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| Com uma atuação impecável, apesar dos percalços iniciais, Ayrton Senna venceu sua oitava corrida na temporada, e sagrou-se campeão em Suzuka, no Japão. |
E chegamos enfim à última parte das postagens das corridas completas da temporada de 1988 da F-1, que para os torcedores brasileiros, era um momento mágico, onde um de nossos pilotos era campeão na categoria máxima do automobilismo por dois anos consecutivos. Em 1987, foi Nélson Piquet a ser campeão, ou melhor, tricampeão mundial, entrando para uma seleta esquadra de talentos que haviam conseguido tal façanha nos anais da competição até então. E agora, em 1988, era Ayrton Senna quem repetia o feito, conquistando aquele que seria o seu primeiro título na competição. A temporada já tinha tido 14 de 16 provas programadas no ano, entrando em sua reta final com as etapas do outro lado do mundo.
A F-1 chegava ao Japão para a parte final da temporada. E, mais uma vez, a pista de Suzuka definiria o campeão mundial, tal como havia acontecido um ano antes, em favor então de Nélson Piquet, dando à Honda o seu primeiro título mundial de pilotos na categoria máxima do automobilismo mundial, e que, coincidentemente na pista da própria Honda, agora se repetiria. Mas isso viria com emoção na prova nipônica, que começou com a McLaren mais uma vez dominando a classificação, e monopolizando a primeira fila do grid, com Ayrton Senna largando na posição de honra pela 12ª vez no ano, um massacre nesta estatística, à época. Alain Prost saía ao seu lado, enquanto Gerhard Berger, com a Ferrari, partiria em 3º, ao lado de Ivan Capelli, mais uma vez surpreendendo com a March/Judd, em 4º. A Lotus voltou a dar sinais de vida, e garantiu a terceira fila, com Nélson Piquet em 5º, e Satoru Nakajima, o ídolo local, em 6°. Maurício Gugelmim, com a outra March, era apenas o 13º no grid.
Na largada, eis que tudo pareceu desmoronar para Senna, que com um arranque falhado, despencou para a 14ª posição, e conseguindo evitar do motor morrer, e pelo trecho da pista ser em declive, conseguiu partir. Mas o brasileiro, aproveitando a performance superior do modelo MP4/4, iniciaria uma recuperação fulminante, passando quem estivesse à frente dele na pista. O problema seria alcançar Prost, que precisava vencer ou vencer, se quisesse ainda levar a disputa do título para a Austrália.
A partir da volta 14, contudo, uma leve garoa passou a ocorrer em alguns trechos da pista, e isso impactaria alguns concorrentes. Capelli, na volta 16, não só se mantinha pressionando Alain Prost, como conseguiu até ultrapassar o francês da McLaren em plena reta dos boxes, dando a estatística de volta liderada para o piloto do March, que assim se tornava o primeiro carro com motor aspirado a liderar um GP desde a temporada de 1983. Claro que isso foi efêmero, pois Prost recuperou a dianteira logo a seguir, antes mesmo do fim da reta dos boxes, e embora Capelli tenha seguido pressionando, algumas voltas depois o propulsor Judd de sua March quebrou, deixando o italiano desolado.
Só que Prost também começava a ter alguns problemas: o câmbio de seu carro começou a ficar estranho, e ele precisou reduzir um pouco o ritmo, pensando em conservar o equipamento, e ainda mais pelo piso levemente molhado da pista nipônica, que podia ser traiçoeiro. Em compensação, Senna vinha com toda carga, e em condições de piso que o brasileiro dominava melhor do que o francês. E na volta 27, enquanto tentavam ultrapassar Andrea de Cesaris (Rial), Nakajima (Lotus) e Maurício Gugelmin (March), Senna conseguiu forçar a passagem, assumindo a liderança, já que Prost foi menos hábil em dobrar De Cesaris. Uma vez na ponta, Senna então fez uma série de voltas rápidas, quebrando o recorde anterior da pista e abrindo uma vantagem de mais de três segundos, apesar de ter sido atrasado enquanto ultrapassava Nakajima.
Com pneus slick em uma pista agora totalmente molhada, Senna chegou a fazer gestos para que a corrida fosse interrompida, mas a prova acabou sendo concluída na íntegra, com todas as 51 voltas, e com Senna terminando com uma vantagem de 13 segundos à frente de Prost. Thierry Boutsen (Benetton/Ford) ficou em terceiro lugar, enquanto Berger (Ferrari) se recuperou para o quarto lugar, seguido por Alessandro Nannini, com a outra Benetton/Ford. Riccardo Patrese terminou em sexto lugar, e Nakajima em sétimo. Nélson Piquet, ainda se recuperando de uma doença, abandonou a corrida. E Maurício Gugelmim foi apenas o 10º colocado.
Com a vitória na corrida, Senna garantiu o Campeonato Mundial, com 87 pontos. Devido ao sistema de pontuação de 1988, Prost tinha 84, e só poderia adicionar mais três pontos ao seu total, mesmo que vencesse na prova final, na Austrália, o que lhe daria 87 pontos no total. Se por acaso Senna não pontuasse em Adelaide, e Prost vencesse, eles ficariam empatados em pontos, mas Senna ainda assim conquistaria o título, por ter obtido mais vitórias (8 contra 7) que o francês. A vitória no Japão também foi a oitava de Senna na temporada, quebrando o recorde de 7 vitórias em uma única temporada, anteriormente detido por Jim Clark, em 1963; e de Prost, em 1984.
A corrida, completa, pode ser vista no You Rube, no link abaixo, postado pelo usuário MrVinicius F1 1995:
https://www.youtube.com/watch?v=APgo0bLUsVo
Título conquistado por Senna, e vice-campeonato já definido para Prost. E com Berger já garantido em 3º lugar no campeonato, não havia muito o que discutir em Adelaide, na Austrália, no encerramento da temporada que viu uma supremacia nunca apresentada antes por uma equipe na história da F-1, e que era a franca favorita para vencer também na corrida final do campeonato. E, como não poderia deixar de ser, Ayrton Senna conquistou mais uma pole-position, a 13º no ano, contra apenas 2 de Prost, e 1 de Berger, marca recorde de uma piloto até então nos anais da categoria máxima do automobilismo. Nigel Mansell despedia-se da Williams com um bom 3º lugar no grid, abrindo a segunda fila, ao lado de Gerhard Berger, da Ferrari. E Nélson Piquet conquistava a 5ª posição de largada, na sua despedida do motor Honda da Lotus. E Maurício Gugelmim fazia apenas o 19º tempo no grid.
Apesar da pole-position, Senna estava com uma torção forte no pulso esquerdo, consequência de uma partida de futebol em que participou em Bali, na Indonésia, que segundo alguns, quase tirou o novo campeão mundial da prova australiana, devido à gravidade da lesão, que exigiria um tempo de recuperação. Mas Ayrton quis correr, para fechar o ano em alta com o recém-conquistado título, então, ele deveria lidar com as dificuldades que estava sentindo na condução do carro. Não fosse a imensa superioridade da McLaren, isso poderia ter sido mais complicado.
Alain Prost largou melhor que Ayrton Senna e assumiu a liderança desde o início, com o brasileiro em segundo, seguido por Berger e Piquet, que superaram o arranque de Mansell. Sentindo as dores no pulso, Senna não estava em seu melhor ritmo, e na quarta volta, a vantagem de Prost já era de 5,5 segundos, e com Berger fungando na traseira da McLaren do brasileiro. A última corrida de Michele Alboreto pela Ferrari terminou com um abandono logo após a largada, quando ele colidiu com o Dallara de Alex Caffi. O italiano seria substituído por Nigel Mansell em 1989, restando a Alboreto retornar à sua antiga casa, a Tyrrel, no ano seguinte.
Berger vinha embalado, ultrapassou Senna e iniciou uma corrida determinada, alcançando e ultrapassando Prost várias voltas depois, mostrando um ritmo infernal. O Austríaco já tinha uma vantagem de três segundos quando foi tentar ultrapassar os retardatários Stefano Modena, da EuroBrun; e René Arnoux, da Ligier, na volta 23. Só que Arnoux pareceu ignorar seus retrovisores e as bandeiras azuis que o instruíam a deixar Berger passar, fazendo com que ambos os carros se tocassem e rodassem, o que resultou em abandono para Berger, com a suspensão da Ferrari danificada. Isso recolocou Prost de volta na liderança com Senna agora em segundo. E Nélson Piquet, em boa prova, assumia a 3ª posição, à frente da dupla da Williams, com Patrese na frente de Mansell. O italiano até tentou um ataque contra Piquet, mas depois de algumas tentativas, ele rodou na volta 53, permitindo que Mansell o ultrapassasse. Mansell também tentou disputar a última posição do pódio com seu antigo colega de Williams, mas abandonou na volta 66, quando seus freios falharam e ele bateu no muro. A partir da volta 59, Prost engatou uma série de voltas rápidas, acelerando o ritmo e ampliando sua vantagem para mais de 30 segundos e dando uma volta em todo o pelotão, até o quinto colocado, Andrea de Cesaris, da Rial.
Na volta 46, Pierluigi Martini rodou com seu Minardi na chicane e quase foi atingido pelo Ligier de Stefan Johansson. Maurício Gugelmin reduziu a velocidade com seu March para evitar a colisão, mas acabou sendo atingido por trás pelo Lotus de Satoru Nakajima, levando ambos ao abandono da prova. Vários outros carros iam tendo problemas variados durante a corrida no circuito citadino de Adelaide, de modo que apenas sete pilotos viram a bandeira quadriculada. Prost liderou a dobradinha final da McLaren no ano, com Senna em segundo, Piquet em terceiro e Patrese, que conseguiu se recuperar, em quarto. Thierry Boutsen, da Benetton, apesar de uma rodada e problemas no motor, foi o 5º colocado, com Ivan Capelli, da March, conquistando o último ponto da prova, apesar dos percalços de um furo de pneu.
Na última corrida da era turbo até então na história da F-1, todas as três posições do pódio foram conquistadas por carros equipados com motores turbo da Honda. Prost ao menos fechava o ano com astral relativamente mais elevado, depois de perder a disputa do título para seu novo companheiro de equipe, Ayrton Senna. E Nélson Piquet terminava um ano muito pior do que qualquer previsão anunciasse, com uma Lotus muito menos competitiva do que se esperava, mas conquistando um pódio na prova final do ano.
Senna terminava o ano com 90 pontos válidos de um total de 94, enquanto Prost ficava com 87 pontos válidos de um total de 105 conquistados. Injusto? Talvez, mas era o regulamento da época. A partir de 1990, o descarte de pontos foi abolido, se mantendo assim até hoje. A corrida pode ser acompanhada, na íntegra, no link abaixo, postado no You Tube pelo usuário Forell:
https://www.youtube.com/watch?v=tnkbI5U0BMs
E assim, concluímos mais uma temporada, com os vídeos das corridas completas. E agora, vamos em breve, com a temporada completa de 1989. Portanto, fiquem atentos aqui para essa nova série de postagens de vídeos aqui no blog...
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| Depois de um ano para esquecer, Nélson Piquet voltaria ao pódio na Austrália, encerrando o ano onde nada deu certo para o novo tricampeão mundial de F-1. |





