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quarta-feira, 15 de julho de 2026

MUDANÇAS NA INDYCAR 2027

OBS: Esta é a coluna do dia 26 de junho, que devido a problemas diversos, não pôde ser publicada naquele dia, mas trago agora, tal como foi escrita, ainda que alguns fatos já possam estar defasados. Boa leitura a todos. 

 

Scott Dixon: fim de uma era para a Ganassi na Indycar.

            O mercado de pilotos da Indycar anda bem quente quando o assunto é a próxima temporada da competição. E pelas conversas de bastidores, teremos muita gente em carros diferentes no próximo ano, prometendo algumas mudanças bem drásticas no grid.

            Uma das mais quentes é certamente Scott Dixon. O hexacampeão anda descontente com o tratamento recebido recentemente na Ganassi, que tem redirecionado a maior parte dos recursos do time para Álex Palou, que se tornou o novo queridinho de Chip Ganassi, tal como Dixon já foi um dia na escuderia, onde está há praticamente quase 25 anos, e onde conquistou todos os seus seis títulos na categoria. Palou já conquistou quatro títulos com a Ganassi, e caminha firme para mais um título na atual temporada, e de certa forma, é estranho que Dixon não venha conseguindo render bem nos últimos tempos, algo que, em parte, poderia ser atribuído à idade do neozelandês, mas quem conhece Scott vê que algo mais está acontecendo, e não é apenas a questão de pilotagem do hexacampeão que parece estar sendo o diferencial no atual momento.

            Mas é claro que ninguém na Ganassi confirmaria isso, ainda mais depois da briga que Chip teve para manter o piloto, quando este assinou um contrato com a McLaren quando a opção era da escuderia. A aposta em Palou felizmente se pagou, e no atual momento, a Ganassi parece só ter olhos para ele, não importa se para isso Dixon deixe de ser importante no planejamento da escuderia. E claro que Dixon parece ter resolvido dar um basta nisso. Dono de seis títulos na Indycar, ele certamente não se incomodaria se as condições fossem iguais, mas parece que isso não é o que está acontecendo, dado o seu descontentamento com o rendimento do carro nos últimos tempos, e todos sabemos que onde há fumaça, há fogo. Portanto, não se surpreendam se um anúncio de saída do neozelandês surja muito em breve.

            Fontes de bastidores dizem que ele já teria um destino para o próximo ano: a McLaren. No time laranja, é dada como certa a saída de Nolan Siegel, que foi uma aposta de Tony Kanaan que não vingou, e pior, aconteceu de forma complicada sua contratação, com o time dispensando Théo Porchaire de forma inexplicável para a contratação de Siegel, alegando que o europeu não estaria comprometido com o time, quando Théo praticamente chegou a cancelar acordos prévios acreditando em manter a titularidade na equipe de Woking na Indycar, em um episódio que certamente não pegou bem para a imagem da escuderia. E sem render significativamente há duas temporadas e meia, Siegel já teve todas as chances possíveis, ficando sempre abaixo de seus companheiros no quesito resultados. Portanto, a McLaren, caso confirme a vinda de Dixon, reforça significativamente seu poderio no grid, pois Dixon ainda é um dos nomes mais capazes e talentosos da categoria.

            Mas a McLaren pode ter mais mudanças. Christian Lundgaard, que curiosamente faz uma temporada muito boa, pode perder sua vaga na escuderia laranja para o próximo ano. O motivo seria uma certa debilidade do piloto nas pistas ovais, e o time estaria buscando alguém melhor neste quesito, e por coincidência, um dos nomes cogitados é o de Felix Rosenqvist. O sueco já pilotou para a McLaren, mas acabou dispensado, indo para a Meyer Shank, onde ganhou as 500 Milhas de Indianápolis deste ano, o que fez sua cotação subir bastante, o suficiente para a McLaren cogitar sua volta ao time. E até Patricio O’Ward, a grande estrela da escuderia, pode acabar mudando de casa. O piloto mexicano, não por acaso, vem sendo ofuscado por Lundgaard este ano, e tem feito algumas críticas ao carro e ao time, e para a escuderia, isso parece não estar sendo muito bem visto. O’Ward sempre foi o principal nome da escuderia desde que a McLaren adquiriu integralmente a Schmidt/Petterson, incorporando-a sob seu comando para ter propriedade total sobre a escuderia, marcando o retorno completo da McLaren à Indycar. Tanta insatisfação teria motivo também no fato de Patricio ter pedido desligamento do programa da McLaren na F-1, descrente de ainda obter uma vaga na escuderia para correr na categoria máxima do automobilismo.

            Vale lembrar que Álex Palou também tinha essa idéia quando tentou mudar de time, mas errou o timing, e a Ganassi foi aos tribunais para manter o piloto, que depois, quando viu as portas na F-1 literalmente fechadas com o time garantindo a dupla Lando Norris/Oscar Piastri, praticamente desistiu de cumprir o contrato, e preferiu ficar na Ganassi, dando início a outra briga jurídica que só recentemente se findou. No momento atual, uma vaga até parece estar se abrindo em Woking para a F-1, com a possível saída de Piastri, inconformado com o tratamento do time, mas com a escuderia inglesa de olho em Max Verstappen, Patricio O’Ward parece ter se dado conta de que ele continuaria sendo a última opção para preencher essa vaga, e teria resolvido parar de sonhar pela vaga e se concentrar em sua carreira na Indycar, o que significa que o mexicano também pode estar de malas prontas para desembarcar em outro time em 2027. Alguns apontam a Andretti, onde a posição de Marcus Ericsson anda a perigo, com Kyle Kirkwood garantido, e Will Power, recém-chegado este ano, mostrando velocidade, apesar dos resultados não serem condizentes até agora, mas com contrato garantido para 2027.

Mesmo sendo o melhor piloto da McLaren na temporada 2026 da Indycar, o piloto ficou sem lugar no time para 2027.

            Mas até a Penske pode ter mudanças. Josef Newgarden parece andar na corda bamba, e este ano, o estadunidense está se vendo superado por David Malukas, recém-chegado à escuderia, vem dando um baile nos companheiros de time, e Scott Mclaughlin parece garantido, por hora, para 2027. Algumas fofocas comentaram que Felipe Nasr, piloto da Penske/Porsche no IMSA WeatherTech poderia assumir a vaga de Newgarden, e o brasileiro já fez alguns testes com o carro da Penske, mas sem compromissos específicos além de ajudar no desenvolvimento da motorização híbrida adotada recentemente na Indycar, mas já presente há mais tempo no campeonato de Endurance dos Estados Unidos, onde Nasr já foi tricampeão. Não que uma vaga na Penske seja de se jogar fora, mas no atual momento, onde disputa mais uma vez o título no IMSA, Felipe talvez não se sinta confiante para mudar para a Indycar, já que a Penske anda batendo cabeças na categoria de monopostos, e não consegue se impor como fazia antigamente, fora algumas mancadas técnicas que renderam não penas punições ao time, como perda de parte da credibilidade esportiva do time na competição.

            O que não significa que não poderemos ter novidades para o Brasil no próximo ano. Caio Collet, que disputa sua temporada de estréia na Indycar, está sendo bem visto no mercado, e alguns boatos dizem que seu nome é seriamente cogitado na Meyer Shank para o lugar de Felix Rosenqvist, se o sueco de fato retornar à McLaren. E seria um bom ganho para Caio, visto que a Foyt tem tido diversos problemas na temporada atual, tendo perdido parte da competitividade demonstrada nos dois últimos anos, mesmo com o suporte técnico da Penske. Embora menos afetado que o brasileiro, Santino Ferrucci também vem sofrendo com algumas performances abaixo do esperado, e Collet precisa ver suas opções disponíveis, não sendo preciso lembrar que, há alguns anos atrás, a mesma Foyt, com problemas de competitividade, enterrou a carreira de outro brasileiro, Matheus Leist, na competição, além de abreviar o fim da carreira de Tony Kanaan como piloto, pelos fracos resultados obtidos na época, que fizeram Tony deixar de competir em tempo integral, e largando as competições pouco tempo depois para assumir funções organizacionais na McLaren.

            A saída de Scott Dixon da Ganassi em tese também abriria uma vaga cobiçada na Ganassi, no lugar do neozelandês, além de que podemos colocar em dúvida a permanência de Kyffin Simpson no time para o próximo ano. E, claro, teremos muitos pilotos que ambicionarão essas vagas, e certamente Chip Ganassi vai aproveitar para leiloar os cockpits a quem puder fornecer o melhor apoio financeiro, valorizando seus assentos. Mas a vaga, em tese, poderia já ter dono, com Marcus Armstrong, que compete pela Meyer Shank, mas está emprestado ao time pela Ganassi, sendo realocado de volta ao time de Chip, medida que foi tomada com a introdução dos “charters” na categoria de monopostos norte-americana, que limitou as vagas no grid a um máximo de três por escuderia. Isso poderia ser mais prático para a Ganassi, mas não há garantias de que seja o que eles farão. De qualquer maneira, se ocorrer, seria uma vaga a mais na Meyer Shank, que também seria interessante para muitos pilotos.

Caio Collet: brasileiro pode se beneficiar das mudanças e conseguir um carro mais competitivo no próximo ano.

            Na Rahal, o destino de Graham Rahal é o único garantido, sem certezas se Mick Schumacher ou Louis Foster irão continuar, a menos que tragam patrocínio para mais uma temporada, e claro, se ambos não optarem por ir em busca de opções melhores, já que o time do ex-piloto Bobby Rahal atravessa uma fase de altos e baixos frequente, e o próprio Graham, filho de Bobby, também já cogitou de defender outro time. Romain Grosjean pode permanecer na Dale Coyne, se mantiver patrocínio, já que o time vive disso mais do que os demais. E não há definição na Juncos ou na Carpenter até o presente momento. Mas claro que o mercado não deve demorar a se movimentar, até porque a temporada de pista acaba no início de setembro, de modo que, ao iniciar o mês de julho, a temporada reserva muitas atividades de pista, e as escuderias já querem ter um planejamento mais claro de suas atividades para 2027, e se já puderem ter certeza de com quais pilotos irão trabalhar, melhor ainda.

            Desse modo, podemos esperar novidades neste meio agora em julho, muito provavelmente envolvendo os principais nomes, como Dixon, Lundgaard, Rosenqvist, e até Newgarden. E quem sabe, sobre opções mais competitivas para Caio Collet nestas negociações, a julgar pelo estado atual da Foyt, onde permanecer mais uma temporada pode ser tremendamente arriscado, e com novos pilotos podendo entrar na parada, de modo que se pintar uma oportunidade promissora, Caio não pode desperdiçar a chance. Veremos em poucas semanas, provavelmente, o desenrolar de várias das especulações e boatos que vem circulando pelos bastidores da Indycar, e quem sabe, termos um panorama mais claro do que poderemos ver no grid da competição no próximo ano. Aguardemos, portanto...

 

 

A Fórmula 1 chegou à Zeltweg, na Áustria, para o GP da Áustria, e depois da vitória de Lewis Hamilton em Barcelona, todos se perguntam se o time vermelho será capaz de repetir a façanha. A expectativa é compreensível, mas a própria Ferrari trata de frear a empolgação, ainda mais com relação à entrada em operação da primeira evolução do propulsor, de acordo com as regras do ADUO implantadas pela FIA. O próprio Hamilton já alerta que as melhorias advindas do ADUO não serão nada milagrosas, e que a desvantagem da SF-26 para o modelo FW17 ainda é considerável, devolvendo o favoritismo a seu antigo time, que sim, foi pego de surpresa na prova da Espanha, mas que poderia ter vencido a corrida se tivesse gerenciado melhor sua estratégia. Parece que o time de Maranello já quer se blindar contra um possível favoritismo, já que desde a vitória na pista da Catalunha, surgiram muitas especulações a respeito de Hamilton entrando até na disputa pelo título, o que sabemos que ainda é extremamente prematuro afirmar, afinal, foi apenas uma vitória, e o fato de Lewis ter assumido a vice-liderança se dá mais pelos problemas enfrentados por George Russell do que propriamente pela Ferrari ter um carro capaz de desafiar abertamente a Mercedes. Sem mencionar, claro, que Russell ainda deu sorte de Andrea Kimi Antonelli ter quebrado na Catalunha, mas se levarmos em consideração que George também quebrou em Montreal, então os azares por quebras estão igualados. Mas o italiano segue como um fantasma que Russell precisa lidar se quiser voltar efetivamente à briga pelo título, e ele precisa reagir o quanto antes, de preferência, com uma nova vitória, algo que não consegue desde a corrida da Austrália, que abriu a temporada. Mas o temor é se a Ferrari, mais uma vez, se intrometer na disputa, e mostrar que o ocorrido em Barcelona não foi um resultado aleatório, mas uma combinação da melhoria efetiva da Ferrari com uma possível desacelerada da Mercedes. O que irá prevalecer neste final de semana pode dar uma resposta mais confiável se poderemos esperar algo mais da Ferrari na disputa, ou se a Mercedes se recupera, sem deixar de lembrar que a McLaren também pode apresentar novidades.

 

 

A Áustria é a casa da Red Bull, sede do famoso império da conhecida marca de energéticos que conquistou o mundo, e portanto, é o GP “caseiro” da escuderia. E Max Verstappen chega tentando confiar que a escuderia está conseguindo melhorar a performance do modelo RB22, e possa lhe proporcionar meios de disputar resultados melhores. Pelo sim, pelo não, o nome do tetracampeão volta a ser motivo de especulações, e as mais recentes apontam para o que seria uma possível negociação com a McLaren, certamente para o lugar de Oscar Piastri, que não anda muito contente com a atenção que recebe da escuderia, em especial pelos acontecimentos do ano passado, quando de favorito virou azarão na competição, e não tendo o que acha que merece de respaldo pelo time, que estaria voltado mais para Lando Norris, o atual campeão. Na Mercedes, as opções de contar com Verstappen parecem encerradas definitivamente, depois da escalada proporcionada por Andrea Kimi Antonelli, caindo completamente nas graças de Toto Wolf, que certamente não vai querer colocar o garoto em risco ao lado de um competidor feroz do naipe de Max, fora o fator financeiro, claro. Mas a opção da McLaren parece ser bem possível. Por isso mesmo, a Red Bull corre contra o tempo para tentar evoluir o carro, e dar alguma satisfação ao holandês, que já anda insatisfeito com as novas regras atuais da F-1 adotadas este ano, em especial as novas unidades de potência e seus sistemas de gerenciamento elétrico, que ainda o desagradam completamente. Mas, claro que, tendo um carro competitivo, ele parece relevar um pouco a situação.

 

 

Para felicidade dos fãs da velocidade, o GP da Áustria será mais uma etapa que a Globo irá exibir ao vivo no canal aberto, assim como também fará a transmissão ao vivo no SporTV. A largada está programada para as 10:00 Hrs. neste domingo. O treino de classificação, infelizmente, só no Globoplay, ou no SporTV. Definitivamente, as transmissões feitas pela Bandeirantes ainda eram muito melhores do que a Globo vem fazendo atualmente, para não mencionar a qualidade de como a equipe de transmissão vem fazendo, para dizer o óbvio...

sábado, 28 de fevereiro de 2026

LARGADA DA INDYCAR 2026

São Petesburgo recebe mais uma vez a abertura da temporada da Indycar.

            Vai começar o ano da velocidade na Indycar, e mais uma vez, o palco inicial da temporada é o traçado urbano de São Petesburgo, na Flórida, que marca o início de uma temporada onde muita gente quer uma revanche, depois do massacre imposto por Álex Palou, da Ganassi, na temporada passada. O piloto espanhol chegou ao tetracampeonato vencendo nada menos que 8 das 17 provas do ano, enquanto a concorrência batia cabeça, sofria azares, tinha todo tipo de percalços, além de cometer erros diversos e ter um azar danado. Eles podem tentar, só falta combinar com Álex, que não vai querer parar apenas com 4 títulos na competição.

            E muito menos a Ganassi, que vem ganhando boa parte dos campeonatos da categoria nos últimos anos. Scott Dixon foi responsável por seis títulos, enquanto Palou já vem no encalço com outros quatro, o que confere a eles nada menos que 10 títulos só com estes dois pilotos. E claro que Dixon, que vem sendo ofuscado por Álex nestes anos recentes, ainda quer mostrar que tem lenha para queimar, e quem sabe, conquistar mais um título. Não é bom subestimar o neozelandês, que pode despertar quando menos se espera. E, por isso mesmo, os rivais que entrem na fila para desafiar a Ganassi. Penske, McLaren e Andretti estão a postos para tentar.

            Nos times grandes, a movimentação de destaque foi a mudança de Will Power, da Penske para a Andretti. O descaso com que a Penske tratou o australiano, último campeão pelo time, em 2022, foi o estopim para o rompimento da parceria, ainda mais pelo fato de Power ter sido o piloto de Roger Penske melhor classificado no ano passado. Power assume o carro que era de Colton Herta, que vai tentar a F-2, e possivelmente, a F-1, a depender de como se dará sua aventura no automobilismo europeu. Com sua experiência e qualificação de bicampeão, Power deve capitanear a Andretti na tentativa do time voltar a ser campeão da competição, e deixar de ficar à sombra de Ganassi e Penske, e até da McLaren nas disputas. E claro que, também para mostrar à Penske que não deveria tê-lo menosprezado, ainda mais por ter sido o último campeão da escuderia. A Andretti conta também com Kyle Kirkwood, que até incomodou Palou no início da temporada do ano passado, mas não conseguiu manter o ritmo, e claro, vai tentar a revanche

            Vinda da sua pior temporada em vários anos, a Penske tenta voltar a seus melhores dias. Trouxe David Malukas da Foyt para o lugar de Power, e procura recuperar o prestígio perdido pelos problemas de irregularidades ocorridos nos dois últimos anos que abalaram não apenas a reputação da escuderia mais vitoriosa do automobilismo norte-americano, mas da gerência de Roger Penske como proprietário do certame. Mas o ano começa com uma sombra, com a recontratação de Tim Cindric como engenheiro de corrida de Scott McLaughlin, depois de sua demissão no ano passado como parte das consequências do uso de atenuadores irregulares nos treinos para a Indy500. No primeiro treino livre hoje, isso pareceu revigorar McLaughlin, que terminou com o melhor tempo, e deixando Josef Newgarden e o novo companheiro de time David Malukas bem para trás, com o Josef em 14º, e Malukas em 9º.

Álex Palou é o piloto a ser batido na temporada, e os rivais que comecem a trabalhar desde já...

            Power, infelizmente, não foi bem no treino, terminando apenas em 18º, com Kirkwood em 3º e Marcus Ericcson em 5º, posições muito importantes para a Andretti. Quem negou fogo foi a McLaren, com Christian Lundgaard apenas em 10º, Patrício O’Ward em 12º, e Nolan Siegel novamente deixando a desejar, em 20º. Palou não foi mal, fez o suficiente para ser o 6º colocado, enquanto Dixon não foi além de 15º. Mas tudo pode mudar amanhã, no segundo treino livre, e na classificação para a corrida. Ninguém vai querer largar muito atrás, já que o circuito é de difícil ultrapassagens, ainda que uma boa estratégia de corrida possa ajudar a resolver parte dos problemas de se largar em posições não ideais.

            Romain Grosjean está de volta ao grid, depois da ausência em 2025, e de volta à Dale Coyne, onde estreou na competição e causou boa impressão, e terminou o treino livre em 13º lugar. E Mick Schumacher, filho do heptacampeão de F-1 Michael Schumacher, inicia uma nova era em sua carreira de piloto, estreando no certame norte-americano, defendendo o time da Rahal/Letterman/Lanigan, que busca encontrar melhores dias depois de temporadas demasiado irregulares nos últimos anos. E, pelo menos no treino de hoje, a equipe continua lá na parte de trás do pelotão. Graham Rahal foi apenas o 19º, com Louis Foster em 22º, e Mick em 23º, de 25 carros que treinaram. Já Caio Collet, estreando oficialmente pela Foyt, teve problemas com os freios e terminou apenas em 24º lugar, mostrando que terá muito trabalho para acertar sua performance, uma vez que Santino Ferrucci, seu companheiro de time, foi o 16º.

            Os tempos do primeiro treino livre foram bem apertados, com todos os 25 carros separados por apenas 1s175, indicando que qualquer erro, por menor que seja, na melhor volta, pode resultar em uma classificação potencialmente desastrosa, e não importa de qual time você faça parte. Essa é a melhor competitividade da categoria, comparada com outros certames, em especial a F-1. E apesar do favoritismo teórico de alguns pilotos, na hora do vamos ver, tudo pode se confirmar, ou nada se confirmar. A competitividade já foi mais imprevisível em algumas temporadas passadas, mas ainda se faz presente o suficiente para tentarmos apostar em quem vai conseguir vencer no domingo.

            O grid em São Petesburgo será o menor da competição em muitos anos. Confirmando os maus presságios, a Prema não conseguiu comparecer para a prova de estréia da temporada. Com problemas financeiros sérios, que já vinham se arrastando desde sua estréia no ano passado, a escuderia já não participou da pré-temporada, nos treinos de Sebring e Phoenix, e com isso, tivemos apenas 25 carros na pista para este final de semana. A Prema talvez ainda consiga participar da temporada, mas isso é totalmente incerto. Se conseguirem fundos, talvez participem apenas da Indy500, onde ano passado chegaram a surpreender conquistando a pole-position da corrida, quem sabe. Depois de terem implantado o sistema de “charters” para valorizar o grid, é um revés forte porque a direção da categoria priorizou a entrada da Prema, um time europeu, ante outros candidatos dos próprios Estados Unidos que queriam fazer parte da competição. Agora, estes potenciais candidatos já definiram suas metas de competição para 2026, e caso a Prema desista de participar em definitivo, eles não tem como cobrir esse “buraco” no grid, o que teoricamente só poderão pensar em fazer em 2027.

            A Indycar pelo menos conseguiu resolver o problema do fornecimento de motores para a competição para os próximos anos. A Honda vinha dando claros sinais de insatisfação com a categoria, e ameaçava pular fora, o que deixaria a Chevrolet como fornecedora única de propulsores, situação que a própria Indycar já vivenciou anos atrás, quando só teve a própria Honda como fornecedora. Negociações e medidas foram tomadas para deixar a competição mais atrativa, e com isso, tanto Chevrolet quando Honda assinaram novos contratos de renovação no fornecimento de motores, que venciam ao final deste ano, garantindo a participação das duas marcas, e um certo alívio para as escuderias. Mesmo assim, a Indycar ainda não conseguiu realizar algo que vem tentando nos últimos anos, que é encontrar um terceiro fornecedor de motores para a competição. Não há interessados em participar de uma competição que se presume ser uma das principais categorias de monopostos do mundo do automobilismo. Em tese, isso é preocupante porque indica que o certame não parece relevante para muitos fabricantes. Por isso, conseguir que Chevrolet e Honda permaneçam é uma grande vitória, ainda que a pergunta seja, até quando...?

            A temporada deste ano terá algumas mudanças em relação aos últimos anos. Além de uma corrida inserida de “última hora”, o Grande Prêmio de Washington, a ser realizado no fim de agosto, como prova de comemoração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, ocorrida em 1776, o certame terá uma nova corrida no Canadá, o único país além dos EUA a sediar provas atualmente. Toronto, palco da prova das categorias Indy desde os anos 1980, quando surgiu pela primeira vez, com a F-Indy original, foi substituída por Markham, nos subúrbios da zona metropolitana de Toronto. Iowa deixou o calendário, mas a competição, ao transformar Milwaukee em rodada dupla, manteve o número de corridas em ovais da competição, e Arlington estréia na competição como um novo circuito urbano, deixando o calendário com um equilíbrio raro: 6 provas em todos os tipos de pistas do calendário, sejam ovais, mistos, e traçados de rua.

            A nova associação com a Fox, iniciada no ano passado, já deu frutos perceptíveis, com novos visuais gráficos nas corridas, além de uma divulgação massiva para recuperar a audiência da categoria de monopostos, com bons resultados em 2025, e que tem tudo para continuar melhorando em 2026. Ainda assim, uma reclamação dos participantes permanece: a compressão do calendário em cerca de seis meses do ano, fazendo com que o campeonato termine muito cedo, no início de setembro, o que provoca uma maratona de corridas em determinados momentos que tem tido impacto negativo no ritmo de trabalho dos times e pilotos, que gostariam que a temporada terminasse um pouco mais tarde, talvez no início de outubro, até para diminuir o tempo de inatividade de equipes e pilotos. Quem sabe, em 2027, quando as tratativas para novas provas fora dos EUA e Canadá finalmente frutifique…?

Caio Collet não começou bem seu primeiro final de semana de corrida na Indycar como piloto titular.

            A temporada começa com perspectivas melhores para os fãs brasileiros no que tange a acompanhar a competição de monopostos dos Estados Unidos, pelo menos, no que tange à TV aberta. Depois de cinco anos onde a TV Cultura fez um trabalho muito bom na veiculação das corridas, quando ninguém esperava que eles abarcassem um campeonato de automobilismo, o retorno da competição à Bandeirantes, sua antiga casa, ficou na expectativa quando pareceu que a emissora voltaria com velhos e ruins hábitos de quando transmitia a Indycar, com provas espalhadas no canal aberto e no canal pago Bandsports, meio que ao sabor do humor, tirando do fã qualquer previsibilidade mais aceitável se iria conseguir ou não ver as corridas. De início prometendo transmitir apenas 8 das 17 corridas iniciais, eis que a emissora voltou atrás, e vai exibir pelo menos 15 provas, sendo as restantes veiculadas em compacto na madrugada de domingo para segunda-feira, um horário ingrato, infelizmente. Mas já está melhor do que o esperado inicialmente. E com a ESPN transmitindo na TV por assinatura, desta vez a Bandeirantes não poderia exibir a competição no Bandsports, como fazia antigamente.

            E pelo menos a cobertura terá um time muito melhor do que a Bandeirantes fazia antigamente, quando tinha apenas narrador e comentarista. Agora além deles, teremos também repórter in loco nas corridas de toda a temporada, com Thiago Fagnani acompanhando direto das pistas os acontecimentos da competição. É um tipo de cobertura mais completa que não víamos em uma categoria Indy desde 1998, quando o SBT resolveu não mandar mais o time de transmissão para as corridas da antiga F-Indy, quando Silvio Santos puxou o fim da tomada e fez a transmissão das corridas daquele campeonato descerem ladeira abaixo no quesito estrutura técnica. Ponto positivo para a emissora do Morumbi, sem dúvida, que além de surpreender os fãs e telespectadores, está sabendo fazer uso de seu grupo de profissionais que até o ano passado estava cuidando das transmissões da F-1, que este ano voltaram para a Globo.

            A largada está programada para as 14:00 Hrs. deste domingo, com transmissão ao vivo tanto da TV Bandeirantes em canal aberto, quando da ESPN em canal fechado. É hora de torcer, e que venha novamente a bandeira verde do início da prova, quando aí será cada um por si, Deus por todos, e que vença o melhor...

 

 

E a MotoGP também dá a largada para a temporada de 2026, com o GP da Tailândia, na pista de Buriram. Na última temporada antes da entrada de novas regras técnicas em 2027, onde inclusive passarão a adotar motores de 850cc, em substituição aos atuais 1000cc, a expectativa é de mais um ano de domínio da Ducati, em que pese a conterrânea Aprilia prometer engrossar a parada, ainda que sem sabermos se conseguirá fazê-lo com a consistência necessária para efetivamente desafiar o poderio de Borgo Panigale. Pelo menos no que tange a esta sexta-feira, a marca de Noale conseguiu impressionar: Marco Bezzecchi fez o melhor tempo, com o novo recorde da pista tailandesa, deixando Marc Márquez, o atual campeão, a 0s4 de distância, se impondo com autoridade que muitos não esperavam, e dando a impressão de que a Aprilia vai, sim, dar dor de cabeça à compatriota de Bolonha. A corrida sprint e a prova de domingo têm transmissão ao vivo pelo canal pago ESPN e pelo Disney+, e a largada das duas provas está marcada para as 05:00 Hrs., tanto neste sábado quanto no domingo.

A classe rainha do motociclismo acelera para a temporada de 2026 na pista de Buriram, na Tailândia.

 

 

Para os fãs brasileiros da motovelocidade, a grande atração é a estréia de Diogo Moreira como piloto titular, encerrando uma ausência de quase 20 anos sem um piloto do Brasil na classe rainha do motociclismo. Alexandre Barros, que foi nosso último representante na competição, foi justamente quem redirecionou a carreira de Diogo, que competia no motocross, para as disputas em circuitos asfaltados. Moreira já chega à MotoGP com o inédito título da Moto2, e está garantido pelos próximos 3 anos como piloto da Honda na competição, que o alocou na LCR, seu time satélite, onde poderá aprender tudo sobre a competição, e correr com pressão menor por resultados. A sua sorte é que Honda parece ter saído do fundo do poço onde se encontrava, e com isso, a chance de obtenção de resultados melhores fica maior, permitindo a Diogo um equipamento razoável para mostrar o que sabe. No treino desta sexta-feira em Buriram, o novo titular da LCR ficou apenas em 18º, tomando cerca de 0s5 do companheiro de equipe Johaan Zarco, que ficou em um animador 10º lugar. Diogo fez questão de frisar que tem muito a aprender, e quanto mais puder andar com a moto, mais experiência e melhores sensações ele terá. A Honda parece ter conseguido de fato melhorar a RC123V, então cabe ao brasileiro se entrosar da melhor maneira possível com o equipamento, a fim de obter o melhor rendimento possível. Ele não ficou satisfeito com os resultados desta sexta, e quer fazer melhor… Vejamos como ele se sairá...