quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

ARQUIVO PISTA & BOX - AGOSTO DE 1997 - 15.08.1997



            Hoje venho com mais um de meus antigos textos, e este foi publicado no dia 15 de agosto de 1997. No assunto principal, o italiano Alessandro Zanardi rumava para o seu primeiro título na F-CART, pilotando para a Chip Ganassi, time que havia sido campeão do ano anterior com Jimmy Vasser. Zanardi, que estreara no certame na temporada de 1996, havia se tornado a nova estrela da competição, e o homem a ser batido. Mas, enquanto esteve em ação, em 1997 e 1998, Alessandro não deu chances aos rivais na pista, conquistando um bicampeonato com todos os méritos. Pena que seu retorno à F-1 em 1999 tenha sido uma das maiores decepções do mundo do esporte a motor, e quando tentava reerguer sua carreira na F-CART em 2001, tenha sofrido aquele pavoroso acidente em Rockingham, na Inglaterra, onde perdeu as duas pernas e por pouco não perdeu a vida. Mas Zanardi recuperou-se, aprendeu a conviver com sua nova condição física, e mostrou a fibra que o levou a ser um grande campeão. Nas notas rápidas, menção para a quase vitória de Damon Hill no Grande Prêmio da Hungria, disputado no fim de semana anterior, que só não se concretizou porque seu Arrows/Yamaha começou a apresentar problemas hidráulicos a duas voltas do final, e acabou perdendo um triunfo que seria histórico para Jacques Villeneuve, da Williams. Boa leitura a todos, e em breve tem mais textos antigos por aqui...


ZANARDI RUMO AO TÍTULO

            Encerrada mais uma etapa do campeonato 97 da F-CART, fica a dúvida: Quem será capaz de deter Alessandro Zanardi? Faltando apenas 4 etapas para encerrar o certame deste ano, ninguém parece capaz de brecar a arrancada do piloto italiano da equipe Chip Ganassi, que ao volante de seu Reynard 971 Honda turbo, averbou em Mid-Ohio no último domingo a sua 4ª vitória no atual campeonato.
            Estreante na categoria no ano passado, Zanardi foi o “rokkie” do ano, e teve o melhor desempenho da história recente da categoria, sendo 3º colocado final do campeonato, com 3 vitórias. Só perde para Nigel Mansell, que em 1993 foi campeão da categoria em seu ano de estréia, com 5 vitórias a bordo de um Lola/Ford da equipe Newmann-Hass. Este ano, Zanardi começou a temporada como um dos favoritos, ao lado do atual campeão e companheiro de equipe, Jimmy Vasser.
            Mas a concorrência encrencou a situação no início do ano, sem falar que Chip Ganassi, com seu estilo meio ditatorial de dirigir a equipe, acabou complicando a situação de seus pilotos ao utilizar estratégias de corrida equivocadas em algumas etapas. Zanardi ainda venceu em Long Beach e deu um show em Surfer’s Paradise, só não vencendo devido a toques de rodas com Paul Tracy, quando ambos acabaram batendo seus carros de leve e abrindo caminho para a vitória de Scott Pruett.
            Depois, a concorrência parecia ter tomado conta da situação. Paul Tracy iniciou uma série de 3 vitórias consecutivas a partir de Nazareth, sendo apontado como o virtual campeão do ano. Greg Moore também venceu em Milwaukee e Detroit, deixando o italiano da Chip Ganassi ainda mais para trás. Michael Andretti ajudava a engrossar o bloco dos desafiadores do time Ganassi.
            Com tanto potencial em uma categoria competitiva, Zanardi deu um basta na prova de Cleveland. O próprio dono da escuderia, Chip Ganassi, resolveu deixar as coisas correrem de maneira mais racional, e parou de opinar contra os pressupostos plausíveis de corrida. E o piloto italiano venceu em grande estilo, mesmo sofrendo uma penalização. Zanardi tomou a ponta de Gil de Ferran nas últimas voltas, depois de uma recuperação espetacular.
            A partir daí, o italiano voltou com tudo: foi 2º em Toronto, venceu a US500 e em Mid-Ohio também, alcançando 148 pontos no campeonato. Paul Tracy segue em 2º, com 121 pontos. Gil de Ferran mantém a 3ª posição, com 116 pontos. Faltando 4 etapas, com um total de 88 pontos em jogo, ainda é bem possível reverter esta situação, mas do jeito que a concorrência anda, me atrevo a dizer que Alessandro Zanardi vai ser o campeão de 97 da F-CART, e com todos os méritos. E a categoria reúne-se novamente neste fim de semana, em Elkhart Lake. Novamente, Zanardi é o franco favorito para vencer a corrida, onde largou na pole em 96 e terminou na 4ª posição. Gil de Ferran aparece novamente como o piloto mais indicado para desafiar o poderio do italiano e de sua equipe. Se não houver percalços como o de Mid-Ohio ou os do ano passado, Gil poderá dar uma sobrevida ao campeonato, mas fico na dúvida se ele vai conseguir brecar o avanço de Zanardi, que tem o melhor equipamento da temporada.
            Como todo piloto que se preze, Gil diz que a disputa ainda está em aberto, e que tudo pode mudar. A declaração é correta, pois um piloto de fibra nunca deve admitir que a disputa já está encerrada antes do tempo, ainda mais em uma categoria tão equilibrada e competitiva como a F-CART, mas receio que a parada seja mesmo muito difícil de ser revertida, e que seja questão de tempo Zanardi faturar o título do campeonato de 97.


Por muito pouco o Grande Prêmio da Hungria de F-1 domingo passado não apresentou a maior zebra da história recente da categoria. Pilotando o seu Arrows/Yamaha, Damon Hill foi a grande estrela da corrida, dominando a prova totalmente desde o início, quando partiu para cima de Michael Schumacher e foi o único piloto a conseguir ultrapassar o piloto alemão em plena reta dos boxes. Hill só não venceu porque nas últimas voltas ficou sem câmbio e acelerador, deixando a vitória de presente para Jacques Villeneuve, da Williams. Hill mostrou uma performance digna de campeão, como se ainda estivesse guiando o carro da Williams. Foi o maior show da categoria desde a monumental vitória de Ayrton Senna no GP da Europa de 1993, em Donington Park. Só para ilustrar a performance de Hill, ele chegou a ter 35s de vantagem para o segundo colocado em determinado momento da corrida, que era justamente Villeneuve. Frank Williams viu seu piloto ficar com a vitória na Hungria, mas fico pensando o que teria acontecido com o velho contrutor se Hill tivesse vencido a prova ao volante do carro da Arrows, que no início do campeonato, em Melbourne, quase nem permitiu a seus pilotos alinharem no grid de largada.


Zaqueu Morioka assumiu a liderança do campeonato americano de F-Ford 2000 ao vencer a 10ª etapa do certame no fim de semana passado, em Mid-Ohio. Zaqueu venceu a corrida assumindo a liderança no finalzinho da prova, com uma ousada ultrapassagem sobre Matt Sielsky. Zaqueu Morioka agora lidera com 20 pontos de vantagem sobre Budy Rice, 2º colocado no campeonato. Faltando 2 etapas para encerrar a temporada, o brasileiro é o favorito para conquistar o título da categoria.


Pilotos brasileiros preparam-se para subir para as categorias principais do automobilismo mundial. Na Indy Lights, Tony Kanaan fará testes com o carro da Tasman após o encerramento do mundial da F-CART, com vistas a fazer uma possível dupla com André Ribeiro em 98 na equipe Tasman da F-CART. Enquanto isso, esta semana Ricardo Zonta começou uma série de testes com a Jordan no circuito de Silverstone. Os testes de Zonta, entretanto, não significam que o piloto brasileiro correrá pela equipe de Eddie Jordan na F-1. Mas é claro que, se Zonta mostrar do que é capaz, pode conseguir chegar lá mais rápido.


As coisas andam tão ruins na equipe Minardi de F-1 que chamar o carro da escuderia de “equipamento sem garantia” não é força de expressão. Tarso Marques admite que já não sabe mais o que pode quebrar a seguir em seu carro. Na Alemanha, o carro quebrou na hora do arranque da largada e Tarso abandonou a prova ali mesmo; já na Hungria, no treino livre de sábado, a suspensão traseira do carro do brasileiro quebrou em uma das curvas de alta do circuito e o piloto bateu forte contra o muro de proteção, ficando todo dolorido e até um pouco tonto, tanto que ele nem conseguiu andar direito na corrida, no dia seguinte. Até agora, Tarso não se machucou, mas vai saber o que pode acontecer na próxima quebra...


Novo possível rumo de Damon Hill para 98: ele fica na TWR-Arrows, se a equipe conseguir os motores Renault da Mecachrome. Na chefia dos projetos está John Barnard, e os pneus Bridgestone são excelentes. Já que aparentemente não falta dinheiro à equipe, não há desculpas para não arranjar o único item que falta, que é um motor possante, para o próximo Mundial. E a Mecachrome já avisa que pretende fornecer motores a no máximo 3 escuderias. A Williams já está garantida. A Benetton ainda não se decidiu. A TWR-Arrows pode ser a 3ª equipe...
 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A ESCALADA DE BUEMI


Sébastien Buemi largou em último no e-Prix de Buenos Aires e por pouco não venceu a corrida. Mas encontrou Sam Bird pela frente, que resistiu ao ataque do suíço.

            A Formula-E disputou em Buenos Aires no último sábado sua quarta corrida de seu segundo campeonato, e ficou mais do que evidente que o suíço Sébastien Buemi é o grande favorito para levar o título da competição. Vice-campeão na primeira temporada da categoria de carros elétricos monopostos, o piloto suíço começou a nova temporada com o pé direito no acelerador, vencendo a etapa de Pequim, e mostrando aos concorrentes que além do talento e competência, possui o melhor carro da competição, e que ao contrário do ano passado, está mais do que atento aos rivais na pista, e que estes terão de se desdobrar para bater não apenas Buemi, mas a equipe e.dams, que está esbanjando capacidade nesta segunda temporada.
            A equipe e.dams conseguiu um notável progresso no acerto de seu carro nesta nova temporada. Embora todos os chassis sejam iguais, parte do sucesso da escuderia, que já era forte na primeira temporada, está no eficiente trem de força provido pela Renault, parceria da escuderia, que agora também é construtora. Todos os demais times já encararam a dura realidade: o time francês é a escuderia a ser batida, mas a tarefa vai ser das mais complicadas. E uma prova cabal disso foi a etapa de Buenos Aires, onde o líder do campeonato cometeu um erro no treino e acabou tendo de largar em último. Era a deixa, na opinião de muitos, para conseguir tirar parte da vantagem de Buemi na liderança do campeonato. Só não contavam com a incrível recuperação do piloto suíço, que usou todo o seu talento e a grande performance de seu carro para quase vencer a corrida - Sam Bird foi o vencedor, e mesmo assim, precisou dar duro nas voltas finais para segurar o ímpeto do piloto da e.dams. Buemi cruzou a bandeirada de chegada apenas 0s716 atrás do piloto inglês da equipe DS Virgin, que largara na pole-position e liderou a prova praticamente de ponta a ponta.
            Para sorte da concorrência, o grande potencial da e.dams não está sendo aproveitado integralmente por seus pilotos. Enquanto Buemi já contabiliza 2 vitórias nas 4 provas disputadas até aqui, e lidera a competição, com 80 pontos, seu companheiro de equipe Nicolas Prost é apenas o 9° colocado, com 21 pontos, uma diferença abismal para quem possui o mesmo carro do líder do certame. Filho do tetracampeão de F-1 Alain Prost, que inclusive é um dos diretores do time, Nicolas não tem conseguido fazer frente ao parceiro suíço. Em Pequim, na abertura da nova temporada, o francês até dava uma indicação de que a e.dams iria dominar o campeonato, ao fazer o 2° tempo no grid e largar atrás de Buemi por uma diferença de 0s284. Mas Prost não deu sorte na corrida, tendo problemas e classificando-se numa pífia 16ª posição, enquanto o parceiro vencia a prova, fazia a volta mais rápida, e garantia para si a pontuação máxima da etapa: 25 pontos pela vitória, e os pontos extras pela pole-position e a volta mais rápida da corrida.
A corrida da F-E em Buenos Aires atraiu novamente um grande público, que viu boas disputas na pista, além do show de recuperação de Sébastien Buemi largando em último para subir ao pódio.
            A etapa de Putrajaya, pelo menos nos treinos, dava a entender que Sébastien Buemi arrasaria a concorrência sem maiores problemas: o suíço fez novamente a pole-position, deixando o rival mais próximo, Stéphane Sarrazin, da equipe Venturi, a quase 0s5 atrás. Nicolas Prost, por sua vez, precisava de um binóculo para ver o companheiro de equipe, tendo se classificado em 5° no grid, a quase 1s6 de diferença atrás. Para sorte dos rivais, o forte calor na capital administrativa da Malásia fez os sistemas de vários carros pipocarem com o calor abafado, e ambos os carros da e.dams sofreram com isso, o que fez Prost chegar apenas em 10°, e Buemi ser classificado na 12ª posição. Teríamos alguma competição capaz de equilibrar o campeonato, mas somente se imprevistos como o daquele dia se tornassem a regra, o que estava longe de acontecer.
            Em Punta del Este, no Uruguai, a F-E teve de voltar à "normalidade": Embora tenha largado em 5° e último lugar na "superpole", Buemi fez o tempo mais rápido na classificação normal, e o fato de não largar na frente era uma tênue esperança dos rivais de ver o suíço com menos chances na corrida. Não deu nem para o cheiro: Buemi simplesmente partiu para cima dos líderes, e conseguiu sua segunda vitória na temporada, e novamente marcando a volta mais rápida da prova e garantindo quase de novo pontuação total de uma corrida. Nicolas Prost, largando em 6°, pouco conseguiu fazer com o excelente carro que tinha à sua disposição: foi apenas o 5° colocado, cruzando a bandeirada cerca de 21s atrás do parceiro de equipe, que retomava ali a liderança da competição.
            Em Buenos Aires, como já mencionei, Buemi largou em 18° e último colocado. Prost, por sua vez, largou novamente na primeira fila, superado apenas por Sam Bird, que marcou um tempo 0s3 mais rápido que o piloto da e.dams. E, embora Prost tenha se mantido entre os líderes por boa parte da corrida na capital argentina, foi Buemi quem deu show desde a largada, partindo para cima dos adversários e superando-os um a um. Tanto que, quando chegou a hora do pit stop para troca de carros, Sébastien já estava entre os primeiros colocados. Uma providencial bandeira amarela em toda a pista, provocada pelo enguiço do carro do português Antonio Félix da Costa, ajudou o suíço a eliminar a desvantagem para o pelotão da frente, assim como a rodada de seu parceiro Nicolas Prost,que ainda acabou batendo de leve. Na relargada, Buemi já era o 4° colocado, com Sarrazin, Lucas Di Grassi e Sam Bird logo à sua frente. E ele não se demorou a deixar todos para trás, à exceção do líder, que se até então vinha fazendo uma corrida burocrática para quem largara na pole, surpreedentemente mostrou-se capaz de resistir ao forte assédio do piloto da e.dams, e garantir sua vitória na etapa de Buenos Aires. Nicolas Prost, depois dos percalços enfrentados, chegou em 5° lugar, com quase 12s de desvantagem para o vencedor.
            Duas poles, duas voltas mais rápidas, e três pódios: esse é o saldo de Buemi até aqui na temporada. E com 80 pontos, ele tem uma vantagem até pequena para o rival mais próximo na competição, o brasileiro Lucas Di Grassi, que tem uma vitória e 4 pódios na competição, e encontra-se, graças a essa constância e regularidade, estar com 76 pontos, apenas 4 atrás de Buemi. Mas o brasileiro não se ilude, e sabe que vencer o suíço vai ser bem complicado, e admitiu que o resultado de Buenos Aires, se não foi ruim, também não foi considerado de todo bom por ele, que admitiu que não teve condições de tomar a liderança de Bird quando esteve em duelo direto com o inglês. Seu consumo de energia subiu e ele teve de abrandar o duelo, permitindo a Buemi superá-lo. O brasileiro teve de reduzir seu ritmo, e cruzou a linha de chegada 7s5 atrás de Bird. Não foi a maior diferença obtida por Di Grassi de desvantagem para o vencedor numa prova nesta nova temporada: em Pequim, ele cruzou a bandeirada com quase 12s de atraso para o vencedor Buemi, mas lá ele foi o 2° colocado. Lucas venceu em Putrajaya, e foi novamente 2° no Uruguai, com uma diferença de 3s5 para o vencedor, que foi novamente Buemi. Na Argentina, a rigor, o brasileiro da equipe Audi ABT teve seu pior resultado na temporada até aqui, pois foi o 3° colocado. E ele cobra mais empenho da equipe para conseguirem reduzir a diferença de performance do carro, assim como dele próprio em ter mais esforço para superar os rivais na pista.
Lucas Di Grassi conquistou seu 4° pódio consecutivo, mas avisa que é preciso mais para enfrentar Buemi e a performance da e.dams no campeonato.
            A vitória em Buenos Aires catapultou Sam Bird para a terceira colocação no campeonato, com 52 pontos, e em teoria, o inglês pode até pensar em se meter na briga pelo título, até então restrita da Buemi e Di Grassi. Para isso, contudo, ele vai precisar que a Virgin consiga manter nas próximas etapas o nível de performance que lhe permitiu andar na frente na capital argentina. E a performance dos carros do time ainda é instável, lembrando que seu companheiro Jean-Éric Vergne chegou apenas em 11° nesta última corrida, sem conseguir pontuar. Mas a Virgin não é a única escuderia a ter desempenhos díspares entre sua dupla de pilotos. Já mencionei que a e.dams, o melhor time, tem conseguido seus melhores resultados apenas com Buemi, enquanto Prost até agora não se achou no campeonato. Situação parecida na Audi ABT, que vê Luca Di Grassi brigando pau a pau pelo campeonato, enquanto Daniel ABT até aqui tem ocupado apenas a 13ª posição na classificação, com meros 10 pontos. Na Virgin, enquanto Sam Bird já chegou a 52 pontos, Vergne tem apenas 6, marcados em uma única prova, em Putrajaya, não tendo conseguido chegar na zona de pontos em todas as outras provas. O único time com um desempenho de resultados mais parelho entre seus pilotos é a Dragon Racing: Loic Duval é o 4° colocado na competição, com 32 pontos, logo à frente de seu companheiro de equipe Jérôme D'Ambrosio, com 30 pontos. Em pelo menos duas corridas, seus dois pilotos terminaram praticamente um à frente do outro, em desempenhos parecidos nas duas corridas.
            Na classificação de equipes, a e.dams lidera com 101 pontos. A Audi ABT segue na vice-liderança, com 86 pontos, seguida pela Dragon, com 62 pontos. A vitória de Bird elevou a Virgin à 4ª posição, com 58 pontos. E, por incrível que pareça, o time que foi campeão no ano passado com Nelsinho Piquet, a China Racing, é a última colocada, com apenas 14 pontos.
            Ainda tem muito chão pela frente até o encerramento da temporada, em julho, no Battersea Park, em Londres. E ainda teremos pistas inéditas no campeonato deste ano, como a próxima corrida, na Cidade do México, onde os monopostos elétricos andarão no traçado oval existente no circuito Hermanos Rodriguez, com um trecho travado na área interna da Peraltada, que terá ainda uma chicane. A F-E também estreará sua prova em Paris, outra pista desconhecida para os times. E a prova de Berlin, que no passado foi disputada no antigo aeroporto da cidade, Tempelhof, este ano deve ser realizada em outro local, ainda a ser definido pelos organizadores. Portanto, tudo ainda pode mudar de panorama, e vermos uma reviravolta na competição. Pode ser difícil, e até concordo, pelo nível que a e.dams conseguiu mostrar até aqui na temporada, enquanto todos os rivais tem corrido atrás do time francês, mas nada impede que hajam algumas surpresas. A e.dams e a Audi ABT tem se mostrado as melhores escuderias da competição até aqui, e tanto Buemi quanto Di Grassi tem mostrado constância em extrair tudo de seus carros em todas as provas disputadas, deixando até o momento pouco espaço para brechas aos rivais. O que não quer dizer que ninguém ainda possa engrossar essa disputa e embaralhar a briga pelo título.
            Basta lembrar que no primeiro campeonato, Nelsinho Piquet chegou de trás para se intrometer na luta entre os mesmos Lucas Di Grassi e Sébastien Buemi para conseguir chegar ao título da competição, e isso aconteceu apenas a partir da etapa de Long Beach, com praticamente metade do campeonato em andamento. A F-E até agora tem conseguido apresentar boas corridas, e vem agradando ao fã dos esportes a motor, com boas disputas, e acima de tudo, por se apresentar muito mais acessível e aberta ao público, ao contrário da atualmente insípida e cada vez mais hermética F-1, que teima em exibir seu nariz alto onde quer que vá.
Bruno Senna não teve vida fácil para marcar um suado ponto em Buenos Aires.
            Portanto, não deixa de ser por acaso que a categoria vem atraindo cada vez mais atenções, que são ainda modestas, se comparadas com a F-1, ou mesmo o Mundial de Endurance ou a MotoGP, mas vem crescendo paulatinamente. Para Nelsinho Piquet, a F-1 não é tudo o que existe no mundo do automobilismo, e declarou que a categoria máxima do automobilismo já faz parte de um passado distante para ele, embora não descarte um eventual retorno que, obviamente, só se daria nos seus termos, como estar em um time competitivo e capaz de vencer corridas. Caso contrário, ele se considera feliz por fazer parte da F-E. Não por acaso, Bruno Senna é outro piloto da categoria que aponta a F- como o futuro do automobilismo, não apenas por sua proposta mais ecologicamente correta e pelo desafio tecnológico dos carros elétricos, mas pela postura de apresentar um show mais acessível e sem tantas frescuras e politicagens como a F-1.
            E vejo isso a cada etapa, especialmente após as corridas, com o público cercando o pódio, e vendo os pilotos que lá sobem passar entre o pessoal, cumprimentando todos que possam estar perto com leves toques de punho. E, sem nenhuma exceção até agora, o público tem ficado animado com as disputas vistas na pista, algumas melhores do que outras, é verdade, mas mesmo assim, boas o suficiente para encantar quem adora carros de competição. Há um ambiente muito mais simples, menos asséptico, e por que não dizer, menos estressante e carregado que o da F-1. E isso já ajuda a fazer uma grande diferença, não apenas nos participantes, mas também no próprio público, que pode apreciar melhor a competição no que ela se propõe a ser.
            A F-E veio para ficar, e tem tudo para ser ainda melhor. Aguardem...
Sébastien Buemi se dirige ao pódio em meio ao público, numa proximidade da F-E com os fãs que não é vista na F-1 atualmente.


Nelsinho Piquet e Bruno Senna não levaram boas recordações da prova de Buenos Aires do atual campeonato da F-E. Nelsinho até que conseguiu fazer uma boa classificação, largando em 9° e tendo um início de corrida promissor, mas não demorou para perder desempenho e ir ficando um pouco para trás. Acabou a prova em 12°, sem marcar pontos, mas considerou o aprendizado na prova argentina positivo para que seu time consiga dar passos na direção de voltarem a ser competitivos. Oliver Turvey, seu companheiro de equipe na China Racing, teve um pouco mais de sorte e foi o 9° colocado, marcando mais alguns pontos. Turvey, aliás, é o 12° colocado no campeonato, com 10 pontos, enquanto Nelsinho com apenas 4 pontos marcados até aqui, ocupa a 15ª colocação. Bruno Senna teve uma classificação complicada, largando apenas em 16° em Buenos Aires, e a duras penas conseguiu chegar em 10°, marcando apenas 1 ponto. Seu companheiro na Mahindra, Nick Heidfeld, largou em 13° e terminou na 7ª posição. No campeonato, Bruno ocupa a 11ª colocação, com 11 pontos, enquanto Heidfeld é o 7°, com 23 pontos, tendo inclusive subido ao pódio na etapa de Pequim na 3ª posição.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

ARQUIVO PISTA & BOX - AGOSTO DE 1997 - 08.08.1997



            Hora de trazer mais um de meus antigos textos, e o de hoje foi publicado em 08 de agosto de 1997, dissertando sobre a realização do Grande Prêmio da Hungria de F-1, na pista mais travada do calendário da categoria, à exceção de Mônaco. De lá para cá o circuito melhorou um pouco em infraestrutura, teve sua reta dos boxes alongada em mais algumas centenas de metros, mas continuou extremamente travado e muito difícil de se ter ultrapassagens. E continua firme até hoje no calendário, por incrível que pareça. Mas mesmo a prova húngara consegue ter seus momentos de grande emoção, especialmente se a chuva der as caras, o que costuma embaralhar as estratégias de pilotos e equipes. No resto, mais algumas notas rápidas e outros acontecimentos na semana do mundo do esporte a motor. Uma boa leitura do texto, e em breve tem mais...


CURVAS A RODO

            Enfim, chegou a hora da Fórmula 1 fazer sua visita ao Leste Europeu. Na década passada, esta ocasião era uma visita à “Cortina de Ferro”, como eram conhecidos os países comunistas europeus. Agora, na segunda metade da década de 1990, como o comunismo já era, este termo passa a fazer parte da história apenas. É o Grande Prêmio da Hungria de F-1, disputado desde 1986.
            É um GP de grandes atrativos, a começar pela capital húngara, Budapeste, cortada pelo célebre Rio Danúbio. Budapeste é a mais bonita cidade do Leste Europeu, tendo até recebido o apelido de “Paris do Leste”. Não é difícil concordar com esta afirmação.
            Mas se a cidade é maravilhosa, não se pode dizer o mesmo do circuito onde é realizada a corrida. O autódromo de Hungaroring tem cerca de 3,92 Km de extensão, onde neste domingo os F-1 percorrerão nada menos do que 77 voltas, totalizando 305,536 Km de percurso. O problema não é de infraestrutura, mas de desenho da pista: o circuito é feito de curva após curva. Praticamente só há 2 trechos de reta: um em frente aos boxes e o pequeno trecho da reta oposta. Fora isso, o circuito é uma sucessão de curvas.
            Com tantas curvas, Hungaroring é a pista mais travada da F-1, à exceção de Mônaco. A média horária não é alta, e o traçado exige um acerto todo especial dos carros. Praticamente o caminho inverso do último circuito, Hockeinhein. Lá era necessário ter o máximo de velocidade de ponta, em virtude de suas longas retas e poucas curvas. Aqui é exatamente o contrário: precisa-se de estabilidade em curva acima de tudo. O problema é que os pontos de ultrapassagem praticamente inexistem, fora a reta dos boxes, único ponto favorável às ultrapassagens no traçado.
            Todas estas particularidades também ajudam em um ponto crucial: exigem maior habilidade do piloto. E também exigem do carro um requisito todo especial, que é a estabilidade. O motor é aspecto secundário neste circuito em termos de potência máxima. Isso proporciona a melhor oportunidade para os times que não dispõem de motores possantes obterem um bom resultado, como é o caso da Stewart e a TWR-Arrows. Se o chassi for estável, cabe ao piloto mostrar todo o seu braço e habilidade para ganhar performance que não seria possível obter por exemplo em Hockenhein, devido ao fato de que lá o motor potente é o componente mais importante.
            E a prova de que o que mais vale neste circuito é o piloto encontra embasamento no fato de que Ayrton Senna é o maior vencedor deste GP. Senna venceu em 1988, 1991 e 1992, sendo estes dois últimos GPS em condições inferiores de equipamento. Valeu o braço e a habilidade do brasileiro numa altura em que a Williams tinha o melhor carro já naquele ano. Mas coube a outro brasileiro a honra de estrear o degrau mais alto do pódio húngaro em 1986: Nélson Piquet, que venceu a prova de inauguração do GP depois de um duelo espetacular com Ayrton Senna, perante um púbico até hoje recorde para o GP da Hungria: mais de 200 mil torcedores. Piquet também repetiria a vitória em 1987. Damon Hill foi o único além de Piquet a vencer duas vezes, em 1993 e 1995. Nigel Mansell venceu a prova em 1989; Thierry Boutsen faturou o primeiro lugar em 1990; Michael Schumacher venceu em 1994, e Jacques Villeneuve venceu aqui no ano passado. Por equipes, a Williams tem 6 vitórias (1986, 1987, 1990, 1993, 1995 e 1996); a McLaren venceu 3 (1988, 1991 e 1992); e Ferrari (1989) e Benetton (1994) chegaram na frente 1 vez cada uma.
            Com tantas curvas e a dificuldade de ultrapassagens, largar na frente e fazer a 1ª curva antes da concorrência já é meio caminho andado para vencer a corrida, mas é preciso ainda ter sorte com os retardatários, que incomodam sempre que começam a aparecer. Tanta disputa às vezes costuma favorecer bons pegas entre diversos pilotos. Só em 1990, por exemplo, em determinada altura da corrida havia nada menos do que 6 pilotos em briga direta pela liderança da corrida, numa prova memorável. E espero que domingo possamos ver novamente uma disputa desta proporção...


A F-CART disputa neste fim de semana as 200 Milhas de Mid-Ohio, no segundo melhor circuito misto da temporada, o Mid-Ohio Sports Car Course, em Lexington, Ohio. O circuito tem 3,62 Km de extensão, e a prova tem um total de 83 voltas, resultando em 297,728 Km de percurso. Alessandro Zanardi foi o pole-position e também o vencedor da corrida no ano passado. E depois da vitória em Michigan, o italiano é o grande favorito para repetir o feito domingo em Mid-Ohio, mas há um brasileiro que promete entrar firme na briga: Gil de Ferran. Um indício desta confiança foram os excelentes tempos conseguidos pelo piloto brasileiro semana passada em testes feitos em Road America, outro circuito misto. Mas, treino é treino, e corrida é corrida...


Na F-3000 Internacional, Ricardo Zonta recuperou a liderança do campeonato, após terminar a prova de Zeltweg em 2º lugar. A vitória ficou com o colombiano Juan Pablo Montoya, com uma vantagem de apenas 0s469 sobre Zonta. Ricardo lidera o campeonato com 27 pontos; Montoya assumiu a vice-liderança com 23,5 pontos. A próxima etapa é dia 23 agora em Spa-Francorchamps, na Bélgica, como preliminar da F-1.


Na 10ª etapa da Indy Lights, disputada no circuito de Trois-Riviéres, no Canadá, deu mais uma vitória brasileira, desta vez com Tony Kanaan, que assumiu a vice-liderança do campeonato, apenas 8 pontos atrás de Hélio Castro Neves, que não completou a prova. A próxima etapa é em Vancouver, dia 31 de agosto, como preliminar da F-CART...


A BMW prepara seu retorno à F-1. O anúncio oficial deve sair em Zeltweg ou em Nurburgring. Tudo indica que a fábrica alemã, que conquistou o primeiro título da Era Turbo em 1983, com Nélson Piquet ao volante do Brabham BT52, voltará à F-1 a partir de 1999, equipando os carros da Williams, que correrão em 1998 ainda com os motores Renault, preparados pela Mecachrome. E correm boatos de que a Honda também fará o seu retorno oficial à categoria na mesma data, se não antes.


Variando um pouco do assunto, no Mundial de Motovelocidade 500cc, a coisa está tão monótona que não tem nem graça. De todas as provas deste ano, Michael Doohan venceu todas, à exceção de uma corrida, onde ficou “apenas” em 2º lugar. E domingo passado, no Rio de Janeiro, não foi exceção: o australiano venceu mais uma corrida de ponta a ponta, apesar da forte pressão do japonês Tadaiuky Okada, que pressionou Doohan por boa parte da prova inteira. Alexandre Barros acabou caindo na última curva, na última volta, quando disputava a 8ª posição...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

DANÇA DAS CADEIRAS NA F-E



Jacques Villeneuve disputou apenas 2 provas e já disse adeus à F-E.

            A Formula-E chegou a Buenos Aires para a disputa de sua última corrida do atual campeonato na América do Sul. É a 4ª etapa do certame 2015/2016, que tem o suíço Sébastian Buemi na liderança da competição, seguido de perto pelo brasileiro Lucas Di Grassi. E teremos mudanças no grid da categoria na corrida portenha, que será disputada no circuito montado ao redor do Parque Micaela Bastidas, na capital da Argentina.
            Grande mote da pré-temporada da categoria, acertando disputar o campeonato da categoria de carros elétricos monopostos pela equipe Venturi, o canadense Jacques Villeneuve já deixou a F-E, após apenas 3 etapas, e duas provas disputadas, onde infelizmente, ele não conseguiu mostrar muita coisa. A rescisão entre o piloto e a escuderia chegou a um bom termo, de modo que não houve pendências legais das partes envolvidas. É uma pena, porque a categoria pela primeira vez tinha em seu grid um ex-campeão da F-1, o que mostrava o aumento do seu interesse por parte dos pilotos. Por outro lado, é decepcionante ver que Villeneuve tornou-se uma sombra do que já foi um dia, quando foi campeão da F-Indy original, e depois ainda chegou ao título da F-1. Seus últimos anos na F-1 já não mostravam mais o mesmo vigor de sua estréia, anos antes, e de lá para cá, o canadense virou praticamente um nômade no mundo do esporte a motor, correndo aqui e ali, mas sem disputar a fundo um campeonato de uma categoria, ou pelo menos, a mostrar o brilho que o consagrou um dia. No fundo, muitos esperavam que Villeneuve poderia enfrentar dificuldades neste seu retorno a uma competição de monopostos, mas que pelo menos disputasse a temporada completa, mesmo que os resultado fossem magros. Não houve paciência e nem tempo de aproveitar isso. Oficialmente, ambos, piloto e time, alegaram discordâncias sobre o futuro da escuderia. Fiquemos com isso, até porque infelizmente é perda de tempo ficar martelando o assunto, mas todos esperavam um pouco mais de comprometimento do canadense para com a categoria.
            A Venturi não se demorou a anunciar um substituto, e na prova de amanhã o carro que era do canadense estará sendo pilotado pelo inglês Mike Conway, que reeditará com Stéphane Sarrazin a parceria que já tem no mundial de Endurance, pilotando para a equipe Toyota. Por enquanto, o acordo é válido apenas para a prova argentina, mas nada impede que o piloto inglês siga no time. Em três corridas, Stéphane Sarrazin é o 8° colocado na competição, com 16 pontos marcados. Jacques Villeneuve não conseguiu marcar nenhum ponto nas duas provas que disputou, lembrando que ele não participou da prova de Punta Del Este devido a um acidente nos treinos, e a equipe não conseguiu consertar o carro a tempo para a corrida. No campeonato de equipes, a Venturi ocupa a penúltima colocação, em 8° lugar, à frente apenas da China Racing, que vem tendo uma temporada abaixo de todas as expectativas.
            Outro time que também terá um novo piloto no grid é a Aguri, que também dispensou o francês Nathanaël Berthon, após 3 corridas. Assim como na dispensa de Villeneuve por parte da Venturi, não foram divulgadas as razões para dispensa do piloto, mas obviamente seus resultados até agora não empolgaram o time: o francês marcou apenas 4 pontos na primeira prova da nova temporada, em Pequim, ocupando a 15ª posição no campeonato, enquanto seu companheiro, o português Antonio Félix da Costa é o 9° colocado, com 16 pontos. Para substituir Berthon, o time de Aguri Suzuki recontratou o mexicano Salvador Duran, que já havia sido piloto da escuderia na temporada passada, e nesta nova havia acertado para defender a equipe de Jarno Trulli. Porém, o time do ex-piloto italiano de F-1 fechou as portas após não conseguir disputar as duas primeiras etapas, e Duran ficou a ver navios, e agora ganha uma nova chance de seguir na categoria, e o piloto está ainda mais empolgado porque, depois desta prova em Buenos Aires, a F-E desembarcará na Cidade do México, dia 12 de março, para a nova etapa do campeonato, e Salvador está ansioso por correr em seu país na categoria dos carros monopostos elétricos. No campeonato, a equipe Aguri é a 6ª colocada, com 20 pontos.
            Enquanto se comentam as trocas destes dois pilotos, a atenção principal da F-E está na disputa entre Sébastien Buemi e Lucas Di Grassi pela liderança da competição. O piloto da e.dams ainda é o favorito por contar com o melhor carro, tendo vencido as provas de Pequim e Punta Del Este, mas Lucas Di Grassi tem aproveitado todas as oportunidades para terminar bem as corridas, e venceu a etapa de Putrajaya. No ano passado, a corrida portenha teve alguns acidentes e uma disputa alucinada nas voltas finais pelas primeiras posições que deixou piloto e público sem saber quem estava em qual posição, tamanhas foram as trocas de posições na pista na parte final da prova. Além da disputa louca pelas posições após os líderes enfrentarem problemas mecânicos inesperados ou alheios a seu controle, o público praticamente lotou as arquibancadas para ver a corrida, e o cenário tem tudo para se repetir amanhã. Se a corrida vai ser tão empolgante quanto a do ano passado, não dá para saber, mas que a prova deve ser novamente um sucesso, isso será, e o público argentino amante do automobilismo faz por merecer receber novamente a categoria em sua capital, enquanto aqui no Brasil as prioridades segundo certas "otoridades" são bem outras e altamente questionáveis, ainda mais no aspecto de integridade moral...
            O e-Prix de Buenos Aires será disputado em 35 voltas no circuito de 2,479 Km montado no entorno do Parque Micaela Bastidas. O canal pago FoxSports 2 transmite a corrida ao vivo, a partir das 16:30 Hrs. É hora de ligarem suas tomadas e acelerarem fundo novamente.
O circuito de Buenos Aires para a F-E é muito apreciado pelos pilotos, e promete boas disputas neste sábado.



Os pilotos brasileiros venceram mais uma edição das 24 Horas de Daytona, uma das provas mais famosas e tradicionais do automobilismo americano. Disputada no último final de semana, a corrida foi vencida pela equipe Tequila Patrón ESM, com o brasileiro Pipo Dreani dando um show em sua primeira participação na corrida, competindo ao lado de Ed Brown, Johannes van Overbeek e Scott Sharp ao volante do protótipo Ligier JS P2-Honda. Derani, aliás, foi um dos destaques da corrida, assumindo a liderança da prova logo no início e mantendo um ritmo forte enquanto esteve na pista. E o paulista de 22 anos fechou a disputa pilotando no último stint da corrida, quando superou o bólido da equipe Wayne Taylor Racing, e chegou na frente por uma margem considerada apertada em se tratando de uma corrida de 24 horas: 26s de vantagem, após 736 voltas e 4.216,74 Km de percurso. Após a vitória, Derani inclusive admitiu que seu carro começou a apresentar alguns problemas na última parte da prova, como a elevação da temperatura do câmbio, mas que conseguiu se manter concentrado e seguir firme rumo à vitória. O desempenho do brasileiro, que resolveu mudar sua carreira para as provas de Endurance, surpreendeu os donos da escuderia, e pode-se dizer que Derani estreou nos Estados Unidos com o pé direito fundo no acelerador. Pipo não cometeu erros e manteve-se com um ritmo fortíssimo na pista, guiando como um veterano. E ele ainda marcou a volta mais rápida da prova, com o tempo de 1min39s192, para não deixar dúvidas de que estava mesmo com a corrida sob controle. Uma vitória que certamente será lembrada por muitos fãs do esporte.
Pipo Derani chegou em grande estilo às corridas de endurance americanas, ao vencer as 24 Horas de Daytona logo em sua estréia.


O triunfo de Derani foi a 3ª vitória consecutiva de um piloto brasileiro nas 24 Horas de Daytona. Em 2014, Christian Fittipaldi conseguiu seu segundo triunfo na prova; e no ano passado, a vitória foi da equipe Chip Ganassi, com Tony Kanaan como um de seus pilotos. Mas não foi apenas Derani que conseguiu um bom resultado. Rubens Barrichello, competindo pela equipe Wayne Taylor Racing, ficou com a 2ª colocação da prova, garantindo uma inédita dobradinha brasileira nos dois degraus mais altos do pódio. Não fossem problemas enfrentados por suas equipes, Christian Fittipaldi e Tony Kanaan poderiam ter feito nosso país marcar presença em todo os degraus do pódio. O carro pilotado pelo time de Kanaan teve problemas durante a corrida, e depois ficou de fora após um acidente protagonizado por Kyle Larson numa das curvas do trecho misto do Daytona International Speedway, indo parar na barreira de pneus com certa violência, que destruiu a frente do protótipo, e tirando o time vencedor de 2015 da competição deste ano. Já a equipe Action Express conseguiu manter o seu carro N° 5 na pista, e mesmo com 5 voltas de desvantagem, ainda conseguiu chegar na 4ª colocação. Vencedor da prova em 2012, Oswaldo Negri Jr. teve de abandonar a prova durante a madrugada, devido a problemas mecânicos, depois de conseguir liderar boa parte da corrida, mostrando que tinha boas chances de reprisar a vitória nesta edição. Na categoria GTLM, os times dos brasileiros Daniel Serra e Augusto Farfus terminaram a prova na 10ª e 11ª colocações, respectivamente. E nossos pilotos prometem mais para 2017. Os americanos que fiquem de sobreaviso: os pilotos tupiniquins pretendem fazer de Daytona a sua nova praia do automobilismo...


Outros destaques da edição 2016 das 24 Horas de Daytona foi a participação do protótipo Delta Wing da Nissan, que chegou a liderar a corrida com Katherine Legge ao volante, e dava pinta de que poderia até vencer a corrida, em que pesasse o seu histórico de confiabilidade duvidosa. Infelizmente, um acidente protagonizado por Andy Meyrick em seu turno de pilotagem fez o carro dar adeus à disputa ao sofrer um acidente com um carro parado na pista durante a parte noturna da prova. O outro destaque foi a disputa ferrenha pela vitória na classe GTLM, entre os modelos Corvette dos pilotos Oliver Gavin e Antonio Garcia, que duelaram ferozmente nas voltas finais pela posição de vitória em sua classe, com o triunfo indo para o britânico por meros 0s034, levantando a torcida na arquibancada, finalizando em 7° e 8° na classificação geral da prova.


E Pastor Maldonado "dançou" na F-1. Há algumas semanas já vinham crescendo os rumores de que a Renault, ex-Lotus, não manteria o piloto venezuelano em seu time no retorno à categoria nesta temporada. O motivo é mais do que óbvio: em crise, dilapidada pela má administração do governo bolivariano de Hugo Chávez e depois, Nicolás Maduro, a PDVSA começou a atrasar os pagamentos acertados com o time de F-1. E a relação, infelizmente, findou. E sem os pagamentos, Pastor ficou sem sua vaga na escuderia, que será ocupada por Kevin Magnussen, que já confirmou o piloto dinamarquês nesta semana. Apelidado de alcunhas como "Maldonator" ou "Maldanado", pela frequência com que se meteu em vários acidentes desde que estreou na categoria máxima do automobilismo, Pastor sempre mostrou muita velocidade, mas também propensão para estar no lugar errado na hora errada. Não é exagero afirmar que alguns pilotos se sentirão aliviados por não ter de dividir as filas do grid com o impetuoso sul-americano, mas também é verdade que sem Maldonado a F-1 perde um pouco de sua graça, pois as estripulias cometidas pelo venezuelano, em que pese serem odiadas por pilotos e equipes, faziam a alegria do público, que sempre adorou os pilotos estabanados que já guiaram na F-1, saindo do lugar comum e trazendo por vezes o inesperado ao cenário de uma corrida, fosse no bom ou no mal sentido. Comparado por várias vezes ao inglês Nigel Mansell, também um piloto extremamente rápido e propenso a se meter em acidentes, a principal falha de Maldonado foi não conseguir se livrar o estigma de piloto "pagante", aqueles que ninguém contrata se não tiver um bom patrocínio por trás. É verdade que até vários campeões mundiais estrearam na F-1 nessa condição, mas conseguiram despertar interesse suficiente para deixarem esse rótulo e serem contratados por seu grande talento e capacidade, mas Pastor infelizmente não conseguiu se firmar na categoria. O próprio venezuelano afirmou ter planos de tentar um retorno em 2017, mas creio que será difícil, ainda mais porque as escuderias hoje tem necessitado mais do que nunca de pilotos com patrocínio, e se não puder contar com o aporte da PDVSA, melhor será tentar a sorte em outros campeonatos - e eles existem, que não exijam tanto aporte por parte do piloto. Maldonado, em 5 temporadas completas competindo na F-1, disputou 95 GPs, marcou um total de 76 pontos, e seu grande momento foi no Grande Prêmio da Espanha de 2012, onde largou na pole-position após a desclassificação do melhor tempo de Lewis Hamilton, e na corrida, travou uma belo duelo com Fernando Alonso, da Ferrari, e conquistou sua única vitória na categoria, e a última da equipe Williams. Foi também seu único pódio na F-1. Maldonado estreou em 2011, substituindo Nico Hulkenberg na equipe Williams, justamente por causa do vultoso patrocínio da PDVSA. O venezuelano correu para Frank Williams até o fim da temporada 2013, onde se desentendeu com o time, e foi para a Lotus, levando os petrodólares de seu país junto com ele. Foi um tiro pela culatra: a Williams, que em 2013 teve um péssimo ano, se reergueu em 2014, terminando o campeonato na 3ª colocação, enquanto a Lotus, em crise, teve um ano para esquecer. Em 2015, apesar de alguns resultados melhores em relação ao ano anterior, o time inglês continuou capengando financeiramente, enquanto Pastor via seu ex-time, a Williams, disputar novamente um bom campeonato. Infelizmente, a fama de batedor pesou na sua reputação mais do que sua velocidade, caso contrário ele teria sido mantido na escuderia. Mas também deve-se culpar a própria F-1, cujos gastos de competição continuam muito elevados, e com vários times não podendo prescindir de pilotos com muito patrocínio, o que os leva a optar primeiro pelo dinheiro, e depois pelo talento. Nos velhos tempos, quando os custos não eram astronômicos como hoje, as escuderias tinham mais possibilidades de fazer o reverso da equação, mas hoje em dia, a realidade é bem diferente. Mas o mundo do automobilismo é bem vasto, e Maldonado, com um pouco de sorte, achará o seu lugar neste ano, e que consiga dar seguimento à sua carreira.
Sem grana, não corre. Maldonado está fora da F-1 em 2016. Ponto alto da carreira foi a vitória no GP da Espanha em 2012, batendo Fernando Alonso perante seu público.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

FLYING LAPS - JANEIRO DE 2016



            E o mês de janeiro de 2016 já se foi, parecendo ter voado, tal como os bólidos mais velozes do mundo do esporte a motor. E houve vários acontecimentos neste primeiro mês do ano, e é hora de alguns deles serem relacionados em mais uma sessão Flying Laps, com algumas notas destes acontecimentos do mundo do esporte a motor ocorridas neste último mês, com os tradicionais comentários rápidos. Portanto, boa leitura para todos, e vejamos o que poderemos ver neste ano de 2016 que começa a acelerar firme. Até mais.


Stéphane Peterhansel conquistou mais uma vez o rali Dakar, e chegou à marca de 12 títulos na competição do rali mais famoso do planeta. O piloto francês foi vencedor em 1991, 1992, 1993, 1995, 1997, e 1998, sempre correndo pela Yamaha na categoria motos. Depois, Peterhansel mudou para os carros, e venceu novamente em 2004, 2005 e 2007, correndo pela Mitsubishi. Em 2012 e 2013 correndo pela Mini na categoria carros, ele obteve mais duas vitórias. E este ano, defendendo a superesquadra montada pela Peugeot, o piloto francês triunfou novamente. A parada vinha sido disputada entre ele, Carlos Sainz, e Sébastien Loeb, mas o espanhol e o eneacampeão do Mundial de Rali tiveram problemas de percurso, que forçaram Sainz a abandonar a competição, e Loeb ficou muito atrás na classificação, sem chances de voltar a disputar a ponta no acumulado de tempos. Nasser Al-Attyah, campeão nos carros em 2015, bem que tentou jogar areia nos planos do piloto francês, mas fechou a competição com um atraso de 35 minutos para o piloto da Peugeot. Já Loeb, tentando se recuperar na competição, ainda conseguiu vencer a última etapa do rali, mas na classificação geral, terminou na 9ª colocação, com nada menos do que 2h22min de desvantagem para Stéphane. Os brasileiros remanescentes na competição, as duplas Leandro Torres/Lourival Roldan e João Antônio Franciosi/Gustavo Gugelmin ficaram em 57ª e 58ª lugares, respectivamente.


Nas motos, a vitória no Dakar 2016 ficou com o australiano Tom Price, que defendeu a KTM, e chegou ao seu primeiro título na competição. A KTM, aliás, fez dobradinha nas duas rodas no rali, ao garantir a segunda posição com o eslovaco Stefan Svitko, que terminou classificado com cerca de 40 minutos de desvantagem para o australiano. O chileno Pablo Quintanilla fechou o pódio na 3ª colocação, com quase 49 minutos de desvantagem para Price. Na categoria dos caminhões, quem levou o troféu da competição foi o holandês Gerard de Rooy, que chegou ao bicampeonato no Dakar, competindo pela Iveco, tendo como colegas de competição Darek Rodewald e Moises Torrallardona. Rooy já havia vencido o rali em 2012. O segundo lugar nos caminhões ficou com os russos da Kamaz, competindo com o trio Airat Mardeev/Aydar Belayaev/Dmitry Svistunov, com uma desvantagem de cerca de 1h10min para os vencedores da marca italiana, que fez a maioria no pódio, ao garantir também o 3° lugar com o trio Federico Villagra/Jorge Perez Companc/Andres Memi, atrás cerca de 1h41min do peso-pesado vencedor. E nos quadriciclos, quem venceu foi o argentino Marcos Patronelli, da Yamaha, que fez dobradinha com seu time oficial, tendo Alejandro Patronelli, irmão de Marcos, em 2° lugar, que ficou com apenas 5min de desvantagem para o vencedor da categoria. A Yamaha ainda fez o 3° lugar, com a equipe Rhide, com o sul-africano Brian Baragwanath, distante 1h42min do vencedor. E assim, encerrou-se mais uma edição do Dakar, que promete voltar em 2017, novamente competindo na América do Sul. A todos que conseguiram chegar inteiros ao fim da competição, todo o respeito, por mais uma vez conseguirem superar todas as adversidades e conseguirem cruzar a linha de chegada, seja em qual posição tiverem conseguido.


A Federação Internacional de Motociclismo, juntamente com a Honda, decidiram não liberar os dados de telemetria da moto de Marc Márquez no incidente ocorrido entre o espanhol e Valentino Rossi na etapa da Malásia, no ano passado, que acabou se tornando o lance mais polêmico da temporada, por ter resultado na punição de Rossi para a etapa final, em Valência, onde o italiano precisou largar do fundo do pelotão e ficou com poucas hipóteses de conseguir conquistar o título da temporada. A justificativa é para não alimentar mais polêmica sobre o acidente. A Honda acusou o piloto italiano da rival Yamaha de ter chutado a moto de Márquez na disputa, fazendo o bicampeão espanhol cair, com base nos dados desta telemetria. Claro que esta atitude da Honda e da FIM deixa algumas perguntas no ar, dependendo de que lado as pessoas estão. Alguns dizem que a telemetria poderia dizer que Rossi seria inocente na história, e se isso fosse confirmado, as críticas desabariam todas em cima da FIM, pela punição obviamente injustificada sobre Rossi, que teria sido determinante para ele perder a luta pelo título para Lorenzo. Para outros, a favor de Márquez, o motivo poderia ser que a telemetria não falaria nada mais do que o já divulgado por ocasião da prova malaia, e portanto, nada acrescentaria de relevante à situação. De uma forma ou de outra, a decisão só ajuda a aumentar a aura de dúvida sobre o incidente, que certamente fez a decisão do título em Valência ficar em segundo plano. E, claro, isso acaba respingando em Jorge Lorenzo, que merecidamente ou não tendo vencido a competição, pode levar para o resto da carreira a dúvida e foi ou não beneficiado pela punição de forma intencional, algo que o piloto não merece. Não é só na F-1 que algumas categorias se complicam...


Pietro Fittipaldi vai disputar este ano a F-3.5 V-8, antiga World Series, e já fechou acordo com a equipe Fortec para seguir neste novo certame em 2016. No ano passado, o brasileiro defendeu o time na F-3 Européia, tendo ficado em 17° lugar na competição. E, enquanto o campeonato da categoria européia não começa, Pietro disputou no último fim de semana de janeiro a rodada quádrupla do campeonato da MRF Challenge F2000. em Chennai, na Índia. Com duas vitórias no fim de semana, e mais os triunfos obtidos anteriormente em Abu Dhabi e Dubai, o brasileiro conquistou o título da categoria, com 244 pontos, contra 199 da vice-campeã, a colombiana Tatiana Calderón. Foi um bom início de ano para o brasileiro, que terá uma parada difícil pela frente, na F-3.5 V-8, mas o neto de Émerson Fittipaldi segue firme no sonho de chegar à F-1, o que pode acontecer, se tudo der certo, em dois anos, provavelmente em 2018. Com um pouco de sorte, pode até ser antes, mas é preciso cuidado com os passos em falso neste momento. De qualquer maneira, o título conquistado neste mês de janeiro é um bom pontapé inicial para 2016. Que tudo dê certo e Pietro consiga mostrar o talento que o clã Fittipaldi possui...


McLaren, Ferrari e Red Bull participaram de dois dias de testes da Pirelli no circuito de Paul Ricard, na França, para desenvolvimento dos compostos de chuva da fábrica italiana. Utilizando os carros de 2015, sem nenhum componente dos modelos 2016 em desenvolvimento, a McLaren mostrou as velhas sequelas do ano passado, quando teve problemas de motor em seu segundo dia de testes e ficou parada nos boxes boa parte da manhã. Com a pista molhada artificialmente, o melhor tempo dos dois dias ficou com Sebastian Vettel, com o tempo de 1min06s750, obtido no segundo dia. No primeiro dia, Daniel Ricciardo, da Red Bull, havia sido o mais rápido com 1min08s713. Kimi Raikkonen, sempre no seu estilo, disse que preferiu os compostos de chuva usados no ano passado, mostrando que os novos compostos não foram muito do seu agrado. Para a Pirelli, o saldo do teste foi positivo, ainda que com apenas 3 times e 3 carros na pista francesa, que sediou pela última vez um GP de F-1 em 1990. Uma pena não terem treinado no percurso total da pista, usada pela última vez em 1985, com seus 5,81 Km de extensão. Foi usado o traçado curto usado pela F-1 de 1986 a 1990, com 3,81 Km. E, pelo andar da situação da F-1 atualmente, este teste é o máximo que os franceses vão ver de carros de F-1 andando em uma pista de corrida em território francês. O país está fora do calendário desde 2009, tendo sua última corrida disputada em 2008 na pista de Magny-Cours. O circuito não deixou saudades em ninguém, mas Paul Ricard até hoje é lembrado por quem teve a chance de ver e acompanhar a F-1 por lá...


O tricampeão Sébastien Ogier iniciou sua corrida pelo tetracampeonato. O piloto francês da equipe Volkswagen abriu a temporada 2016 do Mundial de Rali, em Monte Carlo, com a vitória, e deixando os rivais mais uma vez comendo poeira, e neve. Apesar de ter perdido Jari Matti-Latvala, que abandonou a prova por problemas mecânicos, a Volkswagen ainda fez dobradinha no pódio com o norueguês Andreas Mikkelsen. Coube à Hyundai fechar o pódio, com o 3° lugar do belga Thierry Neuville. Ogier lidera o campeonato com 28 pontos, contra os 19 de Mikkelsen, e os 15 de Neuville. Tudo bem, o ano está apenas começando, e ainda tem muito chão pela frente até o encerramento do campeonato, no fim do ano, mas ver Ogier iniciar com uma vitória que em quase nenhum momento foi contestada durante o fim de semana do Rali de Monte Carlo já prenuncia que o panorama de 2016 não deverá ser muito diferente do vivido em 2015 e 2014. Ou os concorrentes tratam de melhorar, ou passarão o ano vendo apenas a traseira de Ogier...


Jari Matti Latvala, por sinal, não teve um início de campeonato para celebrar este ano no Mundial de Rali. O piloto finlandês, além de abandonar o Rali de Monte Carlo, ainda acabou atropelando um fotógrafo, e ao sair do local do acidente sem sequer prestar algum tipo de atenção ao ocorrido, acabou punido pela direção de prova com uma multa de 5 mil euros, além da suspensão por uma etapa do Mundial, com direito a sursis. Latvala disputará normalmente o Rali da Suécia agora em fevereiro, bem como as demais provas do campeonato, mas se acabar causando um novo acidente, a penalidade será aplicada. Não foi divulgada a identidade do fotógrafo atropelado pelo carro de Latvala, mas foi informado que felizmente não se feriu gravemente. Acidentes nas provas de rali não são exatamente incomuns, pois em vários trechos o público fica à beira da estrada, vendo os carros dos competidores passaram por vezes a centímetros de distância em alguns locais. Embora sejam feitos esforços para que esse público fique sempre em um local seguro, por vezes não há como evitar um acidente. Mas, pelo risco envolvido, caso um competidor exagere e coloque em risco algum expectador, a direção de prova costuma ser rigorosa nas punições. Latvala, felizmente, saiu dessa com alguma sorte, assim como o fotógrafo também deu sorte de não ter se machucado seriamente. Mas já vi cenas de batidas onde competidores acabaram entrando com seus carros no meio do público, e quando penso neste tipo de ocorrência, é sorte que não ocorram tantas mortes quando isso acontece. Mas, claro, convém não abusar da sorte...