Depois de problemas técnicos e de logística que me fizeram ficar fora de combate por mais de uma semana e meia, retomo as postagens, e eis a nova sessão de Flying Laps, com alguns dos acontecimentos ocorridos no mundo da velocidade, e maior parte na MotoGP, no mês de junho, com alguns comentários rápidos. Espero retomar em breve as postagens regulares, e tirar alguns atrasos ocorridos. Por enquanto, curtam o texto, e boa leitura para todos...
Marc Márquez vinha precisando de um fim de semana positivo na temporada atual da MotoGP, e a “Formiga Atômica” fez e desfez na etapa da Hungia, disputada no início de junho na pista de Balaton Park. O heptacampeão largou na pole-position e dominou a corrida sprint húngara, liderando de ponta a ponta, e comandando a corrida curta com competência. Pedro Acosta até que tentou, mas o espanhol da KTM não conseguiu efetivar um ataque ao piloto da Ducati, tendo de contentar-se com o segundo lugar. Marco Bezzecchi fechou na 3ª colocação, garantindo bons pontos que o mantinham na liderança do campeonato. Diogo Moreira conseguiu um bom resultado, terminando a corrida curta em 7º lugar. O brasileiro passou parte da prova na 6ª posição, mas foi superado por Jorge Martin, que terminou à sua frente na bandeirada. Depois da vitória na prova curta, era a vez de Marc Márquez mostrar a que veio na corrida principal, no domingo. E ele não se fez de rogado: mais uma vez, conseguiu controlar a liderança na largada, mas Pedro Acosta foi para cima, e logo tomou a liderança do piloto da Ducati, impondo a KTM na dianteira da corrida húngara. A primeira curva da prova principal, contudo, viu um strike de Jorge Martin, com o piloto da Aprilia caindo e levando com ele Fabio Di Giannantonio, da VR46, seu companheiro na Aprilia Marco Bezzecchi, Raul Fernández (Trackhouse) e Fermin Aldeguer (Gresini). Com três motos da Aprilia fora de combate logo de cara, a disputa pela liderança da corrida ficou restrita a Pedro Acosta, d KTM, e Marc Márquez, da Ducati. “Pecco” Bagnaia assumia o 3º lugar, mas o bicampeão não conseguiu se aproximar dos ponteiros. Márquez foi à caça do piloto da KTM, e na volta 15, após algumas tentativas, o heptacampeão finalmente retomou a ponta da corrida, e não a largou mais, apesar da pressão de Acosta, que nunca permitiu que Márquez abrisse grande vantagem, mas sem conseguir retomar a posição de líder. Ao final, Márquez coroou um fim de semana 100%, como nos bons tempos, e que fazia falta para o piloto. Pedro Acosta garantiu novamente o 2º lugar para a KTM, e “Pecco” Bagnaia fechou o pódio com a segunda moto da Ducati de fábrica. Ai Ogura, na Aprilia restante da corrida, garantiu o 4º lugar para a Trackhouse, em mais uma boa performance do piloto japonês. E Diogo Moreira teve mais uma atuação positiva, fechando a prova na 6ª posição, o seu melhor resultado na temporada.
A etapa seguinte da MotoGP era na República Tcheca, e a Ducati não teve muito do que reclamar da etapa. Depois de ver Marc Márquez dominar a etapa da Hungria, o time de Borgo Panigale já começou bem o fim de semana em Brno com a vitória de “Pecco” Bagnaia na prova sprint. O bicampeão teve uma grande atuação e superou o pole-position Ai Ogura, que conquistou a primeira pole da carreira na classe rainha do motociclismo, terminando a corrida curta em 3º lugar, à frente de Marc Márquez, que manteve a dominância do time de fábrica da Ducati no TOP-3. Depois da bela apresentação na Hungria, Diogo Moreira não deu sorte no sábado em Brno: o brasileiro fez uma ótima largada, pulando para a 3ª posição, mas caindo logo em seguida, e dando adeus à prova. Quem também deu azar foi Marco Bezzecchi, que vinha na 5ª posição, até cair a duas voltas do final da corrida curta. O italiano, irritado com o abandono, ainda arrumou confusão com os fiscais que foram retirar sua moto da área de escape, chegando a acertar um dos fiscais. Isso motivou uma suspensão do piloto da Aprilia, que ficou impedido de disputar a corrida principal por atitude antidesportiva, de acordo com o regulamento, culminando em um fim de semana tremendamente negativo para o então líder do campeonato. Na prova principal, Marc Márquez voltou a dar show, e venceu pela segunda vez consecutiva no campeonato, resultado que aliado à suspensão de Bezzecchi na prova principal, pela agressão a um fiscal de pista na prova do sábado, reduziu a vantagem do italiano da Aprilia sobre o heptacampeão para apenas 40 pontos. Ai Ogura até manteve a ponta no início da corrida, mas foi logo superado por “Pecco” Bagnaia, que assumiu a liderança, sendo seguido por Marc Márquez, que também superava o japonês e depois partiu à caça do companheiro de equipe. Depois de duelarem por parte da prova, Marc superou Bagnaia a seis voltas para o fim, deixando o italiano em 2º lugar, e com um sedento e agressivo Ai Ogura em sua cola. O esforço do japonês da Trackhouse se compensou, assumindo a 2ª posição, enquanto Bagnaia perdia parte do ritmo, e teve de se conformar em fechar o pódio na 3ª colocação, com Fabio di Giannantonio colado em sua traseira na bandeirada, quase perdendo a posição para o piloto da VR46. Diogo Moreira, que até começou bem a corrida, perdeu rendimento durante a corrida, finalizando a prova em 11º lugar. Jorge Martin, da Aprilia oficial, foi apenas o 9º colocado, depois de ter de pagar punição de dupla volta longa pelo acidente causado na largada em Balaton Park, na Hungria.
A parada seguinte da MotoGP na temporada 2026 era na Holanda, na tradicional pista de Assen, conhecida como “A Catedral” da classe rainha do motociclismo, e uma das pistas mais icônicas da MotoGP. Depois de ver a Ducati vencer as duas provas anteriores, e ver a marca de Bolonha ensaiar a tão temida recuperação, a Aprilia precisava reagir na competição da MotoGP, e até o fez, só que quem brilhou não foi o time de fábrica de Noale, mas seu time satélite, a Trackhouse. Apesar de Jorge Martin ter feito a pole-position, o campeão mundial de 2024 não conseguiu se impor na corrida sprint, enquanto Raul Fernandez, em uma bela atuação, simplesmente voou para conquistar o triunfo da prova curta. E foi um momento memorável para a Trackhouse, que fez a dobradinha, com Ai Ogura terminando em 2º lugar, e deixando Fabio di Giannantonio, da VR46, em 3º lugar, como a melhor Ducati na competição, terminando logo à frente da dupla da Aprilia oficial, com Marco Bezzecchi em 4º, e Jorge Martin em 5º. Depois dos bons resultados na Hungria e República Tcheca, onde terminou no pódio, Marc Márquez foi apenas o 6º colocado, logo à frente de “Pecco” Bagnaia, em 7º. Diogo Moreira foi o 11º colocado. Na corrida principal, no domingo, a situação se inverteu: Ai Ogura venceu a prova em Assen com categoria, marcando seu primeiro triunfo na MotoGP, e Raul Fernandez, que havia vencido a prova sprint, desta vez foi o 2º colocado. Jorge Martin, que largou na pole, até que tentou resistir, mas não conseguiu se manter à frente da dupla da equipe satélite Trackhouse, que superou o time de fábrica de Noale com perfeição. Restou a Jorge Martin fechar o pódio, na 3ª colocação. Marc Márquez não foi além do 7º lugar, e “Pecco” Bagnaia abandonou com uma queda, mostrando que a reação da Ducati de fábrica foi um pouco superestimada, e que a Aprilia ainda tem cartas para jogar na competição. Só que o time de fábrica viu Marco Bezzecchi levar um tombo feio na corrida, que motivou até preocupação com o piloto sendo levado para o hospital, diante do acidente, mas que felizmente, não resultou em nada efetivamente sério, além do forte susto sofrido. E mais uma vez Diogo Moreira teve de brigar para ficar nos pontos, depois de perder várias posições, e finalizando a prova em 14º lugar.
Com o resultado no GP da Holanda, Jorge Martin assumiu a liderança do campeonato, com 193 pontos, deixando Marco Bezzecchi na segunda colocação, com 186 pontos, mostrando que a queda sofrida pelo italiano foi bem prejudicial. E a concorrência se aproximou: Fabio Di Giannantonio, da VR46, já vinha há um bom tempo como a melhor Ducati na classificação, mas nunca esteve tão próximo de ameaçar a dupla oficial da Aprilia na temporada, estando agora com 177 pontos, e com ambos na alça de mira, se ocorrer qualquer percalço com eles, o que não tem sido raro nas últimas etapas, como vimos. Mas não é apenas o italiano da VR46 que está chegando perto: a vitória de Ai Ogura levou o japonês da Trackhouse para a 4ª posição no campeonato, com 168 pontos, passando à frente de Marc Márquez, que cai para a 5ª posição, com 153 pontos, e viu sua recente arrancada levar uma estancada também. Diogo Moreira ocupa a 16ª posição no campeonato, com 43 pontos. O brasileiro é a segunda melhor moto Honda na classificação, tendo superado seu companheiro Johaan Zarco, que segue fora de combate na competição por ter se acidentado há algumas corridas, estando ainda em recuperação. Joan Mir, da equipe oficial da Honda, que parece cair a toda hora, já ficou para trás, e a melhor Honda é Luca Marini, que está em 11º lugar, com 71 pontos.
O triunfo de Ai Ogura em Assen encerrou um longe jejum de 22 anos de vitórias de pilotos japoneses na classe rainha do motociclismo. Até o triunfo de Ogura, a última vitória de um nipônico na competição tinha sido no Grande Prêmio do Japão de 2004, na pista de Motegi, com Makoto Tamada, que competia pela equipe Honda Pons, pilotando uma RC211V, e tendo como companheiro de equipe o italiano Max Biaggi. Curiosamente, quando Tamada venceu aquela corrida, disputada em setembro de 2004, Ai Ogura tinha apenas três anos de idade.
A Formula-E retornou à pista de Sanya, na China, após alguns anos, e a corrida foi das mais agitadas, e conturbadas de tempos recentes. A pista da cidade chinesa, que havia recebido os carros da era Gen2 anos atrás, não parece ter sido muito propícia para os carros Gen3EVO, muito mais velozes. A Andretti brilhou na corrida, com Jake Dennis marcando a pole-position, com Felipe Drugovich largando bem ao seu lado. E os dois comandaram boa parte da prova, mesmo que os rivais também tenham assumido a liderança em alguns momentos. Mas as confusões começaram quando Dan Ticktum acertou a traseira de Mith Evans, provocando uma carambola que depois acabaria envolvendo mais carros, obrigando a interromperem a corrida com a bandeira vermelha. Na relargada, a dupla da Andretti estava novamente na frente, e as disputas começaram a ficar bem mais acirradas. Pascal Wehrlein, da Porsche, por exemplo, numa dividida com Norman Nato, da Nissan, mandou o adversário no muro. Drugovich, em disputa com o piloto da Porsche, deu um encostão no alemão que acabaria lhe rendendo uma punição de 5s, situação similar ao que ocorreu também com Antônio Felix da Costa, da Jaguar, que também andou tendo seus percalços nas disputas de posição. No final, a vitória foi de Jake Dennis. Felipe Drugovich cruzou a linha de chegada em 2º lugar, perfazendo uma dobradinha para a Andretti, porém a punição aplicada ao brasileiro o fez despencar para a 5ª posição, de modo que José Marti, da Kiro, foi alçado ao 2º lugar, com Nyck De Vries, da Mahindra, fechando o pódio na 3ª posição. Antônio Felix da Costa fechou em 4º lugar, após a sua penalização. Lucas Di Grassi conseguiu chegar novamente em 10º, marcando mais um ponto, e tentando encerrar de maneira minimamente digna sua carreira de piloto, com o pior carro do grid, o Lola/Yamaha.
Com os abandonos de alguns dos principais colocados na competição, além de Pascal Wehrlein ter terminado zerado o fim de semana em Sanya, Mith Evans manteve a liderança do campeonato da F-E, com 128 pontos. Oliver Rowland ainda é o vice-líder, com 109 pontos, enquanto Edoardo Mortara é o 3], com 103 pontos. Pascal Wehrlein é o 4º colocado, com 101 pontos.
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