
Álex Palou chegou ao pentacampeonato na Indycar, como já era esperado, e se torna um dos gigantes da competição em tempo recorde. Piloto fechou a conquista na rodada dupla disputada em Milwaukee.
E Álex Palou chegou ao
seu quinto título na Indycar, como todos esperavam. E em tempo recorde. É
apenas a sétima temporada completa do piloto espanhol desde que chegou à
categoria, em 2020. E o quarto título consecutivo, que só não foi campeão em
2020, porque estreou na pequena Dale Coyne, e em 2022, quando Will Power
quebrou a sequência do piloto da Ganassi. A conquista se deu no último final de
semana, na confusa rodada dupla da Indycar na pista oval de Milawukee. Palou
nem venceu, e nem precisava, apenas juntou os pontos necessários, evitando
correr riscos desnecessários, e correu para abraçar o troféu. Aos concorrentes,
a dura lição de que, pelo quarto ano consecutivo, eles fracassaram em superar o
piloto da Ganassi. Agora, precisarão tentar novamente, mas só em 2027. Ainda
temos a corrida final da temporada neste final de semana, mas agora é apenas
uma briga pelo vice-campeonato, que esta sim, está embolada, com Chistian
Lundgaard e Patricio O’Ward, da McLaren; e Kyle Kirkwood, da Andretti. David
Malukas, da Penske, corre meio que por fora nesta briga, embora matematicamente
ainda tenha chances.
Palou venceu nada menos que 6 corridas no ano. Foi o maior vencedor da temporada, e isso, por si só, já explica como ele literalmente correu “sozinho” rumo ao título, mesmo quando, a meio do ano, isso não parecesse de forma tão disparada. Mas, mais do que vencer mais que os outros pilotos, Palou manteve uma constância assustadora: tirando apenas três corridas, onde ficou na parte de trás da bandeirada de chegada, em todas as demais provas seu pior resultado foi apenas um 7º lugar. Ele subiu ao pódio apenas uma vez em 2º lugar, e dali em diante, seus resultados oscilaram quase sempre na 5ª posição. Palou tratou de acumular pontos quando não tinha como vencer, e foi muito bom nisso. Mas ele também deu sorte de, em algumas vezes, escapar de problemas que atingiram os demais pilotos na competição.
Enquanto isso, seus rivais oscilavam na temporada. Mais do que seria aceitável para quem quisesse lutar pelo título efetivamente. Só para ter uma idéia, o segundo piloto com mais vitórias, depois de Milwaukee, é Patricio O’Ward, da McLaren, com três triunfos, mas o mexicano é o 4º colocado na competição, brigando agora pelo vice-campeonato. Não que ele tenha feito um mal ano, apenas foi… Insuficiente, a ponto de agora ainda precisar brigar para ser o “melhor” do resto, junto a seu companheiro de equipe, Chistian Lundgaard, que venceu duas provas, e é o vice-campeão no presente momento; ou Kyle Kirkwood, que é o 3º colocado, venceu também duas provas, fez um bom ano, mas também não o suficiente. E quando eles cometeram erros cruciais que comprometeram parte de suas chances de desafiar Palou de forma mais efetiva. Como, por exemplo, Kirkwood batendo sozinho em Makham, quando tinha até chances de vitória na corrida, e que certamente poderia ter empurrado a decisão para este final de semana, em Laguna Seca.

Kyke Kirkwood venceu duas corridas, mas não conseguiu evitar erros como uma batida em Markham, e agora tenta pelo menos o vice-campeonato.
Então, os concorrentes
certamente ajudaram bastante. Não que estejam fazendo corpo mole. Longe disso.
Apenas não foram competentes e eficientes o suficiente. Palou e a Ganassi
foram. A Andretti tem um grupo forte de pilotos. Mas Will Power, o novo reforço
do time, vindo da Penske, sofreu em várias etapas com problemas variados, além
de cometer alguns erros, claro. Em Milawukee, por exemplo, ele tinha tudo para
brigar pela vitória na segunda corrida, quando tomou uma punição por ter
acelerado demais nos boxes durante um pit stop, estourando o limite de
velocidade imposto. Curiosamente, isso também ocorreu com Palou, onde um toque
com um pneu no box também já lhe causou uma punição. O problema é que o
espanhol conseguiu minimizar o prejuízo. Power, não. Claro que, em alguns
casos, a Andretti também se complicou sozinha nas estratégias, mas vem
melhorando neste aspecto. O problema é que o nível da Ganassi, pelo menos com
Palou, vem beirando a perfeição, então, melhoras pontuais não bastam. Marcus
Ericsson melhorou no time, mas nem chegou perto do desempenho de Kirkwood, que
neste aspecto, carregou o time nas costas na luta pelo título, mas sem ter a
constância necessária.
A Penske que o diga. O time mais poderoso da Indycar não conseguiu se acertar durante todo o campeonato, tendo de se contentar apenas com brilhos pontuais. Josef Newgarden venceu duas provas, e só, indo direto ao inferno na maioria das provas, sem conseguir uma estabilidade de pontuação que o credenciasse a brigar pelo título. Fora os dois triunfos, teve apenas um 2º lugar como melhor resultado. E, claro, seis provas fora do TOP-10 são fatais para qualquer pretensão maior. Scott McLaughlin, por exemplo, vai completar duas temporadas sem vencer. E, sem vitórias, 3 pódios no ano apenas o fazem ter o mesmo desempenho de Newgarden. Os dois estão juntos na classificação do campeonato, com Josef em 7º lugar, com 408 pontos, e Scott em 6º, com 428 pontos. E o melhor piloto da Penske, justamente o novato no time, David Malukas, é o 5º colocado, com 484 pontos. Alguém poderia dizer que a Penske conseguiu ser igualitária no fracasso da temporada, pelo menos no que tange à luta pelo título. Os pilotos ficaram por ali, aquém do que um time como a Penske normalmente poderia, e deveria, oferecer. Dessa maneira, não é de se admirar que, nas estatísticas englobadas das categorias Indy, a Ganassi tenha passado o time de Roge Penske na estatística de campeonatos de pilotos, com 18 conquistas, contra 17 da escuderia que acabou de completar 60 anos de existência, enquanto a Ganassi tem pouco mais da metade desse tempo de vida praticamente.
A McLaren, então, com cinco triunfos no ano, está dispensando seu piloto melhor classificado, Lundgaard, para a chegada de Scott Dixon em 2027, e trazendo Felix Rosenqvist de volta para corrigir o erro de contratar Nolan Siegel. Reforços bem-vindos, mas que não bastam quando o time não oferece suporte mais efetivo aos pilotos, que reafirmo, não foram ruim, apenas não foram bons o suficiente. Quando o carro está bom, seus pilotos correspondem, e andam fortes, como vimos O’Ward vencer as duas provas em West Allis. Mas ele precisaria ser assim na maioria do campeonato, e não agora, na reta final, quando tudo o que pode fazer é brigar pelo vice-campeonato, que como Ayrton Senna teria chegado a definir em certa ocasião, é o “primeiro dos derrotados”. Mas claro que tanto Lundgaard quanto O’Ward não vão fazer essa desfeita. O mexicano quer reafirmar seu papel de líder da equipe, que ficou em xeque este ano com o desempenho do dinamarquês, e ainda mais pela chegada de Dixon no próximo ano. E Lundgaard, que vai assumir o carro que era de Scott na Ganassi, quer se despedir mostrando ao time de Woking que eles dispensaram o piloto errado. Mas claro que, se a Ganassi der a ele os mesmos recursos e atenção que dispensa a Palou, ele terá talvez até melhores condições de brigar por vitórias, e quem sabe, o título.
O restante virou coadjuvante nesta briga, tendo algumas migalhas aqui e ali, e nada mais. Só que, tirando Andretti, McLaren, Penske e Ganassi, a única vitória fora desse circuito foi justamente a de Felix Rosenqvist nas 500 Milhas de Indianápolis, o que sempre é um caso à parte, até porque isso fez a McLaren chamar o sueco de volta para o time, do qual foi dispensado algum tempo atrás. Resta saber se sua nova passagem pela escuderia vai render mais do que a anterior. Enquanto isso, o restante do grid apenas batalha para se manter relevante na competição, o que sempre é complicado, e onde muitos não têm o talento reconhecido, ou as oportunidades ideais. E todos ficam à sombra de Álex Palou, que mais uma vez, parece estar acima de tudo e de todos na competição.
E, fica a questão: Palou é bom demais para a Indy? Talvez, mas o que temos aqui é um piloto de grande talento associado a uma equipe, pelo menos no carro no espanhol, extremamente competente e eficiente. E, claro, também a famosa “sorte de campeão”, um termo que muitos chegam a usar como demérito, mas que em nada tira o desempenho que Palou na pista, embora o espanhol tenha tido, sim, sorte em determinados momentos, escapando de azares e enroscos que vitimaram concorrentes que tiveram menos sorte quando problemas surgiram.

Duas vitórias não foram suficiente para Josef Newgarden brigar pelo tricampeonato com a Penske este ano.
Eu diria mais que a
concorrência é que está indo ruim demais, facilitando as coisas para Palou.
Afinal ,estruturas, Penske, Andretti e McLaren tem condições de brigar pelo
título. Mas, condições são importantes, e não se vence um campeonato sem elas.
Mas, isso, por si só, não garante resultados. E, diante do que estamos vendo
nestes últimos anos, todo mundo parece facilitar o trabalho para Palou, mais do
que seria aceitável. Não se pode desprezar que a Ganassi e o piloto foram
competentes e fizeram seu trabalho. Mas a concorrência precisa se aprumar, se
não quiser passar cada vez mais um atestado de incompetência e falta de
capacidade que parecem cada vez mais claramente estampados em seu rosto. Um incômodo
que está se arrastando nos últimos quatro anos.
Alguns começam a dizer que Palou venceria em qualquer categoria, e com qualquer carro. Pode ser, mas não se pode tomar isso como verdade absoluta. Vejam o caso de Alessandro Zanardi: o italiano chegou à F-Indy em 1996, foi logo o “Rokkie of the Year”, estreando na Ganassi, que ainda estava para conquistar seu primeiro título, que ocorreu logo naquele ano, com Jimmy Vasser. Zanardi foi o 3º colocado. Mas, nos dois anos seguintes, o italiano arrasou os concorrentes. Ele não apenas tinha o melhor carro, mas também a melhor equipe, com a Ganassi ostentando pela primeira vez a competência pela qual seria conhecida a partir dali. Isso não era desmerecer o talento de Alessandro, que parecia quase invencível. Era a confluência de talento, um grande carro, e um time azeitado por trás que, com a competência do italiano, fez história na F-Indy. Tanto que Zanardi ganhou uma nova chance na F-1 em 1999, com a Williams, depois de ter passado quase anônimo por lá no início da década, em times pouco competitivos como a Lotus.
E o que se viu foi inacreditável: Zanardi foi a maior decepção da temporada 1999 da F-1, não marcando um ponto sequer a bordo de uma Williams que, se não era mais o time vencedor de alguns anos antes, ainda tinha um carro competitivo, tanto que Ralf Schumacher, seu companheiro de equipe, marcou 35 pontos e terminou o ano em 6º lugar no campeonato. Não que Alessandro tenha desaprendido a pilotar, mas as condições nunca se alinharam, e de uma maneira que até hoje beira o impossível de acreditar. Por isso, a afirmação de que o sucesso não depende apenas do talento do piloto é mais verdadeira do que nunca. É uma combinação de fatores que precisam estar alinhados no momento certo, na condição certa, e nas circunstâncias certas.
Quando Palou tentou sua malsucedida transferência para a McLaren na Indycar, ele visava justamente ir para a F-1, no time de Woking. Era uma jogada arriscada, mas bem calibrada. Ele poderia vir a ter sucesso na categoria máxima do automobilismo, como poderia não se dar tão bem, ou apenas, dar azar, como aconteceu com Zanardi. Mas a McLaren acertou com Oscar Piastri, e com isso, a entrada do australiano acabou bloqueando o acesso de Palou à F-1, que viu que suas chances tinham ido para o brejo, e resolveu ficar na Ganassi. Tirando a tentativa atabalhoada de transferência de time, quando a Ganassi tinha preferência de seus serviços, e de sua renovação contratual, o que acabou “queimando” a imagem de Palou na competição, sendo visto como um piloto não confiável fora da pista, a sorte é que seu sucesso foi esmagador desde então, o que ajudou a dissipar esse momento negativo de seu currículo, e dando a Álex hoje o status de piloto a ser batido na Indycar. E ele não poderia estar mais feliz com o momento de sua carreira, e a caminho de se tornar talvez o maior nome das categorias Indy da história, diante de sua pouca idade, e longa carreira potencial pela frente, e se a Ganassi continuar girando apenas em torno dele, como parece estar fazendo.
Se 2027 vai ser uma repetição dessa história, cabe aos rivais provarem que não… Falta combinar com Palou e a Ganassi, é verdade, mas isso não é problema deles, e sim dos rivais...
Um momento de nostalgia e homenagem ocorreu hoje em Laguna Seca: Tony Kanaan, atual diretor esportivo e chefe da equipe McLaren na Indycar, entrou na pista do circuito californiano pilotando o carro com o qual Gil de Ferran foi campeão em 2000. Além de ter sido o carro com o qual Gil foi campeão com a equipe Penske, o famoso modelo Reynard/Honda fez com Gil de Ferran batesse o recorde mundial de velocidade de um carro monoposto na pista de Fontana, em 2000, atingindo 241,428 mph (ou aproximadamente cerca de 388,5 km/h). O carro atualmente pertence a Zak Brown, CEO do Grupo de Competições da McLaren, que cedeu a relíquia para Kanaan guiar neste final de semana. Tony Kanaan confirmou a realização da homenagem ao compatriota em suas redes sociais, como no Instagram e no X (antigo Twitter), afirmando que vai "sentar a bota" em homenagem ao seu grande amigo e irmão. Ambos competiram juntos na antiga F-Indy, e posteriormente, na Indy Racing League, mas não foram colegas de equipe. Em 2000 e 2001, a Penske teve também Hélio Castro Neves como piloto titular na antiga F-Indy, sendo o primeiro time da competição que contou com uma dupla de pilotos brasileiros como titular por toda a temporada. Tony inclusive usou um capacete onde metade era o desenho que ele usava como piloto, e a outra metade reproduzia o capacete usado por Gil de Ferran durante sua carreira nas pistas. Tony deu várias voltas pela pista, e chegou a acelerar fundo com o carro, emocionando todos os presentes ali, dentro e fora dos boxes. Uma linda homenagem, sem dúvida alguma...

Tony Kanaan no cockpit do Reynard/Honda com o qual Gil de Ferran competiu na F-Indy na temporada do ano 2000.
A Indycar fecha a temporada de 2026 em Laguna Seca, na Califórnia. E, além da homenagem de Tony Kanaan a Gil de Ferran, outra homenagem ocorreu na pista. A curva do Saca-Rolhas será rebatizada com o nome do piloto Alessandro Zanardi, passando a se chamar oficialmente Zanardi Corkscrew. Foi na curva mais icônica do circuito que, em 1996, Zanardi fez uma ultrapassagem antólogica sobre Brian Herta, na luta pela vitória na etapa. Era a última volta da corrida, e Zanardi, que já vinha batalhando com Herta por algumas voltas, surpreendeu Brian na ultrapassagem justo na curva, conquistando a vitória na corrida. Fazem praticamente 30 anos que isso ocorreu, e vale lembrar, Alessandro faleceu em maio deste ano, aos 59 anos de idade, de modo que a homenagem é mais do que merecida, ainda mais pelos desafios que Zanardi enfrentou depois em sua vida, como no violento acidente em Lausitzring, onde perdeu as duas pernas, e quase a vida, tendo que reinventar-se como pessoa, e como esportista, numa das histórias de superação mais aplaudidas de que se tem memória no mundo dos nomes ligados ao universo do esporte a motor.
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| Trinta anos atrás, a arrojada ultrapassagem de Zanardi a Herta, na famosa curva do Saca-Rolha, na pista de Laguna Seca. |
