamente pronto para competir na F1. Mas o próprio Ayao Komatsu enfatizou que somente após o teste se convenceu das qualidades do brasileiro, relatando que o panorama das categorias de acesso às vezes não são um demonstrativo exato das qualidades e capacidades de um piloto. E, embora os tempos do teste em Portimão não tenham sido divulgados, comenta-se que Câmara chegou a superar a performance de Bearman, o que é significativo para quem estava ainda conhecendo o carro, enquanto o britânico competiu em todo o ano de 2025 com o mesmo bólido na temporada de F-1. Alguns já apontam até que Bearman, sempre cotado para assumir um lugar como titular na Ferrari no curto prazo, muitos imaginando uma possível ida para lá em 2028, após o contrato de Lewis Hamilton se encerrar com o time italiano. Mas, se a excelente forma de Câmara no teste não for algo fora do comum, Oliver pode enfrentar uma competição direta dentro da Haas com o novo companheiro de equipe, e talvez essa opção de promoção, se Bearman vir a ser superado por Rafael, entre em xeque potencialmente. É muito cedo, contudo, para prever algo deste tipo. Rafael repete que tem muito o que aprender, e procura manter a sobriedade em termos de possibilidades na competição. Mas, seja qual for a capacidade de performance da Haas, o objetivo primário de todo piloto é vencer o companheiro de equipe, então este será o parâmetro de avaliação da temporada de estréia do nosso novo piloto na categoria máxima do automobilismo.

Rafael lidera o campeonato da F-1 e pode ser o campeão da categoria, mas o final da temporada segue incerto.

            É algo que os torcedores brasileiros precisam comemorar, por agora terem mais alguém, além de Gabriel Bortoleto, para torcerem nas corridas, mas também, saberem que, a rigor, ambos estarão longe de disputar pódios, ou mesmo vitórias, algo que muitos torcedores parecem exigir incondicionalmente de nossos pilotos, ignorando suas condições de competição. A Haas é um time médio, que pode dar condições de Rafael mostrar do que é capaz, como Bearman já provou desde que se tornou piloto titular da escuderia. O problema é que o time por vezes tem uma performance instável, e já houve temporadas em que a escuderia norte-americana frequentou mais o fim do grid do que o meio do pelotão, enquanto em outros momentos, até flertou com o pódio, resultado até hoje que a Haas nunca alcançou em sua história na F-1. Dependendo de como for a preparação da escuderia para 2027, podemos esperar uma temporada boa, mas dentro das possibilidades do time, ou algo menos esperançoso. Câmara está ciente das dificuldades, e como ele mesmo afirmou, há todo um novo mundo para aprender no que tange à F-1, mostrando que sabe que precisará compreender plenamente a categoria e todas as suas nuances, como qualquer novato na competição, que por mais talento e preparo que tenha, sempre está sujeito a altos e baixos em uma temporada de estréia na competição. Gabriel Bortoleto que o diga: ele teve seus altos e baixos em 2025, quando estreou no grid, com alguns momentos bem ruins, e alguns muito bons, mas a Audi o contratou para um projeto de longo prazo, o que significa um pouco mais de tranquilidade na condução dos trabalhos, o que não significa que as cobranças não virão, mas que o time tem plena consciência do que ele próprio precisa providenciar para que seus pilotos obtenham os melhores resultados. E assim deverá ser com Câmara.

Que os torcedores brasileiros possam apoiar seu mais novo piloto no grid de forma racional e correta, como deve ser. Uma boa torcida sempre é bem-vinda, e que Rafael possa fazer uma boa temporada de estréia na F-1...

 

 

O recorde de participação de pilotos brasileiros no grid da F-1 foi em 2010, onde contamos com quatro pilotos titulares no grid em tempo integral: tínhamos Felipe Massa (Ferrari), Rubens Barrichello (Wiliams), Lucas Di Grassi (Virgin), e Bruno Senna (Hispania). Bruno, apesar de titular do pequeno time, não participou do GP da Inglaterra, sendo substituído por Sakon Yamamoto, mas era o titular do carro.

 

 

Consideradas participações esporádicas de pilotos brasileiros no grid, substituindo titulares das escuderias, houve duas temporadas onde tivemos cinco pilotos largando em algumas corridas. A primeira temporada foi em 2001, onde tivemos, no GP da Alemanha, os pilotos Rubens Barrichello (Ferrari), Enrique Bernoldi (Arrows); Luciano Burti (Jaguar); Tarso Marques (Minardi), e Ricardo Zonta (Jordan). A segunda temporada que contou com 5 pilotos brasileiros durante o ano foi 2004, devido ao revezamento de vagas nas equipes Toyota e Williams. Foram eles: Rubens Barrichello (Ferrari), Felipe Massa (Sauber), Cristiano da Matta (Toyota), Antonio Pizzonia (Williams), e Ricardo Zonta (Toyota). Zonta, aliás, substituiu o compatriota Cristiano da Matta, dispensado sem cerimônias pelo time japonês durante a temporada, depois que o piloto fez críticas à escuderia nipônica por procedimentos de competição que ele considerou ruins no ano.

 

 

A primeira temporada de F-1 a contar com mais de dois pilotos brasileiros no grid foi em 1972. Naquele ano, além de Émerson Fittipaldi correndo pela Lotus, onde seria campeão, houve também a participação como titulares de seus respectivos times, José Carlos Pace, com a March; e Wilson Fittipaldi Junior, com a Brabham. Luiz Pereira Bueno participou apenas da etapa do Brasil, que naquele ano foi uma prova extra-campeonato, sem valer pontos para o campeonato, correndo com um March. Até então, as participações brasileiras se resumiam à participação de Chico Landi, nos anos 1950; e de Émerson Fittipaldi, que estreou em 1970, e desde então defendia a equipe de Colin Chapman.

 

 

Max Verstappen detonou na etapa de Singapura, vencendo tanto a corrida Sprint quanto a prova principal na pista urbana de Marina Bay, além de marcar a pole nas duas corridas do fim de semana. Com o resultado, o tetracampeão holandês escalou a classificação no campeonato, que junto ao triunfo na prova de Sepang, na semana anterior, já faz Verstappen ocupar a 4ª posição no campeonato, a apenas 8 pontos de Lewis Hamilton, o 3º colocado; e apenas 17 pontos atrás de George Russell, o vice-líder. Russell, aliás, rodou e bateu sozinho na corrida sprint, e tendo de largar do fundo do grid na prova principal, pela troca de componentes em sua unidade de potência, foi apenas 9º colocado na prova, enquanto Andrea Kimi Antonelli foi o 3º colocado na corrida, tendo sido 4º colocado na prova curta. Com o resultado, o italiano da Mercedes chegou a 340 pontos na classificação, com Russell, ainda na vice-liderança, mas a 102 pontos atrás. Com seis corridas teoricamente para fechar a temporada, Antonelli já tem chance de ser campeão matematicamente na próxima corrida, em Austin, no Texas, a depender da combinação de resultados. A briga pelo vice-campeonato, contudo, pode render bastante, e Russell, se não tomar cuidado, pode ser surpreendido pelos rivais que estão se aproximando dele, se continuar com essa maré de azar...