sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

FECHANDO 2013...


Interlagos sedia novamente a Corrida do Milhão, fechando o ano da Stock Car.

            Fim de ano chegando, e o ano automobilístico praticamente encerrado, é hora de escrever a última coluna de 2013, e partir para o merecido descanso de fim de ano, pois este foi um ano realmente corrido em vários aspectos, e alguns campeonatos infelizmente não empolgaram como deveriam, o que transformou a tarefa de acompanhá-los em um teste de paciência, por vezes nem sempre fácil de lidar. Então vamos dar alguns comentários sobre os últimos acontecimentos do mundo do automobilismo ocorridos nos últimos dias, fechar o PC e descansar para retornar com tudo em 2014...
            Neste final de semana temos o encerramento da Stock Car nacional, com a famosa Corrida do Milhão, em Interlagos. Além da disputa pelo título de 2013, restrita a Thiago Camilo, o líder, com 185 pontos, Daniel Serra, o vice-líder, com 181, Ricardo Maurício, com 178 pontos, e Cacá Bueno, com 160 pontos, a prova terá a participação especial de Bruno Senna, que competirá como piloto convidado, a exemplo do que ocorreu em edições anteriores da Corrida do Milhão, que teve nos últimos anos a presença de Rubens Barrichello, e do canadense Jacques Villeneuve. Bruno competirá pela GT Competições, mas ainda não definiu seu futuro em 2014. Opções são continuar na Endurance, onde obteve 3 vitórias este ano, e até mesmo o campeonato da Indy Racing League, onde disputaria apenas as provas em pistas mistas, não participando das corridas em ovais.
            Dentro da pista, os candidatos à luta pelo título prometem uma boa briga. A pontuação dobrada da etapa incita os pilotos: Daniel Serra venceu 3 corridas este ano, e quer fechar o campeonato com mais um triunfo e o título, logicamente; Thiago Camilo, por sua vez, não tem margem de pontos que lhe permita correr apenas por resultados: precisa da vitória acima de tudo. Para ambos, é tudo ou nada. Um pouco mais atrás, Ricardo Maurício também só pode pensar na vitória, e ainda precisa que seus rivais à frente na pontuação não fiquem imediatamente atrás de sua posição final, pois mesmo em caso de empate nos pontos, por ter apenas 1 vitória, já fica em desvantagem no desempate. E não se pode esquecer de Cacá Bueno, que certamente vai querer terminar o ano na frente. Com 160 pontos e 2 vitórias no ano, o piloto da Red Bull/Mattheis estaria fora matematicamente da briga pelo título, não fosse a pontuação dobrada da etapa final, mas nem por isso vai pensar menos em vencer. Resta saber que estratégia o time usará na prova, uma vez que Daniel Serra está melhor no páreo. Mas certamente dentro da pista vai ser cada um por si...
            E a parceria de Andrea Mattheis e a Red Bull vai durar um bom tempo, tendo sido anunciado esta semana sua renovação até o fim de 2016, o que inclui os contratos de seus dois pilotos. Assim, tanto Cacá Bueno quanto Daniel Serra também estão garantidos no time por mais 3 temporadas. Desde o início da parceria, a Red Bull/Mattheis já conquistou 3 títulos com Cacá Bueno, e ainda pode levar o troféu de 2013 com Daniel Serra. Nada mal...
            E a Stock aproveitou também para divulgar seu calendário de 2014, que terá novamente 12 etapas, com um intervalo de dois meses no meio, para não bater de frente com a Copa do Mundo. A primeira corrida será dia 23 de março, em Interlagos, passando no dia 13 de abril em Santa Cruz do Sul, e depois no dia 27 de abril em Goiânia. Em 1° de junho, corre em Ribeirão Preto, e então temos a pausa provocada pelo futebol. O retorno é apenas no dia 3 de agosto, com a Corrida do Milhão, em local ainda a ser definido. Seguir-se-ão as etapas de Cascavel (17.08), Curitiba (31.08), Velopark (14.09), Salvador (28.09), Curitiba (12.10), Tarumã (02.11), e o encerramento em Brasília no dia 16 de novembro. O esquema de transmissão continuará sendo o mesmo deste ano, com o campeonato passando de forma integral no SporTV, com apenas as provas de abertura, do Milhão, e do encerramento sendo exibidas pela TV Globo.
            Na Fórmula 1, as equipes Lotus e Force Índia fecharam seus pilotos para 2014. Como todos já imaginavam, o dinheiro do grupo Quantum revelou-se uma miragem do deserto, e o time de Enstone confirmou o venezuelano Pastor Maldonado como companheiro de Romain Grossjean na próxima temporada. Mas segundo os comentários, o buraco negro (literalmente) de dívidas do time estaria tão grande que possivelmente nem mesmo o polpudo patrocínio da PDVSA trazido por Maldonado poderá evitar um colapso financeiro na escuderia. A situação é tão grave que até o presente momento nem mesmo motor eles têm garantido para o próximo ano. E ainda tem uma bela conta pendurada dos salários não pagos de Kimi Raikkonem desta temporada, que podem apostar, o finlandês vai cobrar para receber, nem que seja na justiça. Tudo indica que o futuro da escuderia pode ser totalmente incerto em 2014, e olha que ainda nem cheguei a comentar os desfalques na área técnica que trocaram para outros times...
            Se a Lotus virou um ponto de interrogação, por outro lado a Force Índia já definiu sua dupla do próximo campeonato. Nico Hulkenberg retorna ao time de Vijay Mallya, e terá a seu lado o mexicano Sérgio Perez. Se Nico tinha esperanças maiores na Lotus, as agruras financeiras de Enstone podem ter lhe poupado de um possível calvário em 2014. Não que a Force Índia seja um time sem alguns percalços financeiros, mas perto do que anda acontecendo em Enstone, a escuderia indiana sediada ao lado do circuito de Silverstone neste momento parece um porto muito mais seguro e sólido para deitar âncora, teoricamente pelo próximo campeonato. Desde que estreou como dono de equipe, Vijay Mallya pelo menos deixou a escuderia firme no bloco intermediário, e isso não é pouca coisa. Este ano, não fosse a mudança dos pneus Pirelli para o retorno à banda de revestimento usada em 2012, a Force Índia poderia ter terminado o ano em posição muito melhor, tendo sido o principal time a perder rendimento com os novos "velhos" pneus. E Sérgio Perez tem agora um passo atrás na carreira: depois de perder a vaga na McLaren, que mesmo tendo um ano ruim, ainda era uma equipe de ponta, o mexicano agora tem a oportunidade de reconstruir sua reputação, momentaneamente abalada pela dispensa do time de Woking. Verdade que a McLaren deu uma forcinha para Perez encontrar seu lugar, mas como Martin Whitmarsh disse, cabe a Sérgio provar que o time errou ao dispensá-lo. Se Perez manter o foco, deve conseguir fazer isso sem maiores problemas, só precisa tomar cuidado para não bater rodas com Hulkenberg na pista: se isso já é meio chato em time de ponta, em equipe média, que precisa de todo resultado que puder conseguir, ver seus dois pilotos e disputa potencialmente fraticida na pista é uma atitude suicida...
            E a Sauber confirmou a contratação de Adrian Sutil para capitanear o time em 2014. Sobre a outra vaga, nada está definido. Esteban Gutiérrez é o favorito para permanecer, graças ao patrocínio de Carlos Slim, uma vez que o negócio com as empresas russas está tão firme e certo quanto o da Quantum com a Lotus. Ainda pode pintar grana na parada, mas o jovem russo Sergei Sirotkin, que deveria ser um dos titulares, deve ficar mesmo apenas como piloto reserva, e aproveitar para andar nos treinos livres, a fim de pegar o jeito da coisa. Mas se comenta que a Marussia poderia unir-se à Sauber, pois o pequeno time, que já foi a Virgin quando estreou em 2010, e atualmente tem "raízes" russas, pode não ter recursos para disputar o campeonato do ano que vem.
            Agora, ridículo mesmo foi a decisão da FIA de dobrar a pontuação da prova de Abu Dhabi em 2014, e tentar fazer da corrida um megaencerramento de temporada. Dizem que rolou grana preta nos bastidores, para que a corrida em Yas Marina voltasse a encerrar o campeonato. Até aí, dá para engolir. Agora, dobrar a pontuação, já foi forçar a barra. Certo, tem categorias que já adotam isso, inclusive nossa Stock Car, que terá na sua Corrida do Milhão de domingo o lance da pontuação em dobro. Mas a corrida já tem uma promoção diferenciada, com uma premiação singular, e todo um marketing, que tenta vender esta etapa como algo "a mais", que na minha opinião ainda precisa muito ser melhorado. Na F-1, por outro lado, não vejo como a prova no Oriente Médio ter um diferencial para justificar tal ato. Será que isso vai ser permanente, ou uma experiência? Se a intenção é tentar prolongar a disputa do título até o fechamento do campeonato, é um cheque totalmente sem fundos: neste ano, não mudaria nada na luta pelo título.
            Todas as corridas para mim têm de ser vistas com pesos iguais no regulamento. Nunca engoli esse lance de pontuação dobrada, e uma das coisas mais ridículas que vejo é lance do "chase" da Nascar, que nas provas finais, dá uma pontuação extra apenas aos pilotos mais bem colocados na classificação, como forma de dar mais emoção ao campeonato. Na minha opinião, isso desequilibra as etapas, que deveriam oferecer oportunidades iguais para todos tanto quanto possível. Por natureza, o automobilismo já é um esporte desigual, onde sempre haverá times bons e/ou grandes, e times pequenos e/ou ruins. Um título é um trabalho em conjunto, que deve ser construído desde a primeira corrida do ano, e sendo desenvolvido durante toda a competição. Não ligo de no marketing, certas corridas, por tradição ou popularidade, terem um tratamento diferenciado na sua promoção, desde que dentro da pista isso não seja motivo para dois pesos e duas medidas. No certame da Indy Racing League, ninguém duvida que as 500 Milhas de Indianápolis é a corrida do ano, a mais famosa e popular disparada, contando com uma premiação singular. Só que na pista, a pontuação é a mesma de todas as outras etapas, sem nenhum privilégio a mais. Só o número de pilotos que largam é diferenciado: 33, contra geralmente 24 ou 26 nas demais provas.
            Na F-1, se tem provas que pela popularidade devem ser relevadas, mas apenas fora da pista, estas provas certamente são Mônaco, Itália, e Inglaterra, estas duas últimas disputadas em circuitos míticos do esporte a motor, Monza e Silverstone, que merecem toda reverência, da mesma maneira como Monte Carlo tem seu charme único no calendário da F-1. Mas, na pista, tudo é igual às outras corridas, como deve ser sempre. Mesmo que a corrida final fosse aqui em Interlagos, uma pista muito mais carismática e desafiadora, eu não gostaria desse lance de pontuação em dobro. E Yas Marina merece muito menos. O circuito é lindo, do lado de fora, claro, e mesmo no papel, o desenho da pista é interessante. Mas todas as provas disputadas até hoje lá raramente empolgaram equipes e pilotos. O único ponto interessante é a corrida começar ao fim do dia e terminar à noite, caso único na F-1. Mas é só. Na ânsia de tentar arrumar novidades, a cartolagem do automobilismo sempre tem o hábito de meter os pés pelas mãos. Geralmente, é Bernie Ecclestone quem surge com alguma idéia boba, como foi o lance de "medalhas" para definir o campeão, proposto há alguns anos. Mas desta vez, quem teve a infeliz idéia sem noção foi mesmo a FIA. Depois dessa, fico já com receios do que esperar de 2014, que estava dando tanta expectativa boa...
            Sebastian Vettel foi um dos que acharam a idéia estúpida, assim como os promotores de diversos outros GPs, por se sentirem obviamente preteridos e temendo que suas provas sejam desprestigiadas com tal mudança nas regras. Claro, tem gente a favor, mas até o presente momento, a turma do contra é bem mais numerosa do que os a favor de tal mudança. Enfim...
            Bem, 2013 já vai indo embora, e só posso desejar que 2014 não dê motivos para sentir saudades deste ano. Até o ano que vem, para mais uma temporada de emoção e velocidade. Boas Festas para todos!

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