sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

LARGADA PARA O DAKAR 2013



Rali Dakar 2013 passará por 3 países.
            Ano novo, e lá vão eles novamente. Amanhã começa mais uma edição do maior rali do mundo, o Dakar, que pela 5ª vez consecutiva será disputado aqui na América do Sul. A edição deste ano traz mudanças em relação ao percurso utilizado nos últimos anos. Desde que começou a ser disputado em nosso continente, motivado por questões de segurança, o rali sempre passava por Buenos Aires, a capital da Argentina, e o percurso do rali a princípio tinha ficado entre a Argentina e o Chile. Ao longo das últimas edições, o traçado da competição foi variando, e este ano, a capital portenha nem verá a sombra ou poeira dos veículos da disputa. A largada acontece amanhã em Lima, a capital do Peru, e seu destino final será Santiago, capital do Chile, após os competidores enfrentarem os terrenos peruanos, chilenos, entrarem pela Argentina, e retornarem ao Chile para o encerramento da competição. Serão cerca de 8.500 quilômetros de competição divididos entre os 3 países, com promessa de muita disputa, dificuldades, e com certeza, acidentes pelo caminho, além de muita, muita areia a ser vencida.
            Amanhã, os competidores partem da capital peruana com destino a Pisco, onde no domingo irão cumprir uma etapa de volta pela região, voltando para a cidade. De Pisco, o próximo trajeto os levará a Nazca, e de lá para Arequipa. O passo seguinte será chegar a Arica, já no norte do Chile, deixando o Peru para trás. Descerão até Calama, e de lá partirão para a Argentina, com destino a Salta. Depois, a parada seguinte é em San Miguel de Tucumán, onde haverá um dia de descanso para todos os competidores, no dia 13. De volta ao batente, os loucos do deserto rumarão para Córdoba, de onde seguirão para La Rioja, e em seguinda, Fiambalá, última parada em terras argentinas, antes de regressarem novamente ao Chile, entrando no país pelo seu mais famoso deserto, o Atacama, que promete novamente ser implacável com todos os veículos da competição. No retorno ao Chile, a cidade de Copiapó é o primeiro ponto dos “sobreviventes” do Atacama, e de lá, eles partirão rumo a La Serena, última parada antes da etapa derradeira, que terminará na capital, Santiago, no dia 20.
            Dão a largada amanhã quase 200 competidores só na categoria motos. Nos caminhões, serão 75 competidores. Nos carros, serão mais de 160 participantes. Na categoria quadriciclos, serão 41 competidores. E o rali nem começou, e já houve baixas na competição: o uruguaio Sergio Lafuente ficou fora de combate após receber uma transfusão de sangue contaminado, visando se recuperar mais rápido de um acidente nos últimos dias de 2012, quando se preparava para o rali. O piloto acabou sendo internado, e seu estado ainda inspira cuidados, tendo sido induzido ao coma para melhorar as chances de recuperação. E, no lado brasileiro, ficamos sem Felipe Zanol, que se acidentou em dezembro no deserto de Mojave, na Califórnia, onde treinava para a HRC, sua equipe de competição. Zanol segue internado nos Estados Unidos, e sua situação já é melhor, tendo passado até cerca de 10 dias em coma, devido a lesões na cabeça. Quem também se acidentou em Mojave foi o piloto Sam Sunderland, que como não conseguiu se recuperar a tempo, também ficou de fora da competição. Mas talvez a mais sentida das ausências seja do motociclista Marc Coma, que sofreu um acidente quando disputava o rali do Marrocos, e ainda sem condições ideais, anunciou ainda no mês passado que não disputaria o rali. O acidente foi em outubro, mas o ombro do piloto ficou lesionado, e sem ter condições ideais de competir 100%, ainda mais em um rali do nível do Dakar, Coma preferiu concentrar forças em sua recuperação.
            Pelo Brasil, serão 9 participantes. Nas motos, nosso único representante será Jean Azevedo. Todos os demais irão competir em 4 rodas, na categoria carros. Neste ano, não teremos representantes correndo entre os caminhões. Nos carros, teremos as duplas Guilherme Spinelli e Youssef Haddad, Marcos Baumgart e Kleber Cincea, e Bruno Sperancini e Thiago Vargas. Lourival Roldan, que já participou de sete edições do Dakar e 12 do Rali dos Sertões, participará como segundo copiloto do boliviano Luís Barbery. E encerrando nossa lista de representantes, temos Reinaldo Varela, que correrá em um UTV sem a ajuda de navegador. O destaque é a ausência de André Azevedo, depois de 25 anos de participação no Dakar. Devido à falta de patrocínio, o piloto anunciou ainda em agosto do ano passado que não disputaria a competição.
            Entre os favoritos na competição, os franceses Stéphane Peterhansel e Jean-Paul Cottret, que correm com os Mini da equipe X-Raid, e que foram a surpresa da competição em 2012. Mas a parada, dizem, não deve ser fácil. A concorrência se armou bastante para a edição deste ano, e promete dar trabalho ao veterano decacampeão do rali. Robby Gordon, por exemplo, está de volta, pilotando novamente um Hummer H3. O campeão de 2011, Nasser Al-Attiyah, irá competir com um buggy 4x2 desenvolvido especialmente para a competição nos Estados Unidos, pela equipe Qatar Red Bull Team. Nasser terá como navegador Lucas Cruz. Mas a equipe terá ainda o espanhol Carlos Sainz, em parceria com o navegador Timo Gottschalk na competição. E prometem entrar na competição para vencer. O maior problema do time é que o equipamento não teve testes suficientes para verificar sua competitividade e fiabilidade, então o rali promete ser uma verdadeira aventura, com as duplas tendo de descobrir a capacidade de seu equipamento.
            Nas motos, com a ausência de Marc Coma, o grande favorito é o francês Cyril Després, da KTM. Mas como toda competição com a complexidade do Dakar, não se pode afirmar que Després terá vida fácil para vencer novamente. Seu maior adversário deverá ser o português Hélder Rodrigues, que disputará a competição pela Honda, que depois de duas décadas retorna ao Dakar. Nos caminhões, quem pinta de favorita é a Iveco, que no ano passado, contra todas as previsões, destronou os russos da Kamaz. Serão pelo menos 5 caminhões italianos contra 5 russos, teoricamente uma luta emparelhada, mas é precipitado fazer prognósticos de quem vai dar as cartas. Assim como a Iveco chegou como azarona no ano passado, ninguém pode afirmar que os russos não vão dar o troco neste ano.
            Desde que deixou o continente europeu e africano, o Dakar encontrou no continente sul-americano seu novo palco de competição. Apesar de ser anunciado a princípio como algo provisório, cada vez mais parece difícil ver a competição retornar a seu palco de origem. Na Europa, em crise financeira, é complicado arrumar patrocinadores que topem despejar dinheiro na competição. O campeonato mundial de rali já atende aos desejos dos patrocinadores. E, no continente africano, as ameaças de fanáticos radicais islâmicos ainda persiste, e os eventos da primavera árabe só complicou as coisas, com as mudanças de governos ocorridas. Por outro lado, os desafios da competição permanecem, e as provas disputadas por aqui se mostraram mais do que à altura da fama conquistada pelo Dakar em toda a sua história.
            Fica sempre a esperança de que o rali resolva abraçar o Brasil no seu percurso em terras sul-americanas, mas é difícil botar fé nesse objetivo. Neste ano, a competição passará por apenas 3 países: Peru, Chile e Argentina. A própria Argentina perdeu parte da competição neste ano, que desde que a prova passou a ser disputada por aqui, sempre teve Buenos Aires como um de seus pontos, fosse largada, fosse chegada, e até ambos. Mas o Brasil, em que pese a tradição do Rali dos Sertões, não consegue desenvolver simpatia pelas provas de rali, e uma prova disso é o nosso reduzido número de participantes, ou o fato de um competidor de longa data como André Azevedo não conseguir patrocínio para disputar a competição. A Argentina, em que pese o país estar indo para o brejo economicamente, em virtude de uma política econômica errática de um governo ainda mais errático e fracassado, ainda terá quase 80 participantes na competição, mostrando que o automobilismo off-road tem uma grande afinidade entre os torcedores de corridas no país. E nesse panorama, o Brasil não tem condições de se candidatar a quase nada, e os empresários nacionais precisam enxergar o potencial de marketing de um rali como o Dakar, e não ficar apenas olhando, infelizmente.
            Agora, é hora de dar a largada, e vermos novamente os loucos do deserto em ação. E, no dia 20 de janeiro, veremos quantos deles chegarão inteiros a Santiago. Não é questão de ser pessimista: completar o Dakar, o mais perigoso e difícil rali do mundo, já pode ser considerado uma vitória...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

FLYING LAPS – DEZEMBRO DE 2012


            Bem, 2012 já era, e agora iniciamos 2013. Mas inicio o ano com a sessão Flying Laps, relacionando alguns fatos ocorridos no mês passado, com algumas considerações minhas. Uma boa leitura a todos, e espero contar com a visita de todos em mais um ano para ler meus textos sobre o mundo da velocidade. Espero que seja um ano melhor do que o de 2012 em muitos aspectos, não apenas para mim, mas para todos. E vamos aos relatos...

Sem se iludir mais em tentar arrumar um lugar na Fórmula 1, o brasileiro Lucas Di Grassi já garantiu sua ocupação em 2013: vai pilotar para a Audi no Mundial de Endurance. O piloto brasileiro deixou uma excelente impressão na fábrica alemã com seu desempenho da corrida das 6 Horas de São Paulo, e agora será piloto do time oficial da fábrica no campeonato de 2013. A Audi, contudo, ainda não definiu quais as provas que o brasileiro irá participar, mas é provável que Grassi participe de todo o campeonato, embora ainda não haja nenhuma confirmação neste sentido. A fábrica alemã deve se preparar para enfrentar uma competição bem mais acirrada este ano, principalmente por parte da Toyota, que mostrou nas provas finais do WEC de 2012 que tem carro e pilotos para desbancar a gigante alemã. Duelo germânico-japonês à vista no mundial de endurance de 2013. E quanto mais competição, melhor. E Di Grassi está mais do que empolgado para pegar no volante novamente dos belos modelos da Audi e acelerar fundo. Lucas vai pilotar um dos mais belos e sofisticados carros de competição do mundo, e sem ter de aturar o mundaréu de regras técnicas que tem sufocado a evolução dos F-1 nos últimos tempos. E ainda por cima guiando para aquele que é considerado o melhor time da categoria...


A Indy Racing League assinou em dezembro contrato garantindo fornecimento de pneus para a categoria pelo menos até 2018. A Firestone, que em tempos recentes chegou até mesmo a anunciar que deixaria a competição, voltou atrás e firmou um novo acordo com a direção da Indycar para continuar como fornecedora de compostos exclusiva para a categoria pelas próximas 5 temporadas. Na verdade, a Firestone está na IRL desde a criação do campeonato, em 1996. A categoria, assim como na F-1, adotou apenas um fornecedor de pneus com a intenção de baixar os custos de competição. A fábrica ainda é importante patrocinadora de algumas corridas do campeonato, com as provas de São Petesburgo e Long Beach.


A equipe Carlin fechou sua dupla de pilotos para o campeonato da GP2 em 2013: o brasileiro Felipe Nasr terá o inglês Jolyon Palmer como companheiro de equipe. Jolyon é filho do ex-piloto Jonathan Palmer, que correu na F-1 nos anos 1980, onde pilotou por times como Tyrrel e Zackspeed, sem conseguir grandes resultados devido à pouca competitividade dos times. Palmer, por sua vez, manifestou alegria pela confiança da Carlin em seu talento, e afirmou que sua meta é disputar o título da categoria. Jolyon venceu uma das etapas de Mônaco em 2012, correndo pela equipe iSport. O piloto inglês terminou o campeonato em 11° lugar, com 78 pontos, curiosamente logo atrás de Felipe Nasr, que foi 10° no campeonato com 95 pontos. Há quem diga que a disputa entre ambos promete pegar fogo dentro da Carlin. Veremos...


Os campeonatos da MotoGP em 2013 trarão um inédito sistema de punição por pontos que serão aplicados aos seus participantes. Similar ao sistema de pontos nas carteiras de motorista, os pilotos que “acumularem” pontos devido a manobras desportivas ou causarem acidentes ou incidentes na pista poderão sofrer punições pelo acúmulo destes pontos. De acordo com as informações fornecidas, o competidor que acumular 4 pontos, por exemplo, perderá sua posição de largada na próxima corrida, e terá de partir da última posição no grid. Se ele acumular 7 pontos, terá então de largar dos boxes. E, caso chegue a 10 pontos, o piloto tomará suspensão da corrida seguinte, ficando proibido de participar da etapa. Isso irá valer tanto para a categoria principal da MotoGP, bem como para suas categorias imediatamente inferiores, como a Moto2 e Moto3 (antigas 250cc e 125cc). O sistema parece interessante, e deve servir para coibir um pouco o excesso de manobras perigosas que porventura possam resultar em acidentes perigosos, ainda mais que estamos falando de competição com motos, onde embora os pilotos tenham um conjunto de proteção eficiente, estão muito mais sujeitos a sofrer um acidente de grande vulto, e com conseqüências por vezes imprevisíveis, que só não se vê com muito mais frequência do que se imagina devido a muita sorte de todos. Fica a esperança de que ele seja aplicado com critérios objetivos e sem firulas, como anda acontecendo com certas punições na F-1, que chegam a encher o saco tanto do público quanto dos pilotos, que por vezes ficam sem saber exatamente o que se pode e o que não pode fazer dentro da pista. Disciplina é bom, mas sem politicagem e conversa fiada no meio...



Nove vezes campeão do Mundial de Rali, o francês Sébastian Loeb anunciou que em 2013 iria se dedicar a outros ares, competindo no mundial do WTCC. Mas o francês anunciou que ainda iria disputar os ralis, embora apenas em poucas etapas. E no mês de dezembro, ele anunciou quais provas irá participar em 2013. O eneacampeão da categoria estará em ação nas etapas que serão disputadas em Monte Carlo, Suécia, Argentina, e França. Nas demais etapas do campeonato, no lugar de Loeb, a Citroen, seu tradicional time de competição já anunciou a contratação do espanhol Dani Sordo, que estará presente em 11 das 13 etapas. Fica a pergunta: Será que competindo apenas em 4 etapas Loeb é capaz de entrar na luta pelo título do rali em 2013? Vai que o campeão vence as 4 provas e fica empolgado com a chance de conquistar um 10° título... Os concorrentes esperam que ele não comece a ter “idéias”...

O escocês Paul Di Resta declarou em entrevista em dezembro que se sentiu frustrado por não ter conseguido um lugar em um time melhor para 2013. Com a saída de Michael Schumacher, o piloto, que é ligado à Mercedes, era tido desde o início como provável ocupante de um dos assentos tanto do time oficial de Stutgart quanto de Woking. Mas a Mercedes contatou Lewis Hamilton, e a McLaren, por sua vez, ficou com a “revelação” Sérgio Pérez. Di Resta tem certa razão em se considerar frustrado, mas infelizmente não foi apenas o carro da Force Índia, seu time, que acabou derrubando seu nome nas cotações para as vagas nos times da Mercedes: seu confronto no ano com o alemão Nico Hulkenberg acabou pesando contra o escocês, que em poucos momentos conseguiu superar o companheiro de equipe, que passou todo o ano de 2011 sendo piloto reserva do time indiano. Como resultado, até Hulkenberg teve opção para mudar de time, indo para a Sauber, enquanto Di Resta deve continuar na Force Índia. E para 2013, sua missão é clara: superar seu companheiro de equipe, seja ele quem for, para recuperar suas credenciais como opção no mercado de pilotos. Mas, claro, ele ainda precisa ter certeza de que vai disputar o campeonato de 2013. Seu maior trunfo de permanência no time de Vijay Mallya é o fato de que com sua estada por lá a escuderia recebe desconto pelos motores Mercedes que usa, e num momento em que as finanças do time andam meio combalidas, isso não pode ser desprezado. O problema é surgir um outro piloto que traga muito patrocínio, e isso, infelizmente, pode acabar com suas esperanças de seguir na F-1, a menos que arrume muito mais grana também...

Campeão com uma etapa de antecipação no campeonato da F-Truck, o paranaense Leandro Totti encerrou o ano de 2012 com chave de ouro, vencendo a etapa final do certame, em Brasília, e conquistando sua 6ª vitória no campeonato, um recorde para a categoria dos caminhões nacionais. A corrida, que começou sob chuva, contudo, foi bem difícil, e o atual campeão precisou suar o macacão para garantir mais um triunfo na temporada, especialmente quando a pista ficou seca. Fecharam o pódio da etapa brasiliense o pernambucano Beto Monteiro, que ficou em 3° no campeonato; e Adalberto Jardim terminou em 3° lugar, que finalizou em 9° lugar no campeonato.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

ARQUIVO PISTA & BOX – ABRIL DE 1996 – 12.04.1996


            Fechando as postagens de 2012, trago mais uma antiga coluna na seção Arquivo. Esta, lançada em 12 de abril de 1996, fazia um pequeno balanço do campeonato de Fórmula 1 daquele ano, após as 3 corridas iniciais da temporada terem sido disputadas. Haviam sido realizados os GPs da Austrália, do Brasil, e da Argentina. E Damon Hill havia ganho todos eles. Verdade que a Williams, naqueles tempos, era o time a ser batido, mas Hill também teve méritos de cumprir o que se esperava dele, é verdade. Fiquem agora com o texto, e até 2013, com novas postagens aqui no Blog PISTA & BOX. Boas festas de fim de ano para todos, e grato por todos os leitores que estiveram por aqui. Agradeço a visita de todos vocês, e os convido a retornarem no próximo ano...


F-1 OU F-HILL?

            Terminada a primeira fase do campeonato de F-1 de 1996, é hora de fazer alguns balanços e considerações sobre estas 3 primeiras etapas, e traçar um horizonte do que ocorreu até agora. A primeira nota é, obviamente, a superioridade da Williams até o momento. E não é uma superioridade tão manifesta como em anos de 92 ou 93, mas é clara. E, como não poderia deixar de ser, Damon Hill é o centro das atenções do campeonato. O piloto inglês averbou em Buenos Aires a sua 3ª vitória consecutiva no campeonato, em 3 provas disputadas, e se contarmos com a última corrida de 95, o GP da Austrália, Hill passa a contabilizar 4 vitórias consecutivas. Todos já esperavam que a Williams saísse na frente na disputa pelo campeonato deste ano, e até se previa que Hill teria a sua melhor chance de ser campeão. Pelo visto até aqui, Hill vem cumprindo o roteiro com tal perfeição que chega até a assustar.
            Um dos maiores jornais argentinos estampou a seguinte manchete na cobertura do GP de seu país: “Ninguém pode deter Hill.” A hipótese de Jacques Villeneuve ser o maior adversário do inglês na luta pelo título, após seu impressionante desempenho em Melbourne perdeu força depois da fraca atuação em Interlagos e Buenos Aires. E a próxima corrida é em Nurburgring, outro circuito desconhecido para o jovem canadense, o que joga todo o favoritismo de novo em Hill.
            A Benetton até o momento parece a maior adversária da Williams. Jean Alesi fez provas arrojadas e subiu ao pódio nas duas últimas corridas, e só não ficou em 2º na Argentina por um pit stop ruim na parte final da prova. Flavio Briatore declarou no início do ano que a Benetton continua a ser uma equipe de ponta, mesmo sem Michael Schumacher. Quem conhece Briatore sabe que ele não costuma se superestimar à toa. E, para provar isso, a Benetton também começou o campeonato de 95 bem inferior à Williams, mas depois cresceu bastante no certame e levou ambos os títulos de pilotos e construtores. E até o momento, a Benetton vem superando a Ferrari em corrida e pode voltar a surpreender a Williams. É esperar pra ver.
            A Ferrari está com a crise na vizinhança, novamente. Michael Schumacher não esconde que não está contente com o carro e tenta fazer o que pode. Em breve, a situação pode piorar. Se a Ferrari continuar do jeito que está, não vai demorar para a torcida italiana “cair” em cima da escuderia. E quando isso acontece, é duro superar a crise. Schumacher até que conseguiu pressionar Hill em Buenos Aires, mas acabou ficando pelo caminho, enquanto Irvinne chegava em 5º lugar. Resultado: o piloto irlandês já tem 6 pontos no mundial, enquanto o bicampeão alemão conta com apenas 4 pontos. Vamos ver até quando Schumacher leva na esportiva esta situação de ficar atrás do companheiro de equipe...
            Na McLaren, um misto de decepção e otimismo. A decepção, em maior parte, Fica pelo fato de a equipe não conseguir disputar a ponta com a Williams, Ferrari e Benetton. Em 95, ficou patente que a McLaren tinha mais motor que carro. Este ano, a situação parece ter se invertido. O chassi MP4/11 já mostrou ter qualidade de renome, mas o propulsor alemão não parece corresponder às expectativas. No que tange ao otimismo, Mika Hakkinem mostra que está guiando como nunca, apesar de ainda não estar totalmente recuperado fisicamente do acidente sofrido em Adelaide, em novembro passado. Espera-se que, estando 100%, Hakkinem seja ainda mais rápido. Já Couthard não vem correspondendo às expectativas: foi mais lento que Hakkinem em todas as ocasiões, com exceção do GP argentino, onde andou à frente do finlandês, mas não conseguiu chegar nos pontos. Couthard vem alegando que a McLaren está favorecendo o finlandês, mas à vista de seu desempenho, o escocês não está sendo mesmo lá essas coisas.
            Destaque positivo para a Jordan, que mostra estar atingindo o nível de próxima escuderia de ponta da categoria. Rubens Barrichello andou muito bem em Interlagos, desafiando Williams, Benetton e Ferrari. Independentemente da rodada do piloto brasileiro no circuito paulistano, todas as outras equipes ficaram impressionadas com o desempenho da escuderia de Eddie Jordan. Na Argentina, ciente de que não poderia discutir as primeiras posições, Rubinho correu com a cabeça, marcando seus primeiros pontos no campeonato e pronto para alçar vôos mais altos este ano.
            Quem também merece um ponto positivo é a Arrows, que com um orçamento limitado, está conseguindo um elevado índice de competitividade. Jos Verstappen, de novo em seus melhores dias, exibe a velocidade que lhe valeu o apelido de “a besta holandesa” nos campeonatos europeus de acesso à F-1. Verstappen deu um show em Interlagos até abandonar por quebra mecânica, e repetiu a dose na Argentina, desafiando até a Ferrari de Eddie Irvinne e andando sempre no ritmo das McLaren e até batendo-as. Desta vez o piloto holandês conseguiu cruzar a linha de chegada antes do motor quebrar.
            Das outras equipes, destaque para a Tyrrel, que pontuou duas vezes com Mika Salo e mostra ter potencial para mais. A Sauber ainda não se acertou direito, mas assim que o fizer, Heinz-Harald Frentzen e Johnny Herbert irão mostrar do que são capazes. A Minardi tenta competir com o que pode, enquanto a Forti tenta se manter na competição. A Ligier também mostra potencial, tanto com Olivier Panis como com Pedro Paulo Diniz.
            Agora, é nos prepararmos para a fase européia do campeonato. Apesar do domínio de Hill até agora, a emoção está presente, e tende a aumentar. Vamos conferir...


Este não é bem o assunto que costumo tratar nesta coluna, mas devo parabenizar o excelente desempenho do piloto brasileiro Alexandre Barros neste início do campeonato do Mundial de Motovelocidad, categoria 500cc. Com dois segundos lugares nas duas etapas disputadas até agora, Barros ocupa a liderança do campeonato. Continue a brilhar, Alexandre!



A F-Indy volta a se reunir este fim de semana. O palco é a cidade de Long Beach, na costa da Califórnia, e marca o retorno da categoria aos Estados Unidos, depois de duas etapas realizadas no Hemisfério Sul. Na pauta, a concorrência pretende ir à forra contra a Honda e a Firestone, cujos motores e pneus equipam os carros que venceram todas as corridas até agora...



Nas palavras de Francisco Santos, este será o ano do “vai ou racha” para a equipe Sauber. Já está acertado que a futura equipe de Jackie Stewart será a nova escuderia oficial da Ford na F-1, em 1997. Se a Sauber não mostrar serviço nesta temporada, perde os motores da fábrica americana. Na melhor das hipóteses, continua com os motores Ford, mas terá de pagar por eles, tornando-se uma simples equipe cliente...



São cada vez mais fortes os rumores de que a Bridgestone entrará na F-1 em 97, através da marca Firestone. A julgar pelo desempenho dos pneus da marca na F-Indy, a Goodyear terá sérios problemas pela frente também na F-1...



A situação de Schumacher tende a ficar complicada nas próximas duas etapas da F-1. O GP da Europa, próxima corrida, será em Nurburgring, na Alemanha, e a torcida vai cobrar um vitória de seu campeão a qualquer custo; depois, é a vez de San Marino, em Ímola, onde a fanática torcida italiana poderá “pedir a cabeça” do piloto alemão se Damon Hill continuar ganhando tudo até lá...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

ARQUIVO PISTA & BOX – ABRIL DE 1996 – 04.04.1996


            Passado o Natal, trago mais uma de minhas antigas colunas na seção Arquivo. O texto de hoje foi publicado no dia 4 de abril de 1996, e o assunto era as emoções vividas no Grande Prêmio do Brasil daquele ano, que no domingo anterior, havia deixado a multidão presente em Interlagos bem empolgada com as disputas. A vitória havia sido de Damon Hill, e pelo carro superior que a Williams tinha, isso foi até óbvio. Mas fora a vitória do piloto inglês, no restante do grid houve bastante briga e disputa. Fiquem agora com o texto, e boa leitura para relembrar daqueles tempos...


EMOÇÃO EM ALTA


            O público do Grande Prêmio do Brasil de F-1 desta vez não teve do que reclamar: a corrida deste ano foi muito melhor que a de 95 e uma das melhores dos últimos anos. Emoção, grandes pegas, incertezas, rodadas, tudo esteve presente no último domingo para fazer do 25º GP do Brasil de F-1 um belo show de pilotagem e disputa. As novidades começaram já nos treinos livres. Apesar de saber que treino é uma coisa e corrida é outra, dá para se divertir e se emocionar. Há também muita diferença entre os treinos livres e o treino de classificação. Houve surpresas, desilusões, confirmações e boatos a rodo. Devo admitir que os treinos foram entusiasmantes desde a manhã de sexta-feira. Fazia tempo que eu não acompanhava os treinos com tanta expectativa, tais eram os rumos que eles tomavam.
            Na sexta-feira, a Benetton deu as cartas, ou parecia dar. Jean Alesi e Gerhard Berger andaram na frente o tempo todo. Com a McLaren, foi a mesma coisa, com Mika Hakkinem e David Couthard a se posicionarem logo atrás das Benetton. Damon Hill, que ficara em 5º, não estava preocupado, e com razão. Já Jacques Villeneuve mostrou como ainda fica vulnerável em um circuito desconhecido. Desta vez, a vantagem de Hill conhecer Interlagos mostrou-se considerável. O canadense ficara na 15ª posição, aprendendo o circuito. Rubens Barrichello e a Jordan também se mostravam otimistas. De realçar também a competitividade dos pilotos brasileiros em relação a seus companheiros de equipe: Tarso Marques estreava na Minardi, e de cara, já fazia 1s4 à frente de seu companheiro de equipe Pedro Lamy. Ricardo Rosset e Pedro Paulo Diniz também não decepcionaram frente a seus colegas de time.
            Na classificação, Villeneuve recuperou-se; Benetton e McLaren caíram de rendimento. Michael Schumacher salvou a 4ª posição no grid com uma volta suicida. A surpresa foi a Jordan com Rubens Barrichello: 2ª posição no grid e promessa de vôos à altura no domingo.
            De fato, a corrida teve briga em todas as posições. Com exceção de Hill que largou da pole e disparou na liderança, todos os demais pilotos passaram a disputar ferozmente as demais posições. Villeneuve arrancou para a 2ª posição na largada, e teve de aturar atrás de si nada menos do que 4 pilotos bons de chuva: Jean Alesi, Rubens Barrichello, Michael Schumacher e Heinz-Harald Frentzen. Inexperiente em piso molhado, Villeneuve capitulou ao ataque de Alesi e deu adeus à corrida. Alesi, aliás, por pouco não ficou fora da pista, e Schumacher teve a corrida mais dura dos últimos tempos. Primeiro foi Frentzen a ameaçar o bicampeão mundial; na parte final da prova, o tormento era Rubinho. Não fosse o despite do brasileiro e o alemão não teria subido ao pódio.
            Lá atrás, a situação não era menos calma: Jos Verstappen, em excelente dia, batia ambas as McLaren e andava em um ritmo impressionante até quebrar, infelizmente; Ricardo Rosset ia bem até ser vítima de uma pequena irregularidade da pista e bater no guard-rail; Tarso Marques fez uma largada relâmpago, ganhando 5 ou 6 posições, para abandonar logo em seguida. Tivemos até briga finlandesa: Mika Salo e Mika Hakkinem duelaram por boa parte da corrida. Hakkinem, com a McLaren, venceu a parada. Já Pedro Paulo Diniz viu sua boa corrida perder parte do brilho por um erro da equipe, que o mandou de volta à pista com pneus de chuva ao invés dos slicks, com o traçado já praticamente seco.
            A chuva que desabou sobre Interlagos cerca de 45 minutos antes da prova ajudou a tornar a disputa ainda mais emocionante. Todos ficaram na dúvida sobre os acertos para molhado, já que todos os treinos foram feitos com tempo seco. Dava para sentir a incerteza dos pilotos e engenheiros. No fim, todos largaram e o resultado todos já conhecem.
            O público presente a Interlagos foi excelente, e pela primeira vez desde 94, a torcida vibrava com um brasileiro na pista. Rubens Barrichello disputou a corrida sempre no pelotão da frente, desafiando Williams, Benetton e Ferrari. Rubinho acabou decepcionando no final, ao rodar, vítima de um pequeno erro de pilotagem, mas a torcida não se abateu: na volta para os boxes, o brasileiro foi aclamado de pé pela torcida.
            Independente de Barrichello ter errado ou não, o desempenho da Jordan em Interlagos foi digno de nota. Ponto para a equipe, que conseguiu acertar de maneira exemplar o carro, dando-lhe grande tração e estabilidade; ponto para a Peugeot, que parece estar bem próxima da performance dos motores Renault; e ponto para Barrichello, que guiou como nunca, desafiando pilotos muito mais experientes. Rubinho chegou a ultrapassar os adversários várias vezes, mas nunca conseguia manter a posição, levando verdadeiras lições dos velozes Alesi e Schumacher. Barrichello admitiu que errou depois de a corrida acabar, e esse é o primeiro passo para se procurar não cometer o mesmo erro novamente. Barrichello ainda é bem novo, tem só 23 anos e ainda muito tempo pela frente. Todos os grandes pilotos já passaram por isso no início de suas carreiras.
            Damon Hill simplesmente passeou em Interlagos: abriu logo 15s de vantagem e passou a administrar a prova. Tática inteligente e segura: não havia necessidade de forçar o ritmo naquele momento. De fato, só na parte final da corrida, com a pista já totalmente seca, Hill voltou a andar rápido, precavendo-se dos ataques de Jean Alesi. Hill agora é o favorito ao título, mas tal qual em 95, será preciso esperar para ver isso se confirmar...



A Honda averbou, em Surfer’s Paradise, sua 3ª vitória consecutiva no campeonato da F-Indy, dominando completamente o certame até aqui. Também se confirmou a superioridade dos pneus da Firestone, cujos compostos equiparam os carros que venceram todas as corridas do ano até aqui.



Paul Tracy e Michael Andretti protagonizaram um acidente curioso em Surfer’s Paradise: na disputa por posição, Michael acertou o Penske de Tracy, empurrando-o contra os muros e tirando-o da corrida. Na volta seguinte, Paul Tracy fez sinal de “dar uma banana” quando Andretti cruzou o local. O piloto canadense não poupou adjetivos pouco educados ao piloto da Newmann-Hass.



Paul Tracy parece ter memória curta: em Long Beach, no ano passado, ele prensou Gil de Ferran contra o muro, causando o abandono de ambos; em Cleveland, André Ribeiro foi a vítima do canadense, que jogou o brasileiro fora da pista.



Destaques da Jordan em Interlagos: Rubinho era o segundo mais rápido na corrida na área da linha de chegada, onde a cronometragem apontou a Jordan do brasileiro a 300 Km/h naquele ponto. O mais rápido? Damon Hill, da Williams, com 302 Km/h. Barrichello fez a volta mais rápida da corrida cerca de 3 vezes, virando no mesmo ritmo da Williams de Hill e da Benetton de Alesi.



Neste fim de semana, mais velocidade: vai ser disputado o Grande Prêmio da Argentina. Damon Hill, mais uma vez, é o favorito disparado. Jacques Villeneuve não conhece o circuito argentino, e se for como em 95, vai enfrentar dificuldades maiores ainda. Hill venceu a corrida no ano passado, que foi disputada debaixo de chuva...



Semana passada, o campeonato da IRL (Indy Racing League) teve sua segunda prova, as 200 Milhas de Phoenix. O vencedor foi o holandês Arie Luyendick, que já participou da F-Indy...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

ARQUIVO PISTA & BOX – MARÇO DE 1996 – 29.03.1996


            Voltando com a seção Arquivo, trago hoje a coluna escrita para o dia 29 de março de 1996, a sexta-feira de treinos do Grande Prêmio do Brasil daquele ano, que comemorava 25 anos da existência de nossa corrida de F-1, saga iniciada lá nos anos 1970, quando Émerson Fittipaldi se tornava o novo astro da categoria, rivalizando com o grande nome da época, Jackie Stewart. A coluna relata algumas curiosidades e fatos da história de nossa corrida até aquele ano. A prova segue firme até hoje no calendário da categoria, em que pesem as ameaças e cobranças de melhorias em Interlagos, uma vez que a F-1 ficou mal acostumada com os novos autódromos faraônicos que vem sendo construídos desde 1998, e que viraram moda desde então. Curtam agora o texto, e um feliz Natal para todos os leitores...


GP BRASIL: 25 ANOS DE EMOÇÃO E VELOCIDADE!

            Neste domingo, mais uma vez, o autódromo de Interlagos será palco de uma etapa do campeonato mundial de F-1. Mais uma vez, todas as emoções do maior campeonato de automobilismo do mundo estarão voltadas para os 4,325 Km do circuito José Carlos Pace, no bairro de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo. Mas, mais do que sediar, mais uma vez, uma prova de F-1, a etapa deste ano tem muito mais atração e significado: será a 25ª edição do Grande Prêmio do Brasil de F-1. Nosso grande prêmio atinge seu jubileu de prata no circuito mundial do automobilismo com honras e méritos e é o GP em disputa há mais tempo no hemisfério sul assim que a prova se realizar (O GP da África do Sul também foi realizada 24 vezes até agora).
            Tudo começou no dia 30 de março de 1972, uma quinta-feira, quando Interlagos sediou pela primeira vez uma etapa da F-1. A corrida, extra-campeonato, algo comum naquela época, foi vencida por Carlos Reutemann com a Brabham. Mas em 1973, já como etapa oficial do campeonato de F-1, as honras da vitória couberam a Émerson Fittipaldi, ao volante do lendário Lótus 72D. Émerson repetiria a dose em 74, agora com o também célebre McLaren M23. José Carlos Pace conseguiu aqui perante o seu público a sua única vitória na F-1, em 1975. Apenas em 1976 um piloto “estrangeiro” conseguiria vencer pela primeira em Interlagos contando pontos para o mundial. A honra coube a ninguém menos que Niki Lauda, com a Ferrari.
            Nélson Piquet venceu a prova em 1983, agora no autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, dando sua arrancada para o bicampeonato. Piquet repetiria a dose em 1986, com a Williams. Já Ayrton Senna só conseguiu vencer em 1991 e 1993. Senna, aliás, acumulou inúmeros abandonos no GP do Brasil: fora as 2 vitórias, só pontuou outras 2 vezes, em 1986 (2º lugar), e 1990 (3º lugar).
            Em matéria de vitórias, Alain Prost foi o grande dominador, vencendo 6 vezes nosso GP, o que lhe valeu o apelido de “Rei do Rio”, onde a prova era realizada na década de 1980, mas o intrépido francês venceu também em Interlagos, em 1990. O GP do Brasil, aliás, viu de tudo nestes últimos 25 anos: por aqui correram grandes pilotos e grandes campeões mundiais. A lista é grande e de respeito: Jackie Stewart, Émerson Fittipaldi, Niki Lauda, Graham Hill, Nélson Piquet, Alain Prost, Ayrton Senna, Nigel Mansell, Mario Andretti, só para citar os que foram campeões. Mas marcaram presença inúmeros outros, como Ronnie Peterson, Keke Rosberg, Jack Ickx, Clay Regazzoni, Carlos Reutemann, Alan Jones, James Hunt, entre outros mais. Além dos pilotos, os brasileiros também viram a evolução dos carros: do clássico Lótus 72D, passamos para os carros-asa, e daí em diante até a evolução atual dos monopostos. No campo dos motores, começamos com os célebres Cosworth DFV V-8. Veio então os poderosos motores turbo lançados pela Renault. Tivemos a Era Turbo e, recentemente, vimos o renascer os motores aspirados.
            Tudo cativou os brasileiros que, com o sucesso de nossos pilotos, passaram a se interessar ainda mais pelo automobilismo. E mais: principalmente em Interlagos, a emoção e o circuito é um desafio aos pilotos. Jacarepaguá, apesar de não ter a mesma classe de Interlagos, também tinha suas manhas. O circuito original de Interlagos era incomparável: quase 8 Km de pista com tudo o que se pudesse desejar em um circuito: retas, curvas de alta, curvas de baixa, etc. Como diziam, era um circuito “de macho”. A reforma em 1990 reduziu o traçado quase à metade, mas conseguiram manter parte do carisma e desafio que o circuito paulistano conseguia impor. Os brasileiros viram disputas memoráveis, proporcionadas por grandes pilotos, situações dramáticas, acidentes espetaculares, entre outras coisas.
            Na sua 25ª edição, o Grande Prêmio do Brasil é um sucesso: o público está presente mais do que nunca. A paixão do torcedor pela velocidade está no auge. Nossos pilotos podem não estar no topo como há algum tempo atrás, mas isso não desanima tanto. Já tivemos períodos de vacas magras em termos de resultados na F-1. Mas o torcedor estará presente, sempre apoiando nossos pilotos. O GP Brasil firma-se junto ao restante do calendário da F-1. Emoção, grandes disputas, bom público, tudo isso é o Grande Prêmio do Brasil de F-1. Parabéns pelos 25 anos, e que os próximos 25 sejam tão bons quanto foram os 25 primeiros!


Na madrugada deste sábado para domingo os carros da F-Indy aceleram fundo no Grande Prêmio da Austrália, em Surfer’s Paradise. Todas as expectativas até agora devem ser esquecidas: as primeiras duas provas foram em circuitos ovais. Agora é a vez de um circuito urbano. É hora de ver se a Honda consegue impor o seu domínio neste tipo de circuito.



Mark Blundell não corre na Austrália. O piloto da equipe PacWest quebrou um dedo do pé na forte batida que sofreu na curva 4 durante o GP do Brasil de F-Indy em Jacarepaguá. Já Scott Goodyear, que bateu forte nos treinos livres, no mesmo local, deverá ficar no estaleiro por dois meses, sem competir: ele fraturou uma vértebra cervical.



Eis alguns acidentes dignos de nota na história do Grande Prêmio do Brasil de F-1: em 1993, Michael Andretti e Gerhard Berger se enroscaram na largada e protagonizaram um acidente pavoroso, com o carro de Andretti voando por cima da Ferrari do austríaco. Já em 1994, um acidente ainda mais pavoroso, no fim da reta oposta, quando Eddie Irvinne, em uma tentativa de ultrapassagem, causou um acidente múltiplo, envolvendo ele próprio, Jos Verstappen, Martin Brundle e Eric Bernard. O carro de Verstappen decolou por cima dos demais e felizmente, ninguém saiu ferido.



Um detalhe sobre o circuito de Interlagos que ajuda a dar mais emoção e dificuldade para os pilotos: É a única prova do campeonato, ao lado da etapa de San Marino, que é disputada no circuito anti-horário. Isso costuma forçar bem mais a musculatura do pescoço no lado esquerdo, geralmente menos desenvolvida. No circuito antigo, de quase 8 Km, a força G era tão forte em algumas curvas que os pilotos prendiam molas nos capacetes para tentar firmar o pescoço.



Nélson Piquet irá participar das comemorações do 25º GP do Brasil. Está prevista uma exibição de Piquet, onde ele dará várias voltas no circuito ao volante de seu Brabham/BMW BT53, com o qual ele conquistou o bicampeonato mundial, em 1983.



Curiosidade: foi no GP do Brasil de 1978, disputado em Jacarepaguá que a equipe Copersucar, primeiro e único time brasileiro até hoje na F-1, obteve o seu melhor resultado na categoria. Émerson Fittipaldi foi o 2º colocado na prova.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ARQUIVO PISTA & BOX – MARÇO DE 1996 – 22.03.1996


            Por motivos de agenda, estou colocando hoje a postagem do meio da semana, em mais um texto da seção Arquivo. Este foi escrito na semana seguinte ao primeiro Grande Prêmio Brasil de F-Indy, disputado na pista oval construída dentro de Jacarepaguá, que hoje foi totalmente destruída pelos interesses cretinos de políticos e cartolas do “esporte”. A corrida foi vencida por André Ribeiro, que guardadas as proporções em relação à F-1, deixou o público eufórico com o feito, após uma corrida cheia de alternativas. Podia-se dizer que Indy chegava ao Brasil com o pé direito, e a categoria fincava sua bandeira por estas paragens, para desgosto de Bernie Ecclestone, pois na época a categoria americana chegava a causar alguns incômodos, mesmo nunca tendo ameaçado os índices de audiência e influência da F-1. Pena que o bom momento vivido naquele GP não tenha durado tanto quanto se imaginava. Os anos seguintes se mostraram mais complicados, especialmente para as expectativas de vitórias de nossos pilotos na categoria americana. Bom, fiquem com o texto, e na sexta-feira, vem mais uma antiga coluna, para relembrar tempos hoje distantes, mas que deixam boas saudades...

 
VALEU, ANDRÉ!
            O primeiro Grande Prêmio do Brasil de F-Indy pode não ter sido o sucesso de público que se esperava, mas não deixou de satisfazer os torcedores com aquilo que eles mais queriam: um vencedor brasileiro no lugar mais alto do pódio. André Ribeiro, como boa parte da imprensa já se referiu no início da semana, lavou a alma do torcedor brasileiro, que desde 1993, quando Ayrton Senna venceu em Interlagos, não via um piloto brasileiro vencer uma prova de uma categoria internacional em terras brasileiras. Houve até quem comparasse André com Ayrton, mas o próprio piloto evitou fazer comparações deste tipo.
            A corrida mostrou muito mais emoção do que na prova de estréia do campeonato, em Miami. A longa reta dos boxes proporcionou várias ultrapassagens, para delírio do público. Ao contrário do que se previa, a curva 1 não trouxe problemas para os pilotos. A curva 4, entretanto, mostrou-se mais favorável às ultrapassagens, e foi nesse ponto que ocorreram os lances mais perigosos, como a violenta batida de Mark Blundell, na corrida; e o acidente de Scott Goodyear, nos treinos livres. Mais do que isso, contornar bem a curva 4 era fator decisivo para se fazer bem a reta dos boxes. Ficou nítido durante a corrida que aqueles que faziam a curva sem muita precisão tinha o seu rendimento na reta prejudicado. Isso deu origem a várias ultrapassagens, de quem vinha de trás, aproveitando-se o vácuo dos carros.
            As ondulações da pista diminuíram, mas ainda foi um desafio para todos, que tinham de conciliar o acerto do carro com mais este detalhe. Os ajustes variaram: alguns priorizaram o rendimento nas retas, como André Ribeiro, para aproveitar a maior velocidade, enquanto outros preferiram maior apoio para ganhar terreno nas curvas, tencionando ganhar estabilidade em eventuais ultrapassagens.
            A velocidade estimada acabou ficando aquém do esperado: a maior velocidade em reta ficou na casa dos 330 Km/h, com os motores Honda. Até a velocidade média foi menor: na casa dos 265 Km/h. Mas a força dos motores Honda ditou o ritmo nos treinos livres e na classificação. Alessandro Zanardi e Jimmy Vasser, da equipe Chip Ganassi, ficaram sempre com os melhores tempos, e o italiano conquistou a pole-position para a corrida. André Ribeiro veio logo a seguir, e conforme já avisava, a posição De largada não era tão importante, pois na corrida a situação seria outra. Dito e feito: Christian Fittipaldi, que largou em último, chegou em 5º lugar. Raul Boesel, que também saiu lá atrás, chegou a ocupar a 4ª posição, mas problemas nos pneus impediram um melhor rendimento e posicionamento, terminando na 7ª posição.
            Além da emoção da corrida, o resultado não poderia ser melhor para a torcida: todos os pilotos brasileiros marcaram pontos, à exceção de Maurício Gugelmim, que abandonou a prova devido a problemas nos freios, o mesmo defeito que provocou a batida de seu companheiro Blundell no muro. Assim que a corrida terminou, houve até invasão da pista pelos torcedores, que cercaram os carros e o vencedor da prova.
            Para melhorar o clima, a declaração oficial da CART de que a corrida de 97 já está nos planos da entidade, e com vistas a aumentar ainda mais. Deverá ser agora uma prova de 500 Km, e não 400, como foi a deste ano. Então, seja bem-vindo ao Campeonato Mundial da F-Indy, Brasil!
O público do Grande Prêmio do Brasil de F-Indy não foi o esperado: cerca de 35 mil pessoas assistiram a corrida nas arquibancadas. A organização da prova diz ter vendido 52 mil ingressos. Esperava-se lotação completa do circuito: 70 mil pessoas.

Nélson Piquet foi uma atração à parte no paddock de Jacarepaguá: deu autógrafos, entrevistas, conversou com os pilotos e fãs e brindou a todos com sua irreverência e simpatia. E, para delírio da torcida, deu a ordem aos pilotos para ligarem seus motores, em inglês e português.

Eis aí uma comparação de preços para quem quiser entender: em Miami, o ingresso mais barato custava cerca de US$ 40, e o mais caro, o PIT SPASS, que ainda dava acesso aos boxes, US$ 120. Aqui no Brasil, os mesmos custavam, respectivamente, R$ 90 e R$ 300...

Quem apostava que, com a vinda da F-Indy para o Brasil, a F-1 perderia o interesse, deu com os burros n’água: enquanto sobraram ingressos para o GP da Indy, os organizadores da prova de F-1 já tencionam colocar mais 10 mil lugares em Interlagos, sendo que algumas arquibancadas já estão quase esgotadas.

Gil de Ferran e Émerson Fittipaldi não tiveram muito o que comemorar no GP do Brasil de F-Indy. Ambos tiveram suas corridas arruinadas pela falta de metanol em seus carros. Émerson teve pane seca, enquanto Gil sofreu situação quase idêntica, causada por um defeito no pescador de combustível de seu carro. Ambos perderam 2 voltas em relação aos líderes por causa disso.

Para Gil de Ferran, foi o inferno: ele liderava a corrida e tinha feito a melhor volta da prova. Já Émerson fazia uma recuperação espetacular, e já estava em 11º lugar, depois de perder quase 1 volta nos boxes para mudar a regulagem do carro.

Aviso de amigo: quem estiver conversando com Émerson Fittipaldi deve evitar mencionar a palavra “decadência”, do contrário...

Semana que vem, emoção em dose dupla: Grande Prêmio de Surfer’s Paradise, pela F-Indy; e o Grande Prêmio do Brasil de F-1. Até lá, então...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

DESTINO 2013: STOCK CAR


            Depois de participar das 3 últimas etapas do campeonato deste ano da Stock Car, eis que Rubens Barrichello já teria anunciado que ficará em definitivo por lá. Ainda falta o tradicional “anúncio oficial”, mas praticamente já está sacramentada a ida do recordista de participações da F-1 para a categoria nacional no ano que vem. Era um destino que muitos já davam como certo, faltava apenas saber quando. Veio antes do que todo mundo esperava, até mesmo na minha opinião.
            Quem ainda imaginava que o piloto manteria firme a esperança de continuar em uma categoria TOP ficou dividido entre a decepção, e o conformismo. Muitos esperavam revê-lo no campeonato 2013 da Indy Racing League, onde mais experiente, e já conhecendo a dinâmica da competição, poderia render mais, competindo por um time mais bem estruturado. A Sam Schmidt afirmou que esperava ainda acertar um contrato com Barrichello, mas entende a decisão do brasileiro de ficar por aqui, e até ainda deixa em aberto a possibilidade de Rubens disputar algumas corridas “avulsas” em 2013, embora eu ache difícil isso acontecer. O maior entrave para Rubens se manter na IRL no próximo ano era estritamente financeiro: era preciso levar grana, e mesmo não sendo uma quantia absurda como a exigida pela F-1, a categoria americana nunca emplacou por aqui, ao contrário da F-Indy, e para piorar a situação, a maneira como a Bandeirantes exibe o certame só ajuda a piorar a situação, a ponto de o principal patrocinador de Barrichello este ano, a BMC, reclamar que a operação não deu retorno. E vale lembrar que Tony Kanaan, mesmo tendo um título de campeão da categoria, penou um bocado para conseguir patrocinador por estas hostes.
            Na Stock, pelo acordo firmado, Barrichello terá aporte garantido da Medley. Aliás, Rubens conseguiu um belo feito, pois a farmacêutica ia pular fora da categoria, mas o retorno da contratação de Rubens foi tão positivo que a empresa não apenas mudou de idéia quanto a sair, quanto irá continuar firme na equipe Full Time, que irá contar com Rubens por todo o campeonato de 2013. Do ponto de vista financeiro, ótimo. Do ponto de vista esportivo, é bom para a Stock, que ganha um nome de peso para o próximo ano, ainda mais em um momento em que a Vicar tenta demover a Globo de sua decisão de passar na TV aberta apenas uma ou outra corrida, e relegar todo o restante do campeonato aos canais pagos do SporTV.
            Do ponto de vista profissional, a decisão pode ser vista como o fim da carreira de piloto internacional de Barrichello. Como já afirmei, muitos ainda esperavam vê-lo continuar na IRL, onde ainda poderia render muito por alguns anos. Alguns ainda forçosamente esperavam até vê-lo de volta à F-1, para pelo menos disputar mais uma temporada e completar 20 anos de competição. Mas Rubens já estava vendo que, infelizmente, sua vida na F-1 ficou para trás. A IRL seria uma opção mais plausível, mas a necessidade de correr atrás de patrocínio e a pouca receptividade das empresas nacionais em investir nisso com certeza devem tê-lo feito considerar, até antes do que pensava, a opção da Stock. E a Medley não perdeu tempo em fazer um belo acordo, que será benéfico para ambos.
            Confesso que, de minha parte, gostaria de ver Barrichello ainda competindo lá fora, mostrando todo o talento que tem, em alguma categoria de renome. A Stock Car, na minha opinião, sinaliza o fim de sua carreira como piloto internacional. Poderá correr uns bons anos por aqui, e quem sabe, fazer sucesso nos carrões. Seu desempenho nas 3 corridas que disputou não empolgou muito nas provas, mas mostrou inegável adaptação nas classificações, mostrando que pegou o jeito da coisa. Se vai disputar o título de 2013, é muito cedo para dizer, mas nada impede que ele surpreenda e entre na luta pelo caneco. O tempo irá dizer.
            Mas para Rubens, um dado muito importante é sua família. Pai de dois filhos, e muito bem casado, mudar-se para a Stock Car significa ficar perto da esposa e filhos, e dar um basta na vida de cidadão itinerante que ele foi e é desde 1990, quando partiu para a Europa para disputar seu primeiro ano em uma categoria no Velho Continente, no caso, a F-Opel. O último campeonato nacional disputado por Barrichello foi a F-Ford em 1989, e de lá para cá, o então jovem piloto nacional passou a andar pelo mundo afora, primeiro na Europa, e desde 1993 viajando o mundo inteiro com a F-1. Neste ano, ficou nos Estados Unidos, Canadá e Brasil, seguindo a caravana da IRL. Ele passou mais da metade de seus quase 41 anos viajando pelos campeonatos que disputou, e tem todo o direito de se estabelecer novamente no Brasil. Seus filhos estão entrando na adolescência, e Rubens quer dar a eles um pai em período mais integral. Já está mais do que realizado financeiramente. No campo esportivo, pode até não ter conquistado tudo o que gostaria, mas teve uma carreira que pode se orgulhar, mesmo com algumas decisões erradas em momentos-chave de sua condução.
            Ao mesmo tempo, ele continuará competindo, adaptando-se a uma nova categoria, e se preparando paulatinamente para o dia em que irá pendurar mesmo o capacete. Dizem que ele pode voltar à F-1 ano que vem como parte da equipe da Globo, depois de sua excelente atuação em Interlagos este ano dando uma de repórter. Seria muito bom. Luciano Burti tem suas qualidades na transmissão da emissora, mas Barrichello, por ter tido 19 temporadas na competição, tem muito mais quilometragem e intimidade com tudo e todos, e seria um reforço considerável, ajudando a elevar e muito o nível das informações nas transmissões.
            O conhecimento técnico de Rubens também poderá ser útil na Stock Car, que poderia se beneficiar muito de alguém com sua experiência e cacife adquiridos nos quase 20 anos de participação da F-1. E a Stock, diga-se de passagem, precisa de gente com mais conhecimento de causa do que aqueles que têm atualmente. A direção e organização da categoria precisam melhorar muita coisa no certame para que ele tenha um nível melhor, não apenas técnico como esportivo e gerencial. Todos podem sair ganhando com esta nova direção na carreira de Rubens.
            Que Barrichello seja feliz e bem-sucedido em sua nova vida na Stock Car. E ele bem que merece...


Cacá Bueno teve um final de corrida dramático domingo passado em Interlagos. Acabou perdendo a corrida na reta de chegada, com a pane seca que enfrentou, mas o 3° lugar foi mais do que suficiente para coroar o seu 5° título na Stock Car brasileira, ficando agora atrás apenas de Ingo Hoffman como piloto mais vitorioso da história da categoria, com 12 títulos. A vitória da corrida ficou com Thiago Camilo, que conquistou pela segunda vez a “Corrida do Milhão”, prova que já havia vencido no ano passado. Na 2ª posição ficou o piloto Ricardo Maurício. O pódio garantiu o vice-campeonato para Maurício, que terminou a competição com 189 pontos, 6 a menos do que o campeão de 2012, Cacá Bueno. Átila Abreu finalizou o certame em 3° lugar, com 175 pontos, ao ficar apenas em 8° lugar em Interlagos. Dos pilotos “convidados” quem fez bonito na corrida foi Rafael Matos, que terminou a corrida em 9° lugar, depois de largar em 23°. Rubens Barrichello, por sua vez, depois de surpreender na classificação para largar em 7°, finalizou apenas em 22° lugar. Tony Kanaan, 26° no grid, abandonou a corrida depois de alguns toques mais agressivos que recebeu; e Hélio Castro Neves, saindo da 22ª colocação, terminou recebendo a bandeirada em 14°.


Com esta coluna, encerro os textos de 2012. Agora é curtir um pouco o final de ano, com o Natal e as festas de réveillon. E até 2013, pronto para mais um ano no mundo da velocidade. BOAS FESTAS! FELIZ NATAL! E que venha 2013!