sábado, 28 de fevereiro de 2026

LARGADA DA INDYCAR 2026

São Petesburgo recebe mais uma vez a abertura da temporada da Indycar.

            Vai começar o ano da velocidade na Indycar, e mais uma vez, o palco inicial da temporada é o traçado urbano de São Petesburgo, na Flórida, que marca o início de uma temporada onde muita gente quer uma revanche, depois do massacre imposto por Álex Palou, da Ganassi, na temporada passada. O piloto espanhol chegou ao tetracampeonato vencendo nada menos que 8 das 17 provas do ano, enquanto a concorrência batia cabeça, sofria azares, tinha todo tipo de percalços, além de cometer erros diversos e ter um azar danado. Eles podem tentar, só falta combinar com Álex, que não vai querer parar apenas com 4 títulos na competição.

            E muito menos a Ganassi, que vem ganhando boa parte dos campeonatos da categoria nos últimos anos. Scott Dixon foi responsável por seis títulos, enquanto Palou já vem no encalço com outros quatro, o que confere a eles nada menos que 10 títulos só com estes dois pilotos. E claro que Dixon, que vem sendo ofuscado por Álex nestes anos recentes, ainda quer mostrar que tem lenha para queimar, e quem sabe, conquistar mais um título. Não é bom subestimar o neozelandês, que pode despertar quando menos se espera. E, por isso mesmo, os rivais que entrem na fila para desafiar a Ganassi. Penske, McLaren e Andretti estão a postos para tentar.

            Nos times grandes, a movimentação de destaque foi a mudança de Will Power, da Penske para a Andretti. O descaso com que a Penske tratou o australiano, último campeão pelo time, em 2022, foi o estopim para o rompimento da parceria, ainda mais pelo fato de Power ter sido o piloto de Roger Penske melhor classificado no ano passado. Power assume o carro que era de Colton Herta, que vai tentar a F-2, e possivelmente, a F-1, a depender de como se dará sua aventura no automobilismo europeu. Com sua experiência e qualificação de bicampeão, Power deve capitanear a Andretti na tentativa do time voltar a ser campeão da competição, e deixar de ficar à sombra de Ganassi e Penske, e até da McLaren nas disputas. E claro que, também para mostrar à Penske que não deveria tê-lo menosprezado, ainda mais por ter sido o último campeão da escuderia. A Andretti conta também com Kyle Kirkwood, que até incomodou Palou no início da temporada do ano passado, mas não conseguiu manter o ritmo, e claro, vai tentar a revanche

            Vinda da sua pior temporada em vários anos, a Penske tenta voltar a seus melhores dias. Trouxe David Malukas da Foyt para o lugar de Power, e procura recuperar o prestígio perdido pelos problemas de irregularidades ocorridos nos dois últimos anos que abalaram não apenas a reputação da escuderia mais vitoriosa do automobilismo norte-americano, mas da gerência de Roger Penske como proprietário do certame. Mas o ano começa com uma sombra, com a recontratação de Tim Cindric como engenheiro de corrida de Scott McLaughlin, depois de sua demissão no ano passado como parte das consequências do uso de atenuadores irregulares nos treinos para a Indy500. No primeiro treino livre hoje, isso pareceu revigorar McLaughlin, que terminou com o melhor tempo, e deixando Josef Newgarden e o novo companheiro de time David Malukas bem para trás, com o Josef em 14º, e Malukas em 9º.

Álex Palou é o piloto a ser batido na temporada, e os rivais que comecem a trabalhar desde já...

            Power, infelizmente, não foi bem no treino, terminando apenas em 18º, com Kirkwood em 3º e Marcus Ericcson em 5º, posições muito importantes para a Andretti. Quem negou fogo foi a McLaren, com Christian Lundgaard apenas em 10º, Patrício O’Ward em 12º, e Nolan Siegel novamente deixando a desejar, em 20º. Palou não foi mal, fez o suficiente para ser o 6º colocado, enquanto Dixon não foi além de 15º. Mas tudo pode mudar amanhã, no segundo treino livre, e na classificação para a corrida. Ninguém vai querer largar muito atrás, já que o circuito é de difícil ultrapassagens, ainda que uma boa estratégia de corrida possa ajudar a resolver parte dos problemas de se largar em posições não ideais.

            Romain Grosjean está de volta ao grid, depois da ausência em 2025, e de volta à Dale Coyne, onde estreou na competição e causou boa impressão, e terminou o treino livre em 13º lugar. E Mick Schumacher, filho do heptacampeão de F-1 Michael Schumacher, inicia uma nova era em sua carreira de piloto, estreando no certame norte-americano, defendendo o time da Rahal/Letterman/Lanigan, que busca encontrar melhores dias depois de temporadas demasiado irregulares nos últimos anos. E, pelo menos no treino de hoje, a equipe continua lá na parte de trás do pelotão. Graham Rahal foi apenas o 19º, com Louis Foster em 22º, e Mick em 23º, de 25 carros que treinaram. Já Caio Collet, estreando oficialmente pela Foyt, teve problemas com os freios e terminou apenas em 24º lugar, mostrando que terá muito trabalho para acertar sua performance, uma vez que Santino Ferrucci, seu companheiro de time, foi o 16º.

            Os tempos do primeiro treino livre foram bem apertados, com todos os 25 carros separados por apenas 1s175, indicando que qualquer erro, por menor que seja, na melhor volta, pode resultar em uma classificação potencialmente desastrosa, e não importa de qual time você faça parte. Essa é a melhor competitividade da categoria, comparada com outros certames, em especial a F-1. E apesar do favoritismo teórico de alguns pilotos, na hora do vamos ver, tudo pode se confirmar, ou nada se confirmar. A competitividade já foi mais imprevisível em algumas temporadas passadas, mas ainda se faz presente o suficiente para tentarmos apostar em quem vai conseguir vencer no domingo.

            O grid em São Petesburgo será o menor da competição em muitos anos. Confirmando os maus presságios, a Prema não conseguiu comparecer para a prova de estréia da temporada. Com problemas financeiros sérios, que já vinham se arrastando desde sua estréia no ano passado, a escuderia já não participou da pré-temporada, nos treinos de Sebring e Phoenix, e com isso, tivemos apenas 25 carros na pista para este final de semana. A Prema talvez ainda consiga participar da temporada, mas isso é totalmente incerto. Se conseguirem fundos, talvez participem apenas da Indy500, onde ano passado chegaram a surpreender conquistando a pole-position da corrida, quem sabe. Depois de terem implantado o sistema de “charters” para valorizar o grid, é um revés forte porque a direção da categoria priorizou a entrada da Prema, um time europeu, ante outros candidatos dos próprios Estados Unidos que queriam fazer parte da competição. Agora, estes potenciais candidatos já definiram suas metas de competição para 2026, e caso a Prema desista de participar em definitivo, eles não tem como cobrir esse “buraco” no grid, o que teoricamente só poderão pensar em fazer em 2027.

            A Indycar pelo menos conseguiu resolver o problema do fornecimento de motores para a competição para os próximos anos. A Honda vinha dando claros sinais de insatisfação com a categoria, e ameaçava pular fora, o que deixaria a Chevrolet como fornecedora única de propulsores, situação que a própria Indycar já vivenciou anos atrás, quando só teve a própria Honda como fornecedora. Negociações e medidas foram tomadas para deixar a competição mais atrativa, e com isso, tanto Chevrolet quando Honda assinaram novos contratos de renovação no fornecimento de motores, que venciam ao final deste ano, garantindo a participação das duas marcas, e um certo alívio para as escuderias. Mesmo assim, a Indycar ainda não conseguiu realizar algo que vem tentando nos últimos anos, que é encontrar um terceiro fornecedor de motores para a competição. Não há interessados em participar de uma competição que se presume ser uma das principais categorias de monopostos do mundo do automobilismo. Em tese, isso é preocupante porque indica que o certame não parece relevante para muitos fabricantes. Por isso, conseguir que Chevrolet e Honda permaneçam é uma grande vitória, ainda que a pergunta seja, até quando...?

            A temporada deste ano terá algumas mudanças em relação aos últimos anos. Além de uma corrida inserida de “última hora”, o Grande Prêmio de Washington, a ser realizado no fim de agosto, como prova de comemoração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, ocorrida em 1776, o certame terá uma nova corrida no Canadá, o único país além dos EUA a sediar provas atualmente. Toronto, palco da prova das categorias Indy desde os anos 1980, quando surgiu pela primeira vez, com a F-Indy original, foi substituída por Markham, nos subúrbios da zona metropolitana de Toronto. Iowa deixou o calendário, mas a competição, ao transformar Milwaukee em rodada dupla, manteve o número de corridas em ovais da competição, e Arlington estréia na competição como um novo circuito urbano, deixando o calendário com um equilíbrio raro: 6 provas em todos os tipos de pistas do calendário, sejam ovais, mistos, e traçados de rua.

            A nova associação com a Fox, iniciada no ano passado, já deu frutos perceptíveis, com novos visuais gráficos nas corridas, além de uma divulgação massiva para recuperar a audiência da categoria de monopostos, com bons resultados em 2025, e que tem tudo para continuar melhorando em 2026. Ainda assim, uma reclamação dos participantes permanece: a compressão do calendário em cerca de seis meses do ano, fazendo com que o campeonato termine muito cedo, no início de setembro, o que provoca uma maratona de corridas em determinados momentos que tem tido impacto negativo no ritmo de trabalho dos times e pilotos, que gostariam que a temporada terminasse um pouco mais tarde, talvez no início de outubro, até para diminuir o tempo de inatividade de equipes e pilotos. Quem sabe, em 2027, quando as tratativas para novas provas fora dos EUA e Canadá finalmente frutifique…?

Caio Collet não começou bem seu primeiro final de semana de corrida na Indycar como piloto titular.

            A temporada começa com perspectivas melhores para os fãs brasileiros no que tange a acompanhar a competição de monopostos dos Estados Unidos, pelo menos, no que tange à TV aberta. Depois de cinco anos onde a TV Cultura fez um trabalho muito bom na veiculação das corridas, quando ninguém esperava que eles abarcassem um campeonato de automobilismo, o retorno da competição à Bandeirantes, sua antiga casa, ficou na expectativa quando pareceu que a emissora voltaria com velhos e ruins hábitos de quando transmitia a Indycar, com provas espalhadas no canal aberto e no canal pago Bandsports, meio que ao sabor do humor, tirando do fã qualquer previsibilidade mais aceitável se iria conseguir ou não ver as corridas. De início prometendo transmitir apenas 8 das 17 corridas iniciais, eis que a emissora voltou atrás, e vai exibir pelo menos 15 provas, sendo as restantes veiculadas em compacto na madrugada de domingo para segunda-feira, um horário ingrato, infelizmente. Mas já está melhor do que o esperado inicialmente. E com a ESPN transmitindo na TV por assinatura, desta vez a Bandeirantes não poderia exibir a competição no Bandsports, como fazia antigamente.

            E pelo menos a cobertura terá um time muito melhor do que a Bandeirantes fazia antigamente, quando tinha apenas narrador e comentarista. Agora além deles, teremos também repórter in loco nas corridas de toda a temporada, com Thiago Fagnani acompanhando direto das pistas os acontecimentos da competição. É um tipo de cobertura mais completa que não víamos em uma categoria Indy desde 1998, quando o SBT resolveu não mandar mais o time de transmissão para as corridas da antiga F-Indy, quando Silvio Santos puxou o fim da tomada e fez a transmissão das corridas daquele campeonato descerem ladeira abaixo no quesito estrutura técnica. Ponto positivo para a emissora do Morumbi, sem dúvida, que além de surpreender os fãs e telespectadores, está sabendo fazer uso de seu grupo de profissionais que até o ano passado estava cuidando das transmissões da F-1, que este ano voltaram para a Globo.

            A largada está programada para as 14:00 Hrs. deste domingo, com transmissão ao vivo tanto da TV Bandeirantes em canal aberto, quando da ESPN em canal fechado. É hora de torcer, e que venha novamente a bandeira verde do início da prova, quando aí será cada um por si, Deus por todos, e que vença o melhor...

 

 

E a MotoGP também dá a largada para a temporada de 2026, com o GP da Tailândia, na pista de Buriram. Na última temporada antes da entrada de novas regras técnicas em 2027, onde inclusive passarão a adotar motores de 850cc, em substituição aos atuais 1000cc, a expectativa é de mais um ano de domínio da Ducati, em que pese a conterrânea Aprilia prometer engrossar a parada, ainda que sem sabermos se conseguirá fazê-lo com a consistência necessária para efetivamente desafiar o poderio de Borgo Panigale. Pelo menos no que tange a esta sexta-feira, a marca de Noale conseguiu impressionar: Marco Bezzecchi fez o melhor tempo, com o novo recorde da pista tailandesa, deixando Marc Márquez, o atual campeão, a 0s4 de distância, se impondo com autoridade que muitos não esperavam, e dando a impressão de que a Aprilia vai, sim, dar dor de cabeça à compatriota de Bolonha. A corrida sprint e a prova de domingo têm transmissão ao vivo pelo canal pago ESPN e pelo Disney+, e a largada das duas provas está marcada para as 05:00 Hrs., tanto neste sábado quanto no domingo.

A classe rainha do motociclismo acelera para a temporada de 2026 na pista de Buriram, na Tailândia.

 

 

Para os fãs brasileiros da motovelocidade, a grande atração é a estréia de Diogo Moreira como piloto titular, encerrando uma ausência de quase 20 anos sem um piloto do Brasil na classe rainha do motociclismo. Alexandre Barros, que foi nosso último representante na competição, foi justamente quem redirecionou a carreira de Diogo, que competia no motocross, para as disputas em circuitos asfaltados. Moreira já chega à MotoGP com o inédito título da Moto2, e está garantido pelos próximos 3 anos como piloto da Honda na competição, que o alocou na LCR, seu time satélite, onde poderá aprender tudo sobre a competição, e correr com pressão menor por resultados. A sua sorte é que Honda parece ter saído do fundo do poço onde se encontrava, e com isso, a chance de obtenção de resultados melhores fica maior, permitindo a Diogo um equipamento razoável para mostrar o que sabe. No treino desta sexta-feira em Buriram, o novo titular da LCR ficou apenas em 18º, tomando cerca de 0s5 do companheiro de equipe Johaan Zarco, que ficou em um animador 10º lugar. Diogo fez questão de frisar que tem muito a aprender, e quanto mais puder andar com a moto, mais experiência e melhores sensações ele terá. A Honda parece ter conseguido de fato melhorar a RC123V, então cabe ao brasileiro se entrosar da melhor maneira possível com o equipamento, a fim de obter o melhor rendimento possível. Ele não ficou satisfeito com os resultados desta sexta, e quer fazer melhor… Vejamos como ele se sairá...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

ESPECIAL – INDYCAR 2026

            Vai começar os principais campeonatos do mundo da velocidade, e para tanto, nada com algumas matérias especiais para situar o leitor/fã a respeito do que irá encontrar a partir deste final de semana. E, começando por hoje, vamos a um apanhado geral da Indycar 2026, que promete muitas disputas, brigas e emoções em uma categoria de monopostos que costumeiramente sempre apresentou muito mais corridas interessantes do que a F-1 em si. E a temporada deste ano marca o retorno da Indycar à sua antiga casa na TV brasileira, a Bandeirantes, além de voltarmos a ter um piloto brasileiro regular no grid por toda a temporada, e talvez o nome mais promissor dos últimos tempos, com oportunidade de estar no lugar certo. Portanto, vamos ao nosso texto especial, e boa leitura para todos...

 

INDYCAR 2026

 

Álex Palou é o piloto a ser batido; resta saber se a concorrência está preparada para impedir um novo título do piloto espanhol

 

Adriano de Avance Moreno

A Indycar prepara-se para mais uma temporada, prometendo, como sempre, muitas disputas e emoções na pista, começando neste final de semana.

 

         A Indycar dá a largada para sua temporada de 2026 neste próximo final de semana, no traçado montado nas ruas de São Petesburgo, na Flórida, junto ao aeroporto da cidade. E a esperança é de um campeonato mais disputado do que o do ano anterior, quando Álex Palou e a Chip Ganassi estabeleceram um domínio nunca visto na competição desde que a Indycar, criada em 1996, iniciou suas atividades, concorrendo com a antiga F-Indy. O time de Chip Ganassi manteve seu domínio na competição com uma autoridade implacável no ano passado, de modo que Palou, a grosso modo, correu quase sozinho rumo ao título, dificilmente sendo ameaçado na pista pela concorrência, que até tentou oferecer resistência, mas tropeçou nas próprias pernas, quando não em percalços e azares variados. Para este ano, todo mundo quer ir à forra, e desbancar o novo tetracampeão da categoria, que só perde em número de títulos para Scott Dixon, com suas 6 taças de campeão, enquanto na história das categorias Indy, ainda temos A. J. Foyt, com sete títulos conquistados na F-Indy original, encerrada no início de 2008.

         A briga, em teoria, promete, ainda que os resultados dos testes dos poucos dias de pré-temporada, a exemplo do que vemos na F-1, não possam apontar um favorito destacado, mas apenas indicando que muita gente deve (possivelmente) brigar na frente. A questão é quem vai conseguir de fato cumprir o prometido, e quem acabará ficando na promessa, e até o resultado da primeira corrida, a depender dos acontecimentos, não será possível indicar quem pode dar as cartas. No ano passado, Álex Palou venceu em São Petesburgo, mas seu domínio só seria comprovado com as vitórias nas etapas seguintes. E conforme o campeonato progredia, os concorrentes não conseguiram fazer frente ao piloto espanhol. Agora, claro, eles querem tentar de novo, e não deixar Álex deitar e rolar novamente, mas falta combinar com o novo tetracampeão, e claro, com a Ganassi, que não vai querer perder o campeonato se puder adicionar mais uma taça à sua estante de conquistas.

Tetracampeão da categoria, Álex Palou e a Ganassi são o alvo a ser batido na temporada deste ano. Resta combinar com o piloto e o time, que querem mais títulos...

         Ganassi, Penske, McLaren e Andretti compõem os principais times da competição, e em teoria, com 12 carros competitivos, mas devemos lembrar que, mesmo dentro da mesma escuderia os desempenhos dos pilotos variam, de modo que é incorreto apontar que todos eles irão disputar as primeiras posições igualmente. Os esquemas dentro de uma mesma equipe são diferentes, e com patrocinadores distintos em cada carro, na maioria das vezes, não tem nada combinado entre os titulares de cada escuderia, sendo cada um por si, e todo mundo brigando pelos melhores resultados. E no meio disso tudo, pilotos de outros times tem chances de se intrometerem e complicarem a equação, ajudando a dar mais briga e disputa na pista, que é o que os torcedores mais querem ver, e quanto mais fogo o clima pegar, melhor ainda.

         Obviamente, como mencionado, o time a ser batido, ou melhor, piloto, a ser batido, é Álex Palou, que foi tricampeão da competição nos últimos três anos, e com o primeiro título conquistado, em 2021, já é tetracampeão da Indycar, e sua grande estrela máxima da atualidade, ofuscando todos os demais pilotos na pista. Palou continua na Ganassi, que lhe ofereceu um bom carro nos últimos anos, é verdade, mas foi a incrível sinergia entre time e piloto que possibilitou ao espanhol superar os adversários na pista com uma constância quase humilhante. Logicamente, os objetivos de Palou e da Ganassi são repetir a dose mais uma vez, e quanto mais conquistarem, melhor, o que não significa que Álex seja a única arma à disposição de Chip Ganassi. O time também conta com Scott Dixon, nada menos que hexacampeão da categoria, todos os títulos conquistados com a Ganassi. É verdade que Dixon tem ficado à sombra de Palou no time nos últimos tempos, mas apontar que o neozelandês está em decadência é subestimar o piloto, que pode, a qualquer momento, voltar a ser o piloto implacável e eficiente que sempre foi na maior parte de sua carreira. Se Scott voltar ao seu melhor momento, o pesadelo para os rivais será dobrado, pois não será apenas Palou que precisará ser derrotado na pista, mas também Dixon. Kyffin Simpson, por outro lado, ainda está à sombra de Palou e Dixon dentro da escuderia, e não causa a mesma preocupação nos rivais, ainda que tenha mostrado evolução em algumas corridas em 2025, mas precisa justificar estar em um dos times mais cobiçados na categoria, quando existem diversos outros pilotos no grid mostrando mais resultados com menos equipamento.

Josef Newgarden terminou 2025 vencendo a última corrida, em Nashville, e espera começar um novo ano muito mais positivo com a Penske em 2026.

          E claramente, a Penske é a primeira candidata a ser a principal rival da Ganassi. O time de Roger Penske teve uma das piores temporadas na competição de que se tem notícia, e quase passou o ano sem uma vitória sequer, não fossem os triunfos de Will Power e Josef Newgarden nas provas de Portland e Nashville, na reta final do campeonato. Em nenhum momento a escuderia se mostrou capaz de lutar pelo título, e ainda por cima, viu sua reputação comprometida pelo uso de atenuadores irregulares nas 500 Milhas de Indianápolis, o que abalou o prestígio do time mais vencedor da história das categorias Indy, o que resultou na demissão de vários integrantes importantes do time, como o próprio Tim Cindric, presidente da escuderia, e braço direito de Roger Penske na condução da equipe. Will Power terminou apenas em 9º lugar, e ainda por cima, preferiu sair, depois do tratamento dispensado a ele no assunto de renovação para os próximos anos, indicando que a relação já estava desgastada demais para continuar. Scott McLaughlin terminou logo atrás, em 10º lugar, e Josef Newgarden terminou apenas em 12º lugar. Desde 2013, Penske e Ganassi tem dividido todos os títulos da Indycar, com esta última levando ampla vantagem, como vimos nas últimas três temporadas. David Malukas, depois de uma temporada bem considerada com a Foyt, foi promovido para o lugar de Power, enquanto Newgarden luta para recuperar a reputação desgastada pelos últimos campeonatos ruins, e McLaughlin ainda não comprometeu, mas também não convenceu propriamente no time, apesar de ter tido desempenhos sólidos em vários momentos. A meta é clara: dar a volta por cima, esquecer os erros do passado e acertar os detalhes do futuro, e voltar a conquistar o título. Falta combinar com os rivais, e com si mesma, já que os maus resultados de 2025 não foram apenas dos concorrentes estarem melhor: era a própria Penske afundando por si própria, um panorama que eles esperam não repetir nesta temporada de 2026.

          A McLaren briga para ser a maior desafiante da Ganassi. Patricio O’Ward foi o vice-campeão do ano passado com uma campanha firme e sólida que só não o levou ao título diante da excelência do par Ganassi-Palou. O piloto mexicano cresceu na competição, mas sempre parece encontrar algo em seu caminho, e mais recentemente, tem sido os resultados impecáveis do espanhol e do time e Chip Ganassi. Vai tentar novamente este ano, até para confirmar sua posição de primeiro e principal piloto da McLaren na competição, e se a escuderia promover um desempenho mais estável, Patricio vai dar trabalho, certamente. Chstian Lundgaard tem tudo também para fazer uma temporada mais sólida, depois de seu primeiro a ano na escuderia, onde conseguiu o mesmo número de pódios de O’Ward, embora não tenha vencido como o mexicano. Já o ponto fraco da escuderia é Nolan Siegel, que foi alocado no lugar de um potencial promissor Théo Pourcharie em 2024, para decepção do francês, e até agora não mostrou a que veio, em uma contratação bancada e avalizada por Tony Kanaan. Siegel ficou apenas em 22º lugar na temporada passada, enquanto O’Ward foi vice-campeão, e Lundgaard, recém-chegado ao time, terminou em 5º lugar. Um novo ano abaixo das expectativas certamente não garantirá sua presença na McLaren, e tampouco no grid da competição.

Depois de mais de uma década e meia correndo pela Penske, Will Power será a nova arma da Andretti na temporada 2026. 

         A Andretti também sonha alto para 2026. Depois de terminar vice-campeã com Colton Herta em 2024, o time decaiu no ano passado, e agora, com Herta indo para a F-2, com o sonho de chegar à F-1 pela nova equipe Cadillac em futuro próximo, a nova estrela do time é Will Power, ex-Penske, que chega não apenas para preencher o espaço que era de Colton, mas usar sua experiência na Penske e capacidade para capitanear a escuderia na pista, e levá-la de volta ao topo, onde esteve pela última vez em 2012, quando conquistou seu último título, com Ryan Hunter-Reay. De lá para cá, vez ou outra a equipe até disputou o título, apenas para ser sumariamente derrotada na reta final, seja pela Penske, ou pela Ganassi. No ano passado, Kyle Kirkwood até deu uma impressão inicial de que poderia dificultar a briga com Palou pelo título, mas o piloto da Andretti capitulou, não conseguindo manter a consistência necessária, além da própria Andretti enfrentar altos e baixos além do aceitável para quem desejava duelar pelo título. A isto some-se Marcus Ericsson, que certamente terá uma temporada de tudo ou nada, se quiser manter o lugar no time, visto que até o presente momento ele não conseguiu na escuderia resultados à altura do que todos esperavam.

         Correndo por fora, alguns times podem surpreender, embora dificilmente lutem por mais do que uma vitória ou outra no campeonato, a depender das circunstâncias. Meyer Shank, Dale Coyne e Foyt são times que podem oferecer bons desempenhos durante o ano, e quem sabe, promover algumas balançadas na relação de forças da temporada, e quem sabe, até se intrometer em disputas mais ferrenhas com os times principais. Contando com uma parceria técnica com a Ganassi, que realocou Marcus Armstrong no time, a Meyer Shank cresceu de produção em 2025, e a meta para este ano é aproveitar ainda mais esta cooperação, e melhorar ainda mais sua performance. Na Foyt, o panorama é similar, mas com o time do lendário A.J. Foyt desfrutando de uma colaboração técnica com a Penske, o que já permitiu à escuderia desempenhos firmes e promissores, a ponto de credenciar David Malukas a ir para a própria Penske, após quase terminar a temporada passada na frente dos pilotos do time do “capitão”, em que pese a Penske ter feito seu pior ano em temporadas recentes. Isso pelo menos dá a garantia a seus pilotos de equipamentos competitivos o suficiente para que eles possam obter bons resultados, muitas vezes não precisando de golpes de sorte ou azares dos pilotos dos times principais. E é o mesmo panorama vivido pela Dale Coyne, que também tem uma parceria técnica, mas com a Andretti, e almeja conseguir resultados de monta com Romain Grosjean, que volta ao time e à competição depois da ausência na temporada passada. Foi nesta escuderia que o franco-suíço chegou à Indycar, e causando sensação, que não conseguiu reproduzir depois quando foi para a Andretti. Dennis Hauger, que chega amparado pelo título da Indy NXT em 2025, terá a tarefa de equilibrar o noviciado com um carro que pode dar chance de surpreender em alguns momentos, evitando erros que possam comprometer sua temporada de estréia na competição, enquanto Grosjean certamente vai tentar mostrar que sua ausência em 2025 não prejudicou sua pilotagem e capacidade.

Mick Schumacher será uma das novidades no grid da Indycar, defendendo a equipe Rahal/Letterman/Lanigan.

         Em contrapartida, a Rahal/Leterman/Lanigan entra em 2026 esperando por melhores ares, mas sem garantia de que terá recuperado o rumo, haja vista que tal panorama também era de otimismo no ano passado, e o que vimos foi o time se mostrar errático e confuso em boa parte da competição, com alguns brilhos ocasionais que não chegaram a apagar a má impressão geral deixada pelo time do tricampeão Bobby Rahal de que ainda não conseguiu acertar os parâmetros da escuderia, que chama mais atenção pela estréia de Mick Schumacher como um dos titulares do que pelas expectativas ao redor de Louis Foster, ou de Graham Rahal voltar aos seus melhores dias, se tiver um carro decente em mãos, o que ele não vê há vários anos, infelizmente.

        A Carpenter ainda espera melhores dias, agora pelo menos com parte de sua situação financeira relativamente estabilizada, e contando com Alexander Rossi buscando recuperar o prestígio que teve quando venceu a Indy500 na década passada, e contando com Christian Rasmussen, que conseguiu uma vitória inesperada em Milwaukee no ano passado e procura manter as esperanças de repetir o feito em algum momento novamente este ano, embora ele precise melhorar sua atuação nas pistas mistas e de rua.

         Mas a categoria também tem uma perda para 2026, em se tratando de times no grid. A Prema, equipe do automobilismo europeu que chegou à competição no ano passado, e até conquistou uma improvável pole nas 500 Milhas de Indianápolis, deve desfalcar a temporada da competição, devido a problemas financeiros que foram se acumulando devido à má gestão do time em 2025. A Prema não participou das sessões de pré-temporada em Sebring e Phoenix, e até o fechamento desta matéria, não estava confirmada para disputar a etapa inicial da competição, no próximo final de semana, em São Petesburgo.

A Prema, em grave crise financeira, já desfalcará a competição na abertura em São Petesburgo, e não há garantias de que participe do campeonato.

         Com relação ao calendário, a novidade mais premente é o novo GP de Washington, que será realizado na capital dos Estados Unidos, em uma pista de rua que ainda está sendo formulada, que terá como mote a comemoração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos. A idéia veio inicialmente a público por indicação de Donald Trump, o atual e controverso presidente dos Estados Unidos, conhecido por ultimamente governar pelos cotovelos em uma série de assuntos, prometendo retaliações quando se vê contrariado. Pelo sim, pelo não, a Indycar abraçou a idéia, e a nova e inédita corrida ocorrerá em agosto, no dia 23, uma semana antes da competição disputar a única rodada dupla do calendário, no tradicional oval de Milwaukee. Por mais controversa que a origem desta prova possa ter, a idéia de realizar uma corrida na capital do país é uma idéia antiga que já foi ventilada em diversos momentos, mas que só agora se torna real efetivamente, mesmo que, à primeira vista, seja uma corrida especial que deve ser realizada apenas este ano, mas que pode abrir possibilidades para novas edições na capital norte-americana, a depender das repercussões e resultados financeiros, e claro, se isso não ocasionar alguns danos políticos à imagem da competição, diante do clima de polarização e polêmicas que marcam a gestão Trump.

         Fora isso, ainda temos algumas outras novidades no calendário: depois de décadas correndo ao redor do Exhibition Place, Toronto perdeu seu GP para a cidade vizinha de Markham, o que mantém o Canadá como a única corrida fora dos Estados Unidos no calendário, em um novo circuito de rua que promete renovado vigor para a competição em terras canadenses. Tendo perdido seu principal patrocinador, a pista oval de Iowa está fora do calendário, e a solução para não perder mais uma pista oval foi voltar a Phoenix, no Arizona, onde a Indycar já esteve em diversos momentos. E o calendário também ganha mais uma pista urbana, em Arlington, em substituição ao malfadado circuito de Thermal Club, na Califórnia, que não conseguiu empolgar a competição, e mostrando ter um alcance de público extremamente limitado por ser realizado dentro de um condomínio privado, apesar do traçado interessante do circuito.

         Apesar das 18 provas, o calendário continua a enfrentar críticas por ficar comprimido entre o início de março e o início de setembro, o que gera um acúmulo de corridas em finais de semana muito próximos, aumentando o desgaste de times e pilotos com a maratona de corridas em espaço de tempo tão curto. A insistência e evitar competir com outros esportes na mídia, como o Super Bowl, evidencia que a Indycar ainda não confia exatamente no seu próprio taco em se tratando de briga por audiência, em que pese os números divulgados sobre a temporada passada terem sido bem animadores, a ponto de a FOX, nova emissora oficial da competição, ter se tornado sócia da Penske Entertainment, braço da corporação Penske que cuida da Indycar, ao adquirir praticamente um terço das ações da operação, em um forte indicativo de confiança na força da Indycar como esporte de ponta, e isso ainda praticamente no primeiro ano de transmissões das provas no novo canal de TV, o que significa que o retorno esperado foi muito positivo. A FOX deu uma bela revigorada nas transmissões, com novos gráficos, mais cobertura, e o investimento parece ter dado os resultados esperados, prometendo mais empenho ainda este ano, até porque agora é dona de parte da competição. Ao menos todos concordaram que o novo calendário é equilibrado, contando com 6 provas em circuitos mistos, outras 6 em traçados de rua, e o restante, mais 6 provas, em circuitos ovais.

         Tratativas de estender o calendário para o México, Argentina e Brasil não frutificaram ainda, mas seguem no radar, a depender das condições e viabilidade. Mas mesmo o México, tentando aproveitar a popularidade de Patricio O’Ward, não conseguiu apresentar condições para ser incluído no calendário de provas este ano, quem sabe em 2027, enquanto Argentina e Brasil seguem como possibilidades menos possíveis.

         Em termos técnicos, a Indycar não terá novidades em 2026. A última, a introdução dos propulsores híbridos, foi em meados de 2024, e a categoria teve toda a temporada do ano passado para refinar quaisquer percalços que pudessem haver ainda em relação a estes novos motores. E, uma boa notícia: Chevrolet e Honda confirmaram a manutenção dos motores para a competição, renovando seus contratos atuais, que expiravam ao fim da temporada deste ano. Se por um lado a Chevrolet não manifestava sinais de descontentamento, por outro lado, a Honda deixava suas queixas visíveis, e acenava com uma saída da categoria, diante da insatisfação dos resultados financeiros restantes, em que pese em termos de retorno esportivo a marca nipônica não poder dizer não estar satisfeita, ainda mais depois dos últimos títulos de Álex Palou com a Ganassi, todos obtidos com motorização da Honda. As novas unidades V-6 híbridas biturbo de 2,4 litros passarão a ser utilizadas em 2028, quando a competição também adotará novos carros, em substituição aos atuais DW12, modelo utilizado há mais de uma década, com modificações e atualizações pontuais ao longo dos últimos anos.

Chevrolet (acima) e Honda (abaixo) assinaram novos contratos garantindo sua permanência na competição com os novos motores que serão introduzidos em 2028.


         Em dezembro passado, a IndyCar anunciou a criação de um conselho de arbitragem independente composto de três pessoas, chamado IndyCar Officiating Inc. Dois destes membros, Ray Evernham e Raj Nair, foram votados para o painel pelos proprietários de equipes da IndyCar, enquanto o terceiro membro, Ronan Morgan, foi nomeado pela FIA. O objetivo do novo órgão é eliminar qualquer percalço referente à descoberta e posterior julgamento de infrações ao regulamento da Indycar, que sofreu abalos consideráveis de irregularidades cometidas pela Penske nos dois últimos anos, como a utilização irregular do sistema do push-to-pass na prova de São Petesburgo em 2024, e o uso de atenuadores fora das especificações técnicas nas 500 Milhas de Indianápolis do ano passado. Embora o time tenha sido punido como se deve, o fato de Roger Penske, proprietário da escuderia, e ser dono da própria Indycar Racing deixou dúvidas sobre a lisura e imparcialidade dos procedimentos e punições, pelo que a criação de um órgão de avaliação independente para julgar novas infrações tem o objetivo de resgatar a credibilidade da aplicação do regulamento a todos os participantes, independente de quem sejam

 

EQUIPES E PILOTOS

 

EQUIPE

MOTOR

PILOTOS (Nº)

AJ Foyt Racing

Chevrolet

Caio Collet (4)

Santino Ferrucci (14)

Andretti Global

Honda

Will Power (26)

Kyle Kirkwood (27)

Marcus Ericsson (28)

Arrow McLaren

Chevrolet

Patricio O’Ward (5)

Nolan Siegel (6)

Christian Lundgaard (7)

Ryan Hunter-Reay (31) *

Chip Ganassi Racing

Honda

Scott Dixon (9)

Álex Palou (10)

Kyffin Simpson (8)

Dale Coyne Racing

Honda

Romain Grosjean (19)

Dennis Hauger (18)

Ed Carpenter Racing

Chevrolet

Alexander Rossi (20)

Ed Carpenter (33) *

Christian Rasmussen (21)

Juncos Hollinger Racing

Chevrolet

Sting Ray Robb (77)

Rinus VeeKay (76)

Meyer Shank Racing

Honda

Felix Rosenqvist (60)

Marcus Armstrong (66)

Hélio Castro Neves (6) *

Rahal Letterman Lanigan Racing

Honda

Graham Rahal (15)

Mick Schumacher (47)

Louis Foster (45)

Team Penske

Chevrolet

Josef Newgarden (2)

Scott MacLaughlin (3)

David Malukas (12)

Dreyer & Reinbold/Cusik Motorsports (*)

Chevrolet

Jack Harvey (24) (*)

Prema Racing (**)

Chevrolet

Callum Illot (90)

Robert Shwartzman (83)

 

(*) = Pilotos e equipes que disputarão apenas as 500 Milhas de Indianápolis

(**) = Sem confirmação para disputar a temporada até o presente momento

 

CALENDÁRIO 2025

São Petesburgo abre novamente o calendário da competição da Indycar.

 

DATA

PROVA

CIRCUITO – TIPO DE PISTA

01.03

GP de São Petesburgo

São Petesburgo – Urbano

07.03

GP de Phoenix

Phoenix Raceway - Oval

15.03

GP de Arlington

Arlington - Urbano

29.03

GP do Alabama

Barber Motorsport Park - Misto

19.04

GP de Long Beach

Long Beach – Urbano

09.05

GP de Indianápolis

Indianapolis Motor Speedway – Misto

24.05

500 Milhas de Indianápolis

Indianapolis Motor Speedway – Oval

31.05

GP de Detroit

Detroit – Urbano

07.06

GP de Gateway

Gateway International Raceway - Oval

21.06

GP de Elkhart Lake

Elkhart Lake – Misto

05.07

GP de Mid-Ohio

Mid-Ohio Sports Car Course – Misto

19.07

GP de Nashville

Nashville Superspeedway - Oval

09.08

GP de Portland

Portland International Raceway – Misto

16.08

GP de Markham

Markham – Urbano

23.08

GP de Washington

Washington – Urbano

29.08

GP de Milawukee I

Milwaukee Mile - Oval

30.08

GP de Milawukee II

Milwaukee Mile - Oval

06.09

GP de Laguna Seca

Laguna Seca Raceway - Misto

Washington terá uma corrida especial comemorando os 250 anos da independência dos Estados Unidos, após pressão indireta de Donald Trump por uma corrida nas ruas da capital dos Estados Unidos.

 

BRASIL NOVAMENTE PRESENTE NO GRID, E COM TRANSMISSÃO NA TV GARANTIDA

 

         E esta será uma temporada onde teremos novamente um brasileiro no grid da competição. Caio Collet defenderá a equipe Foyt em toda a temporada, substituindo Davi Malukas, que foi para a equipe Penske. E além da presença de Caio, teremos mais uma vez a presença de Hélio Castro Neves nas 500 Milhas de Indianápolis, onde mais uma vez irá em busca de uma inédita quinta vitória na Brickyard, para se tornar o recordista de triunfos na mais famosa corrida do continente americano. Mais uma vez, será a única participação de Hélio na competição, já que agora ele também acumula a função de dono de equipe, sendo sócio da Meyer Shank Racing, por onde correrá a Indy500, e onde conquistou a 4ª e última vitória, em 2021. E claro que a torcida para o brasileiro supere o número de vitórias da Indy500, onde está empatado com A.J. Foyt, Al Unser e Rick Mears, todos lendas da história das 500 Milhas, é bem forte. Quem sabe o novo triunfo vem neste ano…?

         A Foyt, infelizmente, não oferece uma boa lembrança aos torcedores brasileiros, lembrando que foi a última equipe onde Tony Kanaan disputou a temporada completa, e o desempenho do time era sofrível, oferecendo poucas chances de se obter bons resultados. Isso também “matou” outra promessa brasileira que estava despontando na categoria norte-americana de monopostos, Matheus Leist, que diante dos fracos resultados devido à má performance do carro da escuderia do lendário A. J. Foyt, perdeu qualquer chance de continuar na competição. Felizmente, o panorama da escuderia atualmente é bem distinto, onde o time recebe apoio técnico da Penske, o que melhorou muito a performance dos carros da escuderia, e inclusive, ofereceu a David Malukas, que defendeu o time em 2025, a chance de ser escolhido para substituir Will Power na Penske este ano. Isso indica que Caio terá um carro competitivo para brigar por boas posições, talvez até um pódio ou outro, ou brigar pelas primeiras posições em alguns momentos, talvez até chance de vencer uma corrida, o que certamente lhe conferirá destaque na competição.

         Já no que tange às transmissões da categoria, os brasileiros podem ficar tranquilos, pelo menos em relação às transmissões na TV fechada, uma vez que a ESPN continuará mostrando toda a temporada da competição. Já no que tange à TV aberta, depois de cinco anos sendo exibida pela TV Cultura, a categoria retornou à Bandeirantes, sua antiga casa, uma vez que a emissora perdeu os direitos de continuar exibindo o campeonato da Fórmula 1, mas infelizmente, pelas informações iniciais, tudo indicava que voltaria ao esquema de exibições irregulares que caracterizava as transmissões da Indycar, de exibir prova sim, prova não, com a emissora informando que irá exibir apenas metade das provas no canal aberto. Antigamente, a emissora fazia uma verdadeira roleta russa com as transmissões, ora passando provas na TV aberta, ora passando apenas no canal pago Bandsports. O problema é que agora a Bandeirantes detém a licença de transmissão apenas em sinal aberto, uma vez que o sinal fechado está com a ESPN, que vem transmitindo a competição na TV por assinatura nos últimos anos. A Bandeirantes chegou a anunciar que as corridas que não seriam transmitidas poderiam ser disponibilizadas no site da emissora, ou através do aplicativo BandPlay, mas vamos ver como isso será resolvido, já que em tese, por internet, o Disney+ também transmite a competição, a exemplo do que já acontece com as corridas da MotoGP, também transmitidas pela ESPN.

         Só que, nos últimos dias, para felicidade dos fãs, a Bandeirantes mudou de idéia, e resolveu ampliar o número de provas que exibirá ao vivo nos domingos, passando a transmitir quase todas as corridas. E hoje mesmo, esse número foi estabelecido em pelo menos 15 das 18 corridas, sendo que as três provas que não serão mostradas ao vivo ganharão reprises compactas na madrugada de domingo para segunda-feira, um horário ingrato, mas para poucas corridas, fazendo com que Bandeirantes dê à Indycar um tratamento de transmissão ao vivo na TV aberta proporcionalmente superior ao que a Globo fará com a F-1 este ano, minimizando o impacto e proporcionando aos fãs que não possuem TV paga acompanhar a competição com mais desenvoltura. A emissora trouxe Geferson Kern, que fez as narrações das corridas da categoria nos cinco anos em que esteve presente na grade da TV Cultura para a mesma função, garantindo pelo menos uniformidade com o que o público viu em TV aberta nos últimos anos. Reginaldo Leme, Tiago Mendonça e Max Wilson deverão fazer parte dos comentaristas nas etapas, aproveitando parte da equipe que fez as transmissões da F-1 nos últimos anos. As chances de conseguir capitalizar melhores resultados com a presença de Collet no grid, em um carro competitivo, pode ser um trunfo para a emissora. E tanto a emissora resolveu aumentar a aposta que irá ter cobertura in loco de todas as provas com o repórter Thiago Fagnani estando presente nos locais das corridas, regularmente, algo que não acontecia com uma categoria Indy há muito tempo.

         Os fãs, portanto, terão motivos para comemorar. Agora, é esperar pela hora da largada, e que vença o melhor...

Caio Collet vai brigar para ser o estreante da temporada, e quem sabe, alcançar até um pouco mais em seu ano de debut na Indycar.

 
Vice-campeão em 2025, Patricio O'Ward parte novamente com o objetivo de ser campeão da Indycar, mais uma vez capitaneando a McLaren na pista.

 

A volta do filho pródigo: Romain Grosjean está de volta à Indycar, e à equipe Dale Coyne.