sexta-feira, 19 de junho de 2015

A ESCALADA DE LORENZO


Jorge Lorenzo não deu chance as adversários em Barcelona, nem permitiu que Valentino Rossi consumasse sua perseguição implacável ao parceiro nas voltas finais da corrida (acima).

            Quem se acostumou a ver o desfile do espanhol Marc Márquez no Mundial de MotoGP nos últimos dois anos está assistindo a um campeonato bem diferente em 2015. E, nas últimas corridas da classe rainha do motociclismo, quem vem dando as cartas é o espanhol Jorge Lorenzo, que anda impossível, depois de conquistar, domingo passado, no GP da Catalunha, mais uma vitória. E já são 4 triunfos na temporada, o que o torna o maior vencedor do ano até aqui. Na luta dos bicampeões para chegar ao tricampeonato, neste momento Lorenzo leva grande vantagem sobre seu compatriota Márquez, que não vem tendo este ano a mesma desenvoltura exibida em 2013 e 2014.
            Depois de dominar a competição com Márquez nos últimos dois anos, a Honda este ano vem enfrentando mais percalços do que imaginava, e está vendo a arquirrival Yamaha tomar as rédeas da competição. A liderança do campeonato está com Valentino Rossi, que detém duas vitórias no ano, e com o triunfo em Barcelona, Lorenzo está agora apenas 1 ponto atrás do parceiro de equipe. Rossi começou o ano embalado, vencendo a etapa de abertura, no Qatar. No GP das Américas, em Austin, Marc Márquez fez questão de mostrar que continuaria a fazer a concorrência comer sua poeira, e venceu pela terceira vez consecutiva na pista texana. Mas, quem imaginava que a "Formiga Atômica" iria voltar a deitar e rolar no campeonato, se enganou, pelo menos na semântica do termo, que acabou ganhando, na verdade, ares de significado literal, com Marc a deitar e rolar para fora da pista em várias oportunidades.
            Começou na etapa da Argentina, onde o atual bicampeão, em disputa acirrada com Valentino Rossi pela vitória na prova, acabou tocando na moto do rival e se deu mal, caindo e dando adeus à prova portenha a poucas voltas da bandeirada. Márquez ainda se redimiria em Jerez de La Fronteira, subindo novamente ao pódio, em 2° lugar, mas sua reação acabou ficando nisso. Ainda salvou um 4° lugar na etapa da França mas, dali em diante, suas provas terminaram na caixa de brita dos circuitos visitados pela categoria, como vimos nas corridas da Itália, em Mugello, e domingo passado, em Barcelona.
            Em contrapartida à queda, ou às quedas de Márquez, Jorge Lorenzo veio numa escalada implacável e perfeita a partir da corrida de Jerez. Depois de começar o campeonato à sombra do parceiro Valentino Rossi, o espanhol desembestou de vez, e desde a prova na Andaluzia, tem largado praticamente sempre na frente, e vencido de ponta a ponta. Foi pole em Jerez, e comandou desde a largada; em Le Mans, largou em 3°, mas assumindo a ponta logo na largada; em Mugello tomou a dianteira também na largada, deixando o pole Andrea Iannone para trás; e em Barcelona, também não deu a menor bola para a dupla da Suzuki, deixando ambos para trás já na freada para a primeira curva. Pintou o campeão da temporada? Talvez, mas ainda tem muito chão pela frente, e a maior parte do campeonato a ser disputado, até a prova final em Valência, em novembro, que fecha o calendário. E a disputa pelo título, em que pese o momento favorável à Yamaha, pode apresentar uma boa briga. Resta saber se Lorenzo vai facilitar para os rivais, o que acho muito difícil.
            Seu pior resultado até agora foi o 5° lugar na etapa da Argentina. Nas duas primeiras etapas, foi o 4° colocado. E depois engatou 4 vitórias consecutivas. Pontuou em todas as provas até aqui, e no embalo em que está, todo mundo já dá como certo Lorenzo assumir a liderança do campeonato na próxima corrida, que será no fim de semana que vem, em Assen, na Holanda. Mas falta combinar isso com o líder da competição, Valentino Rossi.
            O heptacampeão, contudo, precisa melhorar sua performance em classificação, onde tem falhado nas últimas etapas, largando sempre atrás de seus principais rivais, o que o obriga a ter de recuperar o terreno perdido no início das corridas, o que o faz perder tempo e, por tabela, alcançar a disputa pela liderança em momento tardio da corrida, e com seu equipamento mais desgastado pelo duelo com os oponentes na luta para chegar à frente. Em Jerez, enquanto Lorenzo largou na pole, Valentino foi o 5° no grid, para chegar ao final em 3°, quase 12s atrás de Lorenzo. Da mesma forma, na França, enquanto Jorge largava em 3°, Rossi partiu em 7°, chegando em 2/, a quase 4s do parceiro. Na prova da Itália, a mesma situação: Lorenzo largando em 2°, e Rossi em 8°. O italiano da Yamaha foi 3° na bandeirada, com 6s6 de atraso para o parceiro espanhol. E em Barcelona, Lorenzo foi novamente 3° no grid, enquanto Valentino foi 7°. Demorou praticamente meia corrida para Rossi assumir a 2° colocação, e a partir daí iniciou a perseguição a Lorenzo. Este, porém, estava em alerta, e mesmo com a feroz perseguição do "Doutor", Lorenzo conseguiu rechaçar seus ataques, e cruzar a linha de chegada com 0s8 de vantagem para o parceiro da Yamaha.
            É importante ressaltar, porém, que Lorenzo sempre largou à frente de Rossi em todas as provas neste ano. Mas o espanhol acabou se complicando nas primeiras corridas, de modo que o italiano acabou se dando melhor nos resultados. No ano passado, Lorenzo iniciou o campeonato completamente ofuscado por Valentino, só reencontrando sua melhor forma na segunda metade do ano. Após a etapa da Argentina, com dois triunfos do parceiro, e sem nenhum pódio, parecia que veríamos uma reprise do panorama de 2014. Mas Lorenzo conseguiu recuperar a sua melhor forma, e desde então, tem sido imbatível na corrida, não dando chance a ninguém. Sua tática tem sido atacar de forma implacável logo na largada, assumir a ponta e dar tudo de si para fugir na dianteira, enquanto seus rivais digladiam-se atrás, permitindo seu distanciamento enquanto perdem tempo na disputa de suas posições. Na Catalunha, por exemplo, depois que se desvencilhou dos adversários, Rossi tinha cerca de 4s de desvantagem para Lorenzo, e partiu para o ataque. Mas o parceiro de equipe também passou a responder, não permitindo que a distância diminuísse tão rápido. Se Valentino quiser inverter o momento de ascenção de Lorenzo, terá de se aplicar para começar a batê-lo na classificação, de forma a permitir ter uma vantagem similar à que ele vem aplicando nas últimas corridas. Quando ambos estão com pista livre, seus ritmos são similares, ora o espanhol sendo mais rápido, ora o italiano.
            De qualquer maneira, Rossi está apertando a pressão sobre o companheiro de equipe: a vitória mais folgada de Lorenzo foi em Jerez, com vantagem de 5s576 sobre Márquez. Na França, a vantagem da vitória do espanhol foi menor, de 3s82 sobre Valentino. Na Itália, Jorge abriu 5s563 para Andrea Iannone na bandeirada. E em Barcelona, Rossi ficou apenas 0s885 atrás. E a disputa pelo título de 2015 parece que vai ficando restrita aos pilotos do time oficial da Yamaha: além de contar com sua dupla nas duas primeiras posições no campeonato, a marca também lidera o certame de construtores, com 410 pontos, com boa folga sobre a 2ª colocada, que é a Ducati, com 268 pontos. A Honda está em 3°, com apenas 213 pontos, o que dá uma boa idéia de como a equipe campeã dos últimos dois anos está enfrentando dificuldades nesta temporada.
Vitória em Barcelona foi o 4° triunfo consecutivo do espanhol em 2015. E ele quer mais...
            Enquanto Rossi lidera o campeonato com 138 pontos, e Lorenzo segue logo atrás com 137, o atual bicampeão Marc Márquez é apenas o 5° colocado, com 69 pontos, praticamente metade da pontuação de Valentino. A dupla da Ducati, Andrea Iannone, e Andrea Dovizioso, segue na 3° e 4° colocações, com 94 e 83 pontos, respectivamente. Para completar a desgraça da Honda, seu outro piloto, Dani Pedrosa, ficou de fora em 3 etapas, enquanto se recuperava de uma cirurgia no braço realizada no início de abril, e acumula como melhor resultado apenas um pódio, com o 3° lugar obtido justamente domingo passado em Barcelona. Acostumado a ter a moto mais competitiva da competição, Marc Márquez está tendo de se desdobrar este ano na disputa, onde as Yamaha, e até as Ducati, estão mostrando-se tão ou até mais competitivas do que as Honda, em ritmo de corrida. Nas classificações, Marc tem mostrado sua habitual velocidade, tendo até o momento 3 poles no ano, e largando apenas uma vez fora das 4 primeiras colocações. Na ânsia de tentar tirar no braço ou não arredar o pé da disputa, o jovem espanhol infelizmente tem cometido erros, como os que ocasionaram as quedas vistas na Argentina, Mugello, e Barcelona. A Honda aumentou a potência de seu motor para esta temporada, mas as mudanças introduzidas também tornaram o propulsor mais indócil e temperamental, sendo mais difícil de se conduzir. O pouco tempo de testes da pré-temporada não permitiu que a Honda solucionasse o problema a contento, então, o comportamento de sua moto é mais arisco nesta temporada, enquanto as Yamaha tem uma performance mais homogênea. E esse comportamento mais agressivo é também parte da causa dos problemas de performance em corrida que tem sido observados. Márquez, que tenta sempre dar tudo por tudo, está tendo literalmente que segurar o touro a unha nos GPs. E ele já garantiu que não vai abaixar os braços e deixar de lutar.
            Ainda há tempo para o atual bicampeão reagir, o que ajudaria a tornar o campeonato ainda mais disputado, mas a parada vai ser dura para os atuais campeões do mundo, e as chances vão diminuindo a cada corrida. Além de uma revigorada Yamaha, que conta com os talentos incontestáveis de dois campeões, os italianos da Ducati estão andando mais forte do que muitos esperavam, e estão bem perto de voltar a vencer corridas na categoria, complicando os planos de uma reação por parte da Honda. Andrea Iannone e Andrea Dovizioso têm largado sempre nas primeiras colocações, com raras exceções, já tendo conquistado até duas pole-positions, e estão decididos a encerrar o jejum da marca, que não vence há anos na MotoGP.
            A disputa do campeonato promete altas doses de emoção ate o final do ano, e todos aguardam para ver se a escalada de Jorge Lorenzo iniciada em Jerez vai se estender pelas próximas corridas. Já são 4 triunfos consecutivos, e quando foi bicampeão nas temporadas de 2010 e 2012, o espanhol se caracterizou por ser extremamente regular na competição, tendo apenas dois abandonos nas corridas destes dois certames. Portanto, os rivais que partam para o ataque desde já para interromper a festa de Jorge, caso contrário poderão ver outra leva de vitórias enfileiradas pelo piloto da Yamaha. E ele não vai se contentar apenas com as 4 vitórias que já conquistou este ano, vai querer muito mais...


Nada menos do que 4 equipes já conquistaram poles no atual campeonato da MotoGP: além das favoritas Yamaha e Honda, a Ducati também já teve a chance de largar na frente em 2015, e na última etapa, em Barcelona, quem surpreendeu foi a Suzuki, que alinhou seus dois pilotos nas duas primeiras posições do grid da prova catalã, com Aleix Espargaró largando na posição de honra. Pena que a felicidade da Suzuki não durou muito: tanto Aleix quanto seu companheiro Maverick Viñales foram superados logo na largada por Jorge Lorenzo, e na corrida, as motos não apresentaram o mesmo rendimento. Viñales terminou em 6° lugar, enquanto Espargaró deixou a corrida após uma queda, arruinando seus planos de obter um bom resultado para a equipe. A Suzuki é a 4ª colocada no campeonato de construtores, com 77 pontos. Maverick Viñales é apenas o 8° colocado no campeonato, com 46 pontos, enquanto Aleix Espargaró ocupa a 12ª posição, com 31 pontos.


Depois da etapa do Canadá, a F-1 voltou à Europa, e hoje começam os treinos para o GP da Áustria, no Red Bull Ring, antigo Osterreichring, pista que era de altíssima velocidade até 1987. O circuito retornou uma década depois, reduzido, com o traçado após o morro ao lado da pista praticamente ignorado, o que se manteve na reconstrução do autódromo efetuada recentemente por Dietrich Mateschitz, dono do império da Red Bull, e proprietário da escuderias de F-1 homônima e Toro Rosso. No Canadá, os carros de ambas as equipes sofreram com a falta de potência do motor Renault V-6 turbo e seus sistemas de recuperação de energia, que mostraram seu déficit de performance nos trechos de reta do circuito canadense. E aqui na Áustria a situação deve ser ainda pior para os carros da turma dos energéticos: mesmo sem contar com os longos trechos de retas que eram usados até 1987, a pista austríaca ainda exige muito motor, o que sinaliza um fim de semana dos mais complicados para a Red Bull e a Toro Rosso. No ano passado, quando o motor Renault já não ajudava, mas o chassi ainda era um dos melhores da categoria, o desempenho foi pífio, com Daniel Ricciardo terminando apenas em 8° lugar, depois de um esperançoso 5° tempo no grid. Sebastian Vettel abandonou a corrida, depois de largar apenas em 12° lugar. Já a dupla da Toro Rosso também ficou pelo caminho, depois de largarem em 7° (Daniil Kvyat) e 14° (Jean-Éric Vergne). Para piorar o clima, a Red Bull já anunciou que tanto Daniel Ricciardo quanto Daniil Kvyat trocarão o motor para a etapa de seu país, utilizando cada um a 5ª unidade de potência no ano, e por isso, perderão 10 posições no grid como penalização, por excederem o limite regulamentar de apenas 4 unidades por ano disponíveis. Parafraseando seu famoso slogan publicitário, na Áustria a Red Bull "não terá asas". Justo na etapa de seu país. Depois de provarem as delícias de ganhar 4 campeonatos consecutivos, a nova fase é de fato bem dura...
O belo visual da Áustria no entorno do Red Bull Ring contrasta com o clima de pouca esperança de bons resultados no time da casa. A Mercedes é a favorita para vencer, como fez em 2014...

quarta-feira, 17 de junho de 2015

ARQUIVO PISTA & BOX - MAIO DE 1997 - 16.05.1997



            Em uma nova postagem da seção Arquivo, trago hoje o texto que foi publicado no dia 16 de maio de 1997, relatando alguns fatos ocorridos durante o GP de Mônaco de F-1 daquela temporada, que curiosamente, não foi disputado no último fim de semana de maio, como é feito tradicionalmente. A batalha Williams X Ferrari estava se mostrando bem mais equilibrada do que muitos previam, e o GP monegasco ainda assistiu a uma grande exibição de Rubens Barrichello, conquistando o primeiro pódio e pontos para sua nova escuderia, a Stewart, que estreara naquele ano. Há também alguns tópicos rápidos mencionando os preparativos para a edição daquele ano das 500 Milhas de Indianápolis, além de uma breve passada por outras categorias. Uma boa leitura a todos, e em breve trago mais textos antigos por aqui...


CAMPEONATO EM ABERTO

            A Fórmula 1 está novamente em seus melhores dias. O Grande Prêmio de Mônaco, disputado no último domingo, ajudou a balançar de vez um campeonato que já começou dando mostras de muita briga na luta pelo título. Depois de 3 vitórias consecutivas da equipe Williams, mas sem exibir aquele domínio apresentado em 1996, outra equipe venceu e outro piloto passou a liderar o mundial, sem falar que a Williams acabou perdendo também a liderança no mundial de construtores.
            Antes mesmo dos treinos começarem, já na quinta-feira, todos no apertado paddock em Monte Carlo sentiam que a prova prometia ser a melhor do ano. No primeiro dia de treinos, Johnny Herbert surpreendeu a todos ao marcar o melhor tempo, desbancando os favoritos Michael Schumacher e Jacques Villeneuve. Claro que, no sábado, os times de ponta se recuperaram e fizeram o piloto inglês recuar no grid de largada. Mesmo assim, foi a melhor classificação do ano, com Heinz-Harald Frentzen a roubar a pole de Michael Schumacher no finalzinho do treino por míseros 0s019. Depois da vitória em Ímola, Frentzen finalmente adquiriu maior confiança para andar tudo o que sabe naquele que ainda é o melhor carro da F-1.
            Pouco antes da largada, o céu mandou uma boa chuva sobre a pista monegasca, brindando a todos os torcedores com uma boa disputa que só acontece nas provas em pista molhada. Ainda na formação do grid, vi uma cena inusitada: ambos os pilotos da Williams com pneus de pista seca, os slicks, enquanto todos os demais, exceção aos pilotos da McLaren, estavam com pneus de chuva. Largar com aqueles pneus no estado em que a pista se encontrava era uma opção suicida. O circuito de Mônaco já é particularmente traiçoeiro no seco. No molhado, então, nem se fala! Deu no que deu: a Williams sofreu uma derrota vexatória e perdeu a liderança de ambos os campeonatos da F-1. Mas a Williams não foi a única equipe a apostar errado: Mika Hakkinen e David Couthard, da McLaren, seguiram o exemplo de Frentzen e Villeneuve e também deram com os burros n’água, até mais rápido do que a Williams: Couthard rodou na chicane do porto e ficou atravessado ao contrário, obrigando os carros que vinham atrás a desviar para não bater na McLaren. Só um não conseguiu e acabou colidindo, não com o carro de Couthard, mas com outro carro, e por ironia, com a outra McLaren, de Mika Hakkinen. Fim de corrida para a equipe de Woking.
            Lá na frente, Michael Schumacher fazia o que sabia melhor: acelerar rumo à vitória, sem rivais à altura. E por pouco a corrida do bicampeão não foi pro brejo: a Ferrari do alemão travou rodas numa freada e escapou na curva Saint Devote. Schumacher evitou por pouco a batida nas barreiras de pneus e retomou a corrida, ainda na liderança com uma grande vantagem. Lá atrás, Rubens Barrichello repetia o feito de Ayrton Senna de 1984, largando em 10º e ultrapassando todos à sua frente até chegar à 2ª posição, mantendo-se nela até o final. Foi a melhor prova de Rubinho na F-1 e emocionou o tricampeão Jackie Stewart: logo na sua 5ª prova como dono de equipe, o seu principal piloto subiu ao pódio, e logo na prova mais prestigiada do calendário. Uma injeção de ânimo na escuderia, que irá tentar vôos mais ousados daqui pra frente.
            Eddie Irvinne terminou sua 3ª corrida consecutiva no pódio, depois de uma tarde inspirada, sendo batido apenas pelo seu companheiro de equipe e por seu ex-colega de Jordan. Esta equipe, aliás, brilhou nos treinos e se apagou na corrida, diante do desempenho de seu ex-piloto, agora defendendo a equipe Stewart.
            Com todas as estripulias ocorridas no Principado mais charmoso do mundo, Michael Schumacher lidera agora o campeonato com 4 pontos de vantagem sobre Jacques Villeneuve. E a Ferrari, que comemorou em Mônaco 50 anos de fundação, com a vitória do bicampeão alemão e o 3º lugar de Irvinne, assumiu a liderança do campeonato de construtores com 8 pontos de vantagem sobre a Williams. A magia de Mônaco atacou novamente. O campeonato de F-1 ganha fôlego e mais emoção com a disputa direta agora mais acirrada do que nunca.


Sábado passado tivemos o Pole Day em Indianápolis, onde foram definidas as primeiras posições do grid de largada da mais famosa corrida do mundo, as 500 Milhas de Indianápolis. Arie Luyendick, da equipe Treadway, arrebatou a pole-position não dando chance aos adversários. A primeira fila foi completada por Tony Stewart, da equipe Menard, e pela nova surpresa da categoria, o italiano Vincenzo Sospiri. Sospiri, que perdeu sua chance na F-1 com a falência da Lola, aceitou disputar a Indy500 e já ganhou um título: é o “rokkie” mais veloz de Indianápolis este ano. Affonso Giaffone ficou com a 14ª posição de largada. Marco Greco, com problemas de motor, tentará sua classificação neste fim de semana, onde serão definidas as posições restantes do grid.


Indianápolis já começou a fazer suas vítimas este ano. Semana passada, o americano John Paul Jr. foi o primeiro a sofrer uma batida de monta contra os muros do circuito. O saldo foi um carro destruído e uma perna quebrada, o que deixa o piloto fora de combate para a corrida, a ser disputada no próximo dia 25 de maio. Outro que por pouco não se machucou feio foi Scott Sharp, que bateu forte na curva 4 no Pole Day. Com a batida, o carro de Sharp foi se arrastando junto ao muro e só parou depois de percorrer mais de metade da reta dos boxes, com o piloto tendo seu capacete quase ralando o muro durante todo o percurso. Sharp não sofreu lesões de monta, felizmente. Com estes acidentes, pode-se comprovar a resistência dos novos chassis Dallara e G-Force adotados pela F-Indy (IRL). Os novos motores atmosféricos da Aurora e Nissan também ajudaram a diminuir a média horária, que ficou próxima dos 350 Km/h na qualificação.


No último fim de semana o circuito de Silverstone sediou a etapa inicial do campeonato europeu de F-3000. E deu Brasil na estréia, com vitória de Ricardo Zonta. No mesmo circuito, mas na etapa da F-3 Inglesa, Mário Haberfeld terminou em 2º lugar, subindo também ao pódio.


Justificativa da Williams para sua tremenda mancada de estratégia em Mônaco: um membro da equipe, especialista em meteorologia, garantiu que a chuva pararia menos de meia hora depois da largada da corrida. Coincidência ou não, a McLaren também tem um especialista em meteorologia, assim como a Williams. Depois do resultado de Mônaco em relação ao que as duas escuderias fizeram na prova, é bem provável que ambos estejam procurando um novo emprego...


Não há como encarar de maneira positiva o resultado dos pilotos brasileiros no Grande Prêmio do Brasil de F-CART, chamada oficialmente de Rio 400. Depois de inúmeras esperanças com a primeira fila do grid totalmente brasileira, nossos pilotos se viram durante a corrida com inúmeros problemas e azares, que literalmente os tiraram de combate na luta pela vitória. Mas não o azar não foi exclusivo dos brasileiros: Bobby Rahal, depois de liderar mais de 100 voltas da corrida, e estar para conseguir sua primeira vitória na categoria desde o GP de Nazareth de 1992, viu suas esperanças ruírem ao ficar sem metanol a menos de 2 voltas do final...

sexta-feira, 12 de junho de 2015

A PORSCHE ESTREMECE LE MANS



A Porsche detonou os concorrentes na classificação para as 24 Horas de Le Mans com o novo recorde do circuito francês, e está a fim de aumentar seu recorde de vitórias na prova.

            Amantes do mundo do automobilismo, este é um fim de semana para se deliciarem. É hora de termos uma das provas mais tradicionais e famosas do mundo, as 24 Horas de Le Mans, principal corrida do Mundial de Endurance, que terá este ano sua 83ª edição. E com uma velha e antiga conhecida largando na primeira fila. A Porsche, que retornou oficialmente à categoria de protótipos no ano passado, arrepiou na classificação para a lendária corrida de 24 horas este ano, estabelecendo com seu modelo 919 o novo recorde para o circuito de 13,65 Km de Le Sarthe, com o tempo de 3min16s887, com o carro N° 18, que terá o trio Romain Dumas/Neel Jani/Marc Lieb largando na pole-position para a prova. O domínio da Porsche, aliás, foi completo: seus 3 carros inscritos para a corrida largarão nas 3 primeiras colocações do grid, demonstrativo de que os modelos 919 são os carros mais velozes da categoria LMP1 no WEC atualmente. Na segunda colocação vem o carro N° 17 com o trio Timo Bernhard/Mark Webber/Brandon Hartley, com o tempo de 3min17s767, diferença de 0s88 para o parceiro pole-position. Na 3ª posição, ficou o carro N° 19, com Nico Hulkenberg/Earl Bamber/Nick Tandy, com uma diferença mais considerável de 1s975 para a pole.
            A Audi, principal vencedora em Le Mans nos últimos 15 anos, tratou de cuidar de sua parte, e colocou seus 3 carros nas posições subsequentes: O carro N° 8, comandado por Lucas Di Grassi/Loic Duval/Oliver Jarvis sai em 4°, com o tempo de 3min19s866, diferença de 2s979 para a pole; a 5ª posição está com o carro N° 7, com Marcel Fassler/André Lotterer/Benoît Tréluyer, distantes 3s674; na 6ª posição vem o carro N° 9, com Filipe Albuquerque/Marco Bonanomi/René Rast, distantes 4s11. E a campeã Toyota ficou apenas em 7° e 8° lugares no grid, com mais de 6s de desvantagem para o pole. Decepção mesmo foi a Nissan, cujo modelo de motor dianteiro, o GTR-LM, ficou apenas em 12°, 13°, e 15° no grid, perdendo para os times da Rebellion e da Bykolles, e ainda vendo seu último carro perder até para o "pole" da categoria LMP2, o carro da KCMG N° 47, por uma diferença de mais de 0s5. Não vai ser dessa vez que a Nissan vai empolgar a torcida, mas o importante é competir, e finalmente fazer sua estréia no campeonato, mesmo que tenham marcado tempos com uma desvantagem de pouco mais de 20s para o primeiro colocado no grid de Le Sarthe.
            À primeira vista, a diferença imposta pela Porsche aos rivais parece imensa, mas é preciso lembrar que a pista tem mais de 13 Km de extensão, e treino é treino, e corrida é corrida, ainda mais numa prova de 24 horas, onde não apenas a velocidade, mas a constância, estratégia, e sobretudo fiabilidade, contarão pontos para se chegar à vitória. E nesse quesito, o maior desafio da Porsche larga imediatamente atrás: os carros da Audi, que valeram-se sobretudo da experiência e confiabilidade para vencerem esta corrida no ano passado, quando a rival Toyota já dava as caras de serem os favoritos à conquista do campeonato da Endurance, o que veio a acontecer. E, pelo que vimos este ano nas duas provas já disputadas, o páreo Porsche/Audi promete ser acirrado: ambas as provas foram vencidas pela Audi, mas por diferenças pequenas em termos de provas de longa duração, sobre a Porsche, o que indica que a marca que detém até hoje o recorde de vitórias nesta corrida vem com tudo para aumentar o seu currículo.
            Com 16 triunfos no currículo, a Porsche quer a 17ª vitória na tradicional corrida francesa. A primeira vitória da marca alemã nesta pista foi em 1970, com um modelo 917K, pilotado pela dupla Hans Herrmann/Richard Attwood, da equipe KG Salzburg. A Porsche, aliás, teve nada menos do que 6 carros classificados nas 10 primeiras colocações. A equipe Martini Racing, competindo com os modelos 917L e 908/2L faturou a 2ª e 3ª colocações, com 5 e 8 voltas de desvantagem para os vencedores. Outros times competindo com carros da Porsche ainda ficaram em 6°, 7° e 9° lugares, só contando os 10 primeiros classificados. A Porsche ainda garantiria para si os triunfos nas edições de 1971, 1976, 1977, 1979, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985, 1986, 1987, 1994, 1996, 1997, e 1998, data de seu último triunfo, obtido pelo modelo 911 GT1-98. Foi a última participação oficial da marca na corrida, até seu retorno no ano passado. Curiosamente, no ano seguinte, em 1999, Le Mans assistiu à estréia da Audi, outro time alemão, e que seriam os novos "reis" de Le Sarthe dali em diante, condição de que desfrutam até hoje, com a primeira vitória vindo logo no seu segundo ano de participação, na edição de 2000. A escuderia das quatro argolas triunfaria na prova ainda nos anos de 2001, 2002, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2010, 2011, 2012, 2013, e 2014, totalizando 13 triunfos. A última vez que Le Mans assistiu uma vitória não-Audi neste circuito foi em 2009, com o triunfo da Peugeot, com seu modelo 908 HDi FAP.
A Audi confia em sua capacidade de corrida para fazer frente à maior velocidade dos Porsches, mas a parada promete ser dura. O duelo entre os times alemães promete.
            Quem vai triunfar? Audi ou Porsche? A batalha será entre alemães, mas é bom não ignorar os japoneses da Toyota na parada. A escuderia nipônica centrou seus ajustes e acertos do modelo TS 040 mais para ritmo de corrida do que de classificação, procurando deixar o seu desempenho mais uniforme para a longa duração da prova, uma vez que no ano passado teve o abandono de um de seus carros e percalços no outro protótipo, o que permitiu à Audi, mesmo com um desempenho ligeiramente inferior, igualar a disputa com sua maior fiabilidade e estratégia de paradas, para vencer novamente. Até porque viu que, no quesito velocidade pura, não teria como vencer a Porsche, então, o jeito era concentrar-se em outros pontos em que pudesse ter um trunfo a explorar.
            Pelos tempos da classificação, se forem mantidas boa parte das performances, a Porsche ganha o nível de principal favorita, uma vez que as diferenças impostas para os adversários são maiores do que as vistas na classificação de 2014. No ano passado, a Toyota conquistou a pole com uma vantagem de apenas 0s357 para o segundo colocado no grid, um Porsche. O 3° colocado ficou a 0s734, o outro carro da Toyota. O segundo Porsche ficou a 1s119 da pole, enquanto os carros da Audi ficaram entre 1s4 e 4s de desvantagem. Este ano, o mais próximo rival da Porsche ficou a mais de 3s5 de diferença, enquanto no ano passado, o vencedor largou com um tempo cerca de 2s5 maior que o pole. Pela estatística fria, a Porsche seria a única candidata à vitória, com os rivais destinados apenas a comer poeira, não fossem as particularidades de uma corrida de longa duração tornarem os números apenas estatísticas. No ano passado a marca alemã dava a entender que seria a principal rival da Toyota em Le Mans, mas não foi bem o que se viu, com um dos carros ficando pelo caminho, e o outro terminando a corrida apenas em 11°, com quase 30 voltas de atraso.
            O panorama de 2015 é completamente diferente do de 2014. Se a Porsche pintava de principal adversária, foi a Audi quem venceu, e isso só não foi considerado zebra pelo histórico da marca das quatro argolas, cuja reputação e capacidade em corrida não podiam ser subestimados. Já este ano, a Porsche demonstra seu favoritismo, com a Toyota pintando de zebra entre os candidatos à vitória. A Audi parece a principal adversária, e se no ano passado conseguiu vencer sendo mais competente na corrida do que as rivais, este ano não pode ser subestimada, uma vez que conseguiu melhorar bastante a performance de seu modelo R18, melhorando em quase 3s o seu melhor tempo obtido em 2014. Só que, se compararmos com a Porsche, a melhoria da Audi, boa, não se compara à de sua rival alemã, cujo melhor tempo este ano mostrou um incremento de cerca de 5s5. Tudo indica que Porsche, Audi e Toyota terão tudo para oferecerem um duelo capaz de empolgar o público nas arquibancadas.
Pole em 2014, a Toyota não conseguiu demonstrar o mesmo ritmo este ano em Le Mans. Mas, em uma corrida de 24 horas, tudo pode acontecer, e os japoneses contam com isso para tentar obter sua primeira vitória em Sarthe...
            Para os brasileiros, o maior interesse é Lucas Di Grassi, que larga em 4° lugar, com a melhor posição da Audi, e pelo terceiro ano consecutivo como piloto da equipe alemã, tentará conquistar a primeira vitória de um brasileiro em Le Mans na classe principal, a LMP1. Na categoria LMP2, teremos a presença de Pipo Derani, competindo pela equipe G-Drive, ao lado de Gustavo Yacamán e Ricardo González, e que larga em 23° lugar, com o modelo Ligier JS P2 equipado com motor Nissan, e tem boas perspectivas de competição em sua categoria. Já na categoria GTEPro, o brasileiro Fernando Rees é o pole da sua classe, com o 34° tempo, ao volante da Aston Martin Vantage V8 do time oficial de fábrica.
            Teremos 56 carros na corrida, e para os próximos anos haverá aumento no número de participantes, e para isso, já estão sendo planejadas as obras de reforma e ampliação das estruturas de box e paddock do circuito de Le Sarthe. Com isso, para 2016 deveremos ter 58 carros, e em 2017, 60 competidores. A corrida terá transmissão ao vivo pelo canal pago Fox Sports neste sábado, que mostrará a largada, às 10 horas, pelo horário de Brasília, e as primeiras horas de competição, voltando no domingo, no horário das 9 da manhã, para mostrar a parte final da corrida. Serão 24 horas de muita adrenalina para quem curte velocidade. O site do Grande Prêmio (www.grandepremio.uol.com.br) promete uma cobertura com transmissão ao vivo e na íntegra de todas as 24 horas da corrida em seu site. Fãs das provas de longa duração e do automobilismo em geral, fiquem a postos. E que vençam os melhores.


Ontem completaram-se 60 anos do mais pavoroso acidente da história do automobilismo, ocorrido aqui mesmo em Le Mans. Era a edição de 1955, que estava sendo disputada entre a Mercedes e a Jaguar em um duelo bem parelho. Na 35ª volta, quando o carro de Mike Hawthorn, da Jaguar recebeu ordem de parar nos boxes para reabastecer. Como havia acabado de ultrapassar um retardatário, Lance Macklin, sua freada brusca para ir ao pit line surpreendeu este com sua brecada súbita, e tentando evitar colidir com o inglês, guinou para a esquerda, e acabou fechando outro retardatário, o francês Pierre Levegh, um dos pilotos da Mercedes na prova. Levegh não conseguiu desviar de Macklin, acertou sua traseira, e acabou catapultado acertando o muro junto à pista. O impacto foi tão forte que seu carro literalmente explodiu, numa enorme bola de fogo, enquanto pedaços do bólido voaram longe adiante, com o bloco do motor e o eixo dianteiro do carro indo cair sobre os torcedores como verdadeiros mísseis. Foram 83 mortos e cerca de 120 feridos. Mesmo liderando a corrida com a dupla Juan Manuel Fangio/Stirling Moss, a Mercedes preferiu se retirar da prova, após algumas horas, devido à comoção gerada pelo violento acidente. A corrida, entretanto, não foi interrompida, e prosseguiu, com a vitória ficando a dupla Mike Hawthrn/Ivor Bueb, da Jaguar. O acidente gerou inúmeras consequências, entre as quais a determinação de se aumentar a segurança nos circuitos onde eram disputadas provas automobilísticas. Só para se ter um exemplo, até aquela corrida, a área dos boxes em Sarthe ficavam praticamente junto à pista, sem nenhuma separação. Os carros simplesmente "encostavam" nos boxes em suas paradas, enquanto os demais competidores rasgavam na reta a poucos metros de distância. Uma loucura completa, em comparação com o rigor de segurança que vemos hoje em todas as pistas. Houve países que proibiram corridas em seu território, como a Suíça, que mantém a lei até hoje, tendo aberto recentemente a possibilidade de ver provas disputadas por carros elétrico, mas ainda vetando os demais tipos de competições do esporte a motor. Foi o dia mais negro da história para os amantes de corridas, não há dúvidas. E a comoção teria sido ainda maior se a prova tivesse sido mostrada ao vivo pela TV, como é praxe hoje nas transmissões, mas naquele tempo, era algo inviável de se realizar. Não dá para imaginar o impacto que algo assim causaria nos dias atuais, com o mundo inteiro vendo este tipo de tragédia. Talvez, embora de natureza diferente, fosse um impacto como o do atentado ao World Trade Center, em Nova Iorque, em 2001, quando dois aviões tomados por terroristas se jogaram nas torres gêmeas, matando milhares de pessoas, com transmissão quase ao vivo pela TV para todo o mundo. Algo que certamente quem viu nunca esquecerá. Aqueles que estiveram em Le Mans, em 1955, nunca esqueceram o que viram naquele dia fatídico de 11 de junho...


A MotoGP inicia hoje os treinos para o GP da Catalunha, a ser disputado no circuito de Barcelona. A prova será disputada em 25 voltas no traçado de 4,7 Km do circuito que também recebe o Grande Prêmio da Espanha de F-1. Jorge Lorenzo, embalado pelas últimas 3 vitórias consecutivas, vai em busca da liderança do campeonato, que está com seu companheiro Valentino Rossi, que pretende se manter na dianteira do campeonato. A corrida será transmitida ao vivo pelo canal pago SporTV.


Com o piloto inglês Max Chilton disputando as 24 Horas de Le Mans neste final de semana, o time onde o piloto corre na Indy Lights, a Carlin, já arrumou um substituto: será o brasileiro Nelsinho Piquet, que fará sua estréia hoje na categoria de acesso à Indycar enquanto espera pela rodada dupla que encerrará o campeonato da F-E no último fim de semana deste mês. O brasileiro correrá as duas provas da rodada dupla da categoria que acontece neste final de semana na cidade de Toronto, no Canadá, que também receberá a etapa do campeonato 2015 da IRL. Para Nelsinho, será uma experiência interessante ao pilotar numa categoria de monopostos norte-americana, além de manter os reflexos afiados para a disputa do título da F-E. Boa sorte para ele no fim de semana.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

ARQUIVO PISTA & BOX - MAIO DE 1997 - 09.05.1997



            Hora de voltar a colocar um de meus antigos textos, e este que trago hoje é de 09 de maio de 1997, e o assunto era a etapa brasileira da F-Indy, chamada de Rio 400, que tinha 400 quilômetros de percurso, e era disputada no circuito oval construído dentro do autódromo de Jacarepaguá. Era a segunda vez que a corrida seria realizada, tendo estreado na temporada anterior, que mesmo tendo vários problemas, apresentou uma corrida agitada e movimentada, e com direito a vitória brasileira, com André Ribeiro. Em termos organizacionais, a prova de 1997 foi muito melhor, mas as chances de vitória brasileira não se repetiram. A F-Indy, por sua vez, vivia sua melhor fase, ainda que tenha tido início a birra cretina de Tony George contra a categoria, motivando-o a criar seu próprio certame, a Indy Racing League, calcada no sucesso das 500 Milhas de Indianápolis.
            Hoje, infelizmente, tudo aquilo ficou para trás. O autódromo do Rio de Janeiro sucumbiu à picaretagem dos políticos, que levaram o povo na conversa fiada - que novidade, e a própria F-Indy acabou, sobrando a IRL, que está por aí até hoje, mesmo depois de ter escorraçado seu próprio fundador, Tony George, que estava dilapidando o patrimônio de sua própria família para sustentar a categoria, mas sem conseguir alcançar o mesmo sucesso que a F-Indy teve em seus melhores dias. Os brasileiros eram numerosos na categoria naqueles dias, mas tinham vários percalços que os impediam de obter resultados melhores. Só alguns anos depois eles estariam nos lugares certos para brilhar e ganhar campeonatos. A presença brasileira também hoje virou uma sombra do que já foi: na atual IRL, chamada de Indycar (nome que pertencia à Indy original até Tony George agarrar os direitos de uso do nome), sobraram apenas Tony Kanaan e Hélio Castro Neves. É, os tempos atuais são bem diferentes.
            No mais, alguns tópicos rápidos sobre a F-1, que naquele final de semana iria correr a etapa de Mônaco, a mais charmosa do calendário. Uma boa leitura, e em breve trago mais textos antigos por aqui...


BRASIL RIO 400

Lá vamos nós para mais uma etapa do campeonato da F-CART. E desta vez o interesse é redobrado, pois é a vez da etapa brasileira do campeonato da categoria. O palco é o autódromo Nélson Piquet, no circuito Oval Émerson Fittipaldi, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A prova estreou no mundial de 1996, e é a primeira da categoria na América do Sul.
A prova do ano passado foi marcada por pouco público (menos de 30 mil pessoas compareceram). Os pilotos reclamaram muito das ondulações do asfalto, sem falar em várias exigências da CART que acabaram por encarecer a prova. Apesar de tudo, a etapa brasileira foi muito disputada: nada menos do que 5 pilotos lideraram a corrida. Alessandro Zanardi foi o pole-position com a marca de 40s162 (média de 270,074 Km/h), e foi também quem mais voltas da corrida liderou (64).
Houve também complicações durante a corrida, que exigiram nada menos do que 11 bandeiras amarelas, que duraram um total de 47 voltas. O forte calor e as bossas do asfalto castigaram os participantes da etapa: dos 27 pilotos que largaram, apenas 14 cruzaram a linha de chegada. E para delírio da torcida brasileira, André Ribeiro foi o vencedor, completando as 133 voltas no circuito de 3 Km em 2h06min08s1, com vantagem de 2s141 para Al Unser Jr., que chegou em 2º lugar. Para melhorar o astral da torcida, mais da metade dos pilotos que pontuaram na etapa nacional era verde-amarela: Christian Fittipaldi foi o 5º; Raul Boesel o 7º; Roberto Moreno o 9º; Gil de Ferran o 10º; Émerson Fittipaldi o 11º; e Marco Greco o 12º. Apenas Maurício Gugelmim, entre os brasileiros, não conseguiu chegar ao final, abandonando na 49ª volta com problemas de freio em seu Reynard/Ford. Coube também a Gil de Ferran assinalar a volta mais rápida da corrida, com 40s120 (média de 270,359 Km/h).
E hoje começam os treinos livres para as emoções da prova deste ano. Amanhã será definido o grid de largada na sessão única cronometrada oficial., Entre os pilotos brasileiros, 3 tem potencial para vencer a corrida: Gil de Ferran, Maurício Gugelmim e Raul Boesel. André Ribeiro, que venceu a corrida no ano passado, está parcialmente fora de combate, devido à má performance do chassi Lola este ano. O favoritismo vai para as Reynards e Penskes. Não há favoritos destacados, mas cerca de 12 pilotos tem chances reais de vitória. Paul Tracy, embalado pelo triunfo de Nazareth na última corrida, chegou ao Rio de Janeiro disposto a manter a boa performance. O novo chassi Penske já demonstrou suas qualidades tanto nos circuitos ovais como nos mistos. Al Unser Jr. também está na parada. Outros nomes fortes são a dupla da Ganassi, Alessandro Zanardi e Jimmy Vasser; Michael Andretti, Greg Moore, Scott Pruett, além dos brasileiros já mencionados acima.
As características do circuito são muito particulares. Oval com formato trapezoidal, o circuito conjuga características das pistas ovais com circuitos mistos. As curvas 1 e 4 exigem freadas bem fortes, típicas de curvas fechadas de circuitos mistos, enquanto as curvas 2 e 3 são feitas pé embaixo, como de costume nas pistas ovais. O tamanho do circuito não favorece tanto o tráfego de retardatários, mas eles sempre aparecem. A grande reta dos boxes, com praticamente 1 Km de extensão, é o ponto favorito para ultrapassagens. E este ano isso será algo bem difícil de se conseguir só na potência do motor: Honda, Mercedes e Ford estão muito emparelhados. O Honda ainda tem mais potência no topo de rotações, mas o diferencial de velocidade em relação aos motores Ford e Mercedes não deve passar de 3 Km/h. Para conseguir melhores condições de ultrapassagem, o acerto do carro será fundamental. Devido à sua concepção, uma nova medida de segurança será adotada nas curvas fechadas 1 e 4: serão colocadas barreiras de pneus aparafusados para prevenir batidas como as de Mark Blundell e Scott Pruett em 96. Se a medida vai ser eficaz, só a corrida poderá dizer.
            Mas uma coisa é certa: a emoção deverá ser das boas, e a torcida será para que mais uma vez a vitória seja de um piloto da casa. É hora de torcer mais do que nunca por nossos pilotos na pista. E que vença o melhor, brasileiro ou não...


A Fórmula 1 chegou a Mônaco para sua prova mais badalada do ano. E as perspectivas são muito boas, especialmente pelo quadro de equilíbrio apresentado no Mundial até agora. Comparando a classificação do campeonato das 4 primeiras provas de 97 com as 4 primeiras etapas de 1996, pode-se ver como a F-1 este ano melhorou muito. Nas 4 primeiras corridas de 96 tivemos 4 vitórias da Williams, sendo 3 de Damon Hill e 1 de Jacques Villeneuve; 13 pilotos diferentes haviam pontuado, sendo que Hill liderava o campeonato com 33 pontos, sendo 11 de vantagem para Villeneuve, o 2º colocado, e 23 pontos em relação a Jean Alesi e Michael Schumacher, que dividiam a 3ª posição. Na tabela de construtores, a Williams seguia disparada com 55 pontos, 39 pontos de vantagem para a Ferrari, 2ª colocada.
Agora em 1997, a situação já é outra: a Williams venceu 3 corridas e a McLaren 1, sendo 2 vitórias de Jacques Villeneuve, 1 de Heinz-Harald Frentzen e 1 de David Couthard. Villeneuve lidera o mundial  de pilotos com 20 pontos, apenas 6 à frente de Michael Schumacher, em 2º lugar, e apenas 10 de vantagem a Frentzen, Mika Hakkinen, Gerhard Bergher, Couthard e Eddie Irvinne. No mundial de construtores, a vantagem da Williams é de apenas 6 pontos em relação à Ferrari, e 10 em relação à McLaren.
Para melhorar o panorama, Mônaco é um circuito travado e difícil, excelente para os pilotos mais talentosos mostrarem serviço. E no quesito talento, Michael Schumacher chegou a Monte Carlo em ponto de bala. O piloto alemão deve buscar a vitória a todo custo no circuito monegasco, e dependendo das circunstâncias, pode até assumir a liderança do campeonato. A Williams ainda mantém seu favoritismo, mas já não é o mesmo de 1996. E para piorar a situação, a prova de Mônaco foi um fiasco para o time inglês no ano passado, e é com isso que a concorrência está contando para atrapalhar os planos de Villeneuve e Frentzen no domingo. Hoje é dia de folga para os pilotos em Mônaco. Ontem foram realizados os treinos livres, e a sessão de definição do grid é amanhã. A prova está marcada para as 15h30min da tarde (horário de Mônaco), 10h30min no Brasil.


Semana passada a Lola resolveu liquidar sua equipe de F-1, montada para disputar o campeonato deste ano e que se retirou depois do cancelamento do patrocínio da Credicard. A Lola ainda tentava conseguir algum patrocínio para disputar novamente o campeonato deste ano, mas não conseguiu. Estima-se que a escuderia tenha acumulado US$ 18 milhões em dívidas. Todos os 27 membros do time foram demitidos, fora os dois pilotos, que já estavam procurando outra ocupação. Ricardo Rosset, por exemplo, foi convidado a disputar a Porshe Super Cup em Mônaco pela equipe oficial da Porshe.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

PITO NA MOLECADA


A rodada tripla da F-3 Européia em Monza foi recheada de toques, rodadas, e excessos por parte dos pilotos na disputa na pista.

            A batida de Max Verstappen em Romain Grosjean em Mônaco rendeu muitas discussões mundo afora do automobilismo, sobre o garoto ser excessivamente agressivo, inexperiente, etc. Falou-se até que, vindo diretamente da F-3, onde o pessoal geralmente anda de forma muito arrojada, ele precisava "mudar" um pouco seus hábitos na F-1, onde bater demais nunca é algo bem visto. Bom, na minha coluna da semana passada, falei que as críticas ao jovem Max eram demasiado exageradas, pois o garoto errou e causou o acidente, mas estava longe de ser uma ameaça na pista, como muitos deram a entender nas críticas. O assunto, aliás, ainda rendeu ontem durante a entrevista coletiva dos pilotos para o Grande Prêmio do Canadá de F-1, onde o jovem holandês e Felipe Massa, um dos seus críticos, trocaram algumas alfinetadas perante os repórteres presentes.
            Só que, quando se fala que o pessoal anda exagerando na dose na F-3, se formos tomar como exemplo o fim de semana passado, na etapa de rodada tripla disputada em Monza pelo certame europeu da categoria, não se pode negar que a molecada anda pisando fundo no acelerador e esquecendo um pouco a prudência dentro da pista. Tivemos um acidente violento com o canadense Lance Stroll, que após um toque com o italiano Antonio Giovinazzi, decolou com seu carro, capotando e por pouco não sofrendo ferimentos graves, onde seu monoposto voou quase tão alto quanto o alambrado do circuito italiano, durante a segunda prova do fim de semana. Poderia ser um acidente isolado, se ambos já não tivessem se tocado na primeira corrida, com o italiano levando a pior, claro, que sem um acidente do mesmo grau sofrido pelo canadense. Quem também andou decolando foi o italiano Michele Beretta, após um enrosco com o chinês Matt Rao. Só que, além destes acidentes, tivemos vários outros incidentes, de menor gravidade, com os pilotos se enroscando uns com os outros, com competidores tendo suspensões quebradas, andando fora da pista, empurrões, etc. Todo mundo parecia não disposto a arredar o pé do acelerador, fosse nas retas, curvas, ou chicanes.
            Com 34 pilotos na pista, o mais incrível é que houveram incidentes por quase praticamente todo o pelotão, sendo poucos os pilotos que não tiveram "contato" com outro competidor. Com os carros oferecendo performances bem próximas, todo mundo parecia pilotar no estilo tudo ou nada: qualquer descuido poderia levar à perda de posição para um rival. Daí que, após duas provas cheias de confusão, a direção resolveu fazer uma reunião no fim do dia, para alertar aos pilotos que eles estavam exagerando nas disputas, e que se isso acontecesse, eles teriam de tomar providências, o que significava dar punição para todos, sendo que eles haviam recebido até reclamação da FIA para que fossem mais duros nas punições. Bom, o aviso pareceu não ter sido bem assimilado, pois a terceira prova, no domingo, voltou a apresentar encrenca entre os pilotos, o que motivou o cancelamento da prova após apenas 8 voltas, depois de termos uma nova capotagem, com o americano Ryan Tveter a fazer a decolagem da vez, logo na freada para a primeira chicane já na largada. Entre outros exageros, teve piloto saindo da pista e voltando a ela, no meio dos carros, mudanças de trajetória para ambos os lados na reta dos boxes - e isso quando havia quase 4 carros emparelhados um ao lado do outro tentando ultrapassagem. Teve 3 carros entrando juntos na Parabólica, e só não se dando mal porque agora há uma faixa de asfalto após a pista antes da caixa de brita, onde os competidores conseguiram completar suas manobras de curva, mas que oficialmente é fora do traçado. Aliás, fazer a Parabólica mais "aberta" dava ao carro a chance de entrar em melhor ângulo na reta dos boxes, e com isso levar ligeira vantagem sobre quem fazia a curva "dentro" do traçado da pista. A terceira corrida acabou interrompida pelo "baixo nível" de pilotagem, e todo mundo ficou sob investigação.
O canadense Lance Stroll voa alto após capotar depois de um toque em disputa de posição. O piloto saiu ileso do acidente, mas podia ter se machucado muito feio.
            Num momento em que na F-1 o público excomunga a postura "conservadora" e "burocrática" dos pilotos, preferindo quem é arrojado e que não se intimide, tentando a todo custo ganhar uma posição, o que fez com que Max Verstappen ganhasse muitos defensores por estar "tentando" algo na pista enquanto os demais apenas seguiam em fila indiana, é preciso conscientizar essa nova geração de pilotos de que a pilotagem dentro da pista tem de ser responsável. Por natureza, o automobilismo é um esporte perigoso, e acidentes sempre podem acontecer, mas nem por isso os pilotos podem se dar ao luxo de ficarem tocando rodas uns com os outros. Por mais seguros que os carros e os circuitos sejam, as consequências de um acidente podem ser imprevisíveis. E os jovens integrantes da F-3 precisam aprender seus limites e como se comportar dentro da pista. Eles estão lá para aprender isso tudo, e quanto antes se derem conta de o que podem e o que não podem fazer, melhor para todos.
            O problema é como passar essa lição aos jovens pilotos que estão iniciando sua carreira em monopostos. No kart europeu recentemente vem havendo uma série de batidas entre os participantes, e pela velocidade naturalmente menor, não tem havido acidentes de grande monta. Mas um monoposto é muito mais veloz, e a partir daí, não se pode simplesmente bater no adversário por bater. Lógico que toques sempre poderão surgir, mas na maior parte do tempo, disputas de posição não precisam ser resolvidas no corpo a corpo. Sempre há a possibilidade de se efetuar ultrapassagens limpas. Só que a impaciência para se resolver uma corrida logo de cara, ou sem planejar exatamente a manobra correta, está mostrando sua face na pista, e se não se tocarem do que pode acontecer, pode haver confusão grossa em breve numa disputa mais ferrenha.
            É verdade que a FIA, desde as mortes de Ayrton Senna e Roland Ratzemberger em Ímola, em 1994, adotou uma postura quase obscessiva em relação à segurança, onde até toques mínimos já são objetivo de investigação e até de punição, o que ajudou a inibir parte do arrojo de alguns pilotos, que temendo serem castigados, não rendem tudo o que podem. E as escuderias, pelo mesmo motivo, reprovam os incidentes que surgem na pista na maioria das vezes, justamente por não desejarem ser punidas também por confusões causadas por seus pilotos.
            Desse modo, os exageros vistos em Monza tendem a ser tratados com excessivo rigor até, como forma de resguardar a categoria, e a segurança dos pilotos. Mas só acaba dando razão à entidade quando esta é criticada pelo excesso de rigor e punições com que policia as corridas, porque no caso de Monza, infelizmente tudo foi exagerado mesmo. Os pilotos extrapolaram. Pode-se até dizer que foi sorte não haverem outros acidentes como o de Stroll, pois os carros andaram sempre muito juntos, e com quase ninguém tirando o pé nas divididas de pista e luta por posição. E, por incrível que pareça, a ida do jovem Verstappen para a F-1 parece incentivar o excesso de arrojo dos pilotos, pois todos querem mostrar do que são capazes, e se Max conseguiu se promovido para a F-1, teoricamente qualquer um deles também tem chances de conseguir o feito. E para isso, precisam impressionar desde já. Só que o certame da F-3 européia é longo: são 33 corridas divididas em 11 etapas, e como diz um tradicional ditado, "não se ganha corrida na primeira curva, se perde".
            Os pilotos não precisam deixar de ser arrojados, decididos e combativos na pista. Muito pelo contrário. Mas precisam aprender como efetuar uma disputa da maneira mais limpa possível. É necessário punir os excessos, mas atualmente a FIA parece ter mais dificuldade para acertar a quantidade de punição do que nunca. É preciso dar uma certa liberdade aos pilotos, para que estes não fiquem sempre com o temor de levar uma punição por qualquer coisa que se veja na pista. Caso contrário, o que teremos é uma geração de pilotos que ficará sempre com o pé atrás na hora de uma disputa de posição, porque tudo pode levar a um castigo, e isso só ajudará a prejudicar a imagem das competições. Mas, pior do que o exagero da FIA, é quando os pilotos mostram que este seu excesso é necessário. Nesse ponto, a FIA resolveu dar um pito na molecada pelo que viu nas corridas da F-3 em Monza. E eles a mereceram. Nem todos, é verdade, mas acabaram levando a bronca junto de quem precisava levar.
            Agora, é esperar que eles se comportem um pouco mais na pista, mas sem deixar de mostrar seu talento e capacidade, e sem serem "acomodados". É uma lição que eles precisarão aprender em sua evolução como pilotos e profissionais do esporte a motor. Precisamos de pilotos com atitude na pista, que possam oferecer shows de pilotagem e destreza ao público que ama as corridas, que sejam também responsáveis e zelosos. Que estes pilotos possam mostrar tudo isso sem serem prejudicados pela postura da FIA, que espero não venha a ter novos momentos como este para novamente bradar sempre seu discurso de segurança e "comportamento" que os pilotos devem ter na pista.


Traçado para a prova da F-E em Moscou. Campeonato entra na reta final.
A F-E prepara-se para a disputa de sua penúltima etapa de seu primeiro campeonato, na cidade de Moscou, que ocorrerá neste sábado. A prova terá transmissão ao vivo do canal pago Fox Sports, às 9:30 Hrs., pelo horário de Brasília. A pista montada nas ruas tem 2,29 Km de extensão, e a prova terá 35 voltas. Com a desclassificação de Lucas di Grassi da etapa de Berlim, a liderança do campeonato ficou para Nelsinho Piquet, que tem intenção de partir para o ataque e não deixar mais a ponta. Para Lucas Di Grassi, o momento é de esquecer a frustração de ver o trabalho de Berlim ter ido por água abaixo, e resolver na pista os problemas, e é esse clima quente de rivalidade que está sendo o assunto mais comentado em relação à categoria dos carros elétricos. De fato, fazia muito tempo que dois pilotos brasileiros não exibiam uma rivalidade deste tipo numa disputa de título em uma categoria automobilística. A última vez que tivemos algo parecido foi em 2004, na Indy Racing League, onde Tony Kanaan e Hélio Castro Neves disputaram o título da competição, com Tony a conquistar o troféu de campeão, e Helinho ficando apenas em 4° no campeonato, mas naquela disputa, nas etapas finais Kanaan já não podia ser ameaçado pelo compatriota, que estava matematicamente fora da briga. Na F-E, a parada está bem mais dura: Nelsinho tem 10 pontos de vantagem para Di Grassi, e vai fazer valer essa diferença na pontuação. Por outro lado, é bom não subestimar Sébastien Buemi, que se encontra apenas 2 pontos atrás de Nelsinho, e também promete vir forte para a luta pelo título, sendo o único piloto no ano com duas vitórias, ao contrário dos rivais.


Depois das conturbadas corridas da rodada dupla da etapa de Detroit, a turma da Indy Racing League volta à pista hoje mesmo, com os primeiros treinos para a corrida seguinte, no Texas Motor Speedway, em Forth Worth, para a segunda prova em circuito oval da temporada. O pista oval do Texas tem 1,45 milhas de extensão, e a corrida será disputada em 248 voltas, com transmissão ao vivo pelo canal pago Bandsports neste sábado.


A F-1 inicia hoje os treinos oficiais para o Grande Prêmio do Canadá, no tradicional circuito Gilles Villeneuve, pista que sempre gostei muito, pelas surpresas que costuma apresentar nas provas disputadas nesta pista. No ano passado, foi aqui que a Mercedes, então dominando amplamente a temporada, teve seu primeiro problema atingindo sua dupla de pilotos ao mesmo tempo, o que ocasionou o abandono de Lewis Hamilton, e a diminuição de ritmo de Nico Rosberg, que ainda assim conseguiu chegar em 2° lugar na corrida, que foi vencida por Daniel Ricciardo, seu primeiro triunfo na F-1. Depois de perder uma vitória praticamente certa em Mônaco, Lewis Hamilton pretende mostrar aqui que o incidente não o perturbou tanto como falam, e que já é passado. De fato, Lewis tem boas lembranças desta pista, pois foi aqui que fez sua primeira pole e venceu pela primeira vez na F-1. Hamilton também venceu aqui em 2010 e 2012. Nico Rosberg, que venceu as duas últimas corridas, ainda precisa convencer que pode lutar pelo título a fundo com Hamilton, e um triunfo nesta pista será crucial para manter a pressão e, quem sabe, até assumir a liderança do campeonato. Mas o atual bicampeão, a exemplo do que ocorreu em Mônaco, não vai dar mole para o rival, e pretende mostrar quem é que manda na pista. Só que, a exemplo de Mônaco, a presença do Safety Car também costuma ser frequente neste GP, uma vez que boa parte da pista não tem áreas de escape grandes, e em vários trechos, os guard-rails estão muito próximos dos carros, onde uma batida costuma causar bons estragos. Depois da confusão que a Mercedes causou em Monte Carlo com a parada de box extra com Hamilton, tudo o que eles não precisam é de uma nova confusão aqui, ainda mais porque existe a possibilidade dos rivais, especialmente a Ferrari e Sebastian Vettel, se aproveitarem do descuido. E tanto a Mercedes quanto a Ferrari vem com várias novidades em seus carros para esta prova, o que deve apimentar a disputa.


Depois de marcar seus primeiros pontos no ano em Mônaco, a McLaren espera poder manter suas esperanças na prova canadense de continuar na zona de pontuação, mas já sabe que a situação aqui é totalmente diferente da etapa monegasca. O circuito de Montreal tem uma longa reta, e bons trechos onde o motor é bastante exigido, e potência não é o melhor adjetivo da unidade de potência da Honda, que prometeu liberar mais força do motor para esta corrida. Situação certamente constrangedora para a McLaren, se não conseguir andar bem, ou com um mínimo de desempenho aceitável, ainda mais depois de ter ganho, nos últimos anos, 3 vezes consecutivas nesta pista, em 2010, 2011, e 2012. A McLaren, contudo, mantém seu otimismo de continuar evoluindo, e é bom que o faça mesmo, pois os rivais não estão nem um pouco parados.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

FLYING LAPS - MAIO DE 2015



            O mês de maio já foi embora, e estamos agora em junho, praticamente encerrando a primeira metade de 2015. Mas sempre fica alguma coisa que aconteceu no mês passado que ficou sem ser comentada nas colunas regulares, portanto, é hora de mais uma sessão da Flying Laps, trazendo em notas rápidas alguns destes acontecimentos do mundo do esporte a motor ocorridos neste mês de maio. Uma boa leitura a todos, e no mês que vem, tem mais...


A F-E disputou em Monte Carlo sua primeira corrida em um local que também é utilizado para as corridas da F-1, e apesar do circuito ser bem mais curto, o charme de um verdadeiro Grande Prêmio esteve presente como se fosse uma corrida da categoria máxima do automobilismo, e as arquibancadas estiveram lotadas. E, infelizmente, a corrida também não foi das mais empolgantes, com os carros elétricos a oferecerem poucas ultrapassagens do público, em virtude das apertadas ruas monegascas. E, a exemplo da F-1, a curva Saint Devote, se não foi a causadora, assistiu a uma carambola de vários carros logo no início da prova, com os competidores a descerem para a via paralela ao porto e se enroscarem feio quando Nicolas Prost deu um toque em Daniel ABT, que por sua vez acertou Bruno Senna, e na confusão também se envolveram Jean-Éric Vergne e Jaime Alguersuari. O carro de Bruno quase decolou e capotou, mas felizmente nada de pior aconteceu além do abandono do piloto brasileiro, ao lado de Alguersuari, cujo bólido também não sobreviveu para continuar na corrida. Com a prova retomada após o safety car, coube aos brasileiros Lucas Di Grassi e Nelsinho Piquet darem emoção à corrida, com um duelo renhido entre os dois que só não foi melhor porque em Monte Carlo não se ultrapassa sem uma boa dose de sorte e erro do piloto da frente. Lucas defendeu-se bem nas poucas oportunidades que Nelsinho teve de realmente tentar passar, e assim ambos completaram o pódio na 2ª e 3ª posições. A vitória ficou com Sebastien Buemi, que com o triunfo se tornou o único piloto até então a vencer mais de uma corrida no campeonato da F-E. E a popularidade da categoria cresceu, a ponto de já ter garantido lotação esgotada para todas as etapas restantes do campeonato, que termina no último fim de semana de junho, com uma rodada dupla nas ruas de Londres, capital de Inglaterra.


Lucas Di Grassi, aliás, foi o principal nome da etapa seguinte da F-E, a etapa de Berlim, na Alemanha, disputada em uma pista montada no antigo aeroporto de Tempelhoff. Jarno Trulli conquistou uma inesperada pole-position, e o italiano, que vem tendo uma temporada abaixo da crítica, até conseguiu largar bem, mas Luas conseguiu ultrapassar Jarno antes mesmo da primeira volta, e com isso, abriu uma larga vantagem enquanto os rivais sofriam para superar Trulli. Di Grassi chegou a abrir quase 15s de vantagem, antes da troca de carros, e depois tratou de ir administrando a vantagem, cruzando a linha de chegada com pouco mais de 7s de vantagem para o belga Jêrome D'Ambrosio. Nelsinho Piquet, largando em 13°, fez uma corrida combativa para terminar a prova na 5ª posição, enquanto Bruno Senna, em mais uma corrida para esquecer, foi apenas o 19° colocado. Sebastian Buemi, vencedor da etapa de Mônaco, fechara o pódio em 3°. Só que o esforço de Lucas Di Grassi acabou sendo jogado pela janela: a equipe fez um pequeno conserto numa das asas dianteiras do carro, e apesar de mínimo, tal ato é considerado irregular, e com isso, o brasileiro acabou desclassificado da corrida, e D'Ambrosio acabou ficando com a vitória, e todos os pilotos subiram uma posição. O resultado deixou Nelsinho Piquet na liderança do campeonato, com 103 pontos, 2 a mais que Sebastien Buemi, o segundo colocado na classificação, com 101. Lucas Di Grassi, claramente inconformado com o resultado, é o 3°, com 93 pontos, e promete reagir na pista para chegar ao título. Nicolas Prost é o 4° colocado no campeonato, com 78 pontos. No campeonato por equipes, a e.Dams lidera o campeonato com 179 pontos, seguida da escuderia Dragon, com 116 pontos. A Audi ABT, time de Lucas Di Grassi, está logo atrás, com 115 pontos, enquanto a China Racing, escuderia defendida por Nelsinho Piquet, é a 4ª colocada, com 107 pontos. A próxima etapa é no dia 6 de junho, com a etapa de Moscou.


A rodada dupla da IRL em Detroit, no último fim de semana de maio, foi uma ducha de água fria para muitos pilotos, literalmente. Ambas as corridas, de sábado e do domingo, foram marcadas pela chuva que caiu na cidade durante todo o fim de semana, a ponto de a classificação para a segunda corrida ter sido cancelada e todos terem largado pela posição no campeonato. A Penske, que havia se saído muito bem no grid de ambas as provas, teve um final de semana para esquecer, praticamente. Na prova de sábado, seu melhor resultado foi o 3° lugar de Simon Pagenaud, que foi seguido por Will Power em 4°. Hélio Castro Neves foi o 6°, e Juan Pablo Montoya, o 10° colocado. Já na corrida de domingo, a Penske amargou dois de seus pilotos abandonando ao mesmo tempo, quando Will Power se estranhou com Tristan Vautier, da Dale Coyne, e acabou acertando o carro de Helinho, tirando ambos da prova. Juan Pablo Montoya foi novamente o 10° colocado, enquanto Pagenaud foi o 14°. Quem comemorou na primeira corrida foi a Andretti Autosport, com uma dobradinha no pódio, com a primeira vitória de Carlos Muñoz, com Marco Andretti em 2° lugar. Ambos ganharam enorme vantagem mantendo os pneus slicks enquanto caía apenas uma chuva fina sobre o circuito, ganhando com isso cerca de 10s por volta sobre os demais concorrentes, e guiando com extremo cuidado para evitar rodar no piso que voltava a ficar molhado. Mas a sorte de Muñoz ficou nisso: na corrida de domingo, o colombiano foi o primeiro a abandonar, com problemas mecânicos, e quem deu sorte na estratégia, com as bandeiras amarelas, e com um novo encerramento prematuro da corrida, o que já havia acontecido na primeira corrida, foi Sebastian Bourdais, que conseguiu sua segunda vitória na categoria. Takuma Sato foi o 2° colocado, com Graham Rahal obtendo outro grande resultado com o 3° lugar. A exemplo da Penske, a Ganassi também não levou boas recordações de Detroit este ano. Na prova do domingo, especialmente, Chip Ganassi, a exemplo de Roger Penske, também viu dois de seus pilotos baterem um no outro, no caso, Charlie Kimball, que tentando fazer uma ultrapassagem e não conseguindo, retomou seu traçado, sem notar que seu companheiro de equipe Scott Dixon já estava a seu lado, e acabou mandando o neozelandês para o muro, que deu adeus à corrida. E Tony Kanaan, por sua vez, acabou abalroado na prova de sábado, voltou à corrida depois de 14 voltas perdidas, apenas para abandonar de vez. E, no domingo, largando a meio do grid, depois de tantos altos e baixos da corrida, acabou na mesma posição de largada, 13°. Um detalhe interessante foi ver Sage Karan, da Ganassi, enroscar-se durante a corrida de domingo duas vezes com Jack Hawksworth, da Foyt, em diferentes pontos da pista. Jack deu mais sorte e foi 7°, enquanto Karan foi 12°, mas certamente deve ter levado alguns impropérios de Hawksworth por debaixo do capacete pelas duas pancadas recebidas. De fato, nada como a chuva para bagunçar as estratégias de times e pilotos, e dar um colorido interessante a uma corrida. Isso, claro, para quem está do lado de fora, porque do lado de dentro, muitos pilotos devem ter amaldiçoado São Pedro no fim de semana, para não falar dos mecânicos de vários times, que tiveram o trabalho de consertar os vários carros batidos do fim de semana, e acelerados, pois a próxima corrida já é no próximo final de semana...


Na segunda etapa do Mundial de Endurance, as 6 Horas de Spa-Francorchamps, na Bélgica, nova vitória da Audi no campeonato, e novamente com o trio André Lotterer, Benoit Tréluyer e Marcel Fässler. E, a exemplo da primeira corrida, em Silverstone, o duelo na pista das Ardenhas foi acirrado, com a vitória sobre o trio Romain Dumas, Neel Jani, e Marc Lieb ser conseguida com uma vantagem de apenas 13s42, outra margem pequena se considerarmos a duração de uma prova de endurance. a Audi se valeu da melhor estratégia de pit stops para assumir a liderança, mas os carros da Porshe apresentaram um rendimento forte. O outro carro da montadora, pilotado pelo trio Timo Bernhard, Mark Webber, e Brandon Hartley, fechou em 3° lugar, com uma volta a menos, mas ainda assim, com uma volta de vantagem para o 4° colocado, o outro carro da Audi, pilotado pelo trio Filipe Albuquerque, Marco Bonanomi, e René Rast. A atual campeã, a Toyota, não conseguiu mostrar seu poderio em Spa: ficou apenas em 5° e 8° lugares. Lucas Di Grassi terminou em 7° lugar com o terceiro carro da Audi, com 8 voltas de desvantagem para o carro vencedor do mesmo time. Já o brasileiro Pipo Derani foi o 2° colocado na categoria LMP2, pela equipe G-Drive, enquanto Fernando Rees, com a Aston Martin, foi novamente vencedor na categoria GTEPro. Agora, todos os times da Endurance começam a se preparar para a prova mais importante do campeonato, as 24 Horas de Le Mans, que serão disputadas nos dias 13 e 14 de junho, no famoso circuito de Sarthe, em Le Mans, na França. Em Le Mans, Audi, Toyota e Porshe ganharão mais um concorrente na classe LMP1, com a tão aguardada estréia da Nissan, com seu modelo de tração e motorização dianteiros, ao contrário dos demais competidores da principal classe da Endurance, que certamente vai atrair a atenção de muitos torcedores e da imprensa especializada.