quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

ARQUIVO PISTA & BOX - NOVEMBRO DE 1996 - 14.11.1996




            Trazendo mais um antigo texto, esta coluna foi lançada em 14 de novembro de 1996, e fazia um balanço do que tinha sido o campeonato da Fórmula Indy naquele ano, que consagrou o americano Jimmy Vasser e iniciou a sequência de títulos da escuderia de Chip Ganassi, que até então era tido apenas como uma equipe média na categoria. Foi o apogeu da carreira de Vasser, que nunca mais venceu nenhum campeonato nos anos que se seguiram de domínio da Ganassi na competição. Seus azares chamavam-se Alessandro Zanardi e Juan Pablo Montoya, que simplesmente jogaram Jimmy para escanteio dentro da escuderia e conquistaram 3 títulos consecutivos para o velho Chip. Hoje, Vasser virou dono de equipe, sendo co-proprietário da KV Racing, que teve o brasileiro Tony Kanaan como piloto nos últimos 3 anos. Fiquem agora com o texto, e boa leitura...

  INDY 96


            Semana passada, eu fiz uma revisão do campeonato da F-Indy deste ano com relação ao que os pilotos brasileiros fizeram este ano. Hoje, é a vez de fazer uma análise do mundial de 96 da F-Indy como um todo.

            Foi mais um ano de competição acirrada entre os pilotos da Indy, o que prova ser uma categoria muito competitiva e disputada, embora este ano não tenha sido tanto assim. Em relação ao número de equipes que venceram corridas, houve um retrocesso em relação a 1995, quando 7 escuderias conseguiram atingir o degrau mais alto do pódio. Este ano, apenas 4 times conseguiram este feito.

            Como não poderia deixar de ser, a equipe Chip Ganassi mostrou ter o melhor equipamento da temporada, o chassi Reynard 961 associado ao potente motor Honda V-8 turbo, mais os pneus Firestone, que demonstraram visível superioridade aos Goodyear durante quase toda a temporada. Mas não foi só o equipamento certo que permitiu a Jimmy Vasser e a Alessandro Zanardi conseguirem 7 vitórias na temporada, e terminarem, respectivamente, como campeão e 3º colocado no campeonato. A equipe também mostrou uma preparação exemplar do carro, que revelou-se competitivo em quase todos os circuitos do calendário.

            Felizmente para a competição do mundial, a Chip Ganassi não obteve todos os resultados potenciais que almejava,do contrário o campeonato teria terminado muito mais cedo, talvez com 3 ou 4 etapas de antecedência. Fatores alheios como acidentes e fiabilidade mecânica prolongaram a disputa até Laguna Seca, última etapa da temporada, onde Vasser alcançou o título. Jimmy Vasser, aliás, por pouco não o perdeu, pois após a US500, onde obteve sua 4ª e última vitória, decaiu muito em termo de resultados, ficando afastado das primeiras posições por um bom período. Não foram problemas do equipamento, e sim do piloto, visto que Alessandro Zanardi, seu companheiro de equipe, disputava os primeiros lugares das etapas seguintes e até chegava a vencer. A pressão de liderar o campeonato sem dúvida deixou o americano muito tenso, mesmo quando sua vantagem já lhe permitia correr apenas por resultados.

            Foi o bastante para a concorrência se animar e partir para o ataque: Michael Andretti alcançou 5 vitórias e foi o piloto quem ais venceu no ano, alcançando o vice-campeonato na etapa final. O filho de Mario Andretti, entretanto, foi o próprio culpado de não ter ido mais longe: nas etapas iniciais do ano, Michael se envolveu em inúmeros acidentes, a maioria deles provocada pelo seu arrojo excessivo ao volante, que até motivou uma advertência da CART para tomar mais cuidado. Não fossem tantas batidas, Michael poderia ter chegado ao bicampeonato.

            A equipe Hall também foi à luta, mas inúmeros azares, como já mencionei semana passada, impediram Gil de Ferran de concretizar seus planos. A própria Newmann-Hass parecia duas equipes diferentes: enquanto Michael Andretti conseguia vencer corridas e avançar na disputa pelo título, Christian Fittipaldi não conseguia encontrar fiabilidade em seu carro nas etapas finais do certame, o que o prejudicou muito.

            A Penske teve sua pior temporada de que há memória: terminaram o ano sem nenhuma vitória. Seus únicos feitos foram 2 pole-positions de Paul Tracy. Depois do extraordinário sucesso do chassi de 94, a Penske parece não ter conseguido mais reencontrar o caminho do desenvolvimento de seus carros. Enquanto em 95 o time conseguiu alguma reação e lançou Al Unser Jr. à disputa do título, este ano a disputa foi muito menor, e “Little” Al só conseguiu chegar lá por sua regularidade. Na melhor oportunidade de vencer, em Road America, o filho de Al Unser foi traído pelo motor Mercedes de seu Penske quando faltava meia volta para encerrar a corrida, numa das raras ocasiões em que o chassi mostrou-se competitivo. Já Paul Tracy teve como pior inimigo seu pé direito em excesso no acelerador, o que o fez sofrer inúmeros acidentes, assim como quebras no seu carro. Al Unser Jr., com uma condução mais suave, conseguiu poupar mais o seu equipamento, e terminou maior número de provas. Porém, nem um nem outro conseguiram superar as deficiências de competitividade do carro. Essa mesma queda de performance minou as esperanças de Émerson Fittipaldi também, como relatei semana passada.

            A Tasman, depois do bom ano de estréia em 1995, parecia prometer vôos maiores em 1996, mas não conseguiu fazer isso a contento. Poles e vitórias foram alcançadas, mas a equipe não conseguiu ir além de certo nível, ficando a dever nas etapas finais. Mas a maior desilusão foi a equipe Green, que depois de conquistar o mundial do ano passado com Jacques Villeneuve, teve um ano medíocre, com a escuderia perdendo o bom entrosamento de seu corpo técnico e padecendo o ano inteiro de falta de fiabilidade mecânica, algo muito importante em um campeonato equilibrado como o da F-Indy. Não restou muito o que Raul Boesel pudesse fazer, e nem o milonário patrocínio da Brahma. No fim da temporada, a Green perdeu Boesel, o patrocínio da cervejaria brasileira, e até o piloto que teria para o próximo ano, pois Robby Gordon preferiu ir para a Nascar. Neste momento, o futuro do time para o ano que vem é totalmente incerto...

            Outros nomes em potencial para vencer foram Robby Gordon, que teve suas performances tolhidas pela péssima fiabilidade mecânica do conjunto Reynard/Ford XD (o mesmo da equipe Green), e Bobby Rahal, que não vence uma corrida desde 1992, quando conquistou o tricampeonato. Problemas de pista, assim como falta de fiabilidade mecânica, foram constantes ao longo do ano; ainda assim, terminou o ano em 7º lugar. Seu companheiro de equipe, Brian Herta, ficou em 8º.

            Resumindo, o campeoanto de F-Indy de 96 foi uma disputa de azares, literalmente. Ganhou a parada quem teve menos problemas durante a temporada. Para o bem do espetáculo, a Chip Ganassi felizmente não conseguiu explorar todo o seu potencial, mas para o azar do mesmo, a concorrência também não conseguiu aproveitar as chances que isso lhe deu em sua totalidade. Mas competição é isso; e que em 97 ela esteja presente mais do que nunca no campeonato da F-Indy...





Classificação final do Campeonato de F-Indy (até o 29º colocado):



1) Jimmy Vasser
154
16) Mark Blundell
41
2) Michael Andretti
132
17) Parker Johnstone
33
3) Alessandro Zanardi
132
18) Robby Gordon
29
4) Al Unser Jr.
125
19) Émerson Fittipaldi
29
5) Christian Fittipaldi
110
20) Eddie Lawson
26
6) Gil de Ferran
104
21) Roberto Moreno
25
7) Bobby Rahal
102
22) Raul Boesel
17
8) Brian Herta
86
23) Juan Manuel Fangio II
5
9) Greg Moore
84
24) Jan Magnussen
5
10) Scott Pruett
82
25) Scott Goodyear
5
11) André Ribeiro
76
26) P. J. Jones
4
12) Adrian Fernandez
71
27) Maxximiliano Papis
4
13) Paul Tracy
60
28) Hiro Matsushita
3
14) Maurício Gugelmim
53
29) Marco Greco
2
15) Stefan Johnsson
43







Uma tragédia ocorreu domingo passado no kartódromo de Manaus, onde era disputada mais uma etapa do campeonato amazonense de kart: Carlos Eduardo Azevedo, de 12 anos, ao tentar ultrapassar Wandermarkison Almeida, também de 12 anos, acabou sofrendo um violento acidente. Os dois karts se tocaram e o de Carlos Eduardo acabou sendo projetado para o ar, capotando 3 vezes, em uma delas sobre o corpo do menino, que sofreu fratura da coluna vertebral. Carlos Eduardo Azevedo disputava corridas de kart há 5 anos, e acabou morrendo ainda na pista.





Depois dos testes realizados no autódromo do Estoril, semana passada, a FOCA já planeja outra sessão para os dias 25 a 28 deste mês. E declarou ainda que tem a intenção de programar, para o início de fevereiro de 97 uma semana de testes no circuito de Interlagos, visando testar os novos carros 97, bem como os pneus Goodyear e Firestone/Bridgestone. A última vez que as equipes de F-1 testaram no Brasil foi em 1989, no circuito de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.





Nova fofoca à solta nos bastidores da F-1: A Sauber vai usar motores Ferrari V-10 no campeonato de 97. Os motores, segundo os boatos, não terão o logo da escuderia de Maranello nos cabeçotes. A Ferrari nega o acordo, mas dizem que Peter Sauber, proprietário da equipe suíça, já teria divulgado até detalhes do contrato, devidamente assinado. Até o momento, fica como boato...

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

ABRINDO O ANO COM O DAKAR



Roteiro do Dakar 2014: etapas na Argentina, Bolívia, e Chile. Ainda não foi dessa vez que o Brasil entrou na rota...

            Já virou tradição há muitos anos o ano do automobilismo mundial começar com a disputa do maior rali do mundo, o Dakar, e este ano não foi diferente: a competição iniciou domingo passado a sua 35ª edição, pelo 5° ano consecutivo em terras sul-americanas. Este ano o percurso sofreu algumas modificações: ficou mais longo, deixou o Peru de fora de sua rota, e continua ignorando o Brasil.
            A largada foi no domingo passado em Rosario, de onde mais de 500 participantes partiram para enfrentar aquele que é considerado o maior rali do mundo em dificuldade, característica marcante das edições disputadas no continente africano, e que felizmente não se perdeu quando precisou mudar de ares por questões de segurança, já que o número de malucos radicais que proliferam em vários lugares do mundo colocavam em perigo os participantes na África. Além da Argentina, o Dakar 2014 faz uma pequena incursão na Bolívia, chegando à cidade de Uyuni, antes de partir para o Chile, onde terá sua reta de chegada no dia 18 na cidade de Valparaíso. Depois de uma semana de competições, hoje os participantes terão a etapa entre as cidades de San Miguel de Tucumán e Salta. Amanhã todos terão o merecido dia de descanso, antes de partirem para a segunda metade do rali, ou pelo menos quem ainda estiver inteiro.
            Para este ano, a competição aumentou o tamanho do percurso em todas as categorias de participantes. Para os competidores nas motos e quadriciclos, houve um acréscimo total de cerca de 311 Km; para os carros, a distância a ser percorrida aumentou em 800 Km. E as equipes da categoria dos caminhões acabaram premiadas com um aumento brutal de percurso: serão mais 1.067 Km a serem vencidos. Com apenas 13 dias de competição, o aumento de percurso para todos implica em maior velocidade em alguns trechos, e por tabela, forçar mais os equipamentos. Nada como um rali depois do outro...
            Para os competidores, apesar dos percalços, tudo em ordem, afinal, são mais quilômetros de emoção, e os chamados "loucos do deserto", como ficaram conhecidos os dakaristas, vivem pela emoção da competição. E a emoção não demorou muito a aparecer nos sustos enfrentados pelos competidores: na  terça-feira, o espanhol Joan Barreda, que vinha surpreendendo e liderando a competição nas motos, fez a primeira vítima do Dakar 2014 ao atropelar uma vaca. Barreda deu sorte de não se machucar, e ainda conseguiu terminar a etapa do dia, entre as cidades de San Rafael e San Juan na frente, mesmo com algumas avarias na sua moto Honda. Quem não teve a mesma sorte foi o português Ruben Faria, que sofreu um tombo com sua moto KTM e precisou ser resgatado de helicóptero e levado a um hospital. Felizmente, passa bem, e o abandono da competição foi a maior consequência, quando ocupava a 6ª colocação nas motos. Melhor sorte em 2015...
            Os brasileiros este ano tiveram azar na categoria motos: ontem nossos dois participantes deram adeus à competição. Dário Júlio levou um forte tombo e também precisou ser resgatado e levado para um hospital, com fratura no punho na clavícula. Já Jean Azevedo teve um problema mecânico em sua moto na quarta, e em consequência disso, não passou por todos os pontos de checagem exigidos na competição, e teve sua desclassificação anunciada na manhã de ontem. O jeito é tentar novamente no ano que vem.
            Enquanto isso, o espanhol Marc Coma assumiu a liderança na categoria motos, com a KTM, desalojando seu conterrâneo Juan Barreda, com Honda, da 1ª posição no rali. O chileno Francisco López Contardo ocupa a 3ª posição, pilotando uma KTM. Quem não está tendo um boa participação este ano é o francês Cyril Despres, da Yamaha, campeão nas motos em 2013, mas que ocupa apenas a 13ª posição até ontem, com mais de 2 horas de desvantagem para o líder Coma. Nos quadriciclos, a liderança está com o uruguaio Sergio Lafuente, seguido pelo chileno Ignacio Casale e o polonês Rafal Sonik, todos com equipamentos Yamaha.
            Na categoria carros, a dupla Nani Roma e Michel Perin, da Mini, ocupa a liderança, seguidos por outro Mini, pilotado por Orlando Terranova e Paulo Fuiza. O campeão de 2013, o francês Stéphane Peterhansel, e seu compatriota Jean Paul Cottret, seguem na 3ª posição, consolidando os Minis na categoria no Dakar 2014. Guilherme Spinelli e Youssef Haddad, com Mitsubishi, ocupam a 16ª posição na competição, com quase 3 horas e meia de desvantagem para o líder na categoria. Já a outra dupla brasileira nos carros, Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmim, também com Mitsubishi, até o fechamento desta coluna, não aparecia no balanço da cronometragem final desta quinta-feira divulgada pela organização do Dakar.
            Nos caminhões, a competição segue com o trio formado por Gerard de Rooy, Tom Colsoul, e Darek Rodewald na liderança, pela equipe da Iveco, largando mais de meia hora de vantagem sobre os temidos modelos russos da Kamaz, que formam um trio de perseguidores ao peso-pesado da fábrica italiana, que nesta quinta-feira dominaram o dia em sua categoria, mostrando força para endurecer a competição.
            Depois do merecido descanso de manhã em Salta, os competidores seguem para a Bolívia, rumo a Uyuni, e de lá, para Calama, entrando já em território chileno, onde se darão as derradeiras etapas da competição, passando por locais belos, como o deserto do Atacama, na penúltima etapa da competição, dia 17. E veremos quem estará na frente na chegada do dia 18, em Valparaíso, no final da semana que vem. Por enquanto, esta edição do Dakar está sendo leve em termos de feridos e problemas, mas no rali nada é previsível, e a segunda metade da competição pode apresentar um quadro extremamente diferente, com surpresas a todo instante, que aliás, já andaram ocorrendo em algumas das etapas desta semana, com alguns competidores se sobressaindo mais do que alguns esperavam, e com dificuldades surgindo a todo instante. Mas afinal, isso é o Dakar. Previsibilidade não está no roteiro, e sim a aventura da competição.
            Que todos os participantes que ainda se encontram na competição possam chegar a Valparaíso dia 18. No Dakar, completar o rali já é um feito, e isso é motivo de comemoração tão justa como para aqueles que tem a honra de vencer a competição.


O estado de saúde do heptacampeão Michael Schumacher segue sem maiores novidades. Michael continua em coma induzido, e seu estado, de acordo com o último boletim, ainda é crítico e o panorama de recuperação continua incerto. Imagens de uma câmera que Schumacher levava em seu capacete mostrou que o ex-piloto estava de fato fora das áreas delimitadas, mas não muito, e que esquiava com velocidade compatível com seu grau de habilidade. Tudo indica que foi um acidente infeliz, sem um motivo mais contundente para o ocorrido. Simplesmente aconteceu. O que o tornou diferente foi ter sido Michael Schumacher a vítima, e não alguém desconhecido. Nas últimas semanas, houve relatos de outros esquiadores que infelizmente faleceram vítimas de acidentes ou de avalanches em estações de esqui na Europa, e nenhum deles teve o mesmo destaque. O que chegou perto foi a notícia do acidente sofrido pela chanceler Angela Merkel, que também estava esquiando no Natal e sofreu uma queda forte, fraturando a bacia, mas já tendo recebido alta do hospital. O quadro de Schumacher segue estável, o que em si é uma boa notícia, mas ainda não dá para saber como se dará sua recuperação. No momento, a família do ex-piloto pede privacidade e respeito pelo momento difícil que estão atravessando, e que a imprensa os deixe em paz e permitam aos médicos fazerem o seu trabalho. Felizmente o número de jornalistas que fazem plantão em frente ao hospital diminuiu, mas eles continuam lá. Não há muito o que fazer quanto a isso: Schumacher é notícia. Só resta esperar que eles se comportem e honrem a profissão, e não tentem forçar a barra cometendo despaupérios na busca desenfreada por notícias sobre o estado do heptacampeão de F-1, como o do imbecil que se disfarçou de padre e conseguiu burlar a segurança do hospital, entrando até na sala de cirurgia...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

ARQUIVO PISTA & BOX - NOVEMBRO DE 1996 - 08.11.1996



            De volta com a seção Arquivo, trago hoje esta coluna datada de 08 de novembro de 1996, que fazia um apanhado do campeonato da Fórmula Indy naquele ano. No seu primeiro ano após o "racha" promovido por Tony George, nem é preciso dizer que o campeonato promovido pela CART estava melhor do que nunca, vendo o americano Jimmy Vasser conquistar o título e ver o surgimento de uma potência na categoria, a equipe de Chip Ganassi, que passaria a dominar o certame nos anos posteriores. Para os brasileiros, o ano foi de altos e baixos: se vimos vitórias de novos brasileiros na categoria, infelizmente tivemos que ver o forte acidente de Émerson Fittipaldi, que forçou nosso primeiro campeão na F-Indy a pendurar o capacete profissionalmente. Mas felizmente Émerson se recuperou, e vive bem até hoje, o que nem sempre acontece com outros ases da velocidade que infelizmente têm menos sorte que outros. Fiquem com o texto, e em breve trago mais colunas antigas...


INDY BRASIL 96

            Com o fim dos campeonatos de F-1 e F-Indy de 96, é hora de fazer uma revisão de tudo o que ocorreu neste ano em ambos os mundiais, e fazer um balanço da situação. E, para começar, é hora de ver o que nossos pilotos andaram fazendo na F-Indy nesta temporada.
            Pelo segundo ano consecutivo, as perspectivas de nossos representantes na F-Indy indicavam claramente que teríamos vários candidatos potenciais ao título da competição. Entretanto, tal qual 1995, as expectativas não foram correspondidas. Alguns casos tiveram tamanha repercussão negativa que fica até difícil acreditar. Não só para os torcedores, como para os próprios pilotos.
            O que deu errado, afinal? Muita coisa: erros dos próprios pilotos, falhas de equipamento, azares de pista, etc. E ninguém melhor para ilustrar isso do que Gil de Ferran, que começou o ano como um dos principais favoritos ao título. Gil teve inúmeros contratempos, alguns provocados por si próprio, outros pela equipe, pelo carro, e pelos adversários na pista. Um exemplo foi o GP de Long Beach: largando na pole, o brasileiro dominou a corrida e caminhava firme para a vitória até que o motor Honda de seu Reynard apresentou defeito a poucas voltas do final, entregando a vitória de bandeja para Jimmy Vasser. No Rio de Janeiro, um cálculo errado de combustível deixou Gil parado na pista, fazendo-o perder 2 voltas na corrida e todas as expectativas de vitória. Já em Road America, Gil foi vítima de um chega-pra-lá de Alessandro Zanardi, tirando-o da prova. Por outro lado, em Mid-Ohio, Gil acabou vítima da própria impetuosidade, ao errar a freada da 1ª curva da 1ª volta e bater em Maurício Gugelmim. Se tivesse um pouco mais de sorte e tato, com certeza teria chegado ao título.
            Christian Fittipaldi terminou o campeonato como o piloto brasileiro melhor colocado, graças à sua regularidade. Correndo pela equipe Newmann-Hass, uma das melhores da categoria, o jovem sobrinho de Émerson Fittipaldi tinha tudo para chegar ao título. A fiabilidade de seu carro, contudo, acabou deixando o piloto na mão em várias ocasiões, enquanto em outras, houve imprudência por parte de outros pilotos, como em Long Beach, quando foi vítima de uma colisão com Greg Moore, que tentou ultrapassá-lo onde não dava. Em Road America, o carro o deixou na mão a poucas voltas do final, quando o pódio já era certo. Já em Detroit, fez sua melhor corrida, mas cometeu um erro e perdeu uma vitória praticamente certa; ainda assim, terminou a corrida em 2º lugar. Um pouco mais de fiabilidade teria ajudado muito.
            Já Émerson Fittipaldi, por sua vez, teve sua pior temporada na Indy, desde a sua estréia em 1984. Correndo pela Penske/Hogan, uma “filial” da equipe Penske, Émerson começou o ano esperançoso, tendo agora um esquema todo voltado para si. O violento acidente em Michigan, entretanto, abreviou sua temporada, que já vinha sendo de poucos resultados devido à pouca competitividade do carro, mais pronunciada em seu time. Felizmente que Émerson escapou sem graves ferimentos, mas foi por muito pouco que não ficou paralítico, exigindo uma operação que exigirá um bom tempo de recuperação. Fora isso, nosso campeão enfrentou inúmeros problemas com o complicado chassi Penske. Além disso, a fiabilidade do equipamento deixou Émerson a pé em inúmeras provas. Isso sem contar nos azares da equipe, que o fez ficar sem combustível na pista durante o GP do Brasil, igual a Gil de Ferran, perdendo as hipóteses de chegar ao pódio. Esperemos contar com Émerson de volta em 1997, mas isso até o momento é incerto. O mais provável é que ele encerre a carreira, provavelmente.
            Já Raul Boesel, sem dúvida alguma, foi o piloto que mais desiludido ficou este ano. Correndo pela equipe campeã de 95, Raul tinha certeza de que conseguiria, enfim, vencer corridas na Indy. Deu tudo errado: a escuderia andou praticamente à deriva, enfrentando problemas crônicos de fiabilidade mecânica, boa parte delas no gerenciamento eletrônico do motor Ford, problema que persistiu por toda a temporada, e que deixou Boesel a pé praticamente durante mais de metade das corridas do ano. Sua melhor prova foi justamente no Brasil, onde chegou até a brigar pelo pódio. Fora disso, não teve uma só corrida onde não enfrentou vários problemas. Para piorar, Barry Green, dono do time, acusou o piloto de falta de comunicação com os engenheiros, sem que o piloto paranaense tivesse realmente culpa. A própria capacidade da equipe, ímpar em 95, parece ter desaparecido por completo, pelo fato de enfrentarem durante o ano todo um mesmo problema sem conseguir solucioná-lo. Raul Boesel tenta agora, em 97, pela equipe Patrick Racing, conseguir atingir os objetivos que não alcançou nesta temporada.
            Maurício Gugelmim, o melhor brasileiro colocado em 1995, enfrentou uma queda de rendimento na equipe PacWest. Avarias mecânicas, falta de fiabilidade e azares de pista foram freqüentes. Só no final da temporada, com a substituição do engenheiro de seu carro, Maurício conseguiu uma melhora de performance. De ressaltar, só o belo desempenho do piloto durante a US500, quando ficou em 2º lugar, e nas 500 Milhas de Michigan, onde foi 3º, ambas no mesmo circuito. Com a reestruturação da PacWest para 97, Gugelmim espera conseguir finalmente vencer corridas e disputar o título.
            André Ribeiro foi o piloto nacional que conseguiu os melhores resultados individuais da temporada, com 2 vitórias, sendo o único a vencer corridas, além de Gil de Ferran (que venceu em Cleveland). A Tasman, entretanto, teve problemas para desenvolver o seu equipamento além de certo ponto, pelo que o piloto brasileiro, apesar de contar com os pneus Firestone e o motor Honda, não conseguiu ir além da 11ª posição no final do campeonato. Vale ressaltar vários abandonos durante a temporada, algumas provocadas pelo próprio André, outras por problemas mecânicos, e azares de pista. A Tasman também está sendo reestruturada para o próximo ano, e com certeza André espera conseguir os resultados que almeja.
            Roberto Moreno foi o único piloto brasileiro a conseguir mais do que o esperado. Correndo pela modesta Payton/Coyne, Roberto impressionou o time pela competência e profissionalismo. O ponto alto de sua temporada foi o 3º lugar na US500. Regular com o equipamento e dando o máximo de si, Roberto só não foi mais longe porque isso seria pedir demais, tendo em vista as reais condições técnicas de seu time, um dos piores da categoria. Mesmo assim, Moreno conseguiu muito mais do que a própria equipe esperava. Já Marco Greco teve desentendimentos com a equipe Scandia, e foi demitido após o GP do Brasil. Mesmo assim, Greco obteve 2 pontos com o 11º lugar no Rio de Janeiro. Curiosamente, desde que estreou na Indy, Greco só conseguiu marcar 2 pontos por temporada. A meio do ano, o piloto encontrou lugar na nova Indy Racing League (IRL), conseguindo alguns resultados e deverá permanecer por lá em 97.
            Este foi o retrospecto de nossos pilotos este ano na F-Indy. Alguns erros, vários problemas mecânicos e azares alheios ao controle impediram-os de obter melhores resultados. Mas não há azar que sempre dure, e o panorama para 97 continua otimista. Vamos manter a esperança, afinal, ela é a última que morre...


Começou a pré-temporada 97 na F-1. Várias equipes estão reunidas no autódromo do Estoril desde quarta-feira, testando inúmeros componentes novos para a próxima temporada. Aproveitando o embalo, a Goodyear também resolveu participar dos testes na pista portuguesa, experimentando inúmeros compostos de pneus. A fábrica norte-americana, receosa de sofrer na F-1 a mesma humilhação da Firestone vista no campeonato da F-Indy, resolveu apressar o desenvolvimento de seus pneus. Entre os nomes de peso estão Gerhard Berger e Jean Alesi, treinando com a Benetton; e a dupla titular da McLaren, Mika Hakkinem e David Couthard. Michael Schumacher inicia os testes hoje pela Ferrari. Entre os brasileiros, Pedro Paulo Diniz e Tarso Marques testam com a Arrows os novos pneus Firestone da Bridgestone. Diniz já é piloto titular do time para 97, e Tarso assinou contrato de piloto de testes até o início do próximo ano, e vem testanto intensivamente os novos pneus japoneses, obtendo bons resultados, que evoluem suas marcas a cada nova sessão de testes.
 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

UM MAL COMEÇO...


Schumacher é um esquiador experiente, mas isso não impediu que se acidentasse feio. Agora é torcer por sua recuperação.

            Definitivamente, 2014 já não começou muito bem para o mundo do automobilismo. O acidente sofrido por Michael Schumacher enquanto esquiava em uma estação francesa deixou o ânimo de muitos fãs da velocidade apreensivos. Até o fechamento desta coluna, a primeira de um novo ano, a situação do heptacampeão permanecia incerta no hospital para onde foi levado, em que pese as notícias de melhoras em seu estado, pois de acordo com os médicos, ainda é totalmente imprevisível dizer se o ex-piloto vai se recuperar totalmente.
            A comoção do infortúnio sofrido por Schumacher lembra o que todos nós, brasileiros, e demais fãs do esporte a motor, vivemos em 1994, por ocasião do Grande Prêmio de San Marino. Ayrton Senna bateu na veloz curva Tamburello, e apesar da violência da batida, pelos acidentes que já tínhamos visto em tempos recentes na categoria máxima do automobilismo, e levando-se em conta que o carro resistiu bem à pancada no muro, todos achávamos que Senna iria sair do carro sem problemas, mesmo que demorasse uns instantes e pudesse até cambalear meio tonto, pois era uma pancada forte. Infelizmente, os momentos iam passando, e começávamos a ver que as coisas, infelizmente, tinham sido mais sérias do que imaginávamos. O serviço de resgate entrou em ação, e quando o helicóptero decolou rumo a Bolonha, levando o piloto, tínhamos a certeza de que a situação era mesmo séria.
            Naquele dia, a angústia durou pouco: algumas horas depois, era comunicada a morte de Ayrton, deixando perplexas pessoas em todas as partes do mundo. Do pessoal que estava no autódromo, com a corrida tendo sido recomeçada, até os lugares mais distantes do planeta que acompanhavam a F-1, foi um baque. No último final de semana, voltamos a sentir sensação semelhante, agora com Michael Schumacher. Informações preliminares diziam que ele estaria consciente, e bem. Mas, ao fim do dia, ao recebermos a notícia de que Michael estava em coma, e em situação crítica, vimos que a situação infelizmente foi pior do que todos esperavam.
            Vivendo num mundo "acelerado", vários pilotos, em seus momentos de folga, procuram atividades que possam lhes dar sensação similar de quando estão ao volante. E Schumacher não é exceção: desde que se aposentou pela primeira vez, o heptacampeão se tornou praticamente de esportes radicais, entre os quais paraquedismo, e até participou de provas de motociclismo, o que lhe valeu, em 2009, um violento acidente que o fez parar no hospital, sem risco de vida, felizmente, mas que o obrigou a fazer alguns tratamentos, a fim de que pudesse voltar a pilotar em 2010, quando voltou à F-1, como piloto da Mercedes. Até então, o maior apuro que o alemão passara havia sido o seu acidente em Silverstone em 1999, quando quebrou a perna e ficou alguns meses afastado. Schumacher se recuperou completamente, e no ano seguinte, iniciaria a maior era de domínio de um piloto na história da categoria, mostrando que não havia sofrido sequelas, e que estava pilotando melhor do que nunca. Esquiar na neve era um dos passatempos preferidos de Michael no inverno, e ele se tornou um esquiador extremamente competente, tanto que chegava infelizmente a praticar esqui fora das pistas oficiais da Estação francesa, algo que não é proibido, mas que o hotel avisa ser perigoso e que quem o faz está por conta e risco próprios, uma vez que estão fora dos pontos seguros das rotas oficiais delimitadas pela direção do lugar. Michael estaria fora de uma das rotas "oficiais", quando acabou surpreendido ao bater em uma pedra que o jogou contra outra. Ainda surgem novos detalhes de como teria sido o acidente, mas neste momento, isso é o de menos. O importante agora, é a recuperação do ex-piloto, acima de tudo.
            E o dilema é preocupante: Michael precisou passar por duas cirurgias para aliviar o inchaço do cérebro, fortemente atingido na sua colisão com uma pedra. O capacete que ele usava, que salvou sua vida, rachou no impacto, o que dá a dimensão da gravidade e da força com que sua cabeça atingiu a pedra. Os médicos diagnosticaram vários edemas e hematomas pelo cérebro de Michael, que chegou a entrar em coma, situação a qual passou a ser mantida artificialmente pelos médicos, em um procedimento de rotina para diminuir a atividade cerebral e permitir que o corpo concentre suas energias em recuperar os ferimentos sofridos. O fato de Michael ter atingido estabilidade em sua condição, de acordo com um dos últimos boletins, indica uma melhora em seu estado, a ponto de terem suspendido os boletins diários, o que significa que a partir de agora é uma questão de paciência, e embora a situação ainda seja crítica e inspire cuidados, abriu-se o caminho de uma melhora, que pode conduzir em breve a um estado em que sua vida já não esteja mais em risco.
            Mas os médicos preferem a prudência, e concordo com eles. O cérebro humano, apesar de todos os avanços da medicina, ainda é um dos territórios mais inexplorados do corpo, e no momento, é impossível prever se o ex-piloto de F-1 terá plena recuperação, ou se sofrerá sequelas em virtude do acidente. Só mais à frente é que se poderá ter uma idéia mais precisa, e para isso, será imprescindível também que Michael recobre a consciência, para ver se não apresentará outros problemas. Não dá para precisar quantos dias irão manter o coma artificial. É preciso dar  tempo ao tempo, e isso pode demorar, quanto pode ocorrer rapidamente. O fato de ser um atleta, e ainda gozar de excelentes condições físicas é um ponto positivo, que pode ajudar a se recuperar mais rapidamente, mas não há garantias. Pode levar uma semana, ou um mês, ou até mais, ou apenas poucos dias.
            No momento, a maior preocupação do hospital onde Michael está internado, é cuidar para que o local não vire uma romaria dos fãs do heptacampeão, como já virou um de jornalistas, sendo que um deles até se disfarçou de padre para entrar na sala de cirurgia, num gesto impensado e irresponsável de quem deveria ter mais respeito para com o sofrimento alheio. A direção do hospital já teve problemas com o mar de carros da imprensa estacionados ao redor do prédio, que estava comprometendo a circulação das ambulâncias. Tudo o que eles precisam agora é de paz e sossego para continuarem se concentrando em seus afazeres, que é cuidar de seus doentes, entre eles Schumacher. O fato de não divulgarem mais boletins diários ajuda a arrefecer o ímpeto dos repórteres, e espera-se que com o passar dos dias, não haja mais perturbações externas no local.
            Que Schumacher possa se recuperar e viver plenamente o resto de sua vida, que ainda tem muito pelo que viver. Hoje, ele completou apenas 45 anos, e sua recuperação, agora, seria o melhor presente que poderia receber neste momento difícil, que também está sendo muito duro para sua esposa, filhos, o irmão Ralf e o pai, que o acompanham atentamente no hospital. Que a sorte e competência que demonstrou em toda a sua carreira o acompanhe agora na recuperação, e que possa superar todos os desafios que porventura surgir.
            Tomara que o resto de 2014 não seja deste jeito...


Quando estava em férias durante uma temporada e outra, Ayrton Senna sempre se divertia em sua casa de praia em Angra dos Reis, e um dos seus passatempos preferidos era andar de jet ski, o que sempre fazia em alta velocidade. Em 1992, acabou se acidentando com o veículo, a ponto de bater a cabeça e sofrer um corte que precisou de vários pontos de sutura, sem maior gravidade, felizmente. E dias depois, o brasileiro, nos treinos para o GP do México daquele ano, ainda capotou seu McLaren numa curva do autódromo Hermanos Rodriguez, no México, que felizmente, foi um susto até menor do que o acidente com o jet ski. Mas o acidente mais grave, em 1994, infelizmente, foi fatal. E em 1° de maio deste ano, se completará 20 anos da morte do tricampeão brasileiro.


Neste final de semana começa o Dakar 2014, na Argentina. Semana que vem falo sobre o rali, o mais difícil do mundo, e que sempre faz algumas vítimas a cada ano. Espero que nesta edição todos saiam vivos, chegando ou não ao final da competição...

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

FLYING LAPS - DEZEMBRO DE 2013



            Um feliz ano novo a todo mundo, e que 2014 seja um ano muito melhor do que 2013, que teve seus bons momentos, mas também teve momentos que não foram nada bons. E, para começar o ano, é hora da primeira Flying Laps de 2014, relacionando alguns acontecimentos que ocorreram no mês de dezembro passado. Uma boa leitura a todos, e que estejam sempre presentes por aqui para acompanhar os novos textos deste ano...


Os fãs brasileiros de automobilismo perderam mais uma opção de informação na internet. O site Tazio (www.tazio.uol.com.br) encerrou suas atividades no último dia 31 de dezembro. Apesar de ostentar um alto índice de visitas, o site não estava conseguindo se manter por falta de anunciantes, e com as contas deficitárias, o grupo F451 resolveu encerrar o seu setor de informação esportiva e automotiva. Isso também afetou o outro site mantido pelo grupo, o Jalopnik (www.jalopnik.com.br), que também encerrou suas operações no último dia de 2013. Isso só evidencia como as coisas parecem não funcionar direito neste país. Em qualquer lugar do mundo, um site com grande audiência é sempre disputado quando o assunto é espaço publicitário, mas no Brasil, mesmo com toda a audiência que o site tinha, não estava conseguindo anunciantes. Pode ter sido falta de um projeto mais bem desenvolvido para "vender" a marca do Tazio, mas se levarmos em conta que até mesmo pilotos de talento comprovado andam com problemas para arrumar patrocínio por estas bandas, pode-se ver que há algo muito errado com nosso país, entre tantas outras coisas ainda mais erradas que já estamos cansados de saber todo santo dia. A todos os leitores fiéis do Tazio e do Jalopnik, meus pêsames pela falta que eles certamente farão em que curte informação automobilística e automotiva...


A Corrida do Milhão, em Interlagos, fechou a temporada da Stock Car 2013, e consagrou Ricardo Maurício, que chegou em 2° lugar na prova e faturou o bicampeonato na categoria. E quem festejou também foi Ricardo Zonta, que venceu de fato pela primeira vez na Stock Car, e faturou o prêmio de R$ 1 milhão, que segundo ele, será integralmente investido em seu time, a RZ, do qual é também o proprietário, além de piloto. Cacá Bueno bem que tentou, mas a 3ª posição não foi suficiente para levá-lo a mais um título. E Thiago Camilo também não conseguiu faturar o caneco de campeão, terminando a prova em 6° lugar apenas. Ricardo Maurício finalizou o ano com 218 pontos. Thiago Camilo ficou com o vice-campeonato, com 215 pontos, enquanto Cacá Bueno ficou em 3°, com 196. Cacá terminou à frente de seu parceiro Daniel Serra, que acabou abandonando a corrida e ficando apenas em 4° lugar no campeonato, com 181 pontos. Max Wilson fechou o ano em 5°, com 163 pontos.


Com a aposentadoria "forçada" de Dario Franchiti, Chip Ganassi já promoveu modificações na composição de seu time para a temporada 2014 da Indy Racing League. Tony Kanaan, que a princípio iria pilotar o carro N° 8, com patrocínio da NTT Data, agora irá conduzir o carro N° 10, que era do piloto escocês, e com o patrocínio da Target, parceira de longa data da Ganassi. Com isso, o carro que seria do piloto brasileiro já tem um novo dono: Ryan Briscoe, ex-piloto da Penske, que assumirá como piloto titular de Chip em 2014. Com isso, a Ganassi terá Scott Dixon, o atual campeão, e o brasileiro Tony Kanaan, no time principal, e no time secundário, Charlie Kimball e Ryan Briscoe. Ao lado do time de Michael Andretti, que terá em 2014 os pilotos Marco Andretti, Ryan Hunter-Reay, James Hinchcliffe e Carlos Muñoz, a Ganassi será a única escuderia a ter 4 pilotos em tempo integral no campeonato 2014. Logo atrás, com 3 pilotos, vem a Penske, que terá Will Power, Hélio Castro Neves, e Juan Pablo Montoya.


E a equipe Sauber fechou sua formação para 2014. Como muitos esperavam, o mexicano Esteban Gutiérrez acabou renovando para uma segunda temporada na escuderia suíça, que terá também o alemão Adrian Sutil. O russo Sergei Sirotkin, que era tido como titular favorito até semanas atrás, será o piloto de testes e reserva do time, uma vez que a grana das empresas russas que deveria bancar o novato não chegou na intensidade necessária para promover o garoto, ainda muito verde para a F-1, ao posto de titular. Sirotkin deve participar de vários treinos livres, ganhando experiência com o carro da categoria, e possivelmente estrear em 2015. Pelo menos, se o dinheiro prometido pelo grupo de empresas russas continuar chegando. Se a grana parar, a carreira do jovem Sergei pode ser abortada antes mesmo de começar, uma vez que no atual momento patrocínio conta mais do que tudo...


As relações entre a Indycar, entidade que comanda a Indy Racing League, e a TV Bandeirantes, já não são mais as mesmas: a organizadora do certame da IRL entrou com ação contra a emissora paulista por quebra de contrato pela não-realização do GP do Brasil da categoria, cujo contrato era válido até 2016, já com prorrogação para 2019. A emissora, alegando corte de gastos, retirou seu apoio promocional e financeiro para a etapa brasileira do campeonato da IRL, que era realizado em uma pista de rua montada ao redor do complexo do Anhembi, em São Paulo. A corrida já não consta do calendário 2014 da categoria, e agora a direção da Indycar quer processar a emissora por não cumprir com sua obrigação de realizar a corrida. O corte de gastos promovido pela emissora vai além de apenas não realizar a etapa brasileira: o campeonato da IRL também deve deixar de ser transmitido, e apesar de não ter sido oficialmente dado como cancelado, este é outro ponto que também deverá dar dor de cabeça à Bandeirantes, pelo fato de haver contrato para transmitir a categoria para o Brasil em 2014. Mas, pelos bastidores da emissora, a conversa é de que a IRL já era na programação do Grupo Bandeirantes, tanto na TV aberta quanto no canal pago Bandsports. O motivo: corte de gastos, sob alegação de que as corridas não davam lucro financeiro. Os maiores perdedores, como já mencionei em coluna específica sobre o assunto, são os fãs da velocidade, que não apenas perderam uma corrida que estava se tornando um atrativo interessante, mas também um campeonato que prometia boa duelos em 2014...


A equipe Foyt confirmou a renovação do contrato do japonês Takuma Sato para continuar no time para a temporada 2014 da IRL. Sato surpreendeu no início da temporada, ao vencer a prova de Long Beach, e até assumir a liderança do campeonato por um breve momento, quando por pouco também não venceu a etapa brasileira, perdendo a corrida na última curva da última volta para James Hinchcliffe. Infelizmente, Sato e o time perderam fôlego com o avanço da temporada, e o nipônico finalizou o campeonato apenas em 17° lugar. Tanto Sato quanto a escuderia estão confiantes em melhores dias em 2014...


Quem também está de olho de um arrumar uma vaga na Indy Racing League em 2014 é o brasileiro Luiz Razia, que vê na categoria estadunidense uma chance melhor de dar seguimento à sua carreira do que as opções na Europa, que estão muito escassas para quem não dispõe de muito patrocínio. Razia correu este ano na GT Open, após ver frustrada sua contratação pela equipe Marussia, que chegou a anunciá-lo como titular, mas em virtude de não ter visto o dinheiro prometido por patrocinadores do brasileiro, rifou Luiz sem pensar duas vezes. Razia por enquanto está iniciando contatos na IRL, mas ainda tem esperanças de continuar na Europa, onde ainda anseia chegar de fato à F-1. Mas a parada está difícil, e mais do que nunca, os times estão pondo o financeiro na frente do talento, e nessa equação, o dinheiro sempre levou vantagem...


Preterido pela Red Bull na escolha de seus pilotos para a temporada 2014 da F-1 na equipe Toro Rosso, o time dos energéticos ofereceu uma compensação ao piloto português Félix da Costa. Além de ter sido escolhido como piloto reserva do time campeão da F-1, ainda lhe ajudou a arrumar contrato para disputar o campeonato 2014 do DTM pela equipe principal da BMW. Com isso, o piloto português ainda pode vir a estrear na F-1 em 2015, principalmente se Jean-Eric Vérgne não corresponder aos anseios de Helmut Marko nesta temporada...