quarta-feira, 14 de outubro de 2026

HAVOC SERIES – A TEMPORADA DE 1988 DA F-1 – PARTE VII

Portugal mostrou que o clima ia esquentar na McLaren, mas na verdade aquilo foi café pequeno diante do que veríamos em 1989 entre Prost e Senna...

            Hora de seguirmos em frente com a postagem das corridas da temporada de 1988. A F-1 entrava em sua reta final, com quatro provas para encerrar o campeonato, e a disputa entre Ayrton Senna e Alain Prost ainda prometia alguns rounds interessantes. Apesar do alento da vitória da Ferrari em Monza, na Itália, na etapa anterior, nada mudava a sensação da dominância esmagadora da equipe McLaren na temporada de 1988, e todos sabiam que o resultado da prova anterior foi uma exceção à regra de que todos, fora a dupla do time de Woking, não passavam de meros coadjuvantes na competição naquele ano. E, com quatro provas restando para finalizar a temporada, ainda tínhamos disputas a ver na pista. E a prova seguinte seria o Grande Prêmio de Portugal, realizado no dia 25 de setembro daquele ano, na pista do Estoril.

Na classificação, nada de novo, com a McLaren a dominar a primeira fila com facilidade, mas com Alain Prost a arrebatar a pole-position, deixando Ayrton Senna com a segunda posição. Ivan Capelli, da March/Judd, era a surpresa, largando em 3º, apesar da distância de quase 1s5 para o pole-position, mas superando a Ferrari de Gerhard Berger, largando em 4º. Mas a boa forma da March não era apenas de Capelli: Maurício Gugelmim partia de uma excelente 5ª posição, enquanto Nigel Mansell, da Williams/Judd, de volta ao grid, saía em 6º lugar. Michele Alboreto, com a outra Ferrari, era o 7º, à frente de um Nélson Piquet tentando se virar com o carro problemático da Lotus/Honda, saindo em 8º.

A corrida começou meio complicada, quando a primeira largada foi abortada devido ao Rial/Ford de Andrea de Cesaris ter apagado no grid. A segunda largada, entretanto, foi abortada depois que o Arrows/Megatron de Derek Warwick empacou, e acabou atingido por de Cesaris, com Luis Pérez-Sala, da Minardi/Ford, e Satoru Nakajima, da Lotus/Honda vindo atrás, obrigando a uma terceira largada. Esta ocorreu felizmente sem maiores probemas, com Ayrton Senna largando muito bem, e tomando a liderança. Mas Prost não ia deixar barato, e no início da segunda volta, o francês saiu do vácuo de Senna para ultrapassá-lo. Senna fechou a porta bruscamente, e forçou Prost em direção ao muro dos boxes a mais de 280 km/h. O francês, entretanto, manteve-se firme, e sem tirar o pé do acelerador, ultrapassou Senna na primeira curva, assumindo a liderança, e não a largando mais até a bandeirada final da prova, obtendo uma vitória decisiva para reforçar suas esperanças de título na temporada. 

Prost não ficou impressionado com as táticas de Senna e os dois trocaram palavras não muito amigáveis no paddock da McLaren após a corrida. Senna respondeu à raiva de Prost afirmando que quase foi jogado para a grama por Prost antes da primeira curva após a largada, justificando que não foi ele que teria começado. A vantagem de Prost chegou a 7 segundos e se manteve até a bandeirada, com ligeiro aumento, enquanto Senna era incomodado por uma leitura de combustível errática que indicava um consumo excessivo, que no final, verificou-se ser falsa, ao fim da corrida. Mas, durante a prova, temendo uma pane seca, Ayrton diminuiu o ritmo, o que permitiu que Capelli o superasse, assumindo a 2ª posição. Mas, com o brasileiro ainda sentindo a ameaça da pane seca, Gerhard Berger também o ultrapassou, deixando Senna vulnerável aos ataques da Williams de Nigel Mansell . O britânico estava mais próximo nas curvas, mas o Honda turbo era superior nos trechos rápidos da pista.

Só que Berger teve problemas e abandonou a prova. Na volta 57, Senna, ainda com problemas no indicador de combustível, Senna parou nos boxes para trocar os pneus e nesta, acabou sendo ultrapassado por Alboreto, Thierry Boutsen e Derek Warwick, caindo para a 6ª posição, onde acabaria terminando a prova. Alboreto, contudo, perderia ritmo, com falha do motor na última volta, sendo superado pelo piloto da Benetton e da Arrows, terminando a corrida em 5º lugar. A March ficava em êxtase com o pódio de Capelli, com a 2ª posição, mas Gugelmim, na outra March, ficou pelo meio do caminho, abandonando a corrida, assim como Piquet, que continuava seu martírio com a Lotus na fase final da temporada.

Com o resultado da corrida, Prost reassumia a liderança, com 81 pontos, enquanto Senna, agora com 76, indicava que a disputa iria ficar acirrada, depois da troca de acusações entre ambos que mostrava o clima esquentando dentro da McLaren entre a dupla de pilotos, mas ainda em um clima que pareceria ameno, diante do que ambos teriam em 1989. Mas havia outro detalhe que precisava ser ajustado: o descarte de pontos. Na época, o regulamento estipulava o descarte dos cinco piores resultados da temporada, e Ayrton, com três abandonos, tinha no 6º lugar da prova lusitana seu pior resultado em uma corrida finalizada, enquanto Prost tinha apenas dois abandonos, e teria que descartar mais pontos que o brasileiro.

            A corrida pode ser acompanhada, na íntegra, no link abaixo, postado no You Tube pelo usuário Forell:

 

https://www.youtube.com/watch?v=XJH6JDDY4GY

 

A etapa seguindo do campeonato seria em Jerez de La Frontera, na Espanha, marcando a despedida da Europa do calendário da F-1 em 1988. Com o triunfo em Portugal, Prost vencia pela primeira vez desde a França, e ainda se mostrava firme na briga pelo título, que ganhava mais um round na pista da Andaluzia. E a dupla do time de Woking não negou fogo: a McLaren garantiu a primeira fila do grid pela décima vez em 14 corridas, com Ayrton Senna conquistando a 10ª pole position em 14 provas. Um motivado Alain Prost vinha logo atrás, a apenas 0,067s do companheiro de equipe. Na pista estreita e sinuosa, os carros aspirados mostraram serviço: Nigel Mansell, vencedor da corrida de 1987, largava em terceiro lugar com seu Williams/Judd, seguido por outros carros aspirados até à sétima posição. O próximo melhor turbo atrás dos McLarens foi a Ferrari de Gerhard Berger, em oitavo lugar, com o austríaco sendo cerca de 1s4 mais lento que Senna. Nelson Piquet, com a Lotus/Honda; e Michele Alboreto, da Ferrari, se classificaram em 9º e 10º lugares, respectivamente. Depois do belo 2º lugar no Estoril, Ivan Capelli, com a March/Judd, largava em 6º, enquanto Maurício Gugelmim partia da 11ª posição.

Na largada, Alain Prost partiu melhor do que Ayrton Senna, assumindo a liderança da prova. Nigel Mansell também largou melhor, e deixou Senna em 3º lugar. Enquanto isso, Ivan Capelli e Thierry Boutsen (Benetton/Ford) se envolveram em um acidente, danificando o bico do Benetton, mas ambos evitaram o abandono e se mantiveram na corrida. Na segunda volta, Senna superou Mansell, mas saiu da pista, permitindo que o inglês retomasse a vice-liderança. Nas primeiras 28 voltas, praticamente não houve mais mudanças entre os sete primeiros: Prost liderava com meio segundo de vantagem sobre Mansell, enquanto Senna tinha que defender o terceiro lugar de um aguerrido Riccardo Patrese, enquanto Capelli, por sua vez, era acossado por Alessandro Nannini e Gerhard Berger. Capelli conseguiu ultrapassar Patrese, assumindo o quarto lugar na volta 36 e depois ainda superou Senna, assumindo o terceiro lugar na volta 39. No entanto, seu motor quebrou na volta 46. Enquanto isso, Nigel Mansell conseguia manter-se perto de Prost, mas não tinha condições e potência de motor para tentar um ataque efetivo. Nannini estava rápido com seus pneus novos após o pit stop, e conseguiu ultrapassar não apenas Riccardo Patrese, assumindo a 4ª posição, mas também a McLaren-Honda de Ayrton Senna, conquistando o terceiro lugar em apenas uma volta.

Prost garantiu sua 34ª vitória na carreira com um recorde de volta mais rápida e Nigel Mansell conquistou seu segundo pódio do ano com um novo 2º lugar. Alessandro Nannini (Benetton/Ford) conquistou mais um pódio, ficando à frente de Senna, que teve problemas com a leitura de combustível novamente, cruzando a linha de chegada com o indicador mostrando que ele tinha quase nada de combustível. Riccardo Patrese foi o 5º colocado, e Gerhard Berger terminou em 6º. Maurício Gugelmim foi o 7º colocado, batendo na trave da zona de pontos, e Nélson Piquet voltou a terminar uma corrida, apenas em 8º lugar.

Na classificação do campeonato, Prost alcançava 90 pontos, contra os 79 de Senna. Só que, pelo regulamento, o francês não contava com 11 pontos de vantagem sobre o brasileiro. A regra dos descartes, contando apenas os 11 melhores resultados do ano, já fazia efeito, especialmente em Prost. Alain Prost na verdade tinha 84 pontos válidos dos 90 pontos totais, pois o piloto francês já havia atingido o limite de 11 melhores corridas na zona de pontuação. A partir daquele momento, para aumentar sua pontuação máxima, ele precisaria obrigatoriamente descartar seus piores resultados, que eram todos segundos lugares, equivalentes a 6 pontos por prova. Ayrton Senna, por outro lado, contava com 79 pontos válidos de 79 pontos totais), pois o brasileiro tinha apenas 11 corridas finalizadas na zona de pontos até então, com 7 vitórias, 3 segundos lugares e um quarto lugar. Ele não precisava descartar nenhum ponto e dependia apenas de si mesmo.

            A corrida da Espanha pode ser acompanhada, na íntegra, no link abaixo, postado no You Tube pelo usuário Forell, de observar que infelizmente o áudio em português está baixo:

 

https://www.youtube.com/watch?v=2HlU3LoPKzA

 

            E aqui encerramos mais uma postagem de corridas completas da temporada de 1988. Na próxima, trago as provas finais daquele ano, que culminou na conquista do primeiro título mundial de Ayrton Senna. Até lá, e bom proveito das corridas desta postagem...

Nigel Mansell conquistou seu segundo pódio na temporada 1988, mas foi só: a Williams do inglês mais quebrava do que terminava as corridas naquele ano.

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