sábado, 28 de fevereiro de 2026

LARGADA DA INDYCAR 2026

São Petesburgo recebe mais uma vez a abertura da temporada da Indycar.

            Vai começar o ano da velocidade na Indycar, e mais uma vez, o palco inicial da temporada é o traçado urbano de São Petesburgo, na Flórida, que marca o início de uma temporada onde muita gente quer uma revanche, depois do massacre imposto por Álex Palou, da Ganassi, na temporada passada. O piloto espanhol chegou ao tetracampeonato vencendo nada menos que 8 das 17 provas do ano, enquanto a concorrência batia cabeça, sofria azares, tinha todo tipo de percalços, além de cometer erros diversos e ter um azar danado. Eles podem tentar, só falta combinar com Álex, que não vai querer parar apenas com 4 títulos na competição.

            E muito menos a Ganassi, que vem ganhando boa parte dos campeonatos da categoria nos últimos anos. Scott Dixon foi responsável por seis títulos, enquanto Palou já vem no encalço com outros quatro, o que confere a eles nada menos que 10 títulos só com estes dois pilotos. E claro que Dixon, que vem sendo ofuscado por Álex nestes anos recentes, ainda quer mostrar que tem lenha para queimar, e quem sabe, conquistar mais um título. Não é bom subestimar o neozelandês, que pode despertar quando menos se espera. E, por isso mesmo, os rivais que entrem na fila para desafiar a Ganassi. Penske, McLaren e Andretti estão a postos para tentar.

            Nos times grandes, a movimentação de destaque foi a mudança de Will Power, da Penske para a Andretti. O descaso com que a Penske tratou o australiano, último campeão pelo time, em 2022, foi o estopim para o rompimento da parceria, ainda mais pelo fato de Power ter sido o piloto de Roger Penske melhor classificado no ano passado. Power assume o carro que era de Colton Herta, que vai tentar a F-2, e possivelmente, a F-1, a depender de como se dará sua aventura no automobilismo europeu. Com sua experiência e qualificação de bicampeão, Power deve capitanear a Andretti na tentativa do time voltar a ser campeão da competição, e deixar de ficar à sombra de Ganassi e Penske, e até da McLaren nas disputas. E claro que, também para mostrar à Penske que não deveria tê-lo menosprezado, ainda mais por ter sido o último campeão da escuderia. A Andretti conta também com Kyle Kirkwood, que até incomodou Palou no início da temporada do ano passado, mas não conseguiu manter o ritmo, e claro, vai tentar a revanche

            Vinda da sua pior temporada em vários anos, a Penske tenta voltar a seus melhores dias. Trouxe David Malukas da Foyt para o lugar de Power, e procura recuperar o prestígio perdido pelos problemas de irregularidades ocorridos nos dois últimos anos que abalaram não apenas a reputação da escuderia mais vitoriosa do automobilismo norte-americano, mas da gerência de Roger Penske como proprietário do certame. Mas o ano começa com uma sombra, com a recontratação de Tim Cindric como engenheiro de corrida de Scott McLaughlin, depois de sua demissão no ano passado como parte das consequências do uso de atenuadores irregulares nos treinos para a Indy500. No primeiro treino livre hoje, isso pareceu revigorar McLaughlin, que terminou com o melhor tempo, e deixando Josef Newgarden e o novo companheiro de time David Malukas bem para trás, com o Josef em 14º, e Malukas em 9º.

Álex Palou é o piloto a ser batido na temporada, e os rivais que comecem a trabalhar desde já...

            Power, infelizmente, não foi bem no treino, terminando apenas em 18º, com Kirkwood em 3º e Marcus Ericcson em 5º, posições muito importantes para a Andretti. Quem negou fogo foi a McLaren, com Christian Lundgaard apenas em 10º, Patrício O’Ward em 12º, e Nolan Siegel novamente deixando a desejar, em 20º. Palou não foi mal, fez o suficiente para ser o 6º colocado, enquanto Dixon não foi além de 15º. Mas tudo pode mudar amanhã, no segundo treino livre, e na classificação para a corrida. Ninguém vai querer largar muito atrás, já que o circuito é de difícil ultrapassagens, ainda que uma boa estratégia de corrida possa ajudar a resolver parte dos problemas de se largar em posições não ideais.

            Romain Grosjean está de volta ao grid, depois da ausência em 2025, e de volta à Dale Coyne, onde estreou na competição e causou boa impressão, e terminou o treino livre em 13º lugar. E Mick Schumacher, filho do heptacampeão de F-1 Michael Schumacher, inicia uma nova era em sua carreira de piloto, estreando no certame norte-americano, defendendo o time da Rahal/Letterman/Lanigan, que busca encontrar melhores dias depois de temporadas demasiado irregulares nos últimos anos. E, pelo menos no treino de hoje, a equipe continua lá na parte de trás do pelotão. Graham Rahal foi apenas o 19º, com Louis Foster em 22º, e Mick em 23º, de 25 carros que treinaram. Já Caio Collet, estreando oficialmente pela Foyt, teve problemas com os freios e terminou apenas em 24º lugar, mostrando que terá muito trabalho para acertar sua performance, uma vez que Santino Ferrucci, seu companheiro de time, foi o 16º.

            Os tempos do primeiro treino livre foram bem apertados, com todos os 25 carros separados por apenas 1s175, indicando que qualquer erro, por menor que seja, na melhor volta, pode resultar em uma classificação potencialmente desastrosa, e não importa de qual time você faça parte. Essa é a melhor competitividade da categoria, comparada com outros certames, em especial a F-1. E apesar do favoritismo teórico de alguns pilotos, na hora do vamos ver, tudo pode se confirmar, ou nada se confirmar. A competitividade já foi mais imprevisível em algumas temporadas passadas, mas ainda se faz presente o suficiente para tentarmos apostar em quem vai conseguir vencer no domingo.

            O grid em São Petesburgo será o menor da competição em muitos anos. Confirmando os maus presságios, a Prema não conseguiu comparecer para a prova de estréia da temporada. Com problemas financeiros sérios, que já vinham se arrastando desde sua estréia no ano passado, a escuderia já não participou da pré-temporada, nos treinos de Sebring e Phoenix, e com isso, tivemos apenas 25 carros na pista para este final de semana. A Prema talvez ainda consiga participar da temporada, mas isso é totalmente incerto. Se conseguirem fundos, talvez participem apenas da Indy500, onde ano passado chegaram a surpreender conquistando a pole-position da corrida, quem sabe. Depois de terem implantado o sistema de “charters” para valorizar o grid, é um revés forte porque a direção da categoria priorizou a entrada da Prema, um time europeu, ante outros candidatos dos próprios Estados Unidos que queriam fazer parte da competição. Agora, estes potenciais candidatos já definiram suas metas de competição para 2026, e caso a Prema desista de participar em definitivo, eles não tem como cobrir esse “buraco” no grid, o que teoricamente só poderão pensar em fazer em 2027.

            A Indycar pelo menos conseguiu resolver o problema do fornecimento de motores para a competição para os próximos anos. A Honda vinha dando claros sinais de insatisfação com a categoria, e ameaçava pular fora, o que deixaria a Chevrolet como fornecedora única de propulsores, situação que a própria Indycar já vivenciou anos atrás, quando só teve a própria Honda como fornecedora. Negociações e medidas foram tomadas para deixar a competição mais atrativa, e com isso, tanto Chevrolet quando Honda assinaram novos contratos de renovação no fornecimento de motores, que venciam ao final deste ano, garantindo a participação das duas marcas, e um certo alívio para as escuderias. Mesmo assim, a Indycar ainda não conseguiu realizar algo que vem tentando nos últimos anos, que é encontrar um terceiro fornecedor de motores para a competição. Não há interessados em participar de uma competição que se presume ser uma das principais categorias de monopostos do mundo do automobilismo. Em tese, isso é preocupante porque indica que o certame não parece relevante para muitos fabricantes. Por isso, conseguir que Chevrolet e Honda permaneçam é uma grande vitória, ainda que a pergunta seja, até quando...?

            A temporada deste ano terá algumas mudanças em relação aos últimos anos. Além de uma corrida inserida de “última hora”, o Grande Prêmio de Washington, a ser realizado no fim de agosto, como prova de comemoração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, ocorrida em 1776, o certame terá uma nova corrida no Canadá, o único país além dos EUA a sediar provas atualmente. Toronto, palco da prova das categorias Indy desde os anos 1980, quando surgiu pela primeira vez, com a F-Indy original, foi substituída por Markham, nos subúrbios da zona metropolitana de Toronto. Iowa deixou o calendário, mas a competição, ao transformar Milwaukee em rodada dupla, manteve o número de corridas em ovais da competição, e Arlington estréia na competição como um novo circuito urbano, deixando o calendário com um equilíbrio raro: 6 provas em todos os tipos de pistas do calendário, sejam ovais, mistos, e traçados de rua.

            A nova associação com a Fox, iniciada no ano passado, já deu frutos perceptíveis, com novos visuais gráficos nas corridas, além de uma divulgação massiva para recuperar a audiência da categoria de monopostos, com bons resultados em 2025, e que tem tudo para continuar melhorando em 2026. Ainda assim, uma reclamação dos participantes permanece: a compressão do calendário em cerca de seis meses do ano, fazendo com que o campeonato termine muito cedo, no início de setembro, o que provoca uma maratona de corridas em determinados momentos que tem tido impacto negativo no ritmo de trabalho dos times e pilotos, que gostariam que a temporada terminasse um pouco mais tarde, talvez no início de outubro, até para diminuir o tempo de inatividade de equipes e pilotos. Quem sabe, em 2027, quando as tratativas para novas provas fora dos EUA e Canadá finalmente frutifique…?

Caio Collet não começou bem seu primeiro final de semana de corrida na Indycar como piloto titular.

            A temporada começa com perspectivas melhores para os fãs brasileiros no que tange a acompanhar a competição de monopostos dos Estados Unidos, pelo menos, no que tange à TV aberta. Depois de cinco anos onde a TV Cultura fez um trabalho muito bom na veiculação das corridas, quando ninguém esperava que eles abarcassem um campeonato de automobilismo, o retorno da competição à Bandeirantes, sua antiga casa, ficou na expectativa quando pareceu que a emissora voltaria com velhos e ruins hábitos de quando transmitia a Indycar, com provas espalhadas no canal aberto e no canal pago Bandsports, meio que ao sabor do humor, tirando do fã qualquer previsibilidade mais aceitável se iria conseguir ou não ver as corridas. De início prometendo transmitir apenas 8 das 17 corridas iniciais, eis que a emissora voltou atrás, e vai exibir pelo menos 15 provas, sendo as restantes veiculadas em compacto na madrugada de domingo para segunda-feira, um horário ingrato, infelizmente. Mas já está melhor do que o esperado inicialmente. E com a ESPN transmitindo na TV por assinatura, desta vez a Bandeirantes não poderia exibir a competição no Bandsports, como fazia antigamente.

            E pelo menos a cobertura terá um time muito melhor do que a Bandeirantes fazia antigamente, quando tinha apenas narrador e comentarista. Agora além deles, teremos também repórter in loco nas corridas de toda a temporada, com Thiago Fagnani acompanhando direto das pistas os acontecimentos da competição. É um tipo de cobertura mais completa que não víamos em uma categoria Indy desde 1998, quando o SBT resolveu não mandar mais o time de transmissão para as corridas da antiga F-Indy, quando Silvio Santos puxou o fim da tomada e fez a transmissão das corridas daquele campeonato descerem ladeira abaixo no quesito estrutura técnica. Ponto positivo para a emissora do Morumbi, sem dúvida, que além de surpreender os fãs e telespectadores, está sabendo fazer uso de seu grupo de profissionais que até o ano passado estava cuidando das transmissões da F-1, que este ano voltaram para a Globo.

            A largada está programada para as 14:00 Hrs. deste domingo, com transmissão ao vivo tanto da TV Bandeirantes em canal aberto, quando da ESPN em canal fechado. É hora de torcer, e que venha novamente a bandeira verde do início da prova, quando aí será cada um por si, Deus por todos, e que vença o melhor...

 

 

E a MotoGP também dá a largada para a temporada de 2026, com o GP da Tailândia, na pista de Buriram. Na última temporada antes da entrada de novas regras técnicas em 2027, onde inclusive passarão a adotar motores de 850cc, em substituição aos atuais 1000cc, a expectativa é de mais um ano de domínio da Ducati, em que pese a conterrânea Aprilia prometer engrossar a parada, ainda que sem sabermos se conseguirá fazê-lo com a consistência necessária para efetivamente desafiar o poderio de Borgo Panigale. Pelo menos no que tange a esta sexta-feira, a marca de Noale conseguiu impressionar: Marco Bezzecchi fez o melhor tempo, com o novo recorde da pista tailandesa, deixando Marc Márquez, o atual campeão, a 0s4 de distância, se impondo com autoridade que muitos não esperavam, e dando a impressão de que a Aprilia vai, sim, dar dor de cabeça à compatriota de Bolonha. A corrida sprint e a prova de domingo têm transmissão ao vivo pelo canal pago ESPN e pelo Disney+, e a largada das duas provas está marcada para as 05:00 Hrs., tanto neste sábado quanto no domingo.

A classe rainha do motociclismo acelera para a temporada de 2026 na pista de Buriram, na Tailândia.

 

 

Para os fãs brasileiros da motovelocidade, a grande atração é a estréia de Diogo Moreira como piloto titular, encerrando uma ausência de quase 20 anos sem um piloto do Brasil na classe rainha do motociclismo. Alexandre Barros, que foi nosso último representante na competição, foi justamente quem redirecionou a carreira de Diogo, que competia no motocross, para as disputas em circuitos asfaltados. Moreira já chega à MotoGP com o inédito título da Moto2, e está garantido pelos próximos 3 anos como piloto da Honda na competição, que o alocou na LCR, seu time satélite, onde poderá aprender tudo sobre a competição, e correr com pressão menor por resultados. A sua sorte é que Honda parece ter saído do fundo do poço onde se encontrava, e com isso, a chance de obtenção de resultados melhores fica maior, permitindo a Diogo um equipamento razoável para mostrar o que sabe. No treino desta sexta-feira em Buriram, o novo titular da LCR ficou apenas em 18º, tomando cerca de 0s5 do companheiro de equipe Johaan Zarco, que ficou em um animador 10º lugar. Diogo fez questão de frisar que tem muito a aprender, e quanto mais puder andar com a moto, mais experiência e melhores sensações ele terá. A Honda parece ter conseguido de fato melhorar a RC123V, então cabe ao brasileiro se entrosar da melhor maneira possível com o equipamento, a fim de obter o melhor rendimento possível. Ele não ficou satisfeito com os resultados desta sexta, e quer fazer melhor… Vejamos como ele se sairá...

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