sexta-feira, 1 de maio de 2026

LUCAS DI GRASSI SAI DE CENA

Depois de doze temporadas disputando a Formula-E, Lucas Di Grassi resolveu pendurar o capacete e encerrar a carreira como piloto ao fim da atual temporada da competição.


            Mais um piloto de renome do automobilismo brasileiro que compete no esporte a motor internacional resolveu pendurar o capacete em definitivo. Lucas Di Grassi, aos 41 anos, acaba de anunciar que deixará as pistas ao fim do atual campeonato da Formula-E, onde defende a Lola Yamaha, seu time atual na competição. Encerra-se assim mais uma trajetória que, para a maioria do público brasileiro que só enxerga a F-1, nada terá de relevante, embora o piloto tenha tido uma carreira importante por onde passou no automobilismo internacional, especificamente, mais ligado à Formula-E, categoria de monopostos pelo qual muitos puristas de automobilismo torcem o nariz por serem carros elétricos.

            E foi na F-E que Lucas mais se destacou. Antes mesmo até de a categoria existir, tendo se engajado no projeto de desenvolvimento do certame e de seus carros, e estando no grid desde o início, inclusive tendo sido o vencedor da primeira corrida, no ePrix de Pequim, em fins de 2014, na estréia da nova competição da FIA. Defendendo o time da Audi ABT, Lucas se tornou um dos destaques da competição, e na terceira temporada, 2016/2017, tornou-se campeão pela escuderia das quatro argolas, repetindo o feito de Nelsinho Piquet, que havia sido o campeão da primeira temporada. Desde então, Lucas havia sido o único nome brasileiro a permanecer na categoria, enquanto outros pilotos brasileiros que por lá passaram não conseguiram se manter na competição, como o próprio Nelsinho Piquet, que depois do brilho da primeira temporada, penou com o desandar de seu time, e quando teve uma chance de voltar a brilhar, infelizmente a promessa não se concretizou.

Na primeira prova da então nascente Formula-E, em 2014, Lucas Di Grassi foi o primeiro vencedor da competição.

            Outros nomes, como Bruno Senna, Felipe Nasr, Sergio Sette Câmara, tiveram suas passagens pela competição, mas nenhum deles teve o mesmo brilho ou sucesso de Di Grassi. Hoje, Felipe Drugovich faz companhia a Di Grassi como colega brasileiro no grid, e a depender de sua performance, que ainda está devendo em termos de resultados, poderá ser nosso único nome na competição na nova era Gen4 da F-E, caso mantenha sua posição de titular no time da Andretti, e se Sergio Sette Câmara, que tenta viabilizar o seu retorno, não tenha sucesso em sua empreitada. Ou, na pior das hipóteses, podemos ficar até sem pilotos brasileiros no grid, caso a situação de Drugovich se complique na Andretti.

            Não há como negar que a situação de pouca performance da Lola Yamaha certamente contribuiu para a decisão de Lucas de pendurar o capacete. O brasileiro foi fiel à Audi na maior parte de sua carreira na competição, mas com a saída da marca alemã do grid, ele acabou não tendo o mesmo sucesso nos outros times pelos quais competiu, como a Venturi, a Mahindra, e o retorno à ABT agora como time independente, nos últimos anos. O brasileiro acumula 13 vitórias na competição de carros monopostos elétricos, 4 pole-positions, 41 pódios, 12 voltas mais rápidas, além do título da temporada 2016/2017, e dois vice-campeonatos, da temporada 2015/2016, e da temporada 2017/2018. Lucas também foi 3º colocado na temporada de estréia da competição, em 2014/2015, e na temporada 2018/2019.

            Na temporada de 2021/2022, ele defendeu a Venturi, onde obteve sua última vitória na competição, no ePrix 1 de Londres, terminando a temporada pela última vez em uma posição significativa, em 5º lugar. No campeonato seguinte, seu novo time, a Mahindra, revelou-se um time problemático, com uma performance tremendamente deficiente. Ele até conseguiu uma pole e um pódio na primeira prova da equipe, mas a seguir o desempenho da escuderia despencou, de modo que ele foi apenas o 15º colocado ao fim da temporada 2022/2023. Na temporada 2023/2024, ele retornou à ABT, agora um time independente, sem mais o suporte da Audi, e Lucas mais uma vez sofreu com o desempenho deficiente do time, sendo inclusive superado com facilidade por Nico Muller naquele campeonato, onde finalizou apenas em 23º lugar. A seguir, a escuderia optou pelo novo equipamento do trem de força da parceria Lola/Yamaha, que estreou na temporada passada, e como qualquer nova marca na competição, os resultados foram sofríveis, com o brasileiro terminando a temporada 2024/2025 apenas em 17º lugar. Ainda assim, Lucas conseguiu seu último pódio na competição, no ePrix de Miami, com um 2º lugar. Este ano, a performance do time ainda segue complicada, e Lucas ocupa a última posição na tabela do campeonato, sem pontos marcados.

Correndo pela Audi ABT, Lucas foi campeão da terceira temporada da F-E, sendo o segundo brasileiro a conseguir o feito, depois de Nelsinho Piquet na primeira temporada.

            Lucas praticamente correu com todas as primeiras três gerações dos carros da F-E. Muitos esperavam que ele pelo menos tentasse permanecer na era Gen4, quando talvez pudesse colher os frutos do trabalho árduo desenvolvido nestas duas temporadas colaborando para o desenvolvimento do equipamento fornecido pela Lola/Yamaha, o qual só deve gerar frutos mesmo a partir da próxima geração de carros, quando até os trens de força serão renovados. Se ele resolveu sair, paciência. Ele sabe sua situação, e se acha que seu ciclo se encerrou, que seja. É verdade que Lucas teve momentos conturbados em sua trajetória nas pistas, e como não poderia deixar de ser, chegou até a bater boca sobre certos aspectos, e muitos “fãs” da velocidade, como não poderiam deixar de ser, botaram política no meio, empobrecendo e reduzindo o nível do debate e das críticas à atuação do piloto, numa situação que lamentavelmente hoje contamina todo o debate de idéias nacional a um confronto ideológico dos mais chulos e sem valor algum.

A temporada de despedida de Lucas vem sendo marcada pela falta de resultados diante do péssimo desempenho da Lola/Yamaha.

            Lucas não deve nada a ninguém. Ele batalhou por sua carreira. Iniciou nas categorias de base e chegou à F-1, onde infelizmente não teve oportunidade de mostrar serviço, redirecionando seus esforços para outros certames, como o Mundial de Endurance, onde foi um piloto valorizado, e que quase foi campeão da competição, e quase venceu as 24 Horas de Le Mans, resultados que motivaram a Audi a contar com ele em sua jornada na F-E, onde fez sucesso, e é até hoje um dos maiores vencedores da competição de carros monopostos elétricos. Mas, se para muitos fãs, que acham que só a F-1 existe, e que Ayrton Senna foi nosso único representante de monta no mundo do automobilismo, o azar é deles. Lucas teve uma carreira decente no automobilismo, ajudou na criação e fundação da Formula-E, e agora inicia uma nova fase em sua vida. Boa sorte a ele, e que pelo menos consiga efetuar uma despedida digna das pistas nas provas da atual temporada da F-E que ainda resta…

 

 

Lucas Di Grassi chegou à F-1 em 2010, mas deu azar de defender uma das novas equipes nanicas do grid que faziam sua estréia naquela temporada, a Virgin, que infelizmente serviram apenas para encher o grid, sem ter performance ou desempenhos dignos de nota. Foram 19 corridas, apenas naquela temporada, onde o único consolo de Di Grassi foi ter sido classificado à frente de seu companheiro Timo Glock na tabela final do campeonato, pelos critérios de desempate de bandeiradas, onde o melhor resultado do brasileiro, um 14º lugar na etapa da Malásia daquele ano, foi obtida antes de Gloco igualar o resultado, mas mais para o fim do ano. Sem perspectivas melhores na F-1, Lucas partiu para outras categorias, onde passou a pilotar para a Audi no Mundial de Endurance.

 

 

No Mundial de Endurance, Lucas fez participações pontuais entre 2012 e 2013, participando ativamente do campeonato entre 2014 e 2016, sempre pela equipe oficial da Audi, na classe LMP1, a principal do WEC. Foram 28 corridas, com 2 vitórias e 3 pole-positions, além do vice-campeonato da competição na LMP1 em 2016. Lucas foi 2º colocado nas 24 Horas de Le Mans em 2014, e 3º colocado nas edições de 2013 e 2016, ano em que foi vice-campeão da categoria, com as únicas vitórias que teve na competição.

 

 

Além da carreira de piloto, Lucas Di Grassi procurou diversificar seu conhecimento e atividades ao longo do tempo, paralelo à carreira nas pistas. Poucos sabem, mas ele é formado no programa de Owner/President Management da Escola de Negócios de Harvard, em um curso de cinco anos. Além disso, tem quatro patentes mundiais de produtos em que participou da criação dos mesmos. Ele também é co-autor de um estudo científico intitulado "Neurobehavioural signatures in race car driving: a case study" (Sinais neurocomportamentais na condução de carros de corrida: um caso de estudo, em tradução livre), artigo relacionando como o ser humano reage dirigindo um carro de corrida, que foi usado para melhorar a segurança de veículos, pesquisa que inclusive foi publicada na revista Nature, publicação extremamente conceituada na área. Lucas, ao lado da esposa e artista plástica Bianca Diniz Caloi, é autor de um livro infantil cujo propósito é ensinar ciências às crianças. Di Grassi também é defensor da sustentabilidade e do meio ambiente, tendo já participado e efetuado diversas ações de conscientização ao redor do mundo. Ele também foi embaixador do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente entre os anos de 2018 a 2025. Quando irrompeu a pandemia de Covid-19, o piloto paulista foi o primeiro atleta a criar um movimento para arrecadar fundos contra a doença que arrasou o mundo. Lucas também teve a iniciativa de transformar uma fábrica de material plástico em produtora de face shields, dispositivos que foram muito usados para ajudar a tentar prevenir o contágio da doença, tendo doado cerca de mil destas peças para hospitais, locais de tratamento e infectados com a doença. Ele também doou o primeiro equipamento de sanitização com raios UV para o Hospital das Clínicas de São Paulo.

 

 

A Formula-E chegou a Berlim para a rodada dupla da competição no antigo aeroporto de Tempelhoff. As corridas têm transmissão vivo pelo Bandsports na TV por assinatura, e pelo canal de vídeo do site Grande Prêmio no Youtube e em sua GPTV. As provas têm largadas a partir das 11:00 Hs. da manhã neste sábado e domingo, pelo horário de Brasília. Pascal Wherlein, do time oficial da Porsche, lidera o campeonato, com 83 pontos, seguido por Edoardo Mortara, da Mahindra, com 72 pontos. Mith Evans vem logo atrás, na 3ª colocação, com 65 pontos. Antônio Felix da Costa, da Jaguar, venceu as duas últimas corridas, e vem tentando recuperar o atraso na competição, tendo mostrado a força da Jaguar nas últimas provas, e mostrando que pode bagunçar o favoritismo de Wherlein, seu antigo companheiro de time e desafeto, no que promete ser um duelo bem acirrado na pista.

 

 

A F-E apresentou oficialmente em Paul Ricard o novo modelo Gen4, com o qual disputará o próximo campeonato, com início a partir de dezembro deste ano. E a nova temporada deverá ter boa movimentação de pilotos, com a estréia dos novos times da Stellantis e da Porsche, que devem agregar 4 novas vagas de carros ao grid. A Opel, novo time que entrará na competição, sob batuta da Stellantis, a exemplo da Citrone, poderá ser o novo destino de Mith Evans, atualmente no time da Jaguar, e que já declararam, ambas as partes, que não continuarão mais juntos na próxima temporada da competição. Evans não gostou de ter recebido ordem para não atacar Antonio Felix da Costa na etapa de Jarama, após efetuar uma excelente corrida de recuperação, com chances de vencer a corrida, com o time preferindo manter a dobradinha a arriscar um duelo de companheiros de equipe que pudesse comprometer o resultado. Evans não gostou nem um pouco, e isso azedou o clima na escuderia, com o neozelandês sentindo-se preterido pelo time.

 

 

Depois de mais de um mês de ausência, a F-1 retomou a competição, em Miami, sob regras ajustadas após reuniões com equipes e pilotos durante o mês de abril tentando diminuir os problemas de regeneração de energia das novas unidades de potência, e prevenir acidentes potenciais por discrepância de performances em pontos da pista que surgissem diante da falta de potência momentânea sofrida pelos pilotos durante a regeneração de energia. Foram feitos ajustes nos sistemas, de modo a aumentar a capacidade de recuperação de energia, e quanto se pode gastar de uma vez, de modo a tentar diminuir o tempo em que o sistema fica com menos energia em recuperação extrema, e pelo visto, parece ter dado resultado, onde não vimos nenhum problema de monta neste assunto. Mas treino é treino, e corrida é corrida. Pelo sim, pelo não, o único treino livre foi aumentado em meia hora, para dar mais tempo dos times e pilotos ajustarem seus carros diante dos novos ajustes de sistema, além de que muitos times prepararam seus primeiros grandes pacotes de atualizações justamente para a etapa da cidade do Estado da Flórida, algo muito bem-vindo em um fim de semana com prova sprint, o que diminui sobremaneira o tempo hábil para as equipes trabalharem em seus carros. Agora precisamos ver se os efeitos negativos do sistema de regeneração de energia foram mitigados o suficiente para não termos mais percalços potencialmente perigosos durante o restante da temporada, ou se serão necessários novos ajustes para corrigir os problemas. Por ser uma pista urbana, Miami ajuda na recuperação de energia com pontos fortes de freada, ao contrário de Suzuka, no Japão, algo a ser considerado.

 

 

A McLaren mostrou força na classificação para a prova sprint neste sábado, com Lando Norris a conquistar a pole-position, com Oscar Piastri largando logo atrás dele, na 3ª posição. Não por acaso, foi aqui que nos dois últimos anos a McLaren mostrou sua força, em 2024 corrigindo o desenvolvimento de seu bólido, passando a ser o carro a ser batido, e no ano passado, apenas mantendo a força que já vinha exibindo desde o início da competição. A Mercedes não conseguiu se impor como fez nas primeiras corridas, reflexo do olho mais ferrenho da FIA sobre os ajustes de motor que vinha usando, que apesar de não serem irregulares, foi proibido o seu uso, ainda que Andrea Kimi Antonelli tenha a 2ª posição de largada na prova sprint. E a Ferrari, ainda que esteja por perto, corre o risco de ficar para trás, superada pela McLaren, e sem conseguir exatamente superar a Mercedes. Ainda é cedo para analisar a relação de forças, apenas pelos treinos de hoje. Precisamos esperar até o fim da corrida de domingo para termos um quadro mais claro da situação...