sexta-feira, 14 de agosto de 2026

PALOU PENTA?

Álex Palou: Nova vitória na temporada, agora em Portland, e rumando para mais um título na competição, sem que os concorrentes consigam apresentar reação.

            A Indycar chegou ao Canadá para sua única corrida na temporada fora dos Estados Unidos, e a novidade é a pista de Markham, em Ontário, que substitui o tradicional circuito do Exhibition Place, em Toronto, que por décadas foi palco fixo das categorias Indy em solo canadense. O novo circuito, também de rua, tem uma extensão de 3,5 Km, com 12 curvas, contando com bons trechos de retas que devem facilitar ultrapassagens e disputas de posições, além claro, de alguns trechos mais travados, típicos de pistas de ruas. O novo circuito é uma das grandes novidades da temporada, e deve ser interessante ver que tipos de disputas ele proporcionará.

            Mas o problema é que isso não serve muito de consolo à competição em si. Domingo passado, em Portland, Álex Palou levou a Chip Ganassi a mais um triunfo na temporada, e o espanhol segue cada vez mais firme rumo ao pentacampeonato, um feito impressionante se levarmos em conta que esta é apenas a sétima temporada de Álex na categoria, e não tendo sido campeão apenas em 2022, desde que passou a defender a Ganassi, em 2021. A diferença para os demais pilotos do grid só tem crescido, e dá-se a impressão de que Palou está acima de tudo e de todos, de modo que nem mesmo seus companheiros de time parecem estar aptos a competir com ele.

            Mas, exageros à parte, é curioso que apenas a estrutura em torno do espanhol parça funcionar assim tão bem, o que lembra o descontentamento de Scott Dixon, que mesmo tendo seis títulos conquistados pela Ganassi, pareceu escanteado, dando azo às fofocas de que a Ganassi está priorizando o espanhol em detrimento dos companheiros de time, e é curioso ver que, domingo passado, mesmo Kiffyn Simpson, que não é lá grande coisa, andou melhor que Dixon, terminando em 10º, enquanto o neozelandês foi 14º. Não tem problema centrar forças em um piloto, desde que os demais não seja exatamente prejudicados, mas é o que parece estar acontecendo, o que não é desmerecer o talento do espanhol. Mas explica porque, após quase 25 anos no time, Dixon, que neste momento é apenas o 12º colocado no campeonato, com apenas um TOP-3 no ano, tenha resolvido dar um basta, e migrar para a McLaren em 2027, onde poderá mostrar que ainda tem muito a oferecer na competição, mesmo neste momento da carreira se aproximando do final. Como já mencionei, o problema não é ver Palou como um ativo de longo prazo mais útil ao time, é não desmerecer quem deu à Ganassi nada menos do que 6 títulos nestas quase duas décadas e meia, e se levarmos em conta que Scott não é o tipo de piloto afeito a polêmicas, sua insatisfação diz muita coisa sobre o que de fato tem acontecido dentro da escuderia para ele se sentir preterido e desprestigiado. Ele terá sua chance de rebater na pista ano que vem, desde, claro, que a McLaren também se aprume melhor e proporcione a seus pilotos condições de brigar mais na frente.

            Não que o time inglês seja o único culpado também. Patricio O’Ward não faz exatamente uma temporada ruim, mas sua constância está abaixo do necessário para brigar com alguém como Palou. Tanto é que o mexicano tem apenas um pódio na temporada, justo em sua vitória em Mid-Ohio, onde sim, aproveitou as chances para vencer, ainda mais em cima de Christian Lundgaard, seu companheiro de time, que faz uma temporada melhor, já tendo vencido duas provas, e subido ao pódio em mais 3 ocasiões. Mas, mesmo assim, ele não conseguiu ir além por não render tão bem em ovais, a principal razão da McLaren para sua dispensa, trazendo Dixon para seu lugar. Em contrapartida, Nolan Siegel foi uma aposta de Tony Kanaan que não se materializou, tendo ficado muito abaixo dos companheiros de time.

Kyle Kirkwood: vice-líder, mas sem conseguir ameaçar Palou na luta pelo título.

            A Andretti parece também se atrapalhar sozinha, quando seus pilotos não tem problemas por si próprios. Will Power chegou com um desempenho forte no time, após encerrar sua passagem pela Penske, porém o australiano teve toda uma série de azares e percalços, alguns causados por ele mesmo, outros por problemas além de seu controle, e outros por culpa da própria equipe, o que fez com que ele tivesse resultados pífios em 6 corridas, derrubando-o na classificação, onde até Marcus Ericsson, mesmo com uma campanha irregular, está à frente na classificação do campeonato. Kyle Kirkwood tem se mostrado mais competente e eficiente na liderança da Andretti na pista, mas ele tem tido altos e baixos demais para quem precisa se esmerar se quiser duelar pelo título com Álex Palou, uma lição que tanto piloto quanto escuderia, precisam calibrar melhor, até porque, em termos globais, a Andretti parece o time mais forte na pista como um todo, mas não consegue traduzir isso em resultados condizentes com sua performance, tanto que a equipe só tem uma vitória no ano até aqui. É preciso conseguir mais do que isso.

            Mas, e o que dizer da Penske? A escuderia de Roger Penske parece um iô-iô, ora andando forte, ora andando lá atrás. A maior constância é ter ficado no meio do pelotão, o que convenhamos, é muito pouco para quem pretende o título, e possui a maior estrutura entre todos os times da competição. Quando consegue mostrar performance, seus pilotos não tem decepcionado, embora a irregularidade de performance tenha atingido todos eles, em escala maior ou menor. David Malukas, recém-chegado ao time, vem mostrando serviço, sendo o 3º colocado na competição, e procurando manter a constância, mas até agora não conseguiu vencer pela escuderia. Josef Newgarden, ainda parecendo enfrentar um inferno astral do qual não consegue se desvencilhar, parece ir no 8 ou 80: o piloto venceu duas corridas no ano, mas isso não foi suficiente para contrabalançar pelo menos quatro provas onde terminou na segunda metade do grid. E Scott McLaughlin também não anda lá essas coisas, sendo o pior piloto do time na classificação. Talvez o maior sinal da impotência da Penske no ano tenha sido o resultado de Nashville, onde o trio de pilotos andou forte, somente para ser derrotado fragorosamente por Álex Palou, ficando a trinca de pilotos classificada em 2º, 3º e 4º lugares, tendo tentado brigar pela ponta, e não conseguido, no que foi a melhor apresentação conjunta do time de Roger Penske na temporada, inclusive com David Malukas largando do fundo e fechando o pódio no final. No presente momento, Newgarden é o 7º colocado na classificação, seguido por McLaughlin em 8º, muito pouco para um time como a Penske, que nos últimos tempos ganhou notoriedade por irregularidades em seus carros que, mesmo podendo ter sido involuntárias e displicentes, maculou o histórico da escuderia nas boas práticas da competição. Mas o próprio time não fez um bom gerenciamento de seus recursos como deveria, e a prova disso foi a saída de Will Power da escuderia, após mais de uma década e meia, insatisfeito como o time o vinha tratando recentemente, e mesmo com alguns problemas pessoais, o australiano foi o último campeão pela Penske, tendo conquistado o título de 2022.

David Malukas: a Penske também não consegue reagir ao domínio imposto pelo espanhol da Ganassi.

            Não é uma situação que vemos apenas agora. Nos últimos dois anos, a concorrência ficou em altos e baixos durante a maior parte do ano, sem conseguir uma estabilidade, fosse de qual piloto ou time, que pudesse representar uma ameaça de fato ao domínio que Álex Palou vem impondo na competição. Em 2021, quando conquistou seu primeiro título, Palou só definiu a conquista na corrida final, vencendo Josef Newgardem por apenas 38 pontos. O espanhol, enrolado com uma malsucedida tentativa de transferência para a McLaren, não conseguiu discutir o título de 2022, ficando apenas em 5º lugar, no último ano em que a Penske disputou de fato o título, e ainda venceu, com Will Power. Já em 2023, começou o massacre de Palou e da Ganassi: o piloto espanhol foi campeão com 78 pontos de vantagem sobre Scott Dixon, o vice-campeão, em um ano onde a Ganassi venceu 8 provas no ano, e o último ano de desempenho parelho entre o neozelandês e o espanhol. Em 2024, Palou conquistou o título só na última corrida, é verdade, mas Colton Herta, que terminou como vice-campeão, nunca ameaçou de fato, tendo perdido a disputa por 31 pontos, mas que não revelam como o piloto da Ganassi dominou o ano, mesmo que a disputa se mantivesse viva matematicamente. No ano passado, foi um massacre: Palou tripudiou dos concorrentes, vencendo o campeonato com quase 200 pontos de vantagem para o vice-campeão, e quase 260 pontos para seu companheiro de time Scott Dixon, vencendo sozinho praticamente metade das corridas do ano, com 8 triunfos.

            A cada novo ano, a concorrência parece repetir o cenário: tudo pode começar até promissor, mas depois de algumas provas, Álex Palou e a Ganassi assumem a dianteira, para não largarem mais, correndo disparado na pontuação, enquanto os rivais se atropelam atrás, embaralhando-se na disputa a cada prova, com apenas alguns lampejos pontuais de brilho, enquanto mesmo em seus dias menos inspirados, Álex ainda marca pontos suficientes para administrar o prejuízo com competência ímpar, e não permitir que os rivais consigam de fato obter alguma satisfação mais duradoura, como estamos vendo agora este ano.

            Palou tem agora 110 pontos de vantagem para o vice-líder do campeonato, que voltou a ser Kyle Kirkwood, da Andretti, o equivalente a mais de duas vitórias na competição, sem contar os pontos extras. E com cinco corridas para o fim do campeonato, inclusa a prova deste final de semana, com 50 pontos por vitória em jogo, temos ainda 250 pontos em disputa, sem contar pontos extras por pole-positions, e voltas na liderança. A disputa está praticamente em aberto na teoria matemática, mas o retrospecto do campeonato é quase desesperadora para quem torce contra o espanhol da Ganassi. Kirkwwod, por exemplo, precisaria vencer as duas próximas corridas, e nem assim conseguiria assumir a liderança, porque mesmo que Palou abandonasse as duas provas, o sistema de pontuação da Indycar ainda lhe garantiria 5 pontos por prova, mesmo na última posição, de modo que o piloto da Andretti ainda ficaria na 2ª posição. E, claro, o tempo e oportunidade para uma reação diminui a cada prova onde Palou se mantém com resultados firmes, quando não vence.

Christian Lundgaard é o melhor piloto da McLaren na temporada, mas também não consegue oferecer oposição e brigar pelo título como seria necessário.

            Chega a ser o cúmulo ver como a situação parece teimar em não se equilibrar. Penske, Andretti e McLaren não conseguem atingir uma constância necessária para tirar o favoritismo de Palou. E sem essa constância, não há como conseguir inverter a situação. O cenário é mais do que conhecido, mas mesmo assim, ninguém parece conseguir achar uma solução para evitar que isso se repita. Palou também tem a famosa “sorte de campeão”, pois até agora, só abandonou uma única corrida, mas fora isso, teve um único outro resultado “ruim”, em Gateway, onde terminou em 17º lugar, até dando um pequeno alento à concorrência, somente para depois engatar dois quintos lugares e duas vitórias incontestáveis.

            Palou já pode ir comemorando o penta… Aliás, já deve estar comemorando mesmo, mas como prudência nunca é demais, certamente mantém a postura de campeonato em aberto, porque do jeito que a concorrência anda, de fato ele não tem muito com o que se preocupar, o que não significa que ele e a Ganassi estejam sendo displicentes com esse assunto, para azar dos concorrentes...

 

 

As disputas pelos poucos cockpits vagos na Indycar para 2027 estão ficando mais acirradas, e uma má notícia para Caio Collet foi aventada por Hélio Castro Neves no último final de semana, ao confirmar que a Meyer Shank já tem o seu novo piloto para o próximo ano, e não será o brasileiro, apesar do apoio do tetravencedor dda Indy500. Hélio foi direto ao ponto: o time priorizou patrocínio ao invés de talento, e mesmo que Caio tenha boa reputação, o fato de seu aporte de patrocínio não ter sido suficiente apenas indica que ele perdeu pela força do dinheiro. Um dos nomes especulados é o de Nolan Siegel, que foi dispensado pela McLaren para o próximo ano, mas traz patrocínios generosos que, mesmo com sua falta de resultados no time de Woking, devem ser mais do que suficientes para mantê-lo no grid da categoria em 2027. Agora as chances maiores seriam de Collet permanecer na Foyt, mas o time não confirma quem terá como piloto no próximo campeonato, dando a indicar que tanto Collet quanto Santino Ferrucci podem dançar, se aparecer algum piloto mais recheado de dólares.

 

 

Aliás, quanto à Foyt, teria surgido uma especulação de que Felipe Nasr, piloto da Porsche Penske no IMSA Weathertech Sportscar, poderia ser “alocado” na Foyt no próximo ano como um “estágio preparatório” para o brasileiro defender a Penske a partir de 2028, da mesma maneira que fez com David Malukas, que no ano passado defendeu o time de A. J. Foyt, e hoje está na Penske. Com o time do “capitão” fechado para 2027 com a trinca atual, poderia fazer sentido a operação, exceto que Felipe briga pelo título no IMSA, onde já é tricampeão, já fez alguns testes com o carro da Penske da Indycar, e dificilmente aceitaria defender um time que, no momento atual, mal consegue sair da segunda metade do grid para trás, enquanto no IMSA ele tem um carro capaz de levá-lo ao título da competição. Conversas de bastidores indicam que a Penske “canibalizou” a Foyt, tirando de lá seus melhores homens para reforçar seu esquema de competição da Indycar, o que deixou o time, que teve até alguns momentos relevantes em 2025, deficiente em todas as áreas, visto a queda de performance da escuderia vista este ano. Nasr não iria ficar brigando na parte de trás do pelotão para garantir uma vaga na Penske dessa maneira.

 

 

A Formula-E chega a Londres para o encerramento da atual temporada, mais uma vez, no palco do Excel Arena. Embora matematicamente falando, nove pilotos ainda tenham chances, a realidade é mais clara, com apenas os quatro primeiros colocados podendo de fato terem chances de levantar o caneco da temporada de encerramento da era Gen3. Jake Dennis, Mith Evans, Pascal Wehrlein, e Oliver Rowland, estão separados por 14 pontos de vantagem. Já os demais pilotos precisariam de combinações de resultados bem mais complicadas para chegarem ao tão esperado título, e por mais imprevisível que a F-E possa ser, mesmo assim é um cenário altamente improvável. As duas corridas do fim de semana têm largada programada para as 10:30 Hrs., tanto no sábado quanto no domingo. Mais do que encerrar a era Gen3, o fim de semana também marca o fim dos atuais contratos de transmissão com o canal pago Bandsports, e com o site Grande Prêmio. O grupo Disney firmou contrato para transmitir a competição a partir da próxima temporada no serviço de streaming Disney+, com exibição prevista para chegar a 144 países. Até o fechamento desta matéria, ainda não havia sido divulgado se as corridas serão exibidas também nos canais ESPN, como já acontece com outras competições, como a MotoGP. E quem será o campeão desta temporada? Rowland, Dennis e Wehrlein brigam pelo bicampeonato, enquanto Evans ainda batalha para chegar lá, e com sua ida para um novo time no próximo certame, a chance de Mith pode ser agora, ou nunca. Será que ele vai desencanar, ou a categoria verá o surgimento de um novo bicampeão? A conferir...

Formula-E tem seu final de temporada em Londres, no Excel Arena, encerrando a era dos carros Gen3.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

HAVOC SERIES – A TEMPORADA DE 1988 DA F-1 – PARTE IV

Aqui não, cara: Ayrton Senna até brigou pela vitória em Paul Ricard, mas Alain Prost esteve perfeito, e venceu enquanto o brasileiro teve problemas com seu carro.

            E voltamos com os vídeos das corridas completas da temporada 1988 da Fórmula 1. Na postagem de hoje, veremos como foram as provas da França e da Inglaterra daquela temporada, marcada pelo duelo titânico entre o francês bicampeão Alain Prost, e o brasileiro Ayrton Senna, ainda em busca de seu primeiro título, com ambos dividindo uma equipe McLaren absolutamente imbatível na temporada.

            O Grande Prêmio da França, para variar, seria mais um embate particular entre a dupla da McLaren, novamente com larga folga sobre toda a concorrência. Depois de duas vitórias incontestáveis, Ayrton Senna chegava disposto a manter a ascenção no campeonato, e claro, tomar a liderança, mas Alain Prost, ainda mais correndo em casa, tinha outros planos, e portanto, o francês tomou a pole-position, deixando Senna fechando a primeira fila. No embate do fim de semana, o francês tomava a frente, na sua primeira pole-position na temporada, depois de ver o piloto brasileiro largar em primeiro todas as vezes no ano até então.

            Na largada, um arranque não muito perfeito de Senna fez com que Ayrton ficasse atrás de Gerhard Berger, da Ferrari, obrigando o brasileiro a ter de recuperar a posição, enquanto Prost tentava ir-se embora. Mas, tão logo desvencilhou-se do austríaco, a dupla da McLaren simplesmente desapareceu na frente, como estava sendo costume naquele ano. A preocupação de Prost era com relação aos retardatários, onde Senna sempre levava vantagem na administração das ultrapassagens, reduzindo a vantagem de Prost na liderança, e colocando sua vitória em perigo. Mas Senna, com problemas no câmbio que o impediam de forçar demasiado o ritmo, era um problema adicional, e mesmo um pit stop mais rápido do brasileiro não foi suficiente para manter Senna intocável na liderança, com Prost, mesmo com a parada mais lenta, recuperando a primeira posição depois de parte da corrida onde o francês soube conservar melhor seu equipamento. Não foi algo fácil. Prost se manteve colado em Senna por várias voltas, e quando Ayrton chegou em retardatários, foi Prost que conseguiu armar o bote, enquanto o brasileiro, quase sempre mais hábil na hora de dobrar retardatários, deu azar de ficar encaixotado atrás de um, e o francês passou por dentro, sem que Ayrton pudesse reagir.

            De volta à liderança, Prost comandou a corrida como quis, até porque Ayrton não conseguia manter o mesmo ritmo, de modo que Prost venceu com alguma tranquilidade, com o brasileiro completamento mais uma dobradinha da McLaren, embora tenha cruzado a linha de chegada com mais de 30s de desvantagem. Coube a Ferrari ser a “melhor do resto”, com Michele Alboreto a fechar o pódio, tendo sido o único piloto a completar a prova francesa ainda na mesma volta do vencedor. Gerhard Berger, com a outra Ferrari, foi o 4º colocado, já uma volta atrás. Nélson Piquet, com a Lotus, ainda conseguiu um 5º lugar satisfatório, e quase ameaçando a posição de Berger. Alessandro Nanini fechou a zona de pontuação com a Benetton, em 6º lugar. Senna, mostrando como estava com problemas no carro, cruzou a linha de chegada em 2º lugar, e parou logo após a bandeirada, dando sorte de estar no pódio, apesar de tudo.

            De salientar a boa prova de Maurício Gugelmim, com a March/Judd, que largou em 16º, e terminou em 8º, enquanto seu companheiro de equipe Ivan Capelli largou em 10º, e terminou em 9º. Piquet, como mencionado, depois de alguns desaires, marcava alguns pontos aqui e ali, mas era nítido que a Lotus estava mal das pernas em termos de chassi, e uma hora, nem mesmo a potência do motor Honda ou o talento de Piquet seguraria as pontas no time, enquanto a concorrência seguia melhorando, e a McLaren permanecia inalcançável.

            A quarta vitória de Prost no ano estancava a recuperação de Senna, com o francês abrindo 15 pontos de vantagem para o brasileiro, e mostrando que Ayrton não teria vida fácil no campeonato, e que a disputa entre os dois ainda estava longe de terminar, sem que se pudesse atribuir favoritismo maior a um dos dois pilotos. Senna, com 3 triunfos até ali, também amargava dois abandonos – incluída a desclassificação por troca de carro no Brasil, enquanto Prost, fiel ao seu estilo “Professor”, terminava todas as provas, e fazia da constância uma arma poderosa, que poderia desequilibrar a disputa com Senna, que certamente não iria se dar por vencido de forma alguma. Confiram o vídeo da corrida na íntegra, com a narração da TV Globo, postado no You Tube pelo usuário Nilo, no link abaixo:

 

https://www.youtube.com/watch?v=V10A5DXori8

 

            A etapa da Inglaterra, a corrida seguinte, já começou com um diferencial, quando a chuva interferiu na classificação, e permitiu que, pela primeira vez no ano, não houvesse nenhum carro da McLaren na primeira fila do grid. A Ferrari conseguiu a pole, com Gerhard Berger, que teria a seu lado Michele Alboreto. Senna, considerado ás na pista molhada, largava logo atrás, em 3º, com Alain Prost ao seu lado. E no domingo, o piso continuou molhado. Poderia ser uma prova complicada, até porque havia trechos com poças de água na pista, e isso seria preocupante. Quando as luzes vermelhas foram apagadas, a Ferrari de Gerhard Berger manteve a liderança, todavia a presença de Michele Alboreto ao seu lado já desmoronou logo de cara, com o italiano sendo ultrapassado por Ayrton Senna, enquanto Maurício Gugelmin e Ivan Capelli colocavam os carros da March logo atrás, na zona de pontuação, completada pela Benetton de Alessandro Nanini. Avesso a corridas sob chuva, Alain Prost foi um coadjuvante na prova, pois ao final da primeira volta já havia caído para a 11ª posição. Berger forçava o ritmo para fugir de Senna e este, sem a visibilidade ideal, permaneceu atrás do austríaco durante as primeiras treze voltas. Depois de conseguir superar o piloto da Ferrari, não sem alguns sustos com retardatários no pisto molhado, o brasileiro começou a abrir vantagem, sem ter a vista atrapalhada pelo spray, enquanto Prost despencava para 16º.

            Enquanto Senna firmava-se na liderança, com a dupla da Ferrari vindo atrás, mas sem chances de ameaçar, quem vinha dando show era Nigel Mansell, com a Williams. Com o ritmo menor por causa da chuva, e com uma nova suspensão passiva montada na noite anterior, o piloto inglês ia para cima dos adversários, e não demorou a superar a Benetton de Alessandro Nanini, indo depois para a dupla da Ferrari, até alcançar um espetacular segundo lugar, que manteria até o final da prova, enquanto Senna vencia sem maiores problemas. Como bônus adicional, o piloto brasileiro via Prost, seu grande e único adversário na luta pelo título, abandonar a corrida, depois de andar no fundo do pelotão, e quando já tinha levado uma volta de Senna na corrida. O francês alegou estar com problemas de câmbio, mas internamente, a decisão do abandono não pegou muito bem, mas Prost usou de sua autoridade como campeão mundial, e líder do campeonato, para fazer valer sua decisão de deixar a corrida, alegando segurança.

            A Ferrari, depois de ser superada por Mansell, começou a despencar de rendimento. Faltando 14 voltas para o fim da corrida, o trio de líderes era Ayrton Senna, Nigel Mansell e Alessandro Nanini, enquanto Nelson Piquet e Maurício Gugelmin firmaram-se na zona de pontuação ao superarem Gerhard Berger, cujo ritmo alucinante no início da prova cobrava o seu preço. Senna, procurando mostrar cautela, e diante da imensa vantagem que tinha, diminuiu seu ritmo permitindo que Mansell reduzisse sua desvantagem de mais de um minuto para menos de vinte e cinco segundos. Na volta final a velocidade da McLaren foi tão baixa a ponto de formar uma fila de carros atrás do piloto brasileiro, o que permitiu a Derek Warwick ultrapassar Gerhard Berger e terminar em sexto, enquanto Eddie Cheever e Riccardo Patrese também conseguiram superar o austríaco da Ferrari, que caiu para o nono lugar enquanto Ayrton Senna comemorava a décima vitória de sua carreira e a quarta vitória no ano, igualando o número de triunfos de Prost no ano.

            Ao conquistar a vitória no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, Ayrton Senna atingiu 48 pontos, reduzindo para seis a sua desvantagem em relação a Alain Prost, com 54 pontos, reafirmando a McLaren no topo do mundial de construtores com 102 pontos. Foi o primeiro abandono do francês no ano, o que relançava a disputa entre os dois pilotos com tudo, depois de uma retomada proporcionada pelo francês na etapa anterior. Em segundo lugar, Nigel Mansell conseguiu o primeiro pódio e os primeiros pontos dele e da Williams em 1988, assim como a Benetton celebrava o primeiro pódio de Alessandro Nannini na F-1. Em quarto, Maurício Gugelmin marcou seus primeiros pontos com uma bela atuação, para a satisfação da March, tendo Nelson Piquet em quinto com a Lotus e Derek Warwick salvando os brios da Arrows ao terminar em sexto. Com esses resultados, três pilotos brasileiros pontuaram numa mesma corrida de Fórmula 1 pela primeira vez desde o longínquo Grande Prêmio da Alemanha de 1973, quando Carlos Pace (Surtees) terminou em 4º lugar, com Wilsinho Fittipaldi (Brabham) em 5º, e Émerson Fittipaldi, em 6º (Lotus).

            Se Senna conseguia reduzir significativamente sua desvantagem para Prost, atrás deles os demais pilotos continuavam muito atrás. Berger ainda era o 3º colocado, com 21 pontos, enquanto Piquet, com uma Lotus em crise era o 4º com apenas 15 pontos, com Michele Alboreto logo atrás, com 13 pontos. Na classificação de construtores, a McLaren tinha impressionantes 102 pontos, contra apenas 34 da Ferrari, e apenas 17 da Benetton, em 3º lugar. A Lotus amargava apenas 16 pontos, em 4º lugar. O vídeo completo da corrida, postado no You Tube pelo usuário f1brasil, pode ser conferido no link abaixo:

 

https://www.youtube.com/watch?v=CIcCMAmwlKo

 

E assim ficamos por aqui nesta postagem, com mais duas corridas completas da temporada de 1988. Uma boa diversão a todos, e em breve trago mais corridas daquele ano aqui. Até breve...

Se não deu na França, Senna triunfou na Inglaterra, em uma corrida debaixo de chuva, e igualou o número de vitórias de Prost no ano, com o francês tendo seu primeiro abandono no campeonato.