sexta-feira, 24 de julho de 2026

UM NOVO BAQUE

Abandono logo na primeira volta: um golpe duríssimo para George Russell em sua luta para tentar recuperar a desvantagem para Andrea Kimi Antonelli...

            A F-1 chegou à Hungria para encerrar a primeira parte da temporada, antes das férias de verão. Depois daqui, a competição só volta para o GP da Holanda, daqui a praticamente um mês. E o resultado da prova húngara será crucial para vermos se a categoria vai para as férias com a sensação de título encaminhado, ou retomada de alguma esperança de disputa. A razão é o azar que atingiu George Russell na etapa de domingo passado, na Bélgica, e que devolveu o piloto inglês à sombra de Andrea Kimi Antonelli, que dobrou sua vantagem para o companheiro de equipe na classificação do mundial, passando dos 25 para os 50 pontos de vantagem. Mesmo considerando que ainda temos muito chão pela frente, é uma desvantagem considerável, e um novo baque nas esperanças de George Russell, que vinha conseguindo descontar parte da desvantagem para o companheiro de equipe e reanimando-se na expectativa de voltar efetivamente ao duelo pelo título da temporada.

            O inglês, aliás, caiu de volta para a 3ª colocação no campeonato, sendo superado por Lewis Hamilton, que voltou à vice-liderança. Mas, como todos sabem que isso é mais circunstancial diante dos entraves que Russell tem enfrentado do que por capacidade real de a Ferrari disputar o título, todo mundo vê apenas as implicações para o duelo entre Antonelli e Russell, diante do poderio ainda superior da Mercedes, e infelizmente, percalços à parte, o panorama não tem sido muito animador para George. A retomada aparente de voltar ao jogo, vista na Áustria, quando Russell voltou a vencer, e efetivamente superou Antonelli no fim de semana em Zeltweg, não se confirmou como se imaginava. O piloto inglês da equipe alemã até conseguiu diminuir a vantagem, mas mais pelos problemas que o italiano teve nas últimas corridas.

            E o problema da fiabilidade, que já tinha dado golpes potentes nos dois pilotos, voltou a assombrar a Mercedes. Russell ficou sem bateria logo na primeira volta, e no ponto mais crítico da pista de Spa-Francorchamps: o trecho entre a descida para a Eau Rouge até a freada para a Les Combes. De repente, na freada, Russell se viu emparedado pelos outros pilotos, e um toque com Lewis Hamilton acabou levando o piloto da Mercedes para a escapatória, sem maiores percalços além do abandono prematuro da corrida antes mesmo de chegar à metade da primeira volta. Foi o pior resultado de um fim de semana que já não parecia muito entusiasmante para Russell, que estava sendo novamente batido por Andrea Kimi Antonelli nos treinos, e viu o companheiro arrebatar mais uma pole-position. Com o carro tendo algumas inconsistências que só complicavam a situação, a ordem era minimizar eventuais prejuízos na corrida, mas tudo deu errado, e George ficou fora de combate logo de cara, e pior ainda, vendo Antonelli vencer, e praticamente dobrar sua vantagem para ele.

            Mas o maior golpe sentido por Russell foi a sensação de não poder confiar no próprio carro. Enquanto Antonelli teve um fim de semana sem problemas, George desde o início teve problemas com seu bólido, e a bateria ficar descarregada logo no início da primeira volta, sem que o percurso todo fosse completado, apesar das preocupações de gerenciamento de energia que todos imaginavam, não era agora esperado. Sua fala no final, de que só quer “ter um carro igual ao de Antonelli”, pode ser sintomática de que a Mercedes tem mais problemas do que deixa transparecer, e até o fechamento desta coluna, a escuderia de Brackley afirmou ter conseguido encontrar a falha do problema, que estaria em uma falha no software de gerenciamento de energia, o que aparentemente explica porque o carro do inglês esgotou o sistema elétrico tão repentinamente, ao afirmar que esta falha provocou consumo de energia exagerado e sem necessidade. Por mais que alguns digam que Antonelli também sofreu com o mesmo dilema, isso não pareceu ser sentido de fora durante o fim de semana belga.

Lewis Hamilton: punição injusta em mais uma das baianadas dos comissários da FIA, que parece se superar a cada dia nas palhaçadas...

            Muitos falam que o italiano se adaptou melhor aos novos carros do regulamento da temporada 2026, e que isso não foi tão favorável a Russell, que se desenvolvia melhor com os carros usados até o ano passado. Já outros partem para algo mais sutil, no sentido de que a Mercedes estaria privilegiando Andrea, e deixando George ligeiramente menos favorecido, numa daquelas histórias sobre hierarquia em equipes que sempre dá razão às mais variadas polêmicas, muitas delas desnecessárias, e que em nada ajudam o esporte. Pode até ser, mas não se pode negar que Russell parece ficar afetado sempre que é superado pelo companheiro de equipe, algo que acontecia na Mercedes quando Hamilton se mostrava superior, e que parece estar se repetindo agora, em maior intensidade. Ou simplesmente, Russell está numa fase de azar onde nada sai como deveria. Vimos isso com Oscar Piastri ano passado, que até a Holanda era franco candidato ao título, mas dali em diante tudo desandou, e o título escapou do australiano.

            As falhas da Mercedes suscitam esperanças de que a luta pelo título traga mais emoção do que se esperaria, já que os carros prateados recuperaram o favoritismo de antigamente, e salvo um desastre, ninguém tira o título de Andrea Kimi Antonelli, a não ser Russell, se ele conseguir engatar de fato uma reação consistente e duradoura. O golpe sofrido em Spa é considerável, mas não irreversível, com metade do campeonato ainda pela frente, onde essa desvantagem pode ser neutralizada, mas depende de George voltar à sua melhor forma, e por necessidade, também combinar com os rivais, que sempre podem complicar a situação. E azares potenciais, como o toque com Hamilton, que poderia ter ocorrido com qualquer outro piloto ali.

            E, neste aspecto, a Ferrari mostra que pode incomodar. Não para entrar na disputa pelo título, mas causando incômodos suficientes para bagunçar a disputa e dificultar certas situações. Charles LeClerc liderou a prova belga, mas é inegável admitir que Antonelli não teve dificuldades para superar o monegasco e vencer, o que evidencia o ritmo potencial superior do modelo W17 sobre os outros carros do grid, mas e se o problema que afetou Russell atingisse o italiano? Seria uma vitória perdida, e talvez, um resultado menor, ou sabe-se lá se isso ainda não provocaria algo pior, como um abandono. Pode não comprometer a campanha como um todo, mas gerar preocupação suficiente para ligar os alertas na Mercedes, que embora tenha ampla experiência na disputa de títulos, poderia fraquejar em algum momento, como a própria McLaren balançou ano passado quando Max Verstappen veio para cima com tudo, e quase conquistou o título, já tido por muitos como inescapável do time de Woking.

Andrea Kimi Antonelli: sexta pole-position, e sexta vitória na temporada.

            Uma balançada dessas é o que a Mercedes não quer, tanto que já está rolando o lance de, se necessário, usarem as famigeradas “ordens de equipe” para garantir o título, e claro, do piloto mais bem colocado, que é Antonelli, com Russell tendo que atuar como “escudeiro”, o que seria outro golpe fortíssimo no ego do inglês. Por este aspecto, Russell já vem levando algumas indiretas do próprio time de que sua situação na escuderia não é tão valorizada. Até ano passado, pipocava boatos de que o time poderia contratar Max Verstappen, que já estava inconformado com a Red Bull tendo perdido sua “excelência técnica” mostrada em 2023, quando o holandês correu literalmente sozinho rumo ao título. Com Hamilton tendo saído par a Ferrari, e a promoção de Andrea Kimi Antonelli, ficava claro nas entrelinhas que, se Toto Wolf precisasse sacrificar alguém para a chegada de Verstappen, seria Russell a dançar, com o italiano, ainda novato, sendo um piloto muito mais “barato”, para contrabalançar a possível contratação de Verstappen, que como tetracampeão, chegaria a peso de ouro. Claro que, no fim, não aconteceu nada, mas certamente ouvir boatos de que seria o “sacrificado” na escuderia, mesmo que não houvesse, em tese, nada de verídico, não ajudava na estima de George em relação ao time.

            Com a Mercedes voltando à posição dominante na competição, Verstappen tornou-se “dispensável”, até porque, com o sucesso avassalador de Andrea este ano, Toto Wolf não iria “matar” seu piloto de aposta colocando-o ao lado de um “tubarão” voraz como Max no box ao lado. Mas, mesmo que, em termos de troca de pilotos, o assunto tenha morrido, Russell sofreu o maior baque de todos até aqui, sendo colocado para escanteio por Antonelli no campeonato, de uma forma que ninguém esperava, nem ele, e nem imprensa especializada e torcedores. Uma reação tornava-se necessária, e a bem ou mal, Russell até que estava conseguindo minimizar os prejuízos nas últimas etapas, e mostrar que a situação estava longe de ser definida, ou decidida. O azar sofrido em Spa, contudo, foi praticamente uma volta à estaca zero, com o restabelecimento de uma desvantagem do inglês perante o colega de time italiano, e pondo a perder todos os esforços dos últimos GPs.

            Nada está perdido, claro, mas o novo baque sofrido por Russell é significativo, e só deixa tudo mais complicado para o piloto inglês, que precisa iniciar de novo uma reação, já neste final de semana, se não quiser passar as férias de verão com a sensação de que a chance de sua vida pode estar indo completamente pelo ralo, e sem garantias de haver outra em 2027, na pior das hipóteses...

 

 

A FIA continua fazendo suas baianadas, e em Spa, Lewis Hamilton tomou uma punição considerada injusta quase por unanimidade, exceto, claro, para os comissários da prova belga, que tiveram de apresentar justificativas para a punição do inglês, e a não-punição de Charles LeClerc, que também se estranhou com outro piloto, no mesmo trecho da Les Combes, tendo se enroscado de leve com Oscar Piastri, da McLaren. A justificativa de que Hamilton deveria ter tomado mais cuidado foi na contramão do que todo mundo entende normalmente, que é o fato de o incidente ter ocorrido na primeira volta, com todos os carros mais próximos, e que, ali, a chance de toques, mesmo com todo o cuidado do piloto, são muito maiores, e geralmente, são incidentes de corrida, com todo mundo tentando achar espaço, e onde os percalços são maiores, tendo o piloto controle ou não. Tanto que o próprio George Russell, o maior prejudicado no episódio, pelo abandono decorrente do toque que levou, inocentou completamente Hamilton, entendendo o óbvio: foi um incidente de corrida. E a não-punição a LeClerc, que pelo raciocínio similar seria mais justificada, por ser em momento da corrida de disputa direta, com o monegasco não dando o devido espaço ao australiano, poderia até ser aplicada, mas não foi feita. Os 5s de punição foram cruciais para que Hamilton terminasse fora do pódio, onde poderia ter duelado com Max Verstappen pelo 3º lugar, e de certo modo, a 4ª colocação não foi tão ruim quanto poderia ter sido, mas isso não isenta a FIA de precisar ser mais coerente e lógica com suas decisões, ainda mais depois de uma trapalhada em Silverstone, de aviso de entrada do Safety Car que não houve, com a prova terminando atrás do carro de segurança, mas desta vez seguindo as regras que não foram aplicadas em Abu Dhabi, em 2021, naquela decisão polêmica que acabou dando o título a Max Verstappen na última volta da corrida… Será que a FIA ainda se emenda? Parece difícil, do jeito que as coisas andam...

 

 

Seguem rumores de que Rafael Câmara, atualmente na F-2, pode ser promovido para a F-1 em 2027. Membro da Academia de Pilotos da Ferrari, o brasileiro pode ganhar vaga na equipe Haas, que recebe as unidades de potência de Maranello, além de algum apoio técnico. Quem dançaria seria Esteban Ocón, que já não vem sendo muito valorizado no time, diante da falta de resultados, e de performance, especialmente na comparação com Oliver Bearman, que deve permanecer no time. Bearman, aliás, andava sendo cogitado até para eventual substituição de Lewis Hamilton no ano passado, diante das dificuldades do heptacampeão na escuderia italiana, mas diante da revigorada performance do inglês este ano, Bearman terá que aguardar na fila de espera. A Haas pode ser uma boa porta de entrada para Rafael, e com Bearman mantendo a posição de veterano, as cobranças a ele seriam menores, ainda que precise mostrar serviço se quiser permanecer, dependendo de como será um eventual contrato de promoção para a F-1. Mas seria interessante ver como nossos pilotos parecem recuperar um pouco do brilho e fama que nossos representantes já tiveram no automobilismo mundial, recebendo oportunidades merecidas pelo talento que demonstraram nas categorias de base. Se vai vingar na F-1, aí já é outra história…

 

 

Um outro boato que surgiu seria de que, se Fernando Alonso resolver se aposentar, Gabriel Bortoleto poderia ocupar a vaga do espanhol na Aston Martin em 2027. Acho pouco provável: Gabriel vem tendo um desempenho sólido com a Audi este ano, apesar das dificuldades enfrentadas pelo time, e na Bélgica, marcou pontos pela segunda vez consecutiva na temporada, chegando a 10 pontos, os únicos conquistados pela nova escuderia da marca das quatro argolas, uma vez que, depois da bela campanha do ano passado, até o presente momento Nico Hulkenberg segue zerado no campeonato. E a Audi já vê o brasileiro como pilar para o desenvolvimento de seu time na F-1, uma vez que Hulkenberg já é um veterano, com mais de uma década e meia de presença na competição, e que provavelmente não permanecerá por muito tempo mais. E a Audi tem um projeto de longo prazo para sua empreitada na F-1, de modo que, pelo menos no presente momento, pensadas as dificuldades atuais de Audi e Aston Martin, o time inglês primeiro precisa dar mostras de que irá recuperar o rumo, antes que Gabriel pense em se arriscar por lá… Mas o próprio Gabriel tratou de reforçar que seu futuro já está definido, e por enquanto, é permanecer na Audi, enquanto Alonso, claro, garantiu que permanece na Aston Martin no próximo ano… Mas claro que, na F-1, nada pode ser tomado como absoluta verdade ou definitiva… Mas não há nada que justifique esse boato a fundo no presente momento...

 

 

A Formula-E está em Tóquio para a penúltima etapa da temporada que encerra a era dos carros Gen3EVO. O palco é a área de Odaiba-Ariake, e novamente com rodada dupla, com largada programada para as 08:00 Hrs., pelo horário de Brasília, nas duas corridas do fim de semana. A novidade será que a rodada dupla na capital japonesa agora será disputada à noite, adicionando um novo componente à rodada dupla. O campeonato entra em sua reta final, com Pascal Wehrlein, da equipe oficial da Porsche tendo assumido a liderança da competição na rodada dupla de Shanghai, chegando aos 141 pontos. Mith Evans, do time da Jaguar, não conseguiu disputar a segunda prova na China por problemas no carro, e acabou perdendo a liderança da competição, ficando agora em 2º lugar, com 132 pontos. Atual campeão da categoria, Oliver Rowland, da Nissan, ocupa a 3ª posição, com 114 pontos, e precisa vir com tudo se quiser lutar pelo bicampeonato, ainda mais porque seu time corre em casa, no Japão. Wehrlein, por sua vez, pode até se sagrar campeão em Tóquio, mas precisa garantir uma vantagem de 59 pontos para liquidar a competição, e não depender dos resultados da última rodada, em Londres, que fecha o campeonato em agosto. A luta, contudo, deve ficar mais concentrada em Wehrlein e Evans, já que a diferença entre eles na pontuação é de apenas 9 pontos, mas a F-E costuma ser mais imprevisível que outros certames, e uma das preocupações dos pilotos é evitar encrencas e confusões, e qualquer azar pode ser catastrófico. As corridas terão transmissão ao vivo pelo canal pago Bandsports, e pelo site Grande Prêmio, em seu canal de You Tube e pela GPTV.

Mais uma vez, a Formula-E corre em Tóquio, na pista montada em Odaiba-Araike, e agora em rodada dupla noturna na capital nipônica...

quarta-feira, 22 de julho de 2026

RUSSEL DE VOLTA AO JOGO?

OBS: Esta é a coluna do dia 03 de julho, que devido a problemas diversos, não pôde ser publicada naquele dia, mas trago agora, tal como foi escrita, ainda que alguns fatos já possam estar defasados. Boa leitura a todos.

George Russell: voltando a vencer na F-1 2026...

 

Depois de ter vencido somente a etapa inicial da temporada 2026, eis que George Russell “renasceu” em Zeltweg para obter sua segunda vitória na competição, e quem sabe, dar início a uma “reação” perante Andrea Kimi Antonelli, seu companheiro de equipe, que desde a etapa da China, a segunda do campeonato, simplesmente deixou o inglês comendo poeira dentro da equipe da Mercedes. É uma reação bem-vinda, embora ainda tímida, visto que o piloto italiano ainda mantém uma dianteira expressiva sobre Russell, com uma vantagem de nada menos do que 40 pontos na classificação, o que indica que Andrea poderia abandonar uma corrida, e mesmo que George vencesse, ainda assim estaria ainda liderando o campeonato.

Mas é claro que, diante do que vinha acontecendo, é benéfico para o campeonato que George esboce uma reação. Algo que acabou facilitado também pelo abandono de Antonelli na etapa de Barcelona, no que foi o seu primeiro abandono na temporada até aqui, ajudando a equilibrar um pouco a disputa, afinal, Russell já tinha um abandono, no Canadá, quando estava brigando pela vitória, entregando de mão beijada mais um triunfo ao companheiro de time italiano. O problema é que, em Barcelona, Russell não conseguiu capitalizar da mesma maneira: o inglês foi 2º colocado, enquanto a vitória foi de Lewis Hamilton, de modo que Russell perdeu a chance de tirar pelo menos mais 8 pontos. O alento foi que, até Antonelli abandonar, ele vinha à frente de George, mais uma vez, de modo que, não fosse o abandono, o prejuízo a descontar seria ainda maior para o inglês, de modo que isso diminuiria até o efeito prático da última corrida, ainda que importante. Como Andrea ficou a pé na Catalunha, a recuperação de Russell ganhou um pouco mais de tração, importante para diminuir a desvantagem, que como se vê, ainda continua considerável, mesmo com o triunfo na etapa austríaca.

Na Áustria, George enfim bateu Antonelli, tanto na classificação, quanto na corrida. O ponto positivo foi que Max Verstappen, salvando a honra da Red Bull com uma grande performance na casa da fabricante austríaca de energéticos, foi o 2º colocado, e Antonelli não conseguiu dobrar o tetracampeão holandês, sempre um osso duro quando o assunto é defender posição, de modo que, assim, Russell conseguiu tirar 10 pontos de sua desvantagem, de modo que, aliado aos 18 pontos obtidos em Barcelona, foram 28 pontos importantíssimos para o inglês amaciar o ego ferido de estar sendo superado por um garoto de 19 anos, quando ele esperava estar ditando os rumos da competição, por ser o “veterano” da equipe, tal como havia feito no ano passado, quando Antonelli fez sua estréia e, claro, sofreu as dores do noviciado na competição.

Mas, com a estréia do novo regulamento técnico, Antonelli parece ter se dado melhor com os novos carros, o que não significa que Russell esteja exatamente ruim assim. Mas é inegável que o inglês levou um baque forte, não exatamente pelos problemas que veio tendo na competição, que certamente facilitaram, mas não justificam toda a diferença de resultados que vimos até aqui. Antonelli está surpreendendo de forma incrível, e vimos Russell se mostrando deixar ser afetado por isso, com vários momentos onde sua pilotagem não rendeu como se esperaria de alguém que conseguia andar no ritmo de Lewis Hamilton e até de superá-lo, mas que, já naqueles momentos, mostrava ficar meio alterado quando perdia para o heptacampeão. E, se isso já acontecia com Russell, que sabia estar enfrentando um adversário talentoso dentro do próprio time, mas veterano, e que já conhecia todos os “macetes” da competição, com ele ocupando a posição natural de “nova geração” e “desafiante” do status quo que Hamilton tinha dentro da Mercedes, nada mais natural que, diante da contratação de um rapaz novo, como Antonelli, Russell tenha sentido agora um impacto muito maior, e pior, do que quando era superado por Hamilton.

Depois da vitória em Barcelona, a Ferrari decepcionou na Áustria.

 

 

O que deveria ser a grande chance de Russell: a oportunidade de ser campeão, com a Mercedes voltando a ter o melhor carro da competição, está sendo dinamitada pela ascenção fulminante de Antonelli na atual temporada, algo que Russell, na temporada passada, certamente nem imaginava que iria ocorrer este ano, ou talvez, não imaginasse um duelo com tal envergadura. No ano passado, o inglês, com a saída de Lewis Hamilton para a Ferrari, exerceu o papel de destaque da Mercedes com naturalidade, diante da inexperiência de Antonelli, recém-chegado à F-1. Só que o panorama de 2026 virou completamente, e ninguém imaginava isso, e claro, menos ele.

O novo triunfo de George Russell, contudo, não passa do primeiro passo, obrigatório, para ele tentar voltar ao jogo da disputa. Ainda há um déficit de 40 pontos para Antonelli, e mais do que nunca, não se pode contar com eventuais azares do italiano. George tem que voltar a dar as cartas na pista, e se possível, esperar que os concorrentes se interponham entre ele e Andrea, como ocorreu na Áustria. A sorte de Antonelli foi que, diferente de Barcelona, desta vez as Ferraris não conseguiram mostrar a mesma desenvoltura na pista da Estíria: Hamilton foi apenas o 5º colocado, enquanto Charles LeClerc, o 8º.

O que deveria ser um campeonato fácil para a Mercedes, contudo, começa a mostrar algumas potenciais “rachaduras” na blindagem do time alemão. O modelo W17 é incontestavelmente o melhor carro da competição, mas embora ainda tenha uma vantagem de performance firme, a aproximação dos rivais, mesmo inconstante, parece ter encontrado um rival inesperado: a confiabilidade. Ninguém está surpresa das novas regras técnicas terem tornado o novo panorama da categoria tão complexo que o índice de quebras aumentou significativamente neste campeonato. Mas a Mercedes sempre se caracterizou por um índice de fiabilidade exemplar, onde seus pilotos abandonavam mais por incidentes ou percalços de competição, do que por problemas nos carros. George Russell e Andrea Kimi Antonelli já tiveram um abandono nada um, e por circunstâncias completamente alheias aos pilotos, que nada de anormal fizeram para as quebras ocorrerem. Isso significa que os carros “inquebráveis” de Brackley parecem não estar assim tão “inquebráveis” este ano, o que deixa no ar a dúvida se novas quebras não virão a ocorrer, dependendo do andar do campeonato.

Max Verstappen subiu ao pódio na casa da Red Bull, mas o desempenho continua inconstante, irritando o tetracampeão holandês.

         Só que os concorrentes também não conseguem mostrar estarem exatamente melhores. McLaren e Red Bull que o digam. O time de Woking ficou totalmente de fora da prova da China com problemas em seus dois carros antes mesmo de alinharem no grid. E o time dos energéticos, em seu primeiro projeto totalmente sem o dedo do mago das pranchetas, Adrian Newey, vem tendo um festival de altos e baixos onde ora o time consegue andar bem, como Verstappen fez em Zeltweg, ora entra em parafuso. A Ferrari é o time mais constante: Lewis Hamilton terminou todas as corridas até aqui, mas Charles LeClerc já ficou zerado em duas etapas, e a Ferrari, apesar de ser a ameaça “mais próxima”, não está em posição de desafiar abertamente a Mercedes como seria necessário. O resultado de Barcelona foi alentador, por significar a primeira “derrota” da Mercedes em uma corrida de fato no ano, mas como vimos, o time italiano não conseguiu repetir a proeza na Áustria, indicando que o resultado ainda é ocasional, não a rotina. Por isso mesmo, o entusiasmo demonstrado após a vitória de Hamilton na Catalunha é tratado com parcimônia pela direção da equipe de Maranello: importante, mas ainda longe da realidade necessária pra esperar que o time italiano brigue efetivamente pelo título, como se espera.

E não há garantias de que a Mercedes continue sofrendo com problemas de confiabilidade, com o time alemão sanando seus problemas, da mesma maneira que os rivais potenciais também não terão o mesmo problema persistindo, ou corrigindo-o

Ainda é cedo para afirmar que Russell vai voltar efetivamente à disputa, ou se o que vimos na Áustria foi um momento de desempenho superior ocasional. Antonelli pode voltar a deslanchar nas próximas etapas, com George voltando à sua posição de ostracismo. Ainda há muito chão pela frente, e a maior parte da temporada ainda está por vir, de modo que o panorama ainda tem tudo para mudar, até mais do que se imagina, se lembrarmos que, no ano passado, Max Verstappen parecia completamente fora da briga pelo título, e a partir da Itália, o holandês começou uma escalada impressionante, enquanto a McLaren batia cabeça junto com seus pilotos, e quase perdeu o título de pilotos em Abu Dhabi, com Verstappen ficando apenas 2 pontos atrás de Lando Norris, que se sagrou enfim campeão.

Tal tipo de situação poderia ocorrer de novo? Talvez sim, talvez não. Pode ser que a situação mude após as férias de verão em agosto, ou talvez não. Em teoria, tudo pode acontecer, e tudo mudar, ou também nada mudar efetivamente. E, até lá, muita água vai rolar…

 

 

O calvário da Aston Martin segue firme na temporada. Os problemas associados ao chassi AMR26, a esta altura, já não podem ser elencados como a principal causa dos resultados ruins da escuderia britânica em termos de performance. A unidade de potência da Honda, que parou de apresentar problemas de vibração comprometedores referentes à estabilidade da integração chassi-motor, continua com um desempenho pífio, e a comparação mais direta é com a Cadillac, que possui uma unidade de potência respeitável – Ferrari, mas tem um carro comprovadamente fraco. Basta ver a comparação no traçado do Red Bull Ring, na Estíria, que possui apenas 4,326 Km de extensão, para sentir o “buraco” de performance: Sergio Perez, da Cadillac, largou em 19º, com o tempo de 1min08s945, enquanto Fernando Alonso, da Aston Martin, foi o 21º colocado, com o tempo de 1mon09s942, ou seja, praticamente 1s de diferença para Perez. Se formos especular quão ruins são os carros de ambos os times, mesmo sabendo que os dois projetos são diferentes, ainda assim dá para ver como os japoneses estão revivendo o inferno vivido de sua antiga parceria com a McLaren há uma década atrás, quando a escuderia de Woking, e contando na época também com Fernando Alonso, penava na parte de trás do grid, com os magros pontos conquistados soando como verdadeiras vitórias, e nos fazendo pensar que a McLaren seguiria o mesmo destino de outros times outrora vencedores do passado, que quando despencaram na competição, quase nunca mais se levantavam. Bem, a McLaren conseguiu dar a volta por cima, mas não com a Honda, que voltaram ao sucesso com a Red Bull. Mas o momento vivenciado pela Aston Martin e pela Honda é ainda pior, pois mesmo com as deficiências tanto do carro quanto da unidade de potência nipônica, alguns resultados surgiram aqui e ali, enquanto que, nesta temporada, a parceira até agora não conseguiu mostrar nada de positivo, muito menos marcar pontos… Um cenário tão desastroso como ninguém conseguiria imaginar ser possível, mas que acabou se tornando uma realidade tão dura que é realmente difícil de acreditar... Claro que na F-1 não há exatamente milagres, e imaginar que a Aston Martin iria “arrebentar” conjugando os talentos de Adrian Newey no projeto do carro, o talento ainda firme de Fernando Alonso, que fez dele bicampeão mundial, e ainda um dos melhores pilotos do grid, mesmo nessa idade, e a força potencial da Honda...

A Aston Martin continua se arrastando no grid e nas corridas, perdendo até para a novata Cadillac.

 

 

Mas, a Aston Martin tem um ponto na competição, marcado justamente por Fernando Alonso, na etapa de Mônaco, mas conquistado pela punição de Sergio Perez, que havia sido o 10º colocado na prova, de modo que, não fosse por isso, seria a Cadillac quem estaria com esse solitário ponto, e a Aston Martin seguiria completamente zerada. Está previsto um robusto pacote de atualizações da escuderia justamente para a etapa da Hungria, onde eles esperam ter literalmente um carro novo para competir, muito mais leve, e bem mais sofisticado e aprimorado, e com isso, quem sabe, conseguir deixar as últimas posições do grid. Mas, independente de qual for o resultado, a Aston Martin, infelizmente, já garantiu a posição de ser a maior decepção da temporada, pelo desastre de performance que está apresentando até aqui, e um dos maiores micos da história da categoria máxima do automobilismo mundial…

 

 

Enquanto a Hungria não chega, as expectativas são tenebrosas para o time inglês, pelo lance de termos, antes da prova em Budapeste, duas pistas velozes – Silverstone, e Spa-Francorchamps. O circuito inglês, onde não por acaso, tem justamente a sede da Aston Martin logo ali ao lado, pode não ser mais um circuito de velocidade pura como era antigamente, mas é um traçado que exige potência. E na Bélgica, deve ser ainda pior, porque se quem possui unidades de potência competitivas, como Mercedes, Ferrari, e Ford?RBPT, já estão manifestando preocupações com o gerenciamento de energia, em especial se formos considerar o longo traçado belga, o mais extenso da F-1, além claro, do trecho de alta velocidade compreendido entre a saída da La Source, até a freada da Les Combes, lá no alto da colina, no ponto mais alto do traçado, passando pela veloz Eau Rouge, seguida pela Raidillon, e a reta Kemmel, o panorama pode ser assustador para quem não tem potência, praticamente…

 

 

A Indycar disputa neste final de semana o GP de Mid-Ohio, no clássico circuito do Mid-Ohio Sports Car Course, em Lexington. Com 3,634 Km de extensão, a pista, mesmo contando com um trecho de alta velocidade em reta logo após a reta dos boxes, é de difícil ultrapassagem, de modo que largar na frente é mais do que fundamental para tentar a vitória, sem depender de complexas estratégias de box. Será que a concorrência conseguirá se aproximar mais de Álex Palou, da Ganassi, que continua seguindo firme rumo a mais um título? A conferir no domingo, com transmissão ao vivo da ESPN4, já que a Bandeirantes, inexplicavelmente, arriou e decidiu não transmitir a prova ao vivo...