segunda-feira, 27 de maio de 2013

CORREÇÃO DE RUMO



Pneus Pirelli 2013: ame, odeie, ou simplesmente resmungue...

            Findo o Grande Prêmio da Espanha de Fórmula 1, mais do que o show de pilotagem de Fernando Alonso, que venceu pela segunda vez no ano e se candidata como um dos favoritos ao título da temporada, todo mundo só fica falando de como os pneus estão “destruindo” a F-1, devido ao seu curto período de vida de utilização. Há adjetivos mais moderados, e aqueles mais radicais, do tipo que “não assistem mais F-1 porque os pneus roubaram a alma da categoria”, e por aí vai. Tem gente que nunca está satisfeita com nada mesmo. E nisso se inclui alguns times da categoria, como a Red Bull, que é quem mais está fazendo beicinho em cima da durabilidade dos pneus, a ponto de fazer com que a Pirelli, fornecedora dos compostos, admitir que irá efetuar mudanças nos compostos para a prova do Canadá, daqui a algumas semanas.
            De fato, os pneus mais macios da fabricante parecem ter ficado mesmo muito pouco duráveis. Chegou-se ao cúmulo de os pilotos tentarem de tudo para economizar pneu para guardar para a corrida. De seu lado, a Pirelli apenas cumpriu o que devia fazer, que era produzir pneus de comportamento mais “instável” a fim de embaralhar a cabeça de pilotos e engenheiros das equipes, de modo a produzir mais paradas e comportamentos inesperados, acabando com a previsibilidade das corridas.
            Certo, ela pode ter errado um pouco na dose nos compostos mais macios, que ficaram muito menos duráveis do que deveriam ser. Como conseqüência, a maior parte dos pilotos precisou de 4 paradas para cumprir o GP de Barcelona. Honrosa exceção, Kimmi Raikkonem, cujo carro da Lótus é um dos que mais bem trata os pneus, saiu-se com 3 paradas, mas não teve ritmo suficiente para discutir a vitória com Alonso na parte final da corrida. Certamente, é necessário fazer alguns ajustes para que os pneus ganhem um pouco mais resistência, até porque tivemos alguns pilotos tendo problemas com pneus furados, e até dechapados, o que poderia significar um risco de segurança para os competidores.
            Neste aspecto, as críticas até se justificam. Mas vamos ser razoáveis. Tem havido críticas não apenas descabidas, mas completamente irracionais por parte de alguns. As mais ridículas vem de torcedores que afirmam que, depois do que viram nos últimos tempos, “nunca iriam comprar pneus da Pirelli”, alegando que são pneus que não prestam. Totalmente sem noção tal afirmação: a Pirelli produz pneus de comprovada qualidade, e os compostos que a fábrica italiana produz para a F-1 tem uma fórmula diferenciada, visando tornar os pneus menos previsíveis para equipes e pilotos. São pneus feitos “sob encomenda” para atenderem a determinados requisitos, criados há 3 anos, com o propósito de dar mais ação e variáveis às corridas. Só um imbecil para achar que os pneus para os carros de rua iriam ser iguais aos compostos de competição, na falta de adjetivo menos educado. Não é assim que as coisas funcionam.
            A Red Bull reclamar que os pneus estão durando pouco é choradeira de barriga cheia. A equipe dos energéticos tem um bom carro, mas ela não tem um monoposto que trate os pneus da melhor forma. Mesmo assim, o time lidera o campeonato com Sebastian Vettel, que já venceu duas corridas, e ambas as vitórias foram conquistadas com boas performances, enquanto os concorrentes se debatiam com problemas adversos, entre eles também a maneira de entender o funcionamento dos pneus. Mais razão para reclamar tem a Mercedes, que tem um carro muito rápido em classificação, mas que detona os pneus na corrida. A fábrica alemã não está chiando com isso, muito pelo contrário, está mais interessada em descobrir uma maneira de equilibrar seu carro de modo a não gastar tanto pneu.
            Paul Hembery, diretor da Pirelli, acabou soltando algumas declarações acaloradas sobre a reclamação da Red Bull, acusando o time de querer a volta das corridas “procissões” onde ninguém passava ninguém, e que mudar os compostos poderia passar a sensação de que estariam mudando para favorecer apenas um time. Sua irritação com a Red Bull e suas críticas tem razão de ser: basta lembrar que, nos últimos dois anos, quando a Pirelli começou a fornecer os pneus, a equipe austríaca arrasou a concorrência em 2011, e no ano passado, só deslanchou a partir do GP da Bélgica, quando fez uma revisão no seu carro. Em outras palavras, reforça ainda mais a imagem de choradeira de barriga cheia. Eles que desenvolvam melhor seu carro e resolvam o problema, ora bolas. Ah, mas o “mago” da Red Bull, Adrian Newey, é especialista em aerodinâmica, e não teria, segundo alguns, idéias de como deixar o modelo 2013 mais “dócil” com os pneus. Ora essa, será que o restante do grupo técnico do time não sabe fazer nada além de seguir as indicações de Newey?
            Há quem diga que, ao admitir mudar os compostos, a Pirelli estaria cedendo às pressões, e com isso, a Red Bull poderia ser a maior beneficiada. Pode ser que sim, pode ser que não. Mudar os compostos é uma coisa, agora, se essa mudança vai fazer os carros da Red Bull renderem melhor, é outra história. Nada garante que os novos compostos, mais resistentes, atendam especificamente às necessidades do time. Serem mais duráveis não quer dizer que ofereçam maior performance. Pode-se dar o resultado inverso. Até certo ponto, torço para isso acontecer, pois deixariam as corridas ainda imprevisíveis, com os times tendo de descobrir, prova a prova, como acertar melhor as variáveis apresentadas pelos pneus.
            No ano passado, conforme a temporada avançava, os times iam aprendendo a lidar com os pneus, de modo que, depois das férias de agosto, a luta pelo título foi ficando polarizada entre Sebastian Vettel da Red Bull, e a Ferrari com Fernando Alonso. Mais experientes no uso dos pneus, os times passaram a acertar muito mais nas estratégias e acertos dos carros, deixando as corridas mais previsíveis, e menos diversificadas em termos de resultados. Se os pneus não mudassem, o panorama das provas hoje seria muito menos inesperado, e mais “convencional”, e por conseguinte, as corridas poderiam ser também menos emocionantes e com menos disputas de posição.
            E, afinal, dizer que não podem andar tudo o que poderiam é algo que até tem sua razão de reclamar, mas é preciso rever que, desde sempre, a F-1 sempre foi um campo onde resistência X velocidade eram a equação-chave para se ter sucesso. Antigamente, os carros quebravam muito mais, e não era raro alguns pilotos pé-pesado, ficarem a pé por forçar demasiado o equipamento. Outros pilotos, de trato mais fino na pilotagem, podiam não parecer tão rápidos, mas conseguiam chegar ao final das provas com mais carro para disputar posições.
            Alain Prost, por exemplo, era um piloto que, de tão suave pilotagem, não parecia andar rápido, mas foi um dos maiores vencedores da história. E ele apenas “parecia” não ser rápido. Diferente imagem tinha Nigel Mansell, com seu estilo “desembestado” de conduzir o carro, que ao mesmo tempo que impressionava pelo modo de condução, que era estupidamente rápido, muitas vezes ficava a ver navios pelo carro não agüentar o ritmo imposto. É um desafio que continua hoje em dia, agora mais focado nos pneus, pois motores e câmbios, pelo regulamento, para contenção de custos, tem que durar várias provas, então estes componentes passaram a quebrar muito menos do que antigamente. Dizer que os carros não andam mais rápidos por causa dos pneus é verdadeiro, mas querer dizer que não dá para fazer o carro ser mais rápido sem degradar ainda mais os pneus é algo totalmente falso. É apenas uma questão de saber trabalhar o carro. Então, mãos à obra e tratem de acertar o ponto ideal. E depois, dizem que a F-1 não oferece desafios técnicos... Talvez não como antigamente, mas há muitos desafios ainda a serem enfrentados.
            Espero que a Pirelli acerte a dose e deixe os pneus mais duráveis, mas não menos imprevisíveis. Isso é algo totalmente possível. E antes que digam que sou contra a Red Bull, repito o que muitos já disseram e que tem gente que, na hora de defender mudanças, esquece totalmente: os pneus são iguais para todos. Os carros que se virem com os pneus. Tem quem consiga, e tem quem não consiga, mas aí, é problema deles. Que botem seus engenheiros para trabalhar e descobrir como tirar proveito das dificuldades apresentadas pela competição, e não ficar chorando por que não consegue resolver o problema como os outros.

COLOCANDO AS POSTAGENS EM DIA...



            Após ter problemas para acessar e subir os textos durante os últimos 10 dias, eis que nesta semana os problemas foram sanados e serão colocadas todas as postagens pendentes que ficaram sem ser publicadas on-line nos últimos dias. Todos os textos estarão no formato original dos dias em que foram escritos, sem atualizações de acontecimentos posteriores a respeito dos assuntos dissertados, nos casos das colunas semanais dos dias 17 e 24 deste mês. E voltemos ao serviço a plena velocidade...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

ARQUIVO PISTA & BOX – JUNHO DE 1996 – 21.06.1996



            Em mais uma edição da sessão Arquivo, eis aqui a coluna lançada em 21 de junho de 1996, escrita após o Grande Prêmio do Canadá de Fórmula 1 daquele ano. Depois de duas provas sem resultados, Damon Hill voltava a vencer, e a reafirmar sua condição de favorito ao título, ainda mais que Jacques Villeneuve, seu companheiro de equipe, acabou sucumbindo na prova de seu país. Mas ainda era a primeira metade do campeonato, e muita água ainda iria rolar pela frente até a derradeira etapa, no Japão. Acompanham o texto várias anotações de outros acontecimentos no mundo do automobilismo naqueles dias. Uma boa leitura a todos, e semana que vem tem mais...


HILL NO PÁREO

            Depois de duas corridas sem pontuar no campeonato, houve quem dissesse que Damon Hill poderia desmoronar novamente e sucumbir aos adversários na luta pelo título de 1996. A vitória de Michael Schumacher em Barcelona, aliada aos erros que levaram o inglês a rodar e abandonar por culpa própria aquele GP deram a forte impressão de que o piloto alemão e a Ferrari poderiam inverter a situação de favoritismo da equipe de Frank Williams daqui para frente. Após o GP do Canadá, entretanto, muitos, a contragosto, tiveram que cair na realidade e constatar que, em Barcelona, foi apenas um deslize, assim como em Mônaco. Hill tratou de colocar as coisas em ordem em Montreal, e o fez de maneira perfeita. Era sua obrigação, é verdade, mas a pressão que vários fatores começaram a lhe impor poderia ter feito o inglês desabar psicologicamente.

            Depois do sucesso retumbante de Barcelona, a Ferrari viveu um verdadeiro desaire em Montreal. Michael Schumacher deu esperanças na classificação, disputando as primeiras posições com Hill e Jacques Villeneuve. O piloto alemão estava disposto a mostrar que a Ferrari é uma ameaça real para a Williams, enquanto o piloto canadense, correndo em casa pela primeira vez na F-1, queria a pole a qualquer custo. Damon Hill, em suas primeiras tentativas, parecia não estar pronto para o duelo com Jacques e Michael, mas na hora certa, o inglês partiu para o ataque decisivo e derrotou ambos, conquistando a pole-position. Eddie Irvinne também vinha bem no grid, o que só aumentava o otimisto da escuderia de Maranello.

            A desgraça ferrarista começou na volta de apresentação, quando Schumacher não conseguiu arrancar e teve de largar em último. Irvinne teve vida ainda mais curta: ficou logo na primeira volta da corrida, enquanto Schumacher partia para a recuperação, alcançando o 13º lugar na pista e ficando empacado nele, só avançando quando alguém quebrava à sua frente. No pit stop, acabou perdendo uma peça da suspensão e teve de dar adeus à corrida. Pra piorar, viu seu rival, Hill, comandar a prova a seu bel prazer e vencer sem problemas. Quando Schumacher esperava desferir um golpe mortal em seu adversário no GP canadense, o tiro saiu pela culatra. E não foi só isso: ambos os carros da Ferrari ficaram pelo caminho, enquanto a Williams fez a dobradinha e distanciou-se ainda mais no campeonato de cosntrutores.

            Benetton e Jordan mostraram-se competitivos em Montreal, mas não deu para ver todo o seu potencial: Gerhard Berger, nitidamente mais rápido que Jean Alesi, acabou rodando na perseguição a seu companheiro de equipe, terminando de forma negativa mais um GP. Para a Jordan foi pior: Rubens Barrichello, em mais uma excelente corrida, com perspectivas de lutar pelo pódio, ficou novamente a pé, sem embreagem. Martin Brundle, que também vinha andando muito bem e estava à frente do brasileiro, acabou fazendo das suas e perdeu as chances de um bom resultado quando ficou sem o bico do carro e precisou trocá-lo. Sorte da McLaren, que sem conseguir discutir o andamento de seus carros com a Benetton e a Jordan, somou mais 5 pontos e aproximou-se da equipe de Berger e Alesi. Esta, por sua vez, está chegando perto da Ferrari no mundial de construtores.

            O público canadense lotou o circuito, sendo estimado em mais de 100 mil pessoas. O novo ídolo local, Jacques Villeneuve, deu motivo para a torcida comemorar, chegando a liderar a corrida. Damon Hill, entretanto, estava disposto a recuperar o respeito e acabar com as críticas que vinham lhe sendo dirigidas depois de Barcelona e estragou a festa dos canadenses. Na largada, não deu chances a Villeneuve e disparou na frente, abrindo larga vantagem e administrando a corrida a partir daí. O inglês também derrotou seu companheiro de equipe na estratégia, parando duas vezes, enquanto Villeneuve parou apenas uma vez. Andando muito forte e atento a seu colega de equipe, Damon comandou a corrida até o final, vencendo a prova e recuperando o favoritismo na corrida ao título.

            Agora, a F-1 volta em definitivo para a Europa. A única exceção será a etapa de encerramento do campeonato, em Suzuka, no Japão. A próxima parada será na França, em Magny-Cours, uma pista veloz, similar à canadense, mas muito mais travada. Depois virão as pistas de altíssima velocidade. A F-1 encerrou a primeira metade do mundial de 96 e agora parte para sua segunda e decisiva fase. Com o respeito e moral resgatados, Damon Hill está de novo no páreo. Que venha a concorrência...





Michael Schumacher declarou em 95 que o piloto que mais admirava na F-1 era Pedro Paulo Diniz, dizendo-se impressionado pelo fato do piloto brasileiro manter a motivação em alta, mesmo guiando um carro desastroso como a Forti Corse. Gostaria de saber como Schumacher encarou a motivação de Diniz no Canadá, quando o brasileiro, agora piloto da Ligier, o infernizou durante várias voltas da corrida, disputando o 13º lugar, em posse do piloto da Ferrari. Irritado com os acontecimentos do fim de semana, não dá para saber o que o bicampeão do mundo achou de ser pressionado por alguém que, no ano passado, só via na hora de colocar voltas em cima...





A Ligier mostrou uma curiosa forma de trabalho de equipe: tanto Olivier Panis quando Pedro Paulo Diniz abandonaram a corrida de F-1 canadense na mesma volta e com o mesmo problema: estouro do motor Honda. Depois do sucesso em Mônaco e Barcelona, dispensa-se tal tipo de companheirismo...





Quem estava com saudades das trapalhadas de Ukyo Katayama na pista pôde se satisfazer em Montreal, quando o piloto japonês aprontou das suas novamente. Desta vez, a vítima foi Ricardo Rosset: ambos colidiram na altura da 7ª volta da corrida...





Rosset, aliás, está perdendo a paciência com a Arrows. O piloto brasileiro alega que está sendo discriminado na equipe, que só dá condições mínimas de competição a Jos Verstappen. Um exemplo foi o fato de que a equipe já está fazendo contatos com a Bridgestone para utilizar os pneus japoneses em sua futura investida na F-1, mas só Verstappen está participando dos testes...





A F-Indy volta a reunir-se neste fim de semana, quando disputa as 200 Milhas de Portland, no circuito do Portland International Raceway. É o primeiro circuito misto em autódromo da temporada. Todas as demais provas em mistos até aqui vinham sendo disputadas em circuitos de rua. Os brasileiros prometem voltar à carga no campeonato...





Semana passada, as equipes da F-Indy realizaram testes no circuito de Mid-Ohio. Scott Pruett, da Patrick Racing, dominou os testes, enquanto os demais tinham alguns probleminhas para resolverem, incluindo-se aí os pilotos brasileiros. No cômputo geral, todos saíram otimistas do circuito e confiando em um melhor desempenho no campeonato.
 



sexta-feira, 10 de maio de 2013

DE VOLTA À PISTA NA EUROPA



Barcelona é a primeira pista europeia do campeonato.

            Hoje os times da Fórmula 1 entram novamente na pista, após praticamente 3 semanas depois da primeira fase do campeonato, com as 4 primeiras corridas disputadas no Oriente. E o primeiro palco da fase européia do campeonato, de longe a minha parte favorita do ano, é em Barcelona, circuito conhecido de cima a baixo e de todos os ângulos por todos os times. E, conhecendo a fundo esta pista, as escuderias prepararam um extenso pacote de mudanças nos carros para melhorar o desempenho, depois de modificações apenas pontuais nas provas iniciais.
            Gosto muito das corridas na Europa, pois é aqui que se respira a verdadeira essência dos Grandes Prêmios, onde se vê o público que realmente ama e curte a categoria. Quase nenhuma corrida fora do Velho Continente permite sentir este clima. Entre as pistas extra-Europa que mais curto estão Montreal, Melbourne, Suzuka, e claro, Interlagos. Das pistas européias, só não curto muito Hungaroring. E desnecessário dizer que depois de ter sido “destroçado”, Hockenhein não é nem sombra do que já foi um dia, com suas longas e belas retas no meio da Floresta Negra.
            Em Barcelona, por conhecerem muito bem a pista, este circuito é o palco perfeito para se introduzir modificações de vulto nos carros. Com todos os dados do circuito e do carro obtidos aqui na última sessão de testes ainda na pré-temporada, as escuderias já tem uma base considerável de conhecimento para comparar os desempenhos daqueles dias com o que poderão obter a partir de hoje na pista. Há variáveis importantes a serem levadas na comparação, como a temperatura, muito maior hoje do que em fevereiro, quando o frio impediu que os times tivessem condições de experimentar tudo o que desejavam. Mas isso não vai impedir as equipes de experimentarem muitas inovações.
            E hoje mesmo, ao fim do dia, todos os dados obtidos já terão sido transmitidos pelos times às suas matrizes, na Itália e Inglaterra, com o fim de produzirem novos aperfeiçoamentos que poderão ser introduzidos daqui a duas semanas, quando todo mundo estará em Monte Carlo, ou no mais tardar em Montreal, pista mais apropriada para se testar modificações importantes, uma vez que Mônaco é um caso mais particular, por ser uma pista de rua, e onde ser ousado demais pode ser arriscado, com os muros muito próximos prontos a receber pilotos mais afoitos ou com algum problema que surja no carro que os faça atingir as muretas e cause um prejuízo adicional ao fim de semana. Isso é feito em todas as corridas, mas como estamos na Europa, onde os times estão próximos de suas bases, a celeridade para destrinchar os dados e convertê-los em evoluções é ainda mais premente, para que possam ser verificadas e implementadas já na próxima etapa. E este ano, ainda temos os times correndo em duas direções ao mesmo tempo.
            Como regulamento técnico de 2014 muda com a adoção dos novos motores turbo, alguns times já estão centrando boa parte de seus esforços no desenvolvimento dos carros da próxima temporada. Mas, ao mesmo tempo, precisam manter o foco em desenvolver os carros atuais, a fim de garantir um bom campeonato. Quem já começou o ano com um carro competitivo pode se dar ao luxo de visar mais o modelo 2014, sem descuidar, claro, do carro 2013.
            Por outro lado, quem começou o ano ruim pode literalmente dar o ano como perdido e já se focar no carro do ano que vem. Cedo demais? Sim, mas cada time tem seu modo de pensar, e um carro que nasceu ruim vai demandar mais recursos para se tornar competitivo, e o resultado não será tão proveitoso, pois a base técnica irá mudar no próximo campeonato. É uma equação por vezes complicada, e nem sempre dá para dizer qual é a melhor estratégia de ação.
            Dentre os times grandes, a McLaren, por exemplo, é quem começou o ano pior. Mas nem por isso deixou de vir para a Catalunha com muitas mudanças a serem experimentadas nos carros. A ordem é salvar parte do ano, mesmo que o título já esteja totalmente fora de cogitação. E quem está disputando o título a fundo até o momento, como Red Bull, Lótus e Ferrari, vai também dar tudo o que pode nas atualizações a fim de não perder terreno.
            E no meio desta briga toda, ainda temos os pneus da Pirelli, que estão realmente dando o que falar, mais uma vez. A fim de melhorar as atividades do fim de semana, foi feito um acordo onde a partir de hoje, em todas as sextas-feiras, todos os times terão um jogo extra de pneus por carro, geralmente os mais duros disponíveis em cada GP, a fim de que as escuderias possam rodar mais tempo sem se preocupar com a economia de compostos para o fim de semana. Como os compostos mais macios estavam apresentando até um desgaste maior do que o esperado, ficou muito incômodo ver os times tentando economizar borracha a qualquer custo, mesmo sacrificando trabalho na pista. Um jogo extra não é muita coisa, preferia que fossem pelo menos mais uns 3 jogos, mas já é um início de se tentar agitar um pouco mais as coisas.
            A mudança só não foi melhor porque parte da proposta original, que visava que este jogo extra fosse usado apenas pelos pilotos de teste em um dos treinos, como forma de dar-lhes quilometragem e permitir-lhes exercer de fato a função de “pilotos de testes”, acabou vetada por não ter conseguido aprovação de todos os times. Mas, já que é assim, vamos em frente, por ora... Os pneus da fábrica italiana ainda devem dar uma bela dor de cabeça para os engenheiros, e com isso, a imprevisibilidade de como os carros vão se comportar com os pneus de pista a pista está garantida por algum tempo. E em cada pista parece ter um carro que se adapta melhor ao circuito, enquanto em outros, é outra escuderia que vai melhor. Mas, a rigor, não vemos nenhum carro com perfil “dominador”, embora a Red Bull, com duas vitórias no ano, queira quebrar um pouco essa esperança.
            No ano passado, vimos aqui em Barcelona a grande surpresa do ano, quando Pastor Maldonado fez a pole-position, depois de Lewis Hamilton ser penalizado por não ter retornado aos boxes com seu carro, por causa do pouco combustível; e contra todas as previsões, praticamente venceu a corrida espanhola de ponta a ponta, surpreendendo a todos, ainda mais por ter chegado à frente de Fernando Alonso, que duelou com o venezuelano a prova inteira sem conseguir superar o piloto da Williams. Foi uma surpresa maior até do que a vitória da Mercedes na China, pois o carro alemão já vinha mostrando potencial, que depois foi minguando conforme a temporada avançava. Já a Williams mostrava ter feito um bom carro, mas nada que sugerisse que pudesse disputar pódios, e muito menos vencer. E de fato, no restante da temporada, o time nunca mais mostrou o mesmo brilho, e Maldonado chegou a passar quase todo o resto do ano em branco, se metendo em várias confusões na pista. Este ano, com a performance pífia da Williams, não se vê esperança nenhuma de o time conseguir surpreender novamente.
            O que não quer dizer que não podemos ter algo inesperado. Quem sabe a Force Índia, que vem demonstrando boa performance desde Melbourne, não consiga desencantar? E mesmo a McLaren, que luta para melhorar, pode de um momento para outro voltar a andar na frente. Ou a Mercedes, que já mostrou ter um carro melhor em 2013, pode também conseguir sua primeira vitória do ano? Podemos ter esperanças de vermos resultados inesperados, e a previsão de tempo deve ajudar a deixar a situação mais enrolada para pilotos e equipes: a previsão aponta chuva para hoje e até amanhã, o que deve deixar as escuderias com poucos dados novos de acerto para a corrida.
            Apesar do bom clima do retorno da F-1 à Europa, devo dizer que o clima no paddock não é totalmente otimista porque a economia espanhola está firmemente atolada na crise que assola o continente nos últimos anos, e com um desemprego recorde, com boa parte da população atolada em dívidas, e muita gente perdendo até suas casas e todas as esperanças. Mesmo que Fernando Alonso vença a corrida de forma arrasadora, isso pouco afetará a vida sofrida de muitos espanhóis, que continuarão seu drama diário. E, vendo a opulência e luxo das equipes, que aqui montam seus esplendorosos motorhomes (certo, eles estão mais comedidos do que há alguns anos atrás, quando eram ainda maiores e mais luxuosos), ainda é uma ostentação de riqueza que pode causar constrangimentos e revolta em quem está com a vida economicamente arruinada ou em crise profunda.
            A F-1 precisa ter mais sensibilidade nestes momentos...

quarta-feira, 8 de maio de 2013

ARQUIVO PISTA & BOX – JUNHO DE 1996 – 14.06.1996



            Voltando com a seção, Arquivo, esta coluna foi lançada em 14 de junho de 1996, e falava da etapa canadense da Fórmula 1, um pouco do fervor que os fãs daquele país nutriam – e ainda nutrem, pela maior categoria automobilística do planeta. E naquele ano, o fervor estava renovado pela presença de Jacques Villeneuve na pista, pilotando a Williams, o filho do lendário Gilles Villeneuve, que havia incutido o gosto pela F-1 no coração dos canadenses. Fiquem agora com o texto, e boa leitura. Em breve, mais textos antigos por aqui...


PARADA NO CANADÁ

            A Fórmula 1 desembarca neste fim de semana pela segunda no ano em terras americanas. Depois das etapas do Brasil e da Argentina no início do ano, é a vez do Canadá receber a maior categoria automobilística do planeta.

            Diferente dos Estados Unidos, onde não é muito conhecida, a F-1 no Canadá é muito popular e famosa. O motivo não é outro senão Gilles Villeneuve, que virou um mito da velocidade por suas façanhas na pista guiando a Ferrari. Por coincidência, sua primeira vitória na categoria foi justamente aqui neste circuito de Montreal, montado na Ilha de Notre Dame, situada no meio do Rio São Lourenço. Foi em 1978, e na época, a Ferrari vivia uma de suas melhores fases: Niki Lauda era o campeão mundial e a escuderia estava em grande momento, apesar de, naquela temporada, ter perdido o campeonato para a Lótus, que massacrou a oposição com seus carros-asa.

            Três anos depois, Gilles disputaria aqui seu último GP de F-1 em sua terra natal. Debaixo de uma chuva torrencial, o piloto canadense deu um show, guiando até com o bico do carro quebrado, para delírio de seus fãs, que mesmo com a chuva, lotaram o circuito. Villeneuve não venceu, ficando apenas em 3º lugar, atrás de John Watson, da McLaren/Ford; e de Jacques Laffite, da Ligier/Matra. No ano seguinte, em 1982, aquele que foi o maior ídolo esportivo canadense morreu durante os treinos para o GP da Bélgica, em Zolder. Apenas 2 etapas depois, a F-1 chegou ao Canadá, e o clima já era bem diferente dos GPs anteriores. A vitória da corrida ficou com Nélson Piquet.

            Mas a paixão do canadense pela velocidade não esmoreceu muito. Todo GP disputado no Canadá sempre foi muito bem-vindo. Na falta de seu ídolo, a paixão do torcedor de Gilles passou para sua escuderia, a Ferrari, especialmente a de número 27, com a qual ele corrida. E uma prova dessa paixão pôde ser sentida em 95, quando Jean Alesi, com a Ferrari, venceu o GP do Canadá. O público invadiu a pista em comemoração, uma cena só vista nas provas da Itália quando a Ferrari consegue um bom resultado.

            Hoje, 15 anos depois, o nome Villeneuve está de volta a uma prova de F-1 no Canadá. O circuito Gilles Villneuve receberá seu traçado o filho daquele que lhe deu nome, Jacques Villeneuve. E nem precisa adivinhar qual vai ser a reação do público: já não há mais ingressos disponíveis há meses, e a perspectiva para a corrida é de lotação total no circuito. Há quem aposte que a paixão do torcedor vai ficar dividida, pois a Ferrari vem com Michael Schumacher, atual bicampeão do mundo, enquanto Villeneuve, que chamará a atenção da torcida, estará na Williams, equipe que, à época de Gilles Villeneuve, era a maior rival da Ferrari, junto com a Lótus. A Lótus se foi, mas a rivalidade entre Ferrari e Williams está bem viva nesta temporada.

            Jacques, entretanto, não faz promessas: apesar de já ter corrido aqui antes, andar de F-1 é uma coisa bem diferente, e não se pode esperar um desempenho espetacular. Segundo ele, o favoritismo da equipe está depositado em Damon Hill, que conhece o traçado e sempre andou bem na corrida. Será que isso é verdade? Até hoje nunca vi um piloto que, tendo um mínimo de chance, não partisse para tentar a vitória no GP de seu país. Os torcedores que se preparem, pois o jovem canadense não deve ficar parado. Podem apostar nisso...





Uma das atividades mais divertidas da F-1 em sua visita ao Canadá é a tradicional corrida de barcos. Todas as equipes vão para a raia olímpica ao lado do circuito e partem para a água, disputando uma corrida com embarcações montadas com o que estiver à mão nos boxes: pedaços de carros, tambores vazios, pneus usados, etc. Nem sei como alguns barcos flutuam e não é raro alguma equipe “naufragar” durante o percurso. Não há muitas regras, e vez por outra, alguns utlizam-se de truques sujos na disputa, mas nada fora da esportividade. Todo mundo participa. É uma daquelas raras oportunidades onde o pessoal esquece a tensão e a rivalidade do dia-a-dia, disputando uma espécie de gincana colegial. Desde que estreou na F-1, a Jordan tem sido a favorita neste tipo de “corrida”; pena que isso não se estenda também à corrida de F-1...





Mudança radical na Forti Corse: depois de perder a sociedade com Carlo Gancia, agora o outro sócio, Guido Forti, passou a ser proprietário minoritário. O grupo Shannon, que atua no ramo financeiro, assumiu a direção da equipe. A primeira mudança foi visual: saiu o amarelo e o azul e entraram o verde e branco, as cores da Irlanda, onde o grupo tem sua sede.





Quem também vai fazer mudanças é a equipe Newmann-Hass na F-Indy: a partir de 1997, o time passará a usar chassis fabricados pela Swift, e será a equipe oficial da fábrica. A primeira condição do contrato já foi aceita: Hiro Matsushita não será piloto do time. O detalhe: Hiro é dono da Swift. Carl Hass, um dos proprietários da escuderia, está deixando de ser representante oficial da Lola nos EUA, marca de chassi que o time utiliza há vários anos.





A Lola, por sua vez, já definiu seus planos operacionais para 97, e com a perda da Newmann-Hass, a nova equipe oficial da fábrica passará a ser a Tasman, onde corre o brasileiro André Ribeiro. Com isso, a Tasman passará a contar em primeira mão com todos os melhoramentos que a Lola conseguir desenvolver em seus chassis, vantagem essa que atualmente pertence à equipe de Paul Newmann e Carl Hass. As novas melhorias só são passadas aos demais times clientes da fábrica de chassis algumas corridas depois...





Com o advento dos circuitos mistos no campeonato da F-Indy, as equipes abastecidas pela Firestone passaram a ter pavor de chuva, depois do pífio desempenho de seus carros durante as voltas em pista molhada no GP de Detroit. Todos os pilotos com pneus japoneses iam ficando para trás com facilidade, enquanto os pilotos com pneus da Goodyear simplesmente chegavam e passavam, indo embora. Depois disso, houve o comentário de que as equipes Goodyear estavam incluindo em suas agendas para os GPs uma hora reservada para seus integrantes fazerem a dança da chuva...





Se Christian Fittipaldi acabou perdendo as chances de vitória n GP de Detroit de F-Indy, na prova da Indy Lights, categoria de acesso à Indy, Tony Kanaan não deu chances aos adversários, vencendo a corrida de forma magistral. Os demais brasileiros na competição, infelizmente, ficaram pelo caminho...





O retrospecto recente do GP do Canadá de F-1 é bem competitivo: desde 1989, 4 escuderias venceram a prova canadense. A McLaren venceu em 90 e 92; a Williams chegou na frente em 89 e 93; a Benetton ganhou em 91 e 94; e a Ferrari abocanhou a vitória em 95. Todas as provas foram vencidas por pilotos diferentes: Thierry Boutsen (89), Ayrton Senna (90), Nélson Piquet (91), Gerhard Berger (92), Alain Prost (93), Michael Schumacher (94), e Jean Alesi (95).

sexta-feira, 3 de maio de 2013

ACELERANDO NO ANHEMBI



Os carros da IRL vão acelerar novamente em São Paulo.

            Começam hoje as atividades de pista no circuito urbano do Sambódromo, junto ao Parque de Exposições do Anhembi, em São Paulo, capital, para a disputa da etapa brasileira da Indy Racing League, a São Paulo Indy 300, que terá largada às 12:30 horas deste domingo. Mas os carros da categoria só entram na pista amanhã. Hoje, de tarde, haverá apenas treinos das corridas que também irão ser disputadas neste fim de semana na pista, o Campeonato Brasileiro de GT, e o Mercedes-Benz Grand Challenge.
            Neste sábado, os pilotos da IRL entram na pista logo de manhã, com o primeiro treino livre marcado para as 8:30 às 9:00 horas. Em seguida tem a segunda parte da sessão, com outro grupo de pilotos, no horário das 9:00/9:45. A sessão seguinte de treinos da categoria começará às 12:05, com término às 13:05 horas, e a classificação terá início às 14:35 horas, finalizando às 15:45 hrs. No resto do tempo, mais sessões de treinos das outras categorias, e também suas respectivas classificações. A prova de GT será amanhã, às 16 horas.
            Já no domingo, de novo as atividades começam logo cedo. O pessoal da IRL entra na pista às 8:00/8:30 horas para o warm up, treino de aquecimento para a corrida. Logo após, terá lugar a prova da Mercedes Grand Challenge, às 8:45 hrs., seguida da segunda corrida da GT. Ao meio-dia, os pilotos da Indy farão o tradicional desfile para o público presente, e então entrarão nos carros para disputar a corrida. É a 4ª edição da prova, e a pista brasileira tem o maior retão do calendário, utilizando uma das pistas da Marginal Tietê, e uma curva fechada que dá acesso ao Sambódromo, onde temos a reta chegada, e o “S” do Samba, tradicionalmente lugar de confusões e acidentes da corrida, que desde a primeira corrida, já viu inúmeros pilotos se estranharem por ali, e darem adeus à corrida. Algumas outras curvas tiveram suas zebras ligeiramente rebaixadas, para permitir que os carros possam contorná-las de forma mais rápida e sem traumas para o equipamento, uma vez que no ano passado, a altura das zebras limitava o raio de ação dos pilotos nas mesmas, impedindo traçados mais variáveis de contorno.
            A expectativa da torcida, é claro, é ver um dos pilotos brasileiros ganhar a corrida, mas a parada não é fácil, e nos anos anteriores, o melhor resultado brasileiro foi em 2010, ano de estréia da corrida, com o 3° lugar de Vitor Meira, que corria pela Foyt Enterprises. Naquele ano, Raphael Mattos também conseguiu um belo resultado, chegando em 4° lugar. Hélio Castro Neves, nosso piloto com maior chances de vitória, ficou apenas em 9° lugar, com Tony Kanaan em 10°. Bia Figueiredo foi a 13ª colocada, e os pilotos Mário Moraes e Mário Romancini ficaram pelo meio do caminho. A vitória ficou com Will Power, da Penske, seguido de Ryan Hunter-Reay, da Andretti. Se a torcida ficou decepcionada, os anos seguintes foram piores em resultados para os pilotos “da casa”. Em 2011, todos os pilotos brasileiros ficaram pelo meio do caminho, devido a acidentes, em especial no “S” do Samba, ou terminaram com várias voltas de desvantagem. A vitória ficou novamente com Will Power, e o pódio foi completado por Graham Rahal e Ryan Briscoe. A corrida de 2011, aliás, teve o empecilho de começar no domingo e terminar apenas na segunda-feira. Um forte temporal que desabou no domingo inundou a pista, e quando ela finalmente deu condições de retomar a prova, o dia já havia acabado, obrigando o adiamento para segunda.
            No ano passado, nova decepção para os torcedores com relação aos brasileiros. Enquanto Will Power vencia pela 3ª vez consecutiva a corrida, e tinha a companhia no pódio de Ryan Hunter-Reay e Takuma Sato, o melhor brasileiro acabou sendo Helinho, que terminou em 4° e conseguiu sua melhor finalização em São Paulo. Rubens Barrichello acabou em 10° lugar, enquanto Tony Kanaan e Bia Figueiredo ficaram lá para trás novamente. Este ano, todos esperam ter melhor sorte.
            Hélio Castro Neves chegou a São Paulo na liderança do campeonato, e para sorte da concorrência, Will Power, vencedor invicto nesta pista desde a primeira corrida, não vem tendo um início de campeonato dos melhores. Vice-campeão nos últimos 3 anos, e que apresentou uma performance demolidora em pistas de rua, o australiano chegou para a etapa brasileira decidido a mudar sua situação na tabela de classificação, e é o piloto a ser batido. E Power terá em Helinho um forte adversário, mas haverá concorrentes poderosos nos demais times. A equipe de Michael Andretti já venceu duas corridas este ano, com James Hinchcliffe e Ryan Hunter-Reay, e deve vir forte na corrida. E quem também está querendo repetir a dose é Takuma Sato, que venceu em Long Beach, e pode novamente ser um páreo duro na pista paulistana.
            E não se pode esquecer da dupla da Ganassi, Scott Dixon e Dario Franchiti, que apesar de terem começado o ano cheio de altos e baixos, não podem ser subestimados na luta pela vitória. Mas os torcedores querem mesmo é saber dos nossos pilotos, e como já mencionei, as melhores chances, teoricamente, estão com Helinho, por correr pela Penske, o melhor time da categoria. Mas isso somente não garante um bom resultado, como se viu nos anos anteriores. A estratégia de corrida também será importante para garantir um bom resultado: no ano passado, Rubinho e Tony poderiam ter tido um resultado muito mais consistente na prova, mas a estratégia de corrida da KV se mostrou totalmente equivocada, e ambos terminaram muito aquém do que poderiam ter efetivamente rendido na corrida.
            Por essa razão, Tony Kanaan não pode ser colocado fora do páreo. Se a KV acertar na estratégia, Tony se garante dentro da pista, como sempre costuma fazer, e já demonstrou isso na prova inicial deste ano, em São Petesburgo, onde foi o 4° colocado. Mas não se pode dar chance para o azar, e o temido “S” do Samba, apesar de ter sido modificado este ano para ajudar a evitar que os pilotos se enrosquem por ali, ainda é o lugar mais propício para os pilotos se envolverem em confusões na pista por posição, assim como a curva de acesso à reta do Sambódromo, onde as fortes freadas após o longo retão da Marginal sempre é palco de disputas por parte de pilotos que deixam para frear nos últimos metros, e algumas vezes, até indo parar curva afora, errando a freada e causando algum enrosco. Tony está confiante para obter um bom resultado, apesar do acidente sofrido em Long Beach na última volta, em uma disputa com Oriol Servia que o lançou na barreira de pneus, lesionando a mão direita. O brasileiro garante que a mão, já bem melhor, não será problema para sua atuação em São Paulo.
            Nossa última representante, Bia Figueiredo, espera ter melhor sorte aqui. Bia ainda busca conseguir verba para disputar o restante do campeonato, que na pior das hipóteses só vai até as 500 Milhas de Indianápolis, prova seguinte do calendário. Competindo pela fraca equipe Dale Coyne, que tem todos os recursos voltados para o carro de Justin Wilson, Bia tenta tirar leite de pedra, e em Long Beach teve o único resultado razoável do ano, quando terminou em 14° lugar. Com mais conhecimento do carro, ela espera ter um desempenho melhor.
            Mas é preciso torcer também para que a chuva não dê as caras, o que pode embaralhar a corrida de muita gente, e tornar a disputa uma verdadeira loteria. A drenagem da pista, apesar de ter sido reforçada, não é garantida se São Pedro resolver exagerar na dose, como aconteceu em 2011. Felizmente, a previsão não é de chuva para o fim de semana, o que deve garantir que todas as atividades aconteçam com pista seca. Há previsão de alguma chuva para domingo, mas as chances de atrapalhar a prova, em tese, são mínimas. E este, aliás, é o desejo de todas as equipes e pilotos.
            Será que este ano nossos pilotos desencalham e conseguem vencer a prova? Esperança não falta, é aguardar que nossos representantes tenham a sorte que faltou nos anos anteriores para que melhores resultados sejam possíveis. Se conseguirem ficar longe de qualquer encrenca durante a prova, melhor ainda. A corrida, por si só, já promete muita disputa, e isso é o melhor de tudo em uma prova de carros, onde o público quer ver brigas, ultrapassagens, e que vença o melhor. Que venha a bandeira verde, então...


Apesar do otimismo, Tony Kanaan vai correr as próximas etapas da IRL na base do sacrifício. A pancada nos pneus em Long Beach causou lesões que devem demorar a sarar, segundo os médicos. A estimativa é que os ferimentos, apesar de não serem graves, demorem pelo menos mais de 6 meses para cicatrizar totalmente. Houve luxação em 3 tendões da mão direta, e isso, segundo Kanaan, causa desconforto em vários movimentos. Isso pode atrapalhar a performance do piloto baiano, que ainda diz não saber se conseguirá pilotar direito o carro como está acostumado. “Vamos ver neste sábado”, declarou. Boa sorte, Tony.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

FLYING LAPS – ABRIL DE 2013



            Já chegamos ao mês de maio, e como de costume em cada início de um novo mês, eis aqui mais uma edição da Flying Laps, com alguns dos acontecimentos do último mês. Então, fiquem com as notas, e boa leitura. E, no mês que vem, tem mais notas. Até lá, com mais uma sessão das Flying Laps...


Na abertura do campeonato de 2013 do Mundial de Endurance, em Silverstone, na Inglaterra, a Audi mostrou que está viva e forte para defender o seu título, conquistado no ano passado, na primeira edição do novo campeonato de provas de longa duração. No fim de 2012, a Toyota, que venceu pela primeira vez na etapa brasileira da competição, em Interlagos, mostrou que a fabricante alemão não teria mais vida fácil no certame, vencendo as provas finais da competição, e prometendo vir com tudo neste ano. Na classificação, os carros japoneses deram um bom susto na concorrência, dominando a primeira fila do grid e levando a crer que iriam mesmo dar uma boa briga na categoria LMP1, a principal do WEC. Mas voltas lançadas são uma coisa, e corridas são outros 500, ainda mais se tratando de provas de longa duração. E ao fim da corrida, eis que a Audi conquistou a vitória, e ainda fez dobradinha no pódio. Ao fim das 6 horas de corrida, o modelo R-18 E-Tron das quatro argolas se mostrou mais consistente que o modelo TS-030 dos japoneses. Apesar da vitória, a Audi enfrentou alguns percalços durante a corrida, com seu carro No. 1, pilotado pelo trio André Lotterer/Marcel Fässler/Benoît Tréluyer apresentou problemas mecânicos que o fizeram deixar de contar com a força do motor híbrido. Mesmo assim, ainda garantiu a segunda posição, tendo perdido a liderança apenas no final da prova para o carro No. 2 da equipe alemã, pilotado pelo grupo Tom Kristensen/Allan McNish/Loïc Duval, que venceu por uma diferença de menos de 4s. À Toyota coube o 3º lugar do pódio, pilotado por Anthony Davidson, Sébastien Buemi, e Stéphane Sarrazin, terminando com 1 volta de desvantagem para o carro vencedor. Na 4ª posição chegou o segundo carro da Toyota, pilotado pela dupla Alexander Wurz/Nicolas Lapierre. A próxima etapa do campeonato é na Bélgica, com a disputa das 6 Horas de Spa-Francorchamps.


Os brasileiros presentes na estréia do campeonato de endurance 2013 fizeram bonito em Silverstone. Contratado para correr nesta etapa pelo time Delta-ADR, na categoria LMP2, Antonio Pizzonia e seus companheiros venceram em sua categoria, tendo ficado na 7ª posição geral, com 13 voltas de desvantagem para a dupla vencedora da Audi na categoria LMP1. O bom resultado animou o piloto de Manaus e querer experimentar participar de outras etapas do campeonato, mas até o momento, sua participação ficou mesmo restrita à corrida na Inglaterra. Por outro lado, com contrato para correr todo o campeonato pela equipe oficial da Aston Martin, Bruno Senna estreou literalmente com o pé direito do acelerador na competição, onde ajudou seu time a sair da pista inglesa também com a vitória de sua classe, a GTE Pro, que no geral terminou na 14ª posição, com 26 voltas a menos do que o trio vencedor da Audi. Já o brasileiro Fernando Ress, competindo pela equipe Larbre, finalizou a corrida na 21ª posição geral, com menos 31 voltas, e acabou na 3ª colocação da classe GTE Am. Bruno Senna, relaxado e contente como há muito não se via, mostrou que acertou em sua transferência para o novo campeonato, deixando a F-1, onde não tinha opções de boas vagas para correr o mundial. E, se levarmos em conta a condição da Williams, seu ex-time no ano passado, que neste ano está mostrando um desempenho totalmente sofrível, posso afirmar que o piloto brasileiro realmente se livrou de uma tremenda encrenca. O time de Frank Williams parece ter errado novamente no projeto de seu carro, e em 4 provas disputadas, não conseguiu 1 único ponto, e muito menos demonstrar performance satisfatória tanto em treino quanto em corrida.


A temporada atual da Indy Racing League, apesar de todas as medidas visando manter os custos de competição os mais baixos possíveis, vai ver uma baixa em seu atual conjunto de equipes inscritas. A escuderia Dreyer & Reinbold anunciou que deixará a competição após a prova das 500 Milhas de Indianápolis. O motivo é o mesmo de sempre: falta de patrocínio para seguir competindo na categoria. Com isso, o piloto espanhol Oriol Sérvia ficará a pé no campeonato. Ainda há alguma esperança de o time seguir na competição, se aparecer algum patrocinador até a data da Indy500. Caso o time consiga fechar algum contrato, pode seguir firme em mais algumas corridas, caso contrário, vai mesmo sair de cena. Não vai ser o fim da escuderia, que já adiantou que pretende competir na Indy500 do ano que vem. Não é uma situação inédita na categoria, já que recentemente, Bobby Rahal, tricampeão da F-Indy original, precisou deixar seu time fora dos campeonatos de 2009 e 2010, para retornar depois, com orçamento firme, e retomar a competição. Nestes dois anos, o time de Booby também ficou restrito a competir apenas em Indianápolis.


E o piloto espanhol Marc Márquez, que já chegou mostrando as garras no campeonato da MotoGP, com apenas 20 anos, tornou-se o mais jovem piloto a vencer uma corrida na principal categoria do motociclismo mundial. Já em sua segunda corrida na categoria, o jovem piloto garantiu a pole para o GP das Américas, na pista texana de Austin, Estados Unidos, superando seu companheiro de equipe, o veterano Dani Pedrosa. E, largando na frente, Márquez praticamente ignorou todos os outros rivais, tendo como único adversário Pedrosa, que largou melhor e assumiu a ponta, mas a perdeu após 12 voltas para o novato companheiro de equipe, que se manteve firme na frente, e venceu a corrida com pouco mais de 1s de vantagem. Pedrosa, que já havia chegado atrás de Marc na primeira corrida, em Losail, no Catar, teve outra derrota para o novo colega de time. Jorge Lorenzo, que havia vencido a corrida de estréia, ficou em 3º lugar, apenas assistindo a briga e esperando por um erro da dupla da Honda, que entretanto, não aconteceu. Valentino Rossi, depois de mostrar boa performance no Catar, acabou tendo um desempenho apenas médio em Austin, terminando apenas em 6º lugar. Com o resultado, Márquez assumiu a liderança do campeonato, com 41 pontos, empatado com Jorge Lorenzo, que também tem 41 pontos. Logo a seguir vem Dani Pedrosa, com 33 pontos. Rossi ocupa a 4ª colocação, com 30 pontos. A próxima corrida é o GP da Espanha, em Jerez de La Fronteira.


Robert Kubica está pegando a mania de sofrer acidentes perigosos nas provas de rali. Não bastasse o violento acidente que quase o matou há alguns anos  e o tirou da F-1, desde que voltou a competir no rali já andou perto de se machucar fortemente. No último dia 26, o piloto sofreu outro forte acidente, quando disputava o rali dos Açores, e capotou novamente com seu carro, após passar por um buraco. Apesar do susto e das avarias no carro, o piloto ainda conseguiu terminar a etapa da competição, sem nenhum ferimento além do forte susto, e se concentrando ao fim do dia em reparar os estragos no carro para seguir na competição. Kubica precisa fazer uma reza brava para afastar essa freqüência de acidentes, antes que sua sorte de sair ileso acabe. Semanas atrás, o polonês também bateu forte o carro, e por pouco não despencou numa ribanceira, onde poderia ter sofrido graves ferimentos...


A terceira etapa do campeonato 2013 da Stock Car teve vitória do piloto Daniel Serra, que venceu pela segunda vez consecutiva este ano. O filho de Chico Serra largou na pole-position e não deu mole para os adversários, vencendo a corrida praticamente de ponta a ponta. Thiago Camilo bem que tentou dar o bote em Serra na parte final da corrida, mas Daniel manteve o controle da disputa, vencendo com aproximadamente 1,5s de vantagem. Ricardo Mauricio completou o pódio, em 3º lugar. E Rubens Barrichello mostra que pode demorar a pegar mão no campeonato da categoria, pois largou lá no fundo do grid e terminou apenas em 20º lugar. Na IRL, no ano passado, Rubinho estava mostrando melhor performance com os carros da categoria, e apesar de não encher os olhos, tinha tudo para evoluir firme neste ano, em um time mais estruturado. Infelizmente, faltou apoio financeiro suficiente para garantir Barrichello na competição americana. E, até o momento, já com 6 provas disputadas na Stock, precisa mostrar mais desenvoltura para se acertar aos carros da categoria, pois até aqui não vem conseguindo mostrar muita coisa, além de alguns lampejos de bom desempenho.