Já chegamos ao mês de agosto, e o segundo semestre de 2026 segue adiante, e o mundo da velocidade também não fica parado. E, como de costume, todo início de um novo mês é palco de uma nova sessão da Flying Laps, com alguns dos acontecimentos ocorridos no mundo da velocidade, e maior parte na Indycar, no mês de julho, com alguns comentários rápidos. Espero que todos tenham uma boa leitura, e até a próxima edição da Flying Laps, no início do mês que vem...
A etapa de Mid-Ohio da temporada 2026 da Indycar trouxe um raro domínio da equipe McLaren na competição, com Christian Lundgaard largando na pole-position, com Patricio O’Ward saindo ao seu lado, com o time de Woking monopolizando praticamente a primeira fila do grid. E o duelo pela vitória na pista de Lexington ficou também restrito à dupla de pilotos, mas com O’Ward enfim saindo do ostracismo, e garantindo sua primeira vitória na temporada, aproveitando-se de uma bobeada de Lundgaard, que errou uma tangência e abriu caminho para o mexicano tomar a liderança da prova, que não perderia até a bandeirada final, cruzando a linha de chegada com apenas 1s de diferença para Christian, que bem que tentou recuperar a liderança, mas não foi possível recuperar a posição. Kyle Kirkwood fechou o pódio com um bom 3º lugar. Álex Palou esteve um pouco “abaixo” do seu normal, terminando a corrida em 5º lugar, atrás inclusive de Rinnus Veekay, da Juncos, que obteve um excelente resultado com o 4º lugar. E quem comemorou também foi Caio Collet, que fez a melhor corrida na temporada, tendo largado da 11ª colocação, e por um bom tempo, conseguindo se manter no TOP-10 da prova, mas acabando por ser superado, e finalizando na mesma posição de largada, o 11º lugar.
Como era de se esperar, Scott Dixon anunciou sua saída da Ganassi, após quase 25 anos defendendo a escuderia, e onde conquistou nada menos do que seis títulos na competição. E o destino do neozelandês também já é conhecido: em 2027, ele defenderá a McLaren, que inclusive também já oficializou seu line-up de pilotos para a próxima temporada da competição: Patricio O’Ward segue no time, com o retorno de Felix Rosenqvist ao time, além, claro, da chegada de Dixon, formando uma equipe das mais fortes da Indycar. Claro que, com isso, Christian Lundgaard, mesmo sendo o melhor piloto da escuderia na temporada de 2026, acabou perdendo seu lugar. E Nolan Siegel mostrou que não veio a apresentar o que se esperava, e agora precisa “caçar” um lugar, se quiser continuar na categoria no próximo ano. Lundgaard, contudo, já tem assento garantido para 2027: ele será o substituto de Scott Dixon na Ganassi, assumindo o carro Nº 9 que era do neozelandês. A Ganassi, claro, já tem então sua formação definida para o próximo ano: tem a chegada de Lundgaard, continua firme com Álex Pallou, e manterá Kyffin Simpson. Havia expectativa do terceiro carro da Chip Ganassi ser ocupado por Marcus Armstrong, “emprestado” à Meyer Shank, mas a Chip Ganassi optou por manter Simpson no terceiro carro da escuderia, de modo que Armstrong segue então na Meyer Shank, que agora conta com uma vaga potencialmente interessante, e que certamente vai ser disputada por muitos pilotos…
Vaga, atual, que pode ser um dos destinos de Caio Collet para o próximo ano. Collet tem sido bem visto pelos chefes de equipe da categoria, como novo talento potencial, e sabe que a Foyt atualmente não oferece condições das melhores na categoria, tendo regredido em relação ao que tinha conseguido mostrar em tempos recentes. De positivo, Caio conta com o apoio de Hélio Castro Neves, sócio minoritário da Meyer Shank, e até de Tony Kanaan, atual diretor da McLaren. O problema é que Collet não está sozinho nessa disputa, e para complicar, apesar de trazer patrocinadores, Caio está em desvantagem nesse quesito. Na pior das hipóteses, o brasileiro pode acabar ficando na Foyt para o próximo ano, apesar das dificuldades que o time tem enfrentado para conseguir resultados mais significativos…
Collet, contudo, precisa tomar cuidado. Após o bom momento vivido em Mid-Ohio, infelizmente o brasileiro cometeu um erro crasso na prova seguinte, em Nashville, uma pista oval, batendo logo no início da corrida, após apenas 17 voltas disputadas. O piloto reconheceu o erro, o que é positivo, mas acidentes como esse acabam invariavelmente jogando contra suas possibilidades de conseguir arrumar um carro mais competitivo na categoria. Seria importante conseguir pelo menos ser o “Rokkie” do ano, o que garante melhor visibilidade, mas deslizes como o de Nashville complicam o cenário. Atualmente, após a corrida no Tennessee, Caio ocupa apenas a 23ª colocação entre os 25 pilotos que disputam integralmente o campeonato de 2026, estando à frente somente de Mick Schumacher, também novato, e Sting Ray Robb, que não é grande coisa. Dennis Hauger é o melhor novato na competição, ocupando a 20ª posição, cerca de 20 pontos adiante do brasileiro na classificação. Se Collet quiser se destacar de fato, precisa pelo menos conseguir superar Hauger, e quem sabe, terminar mais próximo de Santino Ferrucci, seu colega de time na Foyt, que ocupa a 17ª colocação, com 59 pontos de vantagem para o brasileiro…
A corrida de Nashville, aliás, acabou sendo adiada do domingo para a tarde de segunda-feira. A prova na pista oval já tinha tido sua largada adiada para não confrontar com o jogo da decisão da Copa do Mundo, mas quando poderia começar a entrar com os carros na pista, o tempo fechou na região, primeiro com a incidência de raios, obrigando o autódromo a seguir o protocolo de segurança contra raios, o que impossibilitou a largada. E depois, mesmo esperando a noite cair, o que veio, enfim, foi a chuva, inviabilizando a corrida, já que não se corre em pistas ovais com piso molhado, por questões óbvias de segurança. Na segunda feira, diante do forte calor, a duração da corrida acabou reduzida de 300 para 225 voltas. E, no final, deu mais uma vitória de Álex Palou, que nem tinha o melhor carro, mas deu sorte com uma bandeira amarela, e saiu para a liderança da corrida, dando um show de competência na parte final da corrida, quando enfrentou a pressão de Josef Newgarden, que bem que tentou, mas não conseguiu superar o espanhol, que venceu mais uma vez no campeonato, e caminha firme para conquistar o penta. A Penske teve como destaque o desempenho de David Malukas, que largou em último, e fechou o pódio com a 3ª posição, mostrando uma recuperação impressionante. Ele e Newgarden chegaram a duelar pela vice-liderança, mas Josef venceu a parada. Curiosamente, a bandeira amarela que deu vantagem a Palou resultou de uma confusão que envolveu seu companheiro de equipe, Scott Dixon, que atingiu a traseira de Alexander Rossi, que desacelerou abruptamente à frente do piloto neozelandês, que acabou atingindo a traseira do carro da Carpenter, e claro, arruinou as chances de Dixon conseguir um bom resultado, terminando apenas em 18º, enquanto via Palou vencer pela quinta vez no ano.
O resultado da etapa de Nashville deixou Álex Palou ainda mais folgado na liderança do campeonato, com cerca de 83 pontos sobre o vice-líder, agora David Malukas, da Penske, devido ao mau resultado de Kyle Kirkwood, da Andretti, que finalizou a prova apenas em 10º lugar, tendo dado azar na última bandeira amarela da corrida. Com seis corridas para fechar a temporada de 2026, ainda há muito chão pela frente, mas pelo andar da carruagem dos adversários, tudo indica que Palou vai conquistar mais um título quase de mão beijada, enquanto os rivais se atrapalham com problemas, estratégias erradas, acidentes, e falta de constância. E vem sendo assim na maioria dos títulos conquistados por Palou, que vem conseguindo reunir competência, talento, e sorte…
Reviravolta na disputa pelo título da Formula-E. Pascal Wehrlein chegou para a rodada dupla de Tóquio na liderança do campeonato, e com chances de encerrar a conquista matematicamente, dependendo dos resultados do fim de semana em terras nipônicas. Mas deu tudo errado para o piloto da Porsche, que saiu zerado das duas corridas, e ainda viu os rivais passarem à frente na classificação. Jake Dennis subiu ao pódio nas duas corridas realizadas na área de Odaiba-Ariake, e agora pulou para a liderança do campeonato, com 146 pontos. Mas quem perdeu uma boa oportunidade de capitalizar foi Mith Evans, que conseguiu um satisfatório 4º lugar na primeira corrida, mas sofreu um abandono na segunda prova, o que o levou para a vice-liderança do campeonato, com 144 pontos, dois a menos que Dennis. Mantendo os 141 pontos que já tinha, Pascal caiu para o 3º lugar, e como desgraça pouca é bobagem, Oliver Rowland, o atual campeão, também chegou para a briga, chegando a 132 pontos, e ocupando a 4ª colocação na classificação. Com 14 pontos separando os quatro primeiros colocados, a F-E chega à rodada dupla final, em Londres, este mês, com nada menos que 4 pilotos em disputa direta pelo título, sendo que três deles brigam pelo bicampeonato, sendo Mith Evans o único que ainda não foi campeão, mas já viu o título escapar algumas vezes, e corre o risco de ver o destino repetir-se novamente.
Pascal Wehrlein, aliás, foi o próprio culpado de não ter ido melhor, pelo menos na primeira corrida na capital japonesa, quando colidiu com Antonio Felix da Costa, seu ex-parceiro de time na Porsche, e a quem já fez questão de declarar ter sido o pior companheiro de equipe que poderia ter tido. Ambos dividiram uma curva na pista, e Pascal não aliviou, mandando Antonio para o muro, mas sofrendo o pior resultado do contato: o abandono. O clima entre os dois pilotos, que nunca foi muito cordial, esquentou após a prova, com ambos trocando acusações um contra o outro, mas sendo nítido ver que o alemão forçou passagem desnecessariamente, o que levou ao toque dos dois carros. Definitivamente, Wehrlein apenas colheu o que plantou, e ainda poderemos ver outras pendengas entre ele e Da Costa certamente...
Na rodada dupla na capital japonesa, Dan Ticktum (Kiro) obteve uma vitória essencial para tentar se garantir na competição na próxima temporada, ao superar Jake Dennis na volta final para ganhar a primeira corrida em Tóquio, diante da falta de energia enfrentada pelo piloto da Andretti. Ticktum até havia sinalizado que não iria ultrapassar Dennis, dando-se por satisfeito com o 2º lugar, mas na volta final, com a perda de ritmo de Jake, Dan precisou efetuar a ultrapassagem, até para não ser pressionado por Nicky Cassidy, da Citroen, que vinha logo atrás. Dennis ainda conseguiu manter o 2º lugar, que seria essencial para conseguir assumir a liderança do campeonato no cômputo geral do fim de semana.
Nick De Vries ficou com a vitória na segunda prova de Tóquio, fazendo uso de uma boa estratégia para assumir a liderança na parte final da corrida, e com isso, chegou à sua 2º vitória na temporada, coroando o renascimento da Mahindra desde a temporada passada. Mas, Edoardo Mortara, seu companheiro de equipe, não tanta sorte como as classificações de largada indicavam. O suíço largou na primeira fila na primeira prova, mas terminou em 5º lugar, não dando sorte com as disputas e estratégias de corrida. Mas na segunda corrida foi ainda pior: o piloto largou na pole-position, mas um enrosco durante a corrida o levou ao abandono. Isso fez Mortara cair para a 5ª posição na classificação, ficando ainda matematicamente na briga pelo título, mas vendo suas chances caírem cada vez mais, para não falar da frustração de ver Nick De Vries já ter duas vitórias no ano, quando ele ainda não conseguiu nenhuma...
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