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| Nélson Piquet: barbeiragem com pneus de seco na pista molhada de Hockenhein, e abandono ainda na primeira volta da prova alemã em 1988. |
Hora de seguir adiante com mais uma postagem de vídeos das corridas da temporada de 1988. Metade da temporada já havia sido realizada com o Grande Prêmio da Inglaterra, em uma prova magistral vencida por Ayrton Senna em seu elemento mais característico, a chuva.
A Alemanha sediava a corrida seguinte no campeonato, e as longas retas de Hockenhein apenas confirmou a tendência do ano, de que os motores turbo levariam ampla vantagem, graças à sua potência superior em relação aos propulsores aspirados. E não deu outra. O único carro aspirado a receber a bandeirada de chegada ainda na mesma volta do vencedor da prova, que acabou sendo Ayrton Senna, em mais um triunfo da McLaren/Honda, foi o March de Capelli. Para se ter uma idéia da diferença de velocidade, Capelli registrou a velocidade máxima com o motor Judd V8 levando seu March 881 a 312 km/h, enquanto a McLaren atingiu 333 km/h, e as Ferraris, 328 km/h. Novamente, a McLaren dominou a primeira fila, com Senna marcando mais uma pole-position, e Alain Prost ocupando a 2ª posição. As Ferraris ocuparam a segunda fila, com Gerhard Berger à frente de Michele Alboreto. Nélson Piquet ocupava a 5ª posição, tendo esperanças de pelo menos marcar pontos. Maurício Gugelmim, com a March, ocupava uma promissora 10ª posição, depois do bom resultado alcançado em Silverstone na prova anterior.
Senna largou bem da pole, com Prost caindo para quarto, mas evitando percalços no piso molhado, sendo superado no arranque inicial por Berger e por Nanini. A prova mais uma vez era marcada pela chuva, que deixou a pista encharcada, mesmo tendo parado de cair água, então, todo cuidado era pouco, e por isso mesmo, foi inexplicável a decisão de Piquet de largar com pneus slicks enquanto todo mundo partiu com os tradicionais pneus de chuva, e deu no que deu: Nélson aquaplanou e bateu na barreira de pneus da Ostkurve, abandonando a corrida ainda na primeira volta. Um erro de amador que não condizia com a condição de tricampeão mundial reinante de Piquet, que continuava sofrendo seu calvário com a falta de competitividade da Lotus, e depois de uma corrida até razoável na Inglaterra, agora jogava fora uma chance potencial de marcar mais alguns pontos.
Dominando a prova no piso molhado, Ayrton venceu mais uma na temporada, com Prost se recuperando para terminar sem percalços em 2º lugar, e garantindo mais uma dobradinha para a McLaren, no ano de domínio arrasador da escuderia de Woking. Berger garantiu o degrau mais baixo do pódio, em 3º lugar, a mais de 50s de desvantagem para Senna, com Alboreto fechando em 4º, em um bom resultado para a equipe italiana, diante das circunstâncias. Ivan Capelli terminou em 5º, com a March. Thierry Boutsen, com a Benetton, fechou a zona de pontuação em 6º lugar. Gugelmim não repetiu o show de Silverstone, ficando em 8º lugar na bandeirada. Dos 26 carros que largaram, 18 terminaram a corrida alemã. A corrida pode ser acompanhada completa no link abaixo, em vídeo postado pelo usuário Forell no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=4MYACGzuIso
No Grande Prêmio seguinte, na Hungria, Ayrton Senna mais uma vez conquistou a primeira posição no grid de largada. Era sua 24ª pole position, colocando o brasileiro com a terceira marca no ranking, atrás apenas dos lendários campeões Jim Clark e Juan Manuel Fangio. Curiosamente, Alain Prost teve uma classificação menos exuberante, e ia partir da 7ª posição, deixando Senna com Nigel Mansell ao seu lado na primeira fila. O piloto da Williams voltava a largar em 2º, depois de ter ocupado esta posição no grid do GP do Brasil. Mansell, aliás, estava abatido com uma catapora, o que tornava sua participação mais difícil. Nigel, porém, não deu mole, e no traçado sinuoso de Hungaroring, ele partiu atrás de Senna decidido a roubar a liderança do brasileiro da McLaren. Na 12ª volta, contudo, Mansell colocou a roda na zebra, e acabou rodando, felizmente sem bater ou ser atingido por ninguém, mas não conseguiria mais mostrar o mesmo destaque. O traçado travado da Hungria favorecia os carros com motores menos potentes, de modo que Thierry Boutsen colocou sua Benetton/Ford na 3ª posição, com Ivan Capelli, da March/Judd, logo ao seu lado. A outra Benetton, com Alessandro Nanini, partiu em 5º, com Riccardo Patrese, da Williams, em 6º. Gugelmim saía em 8º com a outra March, e Piquet, seguindo seu calvário com a Lotus, era apenas 13º na largada, na pista onde venceu nas duas edições anteriores, quando defendia a Williams.
Em compensação, mesmo um pouco mais atrás, saindo em 7º, Alain Prost saiu decidido a recuperar-se na corrida, mesmo caindo para 9º na largada, e foi superando os adversários à sua frente. Com o ritmo superior da McLaren, mesmo assim ele demorou a alcançar Senna, apenas na volta 47, e começando ali um duelo onde ambos disputavam ferozmente a liderança, com o francês conseguindo até assumir a ponta na freada da primeira curva, só para ser superado por Ayrton logo a seguir. A luta ficou maios ou menos estabilizada por ali, até o fim da prova, onde Senna venceu a corrida com uma vantagem de pouco mais de meio segundo sobre seu companheiro de equipe, Prost. Essa foi a sexta vitória de Senna na temporada, a terceira consecutiva, enquanto o francês somava apenas quatro vitórias no ano. Thierry Boutsen mais uma vez terminou como o "melhor do resto" em seu Benetton, terminando meio minuto atrás da dupla da McLaren. Completando a zona de pontuação ficaram Gerhard Berger (Ferrari), Maurício Gugelmin (March) e Riccardo Patrese (Williams). Após um duelo acirrado durante toda a corrida, a dupla da Lotus terminou fora da zona de pontuação, em 7º e 8º lugares, respectivamente, com Satoru Nakajima à frente de Nélson Piquet, com uma Lotus completamente sem competitividade, uma vez que terminaram três voltas atrás dos McLarens.
Após esta corrida, Ayrton Senna assumia a liderança do campeonato. Mesmo empatado em pontos com Prost (66 cada um), o brasileiro tinha seis vitórias contra quatro do “Professor”. Gerhard Berger se mantinha distante em 3º lugar com apenas 28 pontos, e Thierry Boutsen assumia a 4ª posição, com 16 pontos, igualando Michele Alboreto, mas ficando à frente por ter melhor posição final do que o italiano. O campeonato continuava absurdamente restrito à dupla da McLaren, que continuava deitando e rolando sobre a concorrência, mesmo com um percalço ocasional ou outro. A corrida pode ser acompanhada completa no link abaixo, em vídeo postado pelo usuário Forell no You Tube:
https://www.youtube.com/watch?v=qnRamR8TTQI
E assim chegamos a 10 corridas na temporada de 1988. E fiquem atentos, que em breve trago links de outras corridas completas aqui com o restante do campeonato. Até breve...
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| Apesar de alguns sufocos iniciais, a McLaren garantiu mais uma dobradinha, e Ayrton Senna venceu mais uma vez, assumindo a liderança do campeonato em 1988. |

