quarta-feira, 29 de junho de 2016

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA - JUNHO DE 2016



            Pois é: metade do ano de 2016 já ficou para trás. Tem vezes que o tempo parece mesmo andar tão ou até mais veloz do que as máquinas de competição do mundo do esporte a motor. E é novamente a hora de trazer o habitual um balanço dos acontecimentos vividos pelo mundo da velocidade ao redor do mundo nestas últimas semanas, com mais uma edição da Cotação Automobilística, fazendo a tradicional avaliação do panorama deste mês que estamos deixando para trás, no velho esquema de sempre nas avaliações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Então, uma boa leitura para todos, e no mês que vem tem mais...



EM ALTA:

Alexander Rossi: O mundo do automobilismo é cheio de voltas, e também de reviravoltas. Sem chance de continuar na F-1 como piloto titular por um dos times mais fracos do grid, a Manor, onde permanece como piloto reserva, o norte-americano nascido na Califórnia encontrou a sua redenção na Indycar, ocupando um dos carros do time de Michael Andretti, numa parceria com a antiga estrutura do time de Bryan Herta. E contando com uma pilotagem segura e estratégia agressiva de economia de combustível, eis que o piloto novato na categoria de monopostos americana venceu a 100ª edição das 500 Milhas de Indianápolis, transformando o então desconhecido piloto no mais novo ídolo da história da Brickyard Line. Rossi praticamente já ganhou o seu ano no automobilismo, e o que vier a partir de agora pode ser considerado lucro, fazendo uma temporada honesta e ocupando a 10ª posição no campeonato, estando à frente de Marco Andretti e Ryan Hunter-Reay, seus colegas de escuderia. Nada mal para o piloto, que descobre que há vida no automobilismo fora da F-1.

Will Power: Piloto australiano da equipe Penske começou um pouco mal o campeonato, mas vem se recuperando ao longo da competição, vencendo as duas últimas corridas, e já ocupando a 3ª colocação no campeonato, com 294 pontos. Ainda tem muito chão pela frente até alcançar o companheiro de equipe Simon Pagenaud, que lidera a competição, mas se lembrarmos que há alguns anos atrás Power era quase imbatível nos circuitos mistos, os concorrentes que fiquem espertos, porque o australiano, quando engrena, não costuma dar chances aos adversários.

Equipe Penske na Indycar: O time de Roger Penske caminha firme para monopolizar a luta pelo título da categoria norte-americana de monopostos nesta temporada. Em 9 corridas disputadas até agora, a escuderia já venceu 6 provas, sendo 3 com Simon Pagenaud, 1 com Juan-Pablo Montoya, e 2 com Will Power, sendo que na classificação do campeonato, tem 3 pilotos ocupando as 3 primeiras colocações. Apenas Juan Pablo Montoya está um pouco aquém do esperado, ocupando a 9ª posição na classificação, mas que pode desembestar a qualquer momento, como já mostrou em outras oportunidades. Na perseguição aos pilotos da Penske, Scott Dixon, Tony Kanaan e Josef Newgarden estão por perto, na base da constância, mas vai ser preciso um pouco mais do que isso para destronar o time do velho Roger, que completou 50 anos de existência em fevereiro último, e pode muito bem comemorar a data histórica com mais um título na Indycar.

Marc Márquez: A “Formiga Atômica” não pode se queixar de seus resultados no campeonato da MotoGP neste último mês de junho. Marc pode não ter vencido, mas seus dois segundos lugares ampliaram sua vantagem na classificação, abrindo 24 pontos para Jorge Lorenzo, e 42 pontos para Valentino Rossi, o que será muito importante na luta pelo título da temporada 2016. Em Assen, Márquez fez bem em se contentar com a 2ª colocação, especialmente ao ver Rossi cair e dar adeus à uma vitória quase certa no traiçoeiro piso molhado da prova holandesa, enquanto Lorenzo nunca se achou direito na chuva. A Honda ainda não tem uma moto tão estável quanto a Yamaha, por isso, os resultados que Marc vem conseguindo são muito valiosos na luta pelo tricampeonato. Ainda tem muito chão pela frente, e o espanhol sabe que Valentino Rossi e Jorge Lorenzo não estão fora de combate, portanto, a dianteira é fundamental para manter o moral em alta, e não deixar o favoritismo pender para os adversários.

Lance Stroll: O piloto canadense da equipe Prema vem despontando como o grande favorito ao título da temporada 2016 da F-3 Européia. Com 15 corridas já disputadas em 5 rodadas triplas, metade do campeonato deste ano, Stroll já venceu 5 provas, um terço de todas as corridas da competição, e disparou na liderança, com 234 pontos, contra 148 pontos de Maximilian Gunther, que é colega de equipe na Prema. Além das 5 vitórias, o canadense acumula 6 pole-positions, 3 segundos lugares e um terceiro posto. Com a outra metade do campeonato pela frente, ainda há muito o que se ver até a decisão do título, mas a larga vantagem acumulada até aqui, fora a grande constância do piloto, que ficou sem pontuar em apenas uma corrida, são trunfos que certamente já fazem a diferença para os rivais, que estão precisando correr e muito atrás.



NA MESMA:

Porsche em Le Mans: A vitória era para ter sido da Toyota, mas nem por isso os alemães deixaram de comemorar o seu 18° triunfo em Sarthe. Depois de largar na primeira fila do grid, a escuderia alemã viu-se envolvida numa renhida disputa com o time japonês pela vitória nas 24 Horas de Le Mans deste ano, com a Audi ficando a ver navios na disputa. E, quando tudo já parecia perdido para a marca recordista de vitórias em Le Mans, eis que a fiabilidade do carro dos japoneses dá o ar da sua graça e termina por premiar a persistência dos alemães com uma nova conquista em Sarthe, que teve todos os méritos e respeito em reconhecer que o triunfo seria muito mais merecido por parte dos nipônicos, numa demonstração de fair play raramente vista numa categoria TOP do automobilismo mundial. Agora, é pensar na corrida de 2017, para não falar das demais provas do Mundial de Endurance...

Mundial de Rali com Sébastien Ogier na liderança: Ninguém pode negar que, em termos de vencedores, o campeonato mundial de rali neste ano até que está apresentando uma boa variedade de vencedores nas diversas etapas disputadas até aqui. Já são pelo menos 5 vencedores diferentes nos 6 ralis disputados este ano. O problema é que ninguém está conseguindo manter a constância na competição, exceto, claro, Sébastien Ogier, que venceu apenas duas provas, mas vem subindo ao pódio em todas as etapas do campeonato, enquanto os demais pilotos ora pontuam aqui, ora abandonam ali. Enquanto pilotos como Jari-Matti Latvala, Hayden Paddon e Thierry Neuville pontuaram apenas em metade das etapas, Ogier segue firme e longe na liderança da competição, com 132 pontos, quase o dobro do segundo colocado, Dani Sordo, que tem “apenas” 68 pontos. Ainda tem muito chão pela frente, e tudo pode mudar, mas se a situação seguir no ritmo em que se encontra, será mais um troféu na estante de Ogier ao fim da temporada, e que ninguém reclame depois que não foi avisado...

Duelo Nico Rosberg/Lewis Hamilton: Depois do fiasco de Barcelona, onde a Mercedes viu sua dupla de pilotos se eliminar da corrida ainda na primeira volta, tudo voltou mais ou menos ao normal nas etapas seguintes, com Hamilton finalmente desencantando no campeonato, e após a prova do Canadá, colocando a liderança de Rosberg em sua alça de mira, dando a entender que seria questão de tempo assumir a dianteira da competição. Mas, em Baku, no Azerbaijão, o tricampeão inglês voltou a ter um fim de semana atribulado, e como resultado, viu Rosberg recuperar o favoritismo e as rédeas da competição, voltando a colocar uma vantagem confortável de 24 pontos na dianteira do campeonato. Ainda não vimos até agora um duelo homem a homem entre a dupla da Mercedes onde nenhum dos dois tenha tido problemas na corrida em alguma etapa, mas entre erros e azares, Hamilton tem ficado abaixo de Rosberg na competição, mas já deu mostras de que, sem problemas de monta pela frente, pode muito bem inverter rapidamente a situação no campeonato. Resta combinar com Nico se isso vai acontecer tão fácil daqui para a frente...

Disputa Ferrari/Red Bull na F-1: Depois de duas corridas onde a Red Bull superou amplamente os pilotos da casa de Maranello, a situação voltou um pouco aos eixos pelo lado dos ferraristas, que conseguiram resultados mais condizentes nas pistas de alta velocidade do Canadá e do Azerbaijão, que se não deu para a Ferrari discutir a vitória, pelo menos superou o time dos energéticos e abriu uma certa dianteira no mundial de construtores. Mas o lance que pega é que a Ferrari não está conseguindo ameaçar a Mercedes como esperava, mesmo com o time prateado enfrentando mais problemas do que seria de se esperar. Por outro lado, o campeonato ainda tem várias pistas onde o motor não é tão fundamental, e nessas oportunidades, a Red Bull pode voltar a complicar as coisas para as hostes ferraristas, que esperavam estar brigando em outra frente, e não lutar pelo posto de 2ª força na competição.

Transmissão da Indycar na Bandeirantes: Quando anunciou que não iria transmitir o Campeonato Brasileiro este ano, a TV Bandeirantes deixou os fãs do automobilismo esperançosos de ver enfim a transmissão do campeonato da Indycar ser tratado com mais respeito, afinal, com um pouco mais de promoção e atenção, teria tudo para ser alavancado no Ibope, já que a emissora paulista não teria mais de priorizar os jogos de futebol. Bom, não custava sonhar, mas as etapas continuaram sendo transmitidas pelo canal pago Bandsports, enquanto o canal aberto mostrou apenas a transmissão do que já seria óbvio com ou sem futebol na grade da emissora. Nem mesmo um pouco mais de reportagem sobre a categoria andou sendo exibido, com as transmissões restringindo-se ao básico. Sem a competição do futebol, era hora de pelo menos a emissora valorizar um pouco mais o campeonato de monopostos americano, e melhorar o esquema de transmissão, fornecendo mais informações sobre a competição ao expectador. Mas parece que isso ainda continua sendo pedir demais para a emissora paulista...



EM BAIXA:

Disputa de datas da F-1 com outras categorias: Bernie Ecclestone tem a birra de achar que a sua categoria, a F-1, é sempre o suprassumo do automobilismo mundial, e por isso mesmo, não hesita em fazê-la bater de frente com outras corridas mundo afora. Se é verdade que é impossível conciliar os interesses de tantas categorias e modalidades no mundo do esporte a motor, por outro lado é possível pelo menos ter bom senso e evitar alguns confrontos onde se obriga o fã a optar por uma corrida em detrimento da outra, mesmo que seja na disputa pela audiência na TV. Se Bernie já faz marcação cerrada colocando o Grande Prêmio de Mônaco no mesmo fim de semana das 500 Milhas de Indianápolis, desta vez ele marcou a estréia do GP da Europa no nova pista de rua em Baku, no Azerbaijão, para o mesmo fim de semana das 24 Horas de Le Mans, outra prova histórica do mundo do automobilismo mundial. E deu no que deu: a corrida de F-1, contrariando as expectativas, foi monótona de dar sono, enquanto o pessoal que curtia Le Mans não desgrudava os olhos da pista na disputa entre as várias categorias em luta na pista, que culminou com uma vitória da Porsche nos extremos. Enquanto isso, em Baku, Nico Rosberg saiu na frente para chegar na frente, sem oposição alguma.

Equipe Toyota as 24 Horas de Le Mans: Diz o tradicional ditado que, para “chegar em primeiro, primeiro é preciso chegar”... E infelizmente, a Toyota, em sua 5ª participação nas 24 Horas de Le Mans desde a instituição do Campeonato Mundial de Endurance sofreu a sua mais dolorida derrota quando viu seu carro N° 5, rumando para a tão esperada vitória em Sarthe, ir a nocaute pelo defeito de uma pequena peça nu tubo de ar do intercooler, dando de bandeja para a rival Porsche mais um triunfo nas 24 Horas de Le Mans. Mesmo tendo contabilizado o 2° lugar com o outro carro da escuderia, ver o triunfo escapar tão perto do final, faltando apenas 6 minutos para completar uma prova de 24 horas, foi como sentir o chão desabar sobre os pés e cair direto dos céus para o inferno. Fossem outros tempos, o pessoal do time japonês provavelmente cometeria haraquiri em massa dentro do box, mas o que foi foi, e agora já se começa a planejar a participação na corrida do ano que vem, e se possível, com menos azar do que o visto neste ano...

Evolução da McLaren no campeonato: Depois de conseguir pontuar por três provas consecutivas, mostrando pelo menos um pouco de constância e esforço por parte de seus pilotos e desenvolvimento técnico, eis que a McLaren capitulou em duas pistas de alta velocidade, no Canadá e em Baku, mostrando que o motor da Honda ainda tem muito a melhorar, mas também o chassi do carro da McLaren, que não é tão bom quando alguns andam alardeando por aí, inclusive Fernando Alonso, que fala vez por outra que o time de Woking está evoluindo muito bem, e que pode até entrar na disputa pelo título no ano que vem, quando as regras da competição sofrerão mudanças na área técnica. A julgar pelo andamento dos carros no Canadá e em Baku, está faltando mais potência, mais fiabilidade, e mais competitividade no chassi. O único parâmetro onde a McLaren continua muito bem servida é no quesito piloto, mas sem carro à altura, eles não vão conseguir milagres também...

Corridas acidentadas na F-3 Européia: A garotada que disputa o certame europeu da F-3 anda doida para mostrar serviço, e neste objetivo, as corridas da categoria tem sido agitadas, talvez até demais... Na rodada tripla de Norisring, todas as três provas do fim de semana tiveram confusões entre os pilotos. Na primeira corrida no circuito de rua da cidade alemã, quem se enroscou feio foram os líderes Joel Eriksson e Callum Ilott, que se tocaram e abandonaram a corrida. Já na segunda prova, foi a vez dos brasileiros Sergio Sette Câmara da prova, se embolando com Niko Kari, e de Pedro Piquet pegando o rescaldo do rolo surgido entre Will Buller e Harrison Newey, numa corrida com 3 intervenções do Safety Car, já que Alessio Lorandi e Ralf Aron bateram na em uma curva, enquanto rolou confusão também entre os pilotos Ben Barnicoat e Ryan Tveter. E a derradeira corrida do fim de semana teve direito a bandeira vermelha interrompendo a prova, em virtude do acidente de Pedro Piquet, quando o brasileiro se embolou na traseira de Ryan Tveter e acabou decolando, seguindo reto na freada da curva do hairpin e acertando o carro de Niko Kari em cheio. Felizmente, ninguém saiu ferido de todas estas confusões, mas a garotada precisa se acalmar um pouco para não deixar a categoria com cara de derby de demolição...

Sauber em crise: Que o time suíço passa pelo pior momento em sua história na F-1 não é surpresa para ninguém. Mas a situação, segundo informações de alguns sites e informativos, estaria ficando pior do que já está, com vários funcionários sem receber salário há pelo menos dois meses, e que a própria chefe da escuderia, Monisha Kaltenborn, não visitaria à fábrica do time neste mesmo período, denotando que a situação é de total incerteza em relação ao futuro do time. Na divulgação oficial o clima é obviamente de otimismo, inclusive anunciando as primeiras atualizações do carro desta temporada para a prova de Silverstone, mas frente à falta de competitividade exibida até agora, as perspectivas de melhora não são das mais animadoras, a ponto de alguns já se perguntarem quanto tempo demora até que a escuderia feche as portas ou seja vendida para alguém interessado em continuar suas atividades. Seria o fim triste de mais uma escuderia na categoria, se os maus prognósticos a respeito da sobrevivência da Sauber para 2017 se confirmarem, ainda mais pelo fato de Peter Sauber ser um dos raros garagistas que ainda permanecem na F-1, ao lado de Frank Williams e Ron Dennis...

 



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