quarta-feira, 17 de junho de 2026

ARQUIVO PISTA & BOX – SETEMBRO DE 2000 – 15.09.2000

          E aqui estamos com mais uma antiga coluna, esta, publicada no dia 15 de setembro de 2000, e o assunto principal era a disputa pelo título da então F-CART, a F-Indy original, não a atual Indycar, criada em 1996. E a disputa pegaria fogo como de costume, e para os torcedores brasileiros, víamos algo que há tempos não esperávamos: um brasileiro, Gil de Ferran, assumia a liderança do campeonato. E em grande estilo, com dobradinha da Penske na etapa de Laguna Seca, que na época, tinha dois brasileiros como titulares, e não poderia deixar Roger Penske mais feliz, encerrando um período de vacas magras que o time do capitão vivia desde 1996. E Gil não largaria mais a liderança a partir dali, se tornando nosso segundo campeão na competição, repetindo o feito de Émerson Fittipaldi, em 1989. Gil iria além de Émerson, conquistando o bicampeonato em 2001, e Cristiano da Matta manteria o domínio verde-amarelo também em 2002, sendo campeão, na última década de existência da categoria. Aproveitem o texto, e boa leitura a todos...

 

DISPUTA EM ABERTO

 

          Com 16 etapas cumpridas de um calendário de 20 provas, a F-CART este ano está mostrando uma boa briga pelo título. E os brasileiros têm boas chances de conquistar o segundo título na categoria, depois da vitória de Émerson Fittipaldi no já distante ano de 1989. No fim de semana passado, em Laguna Seca, na Califórnia, a Penske fez dobradinha com seus pilotos: Hélio Castro Neves venceu a corrida de ponta a ponta, e Gil de Ferran foi o 2° colocado. Foi a segunda dobradinha do time de Roger Penske na temporada, e a 5ª vitória da escuderia, e o resultado colocou Gil na liderança da competição, com 132 pontos. Todos apostam que o brasileiro é um forte nome para o título.

          Mas a parada dificilmente se definirá antes da prova derradeira, no superoval de Fontana. Ainda temos 4 provas, duas em ovais, e outras duas em circuitos de rua, e com nada menos do que 88 pontos em jogo, muita coisa pode acontecer. Gil está na liderança, mas sua vantagem para os concorrentes é efêmera: Michael Andretti está logo atrás do brasileiro, com 126 pontos, apenas 6 de desvantagem, e não é bom subestimar a capacidade do filho de Mario Andretti, que continua buscando seu segundo título, depois de ter sido campeão em 1991. A Newmann-Hass é um time que só perde para a Penske em estrutura, e tem plenas condições de apresentar um carro competitivo para Michael fazer o que sabe melhor. Com duas vitórias e dois segundos lugares, Michael está firme no páreo pelo campeonato. O problema é sua constância ser menor do que de Gil: ele não marcou pontos em 6 etapas, incluída a prova de Laguna Seca, onde foi um medíocre 14° lugar na linha de chegada. Em contrapartida, Gil não marcou pontos em 4 etapas, já contabiliza 2 vitórias, e mais 2 segundos lugares e 1 terceiro, fora o carro da Penske ter demonstrado melhor performance na maioria das pistas do que o monoposto da escuderia de Carl Hass e Paul Newmann.

          Da mesma forma, não se pode menosprezar as possibilidades de Paul Tracy, que ocupa a 3ª colocação no certame, com 122 pontos. O problema do piloto canadense, como sempre, é sua aptidão para se envolver em encrencas na pista. Entre azares por culpa própria e outros alheios a seu controle, Tracy ficou sem pontuar em 6 corridas. Em contrapartida, venceu 3 provas, e ainda tem um terceiro lugar. Mas, da mesma forma que Michael Andretti, é um adversário perigoso, ainda mais se estiver dividindo posição na pista, onde tudo pode acontecer, desde apenas perder a posição, ou ambos acabarem fora da corrida. Pelo sim, pelo não, é sempre bom manter distância dele.

          Na base da regularidade, Adrian Fernandez, Kenny Brack, e Roberto Moreno também têm boas chances de chegar ao título. Apesar de vencerem pouco (Brack ainda está sem vencer), o trio tem se mantido sempre nas primeiras colocações, procurando aproveitar todas as oportunidades de pontuação, e assim, vão se mantendo com chances de levar a competição. Mas é hora de reforçar a performance, se o objetivo é mesmo arrebatar o título do campeonato. Neste ponto, Roberto Moreno infelizmente não deu sorte na última corrida, sofrendo um abandono que pode ter sido crucial para suas expectativas. Com apenas 3 provas sem marcar pontos este ano, Adrian Fernandez também vai precisar de um pouco mais para desbancar a concorrência.

          Com 103 pontos, Hélio Castro Neves está apenas em 7° lugar, mas vem subindo de produção nas últimas corridas. Companheiro de Gil na poderosa Penske, Helinho já mostrou que também é um piloto vencedor, sendo, ao lado de Paul Tracy, quem mais venceu corridas na temporada, com 3 triunfos, em Detroit, Mid-Ohio, e domingo passado em Laguna Seca. O que pesa contra o "Homem-Aranha" é seu início de temporada ruim, onde passou 4 das 5 primeiras corridas praticamente sem pontuar, com alguns abandonos por problemas mecânicos. E, mesmo depois de passar a terminar as corridas com mais constância, ainda ficou zerado em mais 3 etapas, o que explica sua diferença de pontos para o compatriota colega de time.

          Quem está sentindo a falta de fiabilidade mecânica é o atual campeão da categoria, Juan Pablo Montoya. O colombiano já venceu 2 corridas no campeonato, mas está longe de apresentar a mesma eficiência dos anos anteriores. Não fossem os vários abandonos no ano, certamente estaria brigando pelo bicampeonato. Sua velocidade continua a mesma, e diante da troca de equipamento efetuada pela Ganassi, pode-se dizer que o time conseguiu um excelente desenvolvimento tanto dos chassis Lola quanto dos motores Toyota. Mas as constantes quebras deixaram Montoya em uma 11° colocação no mundial, com 85 pontos, atrás até de Cristiano da Matta, que vem fazendo um ano muito bom pela modesta escuderia PPI Motorsports, tendo vencido de forma brilhante na etapa de Chicago, conquistando seu primeiro triunfo na categoria, e sendo atualmente o 10° colocado, com 88 pontos. Mas, diferente do colombiano, Cristiano não tem muitas chances de entrar na disputa pelo título. Seu objetivo firme é ficar dentro dos 10 primeiros colocados. Já Juan Pablo, pelos recursos e condições da Ganassi, tem tudo para efetuar uma reação, se seu equipamento colaborar mais e lhe permitir maior fiabilidade.

          Como de costume, o campeonato da F-CART vem mostrando seu costumeiro equilíbrio de forças. Nada menos do que 9 pilotos venceram corridas nas 16 etapas disputadas até aqui. Maxximiliano Papis, que começou o ano com vitória no oval de Homestead, entretanto, foi ficando para trás conforme o campeonato avançava, sendo no momento apenas o 12° colocado. Quem também ainda está tendo um ano a baixo do seu potencial é Christian Fittipaldi, que defendendo a Newmann-Hass, é apenas o 14° na classificação, com apenas 67 pontos. Mesmo com boas performances em várias corridas, a falta de fiabilidade e constância de resultados tem deixado o sobrinho de Émerson longe da disputa pelo título, e ainda em busca de sua primeira vitória na categoria, onde estreou em 1995, pela equipe Walker, e desde 1996 defendendo o time de Carl Hass e Paul Newmann. Sua hora vai chegar, só precisa que tudo dê certo no momento certo, e na hora correta.

          Mesmo assim, é a melhor temporada para os pilotos brasileiros desde o campeonato vencido por Émerson Fittipaldi em 1989. Das 16 corridas disputadas até aqui, já são 7 vitórias de nossos pilotos, sendo que em Portland, o pódio foi todo do Brasil: Gil de Ferran venceu, seguido de Roberto Moreno em 2° lugar, e Christian Fittipaldi em 3°. E não fosse as "intromissões" de Michael Andretti em 4°, e de Kenny Brack em 6°, teríamos tido 5 brasileiros nas 5 primeiras colocações, pois Cristiano da Matta foi 5° colocado, e Helinho o 7°.

          Hoje, os pilotos já voltam à pista, para os primeiros treinos da etapa de Saint Louis, no circuito de Gateway, pista oval com 1,25 milhas de extensão. É hora de voltar ao combate. Depois, a próxima etapa será dia 1° de outubro, no circuito de rua montado nas ruas de Houston, no Texas. Por fim, a visita a Surfer's Paradise para a corrida no dia 15 de outubro, e dia 30, o encerramento da competição, em Fontana, na Califórnia.

          A briga pelo campeonato continua plenamente aberta, e pelo histórico de equilíbrio da categoria, apesar dos exageros, até Christian Fittipaldi poderia levar o caneco, mesmo com toda a sua desvantagem. De forma mais realista, as chances maiores são de que um dos 7 primeiros colocados na classificação leve a taça. Há muitos pontos em jogo, e as combinações de resultados favorecem muitas opções que não podem ser descartadas. Em outras palavras, tudo pode acontecer nestas 4 corridas finais. Quem gosta de uma boa disputa tem tudo para curtir a briga, que promete ser boa nas pistas. Os fãs do esporte a motor certamente agradecem. E que vença o melhor...

 

 

O Grande Prêmio da Itália domingo passado foi marcado pelo acidente que envolveu vários pilotos logo na primeira volta. Envolveram-se na confusão Rubens Barrichello, Heinz-Harald Frentzen, Pedro de La Rosa, e David Couthard, na Variante Della Roggia. Johnny Herbert, Jarno Trulli e Eddie Irvinne também ficaram de fora no momento. Se todos os pilotos conseguiram sair ilesos do que sobrou de seus carros, infelizmente um fiscal de pista não teve a mesma sorte: Paolo Ghilimsberti, de 33 anos, foi atingido por uma das rodas que voaram do carro de Pedro de La Rosa, sofrendo traumatismo craniano. Atendido na pista pelos fiscais e pelo Dr. Sid Watkins, Paolo foi levado para o Hospital de Monza, mas faleceu em decorrência dos ferimentos. Isso acabou quebrando parte do espírito de comemoração da torcida, que vibrou com a vitória de Michael Schumacher, que volta a entrar firme na luta pelo título, estando apenas 2 pontos atrás de Mika Hakkinem, da McLaren, que foi 2° colocado na prova. Ralf Schumacher, da Williams, fez uma boa corrida, e fechou o pódio na 3ª colocação.

 

 

Quem também tinha motivos para comemorar em Monza era o brasileiro Ricardo Zonta: sem lugar garantido em 2001, Ricardo fez boa corrida e terminou em 6° lugar, marcando seu segundo ponto no campeonato. Pode ser pouco, mas num momento onde estão sendo feitas negociações para o próximo ano, resultados são o melhor cartão de visita, e Zonta precisa ter o que mostrar, e torcer para que até o encerramento do campeonato consiga desempenhar mais belas performances a fim de garantir uma vaga de titular, ou no mínimo, de piloto de testes em um time de ponta, como por exemplo a McLaren, onde é um dos nomes cogitados para a vaga.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

MCLAREN – 1.000 GRANDES PRÊMIOS

Oscar Piastri garantiu que o milésimo Grande Prêmio disputado pela McLaren não passasse em branco, apesar de não ter subido ao pódio, justamente em Mônaco, onde a própria McLaren estreou em 1966...

          O resultado do Grande Prêmio de Mônaco, disputado domingo passado, pode não ter sido o mais esperado de todos – apenas um 5º lugar de Oscar Piastri, e um abandono de Lando Norris, mas a McLaren teve muitos motivos para comemorar a participação no GP em Monte Carlo: a escuderia anotou sua 1.000 corrida como time do Mundial de F-1. Sim, o time sediado em Woking é hoje a segunda equipe com mais corridas disputadas na Fórmula 1, perdendo apenas para a Ferrari, lógico. Enquanto a escuderia de Maranello está presente desde a primeira temporada,a McLaren estreou apenas em 1966. Dos times tradicionais, a Lotus também faria parte deste grupo de equipes com mais de mil participações, tendo sido fundada em 1958 por Colin Chapman, se a escuderia não tivesse entrado em crise e falido em 1995.

          O time foi fundado pelo piloto neozelandês Bruce McLaren, e vejam só, a equipe disputou seu primeiro grande prêmio da história justamente em Mônaco, naquele distante ano de 1966. De lá pra cá, contudo, a escuderia fez história, tornando-se um dos mais bem-sucedidos times de toda a história da categoria máxima do automobilismo mundial. Ao todo, a McLaren conquistou nada menos que 203 vitórias, obteve 561 pódios, venceu dez títulos de construtores e 13 de pilotos, sendo que os últimos foram em 2025, com Lando Norris. O time conquistou 177 pole-positions, e marcou 184 voltas mais rápidas ao todo.

          Somente a Ferrari tem números maiores nas estatísticas da F-1: o time de Maranello, pela óbvia vantagem de estar presente desde o primeiro campeonato, até agora contabiliza 1.128 GPs disputados, tendo obtido 15 títulos de pilotos, e 16 de construtores, com 248 vitórias, 841 pódios, 254 pole-positions, e marcou por 265 vezes a volta mais rápida em um GP.

          A primeira vitória viria justamente com o próprio Bruce McLaren, ao vencer o GP da Grã-Bretanha de 1968, com o modelo M7A. No mesmo ano, Dennis Hulme ainda averbou mais dois triunfos para a escuderia. Estas vitórias, contudo, foram as únicas que Bruce McLaren vislumbrou enquanto dono de equipe. Em 1970, quando testava um modelo Can-Am de sua escuderia na Inglaterra, quando seu carro perdeu parte do suporte aerodinâmico, e desestabilizou-se a mais de 250 Km/h, atingindo uma construção de concreto onde McLaren morreu na hora. Assim, Bruce nunca conseguiu repetir o feito de Jack Brabham, que até hoje é o único piloto que foi campeão da F-1 com um carro construído pelo próprio piloto. Teddy Meyer, grande amigo e parceiro de Bruce na equipe, assumiu o comando, e manteria a escuderia McLaren na F-1 por mais uma década, garantindo a continuidade da equipe e do sonho de Bruce na competição, onde o fundador da escuderia nunca imaginaria o que seu time viria a se tornar.

          O primeiro título da McLaren na F-1, aliás, foi conquistado por Émerson Fittipaldi. O piloto brasileiro, que era o grande nome da competição com o abandono de Jackie Stewart ao fim de 1973, estava desgostoso na Lotus, e resolveu se mudar para a equipe fundada por Brucve McLaren. Foi uma sinergia quase imediata, e Émerson conquistou o título em 1974, o primeiro título de pilotos da equipe inglesa, que no mesmo ano também conquistaria pela primeira vez o campeonato de construtores. Émerson ainda batalhou pelo título em 1975, sendo derrotado por Niki Lauda, antes de deixar a McLaren para apostar no projeto da equipe Copersucar/Fittipaldi na F-1. Mas, com o carro ajustado pelo brasileiro, eis que a McLaren conquistou o seu segundo título de pilotos, com James Hunt, em 1976. Nos anos seguintes, o time perderia parte de sua força, deixando de ser uma equipe com capacidade para ser campeã novamente.

A primeira corrida: Bruce McLaren pilota seu próprio carro de competição nas ruas de Mônaco, em 1966...

          A história da McLaren mudaria nos anos 1980 com a entrada de Ron Dennis, que adquiriu o time de Teddy Meyer, e da fusão com seu time de competições, a Project Four, a escuderia de F-1 passaria a se chamar McLaren International, e Dennis promoveria uma reestruturação ampla e completa no time que até então, era “apenas” mais uma equipe a competir na categoria máxima do automobilismo, longe de seus dias de glória de alguns anos antes, mas que dali em diante, se tornaria referência de vitória e competência na F-1.

          Ele trouxe Niki Lauda de volta de sua aposentadoria, e da aposta nas idéias de um projetista de muito potencial, John Barnard, criou o primeiro monocoque construído com fibra de carbono na história da F-1, um material muito mais forte, leve, e maleável que os demais compostos que a competição usava até então. Através do Grupo TAG, de Mansour Ojejh, com quem firmou parceria de propriedade da escuderia, financiou a Porsche para a construção de um propulsor para competir na F-1. O resultado engrenou com notável rapidez, e em 1984, apenas dois anos após começar a reestruturação e reunir os talentos de Lauda, Barnard, e a entrada da Porsche, e à gestão empresarial inovadora de Dennis, a McLaren arrasava a concorrência em 1984 com uma campanha jamais vista até então na F-1, com um domínio avassalador onde os rivais apenas comeram poeira dos carros. Niki Lauda foi tricampeão em 1984, e em 1986 e 1986, Alain Prost conquistaria o bicampeonato. O time da McLaren era a nova referência de sucesso na F-1, e batê-los seria tarefa árdua.

          Depois de um ano mediano em 1986, em 1988, a equipe fez aquela que talvez tenha sido a dupla mais poderosa de toda a história da F-1: Alain Prost e Ayrton Senna. O piloto brasileiro, pela primeira vez em um carro capaz de ser campeão, não deixou por menos e venceu a temporada de 1988. No ano seguinte, porém, a rivalidade entre a dupla explodiu com tudo. Prost venceu em 1989, mas deixou o time, que ainda seria campeão em 1990 e 1991 com Ayrton Senna. O brasileiro tinha se tornado a nova grande estrela do time, como seu compatriota Émerson Fittipaldi já tinha sido quase 20 anos antes.

          Mas esta fase vencedora também teve fim, quando o time perdeu o apoio da Honda, que deixou a F-1, e depois, viu partir Ayrton Senna também. De 1994 a 1996, foram três anos longe do degrau mais alto do pódio, até que em 1997 o time de Woking voltou a vencer, sendo novamente campeão em 1998 e 1999. A escuderia continuou vencendo, mas apenas em 2008 voltaria a ser campeã, com Lewis Hamilton. A McLaren seguiu como uma força respeitável no grid, até 2012, dando início, dali em diante, ao período mais tenebroso da história do time. Uma nova associação com a Honda não deu certo, e os resultados da escuderia afundaram a olhos vistos. Ron Dennis, que passou a travar uma batalha de controle com Mansour Ojejh, acabou saindo a escuderia, que atingiu o seu ponto mais baixo, com a chegada então deb Zak Brown com o objetivo de restaurar a grandeza a glória da McLaren, que voltou a ser protagonista a partir de 2023, culminando com um novo título de construtores em 2024, e o título de pilotos de 2025, com Lando Norris.

A força brasileira na McLaren: Émerson Fittipaldi (acima) deu o primeiro título à McLaren. Já Ayreton Senna (abaixo) conquistou todos os seus três títulos defendendo a equipe de Woking.


          Este ano, infelizmente, as novas regras técnicas bagunçaram um pouco a ordem de forças no grid, e a McLaren foi um dos times que acabaram afetados pelo novo regulamento, tendo problemas até para largar na etapa da China. O time de Woking ensaiou uma recuperação na temporada a partir de Miami, mas infelizmente a sorte tem tido dificuldade para se mostrar, e mesmo usando aquele que é considerado o melhor propulsor do grid, a McLaren ainda não conseguiu deslanchar como gostaria em 2026. Mesmo assim, o time manteve seu otimismo, e apresentou até uma pintura especial para a prova monegasca. A pintura mantém o tom laranja papaya e preto adotados pela equipe nos últimos anos, mas com um design diferenciado, fora ter denominado esse layout de "A McLaren Nunca Desiste", slogan que carrega menções a marcos importantes do time de Woking em sua história: a primeira corrida, vitórias, títulos, a Tríplice Coroa do automobilismo (vencendo as 500 Milhas de Indianápolis, as 24 Horas de Le Mas e o GP de Mônaco) e o pit stop recorde da F1, de 1s8, registrado na parada de Norris durante o GP do Catar de 2023.

          E, de fato, a McLaren nunca desistiu, apesar do momento crítico do fim da década passada, onde Zak Brown declarou que o time chegou a uma situação pré-falimentar, quando de sua chegada à escuderia, tendo que fazer uma completa reestruturação para trazer de volta a McLaren ao seu lugar de protagonismo que já tinha ocupado por várias vezes na história da F-1. A McLaren correria o risco de sofrer o que a Williams sofreu, que depois de 1997, nunca mais voltou a ser uma força na categoria, com apenas brilhos esporádicos? Muitos fizeram essa pergunta, mas felizmente, a resposta foi negativa: a McLaren iria voltar, mas precisava de algum tempo para isso.

Lewis Hamilton conquistou o seu primeiro dos sete títulos na F-1 como piloto da McLaren.

E com paciência, muito esforço e trabalho, a McLaren conseguiu se reerguer, montando um time técnico de renome que soube conceber excelentes carros nos últimos anos, proporcionando a seus pilotos condições de vencer corridas, e até conquistar o título. Pode ser que os pilotos atuais possam ser considerados “inferiores”, se levarmos em conta nomes de peso que já defenderam a escuderia no passado, como Émerson, Prost, Senna, etc, mas é o que a McLaren tem para o momento, e pelo menos, parece estar satisfeita com isso. O time ainda vive cometendo vários erros em corridas, seja na pista, seja nos boxes, mostrando que, mesmo com o retorno às vitórias e títulos, ainda precisa recuperar aquela excelência de comando e estratégia que fizeram da McLaren o time por excelência na F-1 em seus melhores dias.

          Mas os piores dias, estes, felizmente ficaram no passado. O time voltou a ter estabilidade financeira, patrocinadores fortes, e acima de tudo, uma liderança que pelo menos tem conseguido devolver a glória e grandiosidade do nome McLaren ao meio automobilísticos, tendo ingressado também na Indycar, feito participação na Formula-E, e agora preparando-se também para ingressar no Mundial de Endurance a partir do ano que vem, na classe Hypercar, a principal do certame. Mas é a marca dos mil grandes prêmios disputados na F-1 que realça a longevidade e persistência da McLaren nos anais do esporte a motor, e que espera, continue firme e forte, por pelo menos mais mil GPs no futuro, e além. Vida longa à McLaren na F-1, portanto...

 


A FIA parece trabalhar para se superar em incompetência. Domingo passado, Pierre Gasly, da Alpine, terminou a corrida de Mônaco na 3ª colocação, mas tomou duas punições de 5s, que o jogaram para a 7ª posição na bandeirada. Pois bem, hoje, em Barcelona, a entidade que diz “comandar” o automobilismo mundial acatou as contestações apresentadas pela Alpine, expondo que os sensores da entidade calcularam errado a velocidade do francês nos boxes. Como resultado, Gasly recupera o 3º lugar conquistado na pista, ainda que tenha sido desfalcado do pódio no principado, após a corrida. Mas, claro que a situação, que não deveria nem ter acontecido, não deve terminar por aqui, embora devesse: McLaren e Red Bull, que foram impactadas pela reversão da punição, já avisaram que pretendem recorrer da decisão, e claro, irão apresentar seus argumentos contra a anulação da punição que devolveu o pódio a Gasly, e que acabou por deixar Isack Hadjar sem o seu sonhado primeiro pódio pela Red Bull. E a McLaren, claro, não quer perder o 4º lugar de Piastri... E durma-se com um barulho desses...

 

 

Com a Copa do Mundo agora em andamento, a Globo resolveu unificar temporariamente as suas transmissões da F-1, começando por este fim de semana, com o GP da Espanha, em Barcelona. Com parte dos profissionais, como Everaldo Marques, ocupados com as transmissões dos jogos na América do Norte, as transmissões do SporTV e da Globo serão a mesma... Bem, para quem já não estava conseguindo agradar mesmo, talvez não faça nenhum diferença, e o pessoal sente cada vez mais saudade da TV Bandeirantes, que mesmo com seus erros, mostravam mais esforço e carisma do que o atual time global na questão...