sexta-feira, 6 de março de 2026

LARGADA NA AUSTRÁLIA

Oscar Piastri terminou a sexta-feira com o tempo mais rápido, mostrando que a McLaren vai brigar na frente na nova temporada.

            E começaram os treinos para o Grande Prêmio da Austrália, e Fórmula 1 dá a largada para a temporada de 2026. A pista do Albert Park sedia mais uma abertura de campeonato, e as expectativas são altas para o ano, diante do novo regulamento técnico, e dos problemas que o novo regulamento pode trazer para times e pilotos.

            A McLaren terminou o dia com o melhor tempo de Oscar Piastri no segundo treino livre, mas Lando Norris teve vários percalços, e não acompanhou o ritmo do australiano, que teve lá sua dose de problemas, ainda que menores do que o atual campeão do mundo, que perdeu a maior parte do primeiro treino livre vendo o time resolver problemas em seu monoposto. Mas mesmo o tempo obtido por Piastri, embora encorajador, não significa que a McLaren seja a favorita, apenas que está na briga por bons resultados, e que se Piastri foi para a ponta, Norris tem condições de buscar um bom tempo também. Se o time de Woking tiver resolvido todos os seus percalços, parece que ele estará em plena forma de defender os títulos conquistados no ano passado. Mas, diferente do que vimos em 2025, a disputa este ano pode ser mais ferrenha e acirrada, de modo que os carros papaias poderão meter medo, mas não serão os favoritos destacados. Isso seria interessante para a competição, com uma disputa mais parelha e competitiva, justo em um momento onde o novo regulamento técnico precisa ser colocado à prova, depois de tantas promessas feitas em nome de melhorar o show da competição e evitar um domínio acachapante de uma única escuderia.

            Mas quem parece assustar é a Mercedes, que colocou Andrea Kimi Antonelli e George Russel logo atrás, e aparentemente, sem forçar tudo o que eles podem andar. Os carros prateados foram até um pouco discretos no primeiro treino livre, mas começaram a mostrar as garras no segundo, e fica a expectativa de qual é a força real do time alemão, o que em teoria poderá ser exibido no terceiro treino livre, onde todo mundo começa a caprichar nos ajustes para a classificação. A dupla prateada mostrou força no ritmo de corrida, e tudo indica que eles vão mesmo brigar pela vitória em Melbourne, com os dois pilotos tendo tempos bem próximos no TL2. Charles LeClerc, por exemplo, não se furtou a declarar que os carros prateados são os favoritos, e ele não é a única pessoa no paddock com esta opinião, portanto, é preciso ficar atento às flechas de prata desde já, se não quiserem ser surpreendidos, em que pese a dúvida ser quão favoritos eles podem de fato ser, e como poderão ser enfrentados. Depois de penar nas últimas quatro temporadas com os carros de efeito-solo, ver a Mercedes posar novamente de favorita lembra como o time assustou quando ouve a mudança de regras técnicas em 2014, com o início da nova era híbrida da F-1, com os carros prateados arrepiando os concorrentes, o que se confirmou no início do campeonato, onde os carros prateados pareciam ocupar uma categoria à parte dentro da F-1, massacrando a concorrência.

Tentando andar forte: Max Verstappen chegou até a escapar da pista e por pouco não bateu, mostrando que a Red Bull vai precisar melhorar.

            A Ferrari confirma que vem forte, mas o time vermelho prefere ainda manter as expectativas no chão, diante da percepção de que a Mercedes está escondendo o jogo de sua verdadeira força. Mas, se Charles LeClerc mostrou a habitual velocidade, ver Lewis Hamilton também dando o ar da graça oferece possibilidades da escuderia de Maranello voltar a ter uma performance sólida, podendo brigar pelas primeiras posições. O ritmo dos carros vermelhos de fato pareceu bem firme, mas como LeClerc falou, é preciso ver o que acontece quando a Mercedes liberar toda a sua cavalaria, e não se pode descartar a força da McLaren, o que em teoria deve deixar a Ferrari como possível terceira força na competição, ainda a ser comprovado de fato. E depois de uma temporada de muitas promessas e resultados apenas medianos como foi 2025, eles andam ressabiados em dizer o que esperam conseguir, até ver tudo preto no branco, na classificação e na corrida, para verem do que realmente serão capazes de fazer ou não. Até para evitar novos estresses com os tiffosi, que até que foram compreensivos no ano passado, mas podem não ter a mesma paciência, ainda mais pela escuderia ter sacrificado desenvolver o carro na temporada passada para justamente vir com tudo este ano, então, devagar com o andor...

            A Red Bull, aliás, merece elogios pelo trabalho competente de sua nova unidade de potência, em que pese o time precisar ainda mostrar um pouco mais de velocidade. Max Verstappen até teve uma saída de pista mais ousada, tentando arrancar mais tempo em sua melhor volta, que ficou a pouco mais de 0s6 do tempo de Piastri, indicando que será preciso trabalhar mais no fim de semana. Um panorama que não deve ser visto como indicação de que o time dos energéticos pode estar fora da briga, porque em vários momentos eles já tiveram treinos de sexta complicados para conseguirem resolver parte dos problemas no sábado, e até brigar pela vitória. O ponto positivo é que Isack Hadjar parece indicar que a Red Bull fez um carro “funcional” para os dois pilotos, pois em boa parte do tempo, Hadjar andou no ritmo de Verstappen, e até um pouco à frente. Sem Helmut Marko fungando no cangote, a nova administração da escuderia, sob a batuta de Laurent Mekies, parece mais propensa a manter um clima positivo com os pilotos, fazendo cobranças de performance mais equilibradas e coerentes, e não intimidando e descendo o sarrafo como Marko e Christian Horner estavam acostumados a fazer. Isack não precisa superar Verstappen, apenas andar no nível, ou pelo menos próximo, o que já será muito, muito bom para ele.

Único novato na temporada, Arvid Lindblad já chegou causando forte impressão logo de cara nos treinos livres com a Racing Bulls.

            A Audi teve uma sexta-feira positiva, colocando-se potencialmente em luta direta com a Haas e Racing Bulls pela posição de líder do segundo pelotão do grid. Estebán Ocon e Oliver Bearman andaram bem, confirmando os prognósticos da pré-temporada. O time B dos energéticos surpreendeu com Arvid Linblad, confirmando o grande talento do novato, que fará seu primeiro GP de F-1 neste final de semana. O novato chegou a figurar no TOP-10 em vários momentos do treino, já colocando tempo em Liam Lawson, mostrando o acerto de sua promoção para o lugar que era de Isack Hadjar. E a Audi, mesmo adotando uma postura prudente, sem se empolgar com os resultados que poderia alcançar, mantendo a sobriedade e prudência, chegou até a impressionar com Gabriel Bortoleto no primeiro treino livre, e terminou o TL2 em posição que lhe permite sonhar um pouco mais à frente, mostrando um trabalho sólido e consciente, de um início que tem tudo para ser o primeiro passo de uma grande jornada da marca na categoria máxima do automobilismo. Nico Hulkenberg também andou par a par com Gabriel, mostrando que estas três escuderias podem promover um duelo dos mais interessantes pelo meio do grid da competição.

            A Williams confirmou que vai precisar trabalhar bastante. O ritmo do carro de fato não é o esperado, e os projeto do time avançar parece realmente ter sofrido um revés inesperado, para não mencionar que seus pilotos tiveram alguns perrengues com o carro, sendo que Albon até parou com o carro completamente sem força em determinado momento do treino. A Alpine também parece precisar mostrar serviço, porque também ficou devendo nesta sexta-feira. E a Cadillac mostrou que o fato de ser novata está pesando, mas em termos de vexame, a nova escuderia da competição está longe de ser o maior mico do momento...

            Infelizmente, a Aston Martin confirmou as más expectativas que já vínhamos tendo na pré-temporada, e deve até desfalcar a competição, correndo risco de nem conseguir se classificar para a corrida, diante da regra do tempo necessário de largada ficar no máximo a 107% do tempo do pole-position. O time esmeralda até tentou entrar na pista hoje, mas como já se previa, não conseguiu dar muitas voltas, e as melhores que tanto Fernando Alonso quanto Lance Stroll conseguiram dar ficaram muito abaixo do esperado. A Honda não conseguiu prover as peças de reposição suficientes para sua unidade de potência e o sistema de baterias, e Adrian Newey ainda fez uma reunião para pronunciar a posição dramática da escuderia, que infelizmente está longe de qualquer condição de competitividade e fiabilidade técnica para este final de semana. Não apenas tiveram problemas nos carros mas também no sistema híbrido, de modo que no restante do fim de semana eles tentarão apenas cumprir o mínimo possível para tentar justificar sua participação, e procurar coletar todos os dados possíveis da parca participação, a fim de tentar capitalizar o máximo possível com um fim de semana catastrófico.

Aston Martin: problemas a rodo, sem confiabilidade no carro, e na unidade de potência. E foi só os primeiros treinos oficiais de sexta-feira...

            De ressaltar Adrian Newey expôr todos os problemas de forma tão aberta e sincera sobre os problemas da escuderia, com algumas declarações contundentes a respeito das condições da Honda de quando eles assinaram o contrato para fazerem da Aston Martin o seu novo time oficial na F-1, chegando a dizer claramente que naquelas condições nunca teria firmado um acordo com os japoneses, pelo menos, não para estrear a parceria este ano. Especialmente agora que se comprova, cada vez mais, que os propulsores da Mercedes parecem ser de fato os melhores de todo o grid, e que acabaram descartados pela escuderia inglesa em prol das unidades de potência nipônicas, que junto da Red Bull, tiveram muito sucesso nestes últimos anos com a Red Bull. Uma decisão que obviamente não foi tomada por Newey, que só chegou à Aston Martin no ano passado, e teve que trabalhar com o que havia por lá, e o que lhe foi prometido para 2026.

            A F-1 deu suas primeiras aceleradas. Agora, vamos ver quem chegará na frente neste domingo...

 

 

Reginaldo Leme está em Melbourne, trabalhando como comentarista para a rádio Bandnews, na transmissão do GP da Austrália de F-1. O veterano jornalista, com mais de 500 corridas presenciais de cobertura, recebeu da Liberty Media uma credencial vitalícia, que lhe permite comparecer a qualquer GP que desejar, um benefício concedido a poucos jornalistas, diante de sua relevância na cobertura esportiva da categoria ao longo de sua história, e mesmo tendo declarado sua “aposentadoria” das transmissões de TV, até porque a F-1 voltou para a Globo, e ele segue no Grupo Bandeirantes, ele certamente ainda estará presente em alguns GPs para novas coberturas, agora pela rádio.

 

 

A guerra no Oriente Médio, entre Estados Unidos e Israel contra o Irã coloca as corridas de abril na berlinda. O Bahrein é uma nação insular localizada no Golfo Pérsico, e abriga uma base militar dos Estados Unidos, e o diminuto tamanho da nação barenita a torna um alvo potencial sem condições de oferecer segurança necessária para a realização de um GP. A corrida em Jeddah, na Arábia Saudita, por outro lado, por se situar junto ao Mar Vermelho, poderia ter condições de ser realizada, mas mesmo assim, as possibilidades maiores sejam de não arriscar junto à segurança de todos. Não haveria problemas de cancelamento das duas corridas, por serem promovidas pelos governos, que mantém boas relações com a F-1, e teriam condições de arcar com os prejuízos de não-realização das provas. A possibilidade das duas provas serem substituídas, como chegou a se aventar esta semana, não é considerada viável, devido a questões logísticas e de planejamento comercial. Arregimentar duas novas corridas, de última hora, a poucas semanas de sua eventual realização, exigiria esforços de promoção, venda de ingressos, transporte de material, etc, providências que a categoria precisa realizar e agendar com bastante antecedência. Uma decisão a respeito precisa ser tomada com bastante antecedência também, no assunto. Pela programação inicial, os equipamentos da competição seriam embarcados em Nagoya, após o GP do Japão, com destino a Manama, no Bahrein, para a prova em Sakhir, e de lá, deslocados para Jeddah, para só então serem redespachados para a Europa. Se as duas provas forem canceladas, a F-1 precisará readequar a logística de transporte. Alguns falam de já mandar todo o equipamento para Miami, próxima etapa do calendário, no início de maio, deixando todo o mês de abril sem etapas. Outros falam que, devido a esse intervalo, talvez a categoria crie uma sessão extra de testes em alguma pista da Europa a fim de que as escuderias e pilotos possam se aprofundar em compreender melhor os novos carros, o que viria a calhar para times como Aston Martin e a Cadillac, que enfrentam problemas com o ritmo de seus carros, em especial o time de Silverstone, que teria uma folga mais do que bem-vinda para tentar resolver a situação crítica em que se encontra com os problemas de seu carro, mas principalmente de sua nova unidade de potência da Honda. Uma decisão será tomada antes do GP do Japão, e claro, também vai depender da situação dos combates no Oriente Médio, em que pese ninguém seja capaz de afirmar o que poderá acontecer efetivamente. O aeroporto de Doha, no Qatar, segue fechado, enquanto em Dubai, os vôos foram retomados apenas parcialmente, com o estabelecimento de corredores de segurança aérea que podem ser revogados se a situação escalar. A situação é acompanhada com atenção por todos, a fim de avaliar as condições e riscos, a fim de poderem ter todas as informações pertinentes para tomar a melhor e mais sensata decisão de todas.

 

 

A Indycar já disputa sua segunda corrida neste final de semana, no circuito oval de Phoenix, no Arizona. O pequeno circuito trioval de uma milha volta ao calendário da competição em substituição ao oval de Iowa, que sem patrocinador, caiu fora do calendário na atual temporada. Caio Collet, depois de uma estréia modesta, mas segura, em São Petesburgo, tem o seu primeiro desafio em pista oval da temporada, e pelo menos, uma das sessões de testes da pré-temporada da competição foi nessa pista, de modo que o brasileiro já conhece a pista com seu atual carro de competição. Mas teste é teste, e corrida é corrida, e portanto, tudo pode acontecer, e Caio precisará saber como evitar as armadilhas que um circuito deste tipo pode oferecer. Vamos ver como ele se sai em sua segunda prova do campeonato. Mas Caio não deu sorte na classificação, e larga apenas em 23º. David Malukas garantiu sua primeira pole-position pela Penske, e sai na frente no pequeno circuito oval, ao lado de Josef Newgarden, garantindo uma primeira fila toda da Penske no Arizona. Mas a surpresa foi a equipe Rahal/Leterman/Lanigan, que monopolizou a segunda fila, com Graham Rahal e Mick Schumacher, na melhor classificação do time em muito tempo. E a nova fase de Will Power defendendo a Andretti definitivamente começou com o pé esquerdo. Depois de bater nos treinos em São Petesburgo, e ter novos problemas na corrida, quando tocou o muro com a parte traseira do carro e comprometeu qualquer chance de um bom resultado, o australiano bateu de novo, agora em Phoenix, e vai largar na penúltima fila, à frente apenas de Felix Rosenqvist, que também bateu com seu carro. A corrida tem largada programada para este sábado, a partir das 17:00 Hrs., com transmissão ao vivo da Bandeirantes em TV aberta, e do ESPN na TV por assinatura, bem como do sistema de streaming Disney+.

quinta-feira, 5 de março de 2026

ESPECIAL – FÓRMULA 1 2026

            Chegou a hora. A Fórmula 1 liga seus motores e começa a acelerar fundo na temporada de 2026, com o Grande Prêmio da Austrália neste final de semana, inaugurando uma nova era na competição, com novas regras técnicas, novos motores, e novos times. Então, vamos com uma matéria especial apresentando uma geral do panorama da competição para este ano, que pode tanto ser melhor, ou não, do que as temporadas anteriores. Uma boa leitura a todos, e vamos começar a torcida para ver quem será o campeão este ano...

FÓRMULA 1 2026

 

Com novo regulamento técnico, novas equipes, e novos motores, a Fórmula 1 tenta, mais uma vez, se reinventar em busca de melhorar a competitividade e o show das corridas. Irá conseguir desta vez?

 

Adriano de Avance Moreno

Novos carros, novos motores, nova aerodinâmica. Só vai faltar termos novas emoções, se o novo regulamento não tropeçar em si mesmo...

 

         Neste final de semana a Fórmula 1 dá início a um novo campeonato, e para dar mais tempero, está estreando também um novo regulamento técnico, visando, como sempre, melhorar a competição, oferecendo mais show nas corridas, e tentando, sempre, evitar que um time seja favorito disparado. As mudanças chegam até mais cedo do que muitos esperavam, de modo que o novo regulamento anterior, que entrou em vigor em 2022, não foi a melhor das apostas, tendo durado apenas 4 anos, o que é pouco, levando-se em conta como a F-1 sempre procurou tratar mudanças drásticas no regulamento de tempos em tempos com um pouco mais paciência.

         Em 2022, a intenção era “brecar” a hegemonia da Mercedes, mas também melhorar as ultrapassagens, com carros baseados no antigo efeito-solo, que em tese proporcionaria maior estabilidade aerodinâmica e permitiria carros que não sofressem com o “ar sujo” aerodinâmico do carro que segue à frente. Até funcionou, parcialmente, mas surgiram problemas variados, como o porpoising, uma instabilidade provocada pelo efeito-solo que complicou várias escuderias, e ainda por cima, se acabou com a hegemonia da Mercedes, acabou criando outra, a da Red Bull, que foi campeã em 3 destes anos, sendo derrotada somente no ano passado pela McLaren, e ainda assim, por pouco. E, conforme os times desenvolviam seus carros, as ultrapassagens também foram diminuindo, voltando a ser mais complicadas.

         O novo regulamento também alterou as unidades de potência, com vistas a atrair novos fabricantes para a competição, o que ocorreu de fato, sendo que esta temporada temos duas novas marcas mundiais no grid: a Audi, como time próprio; e a Ford, parceria da Red Bull no projeto de seu motor pela Red Bull Powertrains. E a Cadillac está a caminho para, em alguns anos, também engrossar o número de marcas motrizes no grid, compensando a saída da Renault, que debandou da F-1 diante dos maus resultados recentes.

Novo campeão mundial de F-1, Lando Norris terá a missão de defender seu título.

        
O MGU-H, dispositivo que recuperava energia térmica para convertê-la em eletricidade, foi descartado, e a potência do MGU-K foi expandida, chegando aos 350 Kw, de modo que agora o propulsor V-6 turbo responde por 50% da potência, e a parte elétrica pelo resto. Isso obrigou a um reprojeto completo das unidades de potência, que a grosso modo, ainda estavam com a mesma estrutura desde sua introdução em 2014, com os desenvolvimentos lógicos implantados de lá para cá.

         O incremento da potência elétrica resultou em uma situação que obriga os pilotos a terem de gerenciar muito a carga elétrica disponível, pois já ficou comprovado que, se eles acelerarem a fundo, a carga da bateria se esgota, antes do fim da volta até, o que pode complicar muito a condução do bólido. Nos testes, ninguém sabe com quanta carga e potência do motor se andou propriamente, com cada time escondendo alguns segredinhos aqui e ali, mas na hora em que o pega começar para valer, este tipo de dificuldade pode vir mais à tona, o que explica alguns pilotos reclamarem que os atuais F-1 parecem ser mais lentos que os atuais F-2. Max Verstappen foi um dos mais exaltados com a exigência mais absurda de precisar cuidar tanto da energia, chegando a chamar os atuais bólidos de “carros de Formula-E com esteróides”, numa comparação meio grosseira com o certame de carros monopostos elétricos. As críticas do tetracampeão pegaram mal para a FIA, a ponto de chamarem o holandês para “conversas em reservado”. Mas, no fim, até quem ainda achava o novo panorama interessante como Lando Norris, o atual campeão, deu o braço a torcer dizendo que não está tão interessante assim o modo como se pilota estes novos carros, mas infelizmente, isso é igual para todos, portanto, é se virar da maneira como puder.

         Houve também a preocupação de que os pilotos não conseguissem dar a carga máxima de potência nas largadas, o que poderia ser catastrófico caso alguém falhasse o arranque por falta de carga elétrica, e com os carros todos juntos, pudesse ocorrer um acidente se alguém vindo com tudo não conseguisse desviar a tempo. Felizmente, as simulações do procedimento realizadas no Bahrein ocorreram sem nenhum problema, minimizando as preocupações dos pilotos com eventuais falhas neste momento.

         As mudanças de tamanho nos carros podem parecer sutis, mas têm grande impacto. A largura dos carros foi reduzida em 10cm, enquanto o comprimento ficou 20cm menor. Os assoalhos também foram reduzidos em 15 cm. Os bólidos também ficaram 30 Kg mais leves. Pode parecer pouco, mas os pilotos já sentiram a diferença nos testes, confirmando que os carros estão mais ágeis e leves, e isso pode ser útil para as tentativas de ultrapassagem, especialmente em circuitos mais apertados, como Mônaco. Mas resta ver se a teoria será confirmada na prática. E é para confirmar que as ultrapassagens voltarão com tudo que os carros agora possuem aerodinâmica ativa, com as asas assumindo configurações diferentes em cada trecho da pista.

         Os pneus também tiveram mudanças de tamanho: embora os aros das rodas continuem os mesmos, os pneus ficaram ligeiramente menores. Os compostos dianteiros diminuíram de 72 para 70,5 cm em diâmetro, enquanto a largura foi reduzida de 30,5 para 28 cm. Já os pneus traseiros também mudaram o diâmetro de 72 para 70,5 cm, enquanto a largura passou de 40,5 para 37,5 cm.

         Os carros agora contarão com dois modos: modo ultrapassagem, e modo de aerodinâmica ativa, onde há o status reta, e status curva, que estarão disponíveis por toda a corrida, sem limitação. O novo modo ultrapassagem, que vem para substituir o polêmico DRS, que nunca foi unanimidade, por exemplo, permitirá um incremento de 0,5 megajoule de força elétrica, como um “miniturbo” adicional que poderá ser ativado quando um piloto for tentar ultrapassar o bólido à sua frente. A diferença é que o piloto que for tentar a ultrapassagem poderá usar essa potência adicional em qualquer ponto do circuito, e não apenas nas zonas delimitadas como ocorria com o DRS. Ele ainda precisará estar a menos de 1s do carro à frente, em um ponto de detecção estabelecido, mas sua ativação se dará na volta seguinte a essa detecção. Enquanto o velho DRS era um recurso aerodinâmico simples, com a abertura da asa traseira conferindo mais velocidade, esta nova ferramenta proporcionará um aumento momentâneo de potência para o piloto tentar a ultrapassagem. Se por um lado ele não fica restrito ao trecho da pista previamente definido, por outro lado, exigirá gestão cuidadosa da energia, ou o carro pode ficar “sem força” ao fim da tentativa, se a carga da bateria se esgotar antes, diante do uso menos parcimonioso da carga extra.

         Mas os pilotos expuseram que este novo sistema não tornará as ultrapassagens mais fáceis. E Nikolas Tombazis, diretor técnico da FIA, entende que não foi possível testar o recurso a contento na pré-temporada, de modo que ele já sinaliza com a possibilidade de efetuar mudanças, caso a realidade mostre-se menos agradável do que a esperada. Uma das possibilidades é ajustar o recurso de acordo com cada circuito, talvez permitindo um ganho de potência elétrica maior do que os 0,5 MJ previstos, de modo a garantir uma melhora de performance efetiva para tornar o modo de ultrapassagem viável, e não apenas uma ferramenta sem utilidade prática. Com o DRS, mesmo ativo, algumas ultrapassagens simplesmente não aconteciam em certas pistas, mostrando que o recurso tinha suas limitações, o que fez com que, em determinados circuitos, chegasse a ter até 4 zonas de ativação do DRS, para tentar minimizar o problema.

George Russell pode ter enfim a chance de ser campeão com uma Mercedes que parece ter enfim nascido bem.

        
Nos modos reta e curva, as asas assumirão configurações diferentes dependendo do trecho do circuito, aumentando a angulagem nos trechos de curva para providenciar maior apoio aerodinâmico, e diminuindo nas retas para proporcionar maior velocidade e menos arrasto. E claro que, tentando aprender os limites destes novos modos ativos, os pilotos andaram saindo a rodo da pista nos testes da pré-temporada, mais em alguns setores, menos em outros, e sem percalços em mais outros. O comportamento do carro não é o mesmo visto nos últimos quatro anos, e todo mundo precisará se adaptar a este novo modo de condução, por mais desagradável que possa ser, especialmente em relação à nova exigência de gerenciamento da energia disponível por volta.

         E há também o modo “boost”, que é um recurso de aumento de potência momentâneo que os pilotos terão à disposição, com o qual poderão usar tanto para defender como atacar, desde que, claro, tenham energia disponível para isso, o que resulta em mais um desafio de gerenciamento e energia para o piloto, uma vez que a carga, limitada, implicará em como efetuar o uso da ferramenta da melhor maneira possível.

         Obviamente, Stefano Domenicalli minimizou as reclamações dos pilotos, mesmo tendo feito declarações a respeito de ajustar e adaptar as regras, se isso for necessário. O dirigente continua prometendo que será uma temporada absolutamente cheia de emoções, e que os pilotos reclamam sem ter tanta razão assim. Mas não seria a primeira vez que a implantação de um novo regulamento, mesmo com as melhores intenções, não resulta nas melhorias esperadas. Esperemos que a promessa de revisão das regras, caso necessário, seja realmente efetivada conforme as promessas feitas. Mas quando se é necessário efetuar mudanças, isso só significa que as regras não foram tão bem concebidas conforme deveriam, e não é de hoje que o regulamento técnico da categoria máxima do automobilismo não é dos mais abertos a explorações, ainda que, desta vez, ele tenha sido até mais permissivo que o habitual, se considerarmos exemplos anteriores.

         Mesmo assim, a FIA ainda conseguiu se embananar com o regulamento em alguns itens, como o já tão mencionado teste de compressão do motor, que acabou por precisar de esclarecimentos sobre uma possível “irregularidade” que não o era propriamente, quando a Mercedes fez uso de uma brecha que ninguém mais teoricamente havia feito. Mas a politicagem falou mais alto, e foi necessário esclarecer a situação para que depois ninguém fique reclamando, mostrando como a categoria parece não conseguir acertar 100% seu conjunto de regras, onde muitas delas, lamentavelmente são mais encheção de saco do que qualquer outra coisa. Assim, começando um novo regulamento onde já se ouviu muitas críticas, coerentes e válidas por parte de vários pilotos, principalmente seus principais campeões mundiais, e com a FIA aceitando rever alguns artigos, podemos ver que a nova era técnica da F-1 infelizmente já não começa da melhor maneira. Se, de algum modo, a competição efetivamente melhorar, todos esquecerão estes questionamentos e reclamações. Porém, se as críticas que os pilotos faziam derem lugar a comprovações reais, bem... Que ninguém diga que não foram avisados.

         Um ponto a se comemorar é a entrada de novos fabricantes no grid. Ainda que tenhamos perdido a Renault, que deixou a competição, estamos vendo o retorno da Ford, agora em parceria com a Red Bull, lembrando que a fábrica norte-americana esteve oficialmente presente no grid pela última vez em 2004, com seu time próprio, a Jaguar, que não obteve os resultados esperados e foi vendida. Curiosamente, a compradora da estrutura do time, à época, foi justamente a Red Bull, que transformou a escuderia na sua equipe de F-1, que hoje, traz a Ford de volta à competição. E temos a entrada da Audi, que finalmente cedeu ao encanto da categoria máxima do automobilismo, com um time e projeto de unidade de potência próprios. Com os demais fabricantes permanecendo na competição, temos então 5 fornecedores na competição, nada mal, mas poderia ser melhor. Paciência.

         Como de costume, a nova temporada promete, teoricamente, muita briga, mesmo relativizando os resultados dos testes da pré-temporada, que mostraram dados interessantes, em que pese não sabermos a fundo quão realmente os times andaram nos testes, que configurações utilizaram, força das unidades de potência, e claro, como os pilotos se empenharam, cada um à sua maneira, a “esconder” trunfos potenciais para surpreender os adversários tão logo a competição comece pra valer neste final de semana, no Albert Park, em Melbourne.

         Lando Norris é o atual campeão do mundo, e terá a tarefa de lutar para defender o título, situação que o coloca como alvo primário dos rivais mais diretos, e especialmente de seu próprio companheiro de time, Oscar Piastri, que durante boa parte da temporada passada foi o principal favorito à conquista, até que tudo degringolou na reta final, com erros do time e do piloto, que permitiram uma reação de Norris, mas com dúvidas a respeito mais pelo modo como a McLaren errou “mais” com Piastri do que com Lando propriamente, dando margem a interpretações de que o australiano pode ter sido preterido na briga pelo título em favor do inglês, o que sempre é um prato cheio para a turma dos “conspiracionistas” de plantão, lembrando que isso fez com que Oscar perdesse até mesmo o vice-campeonato, que ficou com Max Verstappen, que por pouco não chegou ao pentacampeonato.

         Mas Lando tem um dilema adicional a resolver. O inglês, mesmo com o melhor carro do ano, cometeu vários erros na primeira metade da competição, e não fosse a situação de Piastri na parte final, que acabou cometendo erros e sofrendo com percalços do time que parecem tê-lo afetado mais do que ao inglês, não mostrou a verve que faz de fato um verdadeiro campeão mundial, e ainda por cima, quase perdeu o título para Verstappen, que chegou perigosamente perto de conquistar a taça. Lando tem que provar que pode ser um legítimo campeão mundial, e para isso, precisa se provar em duelos diretos contra os rivais na pista, do contrário, poderá ser visto sempre como um piloto rápido, de talento, mas que só ganhou o campeonato por ter o melhor carro. E o modo como acabou dominado por Piastri na primeira parte da temporada não dá uma idéia muito positiva a esse respeito.

         Pelo seu lado, Piastri não vai querer ser “escudeiro” de Norris, e como a McLaren, em teoria, liberou seus pilotos para a disputa, o australiano vai querer mostrar que também pode ser campeão, e tentar recuperar-se do vexame que foi perder a taça em 2025. Se a McLaren estiver firme na briga, isso pode ser tanto bom quando ruim para o time de Woking, a depender de como os rivais estarão na briga pelo título.

Max Verstappen terminou 2025 em alta, mesmo sendo vice-campeão, e agora terá que descobrir a capacidade da nova associação Red Bull/Ford.

        
Esta talvez seja a “vantagem” da Red Bull, onde Max Verstappen é a única ameaça de fato, com o holandês tendo saído com o prestígio mais em alta em 2025 do que o próprio campeão mundial Lando Norris por ter revertido uma desvantagem de mais de 100 pontos, e ter ficado com o vice-campeonato por uma margem absurdamente perigosa no ano passado. Isack Hadjar, estreando em um time de ponta, certamente não deve incomodar Max, pelo menos não a ponto de brigar pelo título, de modo que o time dos energéticos deve centrar seus esforços em proporcionar as melhores condições ao holandês, a se confirmar a capacidade da Red Bull de brigar pelo título em termos técnicos, já que se o carro for competitivo, Verstappen se encarrega de ir para a briga, sem sombra de dúvidas.

         Na Ferrari, se o carro for tão bom como pareceu em Sakhir, o duelo pode ser renhido. Se Charles LeClerc há tempos anseia pela chance real de brigar pelo campeonato até o fim, e sabemos que ele é inegavelmente rápido e capaz, fica a dúvida se Lewis Hamilton terá recuperado a forma, depois da temporada mediana que demonstrou em 2025. De positivo temos que o inglês gostou do novo comportamento do carro com as novas regras, e tem sido rápido nos testes, ainda que tenha criticado a necessidade de gerenciamento de energia que tem sido tônica do que esperar da nova temporada. Isso indica que provavelmente os dois pilotos da Ferrari devem vir para a briga na pista. LeClerc quer ser campeão, e Hamilton a redenção, e quem sabe, o inédito oitavo título na carreira, e ambos enfrentam um ano decisivo no time italiano. Charles já está há quase uma década em Maranello, e um novo fracasso faria o monegasco pensar em procurar outras paragens onde tenha de fato chances de ser campeão, enquanto uma temporada sem resultados proeminentes poderia precipitar a aposentadoria de Lewis Hamilton da F-1.

         Na Mercedes, talvez o time mais potencialmente favorito, pelas marcas consistentes da pré-temporada, é a chance de George Russell enfim brigar pelo título, se confirmadas todas as qualidades evidenciadas pelo novo carro. O inglês fez uma temporada notável em 2025, liderando o time com competência, e vencendo quando a oportunidade aparecia, mostrando velocidade, tática de corrida, e mostrando que, sim, pode ser o líder do time alemão na pista. E Andrea Kimi Antonelli, em seu segundo ano, precisa mostrar estar à altura de sua posição em um time de ponta, onde os erros cometidos no ano passado não serão mais tolerados com a mesma paciência.

         E finalmente o grid cresceu. Temos a nova equipe Cadillac, e mesmo assim, foi um parto admitir esta 11ª escuderia no grid, diante do barreirismo corporativista que a Liberty Media acabou criando com as equipes, mais interessadas em não dividir o butim de lucros astronômicos da F-1 do que com os interesses do esporte, em uma das manobras mais vergonhosas dos últimos tempos. A coisa só fluiu depois que Michael Andretti, o autor original do projeto, foi despejado, e a GM assumiu a empreitada, usando sua marca Cadillac, para deixar todo mundo sem desculpas plausíveis, mas que, mesmo assim, deixaram um mal-estar considerável em termos de imagem, pois quanto mais competidores, melhor. O WEC está aí para mostrar isso, mesmo sendo uma categoria diferente, mas há muito que a F-1 precisava de mais espaço no grid, sem que isso necessite de competidores fracos ou incapazes. A desculpa mais furada, de “agregar valor” à F-1, no final, nunca passou de mesquinharia dos demais times, não querendo dividir por 11 o que recebiam por 10. A Cadillac, claro, ajuda a tornar o grid mais interessante, ainda que, no início, ela possa ficar restrita ao pelotão do fundo, precisando melhorar muito. Mas a GB não encamparia o projeto, e investiria pesado, com sedes tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos, se não estivesse disposta a competir a sério.

         O grid deste ano conta com apenas um novato, Arvid Lindblad, pela Racing Bulls, com a imensa maioria dos times preferindo nomes conhecidos e já estabelecidos diante das novas regras técnicas, precisando comparar parâmetros e dados. Por mais que simuladores, computadores e sistemas tecnológicos de análise possam oferecer uma gama de dados infinitamente maior do que antigamente, o felling do piloto ainda é imprescindível para que uma equipe possa conferir se os projetos estão sendo bem sucedidos ou não.

 

AS EQUIPES DE PONTA – QUEM SAI NA FRENTE?

Campeã de pilotos e construtores, a McLaren está pronta para tentar repetir as boas campanhas recentes.

 

         A Mercedes impressionou na pré-temporada, e apesar de alguns percalços que fizeram com que o time perdesse algum tempo útil nos boxes, precisando resolver os problemas, tanto no carro como na nova unidade de potência, em nenhum momento isso pareceu tirar o sono da escuderia alemã, mesmo que os problemas parecessem mais sérios, mas com o time prateado indicando que parece estar de novo na posição dominante, embora isso ainda seja meio incerto, diante de ninguém saber direito com os rivais treinaram nos testes. Mas é inegável que a Mercedes começa uma temporada com muito otimismo, que não exibia desde o início da temporada de 2021. O time de Brackley simplesmente não se achou nas temporadas do efeito solo, tendo perdido tempo razoável investindo no conceito zeropod de 2022 e na primeira metade de 2023, o que fez com que a escuderia não conseguisse recuperar o atraso, pelo menos, para voltar a ser capaz de disputar o título. Agora, com as novas regras técnicas, a Mercedes parece capaz de voltar a brigar efetivamente, não apenas dispondo de um bom carro, mas também de uma unidade de potência que parece ser a melhor do grid atual, em que pese ainda ser necessário confirmar isso em corrida na prática, mesmo com as impressões dos adversários de que o novo propulsor deve ser a referência da competição.

         Os carros prateados mostraram velocidade, confiabilidade, e ritmo consistente. Tanto em voltas rápidas quanto em ritmo de corrida, os resultados foram consistentes, e demonstram que o novo modelo W17 não pode ser subestimado. Há rumores de que eles próprios procuraram minimizar seu potencial, procurando não chamar muita atenção. Não é um procedimento inédito: em parte da década passada, durante seu período de hegemonia, a equipe alemão geralmente não dava tudo o que podia andar nos testes, até para não despertar suspeitas dos concorrentes, mas quando a temporada começava, eles soltavam as amarras, e quase sempre esmagando os adversários. Não há como saber se a Mercedes vai repetir este mesmo nível de favoritismo, mas que certamente estará na briga por vitórias, e quem sabe, o título, enfim, depois dos resultados apenas satisfatórios dos últimos anos. George Russell, que chegou a pontear a tabela de tempos em determinado dia nos testes, comprova que o carro parece muito melhor do que os recentes modelos do time, o que é um bom presságio para a escuderia, e uma péssima notícia potencial para os concorrentes.

         A Ferrari parece finalmente ter deixado a temporada ruim de 2025 para trás. O novo modelo SF26 mostrou velocidade e confiabilidade, e até Lewis Hamilton parece renovado, disposto a apagar a temporada mediana do ano passado para voltar a ser o piloto combativo de sempre. A decisão de concentrar esforços para a temporada deste ano, ao ver que o carro equivocado do ano passado não oferecia muitas possibilidades viáveis, parece ter rendido os frutos esperados. Não apenas a unidade de potência parece tremendamente eficiente, ainda que talvez esteja ligeiramente abaixo da Mercedes, como o novo carro certamente deixou seus pilotos com um sorriso nos olhos. O ritmo de simulação de corrida foi forte, e a velocidade, com o melhor tempo no dia final de testes, encorajador. O time até apresentou uma asa traseira com movimento inovador para o sistema de aerodinâmica ativa nas retas, embora não tenha confirmado se o usará de fato, e mesmo tendo tido alguns problemas, não pareceu nada grave. O time italiano parece dividir com a Mercedes o favoritismo potencial para a temporada, em que pese ter tido um ritmo de corrida levemente abaixo dos prateados, mas potencialmente superior aos obtidos por McLaren e Red Bull.

A Ferrari parece vir forte, ao contrário de 2025.

        
Diferente das percepções obtidas nos testes do ano passado, o clima é de otimismo e satisfação nos boxes do time de Maranello. Mas claro, pelo sim, pelo não, Frederic Vasseur prefere manter os pés no chão, e não prometer nada de fato antes das primeiras corridas, a fim de evitar entusiasmos precipitados e manter os torcedores mais calmos. Até porque, como todo mundo sabe, muitos certamente esconderam parte do jogo na pré-temporada, de modo que mesmo com Charles LeClerc tendo terminado a pré-temporada em Sakhir com o melhor tempo de todos não é garantia de que o time de Maranello vai deitar e rolar no campeonato, como muitos acham que pode acontecer. Até pode ocorrer, mas isso somente depois de ver a fundo como a Ferrari está de fato frente aos rivais. A única certeza é que tem tudo para ser um ano melhor do que 2025, porque não dá para esconder o otimismo revelado nos dias de testes. Resta saber quanto desse otimismo será justificado. E tanto LeClerc quanto Hamilton também preferem esperar para ver na prática se todo o entusiasmo será recompensado, antes de fazerem planos mais ousados. O fato de terem enfrentado menos problemas que os rivais mais diretos ajuda a deixar o clima mais tranquilo e calmo, mas é preciso ver se não haverão surpresas inesperadas quando exigirem os carros a fundo.

         A Red Bull surpreendeu pela confiabilidade de seu primeiro motor construído inteiramente pela Red Bull Powertrains, agora em colaboração com a Ford, após os últimos anos vitoriosos com a Honda. Embora Max Verstappen declare que a escuderia dos energéticos tem muito a evoluir, não se pode ignorar a capacidade técnica dos taurinos, que no ano passado conseguiram mudar da água para o vinho na segunda metade da temporada, e quase chegaram ao título de pilotos mais uma vez. A nova unidade de potência parece ter a melhor recuperação de energia do grid, e Max Verstappen conseguiu efetuar simulações de corrida muito fortes, chegando a preocupar a concorrência com uma diferença que alguns especularam que poderia ser de até 1s por volta, algo que ainda precisa ser devidamente comprovado. E Max Verstappen afirmando que o time ainda precisa trabalhar muito não deixa de ser indicativo de que pode mesmo haver muito serviço a ser feito, até que o carro apresente rendimento mais rápido, e não criar expectativas antes da hora. Na opinião do holandês, Mercedes e Ferrari saíram na frente, e a McLaren está bem ao lado, pronta para dar o bote, mostrando que a briga, inicialmente, pode ser pelo posto de 3ª força do grid.

         O que vai ajudar muito a Red Bull este ano é a nova mentalidade da direção do time. Saíram Christian Horner e Helmut Marko, e Laurent Mekies deu uma boa arejada no ambiente, e isso já ficou nítido desde o retorno das férias de verão na temporada passada, e isso deve proporcionar um clima mais tranquilo e aberto em Milton Keynes, com os pilotos podendo se expressar com mais naturalidade e poderem explorar o novo carro sem serem crucificados pela cúpula da equipe. Isack Hadjar poderá ter melhores chances de mostrar o que sabe merecendo uma atenção mais equitativa e sem ser defenestrado ao menor sinal de resultado ruim na pista, mesmo tendo Max Verstappen como companheiro de equipe.

         Um ambiente menos carregado, sem os pesares que Horner e Marko carregavam, certamente abre a possibilidade de um novo momento na escuderia dos energéticos, e os sinais de que o time está apto a se manter e brigar pela ponta parecem promissores. O novíssimo propulsor parece fiável, e seu sistema de gerenciamento de energia parece ser o mais eficiente do grid até aqui, pelas impressões da pré-temporada. O projeto do novo RB22, o primeiro totalmente concebido pelo time após a era Adrian Newey, parece competitivo. Talvez não seja o conjunto mais forte do grid, mas desde que seja o suficiente, Max Verstappen é capaz de providenciar o resto, neutralizando com seu enorme talento a eventual janela de diferença que possa existir para os carros mais fortes, a depender de quanto essa janela será. E a capacidade técnica da escuderia, de evoluir seus carros, não pode ser menosprezada, ainda mais depois do que vimos no fim da temporada passada, quando ninguém já apostava na Red Bull, a vermos o carro crescer de performance graças a melhorias certeiras que providenciaram um ganho que rendimento que o holandês, como sempre, capitalizou como nunca. E um time com a capacidade da Red Bull, e que tem Max Verstappen, nunca pode ser subestimado, esta é uma verdade indiscutível.

A Mercedes parece estar de volta para a ponta, resta saber quão favorita poderá ser de fato, em relação aos rivais.

        
A McLaren deu cerca de 817 voltas na pré-temporada, e parece pronta para defender seus títulos recentemente conquistados na F-1, quando voltou à sua condição de protagonista, após praticamente uma década sem vitórias regulares, e quase virando figurante em algumas temporadas. O novo modelo MCL40 mostrou bom ritmo e boa velocidade, além de fiabilidade, com poucos percalços de monta a serem visto nos boxes da equipe de Woking, mas mostrando que a capacidade técnica da McLaren, que vem surpreendendo nos últimos anos, se manteve intacta, e não sendo apenas um projeto que “deu certo” e foi plenamente desenvolvido com competência. O novo regulamento técnico era uma chance potencial de reorganizar a relação de forças, e claro, havia dúvidas se a McLaren manteria sua força na pista, e parece que conseguiu manter, sim. Resta saber quão forte está o time papaia em relação aos concorrentes, mas os indícios são muito bons e promissores, de modo que eles estarão sim, na briga. Se irão vencer, vai ser uma questão de combinar com os rivais. Todo mundo escondeu um pouco o jogo na pré-temporada, uns mais, outros menos. Agora veremos quem mostrou mais suas cartas na mesa, e que, iniciada a disputa, virá com força total para o campeonato.

 

O MEIO DE PELOTÃO – BRIGA INTERESSANTE

 

         O pelotão do meio, ou “F1B”, como alguns denominam, é o grupo das equipes que vem logo atrás das principais, e da mesma forma como os times da frente, este grupo também parece bem embaralhado, com sinais mais positivos de alguns, e menos para outros. Neste aspecto, quem parece ter feito o melhor trabalho foi a Haas, que conseguiu exibir boa performance e fiabilidade na pré-temporada, fruto do longo trabalho de reestruturação da escuderia levado a cabo por Hayao Komatsu, após a demissão de Gunther Steiner.

A Haas teve bons tempos nos testes, e agora ainda tem parceria técnica com a Toyota.

        
A Haas também firmou parceria com a Toyota, podendo agora usar o túnel de vento da sede da equipe japonesa, em Colônia, na Alemanha, o que otimizou os resultados obtidos pela escuderia, que deixando os tempos de recursos mais escassos para trás, pretende reviver os melhores anos da equipe, quando chegou até mesmo a ser a 5ª melhor colocada no campeonato de construtores, em 2018, melhor resultado da escuderia até hoje, tendo disputado 10 temporadas completas. No que tange aos pilotos, Oliver Bearman foi o grande nome do time no ano passado, tendo como melhor resultado o 4º lugar no GP do México, enquanto Estéban Ocon havia sido 5º lugar no GP da China. O francês, aliás, acabou sendo engolido por Bearman na parte final da temporada, o que levou Komatsu até a fazer leves críticas à atuação do francês, revelando esperar mais dele, pelo seu currículo, que tem até uma vitória na competição, no GP da Hungria de 2021. Tendo ocupado a 8ª posição no Campeonato de Construtores em 2025, a Haas parece ter tudo para ser a “vencedora” da F1B, mas ainda é cedo para comemorar. Mas o time parece ter as ferramentas para conseguir mostrar a que veio.

         Assim como a Red Bull inicia o campeonato sob nova direção, a equipe “B”, a Racing Bulls também tem um novo clima no time, e bem mais ameno. A ausência de Helmut Marko, que não está mais gerenciando o programa de pilotos da Red Bull, e portanto, não apita mais nas decisões de pilotos, deve permitir um clima mais relaxado no time, com os pilotos tendo um pouco mais de tranquilidade para mostrarem do que são capazes, sem o ex-dirigente pronto para fulminar os pilotos com seu humor instável e cobranças e críticas às vezes desmedidas. Liam Lawson sobreviveu a 2025 depois de ser escorraçado da Red Bull após apenas duas provas, e apesar de ter levado um tempo, conseguiu se recompôr na equipe de Faenza, a ponto de ter mantido sua posição na escuderia para este ano, onde ainda corrida risco de perder a posição, dependendo se o grupo Red Bull manteria ou não Yuki Tsunoda, que no fim, acabou ficando como piloto de testes. Como o “veterano” do time, Lawson terá a companhia do novato Arvid Lindblad, novo talento potencial do programa de formação de pilotos, que terá calma e mais paciência da nova direção para mostrar a que veio na competição, podendo render mais sem os olhares ferozes e demolidores de Marko a vigiar cada passo que der na pista.

A Racing Bulls deve brigar pela liderança da F1B.

        
No ano passado, Marko fez críticas ferozes a Isack Hadjar, que conseguiu se recuperar e mostrar um bom campeonato, chegando até a conquistar um pódio, mas não por benesses do dirigente propriamente, mas por ter recebido apoio emocional de Anthony Hamilton, pai de Lewis Hamilton, após Hadjar errar feio logo na estréia, na Austrália, e bater com o carro antes mesmo de largar propriamente para a corrida. Haverá cobranças, sim, por desempenho, mas não serão mais tão implacáveis como se o primeiro erro já condenasse totalmente o piloto. Lindblad precisará mostrar a que veio, mas não será crucificado sumariamente pelos erros que eventualmente cometer como novato na competição, e isso pelo menos lhe dá respaldo para desenvolver melhor seu trabalho em seu ano de estréia na competição. E a confiabilidade do carro e da nova unidade de potência Ford/RBPT foram aprovados, com a Racing Bulls conseguindo rodar até mais que a Red Bull propriamente, mostrando a fiabilidade tanto do carro como da nova unidade de potência, confirmando os bons presságios vistos na Red Bull.

         Egressa da antiga Sauber, que fez uma temporada de despedida digna da categoria máxima do automobilismo, a Audi enfim estréia oficialmente na competição, e tem grandes ambições para sua empreitada na F-1, ainda que, em seu ano de estréia, saiba plenamente que os resultados serão modestos. Não que o carro seja ruim, mas a competição no segundo pelotão tem tudo para ser acirrada, e a equipe não sabe mensurar com clareza onde estará nesta relação de forças. Um ponto positivo foi o conhecimento adquirido no ano passado, pelo menos em termos organizacional e administrativo, mas dado que foi inaugurado um novo e completo regulamento técnico, muitos conhecimentos adquiridos com o bólido de 2025 não tem serventia para o novo carro da escuderia. Um ponto positivo é que o propulsor teve desempenho bem satisfatório nos testes da pré-temporada. O time começou tendo problemas, como toda estrutura nova na F-1, mas houve vários progressos durante a pré-temporada, com vários problemas sendo compreendidos e sanados, conforma a quilometragem aumentava e o conhecimento do carro progredia.

         A Audi manteve a dupla de 2025, com Nico Hulkenberg liderando o time na pista com sua já conhecida experiência, velocidade, e capacidade, algo indispensável para a nova escuderia da competição, e tem em Gabriel Bortoleto um talento bruto para ser refinado e uso futuro. A direção da escuderia exalta o grande trabalho desenvolvido por todos, com o projeto e construção do primeiro carro da marca para a F-1, bem como o desenvolvimento da unidade de potência, o que não é algo trivial, diante da complexidade dos novos regulamentos, mas nem por isso deixa de manter os pés no chão, ressaltando que ainda há muito trabalho pela frente, e que o GP da Austrália não é a finalização do trabalho, mas o início de uma longa jornada que a Audi planeja ter junto à F-1 daqui em diante.

A Williams terminou 2025 com otimismo, mas o início em 2026 não parece tão animador quanto deveria ser.

        
A Alpine terminou 2025 no fundo do pelotão, algo previsível diante da decisão de abandonar os motores Renault, e passar a utilizar os Mercedes este ano, encerrando, mais uma vez, a presença dos propulsores franceses na F-1. A decisão foi de Flavio Briatore, alçado novamente ao comando da escuderia, quando ainda se chamava Renault, na década de 2000. O polêmico dirigente averbou a decisão, e claro, já esperava uma temporada complicada com um motor que não teria mais evolução, mas a verdade é que o projeto do carro de 2025 também foi ruim, de modo todas as fichas ficaram guardadas para 2026, com a estréia do novo regulamento técnico. E, como comprovaram o time de fábrica e as demais escuderias, o propulsor Mercedes será o último motivo de problemas para a escuderia francesa, diante dos bons resultados apresentados. O time conseguiu rodar bem em Sakhir, com nada menos do que 677 voltas, o que mostra que pelo menos a confiabilidade é boa. Agora o time precisa é comprovar se o carro será mesmo bom. Nos testes, Pierre Gasly até conseguiu algumas marcas interessantes, comprovando que pelo menos, houve evolução da performance, mas resta saber em que posição da relação de forças a Alpine se encontra. Se Gasly já mostrou do que é capaz, Franco Colapinto, mantido no time graças a seus patrocinadores, depois de terminar a temporada passada zerado em pontos, ainda precisa mostrar a que veio. O argentino até surpreendeu quando estreou na Williams em 2024, mas também ficou conhecido por bater demais, algo que se manteve no ano passado, em que pese o carro pouco competitivo também não ajudar muito neste aspecto. Franco mostrou melhoras, andando perto de Gasly, diante do que o carro poderia oferecer, e por isso, se o modelo A526 se mostrar competitivo, ele precisará mostrar serviço, para pelo menos estar à altura de Pierre na performance, e nos resultados, do contrário, a foice implacável de Briatore poderá voltar a acabar com mais uma carreira potencialmente promissora na categoria máxima do automobilismo.

         A Williams, que teve em 2025 sua melhor temporada em quase uma década, com um carro bem construído, competitivo, e acima de tudo, com uma dupla de pilotos de verdade ao volante, não vai começar 2026 com o mesmo entusiasmo. O atraso na finalização do novo modelo FW48 fez com que o time perdesse um tempo valioso de pista em Barcelona, chegando para testar apenas em Sakhir. A escuderia tratou de tentar recuperar o tempo perdido, e conseguiu notável quilometragem, e sem enfrentar problemas substanciais de monta, mostrando que o novo bólido parece confiável. Entretanto, a performance não foi das mais entusiasmadas. Não que o novo carro seja ruim, apenas não parece ter evoluído o que todos esperavam, e que parece difícil que o time consiga repetir os mesmos resultados de 2025, já que a concorrência parece ter ganho pontos adicionais que os colocam teoricamente mais competitivos do que a escuderia de Grove. Não apenas a performance do novo carro parece ter ficado aquém do esperado, como o modelo estaria acima do peso mínimo do regulamento, um revés que precisará ser corrigido da maneira como for possível.

Enfim, uma 11ª equipe no grid: a Cadillac, trazendo dois veteranos de volta à competição: Valtteri Bottas e Sergio Perez.

        
No ano em que estréia o novo regulamento técnico, e com uma dupla de pilotos mais que competente, apta a ajudar tanto nos resultados quanto no desenvolvimento de pista, o percalço surgido é o primeiro revés sobre a administração de James Vowles, que tinha promovendo uma reestruturação e renovação da Williams que começou a dar frutos em 2025, e em teoria, tinha tudo para não apenas manter a escuderia como líder da F1B, como até de tentar se aproximar do pelotão da frente, contando com a eficiente e confiável unidade de potência da Mercedes. De provável aproximação com o pelotão da frente, o time fundado por Frank Williams terá de batalhar para, no máximo, possivelmente, manter a classificação e resultados alcançados no ano passado.

 

O FIM DO GRID – NOVATA E VETERANA

 

         Pelos testes da pré-temporada, dois times ficaram na “rabeira” do pelotão, no cômputo geral dos tempos. Confirmando as expectativas de um início complicado como novata na competição, a Cadillac mostrou que precisará de muito trabalho para almejar resultados mais vistosos, trazendo um dos maiores conglomerados automotivos do planeta para a pista na categoria máxima do automobilismo. Com pilotos pelo menos competentes, e que sabem como um time deve funcionar, pelo menos a nova escuderia tem um norte a seguir, o que não significa que o caminho a percorrer seja fácil. Mas o ambiente da mais nova escuderia da categoria máxima do automobilismo, mesmo sendo realista, é de otimismo, tanto que o carro já contará com algumas novidades para a sua corrida de estréia, a partir dos conhecimentos obtidos nos testes da pré-temporada. A escuderia sofreu diversos percalços nos dias de testes em Barcelona, e procurou resolver isso para os testes em Sakhir, e aparentemente, conseguiu encontrar mais fiabilidade, em que pese não terem marcado tempos muito rápidos, sendo mais velozes apenas que a Aston Martin. Como time novato na competição, dificuldades mais do que esperadas. Agora é ver como poderão evoluir durante a temporada, e mostrarem do que são capazes, desafio que não será fácil, claro, mas crucial para mostrar que seu ingresso na F-1 é mais do que merecido.

         Retornando de um ano sabático, tanto Valteri Bottas quanto Sergio Perez estão esperançosos de conseguir fazer o novo time evoluir durante o avanço do campeonato, de modo progressivo e firme, embora admitam que brigar pelos pontos já será um desafio e tanto para a nova escuderia. Os dois pilotos acabaram dispensados sem muitas cerimônias de seus últimos times na competição, e buscam, mais do que fazer o novo time crescer, recuperarem seus prestígios como competidores na F-1, com a nova chance que raramente ex-pilotos acabam merecendo, pelo que se vê na história da competição.

         A equipe está usando a unidade de potência da Ferrari, já que ainda está desenvolvendo sua própria unidade, que deve estrear somente em 2029, mas pelo menos isso será um problema a menos, já que propulsor Ferrari é eficiente e competitivo, algo que será preciso confirmar de seu modelo MCA26, nome oficial de seu primeiro projeto para a F-1, trazendo ao grid uma das maiores montadoras do planeta, a General Motors, que nunca havia participado da competição até hoje.

         Mas, quem mais preocupa, e que em tese não deveria estar ali pelo fundão, é a Aston Martin, um dos times que, se não é novo, já tem em teoria experiência mais do que comprovada, mesmo com a imensa reformulação técnica pela qual passou recentemente, com vistas a se tornar um time de ponta. O novo modelo AMR26 chamava expectativa justamente por ser o primeiro projeto de Adrian Newey pós-Red Bull, mas tudo indica que os trabalhos de criação do novo bólido foram turbulentos, com Newey podendo trabalhar no novo time apenas a meio da primeira metade do primeiro semestre do ano passado, cumprindo as regras de quarentena previstas pela F-1 em casos deste tipo de mudança de time para um profissional do quilate de Adrian.

         Tendo de cumprir com o período de “quarentena” após sua saída da Red Bull, Adrian Newey só pôde começar a trabalhar de fato no novo carro no ano passado, e precisou tentar recuperar parte do tempo perdido.

Aston Martin: problemas no novo carro projetado por Adrian Newey, e problemas ainda maiores com a nova unidade de potência da Honda (abaixo).


         Mas, como desgraça pouca é bobagem, foi da parte da Honda que vieram os maiores problemas, com sua nova unidade de potência não apenas não entregando o que deveria, mas com o próprio sistema elétrico revelando fragilidades e percalços maiores do que os esperados. A situação ficou tão crítica que a escuderia deu apenas 6 voltas no último dia de testes em Sakhir porque ficaram sem peças sobressalentes para poderem continuar na pista, com vibrações que poderiam comprometer todo o sistema, além do propulsor V-6 indo a nocaute também por causa disso.

         Inicialmente, cogitou-se da Aston Martin efetuar uma participação apenas protocolar no GP da Austrália. Andar o mínimo exibido em treinos, e abandonar o GP logo após as primeiras voltas, só para não ser multada por descumprir com os compromissos do Acordo de Concórdia, o documento de direitos e obrigações que regem os estatutos da competição, e que impõe multas pesadas se algum time deixar de comparecer a um GP. Para evitar isso, a Honda estava tentando proporcionar peças novas, além de melhorias emergenciais no propulsor e nas baterias, com permissão da FIA, para tentar minimizar o problema. Paralelamente a isso, na Inglaterra, correções pontuais no bólido estavam sendo implementadas também para diminuir os problemas, mas o efeito prático das melhorias só será visto a médio prazo. Mas o cenário não melhorou com a chegada do time a Melbourne, indicando que a participação será mesmo efêmera, diante de trepidações tão fortes no bólido que pode até colocar em risco a saúde física dos pilotos, pelo que eles não deverão mesmo andar muito, nem mesmo nos treinos, e abandonar cedo a corrida.

         Para Fernando Alonso, em provável fim de carreira, pode ser um golpe forte, e ainda pela segunda vez, em uma parceria com a Honda. Quando retornou à McLaren em 2015, a Honda também retornava ao time de Woking, de tantas memórias gloriosas da parceria estabelecida entre 1988 e 1992, que resultou em quatro títulos de pilotos e construtores. Mas os tempos eram outros, e nem o carro da McLaren era tão bom, e muito menos a unidade de potência híbrida da Honda era boa, resultando em três temporadas de martírio onde tanto Alonso quanto a McLaren se tornaram frequentadores da metade de trás do grid, onde o propulsor não entregava potência e nem fiabilidade, ao que a McLaren resolveu rescindir o contrato após três anos, e tentar uma nova parceria com a Renault, enquanto os japoneses foram para a Toro Rosso em 2018, e em 2019, assumindo a Red Bull também, onde os japoneses, mais calejados, e com um carro muito mais competitivo, resultou no tetracampeonato de Max Verstappen entre 2021 e 2024.

         E agora, na entrada do novo regulamento, e com um carro projetado por Adrian Newey, talvez a última chance de Alonso voltar a vencer, e poder se despedir com mais dignidade da competição onde já está há mais de 20 anos, com exceção das temporadas de 2019 e 2020, possa ser mais um momento de frustração do que de satisfação.

 

EQUIPES E PILOTOS

 

EQUIPE

MODELO

MOTOR

PILOTOS (Nº)

Scuderia Ferrari

SF-26

Ferrari V6 067/06

Charles LeClerc (16)

Lewis Hamilton (44)

Aston Martin Formula One Team

AMR26

Honda RA626H

Fernando Alonso (14)

Lance Stroll (18)

Red Bull Racing

RB22

Red Bull Ford DM01

Max Verstappen (3)

Isack Hadjar (6)

Mercedes-AMG Formula One Team

W17

Mercedes-AMG F1 M17 V6

Andrea Kimi Antonelli (12)

George Russell (63)

Alpine Formula One Team

A526

Mercedes-AMG F1 M17 V6

Pierre Gasly (10)

Franco Colapinto (43)

Racing Bulls Formula One Team

VCARB03

Red Bull Ford DM01

Liam Lawson (30)

Arvid Lindblad (41)

Haas F1 Team

VF-26

Ferrari V6 067/06

Oliver Bearman (87)

Estéban Ocon (31)

Williams Racing

FW48

Mercedes-AMG F1 M17 V6

Alexander Albon (23)

Carlos Sainz Jr. (55)

McLaren Formula 1 Team

MCL40

Mercedes-AMG F1 M17 V6

Lando Norris (1)

Oscar Piastri (81)

Audi Revolut F1 Team

R26

Audi AFR 26 Hybrid

Nico Hulkenberg (27)

Gabriel Bortoletto (5)

Cadillac F1 Team

MAC26

Ferrari V6 067/06

Sergio Perez (11)

Valtteri Bottas (77)

Arvid Lindblad é o único novato no grid nesta temporada.

 

CALENDÁRIO

Melbourne mais uma vez abre a temporada 2026 da F-1.

 

         O calendário de 2026 é composto por novamente 24 provas, sendo seis delas com provas sprints. A etapa de Ímola saiu da competição, para dar lugar à nova prova de Madrid, em um novo circuito urbano na metrópole espanhola. A Holanda despede-se da F-1 este ano, mesmo com todo o sucesso obtido por Max Verstappen na competição. Algumas corridas, como o Canadá e Mônaco, trocaram de posição, melhorando ligeiramente a logística das viagens que a categoria precisa realizar. As corridas que contarão com provas sprints este ano serão China, Miami, Canadá, Inglaterra, Holanda, e Singapura. Pela primeira vez desde que foram adotadas no calendário, o Brasil deixa de ter corrida sprint, curiosamente um dos GPs onde estas corridas ofereceram as maiores emoções entre as provas realizadas. A Liberty Media estuda aumentar o número de provas sprints para 12, talvez já em 2027, e está verificando as possibilidades e as provas que poderão ser incorporadas ao formato.

         A guerra deflagrada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, contudo, ameaça a realização das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, programadas para abril. Enquanto a prova em Jeddah corre menos riscos, diante da cidade estar localizada do outro lado do país árabe, a etapa do Bahrein, situado em pleno golfo pérsico, é potencialmente a corrida com mais chances de ser cancelada e substituída. Chegou-se a aventar a possibilidade de ambas as corridas serem substituídas, com Ímola, na Itália, e Portimão, em Portugal, como prováveis substitutos, caso o pior acontecesse, mas a própria F-1 indica que isso não deve ocorrer, sendo mais prático cancelar as duas etapas, e deixar o calendário com 22 provas então. Os problemas envolvem logística e promoção das provas substitutas, o que não poderia ser feito com decisões tomadas de última hora. Caso isso ocorra de fato, e o mês de abril fique sem corridas, está sendo estudada a chance de oferecer às escuderias a chance de uma semana extra de testes coletivos em algum circuito na Europa, o que seria útil para todos compreenderem melhor seus novos carros e resolver potenciais problemas relativos aos novos sistemas de energia das unidades de potência. Uma decisão será tomada a respeito antes do GP do Japão, no fim deste mês.

         Portanto, confiram o calendário inicial da temporada.

 

DATA

ETAPA

CIRCUITO (Tipo de Circuito)

08.03

Grande Prêmio da Austrália

Melbourne (urbano)

15.03

Grande Prêmio da China

Shangai (autódromo)

29.03

Grande Prêmio do Japão

Suzuka (autódromo)

12.04

Grande Prêmio do Bahrein (*)

Sakhir (autódromo)

19.04

Grande Prêmio da Arábia Saudita (*)

Jeddah (urbano)

03.05

Grande Prêmio de Miami

Miami (urbano)

24.06

Grande Prêmio do Canadá

Montreal (autódromo)

07.06

Grande Prêmio de Mônaco

Monte Carlo (urbano)

14.06

Grande Prêmio da Espanha - Catalunha

Barcelona (autódromo)

28.06

Grande Prêmio da Áustria

Zeltweg (autódromo)

05.07

Grande Prêmio da Inglaterra

Silverstone (autódromo)

19.07

Grande Prêmio da Bélgica

Spa-Francorchamps (autódromo)

26.07

Grande Prêmio da Hungria

Budapeste (autódromo)

23.08

Grande Prêmio da Holanda

Zandvoort (autódromo)

06.09

Grande Prêmio da Itália

Monza (autódromo)

13.09

Grande Prêmio da Espanha

Madri (urbano)

26.09

Grande Prêmio do Azerbaijão

Baku (urbano)

11.10

Grande Prêmio de Singapura

Marina Bay (urbano)

25.10

Grande Prêmio dos Estados Unidos

Austin (autódromo)

01.11

Grande Prêmio do México

Hermanos Rodriguez (autódromo)

08.11

Grande Prêmio de São Paulo

Interlagos (autódromo)

21.11

Grande Prêmio de Las Vegas

Las Vegas (urbano)

29.11

Grande Prêmio do Qatar

Losail (autódromo)

06.12

Grande Prêmio de Abu Dhabi

Yas Marina (autódromo)

 

(*) = Risco de cancelamento devido à guerra dos EUA e Israel contra o Irã.

Grande Prêmio do Bahrein pode ser cancelado devido aos riscos desencadeados na guerra dos EUA e Israel contra o Irã.

 

O BRASIL NO GRID E NAS TRANSMISSÕES

 

         Após quase uma década, o Brasil voltou a ter um representante titular no grid da Fórmula 1 no ano passado. Gabriel Bortoleto defendeu a Sauber em sua última temporada, encerrando o jejum incômodo de pilotos brasileiros no grid da categoria máxima do automobilismo, que vinha desde o fim da temporada de 2017, quando Felipe Massa deixou a competição. A princípio, as perspectivas não eram boas, e de fato, a escuderia suíça começou o ano no fim do grid, embora pudesse oferecer alguns brilharecos ocasionais. Com as atenções voltadas para este ano, quando a escuderia se tornasse oficialmente a Audi, o foco do brasileiro seria aprender, e tanto quando possível, andar junto, ou até à frente de Nico Hukenberg, piloto que, mesmo veterano, trazia muita velocidade e experiência, pelos resultados obtidos recentemente na Haas, quando voltou a ser titular do grid.

Gabriel Bortoleto vai para sua segunda temporada na F-1 defendendo a nova equipe oficial da Audi.

        
Mas melhorias proporcionadas no carro a meio da temporada mudaram completamente as expectativas, de modo que a Sauber passou a proporcionar chances reais de pontuação regular para seus pilotos, e é claro que, apesar de ter cometido vários erros justificáveis pelo seu noviciado, Gabriel também conseguiu algumas performances dignas de elogios. Ele não conseguiu ofuscar Hulkenberg, e em alguns momentos, sua afobação jogou contra ele, mas também não comprometeu, e agora, com a Audi, é que o desafio se torna maior. Porque Bortoleto não será mais um novato. Mesmo que Audi ainda seja, inicialmente, parte do pelotão do meio, onde haverá uma disputa ferrenha pelos lugares pontuáveis que sobrarem, é justamente nesta briga mais acirrada que Gabriel precisará mostrar a que veio, e desta vez, sem cometer os erros do ano passado. Ele já mostrou velocidade e talento, agora precisa conseguir constância, e acima de tudo, não se envolver em confusões, e limitar os erros ao máximo possível, e confiar no projeto que a Audi está montando, e se colocar como uma das peças que fará isso funcionar de forma veemente nas pistas, procurando não se deixar vencer por Hulkenberg, ou no máximo, estar junto dele.

         Pódios por enquanto está descartado entre as possibilidades de Gabriel, pelo menos em condições normais. E o público brasileiro precisará compreender a situação, e não ficar depreciando o piloto caso os resultados não sejam o que eles esperam de nosso mais novo representante na F-1, que sempre fica se espelhando nas conquistas obtidas por Émerson Fittipaldi, Nélson Piquet, e Ayrton Senna.

         No que tange às transmissões, depois de cinco anos, a F-1 voltou à sua antiga casa, a TV Globo, mas que não exibirá todas as corridas ao vivo na TV aberta. Serão apenas 15 etapas a serem transmitidas pela TV Globo, e apenas as corridas, no canal aberto. Quem quiser acompanhar toda a temporada ao vivo, só pelos canais do SporTV, que será também o único canal a transmitir os treinos livres, e os treinos de classificação, que também não serão mostrados mais em TV aberta, assim como as provas sprints, infelizmente. As corridas estarão disponíveis, na íntegra, também no Globoplay, mas para visualização posterior, para os assinantes do serviço. O novo acordo firmado pela Globo com a Liberty Media terá validade até 2028.

         Christian Fittipaldi chegou para reforçar o time de comentaristas, algo que já vinha fazendo na ESPN nas transmissões da Indycar. Outra surpresa foi o retorno de Mariana Becker, que foi repórter por mais de uma década e meia cobrindo as corridas in loco, ainda quando a Globo exibia as provas, e tendo permanecido na mesma função durante os cinco anos em que a F-1 foi exibida pela Bandeirantes, e agora assumirá também função de comentarista das transmissões, estando presente em todas as corridas, ainda in loco, em uma nova fase na carreira, ainda capitalizando pelos contatos que Mariana fez com o pessoal da F-1 durante este tempo todo.

         Uma novidade é que as transmissões no SporTV serão em resolução 4K, com uma qualidade muito maior de imagem, enquanto as transmissões na Globo serão em fullhd convencional. As corridas serão narradas por Bruno Fonseca e terão Rafael Lopes, Christian Fittipaldi e Felipe Giaffone como comentaristas, sendo que estes últimos dois se revezarão na função em decorrência de seus compromissos de pista. Julia Guimarães, Marcelo Courrege e Guilherme Pereira estarão na reportagem. Vale lembrar que as transmissões voltam a ser diferentes para a Globo e para o SporTV. No canal aberto, as provas terão narração de Everaldo Marques, com comentários de Luciano Burti, que já desempenhava essa função quando a Globo transmitia a F-1 anteriormente, na companhia de Mariana Becker. As reportagens in loco durante as transmissões serão compartilhadas tanto na Globo quanto no SporTV, e neste final de semana, é Guilherme Pereira quem estará em Melbourne para os trabalhos no fim de semana de GP.

         Indiferente à qualidade técnica, o que os fãs esperam é respeito por parte do Grupo Globo quanto às transmissões. Nas últimas temporadas em que esteve com a competição, a Globo foi descendo o nível das exibições das corridas, entrando em cima da hora, quase no momento da largada, e fechando as transmissões logo que era dada a bandeirada de chegada, sem nem exibir o pódio, o que rendeu muitas críticas dos fãs, e com a Bandeirantes até tripudiando em cima disso, se gabando de fazer uma exibição “na íntegra” das corridas, o que foi muito valorizado pelos fãs, que por isso mesmo, ficaram, e ainda ficam com o pé atrás, com relação ao retorno da F-1 à Globo, cujo histórico com a categoria máxima do automobilismo não é de se desprezar, mas que não pode ser motivo de desculpa para a precarização da transmissão como havia sido feito nos últimos antes de 2020.

Depois de cinco anos na Bandeirantes, a F-1 voltou à Globo em 2026.

        
O aplicativo do streaming oficial da F-1 continua a ser outra opção para acompanhar as transmissões, com a opção em português oferecendo o trabalho desenvolvido pelo Grupo Globo, a exemplo do que era feito oferecendo a opção em português da Bandeirantes, mas oferecendo a chance de acompanhar as provas em outros idiomas, a quem tiver condições de ver em outra língua. Chegou-se a cogitar a contratação de uma produção independente, que poderia ser até mesmo, vejam só, produzida pela Bandeirantes, mas não chegaram a um acordo, de modo que a transmissão em português a ser disponibilizada será a do Grupo Globo.

         Curiosamente, a Bandeirantes ainda segue com a F-1, mas nas transmissões de rádio, onde continuará a contar, inclusive, com Reginaldo Leme. Agora cabe a cada fã da velocidade acompanhar a transmissão que lhe for mais possível, ou conveniente.

Os novos motores estreando na temporada 2026 da Fórmula 1: Audi (acima) e Red Bull/Ford (abaixo). 

 


 

A Audi, ex-Sauber, faz sua estréia oficial na F-1.