sexta-feira, 9 de outubro de 2026

COM OS BURROS N’ÁGUA

Software de gerenciamento de energia das unidades de potência sofreu pane geral nas condições incomuns do início da prova em Sepang. Vexame homérico para a FIA e a F-1.

            Não é de hoje que critico a postura da FIA e da Formula 1 em corridas sob chuva, que recentemente parecem ter virado um problema digno de proporções bíblicas, quando antigamente os pilotos iam para a pista, e disputavam um GP sem problemas, enquanto hoje, basta cair qualquer chuva para todo mundo se encolher dentro dos boxes, como se o mundo fosse acabar por causa da água. E domingo passado, em Sepang, eis que categoria “máxima” do automobilismo deu mais um vexame, embora nem tanto pelos momentos vivenciados na chuva depois que a prova efetivamente começou, mas antes dela…

            Como é de costume, o clima malaio, equatorial, afinal, não esqueçamos que o país está na linha do Equador, o que para nós, brasileiros, seria como se estivessem em Manaus, se fez presente no domingo, despejando aquela água na pista, que mesmo contando com um sistema de drenagem exemplar, teve trabalho para manter a pista em condições que a F-1 atual consideraria adequadas para competir. Certo, de início, poderia ser água demais mesmo, mas dali a esperar todo o tempo, são outros quinhentos. E aqui entra minha crítica feroz, mas com razão, a respeito da imbecilidade das regras atuais da competição que, nestes casos, se mostra inflexível quando deveria abordar a excepcionalidade do momento, como era praxe antigamente.

            E, para quem não lembra, ou não conheceu aqueles tempos, quando a corrida era disputada com chuva, e o restante do final de semana tivesse sido seco, ou nem todo molhado, havia, além do tradicional treino do warm-up nas manhãs do dia da corrida, mais um treino extra, de 15 minutos, dedicado a times e pilotos mudarem completamente o set up dos carros para a pista molhada, reduzindo tanto quanto possível as inadequações dos ajustes dos carros para enfrentar uma corrida sob chuva. Isso evitava parte dos perigos da pista molhada, o que não quer dizer que, em alguns momentos, as provas não eram adiadas por questões de segurança. Só que isso acontecia quando de fato havia água demais. Hoje em dia, chuvas moderadas já causam isso, e o problema é a extrema cautela da FIA e da F-1 com segurança, além de uma rigidez na regra que não permite que os carros tenham seus ajustes modificados para o piso molhado, caso ajustados para pista seca, ou precisando mesmo de ajustes mais vigorosos para piso molhado. Eles falam que a questão de segurança é prevalecente, mas o discurso, apesar de justificado, é apenas falatório, porque, se o lance da segurança prevalece, porque não permitir novamente o reajuste completo dos set ups para adequar os carros para pista molhada, o que permitiria muito mais segurança para os pilotos terem controle dos bólidos do que os ajustes de compromisso que são obrigados a adotar atualmente. Fora que os carros são muito mais seguros atualmente do que há décadas, o que não significa que estamos menosprezando as chances de acidentes, obviamente, mas carros ajustados adequadamente para o piso molhado, mesmo quando os treinos foram assim, mas precisando de reajustes quando a chuva no domingo é mais considerável tornariam a situação menos perigosa.

            Outro problema diz respeito à Pirelli, que não consegue produzir pneus de chuva forte adequados porque não conta com colaboração mais efetiva da própria FIA e das equipes, quando este tipo de situação precisa ser encarada com seriedade. Se os pneus de chuva forte não são bons, é preciso união de todos para desenvolver compostos melhores para este tipo de situação, mas quando um dos lados não colabora devidamente, não dá para jogar toda a responsabilidade nas mãos da fornecedora de pneus, que tem que trabalhar com o que tem nas mãos.

            Mas o problema na Malásia poderia passar, fosse apenas isso, mas aconteceu algo mais bizarro, e constrangedor: o sistema do software que gerencia a entrega de potência das novas unidades híbridas simplesmente entrou em parafuso diante das circunstâncias incomuns vivenciadas pelos carros, como baixa rotação, velocidade baixa, até mesmo nos trechos de grandes retas de Sepang, o que fizeram o programa simplesmente dar pane em vários carros. Alguns ficaram completamente parados, outros perderam quase toda a potência, se arrastando pela pista. E como o software é gerenciado pela FIA, para padronização do sistema, foi preciso baixar uma atualização, instalar nos carros e praticamente resetar os sistemas, como em um computador convencionar. Básico, mas eficaz. O problema é ter demorado todo aquele tempo, com os carros de competição tecnologicamente mais avançados do planeta, que de um instante para o outro, viraram reféns de um sistema que não soube identificar as anormalidades provocadas pela chuva, e apenas deu “tilt”. E, como a F-1 praticamente não tinha vivenciado uma situação de chuva assim, basicamente não havia como saber exatamente o que aconteceria… Se bem que, se tivéssemos uma pré-temporada digna do nome, talvez fosse possível simular este tipo de acontecimento com os times, mas com cada temporada recente tendo pré-temporadas que mais parecem um shakedown gigante dos carros do que testes propriamente ditos, se comparados com o que tínhamos antigamente, podemos ver que, mais uma vez, FIA e F-1 cavaram a própria desgraça, sendo que o único ponto positivo é que isso foi mais danoso à imagem e credibilidade da categoria do que se tivesse ocorrido algo realmente grave, como um acidente, se bem que estivemos perto de uma tragédia potencial, como já foi discutido sobre o acidente de Oliver no GP do Japão, quando o piloto tentou evitar de atingir o carro de Franco Colapinto, onde o sistema de potência dos carros estava díspare, onde a Alpine do argentino estava anormalmente carros lentos demais para o padrão de um F-1, em um trecho de aceleração, porque o sistema de carregamento simplesmente era fraco demais para prover a energia necessária. Bearman, com mais “carga”, precisou desviar abruptamente, perdendo o controle do carro e batendo com força, mas felizmente não se feriu.

Max Verstappen de volta com tudo: holandês largou na pole em Sepang e venceu a corrida quase de ponta a ponta.

            Isso porque o novo sistema de gerenciamento de energia foi um furada total, com a FIA tendo que efetuar “remendos” no sistema a fim de prevenir situações similares, o que tem conseguido disfarçar parte do dilema. Só que, em Sepang, o problema foi outro, e tão constrangedor e ridículo quanto. E, como mencionei, o único ponto positivo foi não termos tido nenhum acidente, mas os pilotos soltaram o verbo sobre a situação, impensável para a excelência tecnológica de F-1 que, se não precisa parecer perfeita, lamentavelmente deixa a arrogância e a prepotência acharem que conseguem dar conta de tudo, ou resolver tudo, mesmo quando os defeitos de uma medida saltam aos olhos.

            A corrida em si nem foi tão ruim, com alguns bons duelos, boas recuperações, e disputas animadas. Mas, claro, o que marcou o evento, que já era incomum porque era o GP do Bahrein “realizado na Malásia”, diante de outra manobra mirabolante da FIA para não ter um GP cancelado (a queda de braço financeira que mencionei na semana passada), e poderia passar sem essa.

Agora, é ver qual será a próxima baianada que a FIA e a F-1 vão aprontar, e do jeito que a coisa anda, pode muito bem ocorrer a qualquer momento… E que já aconteceu hoje mesmo, durante o treino de classificação da corrida sprint, destava vez com dois erros que deixaram equipes e pilotos tremendamente irritados, com a Aston Martin prometendo até protestar contra o resultado do treino de classificação. Das duas falhas registradas, uma foi por erro humano.

            O primeiro erro foi revelado pela FIA ainda durante a classificação, com um problema do software de cronometragem, fazendo com que algumas voltas rápidas não fossem computadas no momento certo. Isso afetou Gabriel Bortoleto, que chegou a ser eliminado no SQ1 sendo classificado em 18º antes de o problema ser corrigido, e assim, subir para 11º, avançando para o SQ2. Ao menos aqui, o erro foi menor, ainda que inadmissível para um órgão como a FIA, no cumprimento de suas obrigações. Já o segundo erro foi revelado apenas depois do fim da classificação, onde após a bandeira vermelha causada pelos detritos da Cadillac de Sergio Pérez, que bateu no muro, um erro humano na central de controle da direção de prova fez com que o modo ultrapassagem, o aumento de potência normalmente ativo durante a classificação, não fosse reativado. Um oficial da direção de prova reativou o modo por 27 segundos antes de desativá-lo novamente, e como resultado, o SQ1 foi gravemente afetado, pois alguns carros haviam marcado sua melhor volta quando estavam usando o modo ultrapassagem normalmente, enquanto, após a interrupção, outros carros não conseguiram melhorar seus tempos sem a potência extra, ficando fora do corte dos 16 primeiros. Nesta, os maiores prejudicados acabaram sendo os pilotos Arvid Lindblad, Lance Stroll e a dupla da Williams, todos eliminados no SQ1. Realmente, os times mais do que tem razão para reclamarem de tal confusão. E esperar que isso tenha acabado por aqui, mas… Bem, vejamos o que Marina Bay poderá nos oferecer ainda mais neste final de semana...

 

George Russell: depois de uma vitória incontestável e firme em Baku: abandono a poucas voltas do fim em Sepang, perdendo um pódio, e praticamente as chances de ainda brigar efetivamente pelo título da temporada 2026 da F-1.

 

Uma no cravo, outra na ferradura, diz o ditado popular. George Russell que o diga: depois da bela vitória em Baku, no Azerbaijão, o piloto inglês, que esperava dar início a uma recuperação no campeonato, e não deixar Andrea Kimi Antonelli ser campeão tão antecipadamente como vem sendo cogitado, sofreu outro baque considerável em Sepang, quando sofreu um problema na unidade de potência que o fez abandonar a corrida, entregando a 3ª posição do pódio para Lewis Hamilton, que embora em forte recuperação, teria dificuldades de assumir a posição no final da corrida. Russell já terminaria atrás de Antonelli, mas a diferença aumentaria apenas 3 pontos, mas com o abandono, agora a desvantagem do inglês para o companheiro de equipe chegou a 84 pontos, com 7 corridas em tese para fechar a temporada. Como desgraça pouca é bobagem, a quebra da unidade de potência do carro de Russell obrigou a Mercedes a ter de trocar para uma nova unidade para a corrida deste final de semana, em Singapura, o que foi confirmado pelo time alemão, o que jogará George para largar no fim do grid, pelas penalizações das trocas de equipamento necessárias. E, claro, como todo circuito de rua, a pista de Marina Bay não é lá um paraíso para se fazer ultrapassagens, o que indica que as possibilidades normais de Russell ter um resultado positivo desabaram completamente, com a perspectiva de Antonelli disparar ainda mais na dianteira do campeonato. Como a punição é para a corrida principal, Russell poderá correr sem este problema na prova Sprint, neste sábado, só que isso não alivia muito a situação do piloto inglês.

 

 

Muitos críticos disseram que a Ferrari jogou fora uma potencial chance de vencer na Malásia, diante da decisão esdrúxula de partir com pneus de pista seca, quando o circuito ainda estava muito molhado. Isso fez Lewis Hamilton e Charles LeClerc despencarem lá para trás, chegando a ocupar quase a rabeira da classificação, e tudo parecia mais perdido que cego em tiroteio. O Safety Car, no final da prova, ajudou, é verdade, mas ali mesmo, também mostrou que a Ferrari, mesmo que tivesse largado igual a todo mundo, não ficou assim tão prejudicada. Max Verstappen, na liderança desde a parte inicial da corrida, se manteve firme em primeiro, e voltou a abrir vantagem, enquanto Hamilton não conseguiu pressionar Andrea Kimi Antonelli propriamente na briga pelo 2º lugar, o que mostra que, mesmo que a Ferrari não tivesse perdido tempo na prova em condições normais de estratégia, não teria levado, já que o carro de segurança anulou parte da desvantagem, e renivelou o grid na parte final da prova. Além disso, é bom lembrar que McLaren também se equivocou com os pneus, tal como o time de Maranello, e sua dupla teve resultados piores que os ferraristas. Então, neste ponto, é coerente a crítica que a Ferrari faz das críticas recebidas, muitas delas contundentes e exageradas, sendo que a McLaren fez a mesma manobra errada, mas isso não parece ter rendido uma saraivada de críticas tão avassaladora quanto o time italiano. Claro, Ferrari é Ferrari, tem aquela mítica toda do time que é sinônimo da F-1, mas essa fama e charme também costuma, muitas vezes, ter um charme bem negativo…

 

 

Max Verstappen, depois de arrepiar e vencer a etapa em Sepang, pode voltar a fazer graça novamente neste final de semana. O piloto da Red Bull marcou a pole-position para a corrida Sprint em Singapura, e sendo uma pista de rua onde as ultrapassagens são complicadas, tem tudo para vencer, pelo menos a prova curta. Ainda será preciso comprovar a força do holandês para a corrida principal, no domingo. Enquanto isso, George Russell terá a chance de pelo menos começar bem o fim de semana, largando na primeira fila da corrida curta, enquanto Andrea Kimi Antonelli sai apenas em 7º. Aliás, o triunfo de Verstappen na Malásia marcou também a primeira pole-position do tetracampeão no ano, e foi a primeira vitória da nova parceira Ford/RBPT, e o primeiro triunfo do motor Ford deste o GP do Brasil de 2003, que ficou com Giancarlo Fisichella, da Jordan/Ford, obtido na confusão das voltas finais, quando Fernando Alonso bateu forte na Curva do Café, e bagunçou as posições dos pilotos, com a vitória sendo considerada inicialmente de Kimi Raikkonen, da McLaren, inclusive com o pódio sendo realizado com o finlandês como vencedor, fato que foi posteriormente corrigido, com o troféu de vencedor recebido por Kimi sendo entregue então a Fisichella na etapa seguinte, em Ímola, naquele ano. Já a última vez que um carro com motor Ford largou na pole-position em uma prova de F-1 havia ocorrido em 1999, no GP da França, quando o brasileiro Rubens Barrichello, então na Stewart, equipe oficial da Ford na competição, marcou o melhor tempo na classificação para a etapa francesa, na pista de Magny-Cours. Naquele mesmo ano, a Stewart venceria sua primeira e única corrida na categoria máxima do automobilismo, no GP da Europa, com Johnny Herbert, que seria a penúltima vitória da Ford na competição, até o triunfo inusitado de Fisichella no Brasil em 2003. E vale lembrar que essa vitória com a Stewart é basicamente da mesma equipe que hoje é a Red Bull, uma vez que a Stewart, comprada pela Ford, virou Jaguar, competindo de 2000 a 2004, quando a Ford abandonou a F-1, e o time foi comprado pela Red Bull, que é a escuderia atual, pela qual Verstappen fez a Ford voltar a largar na frente e a vencer novamente na F-1, no domingo passado.

Acima, a última pole de um carro com motor Ford na F-1 antes de Sepang domingo passado: Rubens Barrichello com a Stewart no GP da França de 1999. Abaixo: a última vitória até então de um motor Ford na F-1, com Giancarlo Fischella, com Jordan, no GP do Brasil de 2003.


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

FLYING LAPS – SETEMBRO DE 2026

            Chegamos ao mês de outubro, e já iniciamos o último trimestre de 2026, que entra em sua reta final, e claro que o mundo da velocidade mantém suas atividades em aceleração máxima, não ficando parado, com vários de seus campeonatos e certames seguindo adiante, enquanto alguns, como a Indycar, já fecharam seu ano, e outros, como a Formula-E, preparam-se para entrar novamente em ação no final do ano. E, como de costume, todo início de um novo mês é palco de mais uma nova sessão da Flying Laps, com alguns dos acontecimentos ocorridos no mundo da velocidade, desta vez mais uma vez focada na MotoGP e na parte final na Indycar, neste último mês de setembro, sempre com alguns comentários rápidos a respeito dos eventos. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps, no início do mês que vem...

Scott McLaughlin conseguiu escapar de passar a temporada 2026 da Indycar em branco. O neozelandês da equipe Penske não apenas marcou a pole na última corrida do ano, em Laguna Seca, como dominou a corrida de forma rara este ano, vencendo com categoria a prova de encerramento da competição. Mas o piloto esteve sob pressão o tempo todo, conseguindo manter os adversários sob controle, e cruzou a linha de chegada com pouco mais de 1s para Kyle Kirkwood, da Andretti, e este à frente de Alexander Rossi, também da Andretti, fechando o pódio da etapa. Com o título mais do que já conquistado, Álex Palou, da Ganassi, teve uma corrida menos esplendorosa, terminando em 8º lugar. Quem mais uma vez remou muito só para perder parte do esforço foi Caio Collet, em sua prova de despedida da equipe Foyt, onde foi apenas 20º colocado. O brasileiro até havia se classificado bem, mas por ter trocado o motor, foi penalizado perdendo várias posições, e em um circuito difícil de efetuar ultrapassagens, isso o obrigou a ter de recuperar posições na pista, e como virou hábito na temporada, o trabalho de box da equipe Foyt também não foi dos mais primorosos, o que ajudou Caio a terminar lá atrás, sem perspectiva de encerrar o ano com um resultado mais satisfatório.

 

 

Kyle Kirkwood terminou o ano como vice-campeão da Indycar. O piloto da Andretti estava numa disputa com Christian Lundgaard, da McLaren, pelo posto de “melhor do resto”, visto o domínio de Álex Palou, da Ganassi, no ano, e venceu a parada por apenas 10 pontos, uma vez que Kyle terminou no pódio em Laguna Seca, em 2º lugar, enquanto Christian foi apenas o 6º colocado. Quarto colocado no campeonato, Patricio O’Ward, da McLaren, terminou o ano com a frustração de ter sido superado por Lundgaard, tendo como único consolo ver o colega deixar o time, substituído pelo hexacampeão Scott Dixon. Dixon, aliás, teve uma temporada irreconhecível, finalizando o ano em 12º lugar, e por pouco não perdendo para Kyffin Simpson, colega na Ganassi. O neozelandês deixa a equipe de Chip Ganassi desgostoso com vários assuntos internos, que podem até explicar sua queda de performance no ano, onde em raros momentos conseguiu apresentar resultados condizentes com seu currículo como um dos maiores vencedores das categorias Indy de todos os tempos. A Penske teve um ano mediano, onde se não foi um desastre, também não conseguiu entrar na briga pelo título. Novato no time, David Malukas terminou o ano em 5º lugar, o melhor piloto classificado do time de Roger Penske, mas não conseguiu averbar nenhuma vitória durante o ano. Scott McLaughlin terminou logo atrás, em 6º lugar, mas venceu no encerramento do ano, em Laguna Seca. E Josef Newgarden foi apenas o 8º colocado, tendo conquistado duas vitórias, o que não amenizou muito a situação do bicampeão, que temeu não permanecer no time em 2027, haja vista a presença de Felipe Nasr em várias etapas, sendo que o brasileiro pode vir para o time da Indycar na temporada de 2028, ainda a se descobrir na vaga de quem, o que deixa o trio de pilotos precisando mostrar serviço a pleno em 2027, se não quiserem ser rifados.

 

 

E, por falar em brasileiro, Caio Collet enfrenta situação complicada para 2027. A Foyt anunciou a contratação de Dennis Hauger, que foi o novato do ano na temporada de 2026, dispensando Santino Ferrucci sem maiores cerimônias. Como o ambiente de Caio no time já não andava bom diante dos erros e decisões questionáveis da escuderia durante o ano, já se especulava que Collet iria mudar de time. A Meyer Shank revelou que o fator financeiro pesou mais, e anunciou a contratação de Mick Schumacher, que em sua temporada de estréia na competição, defendeu a Rahal/Leterman/Lanigan, e agora terá melhores chances em um time mais bem estruturado. Uma nova chance que surgiu, mas que pode ir pelo ralo, é na Juncos, onde o time iria fazer uma parceria técnica com a McLaren a partir de 2027, e Caio, que interessa ao time de Woking, seria alocado lá para o próximo ano. Mas as negociações para efetivar a parceria parecem ter esfriado, o que, indiretamente, também afetaria a escolha de Collet para defender o time. Sobraria então a Dale Coyne, na vaga que era de Hauger, mas o time depende de patrocinadores, então, quem aparecer com mais verba, mesmo diante das novas regras estabelecidas pela Indycar para restringir a presença de pilotos meramente “pagantes”, deve levar a parada. Caio não conseguiu fazer uma temporada de estréia exatamente vistosa na Indycar. A Foyt caiu de performance, arrastando seus pilotos junto, que conseguiram apenas raros momentos de efetiva competitividade dos carros do time no ano. E Caio ainda teve o agravante de cometer erros, alguns naturais para um novato na competição, outros mais questionáveis, que certamente, não ajudaram na luta para se mostrar um piloto que se mostrasse mais viável sem depender tanto do aspecto financeiro. Resta uma esperança efêmera, mesmo que indesejada, do time não conseguir contratar Josh Pierson, diante das novas regras da Indycar para acesso à categoria. Na prática, as novas regras inviabilizam a contratação, pelo histórico sem atrativo de Pierson, cujo principal motivo seriam os patrocínios de aproximadamente US$ 25 milhões por dois anos, mais que o dobro do aporte financeiro de Collet. Até o fechamento desta matéria, tudo segue indefinido na situação do brasileiro para o próximo ano.

 

 

Depois de fazer uma limpa completa no GP de Aragón, onde venceu tanto a prova Sprint quanto a corrida principal, Marc Márquez repetiu o feito na etapa seguinte do campeonato da MotoGP, em Misano, novamente vencendo a prova curta do sábado, e a corrida do domingo, averbando mais um fim de semana perfeito do espanhol da Ducati, e atual campeão mundial, em sua busca por mais um título, e descontando a vantagem de Jorge Martin, da Aprilia, na liderança do campeonato. Restou à Aprilia controlar o prejuízo, com Martin terminando a corrida curta em 3º, atrás de Marco Bezzecchi, que de líder no início da temporada virou azarão nas provas mais recentes. Na corrida de domingo o prejuízo foi maior, com Jorge ficando apenas em 5º, enquanto Bezecchi caiu logo na primeira volta. Diogo Moreira não teve um bom fim de semana em Misano, tendo terminado a prova Sprint em 11º, e também abandonando na corrida principal ,tendo uma etapa sem marcar ponto algum. O pódio em Misano, aliás, foi de comemoração para a família Márquez, já que Álex Marques, da Gresini, foi o 2º colocado, com uma dobradinha 1-2 para a família espanhola.

 

 

Se o avanço de Marc Márquez gerou apreensão na Aprilia, mais do que necessário responder, e mesmo que não tenham tido todo o panorama a seu favor como gostariam, a marca de Noale conseguiu um bom respiro na etapa seguinte da competição, na Áustria, onde Jorge Martin venceu a corrida Sprint, mas não sem um bom duelo com a “Formiga Atômica”, que esteve sempre nos calcanhares do campeão de 2024, pronto para tentar dar o bote. Marco Bezzecchi conseguiu manter o astral da Aprilia alto ao finalizar em 3º a corrida curta, mas claro que ainda teríamos a corrida de domingo, e aí, o principal adversário das Aprilias foi outro piloto: Pedro Acosta, que conseguiu levar a KTM à vitória justamente na Áustria, país natal da marca, marcando o fim de um jejum incômodo que já vinha de algumas temporadas na classe rainha do motociclismo. Foi também a lavação da alma para Acosta, que já esteve perto de vencer em algumas oportunidades, mas sempre teve algum percalço que o deixou sem o tão desejado triunfo em uma corrida principal, que agora finalmente chegou. Era também uma dívida do piloto para com a KTM, pois em 2027 Acosta irá defender o time de fábrica da Ducati, e ele desejava poder pelo menos ainda vencer com a marca que apoiou sua entrada na MotoGP. Já quanto à Aprilia, eles não tiveram motivos para reclamar exatamente: Jorge Martin foi um bom 2º lugar, enquanto Bezzecchi, tentando espantar os azares recentes, fechou o pódio com a 3º posição. Marc Márquez foi o 5º colocado, tendo ele que minimizar o prejuízo nesta etapa, mantendo-se ainda a uma distância nada tranquila de Jorge Martin, com o espanhol da Aprilia mantendo uma liderança cada vez mais ameaçada pelo heptacampeão, que está a fim de conquistar seu oitavo título, e não pode ser subestimado de modo algum. Diogo Moreira, da LCR, teve um fim de semana complicado, tendo que se contentar com um mero 15º lugar na corrida principal. E com a situação ainda indefinida sobre qual será sua posição na categoria em 2027, se será com a LCR, ou com o time de fábrica, uma vez que a Honda não se pronunciou a respeito da situação.

 

 

A MotoGP divulgou o seu calendário para 2027, e o Brasil segue como a terceira etapa do campeonato, após as provas iniciais na Tailândia e no Qatar, a ser realizado no início do mês de abril. A novidade é que, logo após a etapa brasileira, a Argentina volta ao calendário, uma semana depois, no circuito de Buenos Aires, e não mais em Thermas de Rio Hondo, onde a classe rainha do motociclismo se apresentou em temporadas recentes. Outra mudança é que a etapa da Austrália passará a ser realizada no novo traçado urbano de Adelaide, marcando a despedida de Phillip Island da competição este ano. Balaton Park, na Hungria, não está no calendário, mas é preciso ver como a situação no Oriente Médio estará, diante dos conflitos com o Irã e Israel/Estados Unidos. Vale lembrar que a prova de Losail foi realocada para novembro este ano diante do mesmo conflito, mas ainda segue pendente de confirmação de sua realização este ano. E o Qatar foi colocado em sua posição de costume no calendário, ou seja, será a segunda etapa da competição no próximo ano. Confiram as datas: 07.03 - GP da Tailândia (Buriran); 14 de março - GP do Qatar (Losail); 4 de abril - GP do Brasil (Goiânia); 11 de abril - GP da Argentina (Buenos Aires); 25 de abril - GP das Américas (Austin); 9 de maio - GP da Espanha (Jerez de La Frontera); 16 de maio - GP da França (Le Mans); 30 de maio - GP da Itália (Mugello); 13 de junho - GP da Catalunha (Barcelona); 27 de junho - GP da Holanda (Assen); 11 de julho - GP da Alemanha (Sachsenring); 18 de julho - GP da República Tcheca (Brno); 15 de agosto - GP da Grã-Bretanha (Silverstone); 29 de agosto - GP da Áustria (Zeltweg); 12 de setembro - GP de San Marino (Misano); 19 de setembro - GP de Aragón (Motorland); 3 de outubro - GP de Portugal (Portimão); 17 de outubro - GP do Japão (Motegi); 24 de outubro - GP da Malásia (Sepang); 31 de outubro - GP da Indonésia (Mandalika); 14 de novembro - GP da Austrália (Adelaide); 28 de novembro - GP de Valência (Valência).

 

 

O esquema da MotoGP, de terem corridas sprints em todas as etapas, continua valendo. Mas haverá uma mudança em 2027: as provas curtas terão uma classificação própria, independente da classificação da corrida principal, enquanto hoje, a classificação vale para as duas corridas do fim de semana. Assim, haverá dois treinos classificatórios por etapa na próxima temporada.