sexta-feira, 12 de setembro de 2014

LIGUEM SUAS TOMADAS...




Hora de acelerar: o primeiro campeonato mundial de carros elétricos dá a largada neste final de semana, em Pequim, na China.
            O mundo do automobilismo dá um passo ousado neste final de semana: em Pequim, teremos o início do primeiro campeonato de corridas exclusivo para carros elétricos do mundo, com vários times e diversos pilotos lutando para mostrar que a tecnologia dos motores movidos puramente a eletricidade tem tudo para revolucionar o conceito dos motores e ajudar o mundo na luta por um planeta menos poluído e ecologicamente mais viável. O novo torneio é homologado pela FIA, que resolveu assumir com mais afinco o objetivo de tentar recuperar a imagem de "vilão" que os carros e as corridas andaram assumindo, tentando incentivar o desenvolvimento de tecnologias mais limpas para as competições esportivas da carros, um papel que a F-1 já desempenhou no passado, quando várias de suas inovações foram depois implantadas nos carros de rua.
            Um pouco desse passo já foi dado com as novas unidades de potência utilizadas a partir deste ano na Fórmula 1. Os sistemas de recuperação de energia (ERS), aliados às mais recentes tecnologias de motores conseguiram produzir unidades que geram quase a mesma potência das antigas unidades V-8 aspiradas, e os carros estão conseguindo disputar as corridas com praticamente um terço a menos de combustível gasto do que se precisava até o ano passado. Desculpem-me todos aqueles que chiaram - e ainda chiam, com os novos propulsores, especialmente em relação ao barulho produzido por eles, mas a F-1 está no caminho certo, pelo menos no que tange à tecnologia desenvolvida. Imaginem se conseguissem reproduzir no consumo mundial o que se vê hoje na F-1, e o mundo pudesse se movimentar gastando 1/3 a menos de combustível: seria uma economia imensa, com um grau de poluição muito menor do que o atual. Todos ganharíamos, especialmente o meio ambiente, ainda que parte da poluição não seja oriunda dos carros a combustão.
            Os automóveis propiciaram um incremento de desenvolvimento sem igual na sociedade e no mundo. Agora, eles precisam se reinventar, para continuarem a oferecer o bem-estar que tornou-se indispensável para a civilização, assim como deixarem de agredir o planeta como vêm fazendo desde que começaram a ser produzidos em massa. É notório que estamos envenenando nosso mundo mais rápido do que ele consegue por si só reciclar o lixo que produzimos. E os gases produzidos pelos motores a combustão que são usados há mais de um século são a maior fonte de poluição da atmosfera. O uso da tecnologia de motores elétricos tem tudo para, conduzida e desenvolvida adequadamente, permitir que continuemos a desfrutar de todas as benesses dos carros, sem continuarmos poluindo o meio ambiente como ocorre atualmente.
            E, nesse ponto, a nova Formula E é um passo adiante do que passou a ser implantado na F-1 este ano. O novo certame de carros monopostos usará motores 100% elétricos, que terão uma potência, em ritmo de treino, de até 270 HPs. Já no ritmo de corrida, para proporcionar uma maior autonomia, a potência dos mesmos será reduzida para pouco mais de 200 HPs. Os carros foram construídos pela Spark Racing Technology, em parceria com a Dallara, um dos maiores fabricantes mundiais de carros de competição. O suporte técnico será fornecido pelos grupos de desenvolvimento tecnológico da Renault, McLaren e Williams, para a eletrônica dos motores e dos sistemas de baterias que permitirão acumular a energia dos bólidos. A Hewland fornece os câmbios, enquanto os pneus são da Michelin.
            A performance dos carros será de uma capacidade de aceleração de 0 a 100 Km/h em 3s. A velocidade máxima deve ficar na casa dos 225 Km/h. Cada carro terá um peso mínimo de 888 Kg, com piloto incluso. Se levarmos em conta que serão quase 200 Kg mais pesados que um F-1, o desempenho não parece tão ruim, à primeira vista. E ainda é preciso considerar que estes dados são iniciais dos carros, e com o desenvolvimento da tecnologia, a performance e autonomia dos motores poderá evoluir.
            O campeonato terá 10 equipes, com 20 pilotos. E a lista de participantes é bem interessante, mesclando nomes com bom pedigree no mundo das competições a motor. Da Indy Racing League temos a participação dos times de Michael Andretti e Jay Penske. Aliás, a Dragon deixou até de disputar o certame da IRL para se concentrar neste novo campeonato, devido a seus custos menores. Dams e Audi resolveram investir na parada, assim como Jarno Trulli, que depois de deixar a F-1, volta a uma competição de monopostos não apenas como piloto, mas também como dono de equipe. Outro ex-F-1 que está na parada é Aguri Suzuki, que inclusive fará novamente parceria com seu compatriota Takuma Sato. Sato foi piloto do time de Suzuki quando este montou um time "B" da Honda na F-1, e agora estão novamente unidos na aventura dos carros elétricos. No rol dos pilotos com passagem pela F-1 que irão competir no novo campeonato temos também Nick Heidfeld, Jaime Alguerssuari, e Sébastien Buemi, entre outros. E também teremos duas garotas acelerando fundo: Katherine Legge, e Michela Cerruti.
            Visando manter os custos reduzidos, toda a atividade de cada etapa será realizada em um único dia. Haverão dois treinos livre, seguidos de um treino de classificação, e por fim, a corrida. No caso deste fim de semana, por ser o início do campeonato, os times pressionaram para haver um treino extra nesta sexta-feira, a fim de funcionar como "shakedown" dos carros, e tentar prevenir possíveis problemas nos monopostos. Todos os participantes estão empolgados com o campeonato, e acreditam que essa categoria poderá fornecer dados importantes para alavancar sobremaneira a tecnologia dos carros elétricos, que ainda enfrenta diversos problemas para se popularizar, entre eles o elevado custo das baterias, e sua baixa performance. Aliás, as corridas terão um detalhe interessante a ser acompanhado: os pit stops obrigatórios. Cada corrida terá cerca de uma hora de duração, mas a autonomia das baterias dos motores dos carros não permite que eles completem esse tempo sem uma recarga. Então, todos os pilotos terão de fazer uma parada obrigatória em seus boxes, onde irão trocar de carro praticamente. Todo o procedimento será acompanhado por fiscais, para assegurar que todos os detalhes de segurança sejam seguidos sem percalços. E o sistema de pontuação será igual ao da F-1, com duas diferenças: o pole-position ganha 3 pontos extras, enquanto quem fizer a melhor volta em uma corrida ganhará 2 pontos. Pode-se prever que a disputa pela pole ganha um incentivo extra bem interessante. E quem gosta de impressionar nas corridas certamente vai descer o pedal do acelerador com vontade, a fim de obter a volta mais rápida.
            Do calendário anunciado, teremos 10 corridas, sendo que apenas uma delas, em Monte Carlo, deverá utilizar a mesma pista da F-1. Todas as demais provas serão em pistas novas. Mesmo Long Beach será uma novidade, já que a categoria máxima do automobilismo esteve por lá pela última vez em 1983, e a pista não será exatamente a mesma daqueles tempos. Para a prova inaugural neste final de semana, o circuito de Pequim, montado na Vila Olímpica que recebeu as Olimpíadas de 2008, tem um traçado de 3,44 Km, no sentido anti-horário. A prova será disputada em 20 voltas. Depois o campeonato ainda visitará a Malásia, antes de se aventurar pelo restante do mundo com etapas na América do Sul, América do Norte, e Europa. O calendário completo segue abaixo deste texto.
            O Brasil ficou de fora do calendário, e embora ainda haja uma data ainda vaga, dificilmente nosso país ganha essa oportunidade, o que demonstra que andamos por baixo em termos de credibilidade esportiva no automobilismo mundial. Ainda mais quando vemos países como Uruguai e Argentina sediarem etapas. Não que não tenham oferecido oportunidade, mas parece que por aqui o pessoal só anda enxergando mesmo as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, então tudo o mais parece não ter importância. Quem perde somos nós, e não será a primeira vez que isso acontece, o que não deve deixar ninguém surpreso...
Os carros prometem exibir boa velocidade, chegando aos 225 Km/h.
            Se não teremos uma corrida, pelo menos teremos 3 representantes no grid. Lucas Di Grassi, Bruno Senna, e Nelsinho Piquet irão competir no campeonato. Nos testes realizados em Donington Park, Lucas Di Grassi foi nosso representante mais bem colocado, com bons tempos. Mas não dá para apontar favoritismos. Como bem lembrou Bruno Senna, os ajustes para a pista inglesa não serviriam de parâmetro para as etapas do campeonato, então, não podemos esperar que quem andou bem no circuito inglês vá fazer tempos igualmente bons nas pistas.
            Os fãs do esporte a motor que quiserem acompanhar este certame precisam programar seus horários: o canal Fox Sports irá transmitir tanto o treino de classificação quanto a corrida. A definição do grid se dará na madrugada de sexta para sábado, no horário da 1:00 da madrugada, hora de Brasília. A largada da corrida será às 4:30. Vai ser interessante o desenvolvimento deste novo campeonato. O rol de pilotos é de respeito, e deveremos ter boas disputas na pista, se os carros corresponderem a tudo o que se espera. Claro, como tudo é praticamente novo nestes carros, podemos ter alguns problemas pelo caminho. Surpresas poderão acontecer.
            Otimismo à parte, a nova categoria tem um bom desafio pela frente. Com vistas à implantação e afirmação do campeonato, neste primeiro ano os bólidos são fornecidos pelos promotores do evento, e a idéia é que a partir do segundo campeonato, as próprias escuderias passem a trabalhar e desenvolver sozinhas os projetos, visando incrementar suas performances. Por esta razão, neste primeiro campeonato, a FIA procurou tomar as medidas mais adequadas para manter os custos de competição os mais acessíveis possível. Daí o fato de todos os equipamentos serem iguais para todos os times. Cada piloto terá dois carros unicamente pela necessidade de se efetuar a troca para finalizar a corrida, já que as baterias não possuem autonomia suficiente para completarem as corridas, e a recarga de energia durante a prova é totalmente inviável atualmente. Os jogos de pneus à disposição de cada piloto são limitados, e ainda assim, pit stops para troca dos compostos só serão permitidas por questões de segurança, como por exemplo, um pneu furado. Com o mesmo objetivo de conter custos, cada equipe terá no máximo 12 pessoas entre os profissionais que estarão na pista no fim de semana, fora os pilotos.
            No aspecto promocional, a categoria pretende fazer uso mais do que nunca da internet, a rede mundial de computadores, a fim de angariar a maior base de fãs. Facebook, Twitter, e o que mais houver na net irá ser usado para divulgar o campeonato. E um dos usos da internet será dar a possibilidade aos fãs de ajudarem seu piloto favorito: será feita uma votação através do site oficial da competição, no link www.fanboost.fiaformulae.com, e os 3 pilotos mais votados pelos fãs ganharão um "bônus" de 5s de potência "extra" para ser usada durante a corrida. Dos 202,5 HPs disponíveis, poderão usar 243 HPs, que muito provavelmente deverá ser utilizado na realização de alguma ultrapassagem e/ou defesa de posição. Caberá ao piloto, se "premiado" por sua base de fãs, escolher como usar melhor este "presente". Ao abraçar as redes sociais e a internet, a F-E procura evitar os erros cometidos pela direção da F-1, que praticamente ignora a força da rede mundial como aliada de sua promoção e divulgação. O objetivo é atrair e manter a atenção da geração "plugada" dos jovens de hoje.
            O campeonato também tem o desafio de cativar os fãs do automobilismo. Espera-se que possam oferecer boas corridas, de forma a prender a atenção do público, presente nos autódromos montados, bem como nas transmissões da TV. A Fox Sports comprou os direitos de transmissão do campeonato, e promete levar as corridas para nada menos do que 80 países, Brasil incluso. A onda da ecologia é um filão que muitas empresas estão dispostas a explorar, pois sabem que o domínio de tecnologias mais limpas será um grande trunfo para os negócios, pois o público consumidor está cada vez mais consciente e exigente. Por isso, não é de se estranhar a participação de uma empresa como a Audi logo de cara. A marca apresentou há pouco tempo atrás nos protótipos um motor movido a diesel, e atualmente, usa motores híbridos na Endurance, e nada mais natural que estar marcando presença também no primeiro campeonato de carros totalmente elétricos.
            Os planos são de expandir o campeonato, chegando a 16 etapas, e atrair mais grupos dispostos a investir no conceito dos carros ecológicos, ampliando os estudos e desenvolvimento da tecnologia. Outro desafio grande será evitar que a F-E siga o mesmo caminho de outros campeonatos que prometiam bons desafios, mas que definharam após algum tempo, como a A1GP, a Formula Superleague, ou a GP Masters. Para tanto, é preciso que os pilotos marquem participação firme no campeonato, e não vejam o certame como uma competição "tampão", que irão disputar unicamente se não tiverem compromissos em outras competições.
            Ainda é muito cedo para dizer que a F-E irá revolucionar a tecnologia dos carros de competição com seus motores elétricos, mas promete ser interessante. Então, liguem seus motores...ou melhor dizendo: liguem suas tomadas!
Bruno Senna será um dos pilotos brasileiros que disputarão o campeonato, ao lado de Lucas Di Grassi e Nelsinho Piquet.


Confiram o calendário do primeiro campeonato da Fórmula E, bem como a listagem de seus respectivos participantes (sujeita a mudanças de acordo com a etapa):

CALENDÁRIO:

DATA
ETAPA - PAÍS
13.09.2014
Pequim - China
22.09.2014
Putrajaya - Malásia
13.12.2014
Punta Del Este - Uruguai
10.01.2015
Buenos Aires - Argentina
14.02.2015
A definir
14.03.2015
Miami - Estados Unidos
04.04.2015
Long Beach - Estados Unidos
09.05.2015
Monte Carlo - Mônaco
30.05.2015
Berlim - Alemanha
27.06.2015
Londres - Grã-Bretanha

EQUIPES E PILOTOS:

EQUIPE
PILOTOS
Amlin Aguri
Katherine Legge
Takuma Sato
Andretti Formula E
Frank Montagny
Charles Pic
Audi Sport Abt
Lucas Di Grassi
Daniel Abt
China Racing
Nélson Angelo Piquet
Ho-Pin Tung
Dragon Racing
Jerome D'Ambrosio
Oriol Sérvia
E-Dams Renault
Nicolas Prost
Sébastien Buemi
Mahindra Racing
Karun Chandhok
Bruno Senna
Trulli
Jarno Trulli
Michela Cerruti
Venturi
Nick Heidfeld
Stéphane Sarrazin
Virgin Racing
Jaime Alguerssuari
Sam Bird


Além da parceria Takuma Sato/Aguri Suzuki, outra parceria que é retomada pela F-E é entre o indiano Karun Chandhok e o brasileiro Bruno Senna. Ambos foram colegas de equipe pela escuderia Hispania em 2010, quando o time espanhol estreou na F-1. Ambos defenderão a Mahindra Racing, time indiano que competirá no certame dos carros elétricos.
O visual dos carros ficou legal. Que as corridas também sejam, e com boas disputas.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

ARQUIVO PISTA & BOX - FEVEREIRO DE 1997 - 28.02.1997



            Voltando com a seção Arquivo, trago hoje minha coluna do dia 28 de fevereiro de 1997, onde o assunto em pauta era a maratona que é cobrir um campeonato mundial, e as peripécias que jornalistas passam para levar a notícia das provas até os leitores do mundo todo. Logicamente a tecnologia mudou muito nestes últimos tempos, e hoje a internet é tanto uma aliada quanto uma dor de cabeça: se por um lado tornou-se mais prático e rápido enviar arquivos para qualquer parte do mundo, a difusão de notícias a torto e a direito, muitas vezes sem comprovação de confirmação, ajudam a espalhar muita coisa que não tem credibilidade. A informação ficou mais democrática, e em diversos lugares, a net hoje ajuda muitos a conseguirem também as notícias que dificilmente seriam viáveis por outros meios.
            Mas o trabalho, tanto naqueles tempos quanto hoje em dia, continua duro e por vezes, tremendamente complicado. A F-1 também ficou muito mais insossa e cheia de mimimis, e isso também se reflete no contato dos profissionais do meio com a imprensa. No campo técnico, houve grandes melhorias, já no humano, a situação é bem mais difícil, pra não falar de certas burocracias, um monstro que o homem inventou que sempre parece crescer cada vez mais. Fiquem agora com o texto, e boa leitura. Em breve, tem mais textos antigos por aqui...


A MARATONA DO MUNDIAL

            Está para começar mais um Campeonato Mundial de Fórmula 1. Um campeonato cansativo e duro para pilotos e equipes. Mas não são apenas eles que dão duro no trabalho durante todas as etapas do certame. Para a imprensa, a parada também é dura e desgastante. Como é um campeonato mundial, é hora de pôr o pé na estrada e partir para os mais variados lugares do planeta. A primeira parada é em Melbourne, na Austrália, onde teremos a prova inicial do campeonato. Além da viagem, é preciso reservar tudo com antecedência: passagens, reservas em hotéis, acertar os detalhes das credenciais, vistos e passaportes, etc. Deixar para fazer isso no último momento significa muitas dores de cabeça e perda de tempo com a burocracia, que não é pouca.
            Para a imprensa especializada, o problema das credenciais é mais fácil de ser resolvido, mas mesmo assim a papelada cansa muita gente. São diversos documentos a serem assinados até conseguir a credencial para entrar na área dos boxes e demais dependências restritas dos autódromos. Uma vez resolvida a questão de toda a burocracia esportiva, é hora de arregaçar as mangas e partir para o trabalho.
            E tome trabalho. O ritmo dos repórteres muitas vezes tem de acompanhar os eventos na mesma velocidade com que um carro de F-1 percorre o traçado dos circuitos. Cobrir um Grande Prêmio não se resume a ficar na sala de imprensa assistindo o movimento e recebendo as cronometragens dos carros. É preciso sair a campo e garimpar os acontecimentos, o que nem sempre é fácil. No fechado círculo da F-1 hoje em dia ninguém se abre com ninguém, a não ser que seja de total confiança, e também é preciso faro para encontrar a verdade, nem sempre aberta, mas escondida nas entrelinhas de comunicados, entrevistas e declarações. Isso sem falar na boataria que corre solta nos bastidores de cada corrida, com informações que vão das mais elaboradas hipóteses até as mais absurdas e inverossímeis.
            Cada fim de semana de GP é feito em ritmo de trabalho praticamente integral. Os acontecimentos não se restringem somente ao que ocorre na pista, mas também aos eventos sociais que são promovidos durante a semana de realização do GP. Todos têm de ser acompanhados com atenção tanto quanto possível. E geralmente sempre acontece algo de interessante nestas ocasiões.
            O trabalho também varia. De acordo com o profissional, ele pode atuar em várias áreas, distintas ou comuns. Há fotógrafos, jornalistas e repórteres trabalhando todos ao mesmo tempo. Fotógrafos têm de escolher os melhores locais para se posicionarem e obter as melhores imagens da corrida. Repórteres relatam os eventos em textos. E há quem relate os eventos e fotografe também, o que significa muito mais trabalho. E os prazos urgem nesse ramo.
            Para quem trabalha em jornal, o prazo é curto. Todo o material tem de estar pronto para ser publicado na edição do dia seguinte, e a matéria tem de ser entregue até a hora de se fechar a edição. Quando se trata de revistas especializadas, o prazo é um pouco maior, e permite relacionar melhor os eventos e diagramar melhor os fatos. Mas mesmo assim o ritmo de trabalho é bem puxado.
            É inegável que hoje as condições de trabalho são infinitamente melhores do que há muitos anos atrás. As salas de imprensa nos autódromos são equipadas com dispositivos de ponta em comunicação: faxes, fotocopiadoras, computadores, etc, todos permitindo ligações on-line, via satélite, com as redações, seja em qual parte do mundo estiverem. No caso do pessoal da TV, as coisas também ficaram mais fáceis, com inúmeros equipamentos que permitem melhores qualidades de reportagem com o mínimo de estorvo e desconforto. Para os fotógrafos, nada a preocupar: desde há inúmeros GPs, a FOTA (Associação dos Fotógrafos de Grandes Prêmios) garante em cada GP a provisão de um laboratório digital para revelação fotográfica, ao mesmo tempo que garante fornecimento de materiais fotográficos aos profissionais. Se isso facilita o trabalho da imprensa especializada, por outro lado também ajuda a aumentar o grau de exigência do profissional, que por ter mais tempo disponível, teoricamente deve conseguir mais notícias, uma vez que antigamente, o tempo dispendido na transmissão das matérias era muito maior do que nos dias de hoje.
            Esta é a maratona vivida pela imprensa em cada GP da F-1. É um trabalho árduo e exigente, tal como o dos pilotos e suas equipes. Mas é um trabalho realizado por gente que ama o automobilismo, em sua maioria. Geralmente o profissional de imprensa é um aficcionado pelo automobilismo. E esta paixão pelo meio ajuda sobretudo a enfrentar as dificuldades da profissão com paciência e dedicação.


Vai começar o círculo da velocidade: neste domingo, às 15h30 (hora de Brasília), a F-CART dá a largada para o seu campeonato de 1997, no circuito de Homestead, em Miami, na Flórida. Depois dos inúmeros testes desde o fim do último campeonato, só há uma certeza: a equipe Ganassi ainda será o time a ser batido. Alessandro Zanardi e Jimmy Vasser largam como favoritos para a conquista do título deste ano, com especial destaque para o piloto italiano, que deixou todos para trás nos testes de Laguna Seca, há cerca de duas semanas. Verdade ou não, a concorrência está disposta a acabar com o favoritismo da Ganassi. E candidatos não faltam para a briga: Maurício Gugelmim, Michael Andretti, Christian Fittipaldi, Al Unser Jr., Paul Tracy, Bobby Rahal, André Ribeiro, Gil de Ferran, etc. Da brigada brasileira, as melhores fichas estão com Maurício Gugelmim. André Ribeiro e Gil de Ferran ainda não conseguiram acertar a fundo seus novos carros 97. Já Christian Fittipaldi confia no potencial do novo chassi Swift, cuja performance, apesar dos bons tempos obtidos até aqui na pré-temporada, ainda é uma incógnita. Enquanto isso, Roberto Moreno tenta um ano melhor do que o de 96, contando com um equipamento de melhor nível; e Guálter Salles tentará fazer o possível com o carro de 96, já que a equipe Davis não conseguiu receber o chassi 97 da Reynard, o que pode comprometer boa parte da performance que era esperada pela mais nova fera brasileira no circo. A transmissão para o Brasil será feita pela TVS/SBT. A narração fica por conta de Téo José, com reportagens de Luiz Carlos Azenha, e comentários de Dedê Gomes. Para este ano, as cotas publicitárias da F-CART na TVS/SBT foram adquiridas pela Philco, Brahma, Ford e Texaco. E, só para constar, a emissora está anunciando o campeonato da categoria como “CART – FÓRMULA MUNDIAL”. Vai ser dada a largada! É hora de acelerar os motores e começar a torcida. Que venha a bandeira verde...
 


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

E A PENSKE SAI DA FILA; WLL POWER FINALMENTE DESENCANTA


Tim Cindric, Will Power (ao centro), e Roger Penske: acabando com o jejum de títulos da escuderia desde 2006 e com o australiano finalmente conquistando o campeonato na Indy Racing League.

            Depois de bater na trave nas últimas temporadas, Roger Penske enfim pode comemorar novamente um título. No sábado passado, seu time conquistou pela segunda vez o campeonato da Indy Racing League, categoria que passou a disputar desde 2002, e que até então tinha vencido apenas em 2006, com o piloto americano Sam Hornish Jr. Agora, a conquista foi com o australiano Will Power, que assim como o time, vinha batendo na trave nas últimas temporadas, criando a fama de pé frio nas decisões de última etapa, por perder sempre para os concorrentes.
            O trabalho de Power, contudo, por pouco não ficou mais complicado do que já parecia inicialmente. Uma punição a Hélio Castro Neves por cruzar a linha branca na parte final da corrida jogou o brasileiro, que largara na pole e vinha se mantendo sempre entre os primeiros colocados, para o meio do pelotão, sem chances de impedir a conquista do título por parte do parceiro. Power, por sua vez, largara na última fila, com problemas na classificação, mas em se tratando de uma prova de 500 milhas, como era a etapa final do campeonato, em Fontana, aliado ao fato de a pontuação ser dobrada, tudo podia acontecer, e nem mesmo os 50 pontos de vantagem para Helinho eram garantia de favoritismo.
            O grid, aliás, certamente trazia o fantasma da derrota vivenciado nas temporadas de 2010, 2011, e 2012, quando o australiano chegou para a etapa final com boa vantagem, e acabou, nas 3 ocasiões, sucumbindo aos rivais, em derrotas que pareciam impossíveis. Com Hélio, o único rival real no campeonato, largando na frente, parecia que o cenário iria se repetir. Mas, com mais experiência, e mantendo-se longe de qualquer encrenca na pista - que aliás a etapa de Fontana praticamente não teve, Power chegou a subir para a liderança na segunda metade da corrida, e mesmo que Hélio vencesse, estaria garantindo o título sem riscos e por uma larga margem. Mas, após a última parada de box, seu carro passou a perder rendimento, de modo que ele acabou em um até modesto 9° lugar. Mas se Hélio não tivesse cometido o erro que causou sua penalização, poderia ser o brasileiro a estar comemorando o título, enquanto Power estaria amargando o 4° vice-campeonato em 5 temporadas.
            Para Roger Penske, a temporada 2014 foi a redenção de seu time, que apesar de nunca ter estado longe da luta pelo título nos últimos anos, vinha amargando um jejum incômodo de vice-campeonatos para quem possui a maior escuderia da competição. Apesar do ano ter sido bem equilibrado em termos de pilotos vencedores, a Penske foi o time com maior número de vitórias - 5, e seus pilotos se mantiveram quase sempre entre os primeiros nos resultados das corridas ou quando isso não aconteceu, trataram de pontuar sempre dentro do Top-10. Essa constância, aliada ao fato dos concorrentes digladiarem-se entre si, pulverizando os resultados, ajudou na conquista do campeonato. E, diferente do que ocorrera nas últimas temporadas, os principais favoritos ao título na etapa final deste ano eram dois de seus pilotos, enquanto o único que ainda tinha chances de título de um time rival, Simon Pagenaud, só levaria o campeonato por um milagre imenso. Ia dar Will ou Hélio, e desde sempre Roger enfatizou que não havia ninguém "escolhido" para ser o campeão, procurando demonstrar que não haveria nenhuma ordem de equipe para manobrar a corrida de ambos. Venceria quem fosse o melhor. Deu Power.
            Outro motivo de orgulho para Roger Penske foi sua aposta em Juan Pablo Montoya. O colombiano deixou a Nascar, após competir por várias temporadas, com a moral em baixa, com perspectiva até de encerrar a carreira por falta de opções para competir este ano. Mas foi só Michael Andretti abrir negociações para tentar contratar Montoya para seu time que Penske foi mais rápido no gatilho e assegurou um lugar para o colombiano em seu time para 2014. Com uma Ganassi que havia perdido Dario Franchiti, mas se reforçava com a presença de Tony Kanaan, reconhecido com um dos pilotos mais combativos e técnicos do grid, era preciso reforçar a aposta para 2014. Mas ficava a dúvida se Montoya, que não competia em monopostos desde que deixou a F-1 em 2006, voltaria exibindo a velha forma que mostrou na Ganassi na finada Fórmula Indy, onde foi campeão em 1999. Juan Pablo realmente começou deixando a desejar nas primeiras corridas, mas conforme o campeonato avançava, o piloto ia se acostumando mais ao carro e à dinâmica da competição, e mostrou que ainda tem o que mostrar. Seu ponto alto foi a vitória nas 500 Milhas de Pocono, e por pouco Montoya não terminou o campeonato em 3° lugar. Ficou em 4°. O "intrometido" foi Scott Dixon, que finalizou o ano em 3° lugar. Assim, Roger Penske conseguiu o resultado "quase" perfeito de ter seus 3 pilotos nas 4 primeiras posições do campeonato.
            Mas quem finalmente tirou um peso das costas foi Power. O australiano havia iniciado sua carreira na América do Norte ainda na finada Fórmula Indy, tendo estreado em 2005 na equipe Walker, onde disputou apenas duas corridas. Naquele ano, Will ainda disputava a World Series by, Renault pela equipe Carlin, e também a A1GP, defendendo o time de seu país. Só em 2006 ele entraria de vez na Fórmula Indy, competindo por todo o campeonato, defendendo a escuderia de Derrick Walker, finalizando a competição em 6° lugar. No ano seguinte, ele venceria suas primeiras corridas na categoria, em Las Vegas e Toronto, terminando o ano em 4° lugar. Com a extinção da Fórmula Indy no início de 2008, Power ainda venceu a última corrida daquele certame, em Long Beach. No mesmo ano, ingressou na Indy Racing League, defendendo a KV Racing, onde fez todo o campeonato, terminando em 12° colocado.
            Em 2009, com os problemas judiciais junto ao fisco americano que ameaçaram mandar Hélio Castro Neves para a cadeia, Roger Penske contratou o australiano para ocupar o lugar do brasileiro até que este terminasse de enfrentar seu julgamento. Will participou normalmente da primeira corrida, em São Petesburgo, mas em Long Beach, Hélio já estava de volta, livre da justiça americana, que o inocentou. Como Power já tinha iniciado os treinos com o time, ele ainda participou da corrida em um carro extra, e o bom desempenho do piloto lhe garantiu a participação em mais algumas corridas da temporada. Em Sonoma, entretanto, o piloto foi vítima de um forte acidente que inviabilizou sua participação pelo restante do ano. Mas, para 2010, estava garantido na Penske como titular em tempo integral, substituindo Ryan Briscoe.
            A estréia como titular integral na Penske foi arrasadora: Power venceu as duas primeiras provas da temporada, e passava a ser o homem a ser batido nas pistas mistas e urbanas. Foram 5 vitórias na temporada, mas seu desempenho nos circuitos ovais foram seu calcanhar de Aquiles, e perdeu a decisão final, em Homestead, para Dario Franchiti, da Chip Ganassi. Em 2011, de novo Power parecia imbatível nas pistas não-ovais, vencendo nada menos do que 6 corridas, sendo uma delas em circuito oval - Texas. Nova decisão, e nova derrota, agora em Las Vegas, pelo cancelamento da corrida após a morte de Dan Wheldon no pavoroso acidente que envolveu a maioria dos competidores naquela prova. O título, novamente, ficou com Dario Franchiti. Em 2012, o australiano novamente começou arrasando, com 3 vitórias consecutivas, mas foi perdendo o domínio esmagador que parecia exercer nos circuitos mistos e urbanos. Mas foi para uma nova decisão de título, agora em Fontana, e pela terceira temporada consecutiva, ficava com o segundo lugar no campeonato, perdendo agora o título para Ryan Hunter-Reay, da Andretti Autosport.
            No ano passado, o australiano começou o campeonato praticamente irreconhecível, cometendo erros diversos e sem conseguir mostrar a performance dos anos anteriores. Hélio Castro Neves, que havia ficado à sombra de Power no time nas temporadas anteriores, é quem disputava o título agora para a Penske. O australiano só foi se reencontrar na segunda metade do campeonato, e com 3 vitórias - a última dela, na pista oval de Fontana, terminou o ano em 4° lugar. Neste ano, mais experiente, começou o ano com vitória, e passou a fazer uso melhor da constância de resultados, travando um duelo até renhido com Hélio, e finalmente chegou ao título.
            Sem o peso das derrotas em anos anteriores, Power tem tudo para vir ainda mais forte em 2015, procurando o bicampeonato. Mas a parada dentro da própria Penske, que pela primeira vez em sua história usará os números 1, 2 e 3 em seus carros, promete ser duríssima: Hélio, apesar da derrota pelo segundo ano consecutivo, já mira a próxima temporada, onde continuará defendendo a Penske, e Juan Pablo Montoya, já plenamente adaptado à categoria, não vai querer ficar na sombra dos companheiros de time. E não se pode esquecer dos concorrentes, que tem suas próprias idéias. Quem viver, verá...
            Mas, por hora, é o momento de Roger Penske e seus comandados comemorarem como nunca, e com muito merecimento...


Eles ainda podem sorrir juntos, mas o clima de camaradagem foi para o espaço. A ordem da Mercedes é apenas uma: não bater um no outro. Conseguirão cumpri-la?
A Fórmula chegou a Monza com os bastidores ainda fervilhando de especulações sobre o toque ocorrido em Spa-Francorchamps entre a dupla da equipe Mercedes, Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Em nova reunião realizada semana passada, a direção da escuderia alemã reafirmou seu objetivo de manter a luta entre seus pilotos totalmente liberada na pista, sem as famigeradas ordens de equipe. Ficou claro, contudo, que ambos os pilotos levaram uma chamada de atenção daquelas, e que terão de obedecer a única regra que desde o início do ano o time sempre fez questão de enfatizar: não baterem ou tocarem um no outro nas corridas. Tanto Hamilton quanto Rosberg deram declarações "comportadas" depois disso, em consonância com as diretrizes do time, mas que ninguém se iluda: o clima dentro da escuderia continua pesado, e muitos apostam que não vai demorar muito até termos um novo incidente, que para alguns, pode ocorrer aqui mesmo em Monza. A pista italiana é a mais veloz do mundial, com longas retas que devem favorecer, mais do que nunca, os motores da Mercedes. Graças à potência dos motores turbos, que é despejada mais rápido, todos apostam que as velocidades de ponta na pista devem bater novos recordes, superando a marca dos 370 Km/h. Em Spa-Francorchamps, a Red Bull surpreendeu a todos com o uso de uma asa traseira minúscula, que ajudava seu carro a ter uma velocidade de reta até maior que a da Williams, tida como mais forte neste quesito, mas em Monza todos os times costumam usar asas mínimas, para maximizar as velocidades de reta, uma vez que as curvas e chicanes são poucas, e isso pode neutralizar o ganho obtido pelo time dos energéticos com sua nova asa. O percentual de aceleração dos motores também é bem mais elevado que Spa, sendo as unidades levadas ao limite por um tempo ainda maior. Com 29 pontos de vantagem na liderança, Nico Rosberg não sai daqui sem perder a liderança, mas certamente pode querer tentar concluir o fim de semana sem causar problemas para não ficar novamente como o "vilão" da história. Para Hamilton, é tudo ou nada, e o piloto inglês sabe que, se quiser ser campeão, terá de vencer ou vencer. E, depois de finalmente ter saído como "vítima" na prova belga, espera-se que não tumultue o ambiente no time, que teoricamente está pendendo no momento a seu favor. Mas claro que isso é apenas especulação: para alguns, Nico e Lewis podem até falar tudo ensaiado, mas nenhum deles vai querer ficar atrás do outro em nenhum momento. Resta saber se irão se controlar, como fizeram no espetacular duelo travado na etapa do Bahrein, ou se irão partir para o tudo ou nada e dane-se o restante. Na coletiva de imprensa desta quinta-feira, deu para notar o clima "gelado" entre a dupla da Mercedes, e ver que o relacionamento de ambos não é mais o mesmo. Claro que juraram que o clima dentro do time não está ruim, etc e tal, mas duvido que a maioria do resto do pessoal na sala tenha acreditado nisso...


A curva Parabólica ganhou asfalto em parte de sua área de escape. Estava demorando para acontecer... Dizem que foi solicitação dos pilotos. Isso está definitivamente perdendo a graça...


Hélio Castro Neves pode ter perdido o título da temporada 2014 da IRL, mas pelo menos a vitória na etapa final em Fontana foi brasileira: Tony Kanaan encerrou sua primeira temporada competindo pela Ganassi com uma vitória para lavar a alma no California Speedway. Depois de bater na trave em várias corridas na segunda metade do campeonato, e perder oportunidades potenciais em outras etapas por problemas alheios a se controle, Tony não deu chance para o azar na corrida final, e comandou uma bela dobradinha de seu time, com Scott Dixon em 2° lugar. Com o resultado, Kanaan terminou a competição em 7° lugar, com 544 pontos. Dixon, com duas vitórias no ano, foi 3° colocado, com 604, mas o brasileiro não se incomoda em ter terminado o ano atrás do companheiro de equipe. Sabe que teve resultados abaixo do esperado pela sua adaptação ao novo time, e que assim que encaixou todos os pormenores, andou sempre no mesmo nível e até à frente de Dixon. O neozelandês, tricampeão da categoria, pode se preparar, que o piloto baiano virá com tudo em 2015...

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

FLYING LAPS - AGOSTO DE 2014



            E setembro já chegou. O ano parece estar andando tão rápido quanto os carros na pista em suas corridas nas várias categorias existentes no mundo todo. E todo início de mês tem o espaço das notas rápidas sobre alguns dos acontecimentos ocorridos no mês anterior e que não foram mencionados nas colunas regulares. Portanto, é hora de mais uma sessão Flying Laps, com várias anotações de alguns momentos do mundo da velocidade. Uma boa leitura a todos, e até a próxima sessão no mês que vem...


Encerrou-se a edição 2014 do Rali dos Sertões. A competição desse ano teve 7 dias de disputa, entre os dias 23 e 30 de agosto. A largada foi em Goiânia, capital do Estado de Goiás, com a chegada, no dia 30, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. No percurso, os competidores passaram por Caldas Novas, Catalão, Paracatu, São Francisco, e Diamantina, antes de chegarem à Belo Horizonte. Mais de 120 participantes estiveram presentes na edição deste ano, e a competição teve os seguintes vencedores: Marc Coma (motos), Robert Nahas (quadriciclos), Vinicius Mota e Rafael Shimuk (UTVs), Guiga Spinelli e Youssef Haddad (carros), e o trio Edu Piano/Solon Mendes/Antonio Sales (caminhões).


A Hyundai foi a vencedora do Rali da Alemanha de 2014. O belga Thierry Neuville faturou a competição, aproveitando-se dos azares dos pilotos da equipe da Volkswagen, Sebastién Ogier e Jari-Matti Latvala. O resultado, entretanto, pouco muda o panorama do campeonato, amplamente dominado até aqui pela dupla da Volkswagen, que segue firme e longe na liderança da competição. O maior derrotado, aliás, foi justamente Latvala, que tentava aproveitar a chance de diminuir sua desvantagem para seu companheiro de equipe, Ogier, quando acabou se acidentando também com seu carro. Ogier continua com 187 pontos, enquanto Latvala segue com 143. O finlandês havia obtido uma vitória suada em cima do companheiro Ogier na etapa anterior, disputada justamente em sua terra natal, a Finlândia. Com o abandono de Ogier logo no primeiro dia de competições na prova alemã, Latvala certamente achou que a sorte estava lhe sorrindo numa possível reação no campeonato, para embolar a briga com Sebastién. Mas provas off-road costumam ser cheias de surpresas, e quem acabou faturando foi a equipe da Hyundai, que conquistou a primeira vitória não-Volkswagen do atual campeonato. Com a vitória na etapa germânica, Thierry Neuville empatou com o finlandês Miko Hirvonen, ambos com 73 pontos.


E Robert Kubica parece que anda gostando de se envolver em acidentes com seu carro no Mundial de Rali. O piloto polonês acabou vendo o mundo novamente de ponta cabeça tanto nas etapas da Finlândia quanto da Alemanha. Os estragos no carro, nestas ocasiões, foram leves, mas fortes o suficiente para acabarem com quaisquer pretensões de um bom resultado em ambas as etapas. O melhor de tudo é que Kubica felizmente não tem se machucado com estes percalços. Mas a melhor notícia mesmo para Robert é que seu nome é considerado para ser um dos titulares da equipe Citroen para a próxima temporada. Segundo rumores no meio, o norueguês Mads Ostberg não estaria agradando à direção da escuderia, que já estaria sondando possíveis nomes para substituí-lo no próximo ano. E Kubica, em que pese parecer estar dando mais voltas em torno de si do que nos traçados das etapas, é levado em alta consideração por parte da marca francesa. Um reconhecimento à grande capacidade de Kubica, que depois de seu fortíssimo acidente há alguns anos, teve de encerrar sua carreira na F-1, mas mostrou nos ralis que seu grande talento de piloto continua intacto. Mas, pelo sim, pelo não, melhor a Citroen reforçar seu time de mecânicos e o seguro de seus carros, caso efetive a contratação do polonês, só por garantia...


E a hegemonia de Marc Márquez na MotoGP sofreu um abalo momentâneo na corrida da República Tcheca, disputada no autódromo de Brno. O atual campeão teve seu pior momento na temporada atual, e depois de alguns pegas acirrados na etapa, acabou terminando a prova "apenas" na 4ª colocação, sendo a primeira prova fora do pódio que o espanhol termina desde a etapa da Austrália, no ano passado, quando foi desclassificado por trocar de moto fora do intervalo permitido. Mas a vitória na etapa ainda foi da equipe oficial da Honda: Dani Pedrosa, que vinha tendo uma temporada apenas morna e à sombra do parceiro campeão de equipe, voltou a brilhar, e depois de bons pegas com a dupla da Yamaha, conquistou sua primeira vitória no ano, e a primeira desde a prova da Malásia do ano passado. Mesmo assim, Pedrosa teve de dar duro para voltar ao degrau mais alto do pódio, pois foi perseguido incansavelmente por Jorge Lorenzo até a bandeirada final, com uma diferença de apenas 0s4 para o piloto da Yamaha. Valentino Rossi completou o pódio, logo atrás.


Quem achava que 10 vitórias já estava de bom tamanho para o atual campeão da MotoGP sinceramente não conhece o apetite de Marc Márquez por vitórias. E a "Formiga Atômica" tratou de mostrar, na etapa de Silverstone, que o "mau" resultado em Brno foi apenas ocasional. Márquez travou novamente um duelo renhido com Jorge Lorenzo, e conquistou na Inglaterra sua 11ª vitória na temporada, igualando a marca de Valentino Rossi obtida em 2005, quando o "Doutor" foi campeão com 11 triunfos. A Lorenzo restou novamente o 2° lugar, depois de outra corrida onde deu tudo por tudo, e não conseguiu impedir nova vitória da rival Honda. E, tal como em Brno, Valentino Rossi fechou novamente o pódio, mantendo-se firme na cola de Dani Pedrosa na classificação do campeonato. Pedrosa, aliás, bem que tentou repetir o desempenho da etapa da República Tcheca, mas desta vez foi ele quem ficou de fora do pódio. O Mundial da MotoGP ainda tem 6 etapas até o final do campeonato, com a próxima etapa marcada para o dia 14 de setembro, no circuito italiano de Misano. Mas a distância que Márquez vai abrindo dos concorrentes é cada vez maior: com 288 pontos, Marc tem nada menos do que 89 pontos de vantagem para Dani Pedrosa, com 199. Este, por sua vez, vem sendo impiedosamente perseguido por Rossi, que vem logo atrás com 189 pontos. Ainda se recuperando a primeira metade da temporada, quando teve um desempenho abaixo da média, Jorge Lorenzo firmou-se na 4ª colocação, com 157 pontos.


O retrospecto de Marc Márquez na MotoGP, onde estreou no ano passado, é quase impecável: em apenas 3 corridas o jovem espanhol deixou de subir ao pódio. Em 2013, ele ficou sem ir ao pódio nas etapas de Mugello e Phillip Island, enquanto neste ano, esteve ausente em Brno. Em 30 corridas disputadas até a corrida de Silverstone, foram nada menos do que 17 vitórias. Alguém será capaz de deter o jovem campeão espanhol, que rumo inclemente para o bicampeonato? Quem se candidata...?


O campeonato da Stock Car está ficando bem embolado, com nada menos do que 9 pilotos diferentes vencendo corridas no campeonato deste ano. Após as etapas de Cascavel e Curitiba, ambas disputadas no esquema de rodadas duplas, a liderança da competição está com o piloto Átila Abreu, com 119,5 pontos. Rubens Barrichello, depois de faturar a Corrida do Milhão, em Goiânia, ainda venceu outra prova em Cascavel, e subiu novamente ao pódio em uma das provas de Curitiba, assumindo a vice-liderança da competição, com 113 pontos. E logo atrás do recordista de participações da F-1 vem Sérgio Gimenez, com 109 pontos. Cacá Bueno é o 4° colocado na competição, com 100 pontos, à frente de Júlio Campos, com 98,5 pontos. Praticamente empatado com Campos está Valdeno Brito, com 98 pontos. Seguem Thiago Camilo (94 pontos), Marcus Gomes (91), Antônio Pizzonia (79,5) e Ricardo Mauricio (75,5), fechando os 10 primeiros colocados no campeonato. Ainda tem mais 5 etapas no campeonato, todas em rodadas duplas, e a próxima é no dia 14 de setembro, no circuito de Velopark. Depois, no dia 28, a Stock estará em Santa Cruz do Sul. A categoria fica de molho durante o mês de outubro, retornando apenas em novembro para as etapas finais em Tarumã (dia 02), Salvador (dia 15), e Curitiba (dia 30).