sexta-feira, 13 de março de 2026

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

O GP da Austrália abriu o novo campeonato com as novas regras técnicas que ainda estão dando muito o que falar...

            A F-1 voltou à pista hoje nos primeiros treinos oficiais para o GP da China, a segunda etapa do calendário da temporada de 2026, ainda tentando analisar os prós e contras do novo regulamento técnico estreado semana passada, em Melbourne, em uma corrida que até teve seus momentos de agito, com uma vitória, se não contundente, firme da Mercedes, que fez uma dobradinha com George Russell em primeiro e Andrea Kimi Antonelli em segundo. Charles LeClerc, da Ferrari, fechou o pódio, comandando outra dobradinha, com Lewis Hamilton logo atrás, em 4º lugar. Lando Norris, o atual campeão, foi um apagado 5º lugar, enquanto Max Verstappen foi o 6º colocado.

            Tivemos mais ultrapassagens, é fato, mas difícil dizer se o novo sistema de recuperação de energia de fato melhora as disputas. O duelo entre Charles LeClerc, que pulou feito um foguete no arranque da largada para a liderança da corrida logo na primeira curva, com George Russell, o pole-position, até foi interessante, com Lewis Hamilton também fazendo uma largada excelente e posicionando-se logo em 3º lugar, comboiando o duelo entre os dois líderes, que trocava de posição com relativa frequência, em uma disputa de gerenciamento de energia entre um e outro. Interessante do ponto de vista de quem assiste pela arquibancada e TV, mas que definitivamente não caiu no gosto dos pilotos, em especial porque os carros agora precisam quase frear no meio da reta para recarregar as baterias de um sistema elétrico que simplesmente não tem carga para o que se propõe. Ridículo é ser educado com a situação, lamento dizer.

            Os novos sistemas certamente vão dar o que falar, e é preciso cuidado com isso, para se evitar que algo ruim aconteça. Na classificação, Max Verstappen teve uma perda de controle de seu Red Bull sem ter feito nada de errado na condução do carro, diante de um problema de software que liberou a potência abruptamente e fez o holandês perder o controle, sair da pista e bater, felizmente, sem maiores consequências além de ficar sem poder disputar o resto da classificação para o grid. Algo parecido ocorreu com Oscar Piastri no dia da corrida, quando o australiano saiu para o grid, e acabou batendo sem nem conseguir chegar ao grid, e ficando de fora da corrida antes mesmo da largada.

            Mas é a largada que causa mais preocupações: Franco Colapinto quase encheu a traseira de Liam Lawson, que não conseguiu arrancar com eficiência, e deu sorte de não ser atingido pelo argentino, que desviou em cima da hora. Já era uma preocupação válida de todos os times e pilotos, e motivo até de realização de simulações de largadas nos testes da pré-temporada, no Bahrein, onde felizmente nada de errado aconteceu, mas mostrando que treino é treino, e corrida é corrida. Os pilotos continuam preocupados, e alguns afirmam que, em algum momento, poderá ocorrer um forte acidente, se os sistemas não funcionarem a contento.

            O passa e repassa de alguns carros pode até dar a impressão de que as novas regras de fato tornaram a corrida mais dinâmica e disputada, mas é preciso ir devagar com a sede ao pote. E, por isso mesmo, a prova australiana precisa ser vista com certas reservas, que poderão ser ou não confirmadas neste final de semana, com a corrida da China, em Shangai, um autódromo de verdade, e com características mais comuns com uma pista. E, claro, vai ser interessante ver como os pilotos terão que gerenciar suas baterias na imensa reta oposta do circuito, onde os carros certamente não atingirão os picos de velocidade que os pilotos, e também o público, tanto gostam de ver. Se no Albert Park tivemos que ver reduções de velocidade de cerca de 40 Km/h dos pilotos para não esgotarem as baterias, qual a redução que eles precisarão fazer naquele belo retão?

Início da corrida teve um animado duelo entre Charles LeClerc e George Russell.

            Na disputa na pista, a Mercedes emplacou a previsível dobradinha, mostrando ter, pelo menos de início, o carro a ser batido. O novo W17 vem para possivelmente restaurar o status vencedor que o time de Brackley tinha perdido desde 2022, e oferece a George Russell a melhor oportunidade para ser campeão. O ritmo do carro foi tão bom que Andrea Kimi Antonelli, mesmo perdendo várias posições numa largada não muito boa, recuperou terreno e foi para a 2ª colocação na corrida, tendo terminado a uma distância mínima de Russell, que obviamente não deu tudo o que poderia, mas que foi o suficiente para deixar a Ferrari chupando o dedo, depois do duelo da primeira parte da corrida.

            De positivo ver que a Ferrari fez de fato um bom carro. E com um turbo compacto que lhe proporciona um arranque espetacular, o que fez Charles LeClerc ir para a liderança logo na primeira curva, e Lewis Hamilton ocupando a 3ª posição. Mas, só para não perder a mania, o time deixou escapar a oportunidade de parar no virtual safety car, tendo que fazer as paradas de box com bandeira verde, e com isso perdendo muito mais tempo. A Mercedes não cometeu esse erro, e ainda parou seus dois pilotos junto, ganhando tempo e a liderança da corrida que não perderia mais após as trocas do time de Maranello, o que claro, suscita a dúvida se LeClerc ou Hamilton poderiam ter discutido a vitória de fato com Russell. Talvez sim, talvez não. Se é verdade que a diferença na bandeirada foi em boa parte conseguida pela Ferrari ter perdido tempo em suas paradas de box, também é fato de que Russell administrou boa parte da vantagem, já que não era necessário acelerar tudo, preferindo manter uma margem de segurança satisfatória.

            Quem não gostou do que viu foi a McLaren, que utilizando o mesmo motor Mercedes de Russell, viu Lando Norris, o atual campeão, terminando em 5º lugar, a 50s de distância, perdendo de lavada até para a Ferrari. Claro que surgiram insinuações de que a Mercedes não “liberou” todos os recursos para a unidade de potência fornecida ao time de Woking, mas o regulamento proíbe que isso ocorra, e é preciso lembrar que não é só por isso que o desempenho pode ser divergente. A Williams também usa os propulsores Mercedes, assim como a Alpine, e vejam onde eles terminaram… Cabe à McLaren resolver esse problema, descobrindo onde está o déficit de performance, muito provavelmente constatando que o novo MCL40 certamente precisará ser melhor trabalhado, se Norris não quiser passar à história da F-1 como piloto de um título só...

            Depois de conquistar muitos elogios na pré-temporada, diante da performance e confiabilidade demonstradas, muito relevantes para uma unidade de potência que estava de fato fazendo sua estréia na competição, a primeira quebra de propulsor do ano veio justamente de um RBPT/Ford, no caso, o do carro de Isack Hadjar, que vinha mantendo um desempenho interessante, tendo conseguido andar no ritmo de Max Verstappen durante os treinos, e dando a entender que, na nova direção da Red Bull, eles não são mais um carro de apenas um piloto. Isso é positivo porque a Red Bull precisa que seus dois pilotos possam apresentar resultados, e se por um lado confirma o talento de Hadjar, também mostra que o carro agora parece mais neutro, permitindo aos dois pilotos andarem a fundo com ele, e não apenas Vertappen, que só não largou mais à frente pelo acidente inesperado que sofreu no Q1 no sábado.

            Largando em 20º, o tetracampeão deu seu tradicional show, passando quem visse pela frente, mas sem que o piloto considerasse isso relevante, afirmando que todos estavam apenas mais lentos do que ele. Modéstia ou não, ele “empacou” quando chegou em Lando Norris, que com uma performance mais forte, segurou com competência o vice-campeão de 2025, que claramente não conseguiu superar o rival, como costumava fazer antes, demonstrando que o modelo RB22, de fato, precisará de mais trabalho e desenvolvimento, para não mencionar, logicamente, que será preciso atentar com relação à fiabilidade da unidade de potência.

            Oliver Bearman e Arvid Lindblad deram show em Melbourne. O primeiro mostrou o potencial da Haas, que tem tudo para liderar o segundo pelotão da F-1, e Lindblad, a última “cria” da gestão de Helmut Marko no controle do programa de pilotos da Red Bull, mostrou a que veio, extraindo tudo o que poderia do carro da Racing Bulls, e deixando Liam Lawson na sobra, mesmo já em seu primeiro fim de semana de GP. A sorte de Lawson é justamente Mark não estar mais por lá, de modo que, mais algumas corridas nesta toada, e o neozelandês já poderia estar com seu lugar a perigo em 2027, o que não significa que ele pode relaxar. Ele vai precisar reagir, ou se deixar ser engolido pelo novo companheiro de time na competição.

Dobradinha da Mercedes: time prateado larga na frente em 2026.

            A Williams confirmou que regrediu em termos de performance, como vimos na pré-temporada, e vai ter que trabalhar duro para reverter a situação, e tentar recuperar o momento positivo visto em 2025. Já a Alpine, por sua vez, tem agora um motor de respeito, mas a performance do carro, apesar de ter melhorado, não foi tão inspiradora como alguns resultados da pré-temporada podiam indicar. Tanto Pierre Gasly quanto Franco Colapinto vão precisar suar de novo o macacão se querem almejar a melhores resultados. Resta esperar que o novo carro seja desenvolvido a contento, e eles possam crescer na disputa. Da mesma maneira, a Cadillac mostrou que tem um grande caminho a percorrer, pois a falta de performance foi patente em Melbourne, e a confiabilidade, que esperavam ser um ponto positivo, deixou a desejar: Valtteri Bottas ficou pelo meio do caminho, enquanto Sergio Perez, de volta ao grid, terminou em 16º.

            A Aston Martin confirmou o vexame da falta de performance, ainda que o desastre não tenha sido tão dramático quanto apregoado até às vésperas dos treinos oficiais. Fernando Alonso até conseguiu passar para o Q2, mesmo que por pouco, e na corrida, graças a uma boa largada, figurou momentaneamente na 10ª posição na prova, e obviamente, foi caindo para trás, até que precisou abandonar. Até voltou à corrida para mais algumas voltas, tentando pelo menos obter mais dados para a escuderia, antes do desertar definitivo da prova. Lance Stroll até conseguiu andar mais, apesar do resultado ser o mesmo: o abandono. Equipe e Honda estão tentando pensar em soluções para minimizar o desastre.

            Isso foi apenas o primeiro GP, sob as novas regras técnicas. Precisaremos ver como as coisas ocorrerão neste fim de semana em Shangai, e ver se times e pilotos começarão a entender melhor as novas regras, ou se os problemas persistirão, e se a F-1 realmente tomar as medidas necessárias para sanar os percalços que as novas diretrizes impôem à categoria máxima do automobilismo, e que esta saiba efetuar as correções adequadas para impedir que a situação gere mais problemas do que soluções...

 

 

A Audi estreou com o pé direito na F-1. Gabriel Bortoleto conseguiu levar a nova escuderia do grid ao Q3 na classificação, e com uma corrida sólida, terminou em 9º lugar, marcando os primeiros pontos da equipe das quatro argolas de forma oficial na categoria máxima do automobilismo. O piloto brasileiro fez uma corrida firme, e pelo menos, de seu lado, nada saiu errado, diante das dificuldades naturais de estréia de uma nova escuderia na competição, o que é algo positivo. Mas Nico Hulkenberg não teve a mesma sorte, abandonando a corrida antes mesmo de largar, com problemas no seu carro, um indicativo de que o novo time ainda tem muito trabalho pela frente, se quiser almejar resultados mais distintos. Mesmo assim, foi uma boa estréia, no balanço total. Chegar aos pontos prometia ser complicado, diante da performance de alguns times, que tiveram seus percalços e problemas variados.

 

Gabriel Bortoleto: primeiros pontos da Audi na primeira corrida da marca na F-1.

 

No seu retorno à F-1, a transmissão da Globo infelizmente já se mostrou inferior à da Bandeirantes. Primeiro porque a emissora transmitiu somente a corrida no canal aberto, não mostrando nem mesmo o treino de classificação, apesar de acontecer em plena madrugada no horário brasileiro. Everaldo Marques até que não foi ruim, em que pese ter tentado dar um tom mais bem-humorado que pareceu meio forçado em diversos momentos. Sempre é complicado iniciar um trabalho com um time novo, e quem estava acostumado com o modo como a Bandeirantes realizava as transmissões nos últimos anos deve ter achado a transmissão do grupo Globo apenas razoável. Luciano Burti, retornando a comentar a F-1 após cinco anos, me pareceu precisar “reencontrar o ritmo” ao rever a categoria máxima do automobilismo. Christian Fittipaldi não foi exatamente ruim, mas também não se destacou tanto. Guilherme Pereira, o repórter escalado para cobrir a prova, pareceu completamente fora do ambiente, tentando passar conhecimento, mas ficando claramente à sombra de Mariana Becker, que já experiente no ambiente dos paddocks da F-1 depois de mais de 15 anos cobrindo a F-1, pareceu estar pouco à vontade na condição de “comentarista”, e servindo mais como “guia” para Pereira, que precisa ficar mais calejado no paddock, algo que certamente virá com mais experiência na cobertura. Ao menos, na transmissão da Globo, voltou a música-tema tradicional que a Globo usou durante suas décadas de transmissão da F-1, ainda que em uma versão reestilizada, e com gráficos que tentaram dar uma modernizada na transmissão, e pela primeira vez em muito tempo, pasmem, a Globo voltou a exibir o pódio, o que não vinha mais fazendo em seus últimos anos de transmissão da categoria. Há muito o que melhorar, e infelizmente, neste final de semana, não vai conseguir isso: a corrida da China será transmitida ao vivo apenas pelo SporTV, mesmo ocorrendo em plena madrugada, um acinte para o fã das corridas, que parece que, mais do que nunca, terá de optar ou por contar com o canal SporTV, ou com o aplicativo oficial da F-1, se quiser acompanhar tudo de fato. Quem reclamava da transmissão da Bandeirantes pode começar a ficar arrependido, se a Globo não melhorar a qualidade de sua transmissão. Para a Liberty Media, contudo, provavelmente valerão apenas os dados da audiência, que mostrou que a corrida ocupou o primeiro lugar, mais pela inércia do público em assistir à Globo do que pela qualidade de conteúdo da transmissão...

 

 

A Indycar disputa sua terceira corrida da temporada 2026 neste final de semana, e com uma novidade: uma corrida nova no calendário, em Arlington, em um circuito de rua com uma extensão de 4,39 km e 14 curvas no Texas, contornando o AT&T Stadium, estádio do time do Dallas Cowboys e o Globe Life Field, do Texas Rangers, em uma corrida que terá 70 voltas de duração. O traçado se destaca por apresentar uma longa reta de cerca de 1,45 km entre as curvas 9 e 10 do circuito, a maior do calendário, projetada para atingir altas velocidades, e onde devemos poder ver diversas ultrapassagens e disputas de posições. A largada está programada para as 13:30 Hrs. de domingo, pelo horário de Brasília, com transmissão ao vivo pela TV Bandeirantes, ESPN, e pelo Disney+.

quarta-feira, 11 de março de 2026

ESPECIAL – MOTOGP 2026

            Outro campeonato que já teve início foi a MotoGP, que disputou o Grande Prêmio da Tailândia, e mostrou uma Aprilia mais forte do que se imaginava, depois dos testes da pré-temporada, onde se imaginou que a Ducati não apenas manteria sua força e favoritismo, como poderia ser ainda mais avassaladora do que foi no ano passado, o que felizmente não se confirmou. Mas, eis que trago hoje um pequeno texto especial contando mais sobre a temporada 2026 da classe rainha do motociclismo, que entre as principais novidades do ano está a volta do Brasil, ao calendário, e ao grid da MotoGP. Uma boa leitura a todos...

MOTOGP 2026

 

A Ducati segue sendo a franca favorita, mas a Aprilia quer mudar esse panorama, e já começou bem o ano. Conseguirá manter a boa forma?

 

Adriano de Avance Moreno

A MotoGP deu a largada para a temporada 2026, e deu Aprilia na corrida principal em Buriram, onde a Ducati fez figuração na corrida.

 

         No último ano da MotoGP sob as atuais regras técnicas, a missão do grid é clara: interromper o domínio da Ducati na competição, com a supremacia da marca de Bolonha na classe rainha do motociclismo. No ano passado, Marc Márquez, defendendo o time de fábrica da marca italiana, literalmente correu sozinho rumo ao título, com seu irmão caçula, Álex, defendendo a Gresini, fazendo sua melhor temporada na competição, ficando com o vice-campeonato, mas sem conseguir ameaçar de fato o irmão mais velho, reafirmando o domínio da marca italiana, que só não dominou ainda mais porque Francesco Bagnaia teve uma temporada irreconhecível, não conseguindo disputar o título como se previa.

         Visando conter custos, a MotoGP resolveu congelar o desenvolvimento dos atuais propulsores do grid, uma vez que no próximo ano saem os motores de 1.000cc para a entrada das novas unidades de 850cc, visando à redução da velocidade dos protótipos, e aumento da segurança da competição. Pelos testes da pré-temporada, tudo indicava que a Ducati, mesmo com as limitações técnicas de desenvolvimento decorrentes do regulamento, conseguiu melhorar ainda mais sua Desmosédici, com muitos temendo um novo ano de supremacia da Ducati na categoria.

Ducati entrou na temporada 2026 como grande favorita destacada, mas parece que podemos ter mudanças nas expectativas...

         O time de fábrica de Borgo Panigale ainda conta com suas equipes satélites. Na Gresini, Álex Márquez, vice-campeão de 2025, ganhou uma moto do ano para tentar vôos ainda mais altos, e terá à sua disposição a mesma especificação da GP26, enquanto Fermin Aldeguer correrá com a GP25. Na VR46, segue o mesmo esquema com Fabio Di Giannantonio tendo o modelo GP26, enquanto Franco Morbidelli continua com a moto do ano anterior, no caso, a GP25. Os dois times tiveram desempenhos bem satisfatórios no ano passado, e todos terminaram dentro do TOP-8, que teve apenas como “intrometidos” Marco Bezzecchi (Aprilia) em 3º lugar e Pedro Acosta (KTM) em 4º, mostrando o favoritismo da Ducati na competição, e que a marca espera manter este ano.

         A maior oposição à Ducati no grid vem da Aprilia, marca conterrânea que nos últimos anos até tentou ensaiar disputar o título, mas apesar de algumas vitórias e até força em determinados momentos, não conseguiu transformar o sonho em realidade. Mas agora parece ainda mais capaz de cumprir a promessa de desbancar a marca de Bolonha. A Aprilia teve um fim de temporada forte em 2025, com duas vitórias de Marco Bezzecchi, que conduziu o crescimento da marca de Noale ao longo da temporada, só não disputando o vice-campeonato com Álex Marquez por ter começado a reagir tarde demais. Agora, além de contar com um Bezzecchi renovado e na sua melhor forma, o time também espera contar com um Jorge Martin mais recuperado, e capaz de brigar por melhores resultados. E a marca ainda conta com a Trackhouse, seu time satélite. Mas, embora mais forte do que nunca, ainda se especula até que ponto a Aprilia pode brigar de fato com a Ducati, com as expectativas indo no sentido de que o duelo existirá, mas que a Ducati deve ganhar pela consistência. A nova RS-GP de 2026 incorpora uma espécie de duto que otimizou o fluxo de ar na aerodinâmica do protótipo, resultando não apenas em maior velocidade de reta, mas também proporcionando melhor estabilidade nas curvas, algo crucial nas frenagens da competição.

         A julgar pelo resultado da primeira prova da temporada, na Tailândia, contudo, teremos surpresas pelo caminho. Não apenas a Aprilia surpreendeu positivamente, como a Ducati esteve irreconhecível, ainda que Marc Márquez tenha brigado pela vitória na corrida sprint, e pelo pódio na corrida principal. Marco Bezzecchi não apenas venceu, mas convenceu. E a Aprilia ainda teve o 3º lugar de Raul Fernandez, com a Trackhouse, a Jorge Martin foi o 4º colocado, seguido de Ai Ogura, com a outra Trackhouse. A melhor Ducati acabou sendo de Fabio Di Giannantonio em 6º lugar. Ainda é cedo e muito precipitado para dizer que a Ducati terá problemas, mas a temporada começa bem em termos de competitividade, e com a segunda etapa sendo no Brasil, em uma pista onde a MotoGP correu pela última vez há mais de três décadas, todo mundo terá de aprender a pista, e quem sabe, vermos mais surpresas na corrida. Mesmo assim, para quem deseja maior competitividade na categoria, foi um alento ver a Ducati pela primeira vez fora do pódio após 88 corridas com pelo menos uma moto da marca no TOP-3. A Ducati sentiu o golpe, agora é ver se foi um caso isolado, ou se a parada com a conterrânea vai mesmo engrossar como a Aprilia promete fazer.

A esquadra da KTM para a temporada 2026, com o time de fábrica e a satélite Tech3: nova moto mais competitiva anima os pilotos.

         Depois de sobreviver a um momento crítico no ano passado, com o conglomerado a ter de reorganizar suas operações diante de ameaça falimentar por resultados econômicos desfavoráveis que quase comprometeram as operações de competição, a KTM conseguiu vir mais forte para este ano, contando sempre com Pedro Acosta para obter seus melhores resultados, com o espanhol já tendo marcado presença na primeira etapa, na Tailândia, com uma vitória, ainda que controversa, na prova sprint, e um segundo lugar na corrida principal. Com um competente Brad Binder, e os esforços da Tech3, seu time satélite, a marca austríaca espera por melhores resultados nesta temporada. Tendo apresentado já o seu propulsor para a temporada de 2027, saindo à frente dos rivais, a meta da marca para este ano é estabilidade, tanto que manteve os pilotos do time de fábrica, e a Tech3 também manteve sua dupla inalterada. Mas o grande mérito foi produzir uma moto muito melhor e mais competitiva, já que nos últimos anos a KTM vem patinando em termos de performance, prometendo subir de produção, e não conseguindo cumprir o prometido. Mas agora parece ter conseguido oferecer um bom projeto com a nova RC-16. A intenção também é conseguir segurar Acosta, mesmo diante das conversas de que já teria acertado com a Ducati para 2027. Por isso mesmo, ter um equipamento competitivo é crucial para a marca não perder o seu grande talento, ainda mais para a principal marca do grid.

         A Honda também tem maiores esperanças de evolução este ano. A marca da Asa Dourada conseguiu crescer de performance no fim do ano passado, mas o objetivo é simplesmente voltar a disputar o TOP-10 com regularidade, e chegar ao pódio. Na Tailândia, Joan Mir até que andou forte, mas enfrentou problemas de fiabilidade, que comprometeram seu desempenho. Luca Marini, por sua vez, foi apenas o 10º colocado nas duas provas, o que mostra que a Honda ainda tem muito trabalho pela frente, se quiser de fato voltar aos bons tempos de luta pelos títulos. No ano passado, o melhor resultado, por incrível que pareça, veio da LCR, o time satélite, que venceu em Le Mans, numa prova marcada pela chuva, e por uma atuação magistral de Johaan Zarco em casa. Por ter tido resultados satisfatórios em 2025, a Honda subiu para a classe C, e por isso, não poderá trabalhar o desenvolvimento de seus motores este ano, tendo de cumprir com as regras de congelamento que são aplicadas aos demais construtores como contenção de custos visando o novo regulamento técnico que será estreado em 2027.

De campeã em 2021 à lanterna em 2025. A Yamaha tenta se recuperar, mais uma vez.

         A Yamaha, por sua vez, tenta sair da lanterna, concentrando forças no desenvolvimento da arquitetura V-4 para seu motor, objetivando voltar aos bons tempos. A marca tem liberdade para desenvolver o propulsor este ano, mas até o presente momento, os resultados infelizmente estão passando longe. A dupla do time de fábrica terminou a corrida de abertura da temporada nos últimos lugares pontuáveis, enquanto a Pramac ficou de fora da zona de pontuação.

         Com as disputas centradas nas marcas européias, não será neste ano que Honda e Yamaha conseguirão maior destaque na competição. As duas montadoras esperam poder reverter as expectativas com o novo regulamento técnico que virá em 2027, mas até lá, tudo aponta para que a temporada de 2026 seja concentrada no possível duelo entre as italianas Ducati e Aprilia, com a KTM correndo por fora. Por enquanto, a Aprilia saiu na frente, mas todos se perguntam se o que vimos na Tailândia foi apenas um ponto fora da curva da Ducati, e se eles voltarão com tudo já na próxima corrida, justamente aqui no Brasil, ou se a Aprilia vai conseguir efetivamente bagunçar o coreto e contestar a hegemonia da arquirrival Ducati para valer.

          Com relação ao grid, temos quase todos os mesmos pilotos, com poucas mudanças. Teremos apenas dois estreantes no grid. Um deles é o brasileiro Diogo Moreira, na equipe LCR. O outro estreante é Toprak Razgatlıoğlu, pela Pramac, vindo do Mundial de Superbike, no lugar de Miguel Oliveira, que perdeu a vaga, e foi para a Superbike.

         O campeonato da motovelocidade começou, e as emoções devem ser fortes em todas as corridas. E veremos quem será o campeão este ano...

 

CAMPEÕES DE MUDANÇA

O bicampeão "Pecco" Bagnaia vai ser "rifado" na Ducati para 2026?

 

         Com exceção de Marc Márquez, que permancerá na Ducati, todos os demais campeões presentes no grid podem ter novas casas em 2027. Vencedor da temporada de 2024, Jorge Martin deve ir para a Yamaha, no lugar de Fabio Quartararo, campeão da temporada de 2021, que por sua vez, deverá ir para a Honda. As duas mudanças chegaram a ser anunciadas na mídia especializada, mas ainda não foram divulgadas oficialmente.

         Se confirmadas, Jorge Martin preferiu não esperar para ver, e estaria se bandeando para o time dos três diapasões, que por sua vez, estaria preenchendo o vácuo da saída de Quartararo, que impaciente com a falta de progresso da escuderia, resolveu arriscar a sorte com a arquirrival nipônica. Não é de hoje que o francês anda descontente com as promessas de recuperação da competitividade da Yamaha, que só tardiamente optou por mudar para a estrutura do motor V4, a exemplo do que já é adotado por outras marcas. Mas o ponto do motor já é uma reclamação que vinha até dos tempos de Valentino Rossi em seus últimos anos na escuderia nipônica. Com a Yamaha terminando em último lugar entre os construtores na temporada passada, o time tem permissão para desenvolver seu propulsor este ano, pela regra de permissões do regulamento da categoria.

         O objetivo da Yamaha é aproveitar estas permissões para tentar recuperar o atraso de seu propulsor, e usar o motor deste ano como base para a nova motorização de 2027, quando os motores serão reduzidos para 850cc. Contar com um piloto campeão do mundo é importante, por isso, se eles perderem Quartararo, a chegada de Jorge Martin não é apenas bem-vinda, mas necessária, para tentar manter a seriedade do projeto de recuperação da marca na classe rainha do motociclismo.

         Jorge Martin teve uma temporada passada atribulada, e não foi apenas pelos acidentes e azares que fizeram com que o espanhol praticamente perdesse todo o ano em termos de chances de ter bons resultados. A meio do ano, o piloto tentou um rompimento do seu contrato, válido para 2026, para tentar mudar para a Honda já este ano, mas a Aprilia bateu o pé, prometendo levar Martin aos tribunais se ele insistisse em romper o contrato, sob alegação de não estar dentro das posições previstas no campeonato, e que lhe dariam o direito de rescindir o acordo firmado com o time italiano. No final, equipe e piloto de acertaram, mas o clima ficou pesado no time, a ponto de haver até deboche de Marco Bezzecchi em cima de Jorge, quando ele venceu a etapa de Silverstone, e declarou que a moto italiana não era tão ruim assim.

         Tentar se garantir para 2027, em um outro time, no momento em que a Aprilia está em crescimento, enquanto ninguém sabe como a Yamaha estará no próximo ano, é uma jogada arriscada, no que parece que Martin não estaria interessado em se arriscar confiando na Aprilia, ainda que a opção da equipe japonesa seja totalmente incerta para o próximo campeonato. Mas Jorge parece ver que o time já não tem confiança nele, tanto que já renovou contrato com Bezzecchi para os próximos anos, com o italiano se colocando como líder da equipe na pista, rebaixando Martin desta posição, o que teria desagrado ao espanhol, que foi campeão em 2024 com todos os méritos.

         E Francesco Bagnaia, bicampeão pela Ducati, pode estar também sendo rifado pelo time de Borgo Panigale, depois da péssima temporada de 2025. Para seu lugar, teria sido contratado Pedro Acosta, atualmente no time de fábrica da KTM. Nos testes da pré-temporada, “Pecco” pareceu se reencontrar com a moto italiana, e projetava uma temporada muito mais otimista, até com chances de, quem sabe, reverter a possível saída do time de fábrica. Contudo, a prova da Tailândia foi uma ducha de água fria para o italiano, que ficou abaixo das expectativas, sem conseguir explicar como a moto pareceu ficar tão diferente do que havia visto nos testes. Começaram a correr boatos de que Bagnaia deverá ir para a Aprilia em 2027, mas nada também confirmado oficialmente. Bagnaia ficou claramente desgastado na temporada do ano passado, não conseguindo nem disputar o título, enquanto Marc Márquez, recém-chegado na equipe de fábrica da Ducati, foi campeão de forma arrasadora. Pior foi que “Pecco” ficou longe de disputar até mesmo o vice-campeonato, que ficou com Álex Márquez, e ainda foi superado na reta final por Bezzecchi, da Aprilia, e até mesmo por Pedro Acosta, da KTM, terminando o ano de 2025 numa melancólica 5ª colocação que aparentemente jogaram por terra o crédito que Bagnaia tinha junto à Ducati pelos dois títulos conquistados, além do vice-título de 2024.

         Confirmada oficialmente a ida de Fabio Quartararo para a Honda, fica a dúvida se Joan Mir, campeão da temporada de 2020, seguirá no time. Nem ele nem Luca Marini estão confirmados no time oficial da Asa Dourada para a próxima temporada, de modo que isso deixa em aberto as possibilidades de quem irá compôr a dupla da Honda para o próximo ano.

 

PRIMEIRA ETAPA – A APRILIA DEITA E ROLA

Marco Bezzecchi marcou a pole-position da etapa da Tailândia e venceu a corrida principal com autoridade, não dando chance aos adversários.

 

         A primeira etapa da competição, disputada em Buriram, na Tailândia, reservou algumas surpresas para o início da temporada. A maior delas foi ver a Ducati, a favoritaça da pré-temporada, não conseguindo discutir a vitória na corrida principal, cujo triunfo ficou com Marco Bezzecchi, que só não venceu as duas corridas do final de semana porque caiu sozinho enquanto liderava a corrida sprint no sábado. Mas Bezzecchi marcou a pole-position com autoridade, e vinha firme nas corridas, mostrando que o desempenho não era “fogo de palha”: o italiano brigava pela liderança na prova sprint quando caiu sozinho, e na corrida principal, não deu chances a ninguém na briga pela vitória, obtendo a primeira vitória na temporada, e começando o ano na liderança do campeonato. E, se formos considerar as corridas principais de 2025, é a terceira vitória consecutiva da Aprilia, pois Bezzecchi também vendeu as duas corridas finais da temporada passada. Imaginava-se que a Aprilia poderia ser a principal ameaça à Ducati, mas ninguém esperava que as motos de Noale exibissem tal força logo de cara.

         A Aprilia, aliás, teve seu “momento Ducati” em Buriram: suas quatro motos ficaram nas cinco primeiras colocações na prova, tendo apenas Pedro Acosta, da KTM, como “intruso” no resultado da prova, com a Trackhouse, seu time satélite, terminando em 3º e 5º lugares, com Raul Fernandez e Ai Ogura. Jorge Martin, ainda se recuperando fisicamente, fez uma corrida bem satisfatória, terminando em 4º lugar, e visando melhor performance conforme for pegando mais o ritmo da competição, e esperando ter menos azares.

         Num dejá-vu incômodo, “Pecco” Bagnaia, que esperava deixar o turbulento 2025 para trás, se viu novamente às voltas com problemas em sua moto, sem explicações aparentes do que deu errado para voltar a ter os mesmos problemas do ano passado. O bicampeão foi apenas o 9º colocado, tanto na prova sprint quanto na corrida de domingo, o que não foi um bom sinal para o time, que também viu Marc Márquez não conseguir resistir à força de Marco Bezzecchi, e ainda abandonar a corrida com a roda traseira amassada e o pneu furado, obrigando-o a abandonar. Depois da excelente temporada de 2025, Álex Márquez também saiu da Tailândia de mãos abanando, com um desempenho sofrível.

         A próxima corrida, como mencionado, é aqui no Brasil, e quais disputas poderemos ver na pista? As cartas já foram embaralhadas na Tailândia, vamos ver o que acontecerá em Goiânia, ainda este mês...

De favorita a figurante em Buriram: pela primeira vez em 88 GPs, a Ducati não teve nenhuma moto no pódio da corrida principal.

 

EQUIPES E PILOTOS

 

EQUIPE

MODELO

PILOTOS (Nº)

Aprilia Racing

RS-GP26

Jorge Martin (89)

Marco Bezzecchi (72)

Lenovo Ducati Team

GP26

Francesco Bagnaia (63)

Marc Márquez (93)

Red Bull KTM Tech3

RC16

Maverick Viñalez (12)

Enea Bastianini (23)

Gresini Racing MotoGP

GP25/GP26

Fermín Aldeguer (54)

Álex Márquez (73)

LCR Honda

RC213V

Johann Zarco (5)

Diogo Moreira (11)

Monster Energy Yamaha MotoGP Team

YZR-M1

Fabio Quartararo (20)

Álex Rins (42)

Mooney VR46 Racing Team

GP25/GP26

Fabio Di Giannantonio (49)

Franco Morbidelli (21)

Prima Pramac Yamaha Racing

YZR-M1

Jack Miller (43)

Toprak Razgatlıoğlu (7)

Red Bull KTM Factory Racing

RC16

Brad Binder (33)

Pedro Acosta (37)

Honda Team

RC213V

Luca Marini (10)

Joan Mir (36)

Trackhouse MotoGP Team

RS-GP26

Raul Fernandez (25)

Ai Ogura (79)

 

CALENDÁRIO

Prova do Qatar, em Losail, pode ser cancelada devido à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

 

         O calendário desta temporada é praticamente igual ao calendário de 2025, com a ordem de algumas corridas tendo sido alterada, visando uma melhor logística do calendário da competição. Todas as provas continuam contando com as corridas sprints aos sábados, como vem sido feito nas últimas temporadas. O Grande Prêmio do Brasil retorna ao calendário, ocupando a vaga que era do GP da Argentina, que não conseguiu se manter na competição, e tenta voltar em 2027, provavelmente tendo como palco o Circuito de Buenos Aires, substituindo Thermas de Rio Hondo. Até o fechamento desta matéria, contudo, a expectativa era de cancelamento do GP do Qatar, na pista de Losail, diante da guerra promovida por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que tumultuou o ambiente no Golfo Pérsico, levando inclusive a fechamento do espaço aéreo, e complicando todas as operações aéreas na região. O Mundial de Endurance, que teria seu início de temporada na região, cancelou a corrida, que tentará ser realizada em outra data, o que também poderá acontecer com a prova da motovelocidade.

         E a temporada 2026 também marcará a despedida de Phillip Island como palco do GP da Austrália, que a partir de 2027 será disputado em Adelaide, no mesmo circuito que foi utilizado pela F-1 até 1995, com algumas alterações, o que dividiu as opiniões na competição, e fora dela.

 

DATA

ETAPA

CIRCUITO

01.03

Grande Prêmio da Tailândia

Chang

22.03

Grande Prêmio do Brasil

Goiânia

29.03

Grande Prêmio das Américas

Circuito das Américas (Austin)

12.04

Grande Prêmio do Qatar

Losail

26.04

Grande Prêmio da Espanha

Jerez de La Fronteira

10.05

Grande Prêmio da França

Le Mans

17.05

Grande Prêmio da Catalunha

Barcelona

31.05

Grande Prêmio da Itália

Mugello

07.06

Grande Prêmio da Hungria

Balaton Park

21.06

Grande Prêmio da República Tcheca

Brno

28.06

Grande Prêmio da Holanda

Assen

12.07

Grande Prêmio da Alemanha

Sachsenring

09.08

Grande Prêmio da Inglaterra

Silverstone

30.08

Grande Prêmio de Aragón

Aragón

13.09

Grande Prêmio de San Marino

Misano

20.09

Grande Prêmio da Áustria

Zeltweg

04.10

Grande Prêmio do Japão

Motegi

11.10

Grande Prêmio da Indonésia

Mandalika

25.10

Grande Prêmio da Austrália

Phillip Island

01.11

Grande Prêmio da Malásia

Sepang

15.11

Grande Prêmio de Portugal

Portimão

22.11

Grande Prêmio da Comunidade Valenciana

Valência

 

TRANSMISSÃO NO BRASIL E A VOLTA AO CALENDÁRIO E AO GRID

O Brasil está de volta ao calendário da MotoGP, e em Goiânia, onde a classe rainha do motociclismo estreou por aqui nos anos 1980.

 

         Os fãs da MotoGP continuarão a poder apreciar as disputas da classe rainha, bem como das categorias de acesso Moto2 e Moto3 através do Grupo Disney, com transmissão dos treinos e corridas ao vivo nos canais da ESPN da TV por assinatura, bem como pelo sistema de streaming Disney+, como já tem sido praxe nos últimos anos.

         Mas este ano teremos duas atrações a mais no que tange ao Brasil. A primeira delas é a presença de Diogo Moreira, trazendo ao grid da classe rainha do motociclismo novamente um representante após quase 20 anos da despedida de Alexandre Barros da competição, e que foi justamente o mentor de Diogo em sua mudança do motocross para as competições de autódromo. Campeão da Moto2, um título inédito para o motociclismo brasileiro, Diogo foi contratado pela própria Honda, e alocado na equipe satélite LCR, que mudou sua mentalidade depois de anos dando lugar a pilotos asiáticos, devido aos fracos resultados de Somkiat Chamtra no time no ano passado, superado com muita facilidade por Johaan Zarco.

         Na primeira corrida, Diogo fez uma classificação satisfatória, largando da 15ª posição do grid. Ele terminou em 13º a prova sprint, logo atrás de Zarco, numa estréia razoável, sem brilhar, mas também sem comprometer, o que não é ruim. Na corrida principal, que é o que importa, Moreira repetiu o 13º posto, marcando seus primeiros pontos na competição, cruzando a linha de chegada a aproximadamente 5s de Zarco, que foi o 11º colocado, mostrando que nesta corrida de estréia na competição a LCR não teve um desempenho muito forte, haja vista que a diferença para Johaan não foi grande. Diogo diz que, quanto mais tempo tiver pilotando, melhor para ir aprendendo todos os macetes do equipamento, e neste ponto, a pouca diferença de desempenho para Zarco é um indicativo de que ele foi bem, mesmo sendo novato na competição. A Honda de fábrica propriamente não teve também um resultado muito inspirador na etapa da Tailândia: Luca Marini foi o melhor classificado na prova principal, terminando a corrida em 10º lugar, recebendo a bandeirada menos de 1s à frente de Zarco.

         Mas, não apenas temos novamente um piloto brasileiro no grid, como o Brasil está de volta ao calendário da MotoGP, substituindo o Grande Prêmio da Argentina, que não conseguiu renovar seu contrato para permanecer no calendário. E o palco da motovelocidade será justamente o Circuito de Goiânia, que inclusive já sediou provas da modalidade, que estreou nosso país no calendário no distante ano de 1987, tendo sediado a corrida até 1989, quando então foi feita a última prova no circuito da capital do Estado de Goías. Em 1992, o Brasil voltou momentaneamente ao calendário, com a corrida ocorrendo em Interlagos. Em 1995, o Rio de Janeiro fez o Brasil voltar ao calendário, tendo sido palco do maior número de provas até então na classe rainha do motociclismo, com a última corrida sendo realizada em 2004. Desde então, o Brasil estava fora do calendário, até seu retorno este ano, e claro, capitalizando com a presença de Diogo Moreira no grid da competição.

         Aliás, justamente para esta prova, haverá transmissão na TV aberta, com a Bandeirantes a exibir a corrida, garantindo um alcance ainda maior da etapa nacional entre os fãs da motovelocidade.

Diogo Moreira foi campeão da Moto2, e fez sua estréia na MotoGP na prova da Tailândia, marcando seus primeiros pontos na competição. 

 
Pedro Acosta ficou com a vitória na prova sprint da Tailândia por uma punição controversa de Marc Márquez no final da corrida.

 

A Honda também tenta se reerguer na competição, mas o panorama na Tailândia não foi o esperado pelo time japonês.