sexta-feira, 20 de março de 2026

MOTOGP BRASIL 2026

O Circuito de Goiânia marca o retorno da MotoGP ao Brasil após mais de vinte anos de ausência no calendário da competição.

 

Hoje começam os treinos oficiais da classe rainha do motociclismo, marcando o retorno do Brasil ao calendário da principal competição da motovelocidade, depois de uma ausência de mais de duas décadas da categoria. O palco é o Autódromo Internacional Ayrton Senna, circuito de Goiânia, capital de Goiás, que por coincidência, foi aqui que a motovelocidade, ainda no tempo das motos de 500cc na classe principal, disputou suas primeiras corridas do campeonato em terras brasilis, nos saudosos anos 1980. A primeira corrida foi disputada no dia 27 de setembro de 1987, e mesmo diante de más experiências com corridas na América do Sul, todos que compareceram gostaram das instalações e condições do circuito.

Apenas 18 pilotos participaram da corrida, com apenas 15 recebendo a bandeirada, com a primeira vitória de nosso GP indo para o australiano Wayne Gardner, do time oficial da Honda. Eddie Lawson, com Yamaha, foi o 2º colocado, seguido por Randy Mamola, também com a Yamaha da equipe Roberts. Foram apenas três edições do GP na pista de Goiânia, com Eddie Lawson vencendo a etapa em 1988, novamente com Yamaha, e Kevin Schwants, com Suzuki, em 1989. A prova de 1989 foi a última disputada aqui, colocando um hiato de quase 40 anos de diferença, até o retorno da competição da principal categoria do motociclismo mundial à pista da capital goiana.

A largada do primeiro Grande Prêmio Brasil de Motovelocidade, em 1987 (acima), que teve Wayne Gardner, da Honda (abaixo) como primeiro vencedor da corrida. 


            Em 1992, Interlagos sediou a corrida uma única vez, com vitória de Wayne Rainey, da Yamaha. As condições do circuito paulistano, com boa parte da reta dos boxes cercada de muros muito próximos, contudo, não oferecia boa segurança para provas de motovelocidade, fora a pista ser muito ondulada, razão pela qual Interlagos não permaneceu no calendário. Já em 1995, a motovelocidade retornaria ao Brasil, no Autódromo Internacional Nélson Piquet, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, circuito que sediaria o maior número de corridas da modalidade em nosso país, entre 1995 e 2004, com exceção de 1998. Foi nesse período que Valentino Rossi se tornou o maior vencedor da prova brasileira, com 4 triunfos, nas edições de 2000 a 2003, sempre competindo pela Honda. Alexandre Barros, nosso representante na competição à época, teve apenas dois momentos positivos em termos de resultados em sua corrida de casa. A primeira vez foi em 2000, quando terminou em 2º lugar, defendendo a equipe de Sito Pons, competindo com uma moto Honda. A segunda vez foi em 2004, justamente na última edição de nosso GP no calendário até então, que o brasileiro repetiu o resultado, terminando novamente em 2º lugar, agora pelo time oficial da Honda. Mas a etapa de 2000 foi antológica pelo duelo travado entre o piloto brasileiro e Valentino Rossi, com o italiano vencendo a parada, e a corrida, com Alexandre tendo que se contentar com o 2º lugar, na melhor oportunidade que tivemos de ver um brasileiro vencendo nossa etapa na competição maior da motovelocidade.

            Sua primeira participação na classe principal tinha sido em 1992, em Interlagos, mas ele abandonou a corrida. Em 1995, no Rio de Janeiro, ele foi o 9º colocado. Em 1996, terminou em 5º. Nas edições de 1997 e 1999, novos abandonos nas provas. Em 2000, o primeiro pódio, seguido de um 4º lugar em 2001, terminando em 7º lugar em 2002, sendo o 8º colocado em 2003, e marcando a despedida da etapa nacional em 2004 com outro pódio em 2º lugar atrás apenas de Makoto Tamada, da equipe Pons/Honda. E agora, o Brasil volta ao calendário da competição.

O circuito passou por várias reformas para atender aos requisitos atuais de segurança da MotoGP, e felizmente, a pista foi aprovada. Chuvas intensas nesta semana chegaram até a alagar parte do circuito e das instalações, mas apesar dos problemas, as estruturas e sistemas de drenagem funcionaram bem a contento, não comprometendo a realização da corrida, que terá a prova sprint sendo disputada amanhã, e a prova principal, no domingo, ambas com largada para às 15:00 Hrs., e ambas as provas com transmissão na TV aberta, pela Bandeirantes, além da tradicional transmissão de treinos, classificação e provas pelo canal pago ESPN, e pelo Disney+.

            O circuito de Goiânia tem 3,84 Km de extensão, com um total de 14 curvas, sendo nove à esquerda, e cinco à direita, na configuração que será usada pela MotoGP. Por seu traçado ser menor que muitas pistas, a corrida de domingo terá um total de 31 voltas. O destaque é a reta principal, onde estão os boxes, e a linha de chegada e largada, que possui entre 950 a 994 metros, onde deverão se dar as principais disputas de posição, com as freadas para a primeira curva. A primeira curva, não por acaso, é considerada potencialmente a mais desafiadora do circuito para a competição de motos, por envolver o maior ponto de freada do circuito, onde, pelas estimativas, os pilotos precisarão reduzir de mais de 330 Km/h para menos de 120 Km/h.

A Ducati chega ao Brasil com a missão de tentar se recuperar do impacto sofrido na etapa inaugural da competição, na Tailândia, onde viu a Aprilia, que tinha tudo para ser a principal desafiante, assumir de mala e cuia o favoritismo que se imaginava ser de sua compatriota. Marco Bezzecchi marcou a pole-position com autoridade, e só não venceu as duas corridas do fim de semana porque errou e caiu sozinho quando liderava a prova sprint no sábado. Mas o italiano não deixou a peteca cair, e fez uma corrida impecável no domingo, assumindo a dianteira e não dando chance aos rivais. E que final: as quatro motos da Aprilia terminaram nas 5 primeiras colocações, contando o time de fábrica, e a equipe Trackhouse, satélite da fábrica de Noale, tendo como único “intruso” Pedro Acosta, da KTM, que foi o 2º colocado. Na corrida principal, Marc Márquez estava com dificuldades para brigar pelo pódio, mas estava na briga para tentar a 3ª colocação, até ter um dano na roda traseira, e furo consequente do pneu, abandonando. A melhor Ducati na bandeirada foi a de Fabio Di Giannantonio, da equipe VR46, a pouco mais de 16s do vencedor Bezzecchi. Seu companheiro de time, Franco Morbidelli, foi 8º, com o bicampeão “Pecco” Bagnaia, do time de fábrica da Ducati, apenas em 9º. Na Gresini, outro time satélite da Ducati, Michele Pirro foi o último colocado a receber a bandeirada, em 19º, substituindo o lesionado Fermin Aldeguer, enquanto Álex Márquez, vice-campeão do ano passado, abandonou.

            Líder do campeonato, Marco Bezzecchi, obviamente, quer manter o bom momento, e seguir na dianteira do campeonato. Mas, justamente por ser um circuito novo, todos os times e pilotos precisarão “descobrir” os segredos da pista brasileira, o que pode, em tese, levar a novas surpresas. A Ducati, claro, afirma que o ocorrido na Tailândia não deve se repetir aqui, e que deve vir firme e forte para a disputa, com o objetivo de retomar o favoritismo que a pré-temporada conferiu ao time italiano. Falta combinar com a concorrência, claro, e pelo sim, pelo não, Marc Márquez comparou a pista brasileira com a de Barcelona, na Espanha, para enfatizar que é um circuito onde não costuma ir bem, talvez tentando tirar qualquer pretensão de favoritismo para a etapa brasileira. Bagnaia, por seu lado, manifestou preocupação com o elevado número de voltas do GP, pela extensão mais curta do circuito. Enfim, depois de chegarem em Buriram como grandes favoritos, e saírem de lá com resultados muito aquém do esperado, a Ducati prefere esperar os resultados na pista para ver o que irá ocorrer de fato. E os rivais, lógico, vão querer continuar aproveitando o momento, e procurar tirar o máximo proveito, em especial a Aprilia, depois do bom momento vivido na corrida de estréia da temporada, e procurar manter a pressão para impedir uma recuperação rápida das motos de Borgo Panigale na pista.

Diogo Moreira faz sua segunda corrida como titular da LCR na MotoGp justamente aqui no Brasil.


            Lógico que as atenções vão principalmente para Diogo Moreira, que trouxe o Brasil de volta ao grid da MotoGP, depois de quase vinte anos, desde que Alexandre Barros pendurou o capacete na competição. Diogo fez sua estréia em Buriram, e procurou fazer uma prova firme, mas prudente, ainda aprendendo sobre o comportamento da moto, e sua condição em corrida. O brasileiro, que defende a LCR, time satélite da Honda, terminou a corrida principal em 13º, marcando seus primeiros pontos na competição, e não foi uma performance ruim: seu companheiro na equipe, Johaan Zarco, veterano do time, terminou em 11º lugar, menos de 5s à sua frente na bandeirada de chegada.

            Praticamente novato na competição, Diogo tem objetivos modestos para a prova caseira, que será marcar pontos. A LCR é um time satélite, e a Honda está em um momento de reconstrução na MotoGP, reconquistando aos poucos a performance que a fez uma das equipes mais vitoriosas na década passada, onde até mesmo o time oficial de fábrica enfrenta dificuldades para batalhar pelas primeiras posições. A LCR obteve uma vitória na temporada passada, com Zarco, em Le Mans, na França, com o piloto francês tendo seu momento pessoal de glória em casa, mas a corrida foi marcada pela chuva, que bagunçou as estratégias de equipes e pilotos, e Zarco foi quem melhor lidou com a situação, mesmo que sua moto não fosse a melhor da competição. Mas, em condições normais, dificilmente Diogo terá condições de batalhar pelos primeiros lugares. E ele mesmo tem dito que precisa se familiarizar mais com seu equipamento, como qualquer novato na competição.

Isso não quer dizer que um resultado de monta seja impossível. Será apenas difícil, não impossível, e muitas das variáveis que podem oferecer uma oportunidade que permita um resultado muito acima da média estão fora do controle do brasileiro.

            De qualquer forma, só o retorno da MotoGP ao Brasil já é uma grande vitória. E que a classe rainha do motociclismo, bem como suas categorias de acesso, tenham vindo para ficar por muito, muito tempo, para alegria dos fãs da motovelocidade e velocidade, propriamente...

 

 

A Mercedes conquistou nova dobradinha na etapa da China, segunda prova da temporada atual da F-1. Mas a vitória foi de Andrea Kimi Antonelli, que marcou a pole-position com categoria, e liderou a corrida quase de ponta a ponta, aproveitando os percalços de George Russell, que quase não conseguiu se classificar no Q3, quando seu carro sofreu um “apagão” durante a fase do treino. Russell, que havia vencido a prova sprint, conseguiu se recuperar para largar em 2º no grid, mas novamente teve que duelar com a Ferrari durante boa parte da primeira metade da corrida, e quando assumiu de vez a 2ª colocação, Antonelli já tinha uma vantagem bem razoável, e não foi alcançado pelo inglês, que ainda saiu de Shangai na liderança do campeonato, com 4 pontos de vantagem para Andrea. E A Ferrari mostrou um bom duelo entre sua dupla de pilotos, com Lewis Hamilton vencendo a briga com Charles LeClerc, e conquistando seu primeiro pódio oficial com a equipe de Maranello. O time italiano já tinha obtido um bom resultado na prova sprint, com o 2º e 3º lugares, com LeClerc à frente de Hamilton. O ponto negativo da etapa foi o “apagão” duplo que tirou a McLaren da corrida logo antes da largada, e o desempenho aquém do esperado da Red Bull, que em momento algum teve desempenho para permitir a seus pilotos brigar pelas primeiras colocações, e forçando Max Verstappen ao abandono por problemas nos sistemas eletrônicos do RB22. Quem também ficou pelo caminho antes mesmo de largar foram Alexander Albon (Williams) e Gabriel Bortoletto (Audi), o que fez com que seus respectivos times disputassem a prova chinesa com apenas um carro cada uma.

 

 

A Formula-E está de volta à Espanha, e a uma nova pista no calendário da competição de carros monopostos totalmente elétricos: o Circuito de Jarama, que será o palco para o ePrix de Madrid, que será disputado neste sábado, com largada prevista para as 11:00 Hrs. da manhã, com transmissão ao vivo pelo canal pago Bandsports e pelo site Grande Prêmio (www.grandepremio.com.br), em seu canal no You Tube, e na sua GPTV. A pista tem um traçado total de 3,934 km com 14 curvas. Localizado em San Sebastián de los Reyes, a aproximadamente 32 quilômetros ao norte de Madrid, a pista de Jarama já fez parte do calendário da F-1, tendo sediado o Grande Prêmio da Espanha por nove vezes entre as temporadas de 1968 e 1981, quando esteve presente pela última vez na competição, e também tendo recebido o Grande Prêmio da Espanha de Motovelocidade em 15 ocasiões. A pista foi projetada por John Hugenholtz, o gênio por trás de circuitos como Suzuka, no Japão; Zolder e Nivelles, na Bélgica, entre outras pistas conhecidas do mundo do desporto. Apesar de estar fazendo sua estréia oficial no calendário da F-E, a pista não é desconhecida da categoria, tendo recebido os testes de pré-temporada em 2024, depois que chuvas torrenciais comprometeram a região de Valência, na mesma Espanha, onde seriam realizados os testes no Circuito Ricardo Tormo, que embora não tivesse sido afetado pelos temporais, foi utilizado como ponto de apoio às unidades de socorro e resgate aos atingidos pelas enchentes, o que motivou a mudança para a pista de Jarama. A única alteração para o ePrix de Madri foi a introdução de uma chicane a meio da reta dos boxes, para os fins de recuperação de energia dos carros.

O traçado do circuito de Jarama para o ePrix de Madri.

 

 

Uma das novidades para a corrida da F-E neste final de semana será o uso do Pit Boost na prova. Utilizado apenas em rodadas duplas, e mesmo assim, em apenas uma das corridas, a fim de promover diferenciação e variedade entre as provas de um mesmo fim de semana, é a primeira vez que o recurso será visto em uma corrida simples na competição. O pit boost é uma parada obrigatória nos boxes onde será feita a recarga das baterias dos carros, de cerca de 30 segundos, para obter um aumento de 10% na carga do bólido, que poderá ser usada posteriormente na prova, diversificando as estratégias de equipes e pilotos na corrida. Outra novidade é que a categoria realizará o Teste de Novatos em Jarama, no domingo, dia 22. Será a primeira vez também que este teste será realizado em Jarama, ao invés de Berlim, como vinha sendo feito nos últimos anos, que consiste em sessões de testes coletivos para todos os times, mas apenas com pilotos que nunca competiram oficialmente na F-E, seja para avaliar novos talentos emergentes, ou oferecer quilometragem a pilotos de seus programas de desenvolvimento, além de abrir portas para nomes mais experientes que já fizeram carreira em outras categorias diversas que tentam uma possível vaga no campeonato elétrico. Foi nestes testes, por exemplo, que Felipe Drugovich começou a chamar atenção da categoria, guiando o carro da Maserati, que lhe valeu o teste para substituir Nyck De Vries na Mahindra no ano passado, e que hoje ele se tornou piloto titular da Andretti na competição.

quarta-feira, 18 de março de 2026

FLYING LAPS – FEVEREIRO DE 2026

            E já deixamos os dois primeiros meses de 2026 para trás, adentramos o mês de março, e vimos o início de vários campeonatos, como a Indycar, MotoGP, e Fórmula 1, entre outros. O mundo da velocidade não deixa a poeira se acumular por onde passa, mas antes tarde do que nunca, precisamos rever alguns dos acontecimentos ocorridos neste segundo mês do ano, sempre com alguns comentários rápidos a respeito destes eventos do mundo do esporte a motor mundial, em mais uma sessão da Flying Laps, um pouco atrasada este mês, mas que pode tardar, mas não falhar, mesmo que não tenha vindo no início do mês. Uma boa leitura a todos, e até a próxima sessão Flying Laps do mês que vem, com certeza em sua data de publicação tradicional...

Pascal Wehrlein comemorou a vitória na primeira corrida da rodada dupla em Jeddah, pelo campeonato da Formula-E. O piloto da Porsche fez uma prova calculada, saindo da 3ª posição, e foi para a dianteira, executando uma estratégia de corrida devidamente afinada e precisa, fazendo inclusive uso perfeito do pit boost para garantir-se na liderança e não ser ameaçado na briga pela vitória. Edoardo Mortara, que largava na pole-position, partiu mal, e viu Maxximilian Gunther, que largava a seu lado, assumir a dianteira da prova. Enquanto isso, o Safety Car previsava ser acionado por uma batida entre Zane Maloney, da Lola/Yamaha, e Pepe Marti, da Kiro/Porsche, que resultou no abandono do companheiro de Lucas Di Grassi, no segundo abandono do dia, já que Nyck De Vries nem conseguiu largar, com problemas em sua Mahindra. Com Wehrlein assumindo a dianteira após o uso do pit boost, ele se distanciou na liderança, chegando a abrir mais de 7s de vantagem, e garantindo-se de eventuais ataques, como o de Mortara, que recuperou-se da má largada e terminou em 2º lugar, tentando até o final pressionar Pascal, mas sem obter sucesso. Antonio Felix Da Costa vinha firme para terminar no pódio, mas acabou superado por Mith Evans na parte final da corrida, com o neozelandês assumindo o 3º lugar. Nico Muller, coroando a boa prova da Porsche, terminou em 4º lugar, enquanto o português acabou recuando para a 5ª posição. Depois do triunfo no México, Nyck Cassidy teve um desempenho mais modesto, terminando em 6º lugar, seguido por Sébastien Buemi em 7º. Jean-Éric Vergne colaborou para mais um resultado satisfatório da Citroen com o 8º lugar, seguido por Jake Dennis, que não conseguiu obter um bom desempenho, e foi apenas o 9º colocado. A DS Penske, que havia largado em 2º e 5º lugares, não conseguiu brigar pelas primeiras posições e terminou apenas em 10º, com Taylor Barnard, seguido por seu parceiro de time Maxximilan Gunther, que havia largado em 2º lugar, mas terminou em 11º, fora da zona de pontos.

 

 

Na segunda corrida da rodada dupla da Formula-E em Jeddah, Edoardo Mortara novamente partiu com a pole-position, mas novamente o piloto não conseguiu usufruir a contento do privilégio de largar na frente na pista árabe. Apesar do piloto da Mahindra ter largado bem, ele foi acossado desde o início por Jake Dennis, mas enquanto ambos duelavam, Oliver Rowland aproveitou a deixa e superou os dois pilotos, indo para a liderança da prova. Mas Sébastien Buemi e Antonio Felix da Costa também vieram para a briga, e engrossaram a disputa. Quando houve as primeiras ativações do Modo Ataque, eis que Da Costa se deu melhor, e foi para a liderança da corrida, de onde não mais sairia, com um ritmo forte e preciso. Jake Dennis, apesar de estar em um rendimento muito melhor em relação à primeira corrida, deu azar de ter um pneu furado, tendo de ir aos boxes, e voltando muito atrás de todo mundo, perdendo completamente as chances até de pontuar. Com cinco voltas para o fim da corrida, muitos pilotos tentaram suas cartadas finais, ativando o Modo Ataque pela segunda vez, com muitos duelos por posições. Antonio fez uma das últimas ativações, com vantagem, e não perdeu a liderança, seguindo firme até a bandeirada de chegada, obtendo assim sua primeira vitória pela Jaguar, seu novo time neste ano. Sébastien Buemi fez uma grande corrida, e terminou em 2º lugar, enquanto Oliver Rowland, da Nissan, também andou forte para fechar o pódio com o 3º lugar conquistado. Edoardo Mortara terminou em 4º lugar com a Mahindra, enquanto Dan Ticktum foi o 5º colocado. Pepe Marti garantiu o excelente dia para a Kiro, chegando logo atrás, em 6º lugar. Menos eficiente que na corrida do dia anterior, Mith Evans foi o 7º colocado, assim como Pascal Wehrlein, que também não conseguiu reprisar a excelente performance da primeira prova, para ser apenas o 8º colocado. Jea-Éric Vergne ainda salvou um 9º lugar para a Citroen, enquanto Taylor Barnard terminou novamente em 10º lugar com a DS Penske.

 

 

Os brasileiros tiveram mais um fim de semana sem resultados positivos na F-E. Lucas Di Grassi até teve alguns momentos interessantes na segunda corrida, quando chegou a ocupar as primeiras colocações com a ativação do Modo Ataque, mas o resultado acabou sendo o mesmo: ficar sem pontuar, mostrando que o carro da Lola/Yamaha ainda precisa evoluir muito para competir de fato com os rivais. Lucas foi 16º na primeira corrida, e 15º na segunda, e com isso, segue zerado na temporada. Já Felipe Drugovich também não foi muito melhor, mesmo tendo um carro bem mais competitivo, uma vez que a Andretti enfrentou muitos problemas e teve diversos azares em Jeddah. Felipe foi apenas o 15º colocado na primeira prova, e foi 12º na segunda corrida. Isso faz com que ambos continuem sem pontuar na atual temporada da competição, já com três corridas realizadas até aqui. Melhor sorte na próxima vez, pessoal… E parece que vão precisar, mesmo…

 

 

Curiosamente, a dupla vencedora da rodada dupla em Jeddah, Pascal Wherlein e Antônio Felix da Costa, foram companheiros nas últimas temporadas no time oficial da Porsche. Mas o ambiente cordial que existia entre os pilotos degringolou a partir de 2024, e no ano passado, atingiu o ponto mais baixo, a ponto da dupla de pilotos até se estranhar em um dos treinos livres para o ePrix de Berlim, em Tempelhoff. Dada como certa a saída de Da Costa já para a temporada passada, o time contratou Nico Muller e o alocou na Andretti, time cliente da marca, esperando substituir o português, o que veio a acontecer na atual temporada, com Antônio indo defender a Jaguar. Mas Pascal não perdeu a chance de alfinetar o antigo colega de equipe, ao afirmar que, atualmente, o clima na Porsche é o de um time “de verdade”, alegando que Nico Muller, o novo contratado, devolveu a tranquilidade à escuderia, insinuando que o português não contribuía para o time, e ainda era causador de intrigas internas que prejudicavam a escuderia. É verdade que Antônio teve um início complicado na Porsche, mas o piloto português encontrou o ritmo, e venceu várias corridas pelo time. Mas, como campeão pela Porsche, Pascal talvez não visse com bons olhos o português não ficar subordinado na pista. Nico Muller, por enquanto, está “bem visto” pelo alemão, mas e na primeira vez que precisarem dividir uma posição em uma corrida, vamos ver como a situação ficará, porque, de início, ele se dava bem também com Da Costa, antes que a situação esquentasse entre eles. Antônio teve problemas e azares nas primeiras corridas, mas o conjunto da Jaguar parece muito competitivo, a par da performance da Porsche, e vai ser interessante quando os dois cruzarem rodas novamente pelo caminho em alguma corrida…

 

 

Ao contrário do que dizia ter planejado para 2026, quando afirmou que iria competir apenas no IMSA Weathertech Sportscar em provas de endurance, eis que Dudu Barrichello anunciou que vai disputar também a temporada 2026 do Mundial de Endurance. A confirmação veio neste mês de fevereiro, quando a equipe Heart of Racing oficializou os trios de pilotos que guiarão as duas Aston Martin Vantage da escuderia na classe LMGT3. Inicialmente previsto apenas no programa da equipe no IMSA Weathertech SportsCar, o brasileiro também integrará o projeto do WEC no carro #23, ao lado do piloto estreante Gray Newell e de Jonny Adam, piloto oficial da marca que está retornando à categoria após alguns anos afastado. Além do trio que contará com a presença de Dudu, a Heart of Racing resolveu expandir a suas operações no WEC, e terá mais um carro na classe LMGT3, que contará com o trio Mattia Drudi, Ian James, e Zach Robichon, que guiarão o carro #27 do time. No ano passado, quando declarou que estava deixando o WEC, em preferência pelo IMSA, Dudu chegou a afirmar que o campeonato de endurance dos Estados Unidos era “mais profissional” que o WEC, como justificativa para a mudança de campeonato. Pelo visto, ele mudou de opinião, e terá mais uma temporada então no WEC. Segundo Ian James, que também é chefe de equipe na escuderia, a prioridade do brasileiro será para o WEC, disputando o IMSA apenas quando as datas não coincidirem. No ano passado, Dudu Barrichello disputou pela primeira vez uma temporada completa do WEC, também na classe LMGT3, pela equipe Racing Spirit of Léman, onde chegou a conquistar duas pole-positions, uma delas nas 6 Horas de São Paulo, onde também subiu no pódio, tendo sido eleito a Revelação do Ano do WEC.

 

 

Prova mais famosa do endurance mundial, as 24 Horas de Le Mans, programadas para os dias 13 e 14 de junho deste ano, na tradicional pista de La Sarthe, confirmou a relação de participantes da edição deste ano, com 62 carros no grid, que será formado por 18 carros na classe Hypercar, a principal, mais 19 carros na classe LMP2, além de 25 carros na classe LMGT3. O destaque será a estréia da Hyundai na classe Hypercar, onde estará com dois bólidos, usando sua marca de luxo Genesis, que inclusive terá Pipo Derani em um de seus carros para a disputa das 24 Horas de Le Mans. Desta forma, o Brasil já contará com dois pilotos no grid da corrida, já que além de Pipo, Dudu Barrichello mais uma vez estará presente na classe LMGT3, conforme mencionado acima. Outros brasileiros, como Daniel Serra, ainda podem disputar a corrida, e suas escalações certamente serão feitas conforme a apresentação das escuderias dos seus pilotos para a tradicional prova de endurance. Uma mudança é a participação da equipe Wayne Taylor na classe Hypercar, como equipe convidada campeã do IMSA, que na verdade foi a Porsche/Penske, mas como a marca se retirou da competição no WEC, centrando sua participação apenas no IMSA Weatertech Sportscar, a Wayne Taylor ocupará o seu lugar, usando protótipo da Cadillac para a disputa das 24 Horas.

 

 

O Mundial de Endurance nem começou, e já contabiliza uma baixa, mas para 2027. A Alpine, que desde 2021 compete na classe principal da competição, a Hypercars, anunciou que estará deixando o WEC ao fim da atual temporada deste ano. O diretor-executivo da Alpine, Philippe Krief, afirmou que a decisão de deixar o campeonato de endurance foi necessária para proteger as ambições da marca a longo prazo. A saída do WEC já vinha sendo especulada por conta de instabilidades internas e da falta de interesse do atual CEO, François Provost, em automobilismo. Na F-1, a Alpine, por sua vez, passou a ser equipe cliente da Mercedes, depois que a Renault, por indicação de Flavio Briatore, novo chefe da escuderia na categoria máxima do automobilismo, preferiu usar motores clientes do que ficar batalhando para desenvolver o equipamento da marca francesa. O abandono da Alpine no WEC faz ecoar boatos de que a equipe de F-1 também poderia deixar a competição, sendo adquirida por algum novo proprietário, tanto que especulou-se a compra de ações da escuderia por parte de Toto Wolf, ou as suspeitas de que a BYD, gigante de veículos elétricos chinesa, que anunciou planos de adentrar a categoria máxima do automobilismo, poderia ser uma potencial compradora, se não insistir em entrar como um time completamente novo, como fez a Cadillac, depois de uma extensa batalha com a FOM. Se a Alpine vai deixar o WEC ao fim de 2026, a Honda está preparando-se para tentar entrar na competição, e justamente no próximo ano, quando o WEC contará também com as presenças da McLaren e da Ford na classe dos protótipos, de modo que o número de participantes na classe Hypercar vai aumentar, e não apenas ficar estável, com a entrada da Hyundai, este ano, com sua marca Genesis.