E já deixamos os dois primeiros meses de 2026 para trás, adentramos o mês de março, e vimos o início de vários campeonatos, como a Indycar, MotoGP, e Fórmula 1, entre outros. O mundo da velocidade não deixa a poeira se acumular por onde passa, mas antes tarde do que nunca, precisamos rever alguns dos acontecimentos ocorridos neste segundo mês do ano, sempre com alguns comentários rápidos a respeito destes eventos do mundo do esporte a motor mundial, em mais uma sessão da Flying Laps, um pouco atrasada este mês, mas que pode tardar, mas não falhar, mesmo que não tenha vindo no início do mês. Uma boa leitura a todos, e até a próxima sessão Flying Laps do mês que vem, com certeza em sua data de publicação tradicional...
Pascal Wehrlein comemorou a vitória na primeira corrida da rodada dupla em Jeddah, pelo campeonato da Formula-E. O piloto da Porsche fez uma prova calculada, saindo da 3ª posição, e foi para a dianteira, executando uma estratégia de corrida devidamente afinada e precisa, fazendo inclusive uso perfeito do pit boost para garantir-se na liderança e não ser ameaçado na briga pela vitória. Edoardo Mortara, que largava na pole-position, partiu mal, e viu Maxximilian Gunther, que largava a seu lado, assumir a dianteira da prova. Enquanto isso, o Safety Car previsava ser acionado por uma batida entre Zane Maloney, da Lola/Yamaha, e Pepe Marti, da Kiro/Porsche, que resultou no abandono do companheiro de Lucas Di Grassi, no segundo abandono do dia, já que Nyck De Vries nem conseguiu largar, com problemas em sua Mahindra. Com Wehrlein assumindo a dianteira após o uso do pit boost, ele se distanciou na liderança, chegando a abrir mais de 7s de vantagem, e garantindo-se de eventuais ataques, como o de Mortara, que recuperou-se da má largada e terminou em 2º lugar, tentando até o final pressionar Pascal, mas sem obter sucesso. Antonio Felix Da Costa vinha firme para terminar no pódio, mas acabou superado por Mith Evans na parte final da corrida, com o neozelandês assumindo o 3º lugar. Nico Muller, coroando a boa prova da Porsche, terminou em 4º lugar, enquanto o português acabou recuando para a 5ª posição. Depois do triunfo no México, Nyck Cassidy teve um desempenho mais modesto, terminando em 6º lugar, seguido por Sébastien Buemi em 7º. Jean-Éric Vergne colaborou para mais um resultado satisfatório da Citroen com o 8º lugar, seguido por Jake Dennis, que não conseguiu obter um bom desempenho, e foi apenas o 9º colocado. A DS Penske, que havia largado em 2º e 5º lugares, não conseguiu brigar pelas primeiras posições e terminou apenas em 10º, com Taylor Barnard, seguido por seu parceiro de time Maxximilan Gunther, que havia largado em 2º lugar, mas terminou em 11º, fora da zona de pontos.
Na segunda corrida da rodada dupla da Formula-E em Jeddah, Edoardo Mortara novamente partiu com a pole-position, mas novamente o piloto não conseguiu usufruir a contento do privilégio de largar na frente na pista árabe. Apesar do piloto da Mahindra ter largado bem, ele foi acossado desde o início por Jake Dennis, mas enquanto ambos duelavam, Oliver Rowland aproveitou a deixa e superou os dois pilotos, indo para a liderança da prova. Mas Sébastien Buemi e Antonio Felix da Costa também vieram para a briga, e engrossaram a disputa. Quando houve as primeiras ativações do Modo Ataque, eis que Da Costa se deu melhor, e foi para a liderança da corrida, de onde não mais sairia, com um ritmo forte e preciso. Jake Dennis, apesar de estar em um rendimento muito melhor em relação à primeira corrida, deu azar de ter um pneu furado, tendo de ir aos boxes, e voltando muito atrás de todo mundo, perdendo completamente as chances até de pontuar. Com cinco voltas para o fim da corrida, muitos pilotos tentaram suas cartadas finais, ativando o Modo Ataque pela segunda vez, com muitos duelos por posições. Antonio fez uma das últimas ativações, com vantagem, e não perdeu a liderança, seguindo firme até a bandeirada de chegada, obtendo assim sua primeira vitória pela Jaguar, seu novo time neste ano. Sébastien Buemi fez uma grande corrida, e terminou em 2º lugar, enquanto Oliver Rowland, da Nissan, também andou forte para fechar o pódio com o 3º lugar conquistado. Edoardo Mortara terminou em 4º lugar com a Mahindra, enquanto Dan Ticktum foi o 5º colocado. Pepe Marti garantiu o excelente dia para a Kiro, chegando logo atrás, em 6º lugar. Menos eficiente que na corrida do dia anterior, Mith Evans foi o 7º colocado, assim como Pascal Wehrlein, que também não conseguiu reprisar a excelente performance da primeira prova, para ser apenas o 8º colocado. Jea-Éric Vergne ainda salvou um 9º lugar para a Citroen, enquanto Taylor Barnard terminou novamente em 10º lugar com a DS Penske.
Os brasileiros tiveram mais um fim de semana sem resultados positivos na F-E. Lucas Di Grassi até teve alguns momentos interessantes na segunda corrida, quando chegou a ocupar as primeiras colocações com a ativação do Modo Ataque, mas o resultado acabou sendo o mesmo: ficar sem pontuar, mostrando que o carro da Lola/Yamaha ainda precisa evoluir muito para competir de fato com os rivais. Lucas foi 16º na primeira corrida, e 15º na segunda, e com isso, segue zerado na temporada. Já Felipe Drugovich também não foi muito melhor, mesmo tendo um carro bem mais competitivo, uma vez que a Andretti enfrentou muitos problemas e teve diversos azares em Jeddah. Felipe foi apenas o 15º colocado na primeira prova, e foi 12º na segunda corrida. Isso faz com que ambos continuem sem pontuar na atual temporada da competição, já com três corridas realizadas até aqui. Melhor sorte na próxima vez, pessoal… E parece que vão precisar, mesmo…
Curiosamente, a dupla vencedora da rodada dupla em Jeddah, Pascal Wherlein e Antônio Felix da Costa, foram companheiros nas últimas temporadas no time oficial da Porsche. Mas o ambiente cordial que existia entre os pilotos degringolou a partir de 2024, e no ano passado, atingiu o ponto mais baixo, a ponto da dupla de pilotos até se estranhar em um dos treinos livres para o ePrix de Berlim, em Tempelhoff. Dada como certa a saída de Da Costa já para a temporada passada, o time contratou Nico Muller e o alocou na Andretti, time cliente da marca, esperando substituir o português, o que veio a acontecer na atual temporada, com Antônio indo defender a Jaguar. Mas Pascal não perdeu a chance de alfinetar o antigo colega de equipe, ao afirmar que, atualmente, o clima na Porsche é o de um time “de verdade”, alegando que Nico Muller, o novo contratado, devolveu a tranquilidade à escuderia, insinuando que o português não contribuía para o time, e ainda era causador de intrigas internas que prejudicavam a escuderia. É verdade que Antônio teve um início complicado na Porsche, mas o piloto português encontrou o ritmo, e venceu várias corridas pelo time. Mas, como campeão pela Porsche, Pascal talvez não visse com bons olhos o português não ficar subordinado na pista. Nico Muller, por enquanto, está “bem visto” pelo alemão, mas e na primeira vez que precisarem dividir uma posição em uma corrida, vamos ver como a situação ficará, porque, de início, ele se dava bem também com Da Costa, antes que a situação esquentasse entre eles. Antônio teve problemas e azares nas primeiras corridas, mas o conjunto da Jaguar parece muito competitivo, a par da performance da Porsche, e vai ser interessante quando os dois cruzarem rodas novamente pelo caminho em alguma corrida…
Ao contrário do que dizia ter planejado para 2026, quando afirmou que iria competir apenas no IMSA Weathertech Sportscar em provas de endurance, eis que Dudu Barrichello anunciou que vai disputar também a temporada 2026 do Mundial de Endurance. A confirmação veio neste mês de fevereiro, quando a equipe Heart of Racing oficializou os trios de pilotos que guiarão as duas Aston Martin Vantage da escuderia na classe LMGT3. Inicialmente previsto apenas no programa da equipe no IMSA Weathertech SportsCar, o brasileiro também integrará o projeto do WEC no carro #23, ao lado do piloto estreante Gray Newell e de Jonny Adam, piloto oficial da marca que está retornando à categoria após alguns anos afastado. Além do trio que contará com a presença de Dudu, a Heart of Racing resolveu expandir a suas operações no WEC, e terá mais um carro na classe LMGT3, que contará com o trio Mattia Drudi, Ian James, e Zach Robichon, que guiarão o carro #27 do time. No ano passado, quando declarou que estava deixando o WEC, em preferência pelo IMSA, Dudu chegou a afirmar que o campeonato de endurance dos Estados Unidos era “mais profissional” que o WEC, como justificativa para a mudança de campeonato. Pelo visto, ele mudou de opinião, e terá mais uma temporada então no WEC. Segundo Ian James, que também é chefe de equipe na escuderia, a prioridade do brasileiro será para o WEC, disputando o IMSA apenas quando as datas não coincidirem. No ano passado, Dudu Barrichello disputou pela primeira vez uma temporada completa do WEC, também na classe LMGT3, pela equipe Racing Spirit of Léman, onde chegou a conquistar duas pole-positions, uma delas nas 6 Horas de São Paulo, onde também subiu no pódio, tendo sido eleito a Revelação do Ano do WEC.
Prova mais famosa do endurance mundial, as 24 Horas de Le Mans, programadas para os dias 13 e 14 de junho deste ano, na tradicional pista de La Sarthe, confirmou a relação de participantes da edição deste ano, com 62 carros no grid, que será formado por 18 carros na classe Hypercar, a principal, mais 19 carros na classe LMP2, além de 25 carros na classe LMGT3. O destaque será a estréia da Hyundai na classe Hypercar, onde estará com dois bólidos, usando sua marca de luxo Genesis, que inclusive terá Pipo Derani em um de seus carros para a disputa das 24 Horas de Le Mans. Desta forma, o Brasil já contará com dois pilotos no grid da corrida, já que além de Pipo, Dudu Barrichello mais uma vez estará presente na classe LMGT3, conforme mencionado acima. Outros brasileiros, como Daniel Serra, ainda podem disputar a corrida, e suas escalações certamente serão feitas conforme a apresentação das escuderias dos seus pilotos para a tradicional prova de endurance. Uma mudança é a participação da equipe Wayne Taylor na classe Hypercar, como equipe convidada campeã do IMSA, que na verdade foi a Porsche/Penske, mas como a marca se retirou da competição no WEC, centrando sua participação apenas no IMSA Weatertech Sportscar, a Wayne Taylor ocupará o seu lugar, usando protótipo da Cadillac para a disputa das 24 Horas.
O Mundial de Endurance nem começou, e já contabiliza uma baixa, mas para 2027. A Alpine, que desde 2021 compete na classe principal da competição, a Hypercars, anunciou que estará deixando o WEC ao fim da atual temporada deste ano. O diretor-executivo da Alpine, Philippe Krief, afirmou que a decisão de deixar o campeonato de endurance foi necessária para proteger as ambições da marca a longo prazo. A saída do WEC já vinha sendo especulada por conta de instabilidades internas e da falta de interesse do atual CEO, François Provost, em automobilismo. Na F-1, a Alpine, por sua vez, passou a ser equipe cliente da Mercedes, depois que a Renault, por indicação de Flavio Briatore, novo chefe da escuderia na categoria máxima do automobilismo, preferiu usar motores clientes do que ficar batalhando para desenvolver o equipamento da marca francesa. O abandono da Alpine no WEC faz ecoar boatos de que a equipe de F-1 também poderia deixar a competição, sendo adquirida por algum novo proprietário, tanto que especulou-se a compra de ações da escuderia por parte de Toto Wolf, ou as suspeitas de que a BYD, gigante de veículos elétricos chinesa, que anunciou planos de adentrar a categoria máxima do automobilismo, poderia ser uma potencial compradora, se não insistir em entrar como um time completamente novo, como fez a Cadillac, depois de uma extensa batalha com a FOM. Se a Alpine vai deixar o WEC ao fim de 2026, a Honda está preparando-se para tentar entrar na competição, e justamente no próximo ano, quando o WEC contará também com as presenças da McLaren e da Ford na classe dos protótipos, de modo que o número de participantes na classe Hypercar vai aumentar, e não apenas ficar estável, com a entrada da Hyundai, este ano, com sua marca Genesis.



