quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

HAVOC SERIES - DEZEMBRO DE 2014 - II - PRIMEIRAS VITÓRIAS NA F-1 - II



            Hoje trago mais uma postagem na sessão Havoc, repetindo o tema da última postagem, de mostrar as primeiras vitórias de nossos pilotos na Fórmula 1. A primeira sessão foi dedicada aos nossos campeões na categoria. Nesta segunda sessão dedicada às primeiras vitórias, selecionei vídeos dos primeiros triunfos de nossos outros pilotos que não conseguiram chegar ao título na categoria máxima do automobilismo, mas que nem por isso devem deixar de ser respeitados, apesar de que, para grande parcela do público "torcedor", o fato de não terem sido campeões não os faz deixarem de ser "fracassados" na categoria, para os quais um piloto só é considerado vencedor se for campeão, e nada menos do que isso. Uma postura por vezes injusta e desrespeitosa, porque só de chegar na F-1 já é uma grande vitória em termos de carreira, mas cada um tem sua noção do que é "sucesso" e do que é "fracasso". Então, vamos aos vídeos...
            O primeiro vídeo, claro, é da primeira, e infelizmente, única vitória de José Carlos Pace, obtida justamente no Grande Prêmio do Brasil de 1975. Competindo pela Brabham, Pace era considerado um grande talento, que certamente seria campeão da F-1 um dia, quando tivesse a chance certa. Aquela corrida também apresentou a primeira dobradinha 1-2 de pilotos brasileiros na categoria, pois Émerson Fittipaldi, que vencera as edições de 1973 e 1974 da corrida, chegou em 2° lugar, fazendo a festa da torcida brasileira presente no autódromo. Quis o destino que Pace nunca chegasse ao merecido sucesso na categoria, falecendo em um triste acidente aéreo pouco tempo depois, em 1977. Em 1975, com sua primeira vitória, teve seu melhor ano na F-1, terminando o campeonato em 6° lugar, com 24 pontos. No ano seguinte, a Braham não tinha um carro tão bom, e seu desempenho caiu bastante, sendo apenas o 14° colocado, com 7 pontos. Em 1977, o 2° lugar no GP da Argentina dava esperanças de um ano melhor, mas abandonou no Brasil, e foi apenas 13° na África do Sul. Faleceu em 18 de março de 1977, quando seu avião bateu na Serra da Cantareira. Fiquem agora com o vídeo, postado pelo usuário Adriano Favetta no You Tube, com narração de Luciano do Valle, com alguns momentos da vitória de Pace em Interlagos em 1975:



            Rubens Barrichello pode ser considerado o mais controverso piloto que já tivemos na F-1. Vice-campeão em duas oportunidades, Rubinho só teve oportunidade de vencer quando estava na Ferrari, de 2000 a 2005, mas nunca teve liberdade para lutar pelo título, pois todas as primazias da escuderia eram de Michael Schumacher. E o time, por vezes, fazia questão de deixar isso claro, quando da ocasião da primeira vitória do brasileiro pelo time, no Grande Prêmio da Alemanha de 2000, quando Rubinho deu show e venceu com categoria numa aposta arriscada de manter os pneus slick no piso molhado que se encontrava parte da pista de Hockenhein. Após a vitória de Barrichello, na mesma semana o presidente da Ferrari disse com todas as letras que o único objetivo da escuderia era fazer Michael Schumacher campeão, tirando qualquer esperança de quem esperava que Rubens pudesse embolar a disputa do campeonato. E, curiosamente, o desempenho do brasileiro nas etapas seguintes também despencou, com o piloto alemão distanciando-se na classificação, onde tinha ficado perigosamente próximo do brasileiro (apenas 10 pontos à frente, pela pontuação da época). Fiquem agora com o vídeo da vitória de Rubinho, postado no You Tube pelo usuário Alan Domingues:



            Fechando a sessão, temos o Grande Prêmio da Turquia de 2006, onde Felipe Massa obteve sua primeira vitória na Fórmula 1. Massa havia substituído Barrichello na Ferrari, e a missão de Felipe era igual à do conterrâneo: ser apenas o segundo piloto enquanto Schumacher lutava pelo título e pelas vitórias. Mas houve momentos em que a escrita desejada pelo time não deu certo, como na prova turca, onde Massa deveria entregar sua posição ao companheiro de equipe, mas a intromissão de Fernando Alonso entre eles estragou os planos. Como Michael Schumacher não conseguiu superar o asturiano na pista, Felipe ficou livre para vencer pela primeira vez na categoria. Curtam o vídeo postado por Matheus Henrique no You Tube:



            E ficamos por aqui nesta edição da sessão Havoc. Em breve, trago outra seleção de vídeos do mundo da velocidade. Um bom Natal a todos!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

ARQUIVO PISTA & BOX - MARÇO DE 1997 - 27.03.1997



            De volta com minhas antigas colunas, hoje trago a que foi publicada em 27 de março de 1997. A novidade era o lançamento da FOCA TV, um empreendimento feito por Bernie Ecclestone para revolucionar as transmissões das corridas da F-1, e por tabela, arrecadar mais dinheiro dos fãs da categoria. Tratava-se de um produto "premium" que seria oferecido mediante assinatura para os fãs em vários países, incorporando a novíssima tecnologia de transmissão digital, que prometia ganhos de qualidade espetaculares na época. Apesar das vantagens oferecidas no pacote, ele nunca vingou como Ecclestone pensou que aconteceria. Os altos preços cobrados pelo serviço, que o chefão da então FOCA (hoje FOM) achou que seriam pagos sem pestanejar pelos fãs, assustaram muitos clientes potenciais, que não estavam dispostos a pagar tão caro para o que era oferecido. Com isso, as vendas ficaram muito áquem do que se esperava.
            No fim, Bernie extinguiu a FOCA TV como um serviço de transmissão diferenciada, mas o pessoal e equipamentos foram incorporados à FOCA, passando a melhorar as transmissões das etapas da categoria, oferecendo melhores condições técnicas e variedade de câmeras opcionais para as TVs licenciadas nas transmissões. Bernie Ecclestone não saiu exatamente com prejuízo da operação, mas pode-se ver que o produto teria tido muito mais chances de sucesso se os preços fossem mais módicos. Mas, desde quando a F-1 cobra preços razoáveis?...


A NOVA TV F-1

            Este ano as transmissões da Fórmula 1 atingiram um novo estágio na era da comunicação. Com a introdução da tecnologia digital nas telecomunicações, Bernie Ecclestone resolveu revolucionar a transmissão das corridas da categoria máxima do automobilismo.
            Para este intento, foi criada a nova FOCA Television, com cerca de 200 funcionários. A partir de agora, a FOCA TV vai ser a responsável pela nova era da transmissão das corridas da F-1. Neste fim de semana mesmo, em Interlagos, a transmissão da corrida para o mundo todo já será feito pela FOCA. A Rede Globo, até então a responsável pela geração de todas as imagens do Grande Prêmio do Brasil, irá ter menor participação na montagem do show televisivo. Tecnicamente, irá utilizar algumas câmeras próprias, cujas imagens serão exclusivas apenas para o Brasil. No restante, irá utilizar as imagens produzidas pela equipe da FOCA TV.
            O novo esquema da TV Digital da F-1 vai dar um salto qualitativo e quantitativo nas transmissões da categoria, sem mencionar que os lucros gerados deverão ser astronômicos, estimados em pelo menos US$ 4 bilhões. Com o novo “Pacto de Concórdia” assinado pela maioria das escuderias da F-1 em 1996, onde ficou acertado uma nova divisão dos lucros provenientes da TV para as escuderias, os times menores, como a Minardi e a Tyrrel poderão ter melhores condições financeiras. Calcula-se que com os altos lucros gerados pelas novas transmissões digitais, as escuderias menores podem receber um repasse de até US$ 25 milhões por ano, quantia suficiente para garantir a manutenção de um time pequeno.
            As novas transmissões digitais não vão acabar com as transmissões atuais a que estão acostumados os telespectadores. Serão apenas um novo produto a ser oferecido ao público amante da velocidade. Bernie Ecclestone, sempre eficiente na promoção da F-1 como um produto de mídia, ataca novamente, e tem boas chances de acertar em cheio o novo alvo proposto.
            A nova transmissão digital será somente para quem assinar as transmissões. O Canal Plus da França adquiriu exclusividade para oferecer o serviço em mais de 60 países, a um preço estimado de cerca de 3,5 mil francos franceses, fora a mensalidade normal. Basicamente, o assinante terá inúmeras imagens à sua disposição. De acordo com a necessidade, ele poderá acessar as imagens geradas nos carros, em retas, curvas e até mesmo nos boxes. Isso sem mencionar que poderá ter acesso a todas as informações da cronometragem oficial da prova, disponível até então apenas na Sala de Imprensa e nos monitores das equipes nos boxes e nos monitores das emissoras que narran a prova. Um exemplo: um torcedor de Michael Schumacher, se quiser, poderá assistir a corrida vendo unicamente o piloto alemão e sua Ferrari na pista durante toda a prova; outros poderão mudar para as imagens onde estiverem ocorrendo os maiores pegas da corrida, sejam onde estiverem na pista. Toda a movimentação nos boxes, nos momentos cruciais dos pit stops, também poderão ser acompanhadas com maior totalidade de detalhes e informações, sem perder nenhum ângulo.
            Outro trunfo é a tecnologia digital da transmissão, o que aumentará consideravelmente a qualidade de som e imagem, comparáveis ao CD. Melhor que isso, só estando realmente a bordo de um carro de F-1.
            Com esta nova jogada, Ecclestone dá um passo significativo para aumentar a audiência da F-1, que foi estimada em 41 bilhões de expectadores em 1996, acumulando-se todas as suas transmissões. Com a nova transmissão digital, este número deve aumentar ainda mais.


Começam os campeonatos regionais de automobilismo. Por aqui, a F-3 Sul-Americana já deu a largada há algumas semanas. Com duas etapas disputadas até agora, o argentino Gabriel Fúrlan deu um show e conseguiu duas vitórias nas duas corridas, sendo até o momento o franco favorito ao título da categoria, mas os brasileiros prometem jogar areia nos planos de Fúrlan nas próximas etapas...


No último domingo, a F-3 Inglesa abriu seu campeonato de 1997, no circuito de Donington Park. O inglês Johnny Kane venceu a prova, seguido de seu compatriota Guy Smith. Mas o terceiro lugar do pódio ficou para o brasileiro Enrique Bernoldi. Os demais brazucas presentes na competição não tiveram um bom dia: Mário Haberfeld ficou em 9º, enquanto Ricardo Maurício terminou em 14º...


Não faltaram brasileiros no pódio em mais duas categorias automobilísticas no último final de semana. Na F-Vauxhall, disputada também no circuito inglês de Donington Park, Luciano Burti ficou em 2º lugar, imediatamente à frente do conterrâneo Wagner Ebrahim, que ficou em 3º. Já na F-2000 Americana, disputada em Phoenix, no Arizona, Zaqueu Morioka faturou o 3º lugar na corrida.


A F-Indy disputou mais uma prova no último domingo, as 200 Milhas de Phoenix, etapa que deixou o calendário da F-CART com a cisão das duas categorias. A corrida foi vencida por Jim Guthrie, que largou em 2º lugar, e que correu praticamente sem patrocínio no seu carro. Mas a sensação da prova foi Affonso Giaffone, que largou em penúltimo lugar e chegou a liderar a corrida, mostrando um desempenho espetacular para a estreante equipe GM Brasil. Os sonhos do pódio desapareceram devido a problemas mecânicos na suspensão do carro. O outro brasileiro na competição, Marco Greco, terminou a um passo do pódio, em 4º lugar. A prova mostrou um elevado índice de quebras e abandonos: praticamente metade dos pilotos ficaram pelo meio do caminho. Arie Luyendick que o diga: amargou um abandono pela 5ª corrida consecutiva. A pole foi novamente de Tony Stewart, e de novo, o piloto não conseguiu terminar a corrida, apesar de ser o piloto mais rápido da prova até seu abandono.


Enquanto isso, as equipes da F-CART continuam preparando seus carros para a próxima etapa do campeonato, em Surfer’s Paradise, na Austrália. A Lola conseguiu melhorar os desempenhos de seu novo chassi 97, o que dá melhores esperanças aos brasileiros André Ribeiro e Roberto Moreno. Já a equipe Newmann-Hass tenta encontrar maior fiabilidade no sistema de câmbio do chassi Swift, que deverá ser muito exigido no traçado urbano da cidade de Queensland...
 


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

HAVOC SERIES - DEZEMBRO DE 2014 - PRIMEIRAS VITÓRIAS NA F-1



            Voltando com a sessão Havoc, trago hoje uma seleção especial de vídeos do automobilismo. Nada menos do que as primeiras vitórias de vários de nossos campeões da F-1 na categoria máxima do automobilismo. Aproveitem para rever um pouco destes momentos que marcaram as carreiras de nossos pilotos.
            Começamos, obviamente, com Émerson Fittipaldi, que logo em sua 4ª corrida, no GP dos Estados Unidos, disputado no circuito de Watkins Glen, obtinha seu primeiro triunfo na F-1. A vitória do brasileiro foi histórica também pelo fato de evitar que seu companheiro de equipe, o austríaco Jochen Rindt, falecido durante os treinos para a etapa de Monza, fosse alcançado na classificação do campeonato, tornando-o assim o primeiro e único campeão mundial póstumo da história da categoria. Neste vídeo, postado no You Tube pelo usuário Hirschcar, Émerson relembra a prova em que venceu pela primeira vez:



            O vídeo seguinte é da primeira vitória de Nélson Piquet, ocorrida em 1980, no GP dos EUA-Oeste, disputado no circuito de Long Beach. Piquet largou na pole e controlou a corrida para obter seu primeiro triunfo na categoria. De quebra, Émerson Fittipaldi, em sua última temporada na F-1, após várias temporadas lutando para tentar transformar o time Fittipaldi em uma escuderia de ponta, conseguia seu último pódio, ao terminar na 3ª colocação. De ressaltar as diferenças do traçado do circuito do balneário californiano, que após deixar a F-1 passou a sediar corridas da F-Indy, e hoje integra o calendário da IRL. E outra curiosidade interessante: a temporada daquele ano foi transmitida pela Bandeirantes. A Globo, que transmitia as provas, tinha desistido do campeonato, mas o sucesso de Piquet, com suas primeiras vitórias e quase vencendo o campeonato, fizeram a emissora cariosa pegar de volta a F-1, para nunca mais largar, até os dias de hoje. A narração, vejam a diferença para os dias de hoje, era de Galvão Bueno, com comentários de Gil Ferreira. O vídeo do You Tube é do usuário mmleto:

https://www.youtube.com/watch?v=iDvAVFSJifE

            E, claro, não poderia deixar de fora Ayrton Senna, que em 1985, no chuvoso GP de Portugal, deixou todo mundo comendo água para vencer de ponta a ponta sua primeira corrida na F-1. Ayrton largou da pole e debaixo de uma chuva torrencial deixou todos para trás, terminando a prova com uma vantagem abismal para todos os demais concorrentes. O vídeo, postado pelo usuário well senna no You Tube, é um verdadeiro documento histórico para os sennistas, pois é a corrida completa do GP de Portugual de 1985, com mais de duas horas de duração. Então, não percam tempo e assistam a este momento inesquecível de Ayrton Senna que começava ali a mostrar que seria campeão mais dia menos dia, e tornou-se uma das maiores lendas do esporte a motor mundial:

https://www.youtube.com/watch?v=nzREMb_d6b8

            E assim termina a sessão Havoc de hoje. Mas em breve tem mais alguns vídeos interessantes por aqui. Bom divertimento a todos!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

CERIMÔNIA DA CARA DE PAU



Com o anúncio de sua dupla de pilotos, a McLaren fecha o grid da F-1 de 2015. Início de um trabalho duro para tornar o time vencedor novamente.

            E a McLaren encerrou oficialmente sua novela da dupla de pilotos para a temporada de 2015 da Fórmula 1. Como todos já vinham esperando, Fernando Alonso está de volta ao time de Woking, com a missão de capitanear a nova fase da escuderia inglesa em sua retomada da parceria com a Honda, que tantos títulos e vitórias deu ao time entre os anos de 1988 e 1992. E, até surpreendendo um pouco, Jenson Button permanece no time por mais um ano, e Kevin Magnussen, que era tido como favorito a manter a vaga de titular, vai para a reserva da escuderia, onde terá, quem sabe em 2016, a chance de voltar a ser titular.
            O título desta coluna, a última do ano, por conta do tradicional descanso de Natal e Ano Novo, pode parecer até estranho, mas o fato é que o anúncio do time inglês, em sua essência, é um verdadeiro festival de frases de efeito para inglês ver, pois o ambiente aparentemente festivo do comunicado passa longe da realidade. Em outras palavras, todo mundo deu a maior cara de pau nesta "solenidade", que pode até passar uma imagem completamente equivocada a quem não anda em dia com o noticiário de automobilismo.
            A maior delas é o sorriso de Ron Dennis e Fernando Alonso pela "retomada" da parceria. Parecem grandes amigos e parceiros, que estiveram separados pelas escolhas do destino e que novamente lutarão juntos para a glória da escuderia. Voltando a 2007, quando Alonso defendeu o time, é verdade que ambos acertaram uma separação "amigável", mas porque a convivência se tornara insuportável para ambos. Alonso chegou ao time com status de bicampeão vigente, e queria ter, de direito, todas as regalias no time. A seu lado, estava Lewis Hamilton, que estreava na categoria, e chamava atenção por ser o primeiro piloto negro da história da F-1. Parecia o cenário perfeito: Alonso comandava o time, enquanto Hamilton, em seu ano de estréia, se limitaria a comboiar o espanhol na luta pelo título. Esqueceram de combinar com o novato, que para surpresa de muitos, e especialmente do próprio Alonso, começou a andar mais do que todo mundo imaginava, e não demorou para começar a fazer poles, e até a vencer corridas, deixando Fernando totalmente desconcertado. O asturiano perdeu as estribeiras em algumas corridas, e aproveitando o escândalo do roubo de segredos técnicos da Ferrari por parte de seu projetista Mike Coughlan em parceria com o ferrarista Nigel Stepney, tentou tirar proveito da situação, ameaçando denunciar o próprio time se Ron Dennis não "enquadrasse" Lewis em seu devido lugar. Tentar chantagear Ron Dennis...que piada. Nem é preciso saber qual foi a resposta do dirigente, e Fernando tratou de ir à forra efetivando sua ameaça. Deu uma zica dos diabos, com a McLaren excluída do campeonato de construtores e multada em US$ 100 milhões. Foi permitido ao time seguir na competição, apenas pelo campeonato de pilotos, e o clima de Alonso ficou insuportável, a ponto de Dennis afirmar categoricamente em determinado GP que o objetivo do time era derrotar seu próprio piloto, o espanhol. Lewis Hamilton era apadrinhado por Ron Dennis, que vinha conduzindo sua carreira nas categorias de base para chegar à F-1, depois de ver a atitude do jovem e confirmar seu talento em potencial. Daí a liberdade que o inglês teve para peitar o espanhol no time de Woking.
            Resultado: a McLaren perdeu o título de pilotos para a Ferrari, que chegou a seu último caneco com Kimi Raikkonen. Alonso perdeu a parada nas corridas em que subiu pelas paredes, desconcertado com a performance de Hamilton, e este, bem, tinha tudo para ganhar seu primeiro título em seu ano de estréia, e jogou tudo a perder nas duas últimas etapas, quando o noviciado pesou e cometeu erros de principiante. Com o clima de guerra declarada entre os pilotos, era melhor mesmo cada um seguir seu caminho. Alonso voltou para a Renault, e no que dependesse de Ron Dennis, nunca mais correria pela McLaren. E de seu lado, o espanhol também nunca mais queria ver Woking...mas o destino prega algumas peças curiosas...
            Insatisfeito com a falta de progressos da Ferrari em lhe dar um carro capaz de disputar o título, Alonso já vinha manifestando desejo de se mandar de Maranello desde o ano passado. Visivelmente contrariado em ver um piloto muito jovem tendo um carro muito melhor e ganhando tudo, tentou sem sucesso cavar um lugar em outros times. Red Bull e até mesmo Mercedes foram sondadas pelo asturiano, até meio sem cerimônias, na tentativa de conseguir para si o carro que lhe desse o direito de lutar novamente por um título. Deu em nada. E este ano, com um carro horroroso e um motor que perdeu dos Mercedes em todos os parâmetros, o clima azedou definitivamente em Maranello. Na prática, a cúpula principal do time rodou inteira, e a mudança radical acabou comandada pela Fiat, que quer resultados a todo custo, e demitiu até mesmo Luca de Montezemolo. Cientes do egocentrismo do espanhol, eles trataram de atrair o tetracampeão Sebastian Vettel, e com isso, Alonso que fosse passear, se continuasse com seu mimimi. E o mandaram passear mesmo. Só não falaram na cara dura que o espanhol foi demitido por questão de imagem e contrato. E dentre as opções possíveis, a McLaren, de onde saiu há 8 temporadas, tornou-se a única opção plausível. E em condições de negociação piores do que imaginava, pois sem opções viáveis, seria aceitar as condições de Ron Dennis, com quem havia brigado, ou simplesmente sair da F-1, o que poderia ser catastrófico para sua carreira.
Tão amigos que nós somos...qual dos dois é mais cara-de-pau nestes sorrisos forçados?
            Do outro lado, Ron Dennis também seria o último a permitir a volta de Alonso à McLaren. Mas, a nova parceria com a Honda, esperança de ressuscitar os tempos de vitória e luta pelo título, exige que se tenha os melhores pilotos disponíveis. E os japoneses fazem questão disso sem falta. Sabem que com um piloto de grande capacidade, seu caminho de volta ao topo na categoria será mais fácil e os resultados podem surgir mais rapidamente. E somente 3 nomes atendiam os requisitos dos nipônicos. Mas Lewis Hamilton, feliz da vida na Mercedes, dificilmente voltaria à McLaren, pelo menos a curto prazo; Sebastian Vettel resolveu encarar o desafio da Ferrari. Sobrou mesmo Fernando Alonso. E depois de encarar tempos de vacas magras nos últimos dois anos, Ron Dennis sabe que, egocentrismo do piloto espanhol à parte, Fernando é garantia de resultado na pista, mesmo com um carro que não seja tão competitivo quanto os demais. O dirigente sabe que a parada em 2015 será árdua, e por mais que deteste ter de engolir Fernando de novo em seu time, sabe que isso será imprescindível para agradar aos japoneses, que certamente começariam a parceria já descontentes se não tivessem o espanhol no time sabendo estar disponível.
            Alonso, por sua vez, sabe que ficou sem saída. O projeto da parceria McLaren-Honda tem tudo para fazer sucesso, mas só a partir, no mínimo, de 2016. O ano que vem marca o retorno dos nipônicos, depois de pularem fora ao fim de 2008, onde o regulamento técnico era completamente diferente. E a unidade de força japonesa vai precisar de muito trabalho para se tornar competitiva: o primeiro teste de pista, feito em Abu Dhabi, após o encerramento do mundial deste ano, foi pífia, com problemas a rodo, e apenas 5 voltas realizadas. Nada teoricamente impossível de superar, pelo menos em parte, como se confirma pelo que a Renault enfrentou na pré-temporada deste ano, quando os carros equipados com suas unidades mal conseguiam até sair dos boxes, e conseguiu fazer enormes progressos, mas sem conseguir ameaçar os poderosos propulsores da Mercedes. Só resta ao espanhol torcer pelo sucesso da empreitada, o que vai depender também de seu empenho e esforço na pista. Outra opção para Alonso seria a Lotus, mas lá as garantias de sucesso seriam ainda menores, sem falar que o salário seria infinitamente menor... Daí então o semblante sorridente do asturiano no anúncio de seu retorno ao time, evocando até memórias de Ayrton Senna como ídolo, etc, não passam de conversa para inglês ver mesmo. Não quer dizer que eles continuem se odiando, Ron Dennis e Alonso, mas que ambos tiveram que engolir um ao outro, e trabalhar novamente juntos, isso tiveram. Agora, resta a cada um deles esperar que a convivência seja menos tumultuada do que a de 2007. E quem sabe até amigável...é, o futuro costuma pregar peças nas pessoas.
            E o que dizer da, na minha opinião, maior declaração no sentido cara-de-pau da cerimônia, feita justamente por Ron Dennis, ao afirmar que os problemas da passagem anterior de Alonso no time foram culpa da...imaturidade de Lewis Hamilton? Conta outra, Ron Dennis, que essa nem inglês acredita. Quem perdeu o rebolado naquele ano foi Alonso mesmo. Se Hamilton fez burrada, foi no fim do ano, cometendo erros de estratégia e pilotagem até justificáveis para um novato que disputava o título logo em seu primeiro ano. Mas o clima entre Dennis e Hamilton não é mais o mesmo: o dirigente não engoliu a ida de seu ex-protegido para a Mercedes, e foi até um dos poucos personagens do paddock que não se mostrou simpático ao bicampeonato do inglês em Abu Dhabi, portanto, não é de se surpreender que agora ele jogue a culpa em Lewis pela confusão daquele ano, sendo que na época seu maior desejo era fazer o então novato ser campeão em cima de Fernando como vingança pela chantagem do espanhol.
            Dessa maneira, que ninguém se espante também com a cara-de-pau de Ron Dennis quando afirma que com a manutenção de Jenson Button sua escuderia terá a dupla mais forte da categoria, melhor até do que a da Ferrari, que também terá dois campeões como titulares em 2015. Há pouco tempo atrás, Dennis estava criticando publicamente Button, alegando que o inglês, campeão de 2009, estava fazendo corpo mole no time e não trazia resultados. Button tratou de mostrar ao dirigente quem estava desestimulado no time: nas últimas 5 corridas, Jenson marcou 54 pontos, enquanto Kevin Magnussem marcou apenas 16. Button terminou o ano em 8° lugar, com 126 pontos, enquanto o dinamarquês foi 12°, com 55 pontos. Dennis queria manter Magnussem por ele sair bem mais em conta do que Button. Mas seus planos deram errado, e as recentes tentativas de atrair patrocinadores dinamarqueses interessados em apostar no sucesso do conterrâneo deram em nada. O resultado é que o dirigente perdeu esta queda de braço interna no time, e quem conhece Ron Dennis sabe que ele não gosta de sair perdendo quando o assunto é mostrar quem manda. E Dennis já teve muito o que engolir por esta temporada, onde retomou as rédeas do time depois de demitir Martin Whitmarsh pela fraca temporada de 2013. De volta ao comando da escuderia, de onde andava afastado nos últimos anos, dedicando-se à gerência do McLaren Group, contratou Eric Bouiller para comandar o time na pista, mas os resultados continuaram títmidos, sem perspectivas de melhoras. E o time ficou em 5° lugar no campeonato, com 181 pontos. Melhor que a mesma 5ª posição de 2013, quando acumulou apenas 122 pontos, mas ainda distante do time campeão, no caso deste ano, a Mercedes, com 701 pontos, pra não falar das 16 vitórias e 18 poles.
            Por este prisma, o sorriso de Jenson era bem mais legítimo, e tirando as tradicionais frases de efeito para o momento, tinha mesmo motivos para estar contente, afinal, ganhou mais uma temporada na categoria, e ainda calou seu patrão com suas últimas performances na pista este ano. Mostrou que ainda tem lenha para queimar, e que merece pelo menos o respeito por ser um campeão da categoria, ao invés de ser dispensado sem maiores considerações. Magnussem terá muito a aprender nos bastidores com a dupla de pilotos titular no próximo ano. Que faça bom uso dessa experiência. Neste ano, ele não foi mal, mas a exemplo de Sérgio Pérez em 2013, andou arrumando algumas brigas durante a temporada, mas em disputados com outros pilotos na pista, por conta de seu excesso de agressividade, o que o fez tomar várias punições. E, quando você corre por um time grande, a tolerância com certos erros é bem pequena. Kevin terá muito a oferecer ao time quando voltar a ser titular, provavelmente em 2016.
            Falando de forma objetiva, a McLaren fez sua melhor escolha de pilotos para 2015. A temporada exigirá muito trabalho de ambos os lados da parceria. Os japoneses terão de trabalhar muito em sua nova unidade de potência, enquanto os concorrentes já terão um ano de experiência prática de pista, com todos os benefícios que isso traz. E de seu lado, a McLaren terá de apresentar um carro que seja vários passos à frente do modelo deste ano, desafio que também não será dos mais fáceis. A área técnica da escuderia passou por várias mudanças, e o novo MP4/30, a cargo de Peter Prodromou, que era dos auxiliares diretos de Adrian Newey na Red Bull, terá muito a provar. Jenson Button, que já trabalhou com os japoneses nos tempos da BAR e Honda, terá também toda a sua experiência para ajudar no desenvolvimento e estabelecimento de uma sintonia fina com os engenheiros nipônicos. De seu lado, Fernando Alonso tem muito a contribuir também especialmente pela sua capacidade de muitas vezes andar mais do que o carro em corrida, e apontar diretrizes do desenvolvimento do monoposto. É uma dupla fortíssima, à altura dos talentos das duplas de Mercedes e Ferrari. Se Alonso mantiver a cabeça no lugar e ter a paciência necessária para desenvolver o trabalho exigido a contento, terá muito a ganhar, assim como Button, que terá a chance de se medir com o espanhol na pista sem necessariamente entrar em conflito com ele, como fez quando dividiu a McLaren com Hamilton, chegando a superar o inglês campeão de 2008 várias vezes. Se o novo carro mostrar potencial, eles poderão cumprir a missão que lhes será atribuída com total competência, bastando apenas que os japoneses façam sua parte.
            Todos sabem o que os esperam em 2015. Se irão ser bem-sucedidos ou não, nem eles próprios sabem. A única certeza é que o desafio será mesmo grande e difícil. E isso pelo menos poderia ter sido melhor dito na confirmação da dupla de pilotos para a próxima temporada, onde o tom sempre foi de um otimismo até exagerado, enaltecendo parcerias e relacionamentos que estavam estremecidos e rompidos. Um pouco mais de sinceridade faria bem a todos, mas na F-1 atual, onde as aparências valem mais do que a realidade nua e crua, prometer mundos e fundos não é nenhuma novidade. Nem ter cara-de-pau. Mas podiam ter exagerado um pouco menos. Veremos o que dirão daqui a um ano, dependendo dos resultados...


Os carros elétricos da F-E chegam à América do Sul para sua terceira corrida. O campeonato é liderado pelo brasileiro Lucas Di Grassi.
A Fórmula-E chegou a Punta del Este, no Uruguai, para sua terceira etapa, que será disputada neste sábado. Os carros elétricos irão acelerar pelo circuito montado no balneário do país vizinho, em um traçado de 2,8 Km de extensão que já está sendo chamado pelo pessoal de "Monte Carlo" da América do Sul, pelas similaridades encontradas com o circuito monegasco, em especial a pista com poucos pontos de ultrapassagens, paddock apertado, e inúmeros iates ancorados próximos ao circuito. Lucas Di Grassi, com 43 pontos, defende a liderança da competição, mas recusa o rótulo de favorito, afirmando que muita coisa pode acontecer na pista durante as atividades do fim de semana. Lucas também manifestou preocupação com o circuito, ao afirmar que ele possui alguns pontos irregulares, como zebras em pontos inadequados e saída de box que ele não considerou das melhores. Nelsinho Piquet e Bruno Senna, os outros brasileiros na competição, esperam ter nesta corrida menos problemas e mais sorte do que nas etapas anteriores, quando demonstraram performance muito superior à de vários pilotos, mas não tiveram sorte e/ou cometeram erros que comprometeram suas provas. E quem estréia na competição é Jean-Éric Vergne, ex-piloto da Toro Rosso na F-1, que irá pilotar um dos carros do time de Michael Andretti. O acordo é apenas para a etapa uruguaia da competição, mas Vergne busca usar a chance para garimpar vaga na F-E ou mesmo na Indy Racing League, após ficar sem lugar na F-1. A etapa terá seus dois treinos livres neste sábado, no horário das 08:15 às 09:00 Hrs. (1° treino) e 10:30 às 11:00 Hrs. (2° treino). A classificação será das 12:00 às 12:55 Hrs., com a largada prevista para as 16:00 Hrs., e o canal pago Fox Sports transmitirá o VT integral da corrida às 21:00 Hrs. A prova terá 31 voltas de duração. Depois da etapa uruguaia, a F-E se reunirá novamente aqui nas redondezas para a etapa de Buenos Aires, marcada para o dia 10 de janeiro de 2015.

A bela cidade balneária de Punta del Este, no Uruguai, é o palco da nova etapa da F-E, em um circuito que lembra Mônaco não apenas no traçado (abaixo), mas também no visual glamuroso, cheio de iates à beira-mar junto ao circuito.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

LANÇAMENTO - PISTA & BOX - CRÔNICAS DO MUNDO DA VELOCIDADE



            Saudações a todos! É com muito orgulho e satisfação que estou lançando meu primeiro livro de automobilismo, com uma compilação das minhas primeiras colunas periódicas sobre o mundo da velocidade. Apaixonado por corridas desde meados dos anos 1980, comecei a escrever profissionalmente sobre o assunto de forma esporádica, no início dos anos 1990, e a partir do final de 1993, como colunista regular (meio irregular a princípio, na verdade), com a coluna PISTA & BOX, que segue firme até hoje, mais de 20 anos depois.
            Com o título de PISTA & BOX - CRÔNICAS DO MUNDO DA VELOCIDADE, este primeiro volume compila os textos produzidos por mim do fim de 1993 até o fim de 1995, totalizando 44 colunas que passariam a ser escritas semanalmente após comemorar 2 anos da primeira coluna editada. E, se tudo der certo, agora em 2015 atingirei a marca de 1.000 colunas escritas regularmente estes anos todos.
            Com 128 páginas, capa cartão colorida, tamanho A4, e miolo em preto e branco, o livro custa R$ 50,00, e já está disponível para venda no site da Bookess, um sistema de autopublicação que facilita em muito a tarefa de lançar um livro, sem depender das burocracias e frescuras de muitas editoras do mercado, onde mesmo que você seja uma pessoa de extrema reputação e fama, pode ser bem complicado conseguir publicar um livro.
            As colunas lançadas neste primeiro volume já foram todas publicadas no meu blog, o PISTA & BOX (www.pista-e-box.blogspot.com.br), nas postagens identificadas como seção "Arquivo". Para o livro, redigi textos de introdução para cada ano abrangido (1993, 1994, e 1995), com uma pequena sinopse dos acontecimentos de cada temporada, além de produzir ao final de cada coluna, um pequeno texto colocando uma perspectiva sobre o panorama do momento em que cada texto foi escrito na época, a fim de situar os menos informados sobre o assunto.
            Focado inicialmente mais sobre os acontecimentos da Fórmula 1, aos poucos fui diversificando um pouco as categorias sobre as quais passei a dissertar, mas nestes primeiros anos da PISTA & BOX, foram poucas as colunas que fugiram mesmo da F-1. Só mais adiante passei a falar mais de outros campeonatos do mundo das corridas, como a Fórmula Indy original, e muito mais recentemente, falando também de MotoGP, Endurance, Indy Racing League, entre outras competições, ainda que meu foco principal continue sendo a categoria máxima do automobilismo, que tanto já encantou os torcedores nacionais, nas épocas de Émerson Fittipaldi, Nélson Piquet, e Ayrton Senna.
            Para adquirir o meu livro, é só seguir o link abaixo, para ir direto ao site da Bookess. O preço é de R$ 50,00, e já inclui o frete pelo correio. Para efetuar a compra é preciso fazer cadastro no site, como em qualquer livraria virtual. Por enquanto, o livro está disponível apenas no formato impresso. Mais à frente, estou pensando em disponibilizar no modo e-book.

http://www.bookess.com/read/21091-pista-box-cronicas-do-mundo-da-velocidade-volume-1/

            A entrega deles é um pouco demorada, portanto, não se espantem com eventuais atrasos. A impressão é de excelente qualidade, feita sob demanda. É só efetuar a compra que o exemplar é impresso e encaminhado ao comprador. O único problema é que, por causa disso, o custo de cada exemplar é um pouco mais alto do que o de um livro impresso por gráficas convencionais, onde o custo é geralmente diluído pelo grande número de exemplares rodados na impressora. Por outro lado, evita a manutenção de estoques desnecessários, que poderiam ser caros de se manter.

            Para quem desejar comprar e ter o livro com dedicatória e assinatura, tenho alguns exemplares comigo. Para entrar em contato, meu e-mail é pistaebox@yahoo.com.br, e passarei todos os detalhes de como fazer o pagamento.
            Convido todos então a conhecerem meu livro, e espero que possam desfrutar de meus textos como já o fazem tanto em versão impressa em jornal quanto pelo meu blog.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

BARRICHELLO CAMPEÃO


Barrichello chegou ao título da Stock Car pela equipe Full Time e comemorou efusivamente em Curitiba: "É Campeão!"
            Demorou, mas enfim ele chegou lá. Rubens Gonçalves Barrichello, aos 42 anos, novamente é campeão. Não da F-1 ou da IRL, mas da Stock Car nacional, onde o piloto passou a competir no final de 2012. E neste ano, com duas vitórias na competição, a primeira delas na Corrida do Milhão, no dia 3 de agosto, disputada em Goiânia. Depois, veio o segundo triunfo, no dia 17 do mesmo mês, em Cascavel. A partir dali, o recordista de GPS disputados na F-1 entrou firme na disputa pelo título da categoria, algo que só teve mesmo chance de fazer em uma única temporada na F-1, nos seus 19 anos em que permaneceu na categoria.
            O brasileiro assumiu a liderança na etapa de Tarumã, e não a largou mais, chegando para a prova final, domingo passado, no autódromo de Curitiba, com 14,5 pontos de vantagem na classificação. Mas, como a prova final tinha pontuação dobrada para os pilotos, Rubinho não podia cantar vitória antecipada, uma vez que o lance da pontuação dava chances matemáticas a nada menos do que 7 pilotos. Bastava ao piloto da Full Time um 4º lugar para liquidar a fatura não importasse quem chegasse à sua frente, mas o paulista começou o fim de semana com o pé direito no acelerador e conquistou a pole-position para a derradeira etapa. Bastaria pilotar com cuidado e evitar problemas que o título viria.
            De fato, Barrichello largou bem, deixando a confusão para os concorrentes, mas pegou um ponto escorregadio na curva 3, saindo da pista e perdendo a liderança, caindo para 4º, justamente a posição que não poderia perder. Mas Rubinho manteve-se calmo e ficou firme na corrida, e ainda teve a sorte de ver um dos postulantes, Thiago Camilo, abandonar a corrida. Firmando-se em 3º lugar na corrida, não precisava fazer mais nada, e assim foi até a bandeirada, que recebeu com 1s782 de diferença para Daniel Serra, o vencedor. Áthila Abreu bem que tentou, mas mesmo que vencesse a corrida, não conseguiria tirar o título de Rubens. Ficou mesmo em 2º lugar.
            A comemoração foi entusiasmada como poucas vezes se viu na categoria, com Barrichello comemorando enfim um título, com a companhia dos dois filhos e da mulher. Rubinho, aliás, subiu ao pódio com os garotos, que tomaram junto com o pai o banho de champanhe dos vencedores. Um título mais do que justo, e uma conquista para lavar a alma de Barrichello, que não comemorava algo assim desde o campeonato da F-3 inglesa, em 1991, quando derrotou na disputa da competição nomes como Gil de Ferran e David Couthard. Antes, Rubinho havia sido campeão apenas da F-Opel, em 1990. Em 1992, o piloto disputou a F-3000 Internacional, último passo para chegar à F-1, mas terminou apenas em 3º lugar no certame.
            As coisas andavam bem, e Barrichello já era considerado o sucessor das vitórias brasileiras na categoria máxima do automobilismo. Em 1993, o paulistano já estreava na Jordan, um time médio promissor, que dava a ele a chance de mostrar seu talento sem a cobrança imediata por resultados. Nem era preciso, afinal, Ayrton Senna estava no seu auge como piloto, e tinha tudo para assim permanecer ainda por várias temporadas, tempo que todos esperavam, daria a Rubinho a chance de mostrar seu talento, e ir para um time de ponta.
 
Estréia na F-1 pela Jordan, em 1993, dava esperanças aos torcedores de ser um novo campeão em potencial, mas as coisas não foram bem assim...
          
Só que o destino tinha outros planos. O trágico fim de semana de Ímola em 1994 jogou todo o planejamento e expectativas da torcida para o ar. Com a morte de Senna, Barrichello passava a concentrar toda a atenção da torcida, havida por um novo brasileiro campeão. Em 94, Barrichello fez uma excelente temporada com a Jordan, com direito até a uma pole-position que, apesar de fortuita, mostrava que o piloto tinha potencial para muito mais quando tivesse um carro decente. E aí começaram os problemas.
            Não surgiu um carro vencedor para Barrichello. Mas as expectativas da torcida, alimentadas pela TV Globo, que precisava mais do que nunca de um brasileiro vencedor na F-1, jogaram toda a cobrança nas costas de Rubinho. Christian Fittipaldi tinha partido para a F-Indy, então era carta fora do baralho. Para piorar a situação, na pré-temporada de 1995, o carro da Jordan parecia ter um desempenho surpreendente, que acreditava poder dar ao time a condição de vencer corridas. Tudo isso fez Barrichello aceitar o rótulo de “sucessor” de Ayrton Senna. Deu tudo errado.
            O carro da Jordan não era tão competitivo como se imaginava, e a pressão da torcida por vitórias, acabou por deixar o piloto em descrédito, e até a comprometer a continuidade de sua carreira na categoria. Ao fim de 1996, o piloto era forte candidato a ser mais um que não vingaria na F-1 por falta de resultados. E ainda tinha visto seu companheiro de equipe Eddie Irvinne ser contratado pela Ferrari. Foram precisas 3 temporadas competindo para Jackie Stewart para Rubens reconquistar sua estima e seu respeito pela F-1. Claro, para os brasileiros, continuava tudo do mesmo jeito: o “sucessor” de Senna ainda era um fracasso, em que pese o fato de muitos ignorarem que ele não tinha carro para corresponder às expectativas. Foi a pior conseqüência deter assumido o papel em 1995. E isso lhe faria carregar o estigma de “fracassado” por muito tempo ainda. E isso ainda iria piorar, quando o brasileiro, enfim, teria um carro vencedor nas mãos.
            Contratado pela Ferrari a partir de 2000, renasceram as esperanças de vitórias brasileiras e disputa de título na F-1, depois de praticamente quase uma década da última conquista de Senna, em 1991. Ledo engano: a Ferrari nunca permitiu que o brasileiro disputasse o título. Todas as atenções do time italiano eram concentradas em Michael Schumacher, e não raro foram as vezes que Barrichello teve de jogar a favor do alemão. E, curiosamente, o brasileiro nunca conseguiu iniciar bem a temporada, o que dava suspeitas de favorecimento mais do que explícito ao piloto alemão, que é bom ressaltar, sempre foi um talento muito maior do que Barrichello. Só não dá para se ter idéia de quão melhor era exatamente, em virtude da política da Ferrari de sempre olhar primeiro Schumacher, e depois, Barrichello, e isso se anda fosse conveniente.
            A pecha de “fracassado” ficou ainda mais forte em Rubinho, pelas derrotas freqüentes no confronto com Schumacher. Barrichello conseguiu apenas 9 vitórias e dois vice-campeonatos. Cresceu bastante como piloto, a ponto de ser o companheiro mais forte que Schumacher já teve em um time, mas também cometeu vários erros, especialmente quando voltou a prometer vitórias e até disputa de títulos quando se tornou piloto da Ferrari. De fato, Barrichello acreditava que sua chance no time chegaria. Em 2005, a paciência acabou, e Rubens resolveu procurar outros ares. Na Honda, o fracasso do time arrastou o brasileiro junto para o fundo do poço, e ele, assim como Jenson Button, só renasceram para a categoria com a Brawn GP, em 2009, que deu a ambos um carro vencedor. Foi a única vez em que Barrichello teve liberdade para disputar o título, ou pelo menos, uma liberdade que nunca teve na Ferrari. Mas, no fim, ele perdeu a parada para Jenson Button. Ficaram daquele ano as últimas vitórias e poles brasileiras na F-1 até hoje: Barrichello venceu em Valência e Monza, e foi pole no GP do Brasil, em Interlagos.
 
Na Brawn GP, Barrichello pôde enfim lutar pelo título, mas perdeu o duelo para Jenson Button.
          
Em 2010 e 2011, disputou suas últimas temporadas pela Williams, que o dispensou sem cerimônias no início de 2012 após muita enrolação por parte do time inglês, que preferiu os dólares de Bruno Senna. Após um teste com o carro da Indy Racing League, Barrichello ficou empolgado e foi para o certame americano, onde foi companheiro de equipe de seu grande amigo Tony Kanaan. Fez uma temporada apenas razoável, e mostrou potencial para crescer na categoria se lá permanecesse. Mas, diante das solicitações de levar patrocínio para correr, optou por voltar para o Brasil e disputar a Stock Car, onde receberia para competir. A princípio como convidado para as últimas corridas de 2012, Barrichello tomou gosto pelos carrões e desde o ano passado disputa regularmente ao campeonato. E chegou ao título ao fim de sua segunda temporada completa.
            Mais do que isso, o piloto está em fim em paz. Reencontrou a paz de espírito que tanto lhe faltou em grande parte das quase duas décadas de permanência na F-1. Com a oportunidade de competir na Stock, Barrichello viu a chance de enfim voltar a viver no Brasil, junto da família, permanecer competindo, e ser mais presente no crescimento dos dois filhos, e encerrar sua fase da vida de nômade, correndo o mundo inteiro para competir de algo. Como o calendário da Stock não tem provas a todo instante, e praticamente um quarentão, era mesmo hora de mudar de ares. E ele se deu bem com os carrões da categoria. Apanhou no princípio, como acontece com todos, mas era questão de tempo até se aclimatar e entrar no ritmo. E os resultados começaram a aparecer, especialmente neste ano.
            A Stock também ganhou com sua presença. Muito criticado por vários “torcedores” para os quais piloto bom só é piloto campeão, Rubinho atraiu uma parcela considerável de novos fãs para a Stock. E, mas importante, tornou-se o mais bem-sucedido ex-piloto brasileiro de F-1 a competir no certame nacional, onde já correm vários outros nomes que um dia estiveram presentes na F-1, como Luciano Burti, Antonio Pizzonia, e Ricardo Zonta. E todos eles até agora não conseguiram chegar ao título na Stock. Quem teve melhor sorte também na Stock foi Max Wilson, que não teve chance efetiva de pilotar na F-1, e acabou sendo campeão da categoria nacional em 2010. Diferenças de oportunidade e problemas variados, devidamente avaliadas, Barrichello mostra o quanto é um bom piloto. Sempre foi. Cometeu vários erros em sua longa carreira, mas hoje fala sem arrependimentos que não mudaria nada do que fez todos estes anos. E agora isso pouco importa. Claro que seus detratores continuarão a lhe tirar os méritos, mesmo desta conquista obtida. É verdade que, como categoria, a Stock não é nenhuma maravilha, mas é o que sobrou do automobilismo nacional, ao lado da F-Truck, como opção para nossos pilotos, em virtude da ineficiência da CBA, que há anos não passa de uma entidade decorativa que só sabe cobrar taxas das carteiras dos pilotos, e quase nada faz pelo automobilismo nacional.
            Mas o que importa é que Rubinho enfim voltou a ser campeão. E está feliz com isso. E seus fãs também. E quem sabe não vêm outros títulos nos próximos anos? Barrichello já tirou um grande peso das costas, e agora, mais leve e descompromissado, ainda pode continuar acelerando por um bom tempo. Parabéns, Rubens! Você merece.

Na Indy Racing League, Rubinho teve uma estréia razoável, mas as solicitações de patrocínio o levaram a voltar para o Brasil, e se dedicar à Stock Car. 
 

 
A Porshe retornou este ano às competições de Esporte-Protótipos no Mundial de Endurance, de onde andava ausente há um bom tempo, e encerrou o ano com vitória nas 6 Horas de São Paulo, mostrando que veio mesmo para ser novamente uma força neste tipo de competição. Mas por pouco o triunfo da marca alemã não vira uma tragédia no autódromo paulistano: Mark Webber, piloto de um dos carros da fábrica, e que largara na pole-position da corrida, sofreu um forte acidente na Curva do Café, após um toque com outro carro. O modelo 919 pilotado pelo australiano bateu forte, ficou parcialmente destruído, e houve até um princípio de incêndio, mas Webber foi retirado dos restos do carro aparentemente ileso, e levado ao centro médico de maca para os exames de praxe neste tipo de situação. Felizmente, tudo não passou de um forte susto, e Mark já recebeu alta. Curiosamente, o australiano sofreu um violento acidente nesse mesmo local em 2003, quando corria pela Jaguar, nas voltas finais do GP do Brasil de F-1 daquele ano. Como o local da corrida ficou cheio de destroços de carro, a prova foi interrompida antes do final, procedimento que também foi adotado na etapa final do Mundial de Endurance, depois de várias voltas com o Safety Car na pista para atendimento médico do piloto. Webber corria em parceria com os pilotos Brendon Hartley e Timo Bernhard. A Porshe venceu a corrida com seu outro carro, pilotado pelo trio Romain Dumas, Neel Jani, e Marc Lieb, ao fim de 249 voltas. A Toyota garantiu a 2ª posição com a dupla Anthony Davidson e Sébastien Buemi, enquanto a Audi, com o trio Loic Duval, Lucas Di Grassi, e Tom Kristensen, em sua última corrida na carreira, fecharam o pódio. Émerson Fittipaldi, que competiu pela equipe AF Course, com uma Ferrari F458 Italia, na categoria GTE-Am, ficou na 21ª posição geral, e 6º colocado na categoria.
 

Em sua terceira temporada na competição, a Toyota sagrou-se campeã do Mundial de Endurance. A escuderia nipônica já tinha garantido o título de pilotos, mas faltava definir o campeonato de construtores, o que veio a acontecer em Interlagos. A Audi, vencedora dos dois últimos campeonatos, terminou o ano na 2ª colocação, mas na pista, os modelos E-tron Quattro perderam até para os Porshe, que só não superaram a marca das 4 argolas por terem tido um péssimo começo de campeonato. A disputa para 2015 promete, com a Porshe vindo mais forte, e a Audi determinada a recuperar o seu trono, frente a uma Toyota que enfim comemora um campeonato que gostaria de ter conseguido na F-1 quando lá esteve, mas que agora não sente um pingo de saudade sequer. Que venha 2015...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

FLYING LAPS - NOVEMBRO DE 2014


            O ano de 2014 praticamente já está em contagem regressiva para 2015. Estamos em dezembro, e todo início de mês é hora de dar uma repassada em alguns acontecimentos que marcaram o mundo das corridas em novembro, em notas rápidas com alguns comentários, em mais uma sessão Flying Laps. Boa leitura para todos...

 

Marc Márquez fechou a temporada 2014 da MotoGP com mais uma vitória, na etapa de Valência, estabelecendo o novo recorde de 13 triunfos numa mesma temporada, batendo o recorde de 12 vitórias que pertencia a Michael Dohan. Valentino Rossi bem que tentou complicar as coisas para o mais novo bicampeão da categoria, mas acabou mesmo em 2° lugar na corrida. Dani Pedrosa fechou a temporada com o 3° lugar na última corrida do ano, numa temporada em que sucumbiu totalmente ao parceiro de time, obtendo apenas 1 vitória no ano. Quem não deu sorte em Valência foi Jorge Lorenzo, que disputava o vice-campeonato com Rossi, mas teve problemas em sua moto e acabou abandonando a corrida. O resultado deixou Lorenzo em 3° lugar na competição. Márquez fecha o ano com 362 pontos. Valentino Rossi finalizou com 295 pontos, seguido de Lorenzo, com 263; Pedrosa fechou com 246 pontos na 4ª colocação. Seguiram-se: 5°) Andrea Dovizioso: 187 pontos; 6°) Pol Espargaro: 136 pontos; 7°) Aleix Espargaro: 126 pontos; 8°) Bradley Smith: 121 pontos; 9°) Stefan Bradl: 117 pontos; e 10°) Andrea Ianonne: 102 pontos.

 

 

Marc Márquez teve mais motivos para comemorar a vitória em Valência: No mesmo dia, no mesmo circuito, na última etapa da categoria Moto3, seu irmão Alex Márquez faturou o título da competição, com o terceiro lugar na prova final. Foi a primeira vez na história que dois irmãos venceram campeonatos mundiais de motociclismo na mesma temporada. Um sinal que deve deixar o pessoal da MotoGP preocupado para daqui a algum tempo. Afinal, se aguentar apenas um Márquez está sendo quase impossível, imagine quando tiverem que lidar com dois...

 

 

A F-3 Brasil encerrou seu campeonato de estréia com a rodada dupla de Goiânia, disputada nos últimos dias 22 e 23 de novembro. E o campeão antecipado, Pedro Piquet, resolveu não deixar ninguém dividir a festa com ele: venceu as duas corridas, totalizando 11 vitórias em 16 provas no ano. Se é verdade que o mais novo Piquet das pistas teve um excelente equipamento à disposição, pela equipe Cesário Fórmula, é verdade que o garoto mostrou serviço, não deixando chances para a concorrência. Resta agora esperar que ele consiga manter este nível de sucesso quando for competir no exterior, a fim de evitar cair em furadas, como a que fez naufragar a carreira na F-1 de seu irmão Nélson Ângelo. Nélson Piquet, com lembranças disso na cabeça, certamente tratará de orientar melhor o seu novo rebento das pistas...

 

 

Depois de praticamente quase dois meses em coma, o piloto Jules Bianchi deixou o hospital de Mie, no Japão, onde estava internado desde o seu pavoroso acidente durante o Grande Prêmio do Japão de F-1. O estado do piloto ainda é crítico, mas atingiu uma certa estabilidade que permitiu que fosse levado para a Europa, onde ficará internado em um hospital da cidade francesa de Nice. As perspectivas de recuperação de Jules ainda permanecem uma incógnita, e sem boas perspectivas. O piloto saiu do coma induzido, mas permanece inconsciente. Sua luta para viver continua.
 

 

Quem também se encontra em situação que ainda inspira cuidados é Michael Schumacher. Segundo Phillipe Streiff, ex-piloto que ficou paraplégico em um acidente durante testes em Jacarepaguá em 1989 com a equipe AGS, e que é amigo da família do heptacampeão, Michael está em uma cadeira de rodas, sem conseguir falar, e aparentemente com problemas de memória. A família não confirmou as afirmações de Streiff, mas através de Sabine Kehm, acessora de Schumacher, o processo de recuperação de Michael é longo e incerto, não sendo possível fazer prognósticos mais exatos a respeito de quando ele irá se recuperar, ou se continuará como atualmente. Tudo só faz confirmar que a vida de Schumacher talvez nunca mais volte a ser normal. Ele está vivo, e melhorando muito lentamente, se bem que falar em "melhorar" é algo relativo. Pelas afirmações de Streiff, Schumacher deverá passar o resto de sua vida completamente inválido, ou perto disso, o que é triste de saber. E sua luta já se estende há quase um ano, uma vez que foi quase na véspera da passagem de ano de 2013 para 2014 que Schumacher se acidentou numa estação de esqui nos alpes franceses, ao bater a cabeça em uma pedra enquanto esquiava.
 

 

A Fórmula-E disputou no último dia 22 sua segunda corrida, em um circuito de rua montado na cidade de Putrajaya, na Malásia. Com um traçado de pista mais bem concebido do que o da etapa inaugural, em Pequim, e com equipes e pilotos mais experientes no trato com os bólidos movidos a energia elétrica, a corrida foi cheia de disputas e emoção, com bons pegas e alguns shows de pilotagem. E a vitória ficou com o inglês Sam Bird, da equipe Virgin. Lucas Di Grassi, da equipe Audi, vencedor da etapa de estréia, foi um dos destaques da corrida, largando nas últimas posições devido a problemas na classificação, e terminando na 2ª colocação, depois de uma performance combativa e determinada. O suíço Sebastien Buemi, da E.Dams, fechou o pódio em 3° lugar, logo à frente de seu parceiro de equipe Nicolas Prost. Nick Heidfeld, que em Pequim sofreu um forte acidente numa fechada de Prost, também não deu azar na etapa da Malásia, levando um toque de Mathew Brabham e abandonando a corrida pouco antes da metade do percurso após outro enrosco, este com Frank Montagny. Quem também não deu sorte em Putrajaya foram os demais brasileiros na categoria: Nelsinho Piquet vinha firme na luta pelos primeiros lugares quando tomou uma fechada de Jarno Trulli, danificando seu monoposto, e tende de dar adeus à corrida. Bruno Senna, que vinha fazendo uma ótima corrida, tendo largado lá de trás também, e estava com o pódio na mira, cometeu um erro e acabou batendo seu carro na entrada da curva do hairpin do circuito, justo na última volta, quando era o 4° colocado. E as duas integrantes do sexo feminino na categoria, Katherine Legge e Michela Cerruti, acabaram abandonando a prova em virtude de um toque entre as duas, provocado por Legge. Com o resultado, Lucas Di Grassi ainda lidera o campeonato, com 43 pontos. Sam Bird está logo atrás, com 40 pontos. Depois de ambos, os pilotos mais próximos encontram-se distantes na pontuação: nada menos do que 4 pilotos estão empatados com 18 pontos, sendo eles Frank Montagny, Nicolas Prost, Karun Chandhok, e Jérôme D´Ambrosio. Nelsinho Piquet é o 10° colocado, com 4 pontos, e Bruno Senna continua zerado no campeonato. A próxima etapa é no dia 13 de dezembro, em Punta Del Este, no Uruguai.
 

 

A equipe Caterham fez uma vaquinha virtual e conseguiu a grana necessária para participar da etapa final do campeonato da F-1 em Abu Dhabi. Contou também com uma ajudinha de Bernie Ecclestone, que pagou o transporte do time para os Emirados Árabes. Mas a escuderia já era mesmo: todos os funcionários da sede foram demitidos na semana anterior à corrida, e os poucos que foram para o Oriente estavam contratados como free-lancers. Os demitidos, segundo informações, teriam ainda os salários dos dois últimos meses ainda não pagos, o que só confirma ser este o fim da escuderia fundada em 2010 por Tony Fernandes. O empresário malaio, entusiasta da competição no seu início, rendeu-se à dura realidade e aos gastos exorbitantes da F-1, e resolveu parar com a brincadeira. E aqueles que compraram o time simplesmente também deram para trás ao se darem conta do tamanho do buraco onde se meteram. Se a intenção da participação em Abu Dhabi era tentar superar a Marussia no campeonato, não deu certo: Kobayashi abandonou a corrida, e Will Stevens, piloto que topou disputar a corrida, terminou em 17°. A escuderia terminou na última posição do campeonato. A Marussia ficou em 9°, com dois pontos, à frente até da Sauber, que não conseguiu pontuar no ano todo.