
O Circuito de Goiânia marca o retorno da MotoGP ao Brasil após mais de vinte anos de ausência no calendário da competição.
Hoje começam os treinos oficiais da classe rainha do motociclismo, marcando o retorno do Brasil ao calendário da principal competição da motovelocidade, depois de uma ausência de mais de duas décadas da categoria. O palco é o Autódromo Internacional Ayrton Senna, circuito de Goiânia, capital de Goiás, que por coincidência, foi aqui que a motovelocidade, ainda no tempo das motos de 500cc na classe principal, disputou suas primeiras corridas do campeonato em terras brasilis, nos saudosos anos 1980. A primeira corrida foi disputada no dia 27 de setembro de 1987, e mesmo diante de más experiências com corridas na América do Sul, todos que compareceram gostaram das instalações e condições do circuito.
Apenas 18 pilotos participaram da corrida, com apenas 15 recebendo a bandeirada, com a primeira vitória de nosso GP indo para o australiano Wayne Gardner, do time oficial da Honda. Eddie Lawson, com Yamaha, foi o 2º colocado, seguido por Randy Mamola, também com a Yamaha da equipe Roberts. Foram apenas três edições do GP na pista de Goiânia, com Eddie Lawson vencendo a etapa em 1988, novamente com Yamaha, e Kevin Schwants, com Suzuki, em 1989. A prova de 1989 foi a última disputada aqui, colocando um hiato de quase 40 anos de diferença, até o retorno da competição da principal categoria do motociclismo mundial à pista da capital goiana.

A largada do primeiro Grande Prêmio Brasil de Motovelocidade, em 1987 (acima), que teve Wayne Gardner, da Honda (abaixo) como primeiro vencedor da corrida.
Em 1992, Interlagos sediou a corrida uma única vez, com vitória de Wayne Rainey, da Yamaha. As condições do circuito paulistano, com boa parte da reta dos boxes cercada de muros muito próximos, contudo, não oferecia boa segurança para provas de motovelocidade, fora a pista ser muito ondulada, razão pela qual Interlagos não permaneceu no calendário. Já em 1995, a motovelocidade retornaria ao Brasil, no Autódromo Internacional Nélson Piquet, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, circuito que sediaria o maior número de corridas da modalidade em nosso país, entre 1995 e 2004, com exceção de 1998. Foi nesse período que Valentino Rossi se tornou o maior vencedor da prova brasileira, com 4 triunfos, nas edições de 2000 a 2003, sempre competindo pela Honda. Alexandre Barros, nosso representante na competição à época, teve apenas dois momentos positivos em termos de resultados em sua corrida de casa. A primeira vez foi em 2000, quando terminou em 2º lugar, defendendo a equipe de Sito Pons, competindo com uma moto Honda. A segunda vez foi em 2004, justamente na última edição de nosso GP no calendário até então, que o brasileiro repetiu o resultado, terminando novamente em 2º lugar, agora pelo time oficial da Honda. Mas a etapa de 2000 foi antológica pelo duelo travado entre o piloto brasileiro e Valentino Rossi, com o italiano vencendo a parada, e a corrida, com Alexandre tendo que se contentar com o 2º lugar, na melhor oportunidade que tivemos de ver um brasileiro vencendo nossa etapa na competição maior da motovelocidade.
Sua primeira participação na classe principal tinha sido em 1992, em Interlagos, mas ele abandonou a corrida. Em 1995, no Rio de Janeiro, ele foi o 9º colocado. Em 1996, terminou em 5º. Nas edições de 1997 e 1999, novos abandonos nas provas. Em 2000, o primeiro pódio, seguido de um 4º lugar em 2001, terminando em 7º lugar em 2002, sendo o 8º colocado em 2003, e marcando a despedida da etapa nacional em 2004 com outro pódio em 2º lugar atrás apenas de Makoto Tamada, da equipe Pons/Honda. E agora, o Brasil volta ao calendário da competição.
O circuito passou por várias reformas para atender aos requisitos atuais de segurança da MotoGP, e felizmente, a pista foi aprovada. Chuvas intensas nesta semana chegaram até a alagar parte do circuito e das instalações, mas apesar dos problemas, as estruturas e sistemas de drenagem funcionaram bem a contento, não comprometendo a realização da corrida, que terá a prova sprint sendo disputada amanhã, e a prova principal, no domingo, ambas com largada para às 15:00 Hrs., e ambas as provas com transmissão na TV aberta, pela Bandeirantes, além da tradicional transmissão de treinos, classificação e provas pelo canal pago ESPN, e pelo Disney+.
O circuito de Goiânia tem 3,84 Km de extensão, com um total de 14 curvas, sendo nove à esquerda, e cinco à direita, na configuração que será usada pela MotoGP. Por seu traçado ser menor que muitas pistas, a corrida de domingo terá um total de 31 voltas. O destaque é a reta principal, onde estão os boxes, e a linha de chegada e largada, que possui entre 950 a 994 metros, onde deverão se dar as principais disputas de posição, com as freadas para a primeira curva. A primeira curva, não por acaso, é considerada potencialmente a mais desafiadora do circuito para a competição de motos, por envolver o maior ponto de freada do circuito, onde, pelas estimativas, os pilotos precisarão reduzir de mais de 330 Km/h para menos de 120 Km/h.
A Ducati chega ao Brasil com a missão de tentar se recuperar do impacto sofrido na etapa inaugural da competição, na Tailândia, onde viu a Aprilia, que tinha tudo para ser a principal desafiante, assumir de mala e cuia o favoritismo que se imaginava ser de sua compatriota. Marco Bezzecchi marcou a pole-position com autoridade, e só não venceu as duas corridas do fim de semana porque errou e caiu sozinho quando liderava a prova sprint no sábado. Mas o italiano não deixou a peteca cair, e fez uma corrida impecável no domingo, assumindo a dianteira e não dando chance aos rivais. E que final: as quatro motos da Aprilia terminaram nas 5 primeiras colocações, contando o time de fábrica, e a equipe Trackhouse, satélite da fábrica de Noale, tendo como único “intruso” Pedro Acosta, da KTM, que foi o 2º colocado. Na corrida principal, Marc Márquez estava com dificuldades para brigar pelo pódio, mas estava na briga para tentar a 3ª colocação, até ter um dano na roda traseira, e furo consequente do pneu, abandonando. A melhor Ducati na bandeirada foi a de Fabio Di Giannantonio, da equipe VR46, a pouco mais de 16s do vencedor Bezzecchi. Seu companheiro de time, Franco Morbidelli, foi 8º, com o bicampeão “Pecco” Bagnaia, do time de fábrica da Ducati, apenas em 9º. Na Gresini, outro time satélite da Ducati, Michele Pirro foi o último colocado a receber a bandeirada, em 19º, substituindo o lesionado Fermin Aldeguer, enquanto Álex Márquez, vice-campeão do ano passado, abandonou.
Líder do campeonato, Marco Bezzecchi, obviamente, quer manter o bom momento, e seguir na dianteira do campeonato. Mas, justamente por ser um circuito novo, todos os times e pilotos precisarão “descobrir” os segredos da pista brasileira, o que pode, em tese, levar a novas surpresas. A Ducati, claro, afirma que o ocorrido na Tailândia não deve se repetir aqui, e que deve vir firme e forte para a disputa, com o objetivo de retomar o favoritismo que a pré-temporada conferiu ao time italiano. Falta combinar com a concorrência, claro, e pelo sim, pelo não, Marc Márquez comparou a pista brasileira com a de Barcelona, na Espanha, para enfatizar que é um circuito onde não costuma ir bem, talvez tentando tirar qualquer pretensão de favoritismo para a etapa brasileira. Bagnaia, por seu lado, manifestou preocupação com o elevado número de voltas do GP, pela extensão mais curta do circuito. Enfim, depois de chegarem em Buriram como grandes favoritos, e saírem de lá com resultados muito aquém do esperado, a Ducati prefere esperar os resultados na pista para ver o que irá ocorrer de fato. E os rivais, lógico, vão querer continuar aproveitando o momento, e procurar tirar o máximo proveito, em especial a Aprilia, depois do bom momento vivido na corrida de estréia da temporada, e procurar manter a pressão para impedir uma recuperação rápida das motos de Borgo Panigale na pista.
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| Diogo Moreira faz sua segunda corrida como titular da LCR na MotoGp justamente aqui no Brasil. |
Praticamente novato na competição, Diogo tem objetivos modestos para a prova caseira, que será marcar pontos. A LCR é um time satélite, e a Honda está em um momento de reconstrução na MotoGP, reconquistando aos poucos a performance que a fez uma das equipes mais vitoriosas na década passada, onde até mesmo o time oficial de fábrica enfrenta dificuldades para batalhar pelas primeiras posições. A LCR obteve uma vitória na temporada passada, com Zarco, em Le Mans, na França, com o piloto francês tendo seu momento pessoal de glória em casa, mas a corrida foi marcada pela chuva, que bagunçou as estratégias de equipes e pilotos, e Zarco foi quem melhor lidou com a situação, mesmo que sua moto não fosse a melhor da competição. Mas, em condições normais, dificilmente Diogo terá condições de batalhar pelos primeiros lugares. E ele mesmo tem dito que precisa se familiarizar mais com seu equipamento, como qualquer novato na competição.
Isso não quer dizer que um resultado de monta seja impossível. Será apenas difícil, não impossível, e muitas das variáveis que podem oferecer uma oportunidade que permita um resultado muito acima da média estão fora do controle do brasileiro.
De qualquer forma, só o retorno da MotoGP ao Brasil já é uma grande vitória. E que a classe rainha do motociclismo, bem como suas categorias de acesso, tenham vindo para ficar por muito, muito tempo, para alegria dos fãs da motovelocidade e velocidade, propriamente...
A Mercedes conquistou nova dobradinha na etapa da China, segunda prova da temporada atual da F-1. Mas a vitória foi de Andrea Kimi Antonelli, que marcou a pole-position com categoria, e liderou a corrida quase de ponta a ponta, aproveitando os percalços de George Russell, que quase não conseguiu se classificar no Q3, quando seu carro sofreu um “apagão” durante a fase do treino. Russell, que havia vencido a prova sprint, conseguiu se recuperar para largar em 2º no grid, mas novamente teve que duelar com a Ferrari durante boa parte da primeira metade da corrida, e quando assumiu de vez a 2ª colocação, Antonelli já tinha uma vantagem bem razoável, e não foi alcançado pelo inglês, que ainda saiu de Shangai na liderança do campeonato, com 4 pontos de vantagem para Andrea. E A Ferrari mostrou um bom duelo entre sua dupla de pilotos, com Lewis Hamilton vencendo a briga com Charles LeClerc, e conquistando seu primeiro pódio oficial com a equipe de Maranello. O time italiano já tinha obtido um bom resultado na prova sprint, com o 2º e 3º lugares, com LeClerc à frente de Hamilton. O ponto negativo da etapa foi o “apagão” duplo que tirou a McLaren da corrida logo antes da largada, e o desempenho aquém do esperado da Red Bull, que em momento algum teve desempenho para permitir a seus pilotos brigar pelas primeiras colocações, e forçando Max Verstappen ao abandono por problemas nos sistemas eletrônicos do RB22. Quem também ficou pelo caminho antes mesmo de largar foram Alexander Albon (Williams) e Gabriel Bortoletto (Audi), o que fez com que seus respectivos times disputassem a prova chinesa com apenas um carro cada uma.
A Formula-E está de volta à Espanha, e a uma nova pista no calendário da competição de carros monopostos totalmente elétricos: o Circuito de Jarama, que será o palco para o ePrix de Madrid, que será disputado neste sábado, com largada prevista para as 11:00 Hrs. da manhã, com transmissão ao vivo pelo canal pago Bandsports e pelo site Grande Prêmio (www.grandepremio.com.br), em seu canal no You Tube, e na sua GPTV. A pista tem um traçado total de 3,934 km com 14 curvas. Localizado em San Sebastián de los Reyes, a aproximadamente 32 quilômetros ao norte de Madrid, a pista de Jarama já fez parte do calendário da F-1, tendo sediado o Grande Prêmio da Espanha por nove vezes entre as temporadas de 1968 e 1981, quando esteve presente pela última vez na competição, e também tendo recebido o Grande Prêmio da Espanha de Motovelocidade em 15 ocasiões. A pista foi projetada por John Hugenholtz, o gênio por trás de circuitos como Suzuka, no Japão; Zolder e Nivelles, na Bélgica, entre outras pistas conhecidas do mundo do desporto. Apesar de estar fazendo sua estréia oficial no calendário da F-E, a pista não é desconhecida da categoria, tendo recebido os testes de pré-temporada em 2024, depois que chuvas torrenciais comprometeram a região de Valência, na mesma Espanha, onde seriam realizados os testes no Circuito Ricardo Tormo, que embora não tivesse sido afetado pelos temporais, foi utilizado como ponto de apoio às unidades de socorro e resgate aos atingidos pelas enchentes, o que motivou a mudança para a pista de Jarama. A única alteração para o ePrix de Madri foi a introdução de uma chicane a meio da reta dos boxes, para os fins de recuperação de energia dos carros.
Uma das novidades para a corrida da F-E neste final de semana será o uso do Pit Boost na prova. Utilizado apenas em rodadas duplas, e mesmo assim, em apenas uma das corridas, a fim de promover diferenciação e variedade entre as provas de um mesmo fim de semana, é a primeira vez que o recurso será visto em uma corrida simples na competição. O pit boost é uma parada obrigatória nos boxes onde será feita a recarga das baterias dos carros, de cerca de 30 segundos, para obter um aumento de 10% na carga do bólido, que poderá ser usada posteriormente na prova, diversificando as estratégias de equipes e pilotos na corrida. Outra novidade é que a categoria realizará o Teste de Novatos em Jarama, no domingo, dia 22. Será a primeira vez também que este teste será realizado em Jarama, ao invés de Berlim, como vinha sendo feito nos últimos anos, que consiste em sessões de testes coletivos para todos os times, mas apenas com pilotos que nunca competiram oficialmente na F-E, seja para avaliar novos talentos emergentes, ou oferecer quilometragem a pilotos de seus programas de desenvolvimento, além de abrir portas para nomes mais experientes que já fizeram carreira em outras categorias diversas que tentam uma possível vaga no campeonato elétrico. Foi nestes testes, por exemplo, que Felipe Drugovich começou a chamar atenção da categoria, guiando o carro da Maserati, que lhe valeu o teste para substituir Nyck De Vries na Mahindra no ano passado, e que hoje ele se tornou piloto titular da Andretti na competição.



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