sexta-feira, 13 de março de 2026

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

O GP da Austrália abriu o novo campeonato com as novas regras técnicas que ainda estão dando muito o que falar...

            A F-1 voltou à pista hoje nos primeiros treinos oficiais para o GP da China, a segunda etapa do calendário da temporada de 2026, ainda tentando analisar os prós e contras do novo regulamento técnico estreado semana passada, em Melbourne, em uma corrida que até teve seus momentos de agito, com uma vitória, se não contundente, firme da Mercedes, que fez uma dobradinha com George Russell em primeiro e Andrea Kimi Antonelli em segundo. Charles LeClerc, da Ferrari, fechou o pódio, comandando outra dobradinha, com Lewis Hamilton logo atrás, em 4º lugar. Lando Norris, o atual campeão, foi um apagado 5º lugar, enquanto Max Verstappen foi o 6º colocado.

            Tivemos mais ultrapassagens, é fato, mas difícil dizer se o novo sistema de recuperação de energia de fato melhora as disputas. O duelo entre Charles LeClerc, que pulou feito um foguete no arranque da largada para a liderança da corrida logo na primeira curva, com George Russell, o pole-position, até foi interessante, com Lewis Hamilton também fazendo uma largada excelente e posicionando-se logo em 3º lugar, comboiando o duelo entre os dois líderes, que trocava de posição com relativa frequência, em uma disputa de gerenciamento de energia entre um e outro. Interessante do ponto de vista de quem assiste pela arquibancada e TV, mas que definitivamente não caiu no gosto dos pilotos, em especial porque os carros agora precisam quase frear no meio da reta para recarregar as baterias de um sistema elétrico que simplesmente não tem carga para o que se propõe. Ridículo é ser educado com a situação, lamento dizer.

            Os novos sistemas certamente vão dar o que falar, e é preciso cuidado com isso, para se evitar que algo ruim aconteça. Na classificação, Max Verstappen teve uma perda de controle de seu Red Bull sem ter feito nada de errado na condução do carro, diante de um problema de software que liberou a potência abruptamente e fez o holandês perder o controle, sair da pista e bater, felizmente, sem maiores consequências além de ficar sem poder disputar o resto da classificação para o grid. Algo parecido ocorreu com Oscar Piastri no dia da corrida, quando o australiano saiu para o grid, e acabou batendo sem nem conseguir chegar ao grid, e ficando de fora da corrida antes mesmo da largada.

            Mas é a largada que causa mais preocupações: Franco Colapinto quase encheu a traseira de Liam Lawson, que não conseguiu arrancar com eficiência, e deu sorte de não ser atingido pelo argentino, que desviou em cima da hora. Já era uma preocupação válida de todos os times e pilotos, e motivo até de realização de simulações de largadas nos testes da pré-temporada, no Bahrein, onde felizmente nada de errado aconteceu, mas mostrando que treino é treino, e corrida é corrida. Os pilotos continuam preocupados, e alguns afirmam que, em algum momento, poderá ocorrer um forte acidente, se os sistemas não funcionarem a contento.

            O passa e repassa de alguns carros pode até dar a impressão de que as novas regras de fato tornaram a corrida mais dinâmica e disputada, mas é preciso ir devagar com a sede ao pote. E, por isso mesmo, a prova australiana precisa ser vista com certas reservas, que poderão ser ou não confirmadas neste final de semana, com a corrida da China, em Shangai, um autódromo de verdade, e com características mais comuns com uma pista. E, claro, vai ser interessante ver como os pilotos terão que gerenciar suas baterias na imensa reta oposta do circuito, onde os carros certamente não atingirão os picos de velocidade que os pilotos, e também o público, tanto gostam de ver. Se no Albert Park tivemos que ver reduções de velocidade de cerca de 40 Km/h dos pilotos para não esgotarem as baterias, qual a redução que eles precisarão fazer naquele belo retão?

Início da corrida teve um animado duelo entre Charles LeClerc e George Russell.

            Na disputa na pista, a Mercedes emplacou a previsível dobradinha, mostrando ter, pelo menos de início, o carro a ser batido. O novo W17 vem para possivelmente restaurar o status vencedor que o time de Brackley tinha perdido desde 2022, e oferece a George Russell a melhor oportunidade para ser campeão. O ritmo do carro foi tão bom que Andrea Kimi Antonelli, mesmo perdendo várias posições numa largada não muito boa, recuperou terreno e foi para a 2ª colocação na corrida, tendo terminado a uma distância mínima de Russell, que obviamente não deu tudo o que poderia, mas que foi o suficiente para deixar a Ferrari chupando o dedo, depois do duelo da primeira parte da corrida.

            De positivo ver que a Ferrari fez de fato um bom carro. E com um turbo compacto que lhe proporciona um arranque espetacular, o que fez Charles LeClerc ir para a liderança logo na primeira curva, e Lewis Hamilton ocupando a 3ª posição. Mas, só para não perder a mania, o time deixou escapar a oportunidade de parar no virtual safety car, tendo que fazer as paradas de box com bandeira verde, e com isso perdendo muito mais tempo. A Mercedes não cometeu esse erro, e ainda parou seus dois pilotos junto, ganhando tempo e a liderança da corrida que não perderia mais após as trocas do time de Maranello, o que claro, suscita a dúvida se LeClerc ou Hamilton poderiam ter discutido a vitória de fato com Russell. Talvez sim, talvez não. Se é verdade que a diferença na bandeirada foi em boa parte conseguida pela Ferrari ter perdido tempo em suas paradas de box, também é fato de que Russell administrou boa parte da vantagem, já que não era necessário acelerar tudo, preferindo manter uma margem de segurança satisfatória.

            Quem não gostou do que viu foi a McLaren, que utilizando o mesmo motor Mercedes de Russell, viu Lando Norris, o atual campeão, terminando em 5º lugar, a 50s de distância, perdendo de lavada até para a Ferrari. Claro que surgiram insinuações de que a Mercedes não “liberou” todos os recursos para a unidade de potência fornecida ao time de Woking, mas o regulamento proíbe que isso ocorra, e é preciso lembrar que não é só por isso que o desempenho pode ser divergente. A Williams também usa os propulsores Mercedes, assim como a Alpine, e vejam onde eles terminaram… Cabe à McLaren resolver esse problema, descobrindo onde está o déficit de performance, muito provavelmente constatando que o novo MCL40 certamente precisará ser melhor trabalhado, se Norris não quiser passar à história da F-1 como piloto de um título só...

            Depois de conquistar muitos elogios na pré-temporada, diante da performance e confiabilidade demonstradas, muito relevantes para uma unidade de potência que estava de fato fazendo sua estréia na competição, a primeira quebra de propulsor do ano veio justamente de um RBPT/Ford, no caso, o do carro de Isack Hadjar, que vinha mantendo um desempenho interessante, tendo conseguido andar no ritmo de Max Verstappen durante os treinos, e dando a entender que, na nova direção da Red Bull, eles não são mais um carro de apenas um piloto. Isso é positivo porque a Red Bull precisa que seus dois pilotos possam apresentar resultados, e se por um lado confirma o talento de Hadjar, também mostra que o carro agora parece mais neutro, permitindo aos dois pilotos andarem a fundo com ele, e não apenas Vertappen, que só não largou mais à frente pelo acidente inesperado que sofreu no Q1 no sábado.

            Largando em 20º, o tetracampeão deu seu tradicional show, passando quem visse pela frente, mas sem que o piloto considerasse isso relevante, afirmando que todos estavam apenas mais lentos do que ele. Modéstia ou não, ele “empacou” quando chegou em Lando Norris, que com uma performance mais forte, segurou com competência o vice-campeão de 2025, que claramente não conseguiu superar o rival, como costumava fazer antes, demonstrando que o modelo RB22, de fato, precisará de mais trabalho e desenvolvimento, para não mencionar, logicamente, que será preciso atentar com relação à fiabilidade da unidade de potência.

            Oliver Bearman e Arvid Lindblad deram show em Melbourne. O primeiro mostrou o potencial da Haas, que tem tudo para liderar o segundo pelotão da F-1, e Lindblad, a última “cria” da gestão de Helmut Marko no controle do programa de pilotos da Red Bull, mostrou a que veio, extraindo tudo o que poderia do carro da Racing Bulls, e deixando Liam Lawson na sobra, mesmo já em seu primeiro fim de semana de GP. A sorte de Lawson é justamente Mark não estar mais por lá, de modo que, mais algumas corridas nesta toada, e o neozelandês já poderia estar com seu lugar a perigo em 2027, o que não significa que ele pode relaxar. Ele vai precisar reagir, ou se deixar ser engolido pelo novo companheiro de time na competição.

Dobradinha da Mercedes: time prateado larga na frente em 2026.

            A Williams confirmou que regrediu em termos de performance, como vimos na pré-temporada, e vai ter que trabalhar duro para reverter a situação, e tentar recuperar o momento positivo visto em 2025. Já a Alpine, por sua vez, tem agora um motor de respeito, mas a performance do carro, apesar de ter melhorado, não foi tão inspiradora como alguns resultados da pré-temporada podiam indicar. Tanto Pierre Gasly quanto Franco Colapinto vão precisar suar de novo o macacão se querem almejar a melhores resultados. Resta esperar que o novo carro seja desenvolvido a contento, e eles possam crescer na disputa. Da mesma maneira, a Cadillac mostrou que tem um grande caminho a percorrer, pois a falta de performance foi patente em Melbourne, e a confiabilidade, que esperavam ser um ponto positivo, deixou a desejar: Valtteri Bottas ficou pelo meio do caminho, enquanto Sergio Perez, de volta ao grid, terminou em 16º.

            A Aston Martin confirmou o vexame da falta de performance, ainda que o desastre não tenha sido tão dramático quanto apregoado até às vésperas dos treinos oficiais. Fernando Alonso até conseguiu passar para o Q2, mesmo que por pouco, e na corrida, graças a uma boa largada, figurou momentaneamente na 10ª posição na prova, e obviamente, foi caindo para trás, até que precisou abandonar. Até voltou à corrida para mais algumas voltas, tentando pelo menos obter mais dados para a escuderia, antes do desertar definitivo da prova. Lance Stroll até conseguiu andar mais, apesar do resultado ser o mesmo: o abandono. Equipe e Honda estão tentando pensar em soluções para minimizar o desastre.

            Isso foi apenas o primeiro GP, sob as novas regras técnicas. Precisaremos ver como as coisas ocorrerão neste fim de semana em Shangai, e ver se times e pilotos começarão a entender melhor as novas regras, ou se os problemas persistirão, e se a F-1 realmente tomar as medidas necessárias para sanar os percalços que as novas diretrizes impôem à categoria máxima do automobilismo, e que esta saiba efetuar as correções adequadas para impedir que a situação gere mais problemas do que soluções...

 

 

A Audi estreou com o pé direito na F-1. Gabriel Bortoleto conseguiu levar a nova escuderia do grid ao Q3 na classificação, e com uma corrida sólida, terminou em 9º lugar, marcando os primeiros pontos da equipe das quatro argolas de forma oficial na categoria máxima do automobilismo. O piloto brasileiro fez uma corrida firme, e pelo menos, de seu lado, nada saiu errado, diante das dificuldades naturais de estréia de uma nova escuderia na competição, o que é algo positivo. Mas Nico Hulkenberg não teve a mesma sorte, abandonando a corrida antes mesmo de largar, com problemas no seu carro, um indicativo de que o novo time ainda tem muito trabalho pela frente, se quiser almejar resultados mais distintos. Mesmo assim, foi uma boa estréia, no balanço total. Chegar aos pontos prometia ser complicado, diante da performance de alguns times, que tiveram seus percalços e problemas variados.

 

Gabriel Bortoleto: primeiros pontos da Audi na primeira corrida da marca na F-1.

 

No seu retorno à F-1, a transmissão da Globo infelizmente já se mostrou inferior à da Bandeirantes. Primeiro porque a emissora transmitiu somente a corrida no canal aberto, não mostrando nem mesmo o treino de classificação, apesar de acontecer em plena madrugada no horário brasileiro. Everaldo Marques até que não foi ruim, em que pese ter tentado dar um tom mais bem-humorado que pareceu meio forçado em diversos momentos. Sempre é complicado iniciar um trabalho com um time novo, e quem estava acostumado com o modo como a Bandeirantes realizava as transmissões nos últimos anos deve ter achado a transmissão do grupo Globo apenas razoável. Luciano Burti, retornando a comentar a F-1 após cinco anos, me pareceu precisar “reencontrar o ritmo” ao rever a categoria máxima do automobilismo. Christian Fittipaldi não foi exatamente ruim, mas também não se destacou tanto. Guilherme Pereira, o repórter escalado para cobrir a prova, pareceu completamente fora do ambiente, tentando passar conhecimento, mas ficando claramente à sombra de Mariana Becker, que já experiente no ambiente dos paddocks da F-1 depois de mais de 15 anos cobrindo a F-1, pareceu estar pouco à vontade na condição de “comentarista”, e servindo mais como “guia” para Pereira, que precisa ficar mais calejado no paddock, algo que certamente virá com mais experiência na cobertura. Ao menos, na transmissão da Globo, voltou a música-tema tradicional que a Globo usou durante suas décadas de transmissão da F-1, ainda que em uma versão reestilizada, e com gráficos que tentaram dar uma modernizada na transmissão, e pela primeira vez em muito tempo, pasmem, a Globo voltou a exibir o pódio, o que não vinha mais fazendo em seus últimos anos de transmissão da categoria. Há muito o que melhorar, e infelizmente, neste final de semana, não vai conseguir isso: a corrida da China será transmitida ao vivo apenas pelo SporTV, mesmo ocorrendo em plena madrugada, um acinte para o fã das corridas, que parece que, mais do que nunca, terá de optar ou por contar com o canal SporTV, ou com o aplicativo oficial da F-1, se quiser acompanhar tudo de fato. Quem reclamava da transmissão da Bandeirantes pode começar a ficar arrependido, se a Globo não melhorar a qualidade de sua transmissão. Para a Liberty Media, contudo, provavelmente valerão apenas os dados da audiência, que mostrou que a corrida ocupou o primeiro lugar, mais pela inércia do público em assistir à Globo do que pela qualidade de conteúdo da transmissão...

 

 

A Indycar disputa sua terceira corrida da temporada 2026 neste final de semana, e com uma novidade: uma corrida nova no calendário, em Arlington, em um circuito de rua com uma extensão de 4,39 km e 14 curvas no Texas, contornando o AT&T Stadium, estádio do time do Dallas Cowboys e o Globe Life Field, do Texas Rangers, em uma corrida que terá 70 voltas de duração. O traçado se destaca por apresentar uma longa reta de cerca de 1,45 km entre as curvas 9 e 10 do circuito, a maior do calendário, projetada para atingir altas velocidades, e onde devemos poder ver diversas ultrapassagens e disputas de posições. A largada está programada para as 13:30 Hrs. de domingo, pelo horário de Brasília, com transmissão ao vivo pela TV Bandeirantes, ESPN, e pelo Disney+.

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