quarta-feira, 4 de novembro de 2026

ANTONELLI ÀS PORTAS DE UM TÍTULO HISTÓRICO

Por problemas operacionais, está sendo publicada hoje a coluna da última sexta-feira, dia 30 de outubro, tal como foi fechada originalmente.

Promessa da Mercedes, Andrea Kimi Antonelli vem arrasando na temporada de 2026 da F-1, prestes a se tornar o mais jovem campeão da história.

 

A temporada de 2026 da Fórmula 1 está prestes a testemunhar uma das conquistas mais impressionantes de toda a sua história: a possibilidade de Andrea Kimi Antonelli conquistar seu primeiro campeonato mundial já neste final de semana, no Grande Prêmio da Cidade do México, com apenas 20 anos e em sua segunda temporada na categoria máxima do automobilismo. E isso não depende nem mesmo de ele vencer a corrida, subir ao pódio ou sequer terminar entre os cinco primeiros: basta terminar em nono lugar para assegurar matematicamente o título, independentemente do resultado dos adversários.

Diferentemente de Lewis Hamilton, que quase foi campeão em sua temporada de estréia, o que teria sido um resultado ainda mais incrível, o inglês também conquistou seu primeiro título em sua segunda temporada na competição, em 2008, mas em uma decisão dramática na última corrida, e por muito pouco. Antonelli, por outro lado, está perto de ser campeão com uma campanha incrível, e acima de qualquer dúvida, onde o jovem piloto italiano conseguiu se destacar sobremaneira sobre todos os demais pilotos do grid, e mesmo dispondo do melhor equipamento, despachou seu companheiro de equipe, George Russell, com uma facilidade que ninguém esperava praticamente.

Com 123 pontos de vantagem sobre Russell, o que equivale praticamente quase à pontuação máxima de cinco provas, só um desastre completo pode impedir que Andrea seja campeão, e mesmo assim, isso seria extremamente impossível de acontecer, mesmo na pior das hipóteses. Mesmo que ele abandonasse o GP, seria necessário que Russell vencesse a corrida, e mesmo assim, apenas adiaria a decisão para a corrida em São Paulo, em outro resultado amplamente favorável às chances de liquidar a fatura automaticamente na etapa brasileira, se não viesse a ocorrer na capital mexicana.

O problema é que Kimi, na temporada, não cometeu nenhum erro que comprometesse seus resultados em uma corrida, como por exemplo, envolver-se em um acidente, ou um problema de pilotagem que abalasse sua performance de modo contundente. Muito pelo contrário, o piloto da Mercedes demonstrou oportunidade de aproveitar as chances que se apresentaram em diversos GPs, mesmo quando aparentava estar fora da briga pela vitória, garantindo resultados importantes para a campanha do título. Ele só abandonou uma corrida no ano, em Barcelona, e por problemas mecânicos no seu carro, sem que ele tivesse qualquer culpa pelo ocorrido. Ele terminou a etapa da Inglaterra apenas em 15º, mas havia vencido a corrida Sprint no sábado, de modo que não saiu zerado do fim de semana. E, das 18 provas realizadas até aqui, Antonelli venceu 9, metade delas, a última em Austin, domingo passado, com mais uma atuação perfeita, da pole-position à bandeirada final, executando com perfeição sua estratégia de corrida, como convém a um campeão de destaque, mesmo que sua vantagem na classificação lhe permitisse correr por resultados, sem a necessidade de arriscar muito. Aliás, as chances do piloto ter encerrado a conquista na pista do Texas já eram muito favoráveis, de Lewis Hamilton e George Russell conquistaram apenas o mínimo necessário para adiar a decisão aqui para a pista da capital mexicana.

A pista do autódromo Hermanos Rodriguez deverá ver a decisão do título da temporada.

Na hipótese de termos as etapas finais do campeonato, com a corrida mexicana, teríamos 125 pontos em disputa, contra uma vantagem de 123 pontos de Antonelli sobre Russell, e 124 pontos à frente de Hamilton. Muito difícil que Andrea não conquiste os dois pontos que faltam para liquidar a fatura. Mas, claro, tudo pode ocorrer, só que mesmo que ele abandone a prova, ainda assim exigiria vitórias tanto de Russell quanto de Hamilton, e não dá para termos os dois vencendo, de modo que quem não triunfasse na corrida estaria fora da disputa. E, claro, temos também outros competidores, como Max Verstappen, que se não está na briga pelo título, embolou a disputa pelo vice-campeonato, e se tiver chance, não vai dar moleza.

Caso confirme o campeonato, Antonelli estabelecerá marcas especialmente relevantes na história da F-1. Ele se tornará o mais jovem campeão da história: aos 20 anos e 61 dias, e superaria o recorde de Sebastian Vettel, campeão de 2010 aos 23 anos e 134 dias. Seria também o primeiro italiano a ser campeão desde 1953, encerrando um intervalo de 73 anos desde o segundo título de Alberto Ascari. Ele igualaria os feitos de Jacques Villeneuve e Lewis Hamilton, campeões em suas segundas temporadas pelos times que estrearam na competição. Villeneuve, pela Wiliams, em 1997; e Hamilton pela McLaren, em 2008. E de ressaltar que, como eles, Antonelli estreou na competição por um time de ponta. Villeneuve defendeu a Williams, o melhor time à sua época, perdendo a disputa em 1996 para Damon Hill. Hamilton perdeu a disputa em 2007 para Kimi Raikkonen, da Ferrari, cometendo erros cruciais nas duas últimas provas do ano, depois de quase liquidar a fatura por antecipação.

Antonelli, no caso, poderá ser campeão com quatro provas de antecipação. Esse último aspecto merece atenção, porque embora o domínio de Antonelli tenha sido patente, ainda assim ele não superaria a marca de outros pilotos que conquistaram antecipadamente o título da F-1, onde os recordistas neste quesito são Michael Schumacher, em 2002; e Max Verstappen, em 2023, quando ambos asseguraram seus títulos com seis GPs de antecedência. Nigel Mansell, em 1992, também levou o título com cinco provas restantes no campeonato. Isso, claro, não desmerece em nada a conquista do piloto italiano, ainda mais porque ele se tornará o mais jovem campeão de toda a história da F-1, o que por si só, já merece um reconhecimento enorme pelo feito. E devemos lembrar que, na comparação com Villeneuve e Hamilton, seus respectivos times disputaram efetivamente o campeonato em suas temporadas de estréia dos dois pilotos na competição, mas no ano passado, quando Antonelli chegou à F-1, a Mercedes foi apenas figurante na disputa pelo título, que ficou entre McLaren e Red Bull.

Depois de virar coadjuvante de luxo nos últimos anos, a Mercedes voltará a ser campeã na F-1. George Russell era o grande favorito no início, mas perdeu o rumo durante a temporada de 2026.

            A Mercedes, depois de alguns anos sem ter a mesma força do domínio imposto entre 2014 e 2020, voltou a ser a equipe a ser batida, mas também não foi um massacre como poderia de se imaginar. McLaren, Ferrari, e Red Bull, venceram duas provas cada uma, o que mostra que a temporada não foi tão hegemônica assim dos carros alemães. Mas, não se pode menosprezar que, mesmo que não tenha sido tão acachapante, foi de fato um domínio, já que o time de Brackley venceu 12 das 18 corridas. Só que, deste domínio, apenas 3 vitórias foram contabilizadas por Russell, que todos imaginavam que, após o triunfo em Melbourne, na estréia do campeonato, fosse nadar de braçada rumo ao título do ano. Mas os problemas do inglês começaram logo na segunda corrida, na China, com o primeiro triunfo de Antonelli na temporada, e na F-1. E dali em diante, bem, o italiano sim, nadou de braçada rumo ao título, enquanto George passou de favorito a azarão do ano, mesmo dispondo do melhor carro da competição. E tendo vários percalços e azares, mas que não foram os únicos motivos de ele ter perdido o duelo. Em várias etapas, Russell de fato não guiou como poderia. O fato do companheiro italiano ter se adaptado melhor ao carro deste ano infelizmente pesou contra Russell, que várias vezes exibiu a mesma competência, fora os azares, como os abandonos em Montreal e Sepang, que foram um duro golpe no piloto.

            O que lhe resta agora é pelo menos brigar firme pelo vice-campeonato, em um momento onde Lewis Hamilton está em calcanhar, e junto vem Charles LeClerc e Max Verstappen, enquanto Antonelli se prepara para entrar para a história da F-1, e dos anais do automobilismo mundial com todos os méritos. Que venha o nascimento do mais novo campeão da F-1 em todos os tempos, portanto.

 

 

Sergio Perez disputa justamente em casa uma marca histórica em sua carreira: o GP da Cidade do México, é a 300ª prova de F-1 de “Checo”, que apesar dos altos e baixos, tem uma carreira até respeitável na categoria máxima do automobilismo, onde estreou em 2011 pela Sauber, atual Audi. Mesmo tendo chegado à competição pelos belos patrocínios mexicanos, Perez mostrou que não era um mero piloto pagante, conseguindo demonstrar muita capacidade na conservação do equipamento. Isso o levou à McLaren em 2013, em um momento onde o time de Woking começava a sofrer para se manter competitiva no grid, de modo que “Checo” não vingou na escuderia inglesa como se esperava. Ele conseguiu uma vaga na Force India, e ali se reencontrou, permanecendo na escuderia até 2020, quando acabou dispensado pela nova chefia e proprietária da equipe, que a transformaria na atual equipe Aston Martin. Mas, em 2020, Perez conquistaria uma vitória contundente no GP de Sakhir, no Bahrein. Isso acabou convencendo a Red Bull a contratar o mexicano, diante de desilusões com alguns dos pilotos que ela própria havia promovido à F-1. Checo não decepcionou, mas também não vingou como se imaginava. Ele conseguiu poles e vitórias, mas em proporções tremendamente modestas em um time onde tudo girava ao redor de Max Verstappen, e com uma concepção de carro cada vez mas arredia que apenas o holandês conseguia extrair potencial. Recentemente, Christian Horner, que chefiava a Red Bull naquele período, confirmou que o desenvolvimento do carro para Verstappen prejudicou deliberadamente Sergio, que acabou, dessa maneira, até injustamente demitido ao fim de 2024, ficando sem competir no ano passado. Resgatado pela Cadillac, o mais novo time da F-1, que precisava de nomes experientes para seu primeiro ano de empreitada na categoria máxima do automobilismo mundial, Perez retornou à F-1, ao lado de Valtteri Bottas, que também ficou sem lugar na competição em 2025. As dificuldades da Cadillac são patentes, sem que seus pilotos tenham conseguido pontuar até aqui, e até mesmo a fiabilidade do carro não é das melhores, com vários abandonos. Mas, em termos comparativos, Sergio Perez vem mostrando muito mais desempenho que Valtteri Bottas, sendo que o finlandês, em tese garantido para 2027, pode muito bem estar disputando seus últimos GPs de F-1 nesta temporada, com a possibilidade do time promover Colton Herta à posição de titular, enquanto Sergio já teve confirmada até a renovação de seu contrato com a escuderia estadunidense até 2029, ou seja, Perez terá mais três temporadas pela frente, em teoria. A direção da escuderia exalta o bom trabalho do mexicano, que tem se mostrado muito confiante, e ajudando todos a encontrarem o melhor caminho possível diante das limitações do time no presente momento. Isso resgata a imagem que o mexicano havia promovido quando defendeu a Sauber, e posteriormente, a Force India, e parece que ele agora está replicando situação similar na Cadillac. O anúncio, feito às vésperas do seu GP caseiro, dá um sentido muito mais comemorativo à marca de 300 GPs disputados pelo piloto mexicano, que irá comemorar não apenas esta marca significativa de corridas disputadas, como a extensão de sua carreira até o fim da atual década, e diante de sua própria torcida. O piloto mexicano adiantou que pretende se aposentar da F-1 ao fim da temporada de 2029, ao cumprir o contrato com a Cadillac, mas se o time começar a obter sucesso, que sabe ele se anime e resolva continuar? Ainda é cedo para especular qualquer coisa, até porque até lá, a Cadillac pretende estrear sua própria unidade de potência, e ninguém sabe ainda se ela será adequadamente competitiva no grid, para não falar de quanto tempo ela irá durar, diante das discussões levadas a ferro e fogo da FIA para trazer de volta as unidades V-8 à competição...

Sergio Perez completa 300 GPs de F-1 em casa, e tem contrato renovado até 2029 com a equipe Cadillac.

 

 

A situação no Oriente Médio segue incerta, mas a F-1 parece teimar em forçar a barra, ao dizer que as provas do Qatar e Abu Dhabi serão realizadas. Mas os recentes ataques dos Houthis ao aeroporto da capital Riad, na Arábia Saudita, mostra que o problema não fica restrito à troca de agressões entre o Irã e Israel e Estados Unidos. O grupo sediado no Yêmem já mantém há anos ligações com o regime teocrático iraniano, e por meio dele, se tornou um grupo perigoso em seu próprio país, o Yêmem, como para o Mar Vermelho, além de criar hostilidades com a Arábia Saudita, e Israel, a mando de Teerã. E a Arábia Saudita está escalando seu confronto com o grupo do Yêmem por razões próprias de segurança. Isso reforça o clima de instabilidade e insegurança, ainda que, no presente momento, muitas atividades na região tenham se normalizado. O problema é que um evento esportivo amplamente conhecido pode ser mote de um ataque para potencializar a ameaça que tanto os Houthis quando o regime teocrático iraniano querem fazer a quem se atreve a enfrentá-los. E os riscos podem ficar tremendamente altos. Diferente da F-1, alguns outros certames preferiram não pagar para ver aonde isso vai dar. O Mundial de Endurance (WEC) cancelou suas corridas na região. O Rali da Arábia Saudita foi cancelado, etapa válida pelo Mundial de Rali. E o Dakar, o mais famoso rali do mundo, que nos últimos anos estava sendo realizado no país saudita, já anunciou que não disputará a prova em 2027 em terras sauditas, anunciando que ele será realizado em outro lugar, que acabou de ser divulgado, entre Espanha e norte da África, como era antigamente. A MotoGP enfrenta insatisfação de vários pilotos, que já assinaram um abaixo assinado para se recusarem a ir a Losail, de modo que, até o presente momento, não se sabe se a prova do Qatar, programada para 8 de novembro, será ou não realizada. A F-E também está na berlinda, pois o calendário que abre a nova era dos carros Gen4 programou o início para dezembro, em uma rodada dupla em Jeddah, e tudo fica agora em aberto, se a corrida terá condições ou não de ser realizada. A F-1, com tudo, parece confiar na sorte de que poderá realizar ambas as corridas, que serão as últimas do campeonato, mas o tempo segue seu curso, e em algum momento, será preciso decidir se resolverão arriscar, ou não, e enfrentar as consequências, caso o pior ocorra. Mas alguns certames e eventos resolveram mostrar mais bom senso do que a F-1, enquanto a MotoGP tem um impasse nas mãos a resolver ainda mais breve.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – OUTUBRO DE 2026


Estamos chegando ao final do mês de outubro, e logo chegaremos a novembro, faltando apenas dois meses para encerrar 2026, em um ritmo que nem parece que já se passou dez meses desde que o ano começou. Portanto, como de costume todo final de mês, lá vamos nós para mais uma edição da Cotação Automobilística, com uma avaliação de alguns dos principais acontecimentos e nomes do mundo da velocidade neste mês de outubro, com alguns comentários, e sempre no tradicional esquema já conhecido de sempre: EM ALTA (cor verde); NA MESMA (cor azul); e EM BAIXA (cor vermelha). Uma boa leitura a todos, e até a próxima Cotação Automobilística, no próximo mês de novembro, com as avaliações dos acontecimentos do mundo da velocidade deste próximo mês. Até lá, e cuidem-se bem...

 

EM ALTA:

 

Max Verstappen: Atualizações no carro da Red Bull recolocaram Max Verstappen no caminho das vitórias na temporada 2026 da F-1, com dois triunfos decididos em Sepang e Singapura, e se o título está fora de cogitação pelo domínio de Antonelli, brigar pelo vice está cada vez mais dentro da realidade, uma vez que os rivais estão embolados, e o holandês chegou rapidamente nesta briga. Vice-campeão em 2025, tendo perdido o título por meros dois pontos, e terminar novamente como vice-campeão este ano, mostraria o nível não apenas de Verstappen, mas também da Red Bull, que parece estar conseguindo mostrar que manteve sua excelência técnica de engenharia mesmo depois de perder Adrian Newey, sendo o primeiro time que tem conseguido se manter competitivo após a perda daquele que é considerado o mais genial projetista da categoria nas últimas décadas. Verstappen ainda reclama de muitas coisas no carro, indicando que nem tudo está essa maravilha que parece, mas é inegável que, com um carro mais competitivo, o holandês vem vindo para atropelar os rivais, tendo garantido um pódio também nos Estados Unidos, e pronto para brigar firme pelo vice-campeonato, e terminar o ano com a moral em alta, e voltar com tudo para uma nova disputa de título efetiva em 2027.

 

Andrea Kimi Antonelli: O piloto italiano está prestes a conquistar o título da F-1, e tornar-se o mais jovem campeão da história da categoria máxima do automobilismo. Depois de algumas corridas onde não teve carro para vencer, mesmo assim Andrea conseguiu resultados importantes para não apenas manter, mas até aumentar a vantagem na classificação do campeonato, enquanto George Russell não conseguiu capitalizar esse momento, muito pelo contrário, até como o que ocorreu em Austin, onde o piloto inglês, além de não acompanhar o ritmo do colega italiano da Mercedes, que largou na pole, mal conseguiu brigar sequer pelo pódio, ainda sofrendo uma punição que dificultou ainda mais as coisas para ele. E com uma exibição impecável nos Estados Unidos, Antonelli retomou, mais do que nunca, a condição de favorito ao título, podendo liquidar a fatura já no próximo final de semana, na Cidade do México, precisando de apenas mais 2 pontos para liquidar matematicamente a conquista, e levar à Mercedes de volta ao topo da F-1 após alguns anos, e justificando a confiança de Toto Wolf no jovem a ponto de tê-lo promovido diretamente para o time de fábrica da marca das três pontas no ano passado.

 

Rafael Câmara: O piloto brasileiro, líder da F-2, garantiu sua subida à F-1 na temporada de 2027 na equipe Haas. Contando com uma boa preparação garantida pela Academia de Pilotos da Ferrari, da qual faz parte, Rafael, contudo, fez por merecer a contratação, impressionando o staff técnico e direcional da equipe de Gene Haas, inclusive o próprio dono da escuderia, para confirmar sua contratação pelo time para o próximo ano, onde terá como companheiro de time Oliver Bearman, que pode ter no brasileiro uma possível pedra no sapato visando a temporada de 2028, em vistas de uma possível promoção para a equipe Ferrari, se Lewis Hamilton pendurar o capacete. Mas Câmara prefere não criar maiores expectativas, e concentrar-se em fazer uma temporada de estréia competente em 2027, até diante das capacidades de performance da Haas, que costuma oscilar no pelotão intermediário, a exemplo do que vem acontecendo este ano. Então, o que tem a comemorar é a promoção para a F-1, e tal como fez Gabriel Bortoleto em 2025, fazer uma boa temporada de estréia, e mostrar que merece estar lá de fato.

 

Marc Márquez: Contrariando boa parte das expectativas, a “Formiga Atômica” chegou à liderança do campeonato da MotoGP, e brigando firme pelo oitavo título na classe rainha do motociclismo. O feito de Marc impressiona pelo fato de ter conseguido tirar, na fase mais baixa de sua posição no campeonato, mais de 100 pontos de desvantagem, com vitórias firmes, enquanto a Aprilia se enrolou sozinha, com erros de seus pilotos e de si mesma. Jorge Martin estava conseguindo controlar a situação, mas sem muita margem de segurança, e a queda em Phillip Island, na corrida sprint, sofrendo lesão em um dos braços, só complica a situação do campeão de 2024, e facilitando as coisas para o piloto da Ducati, que parece ser o único que está conseguindo levar a Desmosédici do time de fábrica a brigar por vitórias e o título, até então improvável após um início arrasador da Aprilia e de Marco Bezzecchi. Mas o italiano despencou em algumas corridas, e com algumas provas de excelência, Márquez subiu de maneira impecável, e agora se torna o favorito para levar mais um título na competição, prestes a adicionar mais uma conquista em sua já notável carreira no automobilismo mundial.

 

Diogo Moreira: Fazendo uma boa temporada para um piloto estreante na classe rainha do motociclismo, o piloto brasileiro enfim ganha a merecida promoção para o time de fábrica da Honda, onde dividirá a escuderia da marca da asa dourada com Fabio Quartararo. Uma promoção lógica, diante de já ter a temporada deste ano de experiência na competição, quando se aventou a possibilidade de a HRC colocar David Alonso, um completo novato, e que não vem fazendo exatamente a melhor performance na Moto2 este ano, de estrear pelo time principal como se parecia sugerir semanas atrás. Alonso agora ocupará o lugar de Diogo na LCR, onde poderá fazer uma estréia mais tranquila, e sem tantas cobranças, enquanto Moreira recebe o devido reconhecimento pela boa temporada que vem fazendo na competição, onde sim, também teve alguns erros, mas também mostrou desempenho e capacidade, mesmo quando os resultados não apareceram devidamente. E o Brasil volta a ter um piloto em um time de fábrica na MotoGP, desde Alexandre Barros, há duas décadas atrás, quando ele também defendia justamente o time de fábrica da Honda. O fato de Diogo também ter feito um excelente teste com a nova moto de 850cc que será utilizada ano que vem também pesou na decisão, mostrando a capacidade de Moreira de ser veloz com o novo equipamento, que pode fazer a Honda voltar a disputar posições mais destacadas nas corridas.

 

 

 

NA MESMA:

 

Ferrari: O time italiano voltou a mostrar força nas últimas corridas, mas parece não conseguir potencializar as oportunidades, ou deixar de enfrentar percalços referentes às próprias limitações técnicas, ora indo bem nos treinos, ora não conseguindo converter isso em performances mais ideais nas corridas. Se por um lado a McLaren deixou de ser uma ameaça que podia “engolir” a dupla ferrarista no campeonato, agora o problema é ascenção de Max Verstappen, que com duas vitórias, não apenas entrou na briga pelo vice-campeonato da temporada, como ameaça eclipsar Lewis Hamilton e Charles LeClerc. Fora isso, LeClerc parece ter começado a brigar exageradamente mais contra Hamilton, temendo ficar atrás do heptacampeão no fim da temporada, do que propriamente brigar mais à frente. E Hamilton, claro, também tem cometido seus erros, que mesmo não sendo o único, faz com que o inglês perca parte do favoritismo que estava demonstrando dentro da escuderia, com o monegasco se aproximando perigosamente na pontuação. Resta esperar que o time italiano consiga maximizar o seu potencial devidamente, para pelo menos ser vice-campeão com todos os méritos, o que não é depreciar o time, mas também não é relevar que poderia ter ido melhor no ano em vários aspectos, que precisará corrigir para tentar vir melhor em 2027.

 

Situação no Oriente Médio: A F-1 insiste que vai realizar as provas no Oriente Médio, em Losail e Abu Dhabi, ainda que diga que está monitorando a situação, mas a situação recente por lá inspira cuidados. A MotoGP já está com movimento de pilotos se recusando a ir para o Qatar, e o bombardeio dos Houthis ao aeroporto de Riad, capital da Arábia Saudita, mostra que o confronto agora pode escalar em outra frente, que é o reino saudita intensificar seus confrontos com o grupo de malucos sediado no Iêmen, por motivos de segurança própria mais do que válidos. Tendo conseguido “quebrar o galho” com a prova do Bahrein sendo realizada em Sepang, teoricamente a F-1 pode conseguir completar a temporada transferindo o que seria a corrida final em Abu Dhabi para Ímola, que já estaria sendo preparada emergencialmente para essa eventualidade, mas até ordem em contrário, é manter as corridas no Qatar e nos Emirados Árabes Unidos, tentando mostrar uma normalidade que, mesmo aparente, pode vir a ser comprometida de última hora. Resta saber até onde a F-1 vai manter sua queda de braço com esta situação.

 

Honda e Aston Martin: Mesmo com as atualizações permitidas pelo regulamento, a situação da equipe Aston Martin ainda não é das melhores. Houve uma melhora da performance, claro, mas diante dos avanços dos outros times, a equipe de Silverstone sente que o progresso tem sido insuficiente, e a unidade de potência nipônica continua deficiente, mesmo com a melhoria da performance, que segundo a escuderia e os pilotos, teria feito a pilotagem do bólido ficar mais instável, como no início da temporada, mostrando que, na prática, o time meio que voltou à estaca zero. E, claro, isso coloca pressão nos japoneses para tentarem uma recuperação no ano que vem, muito pela declaração de que, se não forem obtidos progressos, a Aston Martin pode considerar trocar de fornecedor de motor, o que seria algo desastroso para a Honda. Já se especulou que o time inglês poderia ir buscar fornecimento dos propulsores Ford/RBPT, mas a equipe de Milton Keynes disse não ter sido contatada neste sentido. E aí, as opções ficam menores, porque uma volta à Mercedes seria complicado pela marca já ter 4 times no grid, a Ferrari tem 3. Poderia sobrar um acordo com a Audi, mas isso é mera especulação. De qualquer maneira, a situação segue nebulosa no time esmeralda para 2028, enquanto torce para tudo dar certo, ou o mínimo errado possível em 2027.

 

Sergio Perez: a temporada do piloto mexicano não tem sido das mais auspiciosas em termos de resultados com a novata Cadillac, o que não significa que ele não tem mostrado serviço. O carro é inferior a praticamente todos do grid, e tanto Sergio quanto Valtteri Bottas tem feito o possível. O finlandês, contudo, tem ficado devendo no confronto, raras vezes andando à frente do mexicano. A Cadillac, contudo, já deu, por isso mesmo, seu voto de confiança a Perez, anunciando esta semana a renovação de seu contrato por mais um ano, demonstrando consciência do trabalho a ser feito, e que Sergio tem dado o seu melhor, algo confirmado pelo CEO da equipe, Dan Towriss, e também pelo chefe da General Motors para o projeto de F-1, Mark Reuss. Ambos confirmaram as dificuldades de um time novato na categoria máxima do automobilismo, e reforçaram a importância de “Checo” para o projeto de competição. O novo contrato, claro, dizem que é plurianual. Mas não deixa de ser uma vitória para Perez, espinafrado da Red Bull até certo ponto injustamente, e que agora busca voltar a ter protagonismo n a F-1 comandando um time estreante que está longe de proporcionar um carro devidamente merecido ao mexicano.

 

Calendário da Indycar: Quem esperava por novidades da categoria de monopostos dos Estados Unidos referente à temporada de 2027 até teve motivos para celebrar, mas moderadamente. Se a categoria surpreendeu pelo anúncio de uma corrida na pista de Barcelona, por outro lado, o campeonato continua com o mesmo número de corridas, espremidas entre cerca de seis meses de competição, entre o início de março, e o início de setembro, com várias etapas em fins de semana consecutivos, que mais uma vez provocarão grande desgaste aos mecânicos das escuderias. Se a ausência da corrida de Washington, tida desde sempre como um evento excepcional, não surpreende, a saída do oval de Nashville foi sentida pelo fato de a categoria ficar novamente com poucas pistas ovais, ficando apenas Phoenix, Milwaukee, Saint Louis, e claro, Indianápolis. As expectativas sobre correr no México, e talvez, no Brasil, mais uma vez não se confirmaram, adiando o sonho possivelmente para 2028, se não for adiado ainda mais para adiante. A categoria continua com receio de competir com outros eventos esportivos, em especial a NFL, o que faz com que termine a temporada precocemente no início de setembro. Bem, é o que temos para o momento, e mais uma expectativa frustrada de quando a Penske se tornou dona da competição, esperando dias melhores e mais ousados.

 

 

 

EM BAIXA:

 

George Russell: O piloto inglês já estava com baixas chances de voltar à briga pelo título em 2026. Mesmo a vitória competente no Azerbaijão não mudou muito isso, embora pudesse significar uma reação que certamente poderia impulsionar George a uma recuperação onde conquistasse plenamente o vice-campeonato. Mas, o abandono em Sepang, as punições em Singapura e Austin, não apenas confirmaram a fazer mais baixos que altos, como agora deixam o inglês da Mercedes numa situação ainda mais perigosa: perder até mesmo o vice-campeonato na competição na temporada. Após o fim da prova dos Estados Unidos, Russell mantém a vice-liderança por apenas 1 ponto à frente de Lewis Hamilton, que por sua vez, traz junto Max Verstappen e Charles LeClerc, de modo que, se não reagir adequadamente, George pode cair para a 5ª posição no campeonato, ou na pior das hipóteses, ser superado até por Lando Norris, mesmo estando 31 pontos à frente do campeão mundial de 2025. Toto Wolf tem saído em defesa do inglês, mas é preciso vencer a fase do azar, e o problema é que quando o azar bate em cima, mesmo o piloto mais talentoso pode não ser capaz de vencer a fase. Russell vai precisar pelo menos torcer para que o azar passe, de modo que ele possa tentar recuperar um pouco da dignidade de perder o campeonato para o companheiro de equipe, e nem conseguir ficar logo atrás dele no campeonato, diante de ter o melhor carro da competição...

 

Aprilia na luta pelo título da MotoGP: A equipe de Noale está vivenciando na reta final da temporada o que todos imaginavam que ocorreria de fato quando a temporada 2026 da MotoGP começou, que seria questão de tempo até a Ducati e Marc Márquez, retomarem o controle, e rumarem rumo ao título da competição. Mas não foi tão fácil assim como se imagina, e a Aprilia, se teve os percalços em diversas provas, por outro lado perdeu pontos preciosos pelos erros de seus pilotos. Marco Bezzecchi, por exemplo, por agredir um fiscal, tomou um gancho de uma corrida, perdendo chance de conquistar pontos importantes que estão fazendo falta agora, além de ter tido alguns outros percalços. Jorge Martin também teve lá seus problemas e azares, e a queda sofrida na prova sprint em Phillip Island pode ter definido o mundial a favor de Marc Márquez. Apesar dos altos e baixos, a Aprilia ainda é uma moto competitiva, de modo que a disputa, que muitos achavam improvável, está se estendendo até o fim da temporada, com uma chance inédita para a marca de Noale ser campeã. O problema é que as circunstâncias e seus pilotos não estão conseguindo aproveitar devidamente a situação, e a melhor chance desde que a marca chegou à classe rainha do motociclismo pode ser perder… E sem saber se haverá outra tão favorável no curto prazo futuro...

 

Dakar 2027: O maior rali do mundo já comunicou oficialmente que não será realizado na Arábia Saudita, seu novo oásis financeiro nos últimos anos, depois dos problemas dos atentados dos Houthis ao território saudita nas últimas semanas. Com o governo de Riad incapaz de conseguir prometer a segurança necessária para a competição off-road, foi anunciado que o rali retornará à Arábia Saudita em 2028, o que, claro, dependerá de como a situação estará até lá, e prometendo que, sim a edição de 2027 vai acontecer, mas agora em novo local a ser anunciado brevemente. Problemas à parte, pelo menos a direção do Dakar tenta ser realista, ainda mais por se tratar de uma competição off-road no meio do deserto, onde tudo já é naturalmente complicado, não precisando ainda ter os problemas de um conflito que pode colocar todos em perigo inesperadamente, portanto, foram sóbrios em cancelar a prova em terras sauditas, e procurar agora novos locais para a competição ocorrer. A prova já é perigosa por si própria, com os pilotos tendo de superar terrenos e condições por vezes adversa, sempre ocorrendo acidentes e problemas dos mais variados sendo que, por ser uma competição off-road, sempre há chance de um desastre potencial ocorrer. Mudar o local da competição é o mais sensato de lógico a fazer, e pelo menos, não ficaram enrolando mais do que o necessário para resolver isso...

 

Colton Herta: o piloto californiano já declarou que não fará uma segunda temporada na F-2, e já começou tratativas para disputar a Indy500 em 2027, em um possível carro extra da Andretti, que por enquanto, está com seu trio titular confirmado pelos próximos dois anos. A Cadillac, por sua vez, parece manter os planos de fazer Herta competir em seu time na F-1, e diante da performance inferior de Bottas perante Sergio Perez, e a indefinição do time em anunciar a dupla titular completa do próximo ano, com apenas Perez renovado oficialmente, jogam mais lenha na fogueira a respeito de uma possível promoção de Herta, que poderia, no mínimo, ser piloto reserva e de testes, como já é, visando a promoção efetiva em 2028, mas ainda sem saber o que fará em 2027, mesmo tendo anunciado que tentará o IMSA, a categoria de endurance dos Estados Unidos. Pelo visto, o sonho de chegar à F-1 não morreu, mas perdeu parte do brilho inicial, e mostrando que os bons desempenhos do piloto na Indycar não o prepararam adequadamente para conseguir condições melhores na F-2, mesmo relativizando problemas de competitividade do time que defendeu na competição.

 

Equipe Williams: o time de Grove continua tendo uma temporada lastimável, sem conseguir resultados e mesmo performances consistentes, tendo apenas alguns brilhos eventuais aqui e ali que lhe permitiram sonhar com alguns pontos conquistados. Falava-se que, nos tempos em que Claire Williams comandou o time, que sua gestão não era das melhores, e isso, em si, nunca foi mentira. Só que está parecendo que ter uma administração eficiente tem sido mais difícil do que se esperava, e depois de um ano promissor em 2025, as apostas no projeto de 2026, sob o novo regulamento técnico, para tentar dar um passo adiante, acabou resultando em três passos para trás, pelo menos, obrigando o time a se arrastar na maior parte da temporada, e pensar em tentar se recuperar em 2027. O problema é que sempre pensam em dar a volta por cima no ano seguinte, e até agora, isso tem gerado mais expectativas do que resultados positivos propriamente. Mas, vai que desta vez...