
A Fórmula 1 "entrou" em férias, mas os bastidores técnicos continuam em ebulição na categoria.
A Fórmula 1 pode estar
em seu período de “férias de verão”, mas a categoria máxima do automobilismo
está tendo de trabalhar duro para resolver os problemas em que se meteu com
relação ao novo regulamento de motores que estreou este ano. Se os novos carros,
ligeiramente menores e mais leves, tiveram aprovação dos pilotos, por outro
lado, o novo sistema de gerenciamento de energia, diante da nova proporção
50/50 foi um verdadeiro tiro no pé, que precisou de alguns “remendos” após as
primeiras provas, e ainda continua causando insatisfação e dor de cabeça para
os pilotos.
Como desgraça pouca é bobagem, eis que a FIA resolve embarcar numa “cruzada” para trazer os motores V-8 aspirados de volta, usando o argumento de se usar combustível “sustentável” como quebra-galho para passar uma imagem de categoria mais limpa, o que confunde mais do que ajuda, porque o problema da motorização atual está longe de ser as unidades de combustão V-6 turbo, e que na minha opinião, deveriam ser mantidas, focando a resolução dos problemas nos sistemas híbridos implantados. Teria sido muito mais fácil fazer uma transição gradual do que foi usado entre 2014 e 2025, mas resolveram dar um salto maior do que a perna, e deu no que deu.
Só que, agora, eis que a FIA fica em um jogo de empurra-empurra, tentando se eximir de parte da culpa, empurrando para as montadoras o custo das baianadas da implantação do novo regulamento, alegando que testes e simulações já apontavam os problemas, mas que as fábricas, na relação complicada que mantém com a categoria, simplesmente foram inflexíveis, e que, portanto, a entidade que comanda o automobilismo mundial fez a “sua parte”, numa conversa para inglês ver que não ajuda em nada a resolver o problema, o que não significa que não estejam fazendo movimentos neste sentido para tentarem “salvar a cara” da F-1 de uma das alterações de regulamento mais destrambelhadas de que há memória.
O problema é que a FIA, a grosso modo, também não está mentindo. Ela mesma avisou que, diante dos problemas potenciais que estava aventando nos testes iniciais, conferiu com as fábricas, e as equipes, se seria melhor alterar os parâmetros da divisão de potência das novas unidades, voltando a fazer a unidade V-6 turbo ter maior parte na geração de cavalaria, mas não apenas as fábricas e equipes se recusaram, como resolveram “pagar para ver”, e o resultado é o que vimos. A FIA e a FOM/Liberty pelo menos tiveram a decência de fazer uma pré-temporada maior, ao invés das ridículas pré-temporadas de miseráveis três dias utilizadas nos últimos anos, onde se viu o tamanho do buraco, mas mal começaram a trabalhar para resolver o problema porque era preciso ver o que aconteceria nas primeiras corridas.
Depois dos desaires iniciais, inclusive do acidente de Oliver Bearman em Suzuka, devido à desaceleração abrupta do carro de Franco Colapinto à sua frente, eles resolveram enfim de mexer, e ajustes foram feitos tentando minimizar os problemas, que apenas “diminuíram” de fato os problemas, mas como vimos, com a chegada de pistas de alta velocidade, como Silverstone e Spa, os problemas voltaram a se avolumar, ainda que, felizmente, não tenhamos tido problemas “drásticos” com isso, mas que ainda suscitam críticas e desconfortos patentes por parte dos pilotos, mostrando que o buraco da geração e gerenciamento de energia seguem precisando de soluções mais convincentes.

Piastri: sensação de ficar à mercê dos softwares e não ter controle da situação incomodam bastante.
Oscar Piastri soltou o
verbo, alegando que agora a performance depende de softwares e algoritmos, e
mostrou como, mesmo usando configurações iguais, o comportamento dos carros
dele e de Lando Norris não tinham o mesmo comportamento. Nikolas Tombazis
explicou que os algoritmos dos sistemas tentam fazer uma leitura “inteligente”
do sistema, de modo a otimizar a geração/regeneração/administração, e que o
estilo de pilotagem de cada piloto acaba provocando “discrepâncias” porque o
sistema tenta se adaptar ao estilo de cada um, de modo a promover a melhor
opção de performance. Só que isso não parece estar “casando” direito com alguns
pilotos, que se vêem surpreendidos quando descobrem que, mesmo procurando
gerenciar melhor, ainda assim o sistema não responde como eles gostariam, o que
os faz “perderem o controle” de como conduzir o carro propriamente. Tombazis
declarou que entende o problema, mas que se livrar dele não é tão fácil quanto
todos pensam, e que adicionar uma funcionalidade que os pilotos pudessem
gerenciar, como ativando ou desativando o sistema por um botão é mais
complicado do que imaginam. Ele pode ter razão nos argumentos, mas ter razão,
ainda que seja algo positivo, não satisfaz quando aponta que o problema parece
não ter solução. E o pessoal quer respostas, e ação para resolver isso.
E eles não estão errados. Como você pode ter satisfação em um sistema que, pelas suas limitações, faz os carros perderem potência e velocidade em plena reta, não importa quão fundo piloto esteja pisando no acelerador? Quando optaram por manter apenas o sistema de regeneração cinética dos carros, já se aventava que a capacidade de regeneração cairia, e pior, ao aumentar drasticamente a proporção de potência híbrida para 50/50, só um ignorante não pensaria em como a situação poderia ficar extremamente deficiente. E aqui, claro, as culpas partem para todos os lados, e embora a FIA não tenha culpa sozinha isso, o lance de dizer que não conseguiu minimizar os problemas por culpa de equipes e fabricantes, tenta tirar um pouco a culpa deles da reta, quando como entidade que regula o automobilismo, deveria valer sua força, e diante de evidências que poderiam apontar até problemas de segurança, promover as alterações antes que tudo fosse finalizado. Mas não fez isso.
E agora, a própria FIA começa uma “brigada” pela volta aos V-8, com iniciativas como “criar” um fornecedor autônomo para equipes que não quiserem ser clientes das fábricas, alegando também que a F-1 não pode ficar “refém” das vontades das montadoras, que estariam, claro, “prejudicando” a competição com suas firulas a mudanças de regulamento, metas, etc. A teoria não está errada, mas como sempre, é o método que importa como se proceder a isso, e até agora, tudo mostra que estão pecando em detalhes variados que, com mais atenção, poderiam certamente eliminar uma série de problemas. Para não mencionar que a FIA parece agora mostrar uma vontade “firme” de se impôr que simplesmente não teve quando das descobertas dos problemas que as novas regras das unidades de potência deste ano iriam causar. Custaria tanto assim terem batido o pé, alegarem motivos mais prementes (como a segurança, quando querem enfiar goela abaixo certas normas), e evitado passar por esta zica toda?
A partir de 2027, pelo
que finalmente conseguiram decidir, a Fórmula 1 mudará oficialmente o
regulamento de motores para tentar corrigir os sérios problemas de
gerenciamento de energia observados este ano. A FIA, a FOM e as equipes
fecharam enfim um acordo definitivo para abandonar a divisão de 50/50 entre
potência do V-6 turbo e a elétrica, visando eliminar o efeito "ioiô"
nas retas e a necessidade, até aqui excessiva, de poupar bateria. As
atualizações aprovadas promovem um certo reequilíbrio dos motores em duas
etapas e trazem mudanças operacionais, para evitar que os carros fiquem sem
energia elétrica no meio das retas mais longas (fenômeno conhecido como
“clipping”), com o motor a combustão interna ganhando mais relevância. Para a
temporada 2027, a divisão de potência passa a ser de 58% no V-6 turbo, e 42% da
parte elétrica. A potência máxima do motor V6 sobe de 400 kW para 420 kW, algo
em torno de 570 cavalos, impulsionada por um aumento de 5% no fluxo de
combustível. O motor elétrico padrão cai de 350 kW para 300 kW. Já para a
temporada 2028, o motor turbo terá a potência ampliada para 450 kW, por meio de
um aumento de 13% no fluxo de combustível, resultando em uma proporção de
60/40. Com relação à recuperação de Energia, a capacidade máxima de coleta do
MGU-K subirá para 375 kW em 2027, e será de 400 kW em 2028.
O que vemos aqui é que estão tentando manter a estrutura física, com mudanças apenas pontuais, evitando ter de redesenhar todo o sistema já criado, com vistas a manter os custos baixos. Não deixa de ter sua lógica, até porque a FIA ainda quer, porque quer, de qualquer jeito, emplacar a volta dos V-8 aspirados, se possível, já para 2030. Assim, parte do aumento da potência do V-6 turbo será ganha através do maior consumo de combustível, o que implicará na necessidade de adoção de algumas outras medidas potenciais, entre elas, ter de adotar corridas ligeiramente mais curtas. Isso porque o aumento no fluxo de combustível gera maior consumo, mas que os tanques de combustível projetados para as dimensões dos chassis atuais (reduzidos para 70 kg) os tornam pequenos demais para completar a distância padrão de 300 km exigida pelo regulamento se o motor consumir mais combustível. Como refazer as medidas dos chassis envolveria toda uma reengenharia dos carros, e que certamente estouraria o teto de gastos das equipes, a FIA adotará soluções logísticas para 2027 procurando contornar isso, como reduzir a distância de GPs selecionados que geralmente exigem maior consumo das unidades de potência, além de corte drástico nas voltas de reconhecimento que os pilotos fazem antes de alinhar no grid, por exemplo.
Mas a FIA continua idiota em alguns aspectos, como por exemplo, aumentar os testes da pré-temporada de três para “apenas” quatro dias, como forma de tentar ajudar as escuderias a ter mais tempo de adaptação das novas regras, Isso é brincadeira? Deveriam aumentar para pelo menos 6, ou até 9 dias, mas não, a teimosia deles parece quase inacreditável em insistir em limites tão ridículos para os testes. Outras medidas envolvem redução do downforce, para diminuir a exigência dos motores pela maior força aerodinâmica, como por exemplo banir as asas nos escapamentos (conceito explorado para direcionar o fluxo de ar para a asa traseira), simplificação do assoalho, com a redução de cinco para apenas três seções aerodinâmicas na parte dianteira do assoalho para limitar o arrasto aerodinâmico, entre algumas outras medidas.

Nikolas Tombazis: admissão do problema, mas providências não são tão fáceis... Pode até ser, mas o pessoal quer ação e decisão, não enrolação e tropeços...
Fica a dúvida, claro,
se isso será suficiente. Parece haver boa vontade em resolver isso, mas não
parece que a cartolagem perdeu a irritante soberba e arrogância que sempre
tiveram quando o assunto é procurar atender às críticas da competição. Como
seria de se esperar, a FIA e a FOM parecem tratar os fãs como imbecis ou
ignorantes. Stefano Domenicalli, CEO da Liberty Media, ressaltou que os fãs estão
“satisfeitos” com as corridas até aqui, e que todos os circuitos estão tendo
lotações recordes na temporada, para afirmar que os detalhes a respeito dos
problemas das unidades de potência não são tão importantes assim, desde que o
show seja garantido. A sorte de Domenicalli é que a F-1 têm uma lenha imensa
para queimar no quesito de popularidade potencial, com uma legião de fãs,
torcedores, e etc., que parecem seguir a competição, não importa quão ruim ela
esteja. Ou seja, até que essas críticas e descontentamento dos fãs produza de
fato um prejuízo para a competição, eles não tomarão jeito, procurando
consertar de fato as palhaçadas que estão fazendo.
Não é dizer que não estão fazendo nada, mas de afirmar que eles não estão fazendo com a competência necessária, ou a vontade necessária. E não é de hoje que a cartolagem da categoria máxima do automobilismo desdenha do público. Isso já vem de longa data, de modo que só quando eles sentem que a coisa ficou mesmo feia, é que tomam providências com maior celeridade e presteza, ainda que continuem tratando o público por vezes mais como um incômodo do que com um público que eles precisam se esmerar para conquistar de fato.
Vamos ver se conseguem aprender alguma coisa, mas, desculpem, o histórico não ajuda muito...
A MotoGP retorna de suas férias de verão, e o palco do retorno é a pista de Silverstone, para o GP da Grã-Bretanha. A classe rainha do motociclismo prepara-se para o segundo round da temporada, que tem tudo para mostrar uma disputa acirrada pelas vitórias e pelo título. A primeira metade da temporada viu um início arrasador da Aprilia, com Marco Bezzecchi, enquanto a suposta favorita Ducati se encontrava com problemas variados. As últimas provas antes do recesso de verão, contudo, trouxeram vários entraves para o piloto italiano, que acabou suspenso de uma corrida por agressão a um fiscal, além de sofrer um acidente que o fez perder a liderança, caindo para trás na tabela de classificação. E, mais preocupante, Marc Márquez recuperando a força da Ducati, e se aproximando perigosamente do novo líder, Jorge Martin, da Aprilia, que ainda ostenta uma vantagem que está longe de garantir qualquer segurança. O retorno da competição, com os primeiros treinos livres hoje no tradicional circuito britânico, deve servir para vermos uma expectativa de como poderá se dar o primeiro round do “segundo tempo” da temporada. A Aprilia não deixou de ser competitiva, mas seus pilotos tiveram vários percalços e problemas, tanto que Ai Ogura, da Trackhouse, time satélite da Aprilia, assumiu a vice-liderança na classificação, mostrando que o equipamento ainda é forte para brigar na frente, é a Aprilia que precisa calibrar melhor seus esforços nos fins de semana de GP. E se conseguir alinhar esse ajuste, com as performances de seus pilotos, ela tem tudo para se manter na briga pelo título, desafiando o poderio da crescente Ducati. A corrida Sprint tem largada para às 12:00 Hrs. deste sábado, enquanto a corrida principal, no domingo, tem início às 10:30 Hrs., ambas com transmissão ao vivo da ESPN na TV por assinatura, e pelo streaming do Disney+.
A classe rainha do motociclismo vai fechando suas mudanças de grid para 2027. A Ducati oficializou Pedro Acosta como novo companheiro de Marc Márquez no time de fábrica a partir do próximo ano. “Pecco” Bagnaia já confirmou sua nova casa, a Aprilia, onde formará dupla com Marco Bezzecchi. Jorge Martin, que já tinha sido dado como carta fora do baralho no time de Noale, confirmou sua ida para a Yamaha, ocupando o lugar de Fabio Quartararo, que por sua vez, se mudará para a Honda, encerrando seu vínculo com o time dos três diapasões. Ai Ogura, sensação da temporada, será outra baixa no plantel da Aprilia, tendo já sido anunciado pela Yamaha, formando então dupla com Quartararo. Na equipe de fábrica da KTM, mudança total: saem Pedro Acosta, já confirmado no time oficial da Ducati; e Brad Binder, que perdeu seu lugar no time, para a chegada de Álex Márquez e Fabio Di Giannantonio, que este ano defendem a Gresini e a VR46. Na LCR, Johaan Zarco, atualmente em recuperação de um forte acidente recente, tem contrato para 2027, mas ainda não foi definido quem será o outro piloto do time, da mesma forma que o time de fábrica da Honda até o presente momento não anunciou o time completo. Diogo Moreira, atualmente na LCR, tem tudo para ser promovido ao time de fábrica, mas David Alonso, recém-anunciado pela Honda como seu novo piloto na classe rainha, desperta dúvidas, se ele será companheiro de Quartararo no time oficial, ou se será alocado na LCR. A Gresini, satélite da Ducati, por sua vez, também muda tudo, com a chegada de Joan Mir, e a estréia de Daniel Holgado. A Trackhouse, satélite da Aprilia, renovou com Raul Fernandez. Até o fechamento desta matéria, poucas vagas ainda estavam em aberto para a próxima temporada da MotoGP, mas novos anúncios podem surgir a qualquer momento neste final de semana, como por exemplo, o destino de Luca Marini, que afirmou já ter lugar garantido no grid, mas ainda não anunciou para onde irá...

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