sexta-feira, 16 de outubro de 2026

BRASIL EM DOBRO NA F-1 2027

Ayao Komatsu, chefe da equipe Haas na F-1, e o novo contratado do time para a temporada 2027 da F-1, o brasileiro Rafael Câmara.

         O Brasil volta a ampliar a presença no grid da Fórmula 1 após uma década. A equipe Haas confirmou oficialmente esta semana a contratação de Rafael Câmara para defender a escuderia estadunidense na próxima temporada, no lugar de Esteban Ocón, que está deixando o time. Câmara disputava a vaga com alguns outros pilotos, mas os bons resultados obtidos nos testes em que participou selou sua contratação, além dos excelentes resultados obtidos no currículo do brasileiro, fora pertencer à Academia de Pilotos da Ferrari, tendo inclusive chance de testar carros do time de Maranello em algumas sessões privadas com modelos de temporadas anteriores.

No ano passado, o Brasil já havia conseguido voltar ao grid com Gabriel Bortoleto, na Sauber, em sua preparação para se tornar o time atual da Audi em 2026. Desde a aposentadoria de Felipe Massa ao fim de 2017, o Brasil não tinha um piloto titular no grid, mas agora, com a chegada de Rafael, o Brasil consegue a façanha de voltar a ter um segundo piloto no grid, algo nem tanto incomum nos velhos tempos, mas que não se fazia presente no grid da F-1 desde a última temporada de Felipe Nasr, em 2016, quando defendeu a Sauber, enquanto Felipe Massa corria pela Williams. Nasr, contudo, deixou a F-1 ao fim daquele ano, deixando Massa como nosso único representante no grid, até o fim de 2017. Na verdade, nem era para termos um piloto no grid naquele ano, mas a aposentadoria repentina de Nico Rosberg logo após conquistar o título com a Mercedes fez o time alemão trazer Valtteri Bottas para a equipe, e a Williams, que teria Lance Stroll como segundo piloto, precisou demover Felipe da aposentadoria já anunciada, de modo que Felipe permaneceu então mais um ano na F-1, retirando-se ao fim de 2017.

A chegada do piloto à categoria máxima do automobilismo coroa uma ascensão meteórica no esporte a motor. Pernambucano de Recife, cidade onde nasceu em 2005, Rafael Chaves Câmara começou bem cedo sua trajetória no automobilismo. Ele estreou no kart ainda aos seis anos de idade. E pode-se dizer que a velocidade tinha certa tradição na família, uma vez que Niége Rossiter, sua avó materna, se aventurou no automobilismo, tendo sido pioneira nas corridas de rua em Recife durante a década de 1960. Após conquistar diversos títulos regionais e o Campeonato Brasileiro de Kart em 2018, Rafael partiu para a Europa, onde começou uma carreira internacional de destaque. Foi vice-campeão mundial em 2019 da CIK-FIA (classe OK Junior), e posteriormente arregimentou títulos nos campeonatos de kart, como a WSK Champions Cup e a WSK Super Master Series, além do vice-campeonato europeu de competição do gênero, em 2021. No ano seguinte, ele partiu para os monopostos, ainda com 16 anos, e depois de se destacar nas seletivas mundiais da Academia de Pilotos da Ferrari, Câmara foi anunciado oficialmente como piloto membro do programa de desenvolvimento da equipe de Maranello.

Logo em seu ano de estréia como piloto da Academia Ferrari, Câmara já começou a se destacar: foi vice-campeão da F-4 dos Emirados Árabes; encerrou em 3º lugar os campeonatos da F-4 Italiana e da F-4 Alemã, acumulando vitórias e pódios. E não pararia por aí: Em 2023, na FRECA (Formula Regional European Championship by Alpine, à epoca), fechou a temporada de estreia em 5º lugar enquanto defendia a equipe Prema. No ano seguinte, dominou o campeonato de ponta a ponta e sagrou-se campeão europeu da FRECA. Em 2025, foi promovido para a F-3 em 2025 pela equipe Trident, onde deu o passo definitivo para se firmar entre os principais nomes nas categorias-satélite da F-1, uma vez que logo na temporada de estreia, garantiu o título por antecipação.

Como piloto da Academia Ferrari, Rafael Câmara conseguiu efetuar alguns testes com carros da Ferrari de temporadas recentes, conseguindo efetuar uma boa preparação visando estrear na F-1.

        E este ano, subiu para a F-2, categoria logo abaixo da F-1, defendendo a equipe Invicta. Durante o campeonato de 2026, Câmara estabeleceu-se como o líder na disputa do título da categoria, mantendo ritmo forte nas rodadas decisivas do ano. O título ainda está em aberto, diante da incerteza a respeito das etapas finais da competição, devido à crise no Oriente Médio, mas Câmara tem ótimas condições de ser campeão. Mas, mesmo que não leve o título, ele já conseguiu o maior troféu: uma vaga na mais cobiçada de todas as categorias do esporte a motor.

Mas o sucesso nas categorias de base, se é um bom cartão de visitas, não é tudo. Rafael precisou mostrar do que é capaz, e não são raros pilotos que arrasam em categorias de acesso e depois, na F-1, não conseguem repetir o mesmo brilho. Câmara tem consciência de que precisa manter os pés no chão, até pelas limitações de competição do time de Gene Haas. Mas isso não significa que ele não teve que suar o macacão para conquistar a vaga. A oportunidade de efetivamente ser contratado pela Haas só ganhou impulso de fato após a escuderia realizar testes particulares com carros de temporadas anteriores da F-1. Como mencionado, o brasileiro pilotou a Ferrari SF-25 e também o Haas VF-25, o que não foi só importante em termos de acumular quilometragem, mas também de mostrar sua capacidade, e impressionando os engenheiros do time norte-americano com seu feedback do carro, os dados de telemetria, consistência em ritmo de corrida e capacidade de ajuste técnico do monoposto.

Câmara desbancou concorrentes diretos de peso neste processo de avaliação. Para a sessão de testes, que foi realizada em Portimão, Portugal, o time convocou também o italiano Leonardo Fornaroli, campeão da F-3 em 2024 e da F-2 em 2025, além de Ryo Hirakawa, campeão do Mundial de Endurance (WEC) pela Toyota e atualmente também piloto reserva da equipe. E a Haas foi bem meticulosa no teste, concentrando-se em uma abordagem técnica e criteriosa antes de fechar o acordo propriamente. O objetivo era medir a capacidade de adaptação dos candidatos em um ambiente controlado, mas altamente exigente, colocando-os à prova antes de qualquer decisão. O titular Oliver Bearman também esteve presente e serviu como referência aos candidatos. E o desempenho apresentado pelo brasileiro mais do que agradou à direção da Haas. Câmara não apenas demonstrou velocidade, mas também boa adaptação e capacidade de fornecer informações técnicas precisas, além de apresentar evolução consistente ao longo de toda a sessão. Isso já agradou a Ayao Komatsu, diretor-geral da escuderia, mas especialmente Gene Haas, proprietário da equipe, que ficou muito impressionado com os resultados e passou a defender o brasileiro como a escolha ideal para contratação pelo time. Haas ainda lembrou que foi o mesmo processo na escolha de Oliver Bearman, outro piloto que fez parte da Academia Ferrari, com o qual o time está bem satisfeito.

Teste com a Haas na pista de Portimão foi o momento decisivo para a contratação, após os bons resultados apresentados pelo brasileiro.

            Obviamente que a performance do brasileiro refletiu a extensa preparação realizada pela Ferrari para que Câmara chegasse à F1. O próprio Rafael fez questão de ressaltar a importância dos testes que pode realizar ao longo de 2026, de modo que ele pudesse garantir estar devidamente pronto para competir na F1. Mas o próprio Ayao Komatsu enfatizou que somente após o teste se convenceu das qualidades do brasileiro, relatando que o panorama das categorias de acesso às vezes não são um demonstrativo exato das qualidades e capacidades de um piloto. E, embora os tempos do teste em Portimão não tenham sido divulgados, comenta-se que Câmara chegou a superar a performance de Bearman, o que é significativo para quem estava ainda conhecendo o carro, enquanto o britânico competiu em todo o ano de 2025 com o mesmo bólido na temporada de F-1. Alguns já apontam até que Bearman, sempre cotado para assumir um lugar como titular na Ferrari no curto prazo, muitos imaginando uma possível ida para lá em 2028, após o contrato de Lewis Hamilton se encerrar com o time italiano. Mas, se a excelente forma de Câmara no teste não for algo fora do comum, Oliver pode enfrentar uma competição direta dentro da Haas com o novo companheiro de equipe, e talvez essa opção de promoção, se Bearman vir a ser superado por Rafael, entre em xeque potencialmente. É muito cedo, contudo, para prever algo deste tipo. Rafael repete que tem muito o que aprender, e procura manter a sobriedade em termos de possibilidades na competição. Mas, seja qual for a capacidade de performance da Haas, o objetivo primário de todo piloto é vencer o companheiro de equipe, então este será o parâmetro de avaliação da temporada de estréia do nosso novo piloto na categoria máxima do automobilismo.

Rafael lidera o campeonato da F-1 e pode ser o campeão da categoria, mas o final da temporada segue incerto.

            É algo que os torcedores brasileiros precisam comemorar, por agora terem mais alguém, além de Gabriel Bortoleto, para torcerem nas corridas, mas também, saberem que, a rigor, ambos estarão longe de disputar pódios, ou mesmo vitórias, algo que muitos torcedores parecem exigir incondicionalmente de nossos pilotos, ignorando suas condições de competição. A Haas é um time médio, que pode dar condições de Rafael mostrar do que é capaz, como Bearman já provou desde que se tornou piloto titular da escuderia. O problema é que o time por vezes tem uma performance instável, e já houve temporadas em que a escuderia norte-americana frequentou mais o fim do grid do que o meio do pelotão, enquanto em outros momentos, até flertou com o pódio, resultado até hoje que a Haas nunca alcançou em sua história na F-1. Dependendo de como for a preparação da escuderia para 2027, podemos esperar uma temporada boa, mas dentro das possibilidades do time, ou algo menos esperançoso. Câmara está ciente das dificuldades, e como ele mesmo afirmou, há todo um novo mundo para aprender no que tange à F-1, mostrando que sabe que precisará compreender plenamente a categoria e todas as suas nuances, como qualquer novato na competição, que por mais talento e preparo que tenha, sempre está sujeito a altos e baixos em uma temporada de estréia na competição. Gabriel Bortoleto que o diga: ele teve seus altos e baixos em 2025, quando estreou no grid, com alguns momentos bem ruins, e alguns muito bons, mas a Audi o contratou para um projeto de longo prazo, o que significa um pouco mais de tranquilidade na condução dos trabalhos, o que não significa que as cobranças não virão, mas que o time tem plena consciência do que ele próprio precisa providenciar para que seus pilotos obtenham os melhores resultados. E assim deverá ser com Câmara.

Que os torcedores brasileiros possam apoiar seu mais novo piloto no grid de forma racional e correta, como deve ser. Uma boa torcida sempre é bem-vinda, e que Rafael possa fazer uma boa temporada de estréia na F-1...

 

 

O recorde de participação de pilotos brasileiros no grid da F-1 foi em 2010, onde contamos com quatro pilotos titulares no grid em tempo integral: tínhamos Felipe Massa (Ferrari), Rubens Barrichello (Wiliams), Lucas Di Grassi (Virgin), e Bruno Senna (Hispania). Bruno, apesar de titular do pequeno time, não participou do GP da Inglaterra, sendo substituído por Sakon Yamamoto, mas era o titular do carro.

 

 

Consideradas participações esporádicas de pilotos brasileiros no grid, substituindo titulares das escuderias, houve duas temporadas onde tivemos cinco pilotos largando em algumas corridas. A primeira temporada foi em 2001, onde tivemos, no GP da Alemanha, os pilotos Rubens Barrichello (Ferrari), Enrique Bernoldi (Arrows); Luciano Burti (Jaguar); Tarso Marques (Minardi), e Ricardo Zonta (Jordan). A segunda temporada que contou com 5 pilotos brasileiros durante o ano foi 2004, devido ao revezamento de vagas nas equipes Toyota e Williams. Foram eles: Rubens Barrichello (Ferrari), Felipe Massa (Sauber), Cristiano da Matta (Toyota), Antonio Pizzonia (Williams), e Ricardo Zonta (Toyota). Zonta, aliás, substituiu o compatriota Cristiano da Matta, dispensado sem cerimônias pelo time japonês durante a temporada, depois que o piloto fez críticas à escuderia nipônica por procedimentos de competição que ele considerou ruins no ano.

 

 

A primeira temporada de F-1 a contar com mais de dois pilotos brasileiros no grid foi em 1972. Naquele ano, além de Émerson Fittipaldi correndo pela Lotus, onde seria campeão, houve também a participação como titulares de seus respectivos times, José Carlos Pace, com a March; e Wilson Fittipaldi Junior, com a Brabham. Luiz Pereira Bueno participou apenas da etapa do Brasil, que naquele ano foi uma prova extra-campeonato, sem valer pontos para o campeonato, correndo com um March. Até então, as participações brasileiras se resumiam à participação de Chico Landi, nos anos 1950; e de Émerson Fittipaldi, que estreou em 1970, e desde então defendia a equipe de Colin Chapman.

 

 

Max Verstappen detonou na etapa de Singapura, vencendo tanto a corrida Sprint quanto a prova principal na pista urbana de Marina Bay, além de marcar a pole nas duas corridas do fim de semana. Com o resultado, o tetracampeão holandês escalou a classificação no campeonato, que junto ao triunfo na prova de Sepang, na semana anterior, já faz Verstappen ocupar a 4ª posição no campeonato, a apenas 8 pontos de Lewis Hamilton, o 3º colocado; e apenas 17 pontos atrás de George Russell, o vice-líder. Russell, aliás, rodou e bateu sozinho na corrida sprint, e tendo de largar do fundo do grid na prova principal, pela troca de componentes em sua unidade de potência, foi apenas 9º colocado na prova, enquanto Andrea Kimi Antonelli foi o 3º colocado na corrida, tendo sido 4º colocado na prova curta. Com o resultado, o italiano da Mercedes chegou a 340 pontos na classificação, com Russell, ainda na vice-liderança, mas a 102 pontos atrás. Com seis corridas teoricamente para fechar a temporada, Antonelli já tem chance de ser campeão matematicamente na próxima corrida, em Austin, no Texas, a depender da combinação de resultados. A briga pelo vice-campeonato, contudo, pode render bastante, e Russell, se não tomar cuidado, pode ser surpreendido pelos rivais que estão se aproximando dele, se continuar com essa maré de azar...

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

HAVOC SERIES – A TEMPORADA DE 1988 DA F-1 – PARTE VII

Portugal mostrou que o clima ia esquentar na McLaren, mas na verdade aquilo foi café pequeno diante do que veríamos em 1989 entre Prost e Senna...

            Hora de seguirmos em frente com a postagem das corridas da temporada de 1988. A F-1 entrava em sua reta final, com quatro provas para encerrar o campeonato, e a disputa entre Ayrton Senna e Alain Prost ainda prometia alguns rounds interessantes. Apesar do alento da vitória da Ferrari em Monza, na Itália, na etapa anterior, nada mudava a sensação da dominância esmagadora da equipe McLaren na temporada de 1988, e todos sabiam que o resultado da prova anterior foi uma exceção à regra de que todos, fora a dupla do time de Woking, não passavam de meros coadjuvantes na competição naquele ano. E, com quatro provas restando para finalizar a temporada, ainda tínhamos disputas a ver na pista. E a prova seguinte seria o Grande Prêmio de Portugal, realizado no dia 25 de setembro daquele ano, na pista do Estoril.

Na classificação, nada de novo, com a McLaren a dominar a primeira fila com facilidade, mas com Alain Prost a arrebatar a pole-position, deixando Ayrton Senna com a segunda posição. Ivan Capelli, da March/Judd, era a surpresa, largando em 3º, apesar da distância de quase 1s5 para o pole-position, mas superando a Ferrari de Gerhard Berger, largando em 4º. Mas a boa forma da March não era apenas de Capelli: Maurício Gugelmim partia de uma excelente 5ª posição, enquanto Nigel Mansell, da Williams/Judd, de volta ao grid, saía em 6º lugar. Michele Alboreto, com a outra Ferrari, era o 7º, à frente de um Nélson Piquet tentando se virar com o carro problemático da Lotus/Honda, saindo em 8º.

A corrida começou meio complicada, quando a primeira largada foi abortada devido ao Rial/Ford de Andrea de Cesaris ter apagado no grid. A segunda largada, entretanto, foi abortada depois que o Arrows/Megatron de Derek Warwick empacou, e acabou atingido por de Cesaris, com Luis Pérez-Sala, da Minardi/Ford, e Satoru Nakajima, da Lotus/Honda vindo atrás, obrigando a uma terceira largada. Esta ocorreu felizmente sem maiores probemas, com Ayrton Senna largando muito bem, e tomando a liderança. Mas Prost não ia deixar barato, e no início da segunda volta, o francês saiu do vácuo de Senna para ultrapassá-lo. Senna fechou a porta bruscamente, e forçou Prost em direção ao muro dos boxes a mais de 280 km/h. O francês, entretanto, manteve-se firme, e sem tirar o pé do acelerador, ultrapassou Senna na primeira curva, assumindo a liderança, e não a largando mais até a bandeirada final da prova, obtendo uma vitória decisiva para reforçar suas esperanças de título na temporada. 

Prost não ficou impressionado com as táticas de Senna e os dois trocaram palavras não muito amigáveis no paddock da McLaren após a corrida. Senna respondeu à raiva de Prost afirmando que quase foi jogado para a grama por Prost antes da primeira curva após a largada, justificando que não foi ele que teria começado. A vantagem de Prost chegou a 7 segundos e se manteve até a bandeirada, com ligeiro aumento, enquanto Senna era incomodado por uma leitura de combustível errática que indicava um consumo excessivo, que no final, verificou-se ser falsa, ao fim da corrida. Mas, durante a prova, temendo uma pane seca, Ayrton diminuiu o ritmo, o que permitiu que Capelli o superasse, assumindo a 2ª posição. Mas, com o brasileiro ainda sentindo a ameaça da pane seca, Gerhard Berger também o ultrapassou, deixando Senna vulnerável aos ataques da Williams de Nigel Mansell . O britânico estava mais próximo nas curvas, mas o Honda turbo era superior nos trechos rápidos da pista.

Só que Berger teve problemas e abandonou a prova. Na volta 57, Senna, ainda com problemas no indicador de combustível, Senna parou nos boxes para trocar os pneus e nesta, acabou sendo ultrapassado por Alboreto, Thierry Boutsen e Derek Warwick, caindo para a 6ª posição, onde acabaria terminando a prova. Alboreto, contudo, perderia ritmo, com falha do motor na última volta, sendo superado pelo piloto da Benetton e da Arrows, terminando a corrida em 5º lugar. A March ficava em êxtase com o pódio de Capelli, com a 2ª posição, mas Gugelmim, na outra March, ficou pelo meio do caminho, abandonando a corrida, assim como Piquet, que continuava seu martírio com a Lotus na fase final da temporada.

Com o resultado da corrida, Prost reassumia a liderança, com 81 pontos, enquanto Senna, agora com 76, indicava que a disputa iria ficar acirrada, depois da troca de acusações entre ambos que mostrava o clima esquentando dentro da McLaren entre a dupla de pilotos, mas ainda em um clima que pareceria ameno, diante do que ambos teriam em 1989. Mas havia outro detalhe que precisava ser ajustado: o descarte de pontos. Na época, o regulamento estipulava o descarte dos cinco piores resultados da temporada, e Ayrton, com três abandonos, tinha no 6º lugar da prova lusitana seu pior resultado em uma corrida finalizada, enquanto Prost tinha apenas dois abandonos, e teria que descartar mais pontos que o brasileiro.

            A corrida pode ser acompanhada, na íntegra, no link abaixo, postado no You Tube pelo usuário Forell:

 

https://www.youtube.com/watch?v=XJH6JDDY4GY

 

A etapa seguindo do campeonato seria em Jerez de La Frontera, na Espanha, marcando a despedida da Europa do calendário da F-1 em 1988. Com o triunfo em Portugal, Prost vencia pela primeira vez desde a França, e ainda se mostrava firme na briga pelo título, que ganhava mais um round na pista da Andaluzia. E a dupla do time de Woking não negou fogo: a McLaren garantiu a primeira fila do grid pela décima vez em 14 corridas, com Ayrton Senna conquistando a 10ª pole position em 14 provas. Um motivado Alain Prost vinha logo atrás, a apenas 0,067s do companheiro de equipe. Na pista estreita e sinuosa, os carros aspirados mostraram serviço: Nigel Mansell, vencedor da corrida de 1987, largava em terceiro lugar com seu Williams/Judd, seguido por outros carros aspirados até à sétima posição. O próximo melhor turbo atrás dos McLarens foi a Ferrari de Gerhard Berger, em oitavo lugar, com o austríaco sendo cerca de 1s4 mais lento que Senna. Nelson Piquet, com a Lotus/Honda; e Michele Alboreto, da Ferrari, se classificaram em 9º e 10º lugares, respectivamente. Depois do belo 2º lugar no Estoril, Ivan Capelli, com a March/Judd, largava em 6º, enquanto Maurício Gugelmim partia da 11ª posição.

Na largada, Alain Prost partiu melhor do que Ayrton Senna, assumindo a liderança da prova. Nigel Mansell também largou melhor, e deixou Senna em 3º lugar. Enquanto isso, Ivan Capelli e Thierry Boutsen (Benetton/Ford) se envolveram em um acidente, danificando o bico do Benetton, mas ambos evitaram o abandono e se mantiveram na corrida. Na segunda volta, Senna superou Mansell, mas saiu da pista, permitindo que o inglês retomasse a vice-liderança. Nas primeiras 28 voltas, praticamente não houve mais mudanças entre os sete primeiros: Prost liderava com meio segundo de vantagem sobre Mansell, enquanto Senna tinha que defender o terceiro lugar de um aguerrido Riccardo Patrese, enquanto Capelli, por sua vez, era acossado por Alessandro Nannini e Gerhard Berger. Capelli conseguiu ultrapassar Patrese, assumindo o quarto lugar na volta 36 e depois ainda superou Senna, assumindo o terceiro lugar na volta 39. No entanto, seu motor quebrou na volta 46. Enquanto isso, Nigel Mansell conseguia manter-se perto de Prost, mas não tinha condições e potência de motor para tentar um ataque efetivo. Nannini estava rápido com seus pneus novos após o pit stop, e conseguiu ultrapassar não apenas Riccardo Patrese, assumindo a 4ª posição, mas também a McLaren-Honda de Ayrton Senna, conquistando o terceiro lugar em apenas uma volta.

Prost garantiu sua 34ª vitória na carreira com um recorde de volta mais rápida e Nigel Mansell conquistou seu segundo pódio do ano com um novo 2º lugar. Alessandro Nannini (Benetton/Ford) conquistou mais um pódio, ficando à frente de Senna, que teve problemas com a leitura de combustível novamente, cruzando a linha de chegada com o indicador mostrando que ele tinha quase nada de combustível. Riccardo Patrese foi o 5º colocado, e Gerhard Berger terminou em 6º. Maurício Gugelmim foi o 7º colocado, batendo na trave da zona de pontos, e Nélson Piquet voltou a terminar uma corrida, apenas em 8º lugar.

Na classificação do campeonato, Prost alcançava 90 pontos, contra os 79 de Senna. Só que, pelo regulamento, o francês não contava com 11 pontos de vantagem sobre o brasileiro. A regra dos descartes, contando apenas os 11 melhores resultados do ano, já fazia efeito, especialmente em Prost. Alain Prost na verdade tinha 84 pontos válidos dos 90 pontos totais, pois o piloto francês já havia atingido o limite de 11 melhores corridas na zona de pontuação. A partir daquele momento, para aumentar sua pontuação máxima, ele precisaria obrigatoriamente descartar seus piores resultados, que eram todos segundos lugares, equivalentes a 6 pontos por prova. Ayrton Senna, por outro lado, contava com 79 pontos válidos de 79 pontos totais), pois o brasileiro tinha apenas 11 corridas finalizadas na zona de pontos até então, com 7 vitórias, 3 segundos lugares e um quarto lugar. Ele não precisava descartar nenhum ponto e dependia apenas de si mesmo.

            A corrida da Espanha pode ser acompanhada, na íntegra, no link abaixo, postado no You Tube pelo usuário Forell, de observar que infelizmente o áudio em português está baixo:

 

https://www.youtube.com/watch?v=2HlU3LoPKzA

 

            E aqui encerramos mais uma postagem de corridas completas da temporada de 1988. Na próxima, trago as provas finais daquele ano, que culminou na conquista do primeiro título mundial de Ayrton Senna. Até lá, e bom proveito das corridas desta postagem...

Nigel Mansell conquistou seu segundo pódio na temporada 1988, mas foi só: a Williams do inglês mais quebrava do que terminava as corridas naquele ano.