quarta-feira, 16 de abril de 2014

ESPECIAL ENDURANCE



            Domingo começa o Mundial de Endurance, e hoje trago um pequeno texto sobre a categoria e o campeonato deste ano. Boa leitura a todos...


ENDURANCE 2014: GUERRA A TRÊS?

Audi é a favorita destacada, mas a Toyota quer o trono dos alemães, que terão a Porshe de volta para contestar a preferência dos germânicos



Adriano de Avance Moreno

A Endurance 2014 promete assistir a uma luta titânica entre a campeã Audi e as desafiantes Porshe (ao centro) e Toyota.
            Começa neste domingo o Campeonato Mundial de Endurance, composto de provas de longa duração, que há 3 anos atrás foi lançado pela FIA de modo a resgatar o charme da velha categoria Esporte-Protótipos. Como nos dois primeiros anos, serão 8 corridas disputadas na maior parte do mundo, com o destaque sendo as famosas 24 Horas de Le Mans, em junho, a prova mais importante da competição, e um verdadeiro desafio de velocidade e resistência para todos os participantes. Em todas as demais provas, a duração é de 6 horas.
            Depois de reinar absoluta no ano passado, a Audi entra em 2014 novamente como o time a ser batido na principal categoria, a LMP1. A Toyota, que desde o início sempre foi a maior (e única) rival do time das quatro argolas, vem novamente prometendo abalar o domínio dos alemães, promessa que já havia sido feita em 2013, mas que ficou apenas na promessa, já que o time da Audi dominou amplamente a competição. A briga entra para seu 3° round em 2014. Resta saber se a esquadra nipônica conseguirá cumprir sua ameaça.
            A maior novidade é a entrada oficial da Porshe, que deve apimentar a briga na categoria LMP1. A marca alemã, que contabiliza nada menos do que 16 vitórias nas 24 Horas de Le Mans, entra no certame disposto a derrubar a supremacia da rival alemã Audi. A fábrica alemã gastou o ano passado se preparando adequadamente para o desafio, e pelo retrospecto da Porshe, ela é bem capaz de conseguir destronar a Audi, com mais chances até do que a Toyota, mesmo com a experiência dos japoneses nas temporadas dos últimos dois anos.
            O modelo Porshe 919 Hybrid, assim como o já consagrado Audi R18 e-tron quattro é equipado com motor híbrido. O carro é impulsionado por um inédito motor V-4 turbo de 2 litros, capaz de gerar cerca de 500 HPs de potência. Aliado ao motor ainda temos o sistema de recuperação de energia (ERS), similar ao da F-1, que oferece um complemento de 250 HPs de potência. O carro atinge cerca de 300 Km/h, e possui um tanque de combustível de aproximadamente 67 litros de capacidade. A máquina impressiona, e segundo a Porshe, o modelo foi intensivamente projetado dentro do regulamento técnico do WEC, e que eles se orgulham do que produziram. E se a máquina se mostrar vencedora, podem mesmo se orgulhar com todos os méritos.
Campeã nos últimos dois anos, a Audi é a franca favorita e quer o tricampeonato este ano.
            Mas dificilmente a Audi vai entregar o trono sem uma boa luta. O modelo R18 continua sendo evoluído pela marca, e assim como aconteceu no ano passado, quando a Toyota pretendia surpreender os alemães e acabou nocauteada, a Porshe pode se preparar para uma briga das boas. Ausente há mais de 10 anos das provas de longa duração, a Porshe certamente poderá sentir a falta de experiência recente, algo que a rival Audi já tem de sobra. Na cada das 4 argolas, a principal mudança é a entrada de Lucas Di Grassi, que substitui o agora aposentado Allan McNish. O piloto brasileiro, que já guiou para o time alemão em algumas corridas do campeonato, quando alinharam um 3° carro, agora irá integrar o principal carro da competição, que foi campeão em 2013. Lucas terá a seu lado o dinamarquês Tom Kristensen e o francês Loic Duval no carro N° 1. Pelo seu lado, a Porshe terá o australiano Mark Webber, ex-F-1, no carro N° 20, ao lado dos pilotos Timo Bernhard e Brendon Hartley. No carro N° 14, a marca terá Romain Dumas, Neel Jani, e Marc Lieb. Para enfrentar esse pessoal, no carro N° 2 a Audi conta com o talento do trio Marcel Fässler, André Lotterer, e Benoit Tréluyer.
A Toyota promete fazer o possível para que a disputa não fique restrita aos rivais alemães.
            Para se intrometer nessa briga germânica, a Toyota alinhará 2 carros em tempo integral na competição, disposta mais do que nunca a quebrar a hegemonia da Audi, e evitar que o campeão de 2014 continue sendo alemão. No carro N° 7, conduzindo o modelo Toyota TS 040 - Hybrid teremos o trio Alexander Wurz, Stéphane Sarrazin, e Kazuki Nakajima; no carro N° 8 a marca conta com Anthony Davidson, Nicolas Lapierre, e Sébastien Buemi. O último time da categoria LMP1, a Rebellion, terá de se contentar com as sobras do embate deste trio de gigantes, esperando não fazer feio com seus modelos Lola B12/60 - Toyota, o que vai ser meio difícil.
            Ao todo, o calendário terá 8 etapas, que começam neste fim de semana, com as 6 Horas de Silverstone, na Inglaterra. Depois, teremos a etapa de Spa-Francorchamps, na Bélgica, antes de seguirmos para a mítica 24 Horas de Le Mans, no famoso circuito franc~es de Sarthe. Depois, temos um intervalo de praticamente 3 meses, antes da etapa seguinte, em Austin, nos Estados Unidos, indo em seguida para o Japão. Em novembro, teremos praticamente 3 provas, na China, Bahrein, e o encerramento em Interlagos, em São Paulo. A prova brasileira esse ano fecha o campeonato, na esperança de atrair mais público e se firmar no calendário, após duas edições onde os balanços financeiros ficaram no vermelho.
Lucas Di Grassi entrou no lugar de Allan McNish e é candidato ao título com a poderosa Audi.
            Para os brasileiros, a expectativa é pela participação de Lucas Di Grassi no principal time da competição, a Audi. Competindo agora em tempo integral e com o teoricamente melhor carro do certame, a expectativa é alta, e Lucas é sim candidato ao título, tendo chances de repetir o feito do compatriota Raul Boesel, que foi campeão da extinta categoria Esporte-Protótipos em 1987. Mas a briga de Di Grassi já começa dentro da própria Audi, afinal o carro N° 2 também é tão favorito quanto o N° 1, do qual o brasileiro fará parte. O outro brasileiro na competição é Fernando Rees, que fará parte do time oficial da Aston Martin na categoria LMGTE Pro. Apesar do bom campeonato feito em 2013, o time inglês não renovou com o brasileiro Bruno Senna para 2014. Bruno, contudo, ainda deve disputar as 24 Horas de Le Mans, em um terceiro carro com o qual a Aston Martin deve competir.
            Nada menos do que 30 carros alinham no grid em Silverstone, um bom número para a competição, em seu 3° campeonato. A competição promete uma briga a três pela coroa da Endurance. E tem tudo para ser um duelo dos mais ferrenhos e acirrados. Muito bom para qualquer campeonato que se preze.

CALENDÁRIO 2014

DATA
PROVA
CIRCUITO (PAÍS)
20.04
6 Horas de Silverstone
Silverstone (Inglaterra)
03.05
6 Horas de Spa-Francorchamps
Spa-Francorchamps (Bélgica)
14 a 15.06
24 Horas de Le Mans
Le Mans (França)
20.09
6 Horas do Circuito das Américas
Austin (Estados Unidos)
12.10
6 Horas de Fuji
Fuji (Japão)
02.11
6 Horas de Shangai
Shangai (China)
15.11
6 Horas do Bahrein
Sakhir (Bahrein)
30.11
6 Horas de São Paulo
Interlagos (Brasil)

A etapa brasileira encerrará o campeonato este ano.

 PILOTOS E ESCUDERIAS (*)

EQUIPE
CATEGORIA
MODELO
CARRO
PILOTOS
AUDI SPORT TEAM JOEST
LMP1
Audi R18 e-tron quattro
01
Lucas Di Grassi (BRA)
Loïc Duval (FRA)
Tom Kristensen (DNK)
AUDI SPORT TEAM JOEST
LMP1
Audi R18 e-tron quattro
02
Marcel Fässler (CHE)
André Lotterer (DEU)
Benoit Tréluyer (FRA)
TOYOTA RACING
LMP1
Toyota TS 040 - Hybrid
07
Alexander Wurz (AUT)
Stéphane Sarrazin (FRA)
Kazuki Nakajima (JPN)
TOYOTA RACING
LMP1
Toyota TS 040 - Hybrid
08
Anthony Davidson (GBR)
Nicolas Lapierre (FRA)
Sébastien Buemi (CHE)
PORSHE TEAM
LMP1
Porsche 919 Hybrid
14
Romain Dumas (FRA)
Neel Jani (CHE)
Marc Lieb (DEU)
PORSHE TEAM
LMP1
Porsche 919 Hybrid
20
Timo Bernhard (DEU)
Mark Webber (AUS)
Brendon Hartley (NZL)
REBELLION RACING
LMP1
Lola B12/60 - Toyota
12
Nicolas Prost (FRA)
Nick Heidfeld (DEU)
Mathias Beche (CHE)
REBELLION RACING
LMP1
Lola B12/60 - Toyota
13
Dominik Kraihamer (AUT)
Andrea Belicchi (ITA)
Fabio Leimer (CHE)
STRAKKA RACING
LMP2
Strakka Dome S103 - Nissan
21
Nick Leventis (GBR)
Danny Watts (GBR)
Jonny Kane (GBR)
MILLENNIUM RACING*
LMP2
Oreca 03 - Nissan
22
Fabien Giroix (FRA)
Oliver Turvey (GBR)
John Martin (AUS)
MILLENNIUM RACING*
LMP2
Oreca 03 - Nissan
23
Stefan Johansson (SWE)
Mike Conway (GBR)
Shinji Nakano (JPN)
G-DRIVE RACING
LMP2
Morgan - Nissan
26
Roman Rusinov (RUS)
Olivier Pla (FRA)
Julien Canal (FRA)
SMP RACING
LMP2
Oreca 03 - Nissan
27
Serguey Zlobin (RUS)
Nicolas Minassian (FRA)
Maurizio Mediani (ITA)
SMP RACING
LMP2
Oreca 03 - Nissan
37
Kirill Ladygin (RUS)
Viktor Shaitar (RUS)
Anton Ladygin (RUS)
KCMG
LMP2
Oreca 03 - Nissan
47
Matthew Howson (GBR)
Richard Bradley (GBR)
Tsugio Matsuda (JPN)
AF CORSE
LMGTE Pro
Ferrari F458 Italia
51
Gianmaria Bruni (ITA)
Toni Vilander (FIN)
AF CORSE
LMGTE Pro
Ferrari F458 Italia
71
Davide Rigon (ITA)
James Calado (GBR)
RAM RACING
LMGTE Pro
Ferrari F458 Italia
52
Matt Griffin (IRL)
Alvaro Parente (PRT)
PORSCHE TEAM MANTHEY
LMGTE Pro
Porsche 911 RSR
91
Patrick Pilet (FRA)
Jörg Bergmeister (DEU)
Nick Tandy (GBR)
PORSCHE TEAM MANTHEY
LMGTE Pro
Porsche 911 RSR
92
Marco Holzer (DEU)
Frédéric Makowiecki (FRA)
Richard Lietz (AUT)
ASTON MARTIN RACING
LMGTE Pro
Aston Martin Vantage V8
97
Darren Turner (GBR)
Stefan Mücke (DEU)
ASTON MARTIN RACING
LMGTE Pro
Aston Martin Vantage V8
99
Alex MacDowall (GBR)
Darryl O'Young (CAN)
Fernando Rees (BRA)
RAM RACING
LMGTE Am
Ferrari F458 Italia
53
Johnny Mowlem (GBR)
Mark Patterson (USA)
Ben Collins (GBR)
AF CORSE
LMGTE Am
Ferrari F458 Italia
61
Luis Perez-Companc (ARG)
Marco Cioci (ITA)
Mirko Venturi (ITA)
AF CORSE
LMGTE Am
Ferrari F458 Italia
81
Stephen Wyatt (AUS)
Michele Rugolo (ITA)
Sam Bird (GBR)
PROSPEED COMPETITION
LMGTE Am
Porsche 911 GT3 RSR
75
François Perrodo (FRA)
Emmanuel Collard (FRA)
Matthieu Vaxivière (FRA)
PROTON COMPETITION
LMGTE Am
Porsche 911 RSR
88
Christian Ried (DEU)
Klaus Bachler (AUT)
Khaled Al Qubaisi (ARE)
8 STAR MOTORSPORTS
LMGTE Am
Ferrari F458 Italia
90
Vicente Potolicchio (VEN)
Gianluca Roda (ITA)
Paolo Ruberti (ITA)
ASTON MARTIN RACING
LMGTE Am
Aston Martin Vantage V8
95
Kristian Poulsen (DNK)
David Heinemeir Hansson (DNK)
Nicki Thiim (DNK)
ASTON MARTIN RACING
LMGTE Am
Aston Martin Vantage V8
98
Paul Dalla Lana (CAN)
Pedro Lamy (PRT)
Christoffer Nygaard (DNK)

(*) = Lista de inscritos para a primeira corrida. Os pilotos podem variar em alguns times durante o campeonato.

DEFINIÇÃO DAS GATEGORIAS

LMP1 - Carros protótipos de equipes de fábricas
LMP2 - Carros protótipos de equipes particulares e/ ou independentes de fabricantes de motores.
LMGTE Pro - Carros de turismo e/ou esportivos com pilotos exclusivamente profissionais
LMTGE Am - Carros de turismo e/ou esportivos com participação também de pilotos não-profissionais.


A Aston Martin terá o brasileiro Fernando Rees em um de seus carros.


sexta-feira, 11 de abril de 2014

CORRIDA DAS ARÁBIAS


As emoções no Bahrein começaram logo na largada: Lewis Hamilton foi para a liderança e Felipe Massa fez um arranque relâmpago saindo de 7° para 3°...

            Contra tudo e contra todos, a Fórmula 1 mostrou no último domingo porque merece ser chamada de "categoria máxima do automobilismo". O GP do Bahrein foi uma das corridas mais espetaculares dos últimos anos, e se tivemos apenas dois protagonistas brigando realmente pela vitória na prova, devido à superioridade de um time sobre os demais, isso não tirou o brilho da etapa, que se mostrou melhor do que a encomenda de quem ansiava por uma corrida de verdade, depois de duas etapas com poucas disputas e desfecho previsível.
            A Mercedes, novamente confirmando seu momento de superioridade na atual temporada, monopolizou a primeira fila e venceu novamente. Mas desta vez a pole foi de Nico Rosberg, dando a entender que se depender dele, a disputa pelo título vai ser bem mais dura do que os fãs de Lewis Hamilton esperavam. Mas o piloto inglês, pelo seu lado, deu um show na corrida, arrancando da 2ª posição para assumir a liderança já na primeira volta, mostrando seu lado arrojado e combativo. Mas não teve vida fácil. Nico foi atrás do seu parceiro de equipe, e ambos protagonizaram algumas disputas ferrenhas em várias oportunidades, com o alemão ultrapassando o inglês e levando o troco logo em seguida. Mas o melhor veio na parte final: com a entrada do Safety Car para arrumar a confusão cansada por Pastor Maldonado, que mandou Esteban Gutierrez virar de ponta-cabeça, Hamilton e Rosberg relargaram para as voltas finais com pneus diferentes. Nico, com os mais macios do fim de semana, teria um ritmo mais veloz, potencialmente de 1,5s por volta, enquanto Hamilton, com compostos mais duros, seria teoricamente presa fácil para o parceiro. Ambos partiram para o duelo, e Hamilton conseguiu rechaçar os ataques de Rosberg com extrema perícia, mas não sem duelarem roda a roda em diversos momentos.
            Guardadas as proporções, foi um duelo como nos velhos tempos em que Alain Prost e Ayrton Senna dividiam a equipe McLaren, em 1988. Duas feras da velocidade, em duelo ímpar um contra o outro. Um piloto arrojado ao extremo, contra outro mais cerebral, frio, e igualmente veloz. Um colírio para os olhos dos fãs. E o melhor de tudo, disputa limpa na pista, sem as malditas ordens de rádio. No box, a Mercedes pediu apenas que os pilotos trouxessem os carros inteiros para "casa". No mais, tudo liberado.
A Mercedes deu um show de competência e de esportividade: seus pilotos duelaram roda a roda pela vitória várias vezes.
            Ao fim das voltas, Hamilton averbou sua segunda vitória na temporada, mostrando para Rosberg que ele terá de suar muito para vencê-lo. Nico, por sua vez, não se sentia derrotado por ter perdido a vitória. Seu desempenho foi também o de um campeão, e sabia que poderia ter vencido com categoria. Lewis apenas deu um pouco mais ainda de si. Foi uma disputa de posições entre pilotos de um mesmo time que fazia tempo não ocorriam na categoria, ainda mais pela vitória de uma prova. Talvez o duelo mais recente tenha sido na Turquia, em 2010, quando o mesmo Lewis Hamilton, e Jenson Button, então na McLaren, duelaram firme por algumas voltas pelo triunfo na etapa turca. Ambos trocaram de posição várias vezes, sem esbarrar um no outro, mostrando competitividade, determinação, e respeito pelo adversário. Como vimos domingo passado.
            A prova barenita nunca havia empolgado muito desde que estreou no calendário da F-1. Este ano, depois de muita insistência, conseguiu que passasse a ser disputada à noite, a exemplo da etapa de Abu Dhabi. E isso fez muito bem: a corrida ganhou mais charme, com o pôr do sol no deserto compondo uma imagem muito bonita, e com a noite caindo e o céu noturno ajudando a destacar a pista do autódromo plenamente iluminada em meio às areias ao redor. Foi mesmo uma Corrida das Arábias, enfim. E como que num passe de mágica, assistimos à melhor corrida já disputada em todo o Oriente Médio.
            Não foi apenas na luta pela vitória. Do 3° lugar para trás, ninguém teve sossego: todo mundo entrou em briga com todo mundo, de preferência com os próprios parceiros de equipe. Tivemos duelos e ultrapassagens a rodo. Tirando um toque de rodas ou outro em algumas disputas, todo mundo saiu inteiro nas disputas, exceção óbvia, claro, ao toque entre Maldonado e Gutierrez, que fez a Sauber do mexicano capotar, felizmente sem maiores consequências para Esteban, além de ter ficado meio tonto. Em vários momentos, havia filas de carros em luta direta, e quem cometesse um erro perdia não uma, mas várias posições. E quem era ultrapassado voltava ao ataque logo em seguida, disputando e por vezes recuperando a posição perdida. E começava tudo de novo. As estratégias de pneus de cada um também ajudaram a apimentar as brigas.
            Mas o melhor de tudo mesmo foram as equipes terem ficado praticamente caladas. Tirando a Red Bull, que avisou Sebastian Vettel que Daniel Ricciardo estava mais veloz e o tetracampeão deixou o parceiro ultrapassá-lo, ninguém ganhou posição com as malditas ordens de box. Depois do escândalo visto na Malásia, parece até que todo mundo ganhou um pouco de vergonha na cara. Se isso vai durar, eu não sei, mas o esporte saiu ganhando, e os fãs de corridas também. Até as voltas finais, haviam disputas a todo momento, e ninguém conseguia desgrudar os olhos do que acontecia na pista, com medo de perder o lance decisivo de cada briga.
            Houve um fato ainda mais a ser comemorado ao fim desta bela corrida: a derrota de alguns críticos da "nova" F-1. Bernie Ecclestone foi ao Bahrein para desfilar seu rol de críticas às novas regras, alegando que elas estavam "acabando" com a categoria, e que isso era inaceitável. Quem também fazia coro era Luca de Montezemolo, que falava pelos cotovelos reclamando disso, reclamando daquilo. Com as disputas na pista a mil, não foi surpresa ambos terem ido embora no meio da corrida, cada um ostentando uma cara emburrada maior que a do outro. Não é difícil imaginar os motivos da retirada: nenhum deles ia querer enfrentar o batalhão de jornalistas presente cobrando deles justificativas para suas críticas desvairadas e oportunistas depois de assistirmos a uma prova fenomenal daquelas. Ambos ainda tiveram outra derrota, essa antes da corrida: em reunião com Jean Todt, presidente da FIA, ficou estabelecido que as regras atuais continuam como estão até o fim da temporada. Foi uma vitória da categoria e da FIA, que poderia perder a credibilidade se cedesse às pressões por mudanças, que ficou mais do que patente tem motivos muito mais de descontentamento por parte de quem não está se dando bem na pista com o novo regulamento do que por regras "perniciosas" e "inadequadas", como fingem defender. Quem perdeu mais foi Montezemolo, que não ficou para ver os carros da Ferrari terminarem a prova barenita apenas em 9° e 10° lugares. A Red Bull, em que pese a chiadeira de Dietrich Mateschitz e as críticas de Vettel ao barulho dos motores, vai tentando se virar e já começa a obter resultados interessantes, ainda que não estejam ainda com chances de disputar o título. Aos poucos, todos podem ver que a maioria das críticas disparadas contra a categoria não tem toda a razão de ser.
            É preciso dar tempo ao tempo. Toda a categoria ainda está se acertando aos novos regulamentos e motores. Bastou entrarem em um terreno mais conhecido, que foi a pista de Sakhir, onde todos fizeram a maior parte dos testes da pré-temporada, para assistirmos a um incremento notável na qualidade da disputa. Muito provavelmente por já saberem o que poderiam ou não fazer na pista barenita, e como seus monopostos reagiriam, todo mundo pode ser menos conservador e partir mais para o ataque. A próxima corrida, na China, pode não ser tão disputada como a do Bahrein, mas com certeza será um passo adiante em relação ao que vimos na Austrália e Malásia. E com certeza a disputa deverá melhorar quando retornar à Europa, em maio, onde todos os times terão novidades em grande escala para incrementar seus desempenhos. Temos de esperar para ver.
Pastor Maldonado e Esteban Gutierrez se "encararam" feio nesta. Felizmente, o mexicano nada sofreu, mas provavelmente deve ter xingado o venezuelano um bocado neste momento. Nada como uma discussão de "ângulos diferentes" de vista...
            A corrida barenita ainda mostrou-se afortunada: foi o 900° GP da história da F-1, e a categoria recebeu uma prova onde a esportividade e a emoção estiveram felizmente presentes o tempo todo. E acima de tudo o jogo limpo na pista, panorama bem diferente da última corrida centenária, o GP de Cingapura de 2008, que ficou marcado pelo acidente proposital de Nelsinho Piquet orquestrado por Flavio Briatore e Pat Symonds para favorecer uma vitória potencial de Fernando Alonso. Que o 1000° GP também possa honrar a história da Fórmula 1 como outras corridas centenárias já o fizeram.
            E que a prova do Bahrein no ano que vem volte a apresentar o show que presenciamos este ano. E que esta Corrida das Arábias justifique plenamente sua permanência no calendário pela qualidade das provas, e não apenas pelo dinheiro dos árabes.


Confiram as corridas centenárias da história da F-1 e os seus vencedores:

100° GP - Grande Prêmio da Alemanha de 1961 - Nurburgring (Nordscheleife) - Stirling Moss (Lotus/Climax). Show do piloto inglês naquela que foi sua última vitória na F-1, em um circuito difícil como o velho Nurburgring, e ainda por cima debaixo de chuva.

200° GP - Grande Prêmio de Mônaco de 1971 - Monte Carlo - Jackie Stewart (Tyrrel/Cosworth). Show do piloto escocês, que partiu da pole e praticamente dominou a corrida monegasca.

300° GP - Grande Prêmio da África do Sul de 1978 - Kyalami - Ronnie Peterson (Lotus/Cosworth) - Corrida com um final pra fã nenhum botar defeito, com nada menos do que 5 pilotos surgindo como potenciais vencedores da corrida nas voltas finais, com o triunfo de Peterson apenas na última volta.

400° GP - Grande Prêmio da Áustria de 1984 - Zeltweg - Niki Lauda (McLaren/TAG-Porshe). Vitória antológica de Lauda na corrida de seu país, ainda mais com o carro apresentando defeito nas últimas voltas.

500° GP - Grande Prêmio da Austrália de 1990 - Adelaide - Nélson Piquet (Benetton/Ford). Duelo antológico de Nélson Piquet com Nigel Mansell nas voltas finais e uma performance eletrizante do piloto brasileiro com um carro inferior à Ferrari do inglês.

600° GP - Grande Prêmio da Argentina de 1997 - Buenos Aires - Jacques Villeneuve (Williams/Renault). O filho do lendário Gilles Villeneuve iniciaria sua arrancada para o título da temporada nesta corrida.

700° GP - Grande Prêmio do Brasil de 2003 - Interlagos - Giancarlo Fisichella (Jordan/Ford). Confusão no final da prova devido à batida de Mark Webber e Fernando Alonso fez com que o vencedor surgisse apenas vários dias depois, a ponto de Fisichella receber seu troféu da vitória apenas na corrida seguinte, em Ímola.

800° GP - Grande Prêmio de Cingapura de 2008 - Marina Bay - Fernando Alonso (Renault). O piloto asturiano venceu após a entrada do Safety Car devido ao acidente de Nelsinho Piquet, quando o piloto espanhol já tinha feito sua parada nos boxes, antes dos demais, e relargou na frente para não ser alcançado. Tempos depois, o brasileiro revelou que a batida foi planejada pelo time.
Nélson Piquet foi o único brasileiro a vencer um GP centenário, ao triunfar na Austrália em 1990, depois de um duelo feroz com Nigel Mansell nas voltas finais.
 

Os leitores fãs de automobilismo ficaram decepcionados no fim do ano passado quando o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO dispensou os serviços de seu jornalista especializado na F-1, Livio Oricchio, o que fez a cobertura do periódico ficar muito menor nesta temporada. Bem, amigos, podem comemorar, o Lívio está de volta, agora cobrindo a F-1 para o Portal do Universo On-Line (UOL), e ele já esteve presente no Bahrein. E a partir desta semana, ele retoma seu blog para contato com os leitores e fãs, que pode ser acesssado em www.liviooricchio.com, onde ele promete continuar trazendo não apenas suas matérias, mas suas histórias sobre os bastidores da categoria e suas viagens na cobertura da F-1. Ele aguarda todos os seus velhos leitores por lá, e convida todos os novos à leitura. Seja bem-vindo de volta ao paddock, Lívio, e continue sempre firme...

quarta-feira, 9 de abril de 2014

FLYING LAPS - MARÇO DE 2014



            Com uma semana de atraso, mas sem deixar nada para trás, eis aqui a sessão Flying Laps novamente, trazendo alguns acontecimentos do mês de março no mundo do esporte a motor, com alguns comentários a respeito. Uma boa leitura a todos, e mês que vem tem mais...


O australiano Will Power venceu a etapa de abertura da Indy Racing League 2014, disputada na cidade de São Petesburgo, na Flórida. Power largou em 3° e assumiu a liderança da corrida depois da primeira rodada de pit stops com ultrapassagens decididas e arrojadas. Hélio Castro Neves, que largou na 10ª posição, veio escalando o pelotão, e quando tudo indicava que a Penske faria uma dobradinha 1-2 com o australiano e o brasileiro, aconteceu uma bandeira amarela com Charlie Kimball, que saiu da pista e ficou com o carro parado em lugar perigoso. Na relargada, houve mais confusão, com Power andando lento demais na reta e provocando um incidente entre o novato Jack Hawksworth e Marco Andretti. Na relargada definitiva, Ryan Hunter-Heay surpreendeu Helinho e assumiu a 2ª posição, partindo para o ataque a Will Power. O americano da Andretti, contudo, não conseguiu superar o australiano da Penske, e finalizou na 2ª posição. Restou a Hélio completar o pódio, em 3° lugar. Scott Dixon, da Ganassi, foi o 4°, e Simon Pagenaud completou os 5 primeiros. A próxima corrida é dia 13 de abril, em Long Beach, na Califórnia.


Estreando na Ganassi, Tony Kanaan até surpreendeu ao largar em 2° no grid, mas teve alguns percalços durante a corrida, quando seu carro perdeu parcialmente o rendimento. No final, o baiano, que nas últimas 3 temporadas correu pela KV, finalizou a corrida em 6° lugar. Mas Tony não foi o único a se decepcionar depois de um treino classificatório promissor: Takuma Sato, da equipe Foyt, conquistou a pole-position e nas primeiras voltas, comandou com autoridade a prova. Mas seu carro não rendeu o mesmo depois da primeira parada de box, quando trocou de pneus. Perdendo performance, o japonês passou a lutar para se manter entre os 10 primeiros, e conseguiu terminar em 7° lugar. Quem também teve uma estréia a desejar foi o colombiano Juan Pablo Montoya: enquanto seus colegas na Penske lutavam pela vitória na corrida, Montoya largou lá atrás e por lá ficou durante quase toda a prova, lutando com pilotos do bloco intermediário e até do fim do pelotão em determinados momentos, terminando apenas em 15°. Montoya já esperava dificuldades em seu retorno aos monopostos, mas tem condições de recuperar o terreno perdido, pelo menos para terminar bem mais à frente. Tony Kanaan, por sua vez, admitiu a decepção pelo 6° lugar, mas promete se empenhar para melhorar. Aguardemos as próximas etapas.


A IRL 2014 teve início com apenas 22 pilotos largando em São Petesburgo. Com a perda do patrocínio da Guarda Nacional, que foi para o time de Bobby Rahal, a equipe Panther simplesmente não alinhou na corrida, e muito possivelmente não participará do restante do campeonato. A categoria espera melhorar o número de participantes, mas a verdade é que desde o fim da Fórmula Indy original, em 2008, quando a IRL arregimentou times e pilotos da finada categoria, este é o menor número de participantes. Por mais que falem do fortalecimento da IRL, ela ainda está muito distante da F-Indy original, que na década de 1990, chegava a ter até 30 pilotos disputando classificação em corridas normais. Os tempos continuam difíceis, pelo que se vê...


A MotoGP iniciou o campeonato de 2014 com um duelo eletrizante na etapa do Catar. Marc Márquez, o atual campeão da modalidade, surpreendeu logo nos treinos ao conquistar a pole-position, mesmo com a perna ainda convalescente da fratura sofrida em fevereiro em um acidente. Na corrida, após um arranque mais conservador, o jovem espanhol assumiu a liderança após as saídas de pista de Jorge Lorenzo e Stefan Bradl, que conseguiram largar melhor. Mas Márquez não teve vida fácil: Valentino Rossi, como que renascido das cinzas da temporada passada, havia largado apenas em 11°, e veio passando quem encontrava pela frente. Ambos já haviam tido um duelo titânico em Losail em 2013, com o "Doutor" levando a melhor sorte naquele combate, que marcou a estréia de Marc na MotoGP. Desta vez, entretanto, o espanhol levou a melhor, mas não sem suar bastante o macacão, em um novo duelo com o italiano da equipe Yamaha, onde ambos trocaram de posição algumas vezes. Além de conquistar a vitória com Márquez na primeira etapa do campeonato, a Honda ainda fez maioria no pódio: Dani Pedrosa fechou a corrida em 3° lugar, e parece que vai passar mais um ano à sombra de Márquez no time nipônico. Pelo seu lado, a Yamaha já viu que a rival possui um equipamento fortíssimo, e que vai ter um ano duro pela frente. Jorge Lorenzo que o diga: o bicampeão, que foi vice em 2013 após um renhido duelo com Márquez, começou mal a temporada, ao sofrer um acidente logo no início da corrida, quando tentava aumentar sua vantagem na liderança para fugir dos concorrentes. A moto de Lorenzo capotou feio, mas felizmente Jorge já não estava em cima dela, e saiu ileso do acidente, exceto pelo orgulho ferido, e vendo o rival Márquez abrir logo de cara 25 pontos na temporada.


A Stock Car brasileira iniciou seu campeonato 2014 com uma prova onde todos os pilotos contaram com um parceiro convidado. A idéia era dar mais charme à competição na estréia da categoria, e tivemos então 66 pilotos na pista, para guiar os 33 carros presentes no grid. Quem venceu a parada foi o jovem Felipe Fraga, de apenas 18 anos, que venceu em sua estréia na Stock, tornando-se o mais jovem piloto da história da categoria a vencer uma corrida. Fraga teve como piloto parceiro convidado o brasileiro Rodrigo Sperafico. A prova inicial da temporada foi agitada, devido principalmente à chuva que caiu em Interlagos. Houve alguns acidentes, como o toque entre Rubens Barrichello e Dennis Navarro, que deixou este último em posição perigosa na saída do S do Senna, o que o levou a ser atingido por outros competidores, motivando a entrada do Safey Car. Felizmente, nenhum dos envolvidos se feriu no choque entre os bólidos. Na segunda posição da corrida, ficou Valdeno Brito, que teve como parceiro o holandês Jeroen Bleekemolen; em 3° ficou a dupla Marcos Gomes e Mauro Giallombardo. Entre outros nomes que estiveram em Interlagos como pilotos convidados estavam Bruno Senna, Nelsinho Piquet, Augusto Farfus, Ricardo Rosset, Enrique Bernoldi, Álvaro Parente (Portugal), Mark Winterbottom e Craig Dolby (Austrália), e Ale Pier Guidi (Itália).


A Volkswagen continua liderando o Mundial de Rali. Na etapa do México, a equipe da fábrica alemã fez dobradinha, com o atual campeão, o francês Sébastien Ogier a conquistar mais uma vitória. Ogier venceu a etapa com pouco mais de 1 minuto de vantagem para seu companheiro de equipe, o finlandês Jari-Matti Latvala. Completou o pódio o belga Thierry Neuville, num bom resultado para a Hyundai. Com este resultado, Ogier acumula 62 pontos. e reassumiu a liderança do campeonato, enquanto Latvala agora estár na segunda colocação, com 58 pontos. Com 3 etapas disputadas, a Volkswagem reina absoluta este ano no Mundial de Rali: enquanto Ogier venceu a etapa do México e a abertura do campeonato, em Mônaco, seu companheiro Latvala venceu a etapa da Suécia. Vai ser difícil competir com eles...


Está ficando chato repetir isso a toda hora: Robert Kubica sofreu outro acidente no Mundial de Rali. Desta vez o polonês capotou com seu carro durante uma das etapas superespeciais do Rali do México. Felizmente, Robert não se machucou novamente, mas foi mais uma participação que foi para as cucuias. Kubica admitiu que precisa tomar providências para reduzir o número de acidentes que vem protagonizando: só no México foram dois. O polonês disse, após o rali mexicano, que seu principal problema está sendo nas etapas fora do asfalto, e disse que tem tido problemas em lugares estreitos, e que provavelmente terá de mudar seu estilo de pilotagem a fim de contornar esta dificuldade que vem enfrentando. Mas admite que não será fácil, devido à falta de experiência com este tipo de pista, afirmou. Até agora Kubica não conseguiu terminar nenhuma etapa no ano, justamente por causa dos acidentes que vem protagonizando, o que o deixa totalmente zerado em pontos no campeonato. Vamos ver se ele consegue não detonar o carro nas próximas etapas...

sexta-feira, 4 de abril de 2014

PISADA NA BOLA


Felipe Massa deu uma banana para a ordem do time de deixar Valtteri Bottas ultrapassá-lo. O finlandês que passasse na pista, sem firulas. Mas não conseguiu.

            Quando ouvia aos quatro ventos todo o clima otimista de Felipe Massa em sua nova "casa" na F-1, a equipe Williams, sempre me vinha à mente o ocorrido em 2010, quando o mesmo time havia contratado Rubens Barrichello, e o clima de cordialidade entre escuderia e piloto era dos mais afáveis, a ponto de o time se perguntar como um piloto tão bom como Rubinho ainda não havia sido campeão na F-1. Em 2010, de maneira similar ao que ocorre neste ano, o time de Frank tentava reiniciar tudo: a parceria com a Toyota havia acabado, eles tinham um novo motor, e o carro não era um desenvolvimento simples do modelo do ano anterior. Apesar dos percalços enfrentados, o time até que se saiu razoavelmente naquele ano: não subiu ao pódio, mas manteve-se firme no pelotão intermediário.
            Ao fim de 2011, depois de passar pela pior temporada de sua história, o clima era totalmente outro. Barrichello fazia o que podia na pista, mas a falta de resultados, mais decorrente do péssimo modelo produzido naquele ano, minaram as chances de permanência do brasileiro. O time já havia rifado Nico Hulkenberg ao fim de 2010, contratando o venezuelano Pastor Maldonado, que trazia consigo o polpudo patrocínio da PDVSA. Por conta principalmente deste patrocínio, Maldonado continuou no time, que também buscou os cobres de Bruno Senna. E os elogios que tanto haviam feito a Rubinho, onde foram parar? Ninguém sabe, ninguém viu...
            O clima de elogios e troca de afagos entre Felipe Massa e a Williams lembrou aqueles primeiros tempos de seu compatriota no time. Desde cedo eu já mencionava que esperava que Felipe tivesse pelo menos mais respeito do que Rubens por parte da Williams. Não demorou muito para o clima azedar, muito pelo contrário, começou até mesmo antes do que se imaginava. Foi apenas a segunda corrida de Felipe - ou primeira, se levarmos em conta que ele abandonou na Austrália, e ele acaba ouvindo esse tipo de ordem da escuderia, para liberar passagem para o companheiro Valtteri Bottas porque ele "estava mais rápido"? Massa fez bem em ignorar, embora tenha criado certa celeuma no time, que a esta altura, quando todos já se preparam para entrar na pista da prova deste fim de semana, jura já ter resolvido tudo e encerrado qualquer discussão a respeito. Será? Quero ver para crer.
            Bottas estava mais rápido? Se estivesse, que passasse o brasileiro e fosse para cima de Jenson Button, como dizia a justificativa. Se não passou, é porque não estava tão rápido assim como se afirmava. Outro detalhe que pouco foi falado é que o time, antes daquela ordem, havia pedido a Felipe para dar uma relaxada no ritmo, a fim de poupar o equipamento, solicitação que Bottas não recebeu, e portanto, explica parte de seu ritmo mais veloz frente ao brasileiro nas voltas que antecederam o comunicado para "facilitar" a passagem. Ao receber o recado para ceder o lugar, Felipe voltou a acelerar, entretanto, seus pneus já estavam um pouco mais desgastados do que os do parceiro, e por isso o finlandês se aproximou. Só que não o suficiente para ultrapassar. Por fim, o time pediu que ambos mantivessem posições, pois os carros corriam risco de superaquecimento. Mas o estrago já havia sido feito.
            Não é preciso lembrar que, no ano passado, a Malásia já havia visto outro mal-estar envolvendo ordens de equipe. Enquanto o time da Red Bull pediu que seus pilotos diminuíssem o ritmo para poupar os carros, Sebastian Vettel mandou a ordem às favas, e ultrapassou Webber de forma desleal, para vencer a corrida. Sim, foi de forma desleal, porque o australiano havia reduzido o ritmo do motor, conforme o time pediu: assim, Vettel arrancou uma ultrapassagem quando o parceiro estava correndo com "6 cilindros" enquanto ele acelerava com todos os seus "8 cilindros". E depois do prejuízo, não havia como Webber recuperar a posição, da mesma forma que, até então, em disputa direta e normal, Vettel não tinha conseguido ultrapassar o colega de equipe. Dali em diante, Webber apenas cumpriu tabela no campeonato e se mandou da F-1, preferindo ir defender a Porshe no Mundial de Endurance. E, claro, também tivemos o lance da Mercedes, que ordenou que Nico Rosberg não ultrapassasse Lewis Hamilton quando ambos disputavam a mesma posição na pista.
            A Mercedes não gostou da atitude de Ross Brawn, que deu a ordem. O resultado é que hoje ele não está mais no time, e até ordem em contrário, Hamilton e Rosberg estão livres para disputarem posições na pista. Claro, desde que não se estranhem nas manobras. Chegará uma hora em que possivelmente, em favor da defesa da luta pelo título, que talvez seja necessário disciplinar a disputa, mas por enquanto, não há razão para de ordenar quem anda na frente de quem. A Williams, que já deveria saber dos riscos de se mexer com o brio de seus pilotos, esqueceu completamente sua história, e seu grande rol de fracassos neste sentido.
            Do duelo entre Carlos Reutteman e Alan Jones no início dos anos 1980, quando a preferência pelo australiano levou o argentino a perder o título na luta contra Nélson Piquet, o time ainda tentaria algo parecido em 1986, preferindo Nigel Mansell em detrimento do próprio Piquet, agora piloto do time. Nélson, matreiro e astuto, demorou meia temporada para sentir que o time não o apoiava como esperava, e decidiu virar o jogo. A briga fraticida resultou na perda do título daquele ano para Alain Prost, da McLaren. No ano seguinte, ainda tentaram de novo, mas Piquet, já calejado, não deixou o time rir por último e foi o campeão.
            Houve ainda duelos entre Jacques Villeneuve e Damon Hill, quando competiram pelo título de 1996, mas sem os ânimos exaltados das lutas de 1981, 1986 e 1987. O inglês foi campeão, e acabou demitido pelo time, que já preferia mais o canadense. Na década passada, a escuderia teve algumas dores de cabeça para gerenciar as disputas entre Ralf Schumacher, e um atrevido Juan Pablo Montoya, que peitava até Michael Schumacher em disputa de curva. E se o colombiano já não respeitava Michael, "little" Schummy menos ainda.
            Voltando ao momento atual, com relação a Felipe Massa, onde estão aqueles discursos do brasileiro liderar o time com sua experiência? Com ou sem segunda corrida ou não, alguém acredita que a Williams vai brigar pelo título? Até parecia ter alguma esperança pelo que se viu na pré-temporada, mas depois do que se viu em Sepang, se conseguir um pódio já estará de bom tamanho. Não tem nada demais o time avisar que o colega está logo atrás e está mais rápido. Agora, pedir para não impôr resistência, e facilitar a ultrapassagem, é outra história. E o papo de que se Bottas não conseguisse ultrapassar Button ele devolveria a posição a Felipe, é preciso ser muito ingênuo para acreditar nisso, pois ele certamente continuaria atacando até o final, só para mostrar que não desistiria e que ainda teria chances. Massa resolveu dar um basta, até porque perderia o respeito que está lutando para reconquistar, bem como fazer renascer sua carreira.
            Agora, contudo, o brasileiro terá um desafio árduo pela frente: andar sempre bem mais à frente do que o finlandês, para não apenas nunca mais ouvir tal sugestão, como para mostrar porque ele foi contratado como piloto do time. E ficar atento às entrelinhas dos acontecimentos, porque Bottas já começa a dar mostras de se achar o rei do pedaço dentro do time. No ano passado, já se estranhou com Maldonado, e pode estar apenas começando a se estranhar com Felipe. Como Bottas é a mais recente aposta do time, que lhe deu inúmeras sessões de treinos livres em 2012 a fim de prepará-lo para a estréia no ano passado, preferindo sacrificar Bruno Senna no processo, pode-se esperar a possibilidade de surgirem favorecimentos velados ao finlandês em algum momento. O fato de ele ser agenciado por Toto Wolf, que é acionista do time, também pode ser um fator complicador para a situação de Massa, embora todos jurem que isso não tem importância alguma.
            Especulações de favorecimentos à parte, por enquanto há só uma verdade: Bottas é um piloto extremamente rápido, e vai dar trabalho para Felipe na pista, tentando ser mais veloz do que o brasileiro. Massa tem condições de andar à frente do finlandês, como mostrou nos treinos e na corrida da Malásia, mas não poderá vacilar para não ser surpreendido. Por parte da Williams, foi uma tremenda pisada na bola, ao usar uma frase que já causou um tremendo estrago na carreira do brasileiro, e se traduziu em uma tremenda falta de respeito. Tomara que a recusa de Felipe em obedecer possa ter despertado no brasileiro aquele piloto arrojado que quase foi campeão em 2008, e que mostre que ele ainda tem muito o que oferecer à F-1. Comecemos a verificar já neste fim de semana...

quarta-feira, 2 de abril de 2014

COTAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA - MARÇO DE 2014



            Devido à agenda corrida dos últimos fins de semana, apenas hoje deu para trazer a nova edição da Cotação Automobilística, já atualizada com as últimas corridas disputadas domingo. Então, vamos às avaliações, lembrando sempre que o esquema é EM ALTA (caixa na cor verde); NA MESMA (caixa na cor azul); e EM BAIXA (caixa na cor vermelho-claro). Boa leitura a todos...

 


EM ALTA:

Equipe Mercedes: O time de Stuttgart confirmou o que se esperava na pré-temporada: é o carro a ser batido no mundial de F-1. Em duas corridas, duas poles e vitórias praticamente de ponta a ponta, sem ter sido ameaçada efetivamente na luta pela vitória tanto na Austrália quanto na Malásia. E ainda pode ter potencial para andar ainda mais rápido, se houver necessidade, pois com o triunfo assegurado, não foi preciso acelerar mais do que o necessário tanto em Melbourne quanto em Sepang, e poupar o carro ainda é uma necessidade, em virtude das novas regras técnicas, que ainda estão sendo dominadas por todos. O que pode complicar o time é a briga interna de seus pilotos. Nico Rosberg se saiu bem na Austrália, mas não teve a concorrência de Lewis Hamilton na prova; já na Malásia, o inglês não seu chance ao parceiro de equipe. Uma hora os dois vão se estranhar, podem apostar...

Equipe Penske: O time de Roger Penske iniciou o campeonato 2014 da Indy Racing League na frente, com uma vitória de Will Power em São Petesburgo, e fazendo a maioria no pódio, com o 3º lugar de Hélio Castro Neves. O australiano parece ter se recuperado completamente do mau campeonato realizado em 2013, e o brasileiro continua andando forte, em que pese ter feito bobagem na última relargada da corrida, quando perdeu o 2º lugar para Ryan Hunter-Reay, permitindo que o americano o superasse. O ponto destoante foi Juan Pablo Montoya, que fez uma estréia abaixo da expectativa, mas compensada pelo desempenho da dupla Power/Castro Neves. Na briga contra a Ganassi, a Penske sai na frente, mas é bom ficar atento à concorrência, que pode surpreender, como foi a pole de Takuma Sato, e o próprio 2º lugar de Hunter-Reay, da Andretti Autosport.

Marc Márquez: O atual campeão da MotoGP deu um show na etapa de abertura do campeonato, no Catar, ao superar os reveses da perna quebrada em um acidente no mês passado, para marcar a pole-position e vencer a corrida após um duelo eletrizante com Valentino Rossi, que saiu do meio do pelotão para discutir a vitória com o jovem espanhol. Para quem esperava aproveitar o momento de aparente indisposição física do campeão, Márquez já deu o aviso: vai em busca do bicampeonato, e segurem-no se puderem. Na primeira corrida, os rivais fracassaram. Resta saber como irão se sair nas próximas etapas.

Novas regras técnicas da F-1: Novos carros com novos motores e novos sistemas de recuperação de energia. Todos diziam que a quebradeira de carros seria enorme, e que teríamos panes secas nas provas. Com duas corridas disputadas, ainda há algumas arestas para serem polidas, mas a alta qualidade técnica dos engenheiros e projetistas da categoria máxima do automobilismo mostrou novamente do que é capaz, e os bólidos 2014, se estão mais lentos do que em relação aos de 2013, não é nenhuma diferença gritante, ainda mais se considerarmos que os novos motores consomem 1/3 a menos de combustível em relação aos antigos V-8, proporcionando ainda aos carros maiores velocidades em reta, e lembrando que os carros deste ano são cerca de 50 Kg mais pesados do que os antigos. Como os times ainda estão conhecendo seus novos equipamentos em ritmo de corrida, a escalada de performance e solução de problemas com as novas tecnologias devem aumentar com a progressão do campeonato. O saldo inicial é extremamente positivo para a imagem da F-1 como desenvolvedora de tecnologia.

Novatos da F-1 em 2014: As caras novas no grid da F-1 em 2014 já mostraram a que vieram logo de cara: Kevin Magnussen estreou na McLaren subindo ao pódio, superando seu companheiro de equipe Jenson Button, e mostrando consistência de um veterano na pista. O dinamarquês só não repetiu a mesma exibição na Malásia em virtude de um toque acidental com Kimmi Raikkonem, mas mostrou categoria e velocidade. Já na Toro Rosso, Daniil Kvyat pontuou nas duas corridas, alcançando os resultados que eram possíveis para o seu carro, e mostrando que Jean-Éric Vergne vai ter um ano difícil como companheiro do jovem russo. Marcus Ericsson infelizmente não conta muito, em parte maior pelo fato da Caterham continuar sendo uma carroça, em parte por ter Kamui Kobayashi como companheiro de equipe, um piloto que sempre anda muito, e já começa a impressionar mesmo com o carro de Tony Fernandes, que pode vir a ser uma boa inspiração para o sueco.



NA MESMA:

Felipe Massa: Sem lugar na Ferrari, quando foi anunciada sua contratação pela Williams, e depois dos bons resultados dos testes da pré-temporada, surgiu a oportunidade de o brasileiro encontrar finalmente a redenção na F-1, expurgando alguns fantasmas surgidos em seus últimos anos como piloto do time italiano. Mas o ano começou com os mesmos velhos fantasmas querendo continuar a assombrar Felipe: na Austrália, o seu tradicional histórico de azar em Melbourne o fez ficar de fora da corrida logo na largada; e na Malásia, acabou ouvindo uma reprise do pior momento de sua carreira, quando precisou ceder posição a Fernando Alonso no GP da Alemanha de 2010. Só que desta vez Massa resolveu endurecer e não cedeu, mas já vai ter algumas dores de cabeça que esperava ter deixado para trás quando saiu da Ferrari. Para complicar a situação, a posição de melhor carro depois da Mercedes já caiu por terra, e Felipe terá de trabalhar duro para ter um ano melhor do que as projeções iniciais apontavam, para não dizer que seu companheiro de equipe certamente vai ser o primeiro a torpedeá-lo na primeira oportunidade que surgir. Depois dos anos escaldados na Ferrari, Felipe precisa abrir o olho para que sua nova fase de carreira não tome um rumo negativo novamente.

Equipe McLaren: O time de Woking iniciou 2014 disposto a apagar a má impressão deixada em 2013, quando ficou de fora do pódio e das vitórias pela primeira vez em muitos anos. Ron Dennis reassumiu as rédeas da escuderia, tirou Martin Whithmarsh do comando do time e colocou Eric Bouiller no lugar. Ainda que este ano seja visto como de transição, esperando pela nova parceria com a Honda em 2015, o time inglês certamente teve uma boa estréia na Austrália, onde teve seus dois pilotos classificados em 2º e 3º lugares, mas na Malásia tanto Jenson Button quanto Kevin Magnussen estiveram longe da briga pelo pódio, sendo superados até pela Red Bull, Ferrari e Force India, o que indica que o time ainda precisa melhorar para voltar a vencer. Outro ponto que denota que a situação da McLaren não é tão boa é a praticamente ausência de patrocinadores no carro, reflexo um pouco da crise financeira mundial que espantou patrocinadores potenciais, ora da postura arrogante de Ron Dennis, que teria feito exigências descabidas para patrocinadores que na sua opinião não estariam à altura de atenderem aos requisitos de excelência do grupo McLaren.

Equipe Ferrari: Tudo indica que este pode ser mais um ano em que o time de Maranello vai ficar na fila esperando ter uma chance de disputar o título. Além de não conseguir andar no ritmo da Mercedes, a Red Bull, mesmo com seus problemas de confiabilidade, já mostrou ter mais carro que o time italiano, que no momento, só pôde contar mesmo com os resultados de Fernando Alonso, que vai fazendo o que consegue. E Kimmi Raikkonem, pelo seu lado, vem tendo alguns azares que o impediram de alcançar melhores colocações. Luca de Montezemolo pode ir começando a ter seus chiliques de insatisfação e rebeldia mais uma vez...

Transmissão da IRL na Bandeirantes: Depois de ser interpelada pela direção da Indycar por quebra de contrato em relação ao cancelamento da etapa brasileira da categoria, o Grupo Bandeirantes conseguiu se safar do pior costurando um acordo para trazer de volta a etapa brasileira ao calendário, que agora será em Brasília, a partir do ano que vem. De bônus, a empresa continuará transmitindo a categoria, e pelo menos dando a oportunidade dos fãs brasileiros de automobilismo de continuar acompanhando as corridas do certame. Resta saber se o fã terá oportunidade de ver isso direito na TV aberta, uma vez que na transmissão da etapa de abertura do campeonato, em São Petesburgo, apenas quem tinha o canal pago Bandsports viu a prova na íntegra, enquanto a Bandeirantes mostrou apenas parte da corrida em seu canal aberto. Vejamos o que acontece no restante do campeonato...

Recuperação da Indy Racing League: Depois que a F-Indy acabou em 2008 e sobrou apenas a IRL, ainda não parece ser este o ano da recuperação da categoria. Apesar de conseguir um novo patrocinador principal, e alguns times ostentarem novos patrocínios, o certame perdeu duas escuderias neste campeonato, o que resultou em pelo menos 3 carros no grid. Sem a Dragon, que preferiu ir para a nova Fórmula E, e a Panther, que sem o patrocínio da Guarda Nacional praticamente não iniciou o campeonato, apenas 22 pilotos alinharam no grid de São Petesburgo. Ainda é cedo para dizer que a categoria está estagnada, pois anunciou novas regras de pontuação para as provas de 500 milhas do calendário, e um novo modo de classificação para a Indy500. Vejamos como repercutirá o GP de Indianápolis, a ser disputado na pista mista do famoso circuito oval. Infelizmente, a categoria continuará sem maiores novidades em termos de equipamento: apenas Honda e Chevrolet fornecem motores, enquanto todos continuam usando o chassi Dallara DW12 e os pneus da Firestone. Pelo menos espera-se que o campeonato seja bem disputado, e que com isso possa atrair mais parceiros, sejam tecnológicos, sejam financeiros, e com a entrada de novas etapas de algumas pistas que deixaram saudades na antiga F-Indy, como Elkhart Lake e Surfer's Paradise...



EM BAIXA:

Equipe Williams: O time de Frank Williams encheu os olhos da torcida na pré-temporada, com desempenhos constantes e estáveis. Ainda mostrou uma boa jogada administrativa conquistando o respeitável patrocínio da Martini, e assegurando patrocínios menores para formar um bom orçamento para a temporada, como os acordos com a Petrobrás, e com a contratação de Felipe Nasr, trazendo o nome do Banco do Brasil para o time. Mas se na Austrália o novo FW36 mostrou potencial até para fazer o time voltar a pensar em disputar pelo menos pódios, na Malásia a Williams andou para trás, incapaz de acompanhar o ritmo tanto de Mercedes quando da Red Bull, que deu mostras de reação, e até mesmo de uma Ferrari e uma Force India. Para piorar, o time ainda arrumou um imbróglio entre seus pilotos, com a indicação de facilitação de ultrapassagem de Felipe Massa para Valtteri Bottas, que vinha mais rápido, no que foi ignorado pelo brasileiro. Apesar de veloz, o carro precisa de maior downforce, para permitir maiores ajustes de estabilidade e flexibilidade frente às variáveis condições de pista, revelando-se vulnerável às pistas molhadas. O ano que se esperava de volta às primeiras colocações pode não ser tão animador como se esperava.

Equipe Red Bull: O time das bebidas energéticas iniciou o pior campeonato desde que passou a vencer corridas, em 2009, mais pelo que tem feito no aspecto esportivo do que propriamente no aspecto técnico. Depois de enfrentar um sem-número de problemas na pré-temporada, onde mal conseguia dar várias voltas em sequência, o time tetracampeão mundial mostrou tanto na Austrália quanto na Malásia já ter dado passos largos para voltar a disputar as primeiras posições, com Daniel Ricciardo a ser um 2º lugar convincente em Melbourne, e Sebastian Vettel a ser o melhor do “resto” em Sepang. Mas a escuderia pecou pela soberba no caso do fluxômetro de combustível, mesmo após ser advertida pela FIA sobre o problema, e acabou vendo Ricciardo desclassificado na Austrália. E na Malásia, o time ainda cometeu falha no pit stop do australiano, que acabou por arruinar a corrida do piloto, que ganhou punição no grid para a etapa seguinte, no Bahrein. Para piorar, Dietrich Mateschitz criticou as novas regras técnicas adotadas, dando a entender que poderia até deixar a F-1. O sucesso talvez tenha feito mal à Red Bull, que parece ter sentido a pressão de não ser mais o time a ser batido, e começou a chorar de barriga cheia, pois não está tão ruim quanto todos imaginavam.

Equipe Panther: O time da Indy Racing League praticamente ficou de fora do início do campeonato, mostrando que a perda do patrocínio da Guarda Nacional americana foi um baque mais forte do que poderia imaginar. Além de ter ficado de birra com a Rahal/Letterman/Lannigan, que abocanhou o patrocínio, prometendo ir à justiça reclamar perdas e danos, o time falhou feio na sua organização financeira, pois depender apenas de um único patrocinador é um claro sinal de mau planejamento e falta de visão, por não evitar que a perda do patrocinador principal inviabilizasse sua participação no campeonato. Com isso, a IRL perde mais um time para o certame de 2014,e que era o mais antigo de seu campeonato, criado e presente desde que o certame teve início, em 1996.

Equipe Lotus: Time que ajudou a dar uma sacudida no campeonato de F-1 nos últimos dois anos, a Lotus iniciou 2014 praticamente quebrada em termos financeiros, tendo de pagar as dívidas acumuladas das últimas temporadas. Mesmo o patrocínio da PDVSA não teria sido suficiente para recolocar o time no azul, razão pela qual a escuderia faltou à primeira sessão de testes da pré-temporada, e ainda se viu às voltas com um grande número de problemas, em decorrência das falhas das unidades de potência da Renault, bem como do novo modelo E22. E com duas corridas disputadas em 2014, ver a escuderia que no ano passado disputava pódios com frequência, agora tocando rodas com times como a Caterham e a Marussia, é de dar dó. Pior para Romain Grossjean, que esperava dar um salto em sua carreira sem ter a companhia de Kimmi Raikkonen no time, e também para Pastor Maldonado, que brigou para sair da Williams achando que o time não iria a lugar nenhum, e acabou caindo em Enstone num momento em que o time está andando para trás, sem conseguir nem performance e nem fiabilidade. A única salvação reside no boato de que a Renault pode recomprar o time de volta, o que solucionaria os problemas financeiros, mas até isso se confirmar, as perspectivas não são boas para as próxims corridas.

Punições na F-1: O novo sistema de "pontuação" das punições aos pilotos da F-1, e as penalidades previstas nas novas regras já começam a dar nos nervos de quem curte corridas. Pelos toques que andaram dando na corrida malaia, Kevin Magnussem e Jules Bianchi ganharam dois pontos na "carteira". E vale frisar que os toques foram apenas incidentais, coisa de corrida mesmo. E o que dizer de Daniel Ricciardo, que por ter sido soldo com uma das rodas frouxas, além de tomar um stop & go em Sepang, ainda vai perder 10 posições na largada do GP do Bahrein. Segurança é importante, mas as frescuras envolvendo atos aparentemente normais nas corridas está ganhando contornos doentios onde dali a pouco até espirar dentro do capacete pode dar uma punição, sob alegação de prejudicar a vista quando se espirra. Desse jeito, a F-1 vai virar um colégio de freiras...