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| Mercedes fez o melhor tempo da semana nos testes em Sakhir, com Andrea Kimi Antonelli: time prateado parece vir mesmo forte este ano. |
Depois do “shakedown” de Barcelona, a F-1 finalmente “estreou” com tudo na pré-temporada esta semana com os testes na pista de Sakhir, no Bahrein. Além de contar com todos os times na pista, equipes e pilotos tiveram um clima e temperatura muito mais similares aos das corridas que serão realizadas durante o ano, permitindo uma correção maior dos dados dos carros com as condições ideais de competição, além de permitir uma análise dos dados em comparação com os resultados obtidos em Barcelona, que sim, foram importantes, mas obtidos em temperaturas muito mais baixas que, certamente, complicavam a obtenção de certos parâmetros mais confiáveis do que os times esperam encontrar na pista. E todo mundo andou tanto quanto pôde. Alguns mais, outros menos, com todo mundo procurando entender melhor como a nova F-1 se apresentará de fato a partir este ano.
Os desafios da condução dos carros da F-1 sob as novas regras parecem estar sendo desafiadores para alguns pilotos, mas com opiniões variadas. Tem quem ache que o comportamento dos carros está melhor, em relação ao ano passado, tem quem ache o contrário, e claro, tem aqueles que sabem que precisam encarar o desafio e ponto final.
Neste aspecto, Max Verstappen e Lando Norris deram veredictos opostos. O holandês não gostou de como agora é preciso gerenciar o sistema de bateriais, comparando os novos carros a uma “Formula-E turbinada”, enquanto Norris aproveitou, claro, para alfinetar o rival, chegando a dizer que, se ele não está contente, que se aposente então. Mas Verstappen tem todo o direito de se expressar, e Norris que me desculpe, mas Max tem muito mais autoridade para falar do que ele, como campeão que é, em relação ao inglês, que ainda quase perdeu o título para Verstappen ano passado, portanto...
Lewis Hamilton, por exemplo, gostou muito mais do comportamento do carro deste ano do que em comparação com os monopostos que conduziu nas últimas temporadas, mas lembrou que as novas regras são complicadas, e o modo como precisam aprender a manusear as novas ferramentas certamente não vai ajudar o torcedor a ficar exatamente empolgado. Já Fernando Alonso expressou irritação com a necessidade de economizar energia excessiva no novo regulamento, chegando a comentar via rádio que precisava andar 50 km/h a menos na reta para poupar energia, dizendo que antigamente era muito mais prazeiroso conduzir um carro de F-1... E lamento dizer, ele não está errado, com exceção dos dispositivos de segurança que os bólidos atuais possuem...
É claro que os testes tem seus altos e baixos, e é justamente para isso que eles servem. E o panorama visto até agora não permite ainda um ajuste claro das forças, até porque os tempos tem sido díspares entre os pilotos, e como ninguém sabe exatamente a configuração com que os rivais estão testando, não dá para mensurar com exatidão quanto cada time tem de força real, embora indícios possam ser apontados. Mas, com mais uma sessão de testes programadas para Sakhir antes do início da temporada, em Melbourne, na Austrália, no mês que vem, ainda poderemos ver um quadro mais claro nos últimos dias. E, aliás, em muitos anos estamos tendo enfim uma pré-temporada de verdade, e não o que ridicularmente foi chamado de “pré-temporada” em anos recentes, com míseros três dias de pista, e ainda por cima com apenas um piloto de cada vez. Espero que este novo formato seja replicado nos próximos anos, sob a benesse de poder oferecer a todos um tempo de pista bem mais satisfatório e condizente com o que a F-1 precisa apresentar como o espetáculo que deve ser e fica propagandeando que é.
A Mercedes fechou esta sexta-feira com o melhor tempo da semana, com Andrea Kimi Antonelli, e parece mostrar que, sim, vai ser uma força na temporada, pois George Russelll veio logo atrás. O time alemão averbou pelo menos 282 voltas, o que não é ruim, mas a esquadra germânica enfrentou problemas durante a semana, inclusive precisando trocar toda a unidade de potência no bólido na quinta-feira, diante de problemas inesperados que tornaram a substituição mais prática do que solucionar o problema. Uma falha de suspensão no primeiro dia comprometeu sobremaneira o tempo de pista. O carro parece rápido para voltas de classificação, mas o ritmo de corrida ainda precisa ser confrontado melhor com os demais times. Ainda é cedo para dizer que a Mercedes tem tudo para ser a favorita, mas é definitivamente, pelo menos até aqui, a melhor pré-temporada do time desde 2021, indicando que as flechas prateadas podem estar de volta, se não com tudo, no seu melhor ponto nos últimos cinco anos.

Red Bull: Max Verstappen desconversa, mas novo motor Ford/RBPT tem conseguido impressionar a concorrência.
Depois da temporada
irregular do ano passado, o consenso na Ferrari é que o novo SF-26 é um grande
carro. O time de Maranello rodou nada menos que 409 voltas em Sakhir na semana,
com Charles LeClerc e Lewis Hamilton conseguindo marcas finais significativas
que pelo menos indicam que o carro é veloz, mas o que mais impressionou foi o
ritmo de corrida apresentado, um dos mais fortes de todos, dando a entender
que a escuderia será de fato bem mais
sucedida este ano do que em 2025, onde se esperava que mantivessem a força de
2024, e resolveram reinventar a roda mudando o conceito do carro, que não deu
os resultados esperados. E agora, com tanto o monegasco quanto o piloto inglês
elogiando o comportamento do carro, podemos esperar uma Ferrari que poderá
novamente vir para a briga pelo campeonato. Mas, mesmo assim, Hamilton prefere
não fazer previsões ainda, alegando que ainda há trabalho a ser feito, e claro,
os adversários ainda podem ter cartas na manga que não mostraram.
A Red Bull, por sua vez, continua impressionando, embora ainda adotem uma postura cautelosa. O novo RB22 parece realmente competitivo, mas o novo propulsor da RBPT, desenvolvido em parceria com a Ford, denominado DM01, parece conseguir entregar uma resposta de recuperação de energia muito mais constante que todos os demais propulsores do grid, e conseguir fazer isso com ainda mais eficiência, o que alguns apontam que isso pode conferir ao time dos energéticos o melhor ritmo de corrida de todos. Se muitos apontavam que as saídas de Adrian Newey e Christian Horner poderiam revelar fraquezas na escuderia de Milton Keynes, o resultado até aqui parece indicar o contrário, e colocando a Red Bull, com Max Verstappen, como um dos times favoritos do grid, e que não pode ser subestimado. Estas percepções do motor foram compartilhados pela Racing Bulls, que também usa o mesmo propulsor, e apesar dos dois times terem enfrentado alguns problemas pontuais, isso não chegou a ser uma grande preocupação, embora Max Verstappen diga que, mesmo com todos os bons presságios percebidos, ainda há muito por fazer, preferindo uma abordagem mais prudente e contida a empolgação das boas marcas gerais conquistadas. E o fato do novo motor da escuderia apresentar um desempenho aparentemente acima do esperado é um grande resultado para a nova RBPT, uma vez que o propulsor agora é totalmente novo.
Campeã de construtores nos últimos dois anos, e finalmente campeã de pilotos no ano passado, a McLaren encerrou a semana de testes com um balanço considerado extremamente positivo, sendo a equipe que apresentou a maior eficiência operacional e um dos carros mais equilibrados do grid. Diferente de anos anteriores, onde a McLaren sofria com problemas de freios ou superaquecimento logo nos primeiros dias, o modelo MCL40 mostrou-se robusto e veloz desde a primeira saída dos boxes, sendo o time com a segunda maior de rodagem entre as que utilizam motores Mercedes, acumulando um total de 395 voltas. As simulações de corridas foram fortes, e o novo bólido parece conservar muito bem seus pneus, e apresentando uma excelente eficiência aerodinâmica, com velocidades de reta competitivas, o que indica que o chassi está bem casado com a nova unidade de potência da Mercedes. O carro rodou como um relógio desde o primeiro dia, sendo extremamente fiável. Um probleminha aqui e ali, mas nada digno de nota para deixar o time preocupado. O consenso no paddock é que a McLaren entra na segunda semana de testes como uma das favoritas para disputar o topo do grid na temporada, mostrando uma maturidade técnica superior à de várias equipes, como Aston Martin e Red Bull, que ainda estão ajustando detalhes de seus novos motores.

A Williams enfim apareceu e resolveu tentar tirar todo o atraso na pista, dando cerca de 422 voltas com seus dois pilotos na semana.
Depois de perder o
shakedown em Barcelona, a Williams chegou a Sakhir com a missão de recuperar o
tempo perdido. E podemos dizer que conseguiu esse objetivo, sendo a escuderia
que mais voltas acumulou na pista barenita, com nada menos que 422 voltas nos
três dias de atividades, divididas entre Alexander Albon e Carlos Sainz Jr. No
cômputo geral, os pilotos elogiaram a fiabilidade do novo modelo FW48, embora
não tenham obtido tempos expressivos, mas pelo menos confirmando que, apesar
dos atrasos na finalização do novo bólido, e dos problemas decorrentes de
falhas sofridas no crash test da FIA, o que obrigou a modificações de última
hora para corrigir o problema, ele parece ter nascido bom, já que os pilotos
não indicaram sentir nada inesperado no comportamento do carro, o que sempre é
um indício positivo. Falta conferir a velocidade bruta, é verdade, mas depois
das expectativas negativas de ter perdido um tempo potencial em Barcelona
diante de não ter conseguido finalizar o carro a tempo, é um sinal de esperança
de que o time possa conseguir manter a evolução demonstrada no ano passado, e
brigar por resultados mais expressivos este ano.
A Aston Martin, por enquanto, suscita mais dúvidas do que esperanças. O novo AMR26, o mais recente projeto de Adrian Newey, o primeiro carro de sua carreira pós-Red Bull, até agora não disse a que veio nos testes, e já começa a deixar os pilotos com a pulga atrás da orelha com os trabalhos necessários para desenvolver o bólido.
Mas os problemas não parecem somente restritos ao carro. O novo propulsor da Honda até aqui também não mostrou a excelência de desempenho dos últimos anos, quando equipava a Red Bull, em que pese parte do desenvolvimento da unidade ter ficado a cargo da nova Red Bull Powertrains, que agora está operando em conjunto com a Ford produzindo as novas unidades de potência do time dos energéticos e sua filial. Por enquanto Fernando Alonso fala em muito trabalho pela frente, admitindo que precisam melhorar o ritmo, enquanto Lance Stroll foi até mais contundente, dizendo que eles estão praticamente 4s mais lentos que os rivais no presente momento.
Claro que já começaram as piadas decorrentes disso, e a mais afiada é simplesmente mostrar como o “timing” de Fernando Alonso parece ruim com os nipônicos, lembrando dos três anos em que ele penou na McLaren justamente competindo com o motor japonês, que naqueles anos era um dos mais problemáticos do grid, onde o espanhol chegou a chamar a unidade de potência de “motor de GP2”, e isso ocorrendo em plena Suzuka, terra da… Honda. As relações entre a Honda e o piloto ficaram estremecidas, e quando surgiu a chance de trabalharem juntos novamente, quando a Honda e a Aston Martin anunciaram sua associação, não houve quem não dissesse que os japoneses poderiam não aceitar a presença de Fernando na escuderia, mas felizmente os tempos são outros, a diretoria na Honda também não é a mesma, portanto, todo mundo merece uma nova chance… Mas, pelos resultados destes primeiros testes, todo mundo já está se perguntando se o espanhol vai ter novamente o maior pé frio junto aos nipônicos, ainda mais depois do sucesso dos últimos anos, que rendeu um tetracampeonato de pilotos e um vice-campeonato a Max Verstappen, mostrando como o propulsor atingiu a qualidade e eficiência necessária para brilhar na F-1 novamente.
Não é exagero afirmar que todos esperavam mais da Aston Martin, que inclusive sacrificou quase todo o desenvolvimento da temporada do ano passado justamente para vir com tudo este ano, ainda mais por contar com Adrian Newey, o grande responsável pelos carros que fizeram a Red Bull conquistar todos os seus campeonatos. Mas todos os grandes projetos de Adrian Newey nunca levantaram vôo logo de cara, precisando de certo tempo de maturação, o que parece se repetir aqui. E a própria Honda também tem seus problemas, com a unidade de potência tendo alguns superaquecimentos que surpreenderam os técnicos, o que forçou a equipe a abrir novas entradas de ar no AMR26 durante os testes para tentar resfriar a unidade de potência. Fora isso, dados anormais detectados no motor logo no primeiro dia resultaram em uma troca completa da unidade que atrasou todo o cronograma da semana.

Gabriel Bortoleto conseguiu apresentar excelente constância com o carro da Audi, que vai melhorando progressivamente.
Já a Alpine vive duas
certezas: A primeira delas é de que os motores Mercedes serão a última das
preocupações da escuderia francesa, que resolveu abandonar as unidades de
potência da Renault, em prol dos propulsores alemães. A segunda é de que o novo
chassi A526 ainda enfrenta desafios aerodinâmicos severos. A equipe terminou a
semana com um misto de alívio pela confiabilidade, mas com preocupação com a
performance pura. O time rodou 360 voltas na pista, uma das maiores marcas do
grid, e tudo indica que eles conseguiram integrar o motor Mercedes ao chassi
com eficiência, sem enfrentar problemas neste aspecto. Mas o novo carro parece
apresentar muito arrasto aerodinâmico nas retas, o que compromete as
velocidades em reta do bólido, que não consegue fazer uso da potência dos
propulsores Mercedes como gostaria. O carro também apresentou instabilidade em curvas
de alta, com Pierre Gasly relatando dificuldades com a traseira do carro em
curvas rápidas, exigindo muitas correções de volante, definindo que a equipe
tem muito trabalho a fazer no lado do chassi, o que sugere que eles precisarão
de evoluções urgentes para que a equipe consiga brigar por pontos com
efetividade.
Por sua vez, a Audi não buscou tempos de glória nos testes, terminando na parte inferior da tabela de tempos, mas focando 100% na integração entre a nova unidade de potência concebida em Neuburg e o chassi desenvolvido em Hinwil. O motor da Audi apresentou um comportamento visto como sólido. Enquanto rivais como Mercedes e Ferrari enfrentaram pequenos problemas de sensores ou vazamentos, o motor da Audi permitiu que a equipe seguisse o cronograma planejado sem grandes interrupções. O ritmo apresentado por Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg foi bem similar, com os pilotos ganhando elogios da escuderia por conseguirem manter uma bela constância na pista, algo muito positivo para o time, que pode analisar com parâmetros mais confiáveis o desempenho do bólido e do piloto em si. Foram cerca de 236 voltas, com o carro que já veio com interessantes mudanças visuais em alguns pontos do carro, em relação ao visual apresentado nos testes do shakedown de Barcelona. Bortoleto, que vai para sua segunda temporada na F-1, ganhou muitos elogios pela sua adaptação ao novo comportamento do bólido, considerado essencial para obter bons resultados, algo que Hulkenberg apresentou diante de sua grande experiência na categoria máxima do automobilismo.
Como novo time da F-1, a Cadillac segue sua preparação para sua estréia efetiva no campeonato. O time norte-americano não mostrou tempos significativos, preocupando-se mais com a fiabilidade, ainda que tenha enfrentado vários percalços, mas conseguindo estabelecer um patamar aceitável de confiabilidade. Seus pilotos pararam na pista três vezes, causando bandeiras vermelhas que interromperam temporariamente os testes, mas que puderam ser solucionados. A escuderia conseguiu rodar 216 voltas nos três dias, o que foi o maior mérito do time, que ainda não mediu forças propriamente nos testes, mas mostrou um carro com um projeto de detalhes refinados mostrando que se esforçaram em conceber um primeiro projeto de carro para F-1 digno do nome, que até o presente momento, ainda nem recebeu uma designação oficial.
Muito trabalho foi feito esta semana, sem dúvida, com muita gente andando tudo a que tinha direito, enquanto outras não conseguiram otimizar todas as tarefas que planejavam. Agora, todo mundo tem alguns dias de descanso na pista, e semana que vem, temos a última sessão de testes da pré-temporada, e depois todo mundo pega o caminho da Austrália, para a abertura do campeonato. E aí veremos como a nova F-1 de 2026 realmente se apresentará...

Lewis Hamilton parece muito mais confiante com a Ferrari, mas heptacampeão procura manter os pés no chão...






