OBS: Esta é a coluna do dia 03 de julho, que devido a problemas diversos, não pôde ser publicada naquele dia, mas trago agora, tal como foi escrita, ainda que alguns fatos já possam estar defasados. Boa leitura a todos.
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| George Russell: voltando a vencer na F-1 2026... |
Depois de ter vencido somente a etapa inicial da temporada 2026, eis que George Russell “renasceu” em Zeltweg para obter sua segunda vitória na competição, e quem sabe, dar início a uma “reação” perante Andrea Kimi Antonelli, seu companheiro de equipe, que desde a etapa da China, a segunda do campeonato, simplesmente deixou o inglês comendo poeira dentro da equipe da Mercedes. É uma reação bem-vinda, embora ainda tímida, visto que o piloto italiano ainda mantém uma dianteira expressiva sobre Russell, com uma vantagem de nada menos do que 40 pontos na classificação, o que indica que Andrea poderia abandonar uma corrida, e mesmo que George vencesse, ainda assim estaria ainda liderando o campeonato.
Mas é claro que, diante do que vinha acontecendo, é benéfico para o campeonato que George esboce uma reação. Algo que acabou facilitado também pelo abandono de Antonelli na etapa de Barcelona, no que foi o seu primeiro abandono na temporada até aqui, ajudando a equilibrar um pouco a disputa, afinal, Russell já tinha um abandono, no Canadá, quando estava brigando pela vitória, entregando de mão beijada mais um triunfo ao companheiro de time italiano. O problema é que, em Barcelona, Russell não conseguiu capitalizar da mesma maneira: o inglês foi 2º colocado, enquanto a vitória foi de Lewis Hamilton, de modo que Russell perdeu a chance de tirar pelo menos mais 8 pontos. O alento foi que, até Antonelli abandonar, ele vinha à frente de George, mais uma vez, de modo que, não fosse o abandono, o prejuízo a descontar seria ainda maior para o inglês, de modo que isso diminuiria até o efeito prático da última corrida, ainda que importante. Como Andrea ficou a pé na Catalunha, a recuperação de Russell ganhou um pouco mais de tração, importante para diminuir a desvantagem, que como se vê, ainda continua considerável, mesmo com o triunfo na etapa austríaca.
Na Áustria, George enfim bateu Antonelli, tanto na classificação, quanto na corrida. O ponto positivo foi que Max Verstappen, salvando a honra da Red Bull com uma grande performance na casa da fabricante austríaca de energéticos, foi o 2º colocado, e Antonelli não conseguiu dobrar o tetracampeão holandês, sempre um osso duro quando o assunto é defender posição, de modo que, assim, Russell conseguiu tirar 10 pontos de sua desvantagem, de modo que, aliado aos 18 pontos obtidos em Barcelona, foram 28 pontos importantíssimos para o inglês amaciar o ego ferido de estar sendo superado por um garoto de 19 anos, quando ele esperava estar ditando os rumos da competição, por ser o “veterano” da equipe, tal como havia feito no ano passado, quando Antonelli fez sua estréia e, claro, sofreu as dores do noviciado na competição.
Mas, com a estréia do novo regulamento técnico, Antonelli parece ter se dado melhor com os novos carros, o que não significa que Russell esteja exatamente ruim assim. Mas é inegável que o inglês levou um baque forte, não exatamente pelos problemas que veio tendo na competição, que certamente facilitaram, mas não justificam toda a diferença de resultados que vimos até aqui. Antonelli está surpreendendo de forma incrível, e vimos Russell se mostrando deixar ser afetado por isso, com vários momentos onde sua pilotagem não rendeu como se esperaria de alguém que conseguia andar no ritmo de Lewis Hamilton e até de superá-lo, mas que, já naqueles momentos, mostrava ficar meio alterado quando perdia para o heptacampeão. E, se isso já acontecia com Russell, que sabia estar enfrentando um adversário talentoso dentro do próprio time, mas veterano, e que já conhecia todos os “macetes” da competição, com ele ocupando a posição natural de “nova geração” e “desafiante” do status quo que Hamilton tinha dentro da Mercedes, nada mais natural que, diante da contratação de um rapaz novo, como Antonelli, Russell tenha sentido agora um impacto muito maior, e pior, do que quando era superado por Hamilton.

Depois da vitória em Barcelona, a Ferrari decepcionou na Áustria.
O que deveria ser a grande chance de Russell: a oportunidade de ser campeão, com a Mercedes voltando a ter o melhor carro da competição, está sendo dinamitada pela ascenção fulminante de Antonelli na atual temporada, algo que Russell, na temporada passada, certamente nem imaginava que iria ocorrer este ano, ou talvez, não imaginasse um duelo com tal envergadura. No ano passado, o inglês, com a saída de Lewis Hamilton para a Ferrari, exerceu o papel de destaque da Mercedes com naturalidade, diante da inexperiência de Antonelli, recém-chegado à F-1. Só que o panorama de 2026 virou completamente, e ninguém imaginava isso, e claro, menos ele.
O novo triunfo de George Russell, contudo, não passa do primeiro passo, obrigatório, para ele tentar voltar ao jogo da disputa. Ainda há um déficit de 40 pontos para Antonelli, e mais do que nunca, não se pode contar com eventuais azares do italiano. George tem que voltar a dar as cartas na pista, e se possível, esperar que os concorrentes se interponham entre ele e Andrea, como ocorreu na Áustria. A sorte de Antonelli foi que, diferente de Barcelona, desta vez as Ferraris não conseguiram mostrar a mesma desenvoltura na pista da Estíria: Hamilton foi apenas o 5º colocado, enquanto Charles LeClerc, o 8º.
O que deveria ser um campeonato fácil para a Mercedes, contudo, começa a mostrar algumas potenciais “rachaduras” na blindagem do time alemão. O modelo W17 é incontestavelmente o melhor carro da competição, mas embora ainda tenha uma vantagem de performance firme, a aproximação dos rivais, mesmo inconstante, parece ter encontrado um rival inesperado: a confiabilidade. Ninguém está surpresa das novas regras técnicas terem tornado o novo panorama da categoria tão complexo que o índice de quebras aumentou significativamente neste campeonato. Mas a Mercedes sempre se caracterizou por um índice de fiabilidade exemplar, onde seus pilotos abandonavam mais por incidentes ou percalços de competição, do que por problemas nos carros. George Russell e Andrea Kimi Antonelli já tiveram um abandono nada um, e por circunstâncias completamente alheias aos pilotos, que nada de anormal fizeram para as quebras ocorrerem. Isso significa que os carros “inquebráveis” de Brackley parecem não estar assim tão “inquebráveis” este ano, o que deixa no ar a dúvida se novas quebras não virão a ocorrer, dependendo do andar do campeonato.

Max Verstappen subiu ao pódio na casa da Red Bull, mas o desempenho continua inconstante, irritando o tetracampeão holandês.
Só que os concorrentes também não conseguem
mostrar estarem exatamente melhores. McLaren e Red Bull que o digam. O time de
Woking ficou totalmente de fora da prova da China com problemas em seus dois
carros antes mesmo de alinharem no grid. E o time dos energéticos, em seu
primeiro projeto totalmente sem o dedo do mago das pranchetas, Adrian Newey,
vem tendo um festival de altos e baixos onde ora o time consegue andar bem,
como Verstappen fez em Zeltweg, ora entra em parafuso. A Ferrari é o time mais
constante: Lewis Hamilton terminou todas as corridas até aqui, mas Charles
LeClerc já ficou zerado em duas etapas, e a Ferrari, apesar de ser a ameaça
“mais próxima”, não está em posição de desafiar abertamente a Mercedes como
seria necessário. O resultado de Barcelona foi alentador, por significar a
primeira “derrota” da Mercedes em uma corrida de fato no ano, mas como vimos, o
time italiano não conseguiu repetir a proeza na Áustria, indicando que o
resultado ainda é ocasional, não a rotina. Por isso mesmo, o entusiasmo
demonstrado após a vitória de Hamilton na Catalunha é tratado com parcimônia
pela direção da equipe de Maranello: importante, mas ainda longe da realidade
necessária pra esperar que o time italiano brigue efetivamente pelo título,
como se espera.
E não há garantias de que a Mercedes continue sofrendo com problemas de confiabilidade, com o time alemão sanando seus problemas, da mesma maneira que os rivais potenciais também não terão o mesmo problema persistindo, ou corrigindo-o
Ainda é cedo para afirmar que Russell vai voltar efetivamente à disputa, ou se o que vimos na Áustria foi um momento de desempenho superior ocasional. Antonelli pode voltar a deslanchar nas próximas etapas, com George voltando à sua posição de ostracismo. Ainda há muito chão pela frente, e a maior parte da temporada ainda está por vir, de modo que o panorama ainda tem tudo para mudar, até mais do que se imagina, se lembrarmos que, no ano passado, Max Verstappen parecia completamente fora da briga pelo título, e a partir da Itália, o holandês começou uma escalada impressionante, enquanto a McLaren batia cabeça junto com seus pilotos, e quase perdeu o título de pilotos em Abu Dhabi, com Verstappen ficando apenas 2 pontos atrás de Lando Norris, que se sagrou enfim campeão.
Tal tipo de situação poderia ocorrer de novo? Talvez sim, talvez não. Pode ser que a situação mude após as férias de verão em agosto, ou talvez não. Em teoria, tudo pode acontecer, e tudo mudar, ou também nada mudar efetivamente. E, até lá, muita água vai rolar…
O calvário da Aston Martin segue firme na temporada. Os problemas associados ao chassi AMR26, a esta altura, já não podem ser elencados como a principal causa dos resultados ruins da escuderia britânica em termos de performance. A unidade de potência da Honda, que parou de apresentar problemas de vibração comprometedores referentes à estabilidade da integração chassi-motor, continua com um desempenho pífio, e a comparação mais direta é com a Cadillac, que possui uma unidade de potência respeitável – Ferrari, mas tem um carro comprovadamente fraco. Basta ver a comparação no traçado do Red Bull Ring, na Estíria, que possui apenas 4,326 Km de extensão, para sentir o “buraco” de performance: Sergio Perez, da Cadillac, largou em 19º, com o tempo de 1min08s945, enquanto Fernando Alonso, da Aston Martin, foi o 21º colocado, com o tempo de 1mon09s942, ou seja, praticamente 1s de diferença para Perez. Se formos especular quão ruins são os carros de ambos os times, mesmo sabendo que os dois projetos são diferentes, ainda assim dá para ver como os japoneses estão revivendo o inferno vivido de sua antiga parceria com a McLaren há uma década atrás, quando a escuderia de Woking, e contando na época também com Fernando Alonso, penava na parte de trás do grid, com os magros pontos conquistados soando como verdadeiras vitórias, e nos fazendo pensar que a McLaren seguiria o mesmo destino de outros times outrora vencedores do passado, que quando despencaram na competição, quase nunca mais se levantavam. Bem, a McLaren conseguiu dar a volta por cima, mas não com a Honda, que voltaram ao sucesso com a Red Bull. Mas o momento vivenciado pela Aston Martin e pela Honda é ainda pior, pois mesmo com as deficiências tanto do carro quanto da unidade de potência nipônica, alguns resultados surgiram aqui e ali, enquanto que, nesta temporada, a parceira até agora não conseguiu mostrar nada de positivo, muito menos marcar pontos… Um cenário tão desastroso como ninguém conseguiria imaginar ser possível, mas que acabou se tornando uma realidade tão dura que é realmente difícil de acreditar... Claro que na F-1 não há exatamente milagres, e imaginar que a Aston Martin iria “arrebentar” conjugando os talentos de Adrian Newey no projeto do carro, o talento ainda firme de Fernando Alonso, que fez dele bicampeão mundial, e ainda um dos melhores pilotos do grid, mesmo nessa idade, e a força potencial da Honda...
Mas, a Aston Martin tem um ponto na competição, marcado justamente por Fernando Alonso, na etapa de Mônaco, mas conquistado pela punição de Sergio Perez, que havia sido o 10º colocado na prova, de modo que, não fosse por isso, seria a Cadillac quem estaria com esse solitário ponto, e a Aston Martin seguiria completamente zerada. Está previsto um robusto pacote de atualizações da escuderia justamente para a etapa da Hungria, onde eles esperam ter literalmente um carro novo para competir, muito mais leve, e bem mais sofisticado e aprimorado, e com isso, quem sabe, conseguir deixar as últimas posições do grid. Mas, independente de qual for o resultado, a Aston Martin, infelizmente, já garantiu a posição de ser a maior decepção da temporada, pelo desastre de performance que está apresentando até aqui, e um dos maiores micos da história da categoria máxima do automobilismo mundial…
Enquanto a Hungria não chega, as expectativas são tenebrosas para o time inglês, pelo lance de termos, antes da prova em Budapeste, duas pistas velozes – Silverstone, e Spa-Francorchamps. O circuito inglês, onde não por acaso, tem justamente a sede da Aston Martin logo ali ao lado, pode não ser mais um circuito de velocidade pura como era antigamente, mas é um traçado que exige potência. E na Bélgica, deve ser ainda pior, porque se quem possui unidades de potência competitivas, como Mercedes, Ferrari, e Ford?RBPT, já estão manifestando preocupações com o gerenciamento de energia, em especial se formos considerar o longo traçado belga, o mais extenso da F-1, além claro, do trecho de alta velocidade compreendido entre a saída da La Source, até a freada da Les Combes, lá no alto da colina, no ponto mais alto do traçado, passando pela veloz Eau Rouge, seguida pela Raidillon, e a reta Kemmel, o panorama pode ser assustador para quem não tem potência, praticamente…
A Indycar disputa neste final de semana o GP de Mid-Ohio, no clássico circuito do Mid-Ohio Sports Car Course, em Lexington. Com 3,634 Km de extensão, a pista, mesmo contando com um trecho de alta velocidade em reta logo após a reta dos boxes, é de difícil ultrapassagem, de modo que largar na frente é mais do que fundamental para tentar a vitória, sem depender de complexas estratégias de box. Será que a concorrência conseguirá se aproximar mais de Álex Palou, da Ganassi, que continua seguindo firme rumo a mais um título? A conferir no domingo, com transmissão ao vivo da ESPN4, já que a Bandeirantes, inexplicavelmente, arriou e decidiu não transmitir a prova ao vivo...





