quarta-feira, 22 de julho de 2026

RUSSEL DE VOLTA AO JOGO?

OBS: Esta é a coluna do dia 03 de julho, que devido a problemas diversos, não pôde ser publicada naquele dia, mas trago agora, tal como foi escrita, ainda que alguns fatos já possam estar defasados. Boa leitura a todos.

George Russell: voltando a vencer na F-1 2026...

 

Depois de ter vencido somente a etapa inicial da temporada 2026, eis que George Russell “renasceu” em Zeltweg para obter sua segunda vitória na competição, e quem sabe, dar início a uma “reação” perante Andrea Kimi Antonelli, seu companheiro de equipe, que desde a etapa da China, a segunda do campeonato, simplesmente deixou o inglês comendo poeira dentro da equipe da Mercedes. É uma reação bem-vinda, embora ainda tímida, visto que o piloto italiano ainda mantém uma dianteira expressiva sobre Russell, com uma vantagem de nada menos do que 40 pontos na classificação, o que indica que Andrea poderia abandonar uma corrida, e mesmo que George vencesse, ainda assim estaria ainda liderando o campeonato.

Mas é claro que, diante do que vinha acontecendo, é benéfico para o campeonato que George esboce uma reação. Algo que acabou facilitado também pelo abandono de Antonelli na etapa de Barcelona, no que foi o seu primeiro abandono na temporada até aqui, ajudando a equilibrar um pouco a disputa, afinal, Russell já tinha um abandono, no Canadá, quando estava brigando pela vitória, entregando de mão beijada mais um triunfo ao companheiro de time italiano. O problema é que, em Barcelona, Russell não conseguiu capitalizar da mesma maneira: o inglês foi 2º colocado, enquanto a vitória foi de Lewis Hamilton, de modo que Russell perdeu a chance de tirar pelo menos mais 8 pontos. O alento foi que, até Antonelli abandonar, ele vinha à frente de George, mais uma vez, de modo que, não fosse o abandono, o prejuízo a descontar seria ainda maior para o inglês, de modo que isso diminuiria até o efeito prático da última corrida, ainda que importante. Como Andrea ficou a pé na Catalunha, a recuperação de Russell ganhou um pouco mais de tração, importante para diminuir a desvantagem, que como se vê, ainda continua considerável, mesmo com o triunfo na etapa austríaca.

Na Áustria, George enfim bateu Antonelli, tanto na classificação, quanto na corrida. O ponto positivo foi que Max Verstappen, salvando a honra da Red Bull com uma grande performance na casa da fabricante austríaca de energéticos, foi o 2º colocado, e Antonelli não conseguiu dobrar o tetracampeão holandês, sempre um osso duro quando o assunto é defender posição, de modo que, assim, Russell conseguiu tirar 10 pontos de sua desvantagem, de modo que, aliado aos 18 pontos obtidos em Barcelona, foram 28 pontos importantíssimos para o inglês amaciar o ego ferido de estar sendo superado por um garoto de 19 anos, quando ele esperava estar ditando os rumos da competição, por ser o “veterano” da equipe, tal como havia feito no ano passado, quando Antonelli fez sua estréia e, claro, sofreu as dores do noviciado na competição.

Mas, com a estréia do novo regulamento técnico, Antonelli parece ter se dado melhor com os novos carros, o que não significa que Russell esteja exatamente ruim assim. Mas é inegável que o inglês levou um baque forte, não exatamente pelos problemas que veio tendo na competição, que certamente facilitaram, mas não justificam toda a diferença de resultados que vimos até aqui. Antonelli está surpreendendo de forma incrível, e vimos Russell se mostrando deixar ser afetado por isso, com vários momentos onde sua pilotagem não rendeu como se esperaria de alguém que conseguia andar no ritmo de Lewis Hamilton e até de superá-lo, mas que, já naqueles momentos, mostrava ficar meio alterado quando perdia para o heptacampeão. E, se isso já acontecia com Russell, que sabia estar enfrentando um adversário talentoso dentro do próprio time, mas veterano, e que já conhecia todos os “macetes” da competição, com ele ocupando a posição natural de “nova geração” e “desafiante” do status quo que Hamilton tinha dentro da Mercedes, nada mais natural que, diante da contratação de um rapaz novo, como Antonelli, Russell tenha sentido agora um impacto muito maior, e pior, do que quando era superado por Hamilton.

Depois da vitória em Barcelona, a Ferrari decepcionou na Áustria.

 

 

O que deveria ser a grande chance de Russell: a oportunidade de ser campeão, com a Mercedes voltando a ter o melhor carro da competição, está sendo dinamitada pela ascenção fulminante de Antonelli na atual temporada, algo que Russell, na temporada passada, certamente nem imaginava que iria ocorrer este ano, ou talvez, não imaginasse um duelo com tal envergadura. No ano passado, o inglês, com a saída de Lewis Hamilton para a Ferrari, exerceu o papel de destaque da Mercedes com naturalidade, diante da inexperiência de Antonelli, recém-chegado à F-1. Só que o panorama de 2026 virou completamente, e ninguém imaginava isso, e claro, menos ele.

O novo triunfo de George Russell, contudo, não passa do primeiro passo, obrigatório, para ele tentar voltar ao jogo da disputa. Ainda há um déficit de 40 pontos para Antonelli, e mais do que nunca, não se pode contar com eventuais azares do italiano. George tem que voltar a dar as cartas na pista, e se possível, esperar que os concorrentes se interponham entre ele e Andrea, como ocorreu na Áustria. A sorte de Antonelli foi que, diferente de Barcelona, desta vez as Ferraris não conseguiram mostrar a mesma desenvoltura na pista da Estíria: Hamilton foi apenas o 5º colocado, enquanto Charles LeClerc, o 8º.

O que deveria ser um campeonato fácil para a Mercedes, contudo, começa a mostrar algumas potenciais “rachaduras” na blindagem do time alemão. O modelo W17 é incontestavelmente o melhor carro da competição, mas embora ainda tenha uma vantagem de performance firme, a aproximação dos rivais, mesmo inconstante, parece ter encontrado um rival inesperado: a confiabilidade. Ninguém está surpresa das novas regras técnicas terem tornado o novo panorama da categoria tão complexo que o índice de quebras aumentou significativamente neste campeonato. Mas a Mercedes sempre se caracterizou por um índice de fiabilidade exemplar, onde seus pilotos abandonavam mais por incidentes ou percalços de competição, do que por problemas nos carros. George Russell e Andrea Kimi Antonelli já tiveram um abandono nada um, e por circunstâncias completamente alheias aos pilotos, que nada de anormal fizeram para as quebras ocorrerem. Isso significa que os carros “inquebráveis” de Brackley parecem não estar assim tão “inquebráveis” este ano, o que deixa no ar a dúvida se novas quebras não virão a ocorrer, dependendo do andar do campeonato.

Max Verstappen subiu ao pódio na casa da Red Bull, mas o desempenho continua inconstante, irritando o tetracampeão holandês.

         Só que os concorrentes também não conseguem mostrar estarem exatamente melhores. McLaren e Red Bull que o digam. O time de Woking ficou totalmente de fora da prova da China com problemas em seus dois carros antes mesmo de alinharem no grid. E o time dos energéticos, em seu primeiro projeto totalmente sem o dedo do mago das pranchetas, Adrian Newey, vem tendo um festival de altos e baixos onde ora o time consegue andar bem, como Verstappen fez em Zeltweg, ora entra em parafuso. A Ferrari é o time mais constante: Lewis Hamilton terminou todas as corridas até aqui, mas Charles LeClerc já ficou zerado em duas etapas, e a Ferrari, apesar de ser a ameaça “mais próxima”, não está em posição de desafiar abertamente a Mercedes como seria necessário. O resultado de Barcelona foi alentador, por significar a primeira “derrota” da Mercedes em uma corrida de fato no ano, mas como vimos, o time italiano não conseguiu repetir a proeza na Áustria, indicando que o resultado ainda é ocasional, não a rotina. Por isso mesmo, o entusiasmo demonstrado após a vitória de Hamilton na Catalunha é tratado com parcimônia pela direção da equipe de Maranello: importante, mas ainda longe da realidade necessária pra esperar que o time italiano brigue efetivamente pelo título, como se espera.

E não há garantias de que a Mercedes continue sofrendo com problemas de confiabilidade, com o time alemão sanando seus problemas, da mesma maneira que os rivais potenciais também não terão o mesmo problema persistindo, ou corrigindo-o

Ainda é cedo para afirmar que Russell vai voltar efetivamente à disputa, ou se o que vimos na Áustria foi um momento de desempenho superior ocasional. Antonelli pode voltar a deslanchar nas próximas etapas, com George voltando à sua posição de ostracismo. Ainda há muito chão pela frente, e a maior parte da temporada ainda está por vir, de modo que o panorama ainda tem tudo para mudar, até mais do que se imagina, se lembrarmos que, no ano passado, Max Verstappen parecia completamente fora da briga pelo título, e a partir da Itália, o holandês começou uma escalada impressionante, enquanto a McLaren batia cabeça junto com seus pilotos, e quase perdeu o título de pilotos em Abu Dhabi, com Verstappen ficando apenas 2 pontos atrás de Lando Norris, que se sagrou enfim campeão.

Tal tipo de situação poderia ocorrer de novo? Talvez sim, talvez não. Pode ser que a situação mude após as férias de verão em agosto, ou talvez não. Em teoria, tudo pode acontecer, e tudo mudar, ou também nada mudar efetivamente. E, até lá, muita água vai rolar…

 

 

O calvário da Aston Martin segue firme na temporada. Os problemas associados ao chassi AMR26, a esta altura, já não podem ser elencados como a principal causa dos resultados ruins da escuderia britânica em termos de performance. A unidade de potência da Honda, que parou de apresentar problemas de vibração comprometedores referentes à estabilidade da integração chassi-motor, continua com um desempenho pífio, e a comparação mais direta é com a Cadillac, que possui uma unidade de potência respeitável – Ferrari, mas tem um carro comprovadamente fraco. Basta ver a comparação no traçado do Red Bull Ring, na Estíria, que possui apenas 4,326 Km de extensão, para sentir o “buraco” de performance: Sergio Perez, da Cadillac, largou em 19º, com o tempo de 1min08s945, enquanto Fernando Alonso, da Aston Martin, foi o 21º colocado, com o tempo de 1mon09s942, ou seja, praticamente 1s de diferença para Perez. Se formos especular quão ruins são os carros de ambos os times, mesmo sabendo que os dois projetos são diferentes, ainda assim dá para ver como os japoneses estão revivendo o inferno vivido de sua antiga parceria com a McLaren há uma década atrás, quando a escuderia de Woking, e contando na época também com Fernando Alonso, penava na parte de trás do grid, com os magros pontos conquistados soando como verdadeiras vitórias, e nos fazendo pensar que a McLaren seguiria o mesmo destino de outros times outrora vencedores do passado, que quando despencaram na competição, quase nunca mais se levantavam. Bem, a McLaren conseguiu dar a volta por cima, mas não com a Honda, que voltaram ao sucesso com a Red Bull. Mas o momento vivenciado pela Aston Martin e pela Honda é ainda pior, pois mesmo com as deficiências tanto do carro quanto da unidade de potência nipônica, alguns resultados surgiram aqui e ali, enquanto que, nesta temporada, a parceira até agora não conseguiu mostrar nada de positivo, muito menos marcar pontos… Um cenário tão desastroso como ninguém conseguiria imaginar ser possível, mas que acabou se tornando uma realidade tão dura que é realmente difícil de acreditar... Claro que na F-1 não há exatamente milagres, e imaginar que a Aston Martin iria “arrebentar” conjugando os talentos de Adrian Newey no projeto do carro, o talento ainda firme de Fernando Alonso, que fez dele bicampeão mundial, e ainda um dos melhores pilotos do grid, mesmo nessa idade, e a força potencial da Honda...

A Aston Martin continua se arrastando no grid e nas corridas, perdendo até para a novata Cadillac.

 

 

Mas, a Aston Martin tem um ponto na competição, marcado justamente por Fernando Alonso, na etapa de Mônaco, mas conquistado pela punição de Sergio Perez, que havia sido o 10º colocado na prova, de modo que, não fosse por isso, seria a Cadillac quem estaria com esse solitário ponto, e a Aston Martin seguiria completamente zerada. Está previsto um robusto pacote de atualizações da escuderia justamente para a etapa da Hungria, onde eles esperam ter literalmente um carro novo para competir, muito mais leve, e bem mais sofisticado e aprimorado, e com isso, quem sabe, conseguir deixar as últimas posições do grid. Mas, independente de qual for o resultado, a Aston Martin, infelizmente, já garantiu a posição de ser a maior decepção da temporada, pelo desastre de performance que está apresentando até aqui, e um dos maiores micos da história da categoria máxima do automobilismo mundial…

 

 

Enquanto a Hungria não chega, as expectativas são tenebrosas para o time inglês, pelo lance de termos, antes da prova em Budapeste, duas pistas velozes – Silverstone, e Spa-Francorchamps. O circuito inglês, onde não por acaso, tem justamente a sede da Aston Martin logo ali ao lado, pode não ser mais um circuito de velocidade pura como era antigamente, mas é um traçado que exige potência. E na Bélgica, deve ser ainda pior, porque se quem possui unidades de potência competitivas, como Mercedes, Ferrari, e Ford?RBPT, já estão manifestando preocupações com o gerenciamento de energia, em especial se formos considerar o longo traçado belga, o mais extenso da F-1, além claro, do trecho de alta velocidade compreendido entre a saída da La Source, até a freada da Les Combes, lá no alto da colina, no ponto mais alto do traçado, passando pela veloz Eau Rouge, seguida pela Raidillon, e a reta Kemmel, o panorama pode ser assustador para quem não tem potência, praticamente…

 

 

A Indycar disputa neste final de semana o GP de Mid-Ohio, no clássico circuito do Mid-Ohio Sports Car Course, em Lexington. Com 3,634 Km de extensão, a pista, mesmo contando com um trecho de alta velocidade em reta logo após a reta dos boxes, é de difícil ultrapassagem, de modo que largar na frente é mais do que fundamental para tentar a vitória, sem depender de complexas estratégias de box. Será que a concorrência conseguirá se aproximar mais de Álex Palou, da Ganassi, que continua seguindo firme rumo a mais um título? A conferir no domingo, com transmissão ao vivo da ESPN4, já que a Bandeirantes, inexplicavelmente, arriou e decidiu não transmitir a prova ao vivo...

sexta-feira, 17 de julho de 2026

ORIENTE MÉDIO DE NOVO NA BERLINDA

A pista de Portimão, em Portugal, pode retornar à F-1 este ano, substituindo uma das etapas do Oriente Médio, que está de novo em ebulição diante da retomada dos confrontos dos EUA e Israel contra o Irã.

            A retomada das hostilidades no Oriente Médio nos últimos dias voltou a complicar os planos da Fórmula 1 de tentar manter a todo custo a integridade de seu calendário para a temporada de 2026. Com as etapas do Bahrein e da Arábia Saudita “adiadas” oficialmente, e não canceladas na prática, a direção da FOM/Liberty Media procurava encontrar maneiras de reencaixar as duas corridas, mais para o fim do ano, aproveitando as viagens que, teoricamente, seriam feitas para as provas do Qatar e Abu Dhabi, encerrando a temporada. A expectativa era de que as animosidades, que vinham diminuindo, poderiam permitir não apenas as duas etapas finais programadas, mas conseguir conciliar também um possível reencaixe das duas provas “suspensas”. E com isso, manter os acordos comerciais e televisivos em sua integralidade.

            A volta dos conflitos, contudo, volta a comprometer todos os planos que vinham sendo cogitados, obrigado a Liberty Media a considerar mais seriamente o “plano B”, que seria substituir as etapas por outras provas. Neste aspecto, repetir circuitos ou adicionar pistas que já possuem classificação necessária na FIA para sediar provas da F-1 passaram a ser cogitados. Algumas, contudo, como Istambul, na Turquia, não poderiam ser utilizadas diante das obras de readequação que está passando para voltar a receber a categoria máxima do automobilismo em 2027. Portimão, e Ímola, por sua vez, também se cadidataram a receber novamente a competição. E, claro, foi aventada a possibilidade de fazer segundas corridas em Barcelona, por exemplo.

            O primeiro revés já foi sentido. O Bahrein, que podia ser encaixado logo após a prova em Baku, no Azerbaijão, que teria uma boa logística da viagem até Sakhir, e que depois seguiria para Singapura, já precisou ser cancelado oficialmente, diante da retomada dos conflitos, inviabilizando os planos de reencaixe da prova barenita no calendário. A corrida em Jeddah, na Arábia Saudita, em tese, ainda corre riscos menores, mas não inexistentes, por se localizar do outro lado do país, e não estar tão próxima da área do conflito no Golfo Pérsico, o que coloca em risco direto as provas justamente do Qatar e de Abu Dhabi, próximas ao Bahrein.

            O desafio da F-1 é motivado pelos contratos firmados: a categoria precisa entregar pelo menos 22 corridas para não sofrer reveses contratuais comerciais decorrentes dos acordos firmados com patrocinadores, emissoras de TV, e similares. Com o Bahrein oficialmente fora agora, e Arábia Saudita “suspensa” momentaneamente, o limite de corridas necessárias para manter os termos acertados já está no limite. Se Qatar e Abu Dhabi tiverem que ser canceladas pelos motivos de segurança, o número de corridas despenca para 20 provas, o que levará à necessidade de cumprir cláusulas de descumprimentos acertados, afetando os valores a serem recebidos, que seriam menores, e levaria a “prejuízos” para a Liberty, e consequente menor repasse para as escuderias da competição, além dos ganhos da FIA. Em tese, nada que vá significar o fim do mundo, mas claro que eles querem evitar essa situação ao máximo, e garantir o mínimo para seguirem recebendo os valores integrais.

Com a retomada dos confrontos no Oriente Médio, a prova em Losail, tanto da F-1, quanto de outras categorias, não deve mais ser realizada em 2026.

            Com a volta dos conflitos, a logística de transporte fica comprometida. Embora materiais como carros, pilotos e equipamentos sejam enviados por avião, que poderiam usar rotas mais seguras, parte do material, como os pneus, são enviados por navio, com preparação de meses de antecedência. E com o estreito de Ormuz bloqueado ou comprometido parcialmente, o transporte até o Qatar e Abu Dhabi está inviabilizado. Pode até ser feito, mas não há garantias de segurança suficientes para assumir o risco. Portanto, embora ainda não anunciado oficialmente, as provas em Losail e Yas Marina não deverão acontecer de fato. A FOM/Liberty apenas aguarda o momento mais propício para comunicar isso devidamente.

            A fim de cobrir a falta destas duas provas, a FOM/Liberty Media estaria considerando várias possibilidades, entre fazer uma rodada dupla em Las Vegas, prova bancada por ela própria, mas que deve ser inviabilizada pela relação complicada da cidade ter que manter a estrutura do GP por mais tempo, que já sofre crítica de muitos moradores locais, de modo que ela não queira arriscar o momento de boa convivência que conseguiu construir desde a primeira corrida, e até realizar novas corridas na Europa. Os times são contrários a repetir pistas também, então a opção de escolher pistas européias vem ganhando força. Mas o tempo urge, fora que a F-1 precisa convencer os autódromos a receber a competição, e isso não sai barato. Mesmo em caráter emergencial, a entidade que comanda a F-1 quer faturar, e resta saber se os preços ofertados para estes locais receberem a categoria máxima do automobilismo, mesmo a preço de ocasião, serão atrativos.

            Uma opção que não está sendo divulgada, mas pode ser levantada emergencialmente, em último caso, se as negociações fracassarem, é a própria FOM/Liberty Media assumir a promoção da corrida, cuidar dos aspectos promocionais, e realizar as provas, mesmo sob o risco de prejuízo, mas que seria consideravelmente menor do que ter de pagas as multas contratuais por descumprimento dos acordos comerciais vigentes firmados. Assim, a F-1 manteria o limite mínimo de corridas necessárias para manter os acordos, sem sofrer represálias financeiras, e mitigaria os efeitos deletérios de ter menos corridas. Os prejuízos podem ocorrer, mas podem ser absorvíveis pela entidade mais facilmente do que os pagamentos vultosos que os contratos comerciais certamente provocariam pelo número menor de corridas que seriam entregues.

            Sob este aspecto, Portimão, que já vem sendo considerada, e Paul Ricard, na França, embora não esteja sendo aventada, até o presente momento, se colocam como opções mais lógicas do ponto de estrutura técnica da pista, e acesso fácil às estruturas de transporte e logística. Localizadas junto ao Mediterrâneo, ambos os autódromos possuem clima mais ameno que boa parte da Europa, permitindo a viabilização das corridas sem sofrerem tanto com os rigores climáticos do fim de ano europeu.

            Outra possibilidade, com a confirmação do cancelamento oficial da prova do Bahrein, entre as etapas do Azerbaijão e Singapura, poderia ser uma nova corrida na Itália. Ímola, que esteve até recentemente na competição, poderia ser encaixado como opção emergencial. Ou até mesmo Mugello, onde a categoria correu em 2020, na pandemia, com pilotos e times gostando muito dos desafios da pista, que tem condições de receber a F-1. As dificuldades não são intransponíveis, e se precisar bancar a corrida, a FOM/Liberty tem condições de fazer isso. Conseguir encaixar uma prova em pistas italianas reduziria a pressão no fim da temporada, restando talvez apenas uma corrida tampão em Portimão para fechar o campeonato. A opção de Paul Ricard eu cito como algo possível, que pode até estar sendo considerada nos bastidores, sendo um circuito com capacidade para receber também a F-1, mas não sendo de conhecimento público, caso esteja sendo de fato aventada como uma possibilidade.

A GP de Abu Dhabi se acostumou a fechar a temporada da F-1, mas parece que este ano o evento foi para o vinagre...

            Cada escolha envolve dificuldades e oportunidades. A maior delas é organizar o evento, efetuar a venda de ingressos, e contratar a estrutura necessária. Tudo costuma ser planejado e contratado, arquitetado com bastante antecedência, mas não seria impossível. Mesmo a logística pode ser adaptada. E no caso de Las Vegas, voar de volta para a Europa, para potenciais provas substitutas, requer apenas uma mudança de rumo no transporte dos aviões, sendo que o tempo de trajeto da capital de Nevada até a Europa, seja Portimão, ou até mesmo Paul Ricard, é menor do que ir para o Oriente Médio, então, a data limite que a F-1 estipula para saber se poderá ou não ir para o Qatar e Abu Dhabi ainda lhe dá tempo razoável para suplantar estes desafios de promoção, montagem da corrida.

            E, claro, tem outro detalhe crucial: confiar se, em caso do clima amainar novamente, ver se a receptividade e confiança no clima ambiente da situação lhes permitirá arriscar manter as provas no Oriente Médio. Afinal, o clima vinha esfriando na região, até a situação esquentar novamente nestes últimos dias. A direção da F-1 pode se dar ao luxo de acreditar que, no prazo final, caso os acontecimentos apontem para uma normalização da situação, ela não vai degringolar novamente, no tempo até as corridas? Pelo sim, pelo não, talvez seja melhor confirmar mesmo provas substitutas na Europa, e evitar quaisquer outros riscos potenciais que uma eventual manutenção dos eventos, confiantes em dias mais calmos, possa sair novamente do controle esperado, em um momento onde não seja possível mais remediar a situação a tempo de efetuar a troca de local.

            O Mundial de Endurace, que também teria etapas no Oriente Médio, já definiu Monza e Barcelona como etapas substitutas, cujo anúncio oficial deve ocorrer ainda este mês. O WEC, por ter menos corridas que a F-1, tem mais flexibilidade de datas, embora também tenha de correr contra o tempo para efetuar os procedimentos de promoção e estruturação das corridas. Mas eles resolveram não esperar tanto quanto a F-1 para definir como resolver a situação, pelo visto. Na categoria máxima do automobilismo, contudo, o buraco é mais embaixo, e a solução, ou soluções consideradas estão na mesa, ou com opções ainda não levantadas, mas possivelmente consideradas para uso emergencial. Conforme a situação progrida, talvez tenhamos novidades antes do esperado. O jeito é simplesmente esperar para ver o que eles irão fazer a respeito...

 

 

A Fórmula 1 chegou a Spa-Francorchamps para o Grande Prêmio da Bélgica, na região das Ardenhas, e todos os times manifestam preocupações com o sistema de regeneração de energia, uma vez que a pista, a mais extensa do calendário da competição, tem longos trechos de retas e em aceleração plena, em especial o trecho La Source/Eau Rouge/Raidillon/Kemmel, primeiro em descida e depois em forte subida, onde os carros aplicam aceleração máxima dos motores. Ainda que a categoria tenha adotado certos detalhes que mitigaram as dificuldades, isso foi apenas parcial, e agora, com a categoria chegando a um local onde os propulsores serão exigidos fortemente no sentido de velocidade e potência, o gerenciamento pode ficar novamente comprometido, dependendo de como os pilotos conseguirem gerir a carga de seus sistemas elétricos. O trecho que cito representa nada menos do que cerca de aproximadamente 20 a 23s em aceleração máxima, mas não é o único desafio: ele começa em descida, após o grampo fechado da La Source, com os carros descendo para a Eau Rouge, e aí temos um verdadeiro paredão morro acima, em curva quase cega, onde os carros precisam chegar ao ponto mais alto do circuito belga, no fim da Kemmel, na freada da Les Combes. É o ponto mais usado para ultrapassagens, mas até chegar lá, temos um belo trecho de aceleração na Raidillon, logo a seguir à imensa subida da Eau Rouge. Dependendo do gerenciamento de energia, não vai ser difícil algum carro ficar sem carga antes mesmo do fim do trecho. Será preciso muita dosagem do uso da bateria, forçando o motor de combustão ao máximo, para se conseguir manter a velocidade neste trecho, e ao mesmo tempo em que tenta se ganhar posições com o uso da aerodinâmica ativa no trecho de reta no alto da colina. Mas quem conseguirá guardar energia para o ataque no trecho final, e ao mesmo tempo, não ficar vulnerável no primeiro trecho do setor?

Maior pista do calendário, Spa-Francorchamps será um grande desafio para os sistemas elétricos das unidades de potência dos F-1 atuais, em contar a presença da chuva no final de semana...

 

 

Embalada pela vitória em Silverstone, a Ferrari procura manter o otimismo para tentar surpreender a Mercedes em Spa, com uma nova configuração aerodinâmica onde espera tirar pelo menos 11 Km/h a mais nos trechos de reta, e tentar compensar sua desvantagem ainda patente de potência para a unidade da Mercedes. Com os problemas enfrentados por Andrea Kimi Antonelli na confiabilidade de seu carro nas últimas etapas, o panorama do campeonato pode ficar embolado se o italiano sofrer novo revés, ao mesmo tempo em que George Russell, apesar da vitória na Áustria, ainda não parece ter recuperado totalmente o favoritismo e a confiança. Pelo sim, pelo não, há outro componente que pode embaralhar completamente as possibilidades na prova belga: a chuva! Sim, o tradicional clima instável da região das Ardenhas pode aprontar, e a previsão para o fim de semana de GP é justamente de chuva, o que pode tanto ajudar quanto atrapalhar os planos de pilotos e escuderias com relação às estratégias de corrida e acerto dos carros, ainda mais se isso ocorrer de forma intermitente, e não contínua, como costuma ocorrer, sem mencionar o lance geográfico: como pista mais longa da F-1, há sempre o risco de chover apenas em determinada parte do circuito, não em sua totalidade, o que pode bagunçar completamente com as estratégias e o andamento dos treinos e corrida. A corrida terá transmissão ao vivo na TV aberta pela TV Globo, e pelo canal pago SporTV, com largada programada para as 10:00 Hrs. de domingo, pelo horário de Brasília.

 

 

A Indycar chega à pista oval de Nashville para mais uma disputa da temporada. Álex Palou ainda mantém uma liderança confortável na classificação, mas a concorrência tenta se animar para complicar a posição de liderança do piloto espanhol da Ganassi. A corrida tem largada programada para as 18:30 Hrs. Deste domingo, com transmissão ao vivo pela ESPN, e pelo sistema de streaming do Disney+. Logo após a decisão da Copa do Mundo de 2026.