Chegamos ao mês de outubro, e já iniciamos o último trimestre de 2026, que entra em sua reta final, e claro que o mundo da velocidade mantém suas atividades em aceleração máxima, não ficando parado, com vários de seus campeonatos e certames seguindo adiante, enquanto alguns, como a Indycar, já fecharam seu ano, e outros, como a Formula-E, preparam-se para entrar novamente em ação no final do ano. E, como de costume, todo início de um novo mês é palco de mais uma nova sessão da Flying Laps, com alguns dos acontecimentos ocorridos no mundo da velocidade, desta vez mais uma vez focada na MotoGP e na parte final na Indycar, neste último mês de setembro, sempre com alguns comentários rápidos a respeito dos eventos. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps, no início do mês que vem...
Scott McLaughlin conseguiu escapar de passar a temporada 2026 da Indycar em branco. O neozelandês da equipe Penske não apenas marcou a pole na última corrida do ano, em Laguna Seca, como dominou a corrida de forma rara este ano, vencendo com categoria a prova de encerramento da competição. Mas o piloto esteve sob pressão o tempo todo, conseguindo manter os adversários sob controle, e cruzou a linha de chegada com pouco mais de 1s para Kyle Kirkwood, da Andretti, e este à frente de Alexander Rossi, também da Andretti, fechando o pódio da etapa. Com o título mais do que já conquistado, Álex Palou, da Ganassi, teve uma corrida menos esplendorosa, terminando em 8º lugar. Quem mais uma vez remou muito só para perder parte do esforço foi Caio Collet, em sua prova de despedida da equipe Foyt, onde foi apenas 20º colocado. O brasileiro até havia se classificado bem, mas por ter trocado o motor, foi penalizado perdendo várias posições, e em um circuito difícil de efetuar ultrapassagens, isso o obrigou a ter de recuperar posições na pista, e como virou hábito na temporada, o trabalho de box da equipe Foyt também não foi dos mais primorosos, o que ajudou Caio a terminar lá atrás, sem perspectiva de encerrar o ano com um resultado mais satisfatório.
Kyle Kirkwood terminou o ano como vice-campeão da Indycar. O piloto da Andretti estava numa disputa com Christian Lundgaard, da McLaren, pelo posto de “melhor do resto”, visto o domínio de Álex Palou, da Ganassi, no ano, e venceu a parada por apenas 10 pontos, uma vez que Kyle terminou no pódio em Laguna Seca, em 2º lugar, enquanto Christian foi apenas o 6º colocado. Quarto colocado no campeonato, Patricio O’Ward, da McLaren, terminou o ano com a frustração de ter sido superado por Lundgaard, tendo como único consolo ver o colega deixar o time, substituído pelo hexacampeão Scott Dixon. Dixon, aliás, teve uma temporada irreconhecível, finalizando o ano em 12º lugar, e por pouco não perdendo para Kyffin Simpson, colega na Ganassi. O neozelandês deixa a equipe de Chip Ganassi desgostoso com vários assuntos internos, que podem até explicar sua queda de performance no ano, onde em raros momentos conseguiu apresentar resultados condizentes com seu currículo como um dos maiores vencedores das categorias Indy de todos os tempos. A Penske teve um ano mediano, onde se não foi um desastre, também não conseguiu entrar na briga pelo título. Novato no time, David Malukas terminou o ano em 5º lugar, o melhor piloto classificado do time de Roger Penske, mas não conseguiu averbar nenhuma vitória durante o ano. Scott McLaughlin terminou logo atrás, em 6º lugar, mas venceu no encerramento do ano, em Laguna Seca. E Josef Newgarden foi apenas o 8º colocado, tendo conquistado duas vitórias, o que não amenizou muito a situação do bicampeão, que temeu não permanecer no time em 2027, haja vista a presença de Felipe Nasr em várias etapas, sendo que o brasileiro pode vir para o time da Indycar na temporada de 2028, ainda a se descobrir na vaga de quem, o que deixa o trio de pilotos precisando mostrar serviço a pleno em 2027, se não quiserem ser rifados.
E, por falar em brasileiro, Caio Collet enfrenta situação complicada para 2027. A Foyt anunciou a contratação de Dennis Hauger, que foi o novato do ano na temporada de 2026, dispensando Santino Ferrucci sem maiores cerimônias. Como o ambiente de Caio no time já não andava bom diante dos erros e decisões questionáveis da escuderia durante o ano, já se especulava que Collet iria mudar de time. A Meyer Shank revelou que o fator financeiro pesou mais, e anunciou a contratação de Mick Schumacher, que em sua temporada de estréia na competição, defendeu a Rahal/Leterman/Lanigan, e agora terá melhores chances em um time mais bem estruturado. Uma nova chance que surgiu, mas que pode ir pelo ralo, é na Juncos, onde o time iria fazer uma parceria técnica com a McLaren a partir de 2027, e Caio, que interessa ao time de Woking, seria alocado lá para o próximo ano. Mas as negociações para efetivar a parceria parecem ter esfriado, o que, indiretamente, também afetaria a escolha de Collet para defender o time. Sobraria então a Dale Coyne, na vaga que era de Hauger, mas o time depende de patrocinadores, então, quem aparecer com mais verba, mesmo diante das novas regras estabelecidas pela Indycar para restringir a presença de pilotos meramente “pagantes”, deve levar a parada. Caio não conseguiu fazer uma temporada de estréia exatamente vistosa na Indycar. A Foyt caiu de performance, arrastando seus pilotos junto, que conseguiram apenas raros momentos de efetiva competitividade dos carros do time no ano. E Caio ainda teve o agravante de cometer erros, alguns naturais para um novato na competição, outros mais questionáveis, que certamente, não ajudaram na luta para se mostrar um piloto que se mostrasse mais viável sem depender tanto do aspecto financeiro. Resta uma esperança efêmera, mesmo que indesejada, do time não conseguir contratar Josh Pierson, diante das novas regras da Indycar para acesso à categoria. Na prática, as novas regras inviabilizam a contratação, pelo histórico sem atrativo de Pierson, cujo principal motivo seriam os patrocínios de aproximadamente US$ 25 milhões por dois anos, mais que o dobro do aporte financeiro de Collet. Até o fechamento desta matéria, tudo segue indefinido na situação do brasileiro para o próximo ano.
Depois de fazer uma limpa completa no GP de Aragón, onde venceu tanto a prova Sprint quanto a corrida principal, Marc Márquez repetiu o feito na etapa seguinte do campeonato da MotoGP, em Misano, novamente vencendo a prova curta do sábado, e a corrida do domingo, averbando mais um fim de semana perfeito do espanhol da Ducati, e atual campeão mundial, em sua busca por mais um título, e descontando a vantagem de Jorge Martin, da Aprilia, na liderança do campeonato. Restou à Aprilia controlar o prejuízo, com Martin terminando a corrida curta em 3º, atrás de Marco Bezzecchi, que de líder no início da temporada virou azarão nas provas mais recentes. Na corrida de domingo o prejuízo foi maior, com Jorge ficando apenas em 5º, enquanto Bezecchi caiu logo na primeira volta. Diogo Moreira não teve um bom fim de semana em Misano, tendo terminado a prova Sprint em 11º, e também abandonando na corrida principal ,tendo uma etapa sem marcar ponto algum. O pódio em Misano, aliás, foi de comemoração para a família Márquez, já que Álex Marques, da Gresini, foi o 2º colocado, com uma dobradinha 1-2 para a família espanhola.
Se o avanço de Marc Márquez gerou apreensão na Aprilia, mais do que necessário responder, e mesmo que não tenham tido todo o panorama a seu favor como gostariam, a marca de Noale conseguiu um bom respiro na etapa seguinte da competição, na Áustria, onde Jorge Martin venceu a corrida Sprint, mas não sem um bom duelo com a “Formiga Atômica”, que esteve sempre nos calcanhares do campeão de 2024, pronto para tentar dar o bote. Marco Bezzecchi conseguiu manter o astral da Aprilia alto ao finalizar em 3º a corrida curta, mas claro que ainda teríamos a corrida de domingo, e aí, o principal adversário das Aprilias foi outro piloto: Pedro Acosta, que conseguiu levar a KTM à vitória justamente na Áustria, país natal da marca, marcando o fim de um jejum incômodo que já vinha de algumas temporadas na classe rainha do motociclismo. Foi também a lavação da alma para Acosta, que já esteve perto de vencer em algumas oportunidades, mas sempre teve algum percalço que o deixou sem o tão desejado triunfo em uma corrida principal, que agora finalmente chegou. Era também uma dívida do piloto para com a KTM, pois em 2027 Acosta irá defender o time de fábrica da Ducati, e ele desejava poder pelo menos ainda vencer com a marca que apoiou sua entrada na MotoGP. Já quanto à Aprilia, eles não tiveram motivos para reclamar exatamente: Jorge Martin foi um bom 2º lugar, enquanto Bezzecchi, tentando espantar os azares recentes, fechou o pódio com a 3º posição. Marc Márquez foi o 5º colocado, tendo ele que minimizar o prejuízo nesta etapa, mantendo-se ainda a uma distância nada tranquila de Jorge Martin, com o espanhol da Aprilia mantendo uma liderança cada vez mais ameaçada pelo heptacampeão, que está a fim de conquistar seu oitavo título, e não pode ser subestimado de modo algum. Diogo Moreira, da LCR, teve um fim de semana complicado, tendo que se contentar com um mero 15º lugar na corrida principal. E com a situação ainda indefinida sobre qual será sua posição na categoria em 2027, se será com a LCR, ou com o time de fábrica, uma vez que a Honda não se pronunciou a respeito da situação.
A MotoGP divulgou o seu calendário para 2027, e o Brasil segue como a terceira etapa do campeonato, após as provas iniciais na Tailândia e no Qatar, a ser realizado no início do mês de abril. A novidade é que, logo após a etapa brasileira, a Argentina volta ao calendário, uma semana depois, no circuito de Buenos Aires, e não mais em Thermas de Rio Hondo, onde a classe rainha do motociclismo se apresentou em temporadas recentes. Outra mudança é que a etapa da Austrália passará a ser realizada no novo traçado urbano de Adelaide, marcando a despedida de Phillip Island da competição este ano. Balaton Park, na Hungria, não está no calendário, mas é preciso ver como a situação no Oriente Médio estará, diante dos conflitos com o Irã e Israel/Estados Unidos. Vale lembrar que a prova de Losail foi realocada para novembro este ano diante do mesmo conflito, mas ainda segue pendente de confirmação de sua realização este ano. E o Qatar foi colocado em sua posição de costume no calendário, ou seja, será a segunda etapa da competição no próximo ano. Confiram as datas: 07.03 - GP da Tailândia (Buriran); 14 de março - GP do Qatar (Losail); 4 de abril - GP do Brasil (Goiânia); 11 de abril - GP da Argentina (Buenos Aires); 25 de abril - GP das Américas (Austin); 9 de maio - GP da Espanha (Jerez de La Frontera); 16 de maio - GP da França (Le Mans); 30 de maio - GP da Itália (Mugello); 13 de junho - GP da Catalunha (Barcelona); 27 de junho - GP da Holanda (Assen); 11 de julho - GP da Alemanha (Sachsenring); 18 de julho - GP da República Tcheca (Brno); 15 de agosto - GP da Grã-Bretanha (Silverstone); 29 de agosto - GP da Áustria (Zeltweg); 12 de setembro - GP de San Marino (Misano); 19 de setembro - GP de Aragón (Motorland); 3 de outubro - GP de Portugal (Portimão); 17 de outubro - GP do Japão (Motegi); 24 de outubro - GP da Malásia (Sepang); 31 de outubro - GP da Indonésia (Mandalika); 14 de novembro - GP da Austrália (Adelaide); 28 de novembro - GP de Valência (Valência).
O esquema da MotoGP, de terem corridas sprints em todas as etapas, continua valendo. Mas haverá uma mudança em 2027: as provas curtas terão uma classificação própria, independente da classificação da corrida principal, enquanto hoje, a classificação vale para as duas corridas do fim de semana. Assim, haverá dois treinos classificatórios por etapa na próxima temporada.



