quarta-feira, 24 de julho de 2019

A TRAJETÓRIA DOS CIRCUITOS DA F-1 – DIJON-PRENOIS


            Voltando com mais um texto da série sobre pistas já visitadas pela Fórmula 1 ao longo de seus quase 70 anos de vida, hoje vamos mostrar um pouco sobre a pista de Dijon-Prenois, localizada na França, e que teve a oportunidade de sediar algumas corridas da categoria máxima do automobilismo, estando ausente da competição desde o fim da primeira metade dos anos 1980. E acreditem, o Grande Prêmio da França teve várias outras pistas que sediaram a etapa francesa, embora todos eles tenham ficado à sombra de Paul Ricard e Magny-Cours. Então, vamos dar uma pequena olhada neste circuito francês. Uma boa leitura para todos...


DIJON-PRENOIS

            Quando se fala do Grande Prêmio da França, os nomes que mais rapidamente veem à mente é das pistas de Paul Ricard e Magny Cours. E, de fato, estas pistas, por terem sido mais recentemente utilizadas como sede da etapa francesa, são bem mais fáceis de serem lembradas. Mas, desde que estreou na competição, já no primeiro campeonato mundial em 1950, o Grande Prêmio da França passou por vários outros circuitos ao longo de praticamente 70 anos de Fórmula 1. Hoje falarei de um destes palcos, a pista de Dijon-Prenois, que teve a honra de sediar 6 provas da categoria máxima do automobilismo.
            Situado na cidade de Dijon, próxima a Prenois, na França, o circuito teve seu projeto inicial concebido em 1967, mas apenas em 1969 começaram os trabalhos de sua construção. Idealizado por François Chambelland, um esportista francês, a idéia era transformar a cidade de Dijon em um centro automotivo. O projeto, contudo, não animou as autoridades locais, que negaram apoio à iniciativa de Chambelland, que mesmo assim, e com recursos restritos, teve ajuda e apoio dos pilotos Jean-Pierre Beltoise e François Cevert, que o ajudaram a desenvolver o projeto do circuito, que foi oficialmente inaugurado em 1972. E, com muita dedicação e empenho, eis que a Fórmula 1 veio para disputar o seu primeiro Grande Prêmio em Dijon.
            Inicialmente, a pista tinha uma extensão de 3,289 Km, com cerca de 8 curvas. A primeira corrida da F-1 foi disputada em 80 voltas, com a pole-position sendo conquistada por Niki Lauda, com a Ferrari, com o tempo de 58s79. Mas o triunfo coube a Ronnie Peterson, com Lotus-Ford, que largada em 2º lugar, e superou Lauda após 16 voltas, comandando firme a corrida desde então. A volta mais rápida foi de Jody Schekter, defendendo a Tyrrel-Ford, com o tempo de 1min00s. Émerson Fittipaldi largou em 5º lugar, com McLaren-Ford, mas acabou abandonando por problemas de motor. José Carlos Pace, defendendo a Brabham-Ford, acabou não conseguindo classificação para largar na corrida. Foi a única vez que a F-1 correu nesta configuração inicial de Dijon.Em 1975 e 1976, a corrida francesa seria disputada em Paul Ricard.

            Como o circuito estava “curto demais”, os tempos dos bólidos da F-1, virando abaixo até de 1 minuto, faziam com que o trânsito ficasse meio carregado em certos momentos das corridas, de modo que foi feita uma modificação no circuito, suprimindo a curva “S” de la Bretelle, e criando um novo trecho que incorporou uma nova curva chamada “Parabolique”, além das novas curvas de acesso e retorno chamadas “Gauche de la Bretelle” e “Double Gauche de la Bretelle”. O trecho original do circuito não foi removido, permanecendo ali, e sendo usado para categorias de menor importância e velocidade. Esta nova configuração de Dijon-Prenois estreou em 1977, quando o circuito voltou a receber o Grande Prêmio da França de F-1. Neste ano, o triunfo coube a Mario Andretti, com a Lotus-Ford, depois de 80 voltas, e tendo largado na pole-position. A nova configuração deixou o circuito com uma extensão de 3,887 Km, e 9 curvas, de modo que os tempos de volta cresceram, mas a pista continuo mantendo suas características de curvas velozes com subidas e descidas, agradando muito aos pilotos. O novo tempo da pole, marcada por Andretti, foi de 1min12s21. E a volta mais rápida ficou também com Mario, com o tempo de 1min13s75. Émerson Fittipaldi, defendendo a Copersucar, largou em 22º, para terminar apenas em 11º. Alex Dias Ribeiro, comendo o pão que o diabo amassou na equipe March, não conseguiu classificação para o grid.


            Em 1979, a pista de Dijon testemunharia a primeira vitória de um motor turbo na história da F-1. A Renault, introdutora da nova tecnologia em motores na categoria, apanhou algum tempo para fazer o seu equipamento se tornar competitivo, mas ela mostrou que estava no caminho certo, e Jean-Pierre Jabouille cruzou a linha de chegada na pista francesa em primeiro lugar, coroando o esforço dos franceses no desenvolvimento dos motores turbo que, alguns anos depois, superariam amplamente os motores atmosféricos usados até então na F-1. Mas a prova de 1979 é lembrada também pelo duelo épico que aconteceu pelo segundo lugar na corrida, entre Gilles Villeneuve, da Ferrari, e René Arnoux, companheiro de Jabouille na equipe Renault. Ambos trocaram de posição várias vezes na pista, chegando até a sair dela em determinados trechos, numa disputa que levantou o público nas arquibancadas. Villeneuve venceu a parada, e restou a Arnoux fechar o pódio, em 3º lugar, com dois pilotos da Renault no pódio.
            A pista de Dijon ainda recebeu os Grandes Prêmios da França de 1981, e 1984, quando despediu-se do calendário da Fórmula 1, para nunca mais voltar até hoje. O recorde da volta mais rápida acabou sendo de Alain Prost, com McLaren-TAG/Porsche turbo, com a marca de 1min05s257, com o recorde da pole-position ficando com Patrick Tambay, com Renault turbo, com o tempo de 1min02s200. Mas Dijon esteve presente também na temporada de 1982 da F-1, mas não como palco do Grande Prêmio da França, mas como sede do Grande Prêmio da Suíça, naquele que foi o último GP do país europeu até hoje na história da F-1. Devido a um violento acidente ocorrido nas 24 Horas de Le Mans de 1955, onde morreram mais de 80 pessoas, a Suíça proibiu todas as corridas automobilísticas em seu território, proibição que se mantém até hoje, tendo sido aberta uma única exceção, para carros elétricos, o que permitiu à F-E disputar duas provas no país, desde o ano passado.
            Não era um procedimento incomum na Fórmula 1 uma pista servir de sede para uma corrida de F-1 de outro país ou local. Basta lembrar de quantas vezes o circuito de Ímola serviu de palco para o Grande Prêmio de San Marino, pequeno país encravado no meio da Itália, onde o autódromo se encontrava, mas sendo um artifício bastante aceito para a realização de duas corridas em solo italiano. Infelizmente, mesmo com este artifício, o GP da Suíça no exterior não “vingou”, de modo que a corrida de 1982 em Dijon acabou sendo a única, contabilizando mais uma corrida de F-1 na curta passagem desta pista pelos anais da Fórmula 1.
            Longe de seus tempos de glória quando sediava a F-1, Dijon hoje é utilizado como palco de categorias menores e provas automobilísticas locais. E dificilmente voltará a receber a categoria máxima do automobilismo, devido às exigências estruturais que são solicitadas hoje para receber um GP.


Largada da etapa da França de 1977, em Dijon (acima). Gilles Villeneuve e René Arnoux fizeram nesta pista uma batalha épica pela 2ª posição na corrida em 1979 (abaixo).

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