sexta-feira, 19 de outubro de 2012

MASSA GANHA SOBREVIDA NA F-1


            Felipe Massa conseguiu o que muitos achavam impossível após a primeira metade do campeonato de Fórmula 1 deste ano: renovou com a equipe Ferrari para 2013. É verdade que o piloto fez por merecer, em especial nas últimas corridas, desde o GP da Bélgica, onde mostrou bom desempenho,e só não alcançou melhores resultados devido à política tacanha da Ferrari, que infelizmente, a esta altura do campeonato, é até justificável. O anúncio da renovação foi oficialmente feito nesta última terça-feira em Maranello, embora já circulasse boatos pelo paddock nas últimas corridas, e a escuderia ainda tentasse desmentir alegando que não havia nada decidido.
            Mas que o torcedor brasileiro não se iluda: Felipe ainda precisa batalhar para continuar na F-1. O que ele ganhou foi um ano para mostrar o que vale, já que neste campeonato, o brasileiro acabou praticamente num beco sem saída: suas fracas performances do início do ano até o GP da Hungria, com raros momentos de combatividade e performance, praticamente fizeram do brasileiro um nome “descartável” no mercado de pilotos, com praticamente nenhum time demonstrando interesse de contar com o vice-campeão de 2008 em seus quadros para o próximo ano. Uma alternativa seria arrumar patrocínios de peso para tentar vaga em outro time, mas aparentemente, sua falta de resultados no ano até agosto teria também jogado contra esta alternativa. Mesmo assim, a renovação não foi tão amena: Massa ganhará menos do que vinha ganhando, e embora valores não tenham sido revelados, isso já é um sinal de que Felipe não tinha mesmo alternativa.
            Para a Ferrari, mais do que um alívio, foi também uma recompensa ao piloto por sua lealdade, ainda mais porque o time italiano, tardiamente, afirmou que em alguns GPs usou o brasileiro para testar componentes que não deram os resultados esperados, e ainda por cima, comprometeram sua performance. É algo que deveriam ter feito na ocasião em que isso foi levado a cabo: poupariam Massa de algumas críticas imerecidas por parte de imprensa e torcedores, que desconheciam o fato. Claro que na F-1 o segredo é a alma do negócio, mas revelar isso não teria causado mal nenhum, muito pelo contrário: não ter falado no momento só ajudou a “queimar” Felipe ainda mais.
            A Ferrari resolve seu principal problema para 2013, e com isso Massa irá para sua 8ª temporada como piloto oficial de Maranello. O time sabe como o brasileiro é e seu ritmo de trabalho e capacidade. Se é verdade que cogitou outros nomes para o seu lugar, é verdade também que eventuais novos pilotos necessitariam de ser “moldados” ao “modo” Ferrari de procedimentos, e isso poderia gerar perda de tempo até que o novo contratado “entrasse nos eixos” do time vermelho, em especial na política de dois carros, um piloto, referência ao fato de Fernando Alonso ser a única atenção primordial da escuderia, restando ao seu companheiro, as sobras da competição, por mais que afirme que dá o mesmo equipamento a ambos os pilotos.
            Quem também ganha é a TV Globo, que ante a expectativa de ficarmos sem nenhum representante brasileiro na F-1 em 2013, agora continuará explorando Massa como potencial vencedor de corridas. Não é uma mentira: correr pela Ferrari, um time de ponta, credencia Felipe a ser um dos protagonistas da categoria. Isso na teoria; na realidade, a menos que Alonso comece a ter um azar dos diabos, o brasileiro terá de se contentar com duelos com os outros pilotos para satisfazer seu desejo de competição. O torcedor brasileiro, pelo que vi em sites e fóruns especializados, não comemorou nem um pouco, com raras exceções. O grosso dos comentários vai pela ala dos “traídos”, que vêem em Massa um sucessor piorado de Rubens Barrichello, que pelo menos chiava da situação a que se via submetido. Para Felipe, os comentários são mais duros: nem reclamar da situação ele faz, dando a imagem, na opinião deles, de “vendido”, “submisso”, “mercenário”, “medíocre”, entre outros adjetivos menos educados.
            Mas Massa, em que pese a decepção de muitos brasileiros que um dia viram nele a chance de nosso país ser novamente campeão da F-1, não precisa dar satisfação de sua renovação. Ele queria continuar a pilotar na categoria, e era aceitar ficar na Ferrari, ou sair da F-1. Não havia alternativas. Não haviam interessados em seus serviços. Agora, Felipe ganhou uma nova chance e precisa aproveitá-la. Se fizer um bom campeonato em 2013, relançará seu nome no mercado, e com alguma sorte, pode voltar a ser disputado por outros times, como já foi um dia. Ficar no time italiano para 2014 é uma possibilidade, mas se Felipe quiser realmente ter maiores ambições, só as terá em outros ares, pois enquanto Alonso continuar em Maranello, ele continuará a centralizar todo o time sobre si. E, se a atitude de impedir Felipe de ultrapassar Alonso, vista domingo passado, ocorreu em um momento de reta final de campeonato, não há garantias de que a Ferrari não obrigue o brasileiro a isso até em início de campeonato. Basta lembrar de 2002, quando o time sobrava, e mesmo assim, não deixou Rubens Barrichello vencer na Áustria, quando ainda nem estávamos perto da metade do campeonato.
            O dilema de Massa é fazer um bom campeonato sem incomodar o espanhol. Mas o maior problema pode vir a ser o carro de 2013: se for como o desse ano, problemático, embora passível de ser desenvolvido, o trabalho será muito complicado para o brasileiro. Alonso consegue se sobressair regularmente com um carro limitado, enquanto Massa tem menos capacidade de extrair performance nestas condições. Se o novo carro não for bom, Felipe precisará pilotar como nunca para mostrar resultados, a fim de mostrar aos outros times que é um nome a ser considerado em suas opções. O péssimo ano do brasileiro, que na verdade já vinha de resultados ruins desde todo o ano passado, já castigou Massa de forma contundente este ano, quando a McLaren anunciou Sérgio Perez para substituir Lewis Hamilton no time de Woking no próximo ano. Se um dia Massa já interessou à McLaren, esse interesse já se desvaneceu por completo, ao preferir o jovem mexicano que deu show em algumas corridas nesta temporada.
            Mesmo que consiga dar a volta por cima no próximo ano, ainda assim a tarefa de manter-se na categoria continuará complicada: a McLaren e a Mercedes estão fechadas com suas duplas de pilotos, que deverão continuar as mesmas em 2014; na Red Bull, se Mark Webber dizer adeus à F-1, o mais lógico é o time promover um de seus pilotos da Toro Rosso; a Lótus parece satisfeita com sua dupla, sabe-se lá até quando, e mesmo assim, é um nome de menor força na categoria, se comparada com Ferrari, McLaren, Red Bull, e Mercedes (ainda que no momento a Mercedes não esteja assim tão forte). Continuar em Maranello significará continuar em segundo plano na escuderia vermelha. Pode ser bom para o bolso do piloto, mas e suas ambições pessoais? Ainda mais depois de Luca de Montezemolo declarar abertamente que “não há lugar para dois galos na escuderia”. Que isso lembre Felipe quão firmes são as restrições à sua expectativa de se tornar a estrela do time novamente. E Fernando Alonso, ao declarar tão firmemente que Massa era o melhor nome para a Ferrari, deixa claro que essa preferência é porque sabe que pode dar conta do brasileiro sem maiores percalços...
            Há de se admirar a lealdade de Massa ao time italiano: desde que estreou na F-1, há 10 anos atrás, sua carreira sempre esteve ligada a Maranello: foi emprestado à Sauber, onde realizou sua primeira temporada, sendo dispensado por Peter Sauber ao fim do ano. Passou a temporada seguinte como piloto de testes do time italiano, antes de voltar à mesma Sauber em 2004, onde permaneceu mais duas temporadas, vindo a se tornar piloto “oficial” da Ferrari em 2006, com a saída de Rubens Barrichello. No seu primeiro ano no time vermelho, cumpriu seu papel como segundo de Michael Schumacher, tendo a oportunidade de ganhar duas corridas – uma delas no Brasil, onde deixou todos com esperanças de melhores dias na F-1, até porque com a aposentaria de Michael, Massa não precisaria continuar sendo “segundo” no time. Acabou surpreendido por Kimmi Raikkonem em 2007, tendo de ajudar o finlandês a ser campeão, mas na sua melhor chance, em 2008, bateu na trave, ficando com o vice-campeonato. Foi esportivo ao dizer que ele e o time ganhavam e perdiam juntos. Em 2009, a Ferrari fez um carro apenas mediano, e seu acidente na Hungria só complicou as coisas. Mesmo assim, Massa sempre fez questão de afirmar fazer parte da “família” Ferrari. Mas em 2010, a escuderia rossa trouxe Fernando Alonso, e daí em diante então...
            Que Felipe saiba aproveitar sua nova chance na Ferrari e na F-1. Se isso vai trazer alegria aos torcedores brasileiros, é outra história...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ARQUIVO PISTA & BOX – FEVEREIRO DE 1996 – 14.02.1996



            Trazendo a vocês mais uma de minhas antigas colunas, esta é de 14 de fevereiro de 1996, e o assunto discutido era quem seria o favorito ao título naquele ano na Fórmula Indy (a original, não a Indy Racing League). Como de costume, o alto grau de competitividade e equilíbrio da categoria não permitiam apontar favoritos destacados. A categoria vivia um excelente momento, com muitas equipes, pilotos e várias corridas, uma pena que ela não exista mais, pois chegou a ser quase uma alternativa válida para acompanhar no lugar da F-1, onde as lutas pelo título quase sempre ficava restritas a 2 pilotos. Uma boa leitura, e até breve com mais textos antigos por aqui..


QUEM É O FAVORITO?

            Estamos a apenas 2 semanas da estréia do campeonato de F-Indy de 1996, e como sempre acontece nos dias que precedem à abertura do certame, todos perguntam quem será o favorito ao título. Uma marca registrada da Indy costuma ser o equilíbrio que sempre apresenta nas disputas. Isso ficou bem claro em 95, quando a luta pelo título ficou indefinida durante muito tempo, e só nas provas finais delineou-se o confronto entre Jacques Villeneuve e Al Unser Jr.
            Semana passada tivemos o Spring Training, uma semana de testes coletivos com a presença de quase todos os pilotos e equipes, no circuito de Homestead, na Flórida. Depois de vários dias de treinos, acertos, testes e cálculos por parte das equipes, ficou ainda mais difícil apontar favoritos para o mundial. Todos os pilotos viraram em tempos muito próximos. Só para se ter uma idéia do equilíbrio, o mais rápido no cômputo geral de todos os tempos, Jimmy Vasser, da equipe Ganassi, ao volante de um Reynard/Honda, marcou o tempo de 27s743 no circuito oval. De seu tempo até o 16º colocado na classificação geral de tempos, o tricampeão Bobby Rahal, que pilotava um Reynard/Mercedes, a diferença foi de apenas 1s (28s743). E entre estes 16 pilotos encontramos vários candidatos em potencial ao título, como Paul Tracy, Christian Fittipaldi, Al Unser Jr., Gil de Ferran, Raul Boesel, etc, mas não é possível identificar favoritos isolados, pois as performances estão muito próximas.
            Há ainda outro detalhe que ajuda a aumentar a lista de favoritos: alguns pilotos, como Émerson Fittipaldi, não se preocuparam em treinar em ritmo de classificação, mas em ritmo de corrida, procurando afinar o acerto do carro para as provas. Émerson, por exemplo, marcou 28s852 ao volante de seu Penske/Mercedes, ou seja, 1s109 mais lento apenas. Já Paul Tracy, também com um Penske/Mercedes, marcou o tempo de 27s899, sendo o 2º mais rápido no balanço geral, mas ficando de se realçar o fato de o piloto canadense ter encerrado os treinos mais cedo, e já não estava mais treinando quando Vasser superou seu tempo.
            Se ao nível de pilotos não é possível identificar nenhum favorito isolado, ao nível técnico, só há alguns dados teóricos, mas que também não permitem conclusão precisa no quesito favoritismo. Nos pneus, por exemplo, a Firestone parece estar à frente da Goodyear. De fato, entre os 10 mais rápidos em Homestead, 6 usavam pneus da Firestone, e apenas 4 da Goodyear. Apesar da leve vantagem da Firestone, os dados indicam um equilíbrio próximo, impossibilitando um cálculo preciso de qual o melhor pneu, apesar dos indícios da superioridade dos Firestone.
            Já nos motores, a situação embolou: o Honda continua mostrando sua potência impressionante, sendo que André Ribeiro foi o mais rápido na reta, alcançando 337 Km/h. Para desafiar a força dos V-8 japoneses, a Ford preparou uma versão mais evoluída de seu motor XD. De fato, o novo propulsor apresentou um déficit de apenas 5 Km/h em reta para o Honda, enquanto a versão antiga do XD ficou distante 12 Km/h do mesmo motor Honda. Com relação ao motor Mercedes, os dados ficaram mais incógnitos, mas as declarações de Émerson Fittipaldi garante que o motor alemão ganhou muito mais potência em relação ao motor de 95 e conseguiu diminuir bastante a performance que o separa dos Ford e Honda. Conclusão: todos parecem estar bem equilibrados. A única dúvida é o novo motor Toyota. Jeff Krosnoff foi o mais veloz com este motor, ficando com o 20º lugar geral, enquanto Juan Manuel Fangio II, utilizando o mesmo propulsor, ficou em penúltimo lugar, superando apenas o japonês Hiro Matsushita. A julgar pelos resultados, a Toyota ainda precisa melhorar muito seu motor.
            No campo dos chassis, a dúvida permanece. A Penske parece ter novamente um carro competitivo, e Paul Tracy chegou até a assustar a concorrência com seu desempenho em Homestead, tanto no circuito oval quanto no misto, quando andou sempre na frente. Raul Boesel, por sua vez, garante que o chassi Reynard tem tudo para andar no mesmo nível pois, no seu caso, ainda não explorou toda a potencialidade do carro. A Lola também mostrou força e competitividade, conseguindo bons tempos e ficando entre os mais rápidos. A dúvida continua em relação ao chassi Eagle, que faz sua estréia equipando a All American Racing. Fangio II ficou em penúltimo lugar, mas o problema parece ser também do novo motor Toyota. Jeff Krosnoff, que utilizou um carro Reynard/Toyota, foi cerca de 0s9 mais rápido que Fangio II ao volante do Eagle/Toyota. Parece que o carro, como o motor, precisa de mais desenvolvimento...
            Finalizando, a F-Indy parece manter sua competitividade. Não há favoritos isolados, e a disputa pelo título promete ser bem forte. E a maioria dos pilotos brasileiros estão no meio desta briga em potencial. É só esperar a largada e vamos ver no que vai dar...


A Indy Racing League (IRL) lança mais um novo pacote de regras para as 500 Milhas de Indianápolis: em 97, os carros deverão utilizar motores V-8 atmosféricos de 4 litros, derivados de carros esportivos de série. A medida visa abaixar os custos e favorecer o acesso a novos competidores. As más línguas dizem que é para dificultar uma possível participação de pilotos da F-Indy, já que seus carros usam motores turbo de 2,65 litros.


O Brasil aumenta o seu esquadrão de pilotos na F-Indy: Marco Greco acertou contrato para toda a temporada com a equipe Scandia, e Roberto Moreno vai pilotar para a Payton/Coyne Racing. Junto com André Ribeiro, Émerson e Christian Fittipaldi, Gil de Ferran, Maurício Gugelmim e Raul Boesel, teremos 8 pilotos brasileiros na categoria em 96.


Na F-1, as equipes correm para desenvolver seus novos carros. No último sábado, a Sauber apresentou seu novo modelo C14; no domingo, foi a vez da McLaren exibir seu novo MP4/11; na segunda, a Williams apresentou seu novo chassi FW18; na terça, a Arrows mostrou seu novo FA17. A Ferrari está para apresentar seu novo carro, assim como a Minardi. Já a Forti Corse só vai estrear o novo carro mesmo em abril, e vai disputar as primeiras etapas com o carro de 95 adaptado.


Rubens Barrichello não vai poder curtir o carnaval brasileiro: a Jordan está no autódromo do Estoril desde quarta-feira para fazer testes intensivos com seu novo modelo EJ196 até o dia 23, e com seus dois pilotos, Barrichello e Martin Brundle. O objetivo é comparar o desempenho com as demais equipes. Benetton, McLaren e Williams também estarão presentes no circuito português para testes com seus novos carros.
 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

EMBOLOU



            Se Fernando Alonso vinha esbanjando, além de competência, muita sorte neste campeonato de 2012 da Fórmula 1, o Grande Prêmio do Japão, disputado domingo passado em Suzuka, foi um tremendo balde de água fria no piloto espanhol. Seu abandono logo na largada, em conseqüência de um toque involuntário que recebeu de Kimmi Raikkonem após fechar o finlandês na tomada na primeira curva, pode ter sido fatal para suas pretensões do título da temporada. Com a vitória, Sebastian Vettel praticamente encostou em Alonso na classificação, estando apenas 4 pontos atrás do piloto da Ferrari, o que é, a esta altura do certame, praticamente nada.
            Claro que nem tudo está perdido, e ainda temos 5 corridas pela frente onde tudo ainda pode acontecer: serão 125 pontos em jogo. Mas o momento da Ferrari não é tão bom quanto eles gostariam. O carro é fiável, praticamente não quebra. Mas em termos de performance, precisa contar com problemas dos adversários para ficar à sua frente nas corridas. E, neste momento, McLaren e Red Bull estão com melhor desempenho. A sorte de Alonso é que, na McLaren, seu principal adversário, Lewis Hamilton, está desgastado em sua relação com o time, e isso já está se fazendo sentir na pista: Lewis não se encontrou no acerto do carro em Suzuka, e teve uma prova relativamente apática, chegando atrás de Jenson Button, que embora ainda tenha chances matemáticas de título, pode ser descartado na disputa no atual momento.
            Na Red Bull, o mesmo vale para Mark Webber, que pode ser considerado fora do páreo, em que pesem as palavras em contrário do australiano, que ainda se considera na briga pelo título. Mas o perigo é mesmo Vettel, que venceu as duas últimas corridas, e pode iniciar uma arrancada rumo ao tricampeonato. E, apesar de Felipe Massa ter feito uma corrida combativa e firme em Suzuka, em nenhum momento ele se mostrou uma ameaça a Vettel. Alonso poderia ter feito mais? Talvez sim, talvez não. Mas, para que os planos do espanhol continuem firmes, ele não vai poder contar apenas com o desempenho alheio, como tem feito na maioria das corridas deste ano, aproveitando-se das oportunidades enquanto a concorrência se enrola em problemas diversos; ele precisa que a Ferrari melhore seu ritmo para que ele se garanta por si só.
            O problema é que o time italiano não está parado, mas as evoluções experimentadas no carro nos últimos GPs não têm tido o desempenho esperado, e o carro não parece ter melhorado porque McLaren e Red Bull conseguiram avanços mais significativos. Em compensação, Alonso pode descartar a Lótus como ameaça potencial, uma vez que o time, como tem sido costume nos últimos anos, perdeu parte do rendimento nesta altura do campeonato. Raikkonem vem mantendo uma grande constância o ano todo, e isso lhe garante a 3ª colocação na tabela, mas não tem como ir mais além sem contar com o azar dos adversários.
            Hoje, nos primeiros treinos livres em Yeongam, poderemos ver como está a situação da Ferrari. Red Bull e McLaren ainda são, teoricamente, os carros mais fortes na pista. Resta saber se confirmarão isso. Alonso torce para que a falta de sorte que o atingiu em Suzuka passe para os adversários, a fim de aumentar suas chances. Pode acontecer, como pode não acontecer. O problema todo é que o asturiano contava com a vantagem de pontos que detinha até o Japão, para ir tentando administrar o máximo possível, enquanto contava com o duelo renhido dos adversários entre si para ganhar mais tempo. Tudo foi por água abaixo na largada de Suzuka, e agora o duelo vai ser praticamente homem-a-homem com Sebastian Vettel. E, com uma Red Bull bem mais forte, Alonso vai ter de jogar como franco atirador, a menos que o time vermelho consiga devolver ao F2012 a performance exibida em corridas como Silverstone, Hockenhein, e Monza, onde Alonso esteve sempre entre os mais rápidos.
            Alonso conta também com Hamilton na briga, mas pelo fator oposto: torce para que o inglês entre em confronto direto com Vettel, para que ele, Alonso, fature indiretamente com a briga. E, para corresponder aos anseios do asturiano, Hamilton quer partir para a briga do tudo ou nada: está decidido a sair da McLaren como bicampeão, e o time inglês, por sua vez, quer o título mais do que nunca, que não vence desde 2008. Mas a tarefa de Hamilton ficou complicada: ele precisaria vencer duas corridas para estar pau a pau com Vettel e Alonso. Uma nova vitória, e nada abaixo disso, é imprescindível para se manter na briga, como desejaria Alonso, desde que isso signifique impedir um resultado melhor do piloto da Red Bull.
            Só que Alonso não pode mais se dar ao luxo de sofrer nenhum revés: outra prova sem marcar pontos pode ser fatal e acabar de vez com as esperanças de título. E ele também não pode garantir que não haja “intrometidos” na briga na pista. Tirando Felipe Massa, que tem ordens expressas do time para literalmente sair da frente se o espanhol surgir no seu retrovisor, ninguém garante que outros pilotos de outros times possam surpreender e arruinar possíveis estratégias da Ferrari na corrida. A Lótus trouxe modificações no carro para Yeongam, visando tentar recuperar a performance que exibia no início do ano, e a Sauber, que mostrou excelente desempenho nas últimas corridas em autódromos, pode também jogar areia nos planos de Alonso & Cia.
            Claro que o espanhol não deixa transparecer tanto o seu nervosismo: classificou este final do campeonato de “mini-campeonato de 5 provas”, e joga pressão nos adversários, dizendo que eles não tem garantias de não enfrentarem novos problemas, seja na pista, seja na confiabilidade dos carros, dando uma alfinetada principalmente na McLaren, cujo carro deixou Hamilton a pé em Cingapura quando Lewis liderava com folga a corrida, e fez Button ficar pelo meio do caminho em Monza. Só que Alonso mostra que a tensão aumentou: o asturiano não deixou de acusar Kimmi Raikkonem pelo seu abandono em Suzuka, quando ficou nítido que o finlandês fez um toque involuntário, pois acabou fechado pela Ferrari, sem ter para onde ir. Raikkonem até chegou a por as rodas fora da pista, mas não conseguiu evitar o toque. O clima já foi mais “caliente” logo após o fim da prova nipônica, quando Fernando acusou o time de não desenvolver o carro há várias corridas, enquanto hoje, o discurso já é outro, praticamente.
            A rigor, a encrenca de Alonso é com Vettel. E, se ele poderia tirar certa vantagem de Hamilton não mostrar a cabeça no lugar em algumas ocasiões, Sebastian já tem um pouco mais de autocontrole, e isso é apenas uma desvantagem a mais para o espanhol. O duelo final já começou, e vejamos quem deixará a Ásia na frente do campeonato. A emoção continua garantida até a etapa final, em Interlagos, podem apostar...


Que as corridas da Nascar costumam ter acidentes devido ao fato de seus pilotos andarem muito juntos nas velozes pistas ovais, não é novidade. Mas domingo passado, em Talladega, o maior oval da categoria, eles exageram: nada menos do que 25 carros bateram, vejam só, na última volta da corrida. Ninguém ficou ferido, felizmente. Os carros estavam tão juntos uns dos outros que o impacto de cada um no outro não foi dos mais fortes, o que não quer dizer que mecânicos e chefes de equipe não tenham arrancado os cabelos pelo estrago da carambola que os seus pilotos deram. Poucos competidores escaparam ilesos do rolo, sendo que a vitória ficou com Matt Kenseth. Jeff Gordon foi o segundo colocado, enquanto Kyle Busch, David Ragan e Greg Biffle completaram as cinco primeiras colocações. As equipes tiveram trabalho extra durante a semana para recuperar os carros batidos, pois hoje já entram novamente na pista, no circuito oval de Charlotte, para mais uma etapa da Sprint Cup. Com certeza, os funileiros e sucateiros de plantão devem ter feito a festa nos últimos dias...

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ARQUIVO PISTA & BOX – FEVEREIRO DE 1996 – 08.02.1996



            De volta com a seção Arquivo, trago a segunda coluna que escrevi em fevereiro de 1996, onde o assunto era a estréia dos novos modelos 96 para o campeonato de Fórmula 1 daquele ano, depois de efetuarem a maior parte dos testes da pré-temporada com carros adaptados do ano anterior. Fiquem agora com o texto, e boa leitura...


HORA DA VERDADE NA F-1

            A poucas semanas do início do Mundial de F-1, chega a hora das escuderias começarem a mostrar serviço. É hora de estrear os novos carros, acertar os pilotos, programar os testes de desenvolvimento, entre outras coisas mais.
            Nesta semana, a Benetton foi a primeira escuderia de ponta a apresentar o seu novo modelo 96, o B196. A apresentação foi feita na cidade de Taormina, na Sicília. E já começaram os testes de desenvolvimento da nova máquina no circuito do Estoril. Semana que vem, será a vez de Ferrari, McLaren e Williams apresentarem seus novos modelos. A Arrows adiou o lançamento de seu novo modelo, o chassi FA17, para o próximo dia 13. Enquanto isso, as equipes que já terminaram seus modelos 96, como Jordan e Ligier, seguem em frente com seus testes, visando já o desenvolvimento dos carros para o mundial que começa no dia 10 de março na Austrália.
            Com o pouco tempo disponível até lá, quem não terminou ainda a construção de seu novo carro terá pouco tempo para desenvolvê-lo. Mas tão logo todas as escuderias coloquem na pista os seus novos carros é que teremos uma comparação melhor dos desempenhos das equipes para o mundial de 96. Até agora, tudo o que tivemos foram indícios incertos, já que os testes estavam sendo feitos com os modelos 95 adaptados.
            É hora também de trabalhar pra valer. O tempo urge, e as escuderias não podem mais perder um segundo sequer. Em virtude disso, a Benetton já começou a testar o seu novo modelo no dia seguinte à sua apresentação. O teste, entretanto, não foi muito positivo, pois o tempo chuvoso no autódromo do Estoril, em Portugal, prejudicou a escuderia, que não conseguiu analisar a fundo o seu novo carro.
            Jordan e Ligier, que também enfrentaram mau tempo nos seus primeiros testes, começam a colher os frutos de seu esforço em ter estreado antes seus novos carros. Rubens Barrichello fez bons tempos em Paul Ricard, girando menos de 0s2 mais lento que a Ferrari de Michael Schumacher. Levando-se em conta que os carros de 96 devem ter cerca de 8% a menos de apoio aerodinâmico, o resultado pode ser considerado excelente. O motor Peugeot ganhou bastante potência e agora o objetivo é desenvolver a fiabilidade necessária para as corridas da temporada.
            Na Ligier, os pilotos Olivier Panis e Pedro Paulo Diniz também começam a apresentar bons resultados com o novo chassi JS43. Diferente do carro de 95, o modelo 96 foi concebido sob medida para o motor Mugen Honda, que foi muito mais desenvolvido para este ano. Segundo Diniz e Panis, o motor ganhou mais suavidade e elasticidade, melhorando a dirigibilidade do carro. E Diniz mostra a sua confiança em obter bons resultados já nos testes, quando foi apenas 0s2 mais lento que Panis, que já está há 3 anos na escuderia. O brasileiro tem planos de disputar alguns pódios na temporada, e mostra que fala sério.
            Das equipes, a mais atrasada até o momento é a Forti Corse, que já anunciou que só vai poder estrear o novo carro em abril. A equipe ainda não acertou seus pilotos para a temporada deste ano, e o projeto do novo carro ainda não ficou totalmente pronto.
            Se tudo correr bem, até o fim da semana que vem todas as demais escuderias estréiam seus novos carros, que em seguida irão direto para a pista testar. Aí sim é que será a hora da verdade e talvez possamos ter uma noção mais exata do desempenho de cada equipe para o mundial que se aproxima...

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Mika Hakkinem está de volta à F-1: o piloto finlandês, que se acidentou forte há quase 3 meses nos treinos para o GP da Austrália, em Adelaide, pilotou o carro da McLaren em Paul Ricard, durante 8 voltas, marcando 1min08s8 na sua melhor volta. E já disse que estará presente na apresentação do novo McLaren MP4/11 semana que vem em Londres.

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Taki Inoue fechou contrato com a Minardi para fazer companhia a Pedro Lamy na temporada 96 da F-1. Com isso, fecha-se a porta para Tarso Marques, que também disputava um lugar na escuderia italiana. Tarso chegou a fazer um teste com o carro da equipe semanas atrás e surpreendeu a escuderia. Infelizmente, os ienes trazidos pelo piloto japonês falaram mais alto, e ajudarão o pequeno time italiano a fechar o orçamento para este ano.

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Esta semana todos os pilotos da F-Indy estiveram no circuito de Homestead, na Flórida, para o Spring Training, uma seção coletiva de treinos com todas as escuderias da categoria, e que serviu também de apresentação oficial do campeonato para diversos órgãos de imprensa especializada. Paul Tracy destacou-se conseguindo os melhores tempos no traçado oval, mas os pilotos brasileiros também brilharam: Raul Boesel ficou com o 2º melhor tempo no oval, seguido de André Ribeiro. Já nos testes no traçado misto, Christian Fittipaldi foi o destaque, andando sempre na frente. Émerson Fittipaldi, com o novo Penske/Mercedes, também conseguiu bons tempos. A temporada começa no dia 3 de março, neste mesmo circuito.
 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O TROCA-TROCA DA TEMPORADA



            Semana passada foi o momento das “bombas” da temporada da Fórmula 1. Numa tacada só, Lewis Hamilton e Sérgio Perez fizeram o maior troca-troca que se poderia esperar da temporada da categoria, e isso desde já está alimentando especulações e rumores do que poderemos esperar na próxima temporada. E o campeonato de 2012 ainda tem muita água para rolar, então...
            Não se fala em outra coisa no paddock de Suzuka, onde hoje foram disputados os treinos livres da sexta-feira, que pelo horário do Brasil foram na madrugada. E teve o anúncio que todos também esperavam, que era um dos assuntos em aberto e agora ganhou uma confirmação definitiva: Michael Schumacher se aposenta de vez ao fim da temporada. Se isso já dá o que falar, imaginem então como ficam as conversas sobre a mudança do campeão de 2008 para o time alemão, e a ida do mexicano voador para Woking na próxima temporada. É muita conversa nos boxes e fora deles.
            Lewis Hamilton toma um passo ousado na carreira ao acertar com a Mercedes. Mas vai ser duro convencer alguém que não foi pelo dinheiro a maior motivação de trocar o que eles consideram “certo” pelo que até então não passou de “duvidoso”. Os cerca de US$ 100 millhões que Hamilton receberá pelos 3 anos de contrato com a turma de Norbert Haug & Cia. são um valor muito acima do que a McLaren estava aceitando pagar na renovação do contrato de Lewis. Não que Hamilton não tenha o direito de querer receber mais, mas pelo menos fosse mais honesto e dissesse, na cara de pau, que preferiu ir ganhar mais na Mercedes a permanecer na McLaren. Nélson Piquet fez isso, ao admitir que o contrato que assinou com a Lótus para 1988 era muito mais compensador financeiramente do que o oferecido pela McLaren. Simples assim. Claro que Piquet errou feio: a Lótus se arrastou pelos dois anos em que ele esteve por lá, enquanto a McLaren voava nas pistas, deixando os adversários a ver navios em cada GP, mas a escolha errada havia sido tomada, então...
            A Mercedes, desde que voltou oficialmente como escuderia ‘a F-1, em 2010, até agora não mostrou exatamente a que veio. Tirando a vitória e pole de Nico Rosberg este ano na China, o time da estrela de três pontas até agora tem sido coadjuvante no campeonato, vendo seus melhores resultados virem de seu ex-time associado, a McLaren. Se em 2010 as dificuldades eram plenamente aceitáveis pela transição do time que era a Brawn para se tornar o time oficial da Mercedes, os resultados do ano passado, e os deste ano, deixam o time em situação ainda mais complicada para se explicar a falta de resultados de maior monta. Calculava-se que Michael Schumacher seria capaz de produzir, ainda que em parte, a evolução da Mercedes para um time realmente de ponta, afinal, tinha feito isso na Ferrari. Mas o que se viu foi o contrário: além de ficar aquém dos resultados obtidos por Nico Rosberg, a quem inicialmente se achava seria o segundo piloto do time, a Mercedes não conseguiu sair do lugar em relação à concorrência, muito pelo contrário: a posição do time veio caindo, e neste momento, a Mercedes está até na alça de mira da Sauber, que com alguma sorte, pode até superar o time alemão.
            Com a presença de Hamilton no time em 2013, é de se esperar melhores resultados: Lewis é muito rápido, e com certeza, vai apresentar resultados melhores do que Schumacher, se não se envolver em confusões. Mas nada garante que a Mercedes vai ter um carro mais competitivo em 2013. Mas isso também não significa que não possa produzir um carro vencedor, e quem sabe, até campeão. A Mercedes está investindo em melhorias na área técnica, e isso tem de apresentar resultados. Mas só saberemos isso na prática no ano que vem, quando os novos carros estarão na pista. Hamilton se acostumou a ter tudo na McLaren desde que estreou na F-1. “Apadrinhado” por Ron Dennis, Lewis sempre foi tratado pela equipe com mimos e privilégios. Na Mercedes, terá um ambiente diferente. E, pelo que vai ganhar, o time terá direito de cobrar resultados de Hamilton caso eles não apareçam. O problema é que Lewis tem um histórico de paciência meio curta quando as coisas não vão bem, e se ele andava criando cisma na McLaren, um time que sempre pelo menos apresentou carros capazes de vencer corridas desde que estreou pelo time, o que vai acontecer se a Mercedes não lhe der um carro que o permita pelo menos vencer corridas regularmente. Poderão ser 3 anos de contrato turbulentos. Isso vai depender mais de Lewis do que da Mercedes propriamente. Hamilton não é exatamente estranho para parte da cúpula da Mercedes, afinal, a fábrica alemã era parceira da McLaren, que o patrocinou desde cedo. Mas que o ambiente será diferente de Woking, isso será. E uma mudança de ares pode lhe fazer muito bem, ou pode acontecer o contrário. Só o futuro dará a resposta.
            Sérgio Perez, por outro lado, está nas nuvens: Estará na McLaren na próxima temporada, e mesmo sendo “novato” em um time de ponta, desde já pode ser considerado um candidato ao título. Se aprender rápido, pode até começar vencendo logo desde o início. Vai ter um “professor” de bom caráter a seu lado, Jenson Button, que terá a missão de capitanear o time prateado, e de garantir que o novo garoto da casa siga sem percalços para se tornar um piloto vencedor no time de Woking. E vai poder calar a boca de alguns críticos, entre eles Lucca de Montezemolo, que afirmou que o mexicano ainda era “imaturo” para guiar pela Ferrari. Mas o que todo mundo fala à boca pequena é que Perez não foi para Maranello por causa de Fernando Alonso, que não queria ter um companheiro de equipe que o incomodasse. E isso vai ser visto em 2013: ao ir para a McLaren, Perez se livrou de uma armadilha que o esperava no time italiano: se submeter à sua política cretina de um piloto, dois carros, no qual ele poderia ser o principal prejudicado. Em Woking, ele vai mostrar quem estava mesmo com a razão, se bem que, no íntimo de todos, já se sabe muito bem a resposta. Mas, mesmo assim, ainda é de se ter dúvida sobre como Perez vai se dar no time prateado: pode tanto “explodir” como piloto vencedor, como “implodir”.
            Alguns pilotos tremendamente talentosos nunca mostraram em times de ponta o que rendiam em times médios e/ou pequenos. Heinz-Harald Frentzen, que era considerado melhor do que Michael Schumacher, nunca mostrou na Williams as performances de encher os olhos que demonstrou na Sauber ou na Jordan. É um bom exemplo. Perez tem tudo para se tornar um campeão na McLaren. Dependerá apenas dele. Muitos andam propagandeando a decadência do time de Woking, pelo fato de não ser mais time oficial da Mercedes, mas a estrutura da McLaren segue firme e forte, e deve continuar assim. É uma realidade, e isso não vai mudar de uma hora para outra, em que pesem as vozes catastrofistas que pregam o contrário. A McLaren inclusive já tem tudo acertado para receber os motores turbo da Mercedes a partir de 2014, e não pelo fato de pagar pelos motores que fará o time decair. Em 1993, mesmo pagando pelos motores Ford, a McLaren foi melhor do que o time oficial da fábrica americana, a Benetton. Não há porque duvidar que não manterá sua excelência técnica.
            Quem perde nisso é Michael Schumacher, que aparentemente foi dispensado sem aviso prévio pela Mercedes. Mas a indecisão do heptacampeão levou seu time a uma definição mais precoce, pela necessidade de se planejar desde já o próximo ano. Não deixa de ser um final melancólico para a carreira do maior vencedor que a F-1 já conheceu. Falarei mais sobre Schumacher na próxima coluna, semana que vem.
            Indiretamente, quem também ganha é Fernando Alonso, uma vez que um de seus maiores rivais ficará em inferioridade técnica, aparentemente, no próximo ano. Mas, isso só será comprovado pelos carros de 2013. A Ferrari pode tanto fazer um bom carro quanto apresentar um projeto problemático, visto o histórico dos anos recentes.
            Enquanto isso, ainda temos a luta pelo título de 2012 acontecendo. Suzuka é uma pista espetacular, e pelo andar das provas este ano, nada impede que a prova japonesa apresente algumas surpresas. Alonso tenta manter sua dianteira, frente à escalada de Red Bull e McLaren, que tem se mostrado mais competitivos do que os carros vermelhos. O espanhol tem tido sorte e competência ímpar este ano. Será que continuará assim? Vamos ver o que acontece, e que ronquem os motores...


Jenson Button perde 5 posições no grid de Suzuka: precisou trocar o câmbio de seu carro. Isso vai tornar a corrida do campeão de 2009 mais complicada. Mas Button não vai deixar isso comprometer sua performance...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

FLYING LAPS – SETEMBRO DE 2012



            Setembro já ficou para trás, então, chegou o momento de mais um pequeno apanho com meus comentários sobre alguns acontecimentos no mundo da velocidade, em mais uma sessão Flying Laps. Uma boa leitura, pessoal, e até a sessão do mês que vem...



O piloto inglês Mike Conway terminou seu ano no campeonato da Indy Racing League de forma curiosa: em sua última corrida pelo campeonato, em Baltimore (não correu em Fontana, encerramento da temporada, onde foi substituído pelo neo-zelandês Wade Cunningham na equipe Foyt). Conway terminou a corrida após uma batida em uma das curvas do circuito urbano montado no centro de Baltimore, acertando a proteção de pneus no local. A cena curiosa é o nome da rua onde ele bateu: Conway Street... Resumindo: Mike Conway bateu numa rua com seu nome...


Alessandro Zanardi, que foi bicampeão da F-Indy em 1997 e 1998, participou das Paralimpíadas em Londres no mês passado, e fez bonito: conquistou 3 medalhas, sendo duas delas de ouro e a outra de prata. O italiano, que perdeu as duas pernas após um pavoroso acidente na F-Indy em 2001, competiu na prova de Ciclismo Trial, obtendo sua primeira medalha de ouro, em uma disputa realizada em um local que teve até tudo a ver com sua carreira no automobilismo: a pista de Brands Hatch. Nesta primeira prova, Alessandro completou os 16 quilômetros da competição no tempo de 24min50s22, terminando cerca de 27s18 à frente do alemão Norbert Mosandl, que acabou na 2ª posição, e ficou com a prata. A medalha de bronze foi para Oscar Sanches, dos Estados Unidos. Nesta primeira prova, a disputa era contra o relógio. Na competição seguinte, na modalide ciclismo de estrada, o italiano voltou a surpreender, conquistando novamente o ouro, após percorrer os 64 Km de percurso da disputa, realizada também em Brands Hatch, no tempo de 2h00min32s após uma disputa bem ferrenha: ele terminou com apenas um segundo de vantagem para o segundo colocado, o sul-africano Ernst van Dyk, que ficou com a prata. Na prova final, representando a Itália na prova de ciclismo em estrada por equipes mistas, Zanardi conquistou a medalha de prata, competindo junto com os atletas Vittorio Podesta, e Francesca Fenocchio. O time italiano perdeu a disputa, feita em um percurso de 16 Km, para os Estados Unidos pela diferença de 43s. Aos 45 anos, Zanardi é um exemplo de superação e determinação, tendo dado a volta por cima depois do acidente em que perdeu as pernas, e por pouco, também a vida. O italiano voltou às competições, na categoria Turismo, correndo com carros adaptados, e até voltou a vencer. Agora, participando da equipe de ciclismo paralímpica este ano, deu mais um exemplo de como nunca deixou de ser um verdadeiro vencedor na vida e na carreira. Parabéns, Alessandro.


A Toyota conquistou nas 6 Horas de São Paulo sua primeira vitória na categoria Endurance. O modelo TS030 Hybrid simplesmente não deu chance aos poderosos Audi E-Tron e R18 e venceu com praticamente 1 minuto de vantagem a prova disputada no autódromo de Interlagos. O modelo E-Tron da Audi que venceu em Le Mans ficou mesmo em 2º lugar, pilotado pelo trio Marcel Fassler, André Lotterer e Benoit Treluyer, rendendo-se à performance superior do carro nipônico, que foi conduzido pela dupla Alexander Wurz e Nicolas Lapierre. Lucas Di Grassi, no modelo Audi R18, em parceria com Tom Kristensen e Alan McNish, ficou em 3º lugar, com uma desvantagem de aproximadamente 15s para o modelo híbrido da marca. O ponto negativo da prova foi o fraco público presente em Interlagos, com boa parte das arquibancadas vazias e com poucos expectadores, apesar da intensa divulgação promovida por Émerson Fittipaldi. A corrida está garantida para o ano que vem, e é de se esperar que o público amante da velocidade pelo menos venha prestigiar a prova, pois não é qualquer dia que as máquinas que correm em Le Mans aportam no Brasil...


O campeonato 2012 da Indy Racing League mal terminou, e o certame de 2013 já sofreu uma baixa: a corrida de Edmonton, no Canadá, está fora da competição no próximo ano. Os organizadores afirmaram que, apesar das mudanças promovidas pela organização na corrida, que incluiu uma mudança no traçado utilizado dentro do aeroporto da cidade canadense, a presença de público não correspondeu às expectativas, e com os prejuízos advindos disso, não havia como manter a corrida no calendário. Apesar disso, Randy Bernard mantém firme seu projeto de esticar o campeonato do próximo ano para pelo menos 18 ou 19 provas. Outros circuitos estão em negociações para integrar o calendário...


E Luiz Razia ficou com o vice-campeonato da GP2 deste ano. O piloto baiano já chegou à rodada dupla final com chances apenas matemáticas, depois do fim de semana desastroso no rodada dupla de Monza, na Itália, onde não conseguiu pontuar e viu Davide Valsecchi vencer uma das provas e abrir praticamente 25 pontos de vantagem na classificação. Era quase impossível descontar tamanha desvantagem, e Razia viu o campeonato decidido logo na primeira corrida de Cingapura, quando foi o 5º colocado, logo atrás do rival, que terminou na 4ª posição e garantiu o caneco da competição. Valsecchi conquista o título da GP2 no seu 5º ano de competição na categoria, um ano em que os postulantes ao título da categoria de acesso à F-1 foram de “veteranos” da GP2: Luiz Razia fez o seu 4º campeonato no certame, e só este ano entrou firme mesmo na luta pelo título, tendo obtido poucos resultados nos anos anteriores. Valsecchi, por sua vez, também só disputou o título a fundo mesmo em 2012, tendo passado, desde sua chegada à GP2, por praticamente 5 equipes diferentes desde 2008. A meta de ambos agora é subir para a F-1, mas a tarefa vai ser mais difícil do que aparenta, pois as vagas estão escassas, e pior, as exigências financeiras estão maiores do que nunca...


Faleceu no último dia 12 de setembro um dos mais dedicados profissionais que a F-1 já teve em toda a sua história. Sid Watkins, que por mais de 25 anos exerceu o cargo de médico-chefe da categoria máxima do automobilismo, morreu aos 84 anos de idade. Watkins havia deixado a função ao fim de 2004, tendo sido substituído por Gary Hartstein, que ocupa a função até hoje. Watkins foi um dos maiores defensores do aumento da segurança dos carros da F-1, em especial após o nefasto fim de semana de Ímola em 1994, quando morreram em virtude de acidentes na pista o austríaco Roland Ratzemberger e o brasileiro Ayrton Senna. Em sua gestão foram introduzidas várias melhorias nos procedimentos de socorro médico da categoria, que hoje são padronizados para todas as etapas do campeonato mundial, com altíssimos níveis de requisitos que todos os autódromos que querem sediar etapas da categoria precisam preencher. Watkins esteve nos resgates de vários pilotos que se acidentaram nas mais de duas décadas de sua função no cargo, como Gerhard Berger, Martin Donelly, Luciano Burti, entre outros vários. Depois de deixar a função de médico-chefe, passou a ser consultor e membro da FIA, sempre trabalhando em prol da melhoria das condições de segurança dos pilotos. No ano passado, resolveu se aposentar, estando com a saúde já debilitada pela idade. A F-1 prestou uma homenagem ao Doutor Sid em Cingapura, onde todo o pessoal do paddock e autoridades de Cingapura se reuniram em um momento para homenagear o profissional. Descanse em paz, Professor Sid, você cumpriu sua missão como poucos...


Jorge Lorenzo continua firme rumo ao bicampeonato. O piloto espanhol da Yamaha venceu o GP de San Marino, no circuito de Misano. O destaque da prova foi Valentino Rossi, que conquistou um belíssimo 2° lugar com a Ducati. O “Doutor” mostra que não perdeu sua velocidade, e podemos ter bons pegas para o próximo ano...
 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

PROVAS NA BERLINDA



            A Fórmula 1 já anunciou seu pré-calendário para o campeonato de 2013. A intenção é contar com 20 corridas, tal qual este ano. Mas um ponto que coloca o calendário em dúvida é o número de corridas que ainda precisam de confirmação. Das 20 provas anunciadas, nada menos do que 4 podiam não acontecer. E isso pode ser apenas o princípio...
            A novidade do novo calendário é a nova prova “Leste” dos Estados Unidos, marcada para ser disputada nas ruas de Nova Jérsei, ao lado de Nova Iorque. A prova tem data para o dia 16 de junho, uma semana após o GP do Canadá, bem ali pelas imediações, o que ajudaria a cortar custos de transporte. Mas nestes últimos dias, Bernie Ecclestone andou divulgando que os promotores da corrida não conseguiram cumprir com todos os requisitos solicitados, e a prova está oficialmente sem contrato. Pode ser verdade, ou na prática, o velho Bernie está botando pressão para que as coisas andem mais rápido. Basta lembrar que a corrida em Austin estava a perigo meses atrás, e hoje, olhando o estágio das obras do circuito no Texas, praticamente em fase final de conclusão, depois de enfrentar rolos relacionados ao financiamento da construção do novo circuito, os riscos da outra corrida americana darem zebra são menores. Austin, inclusive, já foi aprovado por Charlie Whiting, e está pronto para receber a categoria máxima do automobilismo em novembro, uma semana antes do GP do Brasil.
            A prova seguinte na berlinda é nada menos que a da Alemanha. O grupo administrador de Nurburgring faliu há poucos meses, e apesar do governo alemão ter conseguido aprovar um aporte de recursos para manter a corrida de F-1, ninguém sabe se isso será o bastante para garantir a corrida. Hockenhein já foi sondado, e os administradores do circuito dizem que, nas taxas cobradas atualmente, não dá para agüentar o tranco todos os anos. Só de dois em dois anos, e olhem lá. E ficar sem sua corrida no calendário pegaria mal para o país que tem vários pilotos no grid, uma escuderia e, estatisticamente, ser onde mais se investe na categoria atualmente. Mas as chances de a Alemanha seguir o destino da França, que já perdeu sua prova, mesmo sendo o país que tinha um time e um grande fabricante de motores (Renault) são grandes.
            Cingapura estava a perigo, mas neste último final de semana, chegaram a um acordo, e Marina Bay está garantida no calendário por pelo menos mais 5 temporadas. Mas a renovação veio quase na “prorrogação” das negociações, e quando todo o circo da F-1 chegou a Cingapura na semana passada, já era quase consenso que estávamos para ver a prova pela última vez na cidade-Estado do sudeste asiático. Quando o pré-calendário foi divulgado, na semana passada, Cingapura estava mesmo sem confirmação.
            A Coréia do Sul também pode ficar sem sua corrida. O circuito de Yeongam até agora não conseguiu cumprir o seu papel, de fomentar o desenvolvimento da região onde foi construído, e estar longe do principal centro urbano do país (Seul) também não ajudou a incrementar o público na pista em suas duas edições disputadas até agora. Isso sem falar que os sul-coreanos começam a reclamar das altas taxas para sediar a prova. Aliás, o valor das taxas também complica as coisas na Austrália. Os organizadores querem pagar menos, e já se queixaram também da mudança no horário da corrida, promovida por Ecclestone para ficar mais acessível na transmissão de TV para a Europa. Bernie, contudo, quer mais, como tornar a corrida noturna, o que é rechaçado pelos organizadores. A corrida australiana abre o campeonato e está garantida, mas entra ano, sai ano, e a queda de braço entra FOM e organização da prova segue com novas discussões. O clima já foi mais ameno entre ambos. E a Ministra do Turismo australiano, Louise Asher, já falou que a corrida está cara demais, e só este ano, o governo australiano gastou cerca de US$ 56 milhões com a prova. Se os valores das taxas não caírem, o que vai subir será o preço dos ingressos, para tentar compensar parte do gasto, que na opinião da ministra, está lesando os contribuintes do país.
            E falando em clima ameno, os indianos também já se deram conta de que a brincadeira de Ecclestone está sendo mais cara do que pensavam. A corrida da Índia, assim como a da Austrália, está firme no calendário do ano que vem, mas os promotores já querem discutir as taxas de manutenção da prova, e olhe que a corrida estreou no ano passado. E o calendário mostra que Valência dançou mesmo, dando lugar para a nova corrida americana.
            Ecclestone parece não estar muito preocupado com estas corridas que podem cair fora. Na sua lista de “espera”, a Rússia quer o seu GP, e conversas de bastidores dizem que o México está querendo voltar ao calendário o quanto antes. A França quer voltar, mas o governo francês já bateu o pé dizendo que não haverá verba pública para a realização da corrida. Ainda assim, há dois potenciais candidatos a novas corridas, que aparentemente não estão muito preocupados, pelo menos por agora, com a viabilidade de se alocar recursos para garantir as provas, o que indica que a FOM pode até ter facilidades se alguma das provas em dúvida pedir baixa do calendário. E nem mencionei na conta a Tailândia, que também quer realizar uma corrida noturna nos moldes do que é feito em Cingapura...
            Mas Ecclestone precisa começar a tomar cuidado. O estado da economia mundial não é mais o mesmo, e está cada vez mais raro encontrar quem queira ter uma corrida de F-1 bancando o valor pedido pela FOM. Não foi por acaso que Ecclestone bateu o pé para ter o Bahrein de volta no calendário, mesmo com o clima de agitação popular vivido pelo pequeno país no Oriente Médio. A família real barenita sempre pagou sem pestanejar todos os valores exigidos pelo chefão da F-1, assim como o pessoal dos Emirados Árabes. Portanto, no que depender de Bernie, a F-1 correrá por lá todo ano, até mais de uma vez, se eles quiserem – e continuarem pagando sem pensar duas vezes.
            Das novas provas, contudo, o índice já indica problemas: a Turquia já caiu fora; Valência se despediu este ano. Em 2013, pode ser a vez da Coréia do Sul. Cingapura escapou por pouco, mas ninguém pode garantir sua renovação depois destes próximos 5 anos. Índia e China não estão empolgados com suas corridas. As provas americanas, até prova em contrário, ainda não dão garantias: Austin estréia este ano, mas e Nova Jérsei? E, mesmo depois de estrearem, vão vingar? Os norte-americanos curtem muito mais suas categorias, como a Nascar, e a F-1 por lá, pelo menos depois de meados dos anos 1980, nunca despertaram muita paixão no publico estadunidense, mesmo aquele fanático por corridas.
            E, dentre as provas ditas “garantidas”, ainda não podemos esquecer que a Espanha enfrenta grave crise econômica. Valência pulou fora, mas isso não significa que Barcelona, sede do GP espanhol desde 1991, continue firme no calendário. Não fosse a “Alonsomania”, muito provavelmente os espanhóis já teriam dado olé à F-1, pois a manutenção da prova está pesando no bolso do público, que está fazendo protestos por várias cidades devido à crise da economia. Se Fernando Alonso não estivesse em seu melhor momento, seria simples acabar com a corrida. Até porque o circuito da Catalunha mais do que cumpriu seu objetivo: desenvolveu toda a área das imediações, que até a criação da pista, nada tinha de relevante, e hoje é uma zona desenvolvida, graças à presença do autódromo.
            Todos na F-1 concordam que é preciso diminuir os gastos. Equipes e dirigentes concordam nisso. Mas daí a partir para alguma atitude, bem, é mais complicado. Bernie Ecclestone, por sua vez, pode até admitir que seus preços são fora da realidade. Mas, enquanto alguém estiver disposto a pagar seu preço, o cartola não terá motivos para dar o braço a torcer. E, infelizmente, ainda tem gente suficiente para embarcar nessa sem pestanejar...


Michael Schumacher vai perder 10 posições no grid do GP do Japão pelo acidente que provocou em Cingapura, quando atropelou Jean-Éric Vergne, tirando ambos da corrida, mas felizmente sem ferimentos para os dois pilotos. No ano passado, Schumacher também bateu forte durante a corrida de Cingapura, quando colidiu com Sérgio Perez. Dizem que o heptacampeão deve parar de vez no fim do ano, mas ainda não há nada definido...