
GP da China teve nova dobradinha da Mercedes. Mas o maior problema está no gerenciamento de energia dos novos sistemas híbridos introduzidos este ano.
A Fórmula 1 chegou a
Suzuka para a terceira etapa do campeonato, e o que vimos até aqui, em termos
de disputas e competitividade, no novo ordenamento técnico que a categoria
máxima do automobilismo, ainda é recheado de incertezas, tirando o favoritismo
da Mercedes na competição. A corrida da Austrália, apesar dos duelos iniciais
entre Charles LeClerc e George Russell, pode até ter sido interessante, mas não
foi o suficiente para sustentar as expectativas de um campeonato melhor, com
corridas melhores.
Na China, o panorama foi ligeiramente diferente, mas mesmo assim, não tão animador quando poderia ser, com o agravante, por parte dos críticos, que a prova, por ter sido um pouco mais “animada”, motivou a direção da F-1 a “postergar” momentaneamente mudanças nas regras visando corrigir problemas apontados pelos pilotos, achando que o público gostou mais da prova de Shangai, com um pouco mais de disputas, e que, dessa maneira, todas as críticas dos pilotos teriam sido um pouco exageradas.
Será mesmo? Teoricamente, com mais rodagem, times e pilotos podem pegar mais a mão de como reagir aos novos sistemas e ao comportamento dos novos carros. E, curiosamente, as novas regras técnicas trouxeram de volta algo que era muito mais comum antigamente na competição: quebras e abandonos dos carros. Com o advento de inúmeras regras estabelecendo duração extremamente elevada para vários componentes dos carros, visando economia de custos da competição, os carros foram adquirindo uma fiabilidade nunca vista antes, e como resultado, abandonos passaram a se dar mais por acidentes ou percalços de pista do que por problemas mecânicos dos bólidos. Na China, quatro carros foram a nocaute inicialmente… Até aí, isso não seria um problema, exceto pelo fato de que eles enguiçaram… Antes mesmo de conseguir largar… Antigamente, os abandonos por problemas mecânicos assim ocorriam durante a competição, como resultado da fiabilidade menor, entre outros detalhes. Mas, quando os carros vão para o abandono antes mesmo da corrida começar, e não estamos vendo isso em apenas uma prova, isso significa que as novas regras técnicas demandam muito mais cuidado e verificação.
Tanto na Austrália quanto na China, a corrida foi disputada com desfalques no grid, e antes mesmo da largada. No Albert Park, Nico Hulkenberg, da Audi, não largou com problemas no seu carro. Oscar Piastri, quando se dirigia para o grid, sofreu um acidente devido a uma entrada de potência repentina que fez o australiano perder o controle do carro e bater, ficando de fora da prova. Em Shangai, os dois carros da McLaren deram xabu na hora de saírem para o grid, e sem conseguirem resolver o problema, Oscar Piastri e Lando Norris ficaram de fora da corrida. Gabriel Bortoleto viu seu carro apagar e dar adeus à prova de maneira similar ao que ocorrera com seu parceiro de time da Audi na Austrália, e outro que ficou sem conseguir sair dos boxes foi Alexander Albon, da Williams, de modo que tivemos uma corrida com apenas 18 carros desde o início. E, no curto prazo, já podemos contar com a Aston Martin sem chegar ao fim dos GPs, diante do tormendo proporcionado pelas unidades de potência da Honda, que está vibrando tanto que afeta o carro todo, e pode até comprometer a integridade dos pilotos. Alonso abandonou a corrida chinesa porque não conseguia sentir as mãos, de tanta trepidação no carro, ocasionada pela unidade de potência.

A Ferrari tem um arranque impressionante nas largadas, e isso até tem ajudado a disputar com as Mercedes no início das corridas, mas por enquanto os carros prateados ainda são muito superiores.
Mas, até a favorita
Mercedes tem tido alguns perrengues. George Russell por pouco não conseguiu
sair para disputar o Q3 da classificação em Shangai, mas a equipe conseguiu
acertar o carro, e o inglês foi para a pista, e ainda conseguiu a 2ª posição no
grid, e na corrida, terminou em uma confortável 2ª colocação também, depois de
duelar com a dupla da Ferrari por parte bem considerável da prova chinesa. A
Mercedes fez duas dobradinhas nas duas provas, e até aqui, vem dominando a
competição. Mesmo que seja cedo para afirmar que o time alemão vai deitar e
rolar em toda a temporada, a verdade é que as novas regras técnicas, de início,
não trouxeram o equilíbrio esperado, e o novo sistema híbrido de potência tem
sido o pivô do descontentamento até agora.
Se por um lado foi um acerto retirar o sistema de recuperação de energia térmica, ampliar ao nível atual o sistema elétrico com recuperação de força nas frenagens poderia ter sido bem-vindo, desde que não tivessem reduzido a potência do propulsor V-6 turbo, a fim de apresentar uma dispensável proporção meio a meio de potência e energia elétrica. Tem sido ridículo vermos os carros não poderem acelerar até o fim das retas, reféns que ficaram dos sistemas de regeneração de energia, uns melhores que outros, independentemente do que o piloto possa fazer a respeito. As ultrapassagens podem até ter ficado um pouco mais frequentes, mas se o pessoal já achava o DRS artificial, este novo procedimento, que fica mais dependente da quantia de energia disponível e de como o piloto consegue gerenciar o sistema, não ajuda muito. Os pilotos querem chegar ao limite de seus carros, mas agora este limite ficou refém do sistema de gerenciamento de energia, até mais do que seria necessário.
Mas a FIA parece ainda ter certo bom senso, e com a união dos times, foi possível efetuar uma mudança para a classificação em Suzuka, reduzindo a potência elétrica disponível em pelo menos 0,3 Kw/h, passando de 2,5 Kw/h para 2,2 Kw/h. O objetivo é permitir que os pilotos possam chegar mais próximos do limite da performance de seus carros. A mudança foi baseada no feedback fornecido pelos pilotos, e em teoria, deve permitir uma performance mais real dos carros. A mudança era estudada para a prova de Miami, mas a FIA decidiu de última hora implantar isso já aqui no Japão. Uma nova reunião da entidade com os times e pilotos deve ocorrer após a prova japonesa para um balanço, e discussão de possíveis mudanças adicionais a serem implementadas. Segundo a FIA, a intenção é fazer um ajuste “mais fino” nas regras, de modo a aprimorar algumas arestas possíveis, sem efetuar alterações mais drásticas nas regras técnicas como um todo.

Desgraça pouca é bobagem: além de feroz crítico das novas regras técnicas, Max Verstappen vê a Red Bull menos competitiva que Mercedes, McLaren e Ferrari...
Com o espaço de pouco
mais de um mês até a próxima corrida agora, com o cancelamento das etapas do
Bahrein e da Arábia Saudita devido à guerra no Oriente Médio, os times terão um
tempo potencialmente útil para tentar trabalhar nos carros e resolver potenciais
problemas que possam estar tendo. Mas seria ainda mais útil se pudessem voltar
à pista. Neste ponto, seria produtivo se pudessem realizar pelo menos um novo
teste conjunto na Europa, de preferência em algum circuito não utilizado para a
temporada, como por exemplo Portimão, Istambul, ou Paul Ricard, para novos
testes de adequação e desenvolvimento dos carros ao novo regulamento técnico.
Seria uma mão na roda, especialmente para os times que estão enfrentando mais
dificuldades com seus carros. Infelizmente, até o presente momento, nada neste
sentido foi confirmado, restando às escuderias tentar resolver tudo com o
trabalho na fábrica, que não é irrelevante, mas testes reais de pista sempre
são muito mais produtivos do que testes em simuladores.
Mas temos uma corrida pela frente, e a pista nipônica, no ano passado, não apresentou uma corrida das mais empolgantes. Max Verstappen, surpreendendo a então favorita dupla da McLaren, conseguiu vencer praticamente de ponta a ponta, sem que a dupla do time de Woking, que andou perto do holandês a corrida inteira, esboçasse uma disputa mais sólida pela vitória na corrida. A pista de Suzuka é de alta velocidade em boa parte de sua extensão, e isso deverá colocar ainda mais à prova a necessidade de gerenciamento de energia das novas unidades de potência. Será que, com isso, teremos mais disputas na pista, ainda que na base da administração dos sistemas de carga elétrica? Fiquemos no aguardo por uma corrida que pelo menos seja melhor, e que vença o melhor na pista. Será que a Mercedes continuará o seu domínio atual na competição? A conferir...
As etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, enfim, não serão realizadas, diante da guerra que eclodiu no Oriente Médio entre os Estados Unidos e Israel, contra o regime teocrático do Irã. O Bahrein, infelizmente, está muito próximo dos locais de conflito, e já foi alvejado pela artilharia iraniana que disparou a torto e a direito contra todos os vizinhos por ali. Jeddah, no Mar Vermelho, por estar do outro lado do país, na Arábia Saudita, até poderia oferecer mais segurança, mas diante do fato dos iranianos estarem bombardeando até instalações sauditas a essa distância, fazendo o país considerar até entrar em guerra contra o regime dos aiatolás, a direção da F-1 fez o mais prudente, que foi cancelar, na prática, as duas corridas. Em outros tempos, a solução seria o adiamento, mas com o calendário tão cheio que a categoria implantou nos últimos anos, não há datas potenciais que poderiam ser avaliadas para corridas substitutas ou adiamento dos GPs propriamente. Mesmo assim, por motivos contratuais, as duas corridas são confirmadas como “adiadas”, embora na prática, tenham sido mesmo canceladas. E isso não diz respeito somente à F-1: as etapas do WEC e da MotoGP, que ocorreriam na região, também foram canceladas.
Depois de exibir, no canal aberto, apenas a corrida da Austrália ao vivo, eis que a Globo confirmou que irá exibir, além da etapa do Japão, a corrida, também o treino de classificação no canal aberto. De fato, ajuda o horário ser na madrugada no Brasil, mas os critérios da emissora parecem duvidosos, se lembrarmos que, mesmo sendo na madrugada, a emissora carioca não mostrou a prova da China ao vivo no canal aberto, de modo que quem quisesse ver a corrida no horário teria que sintonizar no SporTV, ou pelo aplicativo F1TV. Não deixa de ser uma boa notícia, mas mesmo assim, mostra uma cobertura inferior à praticada pela Bandeirantes em termos de sinal aberto. E se levarmos em conta que as corridas seguintes, Miami e Canadá, só estarão disponíveis ao vivo no SporTV e F1TV, isso só mostra como o fã que só dispõe de TV aberta foi menosprezado no Brasil. A classificação começa às 03:00 Hrs. da madrugada de sábado, com a corrida tendo a largada programada par as 02:00 Hrs., portanto, fiquem ligados.
A etapa do Japão já foi muito badalada pelos fãs japoneses da velocidade. Lembro-me dos tempos em que havia tanta procura pelos ingressos que estes eram sorteados entre o público que se candidatava para comprar os ingressos, uma vez que capacidade era limitada a 200 mil pessoas. As conquistas da Honda na competição, com os títulos conquistados entre 1987 a 1991 por Nélson Piquet, Ayrton Senna, e Alain Prost, deixaram os japoneses alucinados pela F-1. O sucesso, porém, foi curto. A Honda deixou a competição ao fim de 1992, e a Toyota, quando fez parte da competição, fez muito furor e entregou muito pouco. As empreitadas da Honda, quando de seu retorno oficial em 2006, e depois, em 2015, foram de fiascos e frustrações, e os japoneses só foram poder comemorar novamente uma conquista em 2021, quando Max Verstappen foi campeão com a Red Bull impulsionada pelos propulsores da Honda, situação que se repetiu em 2022, 2023, e 2024. No ano passado, Verstappen ainda foi vice-campeão, trazendo mais louros para a Honda, ainda que o propulsor tenha passado oficialmente a ser rotulado pela Red Bull Powertrains, nova empresa criada pelo time dos energéticos para conceber suas unidades de potência, tendo adquirido as propriedades intelectuais dos motores japoneses, e agora, operando sob colaboração com a Ford, uma vez que os nipônicos agora estão associados à Aston Martin. E, infelizmente, os torcedores japoneses não terão boas perspectivas para este GP, visto os problemas que o time inglês vem tendo com seu novo carro, cujo maior problema é, a exemplo do que ocorreu com a McLaren na década passada, justamente a unidade de potência japonesa, que está falhando em todos os parâmetros: potência, fiabilidade, eficiência. E ainda causando uma trepidação tamanha que compromete até a saúde dos pilotos, além de danificar componentes do bólido, com os sistemas de baterias e regeneração de energia. Esforços intensos foram feitos desde o fim dos testes da pré-temporada, onde os problemas se apresentação com força tal que fizeram do time inglês o último colocado dos testes, e o que menos rodou, tentando minimizar os problemas. Eles estão conseguindo progressos, mas a situação está longe de ser aceitável, e por isso mesmo, não se pode esperar nada de relevante para esta corrida. Uma situação bem diferente do ano passado, quando Verstappen, com a Red Bull impulsionada pelos propulsores japoneses sob preparação da RBPT, levaram a vitória na corrida, apesar do então favoritismo da McLaren naquele momento.
Ninguém esquece a frase “motor de GP2” proferida por Fernando Alonso na década passada, para ilustrar a frustração do bicampeão com o desempenho do propulsor japonês frente aos concorrentes, proferida em pleno GP do Japão, na casa da Honda, Suzuka, e não se podia questionar: Alonso, mesmo em aceleração máxima, era ultrapassado com facilidade pelos concorrentes, sem ter como se defender até, tamanha era a discrepância de performance para as outras unidades de potência do grid. O desempenho era tão ruim que ficava difícil até mesmo mensurar se o carro da McLaren tinha competitividade ou não. Algo similar ao que ocorre hoje, onde os problemas causados pela nova unidade e potência da Honda são tamanhos, que o time nem consegue averiguar se o seu novo modelo AMR26 é de fato competitivo ou não…

O desempenho das novas unidades de potência da Honda tem sido desastroso neste início de temporada, e não dá para esperar nenhuma melhora em Suzuka, justo na casa da própria Honda...
Depois de passar pelo Brasil, a MotoGP desembarca no Circuito das Américas, em Austin, no Texas, para mais uma etapa da temporada 2026. O canal pago ESPN transmite tudo ao vivo, assim como o Disney+, com a corrida sprint neste sábado, e a prova principal, no domingo, com largadas programadas para as 17:00 Hrs. cada uma. Marco Bezzecchi é o homem a ser batido na competição, e Austin é uma pista onde Marc Márquez costuma andar muito forte. Será que a “Formiga Atômica” voltará a se impôr?
E a Indycar vai para sua primeira corrida em circuito permanente misto em 2026, na pista de Barber Motorsport, no Alabama. Tivemos até o presente momento três corridas, em dois circuitos urbanos e um oval, com três vencedores diferentes. A escrita se manterá nesta nova etapa? Candidatos à vitória não faltam, mas é preciso combinar com os rivais. A prova terá transmissão ao vivo pelo canal pago ESPN, bem como pelo Disney+, mas a Bandeirantes não vai exibir a corrida, passando apenas um VT no rídiculo horário da madrugada de domingo para segunda-feira, marcando o primeiro tropeço da Bandeirantes em relação aos tocedores e fãs da velocidade com este planejamento de exibição...
