Já chegamos ao mês de setembro, e o mês de agosto já ficou para trás, ou seja, a maior parte do primeiro trimestre do segundo semestre de 2026 entra em sua reta final, e claro que o mundo da velocidade também não fica parado, com seus campeonatos e certames seguindo adiante. E, como de costume, todo início de um novo mês é palco de mais uma nova sessão da Flying Laps, com alguns dos acontecimentos ocorridos no mundo da velocidade, desta vez focada na MotoGP e parte na Indycar, neste último mês de agosto, sempre com alguns comentários rápidos a respeito dos eventos. Então, uma boa leitura para todos, e até a próxima edição da Flying Laps, no início do mês que vem...
A MotoGP voltou das férias de verão no GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, e o resultado foi uma sova da Aprilia em cima da Ducati, que esperava continuar desmontando a vantagem no campeonato conquistada pela marca de Noale, enquanto a compatriota de Bolonha vinha crescendo nas provas imediatamente anteriores às férias. Jorge Martin, do time oficial da Aprilia, venceu a prova sprint, que teve apenas motos Aprilia nas três primeiras posições, com Ai Ogura (Trackhouse) terminando em 2º, e Marco Bezecchi, com a segunda Aprilia de fábrica, retornando à competição depois de ter se acidentado, fechando em 3º lugar. A Ducati veio a seguir, com Alex Márquez em 4º, com a Gresini, satélite, e Fabio Di Giannantonio em 5º lugar, com a VR46, outro time satélite. Do time oficial da marca, Marc Márquez foi apenas o 9º colocado na corrida curta, o que não dava um bom prenúncio para a corrida principal no domingo na pista de Silverstone…
E embora as previsões não tenham sido correspondidas na prática, isso não melhorou muito as coisas para a Ducati, que viu sua compatriota mais uma vez monopolizar as três posições do pódio, mas com uma vitória de Raul Fernandez, da satélite Trackhouse, que justificou a renovação de contrato com a escuderia, que perderá Ai Ogura no próximo ano. Jorge Martin e Marco Bezzecchi, do time oficial da Aprilia, fecharam o pódio em 2º e 3º lugares. Coube novamente a Alex Márquez a melhor posição da Ducati, novamente em 4º lugar, com a Gresini. Mas Fabio Di Giannantonio, com a VR46, foi apenas o 6º, imediatamente à frente de Marc Márquez, do time de fábrica, em 7º lugar, um pouco melhor do que na corrida sprint. Já Diogo Moreira, da LCR Honda, que tinha terminado a prova curta em 10º lugar, conseguiu repetir a posição na corrida principal, conquistando mais alguns pontos.
A esperança de reação da Ducati vinha em Aragón, na Espanha, palco de domínio de Marc Márquez, que fez da pista espanhola um de seus redutos de dominação. A Aprilia, contudo, assustou com Marco Bezzecchi conquistando a pole-position, indicando que o domínio da “Formiga Atômica” poderia estar em xeque na pista de Motorland. Mas, na corrida sprint, Marc Márquez, largando em 3º, fez um excelente arranque para tomar a ponta logo no início, e não largá-la mais até a bandeirada de chegada, vencendo com autoridade, e vendo o irmão Alex Márquez terminando logo atrás, em 2º lugar. Coube a Bezzecchi minimizar o prejuízo com o 3º lugar, enquanto Jorge Martin foi apenas o 5º colocado, mas mantendo a liderança do campeonato. Destaque para a boa prova de Diogo Moreira, que terminou em 7º lugar. Depois do triunfo em Silverstone, Raul Fernandez foi apenas o 8º colocado na corrida curta em Aragón. Johaan Zarco, retornando do período de recuperação após o acidente sofrido em Barcelona, terminou em 9º lugar.
O resultado da corrida curta poderia ser um aviso de que Marc Márquez não estaria disposto a perder a hegemonia em Aragón. E, apesar disso, bem que Marco Bezzecchi tentou dificultar as coisas, o que o italiano até conseguiu, mantendo a liderança da prova com mais afinco no início da corrida, dando mais trabalho a Marc para tentar novamente manter a vitória no bolso. Mas a “Formiga Atômica” estava mesmo inspirad, e depois de alguns ataques, o piloto da Ducati oficial assumiu a liderança, para não mais perdê-la, e seguir firme rumo a outra vitória incontestável no campeonato. Mas que não foi tão fácil assim. Se Bezzecchi não conseguiu se impôr como imaginava, Pedro Acosta, futuro companheiro de Márquez no time de fábrica da Ducati, tentou até o final discutir o triunfo em Motorland, não deixando o heptacampeão escapar nem por um momento, ainda que as tentativa de tomar a liderança não tenham frutificado. Bezzecchi, mais uma vez, tratou de minimizar o prejuízo, fechando o pódio em 3º, enquanto Jorge Martin, sem exibir a mesma desenvoltura do colega italiano na Aprilia, foi apenas o 5º colocado. Diogo Moreira, em outra boa exibição, foi o 9º colocado, depois de um duelo renhido com Enea Bastianini pela 8º posição durante boa parte da fase final da prova, onde o brasileiro foi fortemente acossado pelo piloto da Tech3.
O resultado das etapas de Silverstone e Aragón mantiveram Jorge Martin, da Aprilia, ainda líder do campeonato, com 256 pontos. Mas o triunfo de Marc Márquez no Motorland catapultaram o hexacampeão para a vice-liderança do campeonato, deixando Ai Ogura, que esteve ausente na pista espanhola devido a lesão no punho, onde precisou passar por cirurgia, cai para a 5ª posição, com 203 pontos. Marc Márquez tem 237, uma desvantagem perigosa de apenas 19 pontos para o líder do campeonato, que precisa reagir se não quiser ser engolido em breve pela escalada do heptacampeão. Em contrapartida, Bezzecchi assumiu a 3ª posição, com 232 pontos, e ainda precisa melhorar para voltar à liderança, se quiser ser campeão, estando 24 pontos atrás de Martin, para não mencionar que o problema agora não é apenas o espanhol colega de time na Aprilia, mas a intromissão de Marc Márquez na briga. Enquanto isso, Diogo Moreira assumiu a 14ª posição no campeonato, com 64 pontos, tentando diminuir a desvantagem para Luca Marini, ainda o melhor piloto Honda na competição, em 11º lugar, com 88 pontos.
A Indycar viu Álex Palou dar mais um passo rumo ao inevitável pentacampeonato mundial da competição, com uma vitória incontestável do piloto espanhol da Ganassi na pista de Portland. Felix Rosenqvist bem que tentou reagir, mas teve de se contentar com o 2º lugar, enquanto Will Power também fez uma corrida combativa para terminar em 3º lugar, fechando o pódio. Kyle Kirkwood, o mais constante perseguidor de Palou na temporada, ficou apenas em 5º lugar, um resultado que não seria exatamente ruim, desde que Palou, obviamente, não vencesse mais uma na temporada. O problema não é Palou ser bom demais, é a concorrência estar sendo ruim demais, e o panorama dos anos anteriores parece confirmar isso…
E nada melhor para confirmar isso do que a nova corrida em Markham, no Canadá, que entrou no lugar da etapa de Toronto. Palou nem precisou vencer propriamente: ele foi o 4º colocado, mas Kirkwood abandonou depois de bater praticamente sozinho durante a prova, perdendo uma oportunidade de ouro para tentar reduzir sua desvantagem na classificação. Enquanto isso, a vitória ficou com Marcus Ericsson, que venceu com todos os méritos, mas ele está longe na classificação, sem chances de título, assim como Romain Grosejan, que teve um belo 2º lugar, enquanto Will Power novamente fechou o pódio. Todas boas corridas e bons resultados, mas de pilotos que não estão em posição de discutir o título, enquanto quem precisaria de fato de bons resultados, como Kirkwood, ou ficaram pelo caminho, ou tiveram resultados inferiores ao do espanhol da Ganassi, o que apenas fez Álex disparar ainda mais na liderança da competição. Assim fica difícil, e não é de hoje que todos sabem que, na Indycar, constância é regra de ouro para quem quer ser campeão, uma regra que apenas Palou parece estar conseguindo cumprir à risca no momento atual da categoria norte-americana…
Por isso mesmo, até quando o espanhol comete um erro, ou as coisas dão errado para ele, como na inédita prova em Washington, pelos 250 anos da independência dos Estados Unidos, nem dá para comemorar tanto. Palou ficou pelo caminho, apenas na 20ª posição, enquanto Kyke Kirkwood, da Andretti, fez o que precisava: venceu com autoridade, sendo que Christian Lundgaard foi o 2º colocao, e Will Power fez mais um 3º lugar. O problema é que a vantagem de Palou já tinha ficado tão grande que, na prática, isso apenas adiou o inevitável, pois a diferença de pontuação, mesmo que matematicamente não fosse decisiva, na prática, já é. O que mudou foi apenas o momento da consumação de mais um título. Poderia te sido épico de o piloto da Ganassi levasse o pentacampeonato ali mesmo, nas ruas da capital dos Estados Unidos, mas se não deu, paciência. Álex não perdeu o sono, e nem deveria, pois a rodada dupla na semana seguinte, em uma pista icônica e tradicional, o oval de Milawukee, enfim encerraria tudo…
E foi o que aconteceu, onde Álex Palou, mesmo largando na pole em uma das corridas do fim de semana na pista de West Allis, conseguiu, com um 5º e um 10º lugares que, aliado aos resultados insuficientes de Kyle Kirkwood, sepultaram a conquista do quinto título do piloto da Ganassi matematicamente, em um resultado mais do que histórico para a categoria, com o espanhol tornando-se o segundo piloto com mais títulos na história da Indycar, sem considerar o acúmulo de estatísticas com a F-Indy original. No acumulado da F-Indy original, que já não existe mais, mais a Indy Racing League, a atual Indycar, temos Anthony Joseph Foyt Jr., com sete títulos conquistados, todos na antiga F-Indy. O segundo maior detentor de títulos é Scott Dixon, com seis conquistas, todas na IRL/Indycar. E agora, temos Álex Palou, com cinco títulos, também todos na atual Indycar, mas com o recorde de terem sido conquistados em apenas 6 anos, de uma carreira de apenas sete anos na categoria de monopostos dos Estados Unidos.
A Foyt entregou a Caio Collet o pior carro do grid em Milwaukee, e nem mesmo o péssimo desempenho na primeira corrida fez o time se mobilizar para trocar o propulsor do carro do brasileiro, que com isso, ficou relegado às últimas posições, sem chances de efetivamente brigar por resultados melhores. A escuderia nem deu satisfações razoáveis pela opção de não trocar o motor, algo que a punição da medida seria inócua, pelo brasileiro já largar no fundo do grid. A consequência é que, depois de ter o seu melhor fim de semana na corrida de Washington, eis que Caio voltou ao inferno do fundo do grid, e perdeu todas as chances de brigar pelo título de “Rokkie of the Year”, diante da desvantagem para Denis Hauger, da Dale Coyne, que em condições normais seria impossível de ser descontada, uma vez que há apenas uma corrida para encerrar a temporada. Isso tirou do brasileiro também a chance efetiva de terminar entre os 22 melhores classificados, que concede um bônus extra de premiação que seria muito útil para manter a vaga no grid em 2027. O péssimo resultado deixa Collet em penúltimo lugar entre os pilotos que disputam toda a temporada, ficando à frente apenas de Sting Ray Robb, para se ter uma idéia de como a campanha do brasileiro este ano foi ruim, mais pela equipe do que pelo piloto. Anos atrás, a péssima performance da Foyt ajudou a “encerrar” a carreira de Tony Kanaan na Indycar, além de praticamente destruir as chances de Matheus Leist, outro piloto brasileiro de grande potencial, de brilhar na Indycar. Será que agora a Foyt vai destruir também a carreira de Collet?





