sexta-feira, 28 de agosto de 2026

FÓRMULA-E 2026 – UM BALANÇO MUITO BOM

Pascal Wehrlein se tornou o segundo bicampeão da história da Formula-E, repetindo o feito de Jean-Éric Vergne.

            A Formula-E encerrou sua 12ª temporada há duas semanas atrás, coroando um novo bicampeão, mas acima de tudo, o sucesso da competição de carros monopostos elétricos, que encerrou com louvores a era dos carros Gen3, e agora prepara-se para uma nova revolução com os novos carros Gen4, que serão os mais velozes e potentes bólidos de competição puramente elétrica do planeta, a começar no final do ano. E, como de costume, muita gente ainda torce o nariz para o certame, mas não há como negar que, apesar de tudo, a F-E tem conseguido entregar um espetáculo melhor do que muitas outras categorias, que só ficam à frente diante do nome e fama que possuem, e não seria exagero dizer que a própria F-1 anda devendo no quesito show, se comparado ao certame de carros monopostos elétricos, por mais que muitos retruquem esse tipo de comparação.

            Se na F-1 a competição é mais previsível, não se pode dizer o mesmo da F-E. Cada início de campeonato sempre pode ser uma surpresa, no que tange a quem vai dar as cartas na temporada, sendo que mesmo a primeira corrida por se mostrar equivocada na imagem que apresenta. Jake Dennis, da Andretti, por exemplo, venceu a primeira corrida, em São Paulo, mas só foi retomar a briga pelo título na reta final da temporada, depois de alguns percalços onde parecia que o inglês não estaria na briga.

            Em termos de competitividade e imprevisibilidade, a competição continua oferecendo muitas surpresas e resultados inesperados. Mesmo que o título tenha ficado com um piloto de um time “grande” (Porsche), a F-E chegou para a rodada final em Londres, no Excel Arena, com nada menos que 4 pilotos aptos a conquistarem efetivamente o título da temporada, ainda que quase o dobro tivesse chances “apenas matemáticas”, o que mostra como a competição poderia ser ainda mais pulverizada. E, na corrida final, três pilotos ainda estavam na briga. E, durante a prova, a situação foi mudando de forma que pelo menos dois deles poderiam ter levado o título, enquanto o outro ainda precisava de uma combinação mais forte de resultados para ser efetivamente campeão.

A Nissan decai neste campeonato, e Oliver Rowland não conseguiu defender seu título como gostaria.

            E a temporada, claro, novamente deixou um ar de equilíbrio geral que ninguém pode reclamar em si, mesmo que, no cômputo geral, não tenham brigado pelo título. Dos times na competição, apenas a Envision não subiu ao degrau mais alto do pódio, com todos os demais times conseguindo saborear o degrau mais alto do pódio durante o ano. Dos pilotos no campeonato, 11 deles venceram corridas no ano, número impressionante, pois mais da metade do grid recebeu a bandeirada de chegada em primeiro lugar em algum momento, o que dá um percentual de 55% de vencedores no ano. Ninguém pode desprezar tal feito, mesmo que aleguem que a maioria não brigou pelo título da competição.

            A Porsche, claro, foi a marca com o maior número de vitórias no ano: nada menos que 7 triunfos foram averbados pela fábrica alemã, sendo quatro delas com seu time de fábrica. Duas foram com a Andretti, e uma com a Kiro. A Jaguar venceu quatro provas, todas com seu time oficial de fábrica. A Stellantis triunfou em duas provas, dividindo um triunfo para a Citroen, e o outro para a DS Penske, ambas utilizando o trem de força da empresa, dividida em suas marcas. A Mahindra também conquistou dois triunfos, voltando a vencer depois de uma longa ausência, enquanto Nissan e Lola/Yamaha ficaram com apenas uma vitória cada uma. Para a marca nipônica, campeã na temporada anterior com Oliver Rowland, um resultado decepcionante para quem precisava defender o título de pilotos conquistado. Para a Lola e a Yamaha, um feito praticamente histórico em um a categoria de ponta, que não será esquecido tão cedo nos anais do esporte a motor.

            Pascal Wehrlein foi o piloto com maior número de vitórias no ano, com três triunfos, o último deles na discutida primeira prova de Londres, diante da estratégia da Porsche de usar Nico Muller para “trancar” todos os adversários atrás de si, e garantir o triunfo do companheiro de equipe. Muller, aliás, parece ter cativado mais o time por sua disposição de ser “apenas” segundo piloto de Wehrlein do que pelos resultados, embora o alemão tenha garantido sua presença no degrau mais alto do pódio em Berlim, quando venceu a primeira prova do final de semana, e tenha pontuado com relativa constância em boa parte do campeonato, mas quase sempre em posições inferiores às de Pascal, mas que certamente deveria ter rendido mais, se levarmos em conta o desempenho que seu antecessor, Antonio Felix da Costa, obtinha na escuderia de Sttutgart. Mas deu para o gasto, especialmente para Wehrlein, que teve um colega de time que não desafiou sua posição na escuderia.

A Jaguar conquistou o título de equipes, mas perdeu o de pilotos, mas andou forte em várias corridas.

            A Jaguar teve um início de temporada meio complicado, com seus pilotos tendo diversos problemas e percalços, mas recuperou-se e foi à luta, com Mith Evans chegando como único piloto a não ter sido campeão para a rodada final dupla em Londres, e pronto a quebrar a escrita. Antonio Felix da Costa teve um ano atribulado, mas brilhou na Jaguar também, e foi peça central, à sua maneira, na decisão do título na corrida final, quando também “trancou” parte da concorrência para tentar ajudar Evans a chegar ao título. Mas o neozelandês já tinha perdido tempo útil considerável para terminar em posição aquém da necessária para ser campeão. Restou o consolo do título do campeonato de equipes, superando a Porsche justamente nesta etapa final de campeonato. Foram duas vitórias de cada um dos pilotos, consolidando a Jaguar na posição de uma das forças da temporada, e a única equipe, além da Porsche, a vencer com seus dois pilotos.

            Jake Dennis terminou vice-campeão com uma campanha meio irregular a meio da temporada, uma vez que a Andretti teve algumas instabilidades no ano, mas que Dennis soube driblar parcialmente, tendo Felipe Drugovich, o novo contratado, sentido mais estes problemas de performance, em boa parte por seu desempenho ainda como novato na competição, em outros diante dos problemas da escuderia. A Andretti encerrou sua parceria com a Porsche no fornecimento de trens de força, depois de vários atritos com a marca alemã, e por pouco não saiu vitoriosa no duelo de pilotos, visto que Pascal Wehrlein levou o título por meros 5 pontos, e devido a uma batida do próprio Pascal que atingiu o carro de Jake durante a prova final no Excel Arena que deu muito o que falar sobre isso.

            E a Mahindra? O time indiano confirmou sua recuperação, e chegou a vencer duas corridas, mas vejam só: os triunfos vieram com Nyck De Vries, recuperando sua imagem de piloto na competição, depois da passagem malfadada pela F-1, e regresso titubeante à F-E, onde havia sido campeão com a Mercedes. Edoardo Mortara, desde o início da temporada, sempre foi o piloto com mais oportunidades criadas na disputa do campeonato, com chances até de brigar pelo título, inclusive com várias poles em diversos ePrix. Mas o suíço nunca conseguiu converter as boas posições de classificação em resultados firmes, e não foram poucos os momentos onde Mortara passou de favorito a azarão, e onde De Vries, de azarão, se viu agraciado por aproveitar melhor as oportunidades e voltar a vencer. Mortara ainda perdeu na última prova a 4º posição no campeonato para Oliver Rowland por justamente não ter uma vitória sequer, contra uma do inglês, mesmo tendo terminado empatados em pontos. A Mahindra já teve oportunidades de brigar pelo título, mas negava fogo na reta final, e parece não ter conseguido se livrar desse carma, depois de cair para o fim do grid e dar duro para voltar a ser competitiva na F-E. A escuderia terminou em 3º lugar na classificação de equipes da categoria, perdendo apenas para Jaguar e Porsche.

Nova esperança brasileira na categoria, Felipe Drugovich teve um ano de altos e baixos, mas conseguiu convencer e seguirá na equipe Andretti na próxima temporada.

            A Nissan decaiu em relação ao campeonato passado, mas a regularidade e capacidade de Oliver Rowland, o campeão reinante, fez o britânico se manter vivo na disputa pelo título até a penúltima etapa, tendo inclusive conquistado uma vitória no ano. Norman Nato, por outro lado, foi novamente uma negação no time, sendo dispensado ao fim desta temporada. Uma decisão da Nissan que se mostrou totalmente equivocada, tendo sido influenciada, à época, por um bom resultado de Nato no WEC, fazendo o time renovar com o francês, e desprezando os esforços de Sérgio Sette Câmara, que preferiu deixar o posto de reserva do time japonês para tentar buscar oportunidades melhores para o futuro. Nato foi ainda mais incipiente este ano do que na temporada passada, e isso já mostrava um panorama nítido de que o piloto não estava rendendo, e a nova oportunidade foi desperdiçada pela quase completa falta de resultados demonstrados.

            Felipe Drugovich, estreando como piloto titular da Andretti, sofreu o drama de ser novato na competição no princípio como se esperava, inclusive tendo alguns resultados comprometidos por punições decorrentes de infrações das regras, que roubaram alguns momentos de grande desempenho do piloto brasileiro, que além de ter de aprender a gerenciar com mais cuidado os sistemas de energia do carro da categoria, também se viu no confronto com Jake Dennis em grande desvantagem. Felipe, contudo, demonstrou grande crescimento durante o ano, ainda que os resultados não tenham vindo como se esperava. Mas um belo pódio em Mônaco, além de uma pole-position na etapa de Sanya, onde sempre andou entre os primeiros, confirmaram o potencial de Drugovich, com a Andretti vendo nele o talento que tanto os impressionou, a ponto de renovarem o seu contrato para a próxima temporada sem maiores problemas. Pesou contra Drugovich também uma certa irregularidade da equipe Andretti em algumas provas, onde Felipe acabou largando muito atrás, e tendo dificuldade de efetuar provas de recuperação com a desenvoltura necessária, resultando em terminar o ano apenas em 14º lugar, com 65 pontos. Com a estréia dos novos carros Gen4, Felipe entra em igualdade de condições com todos os demais pilotos do grid, podendo desenvolver melhor sua pilotagem na competição.

            Mesmo possuindo o eficiente trem de força da Jaguar, a Envision pouco mostrou durante o campeonato, sendo a única escuderia a não vencer nenhuma prova, tendo apenas um 2º lugar de Sébastien Buemi como melhor resultado durante todo o campeonato. Joel Eriksson teve alguns momentos de brilho, mas não o suficiente para se sair melhor do que Buemi. Para um time que chegou a disputar o título recentemente, foi nítido ver como eles não conseguiram se acertar nos últimos anos para seguir como uma das forças do grid da competição. O resultado é que a Envision iniciará a era Gen4 com uma dupla totalmente nova de pilotos, procurando iniciar um novo e diferente momento na história da escuderia, uma das equipes que está presente no grid desde a primeira corrida, sempre presente em todas as corridas, até os dias atuais.

            A Kiro venceu uma corrida, mas teve um ano muito irregular. Pepe Marti até que saiu razoavelmente bem para um novato na competição, conseguindo dois pódios no ano, mas Dan Ticktum colecionou problemas e desaires pela maior parte da temporada, arrumando confusões, dando críticas exacerbadas sobre a competição, e o próprio time, e terminando ano sem saber se alinhará no grid da próxima temporada, mesmo tendo conseguido vencer uma prova no ano. Infelizmente o destempero serviu para manchar a imagem do piloto, que continua rápido, mas também mostrou muita velocidade para se enroscar com rivais nas corridas, devido ao excesso de arrojo e agressividade. Isso resultou no inglês terminando na zona de pontos apenas em 4 etapas, o que dá uma dimensão da decepção do time com o comportamento do piloto neste último campeonato, quando a escuderia, melhor alinhada com o trem de força alemão da Porsche, tinha tudo para obter melhores resultados do que na temporada anterior. Como a Kiro seguirá usando o trem de força da Porsche, a escuderia segue bem cotada, esperando ter melhor sorte no próximo ano do que neste que se encerrou. A dupla de pilotos segue incerta.

Jake Dennis: vice-campeão por pouco, e uma bela discussão sobre esportividade com o novo bicampeão que vai dar o que falar...

            A Lola/Yamaha, em seu segundo ano de competição, se manteve como o conjunto mais fraco e deficiente do grid. Qualquer melhora de performance obtida para o campeonato acabou anulada pela evolução dos concorrentes, o que tornou a vida de Lucas Di Grassi e Zane Maloney um verdadeiro calvário durante todo o ano, onde mesmo quando conseguiam alguma posição mais relevante na largada acabava anulada pelo ritmo de corrida menos eficiente. Ainda assim, Di Grassi conseguiu operar um verdadeiro milagre no segundo ePrix de Shanghai, conjugando uma pilotagem precisa a um senso de oportunidade e estratégia na pista molhada que surpreendeu a todos de forma magistral, sendo vista como uma das vitórias mais espetaculares e improváveis do mundo do esporte a motor nos últimos tempos. Lucas, tendo anunciado sua aposentadoria como piloto, depois de dedicar os últimos 12 anos à F-E, ao menos teve um momento magistral, mesmo esporádico, digno do piloto vencedor que foi durante a maior parte da história da categoria, tendo amargado correr com carros pouco competitivos nos últimos anos, saindo de cena com a sensação do dever cumprido, justo ele, que foi o vencedor da primeira corrida da história da categoria de carros monopostos elétricos, ali mesmo, na China, em fins de 2014.

            Em termos de equipes, o grid perdeu um time neste último ano, quando a McLaren resolveu tirar sua equipe de campo para se dedicar a partir de 2027 no Mundial de Endurance. Houve tratativas para se vender a estrutura da escuderia a quem tivesse interesse em entrar na competição, mas as tratativas não chegaram a termo, de modo que houve apenas 10 times e 20 pilotos na competição, marcando a primeira vez em que a F-E foi superada pela F-1 em número de times e pilotos participantes. Para o próximo campeonato, com a entrada do novo time da Opel, pela Stellantis, o número de competidores deve voltar a 11 equipes e 22 pilotos, e com a disposição inicial da Porsche de ter também uma segunda equipe própria, poderemos chegar a 12 times e 24 pilotos na nova era dos carros Gen4. Ou poderíamos, porque a fábrica alemã resolveu rever seus planos, e tudo indica que o segundo time próprio deixou de estar nos planos da Porsche, pelo menos, por hora.

            Para a próxima temporada, a Porsche deverá ter apenas um time cliente, a Kiro. A Andretti, depois de vários anos usando o trem de força germânico, passa a usar o powertrain da Nissan, que neste último campeonato contou apenas com seu time próprio, já que a McLaren, que também usava o equipamento nipônico, pulou fora da competição. Isso deixa apenas Mahindra e Lola/Yamaha como únicos fabricantes do grid que equipam apenas a si próprios.

            Todos estão com a expectativa em alta para a nova geração de carros. O Gen3 teve seus problemas iniciais de peças e fiabilidade quando começou, mas a remodelação com o Gen3EVO (de “evolução) não apenas corrigiu parte dos problemas iniciais como potencializou os objetivos esperados, terminando sua era na história da F-E com todos os méritos e elogios. Em outras palavras, uma temporada mais do que positiva, sem decepcionar quem já conhece a categoria com intimidade. Que venha a era Gen4!

Lucas Di Grassi: depois de 12 temporadas, o primeiro vencedor de um ePrix deixa a competição. encerrando uma era da F-E.

 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – AGOSTO DE 2026


Estamos chegando ao final do mês de agosto, e logo estaremos em setembro, no último mês do terceiro trimestre de 2026. Portanto, como de costume todo final de mês, é hora de mais uma edição da Cotação Automobilística, com uma avaliação de alguns dos principais acontecimentos e nomes do mundo da velocidade neste mês de agosto, com o tradicional esquema já conhecido de sempre: EM ALTA (cor verde); NA MESMA (cor azul); e EM BAIXA (cor vermelha). Uma boa leitura a todos, e até a próxima Cotação Automobilística, no próximo mês de setembro, com as avaliações dos acontecimentos do mundo da velocidade no próximo mês. Até lá, e cuidem-se bem...

 

 

EM ALTA:

 

Pascal Wehrlein: O piloto alemão da equipe oficial da Porsche conquistou o título da última temporada da Formula-E na era dos carros Gen3, igualando o feito obtido por Jean-Éric Vergne, e se tornando também bicampeão da competição. Wehrlein soube aproveitar as oportunidades para chegar ao título, ainda que a decisão, ocorrida na rodada dupla final, em Londres, não tenha sido das mais tranquilas. O piloto se aproveitou da estratégia de corrida do time, que mandou Nico Muller atuar como escudeiro, bloqueando os rivais na pista, enquanto Pascal se mandava na liderança, procedimento que foi crucial para a vitória de Wehrlein na primeira corrida do fim de semana londrino, realizada na Excel Arena. E isso foi primordial, porque no domingo, a concorrência não deu mole para a tentativa de repetição da mesma estratégia, e bagunçou a corrida, que terminou com o alemão fora da zona de pontos, e ainda se vendo envolvido em uma batida que tirou Jake Dennis, outro postulante ao título, da prova, deixando o inglês com o vice-campeonato. Numa atitude pouco esportiva, Wehrlein acusou o golpe, e disparou críticas contra Dennis, e principalmente, Antonio Felix da Costa, com comentários pouco lisongeiros a respeito do português e da equipe Jaguar, apenas por devolverem na mesma moeda parte da estratégia da primeira prova. Wehrlein confirmou a força da Porsche na competição, e fez uma temporada firme, mas sem conseguir se impôr com superioridade aos concorrentes, tendo chegado a Londres sem fechar a conquista do título por antecipação, o que conseguiu fazer, apesar dos problemas, e vai para a nova era de carros Gen4 como o piloto a ser batido, e diante dos ânimos exaltados que gerou, melhor ir se preparando para ver os concorrentes acirrarem os ânimos contra ele no próximo campeonato...

 

Lando Norris: O atual campeão mundial, que andava meio apagado na atual temporada, diante dos problemas de competitividade da McLaren, voltou à luta das primeiras colocações na F-1, depois de mais um bom pacote de atualizações promovidas pelo time de Woking, renovando a disputa pelas vitórias nas corridas, em que pese ainda não se considerar no páreo pela disputa do título, diante da desvantagem para o líder do campeonato, Andrea Kimi Antonelli. Norris venceu as etapas da Hungria e da Holanda, mostrando que a McLaren pode vir forte para a segunda metade da temporada, e que pode bagunçar as expectativas nas próximas corridas. No ano passado, melhorias promovidas no seu carro permitiram que a Max Verstappen viesse firme para a disputa da título, quase chegando ao pentacampeonato, mesmo diante da imensa desvantagem que o holandês tinha à época, e os desaires da então favorita McLaren. Agora, o favoritismo é da Mercedes, e de Antonelli, mas será possível replicar essa recuperação ao atual campeão da competição? A Mercedes pareceu ter balançado nas últimas corridas, e talvez possa, sim, estar vulnerável a uma possível arrancada da McLaren, ao mesmo tempo em que também é fustigada pela Ferrari, e uma recuperação de Lando é bem-vinda para dar mais disputa e tempero ao campeonato, que até então vinha sendo comandado quase de mala e cuia por Antonelli, com brilhos ocasionais da Ferrari aqui e ali, e de Max Verstappen, mas sem chances efetivas de entrarem com tudo na disputa pelo título. Se a McLaren acertou o carro novamente, como mostrou ter conseguido fazer nos últimos anos, a parada pode engrossar, e com muitas corridas ainda pela frente, tem tudo para não poder ser subestimada, especialmente depois destes triunfos obtidos por Norris.

 

Álex Palou: O piloto espanhol da Ganassi continua deitando e rolando em cima da concorrência, mesmo tendo um resultado desastroso na corrida comemorativa dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, em Washington, e que Kyle Kirkwoodo, o vice-líder tenha conseguido reduzir a desvantagem na classificação, para “apenas” 93 pontos, uma margem considerável, se levarmos em conta que restam apenas 3 provas para fechar a temporada atual da Indycar. Palou obteve nova vitória em Portland, e fez uma corrida consistente em Markham, no Canadá, onde foi ampliando sua vantagem na pontuação, enquanto os rivais ou batem cabeça, ou batem os próprios carros, com seus times também não ajudando muito a melhorar a situação. O piloto espanhol ainda largou na pole na corrida de Washington, onde se presumia que ele mais uma vez humilharia os concorrentes, o que acabou não acontecendo, mas que na verdade, nem precisava, diante da grande vantagem que amealhou até este momento na temporada, com quase tudo dando sorte para o espanhol, e os rivais não conseguindo tirar um mínimo de consistência e regularidade para dificultar as coisas para Álex, que segue firme rumo ao pentacampeonato da competição, em apenas sete temporadas desde que estreou na categoria, em 2020. O resultado adverso apenas adiou o inevitável, pois muitos já preveem que o espanhol pode fechar a conquista do título já no próximo final de semana, na primeira corrida da rodada dupla de Milwaukee, a depender de como as coisas se sucederem. A menos que aconteça um completo desastre, Álex já pode ir comemorando mais um título, para vergonha da concorrência, que mais uma vez não conseguiu impedir o triunfo do piloto da Ganassi.

 

Aprilia: Depois de uma reação das motos Ducati nas últimas provas, antes das férias de versão, dava-se a impressão de que o “gás” da marca de Noale estaria se extinguindo, como muitos esperavam depois de um início de temporada fabuloso para a marca italiana, imaginando que aquilo seria algo passageiro. Mas a MotoGP voltou das férias, e a Aprilia mostrou outra face, pelo menos, em Silverstone, vencendo com categoria tanto a prova sprint quanto a corrida principal, monopolizando o pódio da prova britânica, e fazendo as Ducatis comerem poeira novamente. Jorge Martin voltou a abrir alguma vantagem na liderança, enquanto Marco Bezzecchi, depois dos azares das últimas corridas, foi ao pódio, e retomou a vice-liderança do campeonato. É verdade que ainda há muito chão pela frente, mas a Aprilia deu uma amostra de que ainda não está superada, e que pode, sim, brigar firme pelo título, e a força não vem apenas do time oficial de fábrica, mas também da Trackhouse, o time satélite, que também andou forte no circuito inglês, e que promete engrossar o couro ainda mais contra a concorrência, em especial da Ducati, que até poderia imaginar que estava conseguindo reagir, e que seria questão de tempo voltar ao protagonismo. Pelo visto, a situação vai ser um pouco mais difícil e complicada, e nunca a Aprilia esteve em tão boa posição para ser campeã quanto agora. Resta ver se manterá o ritmo apresentado até agora...

 

Formula-E: A categoria de carros monopostos elétricos entregou outra temporada de muitas disputas e bom equilíbrio, com pelo menos quatro pilotos de quatro equipes chegando para a rodada dupla final em condições viáveis de conquistar o título. O palco da etapa final, o Excel Arena, infelizmente não proporcionou condições de se impedir a tática de equipe da Porsche que brochou a primeira corrida, mas o pau comeu solto na segunda, deixando tudo sem definição até quase o último instante, onde pelo menos três pilotos ainda tinham condições reais de título, que acabou com Pascal Wehrlein. Nada menos que 9 das 10 equipes da competição venceram corridas no ano, um número impressionante para a competição, mostrando como algumas etapas foram imprevisíveis e com disputas muito além do que se esperava, e com vários pilotos em condições de chegar ao título na reta final do certame. Onze pilotos venceram provas no ano, mais da metade do grid de largada, onde até a pior equipe (Lola/Yamaha) e um novo time (Citroen) tiveram a honra de subir ao degrau mais alto do pódio. A competição ainda encerrou sua terceira era de carros (Gen3) pronta para dar mais um passo adiante, com os carros elétricos mais possantes que já foram construídos, resultado da evolução da tecnologia de motorização elétrica que há 12 anos atrás disputou seu primeiro campeonato. E prometendo sempre muitas emoções e disputas, como vem conseguindo cumprir desde a primeira temporada.

 

 

 

NA MESMA:

 

Equipe Williams: A equipe fundada por Frank Williams enfrenta uma temporada lastimável na F-1, tendo desperdiçado a entrada do novo regulamento técnico para procurar aprimorar sua capacidade e performance, precisando agora olhar já para 2027, uma vez que pouco há a fazer para se conseguir melhor desenvolvimento com o carro desta temporada. E neste aspecto, pelo menos a escuderia entende que estabilidade é um ponto a favor, e portanto, renovou os contratos de sua dupla de pilotos para 2027, e além, a depender das oportunidades. Alexander Albon e Carlos Sainz já mostraram do que são capazes no ano passado, quando o time teve um carro que conseguir permitir aos pilotos obter melhores resultados, e sabem que, se não estão conseguindo o mesmo desempenho este ano, a culpa maior é do time, que não conseguiu lhe prover de um equipamento competitivo para desempenharem melhor o seu papel. Carlos Sainz chegou até a ser cogitado em outro time, assim como Sergio Perez poderia ser um dos novos pilotos, mas no final, a escuderia britânica optou pela continuidade, eliminando uma incerteza para o próximo ano, e sabendo o que precisa fazer para sair dessa situação, e reencontrar o rumo na competição. E, a Sainz e Albon, só resta torcer para o time não errar de novo...

 

Max Verstappen: O tetracampeão holandês encerrou em definitivo as conversas sobre seu futuro na F-1, e assinou uma extensão de seu contrato com a Red Bull, anunciando que permanecerá com o time dos energéticos até o fim de 2030, quando muito provavelmente encerrará sua participação na categoria máxima do automobilismo. Foram muitas semanas de fofocas, boatos e diversas especulações a respeito do destino do piloto, que já foi vinculado à Mercedes, à McLaren, e até mesmo à Aston Martin como possíveis destinos de Max. Com a cláusula de performance, Verstappen poderia se liberar do contrato com a justificativa do baixo rendimento do carro da escuderia taurina na atual temporada, sem incorrer em multas contratuais, e a Red Bull, por sua vez, teria chegado a oferecer até participação societária ao piloto na Racing Bulls, o time B dos energéticos, a fim de manter o piloto em seus quadros. Com a iminência da saída de Verstappen, até se especulou se o holandês poderia pendurar o capacete, pelo menos na F-1, e até se cogitou a chance de Oscar Piastri ocupar o lugar de Max na Red Bull, caso isso viesse a ocorrer, ou se o holandês acabasse indo justamente para o lugar do australiano na McLaren. Pelo visto, tudo foi devidamente acertado, com um belo acréscimo salarial que faz de Verstappen o piloto mais bem pago de todo o grid, e de uma amostra de quanto a Red Bull teme ficar exposta sem contar com seus serviços, o que agora, em tese, está garantido no cockpit do carro dos energéticos pelos próximos quatro anos.

 

Caio Collet: O piloto brasileiro da Foyt luta para ter uma melhor oportunidade na Indycar na próxima temporada. Os donos de equipe elogiam o potencial do rapaz, mas a grana segue sendo o parâmetro mais decisivo, como Hélio Castro Neves revelou que o time do qual é sócio, a Meyer Shank, precisou priorizar o fator financeiro em detrimento do talento, para a vaga aberta pela saída de Felix Ronsenqvist. A Foyt até o presente momento não se pronunciou a respeito de seus pilotos para 2027, indicando que pode nem manter nenhum dos dois, se candidatos endinheirados entrarem na jogada, o que torna a opção, a mais conservadora e possível, totalmente incerta. Agora, a possibilidade de um apoio da McLaren para que Collet assuma um dos carros da equipe Juncos veio à tona, embora nada de oficial esteja sendo divulgado. Para tudo isso, Caio precisa também de resultados, e pelo menos, em Washington, o brasileiro conseguiu enfim dar o recado que necessitava, conquistando um 9º lugar e obtendo seu primeiro TOP-10 na temporada, e relançando-se na disputa para ser o “novato do ano”, em disputa com Dennis Hauger, da Dale Coyne. A disputa, porém, segue difícil, e provavelmente só veremos o seu desfecho depois que a temporada se encerrar.

 

Lucas Di Grassi: O piloto brasileiro encerrou a temporada da Formula-E, e sua carreira de piloto, da mesma maneira que começou o campeonato, com muitos dissabores e problemas no carro da Lola/Yamaha, encerrando sua participação no certame com um abandono duplo em Londres, sem a mínima chance de ter uma despedida mais razoável, diante do currículo que possui ligado ao certame de carros monopostos elétricos. Mas Di Grassi sai, por isso mesmo, com a moral em alta, especialmente pela espetacular vitória na segunda prova de Shanghai, onde contrariou a tudo e a todos, e subiu ao degrau mais alto do pódio, no que foi a despedida mais digna que ele poderia ter neste campeonato de encerramento de sua carreira nas pistas. Lucas agora dará novo rumo à sua vida, ciente do dever cumprido em sua carreira de esportista, não tanto valorizada por muitos, mas amplamente reconhecida pelas contribuições onde o brasileiro se fez presente, especialmente no desenvolvimento do que viria a se tornar a F-E. Muitos gostariam de vê-lo ao volante dos carros Gen4, para tentar capitalizar parte do imenso esforço despendido nos últimos anos em desenvolver equipamentos pouco competitivos, é verdade, mas Di Grassi já estabeleceu as novas prioridades de sua vida, que seguirá adiante, tendo recebido os merecidos adeus e despedidas no Excel Arena.

 

Mith Evans: O piloto neozelandês mais uma vez bateu na trave no que se refere à disputa pelo título no certame de carros monopostos totalmente elétrico. Mith não conseguiu superar a estratégia da Porsche de “trancar” toda a concorrência atrás de Nico Muller na primeira corrida de Londres, terminando a primeira corrida do fim de semana final no Excel Arena em posição muito aquém da necessária para seguir com força total na disputa; e na segunda corrida, não reagiu a tempo suficiente de brigar por posições mais adiante de modo que pudesse tirar toda a desvantagem da pontuação de Pascal Wehrlein, e amargou a 3ª posição no campeonato. Não foi a primeira vez que Evans passou por isso, de chegar à etapa final em condição de faturar a temporada, e vir tudo escorrer pelos dedos, e agora, a situação no futuro próximo tende a ficar mais complicada, já que o piloto está deixando a Jaguar para embarcar no novo projeto da Opel para a próxima era dos carros Gen4, o que pode significar que, em teoria, ele não terá um carro e um time tão competitivo quando a escuderia britânica para brigar novamente pelo título, embora com a mudança dos carros, tudo esteja em aberto, e ninguém saiba quem dará as cartas no próximo campeonato.

 

 

 

EM BAIXA:

 

Dan Ticktum: O piloto inglês terminou a temporada da F-E sem saber se alinhará no grid do próximo campeonato. Apesar de ter vencido uma corrida no ano, em uma das provas da rodada dupla de Tóquio, Ticktum fez uma temporada muito irregular, em especial se envolvendo em confusões e acidentes nas corridas, tendo terminado apenas em 15º lugar no campeonato, atrás até do companheiro Pepe Marti, novato na competição. A Kiro teve um carro competitivo em várias corridas, mas Dan desperdiçou inúmeras oportunidades, além de se meter em bate-bocas com outros pilotos pelos desaires de pista onde se envolveu. Curiosamente, Ticktum foi um dos pilares da negociação que transferiu a propriedade da antiga equipe ERT para a nova Kiro, salvando a escuderia de fechar as portas, na temporada passada, onde recebeu inclusive os powertrains da Porsche, mesmo de especificação atrasada em relação às usadas pela própria Porsche e pela Andretti, que acabou implicando na dispensa sem a menor cerimônia de Sérgio Sette Câmara, que ficou a pé. Agora, é Ticktum quem ameaça ficar sem ter carro, não porque não seja rápido, mas porque andou arrumando tanta confusão ao longo do ano que isso acaba criando um tremendo viés negativo para o piloto, uma vez que as equipes não gostam de verem seus pilotos se envolvendo em brigas durante as corridas.

 

Sébastien Buemi: Outro veterano que dá adeus ao grid da F-E, Sébastien Buemi vai concentrar sua carreira no Mundial de Endurance. O piloto suíço nunca mais andou direito na competição depois que perdeu a definição do título na terceira temporada para Lucas Di Grassi, mesmo correndo com carros competitivos em vários anos, tendo performances pra lá de medianas, ou raramente mostrando o mesmo ímpeto de antes. Buemi permanecerá junto à equipe Envision no próximo ano nos bastidores, ajudando a escuderia a otimizar seu entendimento dos novos carros Gen4. Nas últimas temporadas, Bueni precisou faltar a algumas corridas, devido ao seu contrato prioritário com a Toyota no WEC, e agora ele resolveu definir isso em definitivo, deixando a categoria de carros monopostos elétricos. Nesta última temporada, Buemi não fez uma participação ruim, finalizando o campeonato em 10º lugar, com 97 pontos, e tendo com o melhor resultado um único 2º lugar, no segundo ePrix de Jeddah.

 

Norman Nato: O piloto francês efetuou mais uma temporada decepcionante na Formula-E, tendo ganhado uma renovação com a Nissan, no ano passado, que muitos julgaram imerecida, visto que eles tinham o brasileiro Sérgio Sette Câmara como reserva e pronto para assumir a titularidade de um dos carros. Nato já tinha ficado a desejar em relação ao companheiro Oliver Rowland, que foi campeão da temporada passada, mas boas performances de Nato no Mundial de Endurance acabaram causando uma impressão equivocada, e garantindo mais um ano de Norman no time japonês, onde decepcionou até mais do que na temporada passada, ao terminar em 19º lugar na classificação, com apenas 20 pontos, enquanto Rowland foi o 4º colocado, com 137 pontos. Nato pelo menos reconheceu que não fez o bastante, e não fez drama a respeito de ficar sem cockpit para a próxima temporada da F-E, preferindo concentrar seus esforços de carreira no WEC.

 

Colton Herta: Quando resolveu trocar a Indycar pela F-2, a intenção do piloto californiano era conseguir os pontos necessários para enfim possuir a superlicença necessária para entrar na F-1, e muito provavelmente, assumir um dos carros da Cadillac, muito provavelmente em 2027, ou quem sabe, em 2028, dependendo das dificuldades. Ao que parece, esse último panorama parece ser o mais provável, visto que Herta vem fazendo uma temporada muito discreta no certame, ocupando apenas a 16ª posição no campeonato, muito pouco para quem buscava conquistar os pontos necessários para a superlicença. Isso não significa que o sonho não vai se realizar, mas que provavelmente Herta precisará de muito mais confiança e trabalho na competição em 2027, se quiser enfim ir para a F-1, onde a Cadillac inclusive vem marcando passo ocupando os últimos lugares do grid. Será que Colton conseguirá seu objetivo? Já se sabia que a aventura seria arriscada, e demandaria muito trabalho, o que ninguém esperava é que ele fosse tão ruim na pontuação como está se apresentando...

 

Maxximilian Gunther: Outro piloto que terminou a temporada da F-E em baixa, Gunther está à procura de um novo lugar para a próxima temporada da competição, tendo tido um ano bem apático, onde ele não conseguiu superar a falta de competitividade da DS Penske, e ficando 11 provas fora da zona de pontuação, o que o fez terminar o ano atrás até de Lucas Di Grassi, da fraca Lola/Yamaha. Gunther ainda amargou ver Taylor Barnard, que já tinha conquistado quase o dobro de sua pontuação no campeonato, ainda vencer a corrida final do campeonato, aumentando ainda mais a discrepância de resultados para o colega de time, enquanto ele terminou fora da zona de pontuação, mais uma vez. Dependendo das vagas e das negociações com outros times, Gunther pode ser mais um piloto a deixar a competição, cada vez mais disputada por diversos pilotos que veem o certame dos carros monopostos elétricos uma opção viável de carreira no automobilismo internacional...