sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

UM BALANÇO DA F-1 2015 - PARTE II



            Fechando as colunas regulares de automobilismo deste ano, a segunda parte do balanço do que aconteceu no campeonato da Fórmula 1 de 2015 no que tange aos pilotos, complementando o texto da semana passada, mais enfocado nas escuderias. Não há como negar que Lewis Hamilton foi o piloto do ano, com nada menos do que 10 vitórias, que o catapultaram para a liderança entre os pilotos em atividade com mais triunfos na categoria máxima do automobilismo, com 43 vitórias. Lewis só não é o mais vitorioso de fato porque temos um tetracampeão mundial em atividade, Sebastian Vettel, que apesar de ter 42 triunfos, uma a menos do que o inglês, este apenas conquistou o seu tricampeonato, mas é bom que ninguém duvide que, se a Mercedes mantiver o seu grau de domínio atual, Hamilton tem tudo para aumentar o seu currículo de vitórias e títulos, podendo igualar o tetracampeonato de Vettel e ficar ainda mais adiante no número de vitórias. Hamilton foi um piloto extremamente regular este ano, tendo abandonado apenas uma corrida, e cometeu poucos erros durante toda a temporada. Se é verdade que Lewis pareceu um piloto mais centrado e menos errático, é preciso esperar para conferir se ele manterá esse mesmo comportamento frio e decidido quando enfrentar competição mais cerrada. Pelo que se viu nas corridas finais, mesmo com o título já decidido a seu favor, o inglês voltou a dar mostras de se incomodar com o fato de ter sido superado por seu companheiro de equipe. Veremos se Hamilton finalmente evoluiu caso Rosberg lhe dê trabalho de forma decisivo sistematicamente desde o início da competição em 2016 e ele consiga manter o controle de si mesmo.
            Nico Rosberg, claro, terá novamente a tarefa de impedir esse pretenso domínio de Hamilton, e o piloto alemão já deu mostras de que pode fazê-lo, mas vai precisar mostrar em tempo integral a força exibida nas corridas finais deste campeonato, onde voltou a mostrar capacidade de vencer seu companheiro de equipe, o que só logrou fazer em poucas corridas neste ano, tendo ficado à sombra de Lewis na maior parte da competição. Uma terceira derrota consecutiva para Hamilton em 2016 pode sacramentar sua trajetória no time alemão, e ficar marcado como segundo piloto, além do estigma de não conseguir ser campeão com um carro dominador como é o da Mercedes atualmente.
Kimi Raikkonem (ao centro) acabou completamente ofuscado por Sebastian Vettel na temporada 2015 dentro da escuderia Ferrari.
            Sebastian Vettel começou sua vida na Ferrari com o pé direito acelerando fundo. É bem verdade que o alemão teve sorte com a reestruturação que o time italiano passou, depois de uma temporada horrível como foi a de 2014, de modo que muitos já esperavam uma nítida melhora neste ano, mas Vettel conseguiu se enturmar rápido ao time, e conquistar a todos. E uma boa maneira de demonstrar sua performance é a comparação com Kimi Raikkonen, que se não teve um ano exatamente desastroso como o do ano passado, por outro lado também não foi o do seu renascimento no time italiano, tendo feito várias provas abaixo da capacidade que normalmente possui, além de ter tido azar em algumas corridas, acumulando 5 corridas sem pontuar, enquanto Vettel ficou fora dos pontos apenas em uma prova. Kimi ainda teve sorte de a Ferrari lhe dar mais uma chance, renovando seu contrato para 2016, ano que deverá ser o seu último na categoria, pois a grosso modo, o finlandês levou de Vettel uma surra nas mesmas proporções da que tomou de Fernando Alonso em 2014, quando tinha pelo menos a desculpa plausível de não se dar bem com o modelo do ano passado, mais desenvolvido para o gosto do piloto espanhol, o que não foi o caso do monoposto deste ano, projetado por James Allison, o mesmo engenheiro que concebeu os bons carros da Lotus por onde Kimi competiu, e bem, nas temporadas de 2012 e 2013.
            Na Williams, Felipe Massa perdeu a disputa novamente para Valtteri Bottas, mas a diferença diminuiu bastante este ano, a ponto do piloto brasileiro conseguir até se manter à frente de seu companheiro de equipe finlandês em parte do campeonato. Tanto Bottas quanto Massa conseguiram o mesmo número de pódios durante o ano, mas em algumas corridas, Felipe Massa não fez valer o potencial do seu carro, perdendo chance de pontuar com melhor performance frente a outros rivais, chance que não foi desperdiçada por Bottas. Há que se considerar ainda que o finlandês ficou de fora da etapa inicial, na Austrália, e mesmo assim terminou a competição à frente de Massa, e mesmo que o brasileiro não tivesse sido desclassificado em Interlagos por problemas na medição de temperatura de um de seus pneus, ainda assim teria ficado atrás do seu companheiro de equipe. Se levarmos em conta que Bottas é considerado um dos mais talentosos pilotos da nova geração da F-1, e que Massa já não é considerado um piloto excepcional, o resultado obtido este ano não chega a ser exatamente ruim, mas Felipe tinha meios de conseguir resultados um pouco melhores em alguns momentos, e ter igualado a disputa até com Bottas.
            Na Red Bull, a disputa entre Daniil Kvyat e Daniel Ricciardo terminou equilibrada nos pontos, com pequena vantagem para o russo, mas o piloto australiano foi vítima de maior número de quebras mecânicas durante o ano, boa parte delas relacionada com a problemática usina de potência da Renault, de modo que podemos afirmar que o australiano continuou a andar forte como sempre, conseguindo bons resultados tanto quanto seu carro lhe permitiu obter, conquistando dois pódios no ano, contra apenas um de Daniil, que teve uma cota de abandonos e problemas a serem considerados, onde parte deles se deu por culpa própria, como nos Estados Unidos, onde bateu de forma infantil quando a pista já estava bem mais estável e seca do que no início da competição. Kvyat só conseguiu melhorar seu cartel de resultados passada meia temporada, e com maior número de abandonos enfrentados por Ricciardo, conseguiu equilibrar a disputa na tabela de classificação, e terminar à sua frente. Mesmo assim, não se pode desconsiderar a evolução do piloto russo, que se no início da temporada deu dúvidas à escuderia se sua promoção havia sido prematura, terminou o ano mostrando que conseguiu mostrar-se merecedor de passar ao time principal.
            Na Force India, sua dupla de pilotos viveu altos e baixos durante a temporada, assim como o time, e foi Sérgio Pérez a conseguir os melhores resultados da escuderia durante o ano, tendo inclusive conquistado um pódio para o time, resultado que Nico Hulkenberg infelizmente continua a não ter em seu currículo na categoria. O piloto alemão, no início do ano, pareceu ter ficado na sobra do parceiro mexicano, acumulando abandonos e mais abandonos. Sua vitória em Le Mans, competindo pela Porsche, conferiu-lhe um momento de estrelato na categoria, e sua recuperada autoconfiança lhe proporcionou os melhores resultados do ano a meio da temporada, quando parecia suplantar Sérgio com facilidade. Mas, conforme a temporada chegava ao seu final, os resultados foram escasseando, ao passo que Pérez conseguiu retomar suas melhores performances, fechando o campeonato com uma diferença relativamente folgada sobre Hulkenberg (20 pontos), no que pode ser considerada o seu melhor campeonato na categoria até hoje, exibindo uma maturidade que lhe faltou em sua conturbada passagem pela McLaren há dois anos. Se a Force India lhe entregar um carro mais competitivo em 2016, veremos o que ele conseguirá produzir.
Sérgio Pérez (à frente) disputou sua melhor temporada na F-1, deixando o companheiro Nico Hulkenberg atrás na tabela de pontuação do campeonato.
            Na Lotus, não há muito o que dizer: Romain Grosjean deixou Pastor Maldonado a ver navios, conquistando quase o dobro de pontos do piloto venezuelano, e embora Pastor tenha mostrado sua habitual velocidade, infelizmente voltou a mostrar também sua propensão para acidentes e encrencas, e se nem toda a culpa por estes entreveros possa lhe ser atribuída, é bem verdade que em alguns momentos Maldonado esteve no lugar errado no momento errado, e um pouco mais de cuidado teria sido bem vindo. Com o time em crise financeira, o polpudo patrocínio da PDVSA tornou-se a maior segurança do piloto venezuelano de manter seu posto na categoria, onde deverá permanecer na renascente Renault em 2016, garantindo boa parte do orçamento da escuderia. Quanto a Grosjean, o piloto franco-suíço conseguiu suplantar parte das dificuldades e pontuar com boa regularidade tanto quanto lhe foi permitido, sendo o pódio conquistado pelo 3° lugar em Spa-Francorchamps o ponto alto de sua época em 2015, enquanto seu companheiro nunca foi além da 7ª colocação em 3 oportunidades. A Renault certamente sentirá saudades dele; não sei se poderão dizer o mesmo do venezuelano quando este deixar o time...
            Na Toro Rosso, a nova dupla de pilotos mostrou a que veio, em especial com o jovem Max Verstappen, que impressionou pela velocidade mostrada na pista, e seu ímpeto determinado e arrojado, às vezes até demais, que o levou a um forte acidente em Mônaco, mas que depois de um pouco mais de experiência, conseguiu dosar mais o pé direito no acelerador, deixando de se envolver em confusões, sem perder a velocidade, e mostrando muita personalidade para se tornar um dos grandes nomes da categoria no futuro próximo, se não se perder pelo meio do caminho, como aconteceu com seu pai, Jos Verstappen, há 20 anos atrás. O jovem holandês foi a sensação da temporada, e não fosse a Toro Rosso vítima dos percalços de performance da unidade de força da Renault, certamente teria terminado o ano até em melhor posição, superando Romain Grosjean e Nico Hulkemberg na classificação do campeonato. Com 49 pontos anotados em sua primeira temporada, Max deixou seu companheiro Carlos Sainz Jr. no escanteio do time, onde marcou apenas 18 pontos, menos da metade do jovem Verstappen. O jovem espanhol, contudo, sofreu mais azares mecânicos do que seu parceiro holandês, mas mesmo assim não teria muitas chances de terminar à frente dele. O arrojo e determinação do jovem Max eclipsaram completamente o filho do mito dos ralis Carlos Sainz, que se quiser se destacar em 2016, terá de dar muito duro para bater a sensação holandesa, que já está sendo cobiçado por outros times pelo que demonstrou nesta temporada. Na melhor das hipóteses da Red Bull, Verstappen poderá ser promovido ao time principal em 2017, o que significa que tanto Daniel Ricciardo quanto Daniil Kvyat poderão ficar com suas posições em risco se não justificarem seu salário em 2016. Alguém vai dançar nesta história, só não se sabe ainda quem será.
Max Verstappen surpreendeu pelo arrojo e determinação em sua temporada inicial na F-1.
            Na Sauber, o brasileiro Felipe Nasr fez uma temporada honesta e sólida dentro de suas possibilidades, alcançando bons resultados sempre que as circunstâncias negativas se abatiam sobre os concorrentes. O brasileiro, contudo, teve vários percalços durante todo o ano com problemas de freios que aparentemente se manifestaram apenas em seu carro, e o deixaram em posição menos confiante para conseguir resultados em algumas etapas, onde seu companheiro Marcus Ericsson mostrou grande evolução e desempenho, colocando a posição de Nasr em xeque durante meio do ano, ao conseguir pontuar com um pouco mais de regularidade do que o brasileiro. Mas Felipe Nasr conseguiu terminar a temporada melhor cotado que seu companheiro de equipe, marcou o triplo de pontos do sueco, cometeu poucos erros durante o campeonato, detalhe sempre visto com atenção pelos chefes de equipe e, se o carro da Sauber permitir, quem sabe brigue por melhores posições em 2016, que lhe sirvam de boas referências para buscar lugares mais competitivos em 2017. Mas Ericsson, visto apenas como um piloto mais pagante do que talentoso, mostrou em algumas provas         que possui também qualidades de piloto eficiente e combativo, e poderá engrossar a disputa com seu parceiro brasileiro, dependendo das possibilidades e circunstâncias no próximo ano.
            Na McLaren, Jenson Button conseguiu terminar o ano à frente de Fernando Alonso na classificação, mas o desempenho dos carros de Woking foi tão falho e inconstante que não dá para dizer abertamente que o espanhol foi menos eficiente que seu companheiro de time inglês. Alonso, é verdade, teve alguns chiliques durante o ano, com algumas críticas mais do que justificáveis ao desempenho deficiente do conjunto McLaren/Honda, que surpreendeu negativamente até o pior dos pessimistas, mas levando-se em consideração seu histórico de queixas, o espanhol até que ficou bem quieto durante todo o ano. Tanto Button quanto Alonso viram seus esforços em algumas provas ruírem completamente frente à falta de fiabilidade e performance do carro que conduziram, e Button, mesmo esforçando-se ao máximo no aproveitamento de circunstâncias adversas, não conseguiu capitalizar tudo o que se esperava. Alonso, aliás, ainda perdeu a prova inicial do campeonato, recuperando-se de um estranho e forte acidente na pré-temporada que até hoje está meio mal explicado, e vinha para marcar pontos importantes nos Estados Unidos quando seu carro mais uma vez o deixou na mão. A rigor pode-se dizer que ambos os pilotos da McLaren tiveram um ano perdido em 2015, e a esperança é de que a temporada de 2016 possa oferecer a  ambos a oportunidade de redenção e colocá-los de volta em evidência de forma positiva, e não de chacota e pena a que foram forçados a se submeter neste ano. Uma dupla de campeões mundiais merece melhor sorte.
Num ano de mais baixos de que há memória, Jenson Button conseguiu mais pontos do que Fernando Alonso, mas ambos tiveram um ano para esquecer completamente, esperando por melhores ares em 2016.
            Na Manor, o carro foi pouco competitivo o ano inteiro, de modo que seus pilotos praticamente terminavam sempre em último e penúltimo, raramente conseguindo passar para posições melhores sem que os outros competidores apresentassem problemas de monta. Will Stevens chegou na frente de seus companheiros de equipe na maioria das vezes, tendo essa posição sido revezada com Roberto Mehri e Alexander Rossi, sendo que este último conseguiu ficar mais à frente de Stevens do que Mehri. Mas não dá para avaliar de forma precisa porque o carro da escuderia não oferecia muito que os pilotos pudessem aproveitar, o que incluía confiabilidade, tendo abandonado várias etapas por problemas mecânicos também. Infelizmente, como o time continua precisando de dinheiro, agora mais do que nunca, suas vagas deverão continuar sendo ocupadas por pilotos que tragam dinheiro, quanto mais melhor, e se tiverem talento, isso é bem-vindo. Vejamos quem se mantém ou chega por lá em 2016.
            E assim, chegamos ao final de 2015. O ano teve alguns momentos positivos na F-1, mas foram poucos, frente ao domínio por vezes sonolento de Lewis Hamilton e da equipe Mercedes. Esperemos que 2016 nos mostre um panorama mais animador, e mais competitivo e emocionante. Nos vemos na próxima temporada. Até lá...


A Formula-E chegou a Punta Del Este, no Uruguai, para sua terceira etapa do campeonato 2015/2016, com boas e más notícias. A má notícia é que a equipe de Jarno Trulli, afogada em problemas técnicos e financeiros, pediu arrego e está fora do campeonato da categoria, após perder as etapas de Pequim e Putrajaya. Na primeira, a escuderia do ex-piloto italiano de F-1 se enrolou com problemas de transporte e alfândega chinesas, enquanto na Malásia o time não conseguiu passar pela vistoria técnica regular. Com isso, o campeonato fica com apenas 9 times e 18 pilotos, uma baixa indesejável na competição, ainda mais pelo fato de a F-E estar atraindo interesses de outros grupos e cidades dispostas a sediar etapas da categoria. E a boa notícia é justamente a entrada de mais um grupo na competição: A Jaguar, que competiu na F-1 como equipe oficial de fábrica da Ford no início da década passada, sem conseguir bons resultados, anunciou seu ingresso na categoria dos carros de competição elétricos para a terceira temporada do certame, com previsão de início para outubro do ano que vem. Mais do que recuperar o número de 20 carros regulares no grid, será mais uma montadora a ingressar na competição, que já tem nomes de peso como Renault, Citroen, e Audi. A nova equipe estreará com status de construtora, e terá parceria técnica da Williams, que produz as baterias elétricas dos carros da F-E. A Jaguar anunciou que tem projetos de desenvolvimento de carros elétricos de linha, e seu ingresso na F-E dará impulso ao desenvolvimento deste projeto, visto hoje como o futuro da indústria automobilística, que busca caminhos mais ecológicos e sustentáveis para o futuro.


Lucas Di Grassi defende a liderança do campeonato da F-E em Punta del Este, após sua vitória na etapa de Putrajaya, mas o brasileiro sabe que os carros da equipe e.dams ainda são os favoritos para a classificação e corrida, em razão do excelente desempenho exibido nas etapas iniciais. Lucas joga com a confiabilidade da equipe Audi ABT, e uma boa estratégia de corrida para conseguir equilibrar a disputa, além de tentar ficar longe de eventuais problemas e confusões que possam surgir durante a etapa do Uruguai, assim como fez na Malásia. A prova em Punta Del Este será às 16:30 Horas deste sábado, com transmissão ao vivo pelo canal pago Fox Sports 2. O circuito da cidade uruguaia tem 2,785 Km de extensão, com 20 curvas, e a corrida será disputada em 33 voltas, 2 a mais em relação à etapa do ano passado, que contou com 31 voltas. Além do gerenciamento de energia das baterias, mais potentes em relação ao ano passado, com a distância aumentada em 2 voltas, os pilotos terão também que tomar cuidado com a areia da praia rente à pista que pode deixar o piso escorregadio. No mais, apesar do traçado relativamente curto, a pista é larga o suficiente para permitir boas chances de ultrapassagem, o que deve fomentar boas disputas entre os competidores. Mas o favoritismo da e.dams preocupa os concorrentes: foi na pista de Punta Del Este que Sébastien Buemi venceu pela primeira vez na competição, e se o time do suíço e de Nicolas Prost não enfrentar problemas alheios a seu controle, pode dominar a corrida sem maiores dificuldades. Tudo vai se resumir a vermos se a concorrência conseguirá melhorar o acerto e desenvolvimento de seus carros perante a escuderia francesa. Saberemos a resposta amanhã.
Circuito de Punta Del Este, no Uruguai, que amanhã sediará a terceira etapa do campeonato 2015/2016 da F-E.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

HAVOC SERIES - BALANÇO DAS CONFUSÕES NAS PISTAS EM 2015



            De volta com a sessão de vídeos da Havoc Series, é hora de listar aqui alguns vídeos relacionando as confusões na pista ocorridas durante os campeonatos disputados neste ano. Na primeira compilação, o foco é a F-1, que tirando uma ou outra pancada mais séria, teve um ano até "comportado" em termos de acidentes, com os pilotos batendo seus carros de forma até leve ou mediana, dando um trabalho relativamente menos complicado às suas turmas de mecânicos. E felizmente o vídeo não lista as odiosas mensagens de "incidente entre carro X e Y está sendo investidado..." etc e tal, que tanto vem irritando os torcedores nos últimos tempos. Este primeiro vídeo é do usuário crambno'29 R, postado no You Tube. Deliciem-se principalmente com as rodadas dos pilotos da categoria máxima do automobilismo, em ordem cronológica do campeonato, que mostram que, apesar das críticas aos carros atuais, eles ainda continuam apresentando algumas surpresas na hora de serem domados:


O vídeo seguinte, também do usuário crambno'29 R, no You Tube, enfoca os acidentes ocorridos durante o campeonato da Indy Racing League 2015, a Indycar. Menos "comportada" do que a F-1, a categoria americana teve um ano mais repleto de confusões nas pistas, e esta bela compilação, em ordem cronológica do campeonato da categoria, mostra as diversas rodadas, toques, e demais confusões aprontadas pelos pilotos durante o ano. Um prato cheio para quem gosta de ver os competidores se pegando nas corridas:


E crambno'29 R seguiu em frente, apresentando outro vídeo de compilação das confusões de pista, desta vez enfocando o campeonato inaugural da Fórmula-E, a categoria de competição de monopostos totalmente elétricos, onde pudemos ver os pilotos partindo para o tudo ou nada em algumas provas, e alguns deles se enroscando feio em alguns momentos, exibindo um grau de disputa que estava ficando escasso em alguns outros campeonatos, em especial na F-1, com seu exagero de punições e excessos de "não pode isso, não pode aquilo". Logicamente que a segurança sempre é o objetivo de se evitar maiores acidentes, mas o automobilismo não pode virar também um certame de freiras, onde o menor encosto já significa observação dos comissários e fiscais. Deliciem-se agora com as confusões perpetradas pelos competidores do certame dos carros elétricos, direto do You Tube, em ordem cronológica das provas:


Saindo um pouco das categorias fórmula, vamos direto para a meca dos campeonatos automobilísticos onde acidentes estão sempre na ordem do dia, não voluntariamente, claro, mas pelo fato de ser os rallies uma categoria off-road, onde nunca se consegue ficar firme na pista o tempo todo. Este vídeo do You Tube, postado pelo usuário NE - Rallyvideos, mostra algumas das reviravoltas presenciadas pelos competidores de rally durante a temporada deste ano. Na verdade, este vídeo é apenas um resumo bem singelo das encrencas pelas quais os pilotos passaram durante a temporada das competições off-road, pois na verdade aconteceu tanta coisa, que nem mesmo uma sessão exclusiva dedicada ao rally daria conta de listar todas as confusões em que os pilotos se envolveram pelo caminho, o que penso em fazer em outro momento. Por enquanto, curtam aqui o vídeo, e vejam como estas feras do volante encaram suas estripulias na competição:


De volta aos vídeos postados pelo usuário crambno'29 R no You Tube, este aqui lista as confusões enfrentadas pelos pilotos da V8 Supercars, o campeonato de carros turismo da Austrália, onde os pilotos também não aliviam no acelerador nas disputas, e travam umas divididas bem renhidas na maioria das ocasiões. Enquanto alguns conseguem tirar umas finas incríveis, outros simplesmente vão ralando a lataria de seus carros sem a menor cerimônia, o que dá um trabalho danado para seus mecânicos repararem as bagaças e colarem de volta todos os adesivos dos patrocinadores. Alguns dizem que eles deveriam partir logo para os derbys de demolição, de tanto que batem ou roçam seus carros, mas isso seria um exagero, claro, pois nos derbys todo mundo bate em todo mundo. Fiquem agora com o vídeo das confusões, rodadas e raladas do pessoal da V8 Supercars:


E, com isso, encerro esta sessão do Havoc Series, com algumas das maiores confusões de pista da temporada 2015. Mas nada impede que eu faça um repeteco do tema na semana que vem, pois ainda teve muitas outras confusões na temporada deste ano que mereceriam uma boa olhada. Vejamos o que consigo reunir até lá. Uma boa semana a todos!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

UM BALANÇO DA F-1 2015


Lewis Hamilton chegou ao tricampeonato com o modelo W06 da Mercedes, que foi ainda mais eficiente do que o velho W05 de 2014.

            Findo o campeonato da Fórmula 1 de 2015, podemos concluir que foi um ano em que a Mercedes, mais ainda do que em 2014, dominou amplamente o campeonato. Quem esperava um ano com um pouco mais de disputa teve que tirar o cavalo da chuva logo na etapa inicial, na Austrália, onde os carros prateados fizeram sua primeira dobradinha na temporada. Todo mundo ficou empolgado quando Sebastian Vettel venceu a prova seguinte, na Malásia, dando a impressão de que a Ferrari, depois de um ano complicado em 2014, voltaria a pelo menos incomodar os carros alemães. Infelizmente, foi uma meia verdade: a Ferrari de fato se recuperou exemplarmente do péssimo campeonato do ano passado, mas sua evolução foi insuficiente para fazer frente à Mercedes, que evoluiu o que já era bom no campeonato de 2014 e tratou de corrigir eventuais pontos-fracos que o projeto de seu bólido pudesse ter, na concepção do modelo WO6.
            Assim, não foi surpresa o time germânico fechar o ano com mais um título de construtores, e marcar nada menos do que 703 pontos nesta temporada. Em 2014, foram 701 pontos, mas é preciso considerar que o time obteve pontuação dobrada em Abu Dhabi pela vitória de Lewis Hamilton, artifício que felizmente não foi mais adotado esse ano. Assim, podemos dizer que a Mercedes foi de fato bem mais eficiente nesta temporada. Apenas em uma corrida, Cingapura, seus carros enfrentaram problemas reais de competitividade, com o único abandono de Hamilton em todo o ano, e com Nico Rosberg terminando em 4° lugar. Em termos de vitórias, o panorama de 2015 foi idêntico ao de 2014: foram 16 vitórias da Mercedes, enquanto o restante foi obtido por apenas outro time. Se a Red Bull conseguiu surpreender no ano passado e angariar as vitórias restantes, esse mérito ficou com a Ferrari nesta temporada, com seu renovado modelo SF15T..
            O time de Maranello, aliás, conseguiu exibir uma faceta muito mais relaxada e aberta, ao contrário do clima tenso e sério que apresentava nos últimos anos. Foi uma mudança extremamente positiva para a escuderia, que encontrou o clima de paz e tranquilidade que precisava para reencontrar o seu rumo e foco na competição. E se Vettel conseguiu se aclimatar na escuderia italiana em tempo recorde e fazer todos esquecerem o espanhol Fernando Alonso, Kimi Raikkonem infelizmente não teve a temporada redentora que esperava, o que impediu que o time obtivesse todo o potencial de sua melhora. Ainda assim, o finlandês ganhou uma nova chance, e permanecerá no time em 2016, no que deve ser possivelmente sua última temporada na categoria. Seria muito triste que ele encerrasse sua participação com uma participação apenas mediana. A reorganização diretiva e estrutural do time italiano mostrou seus frutos, e é consenso geral de que só não foram mesmo melhores porque a Mercedes estava mesmo em ponto de bala, e com um Lewis Hamilton dominante como há muito não se via, seria mesmo difícil tirar o título da equipe de Brackley. Por isso, todo mundo encara a Ferrari como a campeã "moral" de 2015. Talvez em 2016 eles consigam de fato destronar a Mercedes, mas neste ano, conseguiram cumprir todos os objetivos propostos, e ir até um pouco além.
            Hamilton, aliás, estava tão relaxado e competitivo este ano que sua primeira derrota pra valer na pista foi na prova da Áustria. Até então, Nico Rosberg havia vencido na Espanha e em Mônaco, mas na pista catalã foi nítido ver que Hamilton procurou não arriscar numa disputa acirrada pela vitória, e contentou-se com o 2° lugar, enquanto em Mônaco, erros tanto do piloto quanto da escuderia jogaram o triunfo na pista monegasca no colo de Rosberg. O alemão estava numa temporada apagada, até que em Zeltweg finalmente venceu com méritos para se impôr frente ao companheiro de equipe como um adversário de fato, sem depender de erros alheios. Infelizmente, o vice-campeão de 2014 só voltaria a mostrar performance similar nas últimas corridas do campeonato, com o título já decidido a favor de Hamilton, que fechara a conquista nos Estados Unidos, na prova que foi considerada a melhor do ano, graças especialmente à chuva que mais uma vez bagunçou as estratégias de equipes e pilotos no piso molhado e seco. Restou a Nico Rosberg, batido por Hamilton pelo segundo ano consecutivo dentro do time alemão, terminar o ano com a moral em alta para tentar novamente a sorte em 2016.
A Williams esperava andar mais próxima da Mercedes, mas se viu atropela por uma renascida Ferrari com Sebastian Vettel ao volante.
            A Williams terminou 2015 com um misto de satisfação e decepção. Se, ao fim de 2014 a escuderia inglesa comemorava sua ressurreição na categoria, com a melhor classificação em mais de uma década, onde só faltou mesmo vencer uma corrida, todos apostavam que neste ano eles teriam mais condições de alcançar novamente esse feito, até porque o time só engrenou mesmo quase a meio do ano, tendo enfrentado vários percalços nas provas iniciais. A satisfação foi ver que a Williams continuou andando bem este ano, mas a decepção foi que não foi além disso, como todos esperavam. O time provou ser incapaz de andar mais próximo das imbatíveis Mercedes, como se planejava, mas esse não foi o problema, e sim ter sido atropelado pela melhora da Ferrari, que contra todas as expectativas, não apenas voltou a vencer corridas, mesmo que ocasionalmente, mas a se mostrar como a mais próxima adversária de Rosberg e Hamilton durante todo o campeonato.
            Pior foi ver a Red Bull, que teve um início de ano desastroso devido aos problemas das unidades de potência da Renault evoluir em performance de forma a colocar até mesmo em perigo a posição do time de Frank, se este já não tivesse garantido grande folga na pontuação do campeonato, o que demonstra que a escuderia não conseguiu resolver todos os problemas de performance do modelo FW37, que mostrou ser particularmente deficiente em pistas travadas e de baixa velocidade, o que denotou uma crucial falta de capacidade de geração de downforce do monoposto. Assim, não foi agradável ver o time sair praticamente zerado nas provas de Mônaco e Hungria. Mas foi também complicado ver o time conseguir render menos este ano em determinadas provas em pistas de alta velocidade, como a Bélgica, onde no ano passado subiram até o pódio. Para 2016, a ordem é renovar a base para o FW38, mostrando que o potencial do FW37 se esgotou antes do que todos imaginavam. Nesse ponto, a Williams ainda deu sorte da Red Bull ter caído de performance pelos problemas de motor enfrentados no ano. Do contrário, manter o 3° lugar na competição teria sido tarefa bem mais árdua.
            Como a Renault conseguiu produzir uma atualização de sua unidade de potência com desempenho inferior à de 2014, ninguém se espantou com a queda de performance da Red Bull, que havia sido a vice-campeã do ano passado. Mas, infelizmente para a competição, a escuderia gastou boa parte de suas energias no primeiro semestre malhando publicamente a parceria francesa, culpando-a por todos os desaires que estava sofrendo, no que virou um dos bate-bocas mais acalorados dos últimos tempos. Passada a saraivada de críticas, a escuderia de Milton Keynes esfriou um pouco os ânimos e começou a trabalhar melhor no desenvolvimento do modelo RB11, que ganhou uma melhoria de andamento notável em várias pistas, mesmo com a unidade deficiente de potência da Renault. Tivessem se concentrado mais em melhorar o seu carro a princípio, poderiam certamente ter fechado o ano com resultados melhores do que os apresentados, e quem sabe, talvez até ter desbancado a Williams da 3ª colocação. A escuderia austríaca também se atrapalhou toda nas negociações de motor para 2016, a ponto de ficar praticamente órfã de motor oficialmente. A truculência de Christian Horner, Helmut Marko, e de Dietrich Mateschitz provocaram o rompimento do contrato com a Renault, válido ainda para o próximo ano, e negativas de acordos por parte de Mercedes e Ferrari, além de verem fechadas portas com a Honda, e assistirem à implosão de um acordo plausível com a Volkswagen, em decorrência de um escândalo de manipulação de dados veiculares por parte da montadora alemã.
            Restou ao time austríaco um acordo em que continuará utilizando as unidades da Renault em 2016, mas arcando com um desenvolvimento autônomo que será coordenado pela Ilmor, com patrocínio da TAG-Heuer, ex-parceira da McLaren. Mas o rescaldo da luta por um motor já garantiu sequelas no desenvolvimento do novo RB12, que segundo algumas informações de bastidores, está bem atrasado, e vai exigir trabalho em tempo integral na fábrica para se recuperar o tempo perdido até o início da pré-temporada de 2016. E pensar que até alguns anos atrás a Red Bull era a escuderia mais arejada e descontraída de todo o grid... O sucesso sem dúvida fez mal ao time, que não soube mais sorrir e competir como fazia antes de começar a vencer na F-1.
            Apesar de estar em sua melhor classificação no mundial de construtores, com a 5ª posição, a Force India marcou menos pontos em 2015 do que em 2014. Foram 136 pontos nesta temporada, frente aos 155 conquistados no ano passado. Mas não se pode negar que, quando estreou finalmente o seu modelo 2015, o chassi VJM-08, somente a meio da temporada, é que a escuderia enfim engrenou na competição, marcando pontos regularmente deste a etapa da Bélgica, e conseguindo até um pódio. Um grande mérito para a escuderia, que praticamente iniciou os testes da pré-temporada com apenas um carro, e sem ser o modelo definitivo desta temporada, devido à falta de recursos, o que comprometeu a primeira metade da temporada. Não fosse este problema, a escuderia de Vijay Mallya certamente poderia ter conseguido melhores resultados. Mesmo assim, o time termina o ano sem folga financeira para 2016, e vai precisar continuar sabendo usar bem seus recursos para manter-se firme no pelotão intermediário.
            A Lotus teve um ano de altos e baixos, e se não foi mais longe, foi pelas indefinições e incertezas que rondaram o futuro do time a partir do meio da temporada para o seu final, quando se tornou público o rompimento da Renault com a Red Bull, e cresceram os rumores de que a fábrica francesa recompraria seu antigo time para voltar a atuar como escuderia oficial. Isso só veio a ser formalizado após o fim da temporada, e enquanto o acordo não saía, as finanças combalidas fizeram o time dar várias reviravoltas dentro e fora da pista, tendo seus integrantes até de comerem de favor no box de outros times, e precisando de alguns favores de Bernie Ecclestone para chegarem a alguns lugares para poderem disputar as corridas. E o time ainda conseguiu pontuar regularmente nas últimas corridas, ainda que de maneira fraca, mas o suficiente para se manterem à frente da Toro Rosso, que exibia desempenho muito melhor, mas também se viu tolhida em vários momentos pelos problemas oriundos do motor Renault. Assistiremos então em 2016 ao retorno da velha equipe Renault, e damos novamente adeus a uma Lotus que nuna foi a original, mas tal como a escuderia de Colin Chapman, desaparece tragada pelas dificuldades financeiras impostas pela realidade econômica da F-1.
            A Toro Rosso recebeu grandes investimentos da Red Bull, e disputou uma temporada que pode ser considerada excelente, e assim como seu time matriz, só não foi mais além pelas dificuldades de performance das unidades de potência da Renault, mas em várias provas conseguiu andar melhor até do que o time principal, mostrando que está pronto para vôos mais altos em 2016, onde manterá sua atual dupla de pilotos, e terá pelo menos as boas unidades de força da Ferrari deste ano, que certamente serão um belo incremento de performance.
            Pelo seu lado, a Sauber teve um ano apenas razoável em 2015, mas positivo se levarmos em conta que a escuderia precisou liquidar várias dívidas contraídas em 2014 pela péssima performance naquela temporada, onde praticamente não conseguiu marcar pontos. Isso comprometeu o desenvolvimento do carro desta temporada, que até começou razoavelmente competitivo, mas que foi perdendo rendimento a cada corrida, conforme a concorrência avançava. O orçamento do time suíço infelizmente continuará apertado no próximo ano, com uma folga apenas um pouco maior do que a deste ano. Mas os tempos vindouros certamente serão mais complicados, uma vez que outros concorrentes deverão passar à sua frente em 2016, com uma McLaren teoricamente mais competitiva, e uma estreante Hass que promete fazer bonito em sua estréia.
            Nem é preciso dizer que a grande decepção do ano é a McLaren, que na retomada de sua parceria com a Honda, teve o pior ano de que há memória desde que passou a ser administrada por Ron Dennis, no início dos anos 1980. Os japoneses superestimaram sua capacidade, e quando viram o tamanho da encrenca, já era tarde para corrigir o rumo, algo que só poderia ser feito para 2016. A unidade de potência nipônica falhou em praticamente todos os seus quesitos, não apresentando nem potência nem confiabilidade. O desempenho foi tão sofrível que nem mesmo foi possível avaliar adequadamente o chassi MP4/30 produzido por Peter Prodromou, mas deu para ver que não foram apenas os japoneses que tiveram expectativas por demais otimistas sobre seu trabalho. O grande mérito da escuderia foi conseguir pôr panos quentes na crise o suficiente para evitar uma tempestade logo em seu primeiro ano da renovada parceria, e garantir uma cooperação e fluxo de trabalho constante para tentar uma recuperação na próxima temporada. McLaren e Honda terão a chance de mostrar o que poderão fazer em 2016, mas se os resultados não aparecerem, a paciência de alguém será realmente colocada à prova, e aí a crise poderá se instalar definitivamente em Woking.
            Com relação à Manor, para um time que estava praticamente morto e enterrado, e que tinha até vendido sua sede, conseguir chegar ao final do ano, mesmo que sempre andando em último, e com um carro que já não era grande coisa, pode ser considerado um grande feito. Pelo menos sempre tentaram andar com dignidade, e sem atrapalhar os demais. Resta saber o que poderão conseguir fazer no próximo ano, além de andarem nas últimas posições.
            E assim foi o panorama das escuderias da F-1 em 2015. Na semana que vem, veremos um pouco mais sobre os pilotos, na última coluna deste ano. Até lá.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

ARQUIVO PISTA & BOX - JULHO DE 1997 - 04.07.1997



            De volta com um de meus antigos textos, este abriu o mês de julho de 1997, e o assunto era a ameaça da Ferrari ao campeonato até então dominado pela equipe Williams naquela temporada. Jacques Villeneuve era o favorito destacado, mas Michael Schumacher, em seu segundo ano de competição pela equipe de Maranello, já mostrava a que tinha vindo e colocava o time italiano de novo na briga pelo título. De quebra, notas rápidas sobre alguns acontecimentos do mundo da velocidade naquela semana. Uma boa leitura para todos...


A AMEAÇA VERMELHA

            A Williams que se cuide! A Ferrari vem aí! Favorita disparada ao título no início da temporada, a escuderia de Frank Williams, quem diria, encontra-se em posição duvidosa ao meio do atual campeonato de Fórmula 1. A ameaça vem muito bem sinalizada na Ferrari, cujos carros são todos vermelhos, cor que tradicionalmente significa perigo. E a ameaça é mais do que evidente, especialmente depois do que se viu em Magny-Cours, onde foi disputado no último domingo o Grande Prêmio da França: Michael Schumacher dominou completamente a corrida desde a classificação para o grid de largada, surpreendendo a Williams e principalmente Jacques Villeneuve, até então o favorito ao título da temporada.
            A Ferrari lançou em Magny-Cours uma revisão aerodinâmica de seu carro, melhorando significativamente o seu desempenho. Os resultados apareceram na corrida, onde Schumacher deu o seu show de sempre, e Eddie Irvinne fez uma competente corrida para chegar ao pódio em 3º lugar, andando a prova inteira praticamente nesta posição. Mais do que a nova configuração aerodinâmica, a Ferrari encontrou também um excelente acerto para o circuito francês. A Williams, por mais que tentasse, não conseguia encontrar o mesmo acerto para seus carros, mas bem que tentou, pois Heinz-Harald Frentzen reagiu no final do treino, alcançando a 2ª posição no grid de largada.
            Frentzen, por sinal, parece finalmente encontrar seu ritmo na Williams. O piloto alemão andou à frente de Villeneuve durante toda a classificação e mostrou raça na corrida, andando sempre atrás de Schumacher e subindo ao pódio. Não ameaçou seu conterrâneo da Ferrari, mas redimiu sua equipe do que prometia ser um fiasco na etapa francesa. Enquanto Frentzen parece acordar de sua hibernação, Jacques Villeneuve parece ter sentido o golpe da reação de Michael Schumacher, que já acumula 2 vitórias consecutivas nas últimas etapas. O piloto canadense cometeu um erro grosseiro pela segunda vez consecutiva: desta vez Jacques rodou na curva que dá acesso à reta dos boxes na última volta do GP francês, na ânsia de tentar ultrapassar Eddie Irvinne, na luta pela 3ª posição. O prejuízo só não foi maior porque o canadense conseguiu voltar à pista e cruzou a linha de chegada um mínimo à frente de Jean Alesi, que terminou na 5ª posição. Como desgraça pouca é bobagem, o filho de Gilles Villeneuve ainda amargou um abandono infantil na penúltima etapa, justamente em seu país, o Canadá, ao rodar e bater seu carro logo no fim da 2ª volta daquela prova, abandonando a corrida. E pensar que o canadense foi considerado muito melhor piloto do que Damon Hill...
            Michael Schumacher mostra sua garra e fibra, e começa a reverter as expectativas da corrida ao título. Tencionando, de início, correr por fora nesta disputa, Schumacher já é o protagonista principal do campeonato. Assim como Ayrton Senna conseguia desequilibrar suas pendengas com Alain Prost e Nigel Mansell. Só para citar exemplos clássicos, em 1974, a Ferrari, então com Niki Lauda e Clay Regazzoni, era a favorita disparada ao título. Mas quem venceu foi Émerson Fittipaldi, da McLaren, que não tinha um carro tão bom quando a Ferrari. Valeu mais a perícia do piloto brasileiro. Em 1983, Nélson Piquet aplicou lição parecida em Alain Prost, da Renault, e René Arnoux, da Ferrari. O brasileiro superou ambos no fim do campeonato e levou o título. O resultado obtido pelo brasileiro foi tão contundente que provocou a demissão de Prost pela direção da Renault.
            Agora a situação é muito similar, mas tem um agravante que o fato de a Ferrari finalmente estar evoluindo e mostrando ter um carro que está praticamente quase ao nível da Williams. Ainda é cedo para afirmar que o carro italiano seja superior ao inglês, mas a Ferrari, ainda com meio campeonato pela frente, parece ter a melhor chance de conquistar o título mundial desde o último campeonato conquistado em 1979 por Jody Schkter.


André Ribeiro deu um basta no chassi Lola que vinha usando no campeonato da F-CART. A equipes Tasman também decidiu mudar de carro e comprou o chassi Reynard usado em testes pela equipe Walker, por 300 mil dólares. Como só pôde comprar um chassi, André diz que terá de tomar muito cuidado para não bater com o carro, já que teria de voltar a usar o chassi Lola, que ficará como carro reserva. A próxima corrida do campeonato é em Cleveland, na semana que vem.


Na F-Indy (IRL), Tony Stewart, da equipe Menard, finalmente desencantou e venceu sua primeira prova na categoria, ao chegar em 1º lugar no GP do Colorado, disputado em Colorado Springs, no autódromo de Pikes Peak International Raceway, de 1 milha de extensão, após as 200 voltas da prova, que teve inúmeros acidentes. Marco Greco largou em 22º e terminou em 13º; Affonso Giaffone Neto largou em 10º e ficou em 9º na bandeirada. Scott Sharp, o pole-position, foi o primeiro a bater no muro, logo após ser dada a largada da corrida. A próxima prova é no dia 26 de julho, em Charlotte.


Na etapa da F-Ford 2000 norte-americana, que foi disputada como preliminar da F-Indy, em Colorado Springs, deu vitória do brasileiro Zaqueu Morioka, a 1ª dele na categoria. Zaqueu é vice-líder do campeonato, com 11 pontos. O líder é Budy Rice, que tem 34 pontos...


Ricardo Zonta venceu a 4ª etapa da F-3000 Internacional, em Nurburgring, na Alemanha. A prova foi interrompida após 4 voltas por causa da forte chuva. Max Wilson ficou em 5º lugar. Zonta ainda foi o pole da corrida e só não está melhor no campeonato porque sua vitória em Silverstone foi cassada devido a irregularidades em seu carro...


Nas 4 Horas de Nurburgring, disputada na semana passada, a equipe AMG acabou deixando Roberto Moreno a pé depois que um dos carros Mercedes da escuderia quebrou. Moreno havia feito a pole-position em conjunto com Bernd Schneider. Com um carro a menos, a AMG remanejou os pilotos, e Moreno ficou sem poder participar. A vitória acabou sendo da AMG, obtida por Schneider, em conjunto com Klaus Ludwig.


Tarso Marques não foi muito longe em seu primeiro GP pela Minardi em 1997. Largando em último, devido a falhas do motor Hart na classificação, Tarso abandonou o GP da França logo à 5ª volta, quando o mesmo motor estourou em seu carro. Os demais brasileiros também não foram longe: Rubens Barrichello abandonou na 36ª volta, enquanto Pedro Paulo Diniz deu adeus à corrida na volta 58...


Nova fofoca nos bastidores em Magny-Cours: Alain Prost, insatisfeito com Shinji Nakano, poderia ter Damon Hill como piloto já no GP da Inglaterra, daqui a 1 semana. Hill, por sua vez, insatisfeito com o desempenho da TWR-Arrows até aqui, seria cedido por Tom Walkinshaw como forma de agradar à Honda e conseguir o fornecimento de seus motores para 1998...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

LADEIRA ABAIXO - III


O visual do pôr-do-sol em Abu Dahbi é uma das cenas mais bonitas do encerramento da temporada da F-1 2015. Pena que o restante do GP tenha sido novamente uma chatice daquelas...

            O campeonato de 2015 da Fórmula 1 terminou com mais uma prova sem grandes atrativos na pista, fora alguns percalços isolados. Em se tratando da corrida dos Emirados Árabes, disputada no circuito de Yas Marina, seria surpreendente se a corrida fosse boa, pois não é de hoje que pilotos e equipes, além da imprensa especializada, considera o belo autódromo de Abu Dhabi um esplendor visual e um pesadelo de traçado, que incentiva corridas sem maiores disputas de posição. E este ano não foi diferente.
            Como se não bastasse mais uma prova monótona para fechar o campeonato, a própria F-1 deu mostras, na semana passada, de que vai ter problemas para se achar uma solução que ajude a recuperar a sua popularidade. O Grupo de Estratégia vetou sumariamente a proposta de adoção de motores alternativos para a categoria máxima do automobilismo a partir de 2017. Com isso, os times continuam reféns das montadoras Mercedes, Renault, Honda e Ferrari em termos de opções de motorização. As empresas, claro, tentando fazer um meio-termo a fim de não serem acusadas de nada fazer para favorecer a competição, se comprometeram a apresentar em janeiro uma proposta de redução de custos a fim de tornar mais viável seu fornecimento de motores. Acredite se quiser...
            Pior de tudo é que havia interessados em fornecer este motor mais barato para a F-1, com propostas da Mecachrome, Ilmor, e a AER. O que pode ser considerado até um excelente número, pois o pessoal do site especializado Grande Prêmio (www.grandepremio.uol.com.br) chegou a fazer um levantamento com montadoras que já passaram e/ou poderiam ter interesse em ingressar na F-1, produzindo as atuais unidades de força descritas pelo regulamento técnico, e que resultou em negativas de praticamente todos os contatados, algo extremamente preocupante no que se refere ao interesse que estas grandes empresas do setor automotivo poderiam ter pela categoria máxima do automobilismo.
            Quem já esteve lá, como Toyota, BMW, e Peugeot, simplesmente não tem a F-1 em seu leque de interesses, preferindo centrar seus esforços em outros campeonatos. A marca nipônica correu várias temporadas na década passada com time próprio, enterrando milhões e milhões de dólares numa estrutura de ponta que nunca conseguiu resultados à altura dos investimentos. E isso ainda foi feito numa época onde os motores utilizados eram muito mais simples e produzidos com uma tecnologia amplamente conhecida por todos. Com um investimento consideravelmente menor, a Toyota já conseguiu ser campeã no Mundial de Endurance, e embora tenha feito uma temporada ruim este ano, é lá que pretendem ficar, onde há um regulamento e regras técnicas que no atual momento é o que lhes agrada para competir. E a marca japonesa ainda confirmou que retornará ao Mundial de Rali em 2017, mostrando que eles têm interesse em participar das competições automobilísticas. Mas que não são a F-1. A BMW chegou a comprar a equipe Sauber, mas pulou fora do barco após seu primeiro ano de vacas magras, competindo na mesma época em que a Toyota também esteve por lá. O motivo mais forte teria sido a crise mundial que assolou o mundo em 2008. Como a fábrica bávara investia forte no certame, e também não conseguiu os resultados que esperava, fora uma vitória isolada de Robert Kubica, consideraram a relação custo/benefício não atrativa. Nada incomum eles preferirem ficar onde estão do que gastar novamente rios de dinheiro na F-1 em fornecimento de motor que, caso apresente problemas, não possa ser corrigido a contento, obrigando o fabricante a se manter firme na competição mesmo apresentando resultados completamente medíocres, a exemplo do que vimos acontecer com a Honda este ano.
Fábricas que até pouco tempo atrás competiam na F-1 hoje não querem nem ouvir falar da categoria, como a Toyota, que está feliz disputando o Mundial de Endurance.
            Com relação à Peugeot, a marca francesa também não guarda boas lembranças de quando lá esteve, tendo tido seus melhores resultados justamente em seu primeiro ano na competição, em 1994, equipando justamente a McLaren. Ron Dennis, porém, dispensou os franceses logo após o primeiro ano para aceitar de mala e cuia os propulsores alemães da Mercedes. Restou à marca francesa equipar times médios como Jordan e Prost, e ver resultados apenas ocasionais, mesmo apresentando um excelente propulsor. Eles preferem manter seus investimentos nas categorias off-road, cujo custo-benefício lhes é muito conveniente. Ah, e ver como seus rivais históricos da Renault andam apanhando nos últimos dois campeonatos com um projeto que se revelou até agora muito pouco competitivo, apesar dos altíssimos investimentos, só os ajuda a verem que o atual panorama técnico imposto pela F-1 definitivamente não lhes agrada.
            A Volkswagen até tinha algum interesse em ingressar na categoria, mas um recente escândalo envolvendo manipulação de dados de motores de vários de seus modelos de carros de rua jogou a empresa alemã numa encrenca da qual precisará envolver todos os seus recursos para corrigir a situação, para não falar no pagamento de multas pesadíssimas. Então, por hora, o mais lógico e manter firme sua participação nos campeonatos onde tem excelente performance, como o Mundial de Rali, cujo retorno tem sido garantido nos últimos tempos. Não haverá tempo ou recursos para desperdiçar com “aventuras” em outras paragens.
            Cortejada há anos pelos times da F-1, a Audi tem resistido ao canto da sereia que lhes é feito insistentemente nos últimos tempos. Mas o enfoque das quatro argolas é se manter firme no Mundial de Endurance, onde espera recuperar sua coroa perdida em 2014 para a Toyota, e este ano para a Porsche. Mesmo com a adoção de motores híbridos pela F-1, que é uma tecnologia conhecida e utilizada pela Audi na Endurance, o interesse de entrar na competição não aumentou, ou cresceu de forma apenas marginal. A verdade é que o Mundial de Endurance já fornece à marca alemã todos os desafios que ela busca no campo das competições automobilísticas, apresentando um regulamento sem as restrições que tem praguejado na F-1 nos últimos tempos.
            Realmente, dá para acreditar que a F-1, teoricamente a categoria automobilística mais importante do planeta, está sendo rejeitada sumariamente por várias montadoras de renome mundial? Pois é a mais pura verdade. Podem dizer que sempre houve fábricas que nunca tiveram interesse pela categoria, preferindo outras competições. Claro que cada uma tem seus próprios projetos e objetivos, e a F-1 pode mesmo não ser o foco adequado para eles investirem em busca destas metas. Mas é um sinal extremamente claro de que o campeonato não gera por parte deles interesse viável. E se isso chegar a acontecer com os fabricantes atuais? A Renault, depois das críticas que levou de seus times, em especial da Red Bull, este ano, devido à falta de performance de suas unidades de potência, poderia muito bem pular fora da competição e deixar a F-1 chupando o dedo. Para sorte da FIA e de Bernie Ecclestone, a empresa ainda tem interesse em manter-se na categoria, mesmo com as opiniões contrárias de Carlos Ghosn de que o investimento na F-1 é dispensável para os objetivos de fortalecimento da marca no mundo.
            Há 15 anos atrás, a F-1 foi tomada de assalto pelas montadoras, ávidas em marcar terreno e presença na categoria. Tínhamos a Ford, BMW, Renault, Honda, Mercedes, Ferrari, e até a Peugeot ainda estava por lá, fosse em parcerias oficiais ou semi-oficiais. Parecia o sonho para a FIA e FOM. Hoje, a F-1 precisa fazer força para atrair alguém, e ainda temos problemas sérios quando o assunto é arrumar patrocinadores para sustentar essa gastança toda que a categoria necessita. Basta ver a situação da McLaren, que está ficando literalmente sem apoios de 2014 para cá, e deve ficar com o carro ainda mais limpo em 2016. Ron Dennis, lamentavelmente, se comporta como se ainda estivesse em tempos áureos da economia mundial, onde patrocínios existiam aos montes, mas desde a crise econômica de 2008, o pessoal ficou muito mais seletivo no que gastar, e o automobilismo como um todo foi duramente afetado. Dennis continua exigindo valores irreais para patrocínio do time inglês, e se continuar nessa toada, vai ficar absolutamente sem nada.
Mesmo os times médios, que já tem valores mais baixos a cobrar na hora de conseguir apoios, estão com dificuldades para fechar seus pacotes. Vejam a Sauber, que nos últimos anos pouco conseguiu em termos de patrocínios próprios, ficando a maioria deles sendo trazida por pilotos pagantes, como a atual dupla titular, Felipe Nasr e Marcus Ericsson, que contribuíram com a maioria do orçamento que o time teve disponível para o campeonato, e que mesmo assim foi pouco, pois o carro praticamente não foi desenvolvido quase durante o ano. Não é um problema restrito à F-1, mas pelos seus custos mais altos, é a que sente mais os efeitos. E, com corridas sem emoção, as audiências caem, e com os índices despencando, os times não tem argumentos para manter os valores cobrados pelo patrocínio. E, é claro, as empresas não vão aceitar pagar caro por um produto ruim.
Pior de tudo, ainda, são os excessos de punições que a categoria anda aplicando. Em Abu Dhabi, Fernando Alonso criticou a punição que recebeu por ter sido considerado culpado em toque dado em Pastor Maldonado, mas o espanhol havia sido tocado antes por Felipe Nasr, o que deu origem à confusão. Foi um incidente de corrida, mas claro que os fiscais, ávidos por marcar presença, tascaram uma punição no piloto da McLaren. O público quer, acima de tudo, ver disputa na pista, e no automobilismo, toques e empurrões são acontecimentos comuns. Os pilotos, por sua vez, não são competidores de derbys de demolição, mas qualquer toque hoje em dia, ou acontecimentos com potencial de acidentes, são motivos de punição pelos fiscais. O público está de saco cheio disso, e a situação é ainda pior quando se trata de punições por motivos técnicos, das quais o lance da medição das temperaturas e pressão dos pneus são mais uma frescura à qual eles não estão nem aí, que causou a desclassificação de Felipe Massa em Interlagos.
            É preciso mudar uma série de itens no regulamento da categoria para acabar com estas frescuras todas, e principalmente, destravar os pontos do regulamento técnico que impedem um melhor desenvolvimento dos monopostos, em especial as unidades de potência híbridas. Bernie Ecclestone e Jean Todt, descontentes com a posição das montadoras, que estão fazendo uso de sua posição de veto no Conselho Estratégico, resolveram dar um basta nesta última quarta-feira, e com uma “autorização” do Conselho Mundial de Automobilismo e da FIA, conseguiram carta branca para propor uma série de mudanças sem precisar da concordância das escuderias e montadoras. Na prática, eles terão o poder de impor as regras que acharem necessárias para retomar o controle da competição, e em tese, proporcionar as correções necessárias para que a F-1 volta a ser atrativa.
            Isso pode ser bom, mas também pode ser ruim. Muita gente considera que tanto Jean Todt, e principalmente Bernie Ecclestone, apesar de toda uma vida dedicada ao automobilismo, e de conhecerem a categoria como ninguém, tem uma visão arcaica de certos aspectos que não ajudam em nada a F-1 a ficar mais agradável. Bernie, por exemplo, é terminantemente contra o uso das redes sociais e da internet, mais por birra de não ter como “controlar” o uso de material sobre a categoria, do que por qualquer outra coisa, desprezando o alcance que a rede mundial de computadores tem e sua atratividade especialmente sobre os jovens, que na opinião do diretor da FOM, não tem dinheiro para comprar os produtos que a F-1 divulga, preferindo se cercar de velhos endinheirados que possam fazê-lo. Talvez quando o momento for mais desesperador, Bernie resolva ceder, mas até lá, podem apostar que ele vai se manter firme às suas preferências.
Jean Todt e Bernie Ecclestone acabam de "ganhar" carta branca da FIA para mudar as regras sem prestar contas às equipes e montadoras na F-1. Resta saber se tomarão as medidas certas e necessárias.
            De Jean Todt, basta lembrar que, no período áureo de dominação da Ferrari na década passada, era por ordem dele que os pilotos do time italiano nunca duelariam entre si na pista, para garantir os interesses corporativos da escuderia, também por política de Luca de Montezemolo. Com Michael Schumacher deitando e rolando, e sem permitir que Rubens Barrichello pudesse disputar o título, Todt contribuiu para eliminar uma disputa que poderia ter ajudado a deixar a competição mais disputada. Não que Barrichello fosse ser melhor que Schumacher, mas poderia ter feito corridas melhores, e ter dado graça a algumas etapas. Pelo contrário, Todt foi o principal responsável por cenas deprimentes como a da Áustria de 2002, quando o piloto brasileiro foi forçado a entregar a vitória a Michael Schumacher, depois de dominar todo o fim de semana, levando o time italiano a ser vaiado na cerimônia do pódio e até na entrevista coletiva pouco depois. Naquele ano, como em 2004, pela superioridade da Ferrari, praticamente não houve competição, a ponto de Schumacher ter conseguido fechar a conquista do título praticamente quase a meio campeonato de disputa apenas. Claro que isso também contribuiu para corridas chatas e um campeonato dos mais previsíveis e chatos. Por aí então, Todt vai ter de trabalhar muito para pagar seus pecados passados e permitir que a F-1 recupere um pouco de seu espírito original. Até porque, desde que assumiu a presidência da FIA, ele pouco fez pelo desenvolvimento da categoria em si, tendo sido acusado de ser muito conivente com os times grandes, e desdenhado das solicitações das escuderias menos abastadas.
            Há muito a ser feito para trazer a F-1 de volta a seu bom caminho. Há muitos interesses envolvidos, e mesmo que Bernie e Todt façam opção pelas medidas corretas que são necessárias, as equipes e montadoras vão chiar à sua perda de poder, o que pode dar início a uma bela queda de braço para ver quem fica e quem sai neste jogo. Espero que todos cedam o necessário para se salvar a categoria como um todo, e não fiquem em sua guerra de egos que nada de positivo irá trazer neste momento delicado que a F-1 está vivendo. E é preciso lembrar que, quando todo mundo briga com todo mundo, só há perdas, e a crise que a F-1 atravessa pode ficar ainda muito pior. Para baixo, todo santo ajuda...
            Então, que todos consigam se unir para evitar o pior, e que consigam salvar a F-1 enquanto ainda podem...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

FLYING LAPS - NOVEMBRO DE 2015



            E estamos em dezembro, o último mês de 2015, o que mostra que este ano está indo para o seu fim, e numa velocidade que muitas vezes parece tão rápida quanto a dos bólidos do automobilismo. Como é costume, é hora de mais uma sessão Flying Laps, com algumas notas de acontecimentos do universo das corridas neste mês de novembro, com alguns comentários rápidos. Portanto, boa leitura para todos, e no início de janeiro de 2016, virei com a sessão trazendo alguns acontecimentos deste mês de dezembro. Até mais.


A segunda etapa da nova temporada 2015/2016 da Formula-E, disputada em Putrajaya, na Malásia, foi mais agitada do que equipes e pilotos previam. No início, a equipe e.dams voltou a mostrar a sua força, com Sébastien Buemi a conquistar uma nova pole-position sem ser incomodado pelos rivais, ficando com mais de 0s4 de vantagem para o segundo colocado na "superpole", Stéphane Sarrazin, da equipe Venturi. Mas, na largada, o carro de Sarrazin "apagou", e foi preciso retirá-lo para os boxes, de onde conseguiu largar após o time reinicializar o monoposto. Buemi fez valer sua pole e ia comandando a prova sem sustos, enquanto a concorrência atrás de si digladiava entre as posições. Mas eis que o forte calor malaio começou a bagunçar os sistemas elétricos dos carros, que começaram a sofrer panes esporádicas devido à refrigeração falha dos sistemas, que se mostraram insuficientes para aguentar os cerca de 40° na pista. E foram vários os pilotos que tiveram suas provas literalmente arruinadas pelos "tilts" em seus carros. Entre eles Buemi, cujo carro passou a circular muito lento pela pista. O suíço conseguiu chegar aos boxes e efetuou sua troca de monoposto, mas sua corrida já ficara comprometida pelo tempo em que andou lento na pista, para não mencionar que a troca de carro foi feita na 15ª volta, de um total de 33 giros, o que significava ter de economizar muita energia se quisesse chegar ao final. Nicolas Prost, alertado pelo time, também trocou de carro prematuramente, e as chances de vitória ficaram bem diminutas, pelo mesmo motivo: economizar carga das baterias para chegar ao fim. Lucas Di Grassi, no ataque, superou Prost e assumiu a liderança da corrida, enquanto Antônio Félix da Costa era outro cujo carro também parou na pista, e depois voltou a funcionar, bagunçando a corrida do piloto português. Nelsinho Piquet, mais uma vez largando do fim do grid, ia conseguindo se aguentar na pista e ganhando posições com os problemas dos adversários, mesmo com o ritmo de seu carro não sendo dos melhores. A poucas voltas do final, o carro de Buemi parou de vez, e a disputa de posições na dianteira da corrida esquentava atrás de Lucas Di Grassi: Jerôme D'Ambrosio acertou o muro na disputa de posição, e acabou superado por Sam Bird, enquanto Robin Frijns também deu uma tocada no muro, e com o carro literalmente torto, ainda conseguiu permanecer na pista. Nicolas Prost, da liderança foi caindo para o meio do pelotão, enquanto Félix da Costa ficava definitivamente pelo caminho. Lucas Di Grassi conseguiu não ter nenhum problema durante a prova, e com uma pilotagem firme, fazendo ultrapassagens no momento certo, venceu pela segunda vez na categoria, e assumiu a liderança da competição. Sam Bird, o 2° colocado, fez uma corrida de recuperação excelente, tendo largado em 14°, enquanto Frijns, mesmo com o carro torto, ainda fechou o pódio em 3°, seguindo de Sarrazin, que largara dos boxes e finalizou em 4°. A próxima corrida da competição será em Punta Del Este, no Uruguai, no dia 19 de dezembro.


Os pilotos brasileiros conseguiram alguns bons resultados na etapa de Putrajaya da F-E, apesar de alguns percalços. Com a vitória, Lucas Di Grassi assumiu a liderança do campeonato, uma vez que havia sido o 2° colocado na etapa de Pequim. O brasileiro da equipe Audi ABT tem 43 pontos, contra 35 de Sébastien Buemi, que apesar do abandono, marcou os pontos extras pela pole e volta mais rápida antes de abandonar na etapa malaia. Mas Lucas enfatiza que a e.dams ainda são os carros a serem batidos, e será preciso melhorar a performance de seu time para conseguir desafiar o time francês em um duelo direto, sem depender de problemas dos adversários, como ocorreu na Malásia. Bruno Senna, por sua vez, foi outro piloto que teve percalços no carro devido ao forte calor malaio, mas conseguiu esquivar-se dos problemas mais complicados, e recuperar-se na corrida, terminando em um excelente 5° lugar, e assumindo a 8ª posição no campeonato, com 10 pontos. Já Nelsinho Piquet, com problemas de performance novamente em seu carro, precisou contar com a sorte de não enfrentar os mesmos problemas de seus adversários no forte calor malaio para chegar entre os 10 primeiros colocados, finalizando a prova em 8° lugar, e ocupando agora a 12ª colocação, com apenas 4 pontos. Tanto Senna quanto Piquet esperam melhorar suas posições, estando classificados atrás de seus companheiros de equipe. Nick Heidfeld é o 4° colocado, com 17 pontos, na Mahindra; já Oliver Turvey, da China Racing, é o 10° colocado, com 8 pontos.


A prova da F-E em Putrajaya, aliás, contou novamente com apenas 18 carros no grid. A equipe de Jarno Trulli, que na etapa de Pequim, perdeu a verificação técnica por ter seus equipamentos empacados no desembaraço da alfândega chinesa, desta vez teve seus carros reprovados na inspeção técnica, não atendendo aos requisitos de segurança exigidos para os monopostos. Tendo perdido duas etapas do campeonato, já se fala em crise na escuderia gerenciada pelo ex-piloto italiano, a ponto de se especularem que a saída para a situação mais provável seria a venda do time para algum interessado que tenha melhores condições de resolver os problemas técnicos e de logística enfrentados. Alejandro Agag, chefe da categoria de carros elétricos, está realizando esforços para ajudar a solucionar a situação, a fim de evitar maiores problemas à competição, mas até o presente momento, nada de concreto ainda foi definido. Espera-se que a equipe consiga se reorganizar e participar adequadamente da próxima corrida do campeonato, no dia 19 de dezembro, no Uruguai.


Ex-piloto da F-1, onde competiu pelas equipes Williams, McLaren e Benetton, o austríaco Alexander Wurz nos últimos anos competiu no Mundial de Endurance como titular da equipe Toyota, e aos 41anos, anunciou neste mês de novembro a sua aposentadoria definitiva como piloto. Wurz disputou 69 provas entre 1997 e 2007 na F-1, tendo acumulado 45 pontos na categoria. Os melhores resultados do piloto, contudo, foram as duas vitórias que conquistou nas 24 Horas de Le Mans, em 1996, pela Porsche, e em 2009, pela Peugeot. Nos últimos tempos, Wurz também atuava como consultor na equipe Williams, e também sendo um dos pilotos titulares da equipe Toyota no WEC, onde conquistou 5 vitórias.


Bicampeão da MotoGP, o australiano Casey Stoner estará de volta à categoria rainha do motociclismo em 2016, mas na condição de piloto de testes da equipe Ducati. Apesar de ter abandonado a competição, Stoner ainda se mantinha sob contrato da Honda, até que resolveu sair da marca nipônica. Stoner retorna assim ao time da marca italiana onde correu por 4 temporadas, entre os anos de 2007 a 2010, tendo inclusive conquistado o campeonato de 2007, o único título da Ducati na categoria até hoje. Além de ser o piloto de testes da marca, Stoner também atuará como embaixador da Ducati. Os fãs, claro, esperam que o australiano volte a alinhar oficialmente em uma corrida, mas para 2016, o time italiano já confirmou a permanência da atual dupla de pilotos que representou a escuderia nesta temporada, Andrea Dovizioso e Andrea Iannone, que seguem firme como titulares. Casey Stoner foi campeão também em 2011, correndo pela equipe da Honda. O australiano estreou na classe rainha do motociclismo em 2006, e deixou a MotoGP ao fim da temporada de 2012, tendo obtido um total de 38 vitórias, 39 poles, e 1.815 pontos. Stoner abandonou a competição por não concordar com os rumos que a categoria estava tomando. Mas nunca se distanciou totalmente da MotoGP. A Ducati cresceu bastante nesta temporada, embora tenha sido impotente para se meter no meio da luta Honda X Yamaha, mas a intenção é diminuir ainda mais esta diferença no próximo ano, e a ajuda de Stoner nos testes é vista como um passo importante nessa evolução que a marca pretende conseguir no curto prazo. Vejamos o que eles conseguem se aprimorar com os esforços do bicampeão australiano.


Derrotada pela Toyota no WEC em 2014, e amplamente superada pela Porsche no campeonato deste ano, a Audi planeja o contra-ataque para 2016, com a apresentação do novo modelo R18, que incorpora importantes mudanças nos sistemas híbridos de recuperação de energia, entre os quais a adoção de baterias de íon-lítio, assim como a Porsche. A capacidade dos sistemas também será ampliada, passando dos 4 MJ para 6 MJ, de forma a diminuir a diferença para os novos campeões da categoria. O motor turbodiesel foi completamente revisado, e deverá apresentar melhor resposta de performance. Para completar, a Audi confirmou também seus trios de pilotos para o próximo ano, permanecendo os pilotos Marcel Fassler, André Lotterer, Benoit Treluyer, no comando do carro 7; e Lucas di Grassi, Loic Duval e Oliver Jarvis, no carro 8. Resta saber se os melhoramentos no modelo conseguirão levar a Audi de novo para a dianteira da competição, lembrando que a Porsche não deverá ficar parada, e certamente também irá evoluir o seu equipamento para o próximo ano. Aliás, seguindo o exemplo da Audi, a Porsche também manterá seus atuais pilotos titulares para 2016. O trio campeão Mark Webber, Timo Bernhard e Brendon Hartley tentará conquistar o bicampeonato, ao lado do trio Neel Jani, Romain Dumas e Marc Lieb. A parada promete ser acirrada entre os dois times alemães.


A equipe Lótus de F-1 fechou o campeonato de 2015 aos trancos e barrancos financeiros. Para chegar à última prova, em Abu Dhabi, o time inglês precisou de uma ajuda de Bernie Ecclestone, que bancou o transporte para a corrida de encerramento da temporada. E ainda não foi oficializada a recompra da escuderia pela Renault, embora esteja quase tudo certo, faltando apenas tudo ser posto preto no branco no papel. O time fechou o campeonato na sexta colocação, com 78 pontos, e deu sorte de não ter sido superada pela Toro Rosso neste final de campeonato, uma vez que o time “B” da Red Bull vinha tendo melhor performance do que os carros pretos e dourados. E pelo menos conseguiu mostrar alguma recuperação, pois em 2014 foi oitavo colocado na competição, tendo marcado apenas 10 pontos. Se não tivesse enfrentado problemas financeiros, poderia até ter finalizado melhor o ano. Resta esperar agora pelo retorno da escuderia ao comando da Renault em 2016, e esperar por dias melhores.