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sexta-feira, 24 de abril de 2026

CAÇA À APRILIA

Aprilia venceu tanto a corrida principal quanto a sprint no Texas, com a quinta vitória consecutiva de Marco Bezzecchi contadas as do final da temporada passada.

            A MotoGP chega à Europa para o Grande Prêmio da Espanha, na pista de Jerez de La Frontera, na região da Andaluzia, e a pergunta que todos fazem é: a Aprilia vai manter a hegemonia na competição de 2026? Todas as corridas principais tiveram triunfos de Marco Bezzecchi, que lidera o campeonato com 81 pontos. E o vice-líder, por coincidência, é Jorge Martin, seu companheiro de equipe, que vem logo atrás, com 77 pontos. Quem poderia esperar por uma situação dessas?

            Ninguém duvidava que, no último ano do atual regulamento técnico, a Ducati parecia vir com mais força do que em 2025, onde Marc Márquez, recém-chegado ao time de Borgo Panigale, literalmente varreu a concorrência na pistas da classe rainha da motovelocidade. A “Formiga Atômica” conquistou o sétimo título na classe rainha com uma facilidade que assustou os rivais. Nem “Pecco” Bagnaia, seu companheiro de equipe, conseguiu impôr resistência ao novo companheiro de time, e um possível e esperado duelo entre os dois nunca chegou a acontecer. Enquanto Bagnaia sofria com a GP25, Márquez parecia deslanchar como nunca, e conquistou o título com várias provas de antecedência, em Motegi.

            O que se esperava para este ano era a manutenção do domínio da marca italiana, diante dos bons resultados de performance vistos na pré-temporada. Até Bagnaia parecia mais contente com a nova GP26, dando a indicar que finalmente poderia voltar a ser o velho “Pecco” de sempre, e complicar a situação ainda mais para os rivais, que não teriam apenas Marc Márquez para se preocupar.

            Mas é claro também que os testes da pré-temporada indicavam que a Aprilia iria dar trabalho. A dúvida seria quanto trabalho a compatriota italiana, sediada em Noale, poderia se colocar na briga pelas vitórias. Já tínhamos visto a Aprilia surpreender alguns anos atrás, e até se colocar na briga pelo título, mas conforme a temporada avançava, o maior fôlego da Ducati se impôs, e a equipe de Noale despencou, ficando de fora da disputa. Mas, e agora?

            Na Tailândia, prova que abria a temporada, depois dos bons testes da pré-temporada, foi uma surpresa vermos as Ducatis terem problemas. É bem verdade que Marc Márquez só não venceu a corrida sprint diante de uma punição polêmica aplicada ao heptacampeão, que numa disputa de posição empurrou Pedro Acosta, da KTM para fora da pista, o que levou a direção de prova a punir o espanhol da Ducati, o que entregou o triunfo para Acosta, deixando Márquez em 2º lugar. Mas Marco Bezzecchi, do time oficial de Noale, que tinha largado na pole, simplesmente caiu, por erro próprio, e portanto, parecia aquele cenário de que a Aprilia tinha potencial, mas precisava aproveitá-lo devidamente. Mas havia um recado velado ali: do 3º ao 5º colocado na prova sprint tailandesa, as posições foram ocupadas todas por motos Aprilia. Raul Fernandez, da equipe satélite Trackhouse, fechou o pódio, seguido por Ai Ogura, sem companheiro de equipe, enquanto Jorge Martin foi o 5º colocado com a Aprilia do time de fábrica.

            Mas, na corrida principal, Bezzecchi não cometeu erros, e venceu com categoria. Pedro Acosta ainda foi o 2º colocado, mas Raul Fernandez repetiu o 3º lugar do pódio, com Jorge Martin em 4º, e Ai Ogura, em 5º. As quatro motos da Aprilia terminaram nos cinco primeiros lugares. E a Ducati? O melhor piloto da marca foi Fabio Di Giannantonio, da VR46, que recebeu a bandeirada em 6º lugar. Franco Morbidelli, também da VR46, foi o 8º, enquanto “Pecco” Bagnaia foi um decepcionante 9º colocado, sem conseguir batalhar pelas primeiras colocações. Mas tudo bem, início de temporada, e surpresas sempre são bem-vindas, até para dar mais tempero à competição, e vermos a toda-poderosa favorita Ducati fora de combate era um bônus que todo mundo imaginava seria momentâneo. A Aprilia roubava o show, mas a arquirrival de Noale precisava se preocupar com a virada que o time de Bolonha fatalmente iria aplicar, muito em breve, todos imaginavam.

"Pecco" Baganaia: boa pré-temporada, e de volta aos problemas com a moto tão logo o campeonato começou...

            A etapa seguinte, aqui no Brasil, seria novidade para todo mundo, portanto, novas surpresas continuariam a ser bem-vindas. Na prova sprint, Marc Márquez confirmou os temores de todos e garantiu mais uma vitória na prova curta. Giannantonio, em 2º lugar, parecia corroborar com o “retorno” da Ducati à posição de domínio que todos esperavam, ainda que a dupla da Aprilia oficial estivesse por perto. Jorge Martin terminou em 3º, logo à frente de Bezzecchi. Ai Ogura, em mais uma boa prova, terminava em 5º. A Ducati estava de volta, mas a rival compatriota poderia, sim, complicar um pouco a situação. Só que na corrida, foi a Aprilia quem riu por último. Marco Bezzecchi averbou mais uma vitória, e agora, por cima, ainda em dobradinha com Jorge Martin logo em 2º lugar, conquistando a primeira dobradinha de uma escuderia no 1-2 em corridas na temporada. Fabio di Giannantonio fechou o pódio com a VR46, logo à frente de Marc Márquez. Ai Ogura fez outra bela corrida com a Trackhouse, e garantiu 3 motos Aprilia nos cinco primeiros colocados. Quem poderia imaginar cenário tão interessante assim para a temporada de 2026? Vice-campeão de 2025, Álex Márquez, da Gresini, teve seu primeiro resultado positivo no ano, com a 6ª posição, mas em nenhum momento brigou por posições mais à frente.

            Certo, podemos dizer que a pista de Goiânia, novidade para todos os grid atual, pode ter bagunçado um pouco as expectativas, e com isso, vimos a Aprilia deitar e rolar em cima da concorrência. Mas, para todos os efeitos, tudo estava saindo melhor que a encomenda. Quanto mais tempo a Aprilia ficasse no comando, mais difículdades a Ducati teria para retomar o controle do campeonato, o que todo mundo achava que ocorreria mais cedo ou mais tarde. E o próximo palco da competição, o Circuito das Américas, em Austin, Texas, nos Estados Unidos, em tese, seria o palco perfeito para Marc Márquez voltar à baila, já que é o maior vencedor da pista texana. Ou, pelo menos, todo mundo imaginava que o script indicasse a retomada da Ducati ao degrau mais alto do pódio.

            Só que, mais uma vez, as coisas não correram como ninguém esperava. Na prova sprint, a vitória foi de Jorge Martin, a sua primeira vitória, sprint ou não, em seu novo time, após deixar a Pramac. Martin reeditou seus duelos com Francesco Bagnaia, que estava surpreendentemente bem em Austin, mas não resistiu à investida do velho rival, e acabou sucumbindo no finalzinho da prova, terminando em 2º lugar, mas marcando uma possível reação do time oficial da Ducati, mas mais importante, dele mesmo na competição. E aqui quem teve azar foi Marco Bezzecchi, com seu segundo abandono em provas sprint no ano. Mas Marc Márquez, outrora “rei” de Austin, não foi muito melhor, tendo recebido a bandeirada apenas em 17º. Álex Márquez marcou presença com a Ducati da Gresini em 4º lugar. E a corrida de domingo seria ainda menos auspeciosa para as Ducatis. E novamente, a Aprilia fez nova dobradinha, com Bezzecchi averbando sua 3º vitória consecutiva no ano, com Jorge Martin logo atrás. Pedro Acosta, da KTM, fechou mais um pódio em 3º. As Ducatis de Giannantonio e Marc Márquez vieram a seguir, em 4º e 5º lugares.

Marc Márquez: o "rei do Texas" desta vez não conseguiu manter o trono na pista onde é o maior vencedor da competição.

            Se contamos com as corridas finais de 2025, já são nada menos que 5 vitórias consecutivas de Marco Bezzecchi. O italiano fez uma escalada nas provas finais da temporada passada, finalizando a temporada em 3º lugar, e neste ano, segue impecável, com três vitórias em três corridas, e todas conquistadas sem “azares” ou percalços dos rivais propriamente. Não apenas a Aprilia se mostrou melhor, como Bezzecchi está tendo sua melhor temporada de sempre até aqui, e mostrando que a Aprilia vai ser muito mais do que uma dor de cabeça momentânea para a Ducati, muito mais do que todos imaginavam. Quem poderia imaginar que, decorridas três corridas, seria a Aprilia a dar as cartas, de uma maneira que todos imaginavam ser possível apenas para a Ducati proporcionar?

            Isso só enaltece os esforços da equipe de Noale na preparação para a atual temporada da MotoGP, mesmo no último ano do atual regulamento, focada em ser uma rival à altura para a Ducati. Até porque as outras marcas no grid se mostram incapazes de oferecer resistência à performance das motos italianas. A Yamaha está afundada em seus trabalhos de desenvolver seu novo motor V4, que em tese só deverá apresentar resultados a partir de 2027, com a nova motorização de 850cc, em que pese o problema não ser apenas esse, mas da própria moto em si. A Honda ensaia uma recuperação, mas até o presente momento vive de brilhos ocasionais, e não mantém uma estabilidade de performance mais condizente com quem precisa batalhar pelas primeiras colocações. A KTM poderia oferecer mais desempenho, mas só o fato de ainda estar firme no grid, depois de toda a crise econômica vivida no ano passado, que comprometeu a viabilidade de toda a marca, e não apenas de seus projetos do esporte a motor, ela está fazendo muito, e Pedro Acosta, principalmente, vem dando certo combate nas corridas. A Ducati, mesmo com seus problemas, não está fora do páreo, e pode ressurgir a qualquer momento, não podendo ser subestimada.

            Por isso mesmo, o momento agora é de caça à Aprilia, que assume ares momentâneos de claro favoritismo na competição. E a prova em Jerez fica com a questão: Ela manterá sua hegemonia, ou a Ducati dará enfim a resposta na pista? É curioso ver como os testes da pré-temporada mostraram que a Ducati parecia ter em mãos uma moto muito superior à de 2025, e que teria tudo para manter ou até ampliar a hegemonia em 2026, até porque, além do time de fábrica, Fabio Di Giannantonio e Álex Márquez conduzem a mesma GP26 de Marc Márquez e Francesco Bagnaia, ficando Fermin Aldeguer e Franco Morbidelli com a “velha” GP25. Já se esperava uma Aprilia forte pelo que vimos nos testes da pré-temporada, confirmando a rival de Noale como principal desafiante da casa de Bolonha, em um duelo tipicamente italiano, mas não se imaginava que a Aprilia conseguiria desbancar a Ducati com tal capacidade. É cedo para afirmar que a marca de Noale vai exibir essa mesma forma por todo o campeonato, afinal ainda tempos quase toda a temporada ainda pela frente, e Jerez é apenas a 4ª prova na competição. Mas quem poderia imaginar que o poderio teórico da Ducati se esvaneceria dessa maneira, tão logo de cara?

            Isso indica que a nova GP26 não saiu perfeita como se esperava, pelos trabalhos desenvolvidos na pré-temporada. Não que não seja uma moto competitiva, mas no presente momento, parece inferior às RS-GP da Aprilia. Mas, também ajuda a colocar em perspectiva que a moto de 2025 já dava indícios de que  domínio da Ducati parecia estar balançando. Francesco Bagnaia ter ficado de fora da briga pelo título foi uma situação completamente fora de perspectiva. Mas como Marc Márquez estava dominando a competição, da mesma forma como fazia na Honda, Marc deu a impressão de que a moto era melhor do que realmente é. Mas, apesar de todas as juras de amor e apoio proferidas pelo time a Bagnaia, que até aqui conquistou nada menos do que dois títulos pelo time de Bolonha, a impressão que ficou é que o problema era “unicamente” Bagnaia, e agora, vemos que que a moto também tem seus problemas. E a nova GP26 parece ter “herdado” os problemas do modelo de 2025. Tanto que até Álex Márquez, que agora conta com a mesma GP26, numa recompensa da Ducati à sua bela campanha no ano passado, onde brigou firme pelas primeiras posições na tabela de pilotos e foi vice-campeão, declara que a nova moto tem seus caprichos, e ele não está conseguindo extrair do novo modelo o mesmo que ele extraia da GP24 no ano passado, que foi a moto com a qual Jorge Martin e Francesco Bagnaia duelaram pelo título da classe rainha do motociclismo. Álex diz que está competindo a 80% do potencial de sua nova moto.

Marco Bezzecchi: já renovado com a Aprilia, venceu as três corridas do ano até aqui e lidera a competição, mas não pode deixar passar as oportunidades, caso a Ducati consiga reagir, e se reagir...

            Claro que isso apenas indica que a moto é complicada, mas não quer dizer que não seja competitiva. E que, com trabalho no desenvolvimento, será possível aparar as arestas da Desmosédici, e permitir a seus pilotos explorar melhor suas capacidades. Mesmo assim, fica difícil entender certos aspectos. Bagnaia confessou na pré-temporada estar se sentindo muito melhor na nova moto do que com a do ano passado, o que indicava que poderíamos ver o bicampeão de volta à velha forma, vista poucas vezes em 2025. Mas, iniciada a temporada, estamos vendo “Pecco” de novo sofrendo com a nova moto, da mesma maneira como ocorreu no ano passado, e com um desempenho ainda inferior ao de Marc Márquez, que também não conseguiu impedir os triunfos da Aprilia nas corridas principais, ainda que tenha tido melhor desempenho nas provas sprints.

            Os treinos livres em Jerez nesta sexta-feira mostraram uma reação das Ducatis. No primeiro treino livre houve uma trinca de Desmosédicis na tabela de classificação, e no segundo treino livre, Álex Márquez foi o mais rápido, com Fabio Di Giannantonio em segundo lugar. Mas com Marco Bezzecchi ali perto, em 3º lugar, apesar da diferença de 0s5. Não se pode descartar a Aprilia da briga, contudo, mesmo que as Ducatis estejam esboçando uma reação. E treino e treino, e corrida é corrida, de modo que ainda podemos ver mudanças de panorama para a classificação. A incerteza domina as expectativas, e isso é o que faz o pessoal ficar empolgado. E vamos ver quem dará as cartas na pista da Andaluzia. Temos muito chão pela frente, e se a Aprilia quiser dar o recado de que irá mostrar do que é capaz, terá de mostrar isso na pista. E competição acirrada é o que o torcedor mais quer ver, e se o clima pegar fogo, melhor ainda...

 

 

O panorama da MotoGP para 2027 fica curioso, diante das expectativas do momento atual da competição. É verdade que, com o novo regulamento técnico, não dá para apontar qual moto será a mais competitiva no próximo ano, mas à luz do momento atual, é inegável que as peças que estão trocando de lugar apontam para um panorama dos mais interessantes. Em primeiro lugar, a situação de Jorge Martin, que embora ainda não tenha sido anunciada oficialmente, irá para a Yamaha no próximo ano. Jorge resolveu não esperar para conferir o que a Aprilia poderia lhe entregar, e portanto, tratou de se garantir em outro time de fábrica. Pelo sim, pelo não, a Aprilia já garantiu a permanência de Bezzecchi até 2028, afinal o italiano assumiu a liderança do time no ano passado, diante da ausência de Jorge Martin pelos acidentes sofridos, e vem colhendo os merecidos frutos de seu trabalho e engajamento, ao contrário do campeão de 2024, que já tinha arrumado treta com a escuderia no ano passado, e agora, mostra que está partindo para outra, que pode ser tecnicamente menos competitiva do que a da Aprilia. Na Yamaha, claro, que Fabio Quartararo resolveu pular fora da Yamaha, indo para a Honda, que até o presente momento vem apresentando alguma evolução, ao contrário da marca dos três diapasões, que está em parafuso no presente momento. E não vamos esquecer de Francesco Bagnaia, que pode dar a sorte de ir para uma Aprilia em um momento onde a Ducati não tem mais a melhor moto da competição, e onde ele poderá continuar brigando por vitórias, e provavelmente, quem sabe, até o título. A conferir...

sexta-feira, 20 de março de 2026

MOTOGP BRASIL 2026

O Circuito de Goiânia marca o retorno da MotoGP ao Brasil após mais de vinte anos de ausência no calendário da competição.

 

Hoje começam os treinos oficiais da classe rainha do motociclismo, marcando o retorno do Brasil ao calendário da principal competição da motovelocidade, depois de uma ausência de mais de duas décadas da categoria. O palco é o Autódromo Internacional Ayrton Senna, circuito de Goiânia, capital de Goiás, que por coincidência, foi aqui que a motovelocidade, ainda no tempo das motos de 500cc na classe principal, disputou suas primeiras corridas do campeonato em terras brasilis, nos saudosos anos 1980. A primeira corrida foi disputada no dia 27 de setembro de 1987, e mesmo diante de más experiências com corridas na América do Sul, todos que compareceram gostaram das instalações e condições do circuito.

Apenas 18 pilotos participaram da corrida, com apenas 15 recebendo a bandeirada, com a primeira vitória de nosso GP indo para o australiano Wayne Gardner, do time oficial da Honda. Eddie Lawson, com Yamaha, foi o 2º colocado, seguido por Randy Mamola, também com a Yamaha da equipe Roberts. Foram apenas três edições do GP na pista de Goiânia, com Eddie Lawson vencendo a etapa em 1988, novamente com Yamaha, e Kevin Schwants, com Suzuki, em 1989. A prova de 1989 foi a última disputada aqui, colocando um hiato de quase 40 anos de diferença, até o retorno da competição da principal categoria do motociclismo mundial à pista da capital goiana.

A largada do primeiro Grande Prêmio Brasil de Motovelocidade, em 1987 (acima), que teve Wayne Gardner, da Honda (abaixo) como primeiro vencedor da corrida. 


            Em 1992, Interlagos sediou a corrida uma única vez, com vitória de Wayne Rainey, da Yamaha. As condições do circuito paulistano, com boa parte da reta dos boxes cercada de muros muito próximos, contudo, não oferecia boa segurança para provas de motovelocidade, fora a pista ser muito ondulada, razão pela qual Interlagos não permaneceu no calendário. Já em 1995, a motovelocidade retornaria ao Brasil, no Autódromo Internacional Nélson Piquet, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, circuito que sediaria o maior número de corridas da modalidade em nosso país, entre 1995 e 2004, com exceção de 1998. Foi nesse período que Valentino Rossi se tornou o maior vencedor da prova brasileira, com 4 triunfos, nas edições de 2000 a 2003, sempre competindo pela Honda. Alexandre Barros, nosso representante na competição à época, teve apenas dois momentos positivos em termos de resultados em sua corrida de casa. A primeira vez foi em 2000, quando terminou em 2º lugar, defendendo a equipe de Sito Pons, competindo com uma moto Honda. A segunda vez foi em 2004, justamente na última edição de nosso GP no calendário até então, que o brasileiro repetiu o resultado, terminando novamente em 2º lugar, agora pelo time oficial da Honda. Mas a etapa de 2000 foi antológica pelo duelo travado entre o piloto brasileiro e Valentino Rossi, com o italiano vencendo a parada, e a corrida, com Alexandre tendo que se contentar com o 2º lugar, na melhor oportunidade que tivemos de ver um brasileiro vencendo nossa etapa na competição maior da motovelocidade.

            Sua primeira participação na classe principal tinha sido em 1992, em Interlagos, mas ele abandonou a corrida. Em 1995, no Rio de Janeiro, ele foi o 9º colocado. Em 1996, terminou em 5º. Nas edições de 1997 e 1999, novos abandonos nas provas. Em 2000, o primeiro pódio, seguido de um 4º lugar em 2001, terminando em 7º lugar em 2002, sendo o 8º colocado em 2003, e marcando a despedida da etapa nacional em 2004 com outro pódio em 2º lugar atrás apenas de Makoto Tamada, da equipe Pons/Honda. E agora, o Brasil volta ao calendário da competição.

O circuito passou por várias reformas para atender aos requisitos atuais de segurança da MotoGP, e felizmente, a pista foi aprovada. Chuvas intensas nesta semana chegaram até a alagar parte do circuito e das instalações, mas apesar dos problemas, as estruturas e sistemas de drenagem funcionaram bem a contento, não comprometendo a realização da corrida, que terá a prova sprint sendo disputada amanhã, e a prova principal, no domingo, ambas com largada para às 15:00 Hrs., e ambas as provas com transmissão na TV aberta, pela Bandeirantes, além da tradicional transmissão de treinos, classificação e provas pelo canal pago ESPN, e pelo Disney+.

            O circuito de Goiânia tem 3,84 Km de extensão, com um total de 14 curvas, sendo nove à esquerda, e cinco à direita, na configuração que será usada pela MotoGP. Por seu traçado ser menor que muitas pistas, a corrida de domingo terá um total de 31 voltas. O destaque é a reta principal, onde estão os boxes, e a linha de chegada e largada, que possui entre 950 a 994 metros, onde deverão se dar as principais disputas de posição, com as freadas para a primeira curva. A primeira curva, não por acaso, é considerada potencialmente a mais desafiadora do circuito para a competição de motos, por envolver o maior ponto de freada do circuito, onde, pelas estimativas, os pilotos precisarão reduzir de mais de 330 Km/h para menos de 120 Km/h.

A Ducati chega ao Brasil com a missão de tentar se recuperar do impacto sofrido na etapa inaugural da competição, na Tailândia, onde viu a Aprilia, que tinha tudo para ser a principal desafiante, assumir de mala e cuia o favoritismo que se imaginava ser de sua compatriota. Marco Bezzecchi marcou a pole-position com autoridade, e só não venceu as duas corridas do fim de semana porque errou e caiu sozinho quando liderava a prova sprint no sábado. Mas o italiano não deixou a peteca cair, e fez uma corrida impecável no domingo, assumindo a dianteira e não dando chance aos rivais. E que final: as quatro motos da Aprilia terminaram nas 5 primeiras colocações, contando o time de fábrica, e a equipe Trackhouse, satélite da fábrica de Noale, tendo como único “intruso” Pedro Acosta, da KTM, que foi o 2º colocado. Na corrida principal, Marc Márquez estava com dificuldades para brigar pelo pódio, mas estava na briga para tentar a 3ª colocação, até ter um dano na roda traseira, e furo consequente do pneu, abandonando. A melhor Ducati na bandeirada foi a de Fabio Di Giannantonio, da equipe VR46, a pouco mais de 16s do vencedor Bezzecchi. Seu companheiro de time, Franco Morbidelli, foi 8º, com o bicampeão “Pecco” Bagnaia, do time de fábrica da Ducati, apenas em 9º. Na Gresini, outro time satélite da Ducati, Michele Pirro foi o último colocado a receber a bandeirada, em 19º, substituindo o lesionado Fermin Aldeguer, enquanto Álex Márquez, vice-campeão do ano passado, abandonou.

            Líder do campeonato, Marco Bezzecchi, obviamente, quer manter o bom momento, e seguir na dianteira do campeonato. Mas, justamente por ser um circuito novo, todos os times e pilotos precisarão “descobrir” os segredos da pista brasileira, o que pode, em tese, levar a novas surpresas. A Ducati, claro, afirma que o ocorrido na Tailândia não deve se repetir aqui, e que deve vir firme e forte para a disputa, com o objetivo de retomar o favoritismo que a pré-temporada conferiu ao time italiano. Falta combinar com a concorrência, claro, e pelo sim, pelo não, Marc Márquez comparou a pista brasileira com a de Barcelona, na Espanha, para enfatizar que é um circuito onde não costuma ir bem, talvez tentando tirar qualquer pretensão de favoritismo para a etapa brasileira. Bagnaia, por seu lado, manifestou preocupação com o elevado número de voltas do GP, pela extensão mais curta do circuito. Enfim, depois de chegarem em Buriram como grandes favoritos, e saírem de lá com resultados muito aquém do esperado, a Ducati prefere esperar os resultados na pista para ver o que irá ocorrer de fato. E os rivais, lógico, vão querer continuar aproveitando o momento, e procurar tirar o máximo proveito, em especial a Aprilia, depois do bom momento vivido na corrida de estréia da temporada, e procurar manter a pressão para impedir uma recuperação rápida das motos de Borgo Panigale na pista.

Diogo Moreira faz sua segunda corrida como titular da LCR na MotoGp justamente aqui no Brasil.


            Lógico que as atenções vão principalmente para Diogo Moreira, que trouxe o Brasil de volta ao grid da MotoGP, depois de quase vinte anos, desde que Alexandre Barros pendurou o capacete na competição. Diogo fez sua estréia em Buriram, e procurou fazer uma prova firme, mas prudente, ainda aprendendo sobre o comportamento da moto, e sua condição em corrida. O brasileiro, que defende a LCR, time satélite da Honda, terminou a corrida principal em 13º, marcando seus primeiros pontos na competição, e não foi uma performance ruim: seu companheiro na equipe, Johaan Zarco, veterano do time, terminou em 11º lugar, menos de 5s à sua frente na bandeirada de chegada.

            Praticamente novato na competição, Diogo tem objetivos modestos para a prova caseira, que será marcar pontos. A LCR é um time satélite, e a Honda está em um momento de reconstrução na MotoGP, reconquistando aos poucos a performance que a fez uma das equipes mais vitoriosas na década passada, onde até mesmo o time oficial de fábrica enfrenta dificuldades para batalhar pelas primeiras posições. A LCR obteve uma vitória na temporada passada, com Zarco, em Le Mans, na França, com o piloto francês tendo seu momento pessoal de glória em casa, mas a corrida foi marcada pela chuva, que bagunçou as estratégias de equipes e pilotos, e Zarco foi quem melhor lidou com a situação, mesmo que sua moto não fosse a melhor da competição. Mas, em condições normais, dificilmente Diogo terá condições de batalhar pelos primeiros lugares. E ele mesmo tem dito que precisa se familiarizar mais com seu equipamento, como qualquer novato na competição.

Isso não quer dizer que um resultado de monta seja impossível. Será apenas difícil, não impossível, e muitas das variáveis que podem oferecer uma oportunidade que permita um resultado muito acima da média estão fora do controle do brasileiro.

            De qualquer forma, só o retorno da MotoGP ao Brasil já é uma grande vitória. E que a classe rainha do motociclismo, bem como suas categorias de acesso, tenham vindo para ficar por muito, muito tempo, para alegria dos fãs da motovelocidade e velocidade, propriamente...

 

 

A Mercedes conquistou nova dobradinha na etapa da China, segunda prova da temporada atual da F-1. Mas a vitória foi de Andrea Kimi Antonelli, que marcou a pole-position com categoria, e liderou a corrida quase de ponta a ponta, aproveitando os percalços de George Russell, que quase não conseguiu se classificar no Q3, quando seu carro sofreu um “apagão” durante a fase do treino. Russell, que havia vencido a prova sprint, conseguiu se recuperar para largar em 2º no grid, mas novamente teve que duelar com a Ferrari durante boa parte da primeira metade da corrida, e quando assumiu de vez a 2ª colocação, Antonelli já tinha uma vantagem bem razoável, e não foi alcançado pelo inglês, que ainda saiu de Shangai na liderança do campeonato, com 4 pontos de vantagem para Andrea. E A Ferrari mostrou um bom duelo entre sua dupla de pilotos, com Lewis Hamilton vencendo a briga com Charles LeClerc, e conquistando seu primeiro pódio oficial com a equipe de Maranello. O time italiano já tinha obtido um bom resultado na prova sprint, com o 2º e 3º lugares, com LeClerc à frente de Hamilton. O ponto negativo da etapa foi o “apagão” duplo que tirou a McLaren da corrida logo antes da largada, e o desempenho aquém do esperado da Red Bull, que em momento algum teve desempenho para permitir a seus pilotos brigar pelas primeiras colocações, e forçando Max Verstappen ao abandono por problemas nos sistemas eletrônicos do RB22. Quem também ficou pelo caminho antes mesmo de largar foram Alexander Albon (Williams) e Gabriel Bortoletto (Audi), o que fez com que seus respectivos times disputassem a prova chinesa com apenas um carro cada uma.

 

 

A Formula-E está de volta à Espanha, e a uma nova pista no calendário da competição de carros monopostos totalmente elétricos: o Circuito de Jarama, que será o palco para o ePrix de Madrid, que será disputado neste sábado, com largada prevista para as 11:00 Hrs. da manhã, com transmissão ao vivo pelo canal pago Bandsports e pelo site Grande Prêmio (www.grandepremio.com.br), em seu canal no You Tube, e na sua GPTV. A pista tem um traçado total de 3,934 km com 14 curvas. Localizado em San Sebastián de los Reyes, a aproximadamente 32 quilômetros ao norte de Madrid, a pista de Jarama já fez parte do calendário da F-1, tendo sediado o Grande Prêmio da Espanha por nove vezes entre as temporadas de 1968 e 1981, quando esteve presente pela última vez na competição, e também tendo recebido o Grande Prêmio da Espanha de Motovelocidade em 15 ocasiões. A pista foi projetada por John Hugenholtz, o gênio por trás de circuitos como Suzuka, no Japão; Zolder e Nivelles, na Bélgica, entre outras pistas conhecidas do mundo do desporto. Apesar de estar fazendo sua estréia oficial no calendário da F-E, a pista não é desconhecida da categoria, tendo recebido os testes de pré-temporada em 2024, depois que chuvas torrenciais comprometeram a região de Valência, na mesma Espanha, onde seriam realizados os testes no Circuito Ricardo Tormo, que embora não tivesse sido afetado pelos temporais, foi utilizado como ponto de apoio às unidades de socorro e resgate aos atingidos pelas enchentes, o que motivou a mudança para a pista de Jarama. A única alteração para o ePrix de Madri foi a introdução de uma chicane a meio da reta dos boxes, para os fins de recuperação de energia dos carros.

O traçado do circuito de Jarama para o ePrix de Madri.

 

 

Uma das novidades para a corrida da F-E neste final de semana será o uso do Pit Boost na prova. Utilizado apenas em rodadas duplas, e mesmo assim, em apenas uma das corridas, a fim de promover diferenciação e variedade entre as provas de um mesmo fim de semana, é a primeira vez que o recurso será visto em uma corrida simples na competição. O pit boost é uma parada obrigatória nos boxes onde será feita a recarga das baterias dos carros, de cerca de 30 segundos, para obter um aumento de 10% na carga do bólido, que poderá ser usada posteriormente na prova, diversificando as estratégias de equipes e pilotos na corrida. Outra novidade é que a categoria realizará o Teste de Novatos em Jarama, no domingo, dia 22. Será a primeira vez também que este teste será realizado em Jarama, ao invés de Berlim, como vinha sendo feito nos últimos anos, que consiste em sessões de testes coletivos para todos os times, mas apenas com pilotos que nunca competiram oficialmente na F-E, seja para avaliar novos talentos emergentes, ou oferecer quilometragem a pilotos de seus programas de desenvolvimento, além de abrir portas para nomes mais experientes que já fizeram carreira em outras categorias diversas que tentam uma possível vaga no campeonato elétrico. Foi nestes testes, por exemplo, que Felipe Drugovich começou a chamar atenção da categoria, guiando o carro da Maserati, que lhe valeu o teste para substituir Nyck De Vries na Mahindra no ano passado, e que hoje ele se tornou piloto titular da Andretti na competição.

quarta-feira, 11 de março de 2026

ESPECIAL – MOTOGP 2026

            Outro campeonato que já teve início foi a MotoGP, que disputou o Grande Prêmio da Tailândia, e mostrou uma Aprilia mais forte do que se imaginava, depois dos testes da pré-temporada, onde se imaginou que a Ducati não apenas manteria sua força e favoritismo, como poderia ser ainda mais avassaladora do que foi no ano passado, o que felizmente não se confirmou. Mas, eis que trago hoje um pequeno texto especial contando mais sobre a temporada 2026 da classe rainha do motociclismo, que entre as principais novidades do ano está a volta do Brasil, ao calendário, e ao grid da MotoGP. Uma boa leitura a todos...

MOTOGP 2026

 

A Ducati segue sendo a franca favorita, mas a Aprilia quer mudar esse panorama, e já começou bem o ano. Conseguirá manter a boa forma?

 

Adriano de Avance Moreno

A MotoGP deu a largada para a temporada 2026, e deu Aprilia na corrida principal em Buriram, onde a Ducati fez figuração na corrida.

 

         No último ano da MotoGP sob as atuais regras técnicas, a missão do grid é clara: interromper o domínio da Ducati na competição, com a supremacia da marca de Bolonha na classe rainha do motociclismo. No ano passado, Marc Márquez, defendendo o time de fábrica da marca italiana, literalmente correu sozinho rumo ao título, com seu irmão caçula, Álex, defendendo a Gresini, fazendo sua melhor temporada na competição, ficando com o vice-campeonato, mas sem conseguir ameaçar de fato o irmão mais velho, reafirmando o domínio da marca italiana, que só não dominou ainda mais porque Francesco Bagnaia teve uma temporada irreconhecível, não conseguindo disputar o título como se previa.

         Visando conter custos, a MotoGP resolveu congelar o desenvolvimento dos atuais propulsores do grid, uma vez que no próximo ano saem os motores de 1.000cc para a entrada das novas unidades de 850cc, visando à redução da velocidade dos protótipos, e aumento da segurança da competição. Pelos testes da pré-temporada, tudo indicava que a Ducati, mesmo com as limitações técnicas de desenvolvimento decorrentes do regulamento, conseguiu melhorar ainda mais sua Desmosédici, com muitos temendo um novo ano de supremacia da Ducati na categoria.

Ducati entrou na temporada 2026 como grande favorita destacada, mas parece que podemos ter mudanças nas expectativas...

         O time de fábrica de Borgo Panigale ainda conta com suas equipes satélites. Na Gresini, Álex Márquez, vice-campeão de 2025, ganhou uma moto do ano para tentar vôos ainda mais altos, e terá à sua disposição a mesma especificação da GP26, enquanto Fermin Aldeguer correrá com a GP25. Na VR46, segue o mesmo esquema com Fabio Di Giannantonio tendo o modelo GP26, enquanto Franco Morbidelli continua com a moto do ano anterior, no caso, a GP25. Os dois times tiveram desempenhos bem satisfatórios no ano passado, e todos terminaram dentro do TOP-8, que teve apenas como “intrometidos” Marco Bezzecchi (Aprilia) em 3º lugar e Pedro Acosta (KTM) em 4º, mostrando o favoritismo da Ducati na competição, e que a marca espera manter este ano.

         A maior oposição à Ducati no grid vem da Aprilia, marca conterrânea que nos últimos anos até tentou ensaiar disputar o título, mas apesar de algumas vitórias e até força em determinados momentos, não conseguiu transformar o sonho em realidade. Mas agora parece ainda mais capaz de cumprir a promessa de desbancar a marca de Bolonha. A Aprilia teve um fim de temporada forte em 2025, com duas vitórias de Marco Bezzecchi, que conduziu o crescimento da marca de Noale ao longo da temporada, só não disputando o vice-campeonato com Álex Marquez por ter começado a reagir tarde demais. Agora, além de contar com um Bezzecchi renovado e na sua melhor forma, o time também espera contar com um Jorge Martin mais recuperado, e capaz de brigar por melhores resultados. E a marca ainda conta com a Trackhouse, seu time satélite. Mas, embora mais forte do que nunca, ainda se especula até que ponto a Aprilia pode brigar de fato com a Ducati, com as expectativas indo no sentido de que o duelo existirá, mas que a Ducati deve ganhar pela consistência. A nova RS-GP de 2026 incorpora uma espécie de duto que otimizou o fluxo de ar na aerodinâmica do protótipo, resultando não apenas em maior velocidade de reta, mas também proporcionando melhor estabilidade nas curvas, algo crucial nas frenagens da competição.

         A julgar pelo resultado da primeira prova da temporada, na Tailândia, contudo, teremos surpresas pelo caminho. Não apenas a Aprilia surpreendeu positivamente, como a Ducati esteve irreconhecível, ainda que Marc Márquez tenha brigado pela vitória na corrida sprint, e pelo pódio na corrida principal. Marco Bezzecchi não apenas venceu, mas convenceu. E a Aprilia ainda teve o 3º lugar de Raul Fernandez, com a Trackhouse, a Jorge Martin foi o 4º colocado, seguido de Ai Ogura, com a outra Trackhouse. A melhor Ducati acabou sendo de Fabio Di Giannantonio em 6º lugar. Ainda é cedo e muito precipitado para dizer que a Ducati terá problemas, mas a temporada começa bem em termos de competitividade, e com a segunda etapa sendo no Brasil, em uma pista onde a MotoGP correu pela última vez há mais de três décadas, todo mundo terá de aprender a pista, e quem sabe, vermos mais surpresas na corrida. Mesmo assim, para quem deseja maior competitividade na categoria, foi um alento ver a Ducati pela primeira vez fora do pódio após 88 corridas com pelo menos uma moto da marca no TOP-3. A Ducati sentiu o golpe, agora é ver se foi um caso isolado, ou se a parada com a conterrânea vai mesmo engrossar como a Aprilia promete fazer.

A esquadra da KTM para a temporada 2026, com o time de fábrica e a satélite Tech3: nova moto mais competitiva anima os pilotos.

         Depois de sobreviver a um momento crítico no ano passado, com o conglomerado a ter de reorganizar suas operações diante de ameaça falimentar por resultados econômicos desfavoráveis que quase comprometeram as operações de competição, a KTM conseguiu vir mais forte para este ano, contando sempre com Pedro Acosta para obter seus melhores resultados, com o espanhol já tendo marcado presença na primeira etapa, na Tailândia, com uma vitória, ainda que controversa, na prova sprint, e um segundo lugar na corrida principal. Com um competente Brad Binder, e os esforços da Tech3, seu time satélite, a marca austríaca espera por melhores resultados nesta temporada. Tendo apresentado já o seu propulsor para a temporada de 2027, saindo à frente dos rivais, a meta da marca para este ano é estabilidade, tanto que manteve os pilotos do time de fábrica, e a Tech3 também manteve sua dupla inalterada. Mas o grande mérito foi produzir uma moto muito melhor e mais competitiva, já que nos últimos anos a KTM vem patinando em termos de performance, prometendo subir de produção, e não conseguindo cumprir o prometido. Mas agora parece ter conseguido oferecer um bom projeto com a nova RC-16. A intenção também é conseguir segurar Acosta, mesmo diante das conversas de que já teria acertado com a Ducati para 2027. Por isso mesmo, ter um equipamento competitivo é crucial para a marca não perder o seu grande talento, ainda mais para a principal marca do grid.

         A Honda também tem maiores esperanças de evolução este ano. A marca da Asa Dourada conseguiu crescer de performance no fim do ano passado, mas o objetivo é simplesmente voltar a disputar o TOP-10 com regularidade, e chegar ao pódio. Na Tailândia, Joan Mir até que andou forte, mas enfrentou problemas de fiabilidade, que comprometeram seu desempenho. Luca Marini, por sua vez, foi apenas o 10º colocado nas duas provas, o que mostra que a Honda ainda tem muito trabalho pela frente, se quiser de fato voltar aos bons tempos de luta pelos títulos. No ano passado, o melhor resultado, por incrível que pareça, veio da LCR, o time satélite, que venceu em Le Mans, numa prova marcada pela chuva, e por uma atuação magistral de Johaan Zarco em casa. Por ter tido resultados satisfatórios em 2025, a Honda subiu para a classe C, e por isso, não poderá trabalhar o desenvolvimento de seus motores este ano, tendo de cumprir com as regras de congelamento que são aplicadas aos demais construtores como contenção de custos visando o novo regulamento técnico que será estreado em 2027.

De campeã em 2021 à lanterna em 2025. A Yamaha tenta se recuperar, mais uma vez.

         A Yamaha, por sua vez, tenta sair da lanterna, concentrando forças no desenvolvimento da arquitetura V-4 para seu motor, objetivando voltar aos bons tempos. A marca tem liberdade para desenvolver o propulsor este ano, mas até o presente momento, os resultados infelizmente estão passando longe. A dupla do time de fábrica terminou a corrida de abertura da temporada nos últimos lugares pontuáveis, enquanto a Pramac ficou de fora da zona de pontuação.

         Com as disputas centradas nas marcas européias, não será neste ano que Honda e Yamaha conseguirão maior destaque na competição. As duas montadoras esperam poder reverter as expectativas com o novo regulamento técnico que virá em 2027, mas até lá, tudo aponta para que a temporada de 2026 seja concentrada no possível duelo entre as italianas Ducati e Aprilia, com a KTM correndo por fora. Por enquanto, a Aprilia saiu na frente, mas todos se perguntam se o que vimos na Tailândia foi apenas um ponto fora da curva da Ducati, e se eles voltarão com tudo já na próxima corrida, justamente aqui no Brasil, ou se a Aprilia vai conseguir efetivamente bagunçar o coreto e contestar a hegemonia da arquirrival Ducati para valer.

          Com relação ao grid, temos quase todos os mesmos pilotos, com poucas mudanças. Teremos apenas dois estreantes no grid. Um deles é o brasileiro Diogo Moreira, na equipe LCR. O outro estreante é Toprak Razgatlıoğlu, pela Pramac, vindo do Mundial de Superbike, no lugar de Miguel Oliveira, que perdeu a vaga, e foi para a Superbike.

         O campeonato da motovelocidade começou, e as emoções devem ser fortes em todas as corridas. E veremos quem será o campeão este ano...

 

CAMPEÕES DE MUDANÇA

O bicampeão "Pecco" Bagnaia vai ser "rifado" na Ducati para 2026?

 

         Com exceção de Marc Márquez, que permancerá na Ducati, todos os demais campeões presentes no grid podem ter novas casas em 2027. Vencedor da temporada de 2024, Jorge Martin deve ir para a Yamaha, no lugar de Fabio Quartararo, campeão da temporada de 2021, que por sua vez, deverá ir para a Honda. As duas mudanças chegaram a ser anunciadas na mídia especializada, mas ainda não foram divulgadas oficialmente.

         Se confirmadas, Jorge Martin preferiu não esperar para ver, e estaria se bandeando para o time dos três diapasões, que por sua vez, estaria preenchendo o vácuo da saída de Quartararo, que impaciente com a falta de progresso da escuderia, resolveu arriscar a sorte com a arquirrival nipônica. Não é de hoje que o francês anda descontente com as promessas de recuperação da competitividade da Yamaha, que só tardiamente optou por mudar para a estrutura do motor V4, a exemplo do que já é adotado por outras marcas. Mas o ponto do motor já é uma reclamação que vinha até dos tempos de Valentino Rossi em seus últimos anos na escuderia nipônica. Com a Yamaha terminando em último lugar entre os construtores na temporada passada, o time tem permissão para desenvolver seu propulsor este ano, pela regra de permissões do regulamento da categoria.

         O objetivo da Yamaha é aproveitar estas permissões para tentar recuperar o atraso de seu propulsor, e usar o motor deste ano como base para a nova motorização de 2027, quando os motores serão reduzidos para 850cc. Contar com um piloto campeão do mundo é importante, por isso, se eles perderem Quartararo, a chegada de Jorge Martin não é apenas bem-vinda, mas necessária, para tentar manter a seriedade do projeto de recuperação da marca na classe rainha do motociclismo.

         Jorge Martin teve uma temporada passada atribulada, e não foi apenas pelos acidentes e azares que fizeram com que o espanhol praticamente perdesse todo o ano em termos de chances de ter bons resultados. A meio do ano, o piloto tentou um rompimento do seu contrato, válido para 2026, para tentar mudar para a Honda já este ano, mas a Aprilia bateu o pé, prometendo levar Martin aos tribunais se ele insistisse em romper o contrato, sob alegação de não estar dentro das posições previstas no campeonato, e que lhe dariam o direito de rescindir o acordo firmado com o time italiano. No final, equipe e piloto de acertaram, mas o clima ficou pesado no time, a ponto de haver até deboche de Marco Bezzecchi em cima de Jorge, quando ele venceu a etapa de Silverstone, e declarou que a moto italiana não era tão ruim assim.

         Tentar se garantir para 2027, em um outro time, no momento em que a Aprilia está em crescimento, enquanto ninguém sabe como a Yamaha estará no próximo ano, é uma jogada arriscada, no que parece que Martin não estaria interessado em se arriscar confiando na Aprilia, ainda que a opção da equipe japonesa seja totalmente incerta para o próximo campeonato. Mas Jorge parece ver que o time já não tem confiança nele, tanto que já renovou contrato com Bezzecchi para os próximos anos, com o italiano se colocando como líder da equipe na pista, rebaixando Martin desta posição, o que teria desagrado ao espanhol, que foi campeão em 2024 com todos os méritos.

         E Francesco Bagnaia, bicampeão pela Ducati, pode estar também sendo rifado pelo time de Borgo Panigale, depois da péssima temporada de 2025. Para seu lugar, teria sido contratado Pedro Acosta, atualmente no time de fábrica da KTM. Nos testes da pré-temporada, “Pecco” pareceu se reencontrar com a moto italiana, e projetava uma temporada muito mais otimista, até com chances de, quem sabe, reverter a possível saída do time de fábrica. Contudo, a prova da Tailândia foi uma ducha de água fria para o italiano, que ficou abaixo das expectativas, sem conseguir explicar como a moto pareceu ficar tão diferente do que havia visto nos testes. Começaram a correr boatos de que Bagnaia deverá ir para a Aprilia em 2027, mas nada também confirmado oficialmente. Bagnaia ficou claramente desgastado na temporada do ano passado, não conseguindo nem disputar o título, enquanto Marc Márquez, recém-chegado na equipe de fábrica da Ducati, foi campeão de forma arrasadora. Pior foi que “Pecco” ficou longe de disputar até mesmo o vice-campeonato, que ficou com Álex Márquez, e ainda foi superado na reta final por Bezzecchi, da Aprilia, e até mesmo por Pedro Acosta, da KTM, terminando o ano de 2025 numa melancólica 5ª colocação que aparentemente jogaram por terra o crédito que Bagnaia tinha junto à Ducati pelos dois títulos conquistados, além do vice-título de 2024.

         Confirmada oficialmente a ida de Fabio Quartararo para a Honda, fica a dúvida se Joan Mir, campeão da temporada de 2020, seguirá no time. Nem ele nem Luca Marini estão confirmados no time oficial da Asa Dourada para a próxima temporada, de modo que isso deixa em aberto as possibilidades de quem irá compôr a dupla da Honda para o próximo ano.

 

PRIMEIRA ETAPA – A APRILIA DEITA E ROLA

Marco Bezzecchi marcou a pole-position da etapa da Tailândia e venceu a corrida principal com autoridade, não dando chance aos adversários.

 

         A primeira etapa da competição, disputada em Buriram, na Tailândia, reservou algumas surpresas para o início da temporada. A maior delas foi ver a Ducati, a favoritaça da pré-temporada, não conseguindo discutir a vitória na corrida principal, cujo triunfo ficou com Marco Bezzecchi, que só não venceu as duas corridas do final de semana porque caiu sozinho enquanto liderava a corrida sprint no sábado. Mas Bezzecchi marcou a pole-position com autoridade, e vinha firme nas corridas, mostrando que o desempenho não era “fogo de palha”: o italiano brigava pela liderança na prova sprint quando caiu sozinho, e na corrida principal, não deu chances a ninguém na briga pela vitória, obtendo a primeira vitória na temporada, e começando o ano na liderança do campeonato. E, se formos considerar as corridas principais de 2025, é a terceira vitória consecutiva da Aprilia, pois Bezzecchi também vendeu as duas corridas finais da temporada passada. Imaginava-se que a Aprilia poderia ser a principal ameaça à Ducati, mas ninguém esperava que as motos de Noale exibissem tal força logo de cara.

         A Aprilia, aliás, teve seu “momento Ducati” em Buriram: suas quatro motos ficaram nas cinco primeiras colocações na prova, tendo apenas Pedro Acosta, da KTM, como “intruso” no resultado da prova, com a Trackhouse, seu time satélite, terminando em 3º e 5º lugares, com Raul Fernandez e Ai Ogura. Jorge Martin, ainda se recuperando fisicamente, fez uma corrida bem satisfatória, terminando em 4º lugar, e visando melhor performance conforme for pegando mais o ritmo da competição, e esperando ter menos azares.

         Num dejá-vu incômodo, “Pecco” Bagnaia, que esperava deixar o turbulento 2025 para trás, se viu novamente às voltas com problemas em sua moto, sem explicações aparentes do que deu errado para voltar a ter os mesmos problemas do ano passado. O bicampeão foi apenas o 9º colocado, tanto na prova sprint quanto na corrida de domingo, o que não foi um bom sinal para o time, que também viu Marc Márquez não conseguir resistir à força de Marco Bezzecchi, e ainda abandonar a corrida com a roda traseira amassada e o pneu furado, obrigando-o a abandonar. Depois da excelente temporada de 2025, Álex Márquez também saiu da Tailândia de mãos abanando, com um desempenho sofrível.

         A próxima corrida, como mencionado, é aqui no Brasil, e quais disputas poderemos ver na pista? As cartas já foram embaralhadas na Tailândia, vamos ver o que acontecerá em Goiânia, ainda este mês...

De favorita a figurante em Buriram: pela primeira vez em 88 GPs, a Ducati não teve nenhuma moto no pódio da corrida principal.

 

EQUIPES E PILOTOS

 

EQUIPE

MODELO

PILOTOS (Nº)

Aprilia Racing

RS-GP26

Jorge Martin (89)

Marco Bezzecchi (72)

Lenovo Ducati Team

GP26

Francesco Bagnaia (63)

Marc Márquez (93)

Red Bull KTM Tech3

RC16

Maverick Viñalez (12)

Enea Bastianini (23)

Gresini Racing MotoGP

GP25/GP26

Fermín Aldeguer (54)

Álex Márquez (73)

LCR Honda

RC213V

Johann Zarco (5)

Diogo Moreira (11)

Monster Energy Yamaha MotoGP Team

YZR-M1

Fabio Quartararo (20)

Álex Rins (42)

Mooney VR46 Racing Team

GP25/GP26

Fabio Di Giannantonio (49)

Franco Morbidelli (21)

Prima Pramac Yamaha Racing

YZR-M1

Jack Miller (43)

Toprak Razgatlıoğlu (7)

Red Bull KTM Factory Racing

RC16

Brad Binder (33)

Pedro Acosta (37)

Honda Team

RC213V

Luca Marini (10)

Joan Mir (36)

Trackhouse MotoGP Team

RS-GP26

Raul Fernandez (25)

Ai Ogura (79)

 

CALENDÁRIO

Prova do Qatar, em Losail, pode ser cancelada devido à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

 

         O calendário desta temporada é praticamente igual ao calendário de 2025, com a ordem de algumas corridas tendo sido alterada, visando uma melhor logística do calendário da competição. Todas as provas continuam contando com as corridas sprints aos sábados, como vem sido feito nas últimas temporadas. O Grande Prêmio do Brasil retorna ao calendário, ocupando a vaga que era do GP da Argentina, que não conseguiu se manter na competição, e tenta voltar em 2027, provavelmente tendo como palco o Circuito de Buenos Aires, substituindo Thermas de Rio Hondo. Até o fechamento desta matéria, contudo, a expectativa era de cancelamento do GP do Qatar, na pista de Losail, diante da guerra promovida por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que tumultuou o ambiente no Golfo Pérsico, levando inclusive a fechamento do espaço aéreo, e complicando todas as operações aéreas na região. O Mundial de Endurance, que teria seu início de temporada na região, cancelou a corrida, que tentará ser realizada em outra data, o que também poderá acontecer com a prova da motovelocidade.

         E a temporada 2026 também marcará a despedida de Phillip Island como palco do GP da Austrália, que a partir de 2027 será disputado em Adelaide, no mesmo circuito que foi utilizado pela F-1 até 1995, com algumas alterações, o que dividiu as opiniões na competição, e fora dela.

 

DATA

ETAPA

CIRCUITO

01.03

Grande Prêmio da Tailândia

Chang

22.03

Grande Prêmio do Brasil

Goiânia

29.03

Grande Prêmio das Américas

Circuito das Américas (Austin)

12.04

Grande Prêmio do Qatar

Losail

26.04

Grande Prêmio da Espanha

Jerez de La Fronteira

10.05

Grande Prêmio da França

Le Mans

17.05

Grande Prêmio da Catalunha

Barcelona

31.05

Grande Prêmio da Itália

Mugello

07.06

Grande Prêmio da Hungria

Balaton Park

21.06

Grande Prêmio da República Tcheca

Brno

28.06

Grande Prêmio da Holanda

Assen

12.07

Grande Prêmio da Alemanha

Sachsenring

09.08

Grande Prêmio da Inglaterra

Silverstone

30.08

Grande Prêmio de Aragón

Aragón

13.09

Grande Prêmio de San Marino

Misano

20.09

Grande Prêmio da Áustria

Zeltweg

04.10

Grande Prêmio do Japão

Motegi

11.10

Grande Prêmio da Indonésia

Mandalika

25.10

Grande Prêmio da Austrália

Phillip Island

01.11

Grande Prêmio da Malásia

Sepang

15.11

Grande Prêmio de Portugal

Portimão

22.11

Grande Prêmio da Comunidade Valenciana

Valência

 

TRANSMISSÃO NO BRASIL E A VOLTA AO CALENDÁRIO E AO GRID

O Brasil está de volta ao calendário da MotoGP, e em Goiânia, onde a classe rainha do motociclismo estreou por aqui nos anos 1980.

 

         Os fãs da MotoGP continuarão a poder apreciar as disputas da classe rainha, bem como das categorias de acesso Moto2 e Moto3 através do Grupo Disney, com transmissão dos treinos e corridas ao vivo nos canais da ESPN da TV por assinatura, bem como pelo sistema de streaming Disney+, como já tem sido praxe nos últimos anos.

         Mas este ano teremos duas atrações a mais no que tange ao Brasil. A primeira delas é a presença de Diogo Moreira, trazendo ao grid da classe rainha do motociclismo novamente um representante após quase 20 anos da despedida de Alexandre Barros da competição, e que foi justamente o mentor de Diogo em sua mudança do motocross para as competições de autódromo. Campeão da Moto2, um título inédito para o motociclismo brasileiro, Diogo foi contratado pela própria Honda, e alocado na equipe satélite LCR, que mudou sua mentalidade depois de anos dando lugar a pilotos asiáticos, devido aos fracos resultados de Somkiat Chamtra no time no ano passado, superado com muita facilidade por Johaan Zarco.

         Na primeira corrida, Diogo fez uma classificação satisfatória, largando da 15ª posição do grid. Ele terminou em 13º a prova sprint, logo atrás de Zarco, numa estréia razoável, sem brilhar, mas também sem comprometer, o que não é ruim. Na corrida principal, que é o que importa, Moreira repetiu o 13º posto, marcando seus primeiros pontos na competição, cruzando a linha de chegada a aproximadamente 5s de Zarco, que foi o 11º colocado, mostrando que nesta corrida de estréia na competição a LCR não teve um desempenho muito forte, haja vista que a diferença para Johaan não foi grande. Diogo diz que, quanto mais tempo tiver pilotando, melhor para ir aprendendo todos os macetes do equipamento, e neste ponto, a pouca diferença de desempenho para Zarco é um indicativo de que ele foi bem, mesmo sendo novato na competição. A Honda de fábrica propriamente não teve também um resultado muito inspirador na etapa da Tailândia: Luca Marini foi o melhor classificado na prova principal, terminando a corrida em 10º lugar, recebendo a bandeirada menos de 1s à frente de Zarco.

         Mas, não apenas temos novamente um piloto brasileiro no grid, como o Brasil está de volta ao calendário da MotoGP, substituindo o Grande Prêmio da Argentina, que não conseguiu renovar seu contrato para permanecer no calendário. E o palco da motovelocidade será justamente o Circuito de Goiânia, que inclusive já sediou provas da modalidade, que estreou nosso país no calendário no distante ano de 1987, tendo sediado a corrida até 1989, quando então foi feita a última prova no circuito da capital do Estado de Goías. Em 1992, o Brasil voltou momentaneamente ao calendário, com a corrida ocorrendo em Interlagos. Em 1995, o Rio de Janeiro fez o Brasil voltar ao calendário, tendo sido palco do maior número de provas até então na classe rainha do motociclismo, com a última corrida sendo realizada em 2004. Desde então, o Brasil estava fora do calendário, até seu retorno este ano, e claro, capitalizando com a presença de Diogo Moreira no grid da competição.

         Aliás, justamente para esta prova, haverá transmissão na TV aberta, com a Bandeirantes a exibir a corrida, garantindo um alcance ainda maior da etapa nacional entre os fãs da motovelocidade.

Diogo Moreira foi campeão da Moto2, e fez sua estréia na MotoGP na prova da Tailândia, marcando seus primeiros pontos na competição. 

 
Pedro Acosta ficou com a vitória na prova sprint da Tailândia por uma punição controversa de Marc Márquez no final da corrida.

 

A Honda também tenta se reerguer na competição, mas o panorama na Tailândia não foi o esperado pelo time japonês.