sexta-feira, 17 de julho de 2026

ORIENTE MÉDIO DE NOVO NA BERLINDA

A pista de Portimão, em Portugal, pode retornar à F-1 este ano, substituindo uma das etapas do Oriente Médio, que está de novo em ebulição diante da retomada dos confrontos dos EUA e Israel contra o Irã.

            A retomada das hostilidades no Oriente Médio nos últimos dias voltou a complicar os planos da Fórmula 1 de tentar manter a todo custo a integridade de seu calendário para a temporada de 2026. Com as etapas do Bahrein e da Arábia Saudita “adiadas” oficialmente, e não canceladas na prática, a direção da FOM/Liberty Media procurava encontrar maneiras de reencaixar as duas corridas, mais para o fim do ano, aproveitando as viagens que, teoricamente, seriam feitas para as provas do Qatar e Abu Dhabi, encerrando a temporada. A expectativa era de que as animosidades, que vinham diminuindo, poderiam permitir não apenas as duas etapas finais programadas, mas conseguir conciliar também um possível reencaixe das duas provas “suspensas”. E com isso, manter os acordos comerciais e televisivos em sua integralidade.

            A volta dos conflitos, contudo, volta a comprometer todos os planos que vinham sendo cogitados, obrigado a Liberty Media a considerar mais seriamente o “plano B”, que seria substituir as etapas por outras provas. Neste aspecto, repetir circuitos ou adicionar pistas que já possuem classificação necessária na FIA para sediar provas da F-1 passaram a ser cogitados. Algumas, contudo, como Istambul, na Turquia, não poderiam ser utilizadas diante das obras de readequação que está passando para voltar a receber a categoria máxima do automobilismo em 2027. Portimão, e Ímola, por sua vez, também se cadidataram a receber novamente a competição. E, claro, foi aventada a possibilidade de fazer segundas corridas em Barcelona, por exemplo.

            O primeiro revés já foi sentido. O Bahrein, que podia ser encaixado logo após a prova em Baku, no Azerbaijão, que teria uma boa logística da viagem até Sakhir, e que depois seguiria para Singapura, já precisou ser cancelado oficialmente, diante da retomada dos conflitos, inviabilizando os planos de reencaixe da prova barenita no calendário. A corrida em Jeddah, na Arábia Saudita, em tese, ainda corre riscos menores, mas não inexistentes, por se localizar do outro lado do país, e não estar tão próxima da área do conflito no Golfo Pérsico, o que coloca em risco direto as provas justamente do Qatar e de Abu Dhabi, próximas ao Bahrein.

            O desafio da F-1 é motivado pelos contratos firmados: a categoria precisa entregar pelo menos 22 corridas para não sofrer reveses contratuais comerciais decorrentes dos acordos firmados com patrocinadores, emissoras de TV, e similares. Com o Bahrein oficialmente fora agora, e Arábia Saudita “suspensa” momentaneamente, o limite de corridas necessárias para manter os termos acertados já está no limite. Se Qatar e Abu Dhabi tiverem que ser canceladas pelos motivos de segurança, o número de corridas despenca para 20 provas, o que levará à necessidade de cumprir cláusulas de descumprimentos acertados, afetando os valores a serem recebidos, que seriam menores, e levaria a “prejuízos” para a Liberty, e consequente menor repasse para as escuderias da competição, além dos ganhos da FIA. Em tese, nada que vá significar o fim do mundo, mas claro que eles querem evitar essa situação ao máximo, e garantir o mínimo para seguirem recebendo os valores integrais.

Com a retomada dos confrontos no Oriente Médio, a prova em Losail, tanto da F-1, quanto de outras categorias, não deve mais ser realizada em 2026.

            Com a volta dos conflitos, a logística de transporte fica comprometida. Embora materiais como carros, pilotos e equipamentos sejam enviados por avião, que poderiam usar rotas mais seguras, parte do material, como os pneus, são enviados por navio, com preparação de meses de antecedência. E com o estreito de Ormuz bloqueado ou comprometido parcialmente, o transporte até o Qatar e Abu Dhabi está inviabilizado. Pode até ser feito, mas não há garantias de segurança suficientes para assumir o risco. Portanto, embora ainda não anunciado oficialmente, as provas em Losail e Yas Marina não deverão acontecer de fato. A FOM/Liberty apenas aguarda o momento mais propício para comunicar isso devidamente.

            A fim de cobrir a falta destas duas provas, a FOM/Liberty Media estaria considerando várias possibilidades, entre fazer uma rodada dupla em Las Vegas, prova bancada por ela própria, mas que deve ser inviabilizada pela relação complicada da cidade ter que manter a estrutura do GP por mais tempo, que já sofre crítica de muitos moradores locais, de modo que ela não queira arriscar o momento de boa convivência que conseguiu construir desde a primeira corrida, e até realizar novas corridas na Europa. Os times são contrários a repetir pistas também, então a opção de escolher pistas européias vem ganhando força. Mas o tempo urge, fora que a F-1 precisa convencer os autódromos a receber a competição, e isso não sai barato. Mesmo em caráter emergencial, a entidade que comanda a F-1 quer faturar, e resta saber se os preços ofertados para estes locais receberem a categoria máxima do automobilismo, mesmo a preço de ocasião, serão atrativos.

            Uma opção que não está sendo divulgada, mas pode ser levantada emergencialmente, em último caso, se as negociações fracassarem, é a própria FOM/Liberty Media assumir a promoção da corrida, cuidar dos aspectos promocionais, e realizar as provas, mesmo sob o risco de prejuízo, mas que seria consideravelmente menor do que ter de pagas as multas contratuais por descumprimento dos acordos comerciais vigentes firmados. Assim, a F-1 manteria o limite mínimo de corridas necessárias para manter os acordos, sem sofrer represálias financeiras, e mitigaria os efeitos deletérios de ter menos corridas. Os prejuízos podem ocorrer, mas podem ser absorvíveis pela entidade mais facilmente do que os pagamentos vultosos que os contratos comerciais certamente provocariam pelo número menor de corridas que seriam entregues.

            Sob este aspecto, Portimão, que já vem sendo considerada, e Paul Ricard, na França, embora não esteja sendo aventada, até o presente momento, se colocam como opções mais lógicas do ponto de estrutura técnica da pista, e acesso fácil às estruturas de transporte e logística. Localizadas junto ao Mediterrâneo, ambos os autódromos possuem clima mais ameno que boa parte da Europa, permitindo a viabilização das corridas sem sofrerem tanto com os rigores climáticos do fim de ano europeu.

            Outra possibilidade, com a confirmação do cancelamento oficial da prova do Bahrein, entre as etapas do Azerbaijão e Singapura, poderia ser uma nova corrida na Itália. Ímola, que esteve até recentemente na competição, poderia ser encaixado como opção emergencial. Ou até mesmo Mugello, onde a categoria correu em 2020, na pandemia, com pilotos e times gostando muito dos desafios da pista, que tem condições de receber a F-1. As dificuldades não são intransponíveis, e se precisar bancar a corrida, a FOM/Liberty tem condições de fazer isso. Conseguir encaixar uma prova em pistas italianas reduziria a pressão no fim da temporada, restando talvez apenas uma corrida tampão em Portimão para fechar o campeonato. A opção de Paul Ricard eu cito como algo possível, que pode até estar sendo considerada nos bastidores, sendo um circuito com capacidade para receber também a F-1, mas não sendo de conhecimento público, caso esteja sendo de fato aventada como uma possibilidade.

A GP de Abu Dhabi se acostumou a fechar a temporada da F-1, mas parece que este ano o evento foi para o vinagre...

            Cada escolha envolve dificuldades e oportunidades. A maior delas é organizar o evento, efetuar a venda de ingressos, e contratar a estrutura necessária. Tudo costuma ser planejado e contratado, arquitetado com bastante antecedência, mas não seria impossível. Mesmo a logística pode ser adaptada. E no caso de Las Vegas, voar de volta para a Europa, para potenciais provas substitutas, requer apenas uma mudança de rumo no transporte dos aviões, sendo que o tempo de trajeto da capital de Nevada até a Europa, seja Portimão, ou até mesmo Paul Ricard, é menor do que ir para o Oriente Médio, então, a data limite que a F-1 estipula para saber se poderá ou não ir para o Qatar e Abu Dhabi ainda lhe dá tempo razoável para suplantar estes desafios de promoção, montagem da corrida.

            E, claro, tem outro detalhe crucial: confiar se, em caso do clima amainar novamente, ver se a receptividade e confiança no clima ambiente da situação lhes permitirá arriscar manter as provas no Oriente Médio. Afinal, o clima vinha esfriando na região, até a situação esquentar novamente nestes últimos dias. A direção da F-1 pode se dar ao luxo de acreditar que, no prazo final, caso os acontecimentos apontem para uma normalização da situação, ela não vai degringolar novamente, no tempo até as corridas? Pelo sim, pelo não, talvez seja melhor confirmar mesmo provas substitutas na Europa, e evitar quaisquer outros riscos potenciais que uma eventual manutenção dos eventos, confiantes em dias mais calmos, possa sair novamente do controle esperado, em um momento onde não seja possível mais remediar a situação a tempo de efetuar a troca de local.

            O Mundial de Endurace, que também teria etapas no Oriente Médio, já definiu Monza e Barcelona como etapas substitutas, cujo anúncio oficial deve ocorrer ainda este mês. O WEC, por ter menos corridas que a F-1, tem mais flexibilidade de datas, embora também tenha de correr contra o tempo para efetuar os procedimentos de promoção e estruturação das corridas. Mas eles resolveram não esperar tanto quanto a F-1 para definir como resolver a situação, pelo visto. Na categoria máxima do automobilismo, contudo, o buraco é mais embaixo, e a solução, ou soluções consideradas estão na mesa, ou com opções ainda não levantadas, mas possivelmente consideradas para uso emergencial. Conforme a situação progrida, talvez tenhamos novidades antes do esperado. O jeito é simplesmente esperar para ver o que eles irão fazer a respeito...

 

 

A Fórmula 1 chegou a Spa-Francorchamps para o Grande Prêmio da Bélgica, na região das Ardenhas, e todos os times manifestam preocupações com o sistema de regeneração de energia, uma vez que a pista, a mais extensa do calendário da competição, tem longos trechos de retas e em aceleração plena, em especial o trecho La Source/Eau Rouge/Raidillon/Kemmel, primeiro em descida e depois em forte subida, onde os carros aplicam aceleração máxima dos motores. Ainda que a categoria tenha adotado certos detalhes que mitigaram as dificuldades, isso foi apenas parcial, e agora, com a categoria chegando a um local onde os propulsores serão exigidos fortemente no sentido de velocidade e potência, o gerenciamento pode ficar novamente comprometido, dependendo de como os pilotos conseguirem gerir a carga de seus sistemas elétricos. O trecho que cito representa nada menos do que cerca de aproximadamente 20 a 23s em aceleração máxima, mas não é o único desafio: ele começa em descida, após o grampo fechado da La Source, com os carros descendo para a Eau Rouge, e aí temos um verdadeiro paredão morro acima, em curva quase cega, onde os carros precisam chegar ao ponto mais alto do circuito belga, no fim da Kemmel, na freada da Les Combes. É o ponto mais usado para ultrapassagens, mas até chegar lá, temos um belo trecho de aceleração na Raidillon, logo a seguir à imensa subida da Eau Rouge. Dependendo do gerenciamento de energia, não vai ser difícil algum carro ficar sem carga antes mesmo do fim do trecho. Será preciso muita dosagem do uso da bateria, forçando o motor de combustão ao máximo, para se conseguir manter a velocidade neste trecho, e ao mesmo tempo em que tenta se ganhar posições com o uso da aerodinâmica ativa no trecho de reta no alto da colina. Mas quem conseguirá guardar energia para o ataque no trecho final, e ao mesmo tempo, não ficar vulnerável no primeiro trecho do setor?

Maior pista do calendário, Spa-Francorchamps será um grande desafio para os sistemas elétricos das unidades de potência dos F-1 atuais, em contar a presença da chuva no final de semana...

 

 

Embalada pela vitória em Silverstone, a Ferrari procura manter o otimismo para tentar surpreender a Mercedes em Spa, com uma nova configuração aerodinâmica onde espera tirar pelo menos 11 Km/h a mais nos trechos de reta, e tentar compensar sua desvantagem ainda patente de potência para a unidade da Mercedes. Com os problemas enfrentados por Andrea Kimi Antonelli na confiabilidade de seu carro nas últimas etapas, o panorama do campeonato pode ficar embolado se o italiano sofrer novo revés, ao mesmo tempo em que George Russell, apesar da vitória na Áustria, ainda não parece ter recuperado totalmente o favoritismo e a confiança. Pelo sim, pelo não, há outro componente que pode embaralhar completamente as possibilidades na prova belga: a chuva! Sim, o tradicional clima instável da região das Ardenhas pode aprontar, e a previsão para o fim de semana de GP é justamente de chuva, o que pode tanto ajudar quanto atrapalhar os planos de pilotos e escuderias com relação às estratégias de corrida e acerto dos carros, ainda mais se isso ocorrer de forma intermitente, e não contínua, como costuma ocorrer, sem mencionar o lance geográfico: como pista mais longa da F-1, há sempre o risco de chover apenas em determinada parte do circuito, não em sua totalidade, o que pode bagunçar completamente com as estratégias e o andamento dos treinos e corrida. A corrida terá transmissão ao vivo na TV aberta pela TV Globo, e pelo canal pago SporTV, com largada programada para as 10:00 Hrs. de domingo, pelo horário de Brasília.

 

 

A Indycar chega à pista oval de Nashville para mais uma disputa da temporada. Álex Palou ainda mantém uma liderança confortável na classificação, mas a concorrência tenta se animar para complicar a posição de liderança do piloto espanhol da Ganassi. A corrida tem largada programada para as 18:30 Hrs. Deste domingo, com transmissão ao vivo pela ESPN, e pelo sistema de streaming do Disney+. Logo após a decisão da Copa do Mundo de 2026.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

MUDANÇAS NA INDYCAR 2027

OBS: Esta é a coluna do dia 26 de junho, que devido a problemas diversos, não pôde ser publicada naquele dia, mas trago agora, tal como foi escrita, ainda que alguns fatos já possam estar defasados. Boa leitura a todos. 

 

Scott Dixon: fim de uma era para a Ganassi na Indycar.

            O mercado de pilotos da Indycar anda bem quente quando o assunto é a próxima temporada da competição. E pelas conversas de bastidores, teremos muita gente em carros diferentes no próximo ano, prometendo algumas mudanças bem drásticas no grid.

            Uma das mais quentes é certamente Scott Dixon. O hexacampeão anda descontente com o tratamento recebido recentemente na Ganassi, que tem redirecionado a maior parte dos recursos do time para Álex Palou, que se tornou o novo queridinho de Chip Ganassi, tal como Dixon já foi um dia na escuderia, onde está há praticamente quase 25 anos, e onde conquistou todos os seus seis títulos na categoria. Palou já conquistou quatro títulos com a Ganassi, e caminha firme para mais um título na atual temporada, e de certa forma, é estranho que Dixon não venha conseguindo render bem nos últimos tempos, algo que, em parte, poderia ser atribuído à idade do neozelandês, mas quem conhece Scott vê que algo mais está acontecendo, e não é apenas a questão de pilotagem do hexacampeão que parece estar sendo o diferencial no atual momento.

            Mas é claro que ninguém na Ganassi confirmaria isso, ainda mais depois da briga que Chip teve para manter o piloto, quando este assinou um contrato com a McLaren quando a opção era da escuderia. A aposta em Palou felizmente se pagou, e no atual momento, a Ganassi parece só ter olhos para ele, não importa se para isso Dixon deixe de ser importante no planejamento da escuderia. E claro que Dixon parece ter resolvido dar um basta nisso. Dono de seis títulos na Indycar, ele certamente não se incomodaria se as condições fossem iguais, mas parece que isso não é o que está acontecendo, dado o seu descontentamento com o rendimento do carro nos últimos tempos, e todos sabemos que onde há fumaça, há fogo. Portanto, não se surpreendam se um anúncio de saída do neozelandês surja muito em breve.

            Fontes de bastidores dizem que ele já teria um destino para o próximo ano: a McLaren. No time laranja, é dada como certa a saída de Nolan Siegel, que foi uma aposta de Tony Kanaan que não vingou, e pior, aconteceu de forma complicada sua contratação, com o time dispensando Théo Porchaire de forma inexplicável para a contratação de Siegel, alegando que o europeu não estaria comprometido com o time, quando Théo praticamente chegou a cancelar acordos prévios acreditando em manter a titularidade na equipe de Woking na Indycar, em um episódio que certamente não pegou bem para a imagem da escuderia. E sem render significativamente há duas temporadas e meia, Siegel já teve todas as chances possíveis, ficando sempre abaixo de seus companheiros no quesito resultados. Portanto, a McLaren, caso confirme a vinda de Dixon, reforça significativamente seu poderio no grid, pois Dixon ainda é um dos nomes mais capazes e talentosos da categoria.

            Mas a McLaren pode ter mais mudanças. Christian Lundgaard, que curiosamente faz uma temporada muito boa, pode perder sua vaga na escuderia laranja para o próximo ano. O motivo seria uma certa debilidade do piloto nas pistas ovais, e o time estaria buscando alguém melhor neste quesito, e por coincidência, um dos nomes cogitados é o de Felix Rosenqvist. O sueco já pilotou para a McLaren, mas acabou dispensado, indo para a Meyer Shank, onde ganhou as 500 Milhas de Indianápolis deste ano, o que fez sua cotação subir bastante, o suficiente para a McLaren cogitar sua volta ao time. E até Patricio O’Ward, a grande estrela da escuderia, pode acabar mudando de casa. O piloto mexicano, não por acaso, vem sendo ofuscado por Lundgaard este ano, e tem feito algumas críticas ao carro e ao time, e para a escuderia, isso parece não estar sendo muito bem visto. O’Ward sempre foi o principal nome da escuderia desde que a McLaren adquiriu integralmente a Schmidt/Petterson, incorporando-a sob seu comando para ter propriedade total sobre a escuderia, marcando o retorno completo da McLaren à Indycar. Tanta insatisfação teria motivo também no fato de Patricio ter pedido desligamento do programa da McLaren na F-1, descrente de ainda obter uma vaga na escuderia para correr na categoria máxima do automobilismo.

            Vale lembrar que Álex Palou também tinha essa idéia quando tentou mudar de time, mas errou o timing, e a Ganassi foi aos tribunais para manter o piloto, que depois, quando viu as portas na F-1 literalmente fechadas com o time garantindo a dupla Lando Norris/Oscar Piastri, praticamente desistiu de cumprir o contrato, e preferiu ficar na Ganassi, dando início a outra briga jurídica que só recentemente se findou. No momento atual, uma vaga até parece estar se abrindo em Woking para a F-1, com a possível saída de Piastri, inconformado com o tratamento do time, mas com a escuderia inglesa de olho em Max Verstappen, Patricio O’Ward parece ter se dado conta de que ele continuaria sendo a última opção para preencher essa vaga, e teria resolvido parar de sonhar pela vaga e se concentrar em sua carreira na Indycar, o que significa que o mexicano também pode estar de malas prontas para desembarcar em outro time em 2027. Alguns apontam a Andretti, onde a posição de Marcus Ericsson anda a perigo, com Kyle Kirkwood garantido, e Will Power, recém-chegado este ano, mostrando velocidade, apesar dos resultados não serem condizentes até agora, mas com contrato garantido para 2027.

Mesmo sendo o melhor piloto da McLaren na temporada 2026 da Indycar, o piloto ficou sem lugar no time para 2027.

            Mas até a Penske pode ter mudanças. Josef Newgarden parece andar na corda bamba, e este ano, o estadunidense está se vendo superado por David Malukas, recém-chegado à escuderia, vem dando um baile nos companheiros de time, e Scott Mclaughlin parece garantido, por hora, para 2027. Algumas fofocas comentaram que Felipe Nasr, piloto da Penske/Porsche no IMSA WeatherTech poderia assumir a vaga de Newgarden, e o brasileiro já fez alguns testes com o carro da Penske, mas sem compromissos específicos além de ajudar no desenvolvimento da motorização híbrida adotada recentemente na Indycar, mas já presente há mais tempo no campeonato de Endurance dos Estados Unidos, onde Nasr já foi tricampeão. Não que uma vaga na Penske seja de se jogar fora, mas no atual momento, onde disputa mais uma vez o título no IMSA, Felipe talvez não se sinta confiante para mudar para a Indycar, já que a Penske anda batendo cabeças na categoria de monopostos, e não consegue se impor como fazia antigamente, fora algumas mancadas técnicas que renderam não penas punições ao time, como perda de parte da credibilidade esportiva do time na competição.

            O que não significa que não poderemos ter novidades para o Brasil no próximo ano. Caio Collet, que disputa sua temporada de estréia na Indycar, está sendo bem visto no mercado, e alguns boatos dizem que seu nome é seriamente cogitado na Meyer Shank para o lugar de Felix Rosenqvist, se o sueco de fato retornar à McLaren. E seria um bom ganho para Caio, visto que a Foyt tem tido diversos problemas na temporada atual, tendo perdido parte da competitividade demonstrada nos dois últimos anos, mesmo com o suporte técnico da Penske. Embora menos afetado que o brasileiro, Santino Ferrucci também vem sofrendo com algumas performances abaixo do esperado, e Collet precisa ver suas opções disponíveis, não sendo preciso lembrar que, há alguns anos atrás, a mesma Foyt, com problemas de competitividade, enterrou a carreira de outro brasileiro, Matheus Leist, na competição, além de abreviar o fim da carreira de Tony Kanaan como piloto, pelos fracos resultados obtidos na época, que fizeram Tony deixar de competir em tempo integral, e largando as competições pouco tempo depois para assumir funções organizacionais na McLaren.

            A saída de Scott Dixon da Ganassi em tese também abriria uma vaga cobiçada na Ganassi, no lugar do neozelandês, além de que podemos colocar em dúvida a permanência de Kyffin Simpson no time para o próximo ano. E, claro, teremos muitos pilotos que ambicionarão essas vagas, e certamente Chip Ganassi vai aproveitar para leiloar os cockpits a quem puder fornecer o melhor apoio financeiro, valorizando seus assentos. Mas a vaga, em tese, poderia já ter dono, com Marcus Armstrong, que compete pela Meyer Shank, mas está emprestado ao time pela Ganassi, sendo realocado de volta ao time de Chip, medida que foi tomada com a introdução dos “charters” na categoria de monopostos norte-americana, que limitou as vagas no grid a um máximo de três por escuderia. Isso poderia ser mais prático para a Ganassi, mas não há garantias de que seja o que eles farão. De qualquer maneira, se ocorrer, seria uma vaga a mais na Meyer Shank, que também seria interessante para muitos pilotos.

Caio Collet: brasileiro pode se beneficiar das mudanças e conseguir um carro mais competitivo no próximo ano.

            Na Rahal, o destino de Graham Rahal é o único garantido, sem certezas se Mick Schumacher ou Louis Foster irão continuar, a menos que tragam patrocínio para mais uma temporada, e claro, se ambos não optarem por ir em busca de opções melhores, já que o time do ex-piloto Bobby Rahal atravessa uma fase de altos e baixos frequente, e o próprio Graham, filho de Bobby, também já cogitou de defender outro time. Romain Grosjean pode permanecer na Dale Coyne, se mantiver patrocínio, já que o time vive disso mais do que os demais. E não há definição na Juncos ou na Carpenter até o presente momento. Mas claro que o mercado não deve demorar a se movimentar, até porque a temporada de pista acaba no início de setembro, de modo que, ao iniciar o mês de julho, a temporada reserva muitas atividades de pista, e as escuderias já querem ter um planejamento mais claro de suas atividades para 2027, e se já puderem ter certeza de com quais pilotos irão trabalhar, melhor ainda.

            Desse modo, podemos esperar novidades neste meio agora em julho, muito provavelmente envolvendo os principais nomes, como Dixon, Lundgaard, Rosenqvist, e até Newgarden. E quem sabe, sobre opções mais competitivas para Caio Collet nestas negociações, a julgar pelo estado atual da Foyt, onde permanecer mais uma temporada pode ser tremendamente arriscado, e com novos pilotos podendo entrar na parada, de modo que se pintar uma oportunidade promissora, Caio não pode desperdiçar a chance. Veremos em poucas semanas, provavelmente, o desenrolar de várias das especulações e boatos que vem circulando pelos bastidores da Indycar, e quem sabe, termos um panorama mais claro do que poderemos ver no grid da competição no próximo ano. Aguardemos, portanto...

 

 

A Fórmula 1 chegou à Zeltweg, na Áustria, para o GP da Áustria, e depois da vitória de Lewis Hamilton em Barcelona, todos se perguntam se o time vermelho será capaz de repetir a façanha. A expectativa é compreensível, mas a própria Ferrari trata de frear a empolgação, ainda mais com relação à entrada em operação da primeira evolução do propulsor, de acordo com as regras do ADUO implantadas pela FIA. O próprio Hamilton já alerta que as melhorias advindas do ADUO não serão nada milagrosas, e que a desvantagem da SF-26 para o modelo FW17 ainda é considerável, devolvendo o favoritismo a seu antigo time, que sim, foi pego de surpresa na prova da Espanha, mas que poderia ter vencido a corrida se tivesse gerenciado melhor sua estratégia. Parece que o time de Maranello já quer se blindar contra um possível favoritismo, já que desde a vitória na pista da Catalunha, surgiram muitas especulações a respeito de Hamilton entrando até na disputa pelo título, o que sabemos que ainda é extremamente prematuro afirmar, afinal, foi apenas uma vitória, e o fato de Lewis ter assumido a vice-liderança se dá mais pelos problemas enfrentados por George Russell do que propriamente pela Ferrari ter um carro capaz de desafiar abertamente a Mercedes. Sem mencionar, claro, que Russell ainda deu sorte de Andrea Kimi Antonelli ter quebrado na Catalunha, mas se levarmos em consideração que George também quebrou em Montreal, então os azares por quebras estão igualados. Mas o italiano segue como um fantasma que Russell precisa lidar se quiser voltar efetivamente à briga pelo título, e ele precisa reagir o quanto antes, de preferência, com uma nova vitória, algo que não consegue desde a corrida da Austrália, que abriu a temporada. Mas o temor é se a Ferrari, mais uma vez, se intrometer na disputa, e mostrar que o ocorrido em Barcelona não foi um resultado aleatório, mas uma combinação da melhoria efetiva da Ferrari com uma possível desacelerada da Mercedes. O que irá prevalecer neste final de semana pode dar uma resposta mais confiável se poderemos esperar algo mais da Ferrari na disputa, ou se a Mercedes se recupera, sem deixar de lembrar que a McLaren também pode apresentar novidades.

 

 

A Áustria é a casa da Red Bull, sede do famoso império da conhecida marca de energéticos que conquistou o mundo, e portanto, é o GP “caseiro” da escuderia. E Max Verstappen chega tentando confiar que a escuderia está conseguindo melhorar a performance do modelo RB22, e possa lhe proporcionar meios de disputar resultados melhores. Pelo sim, pelo não, o nome do tetracampeão volta a ser motivo de especulações, e as mais recentes apontam para o que seria uma possível negociação com a McLaren, certamente para o lugar de Oscar Piastri, que não anda muito contente com a atenção que recebe da escuderia, em especial pelos acontecimentos do ano passado, quando de favorito virou azarão na competição, e não tendo o que acha que merece de respaldo pelo time, que estaria voltado mais para Lando Norris, o atual campeão. Na Mercedes, as opções de contar com Verstappen parecem encerradas definitivamente, depois da escalada proporcionada por Andrea Kimi Antonelli, caindo completamente nas graças de Toto Wolf, que certamente não vai querer colocar o garoto em risco ao lado de um competidor feroz do naipe de Max, fora o fator financeiro, claro. Mas a opção da McLaren parece ser bem possível. Por isso mesmo, a Red Bull corre contra o tempo para tentar evoluir o carro, e dar alguma satisfação ao holandês, que já anda insatisfeito com as novas regras atuais da F-1 adotadas este ano, em especial as novas unidades de potência e seus sistemas de gerenciamento elétrico, que ainda o desagradam completamente. Mas, claro que, tendo um carro competitivo, ele parece relevar um pouco a situação.

 

 

Para felicidade dos fãs da velocidade, o GP da Áustria será mais uma etapa que a Globo irá exibir ao vivo no canal aberto, assim como também fará a transmissão ao vivo no SporTV. A largada está programada para as 10:00 Hrs. neste domingo. O treino de classificação, infelizmente, só no Globoplay, ou no SporTV. Definitivamente, as transmissões feitas pela Bandeirantes ainda eram muito melhores do que a Globo vem fazendo atualmente, para não mencionar a qualidade de como a equipe de transmissão vem fazendo, para dizer o óbvio...