quarta-feira, 20 de agosto de 2014

ARQUIVO PISTA & BOX - FEVEREIRO DE 1997 - 21.02.1997



            Voltando com mais um antigo texto, trago hoje esta coluna, do dia 21 de fevereiro de 1997, dissertando sobre o início do julgamento sobre o acidente que vitimou Ayrton Senna no trágico GP de San Marino de 1994. Nada a adicionar sobre o texto, ele fala por si. Uma boa leitura a todos...


O CASO SENNA

            Começou ontem em Ímola, na Itália, o processo criminal do caso Ayrton Senna. O processo é presidido pelo juiz Antonio Constanzo; Maurizio Passarini ataca na promotoria. Alguns dos réus em julgamento: Frank Williams, Patrick Head, Adrian Newey, da equipe Williams. Roland Bruynseraede também está na lista. O processo visa apurar os responsáveis pela morte do piloto Ayrton Senna, ocorrida durante a realização do Grande Prêmio de San Marino de 1994.
            Esta semana, com a aproximação do início do processo, boa parte da imprensa internacional, especializada ou não, tratou de colocar o assunto novamente em evidência. Alguns, como o Sunday Times, chegaram até a colocar novas hipóteses em discussão, algumas até no limite do ridículo, como a possibilidade de Ayrton ter desmaiado dentro do carro pouco antes de entrar na curva Tamburello. Já a hipótese do pedaço de carenagem que teria feito seu carro perder o controle é até mais coerente, mas não chega a convencer, pois Senna não foi o único piloto a passar por cima dos pedaços da peça na reta dos boxes.
            Longe de defender alguém, afirmo que é impossível apontar culpados para o que ocorreu. Mesmo na época do acidente, eu já afirmava que era mais uma fatalidade do automobilismo. Por uma coincidência incomum de fatores, Ayrton morreu em um acidente até certo ponto comum a tantos outros já ocorridos. Um processo criminal para apurar os fatos é realmente necessário, mas pra dizer a verdade, estão fazendo muito teatro em cima disso. E não acredito que qualquer um dos “réus” acabe sendo condenado.
            As justificativas são várias. Desde que começou, o automobilismo é um esporte de alto risco por sua própria natureza. É impossível impedir que acidentes ocorram. O máximo que se pode fazer é evitar as circunstâncias que os favorecem, mas nem isso é possível em sua totalidade. A segurança hoje em dia no automobilismo é incomparável se olharmos para trás. Basta ver o que aconteceu em corridas nas décadas de 1960 e 1970. O número de acidentes era tal que praticamente não havia temporada sem que vários pilotos se machucassem seriamente, ou até morressem na pista. Nos últimos anos, a segurança, tanto dos circuitos como dos carros, melhorou muito. Talvez o fato que mais tenha marcado o ocorrido em Ímola em 1994 foi o choque causado pelos acontecimentos. Desde 1982 que não ocorriam acidentes com vítimas fatais em um fim de semana de Grande Prêmio de Fórmula 1. Desde então, a segurança melhorou muito, e os acidentes que ocorreram desde aquele GP até 1994 tinham sido até espetaculares em alguns casos, mas felizmente sem conseqüências sérias, fora o grande susto. O episódio de San Marino serviu para lembrar que nada pode ser totalmente previsível neste esporte, nem mesmo os acidentes. Uma forte lição, que serviu para se trabalhar em áreas mais específicas para melhorar a segurança passiva dos carros, bem como de diversas pistas. Foram feitos progressos, mas isso não quer dizer que um novo acidente poderá ter menos conseqüências, dependendo de como ele ocorrer.
            E, para afirmar isso, cito o acidente que matou o piloto Jeff Krosnoff durante o GP de Toronto da F-CART em julho do ano passado. Um acidente espetacular que resultou não só na morte do piloto como de um fiscal de pista, e por pouco não teve também maiores vítimas, pois pedaços de seu carro voaram para todos os lados, por pouco não atingindo os carros de outros pilotos.
            Mas, respostas são exigidas. E o processo pretende satisfazer esta necessidade. Como se trata de algo que aconteceu a um dos maiores ídolos esportivos do mundo, há todo esse agito. Curioso é que, em todos os noticiários que li a respeito do assunto, praticamente não vejo menção sequer sobre a morte de Roland Ratzemberger, que estreava na F-1 pela pequena equipe Simtek, e que morreu no sábado anterior à corrida, em um acidente visualmente até mais brutal do que o de Ayrton Senna. Será que sua morte também não deveria ser investigada, ou pelo menos lembrada? Façam seus próprios julgamentos a respeito desta questão...


O Mundial de F-1 aproxima-se de seu início, por isso, relaciono aqui os motores utilizados pelas escuderias nesta temporada:

ESCUDERIA
MOTOR
ESCUDERIA
MOTOR
Williams
Renault RS9 V-10
Benetton
Renault RS9 V-10
Ferrari
Ferrari V-10
McLaren
Mercedes-Benz V-10
TWR-Arrows
Yamaha V-10
Stewart
Ford Zetec-S V-10
Tyrrel
Ford EC V-8
Ligier
Mugen-Honda V-10
Jordan
Peugeot V-10
Minardi
Hart 830 V-8
Sauber
Petronas V-10 (Ferrari V-10 96)
Lola
Ford Zetec-R V-8


Williams e Benetton tiveram uma semana cheia no autódromo do Estoril. Cada uma das escuderias disputou os melhores tempos em todos os dias. O resultado aponta para uma equiparação de forças entre ambos os times, o que indica bons níveis de competição para o Mundial. Outra equipe a também andar bem foi a Jordan, mas depois do que aconteceu com o time nos últimos dois anos depois dos resultados da pré-temporada, fica a dúvida se a história não vai se repetir...


O piloto brasileiro Cristiano da Matta fez bonito nos testes coletivos da Indy Lights realizados semana passada no circuito de Homestead. Da Matta acabou com o segundo melhor tempo dos testes. Mais uma fera brasileira para deixar os americanos arrepiados...


Já os testes coletivos da F-CART no circuito de Laguna Seca, na Califórnia, foram dominados amplamente pelo italiano Alessandro Zanardi, da equipe Chip Ganassi. Nem mesmo Jimmy Vasser, seu companheiro de equipe e atual campeão da categoria, conseguiu acompanhar seu ritmo. Mas ele bem que resolveu tentar, o que resultou em algumas saídas de pista e uma forte batida com o carro, sem conseqüências para o piloto, felizmente...


Do time de brasileiros da F-CART, quem anda com a cotação em alta e entusiasmo idem é Maurício Gugelmim. Tanto em Homestead quanto em Laguna Seca, o piloto da equipe PacWest foi uma sombra permanente nos pilotos da Ganassi. Tentando conter a euforia, Gugelmim diz que não vê a hora do campeonato começar e poder medir forças a nível real com os adversários.
 



sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O MASSACRE DE MÁRQUEZ


A prova da MotoGP em Indianápolis teve vários duelos, mas no fim, o vencedor foi novamente Marc Márquez. Parar a sequência de vitórias da "Formiga Atômica" está sendo mais difícil do que nunca em 2014...

            Enquanto o pessoal da Fórmula 1 curte suas férias de meio de ano, a turma da MotoGP continua em ação, e depois do GP de Indianápolis, disputado domingo passado, hoje todo mundo já está de novo a pista. O palco é o circuito de Brno, para a etapa da República Tcheca. A pista tem uma extensão de 5,403 Km, com cerca de 14 curvas, sendo 6 à esquerda e 8 à direita. A corrida será disputada em 22 voltas, em um total de 118,9 Km. E a pergunta que todos fazem é: quem pode parar Marc Márquez? O piloto espanhol, atual campeão da categoria, venceu novamente domingo passado, no traçado misto de Indianápolis, averbando nada menos do que sua 10ª vitória consecutiva no campeonato deste ano. Mais do que igualar o recorde histórico do italiano Giácomo Agostini, que em 1970 também conseguiu a proeza de vencer 10 provas em sequência, Márquez até agora foi o único a vencer na temporada, tendo um score impecável: 10 vitórias em 10 corridas, com nada menos do que 8 pole-positions, tendo falhado em largar na primeira fila apenas nas corridas de Barcelona (onde Dani Pedrosa largou na frente) e Assen (pole de Aleix Espargaro). A "Formiga Atômica" também marcou 8 melhores voltas no campeonato, deixando de assinalar a volta mais rápida apenas nas provas do Catar (Álvaro Bautista fez a melhor volta da corrida) e Buenos Aires (melhor volta de Dani Pedrosa). A concorrência, de fato, não tem muito o que mostrar em 2014.
            Não que não tenha tentado. Domingo passado, por exemplo, apesar de largar mais uma vez na pole, Márquez saiu mal, enquanto Valentino Rossi fez um arranque relâmpago, saindo da 5ª posição para fazer a primeira curva já na liderança da prova. E, por algumas voltas, o "Doutor" chegou até a abrir alguma vantagem, trazendo com ele o italiano Andrea Dovizioso, que fazia um excelente início de corrida com a Ducati, prometendo infernizar os ponteiros. Mas Marc foi ao ataque, e em poucas voltas, Rossi, Dovizioso, Jorge Lorenzo e Dani Pedrosa já circulavam próximos. E todo mundo já imaginava o que iria acontecer a seguir. Verdade que Lorenzo e Rossi deram trabalho para o jovem espanhol prodígio do motociclismo, mas tão logo se firmou na liderança, Márquez passou a abrir vantagem. Nem mesmo os maiores esforços de Lorenzo, que parece enfim voltar a seus melhores dias, foi suficiente para impedir mais um triunfo do jovem campeão. Rossi, depois de travar pegas com Dovizioso, Lorenzo e Márquez, acabou perdendo um pouco de ritmo nas voltas finais, finalizando o pódio, logo atrás do companheiro de equipe na Yamaha. Dani Pedrosa, para variar, "sobrou", terminando em 4°, e vendo o parceiro faturar mais uma vitória e seguir invicto no ano.
            É consenso geral de que o modelo RC213V do time oficial da Honda é o melhor equipamento da categoria, e isso é demonstrado pelo fato de Dani Pedrosa, que para muitos faz uma temporada sem brilho, ser o vice-líder do campeonato, com 161 pontos. Enquanto Márquez venceu todas as corridas do ano, Pedrosa tem como melhores resultados apenas 2 segundos lugares, nas etapas de Austin e Sachsenring, além da pole em Barcelona e uma melhor volta, na Argentina. Para complicar ainda mais, o piloto espanhol encontra-se em uma renhida disputa com Valentino Rossi, alternando-se com o italiano na segunda posição do campeonato ao longo da competição até aqui. Mesmo com um equipamento inferior ao da Honda, Rossi tem conseguido resultados mais consistentes, terminando nada menos do que 4 segundos lugares e 2 terceiros. E, em algumas corridas, como foi visto em Indianápolis, deu uma canseira para ser superado na pista, o que mostra que, apesar do melhor equipamento da competição, é Márquez que vem fazendo a diferença de performance, extraindo tudo o que a moto japonesa pode dar, e às vezes, até mais um pouco. A única prova em que Márquez terminou com relativa folga foi na Holanda, quando chegou com 6s7 de vantagem para Andrea Dovizioso, 2° colocado na etapa. Em compensação, nada menos do que 3 corridas terminaram com Marc vencendo por diferença mínima: em Mugello, o campeão venceu por míseros 0s121 de diferença para seu conterrâneo Jorge Lorenzo, da Yamaha. Nas outras duas provas, no Catar e em Barcelona, foi Valentino Rossi que esteve nos calcanhares de Márquez até a bandeirada de chegada, não permitindo que Marc pudesse se descuidar um só momento.
            Se no ano passado os concorrentes contavam com o noviciado de Márquez para tentar levar vantagem na competição, e mesmo assim acabaram vendo o novato ser campeão logo em seu primeiro ano na categoria rainha do motociclismo, este ano a tarefa está particularmente complicada, pois com mais experiência e maturidade, Márquez tem reduzido praticamente a zero seus erros nas corridas, não dando chances para o azar. E mesmo quando acaba largando mal e perdendo algumas posições nas largadas, Marc vai à luta e não demora a estar novamente na frente, mostrando que seu arrojo continua em ponto de bala como sempre. Pior para os adversários, que ainda não sabem o que é subir ao degrau mais alto do pódio.
            Enganam-se, entretanto, quem acha que o campeonato da MotoGP deste ano está sendo monótono. Em que pese o domínio de Márc Márquez nas vitórias, quase todas as corridas terminaram com os ocupantes do pódio separados por margens de diferença relativamente pequenas, mostrando que as disputas na pista estão bem acirradas. Na etapa inaugural, no Catar, Dani Pedrosa, 3° colocado, ficou apenas 3s37 atrás do parceiro vencedor, panorama similar ao resultado da Argentina, onde o 3° colocado, desta vez Jorge Lorenzo, também ficou apenas 3s201 atrás na bandeirada. Em Le Mans, foi Álvaro Bautista a chegar em 3°, com 3s144 de desvantagem. Em Jerez de La Fronteira, a disputa foi acirrada até a bandeirada: Dani Pedrosa fechou o pódio com apenas 1s529 de distância para o seu colega de equipe. Outra corrida apertada foi em Barcelona, com Pedrosa novamente em 3°, apenas 1s834 atrás. Na prova de Mugello, na Itália, foi Rossi quem fechou o pódio com um atraso de apenas 2s688. As etapas que destoaram deste panorama foram Austin, com Andrea Dovizioso a fechar o pódio praticamente 21s atrás de Márquez; Assen, com o 3° colocado Pedrosa atrás 10s791; e Sachsenring, com Lorenzo completando o top-3 com menos 10s317.
            Se a disputa na pista sugere que as corridas têm tido bons pegas entre os competidores, contudo, a fria realidade dos números mostra um panorama diferente: a Honda lidera de forma gritante o campeonato de construtores, com 250 pontos, contra apenas 174 da Yamaha, e 114 da Ducati. Na classificação por equipes, a escuderia oficial da Honda dispara na dianteira com 411 pontos, bem distante da arqui-rival Yamaha, cujo time de fábrica tem 274 pontos. A Ducati, com apenas 144 pontos, então, nem se fala. Na classificação, Marc Márquez acumula 89 pontos de vantagem sobre o próprio companheiro de equipe, Dani Pedrosa, que não consegue se livrar de Valentino Rossi, neste momento apenas 4 pontos atrás, com 157. Bicampeão da categoria, Jorge Lorenzo tem tido um ano difícil de digerir, e com alguns altos e baixos, está em 4° lugar, com apenas 117 pontos, trazendo em sua cola Andrea Dovizioso, com 108 pontos, que anda querendo mostrar serviço nas últimas provas, embora seus resultados finais nem sempre correspondam a seus esforços na pista.
            Com 8 corridas para fechar o calendário 2014, todos começam a fazer as contas de quando Márquez deve encerrar matematicamente a conquista do título. E os cálculos mais prováveis apontam para a etapa de Aragón, na Espanha. Se vencer todas as corridas até lá, em Brno, Silverstone e Misano, e apostando que Pedrosa seja sempre o 2° colocado, ele entraria na pista de Aragón com 104 pontos de vantagem, precisando apenas de um 2° lugar, desde que Pedrosa não vença, para faturar o bicampeonato. Na hipótese de Valentino Rossi ser sempre o 2°, bastaria um 3° lugar na mesma corrida, desde que o italiano não vencesse, para levar o caneco. E, se formos considerar as chances de Jorge Lorenzo, Márquez já teria ganho a parada, praticamente, em Misano, ainda mais cedo.
            Com as chances de título diminuindo a cada etapa, a concorrência passa a ter como maior objetivo pelo menos fechar 2014 com uma vitória, para não passar o ano em branco. As vitórias apertadas de Márquez vistas até agora na competição mostram que o jovem espanhol pode ser vencido. Conseguir isso, contudo, é outra história, e até o presente momento, tudo indica que, salvo surpresas inesperadas, Marc tem condições de vencer praticamente todas as corridas do campeonato, o que seria um feito espetacular. Quem mais chegou perto disso foi justamente Giácomo Agostini, que em 1970, quando venceu as 10 primeiras corridas do campeonato, só deixou escapar mesmo a vitória da etapa final, em Montjuic, na Espanha, uma vez que o certame daquele ano era composto de 11 provas. Um aproveitamento de 90,9% de vitórias no ano. Com 18 corridas compondo o calendário deste ano, os concorrentes ainda tem mais algumas chances de tentar limpar sua reputação frente à "Formiga Atômica", que vem massacrando a concorrência sem dó nem piedade, pelo menos no quesito vitórias.
            Eles podem tentar, com o mais novo round a ser disputado a partir de hoje nos treinos oficiais para a corrida de Brno. Mas falta combinar com Marc Márquez, e podem apostar que ele tem outras idéias na cabeça...


Enquanto tentam deter o monólogo de Marc Márquez na pista, os pilotos do time oficial da Yamaha já se garantiram para as próximas temporadas. Tanto Valentino Rossi quanto Jorge Lorenzo renovaram contrato com o time nipônico pelas temporadas de 2015 e 2016, quando tentarão novamente dar o título à sua escuderia, esperam, desde que tenham um equipamento mais competitivo, porque do jeito como está atualmente, só contando com os azares para tirar o espanhol da rival Honda da competição. Rossi finalizou seu acordo de renovação no mês passado, enquanto o acordo com Lorenzo foi um pouco mais complicado, mas acabou sendo selado na semana passada. Também mantendo tudo na mesma, a Honda continuará com Márquez e Dani Pedrosa em 2015. Com isso, é se preparar para continuarmos a assistir aos duelos das duas gigantes nipônicas no mundial de motovelocidade, que ganhará no próximo ano mais uma rival também japonesa, a Suzuki, que retorna à competição. Um é pouco, dois é bom, e três tem tudo para ser melhor ainda...


Mark Milles, principal diretor da Indycar, entidade que comanda o campeonato da Indy Racing League, disse que está otimista em poder retornar ao Brasil no próximo ano, para disputar a etapa nacional do campeonato, com previsão de realização para o primeiro fim de semana de março de 2015, em Brasília. Do lado de cá, as condições do autódromo não são as melhores, e as reformas necessárias para deixar a pista em condições decentes para se realizar uma competição de nível, já avisaram, só ficarão prontas mesmo em 2016, sendo que a licitação para as obras só será feita no mês que vem. Convenhamos, depois do que vimos na construção e reformas dos estádios nacionais para sediar a Copa do Mundo, isso não deveria ser nenhuma surpresa. Veremos se o chefão da Indycar vai gostar da brincadeira quando ver o estado das coisas no ano que vem. Pelo sim, pelo não, o calendário da IRL 2015 ainda não está fechado, então nada está garantido. Vale lembrar que teríamos uma etapa da MotoGP a ser disputada em Brasília este ano, mas a FIM, vendo a situação do autódromo, e sem as obras de adequação necessária, não pensou duas vezes antes de rifar a corrida do calendário...


A Indy Racing League volta à pista neste fim de semana. É a vez da corrida de Milawukee, a ser disputada no circuito de West Allis, em Wisconsin. Segundo no campeonato, o brasileiro Hélio Castro Neves precisa aproveitar o fraco retrospecto de seu companheiro Will Power nesta pista para retomar a liderança da competição: nas últimas 3 temporadas, o brasileiro chegou 2 vezes à frente do colega no pequeno circuito oval, vantagem pequena, é verdade, mas que pode significar a diferença entre finalmente chegar ao título ou ficar mais um ano na fila. Falando em filas, tanto Power quanto Hélio querem parar de bater na trave, e desencantar de vez com a conquista do tão sonhado título da categoria. Mas a dupla da Penske precisa ficar atenta aos concorrentes: nos últimos dois anos, a vitória nessa pista ficou com Ryan Hunter-Reay, e o piloto da Andretti Autosport ainda não está fora do páreo no campeonato. É preciso ficar de olho aberto. Na história do pequeno circuito oval de 1 milha, o maior vencedor é Rodger Ward, com 7 vitórias, seguido de Michael Andretti, com 5 triunfos, vindo depois Bobby Unser, seu irmão Al Unser, e Johnny Rutherford, todos com 4 vitórias, de quando o circuito fazia parte do calendário da Fórmula Indy original. Dos pilotos atuais, Ryan Hunter-Reay tem 3 vitórias, contra 2 de Tony Kanaan, 1 de Scott Dixon, Sebastién Bourdais, e Ryan Briscoe.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

ARQUIVO PISTA & BOX - FEVEREIRO DE 1997 - 14.02.1997



            Voltando a trazer uma de minhas antigas colunas, esta é de 14 de fevereiro de 1997, e o tema discutido é um pequeno balanço de quem ia dar briga à Williams no campeonato daquele ano. O time de Frank ainda era a força dominante na categoria, o time a ser batido, e mantinha o canadense Jacques Villeneuve, agora como primeiro piloto, depois de dispensarem Damon Hill como "prêmio" pela sua conquista do título em 1996. De fato, a Williams confirmou ser mesmo o time a ser vencido. A surpresa foi a Ferrari finalmente entrando nos eixos, e quase chegando lá com Michael Schumacher no fim do ano. Fiquem agora com o texto, e em breve tem mais...


QUEM VAI DAR AS CARTAS?

            Estamos praticamente às vésperas da estréia do campeonato 97 da Fórmula 1. A próxima semana será a última oportunidade para as equipes testarem seus carros, antes de seu embarque para a Austrália, onde se dará a primeira etapa do campeonato deste ano. Desde o fim do campeonato do ano passado, todas as expectativas conduziam a um certame que, tecnicamente, deveria ser o mais equilibrado em muitos anos. E agora? Com vários testes realizados, quem será que realmente vai dar as cartas no campeonato?
            Pelo desempenho dos testes, ninguém duvida que McLaren e Benetton estarão no páreo. A equipe de Ron Dennis tem no novo MP4/12, aliado à versão 97 do motor Mercedes V-10, o seu melhor carro desde o MP4/8 conduzido por Ayrton Senna, e espera voltar às vitórias. E a Benetton, recuperada do vexame sofrido em 1996, também espera dar o troco na concorrência. Pelos resultados aferidos até o momento, ambas as escuderias têm chumbo grosso para usar nessa briga, e não devem poupá-lo.
            A Ferrari, primeira escudeira de ponta a apresentar seu carro 97, parece estar novamente em crise antes mesmo de o campeonato começar. Se em 96 o tardio lançamento do chassi F310 não permitiu explorar toda a potencialidade da equipe, o que lançou dúvidas sobre como seria a sua performance naquele mundial, desta vez o problema parece ser ainda pior. A escuderia italiana já rodou inúmeros quilômetros de testes e a impressão até o momento é de falta de velocidade. Tanto no Estoril quanto em Jerez, Michael Schumacher ficou bem atrás de carros como Benetton e McLaren. Dotado de linhas aerodinâmicas arrojadas, mas convencionais em sua essência, o novo chassi F310B tentou ser confiável tanto quanto possível. A escuderia, cansada de fracassos, ordenou a John Barnard a criação de um modelo sem malabarismos técnicos, para não comprometer a fiabilidade. Até o momento, parece que, mais uma vez, não conseguiram atingir os objetivos pretendidos.
            Barnard já começou a ser criticado, mas o projetista se defende: “Não há como o carro ser rápido se um componente externo compromete a performance!”, declarou o projetista. O “componente externo” a que Barnard se refere é o novo motor V-10 da Ferrari, que já teve cerca de meia dúzia de unidades quebradas desde o início dos testes. E até a versão de 96, teoricamente mais fiável, também apresentou problemas nos testes. Com todos estes percalços, a escuderia italiana não parece estar em condições de lutar pelo título. Mas durante o desenrolar do certame, as coisas podem mudar, e essa é a esperança dos milhares de torcedores da escuderia de Maranello.
            E a Williams? Última equipe de ponta a apresentar o seu carro de 97, muitos torciam para que esse atraso pudesse comprometer parte da esperada performance do time de Frank Williams. Se isso era esperado, o tiro pode ter saído pela culatra: em Barcelona, Jacques Villeneuve conseguiu o excepcional tempo de 1min18s84, quase 2s mais veloz que a última pole no circuito, de Damon Hill (1min20s65), obtida também com a Williams. Heinz-Harald Frentzen também andou muito bem, embora não tenha igualado os tempos do canadense, mas o desempenho do novo FW19 já provoca arrepios na concorrência, que julgava estar mais preparada para enfrentar o poderio da Williams este ano, em condições mais favoráveis. Ao que tudo indica, a Williams terá todas as condições de se manter no topo da categoria, e repetir o domínio exibido em 1996. A dúvida é qual dos pilotos será o principal nome da escuderia: Villeneuve é o candidato mais favorável, por ser o mais experiente na escuderia, e atual vice-campeão mundial; já Frentzen não parece repetir o extraordinário nível que o caracterizou na Sport-Prototipos, quando era consistentemente mais veloz do que Michael Schumacher, seu companheiro de equipe. É preciso esperar para ver se Frentzen não vai recuperar o ritmo já demonstrado na Sauber.
            E as demais escuderias? Apenas irão lutar e ver o que conseguem arrancar das grandes nesse duelo. Mas podem ocorrer surpresas. E, para o bem do esporte, tomara que isso aconteça, e com bastante freqüência...


Com o fim de seu contrato com a Ferrari em junho próximo, o projetista John Barnard já teria iniciado longas conversas com Alain Prost para assumir a direção técnica da nova Prost Racing, nova denominação da atual Ligier a partir de 98. Já a Ferrari, no atual estágio em que se encontra, não irá dar mostras de sentir muito tal perda...


E Roberto Moreno já garantiu seu lugar na F-CART em 97. Com um patrocínio de cerca de US$ 7 milhões garantido pela Data Control e mais algumas empresas brasileiras, Roberto assinou novamente com a equipe Payton Coyne para disputar todo o campeonato da F-CART em 1997. Com a verba reforçada, Moreno terá à sua disposição o excelente conjunto Reynard-Ford-Firestone, e a certeza de que terá carro para brigar pelas primeiras posições.


Na Jordan, a sensação Ralf Schumacher já começou a ser ofuscada pelo novo talento italiano, o jovem Giancarlo Fisichella. Tem muita gente apostando que Fisichella irá roubar todo o cartaz do irmão caçula de Michael Schumacher. Pelo que tem mostrado até agora nos testes, isso tem mais jeito de certeza que de aposta...


A McLaren apresenta hoje o seu novo visual publicitário para o campeonato. A partir de hoje, a cor dos carros da escuderia, que por mais de 20 anos ostentaram a inconfundível marca da Marlboro, passa a ter a cor branca e prata, com o logotipo dos cigarros West, novo patrocinador da equipe a partir desta temporada.
 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

INDY NA RETA FINAL



Will Power reassumiu a liderança do campeonato da IRL: será que agora conquista o título?

            O campeonato 2014 da Indy Racing League aproxima-se de seu final. Após o GP de Mid-Ohio, disputado domingo passado, faltam apenas 3 provas para o encerramento da competição, marcado para o dia 30 deste mês, na pista de Fontana, na Califórnia. Até lá, no próximo dia 17, teremos a prova de Milwaukee, e dia 24, a corrida de Sonoma, também na Califórnia. Na liderança do campeonato está o australiano Will Power, da equipe Penske, que com o 6° lugar obtido na última corrida, reassumiu o primeiro lugar na classificação. A vantagem de Power, contudo, é mínima, pois logo atrás dele está o brasileiro Hélio Castro Neves, também do time de Roger Penske. Power tem 548 pontos contra 544 de Helinho, e pode-se dizer que os dois são os grandes favoritos para a conquista do título da temporada. Só que é totalmente prematuro descartar os concorrentes da briga ainda.
            Das provas que faltam, duas são em pistas ovais, restando Sonoma como última etapa em circuito misto do calendário. E a prova de encerramento, no California Speedway, em Fontana, tem um diferencial: é uma prova de 500 milhas, o que por si só já apresenta um desafio diferente dos demais circuitos ovais, onde não apenas a velocidade conta, mas também a constância e fiabilidade, além de muita sorte, especialmente para não se envolver em confusões durante a prova. Mas a corrida de encerramento do campeonato, por ser uma prova de 500 milhas, terá pontuação dobrada, como a direção da Indycar fez nas outras corridas de longa duração da competição neste ano, visando torná-las mais atrativas. E isso significa que o campeão só será definido mesmo na última corrida, pois se somarmos todas as probabilidades matemáticas, até Marco Andretti, 10° colocado na classificação, teria chances de alcançar o título, mesmo sendo extremamente difícil.
            Uma visão mais realista, porém, aponta que o campeão deve sair dos 4 primeiros colocados da classificação, podendo classificar de zebra se o título ficar de fora desta quadra de pilotos. Na relação, temos dois pilotos da Penske, Will Power e Hélio Castro Neves; um da Andretti, Ryan Hunter-Reay; e um da Schmidt, Simon Pagenaud. Curiosamente, o 5° colocado no certame é o colombiano Juan Pablo Montoya, também da Penske, e que até poderia entrar na briga, se tivesse mantido o ritmo ascendente visto até a corrida de Pocono, onde Montoya conquistou sua primeira vitória desde que retornou à competição de monopostos. Com 447 pontos, Juan Pablo certamente ainda está no páreo para lutar pelo campeonato, mas o colombiano ainda deve um pouco de performance para seus outros companheiros na Penske, e nas últimas corridas, perdeu parte do embalo visto até Pocono, voltando a ter resultados inferiores aos de Power e Helinho, o que dificulta as perspectivas de uma reação por parte do colombiano, que pode muito bem entrar na briga, mas não a ponto de superar seus parceiros de time na classificação.
            A Penske, aliás, tem a melhor chance de finalmente conquistar o título, depois de bater na trave em praticamente todas as últimas temporadas, quando foi vice com seus pilotos. Will Power acabou sucumbindo na reta final em 2010, 2011, e 2012. No ano passado, foi Hélio Castro Neves quem acabou amargando mais um vice. Agora, faltando 3 corridas, dois de seus 3 pilotos ocupam as duas primeiras colocações no campeonato, e isso não pode ser desprezado. A Penske é o time mais forte da categoria, mas curiosamente, apesar de ser a favorita, não vem demonstrando tanta força como alguns imaginam. É a escuderia que mais venceu: 4 vezes, sendo 2 delas com Power, e 1 com Helinho e outra com Montoya. Seus pilotos se destacam pela constância e regularidade, e tentam marcar sempre o maior número de pontos possível. Mas o perigo ronda perto dos pilotos de Roger Penske: Ryan Hunter-Reay, campeão de 2012, é quem mais venceu no ano, com 3 vitórias, e ocupa a 3ª colocação no campeonato, com 485 pontos. Qualquer vacilo por parte tanto de Power quanto de Hélio pode dar ao americano a chance de comemorar o bicampeonato. Em termos de estrutura e capacidade, o time de Michael Andretti não pode ser subestimado, e embora a desvantagem de pontos seja significativa, com 3 corridas em jogo, sendo uma com pontuação dobrada, tudo ainda é possível, e não se pode ignorar a chance de Reay fazer uma arrancada fulminante nas etapas finais. O equilíbrio da categoria está forte, e muita gente pode se intrometer na luta.
Helinho ainda está firme na luta pelo título, mas tanto ele quanto Power precisam tomar cuidado com Ryan Hunter-Reay (atrás) e Simon Pagenaud.
            O 4° e último nome na minha relação de favoritos é o francês Simon Pagenaud, da equipe de Sam Schmidt. Pagenaud foi a sensação do ano passado, tendo terminado a competição em 3° lugar, obtendo 2 vitórias, e ficando atrás apenas do campeão Scott Dixon e de Hélio Castro Neves. Mesmo sendo um time médio, a escuderia conseguiu uma preparação excelente para seu carro em várias provas, panorama que conseguiu manter nesta temporada, e Simon tem guiado com arrojo, raça e inteligência de um veterano da competição, já tendo conquistado 2 vitórias nesta temporada, e está apenas 1 ponto atrás de Ryan Hunter-Reay, sendo considerado por muitos o piloto com mais possibilidades de surpreender os demais ponteiros na classificação na luta pelo título. Mesmo assim, tal como Hunter-Reay, Pagenaud precisaria de uma arrancada fortíssima nas etapas finais, e pelo porte de sua escuderia, isso é difícil, embora não impossível. Tanto para o piloto de Michael Andretti quanto o de Sam Schmidt, seria preciso que a dupla da Penske tivesse péssimos resultados nas próximas corridas para terem realmente chances de conquistar o campeonato. Pelo mesmo raciocínio aplicado a Ryan, Simon deve ir à caça de Power e Helinho, não baixando a luta até o encerramento efetivo do campeonato.
            Ainda assim, a poucas provas do fim da competição, o time de Roger Penske, mesmo não podendo descuidar um momento sequer da ameaça potencial dos adversários, tem um trunfo com o qual não ostentava em anos anteriores: seus pilotos ocupam as duas primeiras posições na classificação, enquanto em anos anteriores, quem estava em 2° lugar era sempre um piloto de outro time, e que fatalmente acabou sendo campeão, roubando da Penske um título que a escuderia não conquista desde 2006, quando Sam Horsnish venceu o campeonato, e resolveu ir tentar a sorte na Nascar. Já são 7 anos de espera, uma longa espera, ainda mais se levarmos em conta o poderio do time de Roger, o mais bem estruturado e rico da categoria. Uma espera que pode muito bem estar chegando ao fim. Basta Power e Helinho fazerem sua parte e não darem chance de reação aos rivais na pista, e as chances disso acontecer são boas.
            Para Hélio e Power, o campeonato tem tido bons momentos, mas também teve alguns percalços. O australiano cometeu vários erros em diversas etapas, como excesso de velocidade nos boxes, manobras de defesa de posição irregulares na pista, além de estar em alguns momentos no lugar errado na hora errada. Ainda assim, é o piloto mais constante do ano, embora não esteja mais exercendo um domínio tão forte nas pistas mistas como ocorria entre 2010 e 2012, quando cultivou uma aura de quase invencibilidade nestes circuitos. As provas em ovais, seu ponto fraco até então, passaram a apresentar melhores resultados, ainda que não mostre neles as excelentes características já exibidas nos outros tipos de pista. Para Hélio Castro Neves, que nas temporadas de 2010 a 2012 virou coadjuvante na própria Penske, o ano de 2013 marcou o retorno do brasileiro à disputa efetiva do título, reequilibrando o desempenho contra seu parceiro australiano na escuderia. Nesta temporada, Hélio tem sido mais incisivo em algumas corridas, e poderia ter tido pelo menos mais duas vitórias, não fosse uma bandeira amarela no momento errado, em uma das provas de Detroit, e a disputa carro a carro com Hunter-Reay na Indy500, perdendo a vitória por meio carro para o americano. E, a exemplo de 2013, quando Hélio vivenciou um pesadelo em termos de resultados em Houston, domingo passado teve sensação parecida, quando seu carro apresentou problemas no acelerador e literalmente jogou-se no lixo as chances de um bom resultado na pista de Mid-Ohio. Depois de sanado o problema, Hélio retornou à corrida virando excelentes tempos, mas não tinha como reverter a desvantagem de 4 voltas perdidas no box, e com o baixo número de abandonos, viu sua vantagem para Power não apenas desaparecer como ainda ficar atrás do companheiro. Para sua sorte, foram apenas 4 pontos, resultado muito mais favorável do que o ocorrido em Houston em 2013, quando ficou com uma boa desvantagem para Scott Dixon, que a usou muito bem na corrida final, em Fontana, conquistando o tricampeonato.
            Na luta entre os dois pilotos da Penske, o panorama teórico aponta para vantagem de Hélio nas provas finais. Duas delas são em ovais, onde o brasileiro costuma andar melhor do que o australiano. De fato, nas etapas em circuitos ovais na temporada, apenas no Texas Power terminou à frente de Hélio. Mas isso é retrospectiva, e na prática, nada garante que Power vá perder terreno para seu parceiro de equipe. Mas se Helinho reverter a desvantagem nas provas de Milwaukee e Sonoma, ele poderá correr marcando o parceiro de time em Fontana, se não andar até na frente a fim de fechar o duelo com chave de ouro. Pelo seu lado, a pista de Infineon é um palco onde Power pode muito bem abrir vantagem sobre Hélio: desde 2010, o australiano sempre termina a prova com boa vantagem sobre o parceiro de equipe, tendo inclusive vencido lá em 2013. Por este prisma, a etapa do misto californiano é o ponto fraco que o brasileiro precisará trabalhar com mais afinco, de modo a evitar que Power dispare na pontuação, a ponto de nem mesmo a pontuação dobrada de Fontana pode reverter a desvantagem facilmente.
Tony Kanaan e Marco Andretti não terão boas lembranças da prova de Mid-Ohio deste ano.
            Os demais pilotos, mesmo sem chances efetivas de título, também poderão complicar a situação, e neste ponto, o atual campeonato está sendo bem recheado de pilotos vencedores: tivemos 10 vencedores diferentes em 15 corridas. No domingo passado, contra todas as expectativas, a Ganassi finalmente desencantou na temporada, com Scott Dixon a vencer novamente em Mid-Ohio, e encerrando o jejum de triunfos do time de Chip Ganassi, que nas últimas corridas já vinha muito perto de vencer novamente, mas esbarrava nas estratégias de corrida, que acabavam derrubando seus pilotos na parte final das provas. Com mais de 100 pontos de desvantagem, é preciso admitir que a Ganassi está fora do páreo, mesmo que vença as 3 corridas finais. Tony Kanaan, em sua primeira temporada na escuderia, vem tendo um ano abaixo do esperado por ele mesmo, ainda que nem tudo tenha sido culpa própria. O brasileiro tem feito boas provas nas últimas etapas, mas problemas de estratégia e azares diversos tem feito com que fique ainda sem subir ao degrau mais alto do pódio. Em Mid-Ohio, por exemplo, largando na 3ª posição, acabou sofrendo um acidente logo na largada, ao rodar num toque com Josef Newgarden, e acabar sendo atingido por Marco Andretti, que não conseguiu desviar. Tony quer pelo menos desencalhar até o fim do campeonato, e se tiver o carro bem ajustado, irá para cima, para pelo menos terminar o ano de cabeça erguida. Título, só em 2015. Da mesma maneira, embora estejam fazendo bons campeonatos este ano, não podemos esperar que Sebastien Bourdais e Carlos Muñoz se intrometam na briga pelo título, uma vez que lhes falta carro e capacidade para tanto no momento.
            A competição promete ser boa, e apesar de apontar que a dupla da Penske é favorita única para a disputa do título, não dá para descartar as chances de Ryan Hunter-Reay e Simon Pagenaud embolarem a briga e todos partirem para o tudo ou nada em Fontana. Seja como for, a temporada 2014 da Indy Racing League promete um final para fã nenhum de corrida botar defeito, e a luta na pista promete ser das boas e bem ampla, com os demais competidores a tentarem tirar sua lasquinha de brilho nesta reta final do campeonato, e que os favoritos mostrem na pista porque são realmente favoritos, onde é cada um por si, e que vença o melhor.


Barrichello conquistou em Goiânia sua primeira vitória na Stock Car, e logo na Corrida do Milhão.
Rubens Barrichello conquistou domingo passado sua primeira vitória na Stock Car nacional, ao vencer a Corrida do Milhão, disputada no circuito de Goiânia. O piloto recordista de participações na F-1 já tinha começado bem, ao arrebatar a pole-position no sábado. Na corrida, Rubinho precisou dar duro para manter a liderança, e teve uma disputa duríssima com Thiago Camilo, com direito a trocas de posição nas voltas finais entre ambos, erguendo o público nas arquibancadas do autódromo da capital de Goiás. Acabou prevalecendo a experiência e habilidade de Barrichello, que chegou à sua 1ª vitória na categoria, no segundo ano em que disputa o certame em tempo integral, após deixar a F-1 e a IRL, onde havia corrido nos 20 anos anteriores. E de cara, o piloto venceu logo a corrida mais prestigiada do campeonato, faturando R$ 1 milhão. Rubens foi aplaudido efusivamente pela torcida e boa parte do pessoal nos boxes, em especial por seu filho, que acompanhava a tudo. Foi um momento mais do que especial para o piloto, poder comemorar sua primeira vitória na presença da família no autódromo, algo que não tinha podido fazer quando conquistou as suas últimas vitórias na F-1, em 2009. E, aos 42 anos, mostrando uma alegria contagiante pela competição, Rubens mostra à sua grande legião de críticos que nem só de campeonatos se faz uma boa carreira. Que ele continue mostrando sua garra de pilotagem e alegria na Stock, e onde acabe competindo, pois está fazendo o que mais ama e curte, e isso, diz respeito apenas a ele. Parabéns pela primeira vitória na Stock, e que possam vir outras...

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

FLYING LAPS - JULHO DE 2014



            Já estamos em agosto, e como é costume no início de cada mês, está na hora da seção Flying Laps, trazendo algumas notas sobre o que andou ocorrendo no mundo do esporte a motor neste mês que se passou. Uma boa leitura para todos, e até a sessão do mês que vem, com uma nova leva de comentários rápidos...


O mais novo Piquet das pistas continua fazendo a concorrência comer poeira no campeonato da F-3 Brasil. Na rodada dupla disputada no autódromo de Curitiba, Pedro Piquet venceu as duas corridas, disparando na liderança do campeonato. Foram 10 corridas disputadas até agora, todas em rodadas duplas, e o filho do tricampeão de F-1 Nélson Piquet só não venceu nenhuma prova na rodada dupla disputada em Interlagos, no dia 25 de maio, onde os vitoriosos foram Lukas Moraes e Renan Guerra, que para felicidade de Pedrinho, estão longe de alcançarem-no na classificação do campeonato. Quem ocupa a vice-liderança da competição é Bruno Etman, com 81 pontos. Lukas Moraes é o 3° colocado, com 77 pontos, seguido por Artur Fortunato, com apenas 51 pontos. Se Pedrinho tem a seu favor a competência e estrutura da equipe Cesário Fórmula, é bem verdade que o garoto vem cumprindo sua obrigação de forma quase impecável, e mostrando que o clã Piquet tem mais uma promessa que poderá despontar em breve no automobilismo internacional. Resta esperar que Piquet pai oriente o garoto de forma a evitar que ele caia nas armadilhas desonestas que acabaram por vitimar seu irmão mais velho Nélson Ângelo Piquet, cuja carreira, que parecia bem encaminhada na Nascar, está no momento meio parada. A F-3 Brasil reúne-se novamente no início de setembro, com uma nova rodada dupla que será disputada no circuito do Velopark, no Rio Grande do Sul.


Quem também está arrasando a concorrência é Leandro Totti, que no campeonato 2014 da F-Truck nacional, venceu todas as corridas do certame até agora. Em Cascavel, 5ª etapa do calendário, o piloto averbou sua 5ª vitória consecutiva, deixando toda a concorrência comendo poeira de seu potente caminhão Volkswagen. Totti tem 152 pontos na classificação, enquanto o vice-líder, Felipe Giaffone, acumula 89 pontos. Em 3° lugar, Wellington Cirino está ainda mais atrás, com 79 pontos. Totti já garantiu por antecipação o título da F-Truck Sul-Americana, que ainda tem uma prova para fechar o certame, e muito provavelmente encerrará em breve a fatura pelo título do campeonato nacional da categoria, que ainda tem outras 5 etapas para serem disputadas. Se a concorrência não reagir, Leandro pode fechar a conquista na etapa de Córdoba ou Guaporé, dependendo dos resultados. No campeonato de marcas, a disputa está mais equilibrada, com a Volkswagen liderando com 217 pontos, apenas 4 a mais que a Mercedes, com 213. A Scania, 3ª colocada, contabiliza somente 89 pontos. Os caminhões entram novamente na pista no dia 17 de agosto, no circuito do Velopark.


Nos primeiros testes coletivos realizados pela nova F-E, a categoria de monopostos de carros elétricos cujo campeonato começa no segundo semestre, o suíço Sébastien Buemi e o brasileiro Lucas Di Grassi foram os grandes destaques. O suíço, defendendo a Dams, foi o mais veloz em 3 dos 4 dias de testes realizados no circuito inglês de Donington Park. Lucas foi o mais rápido no outro dia, defendendo o time da Audi. Outro brasileiro presente nos testes foi Bruno Senna, defendendo a escuderia Mahindra, mas sem ter obtido tempos muito expressivos, justificando por estar mais empenhado em descobrir os acertos do carro do que apenas conseguir voltas rápidas. Bruno ainda lembrou que a pista de Donington não sediará nenhuma etapa do campeonato da F-E, e por isso, ajustes para voltas mais velozes neste circuito serão de pouca valia. O campeonato de carros elétricos começa no dia 13 de setembro, com a primeira corrida, a ser disputada em Pequim, na China. O certame terá 10 etapas, com seu encerramento de seu primeiro campeonato ocorrendo no dia 25 de junho do ano que vem em Londres. O Brasil não terá uma etapa na competição, mas em contrapartida, Uruguai e Argentina sediarão corridas, marcadas para os dias 13 de dezembro deste ano e 10 de janeiro de 2015, respectivamente. Dez times disputarão a competição, com nomes de destaque no mundo do automobilismo, e a premissa é mostrar que os carros elétricos são o futuro da indústria e da competição automotiva, ajudando a construir um mundo mais saudável e com menos poluição.


Mais uma etapa da MotoGP, e mais uma vitória de Marc Márquez. Desta vez, o palco foi a pista de Sachsenring, na Alemanha, que viu a 9ª vitória consecutiva do atual campeão da categoria, que rumo implacável para o bicampeonato frente à impotente concorrência, que apesar de dar combate em algumas corridas, tem de se contentar em disputar apenas o 2° lugar. No caso da prova alemã, quem foi o melhor do "resto" foi Dani Pedrosa, que novamente à sombra de seu companheiro de equipe, garantiu pelo menos mais uma dobradinha para a Honda, e ainda por cima, retomou a vice-liderança do campeonato, que estava com Valentino Rossi, da Yamaha. Desta vez, quem comboiou a dupla da Honda foi Jorge Lorenzo, que conseguiu seu 3° pódio na temporada, e vem em uma apagada 4ª colocação no campeonato. Com 9 corridas ainda pela frente, muita coisa ainda pode acontecer, mas no ritmo que Márquez segue, mesmo que ele não marque pontos nas próximas 3 provas, ainda assim não perde a liderança do campeonato, tal é o seu avanço na liderança da competição. A próxima corrida é dia 10 de agosto, no traçado misto de Indianápolis.


Direção nova, problemas velhos. A Caterham foi vendida por Tony Fernandes no início do mês de julho, e a primeira consequência foi a demissão de 40 integrantes do time de F-1. Bem, os demitidos resolveram processar a escuderia na justiça britânica, alegando não-pagamento de salários, além de outros direitos, como o aviso prévio. Em resposta, a nova direção da Caterham, que é encabeçada por Colin Kolles, resolveu processar os ex-funcionários, acusando-os de causar "prejuízo" à "imagem" da marca, e de darem declarações mentirosas com o objetivo de denegrir a escuderia. Certamente, é uma bela maneira de se começar a nova administração do time de F-1, que já tinha seus próprios problemas para resolver, e que não precisava de mais um para deixar o ambiente mais tenso do que já andava, ocupando a última posição na classificação de construtores. E diga-se de passagem, a nova direção, que já não inspirava muito otimismo, mostra que vai demorar até o time, que já foi considerado o mais promissor das escuderias nanicas que estrearam em 2010, recuperar o entusiasmo e a perspectiva de crescimento que já exibiu um dia...


A etapa de Pocono da Indy Racing League pode dar adeus ao calendário da categoria. Segundo os organizadores, o público foi abaixo do esperado, e a prova não teria tido lucro, ou este foi muito abaixo do que se previa. O fato da organização não ter divulgado os números do público das duas etapas disputadas desde o retorno no ano passado, indica que a situação não é das melhores, e que embora tenham assinado um contrato de 3 anos, estariam tentando chegar a um acordo com a direção da Indycar para rescindir o acordo sem multa a ser paga. Uma pena, porque a pista trioval de alta velocidade é um dos ovais mais desafiadores da categoria, e as duas provas disputadas em 2013 e 2014 mostraram grandes disputas. Espero firmemente que Pocono continue no calendário e possa se tornar viável, pois assim a "Tríplice Coroa" da competição da IRL mantém seus superspeedways com características particulares próprias: Pocono é um circuito trioval; Indianápolis é uma pista retangular; e Fontana é um oval mais redondo. Todas pistas de altíssima velocidade, e com personalidades distintas umas das outras, tornando o desafio da competição nelas totalmente distintos. Talvez seja preciso trabalhar mais a divulgação da corrida, afinal, a Nascar corre em Pocono há anos, e sempre teve um público excelente. Verdade que a stock americana é a rainha de público e popularidade, mas quem curte corridas na pista trioval bem que poderia dar mais algumas chances à Indy. Esperemos por boas novidades a respeito...
 



sexta-feira, 1 de agosto de 2014

CLIMA QUENTE NA MERCEDES


Nico queria que Hamilton desse passagem? Nem morto o inglês iria aceitar isso...

            A Fórmula 1 finalizou na Hungria sua primeira "metade" do campeonato, e agora entra em férias, retornando apenas no dia 24 de agosto, para a disputa do GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps. Para muitos, tempo suficiente para esfriar os ânimos que podem andar meio exaltados no time que domina o campeonato de 2014, a Mercedes, que tentará manter tanto quanto possível a harmonia de sua dupla de pilotos, que está pronta para explodir a qualquer momento. E não é por serem amigos de longa data que Nico Rosberg e Lewis Hamilton deixarão de ficar de cabeça quente na luta pelo título, podem apostar. Aliás, há quem esteja apostando em até quanto tempo a amizade de ambos irá para o espaço, se a disputa se acirrar ainda mais.
            Que Lewis Hamilton tem motivos para andar carrancudo nas últimas semanas, ele tem. Sofreu dois acidentes nas classificações que poderiam arruinar completamente suas chances de disputar o título. Um disco de freio defeituoso o lançou nos pneus em Hockenhein, enquanto em Hungaroring a coisa foi ainda mais bizarra, com seu carro pegando fogo e obrigando o inglês a pular fora antes que a coisa esquentasse pra valer, sem eufemismos. Tanto na Alemanha quanto na Hungria, Nico Rosberg se viu com a faca e o queijo na mão, e poderia ter dado um golpe mortal no companheiro de equipe, que já vem com os nervos meio alterados desde a corrida de Mônaco, onde o alemão deu uma escapada da pista que impediu Hamilton de conquistar a pole, e certamente, a vitória.
            Só que, diferente do que se esperava, Hamilton deu um show de pilotagem nas duas corridas. Na Alemanha, largando a meio do grid, o que todos esperavam era que o inglês pontuasse com facilidade, e quase certamente chegasse ao pódio, dada a performance superior do modelo W05 da Mercedes. Mesmo assim, a tarefa de Lewis não foi exatamente um mar de rosas na deformada pista de Hockenhein: Hamilton teve de dar duro em várias ultrapassagens com vários pilotos. Empacou em Valtteri Bottas próximo ao fim da corrida e por lá ficou. Nico, largando da pole, nem suou muito para vencer de ponta a ponta. A desvantagem do inglês, que tinha despencado para 4 pontos, subiu para 14. Podia ter sido pior, mas até certo ponto, correu conforme todos esperavam.
            Já na Hungria, a situação foi diferente. Quando vimos o carro de Lewis pegando fogo, submetendo o inglês a um infortúnio ainda pior do que o da Alemanha, todos achávamos que Rosberg ganhara o maior presente da temporada. Tendo de largar em último, Hamilton certamente daria show na recuperação em prova no domingo. Só que, ao contrário do circuito do GP da Alemanha, a pista húngara é extremamente travada, e com apenas um ponto de ultrapassagem, de modo que até mesmo pontuar passava a ser uma tarefa complicada para o piloto inglês. Nico Rosberg, mais uma vez largando da pole, tinha tudo para aumentar de forma abismal sua vantagem sobre o companheiro de equipe, podendo aplicar um golpe mortal em seu ego. Acabou que muita gente no paddock, que já sabia da previsão de chuva para domingo, nem se dava conta de como isso poderia mudar a situação. E, felizmente, mudou. Não apenas em relação à disputa dos pilotos da Mercedes, mas de todo o GP.
            E a corrida foi um show, com disputas praticamente de vários pilotos tentando acertar as melhores condições, a princípio de pista molhada, e depois tentando acertar a estratégia, bagunçada com duas intervenções do Safety Car. Para Hamilton, que largava em último até do pit line - atrás de Kevin Magnussem, que havia batido na classificação por causa de uma chuva repentina, o início foi de assustar, quando ele rodou na curva atrás do paddock e roçou de leve no muro, dando uma pequena pancada na asa dianteira. O susto foi apenas susto, e ele retomou a corrida com todo aquele ímpeto que todos esperavam. Se é verdade que deu sorte com a batida de Marcus Ericsson, causando a primeira entrada do Safety Car, no restante Lewis foi abrindo caminho na raça e no talento. De repente, Nico Rosberg estava apenas 2 posições à frente do companheiro de equipe, e todo mundo começava a esperar o duelo entre ambos, onde certamente sairiam faíscas. Não chegou a tanto, pelo menos naquele momento. Com estratégias diferentes, os pilotos ficaram em pontos diversos da pista após seus pit stops, mas quando Lewis saiu de sua última parada para ir até o fim, e à frente de Nico Rosberg, estava dada o sinal: Nico só passaria o inglês se o torpedeasse. Nem por nada deste mundo Hamilton admitiria perder a posição.
            A Mercedes ainda se embananou quando emitiu a ordem para o inglês facilitar a passagem de Nico, em razão de sua estratégia prever mais uma parada. Lewis deu de ombros e não deu mole, o que deixou Rosberg, à sua maneira, bem irritado, quando perguntava por que Hamilton não lhe dava passagem. Cumprida sua estratégia, o alemão passou a voar na pista, e nas voltas finais, encostou de novo no parceiro. Estava em luta o 3° e último lugar do pódio, e com pneus em melhores condições, Nico tinha tudo para superar o parceiro. A ultrapassagem seria questão de tempo. Mas, recordando o que acontecera no Bahrein, nem fudendo Lewis ia perder a posição, e se defendeu de maneira dura, porém leal, quando inclusive tomou a trajetória mais abrangente na mesma curva onde escapara no início da corrida, obrigando Rosberg a quase sair da pista. De uma derrota que podia ser desastrosa, Lewis conseguiu um resultado excelente, revertendo as expectativas.
            O duelo dos pilotos da Mercedes acabou sendo o assunto mais discutido da corrida. Aliás, a prova húngara este ano foi das melhores de sempre, tendo assunto para muita discussão interessante, como a segunda vitória de Daniel Ricciardo, com uma estratégia feita à perfeição para os acontecimentos, além de uma pilotagem arrojada e determinada, que valeu ao australiano nova vitória, obtida de novo com uma ultrapassagem a poucas voltas do final, tal como fizera no Canadá. E pouco antes, o mesmo Ricciardo aplicara uma ultrapassagem sensacional na sua disputa com Lewis Hamilton, na sua escalada rumo à vitória, que por pouco não caiu nas mãos de Fernando Alonso, cuja aposta de permanecer na pista com o mesmo jogo de pneus por mais de 30 voltas por pouco não resultou na primeira vitória da Ferrari em mais de um ano. E o que dizer dos acidentes que mudaram a dinâmica da corrida? Quem também deixou todo mundo espantado por um momento foi Sebastian Vettel, que parecia ter tudo para fazer sua melhor prova no ano, e o que nos ofereceu foi uma rodada que deixou todo mundo gelado por uma fração de segundo, conseguindo simplesmente emparelhar o carro junto ao muro, evitar se bater, e ainda retomar a corrida. Não vemos isso todo dia...
            Mas quem saiu mesmo vitorioso da Hungria foi Lewis Hamilton. Embora ainda esteja 11 pontos atrás de Nico Rosberg, seu resultado, mesmo considerando todas as variáveis ocorridas em Budapeste, representou um contragolpe fortíssimo em Nico Rosberg, que acusou o impacto nas entrelinhas de seus depoimentos, mesmo tendo isentado o parceiro de má-fé com relação à disputa da última volta, quando quase saiu da pista ao ficar sem espaço na curva atrás do paddock quando por pouco não o ultrapassou. O caso rendeu uma boa dor de cabeça à Mercedes, que teve de se explicar para todo mundo o motivo da ordem de facilitar passagem ao alemão para Hamilton, que não gostou nada da situação. Tudo terminou, aparentemente, com o time alemão admitindo seu erro, e se conformando em "admitir" que erraram em pedir que um de seus pilotos prejudicasse sua corrida em favorecimento do outro, ainda que isso resultasse em mais uma vitória do time, que poderia ter sido conseguida com Rosberg, caso ele não tivesse ficado "preso" atrás de Hamilton.
            No fim, declarações "apoiando" a atitude de Lewis, que se mostrou correta, e de que a Mercedes continuará deixando seu pilotos disputarem livremente a competição, sem favorecimentos ou "interferências" por ordens dos boxes. Para mim, não fazem mais do que a obrigação. Não há como tirar o mundial de construtores da Mercedes, e no campeonato de pilotos a escuderia está longe de ser alcançada. Daniel Ricciardo, o mais "próximo" rival, precisaria vencer as próximas 3 corridas, e seria preciso que Nico Rosberg não marcasse nenhum ponto, para lhe roubar a liderança por míseros 4 pontos. Só que o piloto da Red Bull, mesmo fazendo um campeonato melhor do que todos esperavam, não domina o resto do grid: por ali mesmo a Williams andou dando as cartas nas últimas corridas, e vez por outra, Fernando Alonso apronta algumas surpresas e se intromete entre os primeiros, que já tiveram até a presença da Force India, e nem mencionei Vettel, porque o tetracampeão não está morto.
            Em outras palavras, na disputa pela posição logo depois das Mercedes nas corridas está havendo um rodízio de pilotos, e isso só ajuda tanto Rosberg quanto Hamilton a se distanciarem ainda mais na frente. Mesmo que tenha cometido alguns equívocos como a ordem de Budapeste, a Mercedes está de parabéns em permitir a luta de seus pilotos, o que está salvando o campeonato, que poderia estar apresentando um domínio dos mais sonolentos se apenas um piloto estivesse se sobressaindo. Bem diferente da atitude covarde da Ferrari, que tanto em 2002 quanto em 2004, nunca permitiu que Rubens Barrichello disputasse efetivamente as vitórias com Michael Schumacher, o que só ajudou aquelas temporadas a serem bem enfadonhas para quem apreciava uma boa disputa. Não que Barrichello fosse ser campeão, mas poderia ter tido melhores chances em algumas provas, se tivesse atenção igual à do alemão no time italiano.
            Que Lewis tenha se enchido de moral após o resultado positivo da Hungria, é fato, da mesma maneira, a Mercedes terá que saber administrar o ego de seus pilotos. Desde que eles não batam um no outro em corrida, o certo é deixar a briga correr solta na pista. Ambos são pilotos experientes e não devem cometer nenhuma irresponsabilidade. O problema é a escuderia ter confiança de poder deixar isso correr totalmente solto. Toto Wolf já afirmou esta semana que eles tiveram uma ampla conversa com ambos os pilotos, no sentido de manter a disputa amplamente liberada na pista, mas também teria afirmado que as ordens do time deverão ser obedecidas, e isso quer dizer o quê exatamente? Que uma nova desobediência pode não ser tolerada? Eles afirmaram, corretamente, que não podem pedir aos pilotos para se prejudicarem na pista, afinal ambos estão disputando o título. Será que mesmo assim surgiria uma nova ordem? Mas vá dizer isso a Lewis Hamilton? É verdade que o piloto apenas se prejudica quando começa a achar que pode estar sendo "boicotado" pelo fato de seu carro ser o que mais quebra, mas o time também não pode cair na armadilha de acabar dando razão ao piloto inglês. E Hamilton, por sua vez, precisa se concentrar efetivamente na pista, e esquecer os devaneios que possam comprometer sua performance. A disputa com Rosberg está mais parelha do que muitos imaginavam, e qualquer erro por parte de um dos dois poderá ser fatal nas pretensões de conquistar o título.
            Depois das 4 vitórias consecutivas obtidas na primeira metade da competição, entre a Malásia e Espanha, todos achavam que Nico seria facilmente batido por Lewis. O alemão, porém, conseguiu reverter a expectativa, e de Mônaco à Áustria, pareceu ter tomado para si as rédeas do campeonato. Mas depois do que vimos na pista nas últimas corridas, com as espetaculares corridas de recuperação perpetradas pelo inglês, pode-se dizer que Hamilton está de novo com a corda toda, e se encaixar todos os acontecimentos sem nenhum percalço, Rosberg que se cuide. E, como já mencionei antes, embora pareça ter a cabeça muito mais no lugar do que o parceiro, e não se abalar tanto, perder a liderança do campeonato poderá sim mexer bastante com o alemão, que se não perdeu as estribeiras em nenhum momento este ano, é verdade que nunca ficou em grande desvantagem em nenhum momento na classificação, ao passo que Hamilton já viveu momentos que seriam facilmente desesperadores para qualquer piloto.
            O clima de "paz" dentro do time alemão fica mais difícil de ser mantido, e podem apostar que Hamilton não vai deixar barato. Da mesma maneira como Nélson Piquet não deixou barato em 1986, quando viu que a Williams estava a favorecer o inglês Nigel Mansell na escuderia, em detrimento do piloto brasileiro. Hamilton tem tudo para virar o jogo, mas precisa saber fazer os movimentos certos, sem se prejudicar no processo. Já Rosberg vai precisar mesmo manter a cuca fresca se o pior acontecer. Nenhum dos dois quer perder, e se ambos se estranharem na pista e o pior acontecer, a Mercedes vai ter uma bela batata quente nas mãos. Que já está assando há algum tempo, diga-se de passagem. Está na hora da frieza germânica ser colocada à prova.
            Que vença o melhor. Sempre. E que o time tenha a grandeza de não se intrometer nesta briga, no mau sentido...


O campeonato da Stock Car está de volta, depois da folga forçada pela Copa do Mundo, e a prova que retoma a competição é justamente a Corrida do Milhão, que será disputada neste domingo no autódromo de Goiânia, na primeira vez que o circuito recebe esta prova milionária. Além do atrativo prêmio de R$ 1 milhão para o vencedor, o pole-position da corrida irá ganhar um troféu todo especial: uma estátua de Ayrton Senna banhada a ouro, moldada pelo artista plástico Wilson Iguti, que certamente será um prêmio único para todo e qualquer piloto. A classificação será exibida neste sábado pelo SporTV, e a corrida, no domingo, terá transmissão ao vivo tanto pelo canal por assinatura quanto pela TV Globo, a partir das 10:30 Hrs. Com 4 etapas já disputadas, Marcos Gomes lidera a competição, com 64 pontos, seguido de Valdeno Brito, com 62 pontos, Átila Abreu com 59, Sérgio Gimenez com 58, e Júlio Campos com 54 pontos.