sexta-feira, 13 de outubro de 2017

FERRARI A NOCAUTE


Lewis Hamilton comandou com autoridade o Grande Prêmio do Japão desde a largada (abaixo) e venceu novamente, ainda mais por ver seu principal rival, Sebastian Vettel, abandonar a corrida.

            A rodada asiática da Fórmula 1 acabou sendo uma ducha de água fria para aqueles que esperavam que a disputa do campeonato se estendesse até a etapa final, em Abu Dhabi. Finda a corrida em Monza, todo mundo esperava que, ao assumir a liderança do campeonato, Lewis Hamilton ainda teria de suar o macacão para chegar ao tetracampeonato, afinal, as provas de Spa e Monza confirmaram ser de favoritismo para o carro prateado da Mercedes, mas as etapas seguintes tenderiam a jogar mais para o lado da Ferrari. Bom, a teoria meio que se comprovou, mas a realidade acabou tendo outros ares também.
            Em Singapura, a Ferrari comprovou que estava mais forte e Sebastian Vettel tinha tudo para retomar a dianteira do campeonato. Só que um incidente na largada deixou a dupla ferrarista a ver navios, e para comprovar o ditado de que desgraça pouca é bobagem, quem foi que venceu a prova em Marina Bay? Justamente Lewis Hamilton, que abria um caminhão de vantagem para o piloto alemão e, teoricamente, começava a encaminhar sua conquista do título da temporada de 2017. Ficava a dúvida se esse abandono da Ferrari teria o mesmo impacto do abandono sofrido por Hamilton em Sepang, na Malásia, no ano passado, quando o inglês sofreu uma quebra de motor que deixou Nico Rosberg em situação bem confortável no campeonato, passando a administrar os resultados nas últimas quatro provas do ano, o que fez com competência e garantiu seu primeiro e único título na F-1. Bom, se o problema na largada em Singapura foi ruim, dali em diante, a Ferrari ficou em uma situação realmente complicada, como nunca havia visto até então na temporada.
            Em Sepang, a Mercedes novamente apareceu com um ritmo não tão eficiente, como em Singapura. Oportunidade perfeita para a Ferrari tentar novamente uma revanche, e esquecer o desastre de Marina Bay. Só que os carros apresentaram problemas: Kimi Raikkonem, coitado, ficou fora de combate antes mesmo de largar, e nem teve gosto de curtir largar na primeira fila do grid, ao lado de Hamilton. E Vettel, com problemas em peças do motor, que tiveram de ser trocadas, foi obrigado a largar na última posição, tendo de fazer uma corrida de recuperação. A boa notícia é que Hamilton, apesar da pole na Malásia, não venceu a corrida, cuja vitória ficou com Max Verstappen. A má notícia é que o inglês foi o 2º colocado, e Vettel, mesmo tirando tudo do carro, foi o 4º colocado, o que confirma que o time italiano tinha ótimas possibilidades de ter vencido a corrida ou, no mínimo, chegar à frente das Mercedes. Mas a fiabilidade do equipamento acabou por jogar por terra as possibilidades de uma diminuição da desvantagem de Sebastian frente a Lewis. Com isso tudo, foram duas provas onde as expectativas eram de uma Ferrari muito mais forte que a Mercedes, e pelo ritmo dos treinos, isso se comprovou, com os carros alemães a não conseguirem dominar como se imaginava. Mas, performance menor à parte, se teve uma coisa que o time alemão mostrou foi fiabilidade: tanto Hamilton quanto Valtteri Bottas não tiveram percalços mecânicos comprometedores em ambas as etapas, pelo menos ao nível que vimos pelos lados dos boxes de Maranello. Claro, os desaires de pista do time rosso em Sepang também deram sua contribuição aos problemas mecânicos...
            E chegamos então a Suzuka. Pista complexa, com um bom número de curvas, mas também de alta velocidade em certos trechos que favoreciam o modelo W08 de Brackley, e que poderiam ser uma dificuldade adicional para serem superados pelo modelo SF-70H de Maranello. Performance superior à parte, Lewis Hamilton esteve imparável em Suzuka. Não que Vettel estivesse muito atrás, mas mesmo tendo conseguido a 2ª posição no grid, muito à custa do braço do alemão, a diferença imposta por Lewis já dava a entender que, se nada de errado ocorresse pelos lados da Mercedes, restaria a Sebastian apenas ver Hamilton aumentar ainda mais a diferença e correr cada vez mais para abraçar o troféu do título de campeão deste ano. Mas, quis o destino que a Ferrari sofresse ainda mais do que esperava.
            No grid, um certo pânico no carro de Vettel. Uma tentativa de conserto, e o alemão consegue largar, mas sem chances de pular à frente do rival da Mercedes, sua única chance de tentar fazer frente à situação na corrida. Hamilton, depois de ficar “trancado” atrás de Max Verstappen aqui no Japão no ano passado, sabia que se desse mole na largada, poderia perder as chances de vencer, e no arranque do grid, tratou de conseguir fazer a primeira curva na frente. Sebastian ainda manteve-se firme na 2ª posição, e almejava pelo menos diminuir o prejuízo. Só que as esperanças ferraristas foram para o ralo: o problema no motor do carro do alemão não tinham sido corrigidos, e Vettel, já perdendo ritmo na pista, recolheu aos boxes para abandonar, de forma contundente, enquanto via Lewis obter um novo triunfo, e praticamente colocar a mão na taça de campeão da temporada. Pior de tudo foi o motivo do abandono: um problema numa das velas do motor. Sim, um carro construído com tecnologia de ponta, como o da F-1, ter um enguiço por problemas com uma vela de motor. Incrível, não e?
Sebastian Vettel: abandono no Japão deixou o alemão quase sem chances de impedir o tetracampeonato de Hamilton.
            São problemas com algo tão ínfimo que fica difícil de acreditar, mas é isso mesmo. Uma vela acabou com a corrida de Vettel em Suzuka, e o estrago foi grande: Hamilton venceu, e abriu nada menos do que 59 pontos de vantagem para o alemão. Faltando quatro corridas para terminar o campeonato, podemos dizer que a Ferrari já foi a nocaute depois de Suzuka. Restam 100 pontos em jogo, e se correr com a cabeça, Hamilton nem precisa mais subir ao pódio para ser campeão, administrando os resultados. Mais ainda: dependendo da combinação de resultados, Lewis pode conquistar o tetracampeonato já na próxima corrida, nos Estados Unidos, no circuito de Austin, onde há dois anos atrás em faturou o tricampeonato, vencendo a prova. Para que isso ocorra, o inglês precisa vencer a corrida e torcer para Vettel terminar de 7º para trás. Pelo que a Ferrari conseguiu nas últimas corridas, o perigo da disputa do título terminar já na prova do Texas é grande, mas, tanto Hamilton quanto Vettel se recusam a aceitar o fim do jogo antecipadamente. Um pouco de prudência não faz mal a ninguém, embora as chances de o alemão conseguir reverter qualquer desvantagem, mesmo que pouca, a essa altura, é mínima.
            Somente se a Mercedes sentir e ver que não tem chances de vitória, Hamilton deverá batalhar por um resultado que pelo menos mantenha sua vantagem na pontuação a maior possível. Para Vettel, agora virou um tudo ou nada, e com chances cada vez maiores de dar em nada. Ele precisa partir para o ataque com tudo, e não apenas vencer, mas torcer para que Hamilton sofra os azares que o afligiram nas últimas etapas. Não é impossível, só que a vantagem de Lewis já é tamanha que ele precisaria ficar sem marcar pontos por pelo menos duas corridas seguidas, e Vettel mesmo vencendo estas duas provas, ainda ficaria 9 pontos atrás. Mas Hamilton ficar fora de combate não é apenas o que Sebastian necessita: ele precisa também superar a Red Bull, que vem crescendo de produção nas últimas corridas, e no Japão, mesmo que Vettel não tivesse problemas, teria dificultado e muito a disputa para Vettel subir ao pódio, pelo menos em 2º lugar. Na corrida da Malásia, Vettel afirmou que a boa performance das Red Bull poderia ser um aliado inesperado, na expectativa de que tanto Max Verstappen quanto Daniel Ricciardo poderiam roubar de Hamilton posições melhores nas corridas. Agora, o papel se inverteu: Vettel precisa torcer para que eles não comprometam suas chances de obter melhores resultados, e com isso, inviabilizar sua reação na competição.
            Mas, o nocaute sofrido pela Ferrari nestas últimas corridas foi tão forte, que neste momento, mais do que tentar alcançar Hamilton no campeonato, Vettel precisa se cuidar é para não ser ultrapassado por Valtteri Bottas. O finlandês está apenas 13 pontos atrás do alemão na classificação, pelo andar da carruagem, tem tudo para terminar o ano com o vice-campeonato, deixando Vettel em 3º, situação constrangedora para quem começou o ano de forma tão positiva e de que dava esperanças de levar o time rosso novamente ao título, algo que não vê desde 2007, quando Kimi Raikkonem foi campeão pelo time de Maranello. O trabalho desenvolvido pela Ferrari durante a temporada, para deixar o modelo SF-70H à altura do chassi W08 da Mercedes foi digno de elogios. A unidade de potência italiana está quase no mesmo nível da Mercedes, e em várias etapas, o carro italiano foi muito mais competitivo do que o alemão, com Vettel dando tudo de si e mais um pouco para se manter sempre no páreo da disputa, mesmo quando a Mercedes e Hamilton apareciam em vantagem. O trabalho desenvolvido pelo novo grupo de engenheiros que assumiu o projeto inacabado desenvolvido por James Allison foi bem coeso, e eles souberam não apenas finalizar o projeto, mas desenvolvê-lo sem comprometê-lo. Pelo menos, até agora.
            Mas, curiosamente, foi o mesmo James Allison, que dispensado pela Ferrari no ano passado, hoje é o responsável por fazer o time alemão retomar a dianteira na competição. O trabalho de desenvolvimento do modelo W08, especialmente a partir de Barcelona, quando importantes modificações foram introduzidas, recolocaram o carro prateado como o bólido a ser batido na maioria das corridas em diante, obrigando a Ferrari a redobrar seus esforços para tentar se manter não apenas à altura, mas à frente dos alemães. E eles conseguiram efetuar um belo trabalho. Mas, infelizmente, nem tudo saiu como o esperado, e algumas quebras aqui e ali começaram a comprometer os resultados. Como poderiam ter ocorrido também com a Mercedes.
            Muitos poderão dizer que o azar de Vettel nestas corridas comprometeu todo o campeonato, e até certa medida, têm razão. Mas, um campeonato é a soma dos esforços desenvolvidos durante todo o ano, e sempre há os bons e os maus momentos. A competição em alto nível exige um esforço concentrado de tudo e de todos. E por mais perfeita que seja a sintonia de todas as partes e componentes, sempre há algum momento em que as coisas não funcionam como deveriam. Nem sempre é justo, se considerarmos os esforços louváveis dos integrantes da disputa, mas é como as coisas ocorrem. A Mercedes conseguiu se manter longe de alguns problemas dos quais a Ferrari não conseguiu se esquivar, e na pista, Lewis Hamilton vem pilotando na sua melhor forma, levando-o a aproveitar da melhor maneira possível todas as oportunidades que surgiram até agora na temporada. Sua conquista do tetracampeonato será mais do que merecida, e com 71 poles e 61 vitórias no currículo, quer queiram, quer não queiram, Hamilton já é um dos gigantes da história da F-1. A conquista do título de 2017 apenas ratificará o que já é conhecido por todos.
            Sebastian Vettel, pelo seu lado, nada tem a se envergonhar de sua campanha nesta temporada. Ele vem dando o máximo de si, pilotando como pode. Seu pentacampeonato pode não vir este ano, mas o futuro ainda está cheio de possibilidades. Sua hora chegará. Mas, neste momento, é Hamilton quem tem tudo para comemorar. Cabe à Ferrari, ao menos, se recuperar deste seu nocaute nas últimas corridas, e pelo menos terminar o ano dignamente, e mostrando sua melhor forma, de maneira a dignificar não apenas os seus esforços, mas também a conquista de Lewis, em ter vencido oponentes dignos de luta na pista...


Ver carros construídos com uma tecnologia de ponta como a empregada pela F-1 ainda terem problemas relativamente banais com peças comuns pode não ser exatamente comum, mas eles aconteceu. No Grande Prêmio do Canadá de 1993, Ayrton Senna, então na McLaren, duelava com Michael Schumacher, da Benetton, pelo 2ª lugar na corrida, quando o carro do brasileiro apresentou uma pane, e Ayrton saiu da corrida na parte final. O motivo do abandono foi um problema no alternador, que afetou a ignição do motor Ford V-8 de Senna, uma outra reles peça comum, que acabou com a corrida do brasileiro naquele dia... E Vettel agora terá história parecida para contar em sua carreira, quando ele ficou fora de combate no GP do Japão por causa de uma simples vela de ignição. Ah, e ainda falaram a marca da danada: era NGK. Alguém aí usa essas velas no seu carro? Será que depois dessa a Ferrari trocará de fornecedor de velas?


E Daniil Kvyat volta ao cockpit da Toro Rosso na corrida dos Estados Unidos. O motivo é que seu substituto, Pierre Gasly, tem etapa decisiva aqui no Japão, no mesmo final de semana, e isso acaba criando outro problema para o time de Faenza: Carlos Sainz Jr. despediu-se da escuderia em Suzuka, e já em Austin ele corre pela Renault, substituindo Jolyon Palmer, que finalmente foi despedido pela escuderia francesa, como muitos esperavam há tempos. Só que o time B de Dietrich Mateschitz na F-1 não tem nenhum outro piloto para colocar no lugar. Comenta-se que, nesta prova, a Toro Rosso poderia competir com o atual campeão da Indycar, Josef Newgarden, uma solução pontual, mas que daria ao campeão atual da Indycar o gostinho de pilotar na F-1, justamente no GP de seu país na categoria. Seria interessante, mas até o momento, nada oficial foi anunciado. Vejamos se conseguem resolver isso...

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

ARQUIVO PISTA & BOX – MARÇO DE 1998 – 13.03.1998



            Saudações a todos os leitores. Hoje trago novamente um de meus antigos textos, e este foi publicado no dia 13 de março de 1998, e o assunto abordado era a expectativa sobre o campeonato da F-CART daquele ano, que começava cheio de esperanças de vermos um desafio mais equilibrado contra a equipe Chip Ganassi, campeã nos dois anos anteriores, com Jimmy Vasser e Alessandro Zanardi. Havia boas expectativas, e até houve boas disputas e corridas, mas no final, a Ganassi, e especialmente Zanardi, mostrariam sua força, e o italiano seria bicampeão da categoria, e tentaria refazer sua imagem na F-1 no ano seguinte.
            De quebra, entre os pilotos estreantes naquele ano, os brasileiros Tony Kanaan e Hélio Castro Neves, que anos depois migrariam para a IRL, onde estão até hoje, praticamente 20 anos depois. Quem também estreava na competição era um certo escocês chamado Dario Franchiti, que muitos anos depois se tornaria tetracampeão da Indy Racing League. Naquele ano, Michael Andretti e Bobby Rahal ainda eram pilotos, e hoje ambos são donos de equipes. Bom, Rahal já era dono de seu próprio time, que estreara em 1992 com vitória do próprio, no que foi o único campeonato ganho pela escuderia Rahal. De quebra, o calendário da Indy Lights de 1998, e algumas notas rápidas sobre a F-CART. Aproveitem o texto, e em breve trago mais colunas antigas por aqui...

O MUNDO DOS OVAIS

            Mais velocidade neste domingo. Agora é a F-CART que dá a largada para o seu campeonato de 1998. E, como não poderia deixar de ser, mais uma vez a categoria mostra muito boas perspectivas para este ano. Fica a dúvida de como a equipe Chip Ganassi, campeã de 96 e 97, irá se comportar nesta temporada. Alessandro Zanardi, o atual campeão, e Jimmy Vasser, seu companheiro de equipe e campeão de 96, conseguiram excelentes resultados nos testes feitos até agora, dando a entender que a concorrência terá de suar muito para batê-los novamente.
            E vontade para isso é o que não falta. As maiores ameaças ao poderio da Chip Ganassi vêm de dois times, principalmente: a Walker, que foi vice-campeã de 97 com Gil de Ferran, vem mais do que preparada para abater a equipe campeã neste ano. O piloto brasileiro obteve excelentes marcas nos testes, comprovando ter um carro muito bom para o campeonato. A outra ameaça potencial é a Newmann-Hass. Michael Andretti e Christian Fittipaldi fizeram muitos testes desde a última etapa do campeonato do ano passado até agora, e o novo carro Swift/Ford mostrou-se incrivelmente rápido em todos os circuitos onde o time treinou. Os problemas mecânicos surgidos em 97, ano de estréia do chassi Swift, não deverão se repetir com a mesma freqüência nesta temporada.
            Mas entre os brasileiros, há mais 2 pilotos com bom potencial para o campeonato. Maurício Gugelmim, da PacWest, terminou o campeonato de 97 com a cotação em alta, o mesmo valendo para sua equipe. Já André Ribeiro teve a sua chance de subir para um time de ponta em definitivo, sendo agora piloto da Penske, o melhor time da categoria. Só há um problema mais crônico para ambos: o novo motor Mercedes, derivado de seu similar utilizado na F-1. O problema é que, enquanto os motores de F-1 que equipa a McLaren mostram perfeito funcionamento, como atestou a dobradinha da equipe de Ron Dennis na Austrália, o motor desenvolvido para a F-CART ainda apresenta diversos problemas de gerenciamento eletrônico. E, até estes problemas serem sanados, os times da Mercedes podem enfrentar problemas adicionais nas primeiras etapas do certame. A PacWest preferiu se prevenir e vai correr as etapas iniciais, em Miami e Motegi, com os carros e motores utilizados em 97. Como o motor ainda não atingiu a confiabilidade necessária, e como o motor de 98 não se encaixa no carro do ano passado, o time de Bruce McCaw preferiu conseguir uma performance mais discreta, porém mais segura, do que ficar com ambos os carros pelo caminho nas duas corridas.
            Temos dois brasileiros estreantes na categoria: Tony Kanaan, campeão da Indy Lights no ano passado, é o único piloto da equipe Tasman; já Hélio Castro Neves, vice-campeão da categoria de acesso, será o único piloto da equipe Bettenhausen, onde terá a consultoria técnica de Émerson Fittipaldi. Ambos têm bom suporte técnico de suas escuderias, e mesmo admitindo que o ano é de aprendizado, poderão fazer bonito em diversas etapas.
            O último brasileiro na categoria é Roberto Moreno, que irá disputar as etapas iniciais em ovais como piloto da equipe Project Indy no lugar de Christian Danner. Para disputar o restante do campeonato, Moreno ainda terá de arranjar patrocínio.
            A equipe Green dobrou seu efetivo, assim como a Forsythe. Greg Moore terá a companhia do piloto-revelação de 97, Patrick Carpentier. Já a Green trocou seu piloto Parker Johnstone por Paul Tracy e ainda chamou Dario Franchiti para ser o segundo piloto do time no campeonato.
            A equipe Hogan terá seu único carro confiado ao finlandês J.J. Letho, que tenta dar a volta por cima depois de sua pífia passagem pela Benetton em 1994 na F-1. Já Bobby Rahal, proprietário da Rahal Racing, afirma que este será seu último ano como piloto. Seu time conta ainda com Bryan Herta, um piloto considerado de bom potencial.
            Ainda temos a Patrick Racing, com Scott Pruett e Adrian Fernandez, tentando se firmar como time de ponta. Do restante, nem vale a pena comentar, pois não terão muitas chances de aparecer. Mas, poderosos ou não, todos têm um único objetivo em mente: vencer a Ganassi. E o primeiro round é neste domingo, em Miami, no complexo de Homestead, que foi reformado para melhorar o traçado oval, que agora tem um formato mais redondo, o que irá permitir maiores disputas e ultrapassagens. Pode-se até dizer que é outro circuito, se comparado com o traçado que sediou a corrida em 97. E, para o fim do mês, outro circuito fará sua estréia no campeonato: Motegi, no Japão. Preparem-se, fãs da velocidade! Chegou a vez dos circuitos ovais da F-CART, e os motores já começaram a roncar...

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O ADEUS DE HÉLIO NA INDY


A última vitória de Helinho em Iowa, este ano, como participante regular da Indycar.

            O que já era ventilado nos últimos tempos, acabou de ser confirmado: Hélio Castro Neves encerrou sua participação na Indycar e a partir do próximo ano, irá disputar o IMSA Wheater Tech Sportscars Campionship, categoria de endurance nos Estados Unidos, como um dos pilotos da equipe que Roger Penske acabou de montar, em parceira com a Honda. Os outros pilotos já confirmados para disputar a competição, ao lado do brasileiro, são Juan Pablo Montoya, e Dane Cameron, que dividirão um dos dois carros do time na competição. Helinho fará dupla com outro piloto cujo nome ainda será divulgado.
            Com isso, a Indycar sofre uma baixa considerável. O piloto brasileiro era um dos mais populares competidores da categoria, que até tentou dissuadir Roger Penske de tirar Hélio de lá, mas não deu certo. Hélio deixa as categorias Indy após 20 anos de disputas, desde a sua estréia, em 1998, pelo time de Tony Bettenhausen, egresso da Indy Lights, onde competiu por duas temporadas, em 1996 e 1997, sendo 7º colocado no primeiro ano, e vice-campeão no segundo, perdendo a disputa do título para Tony Kanaan. Foram 4 vitórias nos dois anos, e colocaram Helinho no radar dos donos dos times da F-CART.
            O brasileiro fez um ano satisfatório de estréia na competição, disputando o campeonato com uma escuderia média, e finalizou em 17º na temporada, com 36 pontos, tendo como melhor resultado um 2º lugar em Milwaukee. Ao fim do ano, mudança para a equipe de Carl Hogan, outro time médio, e esperar por melhor sorte. Acabou em 15º lugar, com 48 pontos, e novamente um 2º lugar, na pista de Gateway, como melhor resultado no ano. As opções de Hélio para o ano seguinte não eram das melhores, e o brasileiro provavelmente teria ficado a pé, não fosse a tragédia que se abateu na categoria na última prova da temporada de 1999, com o falecimento de Greg Moore na pista de Fontana, na Califórnia. O piloto canadense já estava confirmado para ser o companheiro de Gil de Ferran na equipe Penske, e com sua morte, Helinho acabou contratado como substituto. E ele não decepcionou Roger Penske.
            Logo em sua primeira temporada em um time de ponta, Hélio faturou 3 corridas, e foi 7º colocado na competição, um resultado nada mal, mesmo considerando que Gil de Ferran, seu parceiro,foi o campeão. Ainda marcou 3 pole-positions, mostrando que era um piloto veloz. Na sua primeira vitória, em Detroit, ele parou o carro após a bandeirada, e escalou o alambrado, acenando para a torcida em frente, o que lhe valeu a alcunha de “Homem-Aranha”, e onde começou a se tornar um dos pilotos mais carismáticos e populares da categoria. No ano seguinte, Hélio venceu novamente 3 corridas, e foi o 4º colocado na classificação, com Gil conquistando o bicampeonato. Mas Helinho teve sua maior glória ao vencer pela primeira vez as 500 Milhas de Indianápolis em 2001, e escalando o alambrado do famoso oval de Indiana no seu estilo característico.
            A partir de 2002, com a mudança da Penske da F-CART para a IRL, Helinho seguiu junto com o time, e conquistou a sua segunda vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, além de ser vice-campeão da categoria, perdendo o título para Sam Hornish Jr. E, de lá para cá, Hélio cumpriu nada menos do que 18 de suas 20 temporadas nas categorias Indy, tornando-se um patrimônio da equipe Penske, ganhando a confiança total de Roger Penske, a ponto de se tornar amigo pessoal da família do chefe. Em fins de 2008 e início de 2009, quando Helinho foi acusado de sonegação por parte do fisco dos Estados Unidos, ele foi totalmente amparado pelo patrão. Inclusive, quando foi dado o veredicto final, com a absolvição do piloto, a categoria estava disputando os treinos para a corrida de Long Beach, e o brasileiro teve praticamente o jato de Roger Penske pronto para levá-lo até a Califórnia, onde ele sentou no carro imediatamente e disputou a corrida. E o brasileiro ainda venceria no mesmo ano pela terceira vez as 500 Milhas de Indianápolis, entrando para os anais da história da famosa corrida como um de seus mais vitoriosos pilotos, perdendo apenas para a trinca formada por Rick Mears, Al Unser, e A. J. Foyt, todos com 4 triunfos.
O primeiro triunfo nas 500 Milhas de Indianápolis, em 2001. O brasileiro tornaria a vencer no ano seguinte, e em 2009, e segue firme na busca da quarta vitória.
            Aliás, é pela confiança que Hélio está mudando de categoria. Roger Penske e o brasileiro formaram um vínculo de união como poucos, e Helinho se mantém fiel ao seu chefe, e por isso mesmo, apesar de preferir continuar na Indycar, irá defender o novo projeto de Penske na categoria de endurance. Mais do que a confiança de um chefe em seu piloto, Hélio não estará dando adeus por completo à Indycar: ele terá carro garantido para disputar as 500 Milhas de Indianápolis, com o intuito de alcançar não apenas as 4 vitórias dos maiores vencedores da história da corrida, mas até superá-los, quem sabe. Roger Penske sempre valorizou os triunfos de Helinho em Indianápolis, e este ano, por pouco o brasileiro não venceu a prova novamente. Aliás, Hélio por 3 vezes foi o segundo colocado na Indy500, tendo chegado nesta posição em 2003, 2014, e 2017. Roger Penske dá muita importância à Indy500, e sabe que Hélio, assim como ele, tem grande interesse em vencer mais vezes na Brickyard Line.
            Nas estatísticas, Hélio deixa sua participação nas categorias Indy com nada menos do que 344 largadas, 30 vitórias, e 54 pole-positions. Ele ainda teve 41 segundos lugares, e chegou 22 vezes na terceira posição, números nada desprezíveis. O único ponto negativo mesmo vai para a falta de um título. Em todas essas 18 temporadas guiando para o time de ponta da Penske, Hélio conseguiu quatro vice-campeonatos, em 2002, 2008, 2013, e 2014. Não seriam resultados tão ruins, não fosse o fato de que, neste período, Hélio viu vários companheiros de equipe serem campeões, começando por Gil de Ferran, que foi bicampeão em 2000 e 2001. Em 2006, ele viu Sam Horsnish Jr. vencer e se tornar bicampeão, enquanto ele foi o 3º colocado. Em 2014, foi Will Power quem se sagrou campeão, deixando o brasileiro novamente na fila de espera, tendo finalizado o ano como vice-campeão. E nas últimas duas temporadas, Simon Pagenaud e Josef Newgarden foram campeões com a Penske, enquanto Hélio terminou estes anos em 3º e 4º lugares, respectivamente. Competindo por um time de ponta como a Penske, não deixa de ser um marco negativo na carreira de Hélio, que acumula assim dois reveses de título para seu compatriota Tony Kanaan, que foi campeão de Indy Lights em 1997, derrotando justamente Helinho, e sendo campeão da IRL em 2004.
            Nos últimos anos, contudo, o piloto brasileiro veio tendo um jejum de vitórias, que já não vinham mais ocorrendo no mesmo ritmo de antes. Os triunfos passaram a ficar escassos, e em duas temporadas, praticamente não conseguiu vencer nenhuma corrida, em 2015 e 2016, que somados ao tempo sem vencer em 2014 e 2017, deu praticamente três anos de ausência de vitórias na Indycar. Chegando aos 40 anos, deu a impressão de que Hélio, apesar dos bons resultados, já poderia estar sentindo o peso da idade, o que não é verdade. Mas também não se pode negar que vários resultados neste período recente acabaram aquém do esperado por vários problemas, alguns alheios ao controle do piloto, outros nem tanto. Uma percepção que não pega muito bem quando seus novos companheiros de time vencem e conquistam títulos. Não que isso tirasse a popularidade e a fama de Hélio perante a torcida ou os patrocinadores, que nunca deixaram de apoiar o brasileiro todos estes anos.
Hélio se tornou íntimo como poucos de Roger Penske, tendo completa confiança de seu chefe em sua capacidade.
            Para o torcedor brasileiro, fica a perda de um de nossos representantes na competição, que terá então apenas Tony Kanaan competindo por todo o campeonato de 2018, defendendo o time da Foyt Enterprises. Mesmo com a possível chegada de Mateus Leist e Victor Franzoni para breve, até o presente momento, teremos somente o piloto baiano como representante do Brasil no grid da categoria no próximo ano, pelo menos disputando todo o campeonato, já que Hélio deverá estar presente nas provas disputadas em Indianápolis. Fica preocupante em se manter o interesse na competição, que já não vinha sendo grande coisa nos últimos anos por parte da Bandeirantes, que no presente momento está apenas mantendo o cumprimento do atual contrato de transmissão firmado com a direção da Indycar. Mas, e depois? Já tivemos inúmeros nomes na categoria, mas a grande maioria não vingou, ou por falta de resultados, ou pela necessidade de se arrumar patrocínios, situação complicada nos tempos atuais.
            Mas Helinho nada tem a ver com isso. Como piloto e profissional, ele estará na pista onde sua equipe, a Penske, lhe designar, e o Wheater Tech Sportscar vem crescendo bastante em importância no universo de competições, não apenas nos Estados Unidos, mas até mesmo no mundo, com vários pilotos manifestando interesse em participar da disputa, e onde já se encontram alguns brasileiros, como Christian Fittipaldi, Oswaldo Negri Jr., e mais recentemente, Pipo Derani, que vem mostrando muita competência e personalidade. Que Helinho se mantenha competitivo, e dê o seu melhor na disputa das provas da Endurance, e possa ser bem-sucedido nelas como foi em sua maior parte da carreira nas categorias Indy. Criticado por muitos fãs por não ter sido campeão, Helinho deve satisfações somente a si mesmo, e a seu time, que sempre esteve do seu lado nos momentos de necessidade.
            Portanto, vida longa a Hélio Castro Neves no IMSA Wheatertech Sportscar Campionship. Ele pode ter dado adeus à Indycar em tempo integral, mas ainda demonstra ter muita lenha para queimar, e vai dar o seu melhor ainda por vários anos. Que seja feliz em sua nova fase na carreira. Ele mais do que merece. Boa sorte, Helinho!


Uma hora tinha que desencantar. Max Verstappen vinha fazendo uma temporada abaixo das expectativas, com muitas quebras e algumas confusões, enquanto Daniel Ricciardo vinha acumulando vários pódios, além de uma vitória na pista de Baku. Os infortúnios eram tantos que Max já estava sendo alcançado na pontuação por Sérgio Perez, da Force Índia. Mas, em uma corrida sem percalços inesperados, o jovem holandês, que completou 20 anos de idade no final de semana do Grande Prêmio da Malásia, ganhou o seu melhor presente de todos: sua segunda vitória na F-1, e derrotando na pista, sem problemas adversos dos concorrentes, até Lewis Hamilton. Verstappen assumiu a liderança logo no início da corrida malaia, e simplesmente não foi mais incomodado em momento algum. Hamilton, tendo a vantagem de ver Sebastian Vettel largando do fundo do grid, e recordando-se do ocorrido no ano passado, quando liderava a corrida e seu motor quebrou, adotou uma postura mais prudente, e correu para chegar, especialmente pelo fato de seu carro não apresentar a mesma performance esperada na corrida, depois de arrebatar sua 70ª pole-position na carreira. O desempenho de Verstappen chama atenção pelo fato de ele ter posto 22s5 de vantagem para Daniel Ricciardo na bandeirada. O australiano fechou o pódio, em um excelente resultado para a Red Bull, que vem crescendo de produção nesta reta final da competição. O time dos energéticos, aliás, espera outro bom desempenho aqui em Suzuka, no Japão, onde começam hoje os treinos livres para a corrida nipônica, que acontece neste domingo. No ano passado, Verstappen subiu ao pódio aqui, depois de suportar a forte pressão de Lewis Hamilton nas voltas finais da prova, com o inglês não conseguindo superar o atrevido holandês na pista. E ele está de volta para infernizar os concorrentes, podem apostar...
Depois de muitos azares na temporada, tudo deu certo para Verstappen em Sepang, e o holandês pôde enfim comemorar mais uma vitória na F-1.


A corrida da Malásia foi um desastre quase completo para a Ferrari. Punido pela troca de componentes em seu motor, Sebastian Vettel precisou largar do fundo do grid, enquanto seu grande rival na luta pelo título, Hamilton, saía na pole, e tinha todas as condições de aumentar ainda mais sua vantagem na classificação do campeonato. Vettel precisava fazer uma corrida demoníaca para reverter a desvantagem e tentar minimizar o prejuízo. A esperança era que Kimi Raikkonem, que largava ao lado de Lewis na primeira fila, pudesse pular à frente e segurar o ritmo do piloto da Mercedes até que Sebastian alcançasse o pelotão da frente, mas aí veio a ducha de água fria: Kimi nem conseguiu largar, com problemas no motor de sua Ferrari, e ficando fora de combate antes mesmo de começar a corrida. Vettel deu tudo de si e mais um pouco, e conseguiu chegar à 4ª colocação, cruzando a linha de chegada com 37s de desvantagem para o vencedor, que para sorte do alemão, não foi Hamilton, mas Verstappen, o que impediu que o tricampeão inglês aumentasse ainda mais sua dianteira na classificação. Mas a situação continua complicada: Hamilton abriu 34 pontos de vantagem para Vettel, e pode começar a administrar os resultados nas 5 provas que faltam para encerrar o campeonato. Vettel espera que o desempenho em ascenção da Red Bull aja a seu favor, impedindo Hamilton de obter melhores resultados, e confiando em não ter outro fim de semana complicado como o de Sepang, onde pelo ritmo que demonstrou, afirmou sem cerimônias que poderia ter vencido a corrida, não tivesse tido que largar na última posição. O time rosso espera ter melhor sorte aqui no Japão. Vejamos o que irá acontecer...
A Ferrari teve outro fim de semana complicado, mas o prejuízo não foi tão grande quanto em Singapura. Mesmo assim, as chances do título vão ficando cada vez mais difíceis...


Quem diria: Felipe Massa, que começou a temporada dando de goleada em cima de seu parceiro, o novato Lance Stroll, já está quase sendo superado pelo canadense na classificação do campeonato. O brasileiro é o 11º colocado, com 33 pontos, enquanto Stroll é o 12º, logo atrás, com 32 pontos. Ou seja, apenas 1 ponto separa Massa de Stroll. Certo que Felipe teve suas dificuldades, mas lembrando o tanto que o canadense se envolveu em confusões no início da temporada, o retrospecto ainda é desfavorável ao brasileiro na comparação. Assim, fica difícil Massa ainda querer permanecer em 2018...

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

FLYING LAPS – SETEMBRO DE 2017



O tempo segue implacável para a frente, nos levando para os meses finais deste ano de 2017, tendo o mês de setembro já ficado para trás. Já adentramos o mês de outubro, portanto, vamos à mais uma sessão Flying Laps, trazendo várias notas sobre alguns dos acontecimentos do mundo do esporte a motor que tiveram lugar neste último mês, sempre com alguns comentários rápidos a respeito de cada dos assuntos abordados. Então, uma boa leitura a todos, e vamos em frente, sempre em altíssima velocidade, característica mais do que marcante do mundo das corridas...

Josef Newgarden conquistou o título da temporada 2017 da Indycar ao chegar em 2º lugar na etapa final da competição, no circuito de Sonoma, na Califórnia. Depois do desaire na corrida anterior, em Watkins Glen, onde bateu de forma até amadora, Josef partiu logo para o ataque na corrida final da competição, no Infineon Raceway, ao arrasar a concorrência no treino de classificação, obtendo a pole-position. Em um circuito de difíceis ultrapassagens, um passo importante para definir o título, já que todos os seus rivais teriam de correr atrás do prejuízo na prova, tendo de chegar à frente do piloto da Penske. E, de fato, Newgarden manteve-se na ponta, o que acabava com as expectativas dos rivais de tentar uma reação. Mas Simon Pagenaud, utilizando uma estratégia agressiva e diferente dos demais, conseguiu tomar a liderança da corrida nos pit stops, e apesar da forte pressão do companheiro de equipe, venceu a corrida, e garantiu para si o vice-campeonato. Josef bem que tentou retomar a liderança, mas o time da Penske, nos boxes, tratou de acalmar os ânimos de Newgarden, em virtude de uma ultrapassagem sobre Newgarden ser arriscada, especialmente depois que o estado de espírito do francês ficou mais tenso depois do toque que levou de Newgarden na etapa de Gateway, quando quase acabou no muro após ser ultrapassado pelo colega de time. Newgarden aceitou a contragosto, mas não tinha do que reclamar, já que o segundo lugar era mais do que suficiente para lhe garantir o título, terminando em 2º, e alcançando 642 pontos. Com o triunfo, Pagenaud ficou com 629, superando Scott Dixon, da Ganassi, que terminou a prova em 4º lugar, e finalizou a temporada em 3º, com 621 pontos. Hélio Castro Neves ainda almejava alcançar o título, mas teve uma atuação burocrática e sem brilho em Sonoma, terminando a corrida em 5º lugar. O brasileiro foi o 4º colocado no campeonato, com 598 pontos. Newgarden conquista o título em sua primeira temporada em um time de ponta, a Penske, contratado no ano passado para substituir o colombiano Juan Pablo Montoya. E o americano, que já havia feito um campeonato excelente em 2016 com a Ed Carpenter Racing, não decepcionou Roger Penske: venceu 4 provas no ano, e apesar de uma vacilada na corrida de Watkins Glen, soube retomar o controle da situação e dominar os rivais na corrida decisiva em Sonoma. E desde já, é o piloto a ser batido em 2018, quando tentará conquistar o bicampeonato. Os rivais que se preparem desde já...


O time de Roger Penske mais uma vez venceu o campeonato da Indycar, como já havia feito em 2016, com o triunfo de Simon Pagenaud. A escuderia mais poderosa da categoria venceu nada menos do que 10 das 17 corridas do calendário, com 4 triunfos de Newgarden, três vitórias de Will Power, duas de Simon Pagenaud, e uma de Hélio Castro Neves. Seu quarteto de pilotos conquistou 11 pole-positions na temporada, e terminou entre os 5 primeiros na competição. Apenas Scott Dixon, da Ganassi, conseguiu se intrometer entre os pilotos da Penske na classificação do campeonato, ao terminar na 3ª posição, batendo Hélio Castro Neves e Will Power. No campeonato por equipes, a Penske acumulou 2.524 pontos, muito mais do que a segunda colocada, a Chip Ganassi, que obteve 1.747 pontos, batendo por muito pouco a Andretti, que ficou na 3ª posição, com 1.744 pontos. Todos os times competindo com 4 carros em todo o campeonato, à exceção de algumas corridas, onde eles alinharam carros extras, como em Indianápolis, onde a Andretti teve Fernando Alonso; e a Penske, Juan Pablo Montoya. Daí a diferença para a 4ª colocada na competição, a escuderia de Ed Carpenter, com 753 pontos.


Para os pilotos brasileiros, o ano de 2016 foi de altos, para Hélio Castro Neves, e de baixos, para Tony Kanaan. Enquanto Helinho pelo menos desencalhou e voltou a vencer uma corrida, no circuito oval de Iowa, Tony Kanaan encerrou sua terceira temporada consecutiva sem subir ao degrau mais alto do pódio. Hélio ainda se manteve firme na corrida pelo título da temporada, tendo alguns resultados muito bons, e só abandonou uma corrida, no Texas, onde bateu. Foi segundo colocado em Indianápolis, por pouco não conquistando sua 4ª vitória nas mais famosas 500 Milhas do mundo, mas novamente acabou sucumbindo na etapa final, onde não conseguiu superar os adversários para tentar efetivamente ser campeão. O brasileiro, aliás, pode estar se despedindo da categoria, uma vez que Roger Penske está montando um time para competir no IMSA Weather Tech Sportscar, o campeonato de provas de longa duração dos Estados Unidos, onde já competem os brasileiros Christian Fittipaldi e Osvaldo Negri Jr. A conquista do título manteria Helinho ainda firme na Indy, mas a decisão oficial ainda não foi anunciada. Pesa a favor de Hélio o fato de ser um dos pilotos mais famosos e carismáticos do grid, e vários patrocinadores gostam muito dele. Hélio, por sua vez, já se manifestou contrário a deixar a categoria, mas como empregado da Penske, seguirá o que o seu patrão decidir. Enquanto isso, Tony Kanaan está garantido no grid em 2018, e possivelmente, 2019. O baiano acertou contrato com o time de A. J. Foyt para ser seu principal piloto no próximo ano. As relações de Tony com Chip Ganassi já não andavam as melhores nos últimos tempos: além da falta de resultados de Tony, se comparado com as performances de Scott Dixon, Kanaan também já vinha se queixando de que a performance de seu carro não era a mesma de antes, e algumas estratégias equivocadas adotadas pela escuderia teriam custado melhores resultados em diversas corridas. Tony acabou por vencer apenas uma prova pela Ganassi, e foi nas 500 Milhas da Califórnia de 2014, prova que encerrou a competição naquele ano. De lá para cá, o máximo que Tony conseguiu foram alguns lugares no pódio, enquanto Dixon, apesar dos problemas de competição da escuderia, ainda foi campeão em 2015, e este ano, manteve-se firme na disputa até a prova final, em Sonoma. Kanaan foi apenas o 10º colocado na competição, uma performance muito abaixo da de Dixon. O brasileiro quase foi superado por Max Chilton, que terminou em 11º lugar, poucos pontos atrás de Tony. Mas e Charlie Kimball, que teve um ano apático, ficando apenas em 17º lugar na classificação?


Marc Márquez resolveu partir para o ataque e conseguiu duas vitórias decisivas no campeonato da MotoGP. A “Formiga Atômica” conseguiu superar o piso molhado na pista de Misano para vencer com categoria o GP de San Marino após um duelo com Danilo Petrucci, da equipe Pramac, e reassumir a liderança do campeonato, uma vez que Andrea Dovizioso, da Ducati, acabou adotando uma postura conservadora na pista da Riviera de Rimini, e se contentou com o 3º lugar. Isso fez Márquez empatar nos pontos com Dovizioso, mas por ter mais segundos lugares, o piloto da Honda garantia a primeira colocado na classificação no critério de desempate. Mas foi em Aragão, na Espanha, que Márquez consolidou a sua liderança, ao obter uma vitória contundente após duelar com outro piloto, Jorge Lorenzo, que parecia destinado a vencer a corrida, o que teve de desistir diante da performance superior da Honda, que inclusive fez a dobradinha, com Dani Pedrosa em 2º lugar. Nesta prova, Dovizioso teve sua pior performance, terminando apenas em 7º lugar. O resultado deixou Marc Márquez na dianteira do campeonato com 224 pontos, 16 a mais do que Andrea Dovizioso, com 208 pontos. Outro piloto que perdeu contato foi Maverick Viñales, da Yamaha, que concluiu ambas as corridas na 4ª colocação, mantendo-se em 3º no campeonato, com 196 pontos. Dani Pedrosa apareceu bem forte em Aragão, e até tentou discutir a vitória com Márquez, mas o tricampeão mundial foi firme em deixar claro que não abriria nenhuma brecha para seu parceiro de time, que teve de se contentar mesmo com o 2º lugar, e assumindo a 4ª colocação no campeonato, com 170 pontos. Por outro lado, Valentino Rossi, que havia quebrado a perna em um acidente de enduro há algumas semanas, desfalcou a Yamaha na etapa de San Marino, mas surpreendeu os médicos com sua recuperação, e voltou à competição em Aragão, três semanas após o seu acidente. E, levando-se em conta suas condições físicas, o “Doutor” mostrou categoria: largou em 3º no grid, e durante boa parte da prova foi o 2º colocado, só perdendo o ritmo nas voltas finais, provavelmente devido às fortes dores na perna ainda em recuperação, sendo superado por Dani Pedrosa e seu companheiro de time Viñales, terminando a corrida de Aragão em 5º lugar. Com este resultado, Rossi caiu para a 5ª posição na classificação, acumulando 168 pontos. Rossi, aliás, quando foi superado por Pedrosa, ainda levou uma reclamação do espanhol, que afirmou que o italiano lhe deu uma fechada desleal quando estava para ser ultrapassado por ele. O “Doutor” não deixou barato, e retrucou que se Pedrosa reclama assim, que corresse sozinho na pista. Aliás, Pedrosa anda devendo melhor performance, se for comparado com Marc Márquez, que desde que chegou à Honda já conquistou 3 títulos em 4 anos, e caminha firme para tentar o 4º título, enquanto Dani até agora nem conseguiu incomodar Márquez na disputa do campeonato em nenhuma ocasião...


Ainda não foi desta vez que Jorge Lorenzo conseguiu vencer na MotoGP pela Ducati: o piloto espanhol fez em Aragão sua melhor apresentação na temporada, tendo largado na primeira fila e liderado a corrida por um bom tempo. Mas, no final, Jorge acabou sucumbindo à pressão da dupla da Honda, que estava com uma performance muito forte na pista espanhola. Lorenzo repete, assim, o seu melhor resultado na temporada, obtido em Jerez de La Fronteira, onde também foi o 3º colocado, perdendo, por coincidência, justamente para a mesma dupla da Honda, mas em ordem invertida, já que o triunfo na pista da Andaluzia acabou com Pedrosa, com Márquez sendo o 2º colocado. Mas, em termos de performance, a apresentação de Lorenzo em Aragão foi mais significativa, uma vez que o piloto da Ducati, mesmo superado pela dupla da Honda, nunca ficou muito para trás, tendo cruzado a linha de chegada com apenas 2s de desvantagem para o vencedor, enquanto na prova de Jerez, a diferença havia ficado na casa de 14s7. Com a evolução da Ducati, Lorenzo ainda tem esperanças de pelo menos vencer alguma corrida até o fim do campeonato. Mas a disputa promete ser complicada: faltam quatro corridas para encerrar a competição, em Motegi (Japão), Phillip Island (Austrália), Sepang (Malásia), e Valência (Espanha), e a depender das possibilidades de conquistar o título com Andrea Dovizioso, talvez a Ducati venha fazer o jogo de equipe e priorizar o piloto italiano, ainda mais agora que Márquez abriu vantagem na classificação do campeonato, que precisará ser descontada nas corridas que faltam no campeonato...


Quase quatro anos depois de sofrer um acidente andando de esquis numa estação de inverno na França, o estado de saúde de Michael Schumacher ainda é um completo mistério, e recentemente, foi noticiada a possibilidade de se transferir o ex-piloto para os Estados unidos, para efetuar tratamento com um médico estadunidense especialista em lesões cerebrais, chamado Dr. Mark Weeks, na cidade de Dallas, Estado do Texas. Tudo leva a crer que a situação do heptacampeão segue extremamente delicada, e cujas chances de recuperação devem ser escassas, a se confirmar tal procedimento, o que indicaria que seu estado de saúde ainda deve ser muito débil. Como de costume, a família não fornece maiores detalhes sobre o assunto...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O ADEUS DE SEPANG


As belas instalações do circuito da Malásia inauguraram a era dos "megautódromos" da F-1, em 1999.

            A Fórmula 1 segue em direção às etapas finais da temporada de 2017, e hoje iniciam-se os treinos oficiais para o Grande Prêmio da Malásia, que terá um gosto diferente para todos, dentro e fora da pista. É a despedida do circuito e do país asiático do calendário da categoria, tendo estreado em 1999, e de lá para cá marcado presença constante na competição. Mas, os tempos são outros, a própria F-1 é outra, e passou por diversas mudanças. E, na sistemática de cobrança cada vez maior por parte de Bernie Ecclestone das taxas de promoção de um GP, aliados aos anos de domínio ora da Red Bull, ora da Mercedes, nos últimos anos, os malaios resolveram que a relação custo-benefício da corrida já não era mais vantajosa como em seu início, e optaram por não renovar o atual contrato com a FOM.
            Portanto, após quase 20 anos, e 19 edições, contando com a corrida deste domingo, o Grande Prêmio da Malásia encerrará sua história na F-1. Mesmo com a categoria máxima do automobilismo agora sob comando do grupo norte-americano Liberty Media, Sepang não estará no calendário daF-1 em 2018, e não tão já voltará. Claro que os malaios podem mudar de idéia, e resolverem retornar um dia, mas no momento, eles decidiram que o belo e majestoso circuito de Kuala Lumpur passará a ter como maior evento de competição a etapa da MotoGP, muito mais acessível, e que traz muito mais emoção e disputa do que os bólidos de Mercedes, Ferrari, Red Bull & Cia. O Liberty Media, por sua vez, tem outras pistas e países em mente para expandir o calendário no momento, e se sai a Malásia no próximo ano, volta a França, o que para muitos, é um bônus, ainda mais por trazer o circuito de Paul Ricard de volta à F-1. Todos torcem, então, para que esta corrida de despedida de Sepang possa pelo menos oferecer uma corrida decente e com emoção para todos.
            Aliás, dependendo do resultado da corrida malaia, poderemos ver se haverá maior disputa pelo título da temporada 2017 ou não. Lewis Hamilton vem de três vitórias consecutivas, e por mais que alguns digam que, com a vantagem acumulada, o inglês pode correr de forma mais segura em Sepang, creio que podem tirar o cavalo da chuva. Hamilton, se tiver condições, partirá para o ataque, para vencer pela quarta vez consecutiva, e quebrar definitivamente o ânimo do adversário, no caso, Sebastian Vettel.
            Mas o tricampeão da Mercedes teria seus motivos para não lutar a ferro e fogo pela vitória na corrida, dependendo da situação. Uma delas seria o ocorrido no ano passado, quando Lewis tinha tudo para vencer aqui, e sofreu uma quebra de motor que certamente foi decisiva para a perda do título da temporada de 2016. A partir dali, com o triunfo de Nico Rosberg no Japão, a corrida seguinte, o alemão pôde administrar os resultados até o fim da temporada, e ser campeão. Agora, quem está em posição favorável é Hamilton, mas o inglês sabe que não pode comemorar antecipadamente, ainda mais aqui na Malásia. E apesar de o circuito possuir duas grandes retas que em teoria favorecem a potência da unidade de força da Mercedes, o inglês diz que a Ferrari pode vir muito forte, e especialmente Sebastian Vettel, se o alemão estiver com a cabeça no lugar para dar o melhor de si, e não deixar o incidente de Singapura abalar sua confiança.
Maior vencedor da corrida da Malásia, Sebastian Vettel precisa repetir o triunfo para impedir a disparada de Lewis Hamilton.
            Pelo sim, pelo não, é bom Hamilton não cantar vitória antes da hora mesmo. Com seis corridas até o fim da temporada, muita coisa pode acontecer. Um abandono do inglês, ou ficar fora dos pontos, e tudo pode se inverter. E nas 18 provas disputadas aqui em Sepang, a Ferrari foi a escuderia que mais venceu, portanto, é bom mesmo ficar de olho no que pode acontecer. E não se pode descuidar também do clima. Estamos praticamente na linha do Equador, o calor é forte e abafado, com aquele clima tropical onde pode desabar um temporal a qualquer momento, e olhe que a previsão diz que pode chover neste final de semana... Se em Singapura foi Lewis que comemorou a vinda da chuva, aqui é Vettel quem está fazendo a dança da chuva para melhorar suas chances. Vale apelar para tudo para reverter as expectativas na luta pelo título da temporada.
            A favor de Sebastian Vettel ainda está o fato de o alemão ser o maior vencedor da prova malaia, com quatro vitórias até aqui. O primeiro triunfo veio em 2010, quando a Red Bull começava a se impor como time de ponta na F-1, e levaria Vettel a seu primeiro título ao fim daquela temporada. O alemão repetiria a dose em 2011, tanto na vitória em Sepang, quanto na conquista do título da temporada, tornando-se bicampeão. A vitória seguinte seria em 2013, no ano da conquista do tetracampeonato do alemão pela Red Bull, no último título vencido até aqui tanto por Sebastian quanto pelo time dos energéticos. Em 2015, Vettel surpreendeu a favoritíssima Mercedes nesta pista, conquistando logo em seu segundo GP pela escuderia de Maranello, sua nova casa, após deixar a Red Bull, seu último triunfo nesta pista, para delírio da torcida rossa, que acreditava que o time italiano seria capaz de abalar a supremacia da Mercedes na F-1. Mas mesmo a Ferrari não conseguiu deter o massacre imposto na pista pelos carros alemães.
            Hoje, o objetivo de Vettel é repetir aquela vitória marcante, para evitar ir a nocaute na disputa pelo título da F-1. O resultado da corrida em Singapura, uma prova onde a Ferrari tinha tudo para vencer, e Sebastian retomar a dianteira da competição, foi para o vinagre com o acidente múltiplo na largada que acabou eliminando da prova Sebastian Vettel, Kimi Raikkonem, Max Verstappen, e Fernando Alonso. Com mais uma vitória de Lewis Hamilton, sua terceira consecutiva no retorno da F-1 das férias de verão, o alemão está com 28 pontos de desvantagem na classificação, e precisa reagir já se ainda quiser manter vivas suas esperanças de chegar ao pentacampeonato. Portanto, mãos à obra, e pelo desempenho dos treinos de hoje poderemos ter algumas idéias a respeito das possibilidades ou não da Ferrari de reverter a situação na classificação. Poderemos ter então uma corrida disputada, ou não...
            Com certeza, uma coisa de que ninguém irá sentir saudade é deste calor sufocante. A prova é a mais desgastante da temporada. Duas semanas atrás, em Singapura, que é nas imediações, o fato da corrida ser disputada à noite mitiga o forte calor desta área do sudeste asiático, mas aqui, próximo a Kuala Lumpur, a capital do país, o preparo físico dos pilotos, com o sol a pino, é colocado mais do que à prova. São 56 voltas, em um percurso pelos 5,543 Km de extensão da pista, totalizando 310,48 Km na corrida.
            Da pista, certamente os pilotos até poderão sentir saudades, apesar de que Sepang também tem seus males. Quando estreou, em 1999, este foi o primeiro circuito da era “Hermann Tilke”, que viria a se tornar, na opinião de muitos, uma praga no calendário da F-1, com a concepção de pistas insossas e cheias de acelera-freia-acelera, que não deixaram saudade em ninguém, com algumas exceções. Mas aqui, Tilke ainda não tinha concebido o traçado com este tipo de característica, de modo que a pista oferece seus desafios, e apresenta alguns pontos propícios para ultrapassagens, exigindo não apenas um bom equilíbrio dos monopostos, mas também potência para não ser vítima de outros concorrentes nos dois longos trechos de retas, onde os propulsores dos bólidos são exigidos a fundo, e o acerto dos carros tem que equilibrar a necessidade de velocidade de ponta com a estabilidade nas demais curvas.
As belas coberturas das arquibancadas das grandes retas são um dos destaques da infraestrutura do circuito de Sepang.
            Mas, talvez a pior “herança” de Sepang é que este foi o primeiro autódromo com uma megaestrutura, concebida a nível nunca antes visto na categoria máxima do automobilismo. Com o investimento do governo malaio, via Petronas, a petrolífera estatal do país, foi concebido um autódromo monumental, com paddock imenso, boxes com o que havia de mais moderno, com amplos espaços para todas as escuderias, e todos os requisitos de segurança no traçado. Seriam características que a F-1 passaria a exigir praticamente de todas as novas pistas que tivessem intenção de ingressar no calendário da categoria, e isso praticamente limou as chances de vários circuitos que já haviam sediado GPs de voltarem a sediar corridas, como por exemplo Portugal, no Estoril, ou Jerez de La Fronteira, na Espanha.
            Com o governo bancando, Bernie Ecclestone não se fez de rogado, e vendo que dinheiro não era problema, as exigências para se sediar um novo GP foram crescendo sem parar, além da contratação obrigatória de Hermann Tilke projetar a pista. Como surgiram vários interessados de lá para cá em tentar entrar na brincadeira, Bernie sorriu de orelha a orelha, e os bolsos da FOM nunca se encheram tão rápido como desde então. Os times, claro, adoraram as estruturas novas que estiveram a dispor para eles nestas novas pistas, e alguns autódromos tiveram de se reformar, sob o risco de perder suas corridas. Ou se atendia ao novo “padrão” ou simplesmente podia-se pular fora. A resposta de Bernie era sempre a mesma, no estilo “se não quer atender às exigências, temos vários candidatos na fila que o farão...”
            Bom... O tempo passou, e este modus operandi de Ecclestone cansou vários destes candidatos que entraram na brincadeira e saíram rapidinho, devido à escalada dos custos. Turquia teve um excelente traçado, mas os turcos puxaram o carro devido aos prejuízos acumulados. Abu Dhabi segue porque os árabes têm dinheiro para jogar fora, mas o circuito tem um traçado horroroso, e o GP vale mais pelo visual da noite no deserto do que pela emoção da corrida. Mas os malaios viram que o custo já não compensa, e por isso, esta é a última prova. Nesse meio tempo, quem também veio e se foi foram Índia e Coréia do Sul, cujas pistas não empolgaram ninguém.
            Com fartas áreas de escape, que oferecem muito mais segurança que as antigas pistas, um dos destaques da arquitetura do autódromo é a cobertura das arquibancadas na reta oposta e reta dos boxes, oferecendo ampla cobertura a quem se senta ali, oferecendo uma bela e ampla vista das duas retas, separadas por uma curva em grampo, onde os pilotos sempre tentam ultrapassar seus adversários, ou no fim da reta dos boxes, onde há uma forte freada com curva bem mais aberta. Dependendo da largada, os pilotos costumam entrara fundo nesta primeira curva, onde podem construir uma ultrapassagem se conseguirem se manter nas tangências corretas. E sem errar na manobra, ou as vastas caixas de brita podem receber sem nenhuma cerimônia os pilotos mais afoitos nas manobras, e terminarem por lá mesmo sua corrida.
Praticamente junto à linha do Equador, as tradicionais chuvas tropicais costumam aparecer na corrida malaia. E há precisão de chuva novamente para o fim de semana de despedida do GP de F-1.
            Na maioria das vezes, é sempre triste quando um GP deixa o calendário da F-1. Claro, depende também do carisma da pista. Todo mundo sentiu a falta do GP da França, ausente há uma década no calendário da categoria máxima do automobilismo, mas ninguém sentiu saudades de Magny-Cours, pista travada e onde, fora do autódromo, não havia praticamente nada de atrativo ou relevante. Sepang certamente deixará saudades para vários fãs, pelo carisma que a pista possui, oriunda de um momento onde os circuitos da F-1 ainda não eram “pasteurizados” com características que na maioria das vezes castigam as provas, impedindo-as de atingirem potencial maior de disputa. Que possa retornar no futuro, um dia.


Com quatro vitórias, Sebastian Vettel é o piloto que mais venceu neste circuito de Kuala Lumpur, nas temporadas de 2010, 2011 e 2013 (competindo pela Red Bull), e em 2015 (defendendo aFerrari). Empatados na segunda posição, com três triunfos, estão Michael Schumacher, que venceu em 2000, 2001 e 2004 (sempre pela Ferrari) e Fernando Alonso, que chegou na frente em 2005 (competindo pela Renault), 2007 (defendendo a McLaren), e 2012 (guiando a Ferrari). Kimi Raikkonem venceu esta corrida em duas ocasiões: a primeira vitória veio em 2003, com a McLaren, e a segunda em 2008, agora na Ferrari. Os demais pilotos obtiveram apenas uma vitória, a saber: Eddie Irvinne (1999, Ferrari), Ralf Schumacher (2002, Williams), Giancarlo Fisichella (2006, Renault), Jenson Button (2009, Brawn), Lewis Hamilton (2014, Mercedes), e Daniel Ricciardo (2016, Red Bull). Michael Schumacher é o piloto que mais vezes largou na frente aqui, em 5 ocasiões (1999, 2000, 2001, 2002, e 2004), seguido por Lewis Hamilton, com 4 poles (2012, 2014, 2015, e 2016), vindo a seguir, empatados com duas poles cada um, Fernando Alonso (2003 e 2005), Sebastian Vettel (2011 e 2013), e Felipe Massa (2007 e 2008). Jenson Button (2009), Giancarlo Fisichella (2006), e Mark Webber (2010) completam a lista dos pole-positions desta prova.


No último GP em território malaio, o grid terá um nome nome: o francês Pierre Gasly ocupará um dos carros da Toro Rosso, sendo o novo companheiro de Carlos Sainz Jr. no time sediado em Faenza. A direção da escuderia retirou Daniil Kvyat da parada devido à falta de resultados do russo, e aos seus acidentes sofridos na temporada. Em Singapura, Daniil bateu sozinho, enquanto Sainz Jr. fazia sua melhor corrida na F-1 e terminava a corrida em um esplendoroso 4º lugar. Muitos davam como certa sua saída ao fim da temporada, mas ficavam as dúvidas sobre quem colocar no lugar, já que Gasly no momento é o único nome disponível que restou no programa de formação de pilotos da Red Bull, e em 2018, com os motores da Honda, em tese, ter dois pilotos completamente “virgens” no grid não seria uma boa idéia, haja a necessidade de desenvolver o propulsor nipônico. Pelo visto, a paciência com Kvyat acabou de vez, e Gasly terá as provas restantes do ano para mostrar do que é capaz e garantir a vaga na Toro Rosso em 2018... Ou ser mais um rifado na “queima” de pilotos que os austríacos tem promovido nos últimos anos. Gasly que se prepare para segurar um rojão bem complicado pela frente...

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – SETEMBRO DE 2017



            Pois é, o mês de setembro já está indo embora, e em outubro, iniciamos o último trimestre do ano. A Indycar encerrou sua temporada, enquanto outros campeonatos, como a F-1 e a MotoGP seguem firmes em suas disputas, com força total às corridas, com suas disputas pelo mundo afora, entre outras várias categorias. E todo fazemos todo fim de mês, é o momento de mais uma edição da Cotação Automobilística, fazendo uma avaliação do panorama geral de alguns dos últimos acontecimentos do mundo da velocidade, com minhas impressões e visão sobre os assuntos enfocados. Espero que todos possam apreciar o texto, que segue abaixo no esquema tradicional de sempre das avaliações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Uma boa leitura a todos, concordando ou não com minhas opiniões, e até a cotação do mês que vem...



EM ALTA:

Josef Newgarden: O piloto norte-americano já havia deixado sua marca na Indycar em 2016 ao ser um dos destaques do campeonato, mesmo competindo pelo time modesto de Ed Carpenter. Contratado por Roger Penske para substituir Juan Pablo Montoya, Josef vinha fazendo uma temporada bem satisfatória na primeira metade do campeonato, até vencer a prova de Toronto, e simplesmente desembestar com mais uma vitória em Mid-Ohio, e vencer outra corrida em Gateway, assumindo o status de favorito na luta pelo título. Uma pisada de bola em Watkins Glen encheu as esperanças dos concorrentes, mas em Sonoma, na prova final da competição, Newgarden foi logo marcando a pole, e mostrando que não ia deixar barato a luta pelo título, que conquistou com um segundo lugar porque o time o convenceu de que não precisava arriscar uma nova vitória na pista em um duelo potencialmente perigoso com Simon Pagenaud. E o americano chegou ao título com méritos: foi o piloto que mais venceu na temporada, com 4 triunfos, e ao contrário de Pagenaud, não precisou de um tempo de acomodação ao time da Penske, e foi logo campeão, e desde já, é o homem a ser batido na temporada de 2018. Os rivais que se preparem, porque o homem é decidido mesmo... Que o diga Pagenaud...

Equipe Penske: O time de Roger venceu mais um campeonato, e em 17 corridas, venceu nada menos do que 10. Josef Newgarden, o campeão, faturou 4 provas; Will Power venceu 3 corridas, enquanto Simon Pagenaud venceu outras duas, e Hélio Castro Neves faturou a corrida de Iowa. Apesar de no início da competição haver um certo favoritismo do pessoal da Honda, a Penske, principal time da Chevrolet, mostrou porque é a melhor escuderia da categoria, colocando todos os seus quatro pilotos nas primeiras cinco posições do campeonato, tendo apenas um piloto da Honda, Scott Dixon, para furar esse domínio. E a Chevrolet deve muito à Penske: foi o único time da marca a vencer corridas, enquanto todas as demais 7 provas, que acabaram vencidas pelo pessoal equipado pela Honda, diluiu-se em outros cinco times, sem que nenhum deles conseguisse mostrar domínio na competição. Para 2018, a adoção do novo kit universal promete emparelhar um pouco mais a disputa, mas falta alguém combinar com a Penske se isso vai se tornar realidade... E Roger não tem perspectiva alguma de deitar sobre os louros de mais uma vitória na competição...

Lewis Hamilton: O piloto inglês segue firme na luta pelo tetracampeonato, e conseguiu na pista de Singapura sua terceira vitória consecutiva no mundial de F-1. Por mais méritos que tenha tido nas vitórias na Bélgica e na Itália, Lewis acabou bafejado pela sorte na corrida noturna disputada nas ruas da cidade-estado do sudeste asiático, é verdade, mas aproveitou a chance e ampliou como nunca sua vantagem no campeonato, em uma prova onde ele tinha tudo para perder para Sebastian Vettel a liderança da competição, obtida em Monza. Mas o inglês, merecidamente, não está cantando vitória antes do tempo, e sabe que a vitória era algo que nem ele esperava, e por isso mesmo, precisa se dedicar com afinco para manter a dianteira nas corridas que faltam, e trabalhar para evitar sofrer um revés parecido, até pelo histórico de Sebastian Vettel em situações semelhantes quando estava na Red Bull e conseguiu reverter sua desvantagem. Mas fica cada vez mais forte a sensação de que teremos um novo tetracampeão na F-1 este ano, do que um novo pentacampeão...

Carlos Sainz Jr.: O piloto espanhol conseguiu o que desejava: irá pilotar para o time oficial da Renault em 2018, em um empréstimo ao time oficial francês. E ele comemorou em grande estilo em Singapura, fazendo sua melhor corrida até então naF-1, e terminando a prova em Marina Bay em 4º lugar, deixando Nico Hulkenberg bem para trás na classificação do campeonato, e se aproximando do francês Steban Ocon. Mas a liberação do espanhol só ocorreu devido à intrincada rodada de negociações para a Renault equipar a McLaren no próximo ano, ficando a Toro Rosso com os propulsores da Honda, que muito provavelmente poderão equipar a Red Bull em 2019. Mas, com perspectivas de um ano crítico da Toro Rosso em 2018, liberá-lo por empréstimo à Renault, um time maior e mais competitivo, deverá ser uma boa chance para Sainz mostrar efetivamente do que é capaz, e poder chamá-lo de volta em 2019, para o time principal da Red Bull, no caso da saída de Max Verstappen ou Daniel Ricciardo. E Carlos está mais do que fazendo por merecer a chance de poder guiar para um time teoricamente mais competitivo, enquanto no momento não há chance da Red Bull aproveitá-lo como se deve.

Marc Márquez: O tricampeão da equipe oficial da Honda partiu para o ataque nas duas últimas provas da MotoGp e conseguiu duas vitórias muito importantes em sua luta pelo tetracampeonato, desbancando o italiano Andrea Dovizioso, da Ducati, da liderança do campeonato, após este fazer duas provas conservadoras nos mesmos GPs. Márquez admitiu que correu riscos ao pilotar de forma agressiva nas duas etapas, mas valeu a pena, e apesar de ter tomado um tombo na classificação da corrida em Aragão, a “Formiga Atômica” fez uma corrida impecável para liderar uma dobradinha da escuderia nipônica e abrir vantagem na classificação em um momento decisivo da competição, restando apenas 4 provas para encerrar o mundial. É a volta do “velho” Marc Márquez, que detonava a tudo e a todos na pista? Os triunfos em Misano e Aragão foram suados, sem aquele domínio arrasador, mas igualmente válidos, e que mostram a força de Marc, cada vez mais favorito na luta pelo título da temporada. Resta saber de Andrea Dovizioso terá força para brecar o piloto espanhol, uma vez que a Yamaha parece estar fora de combate para se intrometer na disputa...



NA MESMA:

Hélio Castro Neves: O piloto brasileiro da equipe Penske fez uma boa temporada na Indycar em 2016, mas continua batendo na trave, e mais uma vez, ficou sem o tão sonhado título em sua 20ª temporada nas categorias Indy. Pior ainda foi ver outro companheiro de equipe, desta vez o novato no time, Josef Newgarden, ser campeão. Há18 anos competindo sob o comando de Roger Penske, Helinho já viu Gil de Ferran, Sam Horsnish Jr., Will Power, e Simon Pagenaud vencerem campeonatos com a Penske, enquanto ele tem no máximo vice-campeonatos. E este ano, sua atuação na prova de encerramento em Sonoma foi burocrática e conservadora demais para alguém que lutava pelo título, ao contrário de seu companheiro Pagenaud, que arriscou na estratégia e venceu a corrida, mesmo que isso não impedisse o título de Newgarden, mas que pelo menos fez o francês terminar o ano como vice-campeão. A se confirmar o boato de que Penske pretende remanejar o brasileiro para o seu time de endurance, Helinho deixará a Indy com o desgosto de nunca ter conseguido ser campeão mesmo competindo pelo melhor time da categoria, sempre dispondo na maior parte do tempo de um carro vencedor. Seu consolo é ter no currículo três triunfos na Indy500, o que não é pouca coisa, e poder sonhar em vencer novas edições da prova, uma vez que deverá continuar participando da corrida. Mas ficará uma sensação de serviço incompleto...

Max Verstappen: O piloto holandês vem tendo uma temporada abaixo da crítica, em termos de resultados. Se ele mostrou que continua extremamente veloz, por outro lado, andou se metendo em confusões, e sofrendo com problemas em seu carro, que por mais que o time jure que não se deve ao seu estilo de pilotagem, ainda dá o que pensar. Max tinha tudo para conseguir um bom resultado em Singapura, e por pouco não foi o pole-position, num claro sinal de superar a má fase que vem tendo na competição. Mas Verstappen, quando não corre atrás de alguma zica, parece que é a zica que corre atrás dele: o holandês da Red Bull acabou tocando em Kimi Raikkonem na largada, ao se ver fechado por Sebastian Vettel, e acabou dando origem a um incidente que acabou por tirar a ele e a dupla ferrarista da corrida. Claro que houve novamente aqueles que o acusaram pelo ocorrido, mas dessa vez ninguém fez besteira propriamente, tendo sido um incidente de corrida normal. Tanto que a FIA não puniu ninguém. Mas deve ter sido novamente um golpe duro para o jovem holandês ver novamente seu parceiro de equipe Daniel Ricciardo subir novamente ao pódio, em 2º lugar, e acabar empatado em pontos com Sérgio Perez na classificação, podendo ser superado pelo mexicano na próxima corrida, se esta fase permanecer. E Verstappen ainda ajuda a tumultuar um pouco o ambiente, que já não anda bom exatamente, ao afirmar que pode deixar a Red Bull em 2019, como se o time estivesse fazendo corpo mole em relação a melhorar o seu equipamento na competição...

Michael Schumacher: O estado de saúde do heptacampeão continua um mistério, e quase nada se sabe a respeito. O fato de ter surgido a notícia de sua possível transferência da Suíça para os Estados Unidos, onde passaria a se tratar com um especialista em lesões cerebrais, só indica que o estado do ex-piloto alemão teoricamente estancou, sem perspectivas de melhoras, e que suas condições infelizmente não são as mais encorajadoras. Só não dá para mensurar quão incapacitado Michael se encontra atualmente, e esta situação certamente é um martírio para sua legião de fãs, que com o passar do tempo terá de se dar conta de que seu ídolo, a grosso modo, se foi, e nunca mais voltará, mesmo que ele não tenha “morrido” oficialmente, porque na prática, é o que ocorreu de fato. Um dilema que deve estar sendo tremendamente pesaroso para sua família...

Disputa dos times LMP1 no Mundial de Endurance: Prestes a se despedir da categoria LMP1 do WEC, a Porsche está perto de conquistar mais um título na competição, após as vitórias do trio Brendon Hartley/Earl Bamber/Timo Bernhard, que venceram as etapas do México e dos Estados Unidos, abrindo 51 pontos de vantagem para os concorrentes mais próximos da Toyota, que parecem incapazes de dar luta ao time de Sttutgart em suas últimas provas no certame. Com apenas 3 provas ainda para fechar a competição, só um milagre pode fazer da Toyota campeã no único duelo que lhe interessa, pois competir em 2018, sem enfrentar outro time de fábrica à altura, não parece muito o gosto dos japoneses, que não conseguiram vencer em Le Mans, e caminham para ficarem como prêmio de consolação terem sido campeões apenas uma vez, em 2014, no WEC.

Valentino Rossi: O “Doutor” pode ter ficado de fora da disputa pelo título da MotoGP na prática em 2017, dada a sua desvantagem na pontuação para o líder Marc Márquez, e certamente, a fratura que sofreu na perna e o fez perder a etapa de San Marino foi decisiva para que piloto italiano da Yamaha tenha que adiar por mais um ano o sonho de voltar a ser novamente campeão da classe rainha do motociclismo. Mas quem é rei nunca perde a majestade, e mesmo forçando o seu retorno já na prova de Aragão, Rossi mostrou porque é um monstro do motociclismo, ao classificar-se na primeira fila, em 3º lugar, e duelando boa parte da corrida pela vitória, mesmo com as fortes dores na perna ainda em recuperação (tanto que usava uma muleta para andar nos boxes). No final, o desempenho levemente superior do time oficial da Honda foi mais forte que a determinação do piloto de Tavulia, que começou a perder rendimento pelo desgaste dos pneus, e também pelas dores na perna, finalizando a corrida em 5º lugar, um resultado assombroso para quem havia se acidentado apenas 23 dias antes. Com três semanas até a prova do Japão, Rossi deverá estar plenamente recuperado até lá, e com certeza mostrando na pista novamente o talento que o tornou um ícone mundial do motociclismo.



EM BAIXA:

Jolyon Palmer: O que muitos esperavam se concretizou: o piloto inglês foi dispensado pela Renault para a temporada de 2018. Curiosamente, a redenção na pista veio tarde, com Palmer marcando seus primeiros pontos em Singapura, quando já havia sido comunicado que não teria lugar no time francês na próxima temporada. Sua meta agora é tentar arrumar um lugar no grid para 2018, mas a situação vai ser meio complicada, e não é sua bela atuação em Marina Bay que irá convencer os donos das equipes que ainda possuem vagas em aberto para o próximo ano. Mas, como desgraça pouca é bobagem, ainda correm rumores de que Jolyon pode ficar a pé ainda este ano, podendo ser substituído por Carlos Sainz Jr. a partir de alguma prova entre as restantes do calendário da F-1.

Tony Kanaan: O piloto baiano deixa a Chip Ganassi com um quê de decepção, sem conseguir mostrar os resultados que esperava. Em quatro anos competindo pelo time do velho Chip, Tony sempre acabou ficando bem para trás em relação a Scott Dixon, que inclusive ganhou o campeonato de 2015 enquanto o brasileiro foi o 8º colocado na classificação naquele ano. Seu melhor campeonato no time foi em 2016, onde terminou em 7º no campeonato, mas apenas 16 pontos atrás de Dixon, que foi o 6º colocado. Neste ano, enquanto Scott foi o 3º colocado, com 621 pontos, Tony terminou em 10º lugar, com 403 pontos. O clima infelizmente azedou com o time, e Kanaan buscará sua recuperação em 2018 no time da Foyt, que este ano teve uma performance bem fraca. Depois de brilhar na KV após sair do time da Andretti, esperava-se que Tony voltasse com tudo à disputa do título, mas o melhor que conseguiu foi uma única vitória em Fontana em 2014, muito pouco para suas pretensões de melhores resultados.

Felipe Massa: O piloto brasileiro tem enfrentado problemas com a queda de performance acentuada da Williams nas últimas corridas, mas infelizmente Felipe também não tem ajudado muito nas oportunidades que surgiram recentemente de obter melhores resultados. Como consequência disso, Massa terminou atrás de seu parceiro Lance Stroll na Itália, e cometeu um dos erros mais crassos da temporada quando insistiu em se manter na pista em Singapura com pneus de chuva forte quando todos os demais pilotos já utilizavam compostos intermediários. A falta de tato com os pneus comprometeu qualquer possibilidade de pontuar, o que Stroll conseguiu, e agora se encontra bem próximo do brasileiro na pontuação do campeonato. Com interesse em permanecer na Williams para a próxima temporada, Felipe tem de evitar estes erros e mostrar ser de importância fundamental para a escuderia inglesa, o que desempenhou bem no início do ano, mas depois, com a queda de performance, começou também a não conseguir mais mostrar o mesmo desempenho frente a seu companheiro de equipe, que vem crescendo de produção, enquanto o brasileiro parece ter estagnado. Nesse ritmo, só o conservadorismo da Williams e sua intimidade para com o brasileiro garantirão sua permanência em 2018, o que pode ser muito pouco...

Daniil Kvyat: Depois de ser “rebaixado” para a Toro Rosso no ano passado, o piloto russo não foi mais o mesmo na F-1, e este ano continuava a fazer uma temporada apagada na escuderia B dos energéticos, sem conseguir incomodar Carlos Sainz Jr., ou obter resultados mais vistosos como os do espanhol. E o calvário finalmente se completou esta semana, com o anúncio de sua substituição pelo francês Pierre Gasly, que já assume o seu cockpit na próxima corrida, na Malásia. A esperança de Daniil era que, com a parceria da Toro Rosso com a Honda em 2018 poderia acabar impondo um piloto oriental na escuderia, para evitar perder as referências, eles teriam, em tese, de manter Kvyat como titular, não podendo correr o risco de terem uma dupla completamente “virgem” na F-1, ainda mais competindo com um motor que ainda não mostrou a que veio na F-1. Infelizmente a paciência da escuderia chegou ao fim antes que o russo esperava, e até mesmo com justa causa, em virtude não apenas de sua falta de resultados, como também dos acidentes em que se envolveu durante este ano nas corridas......

Honda na F-1: A montadora japonesa conseguiu se manter na F-1 em 2018, mas às custas de uma negociação complicada, e sendo empurrada praticamente goela abaixo para equipar um time com vistas a ser unicamente “bucha de canhão” para o desenvolvimento durante o campeonato do próximo ano da unidade de potência nipônica. O ponto positivo é que, sem a pressão de um time grande, o trabalho de desenvolvimento deve fluir melhor na Toro Rosso. O ponto negativo é que o bólido do time italiano não deve permitir vôos muito altos para a escuderia, portanto, os japoneses que não tenham expectativas demasiado elevadas para o próximo campeonato. Por outro lado, se tudo correr bem, e o desenvolvimento vier de fato, os propulsores da Honda poderão equipar a Red Bull em 2019, fazendo os nipônicos ganharem outro time de ponta para tentarem enfim voltar a brilhar na F-1. A teoria parece boa, mas é a prática que está deixando todo mundo preocupado. Caso contrário, a Toro Rosso teria aceitado receber as unidades japonesas de braços abertos, e não por imposição de sua proprietária, a Red Bull. E pensar que há pouco mais de 25 anos atrás, todo mundo queria ter os motores da Honda...