sexta-feira, 19 de junho de 2026

O RETORNO DE HAMILTON

Repetindo o feito de Michael Schumacher, 30 anos atrás, Lewis Hamilton conquista sua primeira vitória com a Ferrari na pista de Barcelona.

          A hegemonia da Mercedes na temporada 2026 da Fórmula 1 uma hora iria acabar. A expectativa era de quando isso ocorreria, se em algum momento ainda possível de significar reviravolta no campeonato, ou apenas quando tudo já estivesse mais encaminhado na tabela de classificação. A pista de Barcelona, tão conhecida por todos os times e pilotos, era uma boa chance de vermos onde cada time está de fato na pista este ano. Circuito técnico, com curvas para todos os gostos, a pista da Catalunha costuma mostrar as virtudes e defeitos dos carros, e em teoria, ninguém esperava muito de ver as Mercedes serem surpreendidas, dada as qualidades do modelo W17, bem como a excelência do motorb alemão até aqui no ano.

          Mas, eis que a Ferrari, e principalmente, Lewis Hamilton, resolveram colocar as garras de fora. Depois de treinos livres onde os carros vermelhos não pareciam muito em condição de brigar a fundo pela vitória, eis que o heptacampeão, que vinha de dois pódios consecutivos em 2º lugar, obtidos no Canadá, e em Mônaco, quase consegue a pole-position, não fosse uma volta excepcional de George Russell, tentando retomar as rédeas da competição, depois de ser superado por Andrea Kimi Antonelli nas últimas corridas, além de ter tido percalços diversos que o deixaram ser superado até mesmo por Lewis Hamilton na classificação da competição.

          E, ainda mais, apostar em três paradas, contra as duas usuais para a prova na pista catalã impunha que Hamilton mantivesse um ritmo fortíssimo. Ele seria capaz de tanto, dado que a Ferrari, pelo menos até então, não tinha conseguido sustentar um duelo contra a Mercedes por tanto tempo nas corridas disputadas até aqui? Por incrível que pareça, ele conseguiu. É bem verdade que a Mercedes também se complicou, marcando a estratégia de seu ex-piloto, quando deveria ter seguido a sua estratégia inicial. Ao parar George Russell respondendo à parada de Lewis, a equipe alemã entrou no jogo do adversário, sem mexer na sua tática. E claro que o abandono de Fernando Alonso, com mais problemas na Aston Martin, também foi uma mão na roda para Lewis, mas vale lembrar que o inglês estava na posição para aproveitar isso porque manteve uma performance forte e determinada, e claro, a Ferrari também não se complicou na estratégia desta vez, como costuma fazer vez por outra. E Hamilton, enfim, desencantou com a Ferrari, obtendo sua 106ª vitória na carreira, e ampliando ainda mais o recorde de triunfos que já é seu, e fazendo a festa da torcida italiana, que esperava por isso desde que o heptacampeão havia anunciado, no início do ano retrasado, que defenderia o time de Maranello.

          O triunfo de Hamilton foi lembrado por muitos como similar ao triunfo obtido também alí, em Barcelona, há trinta anos atrás, por Michael Schumacher, recém-chegado ao time italiano com a promessa de tirá-lo da fila de títulos que se estendia por quase vinte anos. Com a Ferrari amargando um jejum quase tão grande quanto ocorria na época, é inegável a comparação feita, na esperança de que Lewis vá em busca do tão sonhado e inédito oitavo título na F-1, o que seria um feito espetacular. E Hamilton agora parece se firmar na vice-liderança da competição, enquanto alguns, mais empolgados, começam a falar na possibilidade de disputar o título. Mas, vamos devagar aí... Foi uma vitória incrível, e que remete às melhores performances da carreira de Lewis Hamilton, sem sombra de dúvidas. Mas, daí a achar que vai brigar firme pelo título, vamos com calma. Até Frederic Vasseur concorda que é preciso manter os pés no chão, e não começar a ficar empolgado com o triunfo espetacular de Hamilton com a Ferrari.

George Russell fez a pole, mas ia terminar de novo atrás de Andrea Kimi Antonelli. Inglês não ficou contente com a situação, mesmo com o abandono do parceiro.

          O time italiano pode ter feito progressos em seu bólido, mas o propulsor ainda está abaixo da performance das unidades da Mercedes, e é nítido que em vários momentos nas corridas disputadas este ano, a Ferrari tinha problemas na velocidade de ponta, e o sistema da aerodinâmica ativa, bem como a asa móvel traseira, não forneciam velocidade de ponta suficiente para brigar a fundo nas retas com os carros prateados. O time conta com a possibilidade dos ADUOs para poder evoluir seu propulsor, e mesmo assim, garante que o incremento de potência pode não colocar a unidade ferrarista no mesmo nível da excelência da Mercedes, ou até mesmo da Ford/RBPT. Hamilton é o vice-líder, mas o mau momento de George Russell permitiu que isso acontecesse. Mas, uma hora, o azar de Russell deve acabar, e quando isso ocorrer, será que Lewis conseguirá se manter à frente do ex-companheiro de time? É claro que a má fase de George vem durando mais do que se esperava, ainda mais se considerarmos que Andrea Kimi Antonelli vinha para mais um resultado em cima do inglês, antes de abandonar a poucas voltas do final, mostrando que George, de favorito, virou azarão, e vai ter trabalho para reverter esse momento... Só que a Mercedes, antes de uma fiabilidade proverbial, vem mostrando que também pode deixar seus pilotos na mão. E sem aviso prévio, ainda por cima, como vimos o que ocorreu com o italiano líder do campeonato.

          O alarme parece ter soado na Mercedes. Duas quebras ocorridas sem sinais aparentes de problemas nos carros mostraram que o time alemão começa a sentir o golpe da fiabilidade. Já vimos a McLaren, que usa os mesmos propulsores alemães, sentir o drama em alguns momentos, e poderia ser apenas questão de tempo até o time de fábrica sentir algum baque. Russell teve um banho de água fria em Montreal, e desta vez, em Barcelona, foi a vez de Antonelli sentir a frustração de uma quebra onde o italiano mais uma vez vinha para um resultado de monta. Toto Wolf começa a falar sobre “ordens de equipe”, temendo uma escalada de Hamilton, que a grosso modo, ainda está longe de ameaçar de fato a dominância dos carros prateados.

Ferrari e Hamilton foram impecáveis em Barcelona.

          Se isso significar o que os indícios vem apontando, pior para George Russell, que pode ser “rebaixado” no time alemão a ser segundo piloto, com Antonelli tendo todas as benesses e privilégios que o termo indica. Exagero? Pode ser. A vitória de Lewis Hamilton em Barcelona foi categórica, fato, mas será que o heptacampeão poderá mesmo vir a ser uma ameaça aos pilotos da Mercedes no campeonato, a ponto de brigar pelo título da competição com Antonelli e Russell? Hamilton de fato vem andando bem nas últimas corridas, e a vitória em Barcelona, mesmo relevando os detalhes ocorridos, foi maiúscula, dos bons tempos do inglês na F-1. Mas, como mencionei acima, ainda é cedo para vermos se o time italiano de fato cresceu na performance a ponto de ser, de fato, uma ameaça real, ou se a Mercedes apenas teve um fim de semana ruim na Catalunha. Toto Wolf fala no “perigo potencial” que Hamilton pode oferecer, conhecendo plenamente o piloto que por mais de uma década defendeu a Mercedes, onde conquistou 6 de seus 7 títulos na competição.

          Não deixa de ser positivo vermos a primeira derrota efetiva da Mercedes na temporada 2026, mostrando que poderemos ter algumas disputas que poderão dar briga e agitação na luta pelo título, ainda que, no presente momento, Antonelli siga com uma dianteira fabulosa sobre os adversários. Mas, se a fiabilidade da Mercedes começar a aprontar das suas, sim, podemos até ter uma disputa pelo título deste ano na F-1. Apenas que isso ainda é uma expectativa, não uma realidade. Ver Hamilton de volta a melhores dias, com chances de dar show novamente é benéfico para a F-1, que nos últimos anos, em boa parte ficou refém de dinastias de um time e piloto só. No ano passado, tivemos uma disputa de fim de temporada emocionante como há tempos não víamos. Será que poderemos ver algo assim em 2026 também, com a Ferrari quase chegando lá, ou até mesmo chegando, na melhor das hipóteses, e de um desastre da Mercedes? Quem sabe?

          Precisamos esperar as próximas etapas para vermos o que de fato irá acontecer. Se a Ferrari virá de fato para a briga, ou se o time germânico irá recuperar o controle da situação e impor sua força novamente nas corridas. Aguardemos, portanto...

 

 

Charles LeClerc teve o seu contrato com a Ferrari renovado, pelo tom agora usado por quase todo mundo, de modo “plurianual”, sem duração específica, embora alguns digam que vai até 2030. Mas, desde que o anúncio saiu, eis que o monegasco vem tendo uma onda de azar daquelas. Enquanto Hamilton subiu de produção, com direto a pódios, e agora, até uma vitória, eis que Charles bateu bisonhamente na prova de Mônaco, e em Barcelona, sofreu um abandono que agora o deixam a quase duas vitórias de pontuação distante de Lewis. Pior: a desculpa dos freios em Monte Carlo não colou muito, ainda mais para a própria fabricante dos discos de freios usados pelo monegasco. Ainda é cedo para dizer que Charles pode estar sentindo a pressão da disputa com Hamilton dentro da Ferrari, mas é verdade que o primeiro triunfo obtido pela escuderia com a nova dupla de pilotos foi justamente com Lewis Hamilton. Como havia ocorrido na prova Sprint da China no ano passado, quando Lewis venceu a prova curta em Shanghai. Só que, se em 2025 isso foi fato isolado, agora o momento parece amplamente favorável a Hamilton na pista, e não um resultado especial apenas. LeClerc já fez proezas na equipe italiana, como por exemplo, ter superado Sebastian Vettel com relativa facilidade, a ponto do tetracampeão alemão ter sido dispensado da escuderia. E, no ano passado, parecia estar fazendo o mesmo com Lewis. Mas o panorama este ano parece bem diferente, e será que o momento vai permanecer assim, ou o monegasco vai reagir? A conferir nas próximas etapas...

De contrato renovado com a Ferrari, Charles LeClerc acumula dois abandonos nas últimas duas corridas...

 

 

A Fórmula-E volta a entrar em ação neste final de semana, na pista de Sanya, na China. O circuito volta ao calendário após uma única etapa, realizada em 2019, ainda na era dos carros Gen2, sendo que naquela ocasião o triunfo ficou com o francês Jean-Éric Vergne, na então equipe Techeetah, que não existe mais. Vergne, hoje na equipe Citroen, vai precisar de muita sorte e competência para reprisar aquele sucesso, visto que o time anda tendo mais baixos que altos na competição, e o próprio Jean-Éric carece de ter bons resultados na temporada até aqui. Mith Evans chega à pista chinesa na liderança do campeonato, mas prefere não cantar favoritismos, lembrando que Sanya foi palco de uma prova com carros da segunda geração da F-E, muito diferentes dos atuais Gen3EVO utilizados, que farão sua única aparição nesse circuito, antes do início da nova era Gen4. A etapa em Sanya será uma corrida simples, com prova apenas neste sábado, com largada prevista para as 04:00 Hrs. da madrugada de sexta para sábado, pelo horário de Brasília. A prova terá transmissão pelo canal do You Tube do site Grande Prêmio, além de sua GPTV, fora a transmissão pelo canal por assinatura Bandsports.

O traçado para o ePrix de Sanya.

 

 

Quem também volta a acelerar fundo neste final de semana, com os primeiros treinos começando hoje é a MotoGP. A etapa da República Tcheca, na pista de Brno, recebe a classe rainha do motociclismo, e a expectativa é se Marc Márquez, que venceu a etapa da Hungria, na pista de Balaton Park, mostrará a que veio de fato se for brigar pela vitória, tentando se recuperar na classificação do campeonato mundial, que vem sendo dominado pela Aprilia. Marco Bezzecchi segue líder da competição, mas é preciso que se diga que o time de Noale se implodiu na prova principal em Balaton, quando Jorge Martin acabou causando um acidente logo no início da corrida que tirou não apenas ele da corrida como também Bezzecchi, o que deixou os ânimos nos boxes do time italiano bem exaltados, com críticas mais do que inflamadas a respeito da atitude de Martin, mesmo que o espanhol tenha se desculpado pelo ocorrido. Como as duas Aprilias oficiais, fora a de Raul Fernandez (que também foi a nocaute pelo incidente gerado por Martin), não se pôde confirmar como está a força da marca de Noale na etapa húngara. Apesar da dominância da Aprilia na competição, a Ducati está fazendo grandes esforços para se recuperar, e o time italiano não quer saber de gerenciar a vantagem: precisa capitalizar todo e qualquer esforço e resultado conquistado na pista. Brno é a nona etapa da competição, que ainda tem muito chão pela frente, e contra tudo e todos, a Aprilia vem se mantendo mais forte do que todo mundo imaginava, mas isso não quer dizer que a boa forma irá durar por todo o campeonato. Por isso mesmo, todo mundo quer saber em Brno se a Aprilia vai voltar ao controle da situação, ou se a concorrência está pronta para desbancar as RS-GP do topo da tabela. A corrida Sprint tem largada às 10:00 Hrs. neste sábado, enquanto a prova do domingo começa às 09:00 Hrs. A transmissão será ao vivo pelo canal pago ESPN, além do streaming do Disney+.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

ARQUIVO PISTA & BOX – SETEMBRO DE 2000 – 15.09.2000

          E aqui estamos com mais uma antiga coluna, esta, publicada no dia 15 de setembro de 2000, e o assunto principal era a disputa pelo título da então F-CART, a F-Indy original, não a atual Indycar, criada em 1996. E a disputa pegaria fogo como de costume, e para os torcedores brasileiros, víamos algo que há tempos não esperávamos: um brasileiro, Gil de Ferran, assumia a liderança do campeonato. E em grande estilo, com dobradinha da Penske na etapa de Laguna Seca, que na época, tinha dois brasileiros como titulares, e não poderia deixar Roger Penske mais feliz, encerrando um período de vacas magras que o time do capitão vivia desde 1996. E Gil não largaria mais a liderança a partir dali, se tornando nosso segundo campeão na competição, repetindo o feito de Émerson Fittipaldi, em 1989. Gil iria além de Émerson, conquistando o bicampeonato em 2001, e Cristiano da Matta manteria o domínio verde-amarelo também em 2002, sendo campeão, na última década de existência da categoria. Aproveitem o texto, e boa leitura a todos...

 

DISPUTA EM ABERTO

 

          Com 16 etapas cumpridas de um calendário de 20 provas, a F-CART este ano está mostrando uma boa briga pelo título. E os brasileiros têm boas chances de conquistar o segundo título na categoria, depois da vitória de Émerson Fittipaldi no já distante ano de 1989. No fim de semana passado, em Laguna Seca, na Califórnia, a Penske fez dobradinha com seus pilotos: Hélio Castro Neves venceu a corrida de ponta a ponta, e Gil de Ferran foi o 2° colocado. Foi a segunda dobradinha do time de Roger Penske na temporada, e a 5ª vitória da escuderia, e o resultado colocou Gil na liderança da competição, com 132 pontos. Todos apostam que o brasileiro é um forte nome para o título.

          Mas a parada dificilmente se definirá antes da prova derradeira, no superoval de Fontana. Ainda temos 4 provas, duas em ovais, e outras duas em circuitos de rua, e com nada menos do que 88 pontos em jogo, muita coisa pode acontecer. Gil está na liderança, mas sua vantagem para os concorrentes é efêmera: Michael Andretti está logo atrás do brasileiro, com 126 pontos, apenas 6 de desvantagem, e não é bom subestimar a capacidade do filho de Mario Andretti, que continua buscando seu segundo título, depois de ter sido campeão em 1991. A Newmann-Hass é um time que só perde para a Penske em estrutura, e tem plenas condições de apresentar um carro competitivo para Michael fazer o que sabe melhor. Com duas vitórias e dois segundos lugares, Michael está firme no páreo pelo campeonato. O problema é sua constância ser menor do que de Gil: ele não marcou pontos em 6 etapas, incluída a prova de Laguna Seca, onde foi um medíocre 14° lugar na linha de chegada. Em contrapartida, Gil não marcou pontos em 4 etapas, já contabiliza 2 vitórias, e mais 2 segundos lugares e 1 terceiro, fora o carro da Penske ter demonstrado melhor performance na maioria das pistas do que o monoposto da escuderia de Carl Hass e Paul Newmann.

          Da mesma forma, não se pode menosprezar as possibilidades de Paul Tracy, que ocupa a 3ª colocação no certame, com 122 pontos. O problema do piloto canadense, como sempre, é sua aptidão para se envolver em encrencas na pista. Entre azares por culpa própria e outros alheios a seu controle, Tracy ficou sem pontuar em 6 corridas. Em contrapartida, venceu 3 provas, e ainda tem um terceiro lugar. Mas, da mesma forma que Michael Andretti, é um adversário perigoso, ainda mais se estiver dividindo posição na pista, onde tudo pode acontecer, desde apenas perder a posição, ou ambos acabarem fora da corrida. Pelo sim, pelo não, é sempre bom manter distância dele.

          Na base da regularidade, Adrian Fernandez, Kenny Brack, e Roberto Moreno também têm boas chances de chegar ao título. Apesar de vencerem pouco (Brack ainda está sem vencer), o trio tem se mantido sempre nas primeiras colocações, procurando aproveitar todas as oportunidades de pontuação, e assim, vão se mantendo com chances de levar a competição. Mas é hora de reforçar a performance, se o objetivo é mesmo arrebatar o título do campeonato. Neste ponto, Roberto Moreno infelizmente não deu sorte na última corrida, sofrendo um abandono que pode ter sido crucial para suas expectativas. Com apenas 3 provas sem marcar pontos este ano, Adrian Fernandez também vai precisar de um pouco mais para desbancar a concorrência.

          Com 103 pontos, Hélio Castro Neves está apenas em 7° lugar, mas vem subindo de produção nas últimas corridas. Companheiro de Gil na poderosa Penske, Helinho já mostrou que também é um piloto vencedor, sendo, ao lado de Paul Tracy, quem mais venceu corridas na temporada, com 3 triunfos, em Detroit, Mid-Ohio, e domingo passado em Laguna Seca. O que pesa contra o "Homem-Aranha" é seu início de temporada ruim, onde passou 4 das 5 primeiras corridas praticamente sem pontuar, com alguns abandonos por problemas mecânicos. E, mesmo depois de passar a terminar as corridas com mais constância, ainda ficou zerado em mais 3 etapas, o que explica sua diferença de pontos para o compatriota colega de time.

          Quem está sentindo a falta de fiabilidade mecânica é o atual campeão da categoria, Juan Pablo Montoya. O colombiano já venceu 2 corridas no campeonato, mas está longe de apresentar a mesma eficiência dos anos anteriores. Não fossem os vários abandonos no ano, certamente estaria brigando pelo bicampeonato. Sua velocidade continua a mesma, e diante da troca de equipamento efetuada pela Ganassi, pode-se dizer que o time conseguiu um excelente desenvolvimento tanto dos chassis Lola quanto dos motores Toyota. Mas as constantes quebras deixaram Montoya em uma 11° colocação no mundial, com 85 pontos, atrás até de Cristiano da Matta, que vem fazendo um ano muito bom pela modesta escuderia PPI Motorsports, tendo vencido de forma brilhante na etapa de Chicago, conquistando seu primeiro triunfo na categoria, e sendo atualmente o 10° colocado, com 88 pontos. Mas, diferente do colombiano, Cristiano não tem muitas chances de entrar na disputa pelo título. Seu objetivo firme é ficar dentro dos 10 primeiros colocados. Já Juan Pablo, pelos recursos e condições da Ganassi, tem tudo para efetuar uma reação, se seu equipamento colaborar mais e lhe permitir maior fiabilidade.

          Como de costume, o campeonato da F-CART vem mostrando seu costumeiro equilíbrio de forças. Nada menos do que 9 pilotos venceram corridas nas 16 etapas disputadas até aqui. Maxximiliano Papis, que começou o ano com vitória no oval de Homestead, entretanto, foi ficando para trás conforme o campeonato avançava, sendo no momento apenas o 12° colocado. Quem também ainda está tendo um ano a baixo do seu potencial é Christian Fittipaldi, que defendendo a Newmann-Hass, é apenas o 14° na classificação, com apenas 67 pontos. Mesmo com boas performances em várias corridas, a falta de fiabilidade e constância de resultados tem deixado o sobrinho de Émerson longe da disputa pelo título, e ainda em busca de sua primeira vitória na categoria, onde estreou em 1995, pela equipe Walker, e desde 1996 defendendo o time de Carl Hass e Paul Newmann. Sua hora vai chegar, só precisa que tudo dê certo no momento certo, e na hora correta.

          Mesmo assim, é a melhor temporada para os pilotos brasileiros desde o campeonato vencido por Émerson Fittipaldi em 1989. Das 16 corridas disputadas até aqui, já são 7 vitórias de nossos pilotos, sendo que em Portland, o pódio foi todo do Brasil: Gil de Ferran venceu, seguido de Roberto Moreno em 2° lugar, e Christian Fittipaldi em 3°. E não fosse as "intromissões" de Michael Andretti em 4°, e de Kenny Brack em 6°, teríamos tido 5 brasileiros nas 5 primeiras colocações, pois Cristiano da Matta foi 5° colocado, e Helinho o 7°.

          Hoje, os pilotos já voltam à pista, para os primeiros treinos da etapa de Saint Louis, no circuito de Gateway, pista oval com 1,25 milhas de extensão. É hora de voltar ao combate. Depois, a próxima etapa será dia 1° de outubro, no circuito de rua montado nas ruas de Houston, no Texas. Por fim, a visita a Surfer's Paradise para a corrida no dia 15 de outubro, e dia 30, o encerramento da competição, em Fontana, na Califórnia.

          A briga pelo campeonato continua plenamente aberta, e pelo histórico de equilíbrio da categoria, apesar dos exageros, até Christian Fittipaldi poderia levar o caneco, mesmo com toda a sua desvantagem. De forma mais realista, as chances maiores são de que um dos 7 primeiros colocados na classificação leve a taça. Há muitos pontos em jogo, e as combinações de resultados favorecem muitas opções que não podem ser descartadas. Em outras palavras, tudo pode acontecer nestas 4 corridas finais. Quem gosta de uma boa disputa tem tudo para curtir a briga, que promete ser boa nas pistas. Os fãs do esporte a motor certamente agradecem. E que vença o melhor...

 

 

O Grande Prêmio da Itália domingo passado foi marcado pelo acidente que envolveu vários pilotos logo na primeira volta. Envolveram-se na confusão Rubens Barrichello, Heinz-Harald Frentzen, Pedro de La Rosa, e David Couthard, na Variante Della Roggia. Johnny Herbert, Jarno Trulli e Eddie Irvinne também ficaram de fora no momento. Se todos os pilotos conseguiram sair ilesos do que sobrou de seus carros, infelizmente um fiscal de pista não teve a mesma sorte: Paolo Ghilimsberti, de 33 anos, foi atingido por uma das rodas que voaram do carro de Pedro de La Rosa, sofrendo traumatismo craniano. Atendido na pista pelos fiscais e pelo Dr. Sid Watkins, Paolo foi levado para o Hospital de Monza, mas faleceu em decorrência dos ferimentos. Isso acabou quebrando parte do espírito de comemoração da torcida, que vibrou com a vitória de Michael Schumacher, que volta a entrar firme na luta pelo título, estando apenas 2 pontos atrás de Mika Hakkinem, da McLaren, que foi 2° colocado na prova. Ralf Schumacher, da Williams, fez uma boa corrida, e fechou o pódio na 3ª colocação.

 

 

Quem também tinha motivos para comemorar em Monza era o brasileiro Ricardo Zonta: sem lugar garantido em 2001, Ricardo fez boa corrida e terminou em 6° lugar, marcando seu segundo ponto no campeonato. Pode ser pouco, mas num momento onde estão sendo feitas negociações para o próximo ano, resultados são o melhor cartão de visita, e Zonta precisa ter o que mostrar, e torcer para que até o encerramento do campeonato consiga desempenhar mais belas performances a fim de garantir uma vaga de titular, ou no mínimo, de piloto de testes em um time de ponta, como por exemplo a McLaren, onde é um dos nomes cogitados para a vaga.