sexta-feira, 8 de junho de 2012

QUEM LEVA NO CANADÁ?


            Chegamos a uma das etapas mais aguardadas do campeonato de Fórmula 1, o Grande Prêmio do Canadá, e o fim de semana tem tudo para ser dos melhores. Primeiro, pelo fato de a atmosfera da cidade de Montreal ser única, abraçando o seu GP como se fosse uma grande festa. Não fosse o trabalho de promoção ímpar dos australianos, os canadenses faturariam sem problemas o título de prova mais festiva da temporada. E, para variar, o circuito Gilles Villeneuve, situado na ilha de Notre Dame, uma ilha artificial localizada no Rio São Lourenço, que corta a grande metrópole, oferece não apenas um visual bonito, mas também uma das pistas que oferece mais emoções durante o campeonato. E nem comentei que o clima costuma ajudar de vez em quando...
            E, no atual estágio do campeonato, com 6 vencedores diferentes em 6 provas até aqui, as chances de vermos um 7° vencedor diferente são bem grandes. O traçado da prova canadense é bem particular, misturando características de pistas permanentes com as de um circuito de rua. Muitos trechos da pista possuem os guard-rails e os muros muito próximos, como nos circuitos urbanos, e onde um erro geralmente costuma ser fatal. Temos também um bom trecho de reta, que deve ser muito apreciado pelos carros da Mercedes, com seu esquema de duto canalizador de ar. Nico Rosberg e Michael Schumacher tem tudo para brilhar nos treinos, e quem sabe, até aprontar uma surpresa na corrida, ainda mais depois da pole do heptacampeão em Monte Carlo, em uma performance que lembrou os bons tempos de Michael, apesar da punição que o relegou à 6ª posição. Por outro lado, para a Ferrari, este trecho de alta velocidade da pista deverá ser complicado. Por mais que o F2012 tenha melhorado, o carro ainda padece de baixa velocidade em reta, e diminuir muito a asa traseira, a fim de compensar, não é uma boa idéia: o circuito tem muitas curvas de baixa velocidade, onde toda a estabilidade será necessária para se ganhar tempo. A jogada é simples: vai ser preciso fugir do miolo para conseguir folga na reta. Se em Barcelona Fernando Alonso conseguiu até se dar bem, em Montreal não há como garantir que o panorama vai se repetir.
            Também não há garantias de que a Ferrari poderá andar bem no Canadá. Em Mônaco, onde a velocidade de ponta era baixa, e o principal era estabilidade mecânica, o time rosso até que se deu bem, com seus dois pilotos. Mas em Montreal, a estabilidade aerodinâmica volta a ditar o ritmo, e o F2012 ainda tem algumas deficiências nesse quesito. Os técnicos de Maranello aprontaram um pacote de modificações para a corrida canadense, que garantem ser mais um passo à frente na performance atual do carro. Veremos nos treinos de hoje o quanto isso é verdade.
            Na Red Bull, o clima é de aparente tranqüilidade, apesar de a FIA ter declarado que os buracos feitos no assoalho próximos aos pneus traseiros estavam fora do regulamento e não poderiam ser usados. O time desconversa e fala que eles já estavam fora dos planos mesmo para a prova canadense. Pode ser verdade, como também pode não ser. Como único time a vencer 2 vezes na temporada, e com diferenças até mínimas entre as classificações no campeonato, todo detalhe pode fazer a diferença, e aparentemente, esse já vai ser um detalhe que poderá fazer falta, a não ser que Adrian Newey consiga tirar algum trunfo da manga. De qualquer maneira, o time austríaco chegou a Montreal determinado a recuperar a vitória que por pouco não conseguiu no ano passado, quando Sebastian Vettel perdeu a corrida na última volta ao rodar sob forte pressão de Jenson Button, da McLaren, que venceu após fazer uma corrida espetacular, que ficou ainda mais apimentada devido à chuva. E Vettel, diga-se de passagem, está incomodado com a forma com que Mark Webber está pilotando este ano, estando praticamente empatados em número de pontos no campeonato. Para quem no ano passado deitou e rolou sobre o companheiro de equipe, ele definitivamente não está muito à vontade com isso.
            Mas quem não está mesmo à vontade com a situação atual é Jenson Button. Vencedor nesta pista no ano passado, onde começou a se credenciar como favorito para o vice-campeonato, o campeão de 2009 está apagado desde a corrida de início do campeonato, na Austrália, onde venceu e deu até impressão de que poderia ser o piloto a ser batido em 2012. Considerado o piloto que melhor sabia preservar seus pneus sem deixar de ser rápido, o inglês, ironia das ironias, não está conseguindo se entender com os novos pneus da Pirelli nesta temporada. Para piorar a situação, um ponto que Button sempre afirmou que precisava melhorar, que era a posição de classificação, está sendo um ponto fraco ainda mais contundente este ano. Devido ao grande equilíbrio entre os times, as diferenças que até o ano passado ainda garantiam a presença no Q3 agora estão sendo cruciais para se perder a vaga na fase final do treino. E largando no meio do grid, onde as disputas estão cada vez mais apertadas, pode comprometer irremediavelmente a estratégia de corrida. Basta lembrar que em Monte Carlo Button ficou preso atrás de uma Caterham durante boa parte da corrida, e na tentativa de ultrapassar o concorrente, Jenson errou e acabou batendo, dando adeus à prova.
            Mas a própria McLaren também precisa melhorar. Tida como melhor carro na Austrália, a situação começou a degringolar nas corridas seguintes, a ponto de Lewis Hamilton, até agora, não ter conseguido vencer, e nem sequer ser o favorito em alguma corrida. Hamilton, por outro lado, está fazendo bom uso da regularidade para marcar pontos importantes e evitar desgarrar-se dos ponteiros, mas é imprescindível voltar a vencer para readquirir força no campeonato. A McLaren, que no ano passado soube ser a principal força opositora da Red Bull, apesar da supremacia desta, este ano parece não conseguir dar um direcionamento ao desenvolvimento de seu carro. O time está se esforçando, mas até agora, os resultados não surgiram como se esperava. Talvez aqui na pista canadense o time prateado volte a deslumbrar na pista, pois foi aqui no ano passado que a McLaren conseguiu sua segunda vitória, depois do triunfo de Hamilton na China.
            E a Lótus começa a perder um pouco o encanto. Andando sempre entre os primeiros em várias corridas, o time pecou por ser conservador nas estratégias de pneus, e com isso, uma potencial vitória até agora andou escapando dos carros negros. E há quem diga que o clima na escuderia, depois do desempenho pífio de Mônaco, já não seria exatamente tão empolgante quanto antes. Mas tudo pode mudar nesta corrida, claro. E ainda não podemos deixar de considerar que Williams e Sauber ainda podem voltar a aprontar, depois de não mostrarem praticamente nada na última corrida. A verdade é que o campeonato está tão cheio de altos e baixos que até o presente momento, não se pode descartar ninguém de uma provável surpresa na corrida. Até agora, apenas Monte Carlo apresentou uma corrida monótona, com pouquíssimas ultrapassagens, como convém ao traçado monegasco, sempre propenso a favorecer corridas em fila indiana, mas essa certamente não é a situação aqui em Montreal.
            Se mesmo nos tempos de corridas chatas e de poucas disputas este GP sempre ofereceu um agito anormal, temos boas chances de vermos uma corrida das mais interessantes no domingo, com algumas idéias a se tirar já nos treinos livres que teremos hoje. Mas, independente dos treinos, fica valendo a pergunta mais crucial: quem vai legar a corrida desta vez? Respostas na bandeirada quadriculada na tarde de domingo, e não antes...


Scott Dixon conquistou em Detroit, semana passada, a segunda vitória consecutiva da Chip Ganassi no atual campeonato da Indy Racing League. Se em Indianápolis foi Dario Franchiti a encerrar a seção de azares na temporada, na pista do Belle Isle Park foi a vez do neozelandês cravar pole e vitória, mostrando que a Penske não irá ficar rindo à toa este ano. Embora Will Power ainda lidere o campeonato, com 232 pontos, Scott Dixon está logo atrás com 206, seguido de Hélio Castro Neves com 177 pontos. E neste final de semana, amanhã, já temos mais uma corrida, à noite, no circuito oval de Texas Motor Speedway, onde a Ganassi tem tudo para continuar tirando o sono do time de Roger Penske. Quem achou que Power iria deslanchar sozinho no campeonato, que comece a se preparar para ver uma briga das boas pelo título...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

FLYING LAPS – MAIO DE 2012


            Acabou o mês de maio, hora de vermos algumas notas rápidas sobre o que mais andou acontecendo nas corridas deste último mês, em mais uma sessão Flying Laps. Uma boa leitura a todos...

Quem pode deter Sébastien Loeb? Essa é a pergunta que todos fazem no Mundial de Rali, que estão vendo o atual octacampeão rumar determinado a mais um título. Com 6 etapas disputadas até agora, o francês venceu nada menos do que 4, e seu último triunfo foi no Rali da Grécia, onde obteve sua 71ª vitória na categoria, apesar de alguns percalços durante o fim de semana, inclusive um pneu furado em que muitos davam por certa sua derrota na competição. Bem, Loeb mostrou que vai ser preciso muito mais do que isso para segurar sua escalada rumo ao 9° título da carreira mais vitoriosa que o mundial de rali já teve oportunidade de presenciar. Com o resultado, o francês da Citroen aumentou sua vantagem no campeonato, ficando com 30 pontos sobre seu mais direto perseguidor, Miko Hirvonen, seu próprio companheiro da equipe Citroen, que está sentindo como é difícil encarar Loeb, ainda mais tendo o mesmo equipamento que ele. Hirvonen, aliás, deu combate a Loeb no rali grego, mas no final, ainda ficou 40s atrás do companheiro. A próxima etapa será nos dias 22/24 de junho, na Nova Zelândia. Veremos mais um passeio de Loeb? Não há como garantir que não...


Depois do anúncio da aposentadoria de Casey Stoner ao fim da atual temporada, agora quem pode acabar deixando a MotoGP seria o italiano Valentino Rossi. Boatos correm nos bastidores da categoria de que o piloto, sem conseguir resultados expressivos desde que se mudou para a Ducati no ano passado, poderia até encerrar a carreira, enquanto outras fofocas dizem que Rossi poderia se mudar para o campeonato das Superbikes. Seja lá o que for, seria uma grande perda para a MotoGP ficar sem dois de seus principais nomes da atualidade de uma vez. Casey Stoner declarou que a atual MotoGP não é mais a categoria que o empolgava há algum tempo atrás, e ninguém pode negar que Rossi tem se mostrado bem desencantado na Ducati atualmente. Muitos esperavam que o “Doutor” conseguisse reproduzir na Ducati o feito obtido quando trocou a Honda pela Yamaha, e esta teve uma bela subida de produção com a pilotagem de Valentino. Mas naquela época, Rossi levou para a Yamaha parte do staff técnico que o acompanhava na Honda, algo que ele não conseguiu fazer quando saiu da Yamaha e foi para a fábrica italiana. E a Ducati também parece não estar conseguindo melhorar como Rossi imaginava. Mas ainda é cedo para apostar na aposentadoria do piloto italiano, e não é segredo para ninguém que a aposentadoria de Stoner abre uma bela vaga na Honda. Será que Valentino voltaria para a fábrica japonesa em 2013? Sonhar é possível...


A etapa de Ribeirão Preto da Stock Car nacional foi vencida por Daniel Serra, após uma renhida disputa com Cacá Bueno, que foi superado na largada pelo companheiro. Com a vitória, Serra assume a liderança da competição, com 69 pontos, 5 a mais do que Cacá Bueno, que tem 64. O pódio em Ribeirão Preto foi completado com Átila Abreu, que faturou a 3ª colocação na corrida, e agora tem a 4ª posição no campeonato, com 52 pontos. Ricardo Mauricio, com 59 pontos, é o 3° na classificação.


 Ainda sobre a Stock Car, a famosa Corrida do Milhão, uma das principais provas do campeonato da categoria, acabou tendo sua data mudada. Marcada inicialmente para 5 de agosto, ela foi realocada para o dia 9 de dezembro, e irá encerrar o campeonato de 2012. O motivo: TV Globo, que alegou que precisava dar uma adequada na programação, e com isso, simplesmente chutou a corrida para o final do ano. Uma das justificativas, meio furadas, diga-se de passagem, é de a corrida iria coincidir com a realização dos Jogos Olímpicos, que poderiam tirar a atenção do grande público. Vale lembrar que, em relação aos jogos deste ano, a emissora carioca “caiu do cavalo”, pois não tem os direitos de exibição em TV aberta, que ficaram com a Record. A Globo só poderá mostrar os jogos em seus canais pagos do SporTV. Então, podem se preparar meio que para a “não-existência dos jogos” na TV aberta pela Globo, que quando muito, mencionará os jogos em seus telejornais, na incômoda posição de “excluída”. Os fãs do automobilismo saem perdendo. Para compensar, a corrida em dezembro terá pontuação dobrada, e dependendo das circunstâncias, deve definir o campeão, ajudando a tornar a prova ainda mais concorrida. O lugar da prova continuará sendo em Interlagos.


O piloto mexicano Sérgio Pérez fez em Mônaco uma homenagem inusitada: correu com o símbolo e a imagem do personagem Chapolin Colorado em seu capacete. O personagem, interpretado por Roberto Gomez Bolaños, que também interpretava o personagem Chaves no seriado homônimo, é uma paródia aos super-heróis, e vence os criminosos mais pela sorte do que pela competência. As duas séries fizeram e ainda faze sucesso na programação da TVS/SBT. Infelizmente para Pérez, a homenagem não rendeu bons fluidos em Monte Carlo, um circuito onde competência é um dos diferenciais dos pilotos. Pérez largou em último, e acabou terminando a prova em 11°, uma volta atrás de Mark Webber, que foi o vencedor da corrida. Não deixa de ser válida a homenagem feita por Pérez, que considera Bolaños um de seus ídolos. E a F-1 precisa de momentos como esses, para mostrar que não é apenas negócios e dinheiro desenfreados... 


Pela vitória obtida em Indianápolis, Dario Franchiti embolsou a quantia de aproximadamente US$ 2,475 milhões. Seu companheiro de equipe, Scott Dixon, que terminou a prova na 2ª colocação, faturou mais de US$ 1,1 milhão. Tony Kanaan, que ficou em 3° lugar, ganhou cerca de US$ 637 mil. Rubens Barrichello, eleito o melhor novato da prova este ano, ficou com US$ 331 mil na 11ª posição na prova. Jean Alesi, que largou em último e foi obrigado a abandonar a prova pela direção de corrida devido ao fato de andar muito lento, levou perto de US$ 252 mil. Ao lado de Wade Cunningham, Alesi foi quem menos faturou na corrida milionária. Apesar das cifras de alguns parecerem astronômicas, o valor não fica todo com os pilotos, sendo dividido junto com suas equipes, dependendo dos acordos firmados por cada um com seu time. Mas ninguém pode dizer que as boladas não sejam compensadoras...


O péssimo desempenho dos motores Lótus na IRL atingiu seu clímax na Indy500, produzindo sua primeira vítima fora das pistas: Dany Bahar, diretor executivo do Grupo Lótus, foi suspenso pela nova organização controladora da empresa. Bahar, aliás, meio que “já vai tarde”, pois andou arrumando algumas confusões nos últimos tempos. Só para começar, foi ele quem começou a briga do Grupo Lótus com Tony Fernandes, que havia adquirido os direitos de uso do nome “Lótus” para o automobilismo. Como a empreitada de Fernandes estava indo bem, Bahar viu aí a oportunidade de promover o Grupo Lótus, e iniciou-se uma luta nos tribunais ingleses pelo uso do nome no ano passado, que acabou meio que vencida por Fernandes. Mesmo assim, o Grupo Lótus iniciou um patrocínio na equipe Renault, forçando o uso do nome “Renault Lótus”, que a partir deste ano passou a ser apenas “Lótus”, uma vez que Fernandes resolveu entregar os pontos e rebatizou seu time de Caterham a partir desta temporada. Bahar também foi o principal mentor da entrada da Lótus no campeonato da Indy Racing League, mas o pouco tempo de preparação para o campeonato cobrou seu preço, tornando os propulsores fracos e pouco fiáveis, resultando nos péssimos resultados vistos até agora. O Grupo Lótus também retirou-se da equipe Lótus de F-1, que continuará usando o nome pelos próximos anos, em acordo previamente acertado com a empresa malaia.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

CAMPEONATO RUIM?


            E o campeonato 2012 da Fórmula 1 mostra que este ano tem tudo para ser um dos melhores da história da categoria: domingo passado, em Mônaco, assistimos à 6ª vitória de um piloto diferente em 6 provas disputadas até agora. Se é verdade que tivemos o primeiro time a repetir vitória na temporada – a Red Bull, por outro lado, o equilíbrio demonstrado até agora pelo atual campeonato tem tudo para oferecer maiores emoções. E a próxima corrida, no Canadá, é em um circuito que costuma oferecer corridas mais empolgantes do que a maioria, como ficou comprovado no ano passado, quando a chuva ainda deu um tempero extra ao GP canadense, que presenciou uma vitória magistral de Jenson Button. Com resultados muito mais imprevisíveis do que de costume, não se pode negar que os torcedores devem estar adorando a situação. E nem mesmo entre a imprensa especializada, é possível afirmar com precisão quem será o provável campeão deste ano. Está tudo em aberto, e ainda tempos pilotos e times com potencial para entrarem na lista de vencedores de GPs desta temporada como há tempos não se via. E quem ganha é o torcedor.
            Mas, claro, diz o ditado que não dá para agradar a todos, e na categoria máxima do automobilismo, e de gente ligada a ela, tem aqueles que já demonstraram irritação com o panorama de imprevisibilidade que a F-1 atual está oferecendo. A mais nova crítica veio de Niki Lauda, tricampeão nas temporadas de 1975, 1977 e 1984. Segundo o austríaco, ter pilotos demais ganhando é ruim para o público, que quer ver, acima de tudo, os campeões sempre no pódio. Na indireta, então podemos deduzir que termos novas caras no pódio, como Pastor Maldonado, Sérgio Perez, Romain Grossjean não seja interessante para o torcedor, que estaria desejando que a categoria voltasse ao seu marasmo habitual, onde logo na largada já sabíamos quem chegaria ao fim da prova e a venceria. Eu creio que Lauda anda meio senil para fazer este tipo de afirmação, pois, como torcedor e jornalista especializado, desejo mais é que o circo “pegue fogo”, e quanto mais gente na festa, melhor. E dentro da categoria, não se pode dizer que os times de ponta estejam exatamente felizes com o panorama atual, certamente.
            Explica-se: os times se acostumaram, nos últimos tempos, a terem tudo programado e previsto dentro de certos parâmetros. Saber seus limites e capacidades os ajuda a explorar melhor as corridas, mas dominando-se todos os dados à disposição, aumenta a previsibilidade, e diminui a possibilidade de resultados inesperados, caso nada saia dos conformes. Por estas e outras, só víamos mais emoção quando as corridas eram disputadas sob chuva, um elemento sobre o qual os times não tem muito controle. E o controle sobre seus dados ajudou os times a tornarem a F-1 extremamente monótona nos últimos anos. Claro que tivemos disputas, confrontos, mas nunca além de certo ponto. Antes, os resultados variavam mais porque os monopostos estavam sempre nos limites de performance e desempenho. Hoje, com regras que estabelecem vida útil para componentes como motor e câmbio, além dos avanços tecnológicos em áreas da mecânica, os carros ficaram quase inquebráveis. Houve até corrida recente onde não houve um abandono sequer de piloto, e provas onde por muito pouco todos quase chegaram nas mesmas posições de largada. Uma hora, isso cansaria os fãs, e era preciso tornar as provas mais atrativas, não apenas para o público nos autódromos, mas especialmente para os telespectadores.
            Depois de muitas tentativas de resultados duvidosos, eis que no ano passado a FIA pareceu ter acertado a combinação certa: uso do Kers, asas traseiras móveis, e sobretudo, os pneus de duração incerta feitos pela Pirelli para apimentar o show. Deu certo, e neste ano, a fabricante italiana mudou a fórmula dos compostos, e desta vez, parece ter conseguido se superar: passadas 6 provas, nenhuma escuderia conseguiu até agora dominar os novos compostos. E eles detestam ficar “no escuro”. E enquanto não dominarem este quesito, o atual campeonato promete muitas surpresas.
            Também houve piloto reclamando deste comportamento dos pneus. Michael Schumacher foi curto ao dizer que os carros não davam mais satisfação aos pilotos, pois estes tinham sempre que pensar antes em conservar os pneus do que em serem rápidos, de modo que os atuais bólidos não podem mais ser exigidos no limite como antigamente. Jenson Button, por sua vez, disse que não está conseguindo se entender com os pneus nas últimas corridas, e nem mesmo seu time consegue achar uma direção a seguir para melhorar a situação. Mas o piloto inglês ressaltou que a situação é igual para todos, e este é um desafio que precisa ser vencido, e na minha opinião, está mais do que correto. A chiadeira de Schumacher decorre mais do fato de que ele nunca foi de economizar pneus, andando sempre a fundo, em uma época onde ser mestre nos pit stops, que tinham também reabastecimento de combustível, era uma arma vital para se dominar as corridas. Com estratégias de paradas formuladas com perfeição, na grande maioria das vezes Schumacher se mandava na frente, exigindo tudo do carro, parava e ainda voltava, se não na frente, em posição melhor do que a anterior. Ele se especializou em andar forte com pista livre, para ganhar a posição nos boxes, uma vez que na pista, a situação era mais complicada. Agora, tendo de saber ser rápido, e ao mesmo tempo, conservar os pneus, e não sabendo dominar isso da forma como fazia antes, parece ter tirado o bom humor do heptacampeão.
            Curioso notar que Mark Webber também criticou o excesso de vencedores deste ano na F-1. Mas, depois de sua vitória em Mônaco, duvido que o australiano continue com suas críticas, que pareciam mais advindas do fato de que ele ainda não tinha conseguido entrar na festa dos vencedores. Pelo mesmo motivo, Michael Schumacher parecia outro após a classificação em Monte Carlo sábado passado, onde conquistou a pole-position para a prova monegasca, que só não foi efetivada devido à punição que teria de cumprir por ter atropelado Bruno Senna em Barcelona.
            Fico com a posição de Button: o desafio é igual para todos, estão todos na mesma situação, e cabe aos pilotos e seus times encontrarem uma maneira de superarem o desafio que lhes é apresentado. E até o presente momento, o atual campeonato está sendo um verdadeiro sucesso, e temos tudo para vermos no Canadá um provável 7° vencedor diferente em 7 provas. Se eles não querem que haja tantos vencedores, que tratem de lutar na pista para mudar isso. Na minha opinião, estão é reclamando de barriga cheia.
            Campeonato ruim? Imagina...



A edição 2012 da Indy500 novamente foi encerrada sob bandeira amarela, em virtude de uma batida na última volta da corrida. Mas desta vez não foi tão dramática quanto no ano passado, embora a disputa tenha sido muito mais intensa. Takuma Sato partiu para o tudo ou nada contra a dupla da Ganassi nas voltas finais da corrida. O intrépido japonês superou Scott Dixon e partiu para cima de Dario Franchiti, que abriu na volta final na liderança. Sato forçou passagem por dentro na curva um, mas Dario não deu espaço ao japonês, que acabou tocando rodas na linha branca da parte interna, provocando uma rodada e indo parar direto no muro, felizmente sem conseqüências para o piloto nipônico, além da tremenda frustração de perder a disputa. A corrida, como de costume, teve alguns acidentes, sendo o de maior monta com Mike Conway e Will Power, sendo que o carro de Conway chegou a voar junto ao alambrado, mas felizmente sem maiores conseqüências para o piloto. Uma roda de um dos carros por pouco não atingiu Hélio Castro Neves, mas tocou de leve em uma de suas rodas dianteiras, desalinhando de leve sua suspensão e tirando parte do equilíbrio de seu carro e o fazendo perder parte do ritmo. Quem também bateu forte foi Marco Andretti, mas também sem maiores percalços além dos danos do carro. Entre os brasileiros, destaque para Tony Kanaan, que fez um arranque fulminante nas últimas relargadas e chegou até a liderar a corrida, mas acabou superado pela dupla da Ganassi e por Sato até este bater. Hélio Castro Neves terminou em 10°; Rubens Barrichello em 11° (eleito o melhor novato na corrida este ano); e Bia Figueiredo, após uma rodada e perder 10 voltas no Box consertando o carro, foi apenas a 23ª colocada. A próxima corrida do campeonato da IRL já é neste final de semana, no circuito de Belle Isle Park, em Detroit, que retorna à categoria.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA – MAIO DE 2012


            Mais um mês se vai, e aqui estamos novamente com a COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA, dando uma avaliada e analisada no que aconteceu no esporte a motor nos últimos 30 dias. E vamos às classificações: EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Então, boa leitura a todos, e até o mês que vem, quando teremos mais uma edição da cotação automobilística...



EM ALTA:

Campeonato 2012 da Fórmula 1: Ninguém pode reclamar da disputa da F-1 este ano: ao fim do GP de Mônaco, tivemos 6 pilotos diferentes vencendo as 6 primeiras corridas do atual campeonato. E olha que ainda tempos mais pilotos como prováveis potenciais vencedores de corridas no atual campeonato, que está se mostrando mais equilibrado e concorrido do que todos imaginavam. Está todo mundo embolado, e detalhes podem fazer toda a diferença. Quem errar menos deve levar o título de 2012, mas como num passe de mágica, depois de 6 provas de um total esperado de 20, não dá para fazer nenhuma previsão de quem será o campeão da temporada. A performance de times e pilotos está variando de prova a prova, de modo que nem as escuderias conseguem prever direito como a situação do campeonato pode se desenhar. Para os fãs das corridas, é o máximo, e a emoção só tende a aumentar ainda mais, até porque a próxima corrida é no Canadá, em uma pista onde tradicionalmente já acontecem provas que costumam fugir da rotina geral, como se viu no ano passado, onde a chuva embaralhou pilotos e times. Será que veremos o 7° vencedor diferente em 7 corridas? O atual campeonato já conseguiu bater o recorde da história, enfileirando 6 em 6. Se encaixar 7 em 7, vai ser ainda melhor. E viva o atual campeonato...

Fernando Alonso: o bicampeão espanhol está conseguindo proezas no campeonato deste ano da F-1. Sem dispor de um carro vencedor, está aproveitando todas as oportunidades que aparecem para pontuar bem, e graças ao equilíbrio inesperado da competição, voltou à liderança do campeonato após a corrida de Mônaco. É cedo e até prematuro dizer que o espanhol é o mais cotado para faturar o título, uma vez que o carro da Ferrari, se melhorou bem, ainda não é a maravilha que o asturiano gostaria que fosse, para lhe dar plenas condições de vencer corridas. Mas marcando pontos com constância e regularidade, Alonso espera poder repetir o feito de Keke Rosberg, campeão em 1982 com apenas 1 vitória, mas que conseguiu aproveitar as oportunidades para chegar lá, enquanto a concorrência se digladiava entre si, especialmente os pilotos da Ferrari, que tinha tudo para levar o título com facilidade naquele ano.

Equipe Red Bull: o time das bebidas energéticas mostra que, se não tem mais um carro dominador como no ano passado, está sabendo manter-se competitiva, ainda mais no disputado campeonato deste ano, e tornou-se o primeiro time a repetir vitória em 2012, com o triunfo de Mark Webber em Mônaco. Com uma estratégia caprichada, conseguiu ainda colocar Sebastian Vettel entre os primeiros na prova monegasca, depois de uma classificação mediana do bicampeão alemão. O time está dando mostras de saber utilizar os recursos que tem à disposição para começar a ter alguma ascendência na disputa do certame de 2012, onde qualquer detalhe e ponto a mais podem fazer a diferença...

Dario Franchiti: o atual campeão da Indy Racing League pode não estar fazendo o seu melhor campeonato dos últimos tempos, mas conseguiu vencer pela terceira vez as 500 Milhas de Indianápolis, tornando-se o maior vencedor da prova atualmente, ao lado de Hélio Castro Neves, e faturou cerca de US$ 2,5 milhões pelo triunfo no circuito oval mais famoso do mundo. E, para muitos, vencer na Indy500 é até mais significativo do que ganhar o título da categoria IRL. Mas o campeonato ainda tem muitas etapas pela frente, e Dario pretende fazer da vitória em Indiana o seu verdadeiro “recomeço” de campeonato para a luta pelo título deste ano...

Casey Stoner: Atual campeão da MotoGP, o australiano está firme na luta pelo título da categoria este ano, e embora tenha perdido a prova em Le Mans para o rival Jorge Lorenzo, tem motivação extra para encerrar o ano com mais um caneco: Stoner anunciou que estará aposentando o capacete ao final da atual temporada. Segundo ele, a MotoGP atualmente não é mais a categoria que ele se apaixonou anos atrás, e criticou várias posturas adotadas recentemente pela Dorna, que administra e promove o campeonato. Sobre o que fará da vida depois disso, nem mesmo Casey sabe dizer o que fará, pois é ainda muito jovem, e muito provavelmente tentará seguir em algum outro certame. Alguns apostam que ele deve disputar a V-8 Supercars australiana, onde já fez um teste e gostou do carro, mas ele prefere não prometer nada. Se para muitos Stoner está cometendo um erro, abandonando uma carreira vitoriosa ainda no auge, pelo contrário, deve-se admirar sua postura e franqueza nas razões de por que está deixando a MotoGP. Mais do que tudo, Stoner é uma pessoa, e se a categoria já não o empolga, muito pelo contrário, o decepciona, Le tem todo o direito de pular fora, ao contrário de muitos pilotos que fingem gostar de muita coisa, quando na verdade estão se lixando para tudo. Para seus fãs, Stoner está sendo honesto, e se ele diz que vai parar por isso e aquilo, e estiver sendo sincero sobre a situação, seus fãs precisarão compreender, e respeitar sua decisão. E há vida em muitos outros lugares no mundo das corridas, e nada impede que ele siga carreira em outro certame.




NA MESMA:

Pastor Maldonado: O piloto venezuelano assombrou a todos na F-1 na etapa de Barcelona, largando na pole-position após uma exibição espetacular nos treinos, e teve uma postura impecável na corrida, sabendo conservar o equipamento e dominando a prova espanhola, e conseguindo tirar a Williams de um jejum de vitórias que vinha desde 2004. Isso encheu o piloto de moral na equipe, ainda mais para a prova de Mônaco, onde Maldonado já havia dado show no ano passado com aquele carro medonho que o time havia produzido em 2011. Mas eis que no Principado Pastor voltou a aprontar das suas, dando uma fechada em Sérgio Perez, e tomando uma punição de 10 posições a menos no grid. Largando lá atrás, aproveitou para trocar o câmbio, e todos esperavam até uma prova de recuperação do venezuelano. Infelizmente, a corrida dele em Mônaco este ano foi bem curta, se enroscando logo na saída e praticamente abandonando a prova logo na primeira volta. Se Maldonado mostrou em Barcelona que pode ser uma das estrelas da categoria, em Mônaco, fez valer o apelido jocoso de “Maldanado” que alguns lhe impuseram. E as batidas com o carro infelizmente custam caro, e isso certamente é prejudicial para as finanças de seu time.

Michael Schumacher: O heptacampeão alemão não conseguiu mostrar a que veio desde que cancelou sua aposentadoria como piloto. Com um carro mais competitivo este ano, Michael até tem ensaiado voltar aos bons tempos, mas vem encontrando um enguiço atrás do outro, quando não comete erros bizarros. Em Barcelona, errou feio a freada numa disputa de posição do Bruno Senna no fim da reta dos boxes e atingiu em cheio o carro do brasileiro, a quem tachou de “idiota”. Dispondo de pneus novos contra os velhos de Bruno, Michael só precisava ser um pouco mais paciente para superar Bruno. Isso lhe valeu uma punição de perder 5 posições no grid em Mônaco, e no circuito citadino monegasco, isso praticamente arruinou suas chances de, enfim, voltar a vencer: ele fez a pole em uma performance como a dos bons tempos, mas teve de largar em 6°, onde ficou entalado no decorrer da prova, ainda tendo sorte no toque que sofreu com Romain Grossjean logo na largada, que tirou o franco-suíço de combate. E, num circuito onde o talento dos pilotos costuma se sobressair, nem assim Schumacher conseguiu se recuperar, e amargou mais um abandono, faltando 14 voltas para encerrar a corrida, devido a um problema na bomba de óleo. Pior ainda, foi ver Nico Rosberg terminar em 2°, posição em que largou, e se distanciar ainda mais no campeonato, com 59 pontos, contra apenas 2 de si próprio. A Mercedes desconversa quando o assunto é a renovação do contrato de Michael, que vence ao fim desta temporada...

Rede Globo: A emissora “oficial” da F-1 no Brasil resolveu investir mais na sua exploração da categoria máxima do automobilismo: iniciou em Mônaco uma transmissão com mais 20 minutos de duração, no sábado, e mais 20 minutos, no domingo, mostrando os preparativos da corrida, com matérias e reportagens feitas pela sua equipe presente na prova. Se ainda não é a maravilha de transmissões como as da BBC, que começam e terminam praticamente 1 hora após o início e fim das corridas, já é um avanço, e talvez a emissora tenha se convencido de que vale a pena investir no fã que curte verdadeiramente as corridas, numa forma de fidelizar a audiência, e não ficar fazendo apenas oba-oba em cima de nossos representantes na categoria, que infelizmente, não poderão repetir os anos gloriosos das eras Fittipaldi-Piquet-Senna. Capacidade para isso a Globo tem de sobra, vamos ver se terá a vontade necessária para levar o projeto adiante e melhorar de vez as transmissões, algo que muitos fãs cobram há anos.

Takuma Sato: o intrépido piloto japonês que há alguns anos atrás deixou saudades na F-1 pela postura atrevida e decidida como batalhava por posições mostrou que continua acelerando forte na IRL, e infelizmente, ainda exagera um pouco na dose. Na volta final da Indy500 deste ano, Sato foi com tudo para cima de Dario Franchiti, na disputa pela vitória da prova mais famosa do automobilismo americano. O atual campeão da categoria não deu mole para Takuma, e com os dois a não aliviarem no acelerador, acabou sobrando para o piloto japonês, que rodou e acertou o muro do circuito oval, felizmente sem sofrer ferimentos. Numa hora dessas, fica-se sempre na dúvida se vale a pena arriscar tudo pela vitória ou garantir a posição. E não se pode dizer que haja uma resposta “certa” ou “errada”, depende de como alguém encara a situação. Takuma vem fazendo um campeonato bom este ano, obtendo resultados que poucos esperavam em um time que já teve dias muito melhores na categoria, mas precisa acertar um pouco a dosagem do pé direito para não jogar resultados potenciais demais pela janela.

Novo circuito em Deodoro: Entra conversa e sai conversa, e a situação do prometido “novo” autódromo fluminense, que substituirá a pista de Jacarepaguá, há alguns anos alijada por políticos cretinos do COB e seus “capangas”, permanece ainda indefinida. A novidade na conversa é que o governo federal promete assumir a obra, e a licitação deve sair ainda este ano. Como este “desgoverno” é uma maravilha de competência para tocar obras, saber que ainda não há nenhum projeto pronto para o novo autódromo não chega a ser surpresa alguma, e para variar, parece que agora, a questão de licenças ambientais prometem esquentar a discussão sobre o assunto, pois a área onde deve ser construído o completo automobilístico ficaria em área de preservação ambiental. Esse assunto ainda vai muuuito longe, e enquanto isso, Jacarepaguá, que já foi nosso princpal autódromo, padece em quase ruínas no Rio de Janeiro, vítima de políticos inescrupulosos que não estão nem aí para as coisas sérias deste país...




EM BAIXA:

Jenson Button: o campeão de 2009 começou o ano em alta, vencendo na Austrália, e dando a pinta de que poderia conduzir a McLaren ao título este ano, mas nas últimas corridas, Jenson não tem conseguido se encontrar com o carro, está deixando de marcar pontos importantes, e tem sido superado por Lewis Hamilton, ficando para trás na classificação. Especialista em administrar situações complicadas, Button também não fica muito à vontade quando as coisas não dão certo, e num momento onde seu time precisaria dele mais do que nunca, o piloto inglês parece estar mais perdido que cego em tiroteio. Para sua sorte, o campeonato está tão equilibrado que bastará alguns bons resultados para voltar ao páreo, mas o problema é que não há nenhuma garantia de que isso vá acontecer. E enquanto não consegue dar uma reviravolta na situação, Jenson vai virando coadjuvante momentâneo no campeonato.

Equipe McLaren: o time inglês mostrou boa forma na corrida inaugural, dando a sensação de que poderia ser a escuderia a ser batida no campeonato de 2012. As corridas seguintes, contudo, desmentiram o fato, para felicidade da torcida da categoria, que não está conseguindo ver um time dominar, como aconteceu no ano passado. Mas a McLaren parece estar caindo pelas tabelas, sem conseguir reencontrar a forma demonstrada em Melbourne. Pior do que isso, é que aparentemente não há nada de errado com os carros, e isso está deixando o time confuso, sem saber exatamente o que precisa ser melhorado. Lewis Hamilton, quem diria, é o melhor piloto do time, fazendo uso da constância e regularidade para marcar pontos importantes nas corridas, e com isso manter-se na disputa pelo título, mas Button vem tendo desempenhos pra lá de apagados nas últimas corridas, e para piorar, a escuderia não parece estar mais em condições de vencer provas, tendo sido superada até pela Ferrari, que tinha o carro mais problemático entre os times de ponta. Ou o time inglês reencontra o rumo, ou vai ficar como coadjuvante na disputa pelo título. E, para melhorar o astral da escuderia, Hamilton já fala que poderia procurar “novos ares” em breve...

Bruno Senna: Algumas provas sem pontuar, enquanto via o companheiro Maldonado vencer a corrida espanhola de forma até surpreendente deixaram o brasileiro Bruno Senna em baixa no time de Frank Williams. Não que ele esteja fazendo exatamente feio na equipe, mas por parte da torcida, as cobranças ficam ainda maiores, pois se Maldonado conseguiu vencer um GP, teoricamente o brasileiro tem de mostrar serviço parecido, ou no mínimo, próximo, e até agora, se levarmos em conta as qualificações de Bruno, em condições normais, ele tem sido praticamente quase sempre mais lento que o venezuelano. Bruno consegue compensar parcialmente nas corridas, onde quase sempre consegue trazer o carro inteiro para os boxes após a prova, salvo exceções, e ele próprio admite que precisa ser mais arrojado nas qualificações para que possa traçar estratégias de corrida melhores. O 10° lugar em Mônaco, enquanto via Maldonado abandonar logo de cara com mais um acidente, ajuda a livrar um pouco da pressão sob Bruno, mas ele precisa melhorar sua performance. O ponto positivo do jovem Senna é que sua vaga é totalmente garantida até o fim do campeonato, graças ao patrocínios que traz ao time, o que espanta as especulações mais pessimistas de que seria substituído por Valtteri Bottas ainda nesta temporada. Mas Bruno tem de começar a traçar sua estratégia para permanecer na categoria em 2013, mesmo que não seja na Williams, e para isso, precisa conseguir mais resultados. Nem é preciso dizer que a categoria ainda mais impaciente do que nunca ultimamente...

Motores Lótus na IRL: Desde que anunciou seus projetos de investir de maneira mais abrangente no automobilismo mundial, o Grupo Lótus imaginava ressuscitar a mítica que o nome já teve um dia no automobilismo. Mas, pelo que se vê este ano, tem tudo para se tornar um dos maiores micos da área, e a última palahçada aconteceu durante a Indy500: Simona di Silvestro e Jean Alesi, cujos carros eram equipados com os propulsores da empresa malaia, foram “retirados” da prova devido à falta de ritmo, pois andavam tão lentos que poderiam causar um acidente quando fossem ultrapassados. Nem é preciso dizer que as reações de ambos não foram das melhores, e depois dessa, ninguém vai querer ver motores da marca em competições nem pintados na categoria...

Luciano do Valle narrando corridas: Por piores que sejam os críticos com relação às narrações de F-1 feitas por Galvão Bueno na TV Globo, está virando unanimidade quase nacional que Luciano do Valle está se tornando um desastre ao microfone nos últimos tempos quando o assunto é corrida. O veterano locutor brindou a todos com sua participação na cobertura da Indy500 com um festival de gafes e nomes errados, precisando ser várias vezes corrigido por Felipe Giaffone, que tentava administrar a situação. Téo José, que narrou a corrida por muitos anos desde 1993, quando a F-Indy original passou a ser transmitida por outro canal, é o nome favorito dos torcedores para asumir o microfone, mas infelizmente a TV Bandeirantes mostra que não sabe ouvir os anseios de seu público. E olha que nem mencionei que, terminada a prova, a emissora paulista cortou a imagem quase imediatamente para entrar com o futebol, num tremendo desrespeito (mais um) com o torcedor da velocidade...

sexta-feira, 25 de maio de 2012

UMA NOVA SURPRESA?


            Ontem começaram os treinos oficiais para o Grande Prêmio de Mônaco, o mais charmoso GP da temporada de F-1, e nas ruas do pequeno Principado, a pergunta que todos fazem é: teremos um 6º vencedor diferente no domingo, uma nova surpresa no atual campeonato, ou enfim alguém conseguirá quebrar a escrita vista até agora, e repetir uma vitória? Mônaco é uma pista onde, tradicionalmente, as corridas podem ser bem chatas, mas a julgar pelo que anda acontecendo este ano, podem surgir surpresas, e quando isso acontece, as ruas de Monte Carlo costumam presenciar disputas eletrizantes.
            No ano passado, a interrupção da corrida a poucas voltas do fim abortou o que prometia ser um duelo épico pela vitória da prova, quando Sebastian Vettel, com seus pneus em estado terminal, lutava para resistir ã pressão de Fernando Alonso e Jenson Button, colados na caixa de câmbio do piloto da Red Bull. A interrupção permitiu que Vettel largasse para as voltas finais calçado com pneus novos, e isso matou as chances de Button e Alonso, que não tiveram como manter a forte pressão que colocavam no jovem campeão alemão. No ano passado, os pneus da Pirelli, aliados aos recursos da asa móvel traseira e ao kers, já deram um tempero extra à prova monegasca, e este ano, os pneus italianos estão se mostrando uma charada mais complicada do que equipes e pilotos imaginavam, tanto que até agora ninguém conseguiu decifrar direito como os pneus se comportam, o que tem proporcionado corridas e um campeonato dos mais equilibrados dos últimos tempos, e talvez, até de toda a história da categoria.
            Dos times que tem andado com consistência entre os primeiros, a Lótus é a candidata natural a se tornar o 6º time diferente a vencer, o que por tabela, já daria um 6º vencedor diferente. Em 1983, a sexta corrida enfim mostrou um vencedor repetindo vitória, Alain Prost, da equipe Renault. Curiosamente, será que agora a escuderia que até o ano passado ostentava o nome da Renault será quem manterá a escrita de vermos novos vencedores na temporada? É a torcida de muitos, e tanto Kimmi Raikkonen quanto Romain Grossjean podem aumentar de fato o leque de vencedores na atual temporada.
            Mas, mesmo que não tenhamos um novo time vencendo, ainda poderemos ver novos pilotos chegando em primeiro. Neste caso, a conta aumenta muito pouco: Lewis Hamilton, da McLaren, é um piloto que pode muito bem vencer nas ruas do Principado, ainda mais tendo o bom carro da McLaren à mão. O campeão de 2008 vem mantendo uma boa regularidade este ano, mas anda com a falta de uma vitória entalada na garganta, ainda mais depois de ver Jenson Button sair na frente na Austrália, vencendo a primeira prova do ano. A melhora da Ferrari, vista em Barcelona, credencia Fernando Alonso como um dos mais prováveis pilotos a repetir a vitória, e o espanhol, tido como melhor piloto da categoria atualmente, pode muito bem querer aprontar em Monte Carlo, e do jeito que a competição está equilibrada, Alonso é o nome que pode fazer a diferença, se o carro permitir.
            Mas, quem também pode surpreender em Mônaco é Pastor Maldonado. O piloto venezuelano fez aqui nas ruas monegascas uma exibição muito boa no ano passado, e vinha para um 6º lugar certo até ser colocado fora da corrida por um afoito Lewis Hamilton. Maldonado, que vem de uma vitória surpreendente em Barcelona, pode muito bem ser uma nova surpresa em Monte Carlo, e até repetir a vitória. Alguns mais otimistas até colocam Bruno Senna nesta situação, pois o sobrinho de Ayrton Senna já conseguiu vencer no Principado, quando correu na GP2, mas Bruno vai precisar fazer a exibição de sua vida para conseguir repetir tal feito agora na F-1, ainda mais porque Maldonado está cheio de moral e confiança no time. Por outro lado, ninguém sabe se incêndio que tomou os boxes do time inglês em Barcelona prejudicou muito os equipamentos e dados da escuderia, que tentava providenciar peças de reposição para esta corrida com a máxima urgência.
            Dos times grandes, ainda há dois pilotos que, pelo retrospecto recente, infelizmente não devem dar esperanças de entrarem na luta por uma vitória e ajudar a apimentar o campeonato. Felipe Massa está em queda livre na Ferrari, incapaz de acompanhar o ritmo de seu companheiro de equipe com a regularidade necessária, e precisaria de um tremendo golpe de sorte, ou uma mudança de postura radical, para inverter a situação. Quem também fica meio fora de combate é Michael Schumacher, que embora esteja até andando bem nos treinos, vem enfrentando vários percalços nas corridas, como no GP da Espanha, onde abalroou de maneira grosseira o carro de Bruno Senna em uma disputa de posição no fim do retão do circuito. Considerado culpado pelo acidente, o heptacampeão perderá 5 posições no grid por causa da barbeiragem, e dependendo do resultado disso, pode acabar ficando totalmente de fora da briga pelas primeiras posições, pois largar na frente nas ruas de Monte Carlo continua sendo essencial para se almejar bons resultados.
            Mas o que ninguém pode prever é como os atuais pneus da Pirelli poderão se comportar em Mônaco. Por mais que os times façam previsões do que já viram nas corridas iniciais, as ruas de Monte Carlo são um caso à parte. A velocidade de ponta é baixa, e a necessidade de arrasto aerodinâmico para otimizar a tração nas reacelerações e freadas nas fechadas curvas impõem um desgaste que precisa ser bem calculado. Se no ano passado a corrida já foi interessante, ainda mais que por volta daquela etapa os times começam a pegar o jeito de como lidar com os compostos, mesmo assim houve boas disputas, este ano, onde a situação é mais complicada ainda, tudo aponta para uma corrida a princípio imprevisível. Mais do que nunca, os treinos livres serão cruciais para se tentar descobrir qual a melhor estratégia de uso dos pneus. Como esta coluna foi fechada antes do início dos treinos de ontem, é provável que no momento em que estiver sendo publicada e lida já tenhamos alguma idéia do que esperar para a classificação de amanhã.
            Mas, por outro lado, como até agora em 2012 nem mesmo os treinos livres tem dado indícios exatos do que se esperar na corrida, com algumas exceções, podemos estar diante de um panorama incerto para a corrida. E não podemos esquecer também que Mônaco costuma ser um circuito que não perdoa erros, e que por volta e meia, impõe um desgaste anormal aos carros. Se as disputas se avolumarem durante a corrida, como tem ocorrido nas demais etapas deste ano, podemos ver algumas brigas por posições bem ferrenhas, e com alguns competidores ficando pelo meio do caminho.
            Que venha a corrida então, e possivelmente, uma nova surpresa no atual campeonato...



Domingo é dia da edição 2012 das 500 Milhas de Indianápolis, prova válida pelo campeonato da Indy Racing League. No grid, 4 brasileiros tentarão sua sorte na mais prestigiada corrida do automobilismo americano. Hélio Castro Neves é quem tem maiores chances: além de correr por um time de ponta, a Penske, Helinho já faturou 3 vezes a Indy500, e segue em busca da 4ª vitória, o que o igualaria a nomes míticos como A. J. Foyt, Al Unser e Rick Mears, os maiores vencedores da corrida, com 4 triunfos cada um. Tony Kanan larga em 8º, e também busca chegar à vitória, que seria sua primeira no superoval de Indiana. Rubens Barrichello, fazendo enfim sua estréia nas pistas ovais da categoria, larga na 10ª colocação. E Bia Figueiredo parte em 13º. Todos eles tem boas chances de conseguirem fazer bonito. Tradicionalmente, a Indy500 pode ser uma grande loteria, com possibilidades de resultados totalmente inesperados, como se viu ano passado, quando J.R. Hildebrand vinha para vencer a corrida e bateu na última curva na última volta, entregando a vitória a Dan Wheldon. Quem conseguir se manter inteiro durante as 200 voltas, e estiver com o carro rápido na parte final poderá ter boas chances de se tornar mais um vencedor da corrida. A Bandeirantes transmite a corrida ao vivo (enfim), a partir das 12:30. Fica o receio se vai transmitir até o fim, pois dependendo do andamento da corrida, ela pode demorar a se encerrar, e quero ver quando chegar a hora do futebol...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

ARQUIVO PISTA & BOX – NOVEMBRO DE 1995 – 17.11.1995


            E aqui estou novamente com mais uma coluna da seção Arquivo. Esta foi escrita logo após o GP da Austrália, que encerrou a temporada de 1995. Foi o adeus à cidade de Adelaide, que sediara pela última vez a corrida australiana. No ano seguinte, Melbourne passaria a ser a nova sede do GP, que se mantém até hoje no Albert Park. A corrida mostrou a vitória mais fácil da carreira de Damon Hill, que chegou com duas voltas de vantagem para Olivier Panis, da Ligier. Todos os demais oponentes de peso ficaram pelo meio do caminho. Uma corrida de despedida tranqüila e sem maiores confusões. Uma boa leitura para todos, e em breve, mais colunas de antigamente por aqui...



ADEUS A ADELAIDE


Adriano de Avance Moreno



            A última prova de F-1 que a cidade de Adelaide promoveu bateu todos os recordes de público da categoria: cerca de 520 mil pessoas estiveram presentes em todo o fim de semana, sendo que só no dia da corrida foram cerca de 230 mil expectadores, uma cifra considerável para a última corrida do ano. Vou sentir saudades deste circuito, assim como todos os pilotos e equipes, que sempre viram nesta prova uma etapa mais descontraída e relaxada, depois de um campeonato duro e tenso.
            A prova deste ano teve muita emoção, apesar de ter sido a mais fácil vitória já conquistada por Damon Hill em sua carreira. Todos os pilotos que poderiam lhe complicar as coisas ficaram pelo caminho. Para a Benetton, esta prova foi um descalabro: Michael Schumacher enroscou-se com Jean Alesi na disputa pela 2ª posição, enquanto Johnny Herbert viu suas expectativas de pódio virarem fumaça quando seu motor estourou. A Ferrari viveu o mesmo drama: Alesi ficou no enrosco com Schumacher, e Gerhard Berger também ficou pelo caminho com o motor estourado. Já David Couthard protagonizou outra cena cômica, batendo no muro de entrada do pit Lane logo ao entrar nos boxes para sua primeira parada. A entrada do box, aliás, parecia bem traiçoeira: Roberto Moreno bateu de traseira ao entrar ali, destruindo a suspensão traseira, enquanto Herbert simplesmente seguiu reto ao entrar no box, mas conseguiu desviar o carro e voltar à pista externa por sorte, parando desta vez sem problemas, na volta seguinte. Outra cena curiosa foi Olivier Panis, que cruzou a linha de chegada em 2º lugar com o motor fumegando nas 3 voltas finais. Foi um toque de emoção, pois tudo indicava que a Ligier iria ficar pelo caminho, mas Panis enfim conseguiu o seu 2º pódio na F-1.
            O clima de Adelaide estava mais descontraído do que nunca, pois os títulos de pilotos e de construtores já havia sido decidido, e com o fato de que esta seria a última prova de F-1 disputada em Adelaide, todos trataram de aproveitar ao máximo possível. A farra de todos ao fim da noite nos tradicionais pontos de encontro que o pessoal costuma freqüentar todos os anos foi ainda melhor. Lembro-me que Schumacher, em 94, tomou um tremendo porre numa boate perto do circuito, saindo totalmente grogue no dia seguinte, numa farra que não parou antes das 5 da madrugada de segunda-feira. Desta vez o ânimo não foi assim tão grande, mas todos caíram numa folia merecida, depois de uma temporada difícil e trabalhosa.
            A única tensão do GP foi o acidente de Mika Hakkinem no treino de sexta, mas apesar do susto, o piloto já está consciente e fora de perigo. Outro acidente feio desses era tudo que a F-1 não precisava. Felizmente, foi tudo mais um susto, apesar de Hakkinem ter passado a noite de sexta-feira em coma no Hospital Real de Adelaide. O piloto da McLaren fica no hospital até o fim de semana que vem, só por precaução, mas todos estão confiantes em seu retorno às pistas já em dezembro, nos testes coletivos do circuito do Estoril, em Portugal.
            O GP da Austrália sempre teve suas peculiaridades, algumas por ser um GP em terras localizadas do outro lado do mundo, outras por ser a última corrida do ano. A bandeirada do vencedor, por exemplo, sempre é dada com muito entusiasmo pelo diretor de prova australiano, às vezes até com alguns malabarismos. E tem razão de ser especial: ela encerra a temporada, e por méritos, tem todo o direito de ser mais alegre e festiva. Outras peculiaridades são as festas promovidas durante todo o fim de semana, sem falar na farra e bagunça que alguns pilotos e equipes promovem para celebrar o fim do campeonato.
            Nélson Piquet, por exemplo, famoso por suas piadas e declarações inflamadas, fez uma farra clássica aqui em 1985, quando disputou sua última corrida pela Brabham. Piquet juntou os jornalistas em frente aos boxes de sua equipe e disse que iriam ter uma surpresa. Ele e os mecânicos entraram no box, fecharam a porta, e depois de um minuto de mistério, abriram as portas: todos os mecânicos e Piquet estavam de costas para os fotógrafos, e com as calças arriadas. O ruído das máquinas fotográficas encheu o ar, resultando em uma imagem célebre. Não vi a danada, mas quem viu garante que é um desses momentos tremendos de furos “quentes”do folclore da Fórmula 1.
            Outra particularidade do GP australiano é que geralmente aqui os pilotos costumam dar tudo o que podem na pista, pois estão mais descontraídos e geralmente revigorados depois de uma semana de férias nos paraísos tropicais de Bali, Queensland e Indonésia. E, sem a obrigação de provar mais nada, eles vão à luta apenas pelo prazer de pilotar, o que é uma ocasião rara na F-1 hoje em dia. Apenas alguns pilotos ainda disputam posições de monta, assim como algumas equipes, mas mesmo com toda esta disputa, o clima é bem mais amigável. Esta prova deveria servir de modelo para todo o campeonato.
            Espero que, no futuro, Adelaide tenha a honra de servir novamente como palco para a F-1. Agora, os carros mais rápidos do mundo passarão a correr em Melbourne, em um circuito que está sendo montado num dos parques do centro da cidade. Todos aguardam com ansiedade este novo circuito, que irá dar o pontapé inicial para a temporada de 1996, mas em uma coisa todos concordam: não será nunca igual à corrida de Adelaide, por melhor que seja. Todo o circo da F-1 deixou a cidade australiana, de volta à Europa, certo de que esta pista deixa saudades para todos. Para alguns, na verdade, já está deixando. Mas o tempo para curtir esta saudade é curto. Ainda ontem, a Ferrari já fez sua apresentação oficial de seus pilotos para a temporada 96, com Michael Schumacher e Eddie Irvinne. Berger e Alesi já partiram para a Benetton. McLaren, Jordan e Sauber já estão com seus cronogramas de testes para o fim de novembro e o mês de dezembro preparados e prontos para seguir em frente. A F-1 nunca pára, nem mesmo pela saudade que muitos irão sentir de um agradável circuito de seu calendário. Um circuito que, na minha opinião, foi o melhor circuito de rua já usado até hoje pela F-1...
            Por tudo o que pudemos ver nestes 11 anos, adeus, Adelaide!


No último fim de semana, Émerson Fittipaldi apresentou oficialmente em São Paulo a sua nova equipe para 96 na F-Indy, a Penske/Hogan Racing, onde será o único piloto da escuderia. “Emmo” também aproveitou para mostrar como será o seu novo carro para a próxima temporada, e todos ficaram impressionados: o carro será todo vermelho, com os logotipos da Marlboro e Móbil pintados em branco. Émerson usará o número 9 em seu bólido. “Legal, vamos todos de vermelho!”, disparou o sobrinho de Émerson, Christian, que também correrá com um carro totalmente vermelho pela equipe Newmann-Hass em 1996.

 

A Marlboro, satisfeita com os resultados do Marlboro Brazilian Team, agora ampliou o projeto para Latin Team, patrocinando jovens e talentosos pilotos do restante da América Latina. Brasileiros, argentinos e outros jovens de talento terão apoio oficial da Marlboro.



Para quem gosta de detalhes interessantes, o pódio de Gianni Morbidelli em Adelaide, foi o seu primeiro na F-1. Foi também o primeiro pódio da equipe Arrows desde o GP dos Estados Unidos de 1989, quando Eddie Cheever também chegou em 3º lugar. O piloto, aliás, por coincidência, subiu ao pódio em Phoenix, cidade onde foi disputado o GP naquele ano, e onde ele nasceu.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O MELHOR PRESENTE


            Quem diria que, ao final das 66 voltas do Grande Prêmio da Espanha de Fórmula 1, disputado domingo passado, teríamos a grata surpresa de ver a Williams voltar a vencer uma corrida? Pois foi o que aconteceu, e Pastor Maldonado escreveu seu nome na categoria ao ser o primeiro venezuelano a subir ao degrau mais alto do pódio na F-1, e ajudar a dar ao atual campeonato o melhor presente possível: 5° vencedor diferente em 5 corridas, e 5 escuderias a vencer uma prova este ano, repetindo um feito que só foi visto pela última vez em 1983. E olhe que o campeonato ainda pode ter um vencedor diferente na próxima corrida, que será em Mônaco, na próxima semana. A Lótus anda batendo na trave nas duas últimas corridas, e pode faturar uma corrida a qualquer momento. Se tivermos um novo vencedor e um novo time na frente nas ruas de Monte Carlo, será a glória para a categoria, que certamente está mostrando ter o melhor campeonato em mais de 30 anos.
            O equilíbrio está sendo o ponto forte da categoria este ano, e o maior mérito é dos pneus da Pirelli, que estão deixando os times até perplexos, pois até o presente momento ninguém conseguiu se entender direito com os novos compostos de pneus criados este ano. Na Espanha, por exemplo, os pneus duros se comportaram melhor durante a corrida do que os pneus macios, algo que ninguém esperava, visto que a diferença de performance entre eles era considerável. A vitória da Williams surpreendeu muita gente, e embora a escuderia tenha dito não ter se surpreendido, é claro que foi um triunfo bem-vindo, e até inesperado, pois o ritmo do carro, todos sabiam, ainda não era exatamente forte o bastante para desafiar carros como McLaren, Lótus, e até Red Bull. Mas a McLaren não se achou direito no fim de semana: um erro crucial na quantidade de combustível no carro de Lewis Hamilton fez o inglês perder sua pole na corrida, e com isso, Maldonado acabou ganhando a primeira posição do grid de presente. Largando em último, Hamilton estava fora do páreo, e embora tenha lutado bastante, ficou em um modesto 8° lugar. Partindo na frente, Maldonado tinha boas chances de vencer, desde que conseguisse manter sob controle Fernando Alonso, que largava então em 2°, e as duas Lótus logo atrás. E ele o conseguiu com notável maestria, ainda que tenha passado o início da corrida atrás da Ferrari, que largou melhor. Já Jenson Button, com a outra McLaren, não se achou na prova espanhola, e terminou sem pontuar, o mesmo valendo para Mark Webber. Nico Rosberg e Sebastian Vettel fizeram o que podiam, mas não tiveram nem chance de pódio nesta prova.
            Seria bom se Maldonado conseguisse também entrar na luta pelo título, mas aí pode ser até sonhar um pouco alto demais. Só que, a esta altura do campeonato, quem pode apostar que não continuaremos assistindo a surpresas? O campeonato está totalmente imprevisível, e a tabela de pontuação mostra os pilotos muito próximos uns dos outros. Sebastian Vettel, mesmo sem dispor de um carro dominante como em 2011, lidera o campeonato com 61 pontos, a mesma pontuação de, vejam só, Fernando Alonso, que tem conseguido milagres com a Ferrari este ano, em que pese o F2012 ter melhorado bastante de ritmo. Na 3ª posição vem Lewis Hamilton, com 53 pontos, e que pode vencer a qualquer momento. Um pouco mais atrás vem Kimmi Raikkonen, com 49 pontos, Mark Webber (46), Jenson Button (45), e Nico Rosberg (41). Nada menos do que 7 pilotos separados por 20 pontos. Dos times de ponta que subiram ao pódio, as decepções são Michael Schumacher e Felipe Massa. O heptacampeão alemão não consegue escapar dos problemas este ano, alguns fora de seu controle, outros totalmente por culpa própria, como a batida em Bruno Senna no circuito de Barcelona. Já Felipe Massa tem o seu pior ano na F-1, sendo incapaz de conseguir manter o ritmo de Alonso com o outro carro da Ferrari, e vendo o companheiro não apenas tendo vencido uma prova como ainda liderar o campeonato. Seria muito bom se ambos conseguissem acabar com a zica que os está afetando e entrassem pra valer na luta por lugares no pódio. Seria o melhor presente para a torcida, que está mesmo em estado de êxtase com o que se viu até agora. E os torcedores não estão tendo do que reclamar, pois o que está se vendo este ano é que as posições de largada, ao mesmo tempo em que podem ser cruciais, também podem não valer muita coisa, dependendo de onde se larga e da estratégia de corrida. Enquanto alguns largam na frente e despencam para trás, outros conseguem largar lá de trás e chegar à frente, e ainda temos quem larga no meio do pelotão e de lá não consegue sair. A disputa de posições anda brava, e com muitos pilotos andando em ritmos parecidos, das duas uma: ou eles partem para cima com tudo na disputa de ultrapassagens, ou simplesmente ficam empacados onde estão. Há quem esteja conseguindo se adaptar a esta situação, e há quem esteja perdido no meio do bolo de disputas que há tanto tempo não se via na categoria. Ruim para os pilotos, claro, mas um delírio para o público, no autódromo e pela TV, que estão vendo disputas em praticamente todos os pelotões da prova. Pode haver presente melhor para revigorar a imagem de disputa da categoria?
            Mas o melhor presente mesmo, em Barcelona, ficou para Frank Williams, que na festa de seus 70 anos, comemorados em uma bela festa no paddock na tarde de sábado, comemorando àquela altura a 2ª posição de Maldonado no grid – que depois viraria a pole, viu seu piloto tirar o time de um jejum de quase 8 anos: a última vitória da equipe Williams havia sido aqui no Brasil, em Interlagos, no distante ano de 2004, encerrando o campeonato daquele ano, com Juan Pablo Montoya. A vitória de Pastor encheu todos no time de alegria, ainda mais depois de a escuderia ter tido em 2011 o pior ano de sua história, com apenas 5 pontos marcados devido ao projeto catastrófico do FW33. O carro deste ano, todos esperavam, seria melhor, e até o presente momento, parece estar saindo melhor do que a encomenda.
            Frank, o último dos garagistas da categoria que ainda está presente de forma integral nos GPs (Ron Dennis, outro da mesma estirpe, só aparece em uma ou outra corrida, acompanhando seu time, a McLaren), merecia muito ver seu time vencer novamente. Ao lado da McLaren e da Ferrari, a Williams é o time mais tradicional da F-1 atualmente, ainda mais porque a atual Lótus ostenta apenas o nome, uma vez que a célebre escuderia de Colin Chapman desapareceu ao fim de 1994, e não pode ser considerada “tradicional” (em que pese o time já ter mais 30 anos, nascido com o nome Toleman, no início dos anos 1980, mas que depois de tantas mudanças de nome, não se pode dizer ter alguma “tradição” propriamente, depois de tantas mudanças de dono). E olhe que no início do ano, tendo que optar pela primeira vez em mais de 30 anos, por pilotos exclusivamente pagantes, muitos achavam que faltaria pouco para o time inglês seguir o caminho da decadência que ceifou outros times saudosos como Tyrrel e Brabham. Felizmente, a aposta está dando certo até o momento, e o futuro da escuderia, que poderia ser a extinção até mesmo no fim deste ano para os mais pessimistas, já não se apresenta tão negro assim...
            É um campeonato que está saindo melhor do que a encomenda. Claro que há gente reclamando, e há vários pilotos, como Michael Schumacher, que viraram críticos ferozes dos novos pneus da Pirelli, com os quais não está se entendendo, e reclamando que, com estes compostos, não podem acelerar tudo o que podem. São críticas até compreensíveis, mas as regras estão valendo para todos, então o jeito é entrar na dança e tentar se adaptar. Adaptar-se, por sinal, tem sido o maior dilema das escuderias, que até agora não conseguiram encontrar parâmetros totalmente confiáveis para entender como os pneus estão se comportando. E quanto mais eles demorarem para dominar este setor, melhor para a competição, que continuará brindando o público com surpresas que até o mais cético fã nem esperaria.
            A alma maior da competição, afinal, é a imprevisibilidade dos resultados. E assistir corridas sabendo de antemão quem vai chegar na frente tem muito menos apelo e graça do que o quadro atual que estamos vendo em 2012. Que ele perdure por um bom tempo...



Um incêndio surgiu nos boxes da Williams durante a festa de comemoração da vitória de Maldonado em Barcelona. Apesar de violento, ele foi logo contido, mas algumas pessoas ficaram levemente feridas, a maior parte por intoxicação pela fumaça, que cobriu todo o box. Felizmente, não ocorreu o pior, embora tenha havido um tremendo corre-corre na hora. A Williams tenta contabilizar as perdas do incêndio, que quase destruiu o carro de Bruno Senna. Algumas peças não conseguirão ser repostas a tempo para a prova de Mônaco, já na semana que vem, e não se sabe o quanto isso poderá afetar o desempenho do time.