quarta-feira, 10 de setembro de 2014

ARQUIVO PISTA & BOX - FEVEREIRO DE 1997 - 28.02.1997



            Voltando com a seção Arquivo, trago hoje minha coluna do dia 28 de fevereiro de 1997, onde o assunto em pauta era a maratona que é cobrir um campeonato mundial, e as peripécias que jornalistas passam para levar a notícia das provas até os leitores do mundo todo. Logicamente a tecnologia mudou muito nestes últimos tempos, e hoje a internet é tanto uma aliada quanto uma dor de cabeça: se por um lado tornou-se mais prático e rápido enviar arquivos para qualquer parte do mundo, a difusão de notícias a torto e a direito, muitas vezes sem comprovação de confirmação, ajudam a espalhar muita coisa que não tem credibilidade. A informação ficou mais democrática, e em diversos lugares, a net hoje ajuda muitos a conseguirem também as notícias que dificilmente seriam viáveis por outros meios.
            Mas o trabalho, tanto naqueles tempos quanto hoje em dia, continua duro e por vezes, tremendamente complicado. A F-1 também ficou muito mais insossa e cheia de mimimis, e isso também se reflete no contato dos profissionais do meio com a imprensa. No campo técnico, houve grandes melhorias, já no humano, a situação é bem mais difícil, pra não falar de certas burocracias, um monstro que o homem inventou que sempre parece crescer cada vez mais. Fiquem agora com o texto, e boa leitura. Em breve, tem mais textos antigos por aqui...


A MARATONA DO MUNDIAL

            Está para começar mais um Campeonato Mundial de Fórmula 1. Um campeonato cansativo e duro para pilotos e equipes. Mas não são apenas eles que dão duro no trabalho durante todas as etapas do certame. Para a imprensa, a parada também é dura e desgastante. Como é um campeonato mundial, é hora de pôr o pé na estrada e partir para os mais variados lugares do planeta. A primeira parada é em Melbourne, na Austrália, onde teremos a prova inicial do campeonato. Além da viagem, é preciso reservar tudo com antecedência: passagens, reservas em hotéis, acertar os detalhes das credenciais, vistos e passaportes, etc. Deixar para fazer isso no último momento significa muitas dores de cabeça e perda de tempo com a burocracia, que não é pouca.
            Para a imprensa especializada, o problema das credenciais é mais fácil de ser resolvido, mas mesmo assim a papelada cansa muita gente. São diversos documentos a serem assinados até conseguir a credencial para entrar na área dos boxes e demais dependências restritas dos autódromos. Uma vez resolvida a questão de toda a burocracia esportiva, é hora de arregaçar as mangas e partir para o trabalho.
            E tome trabalho. O ritmo dos repórteres muitas vezes tem de acompanhar os eventos na mesma velocidade com que um carro de F-1 percorre o traçado dos circuitos. Cobrir um Grande Prêmio não se resume a ficar na sala de imprensa assistindo o movimento e recebendo as cronometragens dos carros. É preciso sair a campo e garimpar os acontecimentos, o que nem sempre é fácil. No fechado círculo da F-1 hoje em dia ninguém se abre com ninguém, a não ser que seja de total confiança, e também é preciso faro para encontrar a verdade, nem sempre aberta, mas escondida nas entrelinhas de comunicados, entrevistas e declarações. Isso sem falar na boataria que corre solta nos bastidores de cada corrida, com informações que vão das mais elaboradas hipóteses até as mais absurdas e inverossímeis.
            Cada fim de semana de GP é feito em ritmo de trabalho praticamente integral. Os acontecimentos não se restringem somente ao que ocorre na pista, mas também aos eventos sociais que são promovidos durante a semana de realização do GP. Todos têm de ser acompanhados com atenção tanto quanto possível. E geralmente sempre acontece algo de interessante nestas ocasiões.
            O trabalho também varia. De acordo com o profissional, ele pode atuar em várias áreas, distintas ou comuns. Há fotógrafos, jornalistas e repórteres trabalhando todos ao mesmo tempo. Fotógrafos têm de escolher os melhores locais para se posicionarem e obter as melhores imagens da corrida. Repórteres relatam os eventos em textos. E há quem relate os eventos e fotografe também, o que significa muito mais trabalho. E os prazos urgem nesse ramo.
            Para quem trabalha em jornal, o prazo é curto. Todo o material tem de estar pronto para ser publicado na edição do dia seguinte, e a matéria tem de ser entregue até a hora de se fechar a edição. Quando se trata de revistas especializadas, o prazo é um pouco maior, e permite relacionar melhor os eventos e diagramar melhor os fatos. Mas mesmo assim o ritmo de trabalho é bem puxado.
            É inegável que hoje as condições de trabalho são infinitamente melhores do que há muitos anos atrás. As salas de imprensa nos autódromos são equipadas com dispositivos de ponta em comunicação: faxes, fotocopiadoras, computadores, etc, todos permitindo ligações on-line, via satélite, com as redações, seja em qual parte do mundo estiverem. No caso do pessoal da TV, as coisas também ficaram mais fáceis, com inúmeros equipamentos que permitem melhores qualidades de reportagem com o mínimo de estorvo e desconforto. Para os fotógrafos, nada a preocupar: desde há inúmeros GPs, a FOTA (Associação dos Fotógrafos de Grandes Prêmios) garante em cada GP a provisão de um laboratório digital para revelação fotográfica, ao mesmo tempo que garante fornecimento de materiais fotográficos aos profissionais. Se isso facilita o trabalho da imprensa especializada, por outro lado também ajuda a aumentar o grau de exigência do profissional, que por ter mais tempo disponível, teoricamente deve conseguir mais notícias, uma vez que antigamente, o tempo dispendido na transmissão das matérias era muito maior do que nos dias de hoje.
            Esta é a maratona vivida pela imprensa em cada GP da F-1. É um trabalho árduo e exigente, tal como o dos pilotos e suas equipes. Mas é um trabalho realizado por gente que ama o automobilismo, em sua maioria. Geralmente o profissional de imprensa é um aficcionado pelo automobilismo. E esta paixão pelo meio ajuda sobretudo a enfrentar as dificuldades da profissão com paciência e dedicação.


Vai começar o círculo da velocidade: neste domingo, às 15h30 (hora de Brasília), a F-CART dá a largada para o seu campeonato de 1997, no circuito de Homestead, em Miami, na Flórida. Depois dos inúmeros testes desde o fim do último campeonato, só há uma certeza: a equipe Ganassi ainda será o time a ser batido. Alessandro Zanardi e Jimmy Vasser largam como favoritos para a conquista do título deste ano, com especial destaque para o piloto italiano, que deixou todos para trás nos testes de Laguna Seca, há cerca de duas semanas. Verdade ou não, a concorrência está disposta a acabar com o favoritismo da Ganassi. E candidatos não faltam para a briga: Maurício Gugelmim, Michael Andretti, Christian Fittipaldi, Al Unser Jr., Paul Tracy, Bobby Rahal, André Ribeiro, Gil de Ferran, etc. Da brigada brasileira, as melhores fichas estão com Maurício Gugelmim. André Ribeiro e Gil de Ferran ainda não conseguiram acertar a fundo seus novos carros 97. Já Christian Fittipaldi confia no potencial do novo chassi Swift, cuja performance, apesar dos bons tempos obtidos até aqui na pré-temporada, ainda é uma incógnita. Enquanto isso, Roberto Moreno tenta um ano melhor do que o de 96, contando com um equipamento de melhor nível; e Guálter Salles tentará fazer o possível com o carro de 96, já que a equipe Davis não conseguiu receber o chassi 97 da Reynard, o que pode comprometer boa parte da performance que era esperada pela mais nova fera brasileira no circo. A transmissão para o Brasil será feita pela TVS/SBT. A narração fica por conta de Téo José, com reportagens de Luiz Carlos Azenha, e comentários de Dedê Gomes. Para este ano, as cotas publicitárias da F-CART na TVS/SBT foram adquiridas pela Philco, Brahma, Ford e Texaco. E, só para constar, a emissora está anunciando o campeonato da categoria como “CART – FÓRMULA MUNDIAL”. Vai ser dada a largada! É hora de acelerar os motores e começar a torcida. Que venha a bandeira verde...
 


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

E A PENSKE SAI DA FILA; WLL POWER FINALMENTE DESENCANTA


Tim Cindric, Will Power (ao centro), e Roger Penske: acabando com o jejum de títulos da escuderia desde 2006 e com o australiano finalmente conquistando o campeonato na Indy Racing League.

            Depois de bater na trave nas últimas temporadas, Roger Penske enfim pode comemorar novamente um título. No sábado passado, seu time conquistou pela segunda vez o campeonato da Indy Racing League, categoria que passou a disputar desde 2002, e que até então tinha vencido apenas em 2006, com o piloto americano Sam Hornish Jr. Agora, a conquista foi com o australiano Will Power, que assim como o time, vinha batendo na trave nas últimas temporadas, criando a fama de pé frio nas decisões de última etapa, por perder sempre para os concorrentes.
            O trabalho de Power, contudo, por pouco não ficou mais complicado do que já parecia inicialmente. Uma punição a Hélio Castro Neves por cruzar a linha branca na parte final da corrida jogou o brasileiro, que largara na pole e vinha se mantendo sempre entre os primeiros colocados, para o meio do pelotão, sem chances de impedir a conquista do título por parte do parceiro. Power, por sua vez, largara na última fila, com problemas na classificação, mas em se tratando de uma prova de 500 milhas, como era a etapa final do campeonato, em Fontana, aliado ao fato de a pontuação ser dobrada, tudo podia acontecer, e nem mesmo os 50 pontos de vantagem para Helinho eram garantia de favoritismo.
            O grid, aliás, certamente trazia o fantasma da derrota vivenciado nas temporadas de 2010, 2011, e 2012, quando o australiano chegou para a etapa final com boa vantagem, e acabou, nas 3 ocasiões, sucumbindo aos rivais, em derrotas que pareciam impossíveis. Com Hélio, o único rival real no campeonato, largando na frente, parecia que o cenário iria se repetir. Mas, com mais experiência, e mantendo-se longe de qualquer encrenca na pista - que aliás a etapa de Fontana praticamente não teve, Power chegou a subir para a liderança na segunda metade da corrida, e mesmo que Hélio vencesse, estaria garantindo o título sem riscos e por uma larga margem. Mas, após a última parada de box, seu carro passou a perder rendimento, de modo que ele acabou em um até modesto 9° lugar. Mas se Hélio não tivesse cometido o erro que causou sua penalização, poderia ser o brasileiro a estar comemorando o título, enquanto Power estaria amargando o 4° vice-campeonato em 5 temporadas.
            Para Roger Penske, a temporada 2014 foi a redenção de seu time, que apesar de nunca ter estado longe da luta pelo título nos últimos anos, vinha amargando um jejum incômodo de vice-campeonatos para quem possui a maior escuderia da competição. Apesar do ano ter sido bem equilibrado em termos de pilotos vencedores, a Penske foi o time com maior número de vitórias - 5, e seus pilotos se mantiveram quase sempre entre os primeiros nos resultados das corridas ou quando isso não aconteceu, trataram de pontuar sempre dentro do Top-10. Essa constância, aliada ao fato dos concorrentes digladiarem-se entre si, pulverizando os resultados, ajudou na conquista do campeonato. E, diferente do que ocorrera nas últimas temporadas, os principais favoritos ao título na etapa final deste ano eram dois de seus pilotos, enquanto o único que ainda tinha chances de título de um time rival, Simon Pagenaud, só levaria o campeonato por um milagre imenso. Ia dar Will ou Hélio, e desde sempre Roger enfatizou que não havia ninguém "escolhido" para ser o campeão, procurando demonstrar que não haveria nenhuma ordem de equipe para manobrar a corrida de ambos. Venceria quem fosse o melhor. Deu Power.
            Outro motivo de orgulho para Roger Penske foi sua aposta em Juan Pablo Montoya. O colombiano deixou a Nascar, após competir por várias temporadas, com a moral em baixa, com perspectiva até de encerrar a carreira por falta de opções para competir este ano. Mas foi só Michael Andretti abrir negociações para tentar contratar Montoya para seu time que Penske foi mais rápido no gatilho e assegurou um lugar para o colombiano em seu time para 2014. Com uma Ganassi que havia perdido Dario Franchiti, mas se reforçava com a presença de Tony Kanaan, reconhecido com um dos pilotos mais combativos e técnicos do grid, era preciso reforçar a aposta para 2014. Mas ficava a dúvida se Montoya, que não competia em monopostos desde que deixou a F-1 em 2006, voltaria exibindo a velha forma que mostrou na Ganassi na finada Fórmula Indy, onde foi campeão em 1999. Juan Pablo realmente começou deixando a desejar nas primeiras corridas, mas conforme o campeonato avançava, o piloto ia se acostumando mais ao carro e à dinâmica da competição, e mostrou que ainda tem o que mostrar. Seu ponto alto foi a vitória nas 500 Milhas de Pocono, e por pouco Montoya não terminou o campeonato em 3° lugar. Ficou em 4°. O "intrometido" foi Scott Dixon, que finalizou o ano em 3° lugar. Assim, Roger Penske conseguiu o resultado "quase" perfeito de ter seus 3 pilotos nas 4 primeiras posições do campeonato.
            Mas quem finalmente tirou um peso das costas foi Power. O australiano havia iniciado sua carreira na América do Norte ainda na finada Fórmula Indy, tendo estreado em 2005 na equipe Walker, onde disputou apenas duas corridas. Naquele ano, Will ainda disputava a World Series by, Renault pela equipe Carlin, e também a A1GP, defendendo o time de seu país. Só em 2006 ele entraria de vez na Fórmula Indy, competindo por todo o campeonato, defendendo a escuderia de Derrick Walker, finalizando a competição em 6° lugar. No ano seguinte, ele venceria suas primeiras corridas na categoria, em Las Vegas e Toronto, terminando o ano em 4° lugar. Com a extinção da Fórmula Indy no início de 2008, Power ainda venceu a última corrida daquele certame, em Long Beach. No mesmo ano, ingressou na Indy Racing League, defendendo a KV Racing, onde fez todo o campeonato, terminando em 12° colocado.
            Em 2009, com os problemas judiciais junto ao fisco americano que ameaçaram mandar Hélio Castro Neves para a cadeia, Roger Penske contratou o australiano para ocupar o lugar do brasileiro até que este terminasse de enfrentar seu julgamento. Will participou normalmente da primeira corrida, em São Petesburgo, mas em Long Beach, Hélio já estava de volta, livre da justiça americana, que o inocentou. Como Power já tinha iniciado os treinos com o time, ele ainda participou da corrida em um carro extra, e o bom desempenho do piloto lhe garantiu a participação em mais algumas corridas da temporada. Em Sonoma, entretanto, o piloto foi vítima de um forte acidente que inviabilizou sua participação pelo restante do ano. Mas, para 2010, estava garantido na Penske como titular em tempo integral, substituindo Ryan Briscoe.
            A estréia como titular integral na Penske foi arrasadora: Power venceu as duas primeiras provas da temporada, e passava a ser o homem a ser batido nas pistas mistas e urbanas. Foram 5 vitórias na temporada, mas seu desempenho nos circuitos ovais foram seu calcanhar de Aquiles, e perdeu a decisão final, em Homestead, para Dario Franchiti, da Chip Ganassi. Em 2011, de novo Power parecia imbatível nas pistas não-ovais, vencendo nada menos do que 6 corridas, sendo uma delas em circuito oval - Texas. Nova decisão, e nova derrota, agora em Las Vegas, pelo cancelamento da corrida após a morte de Dan Wheldon no pavoroso acidente que envolveu a maioria dos competidores naquela prova. O título, novamente, ficou com Dario Franchiti. Em 2012, o australiano novamente começou arrasando, com 3 vitórias consecutivas, mas foi perdendo o domínio esmagador que parecia exercer nos circuitos mistos e urbanos. Mas foi para uma nova decisão de título, agora em Fontana, e pela terceira temporada consecutiva, ficava com o segundo lugar no campeonato, perdendo agora o título para Ryan Hunter-Reay, da Andretti Autosport.
            No ano passado, o australiano começou o campeonato praticamente irreconhecível, cometendo erros diversos e sem conseguir mostrar a performance dos anos anteriores. Hélio Castro Neves, que havia ficado à sombra de Power no time nas temporadas anteriores, é quem disputava o título agora para a Penske. O australiano só foi se reencontrar na segunda metade do campeonato, e com 3 vitórias - a última dela, na pista oval de Fontana, terminou o ano em 4° lugar. Neste ano, mais experiente, começou o ano com vitória, e passou a fazer uso melhor da constância de resultados, travando um duelo até renhido com Hélio, e finalmente chegou ao título.
            Sem o peso das derrotas em anos anteriores, Power tem tudo para vir ainda mais forte em 2015, procurando o bicampeonato. Mas a parada dentro da própria Penske, que pela primeira vez em sua história usará os números 1, 2 e 3 em seus carros, promete ser duríssima: Hélio, apesar da derrota pelo segundo ano consecutivo, já mira a próxima temporada, onde continuará defendendo a Penske, e Juan Pablo Montoya, já plenamente adaptado à categoria, não vai querer ficar na sombra dos companheiros de time. E não se pode esquecer dos concorrentes, que tem suas próprias idéias. Quem viver, verá...
            Mas, por hora, é o momento de Roger Penske e seus comandados comemorarem como nunca, e com muito merecimento...


Eles ainda podem sorrir juntos, mas o clima de camaradagem foi para o espaço. A ordem da Mercedes é apenas uma: não bater um no outro. Conseguirão cumpri-la?
A Fórmula chegou a Monza com os bastidores ainda fervilhando de especulações sobre o toque ocorrido em Spa-Francorchamps entre a dupla da equipe Mercedes, Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Em nova reunião realizada semana passada, a direção da escuderia alemã reafirmou seu objetivo de manter a luta entre seus pilotos totalmente liberada na pista, sem as famigeradas ordens de equipe. Ficou claro, contudo, que ambos os pilotos levaram uma chamada de atenção daquelas, e que terão de obedecer a única regra que desde o início do ano o time sempre fez questão de enfatizar: não baterem ou tocarem um no outro nas corridas. Tanto Hamilton quanto Rosberg deram declarações "comportadas" depois disso, em consonância com as diretrizes do time, mas que ninguém se iluda: o clima dentro da escuderia continua pesado, e muitos apostam que não vai demorar muito até termos um novo incidente, que para alguns, pode ocorrer aqui mesmo em Monza. A pista italiana é a mais veloz do mundial, com longas retas que devem favorecer, mais do que nunca, os motores da Mercedes. Graças à potência dos motores turbos, que é despejada mais rápido, todos apostam que as velocidades de ponta na pista devem bater novos recordes, superando a marca dos 370 Km/h. Em Spa-Francorchamps, a Red Bull surpreendeu a todos com o uso de uma asa traseira minúscula, que ajudava seu carro a ter uma velocidade de reta até maior que a da Williams, tida como mais forte neste quesito, mas em Monza todos os times costumam usar asas mínimas, para maximizar as velocidades de reta, uma vez que as curvas e chicanes são poucas, e isso pode neutralizar o ganho obtido pelo time dos energéticos com sua nova asa. O percentual de aceleração dos motores também é bem mais elevado que Spa, sendo as unidades levadas ao limite por um tempo ainda maior. Com 29 pontos de vantagem na liderança, Nico Rosberg não sai daqui sem perder a liderança, mas certamente pode querer tentar concluir o fim de semana sem causar problemas para não ficar novamente como o "vilão" da história. Para Hamilton, é tudo ou nada, e o piloto inglês sabe que, se quiser ser campeão, terá de vencer ou vencer. E, depois de finalmente ter saído como "vítima" na prova belga, espera-se que não tumultue o ambiente no time, que teoricamente está pendendo no momento a seu favor. Mas claro que isso é apenas especulação: para alguns, Nico e Lewis podem até falar tudo ensaiado, mas nenhum deles vai querer ficar atrás do outro em nenhum momento. Resta saber se irão se controlar, como fizeram no espetacular duelo travado na etapa do Bahrein, ou se irão partir para o tudo ou nada e dane-se o restante. Na coletiva de imprensa desta quinta-feira, deu para notar o clima "gelado" entre a dupla da Mercedes, e ver que o relacionamento de ambos não é mais o mesmo. Claro que juraram que o clima dentro do time não está ruim, etc e tal, mas duvido que a maioria do resto do pessoal na sala tenha acreditado nisso...


A curva Parabólica ganhou asfalto em parte de sua área de escape. Estava demorando para acontecer... Dizem que foi solicitação dos pilotos. Isso está definitivamente perdendo a graça...


Hélio Castro Neves pode ter perdido o título da temporada 2014 da IRL, mas pelo menos a vitória na etapa final em Fontana foi brasileira: Tony Kanaan encerrou sua primeira temporada competindo pela Ganassi com uma vitória para lavar a alma no California Speedway. Depois de bater na trave em várias corridas na segunda metade do campeonato, e perder oportunidades potenciais em outras etapas por problemas alheios a se controle, Tony não deu chance para o azar na corrida final, e comandou uma bela dobradinha de seu time, com Scott Dixon em 2° lugar. Com o resultado, Kanaan terminou a competição em 7° lugar, com 544 pontos. Dixon, com duas vitórias no ano, foi 3° colocado, com 604, mas o brasileiro não se incomoda em ter terminado o ano atrás do companheiro de equipe. Sabe que teve resultados abaixo do esperado pela sua adaptação ao novo time, e que assim que encaixou todos os pormenores, andou sempre no mesmo nível e até à frente de Dixon. O neozelandês, tricampeão da categoria, pode se preparar, que o piloto baiano virá com tudo em 2015...

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

FLYING LAPS - AGOSTO DE 2014



            E setembro já chegou. O ano parece estar andando tão rápido quanto os carros na pista em suas corridas nas várias categorias existentes no mundo todo. E todo início de mês tem o espaço das notas rápidas sobre alguns dos acontecimentos ocorridos no mês anterior e que não foram mencionados nas colunas regulares. Portanto, é hora de mais uma sessão Flying Laps, com várias anotações de alguns momentos do mundo da velocidade. Uma boa leitura a todos, e até a próxima sessão no mês que vem...


Encerrou-se a edição 2014 do Rali dos Sertões. A competição desse ano teve 7 dias de disputa, entre os dias 23 e 30 de agosto. A largada foi em Goiânia, capital do Estado de Goiás, com a chegada, no dia 30, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. No percurso, os competidores passaram por Caldas Novas, Catalão, Paracatu, São Francisco, e Diamantina, antes de chegarem à Belo Horizonte. Mais de 120 participantes estiveram presentes na edição deste ano, e a competição teve os seguintes vencedores: Marc Coma (motos), Robert Nahas (quadriciclos), Vinicius Mota e Rafael Shimuk (UTVs), Guiga Spinelli e Youssef Haddad (carros), e o trio Edu Piano/Solon Mendes/Antonio Sales (caminhões).


A Hyundai foi a vencedora do Rali da Alemanha de 2014. O belga Thierry Neuville faturou a competição, aproveitando-se dos azares dos pilotos da equipe da Volkswagen, Sebastién Ogier e Jari-Matti Latvala. O resultado, entretanto, pouco muda o panorama do campeonato, amplamente dominado até aqui pela dupla da Volkswagen, que segue firme e longe na liderança da competição. O maior derrotado, aliás, foi justamente Latvala, que tentava aproveitar a chance de diminuir sua desvantagem para seu companheiro de equipe, Ogier, quando acabou se acidentando também com seu carro. Ogier continua com 187 pontos, enquanto Latvala segue com 143. O finlandês havia obtido uma vitória suada em cima do companheiro Ogier na etapa anterior, disputada justamente em sua terra natal, a Finlândia. Com o abandono de Ogier logo no primeiro dia de competições na prova alemã, Latvala certamente achou que a sorte estava lhe sorrindo numa possível reação no campeonato, para embolar a briga com Sebastién. Mas provas off-road costumam ser cheias de surpresas, e quem acabou faturando foi a equipe da Hyundai, que conquistou a primeira vitória não-Volkswagen do atual campeonato. Com a vitória na etapa germânica, Thierry Neuville empatou com o finlandês Miko Hirvonen, ambos com 73 pontos.


E Robert Kubica parece que anda gostando de se envolver em acidentes com seu carro no Mundial de Rali. O piloto polonês acabou vendo o mundo novamente de ponta cabeça tanto nas etapas da Finlândia quanto da Alemanha. Os estragos no carro, nestas ocasiões, foram leves, mas fortes o suficiente para acabarem com quaisquer pretensões de um bom resultado em ambas as etapas. O melhor de tudo é que Kubica felizmente não tem se machucado com estes percalços. Mas a melhor notícia mesmo para Robert é que seu nome é considerado para ser um dos titulares da equipe Citroen para a próxima temporada. Segundo rumores no meio, o norueguês Mads Ostberg não estaria agradando à direção da escuderia, que já estaria sondando possíveis nomes para substituí-lo no próximo ano. E Kubica, em que pese parecer estar dando mais voltas em torno de si do que nos traçados das etapas, é levado em alta consideração por parte da marca francesa. Um reconhecimento à grande capacidade de Kubica, que depois de seu fortíssimo acidente há alguns anos, teve de encerrar sua carreira na F-1, mas mostrou nos ralis que seu grande talento de piloto continua intacto. Mas, pelo sim, pelo não, melhor a Citroen reforçar seu time de mecânicos e o seguro de seus carros, caso efetive a contratação do polonês, só por garantia...


E a hegemonia de Marc Márquez na MotoGP sofreu um abalo momentâneo na corrida da República Tcheca, disputada no autódromo de Brno. O atual campeão teve seu pior momento na temporada atual, e depois de alguns pegas acirrados na etapa, acabou terminando a prova "apenas" na 4ª colocação, sendo a primeira prova fora do pódio que o espanhol termina desde a etapa da Austrália, no ano passado, quando foi desclassificado por trocar de moto fora do intervalo permitido. Mas a vitória na etapa ainda foi da equipe oficial da Honda: Dani Pedrosa, que vinha tendo uma temporada apenas morna e à sombra do parceiro campeão de equipe, voltou a brilhar, e depois de bons pegas com a dupla da Yamaha, conquistou sua primeira vitória no ano, e a primeira desde a prova da Malásia do ano passado. Mesmo assim, Pedrosa teve de dar duro para voltar ao degrau mais alto do pódio, pois foi perseguido incansavelmente por Jorge Lorenzo até a bandeirada final, com uma diferença de apenas 0s4 para o piloto da Yamaha. Valentino Rossi completou o pódio, logo atrás.


Quem achava que 10 vitórias já estava de bom tamanho para o atual campeão da MotoGP sinceramente não conhece o apetite de Marc Márquez por vitórias. E a "Formiga Atômica" tratou de mostrar, na etapa de Silverstone, que o "mau" resultado em Brno foi apenas ocasional. Márquez travou novamente um duelo renhido com Jorge Lorenzo, e conquistou na Inglaterra sua 11ª vitória na temporada, igualando a marca de Valentino Rossi obtida em 2005, quando o "Doutor" foi campeão com 11 triunfos. A Lorenzo restou novamente o 2° lugar, depois de outra corrida onde deu tudo por tudo, e não conseguiu impedir nova vitória da rival Honda. E, tal como em Brno, Valentino Rossi fechou novamente o pódio, mantendo-se firme na cola de Dani Pedrosa na classificação do campeonato. Pedrosa, aliás, bem que tentou repetir o desempenho da etapa da República Tcheca, mas desta vez foi ele quem ficou de fora do pódio. O Mundial da MotoGP ainda tem 6 etapas até o final do campeonato, com a próxima etapa marcada para o dia 14 de setembro, no circuito italiano de Misano. Mas a distância que Márquez vai abrindo dos concorrentes é cada vez maior: com 288 pontos, Marc tem nada menos do que 89 pontos de vantagem para Dani Pedrosa, com 199. Este, por sua vez, vem sendo impiedosamente perseguido por Rossi, que vem logo atrás com 189 pontos. Ainda se recuperando a primeira metade da temporada, quando teve um desempenho abaixo da média, Jorge Lorenzo firmou-se na 4ª colocação, com 157 pontos.


O retrospecto de Marc Márquez na MotoGP, onde estreou no ano passado, é quase impecável: em apenas 3 corridas o jovem espanhol deixou de subir ao pódio. Em 2013, ele ficou sem ir ao pódio nas etapas de Mugello e Phillip Island, enquanto neste ano, esteve ausente em Brno. Em 30 corridas disputadas até a corrida de Silverstone, foram nada menos do que 17 vitórias. Alguém será capaz de deter o jovem campeão espanhol, que rumo inclemente para o bicampeonato? Quem se candidata...?


O campeonato da Stock Car está ficando bem embolado, com nada menos do que 9 pilotos diferentes vencendo corridas no campeonato deste ano. Após as etapas de Cascavel e Curitiba, ambas disputadas no esquema de rodadas duplas, a liderança da competição está com o piloto Átila Abreu, com 119,5 pontos. Rubens Barrichello, depois de faturar a Corrida do Milhão, em Goiânia, ainda venceu outra prova em Cascavel, e subiu novamente ao pódio em uma das provas de Curitiba, assumindo a vice-liderança da competição, com 113 pontos. E logo atrás do recordista de participações da F-1 vem Sérgio Gimenez, com 109 pontos. Cacá Bueno é o 4° colocado na competição, com 100 pontos, à frente de Júlio Campos, com 98,5 pontos. Praticamente empatado com Campos está Valdeno Brito, com 98 pontos. Seguem Thiago Camilo (94 pontos), Marcus Gomes (91), Antônio Pizzonia (79,5) e Ricardo Mauricio (75,5), fechando os 10 primeiros colocados no campeonato. Ainda tem mais 5 etapas no campeonato, todas em rodadas duplas, e a próxima é no dia 14 de setembro, no circuito de Velopark. Depois, no dia 28, a Stock estará em Santa Cruz do Sul. A categoria fica de molho durante o mês de outubro, retornando apenas em novembro para as etapas finais em Tarumã (dia 02), Salvador (dia 15), e Curitiba (dia 30).


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

AZEDOU!


Premeditada ou não a batida, não foram apenas estilhaços que voaram do toque entre os carros das Mercedes. Ali uma amizade azedou, e o clima na equipe vai pelo mesmo caminho. Agora pode ser guerra declarada mesmo entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg pelo título...

            Quem esperava um novo passeio da equipe Mercedes no retorno da Fórmula depois das "férias" de agosto, certamente ficou surpreso com o que se passou no Grande Prêmio da Bélgica, domingo passado. Com um domínio nos treinos que deixou todo mundo assustado principalmente na chuva do sábado, o time alemão certamente tinha motivos para sorrir no domingo. Mas a alegria virou apreensão logo na segunda volta, com o toque de Nico Rosberg em Lewis Hamilton, que fez com que o alemão tivesse parte do spoiler danificado, enquanto o inglês teve o pior rescaldo: um pneu furado e a maior parte da pista belga para percorrer em baixa velocidade até conseguir alcançar o box e poder trocar o composto. Para Hamilton, suas chances na corrida acabaram de vez ali, enquanto Rosberg ainda retornou à prova e só não venceu porque novamente Daniel Ricciardo surpreendeu a todos, assim como a Red Bull, com seu carro rendendo mais do que todo mundo esperava, além de uma pilotagem inspirada como poucos do australiano, que chega assim à sua 3ª vitória no ano.
            O clima na Mercedes já tinha ficado pesado em Hungaroring, mas em Spa o caldo azedou de vez. Se Nico e Lewis estavam liberados para lutar na pista, Rosberg acabou fazendo justamente aquilo que o time mais pediu a ambos para evitarem: atingir um ao outro! Manobra voluntária ou não, seria um simples acidente de corrida, não fossem os dois pilotos companheiros de equipe, e que por acaso disputam o título de 2014, dominando o campeonato como poucas vezes se viu. E, se até aqui muitos apontam que Hamilton vem sendo muito "chorão" no campeonato, por vezes insinuando até que algo anda "acontecendo" com ele que não é normal, em virtude das quebras que já sofreu no ano, muito mais frequentes que as do companheiro de equipe, e que sob pressão costuma desandar, explicando assim alguns dos erros cometidos pelo inglês nas últimas corridas, podemos ver que Nico também não tem a cabeça tão assim no lugar como muitos acreditam.
            Basta lembrar que na Hungria, quando quis passar o companheiro pelo fato de estar com uma estratégia diferente, ele demonstrou ter ficado bem contrariado quando Hamilton não abriu passagem, e até reclamou disso no rádio. No resultado final da corrida, ele que largara na frente, enquanto o companheiro partia dos boxes, acabou atrás dele. Foi uma derrota que ele aparentemente não digeriu nem um pouco direito. E em Spa, novamente largando na pole, foi superado no arranque para a La Source não apenas por Hamilton mas também por Sebastian Vettel. Se o tetracampeão saiu da frente pelo erro na Les Combes, o ritmo com que Rosberg procurou logo superar Hamilton deu mostras de parecer ter sentido o golpe de ficar novamente para trás. Havia necessidade de arriscar tanto por dentro da Les Combes? Não, tanto que Hamilton não fez movimento errado nenhum, nem uma fechada mais agressiva. Seria apenas questão de tentar em outro ponto da pista com mais oportunidade, que certamente não faltaria nas outras 42 voltas da corrida ainda a se disputar.
            Depois, na reunião com o time, a tal declaração sobre "provar um ponto"...que ponto exatamente é esse? Se for sobre o fato de Hamilton ser extremamente agressivo e duro na disputa de posição, qual a novidade? Nico nunca viu como o amigo se comporta na pista? Hamilton sempre foi "atirado" e um páreo duríssimo em ultrapassagens e defesas de posição. Falar que em outras ocasiões sempre "recuou" para evitar um acidente e que agora, aparentemente, não vai mais "recuar", é uma argumentação besta. Porque, se ele novamente "não recuar", como fez na Bélgica, será Rosberg quem terá culpa no cartório, e não Hamilton, caso o inglês esteja na frente na pista. O parceiro inglês é muito duro e agressivo? E daí? Será que ele, Rosberg, não sabe encontrar meios de superar o parceiro sendo mais eficiente na pista? É o que ele deveria fazer, não ficar com essa guerrinha de "marcar posição" ou seja lá o termo exato que disse durante a reunião. Dá para superar Lewis na pista, e num circuito como Spa, seria apenas questão de estudar as trajetórias e planejar onde surpreender o parceiro. O belíssimo duelo que ambos travaram no Bahrein, que eletrizou a platéia, com os dois andando a milímetros um do outro, sem se enroscarem, é prova disso, não importa o quanto Rosberg fique falando da "agressividade" do parceiro.
            Lewis Hamilton, é verdade, tem sua cota de enroscos em tentativas de ultrapassagens. Felipe Massa que o diga, quando em uma temporada recente andou se encontrando diversas vezes com o inglês, então piloto da McLaren. Na maioria das vezes, saiu faísca, além dos pilotos irem parar fora da pista nas divididas. Exageros à parte, a melhor resposta é vencer o oponente duro de roer em um duelo forte e limpo na pista. Rosberg agora quer mostrar os dentes, mas que o faça sabendo das consequências, como por vezes Hamilton já fez. O jogo psicológico do alemão em cima do inglês faz parte do jogo, e não é de hoje que isso é usado na F-1: quantas vezes Nélson Piquet lançou futricas sobre Nigel Mansell no tempo em que dividiram a equipe Williams em 1986 e 1987? Mansell, estabanado e maluco como ele só, tinha o hábito de partir para uma ultrapassagem por vezes sem pensar nas consequências: certa vez em Spa, tentou uma dividida com Ayrton Senna que terminou com ambos fora da pista. Já Piquet raramente se envolvia em confusões nas divididas de curvas, pelo menos era mais limpo que muitos pilotos, e nunca tocou rodas demasiado agressivamente com Mansell, pelo menos a ponto de os carros se enroscarem.
            Até a Bélgica, Nico Rosberg, tirando o despiste "suspeito" para alguns em Mônaco, vinha fazendo uma temporada perfeita, conseguindo reverter o jogo da disputa do título que muitos imaginavam terminar antes da hora depois das 4 vitórias consecutivas de Hamilton. Até ali, o alemão ficara com a fama de só ter chance de vencer se o inglês tivesse problemas. O triunfo em Monte Carlo pode não ter significado muito, mas a performance no Canadá, uma pista onde todos imaginavam ver Hamilton dando as cartas, deu o lance de que Rosberg voltava ao páreo. Dali em diante, ele não largaria mais a liderança, e apesar dos chiliques do parceiro campeão de 2008, era visto como o "mocinho" da disputa. Até Spa-Francorchamps. Ali, Nico mudou o panorama. Mostrou uma face que, se não é de vilão, também não é do "herói". Não por acaso foi vaiado pela torcida quando subiu ao pódio. Para ela, neste domingo, Rosberg foi o culpado da vez.
            Certamente a Mercedes está tendo uma semana complicada. Toto Wolf e Niki Lauda certamente estão tendo de discutir muito que atitudes tomar para manter as rédeas firmes na escuderia. Se lançarem mão das ordens de equipe, o time alemão perderá seu maior mérito do ano: o da disputa na pista. Por outro lado, dependendo da animosidade entre seus pilotos, as ordens de equipe só deixarão o clima ainda pior. Se Hamilton sentir que vai ser prejudicado, vai mandar a ordem - e quem a der, às favas; e podem apostar que Nico não fará muito diferente. Virou uma guerra onde quem recuar será o derrotado. Mas ninguém quer arredar, nem Hamilton, e nem Rosberg. O time precisa se impôr para evitar o combate fraticida, que pode descambar, na pior das hipóteses, para a eliminação de ambos os seus pilotos numa futura dividida de posição, que pode vir já em Monza, semana que vem. E, se antes eles estavam com folga na classificação, sabendo que apenas um dos dois seria o campeão do ano, o terceiro triunfo de Ricciardo em Spa acendeu o alerta amarelo: o australiano da Red Bull já está "apenas" 35 pontos atrás de Lewis Hamilton, mesmo que Nico Rosberg esteja outros 29 pontos à frente de Hamilton, um possível abandono numa próxima corrida, resultado de outro toque entre ambos, poderia fazer a vantagem da pontuação cair vertiginosamente, e com 7 provas pela frente, sendo que a corrida de Abu Dhabi terá pontuação dobrada, a possibilidade dos prateados perderem um título que todos consideravam remota e até impossível depois de Mônaco passa a ser bem real, e uma possibilidade que, se acontecer, repetiria os panoramas vistos em 1986 e 2007, com um terceiro concorrente faturando o título enquanto dois pilotos de um mesmo time se engalfinham nas pistas.
Para a torcida, quanto mais lenha na fogueira, melhor. Para a equipe Mercedes, um pesadelo para administrar os egos de seus pilotos...
            Para a torcida, nada melhor. Se a competição andava chata pelo fato de a Mercedes dominar o ano, mesmo com algumas vitórias pontuais da Red Bull com Daniel Ricciardo, nada como uma luta desenfreada entre os pilotos do time germânico para incendiar as atenções. Quanto mais os pilotos se pegarem, melhor, o torcedor quer ver mesmo é o circo pegar fogo, e que se dane a moda das "ordens de equipe". Para a escuderia alemã, um inferno passar por tal situação. Poderiam ter criado um clima menos belicoso dentro do time? Talvez. Mas, como disse Flávio Gomes, do site Grande Prêmio, nesta semana, o pior desta história toda é ver uma amizade de longa data entre os dois ir para o vinagre, vítima da competição pelo título. Nico Rosberg e Lewis Hamilton dividiram bons momentos em suas carreiras, antes e depois de chegarem à F-1.
            Hamilton leva vantagem no carisma. Rosberg não é lá de levantar o torcedor na arquibancada, como costuma acontecer com os pilotos "frios" e cerebrais. Já competidores de sangue "quente", que saem falando pelos cotovelos, e ainda por cima se mostram arrojados e audaciosos na pista, ainda que por vezes não terminem a corrida, costumam fazer a alegria da galera que curte corridas. Hamilton, com suas falhas, mostra não ser perfeito. Mas mesmo assim vai à luta, muitas vezes tentando o tudo ou nada. Mas torcida e carisma não ganham corridas nem campeonatos. Tanto Rosberg quanto Hamilton agora precisam aprender a conviver novamente sob o mesmo teto, e ao mesmo tempo, tentarem competir pelo menos de maneira a não criar novas controvérsias desnecessárias com seus atos dentro da pista.
            Eles tem como fazer isso? Capacidade e inteligência eles tem. Resta saber se não vão ligar o foda-se e partir para a pista dispostos a tudo ou nada em cada curva que percorrerem. Agora, vejamos o que eles aprontam em Monza...


Will Power já perdeu 3 títulos na corrida final do campeonato, em 2010, 2011, e 2012, na IRL. Agora, novamente tem tudo para ser campeão...mas melhor não comemorar antes do tempo, só por garantia...

Neste sábado a Indy Racing League encerra seu campeonato, com a disputa das 500 Milhas da Califórnia, no circuito oval de Fontana. A corrida será transmitida ao vivo pela Bandeirantes, a partir das 22:30 Horas. A Penske deve finalmente sair da fila em que se encontra desde 2006, quando o time de Roger conquistou seu único campeonato na categoria. Will Power, com 51 pontos de vantagem, tem tudo para fazer uma corrida de marcação sobre Hélio Castro Neves, na hipótese de não querer arriscar para enfim comemorar seu tão sonhado título. Para o brasileiro, é tudo ou nada, e ainda vai precisar torcer para um mal resultado do companheiro de equipe para levar a taça, algo complicado de acontecer, uma vez que o australiano não abandonou nenhuma corrida no ano, e vem mantendo uma média de resultados superiores aos de Helinho nas últimas corridas, que lhe deram uma boa vantagem, e que só não o creditam a ser campeão já porque as corridas de 500 milhas este ano tem pontuação dobrada, então o vencedor em Fontana leva 100 pontos ao invés dos tradicionais 50 das demais provas. E, além desse diferencial, corridas de 500 milhas são sempre imprevisíveis. É contando com a imprevisibilidade que Simon Pagenaud conta para tentar levar o troféu do campeonato. Mas o francês da equipe de Sam Schmidt tem uma tarefa quase impossível nas mãos, precisando vencer e ainda torcer para tanto Will quanto Hélio terem um corrida desastrosa ao extremo, para ter chances efetivas de anular os 81 pontos de desvantagem para Power. Não é impossível, mas certamente muito improvável de acontecer.


Pelo retrospecto das corridas de 500 milhas do campeonato deste ano da IRL, Hélio Castro Neves teve melhores resultados entre os pilotos da Penske, sendo 2° colocado em Indianápolis, e repetindo o feito em Pocono, conquistando 198 pontos. Juan Pablo Montoya venceu em Pocono, mas na Indy500 foi 5° colocado, faturando 184 pontos. Já Will Power foi 8° em Indianápolis e 10° em Pocono, marcando apenas 126 pontos. Não chega a ser lá uma garantia de que o panorama se repetirá em Fontana, mas é preciso ter pensamento positivo. Não pode é desistir da luta antes do tempo. Mas mesmo assim, a situação é complicada para o brasileiro, devido à grande desvantagem na pontuação.


O alemão Andre Lotterer teve uma estréia bem breve como piloto titular na F-1 domingo passado na Bélgica. Apesar de ter conseguido se classificar com mais de 1s de vantagem em relação ao tempo de Marcus Ericson, Lotterer ficou a pé logo no final da 1° volta, com problemas no carro da Caterham, que ficou sem força na unidade de potência da Renault, para variar. Com certeza Andre deve ter sentido uma saudade tremenda do possante modelo da Audi que tem à disposição como piloto da escuderia alemã no Mundial de Endurance. Ericson, pra variar, terminou em último lugar entre os que chegaram ao final da corrida belga, em 17° lugar, com 1 volta de desvantagem para o vencedor, Daniel Ricciardo, o que não foi lá um resultado assim tão ruim para o pouco competitivo carro do time. Mas ainda assim, perdeu novamente para a Marussia, que com Max Chilton de novo ao volante depois do primeiro treino livre de sexta, ainda terminou a corrida em 16°.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA - AGOSTO DE 2014



            E mais um mês está terminando, e seguindo a tradição, é hora de mais uma nova edição da COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA, fazendo a tradicional avaliação de alguns dos acontecimentos que andaram agitando neste mês de agosto o mundo do esporte a motor. E não esquecendo do velho esquema de sempre nas avaliações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Então, boa leitura a todos, e no mês que vem, tem mais cotação...



EM ALTA:

Daniel Ricciardo: O piloto australiano da Red Bull continua com a corda toda, e se já estava com a cotação em alta pela vitória conquistada no GP da Hungria de F-1, agora começa a ameaçar - imaginem só, a vice-liderança de Lewis Hamilton na classificação, depois de vencer de maneira brilhante a corrida da Bélgica. Verdade que o imbróglio causado por Nico Rosberg logo no começo da corrida entre ele e seu companheiro de equipe Hamilton ajudou o time alemão a perder a prova, mas mesmo assim, Ricciardo andou forte o tempo todo, dando um baile em seu companheiro de equipe Sebastian Vettel, que saiu de Spa-Francorchamps certamente bem contrariado por ter ficado apenas em 5° lugar, a mais de 50s de desvantagem para seu parceiro de time. Tudo bem, Ricciardo ainda está 35 pontos atrás de Hamilton, mas desde o início do campeonato, ninguém imaginava ser possível alcançar os carros prateados. Mais algumas confusões como a da Bélgica, e novos shows de pilotagem de Daniel, e podemos contar com algumas surpresas no fim do campeonato...

Will Power: O piloto australiano da equipe Penske está bem próximo de enfim conquistar o seu primeiro título na Indy Racing League. Power venceu de maneira contundente a etapa de Milawukee, e em Sonoma, apesar do resultado não ter sido tão bom quanto esperava, ainda saiu do Infineon Raceway com 51 pontos de vantagem para Hélio Castro Neves, que parece destinado a ficar novamente na fila, amargando mais um vice-campeonato, sensação que Power viveu por 3 temporadas consecutivas, de 2010 a 2012. Mas, assim mesmo, pelo histórico de derrotas na última etapa, Power vai para a etapa final, em Fontana, com precaução. Não fosse a etapa no California Speedway ter pontuação dobrada, por ser uma prova de 500 milhas, e só largar já daria o título ao australiano. Será que agora Will desencanta? Está muito perto disso, mas só vai comemorar mesmo depois da bandeirada de chegada...

Equipe Penske: Roger Penske só conquistou até hoje um título na Indy Racing League, em 2006, com Sam Hornish Jr. De lá para cá, vem batendo na trave em todos os últimos campeonatos, perdendo os títulos na última corrida para pilotos de equipes rivais como a Ganassi ou a Andretti. Este ano, contudo, o risco é bem menor, uma vez que Roger tem dois pilotos ocupando as duas primeiras posições no campeonato. Na hipótese remota de Will Power perder o campeonato, as chances de Hélio Castro Neves faturar o caneco devem garantir o título de 2014 para a Penske. Os rivais de outras equipes encontram-se este ano mais distantes, e praticamente fora de combate: Simon Pagenaud e Ryan Hunter-Reay estão mais de 80 pontos atrás de Will Power, e não tem como descontar a diferença. E, com um pouco de sorte, pode fazer 1-2-3 no campeonato, uma vez que Juan Pablo Montoya tem chances de terminar a competição em 3° lugar.

Scott Dixon: O atual campeão da IRL vem tendo um ano complicado, longe da disputa pelo título. Mesmo assim, já conseguiu marcar presença este ano com duas vitórias conquistadas na base da estratégia e inteligência, nas pistas de Mid-Ohio e Sonoma. Conseguindo manter um ritmo forte sem comprometer o consumo de combustível, Dixon conseguiu a proeza de largar em último em Lexington e vencer a prova. Em Infineon, o neo-zelandês não teve uma corrida dão dramática, mas novamente fez um planejamento meticuloso para averbar seu segundo triunfo na temporada, estando em 5° no campeonato e com chances de subir mais algumas posições, mostrando que seu tricampeonato não é para ser subestimado.

Equipe Red Bull: Mesmo com um motor que ainda está mais de 50 HPs abaixo da potência dos Mercedes, o time comandado por Christian Horner e que tem Adrian Newey nas pranchetas não pode ser subestimado, e a prova disso foi que eles conseguiram vencer a corrida da Bélgica, mesmo em uma pista onde a potência do propulsor é fundamental para se ter desempenho nos trechos de subida. Aperfeiçoando o equilíbrio do modelo RB10, a escuderia conseguiu contrabalançar a falta de potência com uma asa traseira menor, o que fez dos carros do time os mais velozes nos trechos de reta, sem comprometer demasiadamente nos trechos de curva. Basta ver que Ricciardo conseguiu vencer a corrida com quase 30s de vantagem para Valtteri Bottas, e certamente daria trabalho para as Mercedes, se estas não tivessem se enrolado consigo mesmas. O time segue para a Itália, em Monza, com a moral em alta, exceto pelo desempenho de Sebastian Vettel na Bélgica...



NA MESMA:

Mundial de MotoGP: OK, a invencibilidade de Marc Márquez na temporada 2014 finalmente foi quebrada, com a vitória na etapa da República Tcheca indo parar nas mãos de Dani Pedrosa, que até então vinha fazendo um campeonato apagado em comparação com a exuberância do parceiro. Mas vai ser difícil tirar o bicampeonato de Márquez: ele ainda tem 81 pontos de vantagem para Pedrosa, que mesmo que vencesse as próximas 3 provas e Marc abandonasse todas, nem assim perderia a liderança da competição. Para os rivais, nada muda, pois a Honda continua vencendo tudo na temporada 2014. Valentino Rossi e Jorge Lorenzo estão apertando o ritmo, mas ainda não conseguiram destronar o time rival do degrau mais alto do pódio. E Pedrosa, mesmo com a vitória, não consegue tirar Rossi de seus calcanhares. O jeito é torcer para a prova de Brno significar uma mudança de rumo no campeonato, a exemplo do que está ocorrendo na F-1, onde o passeio da equipe Mercedes começa a ficar mais árduo do que muitos imaginavam...

Hélio Castro Neves: O piloto brasileiro certamente vai amargar mais um vice-campeonato na IRL em 2014. As últimas corridas foram de resultados ruins, alguns por problemas alheios a seu controle, é verdade, mas infelizmente é preciso saber fazer a sorte trabalhar a seu favor, e não vem conseguindo nestas etapas finais do campeonato. Nem tudo está perdido, mas depois do resultado de Sonoma, Helinho vai precisar de toda a sorte dos últimos anos para levantar o caneco de campeão em Fontana. Melhor ir se preparando para se divertir na festa da conquista do título pelo parceiro Will Power. Na pior das hipóteses, o brasileiro pode até despencar no campeonato, se os concorrentes derem sorte na etapa final, já que sua pontuação dobrada pode mudar as posições de vários pilotos na tabela.

Mundial de Rali: A equipe da Volkswagen finalmente teve sua invencibilidade quebrada na temporada 2014, ao ver seus dois pilotos, Sebastien Ogier e Jari-Matti Latvala, abandonarem o Rali da Alemanha, cuja vitória acabou ficando com o belga Thierry Neuville. Mas o panorama da competição continua praticamente inalterado, com Ogier ainda disparado na liderança, enquanto Latvala tenta diminuir a diferença para seu companheiro de equipe. Mesmo com a vitória na etapa alemã, Neuville está mais de 100 pontos atrás de Ogier. E, na classificação de construtores, a Volkswagen tem mais do que o dobro da Citroen, que vem na 2ª colocação. Com o triunfo na Alemanha, a Hyundai assumiu a 3° posição. Mas tanto a marca francesa quanto a coreana precisariam de um milagre para alcançarem os alemães.

Fila furada da Red Bull: No ano passado, todo mundo ficou surpreso quando Helmut Marko "furou" a fila de pretendentes a ser piloto da Toro Rosso, promovendo o jovem russo Dannil Kvyat para ser companheiro de Jean-Éric Vergne nesta temporada. Com o sucesso do piloto russo, Marko resolveu novamente promover uma furada na "fila" do programa de pilotos da empresa, e agora é outra jovem promessa, Max Verstappen, que irá ter a chance de estrear na F-1, em 2015, ainda com apenas 17 anos. Com isso, não dá para ficar esperando pelo cumprimento de promessas que porventura tenham sido feitas a Carlos Sainz Jr. e Antônio Félix da Costa, que eram tidos como próximos nomes a serem promovidos pela empresa no seu programa de jovens pilotos, especialmente em relação ao português, que pelo segundo ano consecutivo se vê preterido por Marko na escolha dos pilotos da Toro Rosso.

Equipe Lotus: O calvário da escuderia de Enstone em 2014 continua. Na Bélgica, para variar, Pastor Maldonado bateu de novo nos treinos, e novamente largou lá atrás, enquanto Romain Grosjean remou, remou, e acabou abandonando quando viu que não ia a lugar nenhum na prova. Para complicar, os problemas de competitividade do carro parecem insolúveis, não se limitando apenas à falta de potência da unidade turbo da Renault e aos sistemas do ERS. Parece que o jeito vai ser cumprir tabela este ano e tentar voltar melhor em 2015. Maldonado está confirmado para o próximo ano, mas não se sabe o que será de Grosjean. Ah, e pensar que Maldonado deve ter sentido de novo a pulga atrás da orelha, ao ver seu ex-time subir novamente ao pódio, com Valtteri Bottas. Se arrependimento matasse...



EM BAIXA:

Nico Rosberg: Por mais que Lewis Hamilton tenha fama de chorão e de ficar meio desestabilizado quando a situação fica ruim, quem saiu da etapa da Bélgica com rótulo de culpado foi mesmo o líder do campeonato de F-1. Hamilton liderava a prova belga, e na freada da Les Combes, defendeu-se de forma limpa do parceiro de equipe, que intencionalmente ou não, poderia ter evitado o toque que azedou por completo o clima na escuderia Mercedes. O piloto alemão dá mostras de que vai endurecer o jogo daqui para a frente, e com contrato renovado por mais 3 anos, parece disposto a marcar sua posição no time, de preferência batendo de frente com Hamilton, na luta pelo título da F-1 em 2014. Ele deu sorte de o toque não lhe render maus bocados na pista, e mesmo não tendo vencido a prova de Spa, abriu quase 30 pontos de vantagem na classificação. Se isso valeu as vaias que recebeu no pódio, frente aos torcedores, é outra história...

Equipe Mercedes: Seus carros ainda são os modelos a serem batidos na pista no campeonato deste ano da F-1, mas não no sentido literal da palavra. O toque de Nico Rosberg em Lewis Hamilton arruinou a corrida do inglês, e certamente contribuiu para a perda da vitória na prova belga, que ficou com a Red Bull. A direção da escuderia, se vinha ganhando méritos até aqui por deixar a disputa entre seus pilotos aberta, como manda a boa tradição do esporte, por outro lado, vai ter problemas na administração dos egos de seus pilotos, uma vez que Nico Rosberg está demonstrando poder ser uma fonte de problemas tão grande quando Lewis Hamilton. Depois do inglês ter tido seus chiliques nas classificações das últimas duas corridas, ele vinha fazendo as coisas sem alarde em Spa: assumiu a liderança da corrida e certamente seria um páreo duro pela vitória, até ter o pneu furado e dar adeus às suas chances na prova. Foi a primeira briga entre seus pilotos que acabou dando a vitória à concorrência, e se eles não tomarem providências, o que muitos imaginavam impossível pode acabar acontecendo: perder o campeonato de pilotos. O triunfo de Daniel Ricciardo acendeu a luz amarela, mostrando que a concorrência pode sim aprontar para cima dos carros alemães, se estes fizerem besteira na pista. Na primeira oportunidade, já conseguiram mais um triunfo. Ainda temos 7 corridas até o fim do campeonato, e cada etapa é um risco potencial daqui para a frente. A escuderia agora terá de intervir na briga, e o pior é a categoria perder o renhido duelo pelo título que estávamos vendo e curtindo, sendo substituído por uma preferência do time sobre quem vai ganhar de fato...

Equipe Marussia: O pequeno time de F-1 protagonizou um caso que certamente não ajuda na imagem da categoria: anunciou Alexander Rossi para disputar o GP da Bélgica no lugar de Max Chilton, por razões financeiras (o que até aí pelo menos fazia sentido, uma vez que Chilton é o piloto de menos resultados no time), e depois do primeiro treino, acabou trazendo Max de volta, aparentemente com as pendências financeiras sanadas, e Rossi voltando ao ostracismo. E sem dar explicações coerentes para o episódio. Tivessem dito que o americano iria disputar apenas o primeiro treino livre, e tudo bem. Começaram bem com as explicações, mas depois já não falavam exatamente coisa com coisa. O time estava indo tão melhor do que a Caterham este ano. Agora, podem mostrar que também sabem fazer bagunça fora da pista, como o ex-time verde de Tony Fernandes vem demonstrando...

Felipe Massa: O piloto brasileiro teve outro fim de semana para esquecer. Felipe até andou forte nos treinos, mostrando que o carro da Williams tinha potencial para lutar pelo menos pelas primeiras posições abaixo do pódio, mas na corrida, teve o azar de colher restos do pneu furado de Lewis Hamilton que tiraram o equilíbrio de seu carro enroscando-se no assoalho. Pior de tudo é que, quando finalmente removeram os detritos, Massa passou a andar no mesmo ritmo dos líderes, mas já era tarde para reverter o prejuízo, e ficou fora dos pontos, e ainda por cima vendo o parceiro Valtteri Bottas subir ao pódio na 3ª colocação. É preciso acabar com a má fase, mas parece que vai ser meio complicado tirar a uruca de cima do piloto tupiniquim...

Equipe Force India: O time comandado por Vijay Mallya sempre teve uma performance regular nos últimos campeonatos, mas este ano, depois de um bom início, vem perdendo força no pelotão intermediário, e nem mesmo na Bélgica, uma pista onde o carro da escuderia costumava render bem e fez até pole em 2009, o time conseguiu um bom resultado, tendo de suar para chegar na zona de pontuação. A situação só não fica pior porque a Sauber está tendo um ano horrível, e a Toro Rosso, a exemplo do que costuma fazer, promete muito e rende pouco, e a Lotus virou uma bagaça este ano, sem perspectivas de melhora. Assim, deve pelo menos manter a 6ª posição na classificação de construtores, mas já virou a última equipe na classificação abastecida pela Mercedes, o que não é nem um pouco agradável.