
Senna: sétima vitória na temporada, a quarta consecutiva, e a liderança do campeonato, rumo ao título da F-1 em 1988.
E aqui estamos nós com mais uma
postagem de vídeos das corridas completas da temporada de 1988. Com a etapa da
Hungria, 10 provas já haviam sido disputadas naquele ano, e ninguém mais
esperava por alguma novidade no ano, diante do domínio arrasador da McLaren no
ano. Spa-Francorchamps, palco tradicional da prova da Bélgica, era o
contraponto perfeito ao circuito da Hungria. Veloz, a pista nas Ardenhas
prometia emoções, mas principalmente para os carros com motores turbo, enquanto
a pista travada do Hungaroring ofereceu uma chance dos carros aspirados
brilharem mais, como se viu na parte inicial da corrida, quando Nigel Mansell
pressionou Senna na luta pela liderança da corrida. A McLaren, mais uma vez,
monopolizou a primeira fila, tendo Senna em mais uma pole-position, com a
Ferrari fazendo o mesmo com a segunda fila. A terceira fila, contudo,
apresentou surpresas, com Riccardo Patrese, com a Williams/Judd, largando em
5º, seguido pelo Benetton/Ford de Thierry Boutsen. Nigel Mansell, doente com a
varicela que já havia mostrado sintomas em Budapeste, ficou de fora, sendo
substituído por Martin Brundle no segundo carro da Williams. A classificação
foi garantida no treino de sexta-feira, já que no sábado, só para lembrar que
estávamos na Bélgica, choveu, e não havia como melhorar os tempos. Mas a
corrida seria disputada com tempo seco.
Curiosamente, ao longo da temporada, havia sido hábito Ayrton Senna copiar as configurações do carro de Alain Prost, acreditando que o francês, pela sua experiência na escuderia, ter um melhor domínio sobre os acertos do carro, sensação confirmada no Brasil, quando ao pilotar o carro reserva, que era de Prost naquela prova, ele descobriu que as configurações do companheiro de equipe se adequavam ao seu próprio estilo de pilotagem, além de serem mais suaves para o carro. Sabendo disso, em Spa, Prost decidiu, no último minuto, alterar as configurações do seu carro, como por exemplo, removendo parte da asa traseira para obter mais velocidade em reta, numa tentativa de ganhar vantagem sobre o brasileiro. Infelizmente para o francês, o tiro saiu pela cultra, pois o resultado foi inverso, e o francês ficou insatisfeito com o equilíbrio e o comportamento do seu carro na corrida, em comparação com Senna, que usava as configurações originais de Prost, e não relatou tais problemas. Na largada, Senna não largou tão bem quando Prost, que assumiu a liderança na freada para a La Source, mas já após a passagem pela Eau Rouge, Senna, com melhor downforce e aderência, estava claramente mais rápido e retomou facilmente a liderança na reta Kemmel e frear mais rápido que ele na Les Combes. Senna então disparou na frente, enquanto Prost, lutando com um carro que já não se comportava como ele queria, contentou-se com o segundo lugar, visto que os demais competidores não eram ameaça à sua posição, com o francês recebendo a bandeirada cerca de 30s atrás de Ayrton, que obtinha sua sétima vitória na temporada, e assumia, por meros 3 pontos, a liderança exclusiva do campeonato, com Prost caindo para a vice-liderança.
As Ferraris, contudo, ficaram pelo meio do caminho, primeiro Berger abandonando, e mais tarde, Alboreto, e assim, de forma até inesperada, ainda mais em uma pista onde os motores turbo deveriam ter muita folga, pelos trechos de reta, e subidas, como o trecho da Eau-Rouyge/Raidillon, eis que Thierry Boutsen, da Benetton/Ford, tinha finalizado em 3º lugar, fechando o pódio, com Alessandro Naninni, seu companheiro de equipe, em 4º, mas posteriormente ambos foram desclassificados por utilizarem gasolina considerada fora do regulamento, o que fez com que a 3ª posição ficasse com Ivan Capelli, da March/Judd, e Nélson Piquet, com Lotus/Honda, acabasse com o 4º lugar. As duas últimas posições pontuáveis ficaram com a dupla da Arrows/Megatron, com Derek Warwick classificado em 5º, e Eddie Cheever em 6º lugar.
A dobradinha da McLaren na prova belga garantiu o Campeonato de Construtores por antecipação para a equipe britânica com cinco corridas faltando para o fim da temporada, tal o avanço da escuderia diante das demais equipes no ano. Em uma entrevista pós-corrida, Alain Prost praticamente concedeu que o campeonato seria de Senna, que havia conquistado sua quarta vitória consecutiva e assumido a liderança do campeonato pela primeira vez. E, de fato, o brasileiro não largaria mais a liderança da competição, sagrando-se de fato campeão mundial na etapa do Japão, em Suzuka, antepenúltima prova da temporada. Já eram sete triunfos de Senna no ano, diante de quatro de Prost, que começava a ver que seria mesmo difícil segurar o piloto brasileiro. A corrida pode ser conferida completa no link abaixo, postado no You Tube pelo usuário MrVinicius F1 1995:
https://www.youtube.com/watch?v=B6pljQK85oQ
A corrida seguinte da temporada de 1988 era no grande templo da velocidade a Itália. Monza. O clima no circuito, porém, não era exatamente dos mais festivos. A forma esmagadora da McLaren no ano reduzia substancialmente as chances da Ferrari surpreender, a menos que uma hecatombe ocorrem nos carros vermelho e brancos de Ayrton Senna e Alain Prost. E havia outro motivo mais triste: Enzo Ferrari havia falecido há pouco tempo, de modo que o sentimento de luto no autódromo era patente.
Como desgraça pouca é bobagem, a McLaren dominou a classificação com facilidade tremenda, com Ayrton Senna a conquistar outra pole-position, deixando Alain Prost a 0s3 de distância, e a Ferrari, mesmo ocupando a segunda fila, com Gerhard Berger ficando a quase 0s7 de distância, e Michele Alboreto a pouco mais de 1s. Era o possível. A Arrows ocupava a terceira fila, com Eddie Cheever em 5º, e Derek Warwick em 6º, à frente de Nélson Piquet, com a Lotus, saindo em 7º.
Na corrida, Prost saiu melhor que Senna, assumindo momentaneamente a liderança, mas isso não durou muito, com o brasileiro reassumindo a dianteira pouco depois, e começando a comandar a prova sem maiores dificuldades. O francês, contudo, não baixou os braços, e foi à luta, tentando pressionar Ayrton e discutir a vitória na prova. Berger até conseguia manter a dupla da McLaren à vista, mas sem muitas hipóteses de ser uma ameaça real. Nélson Piquet, depois de vencer a corrida nos últimos dois anos, padecia com a Lotus, e depois de 11 voltas, um problema de embreagem o fez rodar e ir parar na caixa de brita da primeira chicane. Mais infortúnios para uma equipe Lotus em evidente crise, tendo inclusive disputado a classificação usando set up de pista errada, com os carros usando os ajustes de Ímola, a outra pista italiana do campeonato, só para mostrar que os problemas não estavam apenas em um carro problemático e pouco competitivo.
Apesar de ter conseguido pressionar Prost por várias voltas, Berger precisou reduzir o ritmo para poupar o equipamento, ciente de que não tinha como manter a pressão necessária frente ao poderio superior dos carros da McLaren. Mas então, na volta 35, Prost abandona com problemas no motor, sofrendo sua primeira falha mecânica no ano, e entregando a vice-liderança da corrida para Berger, com Michele Alboreto assumindo a 3ª posição, e com isso, garantindo que a dupla da Ferrari estaria no pódio, e justamente em Monza. Parecia demais para sonhar mais alto, mas tudo ainda poderia mudar. E mudou. A duas voltas do fim, Ayrton Senna, administrando a vantagem para a dupla da Ferrari, tentou ultrapassar o Williams de Jean-Louis Schlesser, que substituiu Nigel Mansell na escuderia de Didicot, na primeira chicane Rettifilo. Senna foi para a esquerda para ultrapassar o francês por dentro na primeira chicane, mas Schlesser travou os freios e o Williams deslizou para a frente em direção à caixa de brita. Usando suas habilidades de rali, Schlesser conseguiu recuperar o controle do carro e virou à esquerda para evitar sair da pista, mas Senna, que havia seguido sua trajetória normal e não contava com a possibilidade de Schlesser retomar o controle, foi atingido na parte traseira direita pelo Williams, quebrando a suspensão traseira do seu McLaren e fazendo o carro rodar e parar em uma zebra, tirando o brasileiro da corrida.
Era o sonho de todos os tiffosi virando realidade: A Ferrari ganhava a corrida, e em dobradinha, com vitória de Berger, e Alboreto em 2º lugar. Pela primeira vez no ano, as duas McLarens ficaram pelo caminho, com Prost a ter o primeiro abandono por problemas mecânicos, e Senna por erro e precipitação na tentativa de ultrapassagem de um retardatário, ainda que muitos tivessem apontado que a culpa teria sido mais de Schlesser do que do brasileiro, mas perfeitamente compreensível que, dada a superioridade da McLaren, Ayrton pudesse ultrapassar perfeitamente o retardatário na reta seguinte, sem maiores problemas. O fato é que Monza comemorou efusivamente, como se a vitória lavasse a alma dos torcedores diante das frustrações vividas pelo domínio acachapante da McLaren na temporada, e um tributo ao falecido Enzo Ferrari. A corrida pode ser vista na íntegra no link abaixo, postado no You Tube pelo usuário Forell:
https://www.youtube.com/watch?v=oPOpIaR_1SQ
Com o fim da prova italiana, Senna mantinha-se na liderança do campeonato, com 75 pontos, com Prost na vice-liderança, com 72. Berger, que já ocupava a 3ª posição na classificação, alcançou 37 pontos, e Michele Alboreto ficava em 4º, com 22 pontos, superando Thierry Boutsen, que caía para o 5º lugar, com 21 pontos. A McLaren, já campeã de construtores, alcançava 147 pontos, contra apenas 59 pontos da Ferrari, que desgarrava bastante da Benetton, com 30 pontos. Faltavam 4 provas para encerrar a temporada, e mesmo com o abandono em Monza, Senna seguia favorito para ser campeão, o que ocorreria três provas depois, em Suzuka. E fiquem atentos aqui para as próximas postagens trazendo estas etapas finais da temporada de 1988. Até lá...
![]() |
| Abandono de Senna em Monza não mudou o panorama do campeonato, mas fez a festa da torcida italiana, com a dobradinha da Ferrari. |




