quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

FLYING LAPS – JANEIRO DE 2026

            E já deixamos o primeiro mês de 2026 para trás, e adentramos o mês de fevereiro. O mundo da velocidade começa a se mexer intrepidamente, não deixando a poeira se acumular por onde passa, mas antes de seguirmos adiante com este segundo mês do ano, temos alguns destaques do que aconteceu em janeiro para recordar, sempre com alguns comentários rápidos a respeito destes eventos do mundo do esporte a motor mundial, em mais uma sessão da Flying Laps, como é de costume todo início de mês. Uma boa leitura a todos, e até a próxima sessão Flying Laps do mês que vem...

E deu Brasil novamente nas 24 Horas de Daytona. Felipe Nasr, defendendo o carro Nº7 da equipe Penske/Porsche, faturou a vitória na classe principal da corrida, a GTP, e com isso, repetiu o feito alcançado por Hélio Castro Neves, que venceu consecutivamente com seu time as edições de 2021, 2022, e 2023. O piloto brasileiro fez uma grande pilotagem, especialmente na reta final da prova, defendendo-se dos ataques do carro Nº 31 da Whelen Motorsports, com Jack Aitken ao volante, que brigou até o fim pela vitória, e acabou recebendo a bandeirada com uma diferença de apenas 1s569 para o bólido da Penske, numa final eletrizante onde tudo estava em aberto nas voltas finais. O carro Nº 24 da equipe WRT fechou o pódio, com uma desvantagem de 21s386 para o vencedor. Mas o duelo mesmo estava entre os carros Nº 7 e 31, com Nasr precisando dar tudo para resistir à pressão fortíssima de Aitken, que bem que tentou, mas não conseguiu demover o brasileiro da liderança. A performance de Felipe rendeu elogios do próprio Roger Penske, presente em Daytona para acompanhar o desempenho de seu time, e classificou o desempenho do brasileiro como uma das melhores atuações que já viu de um piloto, e olhe que Penske, cuja equipe de competição completa 6 décadas de existência este ano, já teve muitos pilotos de quilate sob seu comando, e Nasr é apenas o mais recente deles, o que não deixa de ser um elogio considerável.

 

 

O triunfo de Felipe Nasr nas 24 Horas de Daytona deste ano representa um feito inédito para o automobilismo brasileiro. Se por um lado Felipe igualou o feito do compatriota Hélio Castro Neves, por outro lado, representou nada menos que a sexta vitória consecutiva de pilotos brasileiros na tradicional prova de endurance dos Estados Unidos. Desde 2021 um brasileiro ocupa um dos lugares do topo do pódio da prova. Hélio Castro Neves venceu com seu time em 2021, 2022, e 2023. E desde 2024, é Felipe Nasr que está lá presente, sempre com a Penske/Porsche. Outro piloto brasileiro que também venceu 3 vezes as 24 Horas de Daytona foi Christian Fittipaldi, que triunfou nas edições de 2004, 2014, e 2018. Com estes três triunfos de cada um, nossos pilotos estão abaixo apenas de Hurley Haywood e Scott Pruett, cada um com 5 vitórias cada, e dos pilotos Pedro Rodríguez, France Bob Wollek, Peter Gregg, e Rolf Stommelen, cada um com 4 vitórias. O Brasil, com a vitória de Nasr este ano, contabiliza agora 12 triunfos na classe principal das 24 Horas de Daytona. Além da trinca de triunfos de Helinho, Felipe, e Christian, Oswaldo Negri Jr. venceu a corrida em 2012; Tony Kanaan faturou a prova em 2015; e Pipo Derani foi o vencedor em 2016.

 

 

Se o Brasil teve o que comemorar com a vitória épica de Felipe Nasr, infelizmente nossos outros representantes na corrida passaram longe de obter um resultado tão respeitável. Daniel Serra, Pietro e Enzo Fittipaldi, e Felipe Fraga, infelizmente, ficaram pelo caminho, sofrendo abandonos pelos mais diversos motivos. A exceção foi Dudu Barrichello, qu terminou na 3ª colocação com o carro Nº 27 Aston Martin da Heart of Racing na classe GTD. Melhor sorte a todos eles na próxima vez…

 

 

A disputa judicial entre a equipe McLaren e o piloto espanhol Álex Palou chegou ao fim neste mês de janeiro. E a decisão foi a favor da escuderia de Woking. Como resultado, o piloto terá de indenizar a escuderia britânica em pelo menos US$ 12 milhões, por não cumprir o contrato assinado que, originalmente, colocaria Palou como piloto titular da equipe na temporada 2023 da Indycar. Durante meados de 2022, após ter sido campeão da categoria de monopostos dos Estados Unidos, Álex surpreendeu ao anunciar que iria trocar a Ganassi, onde pilotava, pela McLaren para a temporada seguinte da competição. A equipe de Chip Ganassi, contudo, abriu uma disputa judicial, pois eles entendiam que a opção de permanência ou não do piloto era primazia da escuderia, e após um acordo inicial entre as partes, ficou acertado que Palou seguiria na Ganassi, pelo menos em 2023, postergando a mudança para a McLarem para a temporada de 2024. Teoricamente, tudo terminaria por aí. Palou competiu pela Ganassi em 2023 e também exerceu o cargo de piloto reserva da McLaren nos finais de semana em que a Indycar não conflitava com a F1. Entretanto, ao longo daquela temporada, o espanhol mudou de idéia, e anunciou que não cumpriria mais o acordo com o time de Woking a partir de 2024, preferindo ficar na Ganassi, e isso enfim deu origem à disputa judicial, com a McLaren alegando prejuízos decorrentes de investimentos feitos com a expectativa de contar com o piloto espanhol, que chegou ao bicampeonato em 2023 na Indycar. A indenização que a McLaren receberá representa pouco mais da metade dos cerca de US$ 20 milhões solicitados inicialmente na ação. Entre as razões alegadas por Palou estava o fato de que a escuderia acenava com a possibilidade de Palou passar a ser titular da escuderia inglesa na F-1, mas que com a contratação do australiano Oscar Pìastri, essa meta ficou inviabilizada, o que motivou o espanhol a desistir de defender o time na Indycar, e a ficar onde já estava, em um time de ponta, com carro competitivo, onde poderia ter mais sucesso do que na McLaren. O espanhol também terá de ressarcir a McLaren diante de perdas de patrocinadores e aumento de gastos internos do time devido a outros assuntos afetados diretamente pela e então contratação do piloto espanhol. Mas embora a disputa principal tenha terminado, o assunto ainda não está encerrado de todo, uma vez que a McLaren ainda pretende impetrar uma nova ação para recuperar juros e despesas judiciais decorrentes de todo o processo ocorrido até aqui.

 

 

Chip Ganassi demonstrou apoio total a Álex Palou após a divulgação do resultado da disputa judicial. O dono da escuderia defendida por Palou falou sobre o caráter do tetracampeão da Indy e garantiu que o foco da equipe já está em conquistar novamente as 500 Milhas de Indianápolis e mais um título, repetindo o feito de Álex nas últimas duas temporadas, onde ele conquistou o tetracampeonato, junto às conquistas realizadas em 2021 e 2023. Mas é verdade que o ambiente na Ganassi ficou turbulento em 2022, assim que o espanhol anunciou que iria mudar de time, atropelando a preferência da Ganassi por sua permanência. Isso influenciou no rendimento de Palou ao longo da competição, onde ele não conseguiu defender o título conquistado ano anterior. Com a situação “estabilizada” em 2023, Álex voltou à sua melhor forma na pista, bem como a Ganassi, conquistando então o bicampeonato da categoria, feito que repetiria também em 2024 e 2025.

 

 

A Indycar, aliás, corre o risco de ficar desfalcada em seu grid este ano. A Prema, time que estreou no ano passado, onde a categoria inclusive iniciou um sistema de “charters” visando valorizar os competidores do grid à época (do qual a Prema foi a única a ficar de fora), estreou na temporada de 2025 depois de anunciar no ano anterior que estava de mudança para os Estados Unidos em busca de melhores oportunidades de competição no mundo do esporte a motor. Foi um belo aceno à Indycar, que ganhava um novo time que, com sorte, poderia ajudar a remexer o ambiente meio estático dos times da competição. Mas, claro que a empreitada, como de qualquer time novato na categoria, foi cercado de problemas. A pole-position inesperada de Robert Shwartzman em Indianápolis até deu um alento de que a escuderia européia poderia vir a crescer na competição em algum momento, mas no fim, não foi isso o que aconteceu. E, ao que tudo indica, potenciais patrocinadores não apareceram ou resolveram dar para trás, complicando a situação financeira da escuderia, que até o fim do mês de janeiro, vivia situação completamente incerta, sendo que até a família Rosin, fundadora do time, resolveu pular fora da equipe, o que não é um bom sinal. Callun Illot, piloto do time, anunciou que a situação do time é difícil, e que todos correm contra o tempo para tentar viabilizar a participação da escuderia na temporada 2026, mas já dá como certo a ausência do time nos testes da pré-temporada, e coloca em dúvida até mesmo se a equipe conseguirá alinhar no grid na primeira corrida, em São Petesburgo, no início de março. Diante dessa incerteza sobre o futuro do time na Indycar, Illot já arrumou um novo posto para 2026, que será disputar o IMSA WeatherTech Sportscar, o campeonato de endurance dos Estados Unidos. Seguro morreu de velho, afinal…

 

 

A situação da Prema joga um balde de água fria na própria Indycar, e seu novo recém-adotado sistema de “charters”, concebido para privilegiar os participantes fixos da competição, e tentar “disciplinar” novos candidatos. Ao limitar o grid a 27 carros, mas também a 27 participantes nos treinos, com exceção da Indy500, a Indycar tentou resolver um problema de administração de espaço nos circuitos, que estavam com pouco local livre no paddock e pit lane para acomodar tantos times. Por isso, resolveu limitar a participação aos 25 competidores “fixos” (leia-se os times tradicionais), e limitar a 2 os novos participantes. No ano passado, este número “bateu” em cima com a entrada da Prema, e em tese, deixaria as condições de entrada mais difíceis para novos candidatos. Ocorre que haviam mais candidatos além da Prema a tentarem a sorte na categoria, mas o status da equipe européia, que chegava com condição respeitosa na Indycar em termos de currículo e prestígio, acabou valendo mais do que as condições técnicas, enquanto outros pretendentes tinham apresentado condições técnicas mais robustas para a empreitada. E eram times com experiência no automobilismo norte-americano, que claro, tinham todo o direito de tentar a sorte na competição, mas acabaram “barradas” pela entrada da Prema. E agora, caso o time não consiga competir, como fica a situação? Ter 25 carros no grid não é exatamente um problema, mas a reputação queimada com que a Indycar fica por não ter permitido a entrada de outros times que, a esta altura do ano, já não tem nenhuma condição de tentarem querer competir este ano na Indycar. A solução adotada até certo ponto é mais complicada do que deveria, pois a meu ver, não teria problemas em ter mais de 27 carros disputando a classificação, mas deixando apenas 27 largarem, e o restante, ficando de fora. Antigamente, era assim em várias competições, onde os mais lentos não largavam, e geralmente tinha mais candidatos que vagas. Hoje, treinos de classificação perderam parte do drama porque, a bem ou mal, todo mundo larga, ninguém fica de fora, mas antigamente, isso às vezes era muito mais complicado, porque com mais carros que vagas, inevitavelmente alguém ficaria de fora, não importasse quem fosse...

 

 

Enquanto isso, a Indycar trabalha para tentar manter a Honda como fornecedora de motores. Inclusive, para 2028, está anunciada a adoção de novas unidades híbridas V-6 biturbos de 2,4 litros, em substituição aos atuais V-6 turbos de 2,2 litros. Previstos para fornecerem cerca de 800 Hps de potência, a força total seria acrescida de cerca de 100 Hps a mais com o sistema elétrico híbrido, além de proporcionar motores mais simples e que demandem menos custos de preparação, desenvolvimento e manutenção. Não apenas tentar manter a Honda e a Chevrolet, os fornecedores atuais, a Indycar espera atrair também novos fornecedores para a competição, algo que não tem sido efetivo na última década. Quem sabe agora a coisa ande…?

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