A retomada das hostilidades
no Oriente Médio nos últimos dias voltou a complicar os planos da Fórmula 1 de
tentar manter a todo custo a integridade de seu calendário para a temporada de
2026. Com as etapas do Bahrein e da Arábia Saudita “adiadas” oficialmente, e
não canceladas na prática, a direção da FOM/Liberty Media procurava encontrar
maneiras de reencaixar as duas corridas, mais para o fim do ano, aproveitando
as viagens que, teoricamente, seriam feitas para as provas do Qatar e Abu
Dhabi, encerrando a temporada. A expectativa era de que as animosidades, que
vinham diminuindo, poderiam permitir não apenas as duas etapas finais
programadas, mas conseguir conciliar também um possível reencaixe das duas
provas “suspensas”. E com isso, manter os acordos comerciais e televisivos em
sua integralidade.
A volta dos conflitos, contudo, volta a comprometer todos os planos que vinham sendo cogitados, obrigado a Liberty Media a considerar mais seriamente o “plano B”, que seria substituir as etapas por outras provas. Neste aspecto, repetir circuitos ou adicionar pistas que já possuem classificação necessária na FIA para sediar provas da F-1 passaram a ser cogitados. Algumas, contudo, como Istambul, na Turquia, não poderiam ser utilizadas diante das obras de readequação que está passando para voltar a receber a categoria máxima do automobilismo em 2027. Portimão, e Ímola, por sua vez, também se cadidataram a receber novamente a competição. E, claro, foi aventada a possibilidade de fazer segundas corridas em Barcelona, por exemplo.
O primeiro revés já foi sentido. O Bahrein, que podia ser encaixado logo após a prova em Baku, no Azerbaijão, que teria uma boa logística da viagem até Sakhir, e que depois seguiria para Singapura, já precisou ser cancelado oficialmente, diante da retomada dos conflitos, inviabilizando os planos de reencaixe da prova barenita no calendário. A corrida em Jeddah, na Arábia Saudita, em tese, ainda corre riscos menores, mas não inexistentes, por se localizar do outro lado do país, e não estar tão próxima da área do conflito no Golfo Pérsico, o que coloca em risco direto as provas justamente do Qatar e de Abu Dhabi, próximas ao Bahrein.
O desafio da F-1 é motivado pelos contratos firmados: a categoria precisa entregar pelo menos 22 corridas para não sofrer reveses contratuais comerciais decorrentes dos acordos firmados com patrocinadores, emissoras de TV, e similares. Com o Bahrein oficialmente fora agora, e Arábia Saudita “suspensa” momentaneamente, o limite de corridas necessárias para manter os termos acertados já está no limite. Se Qatar e Abu Dhabi tiverem que ser canceladas pelos motivos de segurança, o número de corridas despenca para 20 provas, o que levará à necessidade de cumprir cláusulas de descumprimentos acertados, afetando os valores a serem recebidos, que seriam menores, e levaria a “prejuízos” para a Liberty, e consequente menor repasse para as escuderias da competição, além dos ganhos da FIA. Em tese, nada que vá significar o fim do mundo, mas claro que eles querem evitar essa situação ao máximo, e garantir o mínimo para seguirem recebendo os valores integrais.

Com a retomada dos confrontos no Oriente Médio, a prova em Losail, tanto da F-1, quanto de outras categorias, não deve mais ser realizada em 2026.
Com a volta dos
conflitos, a logística de transporte fica comprometida. Embora materiais como
carros, pilotos e equipamentos sejam enviados por avião, que poderiam usar
rotas mais seguras, parte do material, como os pneus, são enviados por navio,
com preparação de meses de antecedência. E com o estreito de Ormuz bloqueado ou
comprometido parcialmente, o transporte até o Qatar e Abu Dhabi está
inviabilizado. Pode até ser feito, mas não há garantias de segurança
suficientes para assumir o risco. Portanto, embora ainda não anunciado
oficialmente, as provas em Losail e Yas Marina não deverão acontecer de fato. A
FOM/Liberty apenas aguarda o momento mais propício para comunicar isso
devidamente.
A fim de cobrir a falta destas duas provas, a FOM/Liberty Media estaria considerando várias possibilidades, entre fazer uma rodada dupla em Las Vegas, prova bancada por ela própria, mas que deve ser inviabilizada pela relação complicada da cidade ter que manter a estrutura do GP por mais tempo, que já sofre crítica de muitos moradores locais, de modo que ela não queira arriscar o momento de boa convivência que conseguiu construir desde a primeira corrida, e até realizar novas corridas na Europa. Os times são contrários a repetir pistas também, então a opção de escolher pistas européias vem ganhando força. Mas o tempo urge, fora que a F-1 precisa convencer os autódromos a receber a competição, e isso não sai barato. Mesmo em caráter emergencial, a entidade que comanda a F-1 quer faturar, e resta saber se os preços ofertados para estes locais receberem a categoria máxima do automobilismo, mesmo a preço de ocasião, serão atrativos.
Uma opção que não está sendo divulgada, mas pode ser levantada emergencialmente, em último caso, se as negociações fracassarem, é a própria FOM/Liberty Media assumir a promoção da corrida, cuidar dos aspectos promocionais, e realizar as provas, mesmo sob o risco de prejuízo, mas que seria consideravelmente menor do que ter de pagas as multas contratuais por descumprimento dos acordos comerciais vigentes firmados. Assim, a F-1 manteria o limite mínimo de corridas necessárias para manter os acordos, sem sofrer represálias financeiras, e mitigaria os efeitos deletérios de ter menos corridas. Os prejuízos podem ocorrer, mas podem ser absorvíveis pela entidade mais facilmente do que os pagamentos vultosos que os contratos comerciais certamente provocariam pelo número menor de corridas que seriam entregues.
Sob este aspecto, Portimão, que já vem sendo considerada, e Paul Ricard, na França, embora não esteja sendo aventada, até o presente momento, se colocam como opções mais lógicas do ponto de estrutura técnica da pista, e acesso fácil às estruturas de transporte e logística. Localizadas junto ao Mediterrâneo, ambos os autódromos possuem clima mais ameno que boa parte da Europa, permitindo a viabilização das corridas sem sofrerem tanto com os rigores climáticos do fim de ano europeu.
Outra possibilidade, com a confirmação do cancelamento oficial da prova do Bahrein, entre as etapas do Azerbaijão e Singapura, poderia ser uma nova corrida na Itália. Ímola, que esteve até recentemente na competição, poderia ser encaixado como opção emergencial. Ou até mesmo Mugello, onde a categoria correu em 2020, na pandemia, com pilotos e times gostando muito dos desafios da pista, que tem condições de receber a F-1. As dificuldades não são intransponíveis, e se precisar bancar a corrida, a FOM/Liberty tem condições de fazer isso. Conseguir encaixar uma prova em pistas italianas reduziria a pressão no fim da temporada, restando talvez apenas uma corrida tampão em Portimão para fechar o campeonato. A opção de Paul Ricard eu cito como algo possível, que pode até estar sendo considerada nos bastidores, sendo um circuito com capacidade para receber também a F-1, mas não sendo de conhecimento público, caso esteja sendo de fato aventada como uma possibilidade.

A GP de Abu Dhabi se acostumou a fechar a temporada da F-1, mas parece que este ano o evento foi para o vinagre...
Cada escolha envolve
dificuldades e oportunidades. A maior delas é organizar o evento, efetuar a
venda de ingressos, e contratar a estrutura necessária. Tudo costuma ser
planejado e contratado, arquitetado com bastante antecedência, mas não seria
impossível. Mesmo a logística pode ser adaptada. E no caso de Las Vegas, voar
de volta para a Europa, para potenciais provas substitutas, requer apenas uma
mudança de rumo no transporte dos aviões, sendo que o tempo de trajeto da
capital de Nevada até a Europa, seja Portimão, ou até mesmo Paul Ricard, é
menor do que ir para o Oriente Médio, então, a data limite que a F-1 estipula
para saber se poderá ou não ir para o Qatar e Abu Dhabi ainda lhe dá tempo
razoável para suplantar estes desafios de promoção, montagem da corrida.
E, claro, tem outro detalhe crucial: confiar se, em caso do clima amainar novamente, ver se a receptividade e confiança no clima ambiente da situação lhes permitirá arriscar manter as provas no Oriente Médio. Afinal, o clima vinha esfriando na região, até a situação esquentar novamente nestes últimos dias. A direção da F-1 pode se dar ao luxo de acreditar que, no prazo final, caso os acontecimentos apontem para uma normalização da situação, ela não vai degringolar novamente, no tempo até as corridas? Pelo sim, pelo não, talvez seja melhor confirmar mesmo provas substitutas na Europa, e evitar quaisquer outros riscos potenciais que uma eventual manutenção dos eventos, confiantes em dias mais calmos, possa sair novamente do controle esperado, em um momento onde não seja possível mais remediar a situação a tempo de efetuar a troca de local.
O Mundial de Endurace, que também teria etapas no Oriente Médio, já definiu Monza e Barcelona como etapas substitutas, cujo anúncio oficial deve ocorrer ainda este mês. O WEC, por ter menos corridas que a F-1, tem mais flexibilidade de datas, embora também tenha de correr contra o tempo para efetuar os procedimentos de promoção e estruturação das corridas. Mas eles resolveram não esperar tanto quanto a F-1 para definir como resolver a situação, pelo visto. Na categoria máxima do automobilismo, contudo, o buraco é mais embaixo, e a solução, ou soluções consideradas estão na mesa, ou com opções ainda não levantadas, mas possivelmente consideradas para uso emergencial. Conforme a situação progrida, talvez tenhamos novidades antes do esperado. O jeito é simplesmente esperar para ver o que eles irão fazer a respeito...
A Fórmula 1 chegou a Spa-Francorchamps para o Grande Prêmio da Bélgica, na região das Ardenhas, e todos os times manifestam preocupações com o sistema de regeneração de energia, uma vez que a pista, a mais extensa do calendário da competição, tem longos trechos de retas e em aceleração plena, em especial o trecho La Source/Eau Rouge/Raidillon/Kemmel, primeiro em descida e depois em forte subida, onde os carros aplicam aceleração máxima dos motores. Ainda que a categoria tenha adotado certos detalhes que mitigaram as dificuldades, isso foi apenas parcial, e agora, com a categoria chegando a um local onde os propulsores serão exigidos fortemente no sentido de velocidade e potência, o gerenciamento pode ficar novamente comprometido, dependendo de como os pilotos conseguirem gerir a carga de seus sistemas elétricos. O trecho que cito representa nada menos do que cerca de aproximadamente 20 a 23s em aceleração máxima, mas não é o único desafio: ele começa em descida, após o grampo fechado da La Source, com os carros descendo para a Eau Rouge, e aí temos um verdadeiro paredão morro acima, em curva quase cega, onde os carros precisam chegar ao ponto mais alto do circuito belga, no fim da Kemmel, na freada da Les Combes. É o ponto mais usado para ultrapassagens, mas até chegar lá, temos um belo trecho de aceleração na Raidillon, logo a seguir à imensa subida da Eau Rouge. Dependendo do gerenciamento de energia, não vai ser difícil algum carro ficar sem carga antes mesmo do fim do trecho. Será preciso muita dosagem do uso da bateria, forçando o motor de combustão ao máximo, para se conseguir manter a velocidade neste trecho, e ao mesmo tempo em que tenta se ganhar posições com o uso da aerodinâmica ativa no trecho de reta no alto da colina. Mas quem conseguirá guardar energia para o ataque no trecho final, e ao mesmo tempo, não ficar vulnerável no primeiro trecho do setor?

Maior pista do calendário, Spa-Francorchamps será um grande desafio para os sistemas elétricos das unidades de potência dos F-1 atuais, em contar a presença da chuva no final de semana...
Embalada pela vitória em Silverstone, a Ferrari procura manter o otimismo para tentar surpreender a Mercedes em Spa, com uma nova configuração aerodinâmica onde espera tirar pelo menos 11 Km/h a mais nos trechos de reta, e tentar compensar sua desvantagem ainda patente de potência para a unidade da Mercedes. Com os problemas enfrentados por Andrea Kimi Antonelli na confiabilidade de seu carro nas últimas etapas, o panorama do campeonato pode ficar embolado se o italiano sofrer novo revés, ao mesmo tempo em que George Russell, apesar da vitória na Áustria, ainda não parece ter recuperado totalmente o favoritismo e a confiança. Pelo sim, pelo não, há outro componente que pode embaralhar completamente as possibilidades na prova belga: a chuva! Sim, o tradicional clima instável da região das Ardenhas pode aprontar, e a previsão para o fim de semana de GP é justamente de chuva, o que pode tanto ajudar quanto atrapalhar os planos de pilotos e escuderias com relação às estratégias de corrida e acerto dos carros, ainda mais se isso ocorrer de forma intermitente, e não contínua, como costuma ocorrer, sem mencionar o lance geográfico: como pista mais longa da F-1, há sempre o risco de chover apenas em determinada parte do circuito, não em sua totalidade, o que pode bagunçar completamente com as estratégias e o andamento dos treinos e corrida. A corrida terá transmissão ao vivo na TV aberta pela TV Globo, e pelo canal pago SporTV, com largada programada para as 10:00 Hrs. de domingo, pelo horário de Brasília.
A Indycar chega à pista oval de Nashville para mais uma disputa da temporada. Álex Palou ainda mantém uma liderança confortável na classificação, mas a concorrência tenta se animar para complicar a posição de liderança do piloto espanhol da Ganassi. A corrida tem largada programada para as 18:30 Hrs. Deste domingo, com transmissão ao vivo pela ESPN, e pelo sistema de streaming do Disney+. Logo após a decisão da Copa do Mundo de 2026.



