quarta-feira, 24 de agosto de 2011

ARQUIVO PISTA & BOX – NOVEMBRO DE 1994

            Continuando com a publicação de minhas antigas colunas, chegamos agora à edição escrita no fim de novembro de 1994, com alguns comentários sobre o fim do campeonato daquele conturbado ano. Ainda que por meios tortos, a Fórmula 1 ofereceu grandes emoções na reta final do certame, e Michael Schumacher conquistara o seu primeiro título de forma questionável na manobra de fechar Damon Hill quase descaradamente em Adelaide, provocando uma colisão entre ambos que resultou no abandono do inglês e encerrando a disputa pelo título ali. Schumacher havia sido o melhor piloto da temporada, mas poderia passar sem essa mancha no currículo, convenhamos.
            E Damon Hill ao final de 94 era um piloto muito mais completo do que aquele que iniciara o ano apenas como coadjuvante na Williams. Quis o destino que o inglês tivesse de assumir a condição de protagonista, depois do falecimento de Ayrton Senna. Hill cresceria ao ponto de se tornar o único filho de piloto campeão de F-1 a repetir o feito do pai, enquanto Michael tornaria-se o maior vencedor da F-1 até hoje. Então, vamos ao texto daqueles dias...

FIM DE CAMPEONATO

Adriano de Avance Moreno

            Finalmente, o campeonato da Fórmula 1 de 94 chegou ao seu final. Fez-se a justiça, e Michael Schumacher é o campeão deste ano conturbado e trágico com todos os méritos. Sem Ayrton Senna, o alemão da equipe Benetton é o melhor piloto da categoria no momento. A disputa pelo título, apesar das manobras políticas da FIA a meio da temporada, que tiraram Schumacher de combate por 4 provas, deixaram a disputa reequilibrada. Foram manobras de caráter duvidoso, mas serviram para, em parte, resgatar a emoção que a F-1 parecia ter perdido com a morte de Senna, ainda que isso não sirva como justificativa. Mas é verdade também que Schumacher e a Benetton, em sua soberba, deram a corda que a FIA precisava para colocar em seus pescoços.
            As duas últimas provas do ano foram as melhores da temporada, e tudo indica que o ano de 1995 seja marcado por um maior equilíbrio na categoria TOP do automobilismo mundial. Em Suzuka, contrariando todas as expectativas, Damon Hill provou que pode sim ser um piloto vencedor de verdade. E endossou nas ruas de Adelaide, onde apesar de ter perdido o título em parte por não ter o “felling” da situação na tentativa de ultrapassar Schumacher, o inglês fez uma pilotagem agressiva e tenaz, perseguindo o piloto alemão sem tréguas, o que levou Michael a cometer o erro que arruinou sua corrida, quando errou a freada na curva anterior à East Terrace.
            Sobre os protagonistas da disputa do título de 94, podemos constatar duas coisas: Hill teve uma notável evolução ao longo do ano, passando de mero segundo piloto da Williams a primeiro piloto e líder da escuderia com todos os méritos, e mostrou pelo seu desempenho nas últimas duas corridas do ano que pode melhorar ainda mais em 95. Já Schumacher confirmou seu talento de piloto vencedor e campeão, quase imbatível, mas também mostrou um sério ponto fraco: quando está sob forte pressão, comete vários erros, o que pode ser muito bem explorado por seus futuros adversários, confirmado pelas próprias palavras de Rubens Barrichello: “Ele (Schumacher) vai sofrer quando tiver um rival de verdade.” E a prova de Adelaide é um bom exemplo: no treino de sexta-feira, ao ver Nigel Mansell definir a pole, Michael saiu para a pista numa tentativa de tudo ou nada para superar o tempo do inglês, com receio de largar atrás e provavelmente perder a corrida e o título. O resultado foi uma forte batida do alemão numa das curvas do circuito, destruindo o seu carro. Na corrida, aconteceu algo parecido: Michael conseguiu arrancar para a liderança da corrida, mas ao contrário do que estava acostumado a ver durante todo o ano, desta vez ele não conseguiu em nenhum momento abrir vantagem sobre Hill, que sempre esteve em seus calcanhares desde a largada, apesar do circuito travado de rua favorecer o carro mais equilibrado da Benetton.
Forçando o ritmo ao máximo e talvez além, Schumacher acabou errando a freada numa curva, batendo o carro de leve no muro e voltando para a pista aparentemente intacto, mas sem condições de manter-se na prova. Em Hockeinhein, entretanto, já se percebia que Michael poderia pisar na bola com alguma facilidade quando pressionado: na corrida, ele andou quase feito um desesperado, tentando tirar a liderança de Gerhard Berger, que largara na pole e dominava a prova. O que se viu foi o alemão estourar o motor de seu carro, devido ao forte ritmo que tentou acompanhar. Se lembrarmos que este foi o único motor quebrado no carro de Schumacher durante todo o campeonato, e a reconhecida durabilidade dos motores Ford, pode-se ter a nítida impressão de que Michael exigiu demais do propulsor nesta corrida, onde a diferença de velocidade de ponta de Berger para Schumacher atingiu no ponto mais veloz quase 18 Km/h a favor do austríaco, graças à potência do motor V-12 de sua Ferrari.
            Nigel Mansell pode ser a bia revelação do fim da temporada. Apesar de ainda estar meio fora de forma, o piloto inglês conseguiu na Austrália reviver suas velhas e boas corridas: cometeu erros, saiu da pista, fritou pneus em freadas, teve bons pegas (com Rubens Barrichello, Mika Hakkinem e Gerhard Berger), e ainda venceu a corrida. Se Mansell recuperar-se bem para a próxima temporada, teremos uma atração a mais para ver nas pistas da categoria.
            Terminada enfim a temporada, agora é hora de relaxar e descansar, mas a F-1 não descansa nem pára, e logo começarão os testes para a próxima temporada. Até lá, então!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

RALI DOS SERTÕES 2011

            Termina hoje a maior prova do rali nacional, a edição 2011 do Rali dos Sertões, com a chegada prevista de todos os competidores remanescentes à Praia do Cumbuco, em Fortaleza, no Ceará. Depois de praticamente 10 dias de competição, desde a largada na cidade de Goiânia, no dia 9 deste mês, vamos ver quantos conseguirão chegar inteiros até a linha de chegada na capital cearense. Esta é a 19ª edição da prova, que teve sua primeira edição em 1993, e de lá para cá, consolidou-se e ganhou fama internacional. Pode-se dizer que, ao lado do Dacar, desde que o rali mais famoso do mundo passou a ser realizado na América do Sul recentemente, o Rali dos Sertões é a principal prova do gênero off-road do continente.
            Uma prova que, a exemplo do Dacar, já sofreu inúmeras mudanças de percurso em suas várias edições, e já teve até um trajeto bem mais longo do que o disputado atualmente. De 1993, ano de sua primeira realização, até 2001, o rali começava no Estado de São Paulo, terminando sempre em algum lugar do Nordeste. A partir do ano seguinte, e até hoje, a competição passou a ter a largada em Goiânia, sempre com destinos finais variando de acordo com os anos da competição. Na primeira realização, a largada foi dada em Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, e os competidores foram encerrar a disputa em Natal, no Rio Grande do Norte, após mais de 3.500 quilômetros de percurso. Nos anos seguintes, a chegada final da competição terminava em Natal (1993, 1994, 1995, 1997, 1998, 2008, e 2009), Fortaleza (1996, 1999, 2000, 2001, 2002, 2004, e 2010), São Luís (2003), Porto Seguro (2006), e Salvador (2007). Em 2005, tivemos a única edição onde a prova começou e terminou na mesma cidade, Goiânia, após perambular pelos Estados de Goiás, Mato Grosso, Pará, e Tocantins.
            Em 1995, já em sua 3ª edição, a prova passou a ter reconhecimento da Federação Internacional de Motociclismo (FIM). A primeira edição da competição, em 1993, teve apenas 34 competidores, todos em motos. Em 95 houve a estréia dos carros 4x4, e pouco tempo depois, em 2000, os caminhões entraram na competição. Hoje, inclusive, o Rali dos Sertões conta como uma das etapas do Mundial Cross-Country da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para carros e caminhões.
            Assim como o Dacar, o Rali dos Sertões é dividido em categorias: motos, caminhões, carros e quadriciclos. Houve mais de 60 times inscritos nas categorias carros e caminhões, enquanto nas motos e quadriciclos foram mais de 80 equipes, números bastante representativos da importância da competição. Até o fechamento desta coluna, a equipe formada pelos pilotos Edu Piano, Solon Mendes e Davi Fonseca liderava na categoria caminhões, com uma vantagem de quase 2 horas no acumulado de 8 estágios sobre o time de Rafael Martinez-Conde, José Papacena e Leandro Oliveira, ambos competindo com modelos da Ford. Na 3ª posição, o time de André Azevedo, Sidnei Broering e Ronaldo Pinto, competindo com um modelo Mercedes-Benz, já acumulava mais de 2 horas e meia de desvantagem. Os competidores dos caminhões, aliás, enfrentaram diversos percalços durante a competição, entre elas pontes quebradas e trilhas estreitas demais para seus possantes veículos. Na categoria quadriciclos, Tom Rosa liderava com mais de 3 horas e meia de vantagem para Leonardo Franco, na 2ª posição. Nas motos, o destaque internacional, com o francês Cyril Despres, tricampeão do Dacara, da equipe Red Bull KTM na dianteira com um vantagem apertadíssima de pouco menos de 2 minutos sobre o brasileiro Felipe Zanol, do time Gas Gas Brasil Moto Tour. Com quase 1 hora de desvantagem, o brasileiro Dário Júlio Souza tentava diminuir a distância na 3ª colocação. E nos carros, a dupla Guilherme Spinelli e Youssef Haddad, pilotando um Mitsubishi Lancer, comandava a competição com pouco mais de meia hora de vantagem sobre a dupla Paulo Nobre e Felipe Palmeiro, ao volante de um BMW X3.
            Como de costume, cada edição de um rali tem os seus acidentes, e o Rali dos Sertões 2011 já teve alguns de seus competidores que ficaram pelo meio do caminho. Na etapa especial entre Pirenópolis a Porangatu, no Estado de Goiás, no dia 11, o casal Willim van Hees e sua esposa Doris van Hees sofreu um capotamento com seu veículo, com certa gravidade. A navegadora sofreu fraturas expostas em dois dedos da mão direita. Tendo sido encaminhada para o hospital de helicóptero, Doris van Hess passou por uma cirurgia e felizmente não teve maiores ferimentos, assim como seu marido Willim. Com certeza o maior susto que o casal, veterano já de 6 edições do Rali dos Sertões, passou na competição. No dia 15, o francês David Frétigné sofreu um acidente com sua moto por volta do meio dia e acabou ficando desacordado, sendo imediatamente socorrido pela equipe de socorro médico da prova. Conduzido ao hospital, constatou-se duas vértebras fraturadas, além de um coágulo no cérebro, mas felizmente sem maior perigo.
            Na altura em que esta coluna estiver sendo lida, provavelmente o resultado final da competição já estará praticamente acertado, dadas as diferenças entre alguns dos competidores em algumas categorias. No ano passado, o espanhol Marc Coma venceu na categoria Motos, enquanto nos quadriciclos Rafal Sonik, da Polônia, foi o grande vencedor. Nos carros, o título ficou nas mãos da dupla brasileira Guilherme Spinelli e Youssef Haddad, e nos caminhões o triunfo foi do trio Marcos Cassol/Rodrigo Mello/Davi Fonseca, do Brasil.
            Importante salientar o lado ambiental do rali, que tem uma equipe de apoio exclusivamente para deixar limpos os locais por onde a competição passa. O grupo Ação Ambiental tem a responsabilidade de recolher todos os lixos e detritos gerados pelo rali em todo o seu percurso e nos acampamentos utilizados pela competição, entre os quais vidros quebrados, pedaços de ferro e fibra como pára-choques ou portas e até mesmo derramamento de óleo dos veículos. E mostrando que o grupo leva a sério sua função, eles estão preparados até com equipamentos específicos para a contenção de óleo derramado, seja ele tanto na terra quanto na água, utilizando um tipo de absorvente ecológico, especialmente preparado para absorver derivados de petróleo e outros materiais orgânicos que possam ser nocivos ao meio ambiente. Eles também se encarregam de limpar as trilhas e os acampamentos por onde passa a caravana, mostrando que a competição está cada vez mais consciente de sua responsabilidades ecológicas. E o rali também tem um lado de ação social, atendendo os municípios com Índice de Desenvolvimento Humano inferior ao índice nacional e com população de até 50.000 habitantes que estejam no roteiro da competição ou nas suas imediações. Esta ação social do rali atua dentro de escolas nas cidades, realizando capacitações, atendimentos médicos e doação de equipamentos, com o objetivo de auxiliar educadores e gestores e garantir o pleno aprendizado dos alunos. Algo a se elogiar, pois não é qualquer competição que se dispõe a tanto.
            A cada ano a competição vem ganhando mais competidores, e a disputa vem crescendo também. Para os fãs de rali, talvez a única reclamação seja a competição atualmente não passar mais pelos Estados do Sudeste, mas de certo modo, a competição faz juz ao seu nome: sertões, e o Nordeste, ao lado do Centro-Oeste, são as regiões brasileiras que mais se identificam com este nome. Então, é de esperar pelo menos orgulho de ver que hoje, perto de completar 20 anos de vida, o Rali dos Sertões já é uma prova de fama mundial, e que vem crescendo todos os anos. Uma prova genuinamente nacional, para nos colocar em evidência no mundo do esporte off-road mundial.
            Independentemente de quem seja o ganhador da prova, o maior vencedor é o torcedor nacional de corridas e o próprio Rali, por mostrar que, apesar das dificuldades que o esporte a motor enfrenta em nosso país, ele ainda consegue brilhar e nos proporcionar boas provas, seja em quais categorias e modalidades forem.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ARQUIVO PISTA & BOX – OUTUBRO DE 1994

            Dando seguimento à publicação de minhas antigas colunas, eis aqui a que escrevi em outubro de 1994. O campeonato naquela altura já estava quente: Damon Hill aproveitou bem as etapas em que Michael Schumacher foi suspenso e encostou no piloto alemão. Mas bastou o germânico retornar para ele mostrar porque era considerado o melhor da categoria após a morte de Ayrton Senna. E para muitos, Hill não passava de um piloto “comum”, e portanto, até indigno de ser campeão de F-1. Claro que a história da categoria já mostrava que nem sempre apenas pilotos acima da média eram campeões, e como vimos depois, Damon nos mostrou que podia sim ser campeão, tendo qualidades para tanto, embora não estivesse à altura de Michael Schumacher. E vamos ao texto então...

BASTIDORES QUENTES

Adriano de Avance Moreno

            A F-1 experimenta uma verdadeira ebulição nos bastidores neste fim de temporada. Há muitas negociações, jogadas, lances e troca-trocas em andamento. A única jogada que continua na mesma é a disputa do título mundial, que continua como sempre esteve, e que aponta o alemão Michael Schumacher como provável campeão de 1994. Vamos para as duas últimas etapas com o campeonato em aberto, e os melhores prognósticos indicam que a decisão do título deve dar-se apenas em Adelaide. Embora muitos concordem que o título já é de Schumacher, não devemos nos esquecer que tudo pode acontecer numa corrida. Damon Hill pode não merecer ser campeão, mas já houve muitos pilotos nesta situação. Só para citar dois nomes, é o caso de James Hunt e Jody Schekter.
            Hunt era considerado mais um playboy do que um excelente piloto: levou o título por ter nas mãos o excelente carro preparado por Émerson Fitipaldi no ano anterior, o McLaren M23, e ao violento acidente que quase matou Niki Lauda em Nurburgring, tirando-o de algumas corridas. Já Schekter também beneficiou-se do excelente carro que tinha em 1979, quando a Ferrari foi imbatível: o sul-africano era considerado por muitos um “troglodita” ao volante, sem nada de excepcional como piloto. Não fosse a inconstância de Gilles Villeneuve, seu companheiro de time na escuderia italiana, Jody provavelmente nunca teria um título no currículo. Pode ser o caso de Hill, que é tido por muitos apenas um piloto “comum”.
            A maneira como Schumacher humilhou Hill no GP da Europa credencia o alemão como melhor piloto da temporada. Nigel Mansell, retornando à Williams, terá de mostrar serviço se quiser continuar no time em 95. Muitos dizem que o “Leão” já está velho para a F-1. Pode até ser verdade, mas aqueles que dizem que ele está acabado para a categoria estão exagerando. A meu ver, é impossível alguém se adaptar perfeitamente à F-1, depois de passar o ano inteiro competindo na F-Indy, em apenas 4 dias. Lembrem-se de que Mansell, quando mudou-se para a F-Indy, fez mais de 30 dias de testes com seu novo Lola/Ford, antes de estrear oficialmente em sua primeira corrida na categoria. Na minha opinião, o piloto inglês precisa apenas de mais quilometragem para voltar a mostrar o que sabe. A questão é se a Williams vai lhe dar chance de conseguir esta quilometragem.
            A Mercedes agitou o fim deste mês com o anúncio de que passará a equipar a McLaren em 95, com um contrato válido por 5 anos. Não há dúvidas de que a Mercedes está jogando alto para voltar a ter na F-1 o domínio que teve na categoria quando participou das corridas na década de 1950. Tamanho investimento está fazendo todas as outras marcas de motores se mexerem também, cada uma à sua maneira, o que perfaz um novo e interessante horizonte para a F-1 nos próximos anos.
            A nova “era” Schumacher na F-1 também significa o fim dos grandes nomes da década de 1980 na F-1. Apenas Gerhard Berger deve continuar nas pistas em 1995, dos pilotos que já venceram corridas na década passada, caso Nigel Mansell não continue na categoria. Mansell, aliás, não deve continuar mesmo na Williams, mas essa é uma corda que está pendendo para os dois lados: muitos dos patrocinadores do time querem um piloto campeão na escuderia, e para eles, Mansell é este piloto. A Williams, entretanto, vem demonstrando preferência pelo jovem David Couthard, um piloto que já mostrou suas habilidades nas corridas que teve chance de disputar este ano, e que muitos consideram como um piloto muito promissor.


Terminou o campeonato da F-Indy, e ficou provado que a Penske massacrou mesmo a concorrência na temporada 94. Para 95, a tendência é diminuir tal domínio, já que apenas Al Unser Jr. E Émerson Fittipaldi serão os pilotos do time. O tiro, entretanto, para desespero da concorrência, pode sair pela culatra, pois a Penske terá apenas 2 carros para se concentrar, e não 3. Roger Penske tem uma mentalidade vencedora que se equivale à de Ron Dennis na McLaren, e para ele, o objetivo é manter o domínio da Penske, e quem sabe, até aumentá-lo. A F-Indy constantemente fica se gabando de ter provas mais competitivas do que a F-1. Este ano, entretanto, não teve muito equilíbrio, o que mostra que, mesmo na F-Indy, apesar de seu regulamento propiciar maior competitividade, também há espaço para desigualdade entre as equipes, e que ficou patente este ano...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O QUE ESPERAR DA WILLIAMS?

            Um dos assuntos em voga recentemente na Fórmula 1 tem sido o destino de Rubens Barrichello na categoria. Será que o veterano piloto, que está disputando sua 19ª temporada, conseguirá renovar com a Williams para 2012, e assim atingir sua 20ª temporada na competição, o que seria um recorde absoluto para um piloto na história da F-1, ou poderá ser obrigado a encerrar a carreira, caso o time inglês opte por não renovar o vínculo com o brasileiro? Até algumas semanas atrás, tudo parecia bem encaminhado, tanto que o próprio Rubens declarava que só faltava praticamente assinar o novo contrato. Nos últimos dias, contudo, o tom mudou, e a renovação parece ter empacado em algum ponto. Não há dúvidas de que a Williams é a grande decepção da atual temporada, que é praticamente a pior da história da escuderia, em seus mais de 30 anos de existência.
            Mas fica a pergunta: o que se pode esperar da Williams para o futuro? A escuderia iniciou uma reestruturação na área técnica, com um pessoal novo que estará coordenando os projetos, ao mesmo tempo que alguns nomes importantes na estrutura da equipe estarão se despedindo, entre eles Sam Michael, que foi o grande nome técnico do time nos últimos anos, e mais importante, Patrick Head, sócio do time e praticamente braço direito de Frank Williams, uma dupla que iniciou sua aventura na categoria lá nos anos 1970, e tem estado junta até agora. Até o momento, a única notícia mesmo positiva para a próxima temporada é a confirmação do uso dos motores Renault, bem melhores do que os atuais Cosworths usados pelo time sediado em Grove. Mas apenas um motor melhor não será a salvação da pátria para a Williams. A Lótus está aí para provar isso: continua sendo um time ainda incapaz de ameaçar os já estabelecidos, tendo se sobressaído apenas sobre a Virgin e a Hispania, o que não quer dizer muita coisa, uma vez que estas duas escuderias ocupam sempre os finais dos grids e classificações de corridas.
            Pela lógica, o mais sensato para a Williams seria manter sua dupla de pilotos. Tanto Rubens Barrichello quanto Pastor Maldonado estão fazendo o máximo dentro de suas possibilidades para levar a Williams adiante nos grids e nas corridas, mas o carro é tão ruim que nem um nem outro tem conseguido obter resultados satisfatórios. Para piorar, quase todos os novos desenvolvimentos projetados têm sido infrutíferos, levando Barrichello a perder literalmente as sextas-feiras de cada GP testando peças e sistemas que muitas vezes não têm levado a lugar nenhum. Por mais que a capacidade de acertar carros do brasileiro seja reconhecida – com exceção claro, de um punhado de brasileiros que acha Rubens a maior enganação do mundo, e que nos últimos dias voltaram com tudo a fazer coro para que a F-1 se livre do piloto veterano, que na sua opinião só envergonha o Brasil perante o mundo (na opinião deles, claro), ele não vai conseguir produzir avanço se o corpo técnico não consegue desenvolver melhorias no projeto do carro, que infelizmente, nasceu errado, e quando isso acontece, é muito difícil conseguir corrigir o rumo. A direção da Williams já deu a entender que os pilotos estão fazendo o que podem, e neste caso, renovar o contrato de ambos seria o mais coerente, para manter a base de comparação técnica para a nova estrutura que está sendo montada, com vistas a promover uma renovação no projeto do carro de 2012. Mas, em sua história, a Williams já deu vários exemplos de que toma atitudes muitas vezes ilógicas quando o assunto é manter coerência tanto na área técnica quanto na direção da escuderia, especialmente no que tange a seus pilotos. Não há time na história da F-1 que tenha dispensado e/ou perdido tantos pilotos campeões quanto a escuderia inglesa. Nomes de peso como Nélson Piquet, Alain Prost, Nigel Mansell, e até mesmo Damon Hill, Alan Jones e Jacques Villeneuve mostram como o time não pensou duas vezes quando o assunto era deixar seus melhores pilotos partirem para novos lugares.
            Para piorar a situação, o caixa da escuderia não está necessariamente nos seus melhores dias. O time perdeu patrocínios importantes nos últimos dois anos, e nesta temporada, o orçamento trazido por Maldonado da PDVSA foi a salvação do time. Contudo, apesar do contrato de patrocínio ser longo, os fracos resultados podem levar à revisão dos valores, para não mencionar que, depois de mais de uma década sendo usada a torto e a direito nos devaneios populistas de Hugo Chávez, a empresa petrolífera venezuelana anda bem mal das pernas, técnica e financeiramente. E, com o caixa baixo, a PDVSA poderia também rebaixar a quantia que paga à Williams para estampar sua marca na escuderia.
            A possibilidade de o time contar com ainda menos recursos na próxima temporada é bem séria e real. Os fracos resultados deste ano já irão render ao time muito menos recursos oriundos da divisão de lucros da FOM para o próximo ano. E a chance de o patrocínio da petrolífera venezuelana encolher só tenderão a tornar os recursos de Grove mais escassos do que nunca. Será preciso muito trabalho, criatividade e seriedade para conseguir dar a volta por cima em um panorama sombrio destes. Não é impossível para a Williams dar a volta por cima em 2012, mas é extremamente difícil. E a história mostra que um time dificilmente consegue recuperar-se tanto de um ano para o outro. O exemplo do carro fracassado da Honda de 2008, que em 2009 tornou-se vencedor não pode ser aplicado, pois em meados de 2008, quando se percebeu que o carro daquela temporada era um fiasco total, todos os recursos foram empregados no desenvolvimento do monoposto que surpreendeu a categoria em 2009. E estes recursos eram fartos, bancados pela Honda, antes da fábrica japonesa decidir por abandonar a competição. Calcula-se que pelo menos mais de US$ 400 milhões foram dispendidos no projeto. E ainda teve o adicional motor Mercedes-Benz, que conseguido à última hora, ainda se encaixou como uma luva no carro, somando forças ao que já era bom. Se a Williams terá de fato um motor melhor em 2012, não há os recursos fartos que permitiram a Ross Brawn transformar um panorama que todos julgavam ser quase um fracasso certo em um sucesso estrondoso.
            Neste panorama que se apresenta incerto e até tenebroso com relação ao possível futuro da Williams, algumas publicações lançam mão de boatos que colocam novamente Nico Hulkenberg de volta na Williams. Nem mesmo Pastor Maldonado estaria garantido, pois o contrato com a PDVSA não liga a petrolífera necessariamente ao piloto venezuelano, mas a um grupo de pilotos que poderia ser mudado o titular de acordo com a necessidade ou conveniência. Até mesmo Adrian Sutil estaria na parada para ser titular da Williams, mas o maior problema do time não são seus atuais pilotos. Barrichello tem andado bem, e superado Maldonado em quase todas as corridas, embora o venezuelano tenha se dado melhor nas classificações. Mas se o brasileiro não tem alcançado o Q3 como seu companheiro tem feito algumas vezes, Barrichello por outro lado tem avançado para a frente nas corridas, enquanto Pastor, vitimado pelo péssimo desempenho de corrida do FW33, vai caindo para trás em todas as provas que larga no Q3, impossibilitado de se defender de carros com melhor ritmo de corrida. E, analisando pela lógica, Adrian Sutil está em um time em ascenção no momento, a Force Índia. Trocaria um time que no momento está crescendo, por um futuro incerto na Williams? E Nico Hulkenberg sabe que é questão de tempo até a Mercedes requisitar Paul Di Resta, o que abriria uma vaga para ele no time indiano, onde já está se dando muito bem. Voltaria à Williams, que o dispensou? Neste momento, seria infrutífero.
            Uma troca de pilotos neste momento também não agregaria melhoras significativas à escuderia, muito pelo contrário. Já há mudanças demais ocorrendo no staff técnico, e manter os pilotos, que são quem menos tem culpa no mal desempenho do carro atual, é até uma questão de justiça, além de se manter um ponto de referência seguro para se avaliar nas novidades que deverão ser implantadas no projeto do carro de 2012. Frank Williams mais do que ninguém sabe que eles estão fazendo o seu possível, tentando se manter firmes e motivados, mesmo com os resultados ruins, e não se pode cobrar menos ou mais do que isso.
            Ao lado da Ferrari e da McLaren, a Williams é um dos times mais tradicionais da história da F-1. Sua luta para competir nos últimos anos faz lembrar a lenta decadência da equipe Tyrrel e da Lótus original, que lutaram o quanto puderam contra as adversidades que os custos descabidos adotados pela categoria nos últimos anos impuseram a uma série de times. Que a Williams consiga se reerguer para competir novamente, e não ser mais um nome a figurar apenas na história e estatísticas da F-1...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ARQUIVO PISTA & BOX – SETEMBRO DE 1994 – II

            Continuando com a publicação de minhas antigas colunas, eis aqui a segunda coluna que escrevi no mês de setembro de 1994. O assunto da coluna destacava como o campeonato de F-1 daquele ano havia tido sua emoção e disputa “resgatada” meio que à força, e como Damon Hill aproveitou a oportunidade para embolar a disputa, que ninguém imaginava no início do ano que atingiria tal nível. E vamos ao texto...

DISPUTA QUENTE

Adriano de Avance Moreno

            O campeonato da F-1 vai pegar fogo. Esta é a definição do que vamos ter nas últimas 3 etapas do ano. É verdade que a emoção foi resgatada à força pela FIA, com a punição de Michael Schumacher por 2 corridas, por causa das mancadas e tropeços da Benetton, que custou ao alemão 4 corridas perdidas (as 2 de suspensão, e 2 de desclassificação), mas enfim teremos uma forte disputa. Apesar disso, o ano ainda não se recuperou do forte baque dos acontecimentos de Ímola.
            Damon Hill conseguiu tudo o que queria, reduziu a vantagem de Schumacher para apenas 1 ponto, e agora tem a grande chance de ser campeão, mas chegou a hora de o inglês mostrar que merece o título. O piloto alemão tem muito mais talento que Hill, e vai ser um páreo duríssimo nas provas finais. Não só Hill, mas a própria Williams vai ter de mostrar estar apta para conquistar o título. Por sua parte, a escuderia está preparada para tentar novamente não só vencer o título de pilotos, como também o de construtores, agora que passou à frente da Benetton na classificação do campeonato. Benetton e Williams vão decidir tudo no final da temporada, e as perspectivas indicam que talvez a coisa só fique decidida na Austrália, em Adelaide, a última prova do ano, algo que só aconteceu em 1986, quando Alain Prost, Nélson Piquet e Nigel Mansell chegaram para a prova australiana disputando o título, que acabou ficando com Prost.
            Tanto a Williams quanto a Benetton já estão preparando suas armas e neste ponto o time do velho Frank Williams está em vantagem: enquanto a Benetton só pode confiar no seu excelente carro e no talento de Schumacher, a Williams já conseguiu reverter boa parte de seu atraso técnico no chassi FW16, Hill está mais motivado do que nunca, e para finalizar, terá Nigel Mansell para ser o escudeiro de Hill nas provas finais. Pode até ser que Mansell não esteja em sua melhor forma, mas o “Leão”, sem dúvida, será um companheiro de equipe muito mais eficiente para Hill do que o holandês Jos Verstappen para Schumacher na Benetton.
            Jerez de La Fronteira, palco do GP da Europa, é um circuito travado, que deve favorecer a Benetton, mas se Hill conseguir sair na frente, provavelmente terá a corrida em suas mãos. No mínimo, Schumacher não terá mais aquelas corridas tranqüilas do início do ano, e chega a hora de vermos como o alemão se comportará sob pressão na pista. Já tivemos um exemplo este ano, na Alemanha, onde vimos Michael tentar tudo para passar a Ferrari de Gerhard Berger, o que resultou num motor estourado. Está na hora de Schumacher mostrar que tem cabeça fria, além de braço.
            Quem vem evoluindo bem é a McLaren. Os motores Peugeot parecem ter sua durabilidade confirmada, tanto que o time de Ron Dennis conseguiu subir ao pódio nas últimas 3 corridas, todas as vezes com Mika Hakkinen, que vem se confirmando como novo piloto TOP na F-1. Martin Brundle também tem mostrado resultados, conseguindo pontuar regularmente. Já Rubens Barrichello, da Jordan, vem mostrando também todo o seu talento, conseguindo dois 4° lugares nas últimas corridas. Esta é a melhor temporada da Jordan na F-1, e tem tudo para crescer mais em 95, se for confirmada a utilização do motor Ford Zetec-R. JJ Letho parece estar acabado para a categoria. O finlandês, que sempre surpreendeu nas equipes anteriores que defendeu, não teve sorte com a Benetton este ano. O fortíssimo acidente que sofreu no início do ano parece ter feito Letho perder a garra e parte das condições físicas necessárias para guiar um F-1.
            A Lótus teve uma brilhante atuação em Monza, mas os problemas que afligem uma das mais tradicionais escuderias da F-1 retornaram no Estoril, mas há possibilidades de melhora no fim do túnel escuro que a Lótus atravessa nos últimos anos em relação a 95. Será que a equipe conseguirá se reerguer novamente. Para muitos fãs da história da categoria, tomara!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

VETTEL CORRENDO SOLTO

            Depois de um corridaço em Nurburgring, na Alemanha, pouca gente esperava ter a mesma satisfação na Hungria, ainda mais que o travado circuito de Hungaroring nunca foi muito favorável à prestação de boas provas, a não ser as tradicionais “procissões” onde ninguém conseguia ultrapassar ninguém quase. Havia esperanças de que os novos pneus de baixa duração da Pirelli, a asa móvel e o kers pudessem mexer um pouco com a mesmice que o circuito húngaro costuma proporcionar, mas para alegria geral de todos, São Pedro resolveu aparecer no dia da corrida, e mesmo ficando por pouco tempo, foi o suficiente para bagunçar as coisas e nos proporcionar outro espetáculo de competição como há muito não se via na Hungria.
            Quem se deu melhor acabou sendo justamente Jenson Button, que sobreviveu às condições desafiadoras da pista escorregadia e úmida para conseguir vencer o seu 200° Grande Prêmio na F-1, e reafirmar-se na luta pelo vice-campeonato. Mas, apenas a confirmar o que já falei na coluna da semana passada, o resultado da Hungria apenas reforça a dia de que Sebastian Vettel está correndo solto rumo ao seu bicampeonato. Embora não vença já há 4 corridas, o atual campeão mundial está aumentando sua vantagem na classificação, e agora detém nada menos do que 85 pontos para seu mais direto perseguidor na tabela, justamente seu companheiro de equipe Mark Webber. E Button, que reforça sua posição na luta pelo vice-campeonato, está distante de Vettel exatos 100 pontos. E entre Webber e Button ainda temos Fernando Alonso e Lewis Hamilton. E agora, são apenas 8 corridas para fechar o campeonato.
            Nessa conta, se considerarmos Mark Webber, ele precisa tirar praticamente 10,625 pontos por corrida de Vettel. No caso de Button, a matemática é mais complicada: Jenson precisaria descontar 12,5 pontos por prova. Isso também dá uma idéia de como é difícil também para Alonso e Hamilton o desafio de tentar conquistar o título deste ano. A vantagem de Vettel já se tornou tão grande que ele apenas precisa administrar seus resultados para conquistar seu segundo caneco, mas para sua sorte, a não ser que aconteça um desastre, como ele deixar de pontuar por mais de uma corrida seguida, seu trabalho está sendo facilitado por seus próprios concorrentes. Mark Webber, Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Jenson Button estão se engalfinhando nas últimas corridas, e embora Button tenha vencido 2 provas, ele é quem mais está atrás na pontuação, tendo abandonado também 2 corridas nestas últimas 4 provas. Nas outras corridas, vitória de Fernando Alonso e Lewis Hamilton, que nas demais corridas, alternaram abandonos com resultados menos vigorosos. Mark Webber, por sua vez, não consegue deslanchar apesar do ótimo carro que tem, e no meio de toda esta briga, Vettel continua somando seus pontos com relativa tranqüilidade. Seu pior resultado foi na Alemanha, onde terminou em 4°, e até o presente momento, seu único erro nas corridas foi justamente no Canadá, quando sucumbiu à pressão de Button e rodou na última volta, perdendo uma vitória que parecia certa, mas ainda assim, terminou em 2° lugar com facilidade.
            Button, Alonso, Webber e Hamilton estão duelando entre si, e com isso, Vettel vai desgarrando cada vez mais na dianteira. Sua vantagem vai subindo pouco, é verdade, mas a cada etapa, vai diminuindo a chance da concorrência se recuperar. Há 2 corridas atrás, ao findar a prova da Inglaterra, a vantagem do alemão da Red Bull era de 80 pontos sobre o mais próximo colocado. Agora, é de 85 pontos. Só que antes, eram 10 corridas ainda pela frente; agora, além da dianteira ter aumentado mais 5 pontos, são 2 corridas a menos para descontar a diferença. E, para piorar a situação, se em 2010 Vettel cometeu diversos erros nas corridas, que quase comprometeram sua disputa do título, este ano, com exceção do Canadá, como relatado acima, ele não cometeu um erro sequer. Continuando neste ritmo, sem se envolver em confusões, e garantindo pontuações satisfatórias com o carro que tem em mãos, o que significa que pode correr pelo pódio em todas as etapas que faltam, ou ainda vencer corridas, é questão de tempo até Vettel encerrar matematicamente a disputa do título.
            Mesmo não sendo dominante, o carro da Red Bull é muito competitivo, e Vettel tem demonstrado aproveitar as oportunidades que estas corridas sem poder vencer tem oferecido. Teria sido 5° colocado em Nurburgring, mas um pit stop desastroso da Ferrari tirou Felipe Massa de sua frente; e em Hungaroring, a rodada de Hamilton em momento crucial da corrida lhe permitiu chegar em 2° lugar. E nada impede que Vettel volte a vencer na atual temporada: os desempenhos de McLaren e Ferrari ficaram bem parelhos ao da Red Bull, o que significa que qualquer um pode vencer as corridas restantes no campeonato. O problema é que os opositores potenciais, além de se digladiarem entre si, tem tido um comportamento de performance mais irregular. Hamilton que o diga: após vencer de maneira categórica na Alemanha, estava repetindo a dose na Hungria, mas uma rodada em um momento crucial da corrida arruinou boa parte de seu esforço, fazendo-o perder posições e ter de recuperar o terreno perdido, acabando em 4° lugar. Alonso, que venceu em Silverstone, também discutiu a vitória na Alemanha, mas foi incapaz de repetir o mesmo desempenho na Hungria, salvando um pódio mais pela sorte do que pela performance. E Button, como já falado acima, venceu duas vezes, mas abandonou outras duas, perdendo importantes chances de pontuar.
            As chances de Vettel encerrar o campeonato antes do tempo ainda são grandes. E agora, com as “férias” de agosto, tudo ficará ainda mais incerto quanto ao restante do campeonato. A Red Bull admitiu que o lance da proibição dos difusores aquecidos tirou seu foco de atenção no mês de julho, mas agora com a normalidade de volta, que ninguém duvide que Adrian Newey já colocar suas idéias em ordem e que a Red Bull possa surgir em Spa de novo na frente da concorrência, voltando a exibir, se não toda, parte da supremacia vista nas primeiras corridas do ano. Mas, mesmo que o equilíbrio de forças visto nas últimas corridas acabe se mantendo, Sebastian só tem que manter a cabeça fria e continuar pontuando como vem fazendo. È até exagerado dizer que o campeonato já acabou, pois tudo ainda pode acontecer. Na hipótese de um abandono de Vettel, tudo pode mudar, e o campeonato pegar fogo de verdade na disputa das etapas que faltam.
            Por isso, apesar de uma certeza quase absoluta – a de que Vettel será bicampeão este ano, tudo o mais são incertezas, com a forte expectativa de que o restante do campeonato pode ser muito mais emocionante do que o que já foi mostrado até agora. Pode até voltar o marasmo do domínio da Red Bull, mas isso não tem nenhuma garantia. E, nesse momento, não ter garantia de nada do que pode vir a acontecer nas 8 corridas restantes é a garantia de que este é o melhor campeonato em muitos anos recentes da Fórmula 1.
            Que venham as férias de verão europeu, portanto...


A Stock Car disputa neste domingo, em Interlagos, a Corrida do Milhão, cujo prêmio ao vencedor será justamente de R$ 1 milhão. E uma das atrações da etapa deste ano será a presença do ex-campeão de F-1 Jacques Villeneuve, que disputará a corrida como convidado especial, pela equipe Mico’s Racing. Além de ter de resolver o que fazer com a chicane que atencede a curva do Café, que foi reformada ao contrário, a participação do piloto canadense é uma bela promoção para a etapa. Mas convenhamos, Mico’s Racing é um nome bem sugestivo para uma escuderia, e muitos já estão apostando que Jacques pode mesmo pagar um tremendo mico na corrida da categoria brasileira...Mas para não dizer que a participação de Villeneuve não será interessante, o filho do lendário Gilles vai pilotar um carro todo vermelho, e levará o número que seu pai imortalizou na Ferrari, o 27. De qualquer maneira, vai ser interessante rever Villeneuve em Interlagos, onde ele venceu em 1997 correndo pela Williams na F-1, no ano em que foi campeão da categoria...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

ESTRÉIA – SEÇÃO FLYING LAPS

            Nunca foi minha intenção fazer deste humilde blog um site de teor jornalístico intenso, devido às minhas limitações de tempo e outras atividades que exerço. Mas alguns conhecidos me externaram a opinião de que poderiam ser feitas algumas notas sobre alguns outros acontecimentos do mundo do esporte a motor, que muitas vezes não têm como serem devidamente comentados em minhas colunas jornalísticas. Então pensei em criar, para ver no que vai dar, uma nova seção mensal, a exemplo da COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA, com algumas notas rápidas sobre alguns acontecimentos do mundo das corridas, tais quais as notas que coloco ao final de algumas de minhas colunas semanais, quando há espaço disponível.
            Obviamente, não dá para falar de tudo, mas tentarei colocar algumas notas rápidas sobre certas categorias e acontecimentos que tenham tido espaço no mês anterior à sua publicação, que pretendo tentar fazer sempre na primeira quarta-feira de cada mês, assim como na última quarta-feira fica sempre reservado para a COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA. E, pensando em um nome legal para esta nova seção, me veio à cabeça o nome em inglês das “voltas voadoras” na classificação das corridas, as “Flying Laps”, e é com este nome que batizo esta nova seção, com algumas notas sobre algumas notícias do último mês de julho. E até que venha a seção FLYING LAPS do mês que vem, fiquem com minhas primeiras notas...


A equipe Ganassi faturou a corrida de Toronto da Indy Racing League, disputada no dia 10 de julho passado, após uma corrida cheia de toques e empurrões de vários pilotos na disputa por posições. O ponto mais crítico foi o fim da reta oposta, onde ocorreram a grande maioria dos incidentes, que começaram logo cedo na corrida, sendo que Tony Kanaan acabou sendo a primeira “vítima” dos enroscos ocorridos na referida curva. Dario Franchiti venceu a corrida, e foi um dos que se envolveu em alguns toques também, o mais polêmico deles com o seu rival direto na luta pelo campeonato, Will Power. Ambos tocaram rodas, mas foi o australiano da Penske quem se deu mal, ficando com o carro virado para o sentido contrário, e perdendo qualquer chance de disputar as primeiras posições. Power, encolerizado com o ocorrido, não poupou Franchiti de críticas e outros adjetivos menos educados. Para mim, foram incidentes de corrida, normais em pistas onde os pontos de ultrapassagem são escassos, sendo que no final da reta oposta sempre foi o melhor ponto para se tentar ganhar posições. E numa categoria onde todos correm com o mesmo equipamento, as performances em determinados pontos acabam sendo bem parelhas, o que significa que qualquer oportunidade que seja para ultrapassar deve ser aproveitada. Claro que, infelizmente, nem sempre as coisas saem do jeito que esperamos, mas quem entra em uma prova de carros de corrida tem que esperar que, mais hora, menos hora, todo mundo acabe se esbarrando. Ninguém está batendo por bater, simplesmente...


Se a Ganassi conquistou a vitória com uma dobradinha em Toronto, com Scott Dixon a fazer companhia ao vencedor Dario Franchiti, em Edmonton foi a vez da Penske conquistar sua primeira dobradinha na atual temporada. Will Power, sempre confirmando sua excelente forma nas pistas mistas, venceu no circuito montado no aeroporto da cidade canadense, mas teve de suar o macacão para se defender na parte final da corrida de Hélio Castro Neves, que em sua melhor atuação no campeonato de 2011, pressionou o companheiro fortemente na luta pela vitória. Power não cedeu, mas Helinho parece enfim ter espantado parte da má fase que o perseguia desde o início do ano, e conquistou seu primeiro pódio, com o 2° lugar. A intenção do brasileiro agora é melhorar sua posição no campeonato, uma vez que a luta pelo título a esta altura já está fora de cogitação...


E a Red Bull resolveu promover a estréia de um de seus pilotos na Fórmula 1. Daniel Ricciardo enfim teve a chance de alinhar num grid de F-1. Mas, para quem esperava  que o jovem australiano fosse ocupar um dos lugares da Toro Rosso, ou até mesmo a vaga de Mark Webber na equipe “matriz”, Ricciardo fez sua estréia ao volante da Hispania. Quem acabou rifado do time espanhol acabou sendo o indiano Narain Karthikeyan. Com a operação, a Hispania receberá algum suporte técnico da Red Bull, além, claro, de alguns recursos financeiros. O principal motivo de promover a estréia de Ricciardo em um time como a Hispania é dar uma chance de o rapaz mostrar do que é capaz sem ter nenhum tipo de pressão. Como todos sabem que a Hispania é a pior escuderia do grid, Ricciardo poderá acumular quilometragem e desenvolver seu conhecimento sobre os circuitos e estratégias sem maiores preocupações. Visto como principal piloto do programa de apoio e formação mantido pela Red Bull, a oportunidade é para confirmar se Daniel faz por merecer uma vaga na Toro Rosso, ou mesmo na Red Bull. Na escuderia “filial”, persiste a dúvida sobre quem é melhor: Sebastian Buemi ou Jaime Alguerssuari. Como Webber deve se manter na Red Bull até o fim de 2012, Ricciardo pode não ter pressa em seu desenvolvimento como piloto de F-1. A Hispania, claro, agradece a chance de abrigar o jovem australiano. Por enquanto, nas suas primeiras corridas, Ricciardo tem alternado melhores resultados frente a Vitantonio Liuzzi, mas nada que seja exatamente empolgante em termos de performance...


Timo Glock resolveu mostrar que bota fé em sua atual escuderia de F-1, mesmo que esteja passando por um tremendo calvário quando o assunto é performance e fiabilidade do atual modelo MRV-02: renovou contrato com a Virgin Marussia até 2014! Seu contrato ia até o final deste ano. Glock agora tem apenas que torcer para que a escuderia não vire uma pagação de mico permanente, pois alguns dizem que Lucas Di Grassi, que foi preterido em favor do belga Jerome D’Ambrosio, acabou sendo o mais favorecido na disputa por um bom lugar este ano. Lucas tornou-se o atual test driver da Pirelli, e está tendo bom reconhecimento dos técnicos da fábrica italiana de pneus. Já o piloto belga, assim como Glock, está vendo como é o mundo do fim do grid da Fórmula 1. Isso para não mencionar que a Hispania, considerado o pior time da categoria, vem impondo algumas derrotas vergonhosas à escuderia em algumas das corridas deste ano...


Felipe Nasr vem mostrando, além de um grande talento, também muita sorte no campeonato inglês de F-3 deste ano. Na etapa tripla disputada no circuito francês de Paul Ricard, Felipe faturou nada menos do que 2 vitórias nas 3 corridas realizadas na pista francesa que até 1990 recebeu o GP da França de F-1. Na primeira corrida, Nasr aproveitou-se de um erro de Kevin Magnussen, que largava na pole-position, mas caiu para a 7ª posição na largada da primeira corrida. Felipe largou em 2°, mas assumiu a ponta na largada e assim seguiu até a bandeirada. Na segunda corrida, com uma série de confusões, Nasr acabou ficando em 16°, numa prova bem curta que viu a primeira vitória de William Buller. Mas na 3ª e última corrida da rodada, Felipe faturou nova vitória, após Antonio Félix da Costa e Kevin Magnussen baterem na última curva da última volta da prova, em uma disputa de posição. Felipe vinha na 3ª posição, e acabou ganhando a vitória de presente. Foi seu 7° triunfo na atual temporada da F-3 inglesa...


E a Volkswagen fez sua estréia no Mundial de Rali na prova da Finlândia. Estreando apenas como equipe, tendo os carros fornecidos pela parceira Skoda e pilotados por Andreas Mikkelsen e Joonas Lindroos, o novo time da categoria tem por objetivo apenas ganhar experiência, tencionando participar de mais 4 etapas do campeonato de rali deste ano. Entre os demais objetivos da fábrica alemã, estaria a avaliação dos carros da Skoda, com vistas ao aprimoramento de seu modelo Pólo R. Tudo indica que a Volkswagen pode entrar mais firme no rali em breve, mas isso dependerá das performances e resultados obtidos por sua dupla de pilotos. Para quem já foi até cortejada pela F-1 em tempos não tão distantes, há boas chances de a Volkswagen entrar firme nos ralis, até porque as corridas de monopostos, em especial da F-1, não atendem muito aos objetivos da montadora, que sempre se caracterizou por carros mais populares. Os ralis, contudo, por utilizarem carros mais similares aos que são vendidos ao consumidor, podem ter maior apelo e racionalidade no uso de recursos. Afinal, o automobilismo não vive apenas de F-1...


A BMW apresentou este mês o modelo M3, carro com o qual a montadora bávara irá correr no campeonato DTM de 2012. E o retorno da marca ao campeonato do DTM teá um piloto brasileiro ao volante: Augusto Farfus foi confirmado com piloto do time alemão, ao lado de Andy Priaulx. O campeonato do ano que vem vai assistir ao confronto de uma verdadeira tríade alemã do automobilismo, pois Audi e Mercedes também estarão na pista. Farfus, que já venceu diversas corridas com a BMW no campeonato do WTCC, agradece a oportunidade, e pretende continuar conquistando vitórias com os bávaros agora no DTM...