sexta-feira, 1 de maio de 2026

LUCAS DI GRASSI SAI DE CENA

Depois de doze temporadas disputando a Formula-E, Lucas Di Grassi resolveu pendurar o capacete e encerrar a carreira como piloto ao fim da atual temporada da competição.


            Mais um piloto de renome do automobilismo brasileiro que compete no esporte a motor internacional resolveu pendurar o capacete em definitivo. Lucas Di Grassi, aos 41 anos, acaba de anunciar que deixará as pistas ao fim do atual campeonato da Formula-E, onde defende a Lola Yamaha, seu time atual na competição. Encerra-se assim mais uma trajetória que, para a maioria do público brasileiro que só enxerga a F-1, nada terá de relevante, embora o piloto tenha tido uma carreira importante por onde passou no automobilismo internacional, especificamente, mais ligado à Formula-E, categoria de monopostos pelo qual muitos puristas de automobilismo torcem o nariz por serem carros elétricos.

            E foi na F-E que Lucas mais se destacou. Antes mesmo até de a categoria existir, tendo se engajado no projeto de desenvolvimento do certame e de seus carros, e estando no grid desde o início, inclusive tendo sido o vencedor da primeira corrida, no ePrix de Pequim, em fins de 2014, na estréia da nova competição da FIA. Defendendo o time da Audi ABT, Lucas se tornou um dos destaques da competição, e na terceira temporada, 2016/2017, tornou-se campeão pela escuderia das quatro argolas, repetindo o feito de Nelsinho Piquet, que havia sido o campeão da primeira temporada. Desde então, Lucas havia sido o único nome brasileiro a permanecer na categoria, enquanto outros pilotos brasileiros que por lá passaram não conseguiram se manter na competição, como o próprio Nelsinho Piquet, que depois do brilho da primeira temporada, penou com o desandar de seu time, e quando teve uma chance de voltar a brilhar, infelizmente a promessa não se concretizou.

Na primeira prova da então nascente Formula-E, em 2014, Lucas Di Grassi foi o primeiro vencedor da competição.

            Outros nomes, como Bruno Senna, Felipe Nasr, Sergio Sette Câmara, tiveram suas passagens pela competição, mas nenhum deles teve o mesmo brilho ou sucesso de Di Grassi. Hoje, Felipe Drugovich faz companhia a Di Grassi como colega brasileiro no grid, e a depender de sua performance, que ainda está devendo em termos de resultados, poderá ser nosso único nome na competição na nova era Gen4 da F-E, caso mantenha sua posição de titular no time da Andretti, e se Sergio Sette Câmara, que tenta viabilizar o seu retorno, não tenha sucesso em sua empreitada. Ou, na pior das hipóteses, podemos ficar até sem pilotos brasileiros no grid, caso a situação de Drugovich se complique na Andretti.

            Não há como negar que a situação de pouca performance da Lola Yamaha certamente contribuiu para a decisão de Lucas de pendurar o capacete. O brasileiro foi fiel à Audi na maior parte de sua carreira na competição, mas com a saída da marca alemã do grid, ele acabou não tendo o mesmo sucesso nos outros times pelos quais competiu, como a Venturi, a Mahindra, e o retorno à ABT agora como time independente, nos últimos anos. O brasileiro acumula 13 vitórias na competição de carros monopostos elétricos, 4 pole-positions, 41 pódios, 12 voltas mais rápidas, além do título da temporada 2016/2017, e dois vice-campeonatos, da temporada 2015/2016, e da temporada 2017/2018. Lucas também foi 3º colocado na temporada de estréia da competição, em 2014/2015, e na temporada 2018/2019.

            Na temporada de 2021/2022, ele defendeu a Venturi, onde obteve sua última vitória na competição, no ePrix 1 de Londres, terminando a temporada pela última vez em uma posição significativa, em 5º lugar. No campeonato seguinte, seu novo time, a Mahindra, revelou-se um time problemático, com uma performance tremendamente deficiente. Ele até conseguiu uma pole e um pódio na primeira prova da equipe, mas a seguir o desempenho da escuderia despencou, de modo que ele foi apenas o 15º colocado ao fim da temporada 2022/2023. Na temporada 2023/2024, ele retornou à ABT, agora um time independente, sem mais o suporte da Audi, e Lucas mais uma vez sofreu com o desempenho deficiente do time, sendo inclusive superado com facilidade por Nico Muller naquele campeonato, onde finalizou apenas em 23º lugar. A seguir, a escuderia optou pelo novo equipamento do trem de força da parceria Lola/Yamaha, que estreou na temporada passada, e como qualquer nova marca na competição, os resultados foram sofríveis, com o brasileiro terminando a temporada 2024/2025 apenas em 17º lugar. Ainda assim, Lucas conseguiu seu último pódio na competição, no ePrix de Miami, com um 2º lugar. Este ano, a performance do time ainda segue complicada, e Lucas ocupa a última posição na tabela do campeonato, sem pontos marcados.

Correndo pela Audi ABT, Lucas foi campeão da terceira temporada da F-E, sendo o segundo brasileiro a conseguir o feito, depois de Nelsinho Piquet na primeira temporada.

            Lucas praticamente correu com todas as primeiras três gerações dos carros da F-E. Muitos esperavam que ele pelo menos tentasse permanecer na era Gen4, quando talvez pudesse colher os frutos do trabalho árduo desenvolvido nestas duas temporadas colaborando para o desenvolvimento do equipamento fornecido pela Lola/Yamaha, o qual só deve gerar frutos mesmo a partir da próxima geração de carros, quando até os trens de força serão renovados. Se ele resolveu sair, paciência. Ele sabe sua situação, e se acha que seu ciclo se encerrou, que seja. É verdade que Lucas teve momentos conturbados em sua trajetória nas pistas, e como não poderia deixar de ser, chegou até a bater boca sobre certos aspectos, e muitos “fãs” da velocidade, como não poderiam deixar de ser, botaram política no meio, empobrecendo e reduzindo o nível do debate e das críticas à atuação do piloto, numa situação que lamentavelmente hoje contamina todo o debate de idéias nacional a um confronto ideológico dos mais chulos e sem valor algum.

A temporada de despedida de Lucas vem sendo marcada pela falta de resultados diante do péssimo desempenho da Lola/Yamaha.

            Lucas não deve nada a ninguém. Ele batalhou por sua carreira. Iniciou nas categorias de base e chegou à F-1, onde infelizmente não teve oportunidade de mostrar serviço, redirecionando seus esforços para outros certames, como o Mundial de Endurance, onde foi um piloto valorizado, e que quase foi campeão da competição, e quase venceu as 24 Horas de Le Mans, resultados que motivaram a Audi a contar com ele em sua jornada na F-E, onde fez sucesso, e é até hoje um dos maiores vencedores da competição de carros monopostos elétricos. Mas, se para muitos fãs, que acham que só a F-1 existe, e que Ayrton Senna foi nosso único representante de monta no mundo do automobilismo, o azar é deles. Lucas teve uma carreira decente no automobilismo, ajudou na criação e fundação da Formula-E, e agora inicia uma nova fase em sua vida. Boa sorte a ele, e que pelo menos consiga efetuar uma despedida digna das pistas nas provas da atual temporada da F-E que ainda resta…

 

 

Lucas Di Grassi chegou à F-1 em 2010, mas deu azar de defender uma das novas equipes nanicas do grid que faziam sua estréia naquela temporada, a Virgin, que infelizmente serviram apenas para encher o grid, sem ter performance ou desempenhos dignos de nota. Foram 19 corridas, apenas naquela temporada, onde o único consolo de Di Grassi foi ter sido classificado à frente de seu companheiro Timo Glock na tabela final do campeonato, pelos critérios de desempate de bandeiradas, onde o melhor resultado do brasileiro, um 14º lugar na etapa da Malásia daquele ano, foi obtida antes de Gloco igualar o resultado, mas mais para o fim do ano. Sem perspectivas melhores na F-1, Lucas partiu para outras categorias, onde passou a pilotar para a Audi no Mundial de Endurance.

 

 

No Mundial de Endurance, Lucas fez participações pontuais entre 2012 e 2013, participando ativamente do campeonato entre 2014 e 2016, sempre pela equipe oficial da Audi, na classe LMP1, a principal do WEC. Foram 28 corridas, com 2 vitórias e 3 pole-positions, além do vice-campeonato da competição na LMP1 em 2016. Lucas foi 2º colocado nas 24 Horas de Le Mans em 2014, e 3º colocado nas edições de 2013 e 2016, ano em que foi vice-campeão da categoria, com as únicas vitórias que teve na competição.

 

 

Além da carreira de piloto, Lucas Di Grassi procurou diversificar seu conhecimento e atividades ao longo do tempo, paralelo à carreira nas pistas. Poucos sabem, mas ele é formado no programa de Owner/President Management da Escola de Negócios de Harvard, em um curso de cinco anos. Além disso, tem quatro patentes mundiais de produtos em que participou da criação dos mesmos. Ele também é co-autor de um estudo científico intitulado "Neurobehavioural signatures in race car driving: a case study" (Sinais neurocomportamentais na condução de carros de corrida: um caso de estudo, em tradução livre), artigo relacionando como o ser humano reage dirigindo um carro de corrida, que foi usado para melhorar a segurança de veículos, pesquisa que inclusive foi publicada na revista Nature, publicação extremamente conceituada na área. Lucas, ao lado da esposa e artista plástica Bianca Diniz Caloi, é autor de um livro infantil cujo propósito é ensinar ciências às crianças. Di Grassi também é defensor da sustentabilidade e do meio ambiente, tendo já participado e efetuado diversas ações de conscientização ao redor do mundo. Ele também foi embaixador do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente entre os anos de 2018 a 2025. Quando irrompeu a pandemia de Covid-19, o piloto paulista foi o primeiro atleta a criar um movimento para arrecadar fundos contra a doença que arrasou o mundo. Lucas também teve a iniciativa de transformar uma fábrica de material plástico em produtora de face shields, dispositivos que foram muito usados para ajudar a tentar prevenir o contágio da doença, tendo doado cerca de mil destas peças para hospitais, locais de tratamento e infectados com a doença. Ele também doou o primeiro equipamento de sanitização com raios UV para o Hospital das Clínicas de São Paulo.

 

 

A Formula-E chegou a Berlim para a rodada dupla da competição no antigo aeroporto de Tempelhoff. As corridas têm transmissão vivo pelo Bandsports na TV por assinatura, e pelo canal de vídeo do site Grande Prêmio no Youtube e em sua GPTV. As provas têm largadas a partir das 11:00 Hs. da manhã neste sábado e domingo, pelo horário de Brasília. Pascal Wherlein, do time oficial da Porsche, lidera o campeonato, com 83 pontos, seguido por Edoardo Mortara, da Mahindra, com 72 pontos. Mith Evans vem logo atrás, na 3ª colocação, com 65 pontos. Antônio Felix da Costa, da Jaguar, venceu as duas últimas corridas, e vem tentando recuperar o atraso na competição, tendo mostrado a força da Jaguar nas últimas provas, e mostrando que pode bagunçar o favoritismo de Wherlein, seu antigo companheiro de time e desafeto, no que promete ser um duelo bem acirrado na pista.

 

 

A F-E apresentou oficialmente em Paul Ricard o novo modelo Gen4, com o qual disputará o próximo campeonato, com início a partir de dezembro deste ano. E a nova temporada deverá ter boa movimentação de pilotos, com a estréia dos novos times da Stellantis e da Porsche, que devem agregar 4 novas vagas de carros ao grid. A Opel, novo time que entrará na competição, sob batuta da Stellantis, a exemplo da Citrone, poderá ser o novo destino de Mith Evans, atualmente no time da Jaguar, e que já declararam, ambas as partes, que não continuarão mais juntos na próxima temporada da competição. Evans não gostou de ter recebido ordem para não atacar Antonio Felix da Costa na etapa de Jarama, após efetuar uma excelente corrida de recuperação, com chances de vencer a corrida, com o time preferindo manter a dobradinha a arriscar um duelo de companheiros de equipe que pudesse comprometer o resultado. Evans não gostou nem um pouco, e isso azedou o clima na escuderia, com o neozelandês sentindo-se preterido pelo time.

 

 

Depois de mais de um mês de ausência, a F-1 retomou a competição, em Miami, sob regras ajustadas após reuniões com equipes e pilotos durante o mês de abril tentando diminuir os problemas de regeneração de energia das novas unidades de potência, e prevenir acidentes potenciais por discrepância de performances em pontos da pista que surgissem diante da falta de potência momentânea sofrida pelos pilotos durante a regeneração de energia. Foram feitos ajustes nos sistemas, de modo a aumentar a capacidade de recuperação de energia, e quanto se pode gastar de uma vez, de modo a tentar diminuir o tempo em que o sistema fica com menos energia em recuperação extrema, e pelo visto, parece ter dado resultado, onde não vimos nenhum problema de monta neste assunto. Mas treino é treino, e corrida é corrida. Pelo sim, pelo não, o único treino livre foi aumentado em meia hora, para dar mais tempo dos times e pilotos ajustarem seus carros diante dos novos ajustes de sistema, além de que muitos times prepararam seus primeiros grandes pacotes de atualizações justamente para a etapa da cidade do Estado da Flórida, algo muito bem-vindo em um fim de semana com prova sprint, o que diminui sobremaneira o tempo hábil para as equipes trabalharem em seus carros. Agora precisamos ver se os efeitos negativos do sistema de regeneração de energia foram mitigados o suficiente para não termos mais percalços potencialmente perigosos durante o restante da temporada, ou se serão necessários novos ajustes para corrigir os problemas. Por ser uma pista urbana, Miami ajuda na recuperação de energia com pontos fortes de freada, ao contrário de Suzuka, no Japão, algo a ser considerado.

 

 

A McLaren mostrou força na classificação para a prova sprint neste sábado, com Lando Norris a conquistar a pole-position, com Oscar Piastri largando logo atrás dele, na 3ª posição. Não por acaso, foi aqui que nos dois últimos anos a McLaren mostrou sua força, em 2024 corrigindo o desenvolvimento de seu bólido, passando a ser o carro a ser batido, e no ano passado, apenas mantendo a força que já vinha exibindo desde o início da competição. A Mercedes não conseguiu se impor como fez nas primeiras corridas, reflexo do olho mais ferrenho da FIA sobre os ajustes de motor que vinha usando, que apesar de não serem irregulares, foi proibido o seu uso, ainda que Andrea Kimi Antonelli tenha a 2ª posição de largada na prova sprint. E a Ferrari, ainda que esteja por perto, corre o risco de ficar para trás, superada pela McLaren, e sem conseguir exatamente superar a Mercedes. Ainda é cedo para analisar a relação de forças, apenas pelos treinos de hoje. Precisamos esperar até o fim da corrida de domingo para termos um quadro mais claro da situação...

quarta-feira, 29 de abril de 2026

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – ABRIL DE 2026


            O ano de 2026 parece ter acabado de começar, mas já estamos indo terminando o primeiro trimestre do ano, com o mês de abril já se encerrando. E enquanto alguns campeonatos tiveram uma pausa forçada, como a F-1, por causa da situação instável no Oriente Médio, outros certames seguem a toda velocidade, alguns mais, outros menos, afetados ou não pela situação. Mas o mundo segue em frente, e por isso mesmo, todo fim de mês, como é de praxe, chegamos à hora de voltar com a Cotação Automobilística, a primeira deste ano, com uma avaliação de alguns dos principais acontecimentos e nomes do mundo da velocidade neste mês de março, com o tradicional esquema já conhecido de sempre: EM ALTA (cor verde); NA MESMA (cor azul); e EM BAIXA (cor vermelha). Uma boa leitura a todos, e até a próxima Cotação Automobilística, no próximo mês de maio. Portanto, até o próximo mês, pessoal, e cuidem-se bem...

 

EM ALTA:

 

Marco Bezzecchi: O piloto italiano segue no comando da temporada da MotoGP, mesmo sem ter vencido em Jerez de La Frontera, mas garantiu um ótimo 2º lugar na prova, e mantém uma boa consistência de resultados na temporada que ninguém imaginaria ser possível até aqui. Com 3 vitórias e um 2º lugar, Marco ampliou a vantagem na liderança, agora com 101 pontos, nada menos que 11 de vantagem para Jorge Martin, seu companheiro de equipe, que teve um bom 4º lugar em Jerez, e manteve-se firme na vice-liderança. Bezzecchi tem nada menos que 30 pontos de dianteira para Fabio Di Giannantonio, o 3º colocado, a Ducati mais próximo na classificação, que até aqui tem ensaiado uma reação, mas tem pulverizado suas forças. O italiano tem 44 pontos de vantagem para o atual campeão, Marc Márquez, que já chegou a admitir que, no presente momento, não possui a velocidade e ritmo necessários para brigar pelo título. Uma admissão de derrota antecipada, ou simplesmente tirando a cobrança de cima, e jogando o favoritismo para Marco? Seja como for, enquanto os rivais não se acertam, o italiano da Aprilia vai abrindo vantagem, pois nunca se sabe até quando a Aprilia manterá o seu bom momento na competição, e Marco Bezzecchi vem fazendo uso de suas chances de forma excelente até aqui. Quem será capaz de detê-lo?

 

Aprilia: A casa de Noale, mesmo tendo perdido sua primeira corrida principal na temporada da MotoGP, continua com um retrospecto bem mais positivo do que a principal rival, a Ducati. Especialmente porque, ao contrário da compatriota, a Aprilia manteve um desempenho relativamente estável em Jerez, com Marco Bezzecchi fazendo um excelente 2º lugar, com Jorge Martin terminando em 4º, e com a dupla da Trackhouse, Raul Fernandez e Ai Ogura, finalizando em 6º e 5º lugares, respectivamente, um resultado mais quantitativo do que o das Ducatis, que acumularam abandonos das duas motos do time de fábrica, e viram Franco Morbidelli (VR46) terminar em 12º, Fermin Aldeguer (Gresini) em 9º, e Fabio Di Giannantonio em 3º. Com exceção de Giannantonio, que faz uma temporada mais consistente, todos os demais pilotos estão em momentos alternando boas performances com resultados ruins, como o próprio vencedor, Álex Márquez, que só teve o triunfo em Jerez como um resultado mais positivo no ano, tendo performado de forma ruim nas três primeiras etapas. A Ducati ainda tem força, mas neste momento, parece não conseguir distribuidor sua força de forma homogênea em todos os seus competidores, enquanto a Aprilia parece manter um desnível de performance muito menor entre seus representantes no grid. A marca está capitalizando esse momento positivo, e tem de aproveitar enquanto pode, antes que os rivais se aprumem e comecem a tirar a desvantagem enquanto ainda podem fazer isso de forma a reverter as desvantagens acumuladas. Por enquanto, a Aprilia parece conseguir manter a situação sob controle, até porque, no teste pós-corrida em Jerez, a marca fez os melhores tempos, indicando que ainda está com força para manter sua liderança. Vamos ver como os rivais reagem...

 

Álex Palou: O piloto espanhol da Ganassi pode até ter tido mais percalços neste início da temporada 2026 da Indycar, mas foi apenas até Álex assentar a poeira e mostrar novamente que é o homem a ser batido na categoria. Depois de uma vitória categórica em Barber, onde praticamente dominou a corrida, o espanhol fez novamente uma prova firme em Long Beach, mantendo-se entre os primeiros, e aproveitando-se com um trabalho impecável do time de box da Ganassi, para assumir a liderança na prova do badalado balneário californiano, superando Felix Rosenqvist, para vencer mais uma vez, e reassumir de vez, e agora com folgas, a dianteira do campeonato mundial, deixando os rivais novamente para trás. E, uma vez na liderança da classificação, todo mundo sabe que vai ser muito difícil a concorrência tirá-lo de lá, por mais que tentem… Será que desta vez será diferente, com uma disputa mais apertada e ferrenha, ou os rivais verão novamente o espanhol tripudiar de seus esforços e vê-lo enfileirar mais um título de campeão na competição…? Eles que coloquem a faca nos dentes e partam para o ataque, antes que seja tarde demais para fazerem isso...

 

BYD na F-1: Depois da novela imoral que a F-1 proporcionou para aceitar a entrada da Cadillac na categoria máxima do automobilismo, mais uma marca agora sonha em engrossar o grid da competição: a chinesa BYD, líder em veículos elétricos na China, e que agora quer se aventurar nas disputas do mundo do esporte a motor, inclusive criando e fabricando seu motor híbrido a combustão, para desenvolvimento e aprimoramento de sua tecnologia, agora também em motores híbridos. Isso faria o grid da F-1 chegar a 24 carros, o máximo que a porcaria do regulamento atual permite, criado para dourar a categoria aos olhos dos proprietários, e cobrar preços absurdos para qualquer um que desejar entrar ali. Depois de toda a briga que vimos para a F-1 dar aval à entrada da Cadillac, como eles irão se comportar em relação à tentativa da BYD de fazer parte deste seleto clube? Manterão a postura gananciosa sem escrúpulos e hipócrita que manteve com os americanos, ou mudarão de mentalidade e se venderão aos chineses sem nem pestanejar…? Mais dois carros no grid pode ser positivo, exceto pela picaretagem que a F-1 anda perpetrando nos últimos tempos com relação a ter novos times no grid...

 

Toyota abre WEC na frente: Depois de ficar sombreada pela competição da Ferrari nos últimos anos, eis que a Toyota parece ensaiar uma reação mais ferrenha à equipe de Maranello no Mundial de Endurance este ano. E na etapa de abertura do campeonato, em Ímola, foram os japoneses que fizeram maioria no pódio, com um triunfo do carro Nº 8 com o trio Brendon Hartley, Ryo Hirakawa, e Sébastien Buemi, que recebeu a bandeirada com cerca de 13s de vantagem para o carro Nº 51 da Ferrari conduzido por James Callado, Antonio Giovinazzi, e Alessandro Pier Guidi, que havia largado na pole-position, mas que ao fim das seis horas de competição, acabou superado pelo novo e revisado modeloTR010 Hybrid da Toyota, que também fechou o pódio com o carro Nº 7 conduzido porKamui Kobayashi, Nyck de Vries e Mike Conway, que recebeu a bandeirada de chegada pouco mais de 40s depois dos vencedores do carro Nº 8. Mas o duelo pela vitória ficou mesmo entre o carro Nº 8 da Toyota, e o Nº 51 da Ferrari, que por boa parte da corrida estiveram separados por margens bem apertadas. A disputa promete nas próximas corridas, em especial as 24 Horas de Le Mans, onde tudo pode acontecer, e os japoneses mesmo já sentiram o drama de estarem perto da vitória e não levar. A emoção está garantida.

 

 

 

NA MESMA:

 

Will Power: O piloto australiano vem tendo vários percalços em sua nova escuderia na Indycar, a Andretti, depois de uma década e meia defendendo a Penske. O ponto positivo é que Power tem tido um carro competitivo, mas o negativo é que não tem tido uma corrida sem sofrer percalços que ora comprometem as chances de vitória, ora comprometem todo o fim de semana. Ao menos a velocidade do piloto australiano continua intacta, mas é preciso tomar cuidado para minimizar os problemas, se não evitá-los por completo, se não quiser vivenciar um inferno astral tão cedo assim. Power tem tido tantas complicações que é o último colocado da Andretti na classificação, em 14º lugar apenas, com 89 pontos. Marcus Ericsson, com a posição no time em risco para 2027, é o 12º colocado, com 104 pontos. Enquanto isso, Kyle Kirkwood tem segurado muito bem as pontas e é o vice-líder da competição, com 188 pontos, contra os 205 do líder Álex Palou. Bicampeão da categoria, Will Power acertou na troca de time para 2027, onde a Andretti parece não apenas estar à altura da Penske, seu ex-time, como até melhor. Resta o australiano parar de ter azar, e também de fazer algumas estripulias na pista...

 

Regras da F-1 2026: A parada forçada da F-1 no mês de abril, motivado pelo cancelamento/adiamento das provas no Bahrein e Arábia Saudita por causa da guerra no Golfo Pérsico, foi muito benéfica para a categoria, dando tempo para se reunirem e tentarem achar soluções para os regulamento problemático referente à gestão de energia dos carros da competição, que tem motivado muitas queixas entre os pilotos, e proporcionando até situações potencialmente perigosas como a do acidente de Oliver Bearman em Suzuka, quando quase atingiu Franco Colapinto muito lento na pista pelo carregamento de sua bateria. Medidas foram acertadas para tentar minimizar o problema, diminuindo a quantidade de energia nas baterias e melhorando o limite de recarga. São ajustes pontuais possíveis, visando diminuir as diferenças de velocidade potenciais causadas pelo sistema de gerenciamento de recarga do sistema elétrico adotado nas unidades de potência. Veremos em Miami se tais mudanças efetivarão mudanças de fato para minimizar problemas, ou se as alterações terão sido meramente cosméticas. Pelo sim, pelo não, a FIA aumentou o único treino livre da etapa de Miami, de 60 para 90 minutos, visando dar aos times maior tempo para treinarem com os carros nas novas configurações, e evitar maiores problemas. Se a FIA errou na proporção do sistema elétrico ficar meio a meio nas unidades de potência, não deixa de ser verdade também que, no ano passado, como revelou Nikolas Tombazis, foi proposto a diminuição dessa proporção, para minimizar a dependência do sistema elétrico em relação à unidade de propulsão V6 turbo. Mas as equipes vetaram a proposta, preferindo esperar para ver no que ia dar neste ano. Bem, parece que as equipes também erraram feio nessa, ao escolherem “pagar para ver”, e o resultado é o que vimos nas primeiras corridas do ano. Agora, todos correm para “remendar” as regras como for possível, e começar a estudar como não repetir o mesmo erro em 2027. De fato, a F-1 continua a se enrolar consigo mesma, e não é só a FIA que anda metendo os pés pelas mãos...

 

Aston Martin 2027: O time de Silverstone parece pronto para jogar a toalha nas pretensões desta temporada, e começar a se concentrar já para o próximo ano. Não apenas a situação da unidade de potência da Honda parece estar comprometida de modo que será mais prático reprojetar a unidade completamente do que tentar desenvolvê-la para 2026, como o próprio chassi AMR26 parece possuir defeitos que não serão tão facilmente solucionáveis a curto prazo, o que tudo indica que a temporada deste ano virará uma prova de sobrevivência da escuderia na competição, sem garantias de melhora na performance propriamente, de modo que seria mais sensato revisar tudo e centrar forças, mais uma vez, no próximo campeonato, como fizeram no ano passado. E o mesmo acaba valendo para seus pilotos. Lance Stroll tem vaga cativa por ser filho do dono da escuderia, e vai ficando, mesmo que seus resultados não justifiquem isso. Já Fernando Alonso, pagando novo calvário com a Honda pela segunda vez, parece determinado a permanecer, até para não ter uma despedida constrangedora da F-1, e mostrar que ainda é capaz de surpreender, se tiver um carro decente para pilotar, algo que agora parece poder surgir apenas em 2027 mesmo. Se a Aston Martin conseguir se adequar propriamente, quem sabe possam de fato construir no próximo ano o que deveriam estar mostrando este ano? A esperar para ver se dessa vez a coisa engrena… Ou não...

 

Caio Collet: O piloto brasileiro, que faz sua estréia na Indycar este ano, tem enfrentado diversos percalços nas etapas. A disputa começa já com alguns problemas nos treinos classificatórios, e segue com dificuldades para avançar nas corridas, onde mesmo tentando variar um pouco as estratégias, parece que Caio tem pago o preço do noviciado na competição, e tem sido superado até por Santino Ferrucci, que nunca foi um primor exatamente de desempenho, mas tem se saído melhor do que Collet. Com exceção de Arlington, onde Collet quase brigou pelo TOP-10, nas demais provas Caio tem batalhado até para terminar dentro do TOP-20, sendo que nas últimas etapas o brasileiro tem recebido a bandeirada em 21º e 22º lugar, posições não muito aspiciosas quando temos apenas 25 carros no grid atualmente. Infelizmente, o desempenho da Foyt também caiu nesta temporada, e isso acaba arrastando Collet junto, que sendo novato na competição, acaba mais afetado pela queda de rendimento do carro, e consequentemente, pode ter sua imagem como piloto comprometida. Vale lembrar que a Foyt “enterrou” a carreira de dois brasileiros na Indycar anos atrás, Tony Kanaan, e Matheus Leist, sendo que este último nunca mais correu na competição, diante da imagem ter ficado comprometida pelos maus rendimentos obtidos com a escuderia. Que Caio tome cuidado para não sofrer o mesmo destino...

 

Situação das corridas no Oriente Médio: A poeira da guerra entre Irã e os Estados Unidos e Israel pode ter baixado, e algumas atividades afetadas pelo conflito podem até ter sido parcialmente restabelecidas, como as malhas aéreas, ainda impactadas, mas voltando à normalidade controlada, mas a situação do restabelecimento das corridas na região segue indefinida. A F-1 “adiou” oficialmente as etapas da Arábia Saudita e Bahrein, mas na prática, elas não foram canceladas. Da mesma maneira, a abertura do campeonato do WEC, que deveria ter sido em Sakhir, segue em estudos para realocação, assim como a etapa da MotoGP em Losail, no Qatar. A favor do WEC está o calendário relativamente pequeno da competição, que proporciona chance de grande flexibilização para remarcação da corrida em data futura ainda este ano, enquanto a MotoGP tem menos opções para isso devido a um calendário maior, situação que é ainda pior com a F-1, e seu mega-calendário de 22 corridas, fora as duas etapas canceladas, com datas ocupadas até o início de dezembro, e que dificulta o reencaixe das etapas no Oriente Médio, que ainda terá no fim do ano as provas do Qatar e de Abu Dhabi. Até o presente momento, a situação do conflito segue sendo acompanhada de perto, e estudos seguem sendo feitos para planejar novas datas, mas sem confirmação do que será feito, pelo menos, por hora. Então, o jeito é aguardar por notícias a respeito do assunto, que ainda pode demorar bastante a ter uma posição, dependendo de como os próximos eventos do conflito se apresentarem...

 

 

 

EM BAIXA:

 

Francesco Bagnaia: O bicampeão mundial da MotoGP segue em baixa na temporada da classe rainha do motociclismo. Depois da pré-temporada animadora, o italiano voltou a enfrentar todo tipo de problemas com sua moto, e segue com resultados muito além do esperado, em meio aos problemas que a própria Ducati vem enfrentando na competição atualmente. “Pecco” ainda teve quedas, além de problemas na própria moto, para complicar sua situação na classificação, onde é apenas o 9º colocado, com 34 pontos, o antepenúltimo piloto Ducati na classificação, à frente apenas de Franco Morbidelli, da VR46, que ocupa a 13ª posição, com apenas 25 pontos, e de Fermin Aldeguer, da Gresini, o 15º, com 20 pontos. O melhor piloto Ducati na classificação é Fabio Di Giannantonio, na 3ª posição, com 71 pontos. Se é verdade que o time da Ducati enfrenta problemas, Bagnaia parece estar tendo boa parte destes problemas e azares ao mesmo tempo, comprometendo, pelo menos até o presente momento, qualquer chance de disputar vitórias, e muito menos o título da competição.

 

Equipe Oficial Ducati: O time de fábrica da Ducati vem tendo uma temporada completamente desconexa das percepções que havia tido na pré-temporada da competição. Se os testes apontavam que o time italiano deveria manter pelo menos o mesmo nível de domínio visto em 2025, talvez até mais, o que se está vendo nas pistas desde que o campeonato começou não vem correspondendo à realidade. E em Jerez de La Frontera, onde a marca venceu, o feito não veio do time de fábrica, mas do time satélite Gresini, com o triunfo de Álex Márquez, que até então estava sofrendo para se entender com a nova GP26, moto igual ao do time de fábrica. O time oficial, aliás, nem pôde comemorar a dobradinha na prova sprint para viver o inferno na corrida principal, vendo Marc Márquez cair logo à segunda volta, e vendo “Pecco” Bagnaia abandonar por problemas na sua moto. O que se imaginava ser um possível novo passeio da casa de Borgo Panigale aos poucos vem virando um drama muito mais complexo do que todos imaginavam. Será que o reinado da Ducati está enfim chegando ao fim? Ainda é cedo para afirmar isso, mas o time oficial da marca parece estar mais enrolado do que se previa.

 

Mith Evans fora da Jaguar: o casamento entre o piloto neozelandês e o time da Jaguar na Formula-E chegou ao fim. Ambas as partes anunciaram que o contrato do piloto não será renovado para a nova temporada da competição, que inaugurará a era Gen4 da categoria de carros monopostos elétricos. Evans esteve presente na Jaguar praticamente desde a estréia da escuderia na F-E, há 10 anos, e um de seus primeiros feitos foi “aposentar” Nelsinho Piquet, que diante da falta de resultados em comparação com a performance do neozelandês, acabou dispensando do time, sem conseguir vingar na nova escuderia. Nos últimos tempos, contudo, a relação de Mith com a escuderia parece estar enfrentando o natural desgaste depois de tanto tempo, e o caldo teria entornado de vez após Antonio Félix da Costa vencer a etapa em Jarama, sendo que Evans recebeu instruções de não atacar o colega de equipe, após uma excelente prova de recuperação, quando chegou nas voltas finais em condições de discutir a vitória justamente com o colega de time. O destino de Mith tem tudo para ser o novo time da Opel, equipe que o grupo Stellantis prepara para estrear na competição como segunda escuderia de fábrica, ao lado da atual Citroen, onde não por coincidência, está o ex-colega de time de Evans, Nick Cassidy, que também pulou fora da Jaguar ao fim da temporada passada.

 

Prema fora da Indy500: A crise da equipe Prema, que já não conseguiu participar das etapas iniciais da temporada 2026 da Indycar, segue firme e forte, e os planos da escuderia, que era de tentar reunir recursos para pelo menos alinhar nas 500 Milhas de Indianápolis, já foram para o brejo, com o time anunciando que não terá como competir na Brickyard este ano, e muito provavelmente, dá adeus em definitivo à competição, embora ainda alegue buscar apoio para disputar algumas provas da competição após Indy500, mas cada vez mais difícil fica acreditar na viabilidade do retorno da escuderia, que afundada em dívidas, tenta ainda encontrar apoio e viabilizar patrocínio, ainda não tendo sido oficialmente decretada como falida. O time, que chegou da Europa para participar da categoria no ano passado, foi saudada com grande entusiasmo pela direção da Indycar, mas infelizmente a administração do time desandou durante a competição, e a conta se apresentou, com enorme prejuízo, que inviabilizou a participação do time na temporada deste ano, a princípio, temporariamente, mas que a cada dia que passa se vê que é um adeus cada vez mais permanente, reduzindo o grid da competição…

 

Alpine fora do WEC: O Mundial de Endurance iniciou a temporada 2026 com muito entusiasmo, com a expectativa para 2027 da chegada da McLaren e da Ford para a competição nos Hypercars, mas também terá uma baixa: a Alpine informou que deixará a competição ao fim deste ano, encerrando seis anos de participação da marca na classe Hypercar e LMP2 nesse período. Nas justificativas, razões de defender a marca e reposicionar ativos, mencionando o desafio da F-1, onde agora se tornou um time cliente da Mercedes, após a Renault abandonar o fornecimento de unidades de potência. Assim, entre idas e vindas, segue a vida, e claro que o WEC, que ainda contabiliza a desistência da Porsche ao fim do ano passado, segue agora com o anúncio de saída da Alpine, mas pelo menos a classe Hypercar seguirá firme com a entrada de novos competidores em 2027, para alegria dos torcedores...