sexta-feira, 27 de abril de 2018

FERRARI: DOIS CARROS; UM PILOTO

Sebastian Vettel tem a preferência da Ferrari para disputar o título, e como consequência, dane-se Kimi Raikkonen, que é sacrificado pela escuderia italiana nas corridas.

            Hoje começam os treinos oficiais para o Grande Prêmio do Azerbaijão, e depois da prova caótica do ano passado, todo mundo espera que a edição desse ano seja tão emocionante quanto, se bem que não precisa ter tanta confusão, basta apenas termos boas disputas, se bem que se surgir algum rolo, dependendo da situação, ninguém irá reclamar, se acabar proporcionando mais disputas malucas, a exemplo do ano passado. E, se a atual temporada está sendo pródiga, é em acontecimentos inesperados nas corridas que acabaram mudando o seu desfecho mais previsível, oferecendo alguns duelos e resultados que estão ajudando o campeonato deste ano a sair melhor que a encomenda, pelo menos até agora.
            Enquanto aguardamos pelo início das atividades do fim de semana, com os dois treinos livres programados para hoje, uma das discussões no mundo da velocidade é em como a Ferrari tem voltado com tudo à sua estratégia de priorizar apenas um piloto, e com isso, deliberadamente “podando” as chances de seu outro piloto. No caso, Sebastian Vettel tem a preferência no time vermelho, que por conta disso, estaria sacrificando Kimi Raikkonen, atrapalhando suas chances de se obter melhores resultados. O caso da China é emblemático: após Vettel fazer seu pit stop, e com isso perder a liderança para Valtteri Bottas, o time manteve Kimi na pista até não poder mais, com o objetivo de o finlandês andar mais devagar, e com isso “trancar” Bottas atrás de si, dando a Vettel oportunidade de tentar recuperar a liderança. Tal atitude pode ter custado a Kimi as chances de vencer a corrida, já que nestas voltas em que andou mais lento, preciosos segundos foram jogados fora, que muito provavelmente poderiam ter garantido a 2ª posição na corrida, e quem sabe, talvez até a vitória, dependendo do tempo adicional que Daniel Ricciardo teria para alcançar e superar Raikkonen. Na Austrália, Kimi andava na frente de Vettel, mas a escuderia manteve o alemão na pista confiando em uma possível intervenção do Safety Car que, quando ocorreu, foi perfeita para Sebastian parar e assumir a liderança da corrida. Não diria que foi algo totalmente premeditado, mas tiveram um bom golpe de sorte. Mas Kimi, caso tivesse parado mais tarde, também poderia ter se beneficiado da situação, e conseguido um resultado melhor.
            Só não se pode afirmar nada em desfavor do finlandês na etapa do Bahrein, onde o que ocorreu foi algo completamente imprevisível e inesperado, que acabou por vitimar a corrida de Raikkonen por puro azar, que poderia ter ocorrido tanto com Vettel como acabou sobrando para ele. A Ferrari por vezes joga seu segundo piloto aos leões, mas não chega a ser tão maquiavélica, ainda que algumas vozes estúpidas até possam falar no “sacrifício do mecânico” para Vettel vencer a prova. Uma afirmação completamente esdrúxula, sem pé nem cabeça. A F-1 não baixou tanto assim. E nem poderia.
            Mas a “tradição” da Ferrari “queimar” as chances de seus “segundos” pilotos já é mais do que conhecida. Quem não lembra que a principal função de Eddie Irvinne como piloto do time rosso (1996-1999) era “bloquear os adversários na pista para que Michael Schumacher pudesse disparar na frente, e tirar a Ferrari do seu jejum de títulos. Saiu até uma charge na época, na Autosprint, mostrando a “preparação” dos dois carros, com o monoposto de Schumacher na posição convencional, e o carro do irlandês na posição transversal, unicamente para trancar a pista atrás de si. A fixação do time no alemão era tanta que quando Michael se acidentou em Silverstone, e quebrou a perna, em 1999, o time ainda teimou em dar todo o apoio que Irvinne merecia para tentar manter o time na luta pelo título. E nessa indecisão, perdeu tempo preciso. Mesmo assim, Eddie chegou até a última etapa com chances de ser campeão, e tendo até Michael Schumacher, em seu retorno, cedido a vitória na Malásia para que ele mantivesse as chances de chegar ao título. Na prova derradeira daquele ano, contudo, Irvinne infelizmente não conseguiu ajudar a si próprio, e estranhamente, Schumacher não abrandou o ritmo para que o irlandês tivesse chance de tentar a vitória, e chegar ao título. Aliás, deu a forte impressão de que até ficaram aliviados por Irvinne não ter sido campeão, pois ele já havia sido “renegado” pelo time para o ano seguinte, e se fosse campeão, não o defenderia pela escuderia de Maranello, que ficaria muito indignada por ver seus esforços para ver Schumacher campeão darem o título ao seu segundo piloto.
Parceiro de Michael Schumacher na Ferrari entre 1996 e 1999, Eddie Irvinne devia mais atrapalhar os concorrentes do alemão na pista do que disputar sua própria corrida. E sem poder chiar...
            Poderia se dizer que tal política era o longo jejum de títulos da escuderia, que há época completava 20 anos de jejum, mas não era bem assim. Schumacher exigia todas as atenções para si, e o segundo piloto pouco lhe importava. Mesmo assim, Rubens Barrichello até conseguiu fazer boas temporadas em Maranello (2000-2005), o que não o livrou de alguns momentos bem ruins. O mais conhecido deles no GP da Áustria de 2002. Depois da repercussão tremendamente negativa, eles até ”deixaram” Barrichello vencer, mas a manobra da Áustria se revelaria completamente dispensável, pois o time vermelho não teria rivais naquele ano, mas mesmo assim, como se viu em 2004, a escuderia não permitiu que o piloto brasileiro pudesse desafiar Schumacher na pista. Só o alemão podia tudo. Independentemente de concordar com tais exigências, contratuais ou não, a Ferrari simplesmente atentava contra o esporte, não importando se sua marca pudesse sofrer algum desagaste com isso. Eles falavam abertamente que o interesse da equipe vinha acima de tudo, e Lucca de Montezemolo falou com todas as letras, ainda em 2000, após a primeira vitória de Rubinho no time e na F-1, que o objetivo do time era unicamente levar Schumacher ao título, e que o brasileiro não teria tal “direito”.
            Chegava-se a falar que o time “sabotava” o brasileiro, para não permitir que ele colocasse inesperadamente alguma pressão de competição em Schumacher. A palavra “sabotagem” pode ser muito forte, e obviamente, inválida, mas sempre era estranho Barrichello nunca conseguir iniciar o ano tão bem quanto o alemão, e que quando as coisas pareciam ir melhor para ele, Michael já havia disparado na classificação, de modo que a Ferrari usava isso como argumento válido para dizer que o brasileiro tinha de se submeter a apenas “ajudar” Schumacher a chegar ao título. Com o grau de detalhismo que a F-1 tem em sua preparação hoje em dia, basta o time dar um pouco menos de atenção a um de seus pilotos, para a performance apresentar potencialmente resultados muito distintos. E quando Barrichello conseguia acertar o seu carro de modo exemplar, houve ocasiões em que o brasileiro viu seu carro ser entregue ao alemão, enquanto ele tinha que correr com o carro de Michael, menos acertado. A Ferrari, por seu lado, sempre garantiu que seus pilotos recebiam equipamentos iguais, mas atenção era outra história.
Como não esquecer a presepada da Áustria em 2002, com a Ferrari proibindo Barrichello de vencer, e o campeonato ainda estava na primeira metade, e ninguém conseguiria incomodar o time italiano. Nem por isso o brasileiro pode tentar disputar o título com Michael Schumacher...
            E a questão não era se Schumacher merecia tanta atenção a mais ou não. Como campeão, e piloto de ponta, com um currículo muito mais vencedor que qualquer um de seus companheiros de time, ele merecia o imenso salário que ganhava, e várias das regalias exigidas em contrato. A questão era se ele precisava de tudo isso para andar melhor que o companheiro de equipe. Barrichello nunca falou que era melhor que Schumacher, mas ao ter menos atenção, além de ser sacrificado em certos momentos, a Ferrari implicitamente o impedia de obter resultados melhores, que poderiam até ser úteis à escuderia. Mas, o time tinha interesse nisso? De jeito nenhum: Schumacher era campeão, e em poucos momentos o time realmente se importou em dar o brasileiro mais atenção. Mas, obviamente, também não é o caso de dizer que todos os azares vivenciados por Rubinho na época fossem culpa dessa política do time. Barrichello não tinha a mesma constância e velocidade de Schumacher. Mas, se o tratamento não fosse tão desigual, em muitas ocasiões seu desempenho certamente seria muito melhor. Mas mesmo quando o time não tinha chances de título, ainda assim eles não deixavam Barrichello correr como poderia, como foi o caso da temporada de2005, a última dele no time.
            Curiosamente, a Ferrari foi mais “justa” em 2007 e 2008, privilegiando um de seus pilotos apenas quando a temporada já estava perto de seu final, com o piloto mais bem classificado a ter as maiores atenções. Em 2007, foi Raikkonen o favorecido, já que Felipe Massa estava com menos chances. Até aí, é algo aceitável. Em 2008, a situação se inverteu, e foi o brasileiro o favorecido, já que o finlandês estava atrás na classificação. A chegada de Fernando Alonso à escuderia, em 2010, fez o time voltar à política dos tempos de Schumacher, com o espanhol a concentrar as atenções da escuderia, deixando Massa na sobra. E ocorrendo nos dias atuais com Vettel merecendo as maiores atenções, em detrimento de Raikkonen. O que é ruim para o esporte, como sempre foi.
Felipe Massa e o fatídico "Fernando está mais rápido que você" no GP da Alemanha de 2010. Outro favorecimento descarado a um dos pilotos que o brasileiro não merecia sofrer tão explicitamente por parte da Ferrari.
            Antes que alguém aqui me chame de ingênuo e idealista por acreditar em ideais esportivos na F-1, e apontar que os outros times também fazem isso, faço a ressalva de que o time italiano leva isso muito mais a extremos do que os outros. E podem até citar os exemplos de quando, no ano passado, a Mercedes jogou Valtteri Bottas no sacrifício para privilegiar Lewis Hamilton em algumas corridas. Não nego, e da mesma forma, também condeno tal atitude no time alemão. Mas o que ocorre é que foram situações menos frequentes do que as vistas na Ferrari, que acaba penalizando muito mais Raikkonen do que a Mercedes ter sacrificado Bottas nestas provas. Senão vejamos: no GP da Hungria, ano passado, Bottas deixou Hamilton passar para tentar a vitória, mas não tendo conseguido, o inglês devolveu a posição ao finlandês. A Ferrari faria isso? Duvido muito. Até o último instante, mesmo estando mais rápido, Raikkonen foi proibido pela escuderia de assumir a liderança, tendo que escoltar Vettel até a bandeirada. A sorte é que Hamilton não conseguiu fazer a ultrapassagem, afinal, era Hungaroring. E na corrida na China, em nenhum momento a Mercedes resolveu usar Valtteri para atrasar o ritmo da corrida para permitir que Hamilton encostasse nos ponteiros. Pecado por pecado, a Ferrari tem muito mais atitudes condenáveis do que seus rivais.
            Não estou querendo dizer que existem santos na F-1, mas diferentes graus de atenção aos pilotos. Mesmo em um momento de dificuldade nesta temporada, onde não está conseguindo impor o domínio que imaginava, a Mercedes não sacrificou as provas de Bottas para favorecer Hamilton, apesar da preferência do time alemão pelo inglês. Mas a Ferrari, mesmo tendo o seu melhor início de temporada em anos, e com Raikkonen andando muito forte, não parece hesitar em fazer o finlandês de boi de piranha, infelizmente. Da mesma forma, Max Verstappen pode ser o queridinho na Red Bull, mas salvo alguma furada excepcional, o time não está menosprezando Daniel Ricciardo, diminuindo suas chances de lutar nas corridas.
            E Raikkonen merece maior consideração por parte da Ferrari? Até merece, pois foi o último piloto a ser campeão pelo time rosso. O problema é o andamento menos eficiente do finlandês perante Vettel? Não é questionar isso. Mas condenar a escuderia por prejudicar a corrida do finlandês quando ele poderia ser útil ao time, forçando o ritmo dos adversários com seu trem de corrida mais veloz. Não é colocar em dúvida a preferência da escuderia rossa por Vettel, mas as consequências disso. E Raikkonen está sendo até muito passivo em aceitar se submeter a tudo isso. Em provável final de carreira, ele está apenas cumprindo seu feijão com arroz, sem maiores ambições. Ganha muito bem, e parece não se preocupar com isso, como aliás, é seu perfil, de parecer desinteressado por muita coisa.
            Mas, e quando a Ferrari for substituir Raikkonen, o que pode ser já para o ano que vem? Fala-se em Daniel Ricciardo, mas o australiano não aceitaria ficar submisso na pista e nos boxes. Max Verstappen, menos ainda: ele mandaria o time às favas e atropelaria o alemão na primeira oportunidade, e a escuderia italiana não quer esse tipo de atitude. A solução é contratar pilotos dos times do pelotão intermediário, que poderiam se sujeitar a isso, pois mesmo a posição de ser segundo no time ainda ofereceria melhores condições de competição que os times do meio do grid. Nesse ponto, a Ferrari é contraditória: quer um piloto que ande forte, mas ao mesmo tempo, ele não pode andar mais forte que Vettel. Conciliar essas exigências é algo complicado. A menos que a escuderia seja mais flexível e liberal, permitindo a seus dois pilotos, mesmo com a preferência por um deles, lhes dar total condição de disputa aberta, para exercer o jogo de equipe apenas na parte final da competição, se um deles já não tivesse condições de lutar pelo título. Não o que se viu nos períodos citados com Eddie Irvinne, Rubens Barrichello, e Felipe Massa (com Alonso ao lado), onde eles já eram preteridos praticamente desde a largada da primeira corrida.
            Isso foi tolerado por muito tempo na história da F-1, e não há campeão que não defenda essa visão, afinal, eles sempre foram os beneficiados, e a desculpa é de jogar pelo time. Mas o Liberty Media, atual dono da categoria, tem como visão do esporte uma perspectiva mais de como os norte-americanos encaram isso, e se eles quiserem tornar a categoria mais atrativa, podem em algum momento tomar medidas para coibir tal tipo de atitude por parte das escuderias, afinal, nos Estados Unidos, o pau come livre na pista, e se um piloto é realmente bom, ele que prove isso, vencendo seus próprios companheiros de equipe, sem favoritismos ou conchavos. Por essa razão, dentro da poderosa equipe Penske na Indycar, seus integrantes podem digladiar-se entre eles mesmos, se estiverem disputando posição na pista. Talvez a exceção seja na prova derradeira, quando apenas um deles estiver apto a conquistar o título, contra outro concorrente de outro time, mas se todos estão na disputa, o duelo é livre e franco.
            Muitos fãs repudiam o jogo de equipe, sendo uma das razões para a falta de interesse na F-1, alegando que tal procedimento equivale a um jogo de cartas marcadas, e portanto, antiesportivo, onde um dos pilotos não pode dar o seu melhor na pista, para atender a estes interesses. E concordo com eles. No seu esforço para tentar fazer a F-1 recuperar o seu prestígio e atratividade, o Liberty Media poderia agir no sentido de combater tal prática, e deixar a competição entre os pilotos a mais aberta e livre possível. Seria muito bom para o esporte, e para o campeonato, pois quanto mais pilotos duelando por posições e vitórias, melhor.
            Mas duvido que a Ferrari aceite isso passivamente. Seria outra de suas birras para justificar deixar a F-1, como vem ameaçando constantemente nos últimos tempos, por sentir que perderá privilégios e poder na categoria. Mas, se isso resultar em uma F-1 melhor, mais competitiva e interessante, creio que o sacrifício terá de ser necessário. E, para muitos, mais do que bem-vindo. Vejamos o que acontecerá a respeito. E esperemos que Kimi Raikkonen tenha sua chance de brilhar na temporada por seus méritos, a despeito do que a Ferrari lhe inflige.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – ABRIL DE 2018


            E o mês de abril já está indo embora, e estamos prestes a começar o mês de maio. O tempo parece realmente voar tão rápido quanto a velocidade nas provas do mundo do esporte a motor. E todo final de mês é hora de apresentar a tradicional edição da Cotação Automobilística, fazendo uma avaliação de alguns dos acontecimentos do mundo da velocidade nestas últimas semanas. Concordando ou não com minhas opiniões sobre o assuntos tratados, espero que todos possam apreciar o texto, que segue abaixo no esquema tradicional de sempre das avaliações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Uma boa leitura a todos, e até a próxima edição da Cotação Automobilística no mês que vem, já com algumas avaliações dos acontecimentos do mês de maio:



EM ALTA:

Josef Newgarden: O atual campeão da Indycar e piloto da Penske mostra que, apesar do equilíbrio que o certame tem demonstrado neste início da temporada 2018, está firme na luta pelo bicampeonato. Com 4 provas já disputadas, Newgarden venceu 2, e já assumiu a liderança da competição, superando o surpreendente Alexander Rossi. Mais: Josef tem deixado para trás seus demais companheiros na equipe de Roger Penske, Will Power e Simon Pagenaud. O australiano é o 10º colocado no campeonato, com apenas 81 pontos, enquanto o francês ocupa apenas a 15ª colocação, com 66 pontos. Newgarden, o líder, tem 158 pontos, e mostra que vai ser um páreo duríssimo para seus companheiros de time e para os demais pilotos na pista. Arrojado e determinado, ele tem demonstrado todo o seu talento, mostrando porque foi contratado por Roger Penske ao fim da temporada 2016, e sendo campeão já em seu primeiro ano no time, e lutando firme pelo bicampeonato no seu segundo ano. Ainda tem muito chão pela frente até a etapa final, em setembro, mas os rivais terão que se empenhar bastante em impedir a escalada de Newgarden rumo a seu segundo título.

Marc Márquez: a “Formiga Atômica” vem mostrando que, na temporada 2018 da MotoGP, ele é o favorito disparado para mais um título. O piloto da equipe oficial da Honda não deu chances a ninguém na etapa dos Estados Unidos, assumindo a liderança ainda na primeira volta, e praticamente comandando a corrida do início ao fim, apesar de alguma resistência de Andrea Iannonne, da Suzuki. Com mais um triunfo em Austin, Márquez mantém o domínio na etapa dos Estados Unidos, onde ele venceu todas no Circuito das Américas desde que estreou na categoria rainha do motociclismo, em 2013. O panorama só não é perfeito para Marc porque ele ainda tem seus altos e baixos, como visto na etapa da Argentina, onde foi o destaque negativo da corrida, pelo modo exageradamente agressivo com que disputou posições com todos na pista, acabando por derrubar vários deles nas manobras, o que atraiu a ira de vários rivais, entre eles Valentino Rossi, que não poupou críticas ao espanhol, depois de ter sido superado e derrubado por ele em uma ultrapassagem na pista de Termas de Rio Hondo. Márquez, contudo, parecia imparável na pista nestas duas provas, e tem tudo para disparar na disputa pelo título, se colocar a cabeça no lugar e parar de cometer estes erros. E as chances de ele errar tanto assim tem tudo para cair consideravelmente se assumir a liderança da competição, o que quase já conseguiu nos Estados Unidos. Alguém conseguirá deter a escalada da “Formiga Atômica” rumo ao pentacampeonato? Boa pergunta...

Daniel Ricciardo: O piloto australiano daRed Bull mostra que, se não possui a velocidade pura e o arrojo que Max Verstappen tanto esbanja, tem muito mais a cabeça do lugar, e não desperdiça as oportunidades com manobras tresloucadas na pista. Daniel partiu para cima dos adversários em Shanghai, e os superou com manobras precisas e sem esbarrar em ninguém, vencendo graças à estratégia do time que trocou os pneus de seus pilotos no momento do Safety Car. Ainda sem contrato para 2019, Ricciardo tem pretensões de melhorar suas oportunidades na F-1, mas as opções são limitadas: na Ferrari, o time provavelmente o podaria para não desestabilizar Sebastian Vettel, a quem ele superou amplamente em 2014. Na Mercedes, resta saber se Lewis Hamilton não o vetaria, temendo concorrência interna, mas depende também do desempenho de Valtteri Bottas. E ainda tem a opção de permanecer na Red Bull, onde pelo menos ainda conta com a confiança do time, ainda mais depois das estripulias de Verstappen neste início de temporada. Resta saber se o time dos energéticos conseguirá melhorar sua performance para manter o australiano firme na escuderia pelos próximos anos. Ao menos, Daniel sabe correr com a cabeça, e tem excelente visão de corrida, além de não fazer loucuras com o carro...

Daniel Serra: O atual campeão da Stock Car mostra que pretende conservar a coroa e lutar pelo bicampeonato. Com 5 corridas disputadas até aqui na temporada 2018, o filho de Chico Serra já obteve 2 vitórias e largou uma vez na pole-position, sendo o líder do campeonato no momento, com 80 pontos, e mantendo uma vantagem de 15 pontos para Cacá Bueno, o atual vice-líder, com 65 pontos. Mas ainda tem muito chão pela frente, e a Stock tem tudo para apresentar mais um campeonato bem disputado entre vários pilotos. Mas, no momento, Daniel está com uma boa vantagem sobre seus concorrentes, e pretende não apenas mantê-la, como aumenta-la. Falta combinar com os adversários, que certamente não vão querer que Serrinha dispare na pontuação, mas eles terão que correr bastante para recuperar o prejuízo na pontuação até agora. Nada impossível de ser feito, mas complicado na medida em que precisarão torcer por um mal resultado de Daniel, a fim de equilibrar mais rápido a disputa. Mas, depois de tanto trabalho para finalmente ser campeão da categoria, o piloto da equipe RC/Eurofarma não vai poupar esforços para chegar ao bicampeonato, e se aproximar ainda mais do pai, que foi tricampeão da Stock...

Sébastien Ogier: O piloto francês continua sua escalada rumo a mais um título no Mundial de Rali. De 4 etapas disputadas, Ogier já venceu 3, abrindo quase 20 pontos de vantagem para o segundo colocado na classificação, o belga Thierry Neuville, e abrindo vantagem ainda maior para os outros pilotos. Vai ser preciso alguns momentos ruins de Sébastien para que os rivais comecem a sonhar em dificultar a campanha de Ogier rumo ao 6º título consecutivo na categoria. Se alguém achava que o francês não conseguiria repetir o mesmo feito de seu compatriota Sebastian Loeb, que foi 9 vezes campeão consecutivo, melhor pensarem melhor, porque ele caminha para contradizer estas apostas. Alguém ousa afirmar o contrário? Neuville, no momento, parece o único capaz de fazer alguma competição com Ogier, tendo sido o único a vencer na temporada fora o atual pentacampeão, mas o belga vai ter de se superar para fazer pressão, porque Ogier não está desperdiçando oportunidades para vencer este ano.



NA MESMA:

Política de 1 carro, dois pilotos, na Ferrari: Já vimos este filme muitas vezes, e com vários pilotos. Eddie Irvinne, Rubens Barrichello, Felipe Massa, e agora, com Kimi Raikkonen. Na sua ânsia de voltar a ser campeã, a equipe italiana escolhe um de seus pilotos, seja por opção ou contrato firmado com ele, e acaba relegando o outro piloto a segundo ou até terceiro plano. Em uma temporada onde Raikkonen vem andando quase tão forte quanto Sebastian Vettel, o finlandês foi mantido na pista em Shanghai, com o propósito de permitir a Sebastian alcançar a liderança, mas com isso sacrificando suas chances de vencer a prova chinesa, já que estava na frente e poderia ter parado antes do que foi feito. Com tal tipo de atitude, a Ferrari não conseguirá se mostrar atrativa para nenhum outro piloto de ponta, pois eles dificilmente aceitariam esta política, o que já motiva Daniel Ricciardo a repensar suas possibilidades de aceitar um convite do time italiano. Assim como na época dos demais pilotos citados acima, onde eles tinham que correr unicamente para atender aos interesses de seus companheiros de equipe, Vettel é a prioridade número um do time de Maranello, e se o alemão corresponde na pista, o time infelizmente não tem moral para cobrar resultados de Raikkonen, quando a própria escuderia opta por sacrificar suas chances na corrida em detrimento de Vettel. Mas o time italiano parece não estar nem aí para os danos que isso traz à sua imagem, e lamentavelmente, os tiffosi também parecem não dar a mínima, desde que isso faça seu time novamente campeão. Mas o esporte perde muito com isso, infelizmente...

Equipe McLaren: O time de Woking vem tendo uma temporada bem mais positiva do que nos últimos anos, graças à nova parceria com a Renault, mas também não está tão maravilhosa assim. Em termos de performance bruta, é a escuderia da marca francesa com a menor performance na pista, especialmente em classificação, mas tem em Fernando Alonso a sua grande arma, e o espanhol tem aproveitado todas as oportunidades que surgiram até agora para conseguir pontos que normalmente seriam dos rivais, e já avisou que o time ainda tem muito trabalho pela frente, para conseguir se aproximar dos outros times que têm melhor desempenho. A meta é tentar alcançar a Red Bull, mas o objetivo mais plausível é ser a 4ª força no campeonato, o que não é no momento. O time tem perspectiva de melhorar com um novo pacote de atualizações no carro em Barcelona, tanto que promete até que será um novo carro, a fim de melhorar sua performance. Por enquanto, a escuderia vem conseguindo se virar, e mostrando que a troca das unidades de potência da Honda pelas da Renault tem sido justificada, até o presente momento. Agora, a escuderia precisa se concentrar em ir mais para a frente. Vai conseguir? Todos esperam que sim, até para vermos mais disputa na pista no campeonato.

Equipe Mercedes na F-1: O time campeão do mundo nos últimos quatro anos parecia ter uma sólida vantagem pelo que se esperava no resultado dos testes da pré-temporada, contudo, o panorama do campeonato mostra que o novo carro da escuderia alemã parece até mais temperamental do que o modelo do ano passado, não exibindo aquela superioridade costumeira. Não que o novo carro não seja rápido e competitivo, só que os rivais, em especial a Ferrari, parecem não apenas ter chegado, como até passado à frente dos atuais campeões mundiais. E, se na Austrália a Mercedes acabou sendo pega com a guarda baixa no que tange à estratégia, a situação não melhorou nas corridas seguintes, no Bahrein e na China, onde a escuderia prateada novamente acabou sendo pega no jogo das estratégias, mesmo quando aparentava estar em vantagem, e continua sem vencer na temporada de 2018. Mas convém não subestimar a força da equipe, que ainda está presente, e pode reverter a situação a qualquer momento. Enquanto não consegue fazer isso, o lance é lutar pelos melhores resultados possíveis, e pelo menos, está conseguindo, já tendo assumido a liderança, pelo menos no campeonato de construtores. A meta agora é fazer o mesmo no mundial de pilotos.

Andrea Dovizioso: O vice-campeão da temporada 2017 continua fazendo um campeonato expressivo em 2018. E aproveitando as oportunidades, mesmo quando o equipamento não está em um bom dia, como foi na etapa dos Estados Unidos, na pista de Austin, onde em nenhum momento a Ducati conseguiu se mostrar como candidata à vitória, tendo o pior desempenho na atual temporada até aqui. Frente a um Marc Márquez imbatível na pista texana, o piloto italiano do time de Borgo Panigale fez o que estava ao seu alcance, e terminou a corrida em um satisfatório 5º lugar, que pelo menos garantiu a liderança na classificação do campeonato, mesmo que por apenas 1 ponto para Márquez. O duelo que presenciamos no ano passado continua com tudo este ano, e tem tudo para ficar ainda mais acirrado nas próximas etapas, se Dovizioso continuar conseguindo dar combate ao atual tetracampeão Marc Márquez, que já pinta como favorito destacado, mas que não pode baixar a guarda para Andrea, que mostrou no ano passado que pode surpreender nos momentos mais inesperados. Aguardemos os próximos rounds deste duelo.

Jean-Éric Vergne: O piloto francês da equipe Techeetah continua firme na liderança do campeonato da F-E, aproximando-se cada vez mais do título da categoria. A vantagem não é muito grande, de apenas 18 pontos sobre o vice-líder, o inglês Sam Bird, da equipe Virgin, mas Vergne tem se concentrado em sempre marcar pontos, mesmo quando a performance não lhe permite vencer, e isso ele está conseguindo, e nunca terminando abaixo do 5º lugar nas corridas, mantendo pelo menos uma boa média de pontos, e garantindo que os rivais não se aproximem muito rapidamente. Pelo menos até o momento, a receita tem funcionado, já que Sam Bird e Felix Rosenqvist não tem conseguido manter a mesma constância do francês, seja por desempenhos irregulares de seus carros, ou azares na confiabilidade dos bólidos, que já vitimaram o piloto da Mahindra em duas ocasiões recentes.



EM BAIXA:

Brasileiros na Indycar 2018: A temporada deste ano da Indycar não está sendo muito entusiasmante para o torcedor brasileiro. Se por um lado a transmissão da Bandeirantes continua do jeito de sempre, na pista, a é bom deixar as expectativas de bons resultados um pouco de molho. Matheus Leist chegou prometendo bons desempenhos, pelo que se viu nos testes da pré-temporada, e mesmo que ninguém estivesse esperando vitórias, o piloto gaúcho só conseguiu brilhar mesmo em performance na prova de estréia do campeonato, em São Petesburgo. Nas outras corridas, a performance não foi a esperada, e os pontos conquistados, foram bem magros. Tony Kanaan, que deveria estar comandando a reestruturação da Foyt nas pistas, está fazendo o que pode, mas o time mostra que o buraco é um pouco mais embaixo, e que vai ser um pouco mais complicado deixar tudo funcionando certinho. Pietro Fittipaldi, que vai disputar apenas parte da temporada, acabou no muro logo em sua primeira corrida, e se ele é novato na Indycar, nos ovais a história é outra, já que foi campeão de uma categoria de base da Nascar que só andava em uma pista oval, e em tese, deveria ter tido um pouco mais de cuidado. Ainda é cedo para afirmar, mas este provavelmente será o ano de menor expressão de nossos pilotos na categoria estadunidense. Há espaço para melhoras, mas a competição é renhida, e tudo precisará se encaixar se nossos representantes quiserem de fato sonhar com dias melhores. Até lá, o jeito é se aguentarem na pista do jeito que for possível...

Max Verstappen: O “holandês voador” da equipe Red Bull está conseguindo manter um score perfeito nas corridas da temporada 2018 da F-1.Não tem uma só prova onde “Mad Max” não tenha cometido erros durante a corrida, mostrando que ainda precisa aprender a dominar um pouco o seu excesso de arrojo e agressividade. Na Austrália, rodou na perseguição a um carro da Hass, e acabou a corrida “trancado” atrás de Fernando Alonso. No Bahrein, forçou ultrapassagem em cima de Lewis Hamilton e teve um pneu furado, danificando também seu carro, e tendo de abandonar a corrida. E na China, quando tinha todas as hipóteses de vencer com a estratégia de pneus novos adotada pela Red Bull, Verstappen foi de novo impaciente e impulsivo ao tentar superar Hamilton, saindo da pista e perdendo algumas posições, sem maiores consequências. Só esse erro já deveria ter feito o holandês tomar um pouco mais de cuidado, mas aí ele resolveu caprichar, e na disputa de posição com Sebastian Vettel, colidiu com o alemão numa manobra bizarra e extremamente otimista, que lhe valeu uma punição até branda pelo ocorrido. Ninguém quer que Verstappen deixe de ser arrojado e agressivo, mas ter um pouco mais de cuidado e evitar algumas manobras que obviamente vão dar errado na tentativa podem fazer Max jogar muitos resultados em potencial pela janela. O desastre só não foi completo para a Red Bull porque Daniel Ricciardo mostrou como a coisa devia ser feita, e com ultrapassagens meticulosas e impecáveis, o australiano foi para a liderança e venceu a corrida. Dar show é legal, mas conseguir resultados também, e não é preciso bancar o kamikaze em determinados momentos...

Temporada de Jorge Lorenzo na MotoGP: A temporada do espanhol Jorge Lorenzo realmente não está indo como ele gostaria. Em seu segundo ano defendendo a equipe oficial da Ducati, Jorge está novamente levando um banho de Andrea Dovizioso, e na etapa dos Estados Unidos, embora o italiano tenha largado em pior posição que seu parceiro de time espanhol, Andrea, mesmo com a moto não rendendo bem como nas últimas corridas, avançou para a frente, saindo de 8º para terminar em 5º. Já Lorenzo, largando em 6º, foi caindo para trás, terminando a prova no circuito de Austin em 11º lugar. O resultado é que Dovizioso, mesmo com as dificuldades, lidera o campeonato com 46 pontos, enquanto Lorenzo é o 16º colocado com apenas 6 pontos. O espanhol já começa a admitir que a moto deste ano é até mais difícil de conduzir do que a de 2017, o que não é um bom presságio para a temporada. No ritmo em que a situação está, será que a Ducati renova o contrato do tricampeão? É complicado fazer prognósticos, porque até mesmo a situação de renovação com relação a Dovizioso segue truncada. Mas Jorge tem de procurar reagir, senão quiser ficar ainda mais marcado pela derrota contra Dovizioso no time italiano...

Nelsinho Piquet na F-E: O piloto brasileiro começou bem a atual temporada, ajudando seu novo time, a Jaguar, a crescer em performance, e mostrando constância e senso de estratégia para conseguir resultados mesmo que o desempenho do carro ainda estivesse devendo. Mas nas últimas duas corridas, o piloto brasileiro não tem conseguido superar os azares que surgiram, e ficou sem marcar pontos, e com isso, ficando distante dos líderes na classificação, e com sua posição ficando a perigo, podendo ser superado por outros pilotos no campeonato. Nessas duas corridas, seu parceiro de time, Mith Evans, conseguiu marcar pontos, e aproxima-se de Nelsinho na pontuação, que pode ser superado pelo parceiro se a onda de azar continuar. São apenas dois pontos de vantagem de Piquet sobre Evans. O ponto positivo é que seu antigo time, a Nio, continua sem conseguir se acertar direito, estando ainda mais atrás na competição. A Jaguar melhorou seu desempenho, mas mostra que ainda tem muito o que fazer se quiser disputar efetivamente as primeiras colocações e vitórias na categoria dos carros monopostos elétricos.

Novo teto orçamentário para a F-1 em 2021: O Liberty Media tem plano de implantar um teto orçamentário na categoria máxima do automobilismo a partir de 2021, como forma de tentar conter os gastos excessivos de competição da F-1 que ameaça tragar equipes como Force India e Williams, além de inviabilizar a entrada de novos times na competição. Mas, se estes dois times apoiam a idéia com entusiasmo, é obvio que as escuderias mais abastadas como Mercedes e Ferrari não aprovam a iniciativa com o mesmo fervor, sendo que o time italiano continua batendo na tecla de que pode abandonar a competição se as condições não lhes agradarem. A idéia pode ser boa, mas precisa ser implantada sem causar impactos muito radicais nos times mais ricos, ao se propor um limite baixo até demais, como Max Mosley quis tentar impor e não conseguiu, justamente pelo valor proposto ser completamente irreal de ser implantado em tão pouco tempo. O novo valor que deve ser proposto é de cerca de US$ 150 milhões, quantia que não é desprezível, mas talvez muito abaixo dos mais de US$ 350 milhões ou US$ 400 milhões gastos anualmente por times como Mercedes, Red Bull, ou Ferrari. Um corte para algo em torno de no máximo US$ 250 milhões em 2021, e tentar ir baixando um pouco gradualmente talvez fosse mais viável de ser aceito pelos times mais ricos mas, de qualquer maneira, a idéia ainda precisa ser mais debatida, e desenvolvida, para que possa ser implantada de modo que todos aceitem os termos. Vai ser complicado, mas o Liberty Media quer mostrar o quanto o assunto é importante, então vejamos como eles tentarão convencer todos os times a apoiarem seus termos para esta idéia.