quarta-feira, 5 de agosto de 2026

FLYING LAPS – JULHO DE 2026

            Já chegamos ao mês de agosto, e o segundo semestre de 2026 segue adiante, e o mundo da velocidade também não fica parado. E, como de costume, todo início de um novo mês é palco de uma nova sessão da Flying Laps, com alguns dos acontecimentos ocorridos no mundo da velocidade, e maior parte na Indycar, no mês de julho, com alguns comentários rápidos. Espero que todos tenham uma boa leitura, e até a próxima edição da Flying Laps, no início do mês que vem...

A etapa de Mid-Ohio da temporada 2026 da Indycar trouxe um raro domínio da equipe McLaren na competição, com Christian Lundgaard largando na pole-position, com Patricio O’Ward saindo ao seu lado, com o time de Woking monopolizando praticamente a primeira fila do grid. E o duelo pela vitória na pista de Lexington ficou também restrito à dupla de pilotos, mas com O’Ward enfim saindo do ostracismo, e garantindo sua primeira vitória na temporada, aproveitando-se de uma bobeada de Lundgaard, que errou uma tangência e abriu caminho para o mexicano tomar a liderança da prova, que não perderia até a bandeirada final, cruzando a linha de chegada com apenas 1s de diferença para Christian, que bem que tentou recuperar a liderança, mas não foi possível recuperar a posição. Kyle Kirkwood fechou o pódio com um bom 3º lugar. Álex Palou esteve um pouco “abaixo” do seu normal, terminando a corrida em 5º lugar, atrás inclusive de Rinnus Veekay, da Juncos, que obteve um excelente resultado com o 4º lugar. E quem comemorou também foi Caio Collet, que fez a melhor corrida na temporada, tendo largado da 11ª colocação, e por um bom tempo, conseguindo se manter no TOP-10 da prova, mas acabando por ser superado, e finalizando na mesma posição de largada, o 11º lugar.

 

 

Como era de se esperar, Scott Dixon anunciou sua saída da Ganassi, após quase 25 anos defendendo a escuderia, e onde conquistou nada menos do que seis títulos na competição. E o destino do neozelandês também já é conhecido: em 2027, ele defenderá a McLaren, que inclusive também já oficializou seu line-up de pilotos para a próxima temporada da competição: Patricio O’Ward segue no time, com o retorno de Felix Rosenqvist ao time, além, claro, da chegada de Dixon, formando uma equipe das mais fortes da Indycar. Claro que, com isso, Christian Lundgaard, mesmo sendo o melhor piloto da escuderia na temporada de 2026, acabou perdendo seu lugar. E Nolan Siegel mostrou que não veio a apresentar o que se esperava, e agora precisa “caçar” um lugar, se quiser continuar na categoria no próximo ano. Lundgaard, contudo, já tem assento garantido para 2027: ele será o substituto de Scott Dixon na Ganassi, assumindo o carro Nº 9 que era do neozelandês. A Ganassi, claro, já tem então sua formação definida para o próximo ano: tem a chegada de Lundgaard, continua firme com Álex Pallou, e manterá Kyffin Simpson. Havia expectativa do terceiro carro da Chip Ganassi ser ocupado por Marcus Armstrong, “emprestado” à Meyer Shank, mas a Chip Ganassi optou por manter Simpson no terceiro carro da escuderia, de modo que Armstrong segue então na Meyer Shank, que agora conta com uma vaga potencialmente interessante, e que certamente vai ser disputada por muitos pilotos…

 

 

Vaga, atual, que pode ser um dos destinos de Caio Collet para o próximo ano. Collet tem sido bem visto pelos chefes de equipe da categoria, como novo talento potencial, e sabe que a Foyt atualmente não oferece condições das melhores na categoria, tendo regredido em relação ao que tinha conseguido mostrar em tempos recentes. De positivo, Caio conta com o apoio de Hélio Castro Neves, sócio minoritário da Meyer Shank, e até de Tony Kanaan, atual diretor da McLaren. O problema é que Collet não está sozinho nessa disputa, e para complicar, apesar de trazer patrocinadores, Caio está em desvantagem nesse quesito. Na pior das hipóteses, o brasileiro pode acabar ficando na Foyt para o próximo ano, apesar das dificuldades que o time tem enfrentado para conseguir resultados mais significativos…

 

 

Collet, contudo, precisa tomar cuidado. Após o bom momento vivido em Mid-Ohio, infelizmente o brasileiro cometeu um erro crasso na prova seguinte, em Nashville, uma pista oval, batendo logo no início da corrida, após apenas 17 voltas disputadas. O piloto reconheceu o erro, o que é positivo, mas acidentes como esse acabam invariavelmente jogando contra suas possibilidades de conseguir arrumar um carro mais competitivo na categoria. Seria importante conseguir pelo menos ser o “Rokkie” do ano, o que garante melhor visibilidade, mas deslizes como o de Nashville complicam o cenário. Atualmente, após a corrida no Tennessee, Caio ocupa apenas a 23ª colocação entre os 25 pilotos que disputam integralmente o campeonato de 2026, estando à frente somente de Mick Schumacher, também novato, e Sting Ray Robb, que não é grande coisa. Dennis Hauger é o melhor novato na competição, ocupando a 20ª posição, cerca de 20 pontos adiante do brasileiro na classificação. Se Collet quiser se destacar de fato, precisa pelo menos conseguir superar Hauger, e quem sabe, terminar mais próximo de Santino Ferrucci, seu colega de time na Foyt, que ocupa a 17ª colocação, com 59 pontos de vantagem para o brasileiro…

 

 

A corrida de Nashville, aliás, acabou sendo adiada do domingo para a tarde de segunda-feira. A prova na pista oval já tinha tido sua largada adiada para não confrontar com o jogo da decisão da Copa do Mundo, mas quando poderia começar a entrar com os carros na pista, o tempo fechou na região, primeiro com a incidência de raios, obrigando o autódromo a seguir o protocolo de segurança contra raios, o que impossibilitou a largada. E depois, mesmo esperando a noite cair, o que veio, enfim, foi a chuva, inviabilizando a corrida, já que não se corre em pistas ovais com piso molhado, por questões óbvias de segurança. Na segunda feira, diante do forte calor, a duração da corrida acabou reduzida de 300 para 225 voltas. E, no final, deu mais uma vitória de Álex Palou, que nem tinha o melhor carro, mas deu sorte com uma bandeira amarela, e saiu para a liderança da corrida, dando um show de competência na parte final da corrida, quando enfrentou a pressão de Josef Newgarden, que bem que tentou, mas não conseguiu superar o espanhol, que venceu mais uma vez no campeonato, e caminha firme para conquistar o penta. A Penske teve como destaque o desempenho de David Malukas, que largou em último, e fechou o pódio com a 3ª posição, mostrando uma recuperação impressionante. Ele e Newgarden chegaram a duelar pela vice-liderança, mas Josef venceu a parada. Curiosamente, a bandeira amarela que deu vantagem a Palou resultou de uma confusão que envolveu seu companheiro de equipe, Scott Dixon, que atingiu a traseira de Alexander Rossi, que desacelerou abruptamente à frente do piloto neozelandês, que acabou atingindo a traseira do carro da Carpenter, e claro, arruinou as chances de Dixon conseguir um bom resultado, terminando apenas em 18º, enquanto via Palou vencer pela quinta vez no ano.

 

 

O resultado da etapa de Nashville deixou Álex Palou ainda mais folgado na liderança do campeonato, com cerca de 83 pontos sobre o vice-líder, agora David Malukas, da Penske, devido ao mau resultado de Kyle Kirkwood, da Andretti, que finalizou a prova apenas em 10º lugar, tendo dado azar na última bandeira amarela da corrida. Com seis corridas para fechar a temporada de 2026, ainda há muito chão pela frente, mas pelo andar da carruagem dos adversários, tudo indica que Palou vai conquistar mais um título quase de mão beijada, enquanto os rivais se atrapalham com problemas, estratégias erradas, acidentes, e falta de constância. E vem sendo assim na maioria dos títulos conquistados por Palou, que vem conseguindo reunir competência, talento, e sorte…

 

 

Reviravolta na disputa pelo título da Formula-E. Pascal Wehrlein chegou para a rodada dupla de Tóquio na liderança do campeonato, e com chances de encerrar a conquista matematicamente, dependendo dos resultados do fim de semana em terras nipônicas. Mas deu tudo errado para o piloto da Porsche, que saiu zerado das duas corridas, e ainda viu os rivais passarem à frente na classificação. Jake Dennis subiu ao pódio nas duas corridas realizadas na área de Odaiba-Ariake, e agora pulou para a liderança do campeonato, com 146 pontos. Mas quem perdeu uma boa oportunidade de capitalizar foi Mith Evans, que conseguiu um satisfatório 4º lugar na primeira corrida, mas sofreu um abandono na segunda prova, o que o levou para a vice-liderança do campeonato, com 144 pontos, dois a menos que Dennis. Mantendo os 141 pontos que já tinha, Pascal caiu para o 3º lugar, e como desgraça pouca é bobagem, Oliver Rowland, o atual campeão, também chegou para a briga, chegando a 132 pontos, e ocupando a 4ª colocação na classificação. Com 14 pontos separando os quatro primeiros colocados, a F-E chega à rodada dupla final, em Londres, este mês, com nada menos que 4 pilotos em disputa direta pelo título, sendo que três deles brigam pelo bicampeonato, sendo Mith Evans o único que ainda não foi campeão, mas já viu o título escapar algumas vezes, e corre o risco de ver o destino repetir-se novamente.

 

 

Pascal Wehrlein, aliás, foi o próprio culpado de não ter ido melhor, pelo menos na primeira corrida na capital japonesa, quando colidiu com Antonio Felix da Costa, seu ex-parceiro de time na Porsche, e a quem já fez questão de declarar ter sido o pior companheiro de equipe que poderia ter tido. Ambos dividiram uma curva na pista, e Pascal não aliviou, mandando Antonio para o muro, mas sofrendo o pior resultado do contato: o abandono. O clima entre os dois pilotos, que nunca foi muito cordial, esquentou após a prova, com ambos trocando acusações um contra o outro, mas sendo nítido ver que o alemão forçou passagem desnecessariamente, o que levou ao toque dos dois carros. Definitivamente, Wehrlein apenas colheu o que plantou, e ainda poderemos ver outras pendengas entre ele e Da Costa certamente...

 

 

Na rodada dupla na capital japonesa, Dan Ticktum (Kiro) obteve uma vitória essencial para tentar se garantir na competição na próxima temporada, ao superar Jake Dennis na volta final para ganhar a primeira corrida em Tóquio, diante da falta de energia enfrentada pelo piloto da Andretti. Ticktum até havia sinalizado que não iria ultrapassar Dennis, dando-se por satisfeito com o 2º lugar, mas na volta final, com a perda de ritmo de Jake, Dan precisou efetuar a ultrapassagem, até para não ser pressionado por Nicky Cassidy, da Citroen, que vinha logo atrás. Dennis ainda conseguiu manter o 2º lugar, que seria essencial para conseguir assumir a liderança do campeonato no cômputo geral do fim de semana.

 

 

Nick De Vries ficou com a vitória na segunda prova de Tóquio, fazendo uso de uma boa estratégia para assumir a liderança na parte final da corrida, e com isso, chegou à sua 2º vitória na temporada, coroando o renascimento da Mahindra desde a temporada passada. Mas, Edoardo Mortara, seu companheiro de equipe, não tanta sorte como as classificações de largada indicavam. O suíço largou na primeira fila na primeira prova, mas terminou em 5º lugar, não dando sorte com as disputas e estratégias de corrida. Mas na segunda corrida foi ainda pior: o piloto largou na pole-position, mas um enrosco durante a corrida o levou ao abandono. Isso fez Mortara cair para a 5ª posição na classificação, ficando ainda matematicamente na briga pelo título, mas vendo suas chances caírem cada vez mais, para não falar da frustração de ver Nick De Vries já ter duas vitórias no ano, quando ele ainda não conseguiu nenhuma...

sexta-feira, 31 de julho de 2026

BALANÇO DA HUNGRIA E DO ANO

McLaren: primeira pole do ano, e  primeira vitória. Vem reação da equipe por aí?

            A Fórmula 1 encerrou praticamente metade da temporada, e vai para as férias de verão com muita coisa a ser avaliada e analisada. A Mercedes não ganhou em Hungaroring, com a McLaren obtendo sua primeira vitória na temporada, e só não fez dobradinha porque Oscar Piastri teve uma quebra de câmbio. Max Verstappen fez uma prova consistente, e conseguiu mais um pódio, e Andrea Kimi Antonelli, em uma corrida onde o time de Brackley não conseguiu se impôr, ainda arrancou o 3º lugar, e com isso, ampliou ainda mais sua vantagem na liderança do campeonato, indo para as férias de verão mais tranquilo do que nunca, e confirmando que é o grande favorito ao título.

            Pela segunda corrida consecutiva, George Russell teve um percalço sério: desta vez, foi o sistema antistall que disparou quando o inglês tentou largar, e ele ficou quase parado no grid, vendo todo mundo passar por ele, e começando a prova húngara praticamente ocupando a 21ª posição ao fim da primeira volta. No final, remou bastante, e só não foi mais longe, porque a pista travada é um pesadelo para quem vem de trás. Diante disso, o 7º lugar até que não foi tão ruim, exceto pelo fato de Antonelli ter terminado em 3º lugar, e com isso, a diferença na pontuação entre os pilotos da Mercedes ter subido para 59 pontos a favor do italiano. Azares à parte, é impressionante como George passou a favorito a zebra no campeonato. Por mais que ainda falte praticamente metade da competição, muitos começam a ver como cada vez mais improvável uma reação do piloto inglês, que todos imaginavam que nadaria de braçada rumo ao título, por possuir o melhor carro da competição. Nem tudo está perdido, claro, mas tudo caminha no sentido de que Antonelli será campeão. Talvez com mais folga do que poderíamos imaginar, contrariando as previsões...

            Mas, como vimos no ano passado, tudo pode mudar. Até a etapa da Holanda, Oscar Piastri parecia caminhar isolado para o título, e o que vimos depois foi uma inversão completa das expectativas, onde não apenas o australiano perdeu o título, como nem conseguiu ser vice-campeão, tendo sido superado na reta final por um inspirado Max Verstappen e uma Red Bull que, apesar dos trancos e barrancos, conseguiu responder às necessidades do holandês. Só que tal reviravolta este ano parece muito menos possível por parte do time dos energéticos, que tem problemas substanciais a resolver em seu carro deste ano, o que deixa o tetracampeão refém de obter resultados que podem não ser exatamente ruins, mas para o que ele acha minimamente aceitável, não basta. Os resultados da nova unidade de potência são elogiáveis, de modo que o time sabe onde precisa concentrar suas forças, e no primeiro bólido concebido totalmente após a saída de Adrian Newey do time, é natural que eles estejam enfrentando problemas, ainda mais diante do novo regulamento técnico. E isso faz voltar as especulações de uma possível troca de equipe para o holandês, com fofocas indicando que a McLaren poderia ser o novo lar do tetracampeão, mas com algumas fofocas até revitalizando as chances na Mercedes, acredite quem quiser...

A sina de George Russell: mais uma corrida complicada por percalços no carro da Mercedes...

            Se a Mercedes, apesar de tudo, ainda é a grande força da temporada, a Ferrari ainda se mantém, no geral, como a rival mais próxima, mas parece também depender de alguns momentos pontuais para conseguir se impôr com mais força. Se o time italiano conseguiu um ritmo de corrida que pelo menos lhes possibilitou brigar pelo pódio, ficando próximos de vencer, se algo inusitado ocorresse – o que não aconteceu, por outro lado, na Hungria, onde tinha tudo para enfim brigar firme pela vitória, as esperanças de uma classificação forte não correspondeu ao que vimos na corrida, onde a estratégia de corrida acabou complicada na disputa com Verstappen, foram um desgaste de pneu que surpreendeu o time de Maranello, relegando-o a ficar fora do pódio.

            Como desgraça pouca é bobagem, eis que a McLaren renasceu na Hungria, e fica a expectativa se isso foi mais pelas circunstâncias e características da pista magiar, ou se o time de Woking vem mesmo para a briga. Não podemos esquecer que, nos últimos anos, a equipe de engenharia do time promoveu upgrades que incrementaram de forma considerável a performance dos carros, colocando-os na briga por vitórias, e até pelo título, mesmo quando a temporada, no início, prenunciasse um ano complicado para a escuderia inglesa. Se a McLaren agora, mais uma vez, conseguiu desbloquear o seu potencial, ela certamente virá para a briga, e mesmo que o título possa escapar, vai certamente balançar a relação de forças na competição, obrigando a Mercedes a ter que jogar firme para defender sua posição, para não mencionar que a Ferrari pode ficar em xeque, se acabar sendo superada na pista, sem conseguir responder à altura como é necessário. Lando Norris conseguiu sua primeira vitória na condição de campeão mundial, e se o time realmente conseguir disputar vitórias a partir daqui, é sua chance de recompor sua imagem de campeão na temporada atual. O inglês ainda deve neste quesito, até por causa de sua condução irregular no ano passado, sendo inicialmente superado por Piastri com muita facilidade, e mesmo depois quando retomou o protagonismo no time, ainda assim quase perdeu o título para Verstappen.

            Lewis Hamilton, no cômputo geral, conseguiu pontuar em todas as etapas da temporada até aqui, e com desempenhos bem satisfatórios, e algumas performances excelentes. O que atrapalha é que o heptacampeão vem colecionando uma série de punições que certamente tem atrapalhado a obtenção de melhores resultados, ainda que isso dificilmente o faria ser um desafiante para brigar pelo título com Antonelli, mas que certamente faria sua dianteira frente a Charles LeClerc ser mais robusta. O monegasco, mesmo tendo vencido em Silverstone, ainda está devendo em relação a Hamilton na maioria das corridas, enfrentando uma situação bem diferente da do ano passado, quando deitou e rolou em cima do inglês no time, enquanto este ainda sofria para se adaptar à escuderia de Maranello e estava tendo performances abaixo do esperado.

            Na turma intermediária, a Racing Bulls consolida-se como “melhor do resto”, com Liam Lawson a fazer uma temporada muito boa, conseguindo evitar de ser sombreado por Arvid Linblad, que surgiu no time disposto a botar pra quebrar, e até agora, vem mostrando pelo menos muito talento e velocidade que Lawson tem conseguido igualar e impedir que seja passado para trás. A competição entre os dois tem um motivo óbvio: se Verstappen debandar da Red Bull, Lawson ou Lindblad poderão ocupar um dos carros, enquanto Isack Hadjar deverá ser mantido. Lindblad surpreendeu, é verdade, mas Lawson conseguiu equilibrar a disputa, e está à frente na pontuação do campeonato com 20 pontos a mais que o colega de equipe. Mais experiente, Liam agora viveria uma situação diferente, se voltar ao time principal, uma vez que Christian Horner e Helmut Marko não estão mais por lá, tendo sido “queimado” no ano passado depois de apenas duas corridas, diante do carro complicado que a escuderia possuía, do qual só Max Verstappen conseguia se adaptar ao comportamento instável. O que pode atrapalhar é que surgiram boatos também de que a Red Bull pode buscar um piloto “de fora”, e numa eventual ida de Max para a McLaren, Piastri poderia vir para seu posto na Red Bull.

            Na Alpine, Pierre Gasly está garantido, mas a situação de Franco Colapinto, mais uma vez, não está garantida. O francês tem mais que o dobro de pontos do argentino, que volta e meia ainda arruma algumas batidas para complicar sua posição. É verdade que o time iniciou o ano bem mais forte, mas nas últimas corridas, tem ficado para trás, enquanto os rivais avançaram. Gasly já deu o alerta: se a Alpine não se mexer a fundo, ficará mesmo para trás, e com Aston Martin Racing Bulls, e Audi melhorando, o time francês corre o risco de acabar fazendo companhia a Haas e demais times do pelotão de trás do grid.

"Cadilata": Os carros da equipe norte-americana quebraram mais uma vez...

            A Audi, que vem conseguindo marcar pontos nas últimas etapas, anunciou que vai se concentrar em melhorar o chassi, deixando a unidade de potência para uma aprimoração mais substancial em 2027, quando poderá utilizar dois ADUOs para evoluir a unidade. O time já fez uso de um ADUO em Barcelona, dando-se por satisfeito com o progresso, mas aceitando que precisa de um carro melhor, que possa extrair com mais eficiência a performance que a unidade de potência pode entregar.

            Williams e Haas começaram a temporada com problemas próprios, mas ambas agora enfrentam dificuldades de performance, conforme a temporada avançou. Se o time de Gene Haas tinha momentos de brilho, brigando pelas últimas zonas de pontuação, o desempenho despencou nos últimos GPs, com os pilotos tendo de brigar para não caírem já no Q1. A equipe e Grove, por seu lado, ensaiou minimizar seus problemas em algumas corridas, mas voltando a despencar, ficando longe de conseguir pontuar. Os dois times agora terão dificuldades se a renovação do carro da Aston Martin confirmar as boas impressões da Hungria, recolocando o time de Silverstone nos eixos, e deixando Haas e Williams para trás.

            A Cadillac, como time novato, vem tendo as dificuldades naturais de todo time iniciante, mas até aqui, enfrenta problemas de performance e fiabilidade que fazem com que a escuderia não consiga chegar nos outros times do grid, se não houver algum fator extraordinário que propicie oportunidades a seus pilotos, que ficaram novamente pelo caminho em Budapeste, ambos com problemas sérios nos carros, no que tange à fiabilidade dos carros. Sergio Perez tem conseguido se sair melhor do que Valtteri Bottas, candidatando-se cada vez mais a permanecer no time no próximo ano, enquanto a segunda vaga pode ficar com algum outro piloto. Mas agora o time norte-americano precisará mostrar ainda mais serviço, uma vez que as evoluções praticadas pela Aston Martin na prova húngara parecem oferecer uma luz no fim do túnel vivido pela equipe de Silverstone, e deixar a Cadillac confinada às últimas posições do grid.

Ferrari: brilhando nos treinos, se apagando na corrida. Max Verstappen agradece e papou outro pódio com a Red Bull.

            A F-1 continua a sofrer com o problema do gerenciamento de energia das novas unidades de potência. Alguns ajustes minimizaram um pouco os problemas enfrentados pelos times, mas em pistas de alta velocidade, como a Bélgica, ver os carros novamente perdendo velocidade nas retas, mesmo com os pilotos pisando fundo no acelerador, voltou a motivar críticas de pilotos e times. Stefano Domenicalli reclamou dos pilotos reclamarem, alegando que eles não sabem fazer críticas construtivas, e que o público “está adorando” a movimentação na pista, como “provam” os números de torcedores presentes nos autódromos, como na Hungria, onde anunciaram um público de pouco mais de 310 mil torcedores presentes no final de semana do GP, e que eles não estão interessados em detalhes como “super clipping”, ou se as ultrapassagens estão “artificiais ou não”, porque, para eles, o que importa é a agitação na pista, não se a manobra é real ou artificial de fato. O chefão da FOM/Liberty Media deveria se inteirar melhor das discussões em fóruns de automobilismo pelo mundo afora, onde os fãs não andam lá empolgados como ele alega. Se antes já tínhamos críticas ao uso do DRS, agora, com a complicação do sistema de gerenciamento da energia, tudo ficou ainda mais artificial, numa disputa de softwares de gerenciamento propriamente, por mais que o piloto consiga fazer uma abordagem das mais eficientes em manipular a energia da unidade de potência, cujos limites particulares de cada uma impõem limites que podem ser até flexibilizados, mas não eliminam o problema a contento. Mas a arrogância típica da F-1, que já não é de hoje, parece por vezes tratar os fãs como idiotas. A única sorte deles é que a categoria tem muito lastro para se manter relevante, mesmo com as idéias e atitudes mais imbecis tomadas, então...

            O momento de férias serve para dar uma arejada nos times e pilotos, antes de entrarmos na segunda metade do campeonato, que deverá ser bem corrida, para não mencionar que a F-1 precisará decidir de vez onde fará suas etapas finais da temporada, que não serão definitivamente no Qatar e Abu Dhabi, diante da instabilidade no Oriente Médio. Embora ainda não comunicado oficialmente, a Europa deverá encerrar o certame, o que indica que pistas como Portugal, Ímola, ou outros autódromos poderão ser anunciados em breve para “tapar” o buraco surgido das provas que seriam feitas no Oriente Médio. Já foi anunciada corrida em Kuala Lumpur, promovendo a volta da Malásia ao calendário, no início de outubro, como substituta da corrida do Bahrein, cancelada oficialmente, encaixando no itinerário de viagens da categoria a Singapura. Vamos ver agora que outros acertos eles farão para garantir pelo menos as duas corridas finais do calendário na Europa.

            Vai ser um período de férias com muita coisa na cabeça de todo mundo, isso vai...

 

 

A Aston Martin saiu plenamente satisfeita do resultado de suas atualizações no carro implementadas na Hungria. Com nada menos do que 16 atualizações promovidas no bólido, que foi chamado de praticamente “um novo carro”, o time de Silverstone conseguiu quase brigar para chegar à zona de pontos, e embora tanto Fernando Alonso quanto Lance Stroll tenham ficado sem conseguir brigar efetivamente por pontos, o desempenho dos carros teve uma evolução visível, permitindo a seus pilotos deixarem a dupla da Cadillac para trás, da Haas, e também a dupla da Williams, cujo carro parece ter estagnado completamente. O resultado mais prático foi ver Fernando Alonso novamente, se não empolgado propriamente, mais entusiasmado ao ver que o carro agora parece de fato um  carro de corrida, já que antes haviam tantos problemas e reações ruins na condução que era difícil enumerar por onde começar a resolver a situação. A desvantagem na classificação, que em algumas pistas passou de 5s, despencou para praticamente a metade, o que é um avanço a ser elogiado, pelo menos para proporcionar agora uma base mais estável para desenvolvimento. Com as férias de verão, assim que os trabalhos de pista, no final de agosto, forem retomados, na Holanda, o time já terá uma base estudada das melhorias, sem mencionar que esta semana o time já andou com a nova unidade de potência da Honda, lá mesmo em Hungaroring, usando o dia de testes de pneus da Pirelli, nesta semana, podendo assim efetuar comparações do comportamento da nova unidade, em relação à que estava sendo usada, até a prova de domingo. E a nova unidade é um passo à frente em todos os aspectos, de acordo com a escuderia, apontando um ganho de potência de aproximadamente 25 Hps a mais, fora que o novo propulsor não apresenta problemas como as vibrações que, nos primeiros testes, chegavam a ser tão intensas que praticamente desestabilizavam o chassi do bólido. Mike Kraak, por sua vez, foi incisivo ao declarar que eles terão muito a analisar dos dados, e a comparação de parâmetros, indicando pelo menos, que todas as atualizações implementadas surtiram os efeitos esperados, indicando confiabilidade das simulações feitas com as novidades que foram desenvolvidas, o que sugere um índice de confiabilidade dos dados bem alto. Agora, é ver o quanto o time consegue evoluir de fato na segunda metade da temporada, não esquecendo, claro, que os rivais não estarão parados, e portanto, ainda terão muito, muito trabalho pela frente, até recuperarem de fato a competitividade necessária para brigar por resultados mais efetivos…

Aston Martin: pacotaço de atualizações diminui déficit de performance de forma significativa, mas a distância ainda é grande para os primeiros colocados.