![]() |
| Ayao Komatsu, chefe da equipe Haas na F-1, e o novo contratado do time para a temporada 2027 da F-1, o brasileiro Rafael Câmara. |
No ano passado, o Brasil já havia conseguido voltar ao grid com Gabriel Bortoleto, na Sauber, em sua preparação para se tornar o time atual da Audi em 2026. Desde a aposentadoria de Felipe Massa ao fim de 2017, o Brasil não tinha um piloto titular no grid, mas agora, com a chegada de Rafael, o Brasil consegue a façanha de voltar a ter um segundo piloto no grid, algo nem tanto incomum nos velhos tempos, mas que não se fazia presente no grid da F-1 desde a última temporada de Felipe Nasr, em 2016, quando defendeu a Sauber, enquanto Felipe Massa corria pela Williams. Nasr, contudo, deixou a F-1 ao fim daquele ano, deixando Massa como nosso único representante no grid, até o fim de 2017. Na verdade, nem era para termos um piloto no grid naquele ano, mas a aposentadoria repentina de Nico Rosberg logo após conquistar o título com a Mercedes fez o time alemão trazer Valtteri Bottas para a equipe, e a Williams, que teria Lance Stroll como segundo piloto, precisou demover Felipe da aposentadoria já anunciada, de modo que Felipe permaneceu então mais um ano na F-1, retirando-se ao fim de 2017.
A chegada do piloto à categoria máxima do automobilismo coroa uma ascensão meteórica no esporte a motor. Pernambucano de Recife, cidade onde nasceu em 2005, Rafael Chaves Câmara começou bem cedo sua trajetória no automobilismo. Ele estreou no kart ainda aos seis anos de idade. E pode-se dizer que a velocidade tinha certa tradição na família, uma vez que Niége Rossiter, sua avó materna, se aventurou no automobilismo, tendo sido pioneira nas corridas de rua em Recife durante a década de 1960. Após conquistar diversos títulos regionais e o Campeonato Brasileiro de Kart em 2018, Rafael partiu para a Europa, onde começou uma carreira internacional de destaque. Foi vice-campeão mundial em 2019 da CIK-FIA (classe OK Junior), e posteriormente arregimentou títulos nos campeonatos de kart, como a WSK Champions Cup e a WSK Super Master Series, além do vice-campeonato europeu de competição do gênero, em 2021. No ano seguinte, ele partiu para os monopostos, ainda com 16 anos, e depois de se destacar nas seletivas mundiais da Academia de Pilotos da Ferrari, Câmara foi anunciado oficialmente como piloto membro do programa de desenvolvimento da equipe de Maranello.
Logo em seu ano de estréia como piloto da Academia Ferrari, Câmara já começou a se destacar: foi vice-campeão da F-4 dos Emirados Árabes; encerrou em 3º lugar os campeonatos da F-4 Italiana e da F-4 Alemã, acumulando vitórias e pódios. E não pararia por aí: Em 2023, na FRECA (Formula Regional European Championship by Alpine, à epoca), fechou a temporada de estreia em 5º lugar enquanto defendia a equipe Prema. No ano seguinte, dominou o campeonato de ponta a ponta e sagrou-se campeão europeu da FRECA. Em 2025, foi promovido para a F-3 em 2025 pela equipe Trident, onde deu o passo definitivo para se firmar entre os principais nomes nas categorias-satélite da F-1, uma vez que logo na temporada de estreia, garantiu o título por antecipação.
![]() |
| Como piloto da Academia Ferrari, Rafael Câmara conseguiu efetuar alguns testes com carros da Ferrari de temporadas recentes, conseguindo efetuar uma boa preparação visando estrear na F-1. |
Mas o sucesso nas categorias de base, se é um bom cartão de visitas, não é tudo. Rafael precisou mostrar do que é capaz, e não são raros pilotos que arrasam em categorias de acesso e depois, na F-1, não conseguem repetir o mesmo brilho. Câmara tem consciência de que precisa manter os pés no chão, até pelas limitações de competição do time de Gene Haas. Mas isso não significa que ele não teve que suar o macacão para conquistar a vaga. A oportunidade de efetivamente ser contratado pela Haas só ganhou impulso de fato após a escuderia realizar testes particulares com carros de temporadas anteriores da F-1. Como mencionado, o brasileiro pilotou a Ferrari SF-25 e também o Haas VF-25, o que não foi só importante em termos de acumular quilometragem, mas também de mostrar sua capacidade, e impressionando os engenheiros do time norte-americano com seu feedback do carro, os dados de telemetria, consistência em ritmo de corrida e capacidade de ajuste técnico do monoposto.
Câmara desbancou concorrentes diretos de peso neste processo de avaliação. Para a sessão de testes, que foi realizada em Portimão, Portugal, o time convocou também o italiano Leonardo Fornaroli, campeão da F-3 em 2024 e da F-2 em 2025, além de Ryo Hirakawa, campeão do Mundial de Endurance (WEC) pela Toyota e atualmente também piloto reserva da equipe. E a Haas foi bem meticulosa no teste, concentrando-se em uma abordagem técnica e criteriosa antes de fechar o acordo propriamente. O objetivo era medir a capacidade de adaptação dos candidatos em um ambiente controlado, mas altamente exigente, colocando-os à prova antes de qualquer decisão. O titular Oliver Bearman também esteve presente e serviu como referência aos candidatos. E o desempenho apresentado pelo brasileiro mais do que agradou à direção da Haas. Câmara não apenas demonstrou velocidade, mas também boa adaptação e capacidade de fornecer informações técnicas precisas, além de apresentar evolução consistente ao longo de toda a sessão. Isso já agradou a Ayao Komatsu, diretor-geral da escuderia, mas especialmente Gene Haas, proprietário da equipe, que ficou muito impressionado com os resultados e passou a defender o brasileiro como a escolha ideal para contratação pelo time. Haas ainda lembrou que foi o mesmo processo na escolha de Oliver Bearman, outro piloto que fez parte da Academia Ferrari, com o qual o time está bem satisfeito.
![]() |
| Teste com a Haas na pista de Portimão foi o momento decisivo para a contratação, após os bons resultados apresentados pelo brasileiro. |
![]() |
| Rafael lidera o campeonato da F-1 e pode ser o campeão da categoria, mas o final da temporada segue incerto. |
Que os torcedores brasileiros possam apoiar seu mais novo piloto no grid de forma racional e correta, como deve ser. Uma boa torcida sempre é bem-vinda, e que Rafael possa fazer uma boa temporada de estréia na F-1...
O recorde de participação de pilotos brasileiros no grid da F-1 foi em 2010, onde contamos com quatro pilotos titulares no grid em tempo integral: tínhamos Felipe Massa (Ferrari), Rubens Barrichello (Wiliams), Lucas Di Grassi (Virgin), e Bruno Senna (Hispania). Bruno, apesar de titular do pequeno time, não participou do GP da Inglaterra, sendo substituído por Sakon Yamamoto, mas era o titular do carro.
Consideradas participações esporádicas de pilotos brasileiros no grid, substituindo titulares das escuderias, houve duas temporadas onde tivemos cinco pilotos largando em algumas corridas. A primeira temporada foi em 2001, onde tivemos, no GP da Alemanha, os pilotos Rubens Barrichello (Ferrari), Enrique Bernoldi (Arrows); Luciano Burti (Jaguar); Tarso Marques (Minardi), e Ricardo Zonta (Jordan). A segunda temporada que contou com 5 pilotos brasileiros durante o ano foi 2004, devido ao revezamento de vagas nas equipes Toyota e Williams. Foram eles: Rubens Barrichello (Ferrari), Felipe Massa (Sauber), Cristiano da Matta (Toyota), Antonio Pizzonia (Williams), e Ricardo Zonta (Toyota). Zonta, aliás, substituiu o compatriota Cristiano da Matta, dispensado sem cerimônias pelo time japonês durante a temporada, depois que o piloto fez críticas à escuderia nipônica por procedimentos de competição que ele considerou ruins no ano.
A primeira temporada de F-1 a contar com mais de dois pilotos brasileiros no grid foi em 1972. Naquele ano, além de Émerson Fittipaldi correndo pela Lotus, onde seria campeão, houve também a participação como titulares de seus respectivos times, José Carlos Pace, com a March; e Wilson Fittipaldi Junior, com a Brabham. Luiz Pereira Bueno participou apenas da etapa do Brasil, que naquele ano foi uma prova extra-campeonato, sem valer pontos para o campeonato, correndo com um March. Até então, as participações brasileiras se resumiam à participação de Chico Landi, nos anos 1950; e de Émerson Fittipaldi, que estreou em 1970, e desde então defendia a equipe de Colin Chapman.
Max Verstappen detonou na etapa de Singapura, vencendo tanto a corrida Sprint quanto a prova principal na pista urbana de Marina Bay, além de marcar a pole nas duas corridas do fim de semana. Com o resultado, o tetracampeão holandês escalou a classificação no campeonato, que junto ao triunfo na prova de Sepang, na semana anterior, já faz Verstappen ocupar a 4ª posição no campeonato, a apenas 8 pontos de Lewis Hamilton, o 3º colocado; e apenas 17 pontos atrás de George Russell, o vice-líder. Russell, aliás, rodou e bateu sozinho na corrida sprint, e tendo de largar do fundo do grid na prova principal, pela troca de componentes em sua unidade de potência, foi apenas 9º colocado na prova, enquanto Andrea Kimi Antonelli foi o 3º colocado na corrida, tendo sido 4º colocado na prova curta. Com o resultado, o italiano da Mercedes chegou a 340 pontos na classificação, com Russell, ainda na vice-liderança, mas a 102 pontos atrás. Com seis corridas teoricamente para fechar a temporada, Antonelli já tem chance de ser campeão matematicamente na próxima corrida, em Austin, no Texas, a depender da combinação de resultados. A briga pelo vice-campeonato, contudo, pode render bastante, e Russell, se não tomar cuidado, pode ser surpreendido pelos rivais que estão se aproximando dele, se continuar com essa maré de azar...





