sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

LADEIRA ABAIXO - III


O visual do pôr-do-sol em Abu Dahbi é uma das cenas mais bonitas do encerramento da temporada da F-1 2015. Pena que o restante do GP tenha sido novamente uma chatice daquelas...

            O campeonato de 2015 da Fórmula 1 terminou com mais uma prova sem grandes atrativos na pista, fora alguns percalços isolados. Em se tratando da corrida dos Emirados Árabes, disputada no circuito de Yas Marina, seria surpreendente se a corrida fosse boa, pois não é de hoje que pilotos e equipes, além da imprensa especializada, considera o belo autódromo de Abu Dhabi um esplendor visual e um pesadelo de traçado, que incentiva corridas sem maiores disputas de posição. E este ano não foi diferente.
            Como se não bastasse mais uma prova monótona para fechar o campeonato, a própria F-1 deu mostras, na semana passada, de que vai ter problemas para se achar uma solução que ajude a recuperar a sua popularidade. O Grupo de Estratégia vetou sumariamente a proposta de adoção de motores alternativos para a categoria máxima do automobilismo a partir de 2017. Com isso, os times continuam reféns das montadoras Mercedes, Renault, Honda e Ferrari em termos de opções de motorização. As empresas, claro, tentando fazer um meio-termo a fim de não serem acusadas de nada fazer para favorecer a competição, se comprometeram a apresentar em janeiro uma proposta de redução de custos a fim de tornar mais viável seu fornecimento de motores. Acredite se quiser...
            Pior de tudo é que havia interessados em fornecer este motor mais barato para a F-1, com propostas da Mecachrome, Ilmor, e a AER. O que pode ser considerado até um excelente número, pois o pessoal do site especializado Grande Prêmio (www.grandepremio.uol.com.br) chegou a fazer um levantamento com montadoras que já passaram e/ou poderiam ter interesse em ingressar na F-1, produzindo as atuais unidades de força descritas pelo regulamento técnico, e que resultou em negativas de praticamente todos os contatados, algo extremamente preocupante no que se refere ao interesse que estas grandes empresas do setor automotivo poderiam ter pela categoria máxima do automobilismo.
            Quem já esteve lá, como Toyota, BMW, e Peugeot, simplesmente não tem a F-1 em seu leque de interesses, preferindo centrar seus esforços em outros campeonatos. A marca nipônica correu várias temporadas na década passada com time próprio, enterrando milhões e milhões de dólares numa estrutura de ponta que nunca conseguiu resultados à altura dos investimentos. E isso ainda foi feito numa época onde os motores utilizados eram muito mais simples e produzidos com uma tecnologia amplamente conhecida por todos. Com um investimento consideravelmente menor, a Toyota já conseguiu ser campeã no Mundial de Endurance, e embora tenha feito uma temporada ruim este ano, é lá que pretendem ficar, onde há um regulamento e regras técnicas que no atual momento é o que lhes agrada para competir. E a marca japonesa ainda confirmou que retornará ao Mundial de Rali em 2017, mostrando que eles têm interesse em participar das competições automobilísticas. Mas que não são a F-1. A BMW chegou a comprar a equipe Sauber, mas pulou fora do barco após seu primeiro ano de vacas magras, competindo na mesma época em que a Toyota também esteve por lá. O motivo mais forte teria sido a crise mundial que assolou o mundo em 2008. Como a fábrica bávara investia forte no certame, e também não conseguiu os resultados que esperava, fora uma vitória isolada de Robert Kubica, consideraram a relação custo/benefício não atrativa. Nada incomum eles preferirem ficar onde estão do que gastar novamente rios de dinheiro na F-1 em fornecimento de motor que, caso apresente problemas, não possa ser corrigido a contento, obrigando o fabricante a se manter firme na competição mesmo apresentando resultados completamente medíocres, a exemplo do que vimos acontecer com a Honda este ano.
Fábricas que até pouco tempo atrás competiam na F-1 hoje não querem nem ouvir falar da categoria, como a Toyota, que está feliz disputando o Mundial de Endurance.
            Com relação à Peugeot, a marca francesa também não guarda boas lembranças de quando lá esteve, tendo tido seus melhores resultados justamente em seu primeiro ano na competição, em 1994, equipando justamente a McLaren. Ron Dennis, porém, dispensou os franceses logo após o primeiro ano para aceitar de mala e cuia os propulsores alemães da Mercedes. Restou à marca francesa equipar times médios como Jordan e Prost, e ver resultados apenas ocasionais, mesmo apresentando um excelente propulsor. Eles preferem manter seus investimentos nas categorias off-road, cujo custo-benefício lhes é muito conveniente. Ah, e ver como seus rivais históricos da Renault andam apanhando nos últimos dois campeonatos com um projeto que se revelou até agora muito pouco competitivo, apesar dos altíssimos investimentos, só os ajuda a verem que o atual panorama técnico imposto pela F-1 definitivamente não lhes agrada.
            A Volkswagen até tinha algum interesse em ingressar na categoria, mas um recente escândalo envolvendo manipulação de dados de motores de vários de seus modelos de carros de rua jogou a empresa alemã numa encrenca da qual precisará envolver todos os seus recursos para corrigir a situação, para não falar no pagamento de multas pesadíssimas. Então, por hora, o mais lógico e manter firme sua participação nos campeonatos onde tem excelente performance, como o Mundial de Rali, cujo retorno tem sido garantido nos últimos tempos. Não haverá tempo ou recursos para desperdiçar com “aventuras” em outras paragens.
            Cortejada há anos pelos times da F-1, a Audi tem resistido ao canto da sereia que lhes é feito insistentemente nos últimos tempos. Mas o enfoque das quatro argolas é se manter firme no Mundial de Endurance, onde espera recuperar sua coroa perdida em 2014 para a Toyota, e este ano para a Porsche. Mesmo com a adoção de motores híbridos pela F-1, que é uma tecnologia conhecida e utilizada pela Audi na Endurance, o interesse de entrar na competição não aumentou, ou cresceu de forma apenas marginal. A verdade é que o Mundial de Endurance já fornece à marca alemã todos os desafios que ela busca no campo das competições automobilísticas, apresentando um regulamento sem as restrições que tem praguejado na F-1 nos últimos tempos.
            Realmente, dá para acreditar que a F-1, teoricamente a categoria automobilística mais importante do planeta, está sendo rejeitada sumariamente por várias montadoras de renome mundial? Pois é a mais pura verdade. Podem dizer que sempre houve fábricas que nunca tiveram interesse pela categoria, preferindo outras competições. Claro que cada uma tem seus próprios projetos e objetivos, e a F-1 pode mesmo não ser o foco adequado para eles investirem em busca destas metas. Mas é um sinal extremamente claro de que o campeonato não gera por parte deles interesse viável. E se isso chegar a acontecer com os fabricantes atuais? A Renault, depois das críticas que levou de seus times, em especial da Red Bull, este ano, devido à falta de performance de suas unidades de potência, poderia muito bem pular fora da competição e deixar a F-1 chupando o dedo. Para sorte da FIA e de Bernie Ecclestone, a empresa ainda tem interesse em manter-se na categoria, mesmo com as opiniões contrárias de Carlos Ghosn de que o investimento na F-1 é dispensável para os objetivos de fortalecimento da marca no mundo.
            Há 15 anos atrás, a F-1 foi tomada de assalto pelas montadoras, ávidas em marcar terreno e presença na categoria. Tínhamos a Ford, BMW, Renault, Honda, Mercedes, Ferrari, e até a Peugeot ainda estava por lá, fosse em parcerias oficiais ou semi-oficiais. Parecia o sonho para a FIA e FOM. Hoje, a F-1 precisa fazer força para atrair alguém, e ainda temos problemas sérios quando o assunto é arrumar patrocinadores para sustentar essa gastança toda que a categoria necessita. Basta ver a situação da McLaren, que está ficando literalmente sem apoios de 2014 para cá, e deve ficar com o carro ainda mais limpo em 2016. Ron Dennis, lamentavelmente, se comporta como se ainda estivesse em tempos áureos da economia mundial, onde patrocínios existiam aos montes, mas desde a crise econômica de 2008, o pessoal ficou muito mais seletivo no que gastar, e o automobilismo como um todo foi duramente afetado. Dennis continua exigindo valores irreais para patrocínio do time inglês, e se continuar nessa toada, vai ficar absolutamente sem nada.
Mesmo os times médios, que já tem valores mais baixos a cobrar na hora de conseguir apoios, estão com dificuldades para fechar seus pacotes. Vejam a Sauber, que nos últimos anos pouco conseguiu em termos de patrocínios próprios, ficando a maioria deles sendo trazida por pilotos pagantes, como a atual dupla titular, Felipe Nasr e Marcus Ericsson, que contribuíram com a maioria do orçamento que o time teve disponível para o campeonato, e que mesmo assim foi pouco, pois o carro praticamente não foi desenvolvido quase durante o ano. Não é um problema restrito à F-1, mas pelos seus custos mais altos, é a que sente mais os efeitos. E, com corridas sem emoção, as audiências caem, e com os índices despencando, os times não tem argumentos para manter os valores cobrados pelo patrocínio. E, é claro, as empresas não vão aceitar pagar caro por um produto ruim.
Pior de tudo, ainda, são os excessos de punições que a categoria anda aplicando. Em Abu Dhabi, Fernando Alonso criticou a punição que recebeu por ter sido considerado culpado em toque dado em Pastor Maldonado, mas o espanhol havia sido tocado antes por Felipe Nasr, o que deu origem à confusão. Foi um incidente de corrida, mas claro que os fiscais, ávidos por marcar presença, tascaram uma punição no piloto da McLaren. O público quer, acima de tudo, ver disputa na pista, e no automobilismo, toques e empurrões são acontecimentos comuns. Os pilotos, por sua vez, não são competidores de derbys de demolição, mas qualquer toque hoje em dia, ou acontecimentos com potencial de acidentes, são motivos de punição pelos fiscais. O público está de saco cheio disso, e a situação é ainda pior quando se trata de punições por motivos técnicos, das quais o lance da medição das temperaturas e pressão dos pneus são mais uma frescura à qual eles não estão nem aí, que causou a desclassificação de Felipe Massa em Interlagos.
            É preciso mudar uma série de itens no regulamento da categoria para acabar com estas frescuras todas, e principalmente, destravar os pontos do regulamento técnico que impedem um melhor desenvolvimento dos monopostos, em especial as unidades de potência híbridas. Bernie Ecclestone e Jean Todt, descontentes com a posição das montadoras, que estão fazendo uso de sua posição de veto no Conselho Estratégico, resolveram dar um basta nesta última quarta-feira, e com uma “autorização” do Conselho Mundial de Automobilismo e da FIA, conseguiram carta branca para propor uma série de mudanças sem precisar da concordância das escuderias e montadoras. Na prática, eles terão o poder de impor as regras que acharem necessárias para retomar o controle da competição, e em tese, proporcionar as correções necessárias para que a F-1 volta a ser atrativa.
            Isso pode ser bom, mas também pode ser ruim. Muita gente considera que tanto Jean Todt, e principalmente Bernie Ecclestone, apesar de toda uma vida dedicada ao automobilismo, e de conhecerem a categoria como ninguém, tem uma visão arcaica de certos aspectos que não ajudam em nada a F-1 a ficar mais agradável. Bernie, por exemplo, é terminantemente contra o uso das redes sociais e da internet, mais por birra de não ter como “controlar” o uso de material sobre a categoria, do que por qualquer outra coisa, desprezando o alcance que a rede mundial de computadores tem e sua atratividade especialmente sobre os jovens, que na opinião do diretor da FOM, não tem dinheiro para comprar os produtos que a F-1 divulga, preferindo se cercar de velhos endinheirados que possam fazê-lo. Talvez quando o momento for mais desesperador, Bernie resolva ceder, mas até lá, podem apostar que ele vai se manter firme às suas preferências.
Jean Todt e Bernie Ecclestone acabam de "ganhar" carta branca da FIA para mudar as regras sem prestar contas às equipes e montadoras na F-1. Resta saber se tomarão as medidas certas e necessárias.
            De Jean Todt, basta lembrar que, no período áureo de dominação da Ferrari na década passada, era por ordem dele que os pilotos do time italiano nunca duelariam entre si na pista, para garantir os interesses corporativos da escuderia, também por política de Luca de Montezemolo. Com Michael Schumacher deitando e rolando, e sem permitir que Rubens Barrichello pudesse disputar o título, Todt contribuiu para eliminar uma disputa que poderia ter ajudado a deixar a competição mais disputada. Não que Barrichello fosse ser melhor que Schumacher, mas poderia ter feito corridas melhores, e ter dado graça a algumas etapas. Pelo contrário, Todt foi o principal responsável por cenas deprimentes como a da Áustria de 2002, quando o piloto brasileiro foi forçado a entregar a vitória a Michael Schumacher, depois de dominar todo o fim de semana, levando o time italiano a ser vaiado na cerimônia do pódio e até na entrevista coletiva pouco depois. Naquele ano, como em 2004, pela superioridade da Ferrari, praticamente não houve competição, a ponto de Schumacher ter conseguido fechar a conquista do título praticamente quase a meio campeonato de disputa apenas. Claro que isso também contribuiu para corridas chatas e um campeonato dos mais previsíveis e chatos. Por aí então, Todt vai ter de trabalhar muito para pagar seus pecados passados e permitir que a F-1 recupere um pouco de seu espírito original. Até porque, desde que assumiu a presidência da FIA, ele pouco fez pelo desenvolvimento da categoria em si, tendo sido acusado de ser muito conivente com os times grandes, e desdenhado das solicitações das escuderias menos abastadas.
            Há muito a ser feito para trazer a F-1 de volta a seu bom caminho. Há muitos interesses envolvidos, e mesmo que Bernie e Todt façam opção pelas medidas corretas que são necessárias, as equipes e montadoras vão chiar à sua perda de poder, o que pode dar início a uma bela queda de braço para ver quem fica e quem sai neste jogo. Espero que todos cedam o necessário para se salvar a categoria como um todo, e não fiquem em sua guerra de egos que nada de positivo irá trazer neste momento delicado que a F-1 está vivendo. E é preciso lembrar que, quando todo mundo briga com todo mundo, só há perdas, e a crise que a F-1 atravessa pode ficar ainda muito pior. Para baixo, todo santo ajuda...
            Então, que todos consigam se unir para evitar o pior, e que consigam salvar a F-1 enquanto ainda podem...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

FLYING LAPS - NOVEMBRO DE 2015



            E estamos em dezembro, o último mês de 2015, o que mostra que este ano está indo para o seu fim, e numa velocidade que muitas vezes parece tão rápida quanto a dos bólidos do automobilismo. Como é costume, é hora de mais uma sessão Flying Laps, com algumas notas de acontecimentos do universo das corridas neste mês de novembro, com alguns comentários rápidos. Portanto, boa leitura para todos, e no início de janeiro de 2016, virei com a sessão trazendo alguns acontecimentos deste mês de dezembro. Até mais.


A segunda etapa da nova temporada 2015/2016 da Formula-E, disputada em Putrajaya, na Malásia, foi mais agitada do que equipes e pilotos previam. No início, a equipe e.dams voltou a mostrar a sua força, com Sébastien Buemi a conquistar uma nova pole-position sem ser incomodado pelos rivais, ficando com mais de 0s4 de vantagem para o segundo colocado na "superpole", Stéphane Sarrazin, da equipe Venturi. Mas, na largada, o carro de Sarrazin "apagou", e foi preciso retirá-lo para os boxes, de onde conseguiu largar após o time reinicializar o monoposto. Buemi fez valer sua pole e ia comandando a prova sem sustos, enquanto a concorrência atrás de si digladiava entre as posições. Mas eis que o forte calor malaio começou a bagunçar os sistemas elétricos dos carros, que começaram a sofrer panes esporádicas devido à refrigeração falha dos sistemas, que se mostraram insuficientes para aguentar os cerca de 40° na pista. E foram vários os pilotos que tiveram suas provas literalmente arruinadas pelos "tilts" em seus carros. Entre eles Buemi, cujo carro passou a circular muito lento pela pista. O suíço conseguiu chegar aos boxes e efetuou sua troca de monoposto, mas sua corrida já ficara comprometida pelo tempo em que andou lento na pista, para não mencionar que a troca de carro foi feita na 15ª volta, de um total de 33 giros, o que significava ter de economizar muita energia se quisesse chegar ao final. Nicolas Prost, alertado pelo time, também trocou de carro prematuramente, e as chances de vitória ficaram bem diminutas, pelo mesmo motivo: economizar carga das baterias para chegar ao fim. Lucas Di Grassi, no ataque, superou Prost e assumiu a liderança da corrida, enquanto Antônio Félix da Costa era outro cujo carro também parou na pista, e depois voltou a funcionar, bagunçando a corrida do piloto português. Nelsinho Piquet, mais uma vez largando do fim do grid, ia conseguindo se aguentar na pista e ganhando posições com os problemas dos adversários, mesmo com o ritmo de seu carro não sendo dos melhores. A poucas voltas do final, o carro de Buemi parou de vez, e a disputa de posições na dianteira da corrida esquentava atrás de Lucas Di Grassi: Jerôme D'Ambrosio acertou o muro na disputa de posição, e acabou superado por Sam Bird, enquanto Robin Frijns também deu uma tocada no muro, e com o carro literalmente torto, ainda conseguiu permanecer na pista. Nicolas Prost, da liderança foi caindo para o meio do pelotão, enquanto Félix da Costa ficava definitivamente pelo caminho. Lucas Di Grassi conseguiu não ter nenhum problema durante a prova, e com uma pilotagem firme, fazendo ultrapassagens no momento certo, venceu pela segunda vez na categoria, e assumiu a liderança da competição. Sam Bird, o 2° colocado, fez uma corrida de recuperação excelente, tendo largado em 14°, enquanto Frijns, mesmo com o carro torto, ainda fechou o pódio em 3°, seguindo de Sarrazin, que largara dos boxes e finalizou em 4°. A próxima corrida da competição será em Punta Del Este, no Uruguai, no dia 19 de dezembro.


Os pilotos brasileiros conseguiram alguns bons resultados na etapa de Putrajaya da F-E, apesar de alguns percalços. Com a vitória, Lucas Di Grassi assumiu a liderança do campeonato, uma vez que havia sido o 2° colocado na etapa de Pequim. O brasileiro da equipe Audi ABT tem 43 pontos, contra 35 de Sébastien Buemi, que apesar do abandono, marcou os pontos extras pela pole e volta mais rápida antes de abandonar na etapa malaia. Mas Lucas enfatiza que a e.dams ainda são os carros a serem batidos, e será preciso melhorar a performance de seu time para conseguir desafiar o time francês em um duelo direto, sem depender de problemas dos adversários, como ocorreu na Malásia. Bruno Senna, por sua vez, foi outro piloto que teve percalços no carro devido ao forte calor malaio, mas conseguiu esquivar-se dos problemas mais complicados, e recuperar-se na corrida, terminando em um excelente 5° lugar, e assumindo a 8ª posição no campeonato, com 10 pontos. Já Nelsinho Piquet, com problemas de performance novamente em seu carro, precisou contar com a sorte de não enfrentar os mesmos problemas de seus adversários no forte calor malaio para chegar entre os 10 primeiros colocados, finalizando a prova em 8° lugar, e ocupando agora a 12ª colocação, com apenas 4 pontos. Tanto Senna quanto Piquet esperam melhorar suas posições, estando classificados atrás de seus companheiros de equipe. Nick Heidfeld é o 4° colocado, com 17 pontos, na Mahindra; já Oliver Turvey, da China Racing, é o 10° colocado, com 8 pontos.


A prova da F-E em Putrajaya, aliás, contou novamente com apenas 18 carros no grid. A equipe de Jarno Trulli, que na etapa de Pequim, perdeu a verificação técnica por ter seus equipamentos empacados no desembaraço da alfândega chinesa, desta vez teve seus carros reprovados na inspeção técnica, não atendendo aos requisitos de segurança exigidos para os monopostos. Tendo perdido duas etapas do campeonato, já se fala em crise na escuderia gerenciada pelo ex-piloto italiano, a ponto de se especularem que a saída para a situação mais provável seria a venda do time para algum interessado que tenha melhores condições de resolver os problemas técnicos e de logística enfrentados. Alejandro Agag, chefe da categoria de carros elétricos, está realizando esforços para ajudar a solucionar a situação, a fim de evitar maiores problemas à competição, mas até o presente momento, nada de concreto ainda foi definido. Espera-se que a equipe consiga se reorganizar e participar adequadamente da próxima corrida do campeonato, no dia 19 de dezembro, no Uruguai.


Ex-piloto da F-1, onde competiu pelas equipes Williams, McLaren e Benetton, o austríaco Alexander Wurz nos últimos anos competiu no Mundial de Endurance como titular da equipe Toyota, e aos 41anos, anunciou neste mês de novembro a sua aposentadoria definitiva como piloto. Wurz disputou 69 provas entre 1997 e 2007 na F-1, tendo acumulado 45 pontos na categoria. Os melhores resultados do piloto, contudo, foram as duas vitórias que conquistou nas 24 Horas de Le Mans, em 1996, pela Porsche, e em 2009, pela Peugeot. Nos últimos tempos, Wurz também atuava como consultor na equipe Williams, e também sendo um dos pilotos titulares da equipe Toyota no WEC, onde conquistou 5 vitórias.


Bicampeão da MotoGP, o australiano Casey Stoner estará de volta à categoria rainha do motociclismo em 2016, mas na condição de piloto de testes da equipe Ducati. Apesar de ter abandonado a competição, Stoner ainda se mantinha sob contrato da Honda, até que resolveu sair da marca nipônica. Stoner retorna assim ao time da marca italiana onde correu por 4 temporadas, entre os anos de 2007 a 2010, tendo inclusive conquistado o campeonato de 2007, o único título da Ducati na categoria até hoje. Além de ser o piloto de testes da marca, Stoner também atuará como embaixador da Ducati. Os fãs, claro, esperam que o australiano volte a alinhar oficialmente em uma corrida, mas para 2016, o time italiano já confirmou a permanência da atual dupla de pilotos que representou a escuderia nesta temporada, Andrea Dovizioso e Andrea Iannone, que seguem firme como titulares. Casey Stoner foi campeão também em 2011, correndo pela equipe da Honda. O australiano estreou na classe rainha do motociclismo em 2006, e deixou a MotoGP ao fim da temporada de 2012, tendo obtido um total de 38 vitórias, 39 poles, e 1.815 pontos. Stoner abandonou a competição por não concordar com os rumos que a categoria estava tomando. Mas nunca se distanciou totalmente da MotoGP. A Ducati cresceu bastante nesta temporada, embora tenha sido impotente para se meter no meio da luta Honda X Yamaha, mas a intenção é diminuir ainda mais esta diferença no próximo ano, e a ajuda de Stoner nos testes é vista como um passo importante nessa evolução que a marca pretende conseguir no curto prazo. Vejamos o que eles conseguem se aprimorar com os esforços do bicampeão australiano.


Derrotada pela Toyota no WEC em 2014, e amplamente superada pela Porsche no campeonato deste ano, a Audi planeja o contra-ataque para 2016, com a apresentação do novo modelo R18, que incorpora importantes mudanças nos sistemas híbridos de recuperação de energia, entre os quais a adoção de baterias de íon-lítio, assim como a Porsche. A capacidade dos sistemas também será ampliada, passando dos 4 MJ para 6 MJ, de forma a diminuir a diferença para os novos campeões da categoria. O motor turbodiesel foi completamente revisado, e deverá apresentar melhor resposta de performance. Para completar, a Audi confirmou também seus trios de pilotos para o próximo ano, permanecendo os pilotos Marcel Fassler, André Lotterer, Benoit Treluyer, no comando do carro 7; e Lucas di Grassi, Loic Duval e Oliver Jarvis, no carro 8. Resta saber se os melhoramentos no modelo conseguirão levar a Audi de novo para a dianteira da competição, lembrando que a Porsche não deverá ficar parada, e certamente também irá evoluir o seu equipamento para o próximo ano. Aliás, seguindo o exemplo da Audi, a Porsche também manterá seus atuais pilotos titulares para 2016. O trio campeão Mark Webber, Timo Bernhard e Brendon Hartley tentará conquistar o bicampeonato, ao lado do trio Neel Jani, Romain Dumas e Marc Lieb. A parada promete ser acirrada entre os dois times alemães.


A equipe Lótus de F-1 fechou o campeonato de 2015 aos trancos e barrancos financeiros. Para chegar à última prova, em Abu Dhabi, o time inglês precisou de uma ajuda de Bernie Ecclestone, que bancou o transporte para a corrida de encerramento da temporada. E ainda não foi oficializada a recompra da escuderia pela Renault, embora esteja quase tudo certo, faltando apenas tudo ser posto preto no branco no papel. O time fechou o campeonato na sexta colocação, com 78 pontos, e deu sorte de não ter sido superada pela Toro Rosso neste final de campeonato, uma vez que o time “B” da Red Bull vinha tendo melhor performance do que os carros pretos e dourados. E pelo menos conseguiu mostrar alguma recuperação, pois em 2014 foi oitavo colocado na competição, tendo marcado apenas 10 pontos. Se não tivesse enfrentado problemas financeiros, poderia até ter finalizado melhor o ano. Resta esperar agora pelo retorno da escuderia ao comando da Renault em 2016, e esperar por dias melhores.
 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

LADEIRA ABAIXO - II


O drama da McLaren em 2015: falta de performance, e falta de fiabilidade. Vexame tanto para a McLaren, quanto para a Honda, e seus pilotos.

            Hoje começam os treinos oficiais para o Grande Prêmio dos Emirados Árabes, em Abu Dhabi, e a prova de encerramento do campeonato de 2015 da Fórmula 1 também encerra o ano mais tenebroso em décadas de uma das mais antigas e vitoriosas escuderias da categoria, a McLaren, que este ano retomou parceria com a Honda, que tantas glórias deu a ambas há mais de 20 anos atrás. A escuderia inglesa ocupa somente a 9ª colocação no campeonato de construtores, estando à frente apenas da minúscula Manor, um time praticamente renascido das cinzas ao fim de 2014, e que competiu nesta temporada com um carro completamente defasado, além de utilizar o motor Ferrari do ano passado. Definitivamente, não é um retrospecto de que o time de Woking vá querer se vangloriar em sua longa e vitoriosa trajetória na F-1, iniciada nos anos 1960. Foram apenas 27 pontos até o momento, marcados em apenas 5 etapas até aqui. à frente do time inglês está a Sauber, com 36 pontos, que competiu este ano com um orçamento tido como apenas 30% à disposição da McLaren, outro dado que não ajuda a melhorar o astral da parceria McLaren/Honda.
            Ao encerrar a parceria com a Mercedes no ano passado, a expectativa do time inglês, ao reatar com a Honda a partir deste ano, era reiniciar sua trajetória rumo ao status de protagonista da F-1, de onda andava ausente nas temporadas de 2013 e 2014. A escuderia havia tido um ano de 2013 apenas mediano, sem conseguir nenhuma vitória ou pole, tendo como melhor resultado um 4° lugar de Jenson Button no Grande Prêmio do Brasil, prova que encerrou o campeonato daquele ano. Em outras palavras, a McLaren, que no ano anterior havia vencido corridas e até disputado o título, em que pese a superioridade da Red Bull naquele ano, não conseguira sequer um pódio. resultado inaceitável para um time com a estrutura e histórico da McLaren.
            Além do carro, o MP4/28, não ter sido suficientemente competitivo, o novo piloto da escuderia, o mexicano Sérgio Pérez, não apresentou em Woking as mesmas performances que exibia na Sauber. E sua missão era infeliz: substituir Lewis Hamilton no time inglês, que havia trocado de ares para defender a Mercedes. Pérez ainda arrumou atritos dentro da escuderia, o que deixou o ambiente ruim para o seu lado. Fora uma aposta que não deu certo do time inglês. Jenson Button, por sua vez, não conseguiu fazer milagres, terminando o campeonato em 9° lugar, com apenas 73 pontos; Pérez, por sua vez, foi o 11° colocado, com 49 pontos. O time ficou em 5° lugar no campeonato de construtores, com apenas 122 pontos, enquanto a Red Bull, campeã, marcou nada menos do que 596, ou quase 5 vezes mais pontos. Era preciso tomar providências urgentes para verificar o que deu errado naquele ano e corrigir o rumo do time.
            Ron Dennis, que havia se afastado do comando da escuderia há alguns anos para dirigir os demais empreendimentos do Grupo McLaren, retornou ao comando direto da equipe, e nem é preciso dizer que algumas cabeças rolaram, como a de Martin Whitmarsh, que havia ocupado o lugar de Dennis desde que ele se afastara. Em seu lugar, veio o francês Eric Bouiller, que havia feito uma trabalho bem satisfatório na Lotus. Para companheiro de Button, Ron Dennis resolveu efetivar uma nova revelação, "prata da casa", a exemplo do que havia feito com Lewis Hamilton em 2007: Kevin Magnussen. Mas o ano já começava com um mau sinal: pela primeira vez em décadas, a McLaren não tinha um patrocinador principal, e seu carro apareceu praticamente virgem na primeira corrida, em Melbourne, ostentando apenas patrocinadores menores. Um time do porte e renome da McLaren não ter um patrocinador principal? Ron Dennis garantiu que era situação temporária, e que isso seria resolvido. E também afirmou que não iria vender o espaço vago no time por preços banais, dando a entender que era preciso manter a reputação do time, não aceitando qualquer coisa que aparecesse.
            Ron Dennis, em que pese seu extenso currículo de sucesso à frente da McLaren, desde que assumiu o comando da escuderia no início dos anos 1980, sempre foi tido como arrogante e prepotente por muitos, e ao recusar vender espaço nos carros do time por preços menores, certamente estava certo de que apareceria alguém que topasse pagar os valores que ele achava por direito serem cobrados. Bastava o time melhorar seus resultados para candidatos fazerem fila na sede da equipe novamente. O acordo de parceria com a Honda, para 2015, também era visto como sinal de novos tempos para Woking, lembrando da vitoriosa parceria estabelecida entre ambos durante as temporadas de 1988 a 1992, onde só não foram campeões no último ano da parceria. Tudo indicava que a administração de Ron Dennis, de volta ao comando do time, era o que a McLaren precisava para corrigir seus erros e voltar a vencer. Faltou combinar os resultados melhores e o retorno às vitórias.
O ano de 2014 já começou mostrando que a McLaren não vivia seus melhores dias, ao ostentar o carro praticamente sem grandes patrocinadores principais.
            O ano de 2014 até foi um pouco melhor do que o de 2013: o time repetiu a 5ª colocação no campeonato de construtores, mas marcou 181 pontos, contra os 122 de 2013. E ainda voltou ao pódio, sendo que seus dois pilotos ficaram em 2° e 3° lugar na prova inaugural, na Austrália. Se o time não estava de volta para lutar pelo título, pelo menos dava a entender que voltaria a batalhar pelo pódio, no mínimo. Ledo engano, pois os pódios da Austrália foram os únicos do ano, e o time voltaria a enfrentar falta de performance com seu novo modelo MP4/29, que mesmo contando com o melhor motor da nova era turbo adotada pela F-1, não conseguiu traduzir isso em performance. No final, Button foi 8° no campeonato, com 126 pontos, enquanto Magnussem apenas o 11°, com 55 pontos. Desnecessário dizer que o clima andou tenso durante o ano, com Ron Dennis a cobrar publicamente seus pilotos, especialmente Jenson Button, a quem acusou de estar fazendo corpo mole no time, como se resultados melhores surgissem do dia para a noite. Havia também outro relacionamento que já não andava bem na escuderia, que era com os técnicos da Mercedes, que não gostavam muito da presença dos japoneses da Honda por perto, com receio de que eles colhessem informações vitais de suas unidades de potência para aplicar em seu próprio projeto. Definitivamente, depois de 20 anos de parceria, McLaren e Mercedes já não falavam mais a mesma língua. E o contrato com os alemães ainda teria sido encerrado antes do acertado inicialmente, pelo que a McLaren teria tido de pagar a rescisão contratual para poder iniciar o quanto antes seu projeto com os japoneses da Honda, algo que segundo a revista Forbes, teria sido de 50 milhões de euros. Tudo isso já teria contribuído para a escuderia inglesa fechar o ano com prejuízo.
            E chegamos a 2015, e o que prometia ser o início de uma nova era de parceria da McLaren com a Honda já começou mal, com seus carros nem andando direito na pré-temporada. Ron Dennis, aliás, iniciava 2015 com nova derrota: pelo segundo ano consecutivo, a McLaren não tinha patrocinador principal, e ostentava na carenagem apenas patrocinadores menores. Dennis já havia terminado 2014 com outra, digamos, "derrota", ao assinar com Fernando Alonso para pilotar novamente para sua escuderia. O asturiano havia se desentendido com Dennis e com o time em 2007, e o dirigente da McLaren jurou que o espanhol nunca mais correria por lá. Mas Alonso acabou espinafrado da Ferrari, cuja nova direção não engoliu os hábitos centralizadores do bicampeão, e a Honda, por sua vez, queria um piloto de quilate no time inglês. Desprezar Alonso seria um erro crasso, e os japoneses se certificaram de garantir os recursos financeiros para garantir que Fernando comandasse o projeto da McLaren/Honda, que manteve Jenson Button também para esta temporada. Em teoria, uma dupla fortíssima, que ajudaria e muito o desenvolvimento dos trabalhos. Apesar dos sorrisos de ambos, tanto Denis quanto Alonso estavam na prática sem melhores opções, e tiveram que engolir um ao outro sendo novamente parceiros.
Fernando Alonso já "queimou"12 motores na temporada deste ano, quando o limite do regulamento é apenas 4 unidades por piloto.
            Todo mundo sabia que não era de uma hora para outra que a nova parceria McLaren/Honda iria retomar seu passado de glórias. Os tempos eram outros, e o projeto da nova unidade de potência nipônica, aliada a uma reorganização do setor de engenharia da escuderia, com Peter Prodomou, discípulo de Adrian Newey na Red Bull, iria levar algum tempo para dar frutos, com o projeto do novo MP4/30. Decorrido praticamente todo o campeonato deste ano, pode-se dizer que a McLaren foi o grande fiasco da temporada, ao lado dos novos propulsores da Renault. Enquanto os franceses conseguiram apresentar uma unidade evoluída com performance pior que a da temporada de 2014, o japoneses da Honda literalmente se perderam com a falta de performance e fiabilidade de seu equipamento, colecionando vexames durante todo o campeonato. O carro mal conseguiu andar na pré-temporada, e com o início da competição, não se viu coisa muito melhor: quando o carro não quebrava, chegava bem lá atrás. Todo mundo esperava dificuldades, mas estas se mostraram muito maiores e persistentes do que todos imaginavam.
            A falta de potência era tamanha, que nem mesmo as provas disputadas em pistas lentas no ano, caso de Mônaco e Hungria, despertavam muita esperança. Jenson Button conseguiu pontuar em Monte Carlo graças mais à sua capacidade do que ao desempenho do equipamento, o mesmo valendo para Fernando Alonso em Budapeste, onde o seu 5° lugar foi quase uma vitória, mas se valendo mais de ficar longe das encrencas que os demais pilotos sofreram do que por uma melhora da competitividade. O time acumulou uma quantidade recorde de perdas de posição no grid por troca das unidades de força, de modo que em Interlagos Alonso já teve de recorrer à 12ª unidade, o triplo do limite do regulamento. A falta de performance do motor nipônico ficou tão patente que por pouco não abriu uma crise entre o time inglês e a fábrica japonesa, com trocas de acusação por parte de ambos os lados. Os ingleses reclamaram da fiabilidade e falta de potência, enquanto os nipônicos disseram que novo MP4/30 também não era nenhuma maravilha de carro, e que não ajudava. Pelo sim, pelo não, as unidades de potência japonesas correram muito abaixo do seu limite, a fim de tentar ganhar alguma fiabilidade, o que não deu muitos resultados práticos, pois quando o motor não quebrava, a falta de ritmo era tamanha que Alonso, numa declaração polêmica em Suzuka, chamou o Honda V-6 turbo de seu carro de "motor de GP2", algo que não pegou bem na casa da Honda, mas que era uma verdade contundente. Antes, no Canadá, o espanhol já havia brigado com seu time pelo rádio quando este pedia para poupar o equipamento para evitar problemas, enquanto na pista Alonso era passado a torto e a direito pelos adversários, não importava o que fizesse, e que isso já era problema suficiente.
            Os ânimos entre as partes amainaram um pouco, até porque se deram conta de que só conseguirão obter mesmo algum progresso em 2016, e que a temporada de 2015 virou uma grande e longa sessão de testes. Não apenas a Honda superestimou sua capacidade, como também a McLaren, e especialmente Ron Dennis, cuja teimosia é vista como um dos maiores problemas para fazer o time crescer novamente. Uma mostra disso é que no campo comercial, a McLaren continuou sem conseguir um novo patrocinador principal. Dennis continua com sua filosofia de que um time como a McLaren tem de cobrar uma aporte à altura de seu histórico e estrutura. A Honda garantiu um grande aporte financeiro no time este ano, garantindo especialmente o alto salário de Alonso, mas para cobrir todas as despesas, com os patrocínios "menores" de que dispunha, foram necessárias transferências de recursos do Grupo McLaren para a escuderia de F-1, o que não foi bem visto pelos demais sócios da organização, que já não estão tão sintonizados com Ron Dennis como antigamente. E essa situação tende a piorar.
            Nesta semana, o time inglês sofreu dois novos desfalques para 2016: Johnnie Walker e TAG-Heuer, patrocinadores de longa data da escuderia, avisaram que estarão em outros times no próximo ano, diminuindo ainda mais o orçamento financeiro à disposição do time. No caso da TAG-Heuer, a situação é mais representativa pelo fato de estar presente na escuderia desde os primórdios da administração de Ron Dennis na McLaren. A TAG, aliás, patrocinou o projeto do motor Porsche turbo que levou o time aos títulos de 1984 a 1986. Outros patrocinadores, como a SAP, o Santander, e até a Hugo Boss, que davam aporte ao time, também não deverão estar por lá no próximo ano. Segundo estudos feitos por uma empresa espanhola especializada em markeing esportivo, tudo isso deverá diminuir o orçamento do time inglês em quase 100 milhões de euros em 2016. Uma redução expressiva que fará falta e muito provavelmente se refletirá na capacidade técnica do time. Ron Dennis terá de se desdobrar para conseguir substitutos, mas principalmente, engolir seu orgulho e prepotência, e aceitar o que aparecer pela frente, se não quiser ver a McLaren definhar nos resultados por falta de recursos, pois a Honda, sozinha, não vai garantir o sustento de toda a operação. Aliás, alguns dizem que Dennis estará jogando suas últimas cartadas em 2016, pois se não conseguir reverter a queda que a McLaren enfrenta, o time corre o risco de não voltar mais a ser um time de ponta, além de que a posição de Ron poderá ser questionada pelos demais acionistas da McLaren. Muitos já responsabilizam o dirigente pelos resultados comerciais ruins dos dois últimos anos. Martin Whitmarsh, demitido do comando da McLaren no ano passado por ser considerado o culpado pela decadência do time, deve estar rindo da situação neste momento, pois tudo só piorou desde que Ron Dennis voltou ao comando. E se em 2014 a operação da McLaren já saiu no prejuízo, este ano deverá ser ainda pior, pois a premiação da FOM à escuderia, baseada na classificação do campeonato de construtores, vai ser significativamente menor do que a do ano passado, quando o time ficou em 5° lugar, estando este ano na 9ª colocação.
            Os pilotos do time, contudo, garantem que melhorias virão no próximo ano, com um ganho de performance de cerca de 2s5 em relação a este ano. Seria mesmo bom, pra não dizer indispensável, que isso aconteça. Mas eles próprios já reconhecem que mesmo com essa expectativa otimista, o trabalho será difícil e árduo. E eu completaria dizendo que é sem garantias também. Basta ver o exemplo da Renault, que este ano conseguiu deixar sua unidade de potência ainda mais fraca do que em 2014, mostrando que erraram novamente no seu projeto, ao contrário da Ferrari, que soube evoluir corretamente o seu equipamento. Não é que não acredito na recuperação da Honda, apenas que isso não é garantido. Os japoneses podem tanto acertar quanto errar no seu projeto. Aliás, neste ano, o fato do propulsor e seus sistemas de recuperação de energia terem apresentado tantos problemas e falta de performance dá um idéia bem aproximada de como eles se prepararam mal para este retorno à F-1. Perfeccionistas e meticulosos, os japoneses haviam deixado uma imagem vencedora em sua passagem pela categoria nos anos 1980 e 1990, mas é bom lembrar que, na década passada, quando voltaram a competir com um time próprio, tiveram uma passagem medíocre pela F-1, com dois anos tenebrosos sem conseguirem solucionar seus problemas, desistindo da categoria ao fim de 2008.
A McLaren tem dois campeões do mundo como titulares, mas isso não evitou que o time tivesse sua pior temporada em décadas.
            Mas não é só a Honda que precisa recuperar sua moral. A própria McLaren também precisa dar mostras de que sabe o que é necessário fazer para melhorar. O MP4/30, em que pese as deficiências da unidade de força nipônica, pouco pode mostrar de positivo, mesmo nos poucos momentos em que pode apresentar um andamento razoável, com os pontos obtidos sendo mais mérito de seus pilotos do que da performance do monoposto, que ainda ficou devendo mesmo nas pistas onde a potência menos contava. Neste momento, a única certeza na McLaren é que o problema não está em sua dupla de pilotos. Tanto Button quanto Alonso mostraram sua garra e determinação tentando obter algum progresso de seu equipamento, com constantes frustrações e esforços praticamente desperdiçados ao longo do ano, sem recompensa. Em Interlagos, só restou à dupla se divertir "subindo ao pódio" para uma comemoração fictícia e Alonso sentado na cadeira do fiscal à beira da pista tomando sol após mais um abandono na classificação. Só mesmo com o bom humor para aguentar o calvário que foi o ano para ambos. E esperar que 2016 não seja uma repetição desta temporada, uma vez que ambos estão confirmados para mais uma temporada como pilotos titulares da McLaren. Se a Honda conseguir resolver seus problemas na unidade de potência, o novo modelo MP4/31 precisará estar apto a capitalizar essa evolução, sob pena de continuar a crise e os maus resultados vividos pelo time.
            A McLaren desceu ladeira abaixo neste ano, muito mais do que havia sofrido em 2013 e 2014, e vai precisar dar um duro tremendo para evitar que ocorra o mesmo em 2016. No próximo ano teremos a estréia da nova equipe Hass, e pelo estágio de preparação deles, que vem sendo feito há mais de um ano, as chances de eles começarem tendo um bom desempenho são grandes. Se a McLaren não reagir, perigam ficar ainda mais para trás, e isso vai ser ainda mais catastrófico para a escuderia. Não é a primeira crise que a McLaren atravessa em sua história na F-1. Certamente o time vai conseguir superar essa fase e voltar a vencer. Mas já são 3 temporadas abaixo de sua média de performance habitual, e 2015 o pior ano de que há memória. E isso preocupa qualquer um que conheça o histórico e a importância da McLaren na história do automobilismo. Será 2016 o ano da recuperação, ou vai continuar descendo a ladeira? Só o tempo dirá...

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA - NOVEMBRO DE 2015



            Chegamos ao final do mês de novembro, e o ano de 2015 já está chegando ao seu fim, assim como os campeonatos vão se encerrando, conhecendo os seus campeões da temporada. Então, como de costume, é hora de soltar uma edição da COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA, fazendo a tradicional avaliação do panorama do mundo do esporte a motor neste mês de novembro, no velho esquema de sempre nas avaliações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Será a última cotação deste ano, e a seção voltará somente em fevereiro de 2016. Portanto, uma boa leitura para todos...



EM ALTA:

Domínio da Mercedes na F-1: O time alemão continua firme e imbatível na pista, conquistando dobradinhas nas etapas do México e do Brasil, sem dar chance aos adversários, especialmente a Ferrari, de sonhar com alto melhor do que o 3° lugar no pódio. Nico Rosberg fez a pole e venceu com autoridade ambas as corridas, enquanto o novo tricampeão mundial Lewis Hamilton foi o 2° colocado com larga folga para o resto dos concorrentes. Os rivais que comecem a trabalhar duro para tentar impedir novo domínio em 2016, porque os carros prateados tem tudo para dominar mais um ano na categoria...

Lucas Di Grassi: O piloto brasileiro da equipe Audi ABT venceu a segunda prova da nova temporada da F-E e assumiu a liderança do campeonato. Lucas já havia sido 2° colocado na etapa de Pequim, e em Putrajaya, aproveitou-se dos problemas dos adversários para vencer sua segunda corrida e liderar a competição, estando na posição certa para aproveitar as oportunidades que surgiram quando os carros da favorita e.dams apresentarem problemas. Mas Di Grassi sabe que o campeonato ainda está somente no início, e o caminho até o encerramento vai ser árduo e complicado, pois o time francês ainda tem sobras de performance para todos os demais. No momento, é apostar na constância e fiabilidade para contrabalançar o favoritismo dos rivais.

Porsche campeã no WEC: A Porsche conquistou os títulos de construtores e de pilotos no Mundial de Endurance, com mais uma vitória, na etapa de encerramento do campeonato, na Bahrein, e fecha o ano com 6 vitórias e 8 etapas. A Audi, vencedora das duas primeiras corridas, teve de se render à força dos seus irmãos alemães, e ficou com o vice-campeonato de construtores e de pilotos. E o trio Mark Webber, Timo Bernhard e Brendon Hartley ficou com o título de pilotos, coroando o retorno da marca alemã às provas de endurance, onde voltou no ano passado. os rivais que se preparem para tentar destroná-la em 2016, o que não vai ser fácil.

Sébastien Ogier: O piloto francês encerrou o campeonato Mundial de Rali de 2015 com mais uma vitória, somando 8 triunfos na temporada, e fechando a competição com praticamente 80 pontos de vantagem para o companheiro de equipe na Volkswagen, o finlandês Jari-Matti Latvala, que venceu apenas 3 etapas no ano, e ficou zerado na pontuação em outras 3, enquanto Ogier só deixou de pontuar em apenas uma. Os rivais agora que se preparem para tentar destronar Ogier e a Volkswagen no próximo ano, porque em 2015 fracassaram de longe...

Jorge Lorenzo: Suspeitas de conchavos à parte com Marc Márquez, que tingiu de suspeitas a decisão do título da MotoGP em Valência, Lorenzo conquistou o seu tricampeonato com méritos, vencendo 7 provas no ano, e conseguindo reverter a expectativa no momento decisivo. Em Valência, largou na pole e liderou firme a corrida inteira, fazendo por merecer a conquista do campeonato de 2015. Uma pena que acabará carregando a suspeita se foi ou não beneficiado por uma "acomodação" de Marc Márquez para prejudicar Valentino Rossi, algo que não merecia, pois é um dos grandes nomes da categoria, e campeão. E vai querer mais em 2016, os rivais que se preparem. Especialmente a equipe da Yamaha, que terá de administrar o ego de sua dupla de pilotos.



NA MESMA:

Crise na equipe Lotus de F-1: A escuderia negra e dourada continua vivendo seu calvário financeiro de fim de temporada, tendo enfrentado novamente percalços em Interlagos por pagamentos pendentes a fim de poder ocupar o seu espaço nos boxes e paddock do circuito paulista. Sem melhorias nos carros, a performance despencou, e o time só conseguiu parcos pontos nas últimas corridas. De positivo, somente o fato de que a Renault já teria concretizado o acordo para recompra do time, garantindo sua permanência na categoria em 2016. Mas o acordo ainda estaria por ser finalizado, e enquanto isso não acontece, a única boa notícia é o fato de ter apenas mais uma corrida para disputar este ano. Só que a escuderia ainda corre o perigo potencial de cair mais uma posição no campeonato de construtores, pois está apenas 9 pontos à frente da Toro Rosso, que vem tendo desempenhos muito melhores nas últimas corridas, tendo marcado mais pontos que o time inglês. E uma posição a menos é dinheiro a menos na premiação da FOM, que certamente poderá fazer falta, já que mesmo com o retorno da Renault como proprietária oficial, o time não deve exatamente nadar em dinheiro...

Percalços dos pilotos brasileiros no GP do Brasil: A corrida da casa nunca foi exatamente fácil para nossos pilotos. Que o diga Rubens Barrichello, que aqui teve uma de suas mais altas taxas de maus resultados de sua extensa carreira na F-1. E a prova deste ano foi particularmente complicada para Felipe Nasr e Felipe Massa. Enquanto o piloto da Sauber já previa um desempenho fraco pela falta de competitividade de seu carro na pista paulistana, o piloto da Williams não conseguiu se entender com o acerto de seu carro durante todo o fim de semana. Nasr até conseguiu começar bem a corrida, mas ao longo da corrida seu carro foi perdendo rendimento, e ele acabou ficando fora da zona de pontos. Massa, por sua vez, teve sorte pior: acabou desclassificado por divergências na medição de temperatura de um de seus pneus, que foi considerada fora das especificações, o que jogou por terra o seu 8° lugar. Melhor sorte em 2016, porque 2015 foi mesmo para esquecer...

Equipe Andretti na Indy Racing League: O time de Michael Andretti manterá a maioria de sua formação de pilotos para a próxima temporada da categoria. Ryan Hunter-Reay, Marco Andretti, e Calos Munõz ficam firmes na escuderia para 2016. Já o quarto carro da escuderia ainda não foi fechado, tendo sido pilotado pelo espanhol Oriol Servia em várias etapas do ano. Andretti, Penske e Ganassi continuarão sendo os maiores times no grid, alinhando quatro carros cada um, o que já garante praticamente quase metade do grid da categoria.

Brasileiros na Indy Racing League 2016: Por mais um ano, o Brasil continuará tendo dois pilotos na categoria de monopostos dos Estados Unidos. Hélio Castro Neves segue firme na Penske, ainda sem pretensões de aposentadoria, enquanto Tony Kanaan teve seu contrato renovado com a Chip Ganassi, e irá para sua 3° temporada na escuderia que foi campeã este ano com o neozelandês Scott Dixon. Helinho, por sua vez, já é o piloto recordista de permanência no time de Roger Penske, indo para sua 17ª temporada na escuderia, onde estreou no ano 2000, ao lado do compatriota Gil de Ferran. E, por enquanto, não há perspectivas de termos mais representantes brasileiros no grid a curto prazo.

Novela do motor da Rd Bull/Toro Rosso para 2016: Até o fechamento deste texto, ainda não havia sido anunciado o futuro das equipes de bebidas energéticas para a próxima temporada da F-1 no que tange aos motores que irão utilizar. Tudo indica que deverão continuar com os propulsores da Renault, que seriam comprados e feita preparação e desenvolvimento independente através da Ilmor, segundo comentários que surgiram nas últimas semanas. Essa informação, contudo, ainda não foi confirmada, e embora tenham aumentado as certezas de que ambos os times estarão no campeonato, tanto que a Red Bull terá patrocínio confirmado da TAG-Heuer em 2016, falta um pronunciamento oficial que deixe tudo preto no branco sobre a situação de ambas as equipes. A expectativa é que isso seja feito em Abu Dhabi, na prova que encerra o campeonato deste ano.



EM BAIXA:

Emoção nas provas da F-1: A categoria máxima do automobilismo voltou ao México depois de mais de 20 anos de ausência, e apesar da empolgação com que foi recebida pelos torcedores mexicanos, a corrida não foi das mais empolgantes, apresentando duelos apenas pontuais. A situação se repetiu no Brasil, onde faltou emoção e sobrou acomodação durante a prova, que teve como consequência o seu menor índice de audiência de que há notícia. E tanto as pistas do México quanto a do Brasil são circuitos à moda antiga, onde deveria ser mais fácil haver disputas de posição, o que não se viu nas corridas deste ano. A categoria precisa repensar algumas de suas regras e conceitos para permitir que as corridas voltem a ser mais disputadas.

Fiabilidade dos motores Honda na McLaren: Jenson Button e Fernando Alonso não veem a hora de acabar o ano, porque resultados mesmo só em 2016, e olhe lá se a Honda conseguir evoluir a contento sua unidade de potência, porque o que se viu esse ano foi de dar pena, ainda mais para uma associação que foi tão vitoriosa há mais de 25 anos atrás. Em Interlagos, Alonso teve de usar seu 12° motor na temporada, acumulando mais uma punição e largando em último, sendo que no México mal conseguiu dar 1 volta na corrida. Levando-se em conta que o limite de unidades por piloto era de 4, dá para ver a quantas andou a fiabilidade dos propulsores nipônicos em sua volta à F-1. E o pior de tudo é que a performance do mesmo, se evoluiu, quase não conseguir ser notada. Os japoneses terão obrigação de mostrar resultados em 2016, para não passar vergonha ainda maior. A Renault está aí de exemplo, só para lembrar que, mesmo com este ano de experiência, nada garante que na próxima temporada os resultados sejam melhores...

Finanças da equipe McLaren: Como tudo que está ruim teoricamente não tem como piorar, eis que o time de Woking recebe outras más notícias, além da falta de resultados na pista. Dois de seus patrocinadores pularão fora ao encerrar da temporada, em Abu Dhabi. A marca de bebidas Johnnie Walker, e a TAG-Heuer, passarão a concentrar suas verbas publicitárias na F-1 em outras paragens a partir de 2016. A Walker irá para a Force India, engrossando o patrocínio que já tem no time indiano, enquanto a marca de relógios estampará os carros da Red Bull. Serão duas baixas no já combalido caixa financeir da McLaren, que anda na corda bamba nas duas últimas temporadas, e promete ficar ainda mais escasso para o próximo ano, até porque a premiação da McLaren pela FOM vai cair consideravelmente este ano, uma vez que o time é o penúltimo na tabela. Arrumar patrocinador para o ano que vem vai ser complicado, até porque Ron Dennis, diretor da escuderia, continua cobrando valores de time de ponta para quem quiser investir no time, e os resultados não estão à altura no momento.

Decisão da MotoGP 2015: A corrida final da temporada da classe rainha do motocilismo em Valência mostrou um show de recuperação de Valentino Rossi, largando do fundo do grid, mas na frente, a condução impecável de Jorge Lorenzo acabou com os sonhos do italiano de conquistar mais um título, vencendo a 7ª corrida no ano. Mas ficou a dúvida se Marc Márquez, que chegou em 2° lugar, fez tudo o que podia para realmente vencer a etapa da Comunidade Valenciana, dando suspeita de que ele não teria se esforçado realmente para que Lorenzo vencesse e Rossi perdesse o título. Como nada poderá ser provado, o campeonato da MotoGP, que foi emocionante durante todo o ano, termina com essa suspeita que, mesmo que seja totalmente inverídica, vai assombrar e manchar a temporada em seu histórico, pelas dúvidas que suscita.

Demissão de Chico Rosa da Administração de Interlagos: A SPTuris, empresa que administra o autódromo de Interlagos, a título de "corte de despesas", demitiu Chico Rosa, que dedicou praticamente 4 décadas de serviços na administraçao do autódromo paulistano, que pertence à Prefeitura Municipal. Depois, quando se fala que em muitas empresas públicas neste país quem é competente entra pelo cano, tem gente que fica brava, mas a demissão do velho Chico foi de uma insensibilidade e incompetência atroz, pois se tem alguém que deu sua vida por Interlagos, é ele, e não um punhado de burrocratas indicados por políticos da prefeitura. Como consequência, Chico pela primeira vez em muito tempo não esteve presente em Interlagos para acompanhar o GP do Brasil, e numa amostra ainda maior de insensibilidade e falta de gratidão pelos serviços prestados, não vi notícia de que alguém, empresa ou autoridade participante dos eventos do GP, tenha lhe dado credencial para circular pelo autódromo. Depois, quando falo que o Brasil é dose e está dando nojo ultimamente, é me segurar para não falar palavrão aos montes, que muita gente está merecendo levar...