
Aqui não, cara: Ayrton Senna até brigou pela vitória em Paul Ricard, mas Alain Prost esteve perfeito, e venceu enquanto o brasileiro teve problemas com seu carro.
E voltamos com os vídeos das
corridas completas da temporada 1988 da Fórmula 1. Na postagem de hoje, veremos
como foram as provas da França e da Inglaterra daquela temporada, marcada pelo
duelo titânico entre o francês bicampeão Alain Prost, e o brasileiro Ayrton
Senna, ainda em busca de seu primeiro título, com ambos dividindo uma equipe
McLaren absolutamente imbatível na temporada.
O Grande Prêmio da França, para variar, seria mais um embate particular entre a dupla da McLaren, novamente com larga folga sobre toda a concorrência. Depois de duas vitórias incontestáveis, Ayrton Senna chegava disposto a manter a ascenção no campeonato, e claro, tomar a liderança, mas Alain Prost, ainda mais correndo em casa, tinha outros planos, e portanto, o francês tomou a pole-position, deixando Senna fechando a primeira fila. No embate do fim de semana, o francês tomava a frente, na sua primeira pole-position na temporada, depois de ver o piloto brasileiro largar em primeiro todas as vezes no ano até então.
Na largada, um arranque não muito perfeito de Senna fez com que Ayrton ficasse atrás de Gerhard Berger, da Ferrari, obrigando o brasileiro a ter de recuperar a posição, enquanto Prost tentava ir-se embora. Mas, tão logo desvencilhou-se do austríaco, a dupla da McLaren simplesmente desapareceu na frente, como estava sendo costume naquele ano. A preocupação de Prost era com relação aos retardatários, onde Senna sempre levava vantagem na administração das ultrapassagens, reduzindo a vantagem de Prost na liderança, e colocando sua vitória em perigo. Mas Senna, com problemas no câmbio que o impediam de forçar demasiado o ritmo, era um problema adicional, e mesmo um pit stop mais rápido do brasileiro não foi suficiente para manter Senna intocável na liderança, com Prost, mesmo com a parada mais lenta, recuperando a primeira posição depois de parte da corrida onde o francês soube conservar melhor seu equipamento. Não foi algo fácil. Prost se manteve colado em Senna por várias voltas, e quando Ayrton chegou em retardatários, foi Prost que conseguiu armar o bote, enquanto o brasileiro, quase sempre mais hábil na hora de dobrar retardatários, deu azar de ficar encaixotado atrás de um, e o francês passou por dentro, sem que Ayrton pudesse reagir.
De volta à liderança, Prost comandou a corrida como quis, até porque Ayrton não conseguia manter o mesmo ritmo, de modo que Prost venceu com alguma tranquilidade, com o brasileiro completamento mais uma dobradinha da McLaren, embora tenha cruzado a linha de chegada com mais de 30s de desvantagem. Coube a Ferrari ser a “melhor do resto”, com Michele Alboreto a fechar o pódio, tendo sido o único piloto a completar a prova francesa ainda na mesma volta do vencedor. Gerhard Berger, com a outra Ferrari, foi o 4º colocado, já uma volta atrás. Nélson Piquet, com a Lotus, ainda conseguiu um 5º lugar satisfatório, e quase ameaçando a posição de Berger. Alessandro Nanini fechou a zona de pontuação com a Benetton, em 6º lugar. Senna, mostrando como estava com problemas no carro, cruzou a linha de chegada em 2º lugar, e parou logo após a bandeirada, dando sorte de estar no pódio, apesar de tudo.
De salientar a boa prova de Maurício Gugelmim, com a March/Judd, que largou em 16º, e terminou em 8º, enquanto seu companheiro de equipe Ivan Capelli largou em 10º, e terminou em 9º. Piquet, como mencionado, depois de alguns desaires, marcava alguns pontos aqui e ali, mas era nítido que a Lotus estava mal das pernas em termos de chassi, e uma hora, nem mesmo a potência do motor Honda ou o talento de Piquet seguraria as pontas no time, enquanto a concorrência seguia melhorando, e a McLaren permanecia inalcançável.
A quarta vitória de Prost no ano estancava a recuperação de Senna, com o francês abrindo 15 pontos de vantagem para o brasileiro, e mostrando que Ayrton não teria vida fácil no campeonato, e que a disputa entre os dois ainda estava longe de terminar, sem que se pudesse atribuir favoritismo maior a um dos dois pilotos. Senna, com 3 triunfos até ali, também amargava dois abandonos – incluída a desclassificação por troca de carro no Brasil, enquanto Prost, fiel ao seu estilo “Professor”, terminava todas as provas, e fazia da constância uma arma poderosa, que poderia desequilibrar a disputa com Senna, que certamente não iria se dar por vencido de forma alguma. Confiram o vídeo da corrida na íntegra, com a narração da TV Globo, postado no You Tube pelo usuário Nilo, no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=V10A5DXori8
A etapa da Inglaterra, a corrida seguinte, já começou com um diferencial, quando a chuva interferiu na classificação, e permitiu que, pela primeira vez no ano, não houvesse nenhum carro da McLaren na primeira fila do grid. A Ferrari conseguiu a pole, com Gerhard Berger, que teria a seu lado Michele Alboreto. Senna, considerado ás na pista molhada, largava logo atrás, em 3º, com Alain Prost ao seu lado. E no domingo, o piso continuou molhado. Poderia ser uma prova complicada, até porque havia trechos com poças de água na pista, e isso seria preocupante. Quando as luzes vermelhas foram apagadas, a Ferrari de Gerhard Berger manteve a liderança, todavia a presença de Michele Alboreto ao seu lado já desmoronou logo de cara, com o italiano sendo ultrapassado por Ayrton Senna, enquanto Maurício Gugelmin e Ivan Capelli colocavam os carros da March logo atrás, na zona de pontuação, completada pela Benetton de Alessandro Nanini. Avesso a corridas sob chuva, Alain Prost foi um coadjuvante na prova, pois ao final da primeira volta já havia caído para a 11ª posição. Berger forçava o ritmo para fugir de Senna e este, sem a visibilidade ideal, permaneceu atrás do austríaco durante as primeiras treze voltas. Depois de conseguir superar o piloto da Ferrari, não sem alguns sustos com retardatários no pisto molhado, o brasileiro começou a abrir vantagem, sem ter a vista atrapalhada pelo spray, enquanto Prost despencava para 16º.
Enquanto Senna firmava-se na liderança, com a dupla da Ferrari vindo atrás, mas sem chances de ameaçar, quem vinha dando show era Nigel Mansell, com a Williams. Com o ritmo menor por causa da chuva, e com uma nova suspensão passiva montada na noite anterior, o piloto inglês ia para cima dos adversários, e não demorou a superar a Benetton de Alessandro Nanini, indo depois para a dupla da Ferrari, até alcançar um espetacular segundo lugar, que manteria até o final da prova, enquanto Senna vencia sem maiores problemas. Como bônus adicional, o piloto brasileiro via Prost, seu grande e único adversário na luta pelo título, abandonar a corrida, depois de andar no fundo do pelotão, e quando já tinha levado uma volta de Senna na corrida. O francês alegou estar com problemas de câmbio, mas internamente, a decisão do abandono não pegou muito bem, mas Prost usou de sua autoridade como campeão mundial, e líder do campeonato, para fazer valer sua decisão de deixar a corrida, alegando segurança.
A Ferrari, depois de ser superada por Mansell, começou a despencar de rendimento. Faltando 14 voltas para o fim da corrida, o trio de líderes era Ayrton Senna, Nigel Mansell e Alessandro Nanini, enquanto Nelson Piquet e Maurício Gugelmin firmaram-se na zona de pontuação ao superarem Gerhard Berger, cujo ritmo alucinante no início da prova cobrava o seu preço. Senna, procurando mostrar cautela, e diante da imensa vantagem que tinha, diminuiu seu ritmo permitindo que Mansell reduzisse sua desvantagem de mais de um minuto para menos de vinte e cinco segundos. Na volta final a velocidade da McLaren foi tão baixa a ponto de formar uma fila de carros atrás do piloto brasileiro, o que permitiu a Derek Warwick ultrapassar Gerhard Berger e terminar em sexto, enquanto Eddie Cheever e Riccardo Patrese também conseguiram superar o austríaco da Ferrari, que caiu para o nono lugar enquanto Ayrton Senna comemorava a décima vitória de sua carreira e a quarta vitória no ano, igualando o número de triunfos de Prost no ano.
Ao conquistar a vitória no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, Ayrton Senna atingiu 48 pontos, reduzindo para seis a sua desvantagem em relação a Alain Prost, com 54 pontos, reafirmando a McLaren no topo do mundial de construtores com 102 pontos. Foi o primeiro abandono do francês no ano, o que relançava a disputa entre os dois pilotos com tudo, depois de uma retomada proporcionada pelo francês na etapa anterior. Em segundo lugar, Nigel Mansell conseguiu o primeiro pódio e os primeiros pontos dele e da Williams em 1988, assim como a Benetton celebrava o primeiro pódio de Alessandro Nannini na F-1. Em quarto, Maurício Gugelmin marcou seus primeiros pontos com uma bela atuação, para a satisfação da March, tendo Nelson Piquet em quinto com a Lotus e Derek Warwick salvando os brios da Arrows ao terminar em sexto. Com esses resultados, três pilotos brasileiros pontuaram numa mesma corrida de Fórmula 1 pela primeira vez desde o longínquo Grande Prêmio da Alemanha de 1973, quando Carlos Pace (Surtees) terminou em 4º lugar, com Wilsinho Fittipaldi (Brabham) em 5º, e Émerson Fittipaldi, em 6º (Lotus).
Se Senna conseguia reduzir significativamente sua desvantagem para Prost, atrás deles os demais pilotos continuavam muito atrás. Berger ainda era o 3º colocado, com 21 pontos, enquanto Piquet, com uma Lotus em crise era o 4º com apenas 15 pontos, com Michele Alboreto logo atrás, com 13 pontos. Na classificação de construtores, a McLaren tinha impressionantes 102 pontos, contra apenas 34 da Ferrari, e apenas 17 da Benetton, em 3º lugar. A Lotus amargava apenas 16 pontos, em 4º lugar. O vídeo completo da corrida, postado no You Tube pelo usuário f1brasil, pode ser conferido no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=CIcCMAmwlKo
E assim ficamos por aqui nesta postagem, com mais duas corridas completas da temporada de 1988. Uma boa diversão a todos, e em breve trago mais corridas daquele ano aqui. Até breve...
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| Se não deu na França, Senna triunfou na Inglaterra, em uma corrida debaixo de chuva, e igualou o número de vitórias de Prost no ano, com o francês tendo seu primeiro abandono no campeonato. |




