sexta-feira, 31 de julho de 2026

BALANÇO DA HUNGRIA E DO ANO

McLaren: primeira pole do ano, e  primeira vitória. Vem reação da equipe por aí?

            A Fórmula 1 encerrou praticamente metade da temporada, e vai para as férias de verão com muita coisa a ser avaliada e analisada. A Mercedes não ganhou em Hungaroring, com a McLaren obtendo sua primeira vitória na temporada, e só não fez dobradinha porque Oscar Piastri teve uma quebra de câmbio. Max Verstappen fez uma prova consistente, e conseguiu mais um pódio, e Andrea Kimi Antonelli, em uma corrida onde o time de Brackley não conseguiu se impôr, ainda arrancou o 3º lugar, e com isso, ampliou ainda mais sua vantagem na liderança do campeonato, indo para as férias de verão mais tranquilo do que nunca, e confirmando que é o grande favorito ao título.

            Pela segunda corrida consecutiva, George Russell teve um percalço sério: desta vez, foi o sistema antistall que disparou quando o inglês tentou largar, e ele ficou quase parado no grid, vendo todo mundo passar por ele, e começando a prova húngara praticamente ocupando a 21ª posição ao fim da primeira volta. No final, remou bastante, e só não foi mais longe, porque a pista travada é um pesadelo para quem vem de trás. Diante disso, o 7º lugar até que não foi tão ruim, exceto pelo fato de Antonelli ter terminado em 3º lugar, e com isso, a diferença na pontuação entre os pilotos da Mercedes ter subido para 59 pontos a favor do italiano. Azares à parte, é impressionante como George passou a favorito a zebra no campeonato. Por mais que ainda falte praticamente metade da competição, muitos começam a ver como cada vez mais improvável uma reação do piloto inglês, que todos imaginavam que nadaria de braçada rumo ao título, por possuir o melhor carro da competição. Nem tudo está perdido, claro, mas tudo caminha no sentido de que Antonelli será campeão. Talvez com mais folga do que poderíamos imaginar, contrariando as previsões...

            Mas, como vimos no ano passado, tudo pode mudar. Até a etapa da Holanda, Oscar Piastri parecia caminhar isolado para o título, e o que vimos depois foi uma inversão completa das expectativas, onde não apenas o australiano perdeu o título, como nem conseguiu ser vice-campeão, tendo sido superado na reta final por um inspirado Max Verstappen e uma Red Bull que, apesar dos trancos e barrancos, conseguiu responder às necessidades do holandês. Só que tal reviravolta este ano parece muito menos possível por parte do time dos energéticos, que tem problemas substanciais a resolver em seu carro deste ano, o que deixa o tetracampeão refém de obter resultados que podem não ser exatamente ruins, mas para o que ele acha minimamente aceitável, não basta. Os resultados da nova unidade de potência são elogiáveis, de modo que o time sabe onde precisa concentrar suas forças, e no primeiro bólido concebido totalmente após a saída de Adrian Newey do time, é natural que eles estejam enfrentando problemas, ainda mais diante do novo regulamento técnico. E isso faz voltar as especulações de uma possível troca de equipe para o holandês, com fofocas indicando que a McLaren poderia ser o novo lar do tetracampeão, mas com algumas fofocas até revitalizando as chances na Mercedes, acredite quem quiser...

A sina de George Russell: mais uma corrida complicada por percalços no carro da Mercedes...

            Se a Mercedes, apesar de tudo, ainda é a grande força da temporada, a Ferrari ainda se mantém, no geral, como a rival mais próxima, mas parece também depender de alguns momentos pontuais para conseguir se impôr com mais força. Se o time italiano conseguiu um ritmo de corrida que pelo menos lhes possibilitou brigar pelo pódio, ficando próximos de vencer, se algo inusitado ocorresse – o que não aconteceu, por outro lado, na Hungria, onde tinha tudo para enfim brigar firme pela vitória, as esperanças de uma classificação forte não correspondeu ao que vimos na corrida, onde a estratégia de corrida acabou complicada na disputa com Verstappen, foram um desgaste de pneu que surpreendeu o time de Maranello, relegando-o a ficar fora do pódio.

            Como desgraça pouca é bobagem, eis que a McLaren renasceu na Hungria, e fica a expectativa se isso foi mais pelas circunstâncias e características da pista magiar, ou se o time de Woking vem mesmo para a briga. Não podemos esquecer que, nos últimos anos, a equipe de engenharia do time promoveu upgrades que incrementaram de forma considerável a performance dos carros, colocando-os na briga por vitórias, e até pelo título, mesmo quando a temporada, no início, prenunciasse um ano complicado para a escuderia inglesa. Se a McLaren agora, mais uma vez, conseguiu desbloquear o seu potencial, ela certamente virá para a briga, e mesmo que o título possa escapar, vai certamente balançar a relação de forças na competição, obrigando a Mercedes a ter que jogar firme para defender sua posição, para não mencionar que a Ferrari pode ficar em xeque, se acabar sendo superada na pista, sem conseguir responder à altura como é necessário. Lando Norris conseguiu sua primeira vitória na condição de campeão mundial, e se o time realmente conseguir disputar vitórias a partir daqui, é sua chance de recompor sua imagem de campeão na temporada atual. O inglês ainda deve neste quesito, até por causa de sua condução irregular no ano passado, sendo inicialmente superado por Piastri com muita facilidade, e mesmo depois quando retomou o protagonismo no time, ainda assim quase perdeu o título para Verstappen.

            Lewis Hamilton, no cômputo geral, conseguiu pontuar em todas as etapas da temporada até aqui, e com desempenhos bem satisfatórios, e algumas performances excelentes. O que atrapalha é que o heptacampeão vem colecionando uma série de punições que certamente tem atrapalhado a obtenção de melhores resultados, ainda que isso dificilmente o faria ser um desafiante para brigar pelo título com Antonelli, mas que certamente faria sua dianteira frente a Charles LeClerc ser mais robusta. O monegasco, mesmo tendo vencido em Silverstone, ainda está devendo em relação a Hamilton na maioria das corridas, enfrentando uma situação bem diferente da do ano passado, quando deitou e rolou em cima do inglês no time, enquanto este ainda sofria para se adaptar à escuderia de Maranello e estava tendo performances abaixo do esperado.

            Na turma intermediária, a Racing Bulls consolida-se como “melhor do resto”, com Liam Lawson a fazer uma temporada muito boa, conseguindo evitar de ser sombreado por Arvid Linblad, que surgiu no time disposto a botar pra quebrar, e até agora, vem mostrando pelo menos muito talento e velocidade que Lawson tem conseguido igualar e impedir que seja passado para trás. A competição entre os dois tem um motivo óbvio: se Verstappen debandar da Red Bull, Lawson ou Lindblad poderão ocupar um dos carros, enquanto Isack Hadjar deverá ser mantido. Lindblad surpreendeu, é verdade, mas Lawson conseguiu equilibrar a disputa, e está à frente na pontuação do campeonato com 20 pontos a mais que o colega de equipe. Mais experiente, Liam agora viveria uma situação diferente, se voltar ao time principal, uma vez que Christian Horner e Helmut Marko não estão mais por lá, tendo sido “queimado” no ano passado depois de apenas duas corridas, diante do carro complicado que a escuderia possuía, do qual só Max Verstappen conseguia se adaptar ao comportamento instável. O que pode atrapalhar é que surgiram boatos também de que a Red Bull pode buscar um piloto “de fora”, e numa eventual ida de Max para a McLaren, Piastri poderia vir para seu posto na Red Bull.

            Na Alpine, Pierre Gasly está garantido, mas a situação de Franco Colapinto, mais uma vez, não está garantida. O francês tem mais que o dobro de pontos do argentino, que volta e meia ainda arruma algumas batidas para complicar sua posição. É verdade que o time iniciou o ano bem mais forte, mas nas últimas corridas, tem ficado para trás, enquanto os rivais avançaram. Gasly já deu o alerta: se a Alpine não se mexer a fundo, ficará mesmo para trás, e com Aston Martin Racing Bulls, e Audi melhorando, o time francês corre o risco de acabar fazendo companhia a Haas e demais times do pelotão de trás do grid.

"Cadilata": Os carros da equipe norte-americana quebraram mais uma vez...

            A Audi, que vem conseguindo marcar pontos nas últimas etapas, anunciou que vai se concentrar em melhorar o chassi, deixando a unidade de potência para uma aprimoração mais substancial em 2027, quando poderá utilizar dois ADUOs para evoluir a unidade. O time já fez uso de um ADUO em Barcelona, dando-se por satisfeito com o progresso, mas aceitando que precisa de um carro melhor, que possa extrair com mais eficiência a performance que a unidade de potência pode entregar.

            Williams e Haas começaram a temporada com problemas próprios, mas ambas agora enfrentam dificuldades de performance, conforme a temporada avançou. Se o time de Gene Haas tinha momentos de brilho, brigando pelas últimas zonas de pontuação, o desempenho despencou nos últimos GPs, com os pilotos tendo de brigar para não caírem já no Q1. A equipe e Grove, por seu lado, ensaiou minimizar seus problemas em algumas corridas, mas voltando a despencar, ficando longe de conseguir pontuar. Os dois times agora terão dificuldades se a renovação do carro da Aston Martin confirmar as boas impressões da Hungria, recolocando o time de Silverstone nos eixos, e deixando Haas e Williams para trás.

            A Cadillac, como time novato, vem tendo as dificuldades naturais de todo time iniciante, mas até aqui, enfrenta problemas de performance e fiabilidade que fazem com que a escuderia não consiga chegar nos outros times do grid, se não houver algum fator extraordinário que propicie oportunidades a seus pilotos, que ficaram novamente pelo caminho em Budapeste, ambos com problemas sérios nos carros, no que tange à fiabilidade dos carros. Sergio Perez tem conseguido se sair melhor do que Valtteri Bottas, candidatando-se cada vez mais a permanecer no time no próximo ano, enquanto a segunda vaga pode ficar com algum outro piloto. Mas agora o time norte-americano precisará mostrar ainda mais serviço, uma vez que as evoluções praticadas pela Aston Martin na prova húngara parecem oferecer uma luz no fim do túnel vivido pela equipe de Silverstone, e deixar a Cadillac confinada às últimas posições do grid.

Ferrari: brilhando nos treinos, se apagando na corrida. Max Verstappen agradece e papou outro pódio com a Red Bull.

            A F-1 continua a sofrer com o problema do gerenciamento de energia das novas unidades de potência. Alguns ajustes minimizaram um pouco os problemas enfrentados pelos times, mas em pistas de alta velocidade, como a Bélgica, ver os carros novamente perdendo velocidade nas retas, mesmo com os pilotos pisando fundo no acelerador, voltou a motivar críticas de pilotos e times. Stefano Domenicalli reclamou dos pilotos reclamarem, alegando que eles não sabem fazer críticas construtivas, e que o público “está adorando” a movimentação na pista, como “provam” os números de torcedores presentes nos autódromos, como na Hungria, onde anunciaram um público de pouco mais de 310 mil torcedores presentes no final de semana do GP, e que eles não estão interessados em detalhes como “super clipping”, ou se as ultrapassagens estão “artificiais ou não”, porque, para eles, o que importa é a agitação na pista, não se a manobra é real ou artificial de fato. O chefão da FOM/Liberty Media deveria se inteirar melhor das discussões em fóruns de automobilismo pelo mundo afora, onde os fãs não andam lá empolgados como ele alega. Se antes já tínhamos críticas ao uso do DRS, agora, com a complicação do sistema de gerenciamento da energia, tudo ficou ainda mais artificial, numa disputa de softwares de gerenciamento propriamente, por mais que o piloto consiga fazer uma abordagem das mais eficientes em manipular a energia da unidade de potência, cujos limites particulares de cada uma impõem limites que podem ser até flexibilizados, mas não eliminam o problema a contento. Mas a arrogância típica da F-1, que já não é de hoje, parece por vezes tratar os fãs como idiotas. A única sorte deles é que a categoria tem muito lastro para se manter relevante, mesmo com as idéias e atitudes mais imbecis tomadas, então...

            O momento de férias serve para dar uma arejada nos times e pilotos, antes de entrarmos na segunda metade do campeonato, que deverá ser bem corrida, para não mencionar que a F-1 precisará decidir de vez onde fará suas etapas finais da temporada, que não serão definitivamente no Qatar e Abu Dhabi, diante da instabilidade no Oriente Médio. Embora ainda não comunicado oficialmente, a Europa deverá encerrar o certame, o que indica que pistas como Portugal, Ímola, ou outros autódromos poderão ser anunciados em breve para “tapar” o buraco surgido das provas que seriam feitas no Oriente Médio. Já foi anunciada corrida em Kuala Lumpur, promovendo a volta da Malásia ao calendário, no início de outubro, como substituta da corrida do Bahrein, cancelada oficialmente, encaixando no itinerário de viagens da categoria a Singapura. Vamos ver agora que outros acertos eles farão para garantir pelo menos as duas corridas finais do calendário na Europa.

            Vai ser um período de férias com muita coisa na cabeça de todo mundo, isso vai...

 

 

A Aston Martin saiu plenamente satisfeita do resultado de suas atualizações no carro implementadas na Hungria. Com nada menos do que 16 atualizações promovidas no bólido, que foi chamado de praticamente “um novo carro”, o time de Silverstone conseguiu quase brigar para chegar à zona de pontos, e embora tanto Fernando Alonso quanto Lance Stroll tenham ficado sem conseguir brigar efetivamente por pontos, o desempenho dos carros teve uma evolução visível, permitindo a seus pilotos deixarem a dupla da Cadillac para trás, da Haas, e também a dupla da Williams, cujo carro parece ter estagnado completamente. O resultado mais prático foi ver Fernando Alonso novamente, se não empolgado propriamente, mais entusiasmado ao ver que o carro agora parece de fato um  carro de corrida, já que antes haviam tantos problemas e reações ruins na condução que era difícil enumerar por onde começar a resolver a situação. A desvantagem na classificação, que em algumas pistas passou de 5s, despencou para praticamente a metade, o que é um avanço a ser elogiado, pelo menos para proporcionar agora uma base mais estável para desenvolvimento. Com as férias de verão, assim que os trabalhos de pista, no final de agosto, forem retomados, na Holanda, o time já terá uma base estudada das melhorias, sem mencionar que esta semana o time já andou com a nova unidade de potência da Honda, lá mesmo em Hungaroring, usando o dia de testes de pneus da Pirelli, nesta semana, podendo assim efetuar comparações do comportamento da nova unidade, em relação à que estava sendo usada, até a prova de domingo. E a nova unidade é um passo à frente em todos os aspectos, de acordo com a escuderia, apontando um ganho de potência de aproximadamente 25 Hps a mais, fora que o novo propulsor não apresenta problemas como as vibrações que, nos primeiros testes, chegavam a ser tão intensas que praticamente desestabilizavam o chassi do bólido. Mike Kraak, por sua vez, foi incisivo ao declarar que eles terão muito a analisar dos dados, e a comparação de parâmetros, indicando pelo menos, que todas as atualizações implementadas surtiram os efeitos esperados, indicando confiabilidade das simulações feitas com as novidades que foram desenvolvidas, o que sugere um índice de confiabilidade dos dados bem alto. Agora, é ver o quanto o time consegue evoluir de fato na segunda metade da temporada, não esquecendo, claro, que os rivais não estarão parados, e portanto, ainda terão muito, muito trabalho pela frente, até recuperarem de fato a competitividade necessária para brigar por resultados mais efetivos…

Aston Martin: pacotaço de atualizações diminui déficit de performance de forma significativa, mas a distância ainda é grande para os primeiros colocados.

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