sexta-feira, 11 de setembro de 2026

ANTONELLI LEVA MONZA AO DELÍRIO

Duas faces opostas: Andrea Kimi Antonelli comemora uma vitória épica em Monza (acima), saindo da penúltima fila, enquanto Charles Le Clerc, que já havia complicado a corrida de Lewis Hamilton bate com tudo na Curva Parabólica e destroi sua corrida sozinho (abaixo), decepcionando os fãs da Ferrari.


            Quando a Mercedes anunciou que usaria a pista de Monza para a troca para a unidade de potência extra e demais sistemas no carro de Andrea Kimi Antonelli, muitos viram como a decisão estratégica perfeita para minimizar danos, em uma altura do campeonato onde isso era plausível. Um circuito de alta velocidade, com longas retas, que teoricamente seria perfeito para uma corrida de recuperação, ainda mais possuindo o melhor carro do grid. Muito lógico e com sentido diante da posição do piloto italiano no campeonato, que liderando até então com 59 pontos de vantagem, podia perfeitamente se dar ao luxo de sacrificar um bom resultado para garantir melhor desempenho nas corridas seguintes com uma unidade de potência.

            Mas ninguém esperava que, depois da corrida, uma vitória de Andrea Kimi Antonelli fosse tão categórica e empolgante, a ponto do piloto italiano, o primeiro a liderar um campeonato da F-1 há décadas, fazer Monza vibrar como se tivesse assistido a uma vitória magistral da Ferrari. Não foi só isso: largando da 19ª colocação, Antonelli conquistou a vitória com a segunda melhor recuperação da história da categoria máxima do automobilismo, perdendo apenas para o triunfo de John Watson no GP dos EUA-Oeste, em 1983, em Long Beach, Califórnia, quando largou da 22ª posição para vencer a prova. Com isso, a espetacular vitória de Rubens Barrichello no GP da Alemanha de 2000 cai para a terceira posição neste ranking, onde o brasileiro chegou a seu primeiro triunfo na F-1 largando da 18ª posição.

            O resultado foi um baque para George Russell, que imaginava ter a chance perfeita de vencer, e pelo menos, descontar alguns pontos da imensa vantagem de Antonelli na liderança do campeonato, onde a moral e confiança do piloto inglês da Mercedes não andam exatamente em estado de graça. Mas deu errado, e Russell sofreu uma derrota categórica para Antonelli, mesmo tendo largado da primeira fila do grid. Agora, com 66 pontos de desvantagem, George vai ter de operar um milagre para reequilibrar a briga, que mesmo ainda tendo 10 GPs em teoria pela frente, ainda pode permitir qualquer coisa acontecer, mas que na prática, parece cada vez mais improvável de ocorrer.

            Muitos acusam que a Mercedes prejudicou Russell ao não fazer o inglês ter parado no Safety Car virtual ocorrido para a retirada do carro de Lance Stroll, enquanto Antonelli foi aos boxes para a troca. O italiano, porém, tinha dois jogos de pneus médios novos, e tendo começado a corrida com duros, e tendo podido trocá-los após a bandeira vermelha, devido ao forte acidente de Charles Le Clerc na curva Parabólica, Andrea poderia usar os dois compostos de médios no restante da corrida. Largando mais atrás, era a opção correta para tentar escalar o pelotão, e assim o fez. Quando teria de parar de novo, em tese, ele teria de recuperar o tempo perdido, enquanto Russell, com compostos duros, iria até o fim. Na teoria, George deveria ter a vantagem, até porque não tinha compostos macios novos para a corrida, tendo aproveitado para se desfazer dos seus na bandeira vermelha. Só que Antonelli, em apenas duas voltas, já tinha conseguido sair do 19º lugar para o 12º, muito melhor do que o esperado, e claro que ele não perdeu tempo, indo para cima dos adversários à sua frente, com um ritmo muito melhor, e claro, também o melhor carro na pista.

Pierre Gasly assustou ao conquistar a pole-position, mas a Alpine não sustentou a aposta na corrida.

            Portanto, enquanto o italiano podia mandar ver, Russell tinha que conservar seus pneus. A vantagem ainda lhe favorecia, mas o safety car virtual surgiu em um momento onde Antonelli pode parar gastando muito menos tempo do que em regime normal de corrida, e com pneus novos, Andrea, que já tinha conseguido até chegar à liderança antes da parada, voltou muito mais perto de Russell, e novamente, com pneus novos para pulverizar o ritmo na pista, enquanto Russell só poderia confiar que sua margem era suficiente para se manter na liderança até a bandeirada. Mas não foi o que se viu: o inglês não conseguiu resistir à investida fulminante de Antonelli, que não apenas recuperou o tempo perdido na parada, como alcançou Russell a tempo de poder disputar a liderança. Mesmo assim, fica a dúvida se George, se tivesse parado para colocar pneus médios, mesmo usados, não teria ritmo melhor. Pelos treinos, havia uma diferença pequena a favor do inglês, mas isso se repetiria na corrida? Poderia se repetir, ou não. Não se pode deixar de imaginar que, sim, a Mercedes, diante das circunstâncias do momento, poderia ter feito Russell parar de novo, mesmo que fosse para colocar outro jogo de duros, que mais novos, lhe proporcionariam mais ritmo.

            E, desse modo, chegamos à situação atual, onde o título de Andrea Kimi Antonelli parece cada vez mais inevitável, mesmo faltando ainda tantas provas para o final. A McLaren, que venceu as duas corridas anteriores com Lando Norris, e que poderia entrar no jogo e bagunçar a relação de forças até o final da temporada, não conseguiu se impôr em Monza como se esperava. E mesmo Max Verstappen, que foi o único a discutir a vitória, mesmo que momentaneamente, está muito atrás, e com uma Red Bull que, no presente momento, não tem a mesma capacidade de reação demonstrada no ano passado, de modo que uma reação do holandês até pode acontecer, mas sem o mesmo impacto do visto em 2025, perigando mais complicar a situação dos demais rivais do que da própria Mercedes, que pelo menos em Monza, voltou a mostrar a força dominante das primeiras corridas do ano. E mesmo a McLaren, contando com o motor Mercedes, não conseguiu brigar pela vitória como era esperado. O time de Woking pode até voltar para a briga nas próximas corridas, mas a perspectiva de embolar a competição, mesmo que apenas em parte, perde um pouco de força.

            E a Ferrari? Estreando o novo motor com o segundo ADUO, o time de Maranello, que sempre se prepara de forma especial para a corrida “de casa”, saiu com um gosto amargo de derrota que não se esperava. Se os treinos até deram alguma esperança, até porque eles imaginavam que o ritmo de corrida poderia ser melhor do que o de classificação, o caldo na verdade azedou logo na largada, quando, na chicane do fim da reta dos boxes, Charles Le Clerc, mais interessando em não se deixar ser superado por Lewis Hamilton, chegou a espremer o companheiro de equipe, que saiu levemente da pista e caiu para a 10ª posição. A manobra já suscitou discussões, e se é verdade que Le Clerc exagerou levemente na defesa de posição, muitos viram apenas um incidente de corrida, o que não deixa de ser verdade, exceto que, para muitos, por serem companheiros de equipe, ainda era cedo para vermos aquilo, e a situação de Charles, que parece mentalmente abalado por se ver atrás de Hamilton na classificação do campeonato, poderia ser um complicador para o time.

Depois de duas vitórias consecutivas, a McLaren ficou longe de brigar pela vitória, e até do pódio.

            Dito e feito, mas não da maneira esperada. Logo depois, o monegasco saiu da pista na Parabólica, acertando a proteção de pneus a mais de 220 Km/h, e causando uma bandeira vermelha. Terminava ali um GP que iria dar o que falar entre torcedores, e mídia especializada. Mas o time se complicou sozinho quando não aproveitou o safety car virtual para a retirada do carro de Lance Stroll, obrigando Lewis Hamilton a ir até o final da corrida com pneus que se desgastaram nas voltas finais, e o impediram de ir além do 6º posto, muito pouco para aplacar a sede dos fãs italianos, que viram mais uma burrada do time do que o piloto, que com pneus novos, poderia ter brigado pelo menos pela 4ª posição, diminuindo o vexame ferrarista em Monza. Não adianta dizer que o novo ADUO, o segundo e último a ser permitido este ano para o time de Maranello, ainda não foi suficiente para reduzir significativamente o déficit de potência dos propulsores italianos.

            A Ferrari até criou condições de sonharmos que, mesmo em parte, Hamilton e Le Clerc poderiam vir para a briga, e pelo menos, duelar pela vitória em algumas corridas, mas parece que o modelo SF-26 perde fôlego mais do que o esperado, fora o time perder alguns resultados ligeiramente melhores, devido à rusga potencial de Le Clerc e Hamilton. O monegasco parece querer evitar a qualquer custo virar “escudeiro” de Hamilton, e diante da impossibilidade real de tirar o título de Antonelli, não precisa mesmo escolher um preferido para o restante da temporada, mas precisa impôr algum controle para que ambos não entrem em atrito desnecessário dentro da pista.

            Diante disso, Antonelli conseguiu levantar o público como poucos pilotos fizeram nos últimos tempos, já que pela primeira vez desde os anos 1950, a Itália está em vista de ter novamente um campeão mundial. Durante estas décadas, vários italianos passaram pela categoria máxima do automobilismo mundial, mas sem conseguir engajar a torcida, seja por falta de talento para ser campeão, ou de equipamento para conseguir tal feito. Diante disso, os italianos passaram a torcer mais pela Ferrari do que pelos pilotos, ao ponto de tornar a equipe italiana uma verdadeira instituição nacional, chegando a comemorar mais vitórias do time de Maranello do que de um piloto italiano propriamente.

            Parece que este ano a história será reescrita, e com Andrea Kimi Antonelli a fazer história como o mais jovem campeão da história da F-1, e com todos os méritos, pelo que o jovem vem fazendo nas pistas este ano, e não é apenas ter o melhor carro da competição… Mesmo que nada esteja garantido, diante do número de provas ainda por serem realizadas, parece algo cada vez mais inevitável...

 

 

Entre tapas e beijos, a Honda reafirmou seu compromisso de se recuperar na F-1, depois do início catastrófico da temporada de 2026. Os japoneses chegaram inclusive a encher de elogios Fernando Alonso, alegando que tem uma “dívida” de honra com o espanhol, pelos desaires que a parceria entre ambos enfrentou, lembrando os percalços vividos na época da McLaren, entre 2015 e 2017. Fernando chegou a elogiar a nova unidade de potência, muito mais eficiente do que a que iniciou a temporada, mas lembrando que ainda há muito, muito trabalho a ser feito, até que o propulsor seja de fato competitivo, e em Monza, vimos como a situação da Aston Martin ainda é débil, em uma pista onde potência era fundamental, e por isso mesmo, uma unidade de potência que mereça o nome, se fazia imprescindível. Mas, segundo algumas línguas, a Aston Martin não estaria com muita paciência para esperar os japoneses evoluírem seu equipamento, de modo que, se o propulsor não apresentar evolução notável em 2027, a escuderia inglesa estaria já pensando em rescindir o contrato, e voltar a usar unidades da Mercedes em 2028. Em outras palavras, a Honda tem prazo de validade para mostrar serviço, o que já complica uma posição que deixa dúvidas na empreitada  nipônica na F-1: com a força para aprovar a volta dos motores V-8 a partir de 2031, os japoneses já pensariam novamente em desistir da F-1, não concordando com as novas diretrizes técnicas que seriam adotadas. Outra opção para a Aston Martin poderia ser o fornecimento de unidades da Ford/RBPT, que atualmente abastecem apenas a própria Red Bull e a Racing Bulls, no caso da Mercedes não aceitar novos times clientes, ou um dos atuais times clientes, como Alpine ou Williams, perder esse fornecimento, e precisarem buscar um novo fornecedor. Ao mesmo tempo, a escuderia de Silverstone anunciou que, após a prova do Azerbaijão, deve se concentrar no carro de 2027, deixando de fazer atualizações no modelo AMR26. Isso deve limitar a capacidade de reação da escuderia na parte final da temporada.

 

 

A F-1 chegou a Madri para o novo GP da temporada, e a história da nova pista madrilhena, que volta a sediar um GP desde os anos 1970 já começou com um fato inusitado: ladrões roubaram boa parte da fiação das instalações da pista, ocasionando um belo prejuízo, e a necessidade de recuperar toda a estrutura afetada, a fim de não prejudicar as atividades da corrida. Mas embora esse problema tenha sido sanado, o que causa preocupação é a natureza da pista, que todos especulam que pode ser problemática com os carros, além de enfrentar críticas e protestos de moradores locais, incomodados com o barulho potencial dos carros.

 

 

O novo circuito de Madri, conhecido como Madring, tem 5,47 km de extensão, com um total de 22 curvas e foi construído no entorno do centro de exposições Ifema, combinando trechos dentro do complexo com vias da região de Valdebebas. A intenção da Fórmula 1 é repetir, em escala menor, o sucesso do GP de Las Vegas, nos Estados Unidos. A confiança no sucesso da empreitada fez com que fosse assinado contrato para tornar Madri a nova sede do GP da Espanha, começando este ano, e indo atpe 2035. Só que a prova começa a sofrer protestos e pressão de moradores dos bairros próximos ao traçado. A plataforma Stop F1 Madrid, formada por associações e residentes da região, sustenta que o projeto prejudica a qualidade de vida local principalmente por causa do ruído, das obras, da mobilidade e dos impactos ambientais, problemas que também resultaram em dificuldades iniciais na etapa de Las Vegas. O barulho se tornou a principal preocupação depois dos primeiros testes realizados no circuito, em agosto, com sessões com carros de F3, que foram utilizadas para verificar o traçado antes da homologação final do circuito, mas também serviram para que moradores medissem o impacto acústico dos carros de competição. Segundo dados divulgados pela plataforma, um dos testes registrou média de 102,7 dBA e pico de 107,7 dBA, com outra medição chegando a 109,1 dBA. A associação informa que não é contra a corrida em si, mas ao modo como a pista foi construída, e com os impactos que ela causa na estrutura local da cidade durante a realização do GP. E, claro, Stefano Domenicalli fala, com orgulho, que a nova pista não repetirá os erros que culminaram no fracasso da prova de Valência, realizada há pouco mais de uma década e meia, que começou bem, mas foi definhando com o passar dos anos. Será mesmo que a FIA e a FOM aprendem com seus erros? Pode até ser verdade, mas parece que a única coisa que eles não perdem é a arrogância, isso, sim...

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

ARQUIVO PISTA & BOX – SETEMBRO DE 2000 – 29.09.2000

            Trazendo novamente uma de minhas antigas colunas, o texto de hoje foi publicado no dia 29 de setembro de 2000, praticamente 26 anos atrás. O tempo voa, hein? Mas o assunto principal era a estréia da Fórmula 1 no autódromo de Indianápolis, que por pouco mais de metade daquela década foi a casa da categoria máxima do automobilismo nos Estados Unidos, em um traçado misto criado dentro do circuito oval, para delírio dos amantes das provas do esporte a motor. Embora a F-1 não tenha durado muito por lá, o traçado misto é usado até hoje, com algumas mudanças, pela Indycar, como Grande Prêmio de Indianápolis, dividindo a programação da categoria no mês de maio com as tradicionais 500 Milhas. E deu dobradinha da Ferrari na primeira prova da F-1 no templo de Indianápolis, com Michael Schumacher vencendo e Rubens Barrichello fechando o 2º lugar. O resultado praticamente sacramentava o título em favor do piloto alemão, embora não fechado matematicamente, com o abandono de Mika Hakkinen, que ainda tentava o tricampeonato mundial com a McLaren, mas que seria de fato o tricampeonato de Michael Schumacher, enfim tirando a Ferrari da fila que ocupava desde 1978 na etapa final do campeonato, em Suzuka, algumas semanas depois. De quebra, vários tópicos rápidos de mais alguns acontecimentos no mundo da velocidade, com alguns comentários. Uma boa leitura então, e em breve trago mais textos antigos por aqui...

O DIA EM QUE A FERRARI REINOU EM INDIANÁPOLIS

             O Grande Prêmio dos Estados Unidos, disputado domingo passado, foi sem dúvida um dos grandes momentos desta temporada de F-1. Além de marcar a volta da maior categoria automobilística do planeta ao maior mercado consumidor do mundo, o ambiente do autódromo de Indianápolis é único. Foi demais ver os carros da F-1 correrem no mais famoso de todos os autódromos do planeta. Conforme citei na coluna da semana passada, agora, mais do que nunca, Indianápolis pode mesmo dizer que é a “Capital Mundial das Corridas”.

            O público presente nas arquibancadas do Indianápolis Motor Speedway foi impressionante. E muitos torcendo fervorosamente durante toda a corrida pelos seus eleitos na categoria, embora parte dos torcedores ainda tentasse adivinhar qual carro pertencia a qual equipe. Mas, no aspecto geral, a F-1 retornou em grande estilo mesmo aos Estados Unidos.

            A sensação de ver toda a estrutura criada para acomodar a F-1 apenas ampliou a já espetacular estrutura presente neste templo sagrado das corridas. Os pilotos e suas equipes ficaram surpresos com todo o aparato à sua disposição em Indianápolis. Nada foi esquecido, e todo mundo ficou satisfeito.

            Para quem acompanha a categoria, foi uma sensação ímpar ver os carros da F-1 perambularem pelo circuito. O novo traçado misto criado dentro do circuito oval, como era de se esperar, não permitiu muitas áreas de ultrapassagem ideais, dada a configuração aerodinâmica atual dos F-1. Mas, em compensação, a visão dos carros da F-1 percorrendo o trecho do circuito oval foi inesquecível. E com direito a algumas boas disputas de freada na primeira curva, onde tivemos até Jacques Villeneuve escapando por deixar a freada demais para os limites, em sua luta por posição com Heiz-Harald Frentzen.

            Tony George fez um trabalho impecável e, mais uma vez, faz o que muitos consideravam uma loucura, dada a falta de cultura de F-1 pelos norte-americanos. Mas ele conseguiu de novo, e com isso aumenta ainda mais o seu status dentro do automobilismo americano.

            E, para completar, era preciso apresentar alguém que servisse de ídolo à nova geração de torcedores americanos. E Michael Schumacher se encarregou de preencher este papel e sua equipe, a Ferrari, o papel de ícone da categoria.

            Para boa parte dos torcedores, foi a glória. Ferrari é um nome conhecido em qualquer lugar do planeta, e nos EUA, o número de fã clubes dos carros mais famosos do mundo é grande. Boa parte das arquibancadas estavam tomadas por fãs da Ferrari, muitos deles vendo ao vivo e pela primeira vez os míticos carros de F-1 que geraram toda a lenda em torno do nome Ferrari. E a Ferrari venceu em grande estilo: Michael Schumacher venceu, mesmo depois de uma pequena escorregada numa curva, e Rubens Barrichello, depois de um início de corrida pífio, recuperou-se com o decorrer da prova e terminou em 2º lugar, dando à Ferrari a sua 3ª dobradinha no ano e a primeira da escuderia no circuito de Indianápolis, onde nunca havia corrido, nem mesmo na história das 500 Milhas de Indianápolis.

            Schumacher, para completar, ainda fez a pole position no sábado com maestria. O bicampeão alemão conquistou a torcida de Indianápolis, e não se fez de rogado. Assumiu o papel de ídolo da torcida e arrumou uma nova massa de fãs para ele e, por tabela, aumentou ainda mais a legião de fãs da Ferrari, escuderia que é sinônimo de F-1.

            Para os rivais, leia-se McLaren, o dia não podia ser dos mais piores. O time de Ron Dennis foi derrotado por completo em Indianápolis e nem o 5º lugar de David Coulthard serviu de consolo, diante da vitória e dobradinha da Ferrari. David Coulthard foi derrotado por ele próprio, ao queimar a largada e, depois, ter de pagar a tradicional punição por isso. Assim, a corrida do escocês, que tentava fazer jogo de equipe para beneficiar Mika Hakkinen, foi para o brejo, tendo de vir lá de trás, mas sem render o que se poderia esperar de um piloto com uma McLaren nas mãos. Já Mika Hakkinem vinha fazendo o seu papel, vindo implacável no encalço de Michael Schumacher, reduzindo a diferença à razão de 1s por volta, quando seu carro deixou-o na mão com problemas. A expressão de abatimento do piloto finlandês era visível nos boxes.

            Contratando com a decepção da McLaren, a Ferrari era pura euforia. Mais uma vitória no currículo, a 8ª nesta temporada, que já é a melhor temporada de toda a história da Ferrari na F-1, como ainda se inscreve na história do automobilismo americano como a primeira equipe de F-1 a vencer o Grande Prêmio dos Estados Unidos de F-1 no circuito de Indianápolis. Até então, a única equipe de F-1 a vencer em Indianápolis fora a Lótus, com Jim Clark e Graham Hill nos anos 60, mas na prova da Indy 500. Sem dúvida alguma, um dia para se comemorar no automobilismo.

 

 

Com a vitória em Indianápolis, Michael Schumacher ultrapassou Ayrton Senna nas estatísticas de Gps vencidos na F-1: Foi a 42ª vitória do alemão. Mas Schumacher já avisou a todos que sua marca não significa nada diante das conquistas de Senna. “Ayrton teve sua carreira brutalmente encerrada no acidente de Ímola em 94; nunca saberemos quantas vitórias ele ainda poderia conseguir na F-1”, declarou Schumacher. E com razão. Pelo segundo GP consecutivo, quando lhe foi mencionado sobre Senna, mais uma vez o bicampeão alemão reverenciou o piloto brasileiro.

 

 

A F-1 tem boas chances de decidir o título já no Japão. Se Michael Schumacher marcar 2 pontos a mais que Mika Hakkinem no autódromo de Suzuka, garante matematicamente o título da temporada e chegará ao tricampeonato, pondo então, fim ao jejum de mais de 20 anos da Ferrari. Mas a parada da Ferrari deverá ser dura em Suzuka: Hakkinem venceu a prova nos últimos dois anos, mesmo quando a Ferrari parecia ter todas as condições de favortismo. Depois do fiasco de Indianápolis, é bom ninguém duvidar que a escuderia de Ron Dennis chegará ao Oriente disposta a dar tudo o que pode para adiar a luta pelo título. Mas que as coisas ficaram difíceis depois do resultado do último domingo, isso ficou.

 

 

Ponto negativo para a Williams em Indianápolis: anunciou a contratação oficial de Juan Pablo Montoya para 2001 e deixou o piloto colombiano nos boxes, bem aos olhos de Jenson Button, que será substituído no ano que vem. Além da mancada de ética da equipe, Button ainda contribuiu para mais um fim de semana magro da equipe, ao errar na pista e ficar novamente a pé, a exemplo do que aconteceu na Itália.

 

 

Ricardo Zonta fez outra boa corrida em Indianápolis e pontuou pela 2ª vez consecutiva. Parece que, finalmente, a BAR resolveu dar ao piloto brasileiro um equipamento melhor trabalhado. Mas ainda está devendo melhor atenção ao piloto brasileiro, que já está fora dos planos da equipe para 2001.

 

 

A F-CART inicia hoje os treinos oficiais para o GP de Houston, antepenúltima etapa do Mundial da categoria. Nos últimos dois anos, a equipe Green dominou esta corrida, mas este ano a parada está mais dura. Para os pilotos brasileiros Gil de Ferran e Roberto Moreno, a pista é do agrado e significa a oportunidade de abrir maior vantagem na classificação. Os dois ocupam as primeiras colocações do campeonato e pretendem aumentar o máximo possível sua vantagem na pontuação para chegar a Fontana, etapa final, podendo correr apenas por pontos, uma vez que a prova no Califórnia Speedway é considerada praticamente uma loteria. Antes de Fontana, há mais uma etapa em circuito urbano, em Surfer’s Paradise, na Austrália, outro circuito bem ao gosto dos brasileiros.

 

 

A Penske já começa a planejar jogo de equipe para levar Gil de Ferran ao título da categoria. Em Madison, Hélio Castro Neves trocou de posição com Gil na pista, o que deu ao piloto brasileiro mais um ponto na classificação. A maior atenção da equipe é com a performance de Michael Andretti, adversário dos mais perigosos. Roberto Moreno é encarado como ameaça mediata, enquanto Andretti é visto como o maior rival em potencial. Mas a Penske, que não conquista um título desde 94 com Al Unser Jr., não quer descuidar de nenhum detalhe para a prova de Houston e Austrália. Mas a equipe tem dúvidas sobre seu rendimento em Fontana, pois até o momento, nesta temporada, ainda não conseguiu um bom acerto para as pistas ovais.

 

 

Enquanto a Penske se prepara, a Patrick também sonha em repetir o feito de 89, quando foi campeã com Émerson Fittipaldi. Moreno é vice-líder do campeonato e deve ter a preferência do time nas provas finais, apesar de todos na equipe negarem isso. Mas, uma vez que o mexicano Adrian Fernandez está de saída para outro time em 2001, a aposta em Moreno começa a parecer a mais lógica, uma vez que o brasileiro continua firme na Patrick para 2001.

 

 

A Newmann-Hass também quer acabar com o seu jejum. O time venceu o campeonato da CART pela última vez em 93 com Nigel Mansell e agora, pela primeira vez desde aquele ano, está mais perto do que nunca de conseguir novamente o título, e vai concentrar todos os seus esforços em Michael Andretti. E Andretti já mostrou que, se depender dele, os rivais que se preparem, como demonstrou em Madison. Isso, é claro, se o carro não resolver quebrar de novo...