sexta-feira, 22 de junho de 2012

LE MANS SE RENDE (DE NOVO) À AUDI


            No ano em que comemorou 80 anos da realização de sua primeira edição, as 24 Horas de Le Mans, realizada no último final de semana, viu novamente um show de automobilismo de primeira, com várias disputas entre diversos pilotos e carros que levaram novamente uma multidão que aprecia o esporte a motor para a tradicional cidade francesa que abriga o belo circuito de cerca de 13 Km que sediou uma das provas mais famosas do automobilismo. Apenas a vitória não foi exatamente novidade: a Audi faturou a prova mais uma vez, sendo esta sua 11ª vitória desde que estreou na corrida, há menos de 15 anos atrás. E a equipe das argolas fez bonito, encaixando nada menos do que os 3 primeiros lugares na classificação, mostrando que não tinha praticamente para ninguém. O trio formado por Marcel Fassler, Andre Lotterer e Benoit Treluyer completou 378 voltas na corrida, chegando praticamente 1 volta à frente do trio Alan McNish, Rinaldo Capello e Tom Kristensen, e 3 voltas à frente de Olivier Jarvis, Marco Bonanomi e Mike Rokenfeller. O massacre só não foi maior porque o 4° carro da equipe Audi, pilotado por Marc Gené, Romain Dumas e Loic Duval chegou em 5°, com 12 voltas de atraso, perdendo a 4ª colocação para o Lola B10/60 conduzido por Nicolas Prost, Nick Heidfeld e Néel Jani, que chegou 11 voltas atrás do conjunto Audi vencedor. Mas para a Audi, até que ficou de bom tamanho, ainda mais porque Dumas, ao volante do carro, cometeu a barbeiragem de sair da pista e bater. Mas ele conseguiu chegar aos boxes para que o time fizesse os consertos necessários e retomasse a prova.
            A corrida deste ano teve nada menos do que 56 carros participantes, e destes, 35 chegaram a completar a corrida, em que pese o 35° colocado ter chegado 176 voltas atrás dos vencedores, mas provas de Endurance, ainda mais as 24 Horas de Le Mans, tem disso. O importante é competir, e chegar inteiro ao fim da prova, depois de um dia inteiro de competição ininterrupta, já pode ser considerado uma vitória. E Le Mans, como não poderia deixar de ser, teve também seus acidentes este ano. O mais violento deles envolveu Anthony Davidson, ao volante de um dos carros da Toyota, que foi uma das sensações da corrida este ano, pela volta da fábrica japonesa a uma competição automobilística de nível após terem encerrado sua participação na F-1. O piloto inglês foi tocado após uma ultrapassagem e seu bólido decolou, capotando no ar e batendo com certa violência na barreira de pneus. Davidson acabou fraturando duas vértebras, e embora seu caso não tenha sido relativamente grave, deverá ficar pelo menos dois meses de molho, em recuperação.
            A Toyota, aliás, chegou com a expectativa de desafiar os imbatíveis carros da Audi, uma vez que a Peugeot, que era a grande rival dos alemães nos últimos anos, não participou de Le Mans este ano. Os carros japoneses até deram algum trabalho para as 4 argolas, mas infelizmente os percalços inerentes a uma corrida de longa duração acabaram se mostrando para o time japonês. Seus dois carros ficaram fora de combate ainda no sábado, para decepção de quem esperava ainda ver uma vitória que não fosse da Audi.
            A Audi, aliás, mostrou mais uma vez a inovação nas 24 Horas. Se há alguns anos atrás a marca surpreendeu quando mostrou pela primeira vez um motor movido a diesel para competição na famosa prova, agora eles foram ainda mais ousados: seu modelo R18 que ficou nas duas primeiras colocações tinha propulsão híbrida, na prática, seu motor turbodiesel alimentava um sistema de recuperação de energia que ajudava a dar mais potência ao carro. Apesar do risco que a inovação representava, a Audi apostou nela, uma vez que sistemas como este, que reaproveitam a força gerada pelo próprio carro, devem ser a base dos carros do futuro próximo, e esta experiência deve se mostrar valiosa para os futuros projetos de carros. O motor convencional ficava na parte traseira, enquanto um motor elétrico abastecido pelo sistema de recuperação de energia ficava nas rodas dianteiras, reaproveitando a energia das freadas. Ah, sim, e um detalhe interessante: o sistema utilizado pela Audi foi desenvolvido pela Williams, que recentemente iniciou uma divisão da empresa que trabalha justamente com sistemas híbridos para veículos, como o Kers, dispositivo que é usado pela F-1 nos últimos tempos.
            Com uma divulgação maciça em Le Mans, a Audi simplesmente colhe o que investe, e a fábrica não tem pretensões de entrar na F-1, por mais que alguns caras fiquem injuriados com tal atitude. A tecnologia desenvolvida para as competições vista no circuito francês atende muito mais proximamente as necessidades de evolução em um carro de rua do que a F-1 apresenta hoje em dia. Vale dizer que a F-1 hoje não parece inspirar mais seus fãs a amarem os carros comuns de rua, ao passo que em Le Mans, ainda é possível criar o ambiente em que os fãs de corridas passem a amar também os carros de rua. Sem mencionar que, apesar de todo o gasto feito em uma única corrida, o estresse e tempo gasto na competição é infinitamente menor do que se esgoelar quase o ano inteiro no campeonato da F-1, que está chegando a 20 corridas por ano. E clima entre todos os competidores é muito mais agradável e aberto, ao contrário do ambiente opressor e cheio de frescuras que a categoria máxima do automobilismo exibe hoje em dia.
            Por isso, viva as 24 Horas de Le Mans. E estas, por sua vez, hoje fazem reverência à Audi, que vem tomando conta do pedaço francês desde que estreou. Fica a esperança de mais competição em 2013, até porque dizem que a Porshe, maior vencedora, com 16 triunfos, pretende voltar com tudo em breve, e manter-se na dianteira. Só não pensem que a Audi vai ficar parada esperando...


A IRL acelera este fim de semana no oval de Iowa, que deve ser a última pista oval do campeonato. Mas o cancelamento da corrida que seria feita na China está fazendo o pessoal da Indycar buscar opções de uma corrida substituta. E entre as possibilidades, estaria o circuito de Pocono, um superspeedway trioval de alta velocidade em que a F-Indy original correu até 1989. Mas outra pista legal que está na parada é Laguna Seca, na Califórnia, pista nunca usada pela categoria, assim como Elkhart Lake. Em breve, deveremos saber quem entra no lugar da corrida chinesa. A intenção maior da direção da categoria é tentar aproveitar a mesma data original da corrida em Qingdao...


A F-1 chegou a Valência para a disputa do GP da Europa, e o ambiente na cidade espanhola não é dos melhores. Além de a venda de ingressos não ter sido a mesma dos anos anteriores, o clima de crise econômica reinante na Espanha não ajuda muito quando o assunto é promover e justificar uma corrida de uma categoria caríssima como a F-1, em um momento onde o desemprego no país atinge níveis alarmantes. Junte-se a isso o fato de muita gente em Valência nunca ter tido simpatia pela corrida nas ruas da cidade, ainda mais com o circuito Ricardo Tormo na vizinhança que poderia muito bem sediar a corrida, e temos a possibilidade desta ser a última corrida nesta pista. Há a hipótese de se fazer a corrida espanhola revezar entre Barcelona e Valência, como forma de contornar essa situação, mas a grande maioria prefere que a corrida seja no circuito próximo a Valência, enquanto Bernie Ecclestone quis porque quis montar este novo circuito de rua há alguns anos atrás, e contou com a ânsia de vários políticos locais para conseguir empurrar a prova goela abaixo do povo valenciano. De qualquer forma, a F-1 parece concordar que precisa baixar seus custos, ainda mais com a crise econômica dominando as atenções em toda a Europa. Para 2013, a FIA deve assumir as rédeas do acordo de redução de custos que os times devem seguir, e que não vem sendo cumprido de forma correta, na opinião de alguns, com um ou outro time a burlar as restrições acordadas entre todos. Vamos ver se a categoria consegue tomar algumas atitudes neste sentido que tenham êxito...

quarta-feira, 20 de junho de 2012

ARQUIVO PISTA & BOX – NOVEMBRO DE 1995 - 30.11.1995


            Dando sequência à publicação de minhas antigas colunas, trago hoje a coluna publicada no dia 30 de novembro de 1995, cujo tema era a entrada arrasadora da Brahma na F-Indy, associando-se ao time que havia sido campeão naquele ano, com Jacques Villeneuve. Como o canadense partia para a F-1 em 1996, o time teria direito a usar o número 1 em seu carro, e como o slogan da cerveja brasileira era ser a marca “N° 1”, o mote bateu bem em cima. Além de um patrocínio milionário, o projeto também havia contratado o brasileiro Raul Boesel para ser o piloto do time em 96. O visual do carro ficou lindo com as cores da cerveja nacional, e todo um esquema de promoção havia sido preparado para capitalizar a jogada publicitária.
            Como vimos um ano depois, a coisa infelizmente não deu muito certo, pelo menos em termos de resultado de pista, mas foi um tipo de jogada publicitária que não vemos mais nos dias atuais, onde patrocínios a nossos pilotos e projetos no automobilismo internacional praticamente secaram quase por completo, apesar de nossa economia ter crescido muito de lá para cá. Curtam o texto, e boa leitura...



A JOGADA NA NÚMERO 1


Adriano de Avance Moreno


            Semana passada foi dado o maior passo já feito por uma empresa totalmente brasileira no meio automobilístico, em termos de patrocínio, desde a criação da equipe Copersucar/Fittipaldi nos anos 1970. Foi anunciado o patrocínio milionário da Brahma, a maior indústria cervejeira do Brasil, e uma das maiores do mundo, à equipe Green Racing, campeã deste ano na F-Indy com Jacques Villeneuve. O anúncio foi feito junto com a contratação oficial de Raul Boesel como novo piloto do time para 96. Foi uma verdadeira bomba nos bastidores da F-Indy: todos esperavam que Raul renovasse com Bobby Rahal para 96, mas o piloto brasileiro optou por um novo desafio, e respaldado pela Brahma, fechou contrato com a equipe campeã de 95.
            A Brahma vai investir cerca de US$ 10 milhões na equipe Green em 96, e irá ocupar praticamente toda a carenagem, e a escuderia passará a se chamar oficialmente Green Brahma Racing, repetindo parcialmente uma operação realizada pela Benetton em 1985 na Toleman, na F-1. No ano seguinte, a confecção italiana adquiriu a equipe, que passou a se chamar Benetton. Mas a Brahma avisa: não adquiriu nem pretende comprar a Green. A cervejaria apenas ficou associada à escuderia, mas todo o controle fica a cargo de Barry Green, que seguirá comandando o time. A Brahma largou de vez a F-1 e agora vai centrar esforços na Indy, onde irá concorrer com 3 outras marcas de renome no automobilismo americano: a Budweiser, a Miller, e a Tecate. E, seguindo o exemplo destas, vai fazer do carro um verdadeiro out-door da marca, ocupando todo o espaço. E a Brahma vai fundo, especialmente com seu slogan publicitário de cerveja “Nº 1”: como a Green foi campeã este ano, Raul Boesel irá levar o Nº 1 em seu carro, já que Jacques Villeneuve foi para a F-1. Sem dúvida alguma, uma jogada de mestre. Além disso, a Brahma já renovou sua cota publicitária junto à TVS, para a temporada de 96, e planeja criar uma tribuna exclusiva para o GP brasileiro de F-Indy que acontecerá em 96, criando a “Torcida Nº 1”. Nunca antes uma empresa nacional investiu tanto num campeonato estrangeiro internacional desde que a Copersucar patrocinou a equipe de Wilsinho e Émerson Fittipaldi cerca de 20 anos atrás.
            Para Raul Boesel, ele agora tem a certeza de que irá finalmente disputar as vitórias, e quem sabe o título da Indy. A escuderia foi a mais eficiente este ano, tanto no lado estratégico como no nível mecânico, conseguindo 4 vitórias, sendo que uma foi em Indianápolis, e inúmeras poles-positions. Como Raul tem talento de sobra, a equipe deverá manter o nível vitorioso de 95, ainda mais que irá contar com uma nova versão do motor Ford turbo, desenvolvida para diminuir a diferença de potência para os Honda, com vários HPs a mais no topo de potência.
            E o piloto brasileiro já começou a mostrar a que veio: no primeiro teste que fez com o Reynard/Ford utilizado por Jacques Villeneuve este ano, Raul barbarizou. O teste era apenas para Boesel conhecer os mecânicos, engenheiros e o chassi Reynard, com o qual nunca tinha tido contato, e de cara, fez 44s no circuito misto de Firebird, contra os 43s9 obtido por Villeneuve em seu último teste. Uma marca excepcional, que deixou todos da equipe Green espantados, pois Boesel apenas estava conhecendo o carro, sem exigir tudo o que podia, enquanto o canadense já tinha 3 anos na equipe e conhecia o carro e todos os seus segredos.
            Raul fez questão de frisar que se impressionou com o desempenho do carro, mas não forçou muito. Isso desenha um panorama otimista para 96 e podem apostar que, se o novo carro Reynard for bom, Boesel vai dar muito o que falar na próxima temporada. No campo promocional, a Brahma já começou a trabalhar, criando uma série de novos comerciais, cuja maioria só irá ao ar em 96, utilizando Raul como novo garoto-propaganda. Mais do que nunca, será frisada a característica da cerveja “Nº 1” com o time “Nº 1” da Indy. E, o melhor de tudo, disputando o título. Não há dúvidas: este foi um tiro muito bem planejado e tem tudo para garantir um alto retorno. Alguém duvida?




Boas novas nos testes realizados por Ferrari, Williams e Benetton no circuito do Estoril, em Portugal: houve muita igualdade nos tempos obtidos, o que desenha um panorama animador para 96. Jean Alesi, Michael Schumacher e Jacques Villeneuve deram muito empenho em seus testes. O filho de Gilles conseguiu o melhor tempo entre todos, pilotando a Williams. Alesi também andou muito rápido com a Benetton, carro campeão de 95, enquanto Schumacher conseguiu bons tempos, mas se debateu muito com problemas em sua Ferrari, entre os quais, dois motores V-10 novos quebrados.




Ponto negativo no Estoril: Gerhard Berger destruiu sua Benetton ao bater forte na curva Parabólica depois de algumas voltas. O motivo: o austríaco admitiu que, se não forem tomadas providências no projeto do novo carro da equipe, não irá conseguir pilotar a contento. O carro foi concebido para o estilo de pilotagem de Schumacher, e não funciona direito com os outros pilotos. Embora Alesi tenha conseguido andar forte com o modelo, já avisou que ele é nervoso demais nas curvas, o que o preocupa...




Berger não é o primeiro a falar mal do comportamento do carro da Benetton. Johnny Herbert, que foi o segundo piloto do time no mundial de F-1 deste ano, também já desandou a falar mal do carro, dizendo que tudo o que a equipe fazia era para privilegiar Schumacher, sendo até o carro concebido unicamente para o estilo de condução do alemão. Herbert não gostava das reações nervosas do carro, bem ao estilo preferido de Schumacher, e por causa disso não conseguia ter boas performances na pista, pois se forçasse demais, sofreria um acidente. Sem dúvida, a Benetton vai ter o que pensar sobre isto...




Tony Kanaan barbarizou em seu primeiro teste com o carro da Indy Lights: baixou o recorde oficial da pista de Willow Springs, na Califórnia, em 0s5, deixando Alier McNish, proprietário do carro, de queixo caído e com a certeza de nunca ter visto um piloto igual.




Detalhe importante: o recorde extra-oficial da pista californiana tinha sido obtido na semana anterior por outro brasileiro: Guálter Salles, e ele também ambiciona correr na Indy Lights em 96. Quem será que vai querer ficar com estas duas novas feras brasieiras? Rola um boato que metade dos times da Indy Lights estão disputando este direito...




A Forti Corse já comunica: na próxima semana, assina contrato de uso exclusivo do motor Ford Zetec-R V-8 para a temporada de 96 da F-1. A Sauber, time oficial da Ford este ano, vai usar o novíssimo Zetec-S V-10.




Pedro Paulo Diniz deve fechar em breve o contrato com a Ligier para disputar a temporada de 96 de F-1. Seu maior cacife é o polpudo patrocínio de cerca de US$ 7 milhões da Parmalat. Enquanto isso, Gil de Ferran teve seu nome cogitado pela Mercedes e pela Phillip Morris para substituir Mika Hakkinen na McLaren, caso o finlandês não se recupere do acidente sofrido em Adelaide. Seu nome também foi cogitado pela Ligier, com indicação de Bernie Ecclestone. Mas Gil, que tem um bom contrato acertado com a Hall Racing, deve continuar na F-Indy, onde já é considerado um dos favoritos ao título de 1996...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

7 EM 7


            O Grande Prêmio do Canadá deste ano não foi tão atribulado como o do ano passado, mas tivemos o 7° vencedor diferente em 7 corridas desde o início do campeonato de Fórmula 1 deste ano, e este é um novo recorde em 63 anos de história da categoria. E quem venceu em Montreal foi justamente quem vinha ficando de fora da lista de vencedores este ano: Lewis Hamilton, que levou a McLaren ao degrau mais alto do pódio pela primeira vez desde a corrida da Austrália, onde quem venceu foi justamente seu parceiro de equipe Jenson Button, que nas últimas corridas vem caindo absurdamente de produção, a ponto de sequer ter conseguido pontuar na etapa canadense. Além de mais um vencedor, Hamilton também passou a liderar o campeonato, com 88 pontos, apenas 2 à frente de Fernando Alonso, cuja tática de uma parada apenas revelou-se um desastre nas voltas finais no circuito Gilles Villeneuve, quando seus pneus acabaram e o espanhol passou a andar até 4s mais lento por volta, perdendo um lugar certo no pódio para acabar na 5ª posição.
            Quase emparelhado, com apenas 1 ponto a menos, vem Sebastian Vettel, e com 79 pontos, segue-se Mark Webber, que mesmo sem ter brilhado no Canadá, segue pontuando e estando com os líderes na alça de mira. Mais atrás, Nico Rosberg, com 67 pontos, ainda pode até ter esperanças no campeonato, que segue mostrando mais disputa do que todos imaginavam. Quem vai ficando para trás é justamente Jenson Button, com apenas 45 pontos, mas se o campeão de 2009 conseguir engatar novamente, tem tudo para voltar às primeiras posições. Kimmi Raikkonen, com 55 pontos, assim como Rosberg, pode ser considerado mais uma zebra do que uma ameaça real na luta pelo título, mas pode complicar as coisas para os demais, dependendo de até onde pode ir nas demais corridas, hipótese que também vale para Romain Grossjean, seu companheiro de equipe.
            A partir de agora, creio que começaremos a ver repetição nos nomes dos vencedores de corridas nesta temporada. Ainda há potenciais candidatos à vitória, em especial a dupla da Lótus, Raikkonen e Grossjean, mas o time precisa que tudo aconteça a seu favor, com a concorrência tendo um dia ruim, seja em performance, seja em acontecimentos fortuitos. No caso do Canadá, se Hamilton tivesse insistido em permanecer na pista sem trocar pneus, a exemplo de Alonso, fatalmente teria perdido a prova, mas Lewis e a McLaren arriscaram a troca, e com pneus novos, Hamilton voou na pista para recuperar o terreno perdido, tornando-se o 7° vencedor diferente no ano, especialmente em Montreal, onde em 2007 ele obteve sua primeira vitória na categoria. Dos times de ponta, Hamilton estava mesmo com a ausência de vitória entalada na garganta, afinal, só em 2012 vimos dois pilotos obterem seus primeiros triunfos na categoria: Nico Rosberg desencantou na prova chinesa, obtendo o primeiro triunfo da nova equipe Mercedes (antiga Brawn, que era a antiga Honda, que era a antiga BAR, e por sinal, a velha Tyrrel); e em Barcelona, em uma corrida surpreendente para quase todos, Pastor Maldonado levou a Williams ao fim de seu jejum de vitórias que vinha desde o GP Brasil de 2004.
            O entrave de Hamilton era ainda mais angustiante porque Button arrematou a primeira vitória do ano, em um momento onde se imaginava que a McLaren poderia ser a grande força do ano, da maneira como dominou a prova no Albert Park. É verdade que não foi um domínio arrasador, como fez Vettel e a Red Bull no ano passado em várias provas, mas o time de Woking parecia ter uma base sólida para se garantir como forte adversário. As corridas seguintes, contudo, viraram um verdadeiro carrossel de vencedores diferentes, e apenas em Mônaco vimos a primeira equipe a repetir uma vitória no ano: a Red Bull, mas ainda com um novo vencedor, no caso, Mark Webber – a primeira vitória do time das bebidas energéticas foi com Vettel no questionável GP do Bahrein. Agora, a McLaren volta ao topo do pódio, com Hamilton, sendo o segundo time a repetir vitória em 2012. A pergunta que fica para Valência é: quem será o próximo vencedor? A incerteza ainda predomina, embora as possibilidades de vermos um novo nome no topo do pódio vá ficando bem reduzida.
            Quem ainda poderia engrossar a lista de vencedores seriam Michael Schumacher e Felipe Massa. O heptacampeão até que vem andando forte, mas tem enfrentado um enguiço atrás do outro, e no Canadá não foi diferente: desta vez precisou abandonar com sua asa móvel travada na posição aberta, o que comprometia seu equilíbrio nas muitas curvas do circuito. Mas se as circunstâncias convergirem para o velho campeão, ele poderá voltar a vencer, enfim. Felipe Massa tem voltado a mostrar combatividade nas últimas corridas, mas precisa também eliminar a zica de seu atual momento. No Canadá, ele andou forte durante todo o fim de semana, mas a rodada nas voltas iniciais da corrida foram fatais para suas pretensões de um bom resultado, ainda mais numa corrida onde todo mundo andou junto de todo mundo, e as performances tão parelhas não permitiam recuperar-se de percalços quaisquer. Mas a melhora da Ferrari pode até sugerir que o brasileiro volte ao pódio, e talvez até mesmo possa vencer, mas precisará que tudo corra a seu favor, e esse pode ser o problema. Situações que permitiram a Nico Rosberg e Pastor Maldonado vencerem podem não se repetir, e mesmo que se repitam, pilotos e times tem de aproveitar a oportunidade.
            A vitória de Alonso na Malásia foi um destes casos, mas com a performance do F2012 melhorando, uma nova vitória de Alonso pode ser apenas questão de tempo, pois o espanhol está conseguindo tirar do carro mais do que ele pode dar. No caso de Schumacher e Massa, isso não está acontecendo nas últimas corridas, o que torna suas situações bem mais complicadas. Quem também precisa torcer para tudo correr a favor é a Sauber, que tem um carro que trata bem os pneus, mas depende que os demais vão mal em maior parte para poder brilhar, como ocorreu em Montreal. Sérgio Perez, e até mesmo Kamui Kobayashi podem ser surpresas positivas ainda na temporada. O mexicano já pode ser considerado um dos destaques do ano, enquanto o japonês ainda luta para conseguir repetir a performance do companheiro.
            Mesmo que não tenhamos mais novos vencedores este ano, a F-1 já tem o que comemorar, com 7 pilotos diferentes vencendo. E se assim for, a torcida passa a ser para que eles consigam repetir suas vitórias o mais igual possível. Nada difícil, diante do equilíbrio e do desafio que os pneus da Pirelli ainda estão impondo às escuderias, que ainda não conseguiram encontrar o ponto ideal de performance/durabilidade dos compostos. E ainda não dá para dizer que o trio Hamilton/Alonso/Vettel definirá o título, pois os imprevistos ainda estão longe de se encerrarem. Podem haver novas surpresas e quem sabe até alguma reviravolta nos próximos GPs, embora as chances venham diminuindo a cada nova prova.
            Mas já se foi praticamente um terço da temporada, e até agora, podemos dizer que poeira da incerteza ainda não se assentou. A F-1 conseguiu encaixar 7 vencedores nas 7 primeiras corridas. Será que consegue marcar 8 em 8? A conferir semana que vem em Valência...


Atual líder do campeonato da MotoGP, o espanhol Jorge Lorenzo renovou esta semana seu contrato com a equipe Yamaha por mais duas temporadas. Com isso, Lorenzo completará nada menos do que 7 temporadas na categoria máxima do motociclismo correndo pela mesma equipe, já que foi no time japonês que ele fez sua estréia em 2008. De lá para cá, o espanhol já faturou 20 corridas, tendo conquistado também 20 poles na categoria. Ao foram divulgados os prováveis valores do novo contrato. Lorenzo era um dos principais nomes cotados para substituir o australiano Casey Stoner na equipe Honda, que anunciou sua saída da MotoGP ao fim do ano. Mas o espanhol preferiu permanecer onde está, onde conhece todos e se sente parte da família, e onde sabe ter á disposição um equipamento de ponta. A renovação de Lorenzo deve ajudar a movimentar o mercado de pilotos para a próxima temporada, e a vaga aberta na Honda é a grande expectativa para 2013.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

ARQUIVO PISTA & BOX – NOVEMBRO DE 1995 – 23.11.1995


            Voltando com a seção Arquivo, hora de trazer a penúltima coluna do mês de novembro de 1995. O campeonato havia acabado, mas a correria da Fórmula 1 seguia em frente: logo começariam os testes visando a temporada de 1996, e na época não era proibido testar à vontade, como hoje. Portanto, dezembro era um mês cheio para os times, que só davam pausa nas semanas do Natal e do Ano Novo, que ninguém era de ferro. Isso garantia mais notícias da categoria, já que os fãs acompanhavam os resultados dos testes. Havia equipes trocando de motor, de pilotos, etc.
            A coluna faz um pequeno apanhado do campeonato de 1995, que chegou a ter seus bons momentos, mas no geral, foi um passeio de Michael Schumacher em cima da concorrência, especialmente dos pilotos da Williams, que não conseguiram aproveitar o bom equipamento de que dispunham. Uma boa leitura, e em breve, tem mais antigas colunas para se relembrar um pouco daqueles tempos...


ACABOU A TEMPORADA, QUE VENHA A PRÓXIMA


Adriano de Avance Moreno


            A temporada de 95 chegou finalmente ao fim na F-1, mas só oficialmente. Já nesta semana, apenas pouco mais de 7 dias após o GP da Austrália que encerrou o mundial deste ano, as escuderias já voltarão às pistas, desta vez para seus primeiros testes visando já a nova temporada de 96, que se iniciará oficialmente apenas em março do ano que vem. Dia 17 último, na Itália, ocorreu a apresentação de Michael Schumacher e Eddie Irvinne como os novos pilotos da Ferrari para a temporada do ano que vem. O novo bicampeão até deu algumas voltas com o modelo desta temporada, mas foi mais para efeito promocional do comunicado oficial da formação do time no próximo ano. Nesta semana, Schumacher irá acelerar a Ferrari para valer no autódromo do Estoril, em Portugal, onde também irão as equipes Benetton e Williams. A Benetton irá testar com sua nova dupla de pilotos, Jean Alesi e Gerhard Berger, enquanto Jacques Villeneuve continuará sua maratona de testes para se acostumar à F-1 e seus circuitos. Apesar de não serem resultados confiáveis do que se irá ver em 96, já será pelo menos um indício de como se dará o próximo campeonato em termos de competitividade.
            Depois dos testes desta semana, dezembro vai ser um mês bem cheio para as equipes, Há testes coletivos programados para os circuitos de Jerez de La Fronteira, Barcelona, e Estoril, cada um nas 3 primeiras semanas de dezembro. Só então haverá uma pausa para o Natal e Ano Novo, para em seguida, no dia 6 de janeiro, recomeçarem de novo os trabalhos de pista, o que irá incluir a apresentação já de alguns dos novos modelos para a temporada 96. Os testes de dezembro deverão ser os mais movimentados, pois várias equipes decidiram trabalhar mais nas sedes do que nas pistas. É o caso da Jordan, Ligier, McLaren e Sauber, que só irão à pista no próximo mês. A McLaren também tencionava vir ao Estoril nesta semana, mas o acidente de Mika Hakkinen em Adelaide adiou os planos da escuderia.
            Para a imprensa especializada, esta é uma época mais calma e relaxada para se trabalhar. Os jornalistas europeus não precisam ir muito longe para cobrir os testes, e o clima é mais descontraído, sem as pressões comuns de um Grande Prêmio. A agitação é menor. A única coisa que ainda impera é a caça às notícias, cujas fontes continuam lançando no ar a todo momento fuxicos e boatos que devem ser investigados para gerar as notícias que garantem o noticiário esportivo e especializado até o começo da próxima temporada. Para os fãs deste esporte, esta é uma época em que as notícias rareiam um pouco, mas acontecem, e os jornalistas têm de estar atentos para levar estas informações a seus leitores. Isto nunca muda, mas o ambiente mais relaxado torna tudo mais fácil e agradável.
            A temporada de 1995 até que foi boa, levando-se em conta tudo o que aconteceu nas pistas. Houve etapas muito disputadas e outras emocionantes, o que diminuiu em muito a monotonia. Várias situações curiosas aconteceram, algumas engraçadas, outras apavorantes. Apesar da disputa pelo título ter se resumido ao passeio de Michael Schumacher, o ambiente nas corridas foi de muita disputa e emoção. Tivemos 5 vencedores diferentes este ano, o maior número desde 1991, quando também tivemos 5 pilotos diferentes vencendo corridas. Então vamos dar uma pequena repassada nesta temporada...
            Jean Alesi completou sua marca de 100 corridas disputadas ao largar para o GP do Pacífico, em Aida. O resultado não foi lá essas coisas, mas Alesi teve momentos melhores na temporada, como a sua primeira vitória na F-1, no Canadá. Foi uma vitória mais decorrente dos problemas de Schumacher, mas vitória é vitória, e há muito Alesi merecia sentir o gosto do lugar mais alto do pódio. Em Nurburgring, ele esteve perto de repetir a dose, mas retardatários nas voltas finais estragaram seus planos, fazendo-o perder muito tempo e permitindo a aproximação de Schumacher. Para 96, deverá brilhar muito na Benetton, e ele está certo de conseguir isso.
            David Couthard, considerado a revelação de 94, e apontado como campeão em potencial e melhor piloto que Damon Hill, protagonizou as maiores palhaçadas ao volante nesta temporada. Conseguiu cometer o cúmulo de bater o carro em plena volta de apresentação, em Monza, e bater também ao entrar nos boxes, na Austrália. Tanto em Monza quanto em Adelaide, a pista estava perfeitamente seca. Conseguiu várias poles, mas em corrida, só conseguiu andar mais rápido que Hill efetivamente em Portugal, onde conseguiu sua primeira e única vitória na categoria até o momento; em todas as demais etapas, Hill foi sempre mais rápido que o escocês. Para 96, David terá de confirmar que é um piloto de ponta na McLaren, seu novo time.
            Johnny Herbert vive a situação mais curiosa: como segundo piloto da Benetton, conseguiu sua primeiras vitórias nesta temporada, ao vencer em Silverstone e em Monza. Ambas as corridas tiveram um denominador comum: Hill e Schumacher, em disputa de posição, acabaram batendo e saindo da corrida. Outra coincidência: em Silverstone, Couthard liderava, quando foi punido com um stop & GO, por exceder o limite de velocidade nos boxes, perdendo a vitória; em Monza, Alesi liderava, quando ficou sem freios e motor. Para piorar a situação de Herbert, até agora ele não tem um lugar garantido para a próxima temporada. Talvez consiga algo na Tyrrel ou na Sauber, ou até vá para a F-Indy.
            O maior acidente do ano, sem dúvida, foi a capotagem de Ukyo Katayama na largada do GP de Portugal, onde o piloto japonês lembrou as barbaridades de seu compatriota Satoru Nakajima na largada do GP da Áustria de 1987, o que motivou 3 largadas. A pista ficou cheia de pedaços de carros, mas felizmente, ninguém se feriu.
            A briga politiqueira também teve seu lugar este ano, no GP do Brasil, onde a análise da gasolina da Williams e da Benetton fizeram Schumacher ganhar mas não levar, e depois o alemão teve sua vitória de volta, mas não sua equipe, que perdeu os pontos daquele GP, o mesmo acontecendo com Couthard em relação à Williams.
            No quesito emoção, várias etapas foram muito disputadas. O GP da Europa, em Nurburgring, foi a melhor corrida do ano, seguida pelo GP da Bélgica, onde Schumacher largou em 16º para conseguir sua 16ª vitória na F-1. As etapas do Canadá, Inglaterra, Hungria, Itália, Portugal, Argentina, San Marino e outras, também tiveram grandes disputas, tanto no pelotão intermediário quanto nas posições da frente.
            Alguns outros itens a conferir: a Sauber conseguiu seu primeiro pódio, em o 3º lugar de Heinz-Harald Frentzen em Monza, e teve sua melhor temporada na F-1. A Mercedes também conseguiu seus primeiros pódios desde que retornou à F-1 como fornecedora de motores. Mika Hakkinen foi 2º colocado na Itália e no Japão. A Argentina voltou ao calendário da categoria depois de uma longa ausência, e a temporada foi a mais longa em quase 20 anos, com 17 etapas.
            Duas notas tristes no ano: a Lótus faliu antes mesmo da temporada começar; e a Simtek, que começou os GPs iniciais da temporada, com boas chances de pontuar, fechou as portas depois da prova de Mônaco.
            Bem, partamos agora para a próxima temporada. Uma temporada que, pelas expectativas, terá tudo para ser melhor ainda do que esta que acabou de terminar...


 

A DAMS, equipe da F-3000, já está com seu modelo de F-1 prontinho, e os primeiros testes devem começar já em dezembro, com o piloto francês Erik Comas. Ricardo Rosset e Tarso Marques encabeçam a lista de prováveis companheiros de equipe de Comas na temporada de estréia da DAMS na F-1 em 1996.




Adrian Fernandez perdeu seu lugar na equipe Galles para Eddie Lawson, mas o mexicano não ficou a pé na F-Indy: vai ser o segundo piloto da equipe Tasman, escuderia onde corre o brasileiro André Ribeiro. Com isso, a Tasman ficou com o patrocínio de US$ 6 milhões da cervejaria mexicana Tecate. Scott Goodyear, que pleiteava a vaga na Tasman, acabou dançando, e terá de procurar outro time para se manter na F-Indy em 1996...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

QUEM LEVA NO CANADÁ?


            Chegamos a uma das etapas mais aguardadas do campeonato de Fórmula 1, o Grande Prêmio do Canadá, e o fim de semana tem tudo para ser dos melhores. Primeiro, pelo fato de a atmosfera da cidade de Montreal ser única, abraçando o seu GP como se fosse uma grande festa. Não fosse o trabalho de promoção ímpar dos australianos, os canadenses faturariam sem problemas o título de prova mais festiva da temporada. E, para variar, o circuito Gilles Villeneuve, situado na ilha de Notre Dame, uma ilha artificial localizada no Rio São Lourenço, que corta a grande metrópole, oferece não apenas um visual bonito, mas também uma das pistas que oferece mais emoções durante o campeonato. E nem comentei que o clima costuma ajudar de vez em quando...
            E, no atual estágio do campeonato, com 6 vencedores diferentes em 6 provas até aqui, as chances de vermos um 7° vencedor diferente são bem grandes. O traçado da prova canadense é bem particular, misturando características de pistas permanentes com as de um circuito de rua. Muitos trechos da pista possuem os guard-rails e os muros muito próximos, como nos circuitos urbanos, e onde um erro geralmente costuma ser fatal. Temos também um bom trecho de reta, que deve ser muito apreciado pelos carros da Mercedes, com seu esquema de duto canalizador de ar. Nico Rosberg e Michael Schumacher tem tudo para brilhar nos treinos, e quem sabe, até aprontar uma surpresa na corrida, ainda mais depois da pole do heptacampeão em Monte Carlo, em uma performance que lembrou os bons tempos de Michael, apesar da punição que o relegou à 6ª posição. Por outro lado, para a Ferrari, este trecho de alta velocidade da pista deverá ser complicado. Por mais que o F2012 tenha melhorado, o carro ainda padece de baixa velocidade em reta, e diminuir muito a asa traseira, a fim de compensar, não é uma boa idéia: o circuito tem muitas curvas de baixa velocidade, onde toda a estabilidade será necessária para se ganhar tempo. A jogada é simples: vai ser preciso fugir do miolo para conseguir folga na reta. Se em Barcelona Fernando Alonso conseguiu até se dar bem, em Montreal não há como garantir que o panorama vai se repetir.
            Também não há garantias de que a Ferrari poderá andar bem no Canadá. Em Mônaco, onde a velocidade de ponta era baixa, e o principal era estabilidade mecânica, o time rosso até que se deu bem, com seus dois pilotos. Mas em Montreal, a estabilidade aerodinâmica volta a ditar o ritmo, e o F2012 ainda tem algumas deficiências nesse quesito. Os técnicos de Maranello aprontaram um pacote de modificações para a corrida canadense, que garantem ser mais um passo à frente na performance atual do carro. Veremos nos treinos de hoje o quanto isso é verdade.
            Na Red Bull, o clima é de aparente tranqüilidade, apesar de a FIA ter declarado que os buracos feitos no assoalho próximos aos pneus traseiros estavam fora do regulamento e não poderiam ser usados. O time desconversa e fala que eles já estavam fora dos planos mesmo para a prova canadense. Pode ser verdade, como também pode não ser. Como único time a vencer 2 vezes na temporada, e com diferenças até mínimas entre as classificações no campeonato, todo detalhe pode fazer a diferença, e aparentemente, esse já vai ser um detalhe que poderá fazer falta, a não ser que Adrian Newey consiga tirar algum trunfo da manga. De qualquer maneira, o time austríaco chegou a Montreal determinado a recuperar a vitória que por pouco não conseguiu no ano passado, quando Sebastian Vettel perdeu a corrida na última volta ao rodar sob forte pressão de Jenson Button, da McLaren, que venceu após fazer uma corrida espetacular, que ficou ainda mais apimentada devido à chuva. E Vettel, diga-se de passagem, está incomodado com a forma com que Mark Webber está pilotando este ano, estando praticamente empatados em número de pontos no campeonato. Para quem no ano passado deitou e rolou sobre o companheiro de equipe, ele definitivamente não está muito à vontade com isso.
            Mas quem não está mesmo à vontade com a situação atual é Jenson Button. Vencedor nesta pista no ano passado, onde começou a se credenciar como favorito para o vice-campeonato, o campeão de 2009 está apagado desde a corrida de início do campeonato, na Austrália, onde venceu e deu até impressão de que poderia ser o piloto a ser batido em 2012. Considerado o piloto que melhor sabia preservar seus pneus sem deixar de ser rápido, o inglês, ironia das ironias, não está conseguindo se entender com os novos pneus da Pirelli nesta temporada. Para piorar a situação, um ponto que Button sempre afirmou que precisava melhorar, que era a posição de classificação, está sendo um ponto fraco ainda mais contundente este ano. Devido ao grande equilíbrio entre os times, as diferenças que até o ano passado ainda garantiam a presença no Q3 agora estão sendo cruciais para se perder a vaga na fase final do treino. E largando no meio do grid, onde as disputas estão cada vez mais apertadas, pode comprometer irremediavelmente a estratégia de corrida. Basta lembrar que em Monte Carlo Button ficou preso atrás de uma Caterham durante boa parte da corrida, e na tentativa de ultrapassar o concorrente, Jenson errou e acabou batendo, dando adeus à prova.
            Mas a própria McLaren também precisa melhorar. Tida como melhor carro na Austrália, a situação começou a degringolar nas corridas seguintes, a ponto de Lewis Hamilton, até agora, não ter conseguido vencer, e nem sequer ser o favorito em alguma corrida. Hamilton, por outro lado, está fazendo bom uso da regularidade para marcar pontos importantes e evitar desgarrar-se dos ponteiros, mas é imprescindível voltar a vencer para readquirir força no campeonato. A McLaren, que no ano passado soube ser a principal força opositora da Red Bull, apesar da supremacia desta, este ano parece não conseguir dar um direcionamento ao desenvolvimento de seu carro. O time está se esforçando, mas até agora, os resultados não surgiram como se esperava. Talvez aqui na pista canadense o time prateado volte a deslumbrar na pista, pois foi aqui no ano passado que a McLaren conseguiu sua segunda vitória, depois do triunfo de Hamilton na China.
            E a Lótus começa a perder um pouco o encanto. Andando sempre entre os primeiros em várias corridas, o time pecou por ser conservador nas estratégias de pneus, e com isso, uma potencial vitória até agora andou escapando dos carros negros. E há quem diga que o clima na escuderia, depois do desempenho pífio de Mônaco, já não seria exatamente tão empolgante quanto antes. Mas tudo pode mudar nesta corrida, claro. E ainda não podemos deixar de considerar que Williams e Sauber ainda podem voltar a aprontar, depois de não mostrarem praticamente nada na última corrida. A verdade é que o campeonato está tão cheio de altos e baixos que até o presente momento, não se pode descartar ninguém de uma provável surpresa na corrida. Até agora, apenas Monte Carlo apresentou uma corrida monótona, com pouquíssimas ultrapassagens, como convém ao traçado monegasco, sempre propenso a favorecer corridas em fila indiana, mas essa certamente não é a situação aqui em Montreal.
            Se mesmo nos tempos de corridas chatas e de poucas disputas este GP sempre ofereceu um agito anormal, temos boas chances de vermos uma corrida das mais interessantes no domingo, com algumas idéias a se tirar já nos treinos livres que teremos hoje. Mas, independente dos treinos, fica valendo a pergunta mais crucial: quem vai legar a corrida desta vez? Respostas na bandeirada quadriculada na tarde de domingo, e não antes...


Scott Dixon conquistou em Detroit, semana passada, a segunda vitória consecutiva da Chip Ganassi no atual campeonato da Indy Racing League. Se em Indianápolis foi Dario Franchiti a encerrar a seção de azares na temporada, na pista do Belle Isle Park foi a vez do neozelandês cravar pole e vitória, mostrando que a Penske não irá ficar rindo à toa este ano. Embora Will Power ainda lidere o campeonato, com 232 pontos, Scott Dixon está logo atrás com 206, seguido de Hélio Castro Neves com 177 pontos. E neste final de semana, amanhã, já temos mais uma corrida, à noite, no circuito oval de Texas Motor Speedway, onde a Ganassi tem tudo para continuar tirando o sono do time de Roger Penske. Quem achou que Power iria deslanchar sozinho no campeonato, que comece a se preparar para ver uma briga das boas pelo título...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

FLYING LAPS – MAIO DE 2012


            Acabou o mês de maio, hora de vermos algumas notas rápidas sobre o que mais andou acontecendo nas corridas deste último mês, em mais uma sessão Flying Laps. Uma boa leitura a todos...

Quem pode deter Sébastien Loeb? Essa é a pergunta que todos fazem no Mundial de Rali, que estão vendo o atual octacampeão rumar determinado a mais um título. Com 6 etapas disputadas até agora, o francês venceu nada menos do que 4, e seu último triunfo foi no Rali da Grécia, onde obteve sua 71ª vitória na categoria, apesar de alguns percalços durante o fim de semana, inclusive um pneu furado em que muitos davam por certa sua derrota na competição. Bem, Loeb mostrou que vai ser preciso muito mais do que isso para segurar sua escalada rumo ao 9° título da carreira mais vitoriosa que o mundial de rali já teve oportunidade de presenciar. Com o resultado, o francês da Citroen aumentou sua vantagem no campeonato, ficando com 30 pontos sobre seu mais direto perseguidor, Miko Hirvonen, seu próprio companheiro da equipe Citroen, que está sentindo como é difícil encarar Loeb, ainda mais tendo o mesmo equipamento que ele. Hirvonen, aliás, deu combate a Loeb no rali grego, mas no final, ainda ficou 40s atrás do companheiro. A próxima etapa será nos dias 22/24 de junho, na Nova Zelândia. Veremos mais um passeio de Loeb? Não há como garantir que não...


Depois do anúncio da aposentadoria de Casey Stoner ao fim da atual temporada, agora quem pode acabar deixando a MotoGP seria o italiano Valentino Rossi. Boatos correm nos bastidores da categoria de que o piloto, sem conseguir resultados expressivos desde que se mudou para a Ducati no ano passado, poderia até encerrar a carreira, enquanto outras fofocas dizem que Rossi poderia se mudar para o campeonato das Superbikes. Seja lá o que for, seria uma grande perda para a MotoGP ficar sem dois de seus principais nomes da atualidade de uma vez. Casey Stoner declarou que a atual MotoGP não é mais a categoria que o empolgava há algum tempo atrás, e ninguém pode negar que Rossi tem se mostrado bem desencantado na Ducati atualmente. Muitos esperavam que o “Doutor” conseguisse reproduzir na Ducati o feito obtido quando trocou a Honda pela Yamaha, e esta teve uma bela subida de produção com a pilotagem de Valentino. Mas naquela época, Rossi levou para a Yamaha parte do staff técnico que o acompanhava na Honda, algo que ele não conseguiu fazer quando saiu da Yamaha e foi para a fábrica italiana. E a Ducati também parece não estar conseguindo melhorar como Rossi imaginava. Mas ainda é cedo para apostar na aposentadoria do piloto italiano, e não é segredo para ninguém que a aposentadoria de Stoner abre uma bela vaga na Honda. Será que Valentino voltaria para a fábrica japonesa em 2013? Sonhar é possível...


A etapa de Ribeirão Preto da Stock Car nacional foi vencida por Daniel Serra, após uma renhida disputa com Cacá Bueno, que foi superado na largada pelo companheiro. Com a vitória, Serra assume a liderança da competição, com 69 pontos, 5 a mais do que Cacá Bueno, que tem 64. O pódio em Ribeirão Preto foi completado com Átila Abreu, que faturou a 3ª colocação na corrida, e agora tem a 4ª posição no campeonato, com 52 pontos. Ricardo Mauricio, com 59 pontos, é o 3° na classificação.


 Ainda sobre a Stock Car, a famosa Corrida do Milhão, uma das principais provas do campeonato da categoria, acabou tendo sua data mudada. Marcada inicialmente para 5 de agosto, ela foi realocada para o dia 9 de dezembro, e irá encerrar o campeonato de 2012. O motivo: TV Globo, que alegou que precisava dar uma adequada na programação, e com isso, simplesmente chutou a corrida para o final do ano. Uma das justificativas, meio furadas, diga-se de passagem, é de a corrida iria coincidir com a realização dos Jogos Olímpicos, que poderiam tirar a atenção do grande público. Vale lembrar que, em relação aos jogos deste ano, a emissora carioca “caiu do cavalo”, pois não tem os direitos de exibição em TV aberta, que ficaram com a Record. A Globo só poderá mostrar os jogos em seus canais pagos do SporTV. Então, podem se preparar meio que para a “não-existência dos jogos” na TV aberta pela Globo, que quando muito, mencionará os jogos em seus telejornais, na incômoda posição de “excluída”. Os fãs do automobilismo saem perdendo. Para compensar, a corrida em dezembro terá pontuação dobrada, e dependendo das circunstâncias, deve definir o campeão, ajudando a tornar a prova ainda mais concorrida. O lugar da prova continuará sendo em Interlagos.


O piloto mexicano Sérgio Pérez fez em Mônaco uma homenagem inusitada: correu com o símbolo e a imagem do personagem Chapolin Colorado em seu capacete. O personagem, interpretado por Roberto Gomez Bolaños, que também interpretava o personagem Chaves no seriado homônimo, é uma paródia aos super-heróis, e vence os criminosos mais pela sorte do que pela competência. As duas séries fizeram e ainda faze sucesso na programação da TVS/SBT. Infelizmente para Pérez, a homenagem não rendeu bons fluidos em Monte Carlo, um circuito onde competência é um dos diferenciais dos pilotos. Pérez largou em último, e acabou terminando a prova em 11°, uma volta atrás de Mark Webber, que foi o vencedor da corrida. Não deixa de ser válida a homenagem feita por Pérez, que considera Bolaños um de seus ídolos. E a F-1 precisa de momentos como esses, para mostrar que não é apenas negócios e dinheiro desenfreados... 


Pela vitória obtida em Indianápolis, Dario Franchiti embolsou a quantia de aproximadamente US$ 2,475 milhões. Seu companheiro de equipe, Scott Dixon, que terminou a prova na 2ª colocação, faturou mais de US$ 1,1 milhão. Tony Kanaan, que ficou em 3° lugar, ganhou cerca de US$ 637 mil. Rubens Barrichello, eleito o melhor novato da prova este ano, ficou com US$ 331 mil na 11ª posição na prova. Jean Alesi, que largou em último e foi obrigado a abandonar a prova pela direção de corrida devido ao fato de andar muito lento, levou perto de US$ 252 mil. Ao lado de Wade Cunningham, Alesi foi quem menos faturou na corrida milionária. Apesar das cifras de alguns parecerem astronômicas, o valor não fica todo com os pilotos, sendo dividido junto com suas equipes, dependendo dos acordos firmados por cada um com seu time. Mas ninguém pode dizer que as boladas não sejam compensadoras...


O péssimo desempenho dos motores Lótus na IRL atingiu seu clímax na Indy500, produzindo sua primeira vítima fora das pistas: Dany Bahar, diretor executivo do Grupo Lótus, foi suspenso pela nova organização controladora da empresa. Bahar, aliás, meio que “já vai tarde”, pois andou arrumando algumas confusões nos últimos tempos. Só para começar, foi ele quem começou a briga do Grupo Lótus com Tony Fernandes, que havia adquirido os direitos de uso do nome “Lótus” para o automobilismo. Como a empreitada de Fernandes estava indo bem, Bahar viu aí a oportunidade de promover o Grupo Lótus, e iniciou-se uma luta nos tribunais ingleses pelo uso do nome no ano passado, que acabou meio que vencida por Fernandes. Mesmo assim, o Grupo Lótus iniciou um patrocínio na equipe Renault, forçando o uso do nome “Renault Lótus”, que a partir deste ano passou a ser apenas “Lótus”, uma vez que Fernandes resolveu entregar os pontos e rebatizou seu time de Caterham a partir desta temporada. Bahar também foi o principal mentor da entrada da Lótus no campeonato da Indy Racing League, mas o pouco tempo de preparação para o campeonato cobrou seu preço, tornando os propulsores fracos e pouco fiáveis, resultando nos péssimos resultados vistos até agora. O Grupo Lótus também retirou-se da equipe Lótus de F-1, que continuará usando o nome pelos próximos anos, em acordo previamente acertado com a empresa malaia.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

CAMPEONATO RUIM?


            E o campeonato 2012 da Fórmula 1 mostra que este ano tem tudo para ser um dos melhores da história da categoria: domingo passado, em Mônaco, assistimos à 6ª vitória de um piloto diferente em 6 provas disputadas até agora. Se é verdade que tivemos o primeiro time a repetir vitória na temporada – a Red Bull, por outro lado, o equilíbrio demonstrado até agora pelo atual campeonato tem tudo para oferecer maiores emoções. E a próxima corrida, no Canadá, é em um circuito que costuma oferecer corridas mais empolgantes do que a maioria, como ficou comprovado no ano passado, quando a chuva ainda deu um tempero extra ao GP canadense, que presenciou uma vitória magistral de Jenson Button. Com resultados muito mais imprevisíveis do que de costume, não se pode negar que os torcedores devem estar adorando a situação. E nem mesmo entre a imprensa especializada, é possível afirmar com precisão quem será o provável campeão deste ano. Está tudo em aberto, e ainda tempos pilotos e times com potencial para entrarem na lista de vencedores de GPs desta temporada como há tempos não se via. E quem ganha é o torcedor.
            Mas, claro, diz o ditado que não dá para agradar a todos, e na categoria máxima do automobilismo, e de gente ligada a ela, tem aqueles que já demonstraram irritação com o panorama de imprevisibilidade que a F-1 atual está oferecendo. A mais nova crítica veio de Niki Lauda, tricampeão nas temporadas de 1975, 1977 e 1984. Segundo o austríaco, ter pilotos demais ganhando é ruim para o público, que quer ver, acima de tudo, os campeões sempre no pódio. Na indireta, então podemos deduzir que termos novas caras no pódio, como Pastor Maldonado, Sérgio Perez, Romain Grossjean não seja interessante para o torcedor, que estaria desejando que a categoria voltasse ao seu marasmo habitual, onde logo na largada já sabíamos quem chegaria ao fim da prova e a venceria. Eu creio que Lauda anda meio senil para fazer este tipo de afirmação, pois, como torcedor e jornalista especializado, desejo mais é que o circo “pegue fogo”, e quanto mais gente na festa, melhor. E dentro da categoria, não se pode dizer que os times de ponta estejam exatamente felizes com o panorama atual, certamente.
            Explica-se: os times se acostumaram, nos últimos tempos, a terem tudo programado e previsto dentro de certos parâmetros. Saber seus limites e capacidades os ajuda a explorar melhor as corridas, mas dominando-se todos os dados à disposição, aumenta a previsibilidade, e diminui a possibilidade de resultados inesperados, caso nada saia dos conformes. Por estas e outras, só víamos mais emoção quando as corridas eram disputadas sob chuva, um elemento sobre o qual os times não tem muito controle. E o controle sobre seus dados ajudou os times a tornarem a F-1 extremamente monótona nos últimos anos. Claro que tivemos disputas, confrontos, mas nunca além de certo ponto. Antes, os resultados variavam mais porque os monopostos estavam sempre nos limites de performance e desempenho. Hoje, com regras que estabelecem vida útil para componentes como motor e câmbio, além dos avanços tecnológicos em áreas da mecânica, os carros ficaram quase inquebráveis. Houve até corrida recente onde não houve um abandono sequer de piloto, e provas onde por muito pouco todos quase chegaram nas mesmas posições de largada. Uma hora, isso cansaria os fãs, e era preciso tornar as provas mais atrativas, não apenas para o público nos autódromos, mas especialmente para os telespectadores.
            Depois de muitas tentativas de resultados duvidosos, eis que no ano passado a FIA pareceu ter acertado a combinação certa: uso do Kers, asas traseiras móveis, e sobretudo, os pneus de duração incerta feitos pela Pirelli para apimentar o show. Deu certo, e neste ano, a fabricante italiana mudou a fórmula dos compostos, e desta vez, parece ter conseguido se superar: passadas 6 provas, nenhuma escuderia conseguiu até agora dominar os novos compostos. E eles detestam ficar “no escuro”. E enquanto não dominarem este quesito, o atual campeonato promete muitas surpresas.
            Também houve piloto reclamando deste comportamento dos pneus. Michael Schumacher foi curto ao dizer que os carros não davam mais satisfação aos pilotos, pois estes tinham sempre que pensar antes em conservar os pneus do que em serem rápidos, de modo que os atuais bólidos não podem mais ser exigidos no limite como antigamente. Jenson Button, por sua vez, disse que não está conseguindo se entender com os pneus nas últimas corridas, e nem mesmo seu time consegue achar uma direção a seguir para melhorar a situação. Mas o piloto inglês ressaltou que a situação é igual para todos, e este é um desafio que precisa ser vencido, e na minha opinião, está mais do que correto. A chiadeira de Schumacher decorre mais do fato de que ele nunca foi de economizar pneus, andando sempre a fundo, em uma época onde ser mestre nos pit stops, que tinham também reabastecimento de combustível, era uma arma vital para se dominar as corridas. Com estratégias de paradas formuladas com perfeição, na grande maioria das vezes Schumacher se mandava na frente, exigindo tudo do carro, parava e ainda voltava, se não na frente, em posição melhor do que a anterior. Ele se especializou em andar forte com pista livre, para ganhar a posição nos boxes, uma vez que na pista, a situação era mais complicada. Agora, tendo de saber ser rápido, e ao mesmo tempo, conservar os pneus, e não sabendo dominar isso da forma como fazia antes, parece ter tirado o bom humor do heptacampeão.
            Curioso notar que Mark Webber também criticou o excesso de vencedores deste ano na F-1. Mas, depois de sua vitória em Mônaco, duvido que o australiano continue com suas críticas, que pareciam mais advindas do fato de que ele ainda não tinha conseguido entrar na festa dos vencedores. Pelo mesmo motivo, Michael Schumacher parecia outro após a classificação em Monte Carlo sábado passado, onde conquistou a pole-position para a prova monegasca, que só não foi efetivada devido à punição que teria de cumprir por ter atropelado Bruno Senna em Barcelona.
            Fico com a posição de Button: o desafio é igual para todos, estão todos na mesma situação, e cabe aos pilotos e seus times encontrarem uma maneira de superarem o desafio que lhes é apresentado. E até o presente momento, o atual campeonato está sendo um verdadeiro sucesso, e temos tudo para vermos no Canadá um provável 7° vencedor diferente em 7 provas. Se eles não querem que haja tantos vencedores, que tratem de lutar na pista para mudar isso. Na minha opinião, estão é reclamando de barriga cheia.
            Campeonato ruim? Imagina...



A edição 2012 da Indy500 novamente foi encerrada sob bandeira amarela, em virtude de uma batida na última volta da corrida. Mas desta vez não foi tão dramática quanto no ano passado, embora a disputa tenha sido muito mais intensa. Takuma Sato partiu para o tudo ou nada contra a dupla da Ganassi nas voltas finais da corrida. O intrépido japonês superou Scott Dixon e partiu para cima de Dario Franchiti, que abriu na volta final na liderança. Sato forçou passagem por dentro na curva um, mas Dario não deu espaço ao japonês, que acabou tocando rodas na linha branca da parte interna, provocando uma rodada e indo parar direto no muro, felizmente sem conseqüências para o piloto nipônico, além da tremenda frustração de perder a disputa. A corrida, como de costume, teve alguns acidentes, sendo o de maior monta com Mike Conway e Will Power, sendo que o carro de Conway chegou a voar junto ao alambrado, mas felizmente sem maiores conseqüências para o piloto. Uma roda de um dos carros por pouco não atingiu Hélio Castro Neves, mas tocou de leve em uma de suas rodas dianteiras, desalinhando de leve sua suspensão e tirando parte do equilíbrio de seu carro e o fazendo perder parte do ritmo. Quem também bateu forte foi Marco Andretti, mas também sem maiores percalços além dos danos do carro. Entre os brasileiros, destaque para Tony Kanaan, que fez um arranque fulminante nas últimas relargadas e chegou até a liderar a corrida, mas acabou superado pela dupla da Ganassi e por Sato até este bater. Hélio Castro Neves terminou em 10°; Rubens Barrichello em 11° (eleito o melhor novato na corrida este ano); e Bia Figueiredo, após uma rodada e perder 10 voltas no Box consertando o carro, foi apenas a 23ª colocada. A próxima corrida do campeonato da IRL já é neste final de semana, no circuito de Belle Isle Park, em Detroit, que retorna à categoria.