sexta-feira, 13 de junho de 2014

A HORA DA TOYOTA EM LE MANS?


A Toyota larga na pole nas 24 Horas de Le Mans e tem boas chances de vencer pela primeira vem a corrida.

            Este final de semana o mundo do automobilismo tem uma de suas mais famosas e tradicionais corridas: as 24 Horas de Le Mans, que chega à sua 82ª edição. A largada é neste sábado, com a tradicional chegada no domingo, após exatas 24 horas de disputa. É praticamente a corrida mais longa atualmente em disputa no mundo do automobilismo, e nos últimos anos, faz parte do calendário do Campeonato Mundial de Endurance, certame criado pela FIA para reviver a antiga era dos Esporte-Protótipos. E a prova deste ano tem tudo para ser bem mais agitada do que a de 2012 e 2013.
            Em primeiro lugar, a Porshe está de volta a Le Mans. Maior vencedora da história da corrida, a fábrica alemã havia se retirado da competição nos últimos anos, deixando a luta pela vitória na categoria LMP1 restrita à Audi, que passou a dominar a prova na última década, e à Peugeot, que entretanto, também resolveu deixar de competir. Felizmente, a Toyota resolveu encarar o desafio da Endurance, e já vem colecionando alguns triunfos, depois de seu fracassado projeto de vencer na F-1. E outro detalhe que promete apimentar esta edição das 24 Horas é a equipe japonesa, que irá largar na frente neste sábado na pista de Sarthe. A equipe nipônica, que balançou o domínio da Audi em 2012, levou um verdadeiro vareio da fábrica alemã no ano passado, mas este ano vem colocando em xeque o favoritismo da marca das 4 argolas, que não conseguiu ver a cor da vitória no atual campeonato. E, quando tudo parecia jogar a favor de uma reação dos alemães em Le Mans, o que vimos foi uma classificação com dois fortes acidentes no carro campeão, sendo que um deles resultou praticamente na destruição completa do carro.
A Audi levou um tremendo susto com o violento acidente do carro N° 1 com Loic Duval ao volante, por motivos óbvios ao ver como ficou o carro após o impacto. Felizmente o piloto saiu sem maiores ferimentos do acidente pavoroso que assustou todo mundo em Le Mans.
            Loic Duval, que pilotava o carro N° 1 R18 e-tron quattro bateu violentamente contra o muro de proteção, mas apesar da violência do impacto, que destroçou o veículo, o piloto saiu relativamente ileso. Por ficar sob observação médica, Duval praticamente ficou de fora da corrida, e a Audi chamou as pressas Marc Gené para substituí-lo no trio formado pelo brasileiro Lucas Di Grassi e Tom Kristensen. Mas eis que o carro do trio sofreu novo acidente, agora com Di Grassi ao volante, que felizmente também não se machucou. Mas o maior tombo mesmo foi no moral da Audi para a corrida. Com 3 carros inscritos, a melhor posição de largada da escuderia foi o 5° lugar, abrindo a 3ª fila, com o carro N° 3 conduzido pelo trio Filipe Albuquerque/Marco Bonanomi/Oliver Jarvis, com a marca de 3min23s271. Na sequência ficaram os outros carros da Audi, com o N° 2, pilotado pelo trio Marcel Fassler/André Lotterer/Benoit Tréluyer, com o tempo de 3min24s276, praticamente 1s mais lento. Já o carro campeão de 2013, o N° 1, com o trio Lucas Di Grassi/Marc Gené/Tom Kristensen sai na 7ª colocação, com o tempo de 3min25s814. É a pior posição de largada da Audi nos últimos tempos, e isso também leva os tempos de classificação, lembrando que o tempo da pole, para efeito de comparação, foi de 3min21s789.
            E o trio do carro N° 7, formado por Alexander Wurz/Stéphane Sarrazin/Kazuki Nakajima, ao volante do modelo Toyota TS 040 - Hybrid é quem sai na frente, com o tempo descrito acima. Eles colocaram praticamente 1s5 de vantagem para o melhor carro da Audi no grid de Le Mans, e a distância aumenta ainda mais para os demais carros da fábrica alemã: cerca de 2s5 para o carro N° 2, e nada menos do que 4s para o carro campeão do ano passado. Quem diria que a Audi iria vivenciar esta situação em Le Mans este ano?
            A Toyota, contudo, não está tranquila na luta pela vitória: ao seu lado na primeira fila, está o carro N° 14, conduzido pelo trio Romain Dumas/Neel Jani/Marc Lieb, conduzindo o modelo 919 Hybrid da Porshe, que mostra ter chance de dar trabalho à escuderia nipônica. Eles fizeram o tempo de 3min22s146, apenas 0s357 mais lentos do que a marca da pole, o que é pouco para o tamanho da pista de Le Mans. A situação se repete na segunda fila: na 3ª posição larga o carro N° 8, conduzido por Anthony Davidson/Nicolas Lapierre/Sébastien Buemi, da Toyota, com o tempo de 3min22s523, cerca de 0s734 atrás da pole; e em 4°, sai o segundo carro da Porshe, conduzido por Timo Bernhard/Mark Webber/Brendon Hartley. Tudo indica que a Toyota e a Porshe irão duelar ferozmente pelo triunfo nas 24 Horas de Le Mans, e isso tem deixado a torcida pra lá de empolgada, com a perspectiva de um forte duelo na corrida, que há tempos andava ausente, frente a supremacia imposta pela Audi nos últimos anos.
            Mas, em se tratando de uma corrida longa como as 24 Horas, não se pode contar com o favoritismo dos treinos. A constância e a confiabilidade dos carros ao longo de praticamente um dia inteiro de competição serão fatores fundamentais para se garantir o triunfo, e até mesmo a Audi, tecnicamente batida com relativa facilidade na classificação, pode ter chance de abocanhar a vitória. E ainda precisamos levar em conta os prováveis percalços que poderão surgir durante a corrida, em especial na hora de dobrar os competidores das demais categorias, como a LMP2, GTEPro e GTEAm, que possuem um ritmo mais lento, mas podem ser um problema complicado de se dobrar dependendo de que ponto você está na pista. E, claro, na possibilidade que todos esperamos que não se repita, a de surgir um novo acidente, que pode ter consequências imprevisíveis. A Toyota mostrou excelente desempenho nas etapas disputadas neste ano, derrotando a Audi com mais propriedade do que a Porshe, que está apenas em sua 3ª corrida de retorno, e ainda não se sabe se os carros irão apresentar o mesmo retrospecto de antigamente na corrida do fim de semana. Se formos olhar por este prisma, a Toyota tem mesmo a sua melhor chance de conquistar Le Mans e levar para casa o troféu de vencedor da corrida mais importante do Mundial de Endurance, o que coroaria o seu empenho na competição, e redimiria de vez a alma da fábrica japonesa, que por cerca de 1 década competiu como time completo na F-1 buscando se tornar uma escuderia vencedora e campeã, e só acumulou resultados esparsos durante este período, sem conseguir vencer uma corrida sequer.
Em seu retorno oficial, a Porshe larga na primeira fila e pode ser uma ameaça real à Toyota. Marca alemã é a recordista de triunfos em Sarthe, com 16 vitórias nas 24 Horas de Le Mans.
            Para a Porshe, o objetivo é partir para a vitória, e resgatar o seu histórico de vitórias na mais famosa corrida de longa duração do mundo. E começou bem a disputa, garantindo um lugar na primeira e na segunda fila, em posição de principal desafiante da Toyota, que tem tudo para obter seu primeiro triunfo em Sarthe. Quanto à Audi, fica na posição de coadjuvante de luxo, posição que tentará desmentir na corrida. Resta saber se irá conseguir. Para o Brasil, que tem Lucas Di Grassi no comando de um dos carros da escuderia de quatro argolas, ainda é a chance de termos finalmente uma vitória em Le Mans, até hoje inédita para o automobilismo nacional na categoria LMP1, mas a parada, que já não era fácil mesmo quando a Audi era a favorita disparada, ficou ainda mais complicada, agora que o carro à sua disposição não está mais nas perfeitas condições que se gostaria. O intenso trabalho dos mecânicos permitiu a reconstrução do carro N° 1 acidentado por Duval na quarta-feira, mas ninguém sabe até onde o bólido aguentará na competição. O trio de pilotos precisará de atenção e cuidados redobrados para não serem surpreendidos por algum problema adicional.
            Bruno Senna também estará no grid de Le Mans. O sobrinho de Ayrton Senna não disputa o Mundial de Endurance este ano, mas conseguiu fechar acordo para continuar defendendo a Aston Martin nas 24 Horas de Le Mans, e largará na 31ª posição, tendo obtido o 3° melhor tempo na categoria GTEPro, dividindo o modelo Aston Martin Vintage V8 com os pilotos Darren Turner e Stefan Mucke. O Brasil ainda teria mais um piloto disputando a corrida: Fernando Rees competiria com um modelo Aston Martin, mas sofreu um forte acidente na quarta-feira, que praticamente inutilizou o carro, impossibilitando seu conserto. O brasileiro, que à altura tinha o 33° tempo, dividia o carro com Alex Macdowall e Darryl O´Young. Rees felizmente não se machucou, e teve até mais sorte do que Loic Duval, pois foi liberado pelos médicos para correr, o que não será possível pela perda do carro. Ficou para 2015 a próxima tentativa de alinhar em Le Mans. Curiosamente, tanto Rees quanto Duval sofreram seus acidentes no mesmo local, a curva Porshe, e no mesmo dia.
            Agora, é aguardar a largada, e acompanhar a prova. São 55 carros e 165 pilotos no grid que largarão neste sábado, às 15 horas locais em Le Mans, 10 horas no horário do Brasil. O canal SporTV irá mostrar ao vivo a largada e a primeira hora de competição amanha, ficando a partir daí com flashes durante a programação. No domingo, o canal voltará a exibir a competição ao vivo a partir das 9 horas até a bandeirada de chegada. Quem estiver inteiro e firme até lá, já terá sido uma vitória, de permanecer firme em um corrida desta duração. E que vença o melhor.


Felipe Massa e Sérgio Pérez se acidentaram na última volta e por pouco não levaram Sebastian Vettel junto, mas faltou pouco para o tetracampeão ser levado junto, como podem observar na foto...
E finalmente a Mercedes perdeu uma corrida no campeonato deste ano da F-1. O time alemão, que vinha deitando e rolando na temporada, sofreu com problemas mecânicos em seus dois carros na pista de Montreal, e acabou perdendo sua invencibilidade na temporada. Com problemas na unidade de potência, que ficou sem contar com a potência extra do Ers, tanto Nico Rosberg quanto Lewis Hamilton tiveram de diminuir o andamento para tentar chegar ao fim da corrida. Nico conseguiu, mas Hamilton ficou pelo caminho, vítima de um problema nos freios. Mesmo assim, o avanço dos carros prateados era tal que Rosberg acabou sendo superado apenas a 2 voltas do final, quando ainda resistia bravamente ao assédio da turma que vinha chegando logo atrás, que incluía Daniel Ricciardo, Sérgio Pérez, Sebastian Vettel, Nico Hulkenberg, e Felipe Massa. E coube ao australiano da Red Bull abocanhar a vitória no GP do Canadá. Rosberg ainda salvou o 2° lugar, enquanto Vettel completou o pódio em 3°, e teve o desprazer de ver seu novo colega de equipe vencer a prova. Felipe Massa fazia uma corrida combativa, e tinha chances de também chegar ao pódio, mas faltou um pouco de decisão na hora de tentar as ultrapassagens, mesmo com um carro mais veloz que o dos rivais. Na volta final, acabou se envolvendo em um acidente com Sérgio Pérez, que já vinha tendo problemas de freios, e deu uma leve guinada no mesmo instante em que Felipe tentava dar o bote. Os dois carros se tocaram e seguiram reto até saírem da pista e acertarem as barreiras de pneus, e por pouco não levando Vettel junto com eles. Com o histórico de enroscos do ano passado, os comissários consideraram Pérez culpado pelo acidente, e o mexicano perderá 5 posições no grid semana que vem, na prova da Áustria. Para mim, foi um incidente de corrida, com certa culpa de ambos os pilotos. Felizmente, ambos saíram ilesos dos acidentes, e isso foi o mais importante. E o melhor de tudo é que o GP do Canadá manteve sua tradição de oferecer corridas emocionantes e diferenciadas, ajudando a quebrar um pouco as escritas que estamos vivenciando no campeonato deste ano. Mas que ninguém se iluda: a Mercedes ainda sobra em cima dos concorrentes, e não será sempre que eles terão problemas como o que ocorreu em Montreal. Quem ficou no maior prejuízo mesmo foi Hamilton, que sofreu seu segundo abandono no ano e viu Rosberg pular para 22 pontos de vantagem na classificação, diferença que vai dar trabalho eliminar, ainda mais porque Nico Rosberg conseguiu o que muitos imaginavam ser extremamente difícil em Montreal: impôr-se ao inglês, que já havia vencido 3 vezes naquele circuito e era tido como o grande favorito.
Com uma pilotagem agressiva e determinada, e com o problema dos carros da Mercedes, Daniel Ricciardo fez a festa em Montreal, e venceu pela primeira vez na F-1.



Neste fim de semana a MotoGP disputa a etapa da Catalunha, no circuito de Barcelona. Alguém vai conseguir deter Marc Márquez? A última disputa, na pista de Mugello, mostrou um Jorge Lorenzo mais inspirado do que nunca. Será que o bicampeão vai manter a forma neste fim de semana? Valentino Rossi, por sua vez, também quer desbancar o atual campeão. Se vão conseguir, só saberemos no domingo. Por enquanto, Márquez vem fazendo um campeonato irretocável e perfeito, sem dar chance para ninguém. Será que sua boa fase vai durar o campeonato inteiro? Não é impossível, mas é difícil, o que não quer dizer que o piloto da Honda não vai tentar o feito, para desespero dos concorrentes...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

ARQUIVO PISTA & BOX - JANEIRO DE 1997 - 10.01.1997



            Prosseguindo em mais uma edição da seção Arquivo, trago hoje a coluna publicada no dia 10 de janeiro de 1997, a primeira coluna que escrevi naquele ano, com as primeiras atividades da Fórmula 1 para aquela temporada, quando os testes eram livres, e o pessoal só dava uma pequena pausa para o Natal e Ano Novo, voltando quase imediatamente para a pista, situação sempre meio complicada em virtude do inverno europeu, que deixava várias pistas sem condições de uso. Havia naquele ano até a possibilidade de virem fazer uma sessão de testes coletivos em São Paulo, que acabou não se realizando, infelizmente. De resto, algumas notas rápidas sobre outros acontecimentos. Uma boa leitura a todos, e em breve trago mais coluna antigas por aqui...


DE VOLTA AO TRABALHO

            Depois de duas semanas de descanso, para se curtir o Natal e o Ano Novo, a Fórmula 1 volta ao trabalho, preparando-se para o mundial de 1997. E neste início de serviço, a Ferrari sai na frente, ao apresentar, na última terça-feira, o seu modelo 97, o F310B, ou 648, na preferência de alguns. Com isso, o time de Maranello é a primeira escuderia de ponta a apresentar oficialmente o seu carro deste ano. Depois vieram a Benetton, e a nova TWR-Arrows.
            Até o fim do mês, provavelmente todas as escuderias já terão apresentado seus carros 97, e o mês de fevereiro será de testes intensivos para todos os times. Há a previsão até de um teste coletivo da FOCA, planejado para fevereiro, no circuito de Interlagos, em São Paulo, com duração de uma semana. Com o forte inverno europeu este ano, os circuitos utilizados habitualmente pela categoria estão ainda em más condições de uso, devido à neve e ao frio intenso.
            Enquanto as escuderias trabalham intensivamente para se preparar para a nova temporada, o otimismo toma conta da imprensa e dos torcedores. Todas as expectativas conduzem para uma temporada que deverá ser a mais competitiva e disputada dos últimos tempos: de um lado, a favorita Williams, que aposta no poderio da Renault, fornecedora do ainda melhor motor da categoria, e na sua dupla de pilotos, Jacques Villeneuve e Heinz-Harald Frentzen, sem falar no excelente carro que deverá ter. Do outro lado, as demais escuderias de ponta, todas prometendo uma temporada muito melhor do que a de 96. A começar pela Ferrari, que agora diz que lutará pelo título. John Barnard recebeu ordens para não exagerar na concepção do novo modelo 97. Em outras palavras, eles querem um carro fiável e competitivo; o resto fica por conta de Michael Schumacher, o melhor piloto da F-1 atual. A McLaren, com um novo visual cor de prata, prepara seu retorno às vitórias, depois de dar mostras de grande evolução em 1996. O time de Ron Dennis aposta na evolução do carro, bem como do bom motor Mercedes, para levar Mika Hakkinen e David Couthard à disputa do título. E a Benetton, também abastecida pela Renault, quer mostrar evolução em 97, contando com Jean Alesi e Gerhard Berger, uma dupla de pilotos combativos que ainda tem muito o que mostrar. E a escuderia, claro, quer mostrar que o ano mediano de 96 foi apenas algo ocasional, e voltar a ditar os rumos do campeonato, como fez em 94 e 95.
            Enquanto as expectativas indicam que os times de ponta deverão ter uma boa disputa, os times do pelotão intermediário também vêem 97 com otimismo. O novo Acordo de Concórdia, assinado em 96 pela maioria das escuderias, garante maiores verbas aos times menores das receitas publicitárias dos GPs, o que deverá aliviar suas precárias condições financeiras. E com mais tanquilidade, possivelmente alguns times encontrem sossego para produzir um trabalho mais bem acabado e digno de melhores performances. Em outras palavras, mais competitividade no grid.
            Outro ponto a melhorar o otimismo é a guerra dos pneus. Com o fim do fornecimento exclusivo da Goodyear, que era a única fabricante na categoria desde 1992, a disputa tende a ficar muito melhor. Especialmente por conta da Firestone/Bridgestone, cujos compostos já demonstraram nos testes serem bem superiores aos da Goodyear, a exemplo do que aconteceu no ano passado na F-Indy. Para melhorar o panorama, apenas as equipes médias e/ou pequenas resolveram apostar nos pneus japoneses, o que indica que suas performances deverão ser otimizadas pela excelente qualidade dos compostos. Tudo isso leva a crer que os times médios poderão se aproximar mais dos times de ponta, aumentando a disputa e a emoção.
            Para completar, temos ainda a estréia da nova Stewart Racing como equipe oficial da Ford. Apesar de Jackie Stewart ser cauteloso em admitir que o primeiro ano de sua nova equipe deverá ser modesto, o grau de profissionalismo e competência exibidos pela escuderia até agora a credenciam a repetir o feito de Eddie Jordan, que em 1991, ano em que estreou seu time na F-1, acabou sendo a sensação do campeonato. Outra boa novidade é o retorno da Lola, ausente do circo desde 1993, quando teve uma pífia atuação em conjunto com a Scuderia Itália. Desta vez, entretanto, a fábrica de Eric Broadley vem para uma tentativa mais séria e planejada, inclusive com a utilização de um motor próprio a partir de 1998. Este ano irá correr com os Ford Zetec-R V-8, o que garante alguma competitividade ao time, que do mesmo modo que a Stewart, prefere adotar uma postura cautelosa para o campeonato deste ano.
            Finalizando, resta declarar que o número de concorrentes mostra uma pequena recuperação na categoria. Em 96 tivemos um máximo de 22 carros no grid. Este ano serão 24. E, para 98, preparem-se: a a nova equipe Dome deverá fazer sua estréia, assim como a Honda deverá retornar à F-1. É hora de torcer pelo novo futuro da F-1!


Na última semana de dezembro, a FIA andou relacionando alguns circuitos europeus que considerou perigosos para testes com carros da F-1. Medida certa ou não, só não sei que critérios utilizaram para determinar a qualidade dos circuitos, pois até Paul Ricard, um dos melhores circuitos europeus, e sem dúvida o melhor autódromo francês a receber a F-1 em sua história, foi considerado perigoso e está proibido de ser utilizado por escuderias da categoria.


Enzo Ferrari deve estar se revirando no túmulo: desde que o célebre Comendador faleceu, em 1988, a escuderia que leva seu nome já derrubou quase todas as normas que ele decretou na condução de seu time de F-1. A Marlboro, patrocinadora que paga a maior parte dos salários dos pilotos Michael Schumacher e Eddie Irvinne, colocou um imenso logotipo de sua marca nas laterais do carro e no aerofólio traseiro, além de ter mudado a tonalidade do vermelho dos carros italianos, que passaram a ser mais claros, abandonando o tom “rosso” de tantos anos. Para completar, a escuderia contratou a peso de ouro Michael Schumacher pela “bagatela” de cerca de US$ 25 milhões por ano (quantia suficiente para manter um time pequeno na categoria), para que o alemão leve o carro aonde nenhum outro piloto seria capaz de levar. Nos velhos tempos, Enzo Ferrari preferia ver seus carros perderem corridas do que ver o crédito de alguma vitória ir para o piloto, e não para o carro...


Está em andamento mais uma edição do Dakar, o rali mais perigoso do mundo. Mais uma vez, o Brasil está presente na disputa: Jean e André Azevedo estão competindo na categoria Motos Maratona, destinada a equipamentos de série, sem preparação especial; e Klever Kolberg em conjunto com João Lara Mesquita, competindo com uma picape. E todos eles vem tendo um excelente desempenho até o momento, com destaque especial para Jean Azevedo, que luta pela liderança em sua categoria...

sexta-feira, 6 de junho de 2014

VISÃO ULTRAPASSADA?


Esta imagem do site gogpseries ilustra bem o motivo de a F-1 ficar "alheia" à internet. Alguém duvida?

            Bernie Ecclestone, sempre polêmico em algumas de suas declarações, afirmou esta semana que não vê preocupação para a queda da audiência que a Fórmula 1 vem enfrentando nos últimos tempos, e chegou a classificar as redes sociais de "moda passageira", e que são totalmente descartáveis para promover a categoria. Teve quem concordasse, e quem discordasse. E, claro, muitos que criticaram o dirigente pela sua postura, afirmando que ele "parou" no tempo, e que hoje, é necessária uma visão mais atual das coisas. Pode ser, mas enganam-se quem pensa que ele está ignorando o cenário da atualidade e que não sabe o seu potencial.
            Não se pode negar que Bernie não conheça a F-1 a fundo, afinal, ele está por aqui desde o início da década de 1970, quando adquiriu a equipe Brabham de Ron Tauranac, que por sua vez havia assumido o time de forma integral após a aposentadoria de Jack Brabham em 1970. Aliás, "Sir" Jack Brabham faleceu no mês passado, aos 88 anos, na Austrália, e ostenta até hoje o feito de ter sido o único piloto campeão da F-1 a ter construído seu próprio carro, uma proeza que provavelmente nunca mais será possível, dada a atual natureza da F-1.
            Foi Bernie quem colocou ordem na comercialização da F-1, que até o final dos anos 1970, era feita de forma independente, de modo que cada GP tinha uma coordenação comercial diferente das outras corridas. As provas eram mostradas nas TVs, mas de forma irregular, com poucas corridas ao vivo. Ecclestone tratou de tornar a coisa mais profissional, e criou a FOCA TV, padronizando as transmissões de todas as corridas e, a partir daí, normatizando também os acordos comerciais advindos destas transmissões. Isso transformou o campeonato de F-1 num espetáculo global, e enriqueceu a categoria como nunca, embora as escuderias nunca tenham visto mesmo a maior parte da grana, que era embolsada pela FIA e FOCA, o que não quer dizer também que era pouca coisa o que recebiam. Ele também organizou a comercialização das áreas VIPs dos paddocks pelos circuitos mundo afora, criando os hospitality centers que inúmeras empresas adquirem para se promoverem nas corridas com convidados especiais. Tudo a preços "de ocasião", ou falando de forma direta, custando uma grana preta. E com fila de espera, ainda por cima...
            O lado negativo disto tudo foi o "enterro" da era romântica da F-1, onde o ambiente era mais caloroso e glamuroso, onde pilotos e até equipes se permitiam ser camaradas uns com os outros, e o esporte ainda era algo mais genuíno. A grana que irrompeu nos anos seguintes trouxe o ultraprofissionalismo, a frieza entre os integrantes, as rivalidades mais acirradas entre os pilotos. Bernie simplesmente modernizou a F-1, e fez dela o maior campeonato esportivo do mundo, perdendo apenas para a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas sendo disputada anualmente, ao contrário dos outros certames, que só acontecem de 4 em 4 anos.
            Ecclestone abriu novos e promissores mercados para a categoria. Levou a F-1 para cantos do mundo nunca antes imaginados, como na Hungria, quando ainda vigorava no país o comunismo e o mundo vivia dividido entre capitalistas e socialistas. Antes restrita em sua maior parte à Europa, a F-1 ganhou efetivamente o mundo, com provas cada vez em maior número mundo afora, e continua fazendo isso até hoje, ainda que as últimas corridas em lugares exóticos não desperte mais o mesmo fascínio de antigamente, sendo motivadas mais por ganância financeira do que por qualquer outra coisa. Mas isso é o que ele fez da F-1: um monstro movido a dinheiro, que o segue por onde ele estiver, mesmo que para isso seja necessário sacrificar corridas tradicionais.
            Os ganhos nunca estiveram tão altos. Por outro lado, a saúde financeira dos times nunca esteve tão débil. Para complicar, a internet veio bagunçar com o conceito tradicional de entretenimento, antes focado quase que exclusivamente na TV. Há anos atrás, os canais por assinatura já haviam ajudado a apimentar a diversão, com o surgimento de canais especializados. Bernie chegou até mesmo a lançar um "Supersinal F-1" na Europa, um canal pago especial onde os telespectadores teriam acesso muito mais imagens das câmeras disponíveis a cada GP, além de acesso a todos os dados da cronometragem oficial da FIA, enquanto as transmissões "tradicionais" ficariam apenas com básico e nada mais. Claro que, por um precinho "camarada", o negócio não decolou como Bernie imaginava. Mas o mais complicado estaria por vir, com a rede mundial de computadores se popularizando na década passada.
            Atualmente, com o conceito de streaming, o público consumidor tem a opção de assistir a muitas coisas que antes não tinha acesso. Isso para não falar dos downloads de programas, séries e tudo o mais, entre a míriade de conteúdos disponíveis na rede. Mas Bernie, fiel a seu estilo "antiquado", prefere ignorar a grande rede cibernética. Mas a verdade é que não se trata de ignorância, mas de conveniência. Conveniência financeira, falemos claramente. Como a grande maioria dos esportes hoje em dia, a comercialização dos direitos de transmissão encerra um monte de detalhes e restrições. O conceito de exclusividade é o principal mote para se arrancar dinheiro de emissoras para se transmitir um evento, e quanto mais desejado ele é, mais caro costumam cobrar. O problema é que muitas vezes se acha isso disponível na rede, "de graça", e isso, para gente como Bernie, é algo intolerável.
            Centralizador, ele não se contenta com o que pode mandar no mundo físico. O mundo virtual, por tabela, tem de obedecer seus preceitos e não "invadir" seu território. Por essas e outras, inúmeros vídeos na plataforma do You Tube já foram deletados por simplesmente mostrarem imagens de corridas antigas da F-1, um verdadeiro tesouro para muitos fãs do esporte, com a chance de, por vezes, reverem momentos imperdíveis de algumas corridas. Até site brasileiro já foi advertido de ter usado o logotipo oficial da FIA, mesmo que ele só aparecesse na tabela de horários das corridas. O problema é que, em se tratando da internet, tentar controlar o que aparece na rede é uma tarefa árdua, e por isso mesmo, o controle é falho, o que não quer dizer que a FIA e a FOM não trabalhem insistentemente para eliminar toda "pirataria" de imagens que encontrem. A menos que você pague, mostrar um simples trecho de uma prova, mesmo que de apenas um carro, é proibido. Isso gera saias justas até mesmo para quem tem os direitos. Alguém aqui se pergunta por que a Globo não coloca as provas de F-1 na internet? Ou porque o programa Linha de Chegada, do Reginaldo Leme, no SporTV, tem cortes em sua versão disponível no site da emissora? É porque o contrato da FOM proíbe isso. A internet não é vista como uma ferramenta potencial para alavancar a imagem da categoria.
            Ecclestone não tem razões para se preocupar com a queda dos índices de audiência da F-1, ainda. A audiência bruta do campeonato ainda ostenta números invejáveis, e a queda vista ainda é pequena, mas a continuar assim, a longo prazo, isso pode realmente se tornar algo perigoso. O perigo, na verdade, já ronda a categoria quando vemos boa parte dos times sem conseguir atrair patrocinadores que sustentem seus orçamentos com a folga de antigamente. Ou alguém acha  normal um time como a McLaren este ano estar com o carro praticamente virgem, sem quase nenhum logo na  carenagem? Ecclestone certamente não está deixando de perceber isso, mas certamente vai agir quando lhe for conveniente. Ele não é bobo. Se a situação não for conveniente, vai deixar como está, até que o momento de agir lhe seja amplamente favorável. Foi assim que ficou rico, sabendo explorar oportunidades e agir no momento certo. Algo que já fazia muito antes de enveredar pelo mundo profissional dos negócios: consta que ele comprava todos os pães de uma padaria próxima à sua escola para depois revender aos colegas alunos, lucrando uns bons trocados...
            Claro que sua maneira de agir nem sempre dá certo. Por vezes teimoso em seus métodos, pode parecer ignorar algumas oportunidades. Acontece, mas não quer dizer que seu faro esteja ruim para os negócios. O que não quer dizer que esteja sempre no domínio da situação. Ao ignorar as redes sociais e lhe atribuir caráter de "moda passageira", ele dá a entender que perde a oportunidade de ajudar a categoria a se aproximar de um público potencial que poderia ser útil à F-1. Mais ou menos: O problema é o que isso lhe renderia financeiramente? Dar algo de graça não está em seus planos. Neste quesito, então, a F-1 fica a dever e muito a outras categorias, que já viram o potencial de divulgação da rede mundial, e sabem fazer uso dela muito bem para divulgar seu produto. Experimentem ver o site da Nascar (www.nascar.com), a Stock Car americana, para ver como eles divulgam sua competição, com fotos a rodo, live timing, vídeos, entrevistas, blogs associados, links para venda de produtos oficiais, e mais uma penca de opções. E sem falar que eles estão presentes também no Facebook (www.facebook.com/NASCAR), mostrando uma interação com seus fãs que a F-1 raramente demonstra boa vontade em ter. E isso não é de hoje. Só para exemplificar, a antiga Fórmula Indy tinha um site oficial excelente, onde o fã se sentia praticamente dentro da sala de imprensa da categoria, com acesso a muito material do fim de semana das corridas.
            Se a F-1 ainda não abraça a internet, muito provavelmente é porque ninguém resolveu apostar na brincadeira caso Ecclestone tenha tentado algo neste sentido. E na rede mundial não dá para aplicar certos conceitos que se tem no mundo real. Por outro lado, compartilhar algo com a internet, mesmo que legalmente oficial e tudo, prejudicaria diretamente os valores que ele cobra das emissoras de TV e rádio. Exclusividade dos direitos de transmissão são um requisito indispensável para se cobrar cifras altas nas negociações. Imagine licenciar um site para transmitir corridas em streaming? Essa "exibição" na net iria concorrer com as exibições de TV no mundo inteiro, e mesmo que fosse restrita a certas localizações de IP (para limitar seu alcance), há internautas calejados na arte de conseguir assistir às coisas disfarçando sua navegação. E, com as pessoas tendo oportunidade de assistir a GPs na internet no Brasil, por exemplo, mesmo que em outro idioma, Bernie não poderia exigir os valores que cobra da TV Globo para ter exclusividade de exibição em nosso país. E as emissoras, claro, não aceitariam pagar valores tão altos tendo concorrência no pedaço. Então, é tudo questão de lucro financeiro e como tirar vantagem a fim de auferir sempre lucros crescentes.
            Mesmo que fosse uma "moda" passageira ou não, aderir não não seria nenhum bicho de sete cabeças. O problema mesmo, como mencionei, está na mentalidade financeira de Ecclestone, onde se não tiver lucro, ou o pessoal não pague para ver, as chances de serem efetivadas são mínimas. E esse distanciamento do público, em especial o jovem, tende a ser catastrófico futuramente, pois se comprovam também que o público que ainda se mantém firme à F-1 está ficando cada vez mais velho. E com os jovens procurando atrações que interajam mais com eles, não vai demorar até o atual estilo "tradicional" de comercialização da F-1 ter de se "modernizar" novamente frente aos novos tempos, como Bernie fez nos anos 1980 na categoria. Mas o dirigente, no momento, prefere dar de ombros para isso. Para sua sorte, comercialmente no momento a F-1 ainda é muito forte e "vendável" no modo "tradicional", então ele pode se dar ao luxo de esnobar isso. Mas, e quanto ao amanhã? Será que ele mudará de atitude, ou continuará firme em sua posição "antiquada", mesmo com os dados falando abertamente contra?
            Quem viver, verá...


Chegamos ao Canadá para uma das corridas mais agradáveis da temporada, não apenas pelo clima acolhedor de Montreal, uma cidade que "veste" a sua corrida de F-1 como poucas, mas também pelo fato de a corrida neste circuito montado na ilha artificial criada no Rio São Lourenço sempre ser mais agitada do que as demais corridas, proporcionando sempre pegas e disputas interessantes. E o mote favorito no paddock é ver se Lewis Hamilton e Nico Rosberg fumaram mesmo o cachimbo da paz, como afirmaram nos últimos dias. Tem gente apostando que o clima de guerra recomeça logo na primeira saída para o treino livre de hoje, com um querendo sair na frente do outro. Pelo sim, pelo não, duvido que Hamilton vá deixar para sair depois de Nico Rosberg na classificação amanhã à tarde. E Rosberg que prepare: se Hamilton estiver com a cabeça no lugar e se concentrar em pilotar, pode levar um bom baile do inglês neste circuito, onde ele venceu pela primeira vez em 2007, e desestabilizou ninguém menos do que Fernando Alonso naquela corrida. Se Lewis quiser dar o troco de Monte Carlo, está no seu terreno favorito, basta não perder o foco...

quarta-feira, 4 de junho de 2014

FLYING LAPS - MAIO DE 2014



            E o mês de maio já foi embora. E como sempre tem algo que fica faltando comentar nas colunas semanais, eis aqui mais uma edição da Flying Laps com alguns acontecimentos vividos pelo mundo da velocidade neste mês que se passou. Uma boa leitura para todos, e mês que vem tem mais...


A primeira corrida do campeonato da Indy Racing League no circuito misto do autódromo de Indianápolis viu a vitória do francês Simon Pagenaud, da equipe de Sam Schmidt. Mas o destaque, negativo, foi a batida que envolveu 3 pilotos logo na largada, quando o pole Sebastian Saavedra praticamente não conseguiu arrancar, e todos os demais pilotos passaram raspando pelo carro do colombiano, com exceção do compatriota Carlos Muñoz, que acabou atingindo o monoposto do piloto da KV, e ainda tomou mais uma pancada, esta fortíssima, do russo Mikail Aleshin, que atingiu a traseira do carro de Saavedra com vontade. Quem quase se deu mal também foi Juan Pablo Montoya, cujo carro também acabou ficando parado no arranque da largada, mas deu sorte de não ser acertado por ninguém, e ainda retornou à corrida. Felizmente não houve feridos no enrosco. Ryan Hunter-Reay ficou com a 2ª posição final, e Hélio Castro Neves fechou o pódio em 3° lugar. Tony Kanaan foi apenas 10° colocado, ainda não conseguindo se achar na Ganassi no atual campeonato. De resto, uma cena curiosa: o Pace Car teve seu motor estourado durante uma das bandeiras amarelas da corrida, situação pra lá de inusitada.


Ryan Hunter-Reay e Hélio Castro Neves protagonizaram um duelo ferrenho nas voltas finais pela vitória na edição deste ano das 500 Milhas de Indianápolis. O americano da Andretti levou a melhor e ficou com a vitória, superando o brasileiro por 0s06 na linha de chegada, resultado que deixou o piloto da Penske bem chateado pela derrota. Para Michael Andretti, dono do time, foi a sensação de conseguir a vitória que nunca obteve quando era piloto, de vencer a Indy500. O histórico da família Andretti, por sinal, nunca foi muito favorável na prova: a única vitória da família até então no famoso oval de Indiana foi conquistada por seu pai, Mario Andretti, em 1969. Mario aposentou-se das pistas ao fim de 1994, mas nunca conseguiu repetir o feito, e quando era piloto, Michael também nunca triunfou na prova. Ele mesmo admitiu que foi uma sensação diferente, mas igualmente válida. Michael, aliás, não teve do que reclamar: se Hunter-Reay foi o vencedor, tirando o canadense James Hinchcliffe, que se acidentou e bateu, todos os outros pilotos do time chegaram bem na corrida: Marco Andretti foi o 3° colocado, seguido por Carlos Muñoz na 4ª posição, e Kurt Bush, piloto da Nascar que aceitou o convite para correr a Indy500, finalizou em 6° lugar.


Se a Andretti Autosport teve um dia para comemorar nas 500 Milhas de Indianápolis, a Ganassi teve um dia para esquecer. Tony Kanaan, vencedor da prova no ano passado, vinha numa performance satisfatória até sofrer uma pane seca na entrada de uma das paradas no box. O motor apagou e, para piorar, foi preciso trocar o câmbio para conseguirem religar o sistema e dar ignição novamente no propulsor. Nisso, Tony perdeu praticamente quase 20 voltas no box e voltou à corrida pensando em minimizar o prejuízo, contando com abandonos futuros de outros pilotos. Mas só conseguiu recuperar poucas posições, e perto do final, teve de abandonar a corrida de vez. Scott Dixon, por sua vez, rodou na curva 4 e acertou o muro, dando adeus à corrida. Charlie Kimball também ficou pelo caminho, e Ryan Briscoe, ainda que numa pífia 18ª posição, pelo menos recebeu a bandeirada. Melhor sorte no próximo ano. E quem precisa de melhor sorte também é a própria Indy500, que estreando novas regras no seu sistema de classificação este ano, teve apenas 33 carros inscritos, de modo que todo mundo já tinha lugar garantido no grid. É uma situação preocupante, ainda mais se lembrarmos que em determinadas edições haviam mais de 60 carros tentando classificação para a corrida...


Está difícil alguém parar a arrancada de Marc Márquez este ano no campeonato da MotoGP. Na etapa da França, disputada no traçado curto do tradicional autódromo de Le Mans, o atual campeão teve sua corrida mais complicada no ano, fazendo uma má largada e caindo para a 10ª posição, com Valentino Rossi assumindo a ponta e comandando a corrida com autoridade. Mas Márquez não se intimidou e foi para o ataque, ultrapassando todos que via à sua frente, até chegar em Valentino. O italiano resistiu o quanto pôde, mas o ritmo de sua Yamaha não foi páreo para o rendimento da Honda de Marc, que assim que conseguiu a ultrapassagem após induzir Rossi a um erro numa curva, simplesmente assumiu a dianteira para não mais perdê-la. E com isso chegou à sua 5ª vitória em 5 corridas no atual campeonato, novo recorde da modalidade. Jorge Lorenzo foi apenas o 6° colocado, e Dani Pedrosa terminou apenas em 5° lugar, e viu o parceiro de equipe se distanciar ainda mais na liderança do campeonato.


Tony Fernandes já cansou da brincadeira de ser dono de equipe de F-1 e colocou seu time, a Caterham, à venda. Se não conseguir pontuar até o fim do ano, muito provavelmente deve até fechar a escuderia, caso não ache um comprador, o que até o presente momento parece estar sendo difícil. Os motivos seriam os altos gastos de competição da categoria, para não mencionar falta de resultados do time, que quando estreou em 2010, tinha toda a pinta de ser o mais promissor das equipes surgidas naquele ano, ao lado da Virgin (atual Marussia) e da Hispania. A princípio tendo ressuscitado o nome "Lotus", o time mudou para Caterham em virtude de uma disputa oportunista movida pela Proton, grupo da Malásia que detinha o nome "Lotus" para carros. Mas do ano passado para cá, a Caterham acabou superada pela Marussia, que mesmo com menos recursos, conseguiu resultados ligeiramente melhores do que a escuderia de Fernandes. A situação da briga no campeonato com a Marussia, aliás, só piorou quando este conseguiu enfim seus primeiros pontos na F-1, ao terminar a corrida de Mônaco na 9ª colocação com Jules Bianchi. A menos que a Caterham consiga um milagre e faça pelo menos um 8° lugar ou alguns 10°s lugares, vai terminar novamente em último no campeonato, e certamente deveremos ter um time a menos no campeonato de F-1 de 2015...


A F-1, aliás, já tem uma baixa para o campeonato de 2015: Gene Hass, que teve sua inscrição aprovada pela FIA para competir na categoria, anunciou que o ingresso do time foi postergado para 2016. Os motivos seriam a falta de tempo hábil para construir a estrutura necessária para competir na F-1, além de até o presente momento não ter conseguido angariar fundos suficientes de patrocínio para estrear já no próximo ano. Um revés à primeira vista, o adiamento tem tudo para ser benéfico, permitindo a Hass estruturar devidamente sua escuderia, em um trabalho que, feito com seriedade, deve garantir ao time uma estréia mais condigna na categoria máxima do automobilismo. A USF1, que tentou estrear em 2010, nunca conseguiu produzir mais do que o bico do carro, e virou motivo de piada nos meios automobilísticos, sumindo sem deixar pistas...


Mais uma vitória para a Volkswagen no Campeonato Mundial de Rali. O finlandês Jari-Matti Latvala faturou a etapa da Argentina, enquanto seu companheiro, o atual campeão Sebastian Oggier, ficou em 2° lugar, mantendo firme a liderança do campeonato. Mas o maior destaque foi o polonês Robert Kubica, que finalmente teve uma etapa sem se envolver em acidentes, e finalizou em um excelente 6° lugar, marcando seus primeiros pontos na competição. O polonês ocupa a 14ª posição, com 8 pontos. Sebastian Oggier é o líder, com 112 pontos, enquanto Jari-Matti Latvala é o vice-líder, com 88 pontos. No campeonato de marcas, a Volkswagen lidera com 248 pontos, seguida pela Ford, com 166 pontos. A Citroen, outrora imbatível com Sebastien Loeb, ocupa a 3ª posição, com apenas 80 pontos...


sexta-feira, 30 de maio de 2014

PRENÚNCIO DE TEMPESTADE


Nico Rosberg e Daniel Ricciardo estavam pra lá de sorridentes na cerimônia do pódio de Mônaco. Já Lewis Hamilton...

            O que todo mundo esperava que aconteceria mais cedo ou mais tarde começou: os pilotos da equipe Mercedes, time que vem dominando o campeonato deste ano da Fórmula 1, já não falam a mesma língua. Depois de 4 vitórias consecutivas de Lewis Hamilton, Nico Rosberg conseguiu dar o troco em Monte Carlo e vencer pela segunda vez no ano, retomando a liderança da competição, que havia perdido para Lewis em Barcelona. Verdade que algumas circunstâncias ajudaram também: pista travada e sem pontos de ultrapassagem, Nico, que largou na pole, só perderia a corrida se cometesse um erro ou sofresse uma falha mecânica. Não aconteceu nem uma nem outra: Rosberg largou bem e firme ficou na dianteira até a bandeirada. Hamilton, que não conseguiu tomar a ponta no arranque da largada, só teria chance de tomar a dianteira na parada de box, mas aí o acidente de Adrian Sutil, que estampou o guard-rail na saída do túnel, complicou as coisas, porque quase todo mundo aproveitou para trocar os pneus, e a Mercedes chamou seus dois pilotos na mesma hora, arruinando os planos de Lewis, que certamente tentaria ficar um pouco mais na pista para tentar voltar à frente. Mas Hamilton saiu de Mônaco com o sangue quente.
            O que certamente o incomodou mesmo foi o "erro" de Rosberg no Q3, após ter feito o melhor tempo, quando saiu reto na Mirabeau e motivou bandeira amarela no local, o que "matou" a volta de Lewis naquele momento, que nas parciais, vinha 0s2 mais veloz que o tempo da pole de Nico. E como a pole era mais de meio caminho para a vitória no Principado, e sabendo que podia ter batido o colega não fosse sua saída de pista, normal achar que o companheiro tenha "encenado" aquilo como artífice para garantir a pole. Qualquer um suspeitaria. Até aí, nada de anormal. O problema foi externar essa opinião, e mesmo com a FIA tendo analisado o caso e nada encontrado de errado, Hamilton cometeu o erro crasso de acusar o golpe, mostrando-se vulnerável emocionalmente. Ele prometeu revanche na corrida, mas não deu em nada. Mas soube manter a cabeça sob controle ao não tentar arriscar um duelo renhido pela vitória, o que poderia ser muito pior.
            Uma luta roda a roda pela liderança durante a prova seria arriscado, e um erro, por mínimo que fosse, jogaria um, ou ambos, no guard-rail, arruinando a corrida de todo o time, e como autor da tentativa de ultrapassagem, se causasse tais problemas, poderia ficar queimado com o time, que até o presente momento tem deixado ambos duelarem livremente nas corridas, com a determinação de que ambos não se estranhem e coloquem tudo a perder. Nesse ponto, melhor garantir o 2° lugar, tanto na prova como no campeonato. Nico retomou a liderança, por 4 pontos, e ainda temos 2 terços do campeonato pela frente. Tem muito chão até o final do campeonato, e no ritmo em que ambos se encontram, é possível que a decisão se dê apenas na última corrida, graças à idéia mequetrefe da FIA de estabelecer pontuação dobrada no encerramento da competição. Mas, a partir de agora, as provas serão de guerra dentro do time da Mercedes. E, apesar das declarações esquentadas de Hamilton em Mônaco, posso dizer que o clima de combate ainda é relativamente velado. Mas falta pouco para a guerra aberta ser declarada.
            Porque falo que o clima ainda é de guerra "velada"? É só lembrar que, nas 4 corridas vencidas por Hamilton, era Nico quem cada vez mais estava ficando com a cara fechada. Seu semblante em Barcelona, prova anterior a Mônaco, era tão insatisfeito quando o de Lewis após o fim da corrida de Monte Carlo. Apenas por ser um pouco mais frio e controlado, ele não saiu também chiando, o que não quer dizer que estivesse satisfeito com a situação. Em Mônaco, ele preferiu contemporizar, como se o problema não fosse com ele. Claro, tendo vencido, era natural que estivesse todo sorridente e faceiro. Afinal, está de volta à dianteira da classificação, e espantou, por hora, o fantasma de virar sombra do parceiro de equipe. Mas e se tivesse tomado outra derrota do inglês. Certamente que seu humor estaria um tanto quanto diferente. Se Hamilton voltar a dar as cartas nas próximas corridas, como fez nas provas antes de Mônaco, vamos ver até onde vai a frieza de Rosberg. Por enquanto, é só Hamilton que está de cabeça quente, e esse é o maior problema dele: se deixar que isso o perturbe, pode perder a concentração e dar a Nico a vantagem psicológica que ele precisava para se impôr no time e na pista. Pior, suas declarações inflamadas já causaram um tremendo mal-estar na própria Mercedes, e isso pode pesar muito contra ele, dependendo de como as coisas evoluírem, em caso de nova derrota.
            A direção da Mercedes já se movimenta para colocar panos quentes na questão. Tanto Toto Wolf como Niki Lauda já estão se movimentando para evitar que os ânimos fiquem mais exaltados, e se necessário, Wolf já avisou que poderá impôr ordens de equipe aos pilotos na pista. Nada pior para o campeonato a esta altura, quando a única atração é ver a briga entre os pilotos do time que domina a competição. Já vimos isso em 1988, quando a McLaren arrasou a concorrência e tinha Ayrton Senna e Alain Prost.
            A situação na McLaren, aliás, até que ficou serena boa parte do ano. Apenas mais para o final da temporada, em Portugal, quando Senna deu uma largada que quase prensou Prost no muro é que os ânimos ficaram mais tensos, fora o fato de Prost achar que seus motores andavam "descalibrados" para favorecer o brasileiro a certa altura do campeonato (que nada se provou, com os japoneses até dando ao francês a chance de escolher quais motores queria no lote de unidades disponíveis a cada GP), mas ambos ainda terminaram o ano relativamente numa boa. Mas em 1989 a coisa azedou de vez, quando o brasileiro descumpriu o pacto de não-agressão na primeira volta em San Marino e venceu a corrida. A situação na Mercedes está se deteriorando mais rápido: foram apenas 6 corridas até agora.
            Fica a dúvida de como ficará o clima na Mercedes a partir de agora. A tempestade se aproxima, resta saber a intensidade das trovoadas. Se nas próximas corridas houver luta ferrenha pela vitória, tudo deve azedar de vez mesmo, vai depender de quem ganha e quem perde. E pode ficar menos ou mais complicado se um dos pilotos conseguir vencer com margem ampla, suplantando o parceiro com folga. Amigos de longa data, tanto Rosberg quanto Hamilton estão prestes a jogar a amizade no lixo pela disputa acirrada do título, uma pena, mas a F-1 atual é assim, destrói amizades e traz o pior à tona. Hamilton é o primeiro a falar algo mais escancaradamente de que está incomodado por ter perdido, e não duvidem que Rosberg demorará a falar algo parecido quando perder também.
            No fundo, ambos sabem que é uma chance que pode não se repetir. Quem garante que no ano que vem a Mercedes continuará dando as cartas da maneira como vem fazendo agora? Pode tanto continuar vencendo como pode enfim ter concorrência maus dura ou até ficar em desvantagem, dependendo de como ficarem os novos carros de 2015. Portanto, é aproveitar para ser campeão agora e arcar com possíveis consequências depois. Hamilton busca o bi desde 2009, após ter sido campeão em 2008, e nos últimos 4 anos, viu-se subjugado pela hegemonia do conjunto Sebastian Vettel/Red Bull. De novo com um carro vencedor e campeão em mãos, ele não vai deixar passar a chance. Para Nico Rosberg, que está na F-1 desde 2006, e desde então sendo considerado sempre uma "promessa", esta é sua primeira temporada efetiva como postulante ao título, e nunca tendo sido considerado um dos favoritos antes, também não vai querer deixar ninguém estragar suas chances de finalmente ser campeão.
            Continuo reafirmando o que já falei em colunas anteriores: piloto por piloto, Lewis Hamilton é mais rápido e talentoso do que Nico Rosberg, mas nem por isso o alemão deve ser subestimado. Vai ser um duelo homem-a-homem, e o principal problema até o presente momento é o fato de Hamilton por vezes se perder emocionalmente se as coisas não correm bem a seu favor. É um ponto fraco que pode ser explorado por Rosberg, que a princípio saiu-se bem em Mônaco. Por outro lado, não dá para saber até que ponto Nico também vai ser manter impassível no caso de ser superado por Hamilton com frequência. Ele ficou relativamente quieto nas 4 corridas que foram ganhas pelo inglês, mas não ia escondendo seu incômodo com a situação. O fato de ser apenas o início do campeonato ajudou, mas e quando isso ocorrer mais à frente, em momentos decisivos? Vai se manter impassível, ou também pode perder as estribeiras? É algo que precisa ser conferido. Rosberg só foi superado no campeonato por um companheiro de equipe no ano passado, mas com o domínio imposto por Vettel e sua Red Bull na segunda metade da competição, isso passou meio que em branco. Agora que o título está diretamente na alça de mira, a situação é diferente, e promete mexer com os brios de ambos os pilotos, e da escuderia.
            Que eles se preparem para a tempestade que se aproxima...ela pode ser bem feroz...

quarta-feira, 28 de maio de 2014

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA - MAIO DE 2014



            O mês de maio está chegando ao fim, e portanto, lá vamos nós com mais uma edição da COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA, fazendo o tradicional balanço do que andou acontecendo neste mês no mundo da velocidade. Como de costume, vamos às classificações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Então, boa leitura a todos, e até a cotação do mês que vem...



EM ALTA:

Nico Rosberg: Após amargar 4 derrotas consecutivas para Lewis Hamilton e ter perdido a liderança do mundial no GP da Espanha, o filho de Keke Rosberg precisava reagir na competição, e o fez de forma magistral em Mônaco, onde largou na pole-position e venceu a corrida praticamente de ponta a ponta. Se é verdade que o circuito ajudou a se defender de possíveis investidas de Hamilton, o inglês também sentiu o golpe, e já começou a soltar comentários indicando que o bom relacionamento entre ambos acaba de ir para o brejo. Piloto por piloto, Hamilton é melhor do que Nico, mas nem por isso o alemão pode ser subestimado, o que demonstrou na corrida do Principado.

Ryan Hunter-Reay: O piloto da Andretti teve um mês de maio pra ninguém botar defeito no campeonato da Indy Racing League. Foi segundo colocado na corrida de Indianápolis, e duas semanas depois, conseguiu vencer as 500 Milhas de Indianápolis, em uma disputa eletrizante com Hélio Castro Neves nas voltas finais. Como resultado, pulou para a liderança do campeonato, com 274 pontos, e começa a se mostrar como forte candidato ao título da temporada, surpreendendo quem achava que a briga se daria entre os pilotos da Penske e da Ganassi.

Equipe Marussia: Pode ser exagero afirmar que este time nanico está em alta, mas a pequena escuderia, desde que estreou na F-1 há 5 anos, finalmente marcou seus primeiros pontos na categoria, com o 9° lugar de Jules Bianchi na etapa de Mônaco, que foi mais comemorado até do que uma vitória. O time e o piloto aproveitaram a oportunidade para superar rivais mais bem equipados e com isso garantiram um importante alivio financeiro para o campeonato de 2015. Um golpe e tanto para sua principal rival, a Caterham, que desde que estreou, na mesma temporada da Marussia, chamada na época de Virgin, sempre se mostrou a mais promissora e profissional das equipes nanicas, e aos poucos vem perdendo o encanto com a categoria. Poderão ser os únicos pontos do time em toda a temporada, mas dada a performance exibida nestes anos todos, é para se comemorar realmente.

Equipe Volkswagen no Mundial de Rali: A fábrica alemã está deitando e rolando no Campeonato Mundial de Rali deste ano. A escuderia venceu todas as 5 provas disputadas até agora, com 3 vitórias para o atual campeão, o francês Sebastien Ogier, enquanto seu parceiro, o finlandês Jari-Matti Latvala faturou as outras 2 etapas da competição. Ogier lidera o certame com 112 pontos, seguido por Latvala, que tem 88. O mais próximo concorrente na tabela é o norueguês Mads Ostberg, que tem apenas 48 pontos. Verdade que ainda tem 8 etapas até o fim do campeonato, mas pelo ritmo que os pilotos da Volkswagen têm demonstrado, dificilmente o título não será de um deles, para desespero dos concorrentes.

Equipe Andretti: O time de Michael Andretti está em alta neste início do campeonato da Indy Racing League 2014. Ryan Hunter-Reay já acumula 2 vitórias na temporada, e a escuderia tem 3 de seus 4 pilotos entre os 6 primeiros colocados na classificação do campeonato, e lidera a classificação por equipes da categoria. Campeã em 2012 com Hunter-Reay, o time dá mostras de que tem tudo para fazer o americano chegar ao bicampeonato. Marco Andretti e o novato Carlos Munhoz também tem feito boas apresentações, e só James Hinchcliffe tem ficado a desejar, depois do bom início de campeonato feito no ano passado. Michael Andretti, quando era piloto, nunca conseguiu vencer a Indy500, e só agora como dono de equipe conseguiu a proeza. No momento, o time é a escuderia a ser batida na luta pelo título, e a Penske vem em seus calcanhares.



NA MESMA:

Equipe Mercedes: Não importa a pista ou as atualizações que a concorrência faça, o time prateado sediado em Brackley continua deitando e rolando no atual campeonato de F-1, tendo em 6 etapas 6 vitórias e 6 pole-positions, além de 5 dobradinhas. O que salvará a expectativa do mundial é saber qual dos pilotos levará a taça, Lewis Hamilton ou Nico Rosberg. O título de construtores vai ser barbada, então. Os concorrentes que comecem a pensar em 2015...

Marc Márquez: O atual campeão da MotoGP vem barbarizando no campeonato de 2014, e em 5 corridas já contabiliza 5 vitórias, novo recorde na história da categoria. Vai ser difícil derrubar o seu favoritismo: além de contar com o melhor equipamento, seu companheiro de equipe Dani Pedrosa parece não ter forçar para acompanhar o ritmo de seu parceiro mais novo. A continuar nessa toada, Márquez deve encerrar a disputa pela taça com várias provas de antecipação, a menos que a concorrência consiga reagir, o que está parecendo difícil de acontecer.

Hélio Castro Neves: Buscando o 4° triunfo nas 500 Milhas de Indianápolis, o piloto brasileiro da Penske bateu na trave novamente este ano, chegando em 2° lugar depois de uma luta acirrada com Ryan Hunter-Reay nas voltas finais. De positivo, apenas o fato de ter terminado entre os primeiros nas duas provas disputadas na capital de Indiana neste mês de maio, o que o leva para a 3ª posição no campeonato. Mas, lembrando-se do que aconteceu no ano passado, é melhor que Helinho comece a ganhar corridas, para entrar firme na luta pelo título de forma que não precise evitar um fim de semana ruim, como aconteceu em Houston em 2013, quando de favorito passou a azarão. Isso para não falar que Will Power vem andando mais forte este ano, e se não tomar cuidado, pode ficar novamente na sombra do australiano.

Felipe Massa: O piloto brasileiro não está tendo o desempenho desejado no campeonato que se esperava. Massa já ficou algumas provas sem pontuar, e mesmo tendo um resultado satisfatório em Mônaco depois do azar na classificação, tem de se empenhar mais para evitar ser ofuscado pelo finlandês Valtteri Bottas, que tem se mostrado muito rápido. O maior problema do brasileiro, contudo, são os azares que insistem em persegui-lo, como se viu nas últimas corridas, que sempre ajudaram a estragar parte do potencial de resultados melhores. Felipe precisa sair dessa sina se quiser de fato renascer na F-1, do contrário, ao fim de seu atual contrato com a Williams, pode ficar novamente sem lugar para ir na tentativa de permanecer na F-1. Já a Williams, por sua vez, parece reviver a temporada de 2012, quando tinha um bom carro, e só não foi mais longe por culpa da dupla de pilotos, sendo que atualmente o carro tem potencial para render mais, mas sempre há problemas localizados que impedem que se extrair tudo o que eles podem dar.

Sebastian Vettel: O atual tetracampeão de F-1 continua atrás de seu parceiro de equipe Daniel Ricciardo na classificação do campeonato. Em Mônaco, que na teoria seria o melhor cenário para a Red Bull tentar incomodar a Mercedes, o alemão ficou novamente a pé por problemas na unidade de potência da Renault, que afligiu também os carros do time "B", a Toro Rosso. Há que se elogiar o comportamento de Vettel, que até o presente momento está aceitando na esportiva o momento incômodo que está vivendo, uma vez que não sabia o que era ficar atrás do colega de time na classificação há muito tempo. Mas, nas entrelinhas, ele mostra estar bem insatisfeito com a situação de não poder vencer corridas. Felizmente, ele também parece demonstrar saber que seu time está fazendo o que pode para sanar o problema, dentro de suas possibilidades, e é hora de ser solidário com o time que lhe deu tudo nos últimos 4 anos, anos que são muito recentes, mas que devem estar dando uma saudade danada em Sebastian...



EM BAIXA:

Tony Kanaan: O piloto brasileiro não vem tendo um bom início de temporada na IRL este ano. Dispondo novamente de uma estrutura de ponta, o piloto baiano vem enfrentando percalços atrás de percalços, e na Indy500, amargou abandonar a corrida perto do final, prova da qual já estava alijado de um bom resultado por um erro de estratégia que lhe causou uma pane seca e a necessidade de troca do câmbio de seu carro, o que o fez perder 18 voltas nos boxes. Após o fim da Indy500, Tony é apenas o 16° colocado na competição, e vendo as chances de disputar o título ficarem mais distantes. Resta esperar por uma reviravolta como a que seu time conseguiu em 2013, com Scott Dixon, que a partir de Pocono desandou a andar na frente...

Pastor Maldonado: O piloto venezuelano continua comendo o pão que o diabo amassou nesta temporada. Enquanto vê o parceiro Romain Grossjean começar a pontuar, graças à melhora da competitividade do carro da Lotus, ele se vê em problemas a torto e a direito, sendo que em Mônaco, nem conseguiu largar após seu carro enguiçar no grid e os mecânicos não terem conseguido fazê-lo funcionar novamente, o que fez Pastor praticamente abandonar a prova sem sequer ter largado. Para complicar, a PDVSA, seu principal trunfo e patrocinador, está prometendo rever sua política de patrocínio de pilotos, e embora desminta que isso o afete, pode sim complicar a continuidade de sua carreira na F-1, uma vez que seu histórico na categoria é de mais baixos que altos.

Jorge Lorenzo: O bicampeão da MotoGP não está tendo este ano o campeonato que esperava. Além de ver o rival Marc Márquez disparar na ponta, vencendo corrida atrás de corrida, ele ainda está se vendo superado por Valentino Rossi, que ocupa a 2ª posição no campeonato e já subiu 3 vezes ao pódio, enquanto ele contabiliza apenas 1, e já teve um abandono logo no início do campeonato, no Catar. O espanhol ocupa a 5ª posição na classificação, com apenas 49 pontos, enquanto Márquez já acumula 125, e Rossi, 81 pontos. A meta de chegar ao tri vai ficando cada vez mais distante.

Equipe Sauber: O time suíço está tendo o seu pior início de temporada desde que estreou na F-1. Até o momento, está sem pontos no campeonato, e o desempenho do carro não dá sinais de que vai evoluir. Em Mônaco, para piorar, ainda viu Adrian Sutil bater forte e aumentar as despesas do time, que agora foi superado até pela nanica Marussia na classificação de construtores. E, como desgraça pouca é bobagem, patrocinadores que é bom, nada. Os poucos apoios de peso da escuderia de Peter Sauber são derivados de Esteban Gutierrez, que até o presente momento não tem conseguido dar mostras de evoluir mais como piloto, e que pode dar adeus ao fim do ano, levando com ele o apoio das empresas de Carlos Slim.

Equipe Chip Ganassi: O time do velho Chip pretendia comemorar seus 25 anos de fundação em grande estilo na Indy500, com direito a pintura comemorativa em prata nos dois carros do time, mas deu tudo errado: Tony Kanaan sofreu uma pane seca e problemas no carro, e Scott Dixon ainda bateu forte na parte final da corrida, felizmente sem sofrer ferimentos de monta na pancada. No time "B", Charlie Kimball também abandonou, e sobrou apenas Ryan Briscoe terminar num modesto 18° lugar. Depois de dar uma arrancada fulminante na segunda metade do ano passado e conquistar o título com Scott Dixon, a Ganassi parece novamente iniciar um campeonato abaixo das expectativas, resta saber se vai conseguir dar a volta por cima. como fez em 2013...