
Oscar Piastri terminou a sexta-feira com o tempo mais rápido, mostrando que a McLaren vai brigar na frente na nova temporada.
E começaram os treinos
para o Grande Prêmio da Austrália, e Fórmula 1 dá a largada para a temporada de
2026. A pista do Albert Park sedia mais uma abertura de campeonato, e as
expectativas são altas para o ano, diante do novo regulamento técnico, e dos problemas
que o novo regulamento pode trazer para times e pilotos.
A McLaren terminou o dia com o melhor tempo de Oscar Piastri no segundo treino livre, mas Lando Norris teve vários percalços, e não acompanhou o ritmo do australiano, que teve lá sua dose de problemas, ainda que menores do que o atual campeão do mundo, que perdeu a maior parte do primeiro treino livre vendo o time resolver problemas em seu monoposto. Mas mesmo o tempo obtido por Piastri, embora encorajador, não significa que a McLaren seja a favorita, apenas que está na briga por bons resultados, e que se Piastri foi para a ponta, Norris tem condições de buscar um bom tempo também. Se o time de Woking tiver resolvido todos os seus percalços, parece que ele estará em plena forma de defender os títulos conquistados no ano passado. Mas, diferente do que vimos em 2025, a disputa este ano pode ser mais ferrenha e acirrada, de modo que os carros papaias poderão meter medo, mas não serão os favoritos destacados. Isso seria interessante para a competição, com uma disputa mais parelha e competitiva, justo em um momento onde o novo regulamento técnico precisa ser colocado à prova, depois de tantas promessas feitas em nome de melhorar o show da competição e evitar um domínio acachapante de uma única escuderia.
Mas quem parece assustar é a Mercedes, que colocou Andrea Kimi Antonelli e George Russel logo atrás, e aparentemente, sem forçar tudo o que eles podem andar. Os carros prateados foram até um pouco discretos no primeiro treino livre, mas começaram a mostrar as garras no segundo, e fica a expectativa de qual é a força real do time alemão, o que em teoria poderá ser exibido no terceiro treino livre, onde todo mundo começa a caprichar nos ajustes para a classificação. A dupla prateada mostrou força no ritmo de corrida, e tudo indica que eles vão mesmo brigar pela vitória em Melbourne, com os dois pilotos tendo tempos bem próximos no TL2. Charles LeClerc, por exemplo, não se furtou a declarar que os carros prateados são os favoritos, e ele não é a única pessoa no paddock com esta opinião, portanto, é preciso ficar atento às flechas de prata desde já, se não quiserem ser surpreendidos, em que pese a dúvida ser quão favoritos eles podem de fato ser, e como poderão ser enfrentados. Depois de penar nas últimas quatro temporadas com os carros de efeito-solo, ver a Mercedes posar novamente de favorita lembra como o time assustou quando ouve a mudança de regras técnicas em 2014, com o início da nova era híbrida da F-1, com os carros prateados arrepiando os concorrentes, o que se confirmou no início do campeonato, onde os carros prateados pareciam ocupar uma categoria à parte dentro da F-1, massacrando a concorrência.

Tentando andar forte: Max Verstappen chegou até a escapar da pista e por pouco não bateu, mostrando que a Red Bull vai precisar melhorar.
A Ferrari confirma que
vem forte, mas o time vermelho prefere ainda manter as expectativas no chão,
diante da percepção de que a Mercedes está escondendo o jogo de sua verdadeira
força. Mas, se Charles LeClerc mostrou a habitual velocidade, ver Lewis
Hamilton também dando o ar da graça oferece possibilidades da escuderia de
Maranello voltar a ter uma performance sólida, podendo brigar pelas primeiras
posições. O ritmo dos carros vermelhos de fato pareceu bem firme, mas como
LeClerc falou, é preciso ver o que acontece quando a Mercedes liberar toda a
sua cavalaria, e não se pode descartar a força da McLaren, o que em teoria deve
deixar a Ferrari como possível terceira força na competição, ainda a ser
comprovado de fato. E depois de uma temporada de muitas promessas e resultados
apenas medianos como foi 2025, eles andam ressabiados em dizer o que esperam
conseguir, até ver tudo preto no branco, na classificação e na corrida, para
verem do que realmente serão capazes de fazer ou não. Até para evitar novos
estresses com os tiffosi, que até que foram compreensivos no ano passado, mas
podem não ter a mesma paciência, ainda mais pela escuderia ter sacrificado
desenvolver o carro na temporada passada para justamente vir com tudo este ano,
então, devagar com o andor...
A Red Bull, aliás, merece elogios pelo trabalho competente de sua nova unidade de potência, em que pese o time precisar ainda mostrar um pouco mais de velocidade. Max Verstappen até teve uma saída de pista mais ousada, tentando arrancar mais tempo em sua melhor volta, que ficou a pouco mais de 0s6 do tempo de Piastri, indicando que será preciso trabalhar mais no fim de semana. Um panorama que não deve ser visto como indicação de que o time dos energéticos pode estar fora da briga, porque em vários momentos eles já tiveram treinos de sexta complicados para conseguirem resolver parte dos problemas no sábado, e até brigar pela vitória. O ponto positivo é que Isack Hadjar parece indicar que a Red Bull fez um carro “funcional” para os dois pilotos, pois em boa parte do tempo, Hadjar andou no ritmo de Verstappen, e até um pouco à frente. Sem Helmut Marko fungando no cangote, a nova administração da escuderia, sob a batuta de Laurent Mekies, parece mais propensa a manter um clima positivo com os pilotos, fazendo cobranças de performance mais equilibradas e coerentes, e não intimidando e descendo o sarrafo como Marko e Christian Horner estavam acostumados a fazer. Isack não precisa superar Verstappen, apenas andar no nível, ou pelo menos próximo, o que já será muito, muito bom para ele.

Único novato na temporada, Arvid Lindblad já chegou causando forte impressão logo de cara nos treinos livres com a Racing Bulls.
A Audi teve uma
sexta-feira positiva, colocando-se potencialmente em luta direta com a Haas e
Racing Bulls pela posição de líder do segundo pelotão do grid. Estebán Ocon e
Oliver Bearman andaram bem, confirmando os prognósticos da pré-temporada. O
time B dos energéticos surpreendeu com Arvid Linblad, confirmando o grande
talento do novato, que fará seu primeiro GP de F-1 neste final de semana. O
novato chegou a figurar no TOP-10 em vários momentos do treino, já colocando
tempo em Liam Lawson, mostrando o acerto de sua promoção para o lugar que era
de Isack Hadjar. E a Audi, mesmo adotando uma postura prudente, sem se empolgar
com os resultados que poderia alcançar, mantendo a sobriedade e prudência,
chegou até a impressionar com Gabriel Bortoleto no primeiro treino livre, e
terminou o TL2 em posição que lhe permite sonhar um pouco mais à frente,
mostrando um trabalho sólido e consciente, de um início que tem tudo para ser o
primeiro passo de uma grande jornada da marca na categoria máxima do
automobilismo. Nico Hulkenberg também andou par a par com Gabriel, mostrando
que estas três escuderias podem promover um duelo dos mais interessantes pelo
meio do grid da competição.
A Williams confirmou que vai precisar trabalhar bastante. O ritmo do carro de fato não é o esperado, e os projeto do time avançar parece realmente ter sofrido um revés inesperado, para não mencionar que seus pilotos tiveram alguns perrengues com o carro, sendo que Albon até parou com o carro completamente sem força em determinado momento do treino. A Alpine também parece precisar mostrar serviço, porque também ficou devendo nesta sexta-feira. E a Cadillac mostrou que o fato de ser novata está pesando, mas em termos de vexame, a nova escuderia da competição está longe de ser o maior mico do momento...
Infelizmente, a Aston Martin confirmou as más expectativas que já vínhamos tendo na pré-temporada, e deve até desfalcar a competição, correndo risco de nem conseguir se classificar para a corrida, diante da regra do tempo necessário de largada ficar no máximo a 107% do tempo do pole-position. O time esmeralda até tentou entrar na pista hoje, mas como já se previa, não conseguiu dar muitas voltas, e as melhores que tanto Fernando Alonso quanto Lance Stroll conseguiram dar ficaram muito abaixo do esperado. A Honda não conseguiu prover as peças de reposição suficientes para sua unidade de potência e o sistema de baterias, e Adrian Newey ainda fez uma reunião para pronunciar a posição dramática da escuderia, que infelizmente está longe de qualquer condição de competitividade e fiabilidade técnica para este final de semana. Não apenas tiveram problemas nos carros mas também no sistema híbrido, de modo que no restante do fim de semana eles tentarão apenas cumprir o mínimo possível para tentar justificar sua participação, e procurar coletar todos os dados possíveis da parca participação, a fim de tentar capitalizar o máximo possível com um fim de semana catastrófico.

Aston Martin: problemas a rodo, sem confiabilidade no carro, e na unidade de potência. E foi só os primeiros treinos oficiais de sexta-feira...
De ressaltar Adrian
Newey expôr todos os problemas de forma tão aberta e sincera sobre os problemas
da escuderia, com algumas declarações contundentes a respeito das condições da
Honda de quando eles assinaram o contrato para fazerem da Aston Martin o seu
novo time oficial na F-1, chegando a dizer claramente que naquelas condições
nunca teria firmado um acordo com os japoneses, pelo menos, não para estrear a
parceria este ano. Especialmente agora que se comprova, cada vez mais, que os
propulsores da Mercedes parecem ser de fato os melhores de todo o grid, e que
acabaram descartados pela escuderia inglesa em prol das unidades de potência
nipônicas, que junto da Red Bull, tiveram muito sucesso nestes últimos anos com
a Red Bull. Uma decisão que obviamente não foi tomada por Newey, que só chegou
à Aston Martin no ano passado, e teve que trabalhar com o que havia por lá, e o
que lhe foi prometido para 2026.
A F-1 deu suas primeiras aceleradas. Agora, vamos ver quem chegará na frente neste domingo...
Reginaldo Leme está em Melbourne, trabalhando como comentarista para a rádio Bandnews, na transmissão do GP da Austrália de F-1. O veterano jornalista, com mais de 500 corridas presenciais de cobertura, recebeu da Liberty Media uma credencial vitalícia, que lhe permite comparecer a qualquer GP que desejar, um benefício concedido a poucos jornalistas, diante de sua relevância na cobertura esportiva da categoria ao longo de sua história, e mesmo tendo declarado sua “aposentadoria” das transmissões de TV, até porque a F-1 voltou para a Globo, e ele segue no Grupo Bandeirantes, ele certamente ainda estará presente em alguns GPs para novas coberturas, agora pela rádio.
A guerra no Oriente Médio, entre Estados Unidos e Israel contra o Irã coloca as corridas de abril na berlinda. O Bahrein é uma nação insular localizada no Golfo Pérsico, e abriga uma base militar dos Estados Unidos, e o diminuto tamanho da nação barenita a torna um alvo potencial sem condições de oferecer segurança necessária para a realização de um GP. A corrida em Jeddah, na Arábia Saudita, por outro lado, por se situar junto ao Mar Vermelho, poderia ter condições de ser realizada, mas mesmo assim, as possibilidades maiores sejam de não arriscar junto à segurança de todos. Não haveria problemas de cancelamento das duas corridas, por serem promovidas pelos governos, que mantém boas relações com a F-1, e teriam condições de arcar com os prejuízos de não-realização das provas. A possibilidade das duas provas serem substituídas, como chegou a se aventar esta semana, não é considerada viável, devido a questões logísticas e de planejamento comercial. Arregimentar duas novas corridas, de última hora, a poucas semanas de sua eventual realização, exigiria esforços de promoção, venda de ingressos, transporte de material, etc, providências que a categoria precisa realizar e agendar com bastante antecedência. Uma decisão a respeito precisa ser tomada com bastante antecedência também, no assunto. Pela programação inicial, os equipamentos da competição seriam embarcados em Nagoya, após o GP do Japão, com destino a Manama, no Bahrein, para a prova em Sakhir, e de lá, deslocados para Jeddah, para só então serem redespachados para a Europa. Se as duas provas forem canceladas, a F-1 precisará readequar a logística de transporte. Alguns falam de já mandar todo o equipamento para Miami, próxima etapa do calendário, no início de maio, deixando todo o mês de abril sem etapas. Outros falam que, devido a esse intervalo, talvez a categoria crie uma sessão extra de testes em alguma pista da Europa a fim de que as escuderias e pilotos possam se aprofundar em compreender melhor os novos carros, o que viria a calhar para times como Aston Martin e a Cadillac, que enfrentam problemas com o ritmo de seus carros, em especial o time de Silverstone, que teria uma folga mais do que bem-vinda para tentar resolver a situação crítica em que se encontra com os problemas de seu carro, mas principalmente de sua nova unidade de potência da Honda. Uma decisão será tomada antes do GP do Japão, e claro, também vai depender da situação dos combates no Oriente Médio, em que pese ninguém seja capaz de afirmar o que poderá acontecer efetivamente. O aeroporto de Doha, no Qatar, segue fechado, enquanto em Dubai, os vôos foram retomados apenas parcialmente, com o estabelecimento de corredores de segurança aérea que podem ser revogados se a situação escalar. A situação é acompanhada com atenção por todos, a fim de avaliar as condições e riscos, a fim de poderem ter todas as informações pertinentes para tomar a melhor e mais sensata decisão de todas.
A Indycar já disputa sua segunda corrida neste final de semana, no circuito oval de Phoenix, no Arizona. O pequeno circuito trioval de uma milha volta ao calendário da competição em substituição ao oval de Iowa, que sem patrocinador, caiu fora do calendário na atual temporada. Caio Collet, depois de uma estréia modesta, mas segura, em São Petesburgo, tem o seu primeiro desafio em pista oval da temporada, e pelo menos, uma das sessões de testes da pré-temporada da competição foi nessa pista, de modo que o brasileiro já conhece a pista com seu atual carro de competição. Mas teste é teste, e corrida é corrida, e portanto, tudo pode acontecer, e Caio precisará saber como evitar as armadilhas que um circuito deste tipo pode oferecer. Vamos ver como ele se sai em sua segunda prova do campeonato. Mas Caio não deu sorte na classificação, e larga apenas em 23º. David Malukas garantiu sua primeira pole-position pela Penske, e sai na frente no pequeno circuito oval, ao lado de Josef Newgarden, garantindo uma primeira fila toda da Penske no Arizona. Mas a surpresa foi a equipe Rahal/Leterman/Lanigan, que monopolizou a segunda fila, com Graham Rahal e Mick Schumacher, na melhor classificação do time em muito tempo. E a nova fase de Will Power defendendo a Andretti definitivamente começou com o pé esquerdo. Depois de bater nos treinos em São Petesburgo, e ter novos problemas na corrida, quando tocou o muro com a parte traseira do carro e comprometeu qualquer chance de um bom resultado, o australiano bateu de novo, agora em Phoenix, e vai largar na penúltima fila, à frente apenas de Felix Rosenqvist, que também bateu com seu carro. A corrida tem largada programada para este sábado, a partir das 17:00 Hrs., com transmissão ao vivo da Bandeirantes em TV aberta, e do ESPN na TV por assinatura, bem como do sistema de streaming Disney+.
Nenhum comentário:
Postar um comentário