quarta-feira, 14 de setembro de 2011

ARQUIVO PISTA & BOX – DEZEMBRO DE 1994

            Voltando com as minhas antigas colunas, trago esta escrita na primeira quinzena de dezembro de 1994, com a discussão de para onde iria Nigel Mansell na temporada de 1995. O mistério duraria várias semanas, até ser resolvido no início do ano seguinte, ao qual se viu um desfecho pouco glorioso para a carreira do “Leão” na F-1. E vamos ao texto...

PARA ONDE VAI MANSELL?

Adriano de Avance Moreno

            Neste mês de dezembro surgiu uma novela onde todo mundo na Fórmula 1 está se perguntando qual o destino de Nigel Mansell para a temporada de 1995. A hipótese mais provável é que o piloto inglês continue na Williams, especialmente depois do bom desempenho nas últimas etapas do campeonato de 94, onde conseguiu um 4° lugar e encerrou o ano com uma vitória, além de uma pole-position na Austrália.
            David Couthard está novamente na parada por um lugar na Williams. O escocês tinha firmado um contrato para ser o companheiro de Mika Hakkinem na McLaren em 95, mas este acordo foi invalidado pela FIA, uma vez que Couthard ainda tinha um pré-contrato com o time de Frank Williams como piloto de testes, que ainda não foi encerrado. A McLaren saiu perdendo, e está agora novamente à procura de um substituto para Martin Brundle, que deve perder mesmo seu lugar na escuderia de Ron Dennis.
            Mansell, nesse meio tempo, foi diplomado com a faixa preta em artes marciais por uma escola do Japão: o inglês deu mostras de seu punho, arrebentando várias tábuas com as mãos nuas. Na Inglaterra, entretanto, as fofocas sobre o destino de Nigel na F-1 em 95 pipocam por todos os lados. Além da Williams, comentam que a Benetton poderia contar com o inglês no próximo mundial. E até a McLaren entra na jogada: se Mansell perder o lugar na Williams para Couthard, o campeão de 92 seria o preferido para assumir a vaga de companheiro de Hakkinem na escuderia em 95. Afora todas as fofocas, alguns detalhes podem indicar qual o rumo das negociações. Frank Williams, diga-se, não estaria satisfeito com as pretensões financeiras de Mansell, que estaria exigindo um salário milionário (cerca de mais de US$ 10 milhões) para disputar toda a temporada, e não estaria disposto a pagar tamanha soma. A Rothmans, principal patrocinadora da Williams, poderia resolver esse problema, assumindo a responsabilidade pelos salários do piloto no time. A Renault, fornecedora de motores da escuderia, também estaria interessada em ter Mansell novamente como seu piloto, lembrando que o britânico foi o primeiro piloto campeão mundial da marca na F-1.
            Na Williams, entretanto, são poucos os que querem Mansell no time em 95. Patrick Head, projetista-chefe da escuderia, que sempre defendeu os pilotos britânicos na equipe, em detrimento de seus companheiros de outros países, também não parece nem um pouco interessado em voltar a trabalhar com Mansell. Surgiu então a hipótese da Benetton, que estaria disposta a ter um companheiro de equipe mais à altura de Michael Schumacher, cuja saída para a McLaren na temporada de 96, motivada pela Mercedes, sua patrocinadora na entrada da F-1 em 91, é tida como quase certa. O time colorido teria então outro piloto de ponta para manter seu status, minimizando a perda do campeão alemão. Alessandro Benetton, dono da escuderia, entretanto, descartou qualquer hipótese de contratar Nigel Mansell.
            Sobraria, então, a opção da McLaren. Neste caso o maior empecilho seria Ron Dennis, que nunca escondeu sua antipatia por Nigel Mansell. Mas, na F-1, nada é impossível, e não se surpreendam se a escuderia de Woking surgir com um anúncio em breve anunciando algo nesse sentido.
            Até lá, Mansell tem de se preocupar em recuperar a forma física para voltar a competir a fundo no volante de F-1. Em Adelaide, o inglês já se mostrou bem mais à vontade e aguerrido na disputa de posições. Mas ainda assim, ficou bem abaixo do ritmo de corrida de Damon Hill, que embora tenha evoluído muito nesta temporada, ainda não é considerado um piloto do porte de grandes vencedores, como Mansell, o que dá uma mostra de quanto ritmo o campeão de 92 ainda precisa recuperar...

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